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Agência Diap, 9 de
janeiro de 2007
Desafios do movimento sindical no
segundo Governo Lula
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
O movimento sindical brasileiro, apesar
de ter promovido poucas greves e mobilizações, pode ser
considerado vitorioso no primeiro Governo Lula, tendo como parâmetro
o Governo FHC, especialmente pelos resultados favoráveis nos marcos
econômicos, regulatórios e políticos. No segundo
mandato, entretanto, o resultado poderá ser desastroso, sob todos
os aspectos, se for mantido o padrão de comportamento do primeiro.
Econômica e financeiramente, a despeito
da continuidade da política econômica, houve aumento real
do salário mínimo, reestruturação remuneratória
de servidores públicos, aumento de postos de trabalho, inclusive
com carteira assinada, ganho real nas negociações coletivas,
correção na tabela do imposto de renda, crédito
consignado e microcrédito com juros baixos, entre outros benefícios,
como a correção dos benefícios previdenciários
acima da inflação.
Politicamente, a retirada do Congresso
de projeto de flexibilização da CLT, a nomeação
de ministros do Trabalho oriundos do movimento sindical, a participação
dos trabalhadores no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
e no Fórum Nacional do Trabalho, ainda que o Presidente tenha
prestigiado mais as centrais sindicais, e o fato de o Governo ter atribuído
ao movimento sindical os ganhos econômicos assegurados por força
da conjuntura favorável, especialmente no plano internacional,
podem ser considerados vitórias.
A correlação de forças
no interior do movimento sindical, apesar da ausência de grandes
mobilizações, se mantém razoavelmente equilibrada.
Houve o surgimento, pela esquerda, do Conlutas, e pelo centro, da Nova
Central Sindical de Trabalhadores, que contribuíram para oxigenar
o movimento sindical. Apesar disto, foi mantida a hegemonia política
da CUT e da Força Sindical. A CUT, que pagou um preço elevado
por erros do Governo, especialmente na reforma da previdência,
cresceu menos que a Força Sindical, que praticamente dobrou seu
número de filiados.
No quesito regulatório e/ou de
legislação, diante da ameaça de retrocessos, o balanço
foi positivo. O presidente da República, com exceção
da reforma da previdência do servidor e da mudança nos direitos
trabalhistas de empregados das pequenas e microempresas, se comportou
de acordo com o pensamento majoritário do movimento sindical:
a) retirou do Congresso projeto que flexibilizava a CLT; b) não
fez a reforma trabalhista; c) propôs, mas não teve condições
de aprovar a reforma sindical; e d) encaminhou, ainda em 2003, o pedido
de retirada do projeto de terceirização e prestação
de serviços, mas até o final do primeiro mandato o presidente
da Câmara não havia submetido a matéria ao plenário
da Casa.
Sem mobilização, dificilmente
o movimento sindical manterá este mesmo padrão de ganhos
no segundo mandato do presidente Lula. A tendência, portanto, será de
menos “cooperação” e mais mobilização
do movimento sindical brasileiro, tanto pelas disputas internas quanto
pela necessidade do contraponto às forças conservadoras
que farão parte da coalizão de apoio ao Governo.
Apesar de o presidente, em sua campanha
de reeleição, ter afastado a idéia de reforma trabalhista
e previdenciária, a pressão das forças de mercado
no sentido de sua inclusão na pauta de reformas será muito
forte. Se não houver o contraponto do movimento sindical, o Governo
poderá ser forçado a incluir essas duas matérias
na pauta. A primeira como exigência do setor empresarial para apoiar
a reforma sindical e a segunda em razão das alegações
de supostos déficits em decorrência do aumento real ao salário
mínimo, com impacto nas contas da previdência.
A flexibilização de aspectos
da legislação trabalhista havida na Lei Geral das Pequenas
e Microempresas, aquelas com faturamento até R$ 2,4 milhões,
e a absurda emenda do Senado ao projeto de lei da Super Receita, dão
a exata dimensão do que poderá ocorrer em matéria
trabalhista, caso não haja uma reação adequada do
movimento sindical. A emenda ao Projeto de Lei nº 6.272/2005, da
Super Receita, de autoria do Senador Ney Suassuna (PMDB/PB), além
de tratar de matéria alheia ao tema do projeto, impede os Auditores
do Trabalho de fiscalizar o vínculo empregatício e autuar
empresas que contratam prestadores de serviços.
A emenda será votada separadamente
dos demais aspectos do projeto, que já estão aprovados
pelas duas Casas do Congresso, e precisa ser rejeitada ou, se aprovada,
ser vetada pelo presidente da República, sob pena de retrocesso
nas relações de trabalho.
Os desafios do movimento sindical no segundo
mandato do presidente Lula, pelas razões expostas, certamente
forçarão relações com o Governo em novas
bases, com mais pressão e mobilização, até por
uma questão de sobrevivência política. Veremos. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor
de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar.
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Agência Diap, 9 de
janeiro de 2007
Neoescravismo
Governo liberta 3,2 mil pessoas do
trabalho escravo em 2006
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encerrou 2006 com um novo recorde
no combate intenso ao trabalho escravo. Até 28 de dezembro foram realizadas
100 operações, que resultaram em 184 fazendas fiscalizadas, 3.252
trabalhadores libertos e R$ 6.028.647,34 pagos em indenizações.
Esses números ainda podem aumentar em razão de ações
fiscais empreendidas pelas DRTs (Delegacias Regionais do Trabalho) e cujos
relatórios ainda não foram computados.
Desde o início do Plano Nacional
de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, o número
de operações de combate à mão-de-obra forçada
tem aumentado. Enquanto de 1995 a 2002 foram registradas 175 operações,
no período de 2003 a 2006 elas totalizaram 324.
Para ampliar ainda mais o combate ao trabalho
escravo é urgente que o Congresso Nacional aprecie a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC nº 438/01), que
tramita na Casa a seis anos, e permite a expropriação de
terras onde seus donos praticam o trabalho escravo.
Combate
O Grupo Especial de Fiscalização
Móvel, criado em 1995 e coordenado pela Secretaria de Inspeção
do Trabalho, conta com sete equipes, compostas por auditores fiscais
do Trabalho, procuradores do Trabalho, delegados e agentes da Polícia
Federal.
Em algumas ações, há participação
de representantes do Incra, do Ibama e da Procuradoria da República.
O combate ao trabalho escravo também é realizado com a
colaboração de equipes das DRTs nos estados onde ocorra
esse tipo de crime. No ano passado, o estado que apresentou maior número
de trabalhadores libertados foi o Pará. Ao todo, foram 30 operações
e 52 fazendas fiscalizadas, o que resultou em 1.062 trabalhadores libertos.
