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Diário Vermelho, 10
de janeiro de 2007
Novo cálculo do Dieese diz
que mínimo deveria ser de R$ 1.564
Estudo divulgado hoje pelo Dieese apontou que o salário mínimo
do trabalhador brasileiro deveria ser de R$ 1.564,52 no último mês
de 2006, para suprir suas necessidades básicas e da família.
A constatação foi feita por meio da utilização
da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de dezembro, realizada pela instituição
em 16 capitais do País.
Com base no maior valor apurado
para a cesta, de R$ 186,23, em Porto Alegre, e levando em consideração
o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo
deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação,
moradia, saúde, transportes, educação, vestuário,
higiene, lazer e previdência, o Dieese calculou que o mínimo
deveria ser 4,47 vezes maior que o piso vigente, de R$ 350. Em novembro
de 2006, o total necessário ficava em R$ 1.613,08 (4,61 vezes).
Em dezembro de 2005, correspondia a R$ 1.607,11, o equivalente a 5,36
vezes o mínimo daquele período, de R$ 300.
Segundo o Dieese, a predominância de variação anual negativa
no custo da cesta básica permitiu forte queda no tempo de trabalho necessário
para que aqueles que ganham salário mínimo adquirissem os itens
essenciais. Em dezembro de 2006, na média das 16 capitais pesquisadas,
a compra dos produtos alimentícios de primeira necessidade exigiu o
cumprimento de uma jornada de 98 horas e 12 minutos. Em igual mês, em
2005, era necessária a execução de 117 horas e 29 minutos
para se obterem os mesmos bens. Em novembro de 2006, o tempo de trabalho necessário
chegou a 100 horas e 29 minutos.
Quanto ao comprometimento do salário mínimo líquido (após
o desconto da parcela referente à Previdência Social), o Dieese
salientou também uma ''significativa redução''. Segundo
a instituição, correspondeu, em dezembro último, a 48,33%
do rendimento recebido pelo trabalhador que ganha salário mínimo,
enquanto em dezembro de 2005 eram necessários 57,83% do menor valor
então pago. Em novembro de 2006, exigiu 49,46% do rendimento.
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CFT/PR, 10 de janeiro de
2007
Custos das rescisões da pós-aposentadoria
Com o cancelamento da OJ 177 do Tribunal Superior do Trabalho que estabelecia
categoricamente que a multa rescisória fundiária só se
aplicava sobre o saldo do período após a aposentadoria por tempo
de serviço, a jurisprudência deverá oscilar até firmar
novo entendimento. Ao contrário do que possa parecer num primeiro momento,
a declaração de inconstitucionalidade dos parágrafos 1.º e
2.º do artigo 453 da CLT e o cancelamento da OJ 177 por si só não
obrigam o julgamento no sentido de que a multa é devida pelo período
todo de trabalho do empregado que, aposentado, continua a trabalhar. As interpretações
no sentido de que havia uma rescisão contratual ficta com um novo período
de trabalho iniciado pós-aposentadoria decorria anteriormente aos parágrafos
1.º e 2.º (que foram editados em 1997) do próprio caput do
artigo que estabelece:
Art. 453. No tempo de serviço do
empregado, quando readmitido, serão computados os períodos,
ainda que não contínuos, em que tiver trabalhado anteriormente
na empresa, salvo se houver sido despedido por falta grave, recebido
indenização legal ou se aposentado espontaneamente. (Redação
dada pela Lei n.º 6.204, de 29.04.1975)
Assim, o entendimento jurisprudencial
era de que a aposentadoria gerava uma rescisão contratual seguida
de uma readmissão, e que, portanto uma futura demissão
envolveria somente o “segundo” contrato de trabalho surgido
com a readmissão pós-aposentadoria.
A discussão jurisprudencial da época
estava centrada justamente em se interpretar a situação
de “readmissão” contida no artigo. Para muitos julgados,
para haver a readmissão, deveria haver uma real rescisão
contratual, com pagamento das verbas rescisórias e posteriormente
uma readmissão agora sob um novo contrato de trabalho.(TRT 3.ª R.
RO 2483/96 3.ª T - TRT 19.ª R. Proc. 1998041790-69). Esses
julgados consideravam que com a edição da lei 8213/91,
que não mais exigia o desligamento efetivo do trabalho para concessão
da aposentadoria, se o contrato de trabalho não sofresse interrupção
efetiva, não havia que se falar em readmissão, sendo devida
a multa fundiária sobre todo o período contratual.
Já outros julgados entendiam que
a aposentadoria é ato de vontade do trabalhador, gerando a rescisão
ficta do contrato de trabalho no momento de sua concessão, iniciando-se
novo contrato após esse período, sendo devida a multa fundiária
somente sobre o novo período.(TRT 3.ª R. RO 20107/96 5.ª T
- TRT 2.ª R. RO 02960063834 TST RR 241374/1996 3.ª T.)
Esse entendimento tornou-se majoritário
no decorrer dos anos, mesmo antes da edição dos parágrafos
1.º e 2.º agora declarados inconstitucionais, culminando com
a OJ 177 do TST.
Os entendimentos ainda poderão
ser divididos, mesmo com a inconstitucionalidade dos parágrafos
1.º e 2.º. Há argumentos a favor e contra ambas as teses,
sendo ponto frágil da tese até então majoritária,
o fato de se considerar devida a multa fundiária somente do segundo
período, mas permitir o pagamento de 13.º salário
e férias sem interrupção do período aquisitivo
e concessivo. Houvesse real rescisão tais verbas deveria ser pagas
proporcionalmente, na data da aposentadoria e então novo período
se iniciaria.
