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Agência Câmara,
3 de janeiro de 2007
Comissão aprovou facilidades
para construir casa própria
No balanço das suas atividades em 2006, a Comissão de Desenvolvimento
Urbano destaca a aprovação de propostas que facilitam a construção
de habitações de interesse social. O objetivo é diminuir
o déficit habitacional do Brasil, em especial de moradia popular. Segundo
estudo divulgado pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil de São Paulo, nos últimos dez anos o déficit habitacional
cresceu mais de 16% e alcançou a marca de 7,2 milhões de moradias.
A comissão aprovou o Projeto de
Lei 6981/06, do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), que assegura às
famílias com renda mensal de até três salários
mínimos o direito à assistência técnica pública
e gratuita para a construção de moradias de interesse social.
A única condição é que a casa seja utilizada
para moradia própria.
A assistência deverá ser
oferecida por arquitetos, urbanistas e engenheiros em todas as etapas
da construção. Os serviços devem ser custeados por
fundos federais, estaduais e municipais, por recursos públicos
orçamentários ou por financiamentos privados.
A proposta altera a Lei 11124/05, que
trata do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social.
Para a relatora, deputada Marinha Raupp (PMDB-RO), a proposta tem "alta
relevância social". O projeto, de caráter conclusivo,
ainda será analisado pelas comissões de Finanças
e Tributação - que já tem parecer pela aprovação
-, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Isenção
Já o Projeto de Lei 6058/05, do
deputado Ivo José (PT-MG), cria incentivos para construção
de casa própria. De acordo com o texto, não será necessário
o pagamento da contribuição para a Seguridade Social incidente
sobre a mão-de-obra empregada na construção de moradias
populares. Além disso, a venda de materiais de construção
para tais obras será isenta de PIS/Pasep e da Cofins.
O relator da matéria na comissão,
deputado Custódio Mattos (PSDB-MG), lembrou que, ao conceder incentivos,
o texto estimula a construção de habitações
para a população de baixa renda, "contribuindo para
a redução do enorme déficit habitacional, além
de gerar emprego e renda". Apesar disso, Custódio Mattos
considera que pode haver dificuldades operacionais e de fiscalização,
pelo fato de a isenção de tributos beneficiar apenas pessoas
físicas. O projeto, de caráter conclusivo, ainda será analisado
pelas comissões de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Desapropriações
De autoria da deputada Socorro Gomes (PCdoB-PA),
o Projeto de Lei 6316/05 garante prioridade à população
de baixa renda no aproveitamento de imóveis desapropriados. Segundo
o texto, essa prioridade será dada em caso de demanda por habitações
de interesse social.
A proposta altera a lei que estabelece
diretrizes gerais da política urbana, conhecida como Estatuto
da Cidade (Lei 10257/01). O estatuto prevê a desapropriação,
com pagamento em títulos da dívida pública, de imóveis
em que o proprietário, após cinco anos de cobrança
do IPTU, não tenha cumprido a obrigação de parcelamento,
edificação ou utilização do terreno.
O estatuto não estabelece, no entanto,
que a população de baixa renda terá prioridade de
atendimento com as desapropriações. A proposta foi aprovada
na forma do substitutivo da relatora, deputada Laura Carneiro (PFL-RJ),
que ajusta a redação original do projeto sem modificar
seu mérito. A proposta tem caráter conclusivo e ainda será analisada
pela Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
Assentamentos
Por fim, a comissão rejeitou o
Projeto de Lei 4748/05, do deputado João Lyra (PTB-AL), que visa
alterar o Estatuto da Cidade para criar instrumentos que impossibilitem
a remoção de assentamentos irregulares já existentes.
Segundo a relatora, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), a intervenção
no território do município deve ser feita através
de instrumentos adequados, sendo o Plano Diretor o mais abrangente.
Para ela, isso é ainda mais
evidente quando se trata de intervenções pontuais em áreas
urbanas ocupadas irregularmente e que necessitam de um tratamento compatível
com as suas particulares características. O projeto foi arquivado.
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Nova Central, 3 de janeiro
de 2007
Área fiscal impede avanço
maior do PIB
Apesar de avanços, área fiscal
ainda barra PIB maior
Se o desejo é crescer mais, o governo
precisa dedicar-se ao que analistas consideram o calcanhar-de-aquiles
da economia brasileira: a disciplina fiscal. Os sinais vindos do Orçamento
de 2007 trazem pouco alento. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou
o uso de um redutor fixo sobre os gastos correntes, apesar de afirmar
que as despesas irão crescer menos que o PIB.
Economistas também criticam o planejamento
das receitas e despesas da União com base em previsões
otimistas demais, principalmente num ano de eleições, em
que o governo manteve discurso de expansão robusta enquanto o
consenso já era de números fracos. "Nunca houve nos
tempos recentes uma divergência tão grande entre o mercado
e o governo com relação à perspectiva de crescimento",
afirmou Alexandre Cancherini, economista do Unibanco.
