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Agência Câmara,
12 de janeiro de 2007
Projeto permite empréstimo com
recursos do FAT
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 7518/06, do deputado Antonio Carlos
Mendes Thame (PSDB-SP), que autoriza os bancos cooperativos a utilizar os depósitos
especiais do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para conceder empréstimos
ao setor rural ou destinados à aquisição de bens duráveis.
Hoje, a Lei 8352/91 já permite ao Banco do Brasil utilizar esses recursos
para concessão de empréstimos ao setor rural.
"A ampliação das fontes
de financiamento do setor agropecuário de nossa economia, com
a publicação da Lei 8352, veio contribuir com mais recursos
para esse segmento tão expressivo na construção
de nosso PIB. Entretanto, queremos crer que já é tempo
de ampliar o rol de agentes repassadores desses recursos oriundos do
FAT, além do próprio Banco do Brasil", argumenta Mendes
Thame.
Para o deputado, a medida irá ampliar
significativamente o volume de recursos disponíveis para os bancos
cooperativos e, em conseqüência, permitirá uma expressiva
expansão da base de crédito junto ao setor agropecuário
e industrial da economia nacional. Mendes Thame observa ainda que essas
cooperativas exercem hoje papel preponderante no financiamento de vários
segmentos da economia, como o comércio e o setor de agronegócios
do País, estando presentes em vários municípios
do interior.
De acordo com o projeto, no caso dos bancos
cooperativos, os empréstimos serão repassados por intermédio
das cooperativas de crédito, respeitados os limites definidos
pelo Conselho Monetário Nacional e as demais exigências
legais.
Tramitação
A proposta foi apensada ao PL 7142/02,
do deputado Wellington Fagundes (PL-MT), que permite a aplicação
das disponibilidades financeiras do FAT em depósitos especiais
nos bancos cooperativos, que deverão repassar esses recursos às
cooperativas de crédito. Atualmente, esses depósitos -
remunerados e disponíveis para imediata movimentação
- são autorizados apenas em instituições financeiras
oficiais federais.
Os projetos, que tramitam em caráter
conclusivo, serão analisados pelas comissões de Trabalho,
Administração e Serviço Público; de Finanças
e Tributação; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Agência Diap, 12 de
janeiro de 2007
Mundo do Trabalho
Ministério atualiza normas
de saúde e segurança do trabalhador
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por intermédio do Departamento
de Segurança e Saúde do Trabalhador da Secretaria de Inspeção
do Trabalho (SIT), elaborou e reformulou algumas normas regulamentadoras em
2006, após intensos debates entre governo, trabalhadores e empregadores.
A prevenção a acidentes
de trabalho tem-se mostrado cada vez mais imprescindível, tanto
para o trabalhador como para o empregador. E é justamente para
reduzir o número desses acidentes e de doenças profissionais
que o MTE investe na prevenção. Em março de 2006,
foram divulgados os textos técnicos básicos dos anexos
das normas regulamentadoras 17 (NR-17), sobre ergonomia na atividade
de teleatendimento, e da NR-19, sobre segurança na atividade de
produção e artefatos pirotécnicos.
Após 60 dias em consulta pública,
foram constituídos Grupos de Trabalho Tripartite (formado por
governo, empregadores e trabalhadores) para negociação
do conteúdo. A previsão de aprovação final
pela Comissão Tripartite Paritária Permanente dos dois
instrumentos é março de 2007.
Portuários e equipamentos de
proteção individual
Os trabalhadores do setor portuário
foram beneficiados com a revisão da NR-29, publicada em abril.
A nova versão, além de agrupar os temas de forma mais organizada,
trouxe importantes ajustes ao texto, além da adaptar padrões
de sinalização aos regulamentos internacionais.
No mês do trabalhador, em maio,
a Portaria SIT nº 162/2006 estabeleceu novos procedimentos para
a emissão de Certificados de Aprovação de Equipamentos
de Proteção Individual (EPI). A medida, aliada à reestruturação
administrativa na coordenação responsável pela atividade,
reduziu o prazo de liberação do documento de um ano para
60 dias.
A Norma Regulamentadora nº 18 ganhou
inovações, em especial nos itens que tratam de freios de
emergência de elevadores de obra, fixação de equipamentos
para trabalho em altura em reformas e sistemas proteção
contra projeção de materiais constituídos por redes
de segurança.
Vigilantes, caixas de supermercados
e espaços confinados
Em dezembro, foi publicada a Portaria
nº 191/2006, que inclui os coletes à prova de balas no anexo
I da Norma Regulamentadora nº 6. Com a mudança, as empresas
passam a ser obrigadas a fornecer o equipamento a todos os vigilantes
que trabalham portando arma de fogo. Os empregadores devem se adequar à nova
determinação na proporção de 10% de seus
empregados a cada seis meses.
O anexo I da NR-17, que trata de saúde
na atividade de caixas de supermercados, foi aprovado por consenso pelo
Grupo de Trabalho Tripartite e pela Comissão Tripartite Paritária
Permanente. A negociação sobre os prazos para cumprimento
ainda estão em andamento, e sua publicação está prevista
para março.
A Norma Regulamentadora nº 33, sobre
Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados,
também foi aprovada por consenso em todas as instâncias
tripartites de diálogo social. A nova norma foi publicada no final
de dezembro. Com informações do MTE.