As indenizações somaram R$ 1,9 milhão.
O Ministério do Trabalho e Emprego,
em parceria com a OIT (Organização Internacional do Trabalho),
dispõe de um banco de dados com notificações relacionadas
ao trabalho escravo, como denúncias, triagem de denúncias,
operações, fiscalização, informações
sobre os trabalhadores libertos.
“Lista Suja”
Outra importante medida que reforça
o combate ao trabalho forçado é o Cadastro de Empregadores,
formado por pessoas físicas e jurídicas apontadas pela
fiscalização como escravagistas. Conhecido como Lista Suja,
o cadastro continha, até 28 de dezembro, 178 componentes, além
de 30 que foram retirados por liminar.
A lista impede o acesso de empregadores
e empresas nele incluídos a linhas de crédito e a incentivos
fiscais de bancos oficiais e agências regionais de desenvolvimento.
Um acordo assinado entre a Febraban e o MTE, em 2005, propõe
que se recomende também às instituições
financeiras particulares a suspensão de crédito aos fazendeiros
inscritos no cadastro.
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Diário
Vermelho, 9 de janeiro de 2007
Reunião de hoje do PMDB pode ser
decisiva para eleição na Câmara
Apontada como fiel da balança na sucessão
da Câmara, a bancada federal do PMDB reúne-se nesta terça-feira
em Brasília para tomar posição na disputa. Os principais
dirigentes do partido avaliam que a maioria dos peemedebistas tende a apoiar
a candidatura do líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Admitem, no entanto, que a reeleição do atual presidente
Aldo Rebelo (PCdoB-SP) ganhou novo impulso nos últimos dias, com
a declaração de apoio de governadores do partido.
CLÁUDIO GONZALEZ,
COM INFORMAÇÕES DO G1
Os dois candidatos à presidência da Câmara, Aldo Rebelo
(PC do B-SP) e Arlindo Chinaglia (PT-SP), passaram a segunda-feira (8) avaliando
as respectivas campanhas e as chances de obter o apoio do PMDB, que se reúne
nesta terça-feira (9) para definir o caminho que tomará nesta
briga.
Os dois candidatos consideram decisivo o apoio do partido, que reúne
a maior bancada da Câmara nesta legislatura, com 89 deputados. A partir
do encontro da bancada peemedebista, avaliam, será possível ter
uma dimensão das chances de cada um na eleição marcada
para 1º de fevereiro. Aldo e Chinaglia chegaram a se reunir durante uma
hora e meia na sexta (5) e decidiram manter as candidaturas.
Aldo pode ganhar apoio do PDT
Durante o dia, Aldo ficou em seu gabinete e conversou por telefone com deputados
de PMDB e PSDB e recebeu ligações de governadores, como o do
Maranhão, Jackson Lago.
Nesta terça-feira é provável que Rebelo recebe o apoio
do partido de Jackson Lago, o PDT. O presidente do partido, Carlos Lupi, deve
se encontrar com Aldo para oficializar o apoio e entregar ao presidente da
Câmara a proposta de “Reforma do Legislativo” que a executiva
nacional do PDT elaborou e que será apreciada na reunião do Diretório
Nacional no dia 12, na sede nacional do partido no Rio de Janeiro.
Nas contas de Aldo, além de Lago, pelo menos outros 16 governadores
o apóiam, entre os quais José Serra (São Paulo), Aécio
Neves (Minas Gerais) e Sérgio Cabral (Rio de Janeiro).
Bancada midiática e a terceira via inviável
Enquanto isso, Chinaglia discutiu com aliados a estratégia de campanha
a partir desta segunda. O petista decidiu, por exemplo, que começará nesta
semana a enviar uma carta de compromisso a todos os deputados, atitude que
também será adotada por Aldo.
Enquanto os dois candidatos da base governista se movimentam em busca de apoios,
um grupo de dezesseis deputados reuniu-se num hotel de São Paulo para
tentar encontrar uma candidatura alternativa à presidência da
Câmara. Mas depois de quatro horas de reunião, não chegaram
a um consenso sobre o nome deste “candidato alternativo”. Com isso,
foi adiada a formação de uma terceira via em oposição às
candidaturas de Aldo e Chinaglia.
Aliados de ambos os candidatos avaliaram, em conversas reservadas, como "esvaziada" e "sem
impacto" a reunião do grupo que pretende lançar um candidato
alternativo. Citado como integrante do grupo, o deputado Júlio Delgado
(PSB-MG), por exemplo, preferiu participar do encontro do comando da campanha
de Chinaglia.
Participam da reunião os deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Raul Jungmann
(PPS-PE), Luíza Erundina (PSB-SP), José Aníbal (PSDB-SP),
Ricardo Izar (PTB-SP), Dimas Ramalho (PPS-SP), Raúl Henrique (PMDB-PE),
Júlio Seneghini (PSDB-SP), Paulo Renato de Souza (PSDB-SP), Wanderley
Macris (PSDB-SP), Gustavo Fruet (PSDB-PR), Silvio Torres (PSDB-SP), Chico Alencar
(P-SOL-RJ), Raquel Teixeira (PSDB-GO), João Almeida (PSDB-BA) e Edmar
Moreira (PFL-MG).
Apesar de alguns destes deputados pertencerem a partidos com grandes bancadas,
eles não costumam seguir as orientações de seus partidos.
Muitos, inclusive, foram apelidados nos bastidores como integrantes da “bancada
midiática” pó causa do farto espaço que estes deputados
receberam da mídia durante a crise política do ano passado, quando
surfaram numa onda denuncista com discursos moralizantes que muitas vezes atingiam
e ofendiam outros parlamentares.
O próprio deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), um dos articuladores da “terceira
via” assume que seu nome não é apropriado para disputar
a presidência da Câmara pois ele não é bem quisto
entre muitos de seus colegas de parlamento.
Sem candidatos viáveis, o grupo dos dezesseis já pensa, inclusive,
em apoiar algum nome do PMDB, mas o presidente da sigla, Michel Temer, já anunciou
que é contra uma candidatura independente.
" Não sei qual dos candidatos (Aldo ou Chinaglia) está em
melhor posição, nem mesmo entre os deputados do PMDB, mas penso
que o melhor para a Câmara é que apenas um deles seja candidato,
expressando a maioria de todos os partidos, do governo e da oposição",
disse Temer à Reuters.
Três hipóteses para o PMDB
A reunião da bancada peemedebista para deliberar sobre o assunto está marcada
para as 15h desta terça. Segundo o líder do PMDB, Wilson Santiago
(PB), três hipóteses serão levantadas na reunião:
apoiar Aldo, ficar com Chinaglia ou lançar candidato próprio.
