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JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 15 de janeiro de 2007 | Economia
Globalização não
explica perda de emprego
A cultura empresarial americana e britânica
- e não a China - provoca disparidade de salários cada
vez maior
Will Hutton
Mencione a palavra globalização
e uma estranha névoa que impede o raciocínio lógico
desce sobre o pensamento. Agora é uma certeza por parte da direita
e da esquerda que bilhões de trabalhadores mal pagos vão
levar embora os empregos ocidentais e transformar em luxos inacessíveis
os níveis de bem-estar social e de tributação europeus.
As únicas opções são a proteção
ao comércio ou uma luta Darwiniana de baixa tributação
e baixo bem-estar social para o extermínio - equipados com seja
qual for a educação e o treinamento que possamos obter.
Todos nós temos de aceitar nosso destino.
O problema é que este nexo de certezas
está errado. A globalização e comércio têm
aumentado em muito o bolo econômico do mundo e nossas opções
econômicas em vez de estreitá-las. O problema é que
uma parte muito grande do mundo é um espectador excluído,
porque as regras do jogo tendem maciçamente em favor do Ocidente. É um
equívoco alarmista e totalmente contraproducente culpar os estrangeiros
pelos nossos problemas.
Mesmo a China, retratada como a Nova Grande
Coisa Ameaçadora, não tem conseguido mudar as regras. Cerca
de 60% de suas exportações, quase todas suas exportações
de alta tecnologia e mais da metade de suas patentes vêm de empresas
estrangeiras. Em essência, é uma sub-prestadora de serviços
para o Ocidente, elevando os lucros de nossas multinacionais e o rendimento
real de nossos consumidores.
A China não tem uma única
marca entre as 100 maiores do mundo, apesar da previsão de que
vai se tornar a maior exportadora mundial em 2008. A compra do Rover
e a expedição de parte da fábrica de volta à China
foram encaradas como um ato de força, mas, na verdade, foi um
ato de desespero econômico. Por emprestar US$ 200 bilhões
ao ano para financiar o déficit comercial dos EUA, a China sustenta
o domínio internacional do dólar. Nos escalões superiores
do partido comunista e no conselho estatal há um debate atormentado
sobre por que tantas mercadorias são feitas 'na China' e não
'pela China' e por que a inovação autóctone é tão
desastrosa. Em 1995, a China estabeleceu como objetivo ter 50 empresas
entre as 500 principais multinacionais do mundo em 2010. Terá sorte
se tiver alguma.
Os sub-prestadores de serviços
tendem a ter um impacto limitado sobre o emprego de prestadores de serviços.
A China é uma prova disso. O instituto de consultoria e pesquisa
mais linha dura e protecionista dos Estados Unidos é o Economic
Policy Institute. A entidade acredita que as importações
chinesas custaram os 2,24 milhões de empregos dos EUA entre 1989
e 2005, mas que produziram um total de empregos no decorrer do mesmo
período superior a 400 milhões.
O impacto da transferência de empresas
para outros países, que provoca tanta virulência por parte
da esquerda americana, é ainda menor. O levantamento realizado
pelo Departamento de Mão-de-Obra dos Estados Unidos sobre demissões
em massa identificou a perda de 884 mil empregos em 2005, dos quais 12.030
foram para o exterior - dois terços deles para China e México.
Na Grã-Bretanha, a situação é parecida. De
abril de 2003 a julho de 2006, perdemos 390 mil empregos, mas somente
19 mil deles foram para o exterior. Uma unidade da TUC (Trades Union
Congress - Confederação de Sindicatos de Trabalhadores
na Grã-Bretanha), criada há quatro anos para monitorar
a transferência de empregos para o exterior, fechou porque há muito
pouco a monitorar.
O motivo é simples. A manufatura
representa apenas uma pequena parcela do valor de qualquer mercadoria
- existe a invenção, o desenho, financiamento, marketing,
transporte, armazenamento, publicidade - e mesmo os custos dos salários
não são decisivos. Um trabalhador chinês pode ganhar
4% do salário de um trabalhador americano ou britânico,
mas é apenas 4% tão produtivo. A firma de consultoria McKinsey,
por exemplo, avalia que apenas um quarto dos engenheiros indianos e um
décimo dos engenheiros chineses estão preparados para trabalhar
em multinacionais. Num levantamento feito pela McKinsey da Califórnia,
a poupança resultante da transferência de fábricas
para a China variou de 13% no ramo têxtil a ínfimos 0,6%
em empresas de alta tecnologia. Portanto, a mão-de-obra barata
não é tudo.