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Diário
Vermelho, 12 de janeiro de 2007
Nova lei favorece trabalhador em casos
de doença ou acidente
Para obter auxílio-doença por
acidente, não será mais necessário provar ao INSS
que enfermidade foi provocada pelo trabalho. Tal regra, a ser regulamentada
pelo Executivo, valerá apenas para doenças comuns à atividade
exercida
POR ANDRÉ CAMPOS, DO
REPÓRTER BRASIL
A partir de agora, profissionais segurados
pela Previdência Social que estiverem incapacitados por acidente
de trabalho deverão ter menos dificuldades para obter auxílio-doença
e outros benefícios legais. É o que prevê a Lei
Ordinária 11.430, sancionada em 26 de dezembro de 2006 pelo
presidente Lula. Caso a pessoa contraia ou adquira uma enfermidade
cujo diagnóstico esteja estatisticamente relacionado ao seu
ramo de atividade, a lei determina o reconhecimento automático
do seu nexo com o trabalho. Ou seja, fica invertido o ônus
da prova: o trabalhador não precisará mais comprovar,
nesses casos, que adoeceu por conta de sua profissão.
Tal situação poderá beneficiar,
por exemplo, digitadores acometidos de lesões por esforço
repetitivo (como tendinites) ou profissionais intoxicados por produtos
com o qual possuem contato regular no seu cotidiano profissional.
Quais serão as doenças consideradas comuns para cada
tipo de atividade, no entanto, permanece uma questão em aberto.
Este é um dos pontos que deverá ser esclarecido por
decreto de regulamentação da lei, ainda em gestação
no Executivo.
Para Nilza Pires, vice-presidente
de Comunicação e Divulgação do Sindicato
Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), a aprovação
da lei é um avanço importante. "Atualmente, muitos
trabalhadores enfrentam dificuldades para comprovar o nexo entre
suas doenças com a atividade exercida”, destaca. “Ao
possibilitar maior responsabilização das empresas em
relação à saúde de seus empregados, a
lei tende a impulsionar investimentos por parte delas em segurança
do trabalho.”
Entre 1999 e 2003, o Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS) concedeu 854.147 benefícios por
incapacidade temporária ou permanente devido a acidentes do
trabalho – o que resulta em uma média de 3.235 auxílios-doença
e aposentadorias por invalidez a cada dia útil. Segundo o
Anuário Estatístico da Previdência Social, o
trabalho em equipamentos ultrapassados e inseguros responde a cerca
de 25% dos acidentes do trabalho graves e incapacitantes registrados
no país.
Nos primeiros 15 dias de afastamento,
o salário é pago pela empresa. Depois, a Previdência
Social responsabiliza-se pelo tempo restante. Caso receba o auxílio-doença
por acidente, o trabalhador terá estabilidade por 12 meses
após o retorno às atividades.
De olho na regulamentação
Maria Maena, pesquisadora da Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho
(Fundacentro), afirma que é importante a sociedade civil participar
das discussões sobre a regulamentação da lei.
Entre os pontos polêmicos a serem tratados, ela destaca um
artigo da nova legislação no qual está previsto
que a empresa poderá eventualmente requerer a não aplicação
do nexo entre o trabalho e a doença. “É importante
a regulamentação deixar claro em que circunstâncias
poderá utilizar-se esse procedimento”, ressalta a pesquisadora. “Caso
contrário, isso pode inviabilizar a aplicação
da lei.”
Na próxima quinta-feira
(11), às 14 horas, será realizado em São Paulo
um debate público sobre a nova lei . O evento, organizado
pela Fundacentro e pelo Centro de Referência em Saúde
do Trabalhador do Estado de São Paulo (Cerest-SP), ocorrerá na
Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo (Av. Dr.
Arnaldo, 351, térreo – Cerqueira César, na
capital paulista).
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Nova Central, 12 de janeiro
de 2007
Brasil deverá crescer acima
da média mundial em 2007, diz ONU
O cenário internacional deve continuar sendo de crescimento econômico
em 2007, mas com resultados mais moderados, estima a Organização
das Nações Unidas (ONU). Em vez do crescimento de 3,8% que teve
em 2006, a economia mundial deve ter uma alta de 3,2%. Na contramão,
o Brasil deve acelerar sua atividade econômica, na previsão da
ONU, crescendo 3,5% este ano acima da média mundial.
O motivo do desaquecimento global, segundo
a ONU, vai ser a economia dos Estados Unidos, que deve crescer num ritmo
mais lento, a 2,2%. Mas, segundo o estudo, a produção da
China deve continuar exigindo a compra de matérias-primas vindas
do Brasil e outros países. A previsão, divulgada pela ONU
coincide com a avaliação Comissão Econômica
para América Latina e o Caribe (Cepal), que também estima
um crescimento de 3% da economia mundial. Dados da Cepal apontam que
em 2006 o crescimento econômico da região superou os 5%.
Foi o quarto ano consecutivo de alta, o terceiro em que o PIB foi superior
a 4%.
A Cepal considera que o contexto internacional
favorável em 2006 possibilitou o aumento das exportações
da região em 8,4% e deve garantir o ritmo de expansão da
região em 2007. As exportações de bens da América
Latina e do Caribe aumentaram 21% e as importações 20%.
Em 2007, a comissão projeta o crescimento do Produto Interno Bruto
Regional em 4,7%.
No documento, a Cepal informa ainda que
para enfrentar os riscos da evolução econômica da
América Latina e do Caribe e do desaquecimento global muitos países
reduziram sua vulnerabilidade mediante a flexibilização
do sistema cambiário, da dívida externa , de uma reorientação
da dívida orientada para a aplicação de prazos maiores
e taxas fixas. O aumento do nível de reservas internacionais,
do reforço das contas fiscais e a redução da dolarização
do sistema financeiro também foram usados para minimizar possíveis
impactos sobre o crescimento econômico da região.