"E essa perspectiva de crescimento
bate no Orçamento, em como o governo está planejando seus
gastos para o próximo ano. As projeções mais otimistas
certamente deterioram a possibilidade de ter um ajuste fiscal mais racional."
O Ministério do Planejamento manteve até o fim de novembro previsão
de crescimento de 4% este ano, quando o mercado já via menos de 3%.
"O governo mandou o Orçamento
em agosto. A previsão do PIB era maior. Isso não se confirmou.
Eles foram reduzindo essas metas, passou para 3% e talvez não
chegue nem a 3 por cento", lembrou o relator do Orçamento,
senador Valdir Raupp (PMDB-RO). "A eleição teve, com
certeza, influência nisso." A proposta orçamentária
prevê R$ 76,5 bilhões para investimentos. Do valor, R$ 11,5
bilhões são destinados a emendas. Questionado sobre as áreas
que podem ter dificuldades orçamentárias em 2007, Raupp
citou, entre outras, as Forças Armadas.
"No caso da infra-estrutura, estamos
conseguindo ir bem por conta do PPI (Projeto-Piloto de Investimentos).
Mas, por incrível que pareça, estão faltando bons
projetos para absorver a ampliação de recursos do PPI",
disse. Segundo o diretor-executivo da Fitch no Brasil, Rafael Guedes,
a taxa de investimento do país, de 20,8% do PIB no terceiro trimestre,
precisar aumentar. Para isso, é essencial que o governo consiga
renovar um mecanismo que permite menos recursos "carimbados" no
Orçamento, a Desvinculação das Receitas da União
(DRU), que é atualmente de 20 por cento e termina em 2007.
"É aquela história.
Você tem uma calça muito apertada e só consegue colocar
moeda no bolso, não consegue colocar uma carteira grande",
comparou Guedes. "É essencial que a DRU seja renovada. Isso
tem que passar porque todas as contas do governo já são
muito apertadas".
PPI
Na tentativa de driblar o aperto, o governo
pode usar o PPI a partir de 2007. Com aval do Fundo Monetário
Internacional, o plano estipula que investimentos em projetos de infra-estrutura
que se provem sustentáveis possam ser deduzidos do superávit
primário.
"O PPI é um instrumento legítimo,
mas é diferente você usar quando a relação
dívida/PIB está em 50% (como atualmente) e quando está em
40%", comentou Cancherini. "Não sou contra o uso do
PPI, sou contra o uso neste momento".
Para Guedes, da Fitch, o ponto positivo
do PPI é melhorar o gasto do governo. "O governo mira (superávit
primário) de 4,25% do PIB e, quando vê que está com
excesso, começa a gastar" sem tempo para analisar bons projetos,
ponderou. "A qualidade do gasto sofre muito quando você simplesmente
abre a torneira no último momento. O PPI permite que você comece
a gastar durante o ano em bons projetos."
O diretor alertou, no entanto, que a partir
do momento que se discute PPI equivalente a 0,50% do PIB "passa
a ser um intrumento redutor do superávit primário e não
um instrumento de melhora de gastos durante o ano". Economistas
também lembram que, na ausência de um ajuste fiscal de qualidade, é a
carga tributária que acaba "fechando a conta".
Tributos
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), de 2001 até o ano passado, a arrecadação
de tributos per capita aumentou quase 82%, para R$ 1.977,02 ao ano. A
perspectiva do Unibanco é de que a carga tributária encerre
o ano perto de 39%. Num cenário de estresse, em que os gastos
correntes não são brecados, e mantida a meta de superávit
primário, a carga tributária poderia chegar a 45% do PIB
em 2010.
"Num momento em que a liquidez internacional
está alta, o pessoal fica muito conivente com a situação
(fiscal do País). Mas até quando? A liquidez não
vai ficar nesse patamar para o resto da vida", acrescentou Cancherini.
Para ele, o ambiente externo favorável deveria ser aproveitado
justamente para reformas cruciais, como a da Previdência, que não é prevista
pelo governo. "O Brasil perde uma janela de oportunidade importantíssima, é muito
mais fácil fazer esse tipo de ajuste com alta liquidez."
Guedes, da Fitch, diz que "é até possível" o
Brasil ter um "upgrade" na nota, sem reformas decisivas como
essa, mas é improvável alcançar o almejado grau
de investimento. Atualmente, o rating do país está dois
degraus abaixo da faixa considerada de menor risco de calote, pelas
principais agências de classificação.