As empresas ocidentais ainda conseguem
competir com empresas asiáticas que pagam baixos salários,
como confirmou um estudo com 500 multinacionais realizado por Susan Berger,
do Massachusetts Institute of Technology. Elas tendem a ser mais bem
organizadas e encaixadas em redes institucionais melhores.
Segundo conclui Peter Lindert, da Universidade
da Califórnia, a globalização não prejudica
a capacidade do mundo industrializado de manter seu status de bem-estar
social. Ao contrário, o alto dispêndio social bem direcionado é bom
para o crescimento. A riqueza gera riqueza, pois surgem novas formas
de atividade econômica impulsionadas por uma conjunção
de consumidores mais criteriosos, mais instruídos e abastados
querendo novos serviços sofisticados que as empresas ocidentais
estão mais capazes de fornecer por meio de novas tecnologias -
embora precisem estar fisicamente próximas de seus mercados. Esta é a
economia do conhecimento.
Tanto a rede de instituições
que a suportam quanto a necessidade de proximidade do mercado tornam
as economias ocidentais menos vulneráveis à globalização.
Os Estados Unidos são os líderes mundiais em tecnologia,
marcas, universidades e patentes. Na Grã-Bretanha, o programa
de economia do conhecimento da Work Foundation (Fundação
do Trabalho), da qual sou diretor-presidente, descobriu que as exportações
de serviços baseados no conhecimento triplicaram de 1995 a 2005,
enquanto o emprego baseado no conhecimento teve uma elevação
dos 30% em 1990 para 41% hoje em dia.
Para os países menos desenvolvidos,
isso parece um círculo mágico no qual está cada
vez mais difícil penetrar. Mesmo que a China não seja mais
do que uma sub-prestadora de serviços para a economia de conhecimento
do Ocidente, que chance há de escapar dessa chave de braço
ocidental no processo? E, mesmo assim, o Ocidente está histericamente
convencido de que é o perdedor - motivo para o colapso da rodada
de negociações comerciais de Doha e da existência
de não menos de 20 projetos de lei contra o comércio com
a China no Congresso americano.
O argumento é falso seja por que ângulo
você olhar. O aumento da desigualdade não é provocado
pela competição dos baixos salários que estão
empurrando os salários para o fundo, nem pelos salários
mais altos pagos aos mais capacitados. O que mudou foram os novos super-ricos.
Ian Dew-Becker e Robert Gordon, da Northwestern University, mostram que,
nos Estados Unidos, os rendimentos de uma parcela mínima calculada
em 0,01% da população cresceram exorbitantemente, chegando
a 497% entre 1979 e 2002. Esta é a principal causa da desigualdade
americana.
O mesmo ocorre na Grã-Bretanha
- há 20 anos, um diretor-presidente médio das 100 empresas
mais importantes publicadas no Financial Times ganhava 25 vezes o salário
médio de um trabalhador. Hoje, é 120 vezes maior.
A China não é a culpada.
Desenvolveu-se na Grã-Bretanha e nos EUA uma cultura empresarial
na qual o preço da ação é tudo e a finalidade
de tudo. Sob governanças corporativas desesperadamente fracas
e desatualizadas, os diretores-presidentes têm redigido seus próprios
contratos de salários.
Para que o preços das ações
fiquem mais altos, embarcaram no maior surto de aquisições
do mundo. Em dinheiro vivo, o valor acumulado das transações
nos EUA entre 1995 e 2005 foi superior a US$ 9 trilhões. Na Grã-Bretanha,
nos últimos três anos, o valor das transações
foi a não menos impressionante quantia de 500 bilhões de
libras. Essa é a causa principal da perda de emprego e da diminuição
do tamanho das empresas - geralmente, por ganhos de produtividade insignificantes.