Se não houver consenso, segundo Santiago, a disputa irá a voto
dentro da bancada.
Em busca da maioria do PMDB, Aldo pode se encontrar com alguns deputados do
partido antes desta reunião, enquanto Chinaglia mantém conversas
com esses mesmos parlamentares.
Tarso Genro
Em busca de um acordo entre Aldo e Chinaglia, o ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro, começou nesta segunda conversas com os
dirigentes dos partidos da base aliada.
Além de conversar com o líder do PT, Henrique Fontana (RS), Tarso
reuniu-se também com o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, que deixou
o encontro no Palácio do Planalto sem falar com a imprensa.
Internamente, o partido tem defendido que Aldo Rebelo leve sua candidatura
até o fim. Os comunistas acreditam que a candidatura à reeleição
de Aldo é legítima, viável e pode contribuir mais para
o caminho de mudanças que o governo Lula prometeu trilhar em seu segundo
mandato. A expectativa é que Tarso mantenha nesta semana o diálogo
com os aliados para encontrar uma solução para a disputa pela
presidência da Câmara.
Ministério?
Quem também resolveu buscar uma saída para o impasse foi o líder
do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS). Ele chegou a sugerir
que aquele que não ganhar a disputa "terá todas as condições
de assumir um ministério".
O presidente da Câmara contestou o líder do PT. "Não
creio que o deputado Henrique Fontana possa oferecer ministério para
resolver a disputa no Legislativo. Isso não tem procedência",
disse Rebelo.
Ele lembrou que a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) - líder do
governo na Casa - é apoiada por Fontana. "O líder (Fontana)
tem liberdade de raciocinar de acordo com os interesses do candidato do seu
partido", retrucou. "Eu creio que havendo condições
para a construção de uma candidatura representativa da Casa,
melhor. Mas se não houver, a eleição democrática é outro
caminho", afirmou Rebelo, referindo-se à disputa no plenário.
Mais uma vez ele afirmou que sua candidatura não pertence a ele e nem,
ao seu partido, mas sim a um "amplo leque" de deputados de todas
as legendas.
Posto relevante
A presidência da Câmara é sempre o cargo mais cobiçado
da Casa, principalmente pela base do governo. Como diz um antigo funcionário
da Câmara, "nada se faz e se anda sem o presidente".
Apesar de ouvir os líderes partidários, o presidente da Câmara
tem, por exemplo, a prerrogativa de definir a pauta de votações,
comandar e gerenciar as sessões de plenário e, o principal para
um governo: decide se aceita ou arquiva representações que pedem
o "impeachment" do presidente da República.
Além disso, o presidente da Câmara é o segundo na linha
sucessória do presidente da República. Na ausência do presidente
e do vice, é ele quem assume o governo.
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CFT/PR, 9 de janeiro de 2007
Polêmica sobre os riscos do amianto
tem novo capítulo na justiça
Brasília - O debate sobre a proibição da exploração,
industrialização e comércio do amianto tem uma nova etapa
com conclusão prevista para 10 de fevereiro. Até lá, o
ministro Agenor Álvares precisa justificar ao Superior Tribunal de Justiça
(STJ) as razões que o levaram a assinar a portaria que aprova procedimentos
e critérios de envio ao Sistema Único de Saúde (SUS) de
listas de trabalhadores e ex-trabalhadores expostos ao mineral.
A legalidade da portaria do Ministério
da Saúde é questionada por mandado de segurança
de 19 empresas do setor, encabeçadas pela Eternit S/A, que conseguiram
liminar do STJ em 12 de dezembro. A Portaria 1.851/2006 abrange as atividades
de extração, industrialização, utilização,
manipulação, comercialização, transporte
e destinação final de resíduos. Inclui nestas lista
os produtos e equipamentos que contenham amianto. A liminar de dezembro
foi concedida pelo ministro relator João Otávio de Noronha.
Essa briga judicial não é de
agora. Municípios e estados aprovaram legislações
específicas proibindo desde a utilização em órgãos
da administração direta e indireta de produtos que contenham
amianto até a comercialização, o beneficiamento,
a fabricação e a instalação de produtos ou
materiais que contenham o mineral sob qualquer forma.
Em alguns casos, o setor de fibrocimento
(material constituído por amianto e cimento) conseguiu reverter
as legislações municipais e estaduais por decisão
do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal argumento é que
existe uma lei federal (Lei 9.055, de 1995) que disciplina a extração,
a industrialização, a utilização, a comercialização
e o transporte do amianto e dos produtos que o contenham.
As empresas reverteram as decisões
dos governos estaduais do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Em 2001,
o governo do Mato Grosso do Sul proibiu a comercialização
de produtos à base de amianto em seu território. O decreto
foi considerado inconstitucional pelo STF em 8 de maio de 2003.
No caso do estado de São Paulo,
o decreto assinado pelo então governador Geraldo Alckmin, em 25
de janeiro de 2001, proibia a importação, extração,
beneficiamento, comercialização, fabricação
e instalação de produtos ou materiais contendo qualquer
tipo de amianto. A lei estadual foi revogada pela Corte Suprema em 8
de maio de 2003. Não houve recurso do governo estadual.
Apesar dessas decisões, em alguns
municípios existem legislações específicas
de restrição ao uso do amianto. Levantamento feito em 2004
pelo consultor do Ministério da Saúde Elio Lopes dos Santos
cita como exemplos os municípios paulistas de Mogi Mirim, São
Caetano do Sul, Osasco, Bauru, Ribeirão Preto, Campinas, São
Paulo, Taboão da Serra, Barretos, Jundiaí, Amparo e Santa
Bárbara D'Oeste.
O levantamento feito pelo consultor cita,
ainda, o município de Recife (PE) entre os que restringiram o
comércio e uso de materiais produzidos com amianto. Os estados
do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também têm legislações
específicas sobre a questão.
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Folha
de São Paulo, 9 de janeiro de 2007
Governo planeja pagar benefício
do Bolsa Família por no mínimo 2 anos
Família não seria mais desligada
automaticamente caso elevasse sua renda além dos R$ 120 por pessoa
| Secretária Rosani Cunha diz que medida estimularia o beneficiado
a buscar outras fontes de renda sem medo de ser excluído do programa
LUCIANA CONSTANTINO, MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Bolsa Família, carro-chefe da
política social no primeiro mandato do governo Luiz Inácio
Lula da Silva, pode passar a ter prazo mínimo de dois anos de
permanência dos beneficiados. Nesse período, as famílias
não seriam desligadas automaticamente do programa caso aumentem
a renda além dos R$ 120 por pessoa, atual limite para cancelamento
do benefício. O objetivo é que as famílias disponham
de um tempo mínimo para buscar ocupação ou meios
de geração de renda sem risco de perder o benefício.