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Folha de São Paulo, 3 de janeiro de
2007
Dívidas de 2006 ameaçam
investimentos neste ano
Governo inicia segundo mandato com valor recorde
de R$ 17,1 bi de "restos a pagar" | Gasto assumido no último
ano compromete grande parte da verba que poderia ser investida; Transportes é o
ministério que mais deve
Sérgio Lima/Folha Imagem

Lula festeja marca atingida pelo programa Luz Para Todos
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O segundo mandato de Luiz Inácio
Lula da Silva começa com um saldo devedor recorde de R$ 17,1 bilhões
em investimentos não pagos. São compromissos de gastos
assumidos no ano eleitoral de 2006 e, numa parcela menor, em anos anteriores.
Eles ameaçam uma das principais promessas feitas pelo presidente
anteontem, no discurso de posse: ampliar os investimentos públicos.
Em 2007, o governo terá de destinar
para essas contas pendentes a maior parte do dinheiro dos impostos que
poderia usar em investimentos. Se decidir pagá-los, logicamente.
O valor da pendência -chamada de "restos a pagar"- representa
63% dos investimentos autorizados na lei orçamentária deste
ano. Durante a votação do Orçamento no Congresso,
deputados e senadores aumentaram em mais de R$ 10 bilhões o volume
de investimentos por meio de emendas. A lei de Orçamento autoriza
a União a investir R$ 27,2 bilhões.
Parte desse valor será objeto do
tradicional corte de gastos editado no início de cada ano. O que
sobrar irá competir com o pagamento das contas pendentes, que
bateram recorde ao final de 2006, segundo levantamento da ONG Contas
Abertas com base em dados do Tesouro. Boa parte do saldo de contas pendentes
em investimentos resulta dos compromissos em gastos assumidos no ano
eleitoral. O Siafi (sistema acompanhamento de gastos federais) mostra
que foram comprometidos R$ 19,7 bilhões em investimentos autorizados
em 2006. É menos do que os R$ 26,1 bilhões que a lei orçamentária
autorizava. Mas um volume de dinheiro maior do que qualquer outro ano
deste governo.
Do total de compromissos -chamados no
jargão orçamentário de empenhos-, apenas R$ 6,5
bilhões foram pagos até 31 de dezembro. O governo deu prioridade
ao pagamento de contas pendentes de anos anteriores, que representam
57% dos investimentos pagos em 2006 (R$ 15,2 bilhões). O que não
foi pago dos compromissos assumidos em 2006 somou-se a contas pendentes
de anos anteriores no saldo recorde de R$ 17,1 bilhões.
"Preocupante"
No ano passado, o TCU (Tribunal de Contas
da União) já chamara de "preocupante" o volume
crescente de despesas não pagas. Embora os "restos a pagar" acumulados
por Lula não firam a Lei de Responsabilidade Fiscal, já que
haveria dinheiro suficiente em caixa para honrar os compromissos de gastos,
eles prejudicam a execução das leis orçamentárias,
na avaliação do tribunal, além de maquiar os resultados
fiscais ostentados pelo governo. Na prática, os sucessivos superávits
primários (parcela dos tributos reservada ao pagamento de juros
da dívida pública) ocultam gastos não pagos.
A mais recente tentativa de impor limites
extras aos chamados restos a pagar foi abortada por Lula na última
sexta-feira. Ele vetou artigo da Lei de Diretrizes Orçamentárias
que limitaria as contas pendentes de investimento e custeio da máquina
em 2007 a 70% dos restos a pagar de 2006. Entre 2005 e 2006, o Siafi
registra aumento de 33% no volume de restos a pagar em investimentos.
Ao vetar, Lula atribuiu as contas pendentes a um "descompasso" na
execução dos investimentos, cujos pagamentos exigem conclusão
das obras ou entrega de bens. Limites extras poriam em risco a continuidade
de ações relevantes, argumentou o presidente.
Dono do maior orçamento de
investimento na Esplanada, o Ministério dos Transportes é o
que detém também o maior volume de contas pendentes:
R$ 2,7 bilhões. Mais da metade refere-se ao programa de manutenção
das rodovias federais. Os ministérios das Cidades e da Saúde
também registram mais de R$ 1 bilhão de investimentos
pendentes. Quatro outras pastas -Defesa, Educação, Integração
Nacional e Turismo- integram o grupo de ministérios com mais
de R$ 500 milhões de restos a pagar. Consultado pela Folha,
o Tesouro Nacional não se manifestou sobre a possibilidade de
cancelar despesas, como aconteceu na transição do governo
de FHC para o de Lula.