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CFT/PR, 12 de janeiro de
2007
Centrais Sindicais defendem salário
mínimo regional do Paraná
As seis centrais sindicais de trabalhadores do Paraná, em nota enviada à imprensa,
condenaram o parecer do procurador-geral da República, Antônio
Fernando Souza, favorável à ação que questiona
a legalidade da lei que estabeleceu o salário mínimo regional
no Estado entre R$ 427,00 e R$ 437,00. “Desde que foi implantado no Paraná,
o piso regional somente trouxe benefícios para a sociedade”, diz
trecho da nota assinada pela CGT, NCST, SDS, Força Sindical, CUT e CFT.
O governador Roberto Requião,
em encontro, nesta quarta-feira (10), com sindicalistas, tranqüilizou
os trabalhadores paranaenses. “O piso regional está sendo
bombardeado pela Procuradoria Geral da República, mas vai ser
confirmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), porque eu consultei,
antes mesmo de elaborar a lei, o ministro Nelson Jobim - na época
presidente do Supremo. Ele será confirmado porque é importante
para todas as categorias de trabalhadores e na luta dos sindicatos.
Não tenho dúvidas de que vamos manter o piso”.
No encontro com Requião, o vice-presidente
do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação
de Londrina, Valdecir Ribeiro Mendes, disse que a parceria dos trabalhadores
com o Governo do Paraná foi determinante para a criação
do piso salarial regional. “Esse salário maior que os
demais estados brasileiros e os sindicatos são gratos ao governador
Requião por essa atitude corajosa”.
“No caso da indústria da
alimentação, os pisos salariais eram menores, alguns
pouco acima do salário mínimo nacional. Através
do piso regional conseguimos manter um piso num patamar acima dos demais.
Na região de Londrina, os pisos estão acima dos R$ 400,00
sem contar com os índices por insalubridade e a cesta básica,
que o fizeram ultrapassar o valor fixado pelo governador. Mas antes
era bem menos. Tivemos uma convenção coletiva que fixou
o piso dos trabalhadores daquela categoria em R$ 368,00”, destacou.
Defesa -
Carlos Zimmer, coordenador da CGT, diz que a elevação
do mínimo regional estabeleceu um novo marco na recuperação
da renda dos trabalhadores, fez a “roda da economia girar, beneficiando
todos os setores da economia”. “Da produção,
ao comércio, à prestação de serviços”,
exemplificou. “O presidente Lula vai ainda sancionar em abril
o salário mínimo nacional em R$ 380,00 e nós,
aqui do Paraná já temos o maior salário mínimo
do país, na casa dos R$ 437,00 e vamos iniciar a campanha para
elevar o piso do estado”, adiantou Zimmer.
As centrais sindicais contestam em dois
pontos o parecer de Souza favorável na ADI (Ação
Direta de Inconstitucionalidade) apresentada pela Confederação
da Agricultura e Pecuária do Brasil no STF (Supremo Tribunal
Federal). “O piso regional estabelecido no Paraná através
da Lei 15.118 foi amplamente debatido na sociedade, sendo aberto espaço
na Assembléia Legislativa com esse objetivo”, destacam.
“A busca da inconstitucionalidade
da lei através dos tribunais é um direito de quem é contrário,
mas com certeza o STF não compactua desse entendimento, uma
vez que, nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, já existe
piso regional há mais de quatro anos”, completam. As
centrais argumentam ainda que “basta buscar os dados econômicos
que comprovam a injeção de recursos nos municípios
que somente veio a consolidar o piso regional e sua aplicação”.
PISO
REGIONAL TROUXE INÚMEROS BENEFÍCIOS AO
PARANÁ
Desde
que foi implantando no Paraná, o Piso Regional somente
trouxe benefícios para a sociedade. Alguns setores
vêm tentando denegrir e impedir a aplicação
desse benefício. Órgãos de imprensa
buscam fortalecer movimentos com essa intenção,
mas temos a esclarecer o seguinte:
O
Piso Regional estabelecido no Paraná através
da Lei 15.118 foi amplamente debatido na sociedade, sendo
aberto espaço na Assembléia legislativa com
esse objetivo.
A
busca da inconstitucionalidade da lei através dos
tribunais é um direito de quem é contrário,
mas com certeza o Supremo não compactua desse entendimento,
uma vez que nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do
Sul já existe Piso Regional há mais de quatro
anos.
A
Frente Ampla pelos Avanços Sociais em parceria com
as Centrais Sindicais foram unânimes em defender o
Piso.
Por
fim, basta buscar os dados econômicos que comprovam
a injeção de recursos nos municípios
que somente veio a consolidar o Piso Regional e sua aplicação.