A realidade é que se trata de uma
situação jurídica controversa, e mesmo quando vigente
a OJ 177 os Tribunais Regionais emitiam algumas decisões contrárias
a elas. (TRT 15.ª R. RO 01568-2001-058-15-00-2). Novas decisões
serão proferidas, provavelmente em ambos os sentidos, mas em vista
do impacto do cancelamento da OJ 177 talvez mais favoráveis ao
pagamento da multa fundiária por todo o período laborado.
As empresas deverão adequar
seus posicionamentos para rescisões contratuais de empregados
abrangidos por essa situação jurídica, e ainda
para eventual aumento de ações trabalhistas envolvendo
essa situação de contratos rescindidos anteriormente
não abrangidos pela prescrição bienal. Fonte:
Maria Lucia Ciampa Benhame Puglisi é advogada formada pela Faculdade
de Direto da USP, com pós-graduação latu-sensu
em Direito do Trabalho, pela mesma Faculdade. www.benhametresrios.com.br
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Folha
de São Paulo, 10 de janeiro de 2007
PMDB dá apoio a Chinaglia e base
aliada racha na Câmara
Partido exigirá, em troca, que próximo
presidente, em 2009, seja peemedebista | Petista teve votos de 46 dos
64 deputados em consulta à bancada; decisão poderá influenciar
outras siglas, mas Aldo segue candidato.
Lúcio Távora/Folha Imagem

Abraçado pelo presidente do PMDB, Michel Temer, Chinaglia é aplaudido
por deputados da sigla
SILVIO NAVARRO, LETÍCIA
SANDER, KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Principal bancada da Câmara na
legislatura que começa em 1º de fevereiro (90 deputados),
o PMDB declarou ontem apoio oficial à candidatura de Arlindo
Chinaglia (PT-SP) à presidência da Casa. Em troca, foi
feito um acordo no qual o PT respaldará um peemedebista para
concorrer ao cargo em 2009. A decisão foi tomada em votação
secreta. Dos 64 deputados presentes, 46 optaram por Chinaglia (seis
deles em votos enviados por escrito). O presidente da Câmara
e candidato à reeleição ao posto, Aldo Rebelo
(PC do B-SP), recebeu 11 votos. Seis deputados ficaram neutros, e um
votou em branco.
Imediatamente após a proclamação
do resultado, Chinaglia seguiu, com aliados, para a sala onde foi realizada
a reunião. "Chegamos ao fato político mais importante
dessa eleição. Além de honrado, me sinto fortalecido",
afirmou.
Disse ainda que o próximo passo, agora, é buscar o aval do PSDB.
Em seguida, Chinaglia afirmou que, em 2005, ele abriu mão de disputar
a presidência da Casa quando Aldo se apresentou como candidato do Palácio
do Planalto.
Ameaça a Aldo
A avaliação entre os parlamentares
aliados é que o resultado pressionará Aldo a uma eventual
desistência. O aval do PMDB a Chinaglia tem mais peso político
do que numérico. Outros partidos da base aliada deverão
trilhar o caminho peemedebista. PTB, PP e PR tendem a anunciar nos
próximos dias a adesão a Chinaglia. Se confirmada a preferência
pelo petista entre os partidos aliados, o presidente Lula deve se render à candidatura
de Arlindo Chinaglia. Outra conseqüência provável
seria o fortalecimento do PT e do PMDB no Congresso e na reforma ministerial.
O presidente do PMDB, deputado federal
Michel Temer (SP), afirmou que o resultado foi uma "opção
pelo acordo político" de revezamento com o PT para que
os os partidos comandem a Câmara até o fim do segundo
mandato de Lula. "A partir de hoje, o PMDB se incorpora à candidatura
[de Chinaglia]", disse Temer. "É uma decisão
orientadora", disse Jader Barbalho (PMDB-PA), que trabalhou sem
sucesso para esvaziar a reunião. Jader e o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), preferiam Aldo. Renan disputa a reeleição.
"Não que seja a imediata
derrota do Aldo, mas descortina que o Chinaglia tem apoio majoritário",
afirmou Walter Pinheiro (PT-BA). Durante toda a tarde, aliados de Aldo
trabalharam nos bastidores para tentar esvaziar a reunião do
PMDB ou convencer a sigla a adiar sua decisão. Defensor da reeleição
de Aldo, o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira
(PMDB), foi pessoalmente à reunião da bancada. No entanto,
a articulação de Aldo perdeu força logo no início
da reunião, quando Temer anunciou: "Apesar das divergências,
hoje temos que ter uma decisão unitária".
O primeiro passo para a decisão
peemedebista foi descartar a tese de o partido concorrer ao cargo com
um nome próprio, o que inviabilizou também a possibilidade
de aderir à chamada "terceira via". O deputado Edinho
Bez (PMDB-SC), que havia se apresentado como eventual candidato, desistiu.
Pela tangente
Chinaglia evitou responder se
apoiará o aumento do salário dos deputados para R$
24.500. Deu a entender que defenderá esse reajuste se toda
a Casa aprová-lo. O petista não respondeu se era a
favor do fim do voto secreto e da revisão da imunidade parlamentar,
temas defendidos pelo "grupo dos 30", frente suprapartidária
que tenta resgatar a imagem do Congresso.