Os fatores que se opõem a essa
situação - regulamentação, um senso de propriedade
de longo prazo, escrutínio da mídia, normas de concorrência,
sindicatos patronais fortes e uma crença na igualdade - vêm
sendo progressivamente enfraquecidos. O capitalismo ocidental está perdendo
seu equilíbrio inerente, sua moralidade e, em última análise,
sua legitimidade.
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Congresso em Foco, 13 de
janeiro de 2007
Lula quer resguardar imagem de Aldo
O presidente Lula quer uma saída honrosa para o atual presidente da
Câmara, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que disputa a reeleição
e é considerado um “companheiro leal” pelo petista. Lula
enviou um recado ao líder do governo e adversário do comunista,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), dizendo não desejar que Aldo saia humilhado
da disputa.
Uma das alternativas vislumbrada por Lula
para recompensar o amigo é de entregar-lhe um ministério
na próxima reforma, anunciada para o final do mês. Por enquanto,
Aldo está cotado para assumir a Defesa. Outra saída avaliada
por Lula seria inverter os cargos dos dois adversários e tornar
o atual presidente da Casa no novo líder do governo no local.
O presidente teme que Aldo saia muito
chamuscado da briga pela Mesa Diretora e não tenha condições
de assumir nenhum dos outros dois postos. Alguns petistas defendem que é o
próprio Aldo que tem se humilhado ao dar declarações
negativas e chamar a própria estratégia de “resistência”,
além de comparar a disputa a uma guerra.
Disputa paralela pelas outras 11 cadeiras
Não é só a presidência
da Câmara a razão pela disputa entre os parlamentares. Os
11 cargos da Mesa Diretora também despertam os interesses dos
deputados. Dessas, a vice-presidência, a primeira secretaria e
a corregedoria fazem parte de negociações, de acordo com
matéria da Folha de São Paulo.
A vice-presidência, por exemplo,
fez parte do acordo entre PT e PSDB para definir o apoio tucano ao candidato
petista Arlindo Chinaglia (SP). Para ocupar a cadeira, o nome mais cotado é do
deputado Nárcio Rodrigues (MG), afilhado político do governador
mineiro, Aécio Neves (PSDB).
O primeiro-secretário, responsável
por controlar a criação de cargos, definição
sobre obras e licitações, é cogitado para ficar
com o PMDB. A indicação do partido deverá ser do
deputado Wilson Santiago (PB).
As cadeiras da corregedoria e da segunda
vice-presidência também são visadas pelo PSDB e pelo
PFL. Os demais partidos que ainda têm direito a um assento, de
acordo com a regra da proporcionalidade, almejam ocupar a segunda, a
terceira ou a quarta secretarias, por onde passam decisões práticas
de interesse dos parlamentares.
“A Mesa tem 11 vagas, sete para
titulares e quatro para suplentes. Todas os cargos são decididos
no voto, mas as indicações obedecem ao critério
da proporcionalidade: os partidos com maior representação
na Casa têm direito de escolher com prioridade o cargo que preferem
disputar”, afirmam os repórteres Letícia Sander e
Silvio Navarro.
Suplentes fazem contratações "temporárias"
Com o recesso parlamentar, os suplentes
de deputados federais aproveitam para ficar no cargo por apenas um mês.
Apesar do pouco tempo de exercício, eles estão contratando
até 25 funcionários para trabalhar durante o período.
Cada deputado pode gastar até R$ 50 mil para contratação
de pessoal. Dos 22 suplentes que tomaram posse neste mês, 16 não
farão parte da próxima legislatura, uma vez que não
conquistaram a reeleição. Mesmo assim, receberão
o salário de R$ 12,8 mil e ainda têm direitos a outros benefícios
como o auxílio-moraida, de R$ 3 mil.
Alguns suplentes fizeram acordos
com os antecessores para deixar os funcionários antigos no cargo,
mas outros resolveram contratar novas pessoas. Como os deputados Chico
Sardelli (PV-SP), Lavoisier Maia (PSB-RN) e José Rajão
(PSDB-DF).