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Folha
de São Paulo, 3 de janeiro de 2007
Reajuste na tabela do IR custará R$
5,7 bi ao governo
A partir deste ano, todo salário até R$
1.313,69 será isento do pagamento do imposto | Perda de arrecadação
que o governo terá ao longo dos quatro anos equivale a 21% do
investimento previsto no Orçamento da União
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O reajuste de 4,5% na tabela do IRPF
(Imposto de Renda das Pessoas Físicas) custará R$ 5,730
bilhões ao governo nos próximos quatro anos, de acordo
com estimativas divulgadas ontem pela Receita Federal. A perda de arrecadação
equivale a 21% do investimento previsto no Orçamento da União
deste ano.
Ou seja, se não tivesse corrigido
a tabela, seria possível elevar os investimentos em R$ 1,230
bilhão neste ano e em R$ 1,635 bilhão em 2010. Medida
provisória publicada em edição extraordinária
do "Diário Oficial" da União estabeleceu os
novos valores da tabela do IR e das deduções anuais com
dependentes e educação, além dos limites máximos
para quem preferir fazer a declaração anual simplificada.
Com a publicação da MP,
o governo cumpre o acordo feito em dezembro pelo ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, com as centrais sindicais para reajuste do salário
mínimo e correção da tabela do IR durante o próximo
mandato de Lula. A partir deste ano, todos os salários até R$
1.313,69 serão isentos do IR. O limite era para salários
até R$ 1.257,12. Se a tabela do imposto não fosse reajustada,
todos os trabalhadores com salário acima desse valor estariam
pagando 10% ou 27,5% de IR, dependendo do salário.
Com a correção anual
negociada pelo governo, em 2010 a faixa de isenção
terá subido para R$ 1.499,15 por mês. As deduções
por dependentes subirão de R$ 1.516,32 em 2006 para R$ 1.808,28
em 2010. As com educação, para R$ 2.830,84 ao final
do mandato do presidente Lula. Já quem optar pela declaração
simplificada do IR poderá abater R$ 11.669,72 na declaração
deste ano e R$ 13.317,09 na de 2010.
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Folha de São Paulo,
3 de janeiro de 2007
Governo regulariza isenção
da CPMF em quitação de dívidas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com quatro meses de atraso, o governo
regulamentou, ontem, a isenção da CPMF nas operações
de quitação antecipada de dívidas. Essa medida fazia
parte do pacote de redução dos juros bancários que
foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em setembro, mas
não vinha sendo feita pelos bancos por falta da regulamentação
da isenção da CPMF. A partir de agora, o cliente de um
banco que conseguir um empréstimo em outra instituição
financeira com taxas mais baratas poderá quitar a primeira operação
e refinanciar sem o pagamento da CPMF e do IOF.
Mas ele terá que arcar com
uma taxa que o BC autorizou os bancos a cobrar e que tem que estar
definida no contrato original de empréstimo. Ela será decrescente à medida
em que o vencimento da operação se aproxima. A quitação
do empréstimo será feita pela própria instituição
financeira e o dinheiro não passará pela conta do cliente.
Com isso, a Receita Federal evita a cobrança da CPMF e, ao mesmo
tempo, garante que o dinheiro seja usado em operações
de refinanciamento, e não gasto pelo cliente.
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JORNAL GAZETA DO SUL, 03
de janeiro de 2007
Pacote econômico vai privilegiar
informática e construção civil
O ministro do Planejamento, Orçamento
e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou ontem, durante o evento de posse
de Ricardo Berzoini na presidência do PT, que o pacote econômico
a ser anunciado no final do mês pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não trará grandes surpresas.
"Não vamos fazer um pacote
com medidas supreendentes para causar estupefação na sociedade",
disse Bernardo. Segundo ele, o Brasil está crescendo e, por isso, é preciso
manter o que está funcionando.
Apelidado pelo presidente Lula de "Programa
de Aceleração ao Crescimento", o pacote deve trazer
medidas para desoneração e investimentos em setores como
aqueles ligados à informática.
Paulo Bernardo disse ainda que o governo
deve aumentar a lista de benefícios para a construção
civil. Questionado se a classe média seria beneficiada pelo pacote,
o ministro limitou-se a dizer que esse setor da população é lembrado
todo dia pelo governo.
Bernardo disse ainda que o pacote
está praticamente pronto, faltando apenas passar pela aprovação
do presidente. O anúncio do pacote deve acontecer entre os dias
16 e 18 de janeiro.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de janeiro de 2007
Construção civil deve
crescer 4,9% em 2007, diz Sinduscon
A projeção do sindicato baseia-se
na perspectiva de aumento de 3,5% no PIB
Chiara Quintão
SÃO PAULO - A construção
civil deve crescer 4,9% em 2007, segundo o Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP).
A projeção baseia-se na perspectiva de aumento de 3,5%
no Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano e nos recursos que
estarão disponíveis para o setor. Somente do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS) estão previstos R$ 11,2 bilhões,
sendo R$ 8,5 bilhões para habitação e R$ 2,7 bilhões
para saneamento. Outros R$ 6 bilhões são esperados para
infra-estrutura, através do projeto piloto de investimentos (PPI),
sendo R$ 3,9 bilhões para transportes.