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Folha de São Paulo,
10 de janeiro de 2007
Aldo diz que não vai retirar
candidatura, e seus aliados buscam apoio da oposição
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo com a decisão do PMDB de
apoiar Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara,
o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) reafirmou que manterá sua
candidatura à reeleição: "Como não cogitamos
retirar a candidatura em nenhum momento, reafirmamos que ela vai até a
vitória". Aldo afirmou que respeita a decisão do PMDB,
mas ressaltou que conta com o apoio de parte do partido. Ontem, ele teve
11 votos na reunião da bancada peemedebista, contra 46 de Chinaglia. "Tenho
entre os deputados do PMDB um sólido apoio pelos meus laços.
Até hoje, só pertenci a dois partidos: ao PC do B e ao
PMDB", disse.
Apesar do otimismo aparente, aliados de
Aldo reconheceram que a decisão do PMDB fortaleceu Chinaglia.
O grupo pró-Aldo trabalhou para que o PMDB não tirasse
nenhuma posição formal na reunião de ontem, mas
fracassou. Por outro lado, eles avaliam que, numericamente, a votação
demonstrou que a bancada do PMDB, de 90 deputados, estará dividida
nas urnas. A partir de agora, Aldo fortalecerá a busca de apoios
no PSDB e no PDT e reforçará o discurso de que sua candidatura
representa "a instituição", e não só a
base aliada.
Ontem pelo menos dois tucanos participaram
de um almoço na casa do comunista: Albano Franco (SE) e Luiz
Carlos Hauly (PR). O presidente do PDT, Carlos Lupi, também
esteve com Aldo. Os pedetistas decidem sua posição na
sexta. "Se o Arlindo conseguiu hoje uma vitória, que foi
o PMDB ter tomado uma decisão, o Aldo conseguiu outra, que foi
fechar com o PFL. Numericamente, zerou o jogo", disse Renato Casagrande
(PSB-ES). Aliados de Aldo criticaram o ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais) por sua atuação pró-Chinaglia.
(LS E SN)
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Folha
de São Paulo, 10 de janeiro de 2007
Nacionalismo afasta investidor da AL
Medidas como as tomadas por Chávez e Morales
derrubam entrada de capital estrangeiro na região, diz órgão
da ONU | Entrada de investimento direto na América Latina caiu
4,5% em 2006, mas cresceu 34,3% no mundo; Brasil teve expansão
de 5,9%
Aizar Raldes - 9.dez.06/France Presse

Hugo Chávez (esq.) e Evo Morales se abraçam em evento na Bolívia
DA REDAÇÃO
As iniciativas nacionalistas, como as
anunciadas na segunda pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez,
estão afetando a entrada de IED (Investimento Estrangeiro Direto)
na América Latina. A região foi a única em todo
o mundo em que houve queda na chegada desses investimentos em 2006,
segundo a Unctad (Conferência das Nações Unidas
sobre Comércio e Desenvolvimento). Para o organismo da ONU,
a mudança de políticas na Venezuela, na Bolívia
e no Equador traz insegurança jurídica para o investidor
estrangeiro e para a indústria. Essas medidas não afetaram
apenas esses países, mas trouxeram incerteza para o resto da
região, diz a Unctad. O site da entidade não divulgou
resultado separado para esses três países.
Na segunda-feira, Chávez afirmou
que nacionalizará empresas energéticas e de telecomunicações.
O boliviano Evo Morales nacionalizou o gás no ano passado -medida
que afetou a Petrobras. Já o equatoriano Rafael Correa, presidente
eleito, disse que pretende rever os contratos das petrolíferas.
O resultado dessas iniciativas é que a entrada de IED na América
Latina caiu 4,5% em 2006, enquanto a expansão global foi de
34,3%. Os investimentos estrangeiros na região caíram
de US$ 103,7 bilhões em 2005 para US$ 99 bilhões no ano
passado, de acordo com as primeiras estimativas da Unctad.
Brasil
O Brasil acabou sendo um dos poucos
países da região que acabaram não sendo chamuscados
pelas nacionalizações. A entrada de IED subiu 5,9% em
2006 em relação ao ano anterior, passando de US$ 15,1
bilhões para US$ 16 bilhões. O número, positivo
se comparado ao resto da região, ficou, porém, distante
não apenas da expansão global como da registrada entre
as economias em desenvolvimento: alta de 10%. A conseqüência é que
a participação do Brasil no volume global de IED diminuiu:
era de 2,6% em 2004, caiu para 1,6% em 2005 e deve ficar em 1,3% em
2006. A queda de 17% de 2005 deve ser relativizada pela fusão
da AmBev com a belga Interbrew, que inflou os dados de 2004 com US$
4,9 bilhões em IED relativos à operação.
Em 2005, entrou mais US$ 1,4 bilhão dessa operação.
Ainda assim, o país permanece
na segunda colocação entre os latino-americanos que mais
recebem IED. O primeiro lugar continua com o México, que não
teve expansão no ano passado: US$ 18,9 bilhões. O Chile,
beneficiado pela alta dos preços do cobre, registrou crescimento
de 48% em IED em 2006. Já Argentina e Colômbia tiveram
quedas de 29,5% e 52%, respectivamente.
Resultado global
O fluxo de IED chegou a US$ 1,2
trilhão em 2006, o segundo melhor resultado da história,
atrás apenas do US$ 1,4 trilhão de 2000. Foi o terceiro
ano consecutivo de expansão. Quase metade desse investimento,
US$ 589,8 bilhões, ficou concentrada na Europa -uma elevação
de 36% ante 2005. Nos EUA, a expansão foi de 78,2%, chegando
a US$ 177,3 bilhões. O Japão teve queda de 395,5%,
de US$ 2,8 bilhões para US$ 8,2 bilhões negativos.