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Congresso em Foco, 13 de
janeiro de 2007
PSB e PT começam disputa por
2010
Mal começou o segundo mandato do presidente Lula e PT e PSB já iniciaram
a disputa pela sucessão presidencial. A postura dos partidos na eleição
para a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, com a oposição
do PSB à candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e a troca de acusações,
nos bastidores, entre os dois partidos revelam o choque dos interesses entre
os dois de ocupar o Palácio do Planalto em 2010.
De acordo com matéria de Gustavo
Krieger, do Correio Braziliense, o crescimento do PSB nas eleições
passadas incutiu nos próprios membros o ânimo de disputar
a presidência do país. Neste novo mandato, o partido terá 27
deputados federais, três governadores e três senadores. Ciro
Gomes (CE), deputado federal com maior votação proporcional
do país, aparece como o principal candidato do PSB para disputar
o poder.
Como Lula não poderá concorrer
novamente, pela primeira vez na história do PT, a candidatura
da coalizão está aberta aos partidos da base. Uma vez,
que o próprio PT não conseguiu emplacar um nome forte e
abriu a opção para o surgimento de novos candidatos.
“Dentre eles, Ciro parece a opção
mais bem colocada. Ele já foi candidato a presidente da República,
com boa performance em 2002. Tem experiência administrativa como
ministro e governador. Tudo isso lhe permite sonhar com uma boa posição
de largada nas primeiras pesquisas sobre a próxima eleição
presidencial. Além disso, saiu das urnas de 2006 como um vencedor.
Não apenas por sua votação para a Câmara,
mas pela eleição de seu irmão Cid Gomes para o governo
do Ceará. “
Atento a situação, o PT
não pretende perder espaço para os aliados e tem brigado
para continuar vivo na concorrência ao governo. A busca pela vitória
na Câmara é um dos postos mais cobiçados pelo partido.
Internamente, briga por ministérios e postos estratégicos.
A disputa acendeu a desconfiança
do PSB e alertou os demais partidos da base governista. “O PT não
quer deixar os aliados elegerem o presidente da Câmara. Imagine
como será para eleger o presidente da República”,
diz um parlamentar da legenda ao Correio.
Por isso mesmo, PSB e PCdoB tem se aproximado cada vez mais e formado, nos
bastidores, um bloco de oposição ao PT. Enquanto o consenso
sobre coalizão é estampado nas mídias, as conversas
internas são pesadas.
“Líderes da bancada
socialista, como os deputados Beto Albuquerque (RS) e Renato Casagrande
(ES), acusam os petistas de oferecer cargos no governo em troca de
apoio dos deputados a Chinaglia. Denunciam que o Palácio do
Planalto estaria liberando verbas para emendas ao orçamento
patrocinadas por deputados que apóiam o petista.”
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Folha
de São Paulo, 13 de janeiro de 2007
FHC critica apoio ao PT e agrava crise
entre tucanos
Ex-presidente diz que adesão do PSDB a
Chinaglia na Câmara foi "precipitada" | Em contraposição
a Serra e a Aécio, tucano defende a reeleição do
deputado Aldo Rebelo ou o lançamento de um candidato alternativo
CATIA SEABRA, JOSÉ ALBERTO
BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Em dissonância com os governadores
de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves,
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenou ontem, em nota,
a manifestação de apoio do PSDB à candidatura
de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Câmara.
Na nota -em que se refere ao amigo José Serra apenas como "governador
de São Paulo"-, FHC defende a reeleição do
atual presidente, Aldo Rebelo (PC do B), e até o lançamento
de outras candidaturas em detrimento da adesão ao PT.
Ao descrever seu jantar com Aldo Rebelo,
FHC conta ter afirmado que, mantida sua candidatura, "não
veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT". E que, em
caso de cisão na base governista, estariam abertas alternativas
para a oposição, "na linha [...] do não-comprometimento
com as tantas pizzas do passado recente".
Ele diz ter avisado Serra e Aécio
da conversa. "Por isso me surpreendeu a decisão, que considero
precipitada, de assegurar ao PT os votos do PSDB, sem discussão
política mais profunda sobre implicações e conseqüências",
critica FHC. Segundo a Folha apurou, Serra concorda com a decisão
de apoiar o petista, mas discorda da forma como foi tomada.