Em 2006, o crescimento do setor
deve ser de 5%, mesmo patamar acumulado até o terceiro trimestre.
No período de julho a setembro a construção civil
avançou 5,5% sobre igual intervalo de 2005.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de janeiro de 2007
Saúde do trabalhador
Estudo mostra impacto dos acidentes
na Previdência
Os acidentes de trabalho têm forte
impacto nos gastos da Previdência Social. Estudo desenvolvido pela
Universidade Federal da Bahia com apoio do Ministério da Saúde
mostra que, em 2000, 7,3% dos benefícios pagos pelo INSS se referem
a doenças decorrentes de acidentes de trabalho. Para a Previdência,
esse percentual equivale a R$ 8,5 milhões. As informações
são da Agência Brasil.
Para coordenador da área de Saúde
do Trabalhador do Ministério da Saúde, Marco Antônio
Gomes, os dados são “uma amostra do que ocorre no estado
da Bahia e situações semelhantes ocorrem em outros estados
do Brasil”.
Nos primeiros 15 dias após o trabalhador
sofrer um acidente de trabalho os custos são pagos pela empresa
onde ele trabalha. A partir desse período, ele passa a receber
um benefício da Previdência Social que corresponde à cerca
de 70% do salário do trabalhador.
Os acidentes de trabalho representam ainda
perda de produtividade para as empresas. De acordo com o estudo, em 2000
foram perdidos cerca de meio milhão de dias de trabalho com os
acidentes. Além disso, a ausência do trabalhador acidentado
resulta em sobrecarga de trabalho para os que ficam, ou mesmo em investimento
para treinar um substituto.
Os serviços de saúde
também ficam mais sobrecarregados, desde o atendimento de emergência
até tratamentos mais prolongados motivados por seqüelas
decorrentes dos acidentes. “A grande maioria dos acidentes de
trabalho são atendidos pelo Sistema Único de Saúde”,
conta Marco Antônio Gomes.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de janeiro de 2007
Solução amigável
TST valida acordo e sindicato se livra
de multa
A função da Justiça
do Trabalho, principalmente em relação aos dissídios
de greve, deve estar voltada prioritariamente à pacificação
do conflito entre as partes. A Justiça Trabalhista tem de valorizar
as soluções encontradas pelos envolvidos em conflitos coletivos.
O entendimento do ministro Milton de Moura
França, do Tribunal Superior do Trabalho, serviu como fundamento
para que a Seção de Dissídios Coletivos (SDC) do
TST negasse recurso ordinário do Ministério Público
do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), num processo que
envolveu empresas e trabalhadores do sistema de transporte coletivo de
Belo Horizonte. A decisão unânime afasta a execução
de multa superior a R$ 1,2 milhão contra o sindicato profissional,
que fez acordo com o sindicato patronal para o fim do dissídio
de greve.
“Salvo a prática de graves
ilícitos no curso do movimento grevista, a composição
do conflito por interesses das partes deve ser prestigiada”, afirmou
Moura França.
A questão examinada pelo TST é referente
a março de 2002, quando o Sindicato das Empresas de Transportes
de Passageiros de Belo Horizonte (Setransp) ajuizou dissídio coletivo,
com notícia de greve, contra o Sindicato dos Trabalhadores em
Transportes Ferroviários em Belo Horizonte e Região. O
objetivo da iniciativa patronal era o de obter sentença normativa
que disciplinasse as relações trabalhistas entre as partes
tendo em vista o período entre 1º de fevereiro de 2002 e
31 de janeiro de 2004.
À época, diante da paralisação
do setor, o TRT determinou que fosse garantida a presença ao trabalho
dos profissionais necessários ao funcionamento mínimo de
50% da frota de transporte coletivo na capital mineira. Em caso de descumprimento
da ordem, foi fixada multa diária de no mínimo R$ 150 mil.
A inobservância parcial da determinação judicial
pelo sindicato dos trabalhadores acarretou um total de R$ 1,2 milhão
a título de multa de acordo com os autos.
Em abril de 2002, as partes encontraram
uma solução satisfatória, fato que levou o sindicato
patronal a pedir a desistência do processo de dissídio coletivo.
A solicitação foi homologada pelo TRT, que também
afastou a aplicação da multa. “A aplicação
de sanção poderia ter efeito contrário e deflagrar
de novo o desentendimento e a disputa entre as partes, colocando novamente
em risco o interesse público envolvido e a utilização
dos serviços de transporte da cidade”, considerou a segunda
instância.
O posicionamento adotado pelo TRT mineiro
foi questionado pelo Ministério Público do Trabalho local.