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Folha
de São Paulo, 10 de janeiro de 2007
Caixa Econômica paga amanhã a última
parcela de perdas do FGTS
Valor equivale à reposição
de prejuízos causados pelos planos Verão e Collor
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal começa
a pagar amanhã a última parcela da reposição
das perdas sofridas pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
na implantação de planos econômicos na década
de 80. Vão receber aqueles que aderiram ao acordo proposto pelo
governo em 2001. O pagamento é feito diretamente na conta indicada
pelo trabalhador na época da assinatura do acordo. Quem não
indicou nenhuma conta pode procurar uma agência da Caixa para
receber o dinheiro.
Nessa última etapa, a liberação
será de cerca de R$ 800 milhões, totalizando R$ 39,4
bilhões pagos, nos últimos anos, para 32,2 milhões
de trabalhadores, de acordo com a Caixa. Os pagamentos se referem à reposição
de perdas causadas pelos diferentes índices usados na correção
dos saldos do FGTS na época da implantação dos
planos Verão (1988) e Collor 1 (1990). Em processo julgado em
2000, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu o direito de um grupo
de 20 trabalhadores a essa correção.
Estima-se que cerca de 38,8 milhões
de pessoas trabalhavam com carteira assinada entre dezembro de 1988
e fevereiro de 1989 e em abril de 1990, e, portanto, têm direito à reposição
das perdas. Milhares de processos semelhantes ainda aguardavam decisão
final. Como dificilmente o STF mudaria o posicionamento, o governo
decidiu propor um acordo aos trabalhadores. Pelo acordo, os trabalhadores
que tinham mais de R$ 2.000 a receber aceitaram desistir das ações
judiciais, além de concordar com desconto que variou de 8% a
15% no valor a ser pago. Em troca, o governo, por meio da Caixa, faria
o pagamento em parcelas -a última sairia, no máximo,
em 2007.
O prazo para a adesão ao acordo
foi até dezembro de 2003. Quem não aderiu pode entrar
na Justiça, na qual ainda tramitam processos sobre esse assunto.
Porém, de acordo com a Caixa, mesmo nos processos judiciais
que ainda estão em andamento têm sido fechados acordos
semelhantes ao proposto pelo governo em 2001. Do total pago até agora,
R$ 32,4 bilhões foram sacados. Outros R$ 5,8 bilhões
foram depositados nas contas do FGTS dos trabalhadores, nos casos em
que o saque não era possível por causa das regras do
fundo. Além disso, R$ 372 milhões foram liberados para
saques, mas ainda não foram retirados. Segundo a Caixa, esse
dinheiro se refere a pagamentos de baixo valor, em que as pessoas não
compareceram para reclamar os recursos.
O dinheiro para a correção
veio de várias fontes, como o próprio patrimônio
do FGTS e o Tesouro. Além disso, o governo também passou
a cobrar uma contribuição que incide, até hoje,
sobre a indenização paga aos trabalhadores demitidos
sem justa causa. Na prática, para as empresas essa indenização
passou a ser equivalente a 50% do saldo no FGTS do trabalhador demitido:
40% para o empregado e 10% para o governo. Com o fim do pagamento da
correção, o governo estuda usar esses 10% adicionais
para financiar investimentos em infra-estrutura.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de janeiro de 2007 | Brasil
TRANSPORTES-Planalto desiste de conceder à iniciativa
privada sete trechos de estradas federais
Governo resolve administrar
os pedágios
Brasília – Numa reviravolta que surpreendeu até mesmo integrantes
do governo, o Planalto desistiu de conceder à iniciativa privada sete
trechos de estradas federais e pretende administrar sozinho as praças
de pedágio que deverão ser instaladas nessas vias, como a Fernão
Dias e a Régis Bittencourt. A idéia é criar um pedágio
público e investir o dinheiro arrecadado na manutenção
e recuperação das próprias rodovias.
Desde o início do primeiro mandato
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério dos
Transportes vinha trabalhando para aprovar no Tribunal de Contas da União
(TCU) o programa de concessão desses sete trechos, que somam 2,6
mil quilômetros. A tentativa de privatizar as rodovias federais
vem desde a gestão Fernando Henrique Cardoso. No fim do ano passado,
o TCU deu seu aval ao modelo elaborado no governo Lula, que contou com
empenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
A expectativa dos Transportes e da Agência Nacional de Transportes Terrestres
(ANTT) era que o edital fosse lançado já neste mês. Mas
ontem veio ordem para abortar o processo.
Uma das razões que teriam levado
o Planalto a mudar sua política foi a polêmica gerada durante
as eleições em torno das privatizações comandadas
pelos tucanos nos setores de telefonia e energia. Ao longo da disputa,
Lula bateu forte na venda de empresas importantes, como a Vale do Rio
Doce. Portanto, conceder à iniciativa privada as estradas poderia
ser visto como incoerência com o discurso de campanha.
Interatividade
O que você acha de o governo
administrar os pedágios?
Escreva para leitor@gazeta dopovo.com.br.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 10 de janeiro de 2007
| Economia
HABITAÇÃO
Caixa libera R$ 6,85 bilhões
do FGTS
A Caixa Econômica Federal vai liberar neste ano um total de R$ 6,85 bilhões
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o financiamento
da compra de moradias. Trata-se de um aumento de R$ 1 bilhão (17,1%)
em relação aos recursos aprovados para liberação
no ano passado (R$ 5,85 bilhões). De acordo com circular publicada no “Diário
Oficial” da União, a Caixa vai liberar um total de R$ 10 bilhões
do FGTS em 2007. Outros R$ 2,7 bilhões vão para a área
de saneamento básico e R$ 450 milhões para a infra-estrutura
urbana – os mesmos valores de 2006.