Embora Serra e o líder do partido
na Câmara, Jutahy Magalhães (BA), tenham sido procurados
por FHC, parte do partido reclama que o ex-presidente não consultou
a legenda a respeito da nota. Segundo tucanos, a pedido de Jutahy,
FHC foi consultado por um amigo na manhã do anúncio da
decisão do PSDB. Informado de uma tendência em favor de
Chinaglia, teria dito que não ficaria constrangido.
Mas, numa demonstração
de desarmonia em ninho tucano, aliados de Serra e Aécio criticam
com veemência a terceira via defendida por FHC. "Investir
na terceira via é criar um vale tudo dentro da Câmara",
disse o deputado Nárcio Rodrigues (MG), nome de Aécio
para a vice-presidência da Casa. Jutahy disse que, no PSDB, "não
chegam a dez" os defensores de candidatura avulsa: "O conceito
da terceira via é antipartido, é antidemocrática".
Segundo Walter Feldman, da tropa serrista,
o apoio à proporcionalidade terá "como desdobramento
natural, o mesmo comportamento do PT nas Assembléias Legislativas".
Os governadores também avalizaram o anúncio porque almejam
uma boa relação com o PT e seus ministros num primeiro
momento. "Estamos criando um ambiente de destensionamento",
disse Jutahy.
Reação
Descontentes com a adesão a Chinaglia,
deputados ligados a FHC e a Geraldo Alckmin anunciarão uma reunião
na próxima terça. Eles dirão que não aceitam
o acordo e pedirão até a antecipação do
congresso do partido de junho para abril.
"Desde o momento em que o PMDB,
maior bancada da Câmara, abriu mão de indicar o presidente,
a proporcionalidade precisa ser rediscutida", disse Edson Aparecido
(SP). Procurados, Serra e Aécio não se manifestaram.
Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio pediu a convocação
de uma reunião da Executiva Nacional para decidir a questão.
Chinaglia se recusou ontem a comentar
a nota de FHC. "O que eu posso dar é um testemunho da absoluta
correção com que o líder Jutahy se portou." O
petista disse que não irá visitar o presidente Lula em
suas férias no Guarujá.
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Folha
de São Paulo, 13 de janeiro de 2007
PSDB "arquivou a oposição",
afirma Aldo
Para deputado, eleição de rival
pode desequilibrar relação de forças políticas
ao concentrar muito poder nas mãos do PT
Nos bastidores, presidente da Câmara se queixa
de "traição" de José Serra e de líder
tucano na Casa e de omissão de Lula na disputa
SILVIO NAVARRO, LETÍCIA
SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Irritado com a decisão do PSDB
de apoiar a candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) na disputa
pelo comando da Câmara, o presidente da Casa, Aldo Rebelo (PC
do B-SP), afirmou ontem que os tucanos "arquivaram a oposição" feita
no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O deputado disse também que "não é aconselhável" para
a democracia "dar todo o poder a um partido que já tem
muito".
"Questionei duramente meus amigos
do PSDB sobre a posição adotada, que não guarda
coerência com a trajetória do partido nos últimos
quatro anos [durante o governo Lula], a não ser que toda a oposição
que o PSDB fez ao PT tenha sido completamente arquivada em função
de acordos políticos regionais", afirmou.
"A partir desses acordos políticos
o PSDB resolve dar ainda mais poder àquele partido que julgava
ser o seu adversário", completou o deputado. Nos bastidores,
aliados de Aldo afirmaram que o presidente da Câmara disse ter
se sentido "traído" pelo governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), e pelo líder da bancada tucana,
Jutahy Júnior (BA).
Ontem, Aldo passou a trabalhar para
tentar ampliar a dissidência dentro do PSDB. "Na democracia,
tudo tem conserto", avaliou. Rebelo disse ter ouvido de interlocutores
tucanos que o apoio declarado a Chinaglia "deixa o partido em
situação muito difícil" para se justificar
perante seus eleitores.
Reforma política
Aldo afirmou também que a adesão
do PSDB à chapa petista inviabiliza as discussões para
a aprovação de uma eventual reforma política. "Como
vamos iniciar a próxima legislatura discutindo a reforma política
se os acordos realizados não guardam relação com
a distribuição de poder dentro da Casa e se subordinam
a acordos regionais em Assembléias, em nome de deputados que
nem sequer tomaram posse de seus mandatos?", questionou Aldo.