Passados os dois anos, haveria uma reavaliação
da condição econômica dos beneficiados para definir
se eles continuariam a receber a bolsa por mais um período ou
se já teriam condições de serem emancipados do programa.
A proposta foi encaminhada pelo Ministério do Desenvolvimento
Social ao presidente Lula. Alternativa encaminhada ao Planalto prevê elevar
o valor do limite de renda para que a família fosse desligada
dos atuais R$ 120 para R$ 140 mensais.
Segundo a secretária de Renda de
Cidadania do ministério, Rosani Cunha, é mais provável
que o governo opte pelo tempo mínimo de permanência porque
ele pode estimular a família a buscar trabalho e outras fontes
de renda sem medo de perder o benefício imediatamente.
O tempo mínimo de permanência
não impede que beneficiários do Bolsa Família renunciem
voluntariamente ao pagamento, como aconteceu com pouco mais de 2.000
famílias nos três primeiros anos do programa. Tampouco impede
o cancelamento dos benefícios por fraude ou por outro tipo de
irregularidade. A emancipação dos beneficiários
do Bolsa Família é um dos principais desafios do segundo
mandato de Lula. Para isso, o governo promete investir na elevação
da escolaridade e da capacitação profissional das famílias
atendidas.
Reajuste
Também aguarda apenas uma decisão
final do presidente Lula o índice de reajuste do benefício
pago pelo programa. Desde que foi criado, em outubro de 2003, o Bolsa
Família paga de R$ 15 a R$ 95 mensais aos beneficiados, de acordo
com a renda mensal e o número de crianças do domicílio.
Famílias com renda mensal per capita de até R$ 60 recebem,
no mínimo, o valor básico do programa, de R$ 50 por mês.
Além disso, para cada criança ou adolescente com até 15
anos, são pagos R$ 15, tendo como limite R$ 45 por família.
Foram apresentadas ao presidente três
propostas de reajuste desses valores. A primeira prevê a correção
pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado
desde outubro de 2003 até a data do aumento. Por enquanto, o acumulado
do índice ficaria em algo próximo a 16%. Outra opção é utilizar
a inflação de uma cesta de alimentos do INPC específico
para alimentação, que estava em 4%. A terceira proposta é fazer
uma composição dos dois índices: aplicar o percentual
de alimentação no reajuste do valor básico do Bolsa
Família e o INPC geral para a variável do programa.
Segundo Rosani Cunha, os R$ 8,6 bilhões
disponíveis no Orçamento da União de 2007 para o
Bolsa Família seriam suficientes para bancar o reajuste. No ano
passado, quando o governo atingiu a meta de 11,1 milhões de famílias
beneficiadas, foram gastos R$ 7,6 bilhões, R$ 600 milhões
do previsto no Orçamento.
A "economia" foi obtida por
meio de cancelamento de benefícios pagos em duplicidade a uma
mesma família e da atualização do cadastro único.
O cadastro traz informações que vão desde a renda
da família até o número de filhos, escolaridade
e condições de moradia. O governo vem adiando o reajuste
do valor dos benefícios desde abril do ano passado. Nesse mês,
foi corrigido o valor da renda máxima de que uma família
pode dispor para ter acesso ao programa -passou de até R$ 100
para até R$ 120 mensais por pessoa.
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Folha de São Paulo,
9 de janeiro de 2007
Novo embaixador em Washington diz que
Brasil pode ajudar na transição em Cuba
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O novo embaixador do Brasil nos Estados
Unidos, Antonio de Aguiar Patriota, 52, disse ontem, em entrevista à Radiobrás,
que o Brasil está propenso a intermediar o processo de transição
de poder em Cuba. Segundo o embaixador, Brasília tem hoje relações
intensas com Cuba e, por isso, "possivelmente haja um papel a ser
desempenhado pelo Brasil na busca de uma transição para
a democracia". "Tenho certeza de que o governo norte-americano
terá muito interesse em ouvir as nossas ponderações
e análises", afirmou.
Indicado para o posto no fim do ano passado,
Patriota, um diplomata próximo ao chanceler Celso Amorim, assume
o posto em fevereiro. De acordo com o que disse à Radiobrás,
as relações entre o Brasil e os Estados Unidos "vivem
um momento de amadurecimento", que ele credita a pontos de convergência,
como a situação e necessidade de ajuda ao Haiti e à proximidade
das relações dos presidentes Lula e George W. Bush, além
dos freqüentes contatos entre o chanceler Amorim e a secretária
de Estado Condoleezza Rice e a secretária de Comércio,
Susan Schwab.
O novo embaixador terá desafios
tanto na área política como na comercial. Comercialmente,
a maior preocupação do governo é com a exigência
do atual Congresso americano, com maioria democrata -com tendência
a um maior protecionismo-, de introduzir cláusulas trabalhistas
e ambientais nos acordos comerciais bilaterais, o que pode se transformar
em barreiras para o comércio.
Essa exigência ainda não
afeta o Brasil diretamente, já que os EUA se negam a assinar um
acordo com o Mercosul, conforme propôs o governo brasileiro. Eles
preferem negociar acordos comerciais com o Brasil no âmbito da
Alca (Área de Livre Comércio das Américas), cujas
negociações estão paradas e ameaçadas por
causa da atual composição do Congresso americano e do desinteresse
do governo brasileiro de incluir temas que interessam aos EUA, mas não
ao Brasil, como regras para propriedade intelectual.
"As relações econômico-comerciais
com os Estados Unidos estão paradas. A área financeira é coberta
pelo FMI [Fundo Monetário Internacional], mas atualmente não
temos dívidas. Restam as relações comerciais. O
governo terá de colocar ênfase nisso, já que os Estados
Unidos são um mercado de US$ 1,9 trilhão e nós só exportamos
cerca de US$ 24 milhões por ano", avalia o ex-embaixador
dos Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa. Outro desafio é afinar
posições nas discussões da Rodada Doha de liberalização
comercial, o que significa convencer os EUA a reduzir os subsídios
que oferecem aos agricultores.
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AGÊNCIA ESTADO.COM
/ SÃO PAULO, 09 de janeiro de 2007 | Economia
Governo vai reavaliar benefício
por invalidez
Índice de aposentados por este motivo
no serviço público supera iniciativa privada
Isabel Sobral
BRASÍLIA - Um em cada quatro aposentados
do serviço público federal no País está afastado
do trabalho por invalidez. As estatísticas do Ministério
do Planejamento revelam um quadro preocupante para as contas públicas
em relação aos gastos com inativos, o que está na
mira dos técnicos do governo.