Sob a alegação de necessidade de cumprimento das ordens
judiciais, o MPT defendeu a obrigatoriedade da execução
da multa. “Se está comprovado nos autos o descumprimento
da ordem judicial, o consectário lógico é que a
multa incide inexoravelmente, visto que ofendida a própria ordem
jurídica.”
No TST, o relator, ministro Moura França,
classificou como razoável a postura regional uma vez que, após
a conciliação entre as partes, a multa perdeu sua exigibilidade. “Em
momento algum o TRT afirma que houve lesão ao patrimônio
da empresa e prática de outros ilícitos, mas sim descumprimento
parcial da ordem que, no seu entender, não poderia ser tratado
com rigor excessivo, como se a hipótese fosse de ação
objetivando a responsabilidade civil ou penal.”
RODC 329/2002-000-03-00.4
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de janeiro de 2007
Recurso impróprio
Não cabe Mandado de Segurança
contra ação anulatória
O Mandado de Segurança contra decisão
em ação anulatória não é cabível.
Com esse entendimento, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça
acolheu o pedido do estado do Acre contra a decisão do Tribunal
de Justiça estadual que considerou cabível o Mandado de
Segurança para determinar o arquivamento de uma ação
anulatória.
O pedido de Mandado de Segurança
foi feito pela servidora Irene Neves Conde contra ato do presidente do
TJ do Acre. A segunda instância determinou o restabelecimento do
valor dos vencimentos recebidos por ela, que exercia cargo em comissão
no tribunal há mais de dez anos. Como já havia transcorrido
tempo suficiente para que a decisão fosse cumprida, a servidora
pediu ao presidente do TJ para que os valores fossem imediatamente restabelecidos.
O presidente do TJ negou o pedido. Afirmou
que havia sido ajuizada ação anulatória da decisão
administrativa do Pleno. Nesta ação, já havia sido
dada liminar suspendendo a decisão administrativa até o
julgamento final.
Assim, a servidora entrou com Mandado
de Segurança para que fosse determinado o imediato cumprimento
da decisão administrativa e fosse ordenado o arquivamento da ação
anulatória. O TJ concedeu a segurança, por maioria, para
determinar o arquivamento da ação anulatória ajuizada
na Vara da Fazenda Pública de Rio Branco (AC).
No STJ, o Acre alegou que o pedido de
Mandado de Segurança não poderia ser admitido para determinar
o arquivamento da ação anulatória, quando havia
recurso legalmente previsto para atacar a decisão que concedeu
a tutela antecipada – o Agravo de Instrumento. “Não
ocorrendo a hipótese de decisão teratológica ou
de flagrante ilegalidade e ausente a perspectiva da irreparabilidade
do dano, não se justifica o uso do Mandado de Segurança
em lugar do recurso cabível, previsto em lei processual.”
A relatora, ministra Maria Thereza de
Assis Moura, destacou que quando há ação anulatória
com objetivo da desconstituição de decisão administrativa
do Pleno de Tribunal de Justiça, não pode ser impetrado
pedido de Mandado de Segurança para o arquivamento do caso, sobretudo
quando há recurso próprio para atacar a decisão.
No caso, o Agravo de Instrumento.
“É cabível ação
anulatória para desconstituir decisão administrativa proferida
por Pleno de Tribunal de Justiça, sobretudo porque cabe ao Poder
Judiciário zelar pela legalidade dos atos administrativos proferidos
de qualquer espécie”, afirmou a relatora.
Dessa forma, a ministra acatou o recurso
do estado do Acre para reformar a decisão do TJ e negar o Mandado
de Segurança. Ela determinou, ainda, o prosseguimento da ação
anulatória ajuizada na Vara de Fazenda Pública de Rio Branco
(AC).
Resp 237.435
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de janeiro de 2007 | Brasil
LEGISLATIVO-Quatro MPs aguardam votação
na Câmara e no Senado
Congresso já assumirá com
a pauta trancada
Brasília – O próximo Congresso, que assume em 1.º de
fevereiro, já inicia os trabalhos discutindo medidas provisórias.
Na Câmara, a pauta está trancada pela MP 328, que trata da destinação
de recursos pelo governo a estados e municípios. Até junho, outras
sete MPs irão trancar a pauta da casa. No Senado, três MPs terão
o mesmo efeito se não forem aprovadas até abril.
Já no primeiro dia útil
do ano, o presidente Lula editou uma medida provisória. O ano
de 2007 foi iniciado com a edição da MP 342, que define
um teto de renúncia fiscal para investimento no esporte.
A Constituição define que depois de 45 dias em tramitação
no Congresso, as medidas provisórias passam a trancar a pauta de votações.
Neste caso, os parlamentares não podem analisar nenhuma matéria
antes de votar as MPs.