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UOL NEWS, 10 de janeiro de
2007 | Brasil
Déficit habitacional cai,
mas ainda é de quase 8 milhões de moradias
O déficit habitacional no país
está em quase 8 milhões de moradias, segundo dados divulgados
pela Secretaria Nacional de Habitação, em levantamento
de 2005. Esse número vem caindo, apesar da redução
ser bem pequena: estava em 16% em 2000 e hoje o déficit está em
14,9%. As regiões Sudeste e Nordeste quase empatam na falta de
moradia, 36,7% contra 34,7% respectivamente, com um diferencial significativo.
Enquanto no Nordeste a carência é maior na área rural,
com 60,4% de déficit, no Sudeste o problema da falta de moradia
atinge principalmente a cidade, com 42,5%. "A pesquisa registra
uma tendência importante, que é a redução
do déficit", explica a secretária nacional de Habitação
Inês Magalhães ao ser questionada sobre o porquê da
queda não ser ainda maior, que também destaca algumas medidas
tomadas. "A primeira delas foi a criação de uma nova
institucionalidade para tratar do problema, já que desde o fim
do BNH havia um vazio para tratar a questão da habitação
no nível nacional.A criação do Sistema Nacional
e do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social são
um avanço."
A secretária conta que a classe
mais baixa foi beneficiada, apesar de ainda fazer parte da parcela que
mais sofre com o problema da moradia. "O FGTS e recursos públicos
foram direcionados de maneira muito significativa para a faixa de até 5
salários mínimos. Em 2002, dos recursos do FGTS você 53%
dos atendimentos na faixa de renda de até 5 salários mínimos.
Nós fechamos 2006 com 85% dos atendimentos", diz Inês,
que tem consciência que só o FGTS não é suficiente. "O
tamanho do problema obriga que façamos um planejamento de longo
prazo, que vai se materializar no Plano Nacional de Habitação.
Os números que temos, de necessidade, de subsídio, chegam
a R$ 6 bilhões/ano."
Em 2006, o volume de recursos da Secretaria
foi de R$ 1,8 bilhão no FGTS, mais R$ 1 bilhão no Fundo
Nacional de Habitação de Interesse Social e R$ 1 bilhão
no PAR (Programa de Arrendamento Residencial), que atende também
famílias de até 5 salários mínimos.
Inês vê com otimismo os próximos
anos. "Há uma tendência de queda do déficit
mais acentuada porque essa dados são da Pnad de 2005 e nosso maior
volume de recursos foi justamente esse ano, então, imaginamos
que o reflexo desses investimentos serão materializados. Esperamos
também um aumento de recursos para 2007."
"Não é só a
ação pública que traz resultados para a questão
do déficit. Você também tem as pessoas individualmente,
a melhoria de renda, a diminuição da desigualdade, acesso
mais barato ao material de construção, tudo isso contribui
para que não entrem numa situação de necessidade
habitacional", diz a secretária.
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JORNAL DE BELTRÃO
/ FRANCISCO BELTRÃO, 10 de janeiro de 2007
Centro Integrado qualifica trabalhadores
para indústrias
Primeiras turmas de funcionários se
formaram em 2006
Coutinho, 36, mãe de quatro filhos,
reside há um ano em Ampere. Para aumentar a renda da família,
Eliane procurou emprego no ano passado em várias indústrias
de confecções instaladas no município, mas não
conseguiu. Ela não possuía o curso de operadora de máquina
de costura. “Ta difícil, elas exigem curso”, disse
a dona-de casa, referindo-se às indústrias do setor.
A esperança dela é começar
2007 com um emprego. Para atender às exigências do mercado
de trabalho, Eliane fez o curso de operadora de máquina de costura
industrial ofertado gratuitamente pelo Centro de Atendimento Integrado
do Sistema Fiep/Sesi/Senai em Ampere.
Em agosto de 2006, um acordo do Sistema
Fiep e município possibilitou a instalação do Centro
de Atendimento Integrado de Ampere em prédio arrendado dos proprietários
da Krindges Industrial, que também sedia a Famper (Faculdade de
Ampere). Ao completar o quinto mês de funcionamento, o Centro Integrado
formou mais uma turma do curso de operador de máquina de costura
industrial, que estão aptos para o setor de confecções.
O Sesi/Senai já prestava serviços às
indústrias, aos trabalhadores e futuros trabalhadores de Ampere
com a realização de cursos, o programa de ginástica
laboral e consultorias às empresas. Com a abertura do Centro Integrado,
trabalhadores e empresários passaram a contar com um local próprio
para a busca de informações, consultorias, de acesso a
programas e a qualificação ou requalificação
profissional por parte dos trabalhadores.
Quando o Centro Integrado foi inaugurado
já estavam em andamento os cursos de aprendizagem em confecção
industrial e operador de máquina de costura industrial. Em setembro
de 2006 formaram-se14 alunos do curso de operador de máquina,
depois de 50 dias de aula e 200 horas-aula. Pelo menos 13 deles que estavam
desempregados conseguiram vagas nas empresas locais. O curso de aprendizagem
em confecção industrial teve 27 alunos, três deles
da Escola Especial Raios de Sol, da Apae.