Epitácio
Antonio dos Santos – NCST
Carlos
Zimmer – CGT
Paulo
Rossi – SDS
Sérgio
Butka – Força Sindical
Roni
Anderson Barbosa – CUT
Ernani
Garcia Ferreira – CFT
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Folha
de São Paulo,
12 de janeiro de 2007
Líder tucano anuncia apoio a petista
e abre crise no PSDB
Jutahy diz que bancada votará em Chinaglia para a Câmara e é contestado
por colegas | Decisão de deputado atende a interesses de Serra e
Aécio e vai contra as posições de Alckmin e FHC, que
pregam atitude mais firme contra PT DA SUCURSAL DE BRASÍLIA,
DA REPORTAGEM LOCAL
COLABORAÇÃO PARA A AGÊNCIA FOLHA, EM VITÓRIA
O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), anunciou
ontem o apoio formal da bancada do partido ao petista Arlindo Chinaglia
(SP) na disputa pela presidência da Casa. O anúncio gerou
crise entre os tucanos. A ação do PSDB, contudo, foi coordenada
com o aval dos dois principais governadores da sigla, José Serra
(SP) e Aécio Neves (MG). O acordo foi costurado com os petistas
em três pontos: 1) afilhado político de Aécio, o
deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG) deve assumir a vice-presidência
da Casa; 2) o PT se comprometeu a não atrapalhar Serra a eleger
o presidente da Assembléia de SP; 3) o governador Jaques Wagner
(PT-BA) apoiaria o candidato de Jutahy para dirigir a Assembléia
baiana e definiu uma disputa interna do PSDB.
Politicamente, o fato de o PSDB dar uma manifestação pró-Chinaglia
enfraquece ainda mais as articulações de Aldo Rebelo (PC
do B-SP) para se reeleger e consolida o favoritismo do petista na eleição.
O anúncio, no entanto, provocou protestos de tucanos alinhados
ao ex-governador Geraldo Alckmin e ao ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso. "O Jutahy não vai ao cinema sem a autorização
do Serra", disse o deputado federal eleito José Aníbal
(SP), hoje mais próximo do ex-governador Geraldo Alckmin. Fernando
Henrique Cardoso também teria manifestado contrariedade com o
apoio.
O líder do PSDB, por sua vez, afirma ter apenas "informado" a
decisão a Serra. Segundo ele, o temor era de que o partido fosse "atropelado" no
processo de escolha após o anúncio do PMDB em favor de
Chinaglia.
Serra nega ter sido consultado sobre o teor da decisão. Aécio
Neves está fora do país.
Princípios
Ao anunciar o apoio, Jutahy justificou a opção dizendo
estar respeitando o princípio da proporcionalidade, pelo qual
a maior bancada tem o direito de presidir a Casa. Segundo ele, como o
PMDB abriu mão de disputar o cargo para apoiar o PT, não
há razão para se opor. "O PSDB está mantendo
a tradição e a coerência no Parlamento. Estamos cumprindo
o princípio da proporcionalidade, que irá criar um ambiente
de distensionamento na Câmara", disse Jutahy ao fazer o anúncio
em Vitória (ES), onde passa férias. A decisão sobre
o rumo do PSDB só seria anunciada na véspera da eleição
-dia 1º de fevereiro-, mas foi inesperadamente antecipada.
Jutahy, que transferirá o cargo no dia 30 para Antonio Carlos
Pannunzio (SP), disse ter consultado a bancada por telefone. O PSDB elegeu
66 federais. Ele não informou quantos deputados foram contatados,
mas disse, em Vitória, que a decisão refletia 100% da bancada. "Eu
não fui consultado. Outros não devem ter sido", disse
Vanderlei Macris (SP). Gustavo Fruet (PR) reclamou da "forma e do
momento" da decisão. "O PSDB está fazendo a defesa
de um rolo compressor." Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio
(AM) também criticou: "Se eu fosse deputado, escolheria o
Aldo por não concordar com as forças que o petista encarna".
Vôo
Após receber um telefonema de Jutahy avisando da decisão,
Chinaglia fretou um jatinho e seguiu para a capital capixaba. Em vitória,
ele e Jutahy chegaram no mesmo carro para o evento do anúncio
de apoio. "Esta decisão é um exemplo para a sociedade,
mostra responsabilidade da Câmara com o apoio dos partidos, com
as maiores bancadas. Será uma campanha suprapartidária",
disse. E continuou: "Esta decisão não representa nenhum
favor ou acordo com o governo".
O apoio do PSDB deu ainda mais força à candidatura de
Chinaglia, que já contava com o aval do PMDB (90 deputados eleitos)
e do PT (83 deputados). (SILVIO NAVARRO, LETÍCIA SANDER, CATIA
SEABRA, JOSÉ ALBERTO BOMBIG E VINÍCIUS BAPTISTA)

Fonte:
Jornal Gazeta do Povo
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Folha de São Paulo,
12 de janeiro de 2007
Aldo não recua e diz que "voto
se colhe na urna, não no cacho"
Presidente da Câmara conta com
dissidência de membros de partidos que declararam preferência
por Arlindo Chinaglia | Tarso, que continuará a "acompanhar
o processo", diz que falou com Lula e o presidente afirmou que
não irá pedir que Aldo desista
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo após sofrer o segundo revés
na semana, o presidente da Câmara e candidato à reeleição,
Aldo Rebelo (PC do B-SP), reafirmou que segue na disputa e comparou sua
situação ao cerco de Stalingrado. "O cerco de Stalingrado
durou bastante tempo, até que em determinado momento deixou de
existir, porque a resistência era muito grande", disse. "Eu
creio que esta operação Barbarossa [invasão da União
Soviética pela Alemanha, em 1941, na Segunda Guerra Mundial] vai
encontrar sua Stalingrado [batalha em 1942-3, vencida pelos soviéticos]
no dia 1º de fevereiro", completou, referindo-se à votação
em plenário.
Aldo foi comunicado oficialmente do apoio
da bancada do PSDB ao rival Arlindo Chinaglia (PT-SP) por meio de um
telefonema do líder tucano, Jutahy Júnior (PSDB-BA). O
comunista, porém, deixou claro que conta com votos dentro da bancada
do PSDB. "Eu nunca cogitei recuar ou abandonar minha candidatura,
muito menos agora. Creio que o voto se colhe na urna, e não em
cacho, como banana."