Medidas polêmicas como a que elevava
o reajuste dos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
chegaram a trancar a pauta da Câmara por três meses, deixando
o plenário inoperante por todo este período. A MP também
tem um prazo de 60 dias para ser analisada, depois disso perde a validade.
As medidas provisórias pautaram
a última legislatura. Balanço da Câmara revela que
os deputados aprovaram de 2003 a 2006 mais medidas provisórias
do que projetos de lei ou emendas constitucionais. No período,
foram votadas 218 MPs, ante 147 projetos de lei e 13 propostas de emenda
constitucional.
O número de MPs aprovadas indica
que os parlamentares foram pautados pelo governo na última legislatura. “Sem
dúvida o governo pautou o Congresso. As principais medidas em
discussão foram do governo”, afirmou Antônio Augusto
de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap),
que analisa o processo legislativo.
A situação poderia ser outra,
segundo Queiroz, se o Congresso rejeitasse as MPs que não têm “urgência
e relevância”, como determina a Constituição. “O
Executivo sempre abusou das MPs assumindo o papel de legislar, mas o
Congresso permite isso”, disse.
Editadas pelo presidente da República,
as medidas provisórias têm força de lei no ato da
promulgação. É o caminho mais rápido para
legislar porque, na prática, os parlamentares só discutem
o assunto depois que a medida já está em vigor.
O governo também pode encaminhar
projetos ao Congresso, mas, neste caso, a deliberação só pode
ser tomada depois que os parlamentares analisarem as propostas, o que
torna o caminho mais longo.
O maior número de MPs foi aprovado
do biênio 2003/2004, quando a Câmara estava sob o comando
do petista João Paulo Cunha (SP). Foram 145 MPs votadas nos dois
primeiros anos do governo Lula.
Na gestão de Severino Cavalcanti
(PP-PE), que durou de 15 de fevereiro de 2005 a 20 de setembro do mesmo
ano, foram 27 MPs aprovadas.
Na gestão do atual presidente
Aldo Rebelo (PC do B-SP), que assumiu em 21 de setembro de 2005, foram
aprovadas 71 MPs até 21 de dezembro de 2006.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de janeiro de 2007 | Economia
COMÉRCIO EXTERIOR-Vendas externas
foram 16,2% maiores em 2006, em relação ao ano anterior
Superávit da balança
supera previsão e atinge US$ 46 bilhões
Brasília – O saldo da balança comercial fechou 2006 com
um superávit de US$ 46,077 bilhões, um recorde histórico
no país. O resultado ficou US$ 1,368 bilhão acima do de 2005
(de US$ 44,709 bilhões) e é US$ 2 bi superior à meta do
governo para o ano, de US$ 44 bilhões. A soma no ano também superou
a expectativa do mercado. A pesquisa Focus, divulgada ontem, estimava um superávit
comercial de US$ 45 bilhões.
As exportações somaram US$
137,471 bilhões e as importações atingiram US$ 91,394
bilhões. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, o resultado das vendas externas é recorde,
e representa crescimento de 16,2% (em valores nominais) em relação
a 2005.
A média diária das exportações fechou o ano em
US$ 552,1 milhões. Em 2005, as exportações somaram US$
118,308 bilhões, com média diária de US$ 471,3 milhões.
Em comparação à media diária, as exportações
apresentaram um crescimento de 17,1%.
Já as importações
brasileiras apresentaram um crescimento (pela média diária)
de 25,2% em comparação a 2005, quando as compras externas
somaram US$ 73,599 bilhões. A média diária das importações
em 2006 foi de US$ 367 milhões, ante US$ 293,2 milhões
em 2005. Em valores nominais, as importações apresentaram
um crescimento de 24,2% em 2006 em comparação a 2005.
Dezembro
O saldo da balança em dezembro
fechou com um superávit de US$ 5,012 bilhões, o segundo
melhor resultado do ano, perdendo apenas para julho, quando o superávit
foi de US$ 5,6 bilhões. As duas últimas semanas de dezembro
fecharam em US$ 1,038 bilhão e em 1,641 bilhão, respectivamente.
O ano de 2006 teve 249 dias úteis,
ante 251 dias em 2005.
O MDIC também anunciou ontem a
meta de exportações em 2007, de US$ 152 bilhões.
Essa projeção significará um aumento de 10,5% das
exportações em relação às registradas
em 2006 (US$ 137,471 bilhões).
Essas estimativas levam em conta a preservação
do atual nível da taxa de câmbio em torno de R$ 2,15 por
dólar, de acordo com o secretário-executivo do Ministério
do Desenvolvimento, Ivan Ramalho. A estimativa está fundada, na
prática, na perspectiva do Ministério de elevação
da atividade industrial neste ano em função, especialmente,
das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
que deverá ser anunciado neste mês.