No ano passado o Centro Integrado qualificou
80 trabalhadores nos cursos de operador de máquinas de costura,
que tem aulas quatro dias por semana.
Em parceria com o Sebrae foi ofertado
o curso de eletricidade para o empreendedorismo, com duas turmas de 40
alunos. Eletricistas que atuam nas empresas nos setores de comércio
e indústria participaram do treinamento.
Curso para jovens
O curso de Aprendizagem Industrial para
o setor de confecções, com duração de 12
meses, começou em agosto de 2006 e terminará em julho de
2007. Freqüentam o curso adolescentes na faixa de 14 a 17 anos que
estudam nas escolas do ensino fundamental e médio. Esta aprendizagem
garante aos estudantes uma espécie de contraturno social e a qualificação
para posterior atuação no mercado de trabalho. Através
deste treinamento os estudantes podem conseguir estágios nas empresas
e já vão ganhando experiência profissional.
A Agência do Trabalhador encaminha
as pessoas interessadas em se qualificar ao Centro Integrado, que as
cadastra para a realização dos cursos. Os instrutores
são custeados pelo Sistema Fiep/Sesi/Senai e município.
A procura por cursos no primeiro semestre de funcionamento do centro
foi grande no primeiro semestre de seu funcionamento, principalmente
para os cursos de operador de máquinas. Como as turmas estavam
preenchidas os interessados tiveram seus nomes inscritos para as próximas
turmas. (FP)
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AGÊNCIA ESTADO.COM
/ SÃO PAULO, 10 de janeiro de 2007 | Economia
Lula veta FGTS para o saneamento
Medida foi retirada por sugestão dos
Ministérios da Fazenda e do Trabalho
Ribamar Oliveira
BRASÍLIA - Por sugestão
dos Ministérios da Fazenda e do Trabalho, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vetou dois artigos que criavam incentivos fiscais aos investimentos
em saneamento básico e permitiam o uso dos recursos do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em fundo de investimento em
infra-estrutura e saneamento, além da compra de ações
e debêntures de empresas do setor.
A mensagem do presidente ao Congresso,
com as razões dos vetos à lei que institui o marco regulatório
do saneamento básico, foi publicada na segunda-feira no Diário
Oficial da União. A lei foi sancionada pelo presidente Lula na
semana passada.
Os artigos vetados foram elogiados pelo
ministro das Cidades, Márcio Fortes, quando a lei de saneamento
básico foi aprovada pela Câmara, em dezembro passado. Um
dos dispositivos vetados permitia que o valor dos investimentos feitos
em ativos permanentes imobilizados de serviços de saneamento fosse
utilizado como crédito tributário pelas empresas para o
pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e da contribuição do PIS/Pasep.
A Fazenda e o Trabalho consideraram que
essa medida ´poderá trazer graves repercussões sobre
o alcance das metas de equilíbrio fiscal´. Os dois ministérios
argumentam que várias desonerações foram adotadas
ao final de 2005 com o intuito de reduzir a carga tributária federal,
o que vem diminuindo a arrecadação da União.
"Assim, permitir desoneração
adicional de tributos significaria dificuldades para a manutenção
das despesas sociais em níveis satisfatórios, reduziria
a capacidade de o Estado investir e geraria riscos adicionais para o
cumprimento das metas fiscais compatíveis com a redução
da dívida pública", argumentam a Fazenda e o Trabalho.
Renúncia fiscal
Os dois ministérios esqueceram
que, até o fim deste mês, o presidente Lula deverá anunciar
o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com novas
medidas de desoneração tributária, que implicarão
renúncia fiscal de R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões.
Quando a lei do saneamento foi aprovada
pela Câmara, o deputado Julio Lopes (PP-RJ), relator do projeto,
estimou que a perda de receita da União com a Cofins e com o PIS/Pasep
este ano seria de R$ 2,5 bilhões.
O ministro Márcio Fortes chegou
a dizer que, se a lei estivesse em vigor em 2006, a renúncia fiscal
teria sido de R$ 600 milhões. Ontem, o Ministério das Cidades
não quis se manifestar sobre os vetos.
O presidente Lula vetou também
o artigo da lei que o autorizava o FGTS a fazer investimento direto,
ou por meio de seus agentes financeiros, em fundos de investimento e
participações, na aquisição de cotas de fundo
de direitos creditórios e em outros fundos criados para investimento
em saneamento e infra-estrutura, assim como na aquisição
de ações representativas do capital social e em debêntures
de empresas de saneamento e infra-estrutura.
No dia da aprovação da lei,
o ministro Márcio Fortes chegou a informar que seriam utilizados
R$ 5 bilhões de recursos do FGTS para essas finalidades, sendo
30% desse total na área de saneamento. A idéia de usar
recursos do FGTS diretamente em investimentos em infra-estrutura e em
saneamento é atribuída, dentro do governo, ao ministro
do Trabalho, Luiz Marinho.
Na mensagem de veto, no entanto, o Ministério
do Trabalho mudou de idéia. Agora, o Trabalho e a Fazenda dizem
que o artigo ampliou consideravelmente o leque de aplicações
dos recursos do FGTS, "além de desvirtuar substancialmente
o escopo original da Lei 8.036 (que regulamenta o FGTS)".
Segundo os dois ministérios, o
Fundo ficaria sujeito ´à deterioração de sua
capacidade financeira, sem resultados positivos palpáveis´.
Outro artigo vetado pelo presidente Lula
retira qualquer obstáculo a que governadores e prefeitos cobrem
das empresas pela concessão de serviços de saneamento básico.