Na avaliação do deputado,
uma eventual vitória do adversário petista poderia desequilibrar
a correlação de forças no país. "Julgo
legítimo que o PT busque ampliar sua esfera de poder",
disse. "Sou aliado do PT, mas, para o equilíbrio da democracia
e da própria Câmara, não devemos dar todo o poder
a um partido que já tem muito", sentenciou.
O presidente da Câmara também
tem se queixado em conversas com seus aliados do que considera "omissão" do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da disputa pelo
comando da Casa e da interferência do ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais) em favor de Arlindo Chinaglia.
Questionado sobre a situação,
no entanto, Aldo tentou desconversar. "Não creio que
o presidente Lula vá interferir [na disputa] porque é a
eleição de outro Poder da República. Isso, naturalmente,
criaria conseqüências indesejáveis para a relação
entre os Poderes", avaliou o deputado.
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Folha de São Paulo,
13 de janeiro de 2007
TRABALHO
Emprego na construção
em SP cresce 0,33% em novembro
DA FOLHA ONLINE
O nível de emprego na construção
civil do Estado de São Paulo surpreendeu ao subir 0,33% em novembro,
mês em que tradicionalmente as demissões superam as contratações
no setor. O setor gerou 1.363 novas vagas no Estado, segundo o SindusCon-SP
(Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo) e a FGV Projetos.
O aumento de emprego foi puxado pelo desempenho
positivo na capital paulista e em outras regiões do interior e
do litoral, entre eles Bauru, Campinas, Santos. Em São José dos
Campos, por exemplo, houve aumento de 2,11% no total de empregos na construção
civil, com a criação de 737 postos. Na capital, o avanço
foi de 0,35%, com 702 vagas.
Já a oferta de vagas na construção
civil no país como um todo recuou 0,62% no penúltimo mês
de 2006 em relação a outubro, comportamento típico
dos últimos meses de cada ano. Esse percentual equivale ao fechamento
de 9.600 postos de trabalho no setor. O número de trabalhadores
formais empregados no setor caiu para 1,531 milhão no país
no fim desse mês.
No acumulado de 12 meses até novembro,
a construção civil aponta crescimento de 7,3% no total
de empregos, o equivalente a 104 mil novos contratados no período.
No ano de 2006, até novembro, o setor já havia absorvido
9,7% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
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Folha
de São Paulo, 14 de janeiro de 2007
Lula quer modelo universal de Previdência
Reforma para vigorar a partir de 2011 deverá propor
mesmas regras a trabalhador da iniciativa privada e do setor público
Presidente deverá assinar ainda neste mês
decreto para a criação de um fórum de negociação
da proposta de reforma previdenciária
KENNEDY ALENCAR, VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A reforma da Previdência que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja realizar para entrar
em vigor a partir de 2011 deverá propor um modelo universal
para trabalhadores da iniciativa privada e do setor público,
inclusive militares. Lula pretende que tenha ainda regras para uma
transição de longo prazo. "O presidente tem dito
que é preciso haver um pacto de solidariedade entre as gerações.
Quer uma Previdência universal para todos os trabalhadores e
pretende negociá-la com o Congresso, as centrais sindicais e
os empresários", diz o ministro do Planejamento, Paulo
Bernardo.
O colega da Previdência, Nelson
Machado, afirma que Lula deverá assinar neste mês ainda
um decreto-presidencial para criar o fórum de negociação
da proposta de reforma. "Não partiremos de nenhum modelo
preconcebido. A idéia é buscar um consenso com a perspectiva
do longo prazo e de uma transição longa", diz Machado.
Lula tem dito que politicamente é inviável fazer uma
nova reforma de curto prazo. No entanto, avalia que uma mudança
da Previdência que passe a valer no futuro possa trazer regras
que estipulem uma idade mínima para todos os trabalhadores.