Na terça-feira, a maioria da bancada
do PMDB já optara pelo apoio a Chinaglia. Enfraquecido, Aldo se
apega cada vez mais às dissidências nas bancadas. Aposta
que, no voto secreto, tem chances de vitória. Segundo ele, há muitos
parlamentares que "protegem sua convicção" de "ataques
especulativos" - por isso não declararam voto nele até agora.
Planalto
O ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais) disse ontem que falou por telefone com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e que não pedirá ao deputado
que desista da disputa. Tarso afirmou que, em razão da relação
de Lula com Aldo, esse pedido jamais seria feito. "O presidente
me orientou a permanecer acompanhando o processo, sem interferir. Por
parte do governo, isso [pedido de retirada de candidatura] não
vai ser feito. Nem com o Aldo nem com o Arlindo." Ele disse, porém
que o governo deixará claro quem considera ter mais chances de
vitória. "Em algum momento vamos manifestar essa opinião."
PFL
Lideranças do PFL lamentaram ontem
a decisão do PSDB. Os pefelistas apóiam Aldo. "Eu
preferia que estivéssemos juntos, mas cada um tem suas posições",
disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Para o senador
Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), apoiar o PT é um "contra-senso".
O PFL justifica o apoio a Aldo como uma
estratégia para dividir a base aliada. "O candidato do Palácio
do Planalto é o do PT [Chinaglia], isso está muito claro
para mim. E dividir a base do governo é uma boa estratégia",
disse Bornhausen.
Líder do PFL e candidato à presidência
do Senado, José Agripino (RN) disse que a oposição
não lançou candidato na Câmara por pragmatismo. "Claro
que não é bom para a gente, mas a oposição
tem que lutar com perspectiva real de vitória. Não queremos
marcar posição, e sim disputar para ganhar." (LETÍCIA
SANDER, SILVIO NAVARRO E FERNANDA KRAKOVICS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de janeiro de 2007 | Economia
PREÇOS-Variação anual
no país é de 4%, contra média mundial de 2%
a 3%
Inflação no
Brasil segue acima da internacional
Rodolfo Bührer/Gazeta do Povo

Preços administrados,
como o da energia, pesam mais
Brasília – Sete anos após
a implantação do regime de metas, a inflação
no Brasil continua em patamares mais altos do que o padrão
internacional. “Nossa inflação de longo prazo
gira em torno dos 4%”, diz o economista-chefe da Confederação
Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas. No
mundo, a taxa média de variação anual dos
preços está entre 2% e 3%. Para que este patamar
fosse alcançado foi fundamental a entrada dos produtos manufaturados
feitos na China, avalia o economista do Banco Itaú, Joel
Bogdanski. “Os preços de energia e dos serviços é que
ainda deram algum fôlego para a inflação nos
países desenvolvidos”, comenta.
Os preços administrados e os serviços
são apontados como os grandes responsáveis pela inflação
mais alta no Brasil. “Os preços administrados são
reajustados com base em contratos que não têm nenhuma relação
com qualquer lógica econômica”, diz Bogdanski. Neste
ano, os preços administrados podem surpreender positivamente. “Como
o petróleo está em queda nos mercados internacionais, é possível
que tenhamos uma redução dos preços dos combustíveis
aqui”, comenta Thadeu de Freitas.
Serviços
Um problema crônico, os preços
dos serviços têm subido cerca de 6% nos últimos três
anos. “Com o aumento do salário mínimo e da renda
dos trabalhadores em geral, cresce a demanda por serviços e os
preços resistem ainda mais para caírem”, explica
o economista-chefe da CNC.
Um caso típico, de acordo com Thadeu
de Freitas, é a educação. “Todo ano os preços
dos serviços de educação são reajustados
em 6%. Independentemente de qualquer cenário para a inflação”,
afirma. O pior é que os serviços têm um peso de 22,3%
sobre o cálculo do Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), índice usado com referencial para a meta de inflação. “É um
peso muito forte”, diz.
Por estes fatores, o economista-chefe
da CNC se diz contrário a qualquer proposta de reduzir a meta
de inflação de 2009 para algo abaixo dos 4,5%. “Com
os serviços, é difícil imaginar uma meta de inflação
de 4% em 2009”, diz.
Câmbio
O comportamento da taxa de câmbio,
de acordo com Thadeu de Freitas, também não será favorável
para uma redução da meta de inflação. “Com
a queda dos juros, é razoável esperar alguma desvalorização
do câmbio já em 2008”, diz. Mesmo assim, ele não
descarta de todo a hipótese de o IPCA de 2009 ficar abaixo dos
4,5%. “Foi o que já aconteceu em 2006 e que vai acontecer
de novo neste ano”, comenta.
Para Thadeu de Freitas, é melhor
o Banco Central (BC) ter alguma folga no cumprimento da meta. “Se
a meta é muito justa, o BC põe em risco sua credibilidade
(com a possibilidade da inflação ficar acima da meta) e
ainda pode ser obrigado a elevar a taxa de juros”, diz.
A elevação dos juros gerada
por uma meta de inflação menor, de acordo com a economista
da Consultoria Tendências, Ana Carla Abrão Costa, iria contra
todo o esforço do governo de aumentar as taxas de crescimento
da economia brasileira. “Neste governo, não acredito em
redução da meta de inflação”, afirma.