O artigo vetado previa que a concessão onerosa não teria
acesso a recursos orçamentários federais e a financiamentos
com recursos do FGTS e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Esta fórmula foi elaborada
pelo próprio Ministério da Cidades, para evitar que a
cobrança pela concessão fosse repassada para a tarifa
de água e esgoto e terminasse sendo paga pelo usuário.
Ao todo, Lula vetou 15 dispositivos da lei do saneamento.
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AGÊNCIA ESTADO.COM
/ SÃO PAULO, 10 de janeiro de 2007 | Economia
Cesta básica cai em 13 de 16
capitais em 2006
Maior recuo, de 7,41%, foi constatado em
João Pessoa; SP teve queda de 0,75%
Flavio Leonel e Célia Froufe
SÃO PAULO - O preço da cesta
básica apresentou declínio no ano passado ante 2005 em
13 das 16 capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Levantamento
divulgado nesta terça-feira pela instituição mostrou
que, no encerramento de 2006, foram verificados aumentos no conjunto
de produtos alimentícios essenciais somente em Natal (3,53%),
Goiânia (2,23%) e Belém (0,25%), enquanto as quedas mais
expressivas foram constatadas em João Pessoa (-7,41%), Recife
(-5,82%), Aracaju (-5,29%) e Curitiba (-5,05%).
De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta
Básica, houve ainda baixas de 3,76% nos preços no Rio de
Janeiro; de 3,05% em Belo Horizonte; e de 3,02% em Brasília. Em
São Paulo, a cesta apresentou recuo menor, de 0,75%, ante o fechamento
do ano anterior.
O Dieese destacou que o comportamento
de 2006 é "bem diferente" do verificado em 2005, quando
todas as localidades pesquisadas haviam registrado aumentos, que variaram
de 0,15% a 16,16%, no custo da cesta. A instituição destacou
também que, nas cidades em que a cesta ficou mais cara em 2006,
as elevações foram "bem inferiores" ao aumento,
de 16,67%, concedido pelo governo federal ao salário mínimo
a partir de abril do ano passado.
Dezembro
Na comparação entre dezembro
e novembro de 2006, o estudo do Dieese apontou queda em 12 das 16 capitais
pesquisadas. Em quatro delas, houve aumento: Fortaleza (2,82%), Goiânia
(2,19%), Natal (2,13%) e Belém (0,44%).
As baixas mais significativas foram verificadas
em Florianópolis (-5,43%), Aracaju (-5,38%) e Curitiba (-5,34%).
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília tiveram as cestas
com recuos de 1,75%, 4,30% e 1,09%, respectivamente.
O Dieese realizou a Pesquisa Nacional
da Cesta Básica nas cidades de Aracaju, Belém, Belo Horizonte,
Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia,
João Pessoa, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador,
São Paulo e Vitória.
Cesta mais cara
A cidade de Porto Alegre apresentou em
2006 a cesta básica mais cara do Brasil pelo terceiro ano consecutivo.
De acordo com estudo do Dieese, o preço médio do conjunto
de produtos alimentícios essenciais na capital gaúcha atingiu
R$ 186,23 em dezembro do ano passado. No mesmo período de 2005,
os mesmos itens custavam R$ 191,30 e, em dezembro de 2004, R$ 174,75.
Entre as 16 capitais pesquisadas pelo
Dieese, São Paulo repetiu também as colocações
dos últimos dois anos e ficou com o segundo posto entre as cestas
com o preço mais elevado. Na capital paulista, o valor médio
do conjunto de produtos alcançou R$ 182,05 no final de 2006 ante
R$ 183,43 em dezembro do ano anterior e R$ 172,20 no mesmo mês
de 2004.
Na outra ponta, Recife apresentou a cesta
mais barata de 2006, com valor médio de R$ 132,14. Em 2005, o
menor preço havia sido registrado em Fortaleza (R$ 133,04). Em
2004, com uma cesta com valor médio de R$ 122,99, a capital pernambucana
ficou com o posto.
Em 2006, Brasília, Belo Horizonte
e Rio de Janeiro foram as outras capitais que tiveram a cesta básica
com preço médio superior a R$ 170. Na capital federal,
a cesta atingiu R$ 171,85; na capital mineira, R$ 171,49; e, no Rio de
Janeiro, R$ 171,39.
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de janeiro de 2007
Sucessão trabalhista
Empresa que adquire clientes de outra
assume dívidas
Se uma empresa adquire de forma espontânea
a carteira de clientes de outra, deve assumir a responsabilidade pelas
dívidas trabalhistas decorrentes da compra. Com esse entendimento,
a 12ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(SP) determinou a inclusão da Saúde ABC no pólo
passivo da execução da Interclínicas para responder
solidariamente pelo pagamento dos créditos trabalhistas.
A Turma concluiu que ao transferir para
a Saúde ABC sua carteira de operadora de Plano de Assistência à Saúde,
a Interclínicas transferiu sua clientela, que é o principal
elemento na sucessão da empresa.
Para a relatora, juíza Vânia
Paranhos, "afronta os princípios basilares que informam o
Direito do Trabalho permitir que a empresa que adquire a ‘parte
boa e lucrativa’ de outra empresa, queira se eximir de sua responsabilidade
pelos créditos de natureza alimentar de quem contribuiu para a
existência da própria carteira de clientes através
de sua energia dispendida por força de seu trabalho".