O dado mais recente mostra que, de janeiro
a junho de 2006, das 3,48 mil novas aposentadorias concedidas a funcionários
civis da União, 25,8% tiveram como causa doenças incapacitantes
para o trabalho. O ministério diz que o índice é muito
elevado, considerando o tipo de atividade desenvolvida pela categoria.
Medidas para alterar essa situação estão sendo discutidas,
mas não devem apresentar resultados no curto prazo.
A proporção de aposentados
por invalidez no serviço público federal é superior à existente
no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que atende aos trabalhadores
da iniciativa privada. Em 2006, até novembro, o INSS pagou 13,4
milhões de aposentadorias, sendo 2,7 milhões - ou 20% -
benefícios por invalidez. No entanto, a grande diferença é que
na iniciativa privada existem setores econômicos onde são
claros os riscos à saúde.
O alto porcentual de aposentados por invalidez
no serviço público gera desconfiança de irregularidades,
mas o diretor de Relações do Trabalho da Secretaria de
Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Vladimir Nepomuceno,
sustenta que não há indícios de "indústria
de fraudes", e atribui as distorções às regras
especiais do funcionalismo. "Por exemplo, a que obriga o servidor
a se aposentar se ficar mais de dois anos em licença médica",
diz o diretor.
Diferentemente dos trabalhadores do INSS,
os servidores não recebem auxílio-doença, que garante
renda temporária durante afastamento para tratamento de saúde
e permite o retorno ao trabalho ao seu final. Os servidores afastados
por invalidez levam para casa a remuneração proporcional
ao tempo de trabalho no setor público, mas os valores não
estão sujeitos a um teto como no INSS (R$ 2,8 mil). Dependendo
da causa da incapacidade, pode ser o salário integral - e com
isenção de Imposto de Renda.
Antes de 2003, data da última reforma
da Previdência, todos os aposentados por invalidez no setor público
tinham como "incentivo" poder receber os proventos integrais.
Nepomuceno ainda destaca que o serviço público considera
doenças incapacitantes, muitas atualmente curáveis, como
a tuberculose.
O diretor afirma que o governo prepara
ações para enfrentar o problema ainda este ano. Nos próximos
dois meses, segundo ele, deverá ser iniciado um programa de saúde
ocupacional dos servidores, por meio de um piloto em Brasília.
A idéia é fazer uma varredura nos ambientes de trabalho,
identificar os reais riscos à saúde dos funcionários.
A partir desse mapeamento, as aposentadorias
por invalidez serão revisadas. As que foram concedidas nos últimos
cinco anos, a contar do final desse mapeamento, poderão ser revertidas,
como permite a lei. "Paralelamente, queremos implementar ações
de saúde preventiva, como nas empresas privadas", afirma
o diretor.
Em outra frente, com resultados
esperados para longo prazo, o governo quer chamar os sindicatos dos
servidores públicos para um debate e posterior elaboração
de projeto de lei que altere as atuais regras de afastamento por invalidez.
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JORNAL CRUZEIRO NET / SOROCABA
(SP), 09 de janeiro de 2007
INDÚSTRIA
Engajamento é de apenas 21%
em empresas do Brasil
Uma pesquisa realizada pelo segundo ano
consecutivo pela Gallup Organization sobre o Engajamento da Força
de Trabalho Brasileira revela que apenas 21% dos profissionais estão
engajados em seus serviços. A parcela de profissionais “engajados” (21%) é representada
por aqueles que trabalham com paixão e têm sentimento de
conexão com a empresa. São produtivos, leais, impulsionam
a inovação e movem a organização através
de críticas construtivas e níveis consistentes de alto
desempenho.
Em contra partida, 18% da força
de trabalho brasileira é considerada “ativamente desengajada”.
São funcionários que freqüentemente mostram a sua
atitude negativa com relação ao trabalho e ao empregador
e, o que é pior, são responsáveis por destruir o
valor criado por seus colegas na organização. Por fim,
quase dois terços (61%) dos trabalhadores são considerados “não
engajados”, ou seja, não estão psicologicamente comprometidos
com a empresa, buscam apenas atingir os objetivos sem ousadia ou riscos,
e podem deixar a empresa caso surja a oportunidade.
“Baixos índices de engajamento
custam muito às empresas em vendas, lucros perdidos, e em menor
satisfação dos clientes” analisa Gustavo Oliveira,
country manager da Gallup Organization no Brasil. A origem do engajamento
está relacionada a uma eficiente gestão de pessoas. Segundo
pesquisas já realizadas, 84% dos profissionais que pedem demissão
relatam que o principal motivo de sua saída é o relacionamento
com seu gerente direto.
“Este número é um
alerta para as empresas e revela a importância do gerenciamento
eficiente de pessoas. Saber reconhecer o trabalho dos funcionários,
ouvir suas opiniões e mantê-los a par do seu progresso como
profissional são ferramentas poderosas para reter os talentos
e garantir a eficiência de sua organização”,
afirma Oliveira.
Perfil dos engajados
A pesquisa da Gallup revela dados interessantes
sobre o perfil de engajamento dos trabalhadores brasileiros. A região
Sul concentra os profissionais com maior índice de engajamento
(26% contra 21% da média nacional), assim como o menor índice
de trabalhadores ativamente desengajados (13% contra 18% da média
nacional).
O engajamento de trabalhadores de empresas
públicas e privadas também merece destaque. Enquanto o
setor privado apresenta 23% de profissionais engajados e 17% ativamente
desengajados, no setor público os índices são de
18% de engajados e de 20% de profissionais ativamente desengajados. O
uso de ferramentas de gestão, mais presentes no mundo corporativo
privado, pode explicar esta diferença.
Outra análise interessante da pesquisa:
quanto mais jovem o profissional, menor seu engajamento. Na faixa etária
de 18 a 29 anos, 17% dos trabalhadores são engajados; na faixa
de 30 e 49 anos, o índice é de 21%; e na faixa dos profissionais
com mais de 50 anos o índice de engajamento salta para 28%.
Em 2005, a Gallup realizou pela
primeira vez no Brasil a pesquisa sobre o Engajamento da Força
de Trabalho nacional. A recente pesquisa mostra que não houve
mudança significativa.
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JORNAL CRUZEIRO NET / SOROCABA
(SP), 09 de janeiro de 2007
INDÚSTRIA
Empresas investem até 5% do faturamento
na capacitação de funcionários
As transformações na produção
industrial nas empresas brasileiras, principalmente a partir da década
de 90, após a abertura comercial e a desvalorização
cambial, levaram as indústrias de Sorocaba também a promoverem
reformulações nos processos produtivos, inclusive no tocante à qualificação
de mão de obra.