Hoje, apenas os servidores públicos
têm idade mínima para se aposentar -60 anos para homens
e 55 para mulheres. Na área privada, exigem-se 35 anos de contribuição
para os homens e 30 anos para as mulheres. Ainda há o fator
previdenciário, uma regra que estipula o valor do benefício
levando em conta a expectativa de vida do aposentado. A Folha apurou
que o governo gostaria de elevar a idade mínima, fixando-a para
trabalhadores da iniciativa privada também. No entanto, não
pretende apresentar no fórum uma reforma da Previdência
que seja reflexo apenas da vontade do Executivo.
Para que seja aprovada pelo Legislativo,
seria importante o apoio das centrais sindicais e dos empresários. "A
pauta do fórum está em aberto, caso contrário
não faria sentido. Ele a construirá. Agora, não
pode haver assuntos tabus", diz Machado. O fórum deverá ter
um prazo de 120 dias ou de 180 dias para apresentar uma proposta. Será coordenado
pelo ministro da Previdência. Outros colegas de primeiro escalão
participarão. E haverá um número equivalente de
sindicalistas e empresários.
Bernardo rebate a crítica de
que Lula deseja que as novas regras da Previdência entrem em
vigor a partir de 2011, quando estará fora do poder, para evitar
o desgaste político. "O próximo presidente não
terá o desgaste de promover a reforma. Todo mundo saberá que
foi Lula quem buscou aprová-la, pois será preciso que
o Congresso concorde e a apóie", diz o ministro do Planejamento.
Segundo Bernardo, a discussão
de uma reforma da Previdência mostra "responsabilidade" de
Lula com as contas públicas. Estima-se que o déficit
da Previdência em 2006 tenha sido de cerca de R$ 42 bilhões.
Machado afirma que serão analisados "cenários de
longo prazo, para 2030 e 2040, dentro da filosofia de que a Previdência
precisa ter um modelo isonômico e sustentabilidade no longo prazo".
Universal
Segundo ele, o objetivo central é montar
uma previdência básica universal e solidária, com
um sistema de previdência complementar e uma transição
longa. "A partir daí, tudo está em aberto." Na
campanha eleitoral, Lula rejeitou a idéia de realizar uma reforma
previdenciária que endurecesse regras durante seu mandato. Tem
dito que deseja fazer uma reforma "sem susto" e por consenso.
Do contrário, o Congresso a rejeitaria.
Bernardo avalia que, ao jogar a reforma
para o futuro, evita-se que governo e oposição travem
uma "guerra política". Ele diz que, em 2006, quando
Lula quis dar reajuste de 5% aos aposentados (maior que os 3,14% que
devia por força legal), a oposição tentou elevar
o índice para mais de 16%, igualando-o ao reajuste do salário
mínimo concedido por Lula. O presidente vetou. A legislação
atual já prevê um sistema único de previdência
para os setores público (civil) e privado. No público,
porém, ele ainda não começou a vigorar porque
o governo não regulamentou o fundo de previdência complementar
dos servidores federais, apesar de tê-lo aprovado em 2003.
Segundo o ministro Nelson Machado, a
regulamentação não estará associada aos
trabalhos do fórum e deve ser feita antes de uma nova reforma
da Previdência. Depois de sua regulamentação, o
trabalhador que ingressar no serviço público terá a
garantia de uma aposentadoria básica como no setor privado,
cujo teto hoje é de R$ 2.801. Para receber uma renda extra,
terá de contribuir para o fundo de previdência complementar
a ser criado pelo governo.
Em 2003, primeiro ano do mandato anterior,
o governo chegou a discutir a proposta de um sistema único para
os setores privado e público. Por determinação
de Lula, os militares foram excluídos da discussão inicial,
que não foi levada adiante.
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A VOZ DA CIDADE / VOLTA REDONDA,
15 de janeiro de 2007
Construção civil e habitação
encerram 2006 em alta
O ano de 2006 rendeu bons resultados para
os setores de Habitação e Construção Civil.
O aumento na oferta de créditos e o investimento feito por bancos
foram os principais fatores para esse crescimento. Segundo a superintendência
regional da Caixa Econômica foram investidos no Sul Fluminense,
R$ 48.948.000,00 com 2.108 contratos assinados, o que representa um crescimento
de 100% no valor e de 45% nos contratos, em relação ao
ano de 2005.