Os juízes da 12ª Turma do
TRT-SP acompanharam o voto da relatora. Cabe recurso.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/01/2007
Extinção do contrato de trabalho
cancela plano de saúde
A extinção do contrato de
trabalho provoca o conseqüente cancelamento do plano de saúde
concedido pela empresa a seu antigo empregado e familiares. Com essa
conclusão, a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deferiu
recurso de revista a uma empresa baiana. O relator da questão,
ministro Ives Gandra Martins Filho, esclareceu que a aposentadoria leva à suspensão
do contrato de trabalho e, “passados mais de cinco anos, sua extinção
conforme o artigo 47 da Lei nº 8.213 de 1991”.
O caso apreciado pelo TST envolveu um
empregado da Joanes Industrial - Produtos Químicos e Vegetais,
contratado como ajudante de depósito em 1993. Em 1999, foi aposentado
pela Previdência Social por invalidez permanente em decorrência
de doença ocupacional (hérnia de disco).
Sob o argumento de ser beneficiário
do plano de saúde Unimed, instituído pela empresa, ingressou
com ação trabalhista na 2ª Vara do Trabalho de Ilhéus
(BA). Pediu reparação pela doença adquirida, caracterizada
como acidente de trabalho, e o restabelecimento do plano da saúde
que havia sido cancelado. Alegou que o plano foi incorporado ao salário,
inclusive no período em que esteve em gozo do auxílio-doença
previdenciário.
A Vara do Trabalho rejeitou o pedido do
aposentado com a tese de que “o plano de saúde é concedido
ao trabalhador e extensivo aos seus familiares unicamente em face da
existência de contrato de trabalho em vigor na sua plenitude”.
Inconformado, recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região
(Bahia), que determinou o restabelecimento do plano de saúde,
por entender que o término do contrato não eximiu o empregador
de manter o plano.
No TST, contudo, os ministros da Quarta
Turma reformaram a decisão do TRT baiano. Ives Gandra Filho frisou
que a empresa manteve o plano de saúde enquanto o contrato estava
suspenso, “muito embora já pudesse naquela época
providenciar o cancelamento do benefício, pois a suspensão
contratual se caracteriza pela não prestação de
trabalho e pela não percepção de salário”.
O relator também afirmou
que, no caso, quando a aposentadoria por invalidez tornou-se permanente,
a empresa optou pelo cancelamento do plano. “Essa supressão
não pode ser considerada nula, a teor do artigo 468 da CLT,
pois o contrato de trabalho estava suspenso e, após o quinto
ano, foi extinto definitivamente, deixando de haver obrigações
recíprocas entre as partes”, concluiu Ives Gandra Filho
(RR 372/2005-492-05-00.2)
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10/01/2007
TST reconhece acordo sobre horas extras
em turno ininterrupto
A Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho deferiu parcialmente recurso de revista a uma empresa de ônibus
paranaense a fim de reconhecer validade à cláusula de acordo
coletivo que estabeleceu jornada de trabalho de oito horas em regime
de turno ininterrupto de revezamento. Além da Constituição
Federal, a decisão relatada pelo juiz convocado José Pedro
de Camargo baseou-se na nova diretriz dada, recentemente, à Orientação
Jurisprudencial nº 169, a partir de um acórdão redigido
pelo ministro Brito Pereira (presidente da Quinta Turma).
De acordo com decisão do Plenário
do TST, em decisão publicada em 1º de setembro de 2006, é viável
a negociação coletiva que resulta na fixação
do regime de turno ininterrupto de revezamento de oito horas sem o pagamento,
como extra, do período excedente à sexta hora. Esse entendimento,
relatado pelo ministro Brito Pereira, exprime a atual jurisprudência
consolidada do TST sobre o tema.
No caso examinado pela Quinta Turma, foi
modificada a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(Paraná), na parte em que assegurou o pagamento como extras das
sétima e oitavas horas diárias trabalhadas pelo motorista
para a Empresa de Ônibus Nossa Senhora da Penha S/A. O órgão
de segunda instância apontou a inviabilidade da negociação
coletiva que ampliou a jornada diária em duas horas, sem o pagamento
de horas extraordinárias.
“Não se pode validar disposição
dos acordos coletivos de trabalho que prevêem jornada de oito horas
e compensação de horário. Não pode a norma
coletiva de trabalho dispor de forma a retirar direitos garantidos em
lei. E os acordos de compensação e prorrogação
de jornada que vieram aos autos não são igualmente válidos
na medida em que não contém previsão do horário
a ser cumprido, deixando a jornada a inteiro critério do empregador”,
registrou o TRT paranaense.
O posicionamento regional, contudo, revelou-se
contrário à jurisprudência do TST e também
violador do artigo 7º, inciso XIV, da Constituição
Federal de 1988. “Ora, se a própria norma constitucional
estabelece a jornada de seis horas para os turnos ininterruptos de revezamento, ‘salvo
negociação coletiva’, deixar de aplicá-la
implica violação do referido preceito da Carta Magna”,
explicou o juiz José Pedro.
A decisão regional foi mantida,
contudo, em relação a outro ponto do recurso de revista,
em que a empresa insistia em caracterizar a dispensa por justa causa
do trabalhador por envolvimento, durante o expediente, em um acidente
de trânsito. O exame da questão envolveria a avaliação
de fatos e provas, procedimento vedado ao TST por sua Súmula nº 126.
Prevaleceu assim, nesse item da decisão,
a posição regional que afastou a justa causa diante da “inexistência
de antecedentes dignos de advertência; o momento chuvoso da ocorrência
dos fatos e a intenção do agente (motorista), que em momento
algum caracterizou-se como proposital para a ocorrência do acidente”.
(RR 784793/2001.4)
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