Segundo Ramalho, o crescimento de 10,5%
dos embarques deste ano será compatível com as perspectivas
de expansão do comércio mundial. Representará, entretanto,
um crescimento bem menor do que o registrado em 2006, que foi de 17,1%.
Para o desempenho de 2007, o Ministério
do Desenvolvimento considera, além do impacto do PAC, a continuidade
do processo de diversificação de mercados. “O Brasil
não é dependente de um país ou de uma região.
O principal mercado comprador de produtos brasileiros, os Estados Unidos,
correspondem a 20% das exportações. O restante é distribuído
em mais de uma centena de países”, disse Ramalho.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 03
de janeiro de 2007 | Economia
SETORES
Manufaturados lideraram as
exportações
Com vendas de US$ 74,699 bilhões, os produtos manufaturados responderam
por 54,3% das exportações brasileiras em 2006, segundo dados
da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento.
As vendas de produtos básicos totalizaram US$ 40,272 bilhões
(29,3% das exportações no ano), e de semimanufaturados US$ 19,520
bilhões (14,2%). O principal setor exportador foi o de material de transportes,
que respondeu por 14,9% das vendas no ano, seguido pelos produtos metalúrgicos
(10,7%), petróleo e derivados (9,5%) e minérios metalúrgicos
(7,1%).
O complexo soja, cujas exportações
recuaram 1% em relação a 2006, aparece como quinto principal
item da pauta de exportações, e não mais o terceiro.
A participação do complexo na pauta de exportações
caiu de 8% para 6,8%. Também se destacaram as exportações
de produtos das indústrias químicas (6,6% da pauta),
carnes (6,2%, contra 6,8% de 2005), e o forte crescimento das exportações
de açúcar e álcool (67,2%), o que elevou a participação
desses produtos de 4% para 5,7% do total exportado.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
03 de janeiro de 2007
MPT entra com ação contra
trabalho escravo
Trabalhadores estavam em fazenda na região
do Tigre
Curitiba - O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT/PR)
ajuizou no final de 2006 Ação Civil Pública na Justiça
do Trabalho para obter a condenação dos responsáveis pelos
trabalhadores encontrados em condições análogas a de escravos
na Fazenda Ponta Grossa, situada na região do Tigre, entre os municípios
de Bocaiúva do Sul e Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana
de Curitiba.
Até o último instante, o
MPT ainda tentou chegar a acordo com a Construtora Andraus e outros sócios,
que detêm o direito de posse sobre a área onde os empregados
estavam trabalhando, para possibilitar que os trabalhadores recebessem
os salários atrasados antes do Natal. Como os responsáveis
se negaram a assinar um Termo de Ajsute de Conduta, que permitiria o
pagamento imediato, a ação foi ajuizada. Os trabalhadores
foram levados à cidade de origem para que aguardem o pagamento
de salários atrasados e verbas rescisórias.
Segundo o procurador do Trabalho Gláucio
Araújo de Oliveira, todos os trabalhadores são provenientes
de Palmital e foram para o local para trabalhar no corte e no plantio
de mudas de pinus. Além dos 24 trabalhadores encontrados, o ministério
constatou posteriormente que há mais um grupo de 19 pessoas na
mesma situação, e que estão sendo alvo também
da ação judicial. Os trabalhadores contaram, ainda, que
outras 40 pessoas, que também não receberam, já teriam
retornado a Palmital.
Os trabalhadores contaram que viviam e
trabalhavam em condições degradantes e que estavam sem
receber salários há pelo menos três meses. Alguns
foram contratados em janeiro, outros teriam começado depois. Cálculos
aproximados da procuradoria dão conta de que cada trabalhador
teria a receber entre R$ 2 mil a R$ 6 mil.
A dificuldade em estabelecer negociações,
segundo a procuradoria, acontece porque a construtora e sócios
negam que sejam responsáveis pela contratação dos
empregados. Segundo a advogada do grupo, que não quis se identificar,
os contratos não foram feitos por seus clientes, mas sim por outras
empresas, as quais teriam, inclusive, toda documentação
provando que fizeram os pagamentos pleiteados. O MPT, no entanto, rebate
a possibilidade. ''Sabemos quem são os proprietários e
quem se beneficiou com a mão-de-obra'', diz Oliveira.
Com base nas informações
obtidas dos trabalhadores, de um representante da construtora, do empreiteiro
e do levantamento realizado na área da fazenda por um auditor
fiscal e um analista pericial, o MPT também vai encaminhar a
investigação ao Ministério Público Federal
para a apuração da responsabilidade criminal dos envolvidos
por possíveis práticas de aliciamento, redução à condição
análoga a de escravo, apropriação indébita
previdenciária e outros delitos contra a lei trabalhista.
Maigue Gueths
Equipe da Folha

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