E “As estratégias e implicações
da reestruturação industrial em Sorocaba” tornaram-se
objeto de estudo e pesquisa por parte dos professores da Universidade
de Sorocaba (Uniso), Manuel Antonio Munguia Payes, Rogério Augusto
Profeta, Orlando Ortolan, Osmil Sampaio Leite e Francisco Uchôa.
Este foi o primeiro trabalho, desenvolvido
entre 1999 e 2001, focou a área de Recursos Humanos e como foram
aplicados os processos de gestão, os investimentos em capacitação
e treinamento de funcionários, diante das novas necessidades das
empresas. Foram contatadas 89 indústrias, de vários segmentos,
e a pesquisa concluiu que não houve somente um acentuado aumento
nas exigências de contratação, como também
maior investimento nos treinamentos de pessoal.
A segunda pesquisa, intitulada “O
investimento em capacitação de recursos humanos nas empresas
metalúrgicas em Sorocaba entre 1999 e 2004”, confirma os
dados apurados no primeiro estudo, mas tem como foco o segmento metalúrgico.
A coleta e apuração dos dados couberam aos alunos Caroline
Elita Zanetti Pelaccia e Ricardo Lopes Fernandes e a coordenação
ao professor Payes, também coordenador do Laboratório de
Ciências Sociais Aplicadas da Uniso.
Informa o coordenador da pesquisa que
foram entrevistadas 12 empresas (entre as maiores do setor metalúrgico
em Sorocaba), de um total de 43 (28%), totalizando 4.307 trabalhadores,
em 2003, com média de 359 por empresa. Os trabalhadores do setor
operacional são os mais representativos, seguidos pelos do setor
administrativo e gerencial. Considerando-se os dados da Relação
Anual de Informações Sociais (Rais) para 2003, que registrava
5.083 trabalhadores no setor metalúrgico, a pesquisa envolveu
85% desse universo de trabalhadores, destaca Payes.
O primeiro objetivo desse trabalho era
pesquisar o volume de recursos destinados aos diferentes programas de
treinamento entre 1999 e 2004. O segundo, verificar a prioridade da alocação
do investimento em treinamento, de acordo com o perfil de trabalhador
- operacional, administrativo e gerencial. O terceiro objetivo era identificar
quais os instrumentos utilizados pelo setor de recursos humanos para
avaliar a melhoria obtida na qualidade total e produtividade, advindas
do treinamento.
Recursos e resultados
Na primeira pesquisa, concluída
em 2001, constatou-se que foram intensificadas as políticas de
treinamento e capacitação por parte das empresas, na segunda
metade dos anos 90, especialmente para os trabalhadores da produção.
No entanto, em 1999, especificamente, os recursos foram menores, em função
da desvalorização cambial, que dificultou as negociações
com o mercado externo e provocou redução nos investimentos.
Também em 2001 e 2002, a crise na Argentina refletiu sobre as
exportações das empresas metalúrgicas de Sorocaba,
que pouco investiram em mão de obra.
Em 2003 e 2004, entretanto, os investimentos
em capacitação e treinamento foram retomados no setor metalúrgico,
diante do crescimento das exportações em todas as 12 empresas
pesquisadas, salienta Payes. As empresas, que em 1999, 2001 e 2002 reduziram
suas equipes funcionais necessitaram recontratar em 2003 e 2004, para
atender à demanda de exportação e, assim, começaram
a reinvestir em treinamentos para novos e antigos funcionários,
para a reciclagem de conhecimentos, visando à adequação
dos padrões de qualidade exigidos pelos importadores.
Entre as empresas pesquisadas, 75% investiram
até 4% do faturamento anual e 25% delas, aplicaram valores acima
de 5% do que faturaram, em programas de capacitação para
os funcionários. Os programas que receberam mais verbas foram:
Treinamento para Qualificação (75% das empresas destinaram
pelo menos 20% da verba), Treinamento para Atualização,
Treinamento de Formação Profissional e Controle de Qualidade,
que receberam, juntos, 71% de todo investimento destinado à capacitação
e treinamento dos colaboradores.
Os programas oferecidos voltaram-se para
Qualificação, Atualização, Formação
Profissional, Controle de Qualidade, Língua Estrangeira, Métodos
e Técnicas Gerenciais, Relações Humanas/Comportamentais
e de Informática. “Esses resultados indicam que a maioria
das empresas concentrou seu investimento de treinamento e capacitação
para qualificar os trabalhadores e alocou a verba restante para uma gama
ampla de programas”, ressalta Payes.
Conhecimento x Produtividade
Segundo a pesquisa, para os trabalhadores
operacionais as empresas priorizaram os Treinamentos para Qualificação
(100% delas), Controle de Qualidade (67%) e Treinamento para Atualização
(58%). Para os administrativos, foram priorizados os Treinamentos para
Atualização (77,8%), Treinamento para Qualificação
(66,7%) e Relações Humanas/Comportamentais (44,4%). E,
para os trabalhadores gerenciais, a maioria das empresas priorizou os
Treinamentos para Atualização (89%), Métodos e Técnicas
Gerenciais (63%) e Relações Humanas/Comportamentais (49%).
A pesquisa observou, também, que
o setor de recursos humanos das empresas metalúrgicas utilizam
basicamente duas formas de avaliar os ganhos de produtividade e qualidade
decorrentes dos programas de capacitação e treinamento.
A avaliação geralmente é feita através da
aplicação de questionários e somente uma empresa
utiliza software específico e exclusivo para a obtenção
dos resultados. São feitas basicamente a Avaliação
de Eficácia (em 83,3% das empresas) e Avaliação
por Competência (16,7%).
Quanto ao nível dos ganhos de produtividade
e qualidade oriundos dos investimentos em capacitação e
treinamento, a pesquisa constatou que entre os trabalhadores de nível
operacional, em 33,3% das empresas eles apresentaram alto ganho de produtividade;
em 58,3%, nível médio; entre os administrativos, em 41,7%
das empresas, nível alto de ganho de produtividade, e, em 50%
delas, nível médio. Entre os que ocupam cargo gerencial,
em 41,7% das empresas pesquisadas, esse pessoal apresentou nível
alto de ganho de produtividade, e em 50%, nível médio.