Ela lembra que a meta é fixada por um Conselho Monetário
Nacional (CMN) integralmente composto por representantes do governo. “A
fixação da meta é uma decisão de governo”,
diz.
Meta menor
Com opinião diferente, o economista
do Banco Itaú vê espaço para trazer a meta de inflação
de 2009 para algo entre 3,5% e 4%. “É uma meta que seria
cumprida sem exigir esforço”, afirma. Ele lembra que, atualmente,
a inflação dos preços livres já roda em torno
dos 3%. “A inflação dos preços livres já está dentro
dos padrões internacionais”, comenta.
Para Thadeu de Freitas, a inflação
no Brasil só deverá chegar aos níveis internacionais
entre os anos de 2012 e 2015. “É preciso lembrar que o Chile
levou 10 anos para alcançar uma inflação dentro
dos padrões internacionais”, diz.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 12 de janeiro de 2007 | Economia
Governo pode reduzir superávit
para aumentar investimentos
Segundo fonte da equipe econômica,
arrecadação do governo pode ser reduzida de 4,25% para
3,75% com o objetivo de elevar investimentos em infra-estrutura
Fabio Graner e Gustavo Freire
BRASÍLIA - Para elevar os investimentos
em infra-estrutura neste ano, o governo poderá efetivamente reduzir
o superávit primário do setor público para até 3,75%
do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, informou uma fonte da equipe
econômica à Agência Estado. A meta de 4,25% do PIB
não sofrerá alteração, mas o governo, por
meio do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) - mecanismo que permite
não considerar como gasto alguns investimentos -, deve atuar nesse
sentido. "Há uma decisão de aumentar os investimentos
em infra-estrutura, mesmo que isso implique em uma redução
do superávit primário até o limite de 0,5% do PIB",
disse o técnico.
Apesar dessa decisão, a concretização
desse cenário em 2007, segundo a fonte, não necessariamente
ocorrerá. Isso porque, explicou, o resultado fiscal depende do
ritmo de execução orçamentária, do andamento
e pagamento das obras prioritárias e também, por outro
lado, do desempenho da arrecadação. "Não haverá aumento
de carga tributária, mas com um crescimento maior na economia
a arrecadação pode crescer mais e impactar positivamente
o resultado primário", argumentou. "O superávit
efetivo a gente só vai saber ao fim do ano", acrescentou.
De acordo com essa fonte, o governo avalia
que mesmo com um superávit efetivamente menor, um resultado fiscal
de no mínimo 3,75% do PIB "é consistente para preservar
uma trajetória de queda na relação dívida/PIB".
O integrante do governo descarta avaliações de que isso
seria uma flexibilização da política fiscal. "A
gestão sobre as demais despesas será muito mais controlada.
Haverá muito mais rigor nas outras contas", disse, em referência às
despesas correntes, cujo ritmo de crescimento é apontado pelos
analistas como um dos grandes problemas do País.
Mercado
A decisão de reduzir a meta de
superávit primário de 4,25% para 3,75% já começa
a fazer parte dos cenários traçados pelos analistas do
mercado financeiro. "O melhor era não usar o PPI e deixar
a meta mesmo em 4,25% do PIB. Mas não sendo assim temos que trabalhar
com essa realidade", disse um analista.
Os cenários de dinâmica da
queda da dívida pública são os mais afetados pela
alteração. "Com um superávit de 4,25% do PIB,
a dívida poderia cair mais rapidamente", comentou um analista.
Com a redução mais rápida do endividamento público,
o governo, de acordo com este analista, poderia encontrar uma maneira
para também diminuir o tamanho da carga tributária, que é estimada
hoje em torno de 38% do PIB.
Com uma carga menor, a própria
capacidade de crescimento da economia poderia ser ampliada. "Poderíamos
começar a pensar em deixar para o passado as nossas taxas medíocres
de crescimento", disse um analista. Nos últimos anos, a taxa
média de crescimento do PIB tem patinado entre 2,5% e 2,7%. "Uma
expansão maior poderia gerar alguma elevação da
inflação", comentou um outro analista.
As próprias projeções
de inflação podem ser afetadas pela redução
da meta de superávit primário. "Uma redução
de superávit significará mais um impulso para uma demanda
que já se encontra aquecida", comentou um analista. Em
conseqüência, a velocidade de queda dos juros imprimida
pelo Comitê de Política Monetária (Copom) tenderá a
ser mais lenta.
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Nova Central, 12 de janeiro
de 2007
Prazo para prescrição de pedido de indenização é de
dois anos
O prazo prescricional para pedir indenização por dano moral
decorrente de vínculo empregatício é de dois anos,
nos termos do artigo 7º, XXIX, da Constituição Federal.
O entendimento, já pacificado no Tribunal Superior do Trabalho,
foi aplicado pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais 1 num recurso ajuizado pela Petrobras.
A Petrobras recorreu das decisões da Justiça do Trabalho
que haviam reconhecido o direito de um ex-empregado de receber indenização
por ter sido demitido depois de sofrer um acidente dentro da empresa.
A ação foi ajuizada três anos depois do fim do contrato
de trabalho. A primeira e a segunda instâncias entenderam que o
prazo prescricional era de 10 anos.
O caso foi para o TST. A Petrobrás ajuizou embargos na SDI e
saiu vitoriosa. Segundo o relator, ministro Carlos Alberto, “o
debate da questão tem contornos jurídicos e não
fáticos, pois ficou definido que na hipótese de indenização
por danos morais decorrente da relação de emprego a prescrição
a ser aplicável é a prevista na Constituição
e não a do artigo 205 do Código Civil”.