Quanto aos ganhos de qualidade, verificou-se
que em 66,7% das empresas contatadas, todos os tipos de trabalhadores
- operacionais, administrativos e gerenciais -, apresentaram alto nível
de melhoria na qualidade do trabalho e produção, completa
o professor Payes. (Cida Vida)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de janeiro de 2007
| Economia
COMÉRCIO EXTERIOR
Balança inicia o ano
com saldo positivo
A balança comercial iniciou 2007 com saldo positivo. Na primeira semana
do ano, o superávit foi de US$ 617 milhões. O resultado é a
diferença entre as exportações de US$ 2,023 bilhões
e as importações de US$ 1,406 bilhão, segundo o Ministério
do Desenvolvimento. A meta para este ano é exportar US$ 152 bilhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de janeiro de 2007
| Economia
INFLAÇÃO
IPC-S dispara 0,86% na
1.ª semana do ano
O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) subiu
0,86% na semana até 7 de janeiro, ante aumento de 0,63% apurado no indicador
anterior, da semana até 31 de dezembro, e acima de esperados 0,54% a
0,82%. O índice é apurado pela Fundação Getúlio
Vargas. O grupo Alimentação pressionou a taxa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de janeiro de 2007 | Economia
CRESCIMENTO
Meirelles é cobrado
Basiléia, Suíça – O presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, foi questionado nesta segunda-feira pelos principais representantes
das finanças internacionais sobre que medidas o Brasil adotaria para
crescer a taxas mais elevadas. Meirelles apenas anunciou que o Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) está em “estudo” e que não poderia
dar detalhes. Mas se antecipou e tranqüilizou os xerifes dos mercados
internacionais garantindo que as medidas não significarão uma
mudança no rumo macroeconômico do país. “O Brasil
mantém seu compromisso com a estabilidade de preços e fiscal”,
afirmou.
Participando do encontro com os
demais presidentes de BCs de todo o mundo na Basiléia, Meirelles
foi cobrado pelos banqueiros diante das taxas baixas de crescimento,
em comparação aos demais países emergentes. “Dei
indicações de que Brasil está estudando medidas
para acelerar crescimento e que serão anunciadas no final do
mês. Mas disse que não significariam irresponsabilidades”,
disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09 de
janeiro de 2007 | Brasil
CONGRESSO-Proposições terão
de passar pela Comissão Mista de Orçamento
Líderes querem barrar
o aumento de gastos
Brasília – O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
está articulando apoio de líderes aliados para o projeto que
dificulta a tramitação de qualquer proposta que implique aumento
de gastos para o governo federal. Jucá vai sugerir, logo na sessão
de abertura dos trabalhos do Congresso, em 1.º de fevereiro, que toda
proposição que elevar as despesas públicas de forma permanente
só possa tramitar, seja na Câmara ou no Senado, depois de passar
pelo crivo da Comissão Mista de Orçamento.
O líder diz que se trata de uma
iniciativa sua, como senador, e não do Palácio do Planalto.
Mas a proposta interessa, e muito, ao governo federal. Afinal, seu autor
confirma que o filtro da Comissão de Orçamento será acionado
toda vez que um parlamentar propuser gastos governamentais não
previstos no Orçamento.
Se a idéia de Jucá for aprovada rapidamente, como ele deseja,
facilitará bastante a vida do Planalto na hora de barrar o projeto do
aumento real do salário mínimo maior do que o ofertado pelo governo,
tradicionalmente apresentado pela oposição no início de
cada ano.
Neste caso, em vez de submeter os aliados
do governo ao desgaste de derrotar o aumento mais generoso do mínimo
em plenário, o Planalto pode se mobilizar para derrubar a proposta
na Comissão de Orçamento.
O próprio presidente Luiz Inácio
Lula da Silva já avisou que não vai aceitar mudanças
na proposta do novo mínimo de R$ 380 acertada com as centrais
sindicais. “Se alguém tentar extrapolar o limite do que
foi acordado, não tenham dúvida de que eu veto”,
disse Lula. Líderes da oposição afirmaram que pretendem
propor valor de R$ 420 para o novo salário mínimo.
O mesmo raciocínio envolvendo a
questão do mínimo vale para qualquer iniciativa do Congresso
concedendo aumento salarial para servidores de qualquer dos três
Poderes. “Se queremos reduzir impostos, temos que reduzir a despesa”,
argumenta Jucá.
A seu ver, sua proposta não visa
a aumentar o poder da Comissão Mista de Orçamento, e sim
ampliar sua análise técnica sobre as proposições
apresentadas por deputados e senadores. “Trata-se apenas de criar
um instrumento a mais para que o Congresso possa se pronunciar com consistência”,
insiste.
Segundo o líder, quem propuser
aumento de gastos terá de dizer qual é a fonte de recursos
que financiará a nova despesa. Além disso, a comissão
analisará se a fonte é permanente e se esses recursos são
mesmo garantidos.
“Temos que melhorar a qualidade
dos gastos públicos”, propõe.
Interatividade:
Você acha que os brasileiros
serão prejudicados caso o Congresso torne mais difícil
a tramitação das propostas que mexem com o Orçamento?
Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de janeiro de 2007
Função específica
Trabalhador de laboratório de
rádio é radialista
O empregado que exerce as funções
características de radialista deve ser enquadrado na profissão
mesmo que a empresa para a qual trabalha não tenha os serviços
de radiodifusão como atividade preponderante. O entendimento é da
6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
Os ministros confirmaram o enquadramento
de um trabalhador como radialista da Pontifícia Universidade Católica
do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e também seu direito ao pagamento
de horas extras. A decisão foi relatada pelo juiz convocado Luiz
Antônio Lazarim.
O TST manteve o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande
do Sul). Com base nos dispositivos da Lei 6.615 de 1978, que regulamenta
a profissão de radialista, o TRT gaúcho assegurou o enquadramento
do trabalhador. A PUC gaúcha foi condenada, ainda, ao pagamento
de um adicional de 40% pelo acúmulo das funções
de operador de vídeo e diretor de imagens.
De acordo com o processo, havia a produção
de vídeos para veiculação tanto em rede interna
quanto em canal externo (UniTV). Também foi formado um consórcio
entre sete universidades para exibição de programas culturais,
com sinal de transmissão partindo da PUC gaúcha.
Os programas eram produzidos em estúdios
da própria instituição. O radialista acumulava a
função de diretor de imagens (jornada máxima de
seis horas), ligada ao setor de produção, com as funções
de supervisor de operação e de operador de vídeo
(jornada máxima de oito horas), pertencentes ao setor técnico.
No TST, a defesa da PUC sustentou a inviabilidade
da aplicação da lei dos radialistas, porque sua atividade
institucional era destinada ao ensino superior. O fato de ter atuação
como participante no canal gratuito UniTV, em conjunto com outras redes
de ensino, não poderia levar à aplicação
da Lei 6.615/78.