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Nova Central, 12 de janeiro
de 2007
Limpar banheiro público garante
ao trabalhador direito ao adicional de insalubridade
Trabalhador que tem contato com lixo de banheiro público deve receber
adicional de insalubridade no grau máximo. O entendimento é da
4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho gaúcho. A Turma julgou
processo em que uma trabalhadora solicitou pagamento da diferença
entre o adicional de grau médio que recebia e o de grau máximo.
O relator, juiz Ricardo Luiz Tavares Gehling,
considerou que o trabalho executado, limpeza de banheiros de uso
comum, não deve ser comparado à limpeza
de residências e escritórios. Isso porque sujeita quem o
executa a exposição de agentes biológicos e químicos.
Para ele, a trabalhadora deve receber o adicional
no grau máximo
porque o uso de luvas de látex não elimina a insalubridade
em grau máximo por conta dos agentes biológicos.
No pedido, a funcionária também questionou a multa de
40% sobre o FGTS, já que continuou a prestar serviços à empresa
após sua aposentadoria. O relator destacou que “se aposentar
sem a necessidade de afastar-se do emprego é algo que se voltaria
contra o próprio empregado, solapando-lhe a única e tímida
vedação de despedimento arbitrário ou imotivado”.
Ele considerou que no julgamento das Adins 1.770-4
e 1.721-3, o STF entendeu serem inconstitucionais os parágrafos 1º e 2º,
do artigo 453, da CLT — decisão que motivou o cancelamento
da Orientação Jurisprudencial 177 da Seção
de Dissídios Individual, do TST, e da Súmula 17 do TRT
da 4ª Região. Por esse motivo, ele manteve a incidência
da multa de 40% sobre o FGTS.
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Nova Central, 12 de janeiro
de 2007
Idoso volta a ter direito em viajar
de graça em ônibus interestaduais
Empresas de ônibus ainda contestam
gratuidade de passagens interestaduais a maiores de 60 anos com
renda até dois mínimos
Os idosos voltam a ter direito ao passe
livre em ônibus de viagens interestaduais, desde que tenham acima
de 60 anos e comprovem renda de, no máximo, dois salários
mínimos (R$ 700). O limite é de até duas vagas gratuitas
por veículo. A medida passou a valer ontem, desde que o Supremo
Tribunal Federal (STF) suspendeu o mandado de segurança que impedia
a aplicação de multas às empresas de ônibus
que se recusassem a transportar os idosos; o que, na prática,
inviabilizava a aplicação da gratuidade das passagens de ônibus
interestaduais, prevista no artigo 40 do Estatuto do Idoso.
Com a decisão, tomada no dia 8
pelo ministro Gilmar Mendes, presidente em exercício do STF, a
Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode forçar
as empresas a cumprirem a lei com a aplicação de multas.
Instituído pelo Estatuto do Idoso em 2003, a regulamentação
do benefício foi usada pelo governo para convencer o aposentado
a aceitar o reajuste de 5,01% das aposentadorias acima de um salário
mínimo em 2006. O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva em outubro, mas a gratuidade entrou em vigor por pouco
tempo, sendo barrada na Justiça pelas empresas de ônibus.
A queda-de-braço nos tribunais
ainda não tem data para terminar. A decisão definitiva
caberá ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região,
com sede em Brasília, onde a ação está tramitando.
O artigo 40 do Estatuto garante ainda o desconto de 50%, no mínimo,
no valor das passagens para os idosos que excederem as duas vagas gratuitas,
desde que tenham renda inferior a dois salários. A decisão
anterior, da Justiça Federal, só valia para as empresas
associadas à Associação Brasileira das Empresas
de Transporte Interestadual (Abrati). A entidade alega que o benefício
deveria ser pago pela Previdência Social e que, da forma como foi
regulamentado, a conta ficou com as empresas.
Presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados,
José Batista Inocentini rebate a alegação de que
as empresas não estavam despreparadas para o benefício. “A
gente tinha concordado com as exigências dos empresários”,
diz. Ele cita, entre as exigências atendidas, a compra da passagem
pelo menos três horas antes da partida e o comparecimento ao terminal
de embarque até 30 minutos antes da viagem. No Clube da Maturidade,
os associados não foram pegos de surpresa ontem. “Vamos
ver até quando dura a medida. Parece brincadeira com o idoso”,
protesta a pensionista Maria José Lage Ottoni, ex-presidente da
entidade.
Em sua decisão, Gilmar Mendes destaca
que é dever do Estado “amparar o idoso economicamente hipossuficiente” e
que cabe à administração chegar a um acordo com
as empresas de ônibus sobre o custo da concessão do benefício.
Segundo ele, o idoso não pode ser prejudicado, perdendo o direito
ao benefício, até que a Justiça adote uma decisão
definitiva para o impasse. (Com agências)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/01/2007
TST amplia valor de indenização
por dano moral
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em decisão unânime, garantiu o pagamento de
indenização por dano moral a um trabalhador submetido a
revista visual ao fim do expediente. O constrangimento sofrido pelo empregado
foi reconhecido durante exame de recurso de revista que lhe foi deferido
conforme voto da juíza convocada Perpétua Wanderley (relatora).
O órgão do TST também ampliou de R$ 2.660,00 para
R$ 20.000,00 o valor da indenização fixada em primeira
instância.
A condenação por dano moral
havia sido afastada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(Minas Gerais), que isentou a Distribuidora Farmacêutica Panarello
Ltda. da penalidade. Conforme o órgão de segunda instância,
a prática de revista visual no fim do expediente, assim como a
existência de câmeras de vídeo, eram prerrogativas
da empresa. O procedimento foi considerado “cauteloso a fim de
evitar o extravio de medicamentos, inclusive os de venda controlada (psicotrópicos).”
“De mais a mais, a vistoria é efetuada
quando da troca de uniforme dos empregados. Portanto, não havia
imposição de que os mesmos se despissem, exclusivamente
para serem vistoriados”, considerou o TRT mineiro, que também
frisou o fato de a revista visual ter sido feita por pessoas do mesmo
sexo.
Afastada a condenação imposta
pela primeira instância (Vara do Trabalho), a defesa do trabalhador
reivindicou, no TST, seu restabelecimento e a ampliação
do valor. A relatora do recurso destacou que o texto constitucional classifica
a intimidade, a vida privada e a honra como invioláveis e prevê o
ressarcimento aos danos sofridos. Afirmou também que o poder do
empregador encontra limite no respeito à dignidade do empregado,
valor que foi afetado, segundo Perpétua Wanderley, pela postura
patronal.
A relevância do tema levou o presidente
da Primeira Turma, ministro João Oreste Dalazen, a proferir um
voto mais detalhado durante o exame do recurso. Considerou “irrelevante” o
fato de a revista visual ter sido praticada por pessoa do mesmo sexo. “O
constrangimento persiste ainda que em menor grau. A mera exposição,
quer parcial quer total do corpo do empregado, caracteriza grave invasão à sua
intimidade”, afirmou.
A empresa, segundo o ministro do TST,
deveria ter adotado mecanismos menos agressivos à intimidade dos
trabalhadores, como o controle numérico dos medicamentos e o uso
de câmeras de vídeo nos ambientes em que há manipulação
dos produtos.
O ministro Dalazen também destacou
que a legislação brasileira é aberta em relação à fixação
do valor da indenização por dano moral. Daí a importância
de buscar parâmetros que levem a um montante que não seja
excessivo nem ínfimo, como o fixado pela primeira instância
(R$ 2.660,00). O juiz, segundo ele, deverá atentar para os critérios
constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, as condições
sócio-econômicas da vítima e do ofensor, o bem jurídico
lesado, a reparação da vítima e a repressão
em relação ao causador do dano.
“Assim, considerando a intensidade
do sofrimento do ofendido, a gravidade, a natureza e a repercussão
da ofensa e a situação econômica do empregador – empresa
com mais de 3 mil funcionários, 700 representantes comerciais
e presença em todo o País – arbitro o valor da
condenação em R$ 20 mil reais”, sustentou Dalazen,
ao formular a proposta que resultou na ampliação do valor
da indenização. (533770/1999.0)
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12/01/2007
Incorporação de parcela garante
pagamento de diferenças
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho confirmou o direito de um trabalhador gaúcho ao pagamento
de diferenças de horas extras decorrentes da ampliação
da base de cálculo desse acréscimo salarial. A decisão
unânime baseou-se em voto do juiz convocado Ricardo de Alencar
Machado (relator) que negou agravo de instrumento em recurso de revista
ao Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) e manteve
acórdão firmado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul).
A controvérsia judicial girou em
torno de parcela salarial, intitulada “horas extras incorporadas”,
estabelecida em acordo firmado entre a Sanep e seu empregado em junho
de 1993. Os autos do processo revelaram que o objetivo do acerto era
o de por fim às atividades prestadas além da jornada diária
de trabalho (sobrejornada), sem, contudo, provocar redução
de remuneração.
Apesar do acordo, o empregado continuou
a trabalhar além da jornada normal e, ao calcular as horas extras,
o empregador desconsiderou a parcela das “horas extras incorporadas”.
A partir de 1998, os dados indicam que a Sanep deixou de pagar totalmente
as horas extras ao empregado.
O fato levou o trabalhador a ingressar
em juízo e obter, nas duas instâncias regionais (3ª Vara
do Trabalho de Pelotas e TRT-RS), o reconhecimento de seu direito. A
Vara do Trabalho declarou que a parcela “horas extras incorporadas” compunha
o salário do empregado, conforme cláusula do acordo, ampliando
a base de cálculo das horas extras. O TRT-RS manteve a sentença
por entender que “todas as parcelas incorporadas devem ser consideradas
no cálculo da contraprestação da sobrejornada”.
Já o relator do processo no TST,
explicou que “nos termos do acordo celebrado, o trabalhador deixaria
de prestar horas extras e receberia parcela salarial em compensação”.
Ricardo Machado negou o recurso patronal e esclareceu que a parcela incorporada
não tinha como objetivo remunerar horas extras prestadas, mas
sim compensar a sua exclusão.
Esse reconhecimento levou a Turma a considerar
como correta a decisão regional que revelou-se de acordo com as
normas constitucionais e a jurisprudência fixada pelo TST em sua
Súmula nº 264. “A remuneração do serviço
suplementar é composta do valor da hora normal, integrado por
parcelas de natureza salarial e acrescido do adicional previsto em lei,
contrato, acordo, convenção coletiva ou sentença
normativa”, prevê o entendimento sobre o cálculo das
horas extras.
Ricardo Machado frisou, ainda, que o termo “horas
extras incorporadas” é apenas a denominação
utilizada pela empresa; “não se trata de horas extras sobre
horas extras, mas de uma parcela indenizatória”, esclareceu.
(AIRR 1467/99-103-04-40.0)

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