O relator não acolheu o argumento. “A
aplicação da legislação especial que visa
melhor proteger o trabalhador em face das peculiaridades e especificidade
das funções que exerce é medida que se impõe,
ante o princípio da isonomia, pois visa à melhoria da sua
condição social”, considerou.
Quanto às horas extras, Lazarim
frisou que o enquadramento do profissional na jornada de menor duração
(seis horas), diante do acúmulo de funções, tem
respaldo no artigo 18, parágrafo único, da Lei 6.615 de
1978.
AIRR 413/2003-010-04-40.5
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/01/2007
Revelia da empresa beneficia trabalhador
A regra da legislação processual
civil que estabelece os efeitos da revelia (omissão do réu
em oferecer contestação à ação judicial)
levou o Tribunal Superior do Trabalho a deferir, em parte, recurso de
revista a um motorista paranaense. “Segundo o que dispõe
o artigo 319 do Código de Processo Civil (CPC), se o réu
não contestar a ação, reputar-se-ão verdadeiros
os fatos afirmados pelo autor”, explicou o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga (relator), ao garantir o pagamento dos feriados trabalhados
e a devolução de desconto salarial decorrente de pena disciplinar
aplicada ao trabalhador.
A decisão do TST reforma acórdão
firmado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná)
que isentou a Pepsico do Brasil Ltda. do pagamento de horas extras a
um ex-empregado. O TRT paranaense também afirmou a validade do
desconto imposto ao motorista por não ter se apresentado ao trabalho
num domingo, o que levou à suspensão por um dia e a perda
do repouso remunerado. A decisão regional só reconheceu
ao trabalhador o direito aos benefícios da justiça gratuita.
O posicionamento regional foi questionado
pela defesa do motorista no TST, que reivindicou o pagamento de horas
extras pelo período excedente à jornada de trabalho diária,
a remuneração correspondente às atividades desempenhadas
em domingos e feriados e a descaracterização da punição
disciplinar (desconto salarial). Para tanto, sustentou que a empresa
não ofereceu contestação às afirmações
feitas pelo motorista na ação trabalhista por ele proposta.
O primeiro tópico examinado pela
Sexta Turma do TST foi o pedido de pagamento das horas extras. O relator
do recurso verificou que o motorista exerceu as funções
de motorista-carreteiro e que sua alegação de trabalho
além do limite diário não foi questionada pela empresa.
Prevaleceu, contudo, a confissão do trabalhador, colhida durante
audiência de instrução (primeira instância),
de que não ocorreu fiscalização patronal sobre sua
jornada. Tal circunstância impediu o pagamento das horas extras.
“Se o juiz, mesmo em face da revelia
da parte, colhe o depoimento pessoal do autor da ação e
esse se revela contrário aos seus próprios interesses,
deve considerar a confissão real na formação de
seu convencimento”, afirmou Aloysio Veiga, que estendeu o mesmo
entendimento em relação ao pedido de pagamento dobrado
dos domingos, pois o trabalhador também confessou, em juízo,
que suas folgas recaíam nesse dia.
Em relação às atividades
desempenhadas em feriados, constatou-se a existência de documentos
que comprovaram a prestação de serviços. Apesar
disso, o TRT-PR não deferiu as horas extras por entender que a
prestação de serviços em outros Estados, longe das
vistas do empregador, vedava tal pagamento, sobretudo porque o carreteiro
não provou a inexistência de folgas compensatórias
pelo trabalho em feriados.
O entendimento regional foi considerado
equivocado pois a omissão da empresa em contestar (revelia) afastou
a necessidade de apresentação de provas. “Os efeitos
da revelia e confissão desobrigam a parte contrária de
produzir prova do fato constitutivo do seu direito; não fosse
assim, tais efeitos restariam aniquilados, de modo que, sendo revel e
confessa a parte reclamada, presume-se verdadeira a alegação
de que havia trabalho em feriados sem a devida compensação”,
observou Aloysio Veiga.
O relator aplicou a mesma tese para deferir
a restituição do desconto salarial, pois a empregadora
não contestou a alegação do trabalhador de que o
trabalho do domingo em que faltou à empresa fosse inadiável.
(RR 12876/2004-004-09-00.7)
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09/01/2007
Dispensa do pagamento de horas extras
depende de acordo coletivo
A validade da ampliação da
jornada de trabalho no sistema de turnos ininterruptos de revezamento
e a inexigibilidade do pagamento das horas extras depende de negociação
coletiva entre as partes envolvidas. Com esse entendimento, manifestado
pela ministra Maria Cristina Peduzzi (relatora), a Terceira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de revista a uma empresa
do interior paulista. O julgamento decorre de interpretação
e aplicação da Súmula nº 423 do TST que, recentemente,
unificou o entendimento do Tribunal sobre o tema.
“Estabelecida jornada superior a
seis horas e limitada a oito horas por meio de regular negociação
coletiva, os empregados submetidos a turnos ininterruptos de revezamento
não têm direito ao pagamento da sétima e oitava horas
como extras”, estabelece o item da jurisprudência, publicado
na edição do Diário da Justiça de 10 de outubro
de 2006.
A decisão do TST que negou o recurso
de revista à Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda.
confirma pronunciamento anterior do Tribunal Regional do Trabalho da
15ª Região (Campinas – SP). O objetivo da empresa era
o de reverter condenação ao pagamento das horas trabalhadas
além da sexta como extraordinárias.
No TRT, a pretensão da empresa
foi afastada diante da inexistência da respectiva autorização
coletiva. “Os acordos coletivos relativos ao período de
22.07.94 a 27.10.98 não contêm disposição
expressa quanto a jornada de oito horas diárias, em sistema de
turnos ininterruptos de revezamento. Ao contrário, os acordos
são específicos quanto a redução do intervalo
intrajornada”, registrou o órgão de segunda instância.
A ausência de cláusula específica
na norma coletiva inviabilizou a concessão do recurso à empregadora.
O exame da existência ou não de previsão da ampliação
da jornada nos acordos coletivos exigiria a análise de fatos e
provas dos autos, procedimento vedado ao TST por sua Súmula nº 126.
“Assim, apesar de a jurisprudência
do TST sinalizar no sentido de ser válida a fixação
de jornada superior a seis horas no sistema de turno ininterrupto de
revezamento mediante negociação coletiva, incide o obstáculo
da Súmula nº 126 do TST, haja vista a conclusão do
Tribunal Regional de que as normas coletivas vigentes à época
não previam a ampliação da jornada de trabalho”,
explicou Cristina Peduzzi.
(RR 768228/2001.4)
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