Os números mostram o crescimento
referente à concessão de linhas de financiamento. O superintendente
da Caixa Econômica Federal, Hélio Volgari Braga, diz que
a expectativa para 2007, é a melhor possível. “O
ano de 2006 para nos foi excelente, especialmente no sentido da habitação.
Tivemos uma superação no orçamento em aplicação
para a moradia, mas investimos para isso. 2007 será um ano promissor,
esperamos no mínimo que seja igual a 2006”, disse Braga.
O superintendente explicou que a Caixa
contribuiu com a criação de cerca de 260 mil casas na região,
o que contribuiu para o lucro de todo mercado, sendo que a maioria dos
financiamentos foi para pessoas com até cinco salários. “Com
esse crescimento todos lucram, o mercado vende e empregos são
gerados. Buscamos sempre uma melhoria no processo. A queda na taxa de
juros e a utilização do fundo de garantia são alguns
dos fatores para esta alta. A Caixa vem buscando priorizar a população
de baixa renda”, ressalta.
Os lojistas também sentiram esse
aumento. Lúcio Montenegro, proprietário de uma loja de
construção em Barra Mansa, disse que as vendas evoluíram
em 2006 e que a expectativa é de melhora neste ano. “As
vendas cresceram bastante, contratamos mais gente, e esperamos um resultado
melhor ou semelhante nesse ano”, explicou.
Imobiliárias Comemoram
O ramo imobiliário também
deu um salto no ano passado. Dados da representação regional
do Creci-RJ (Conselho Regional das Corretoras de Imóveis) apontam
que em comparação com 2005, o setor cresceu mais de 10%.
As vendas de unidades residenciais cresceram nas mesmas proporções.
Já os negócios relativos a unidades comerciais aumentaram
20%. A expectativa para 2007 é de que o setor imobiliário
supere os índices do ano anterior.
De acordo com o coordenador do Creci-RJ
e proprietário de uma corretora no bairro Aterrado, em Volta Redonda,
Walmir Vitor, a venda de imóveis responde por 70% e os aluguéis
por 30% dos negócios. Hoje, a cidade conta com 240 estabelecimentos
ligados a corretagens de imóveis, entre corretoras e profissionais
liberais.
O ano de 2006 foi muito bom para o setor
em relação ao ano anterior. O comércio esteve aquecido.
Em 2005, muitas lojas estavam de portas fechadas no Centro, Aterrado
e Vila, o que dificultou muito os negócios. Para 2007, esperamos
que as atividades sejam ainda melhores, principalmente por causa do pacote
do governo para habitação”, ressalta Walmir Vitor,
lembrando que os investimentos em infra-estrutura na cidade valorizaram
em grande parte a localização dos imóveis, no último
ano.
Segundo ele, a área central da
cidade é a mais procurada para compra de unidades comerciais.
Já em relação às residências, o preço é mais
importante que a localização. Os mais vendidos custam entre
R$ 50 e R$ 60 mil. E a maioria das transações comerciais
envolve financiamentos de bancos públicos.
Fontes como poupança, FGTS e orçamento
também fizeram parte das negociações.
Construção Civil
Acompanharam esse ritmo em 2006, as construtoras.
O segmento está a todo vapor com construções residenciais
nos bairros Aterrado, Conforto, Retiro, Morada da Colina e outros. Entusiasmadas
com a entrada de recursos de diversas fontes para o financiamento habitacional,
as construtoras também prometem novos investimentos para 2007.
Na geração de empregos,
o segmento industrial superou o residencial, contratando em 2006 mais
de 20% da mão-de-obra em comparação com 2005. É o
que aponta o levantamento do Sindicato dos Empregados da Construção
Civil. As grandes obras na região como a manutenção
do alto-forno da CSN no início de 2006, a ampliação
de módulos da SBM (Siderúrgica Barra Mansa) e Volkswagen
(Resende) foram as responsáveis pelos bons resultados.
No ano passado sentimos um aumento da
empregabilidade. Acreditamos que as grandes obras previstas para 2007
na região estimulem ainda mais as contratações como
a construção do alto-forno na CSN, do Aeroporto e os projetos
de novos conjuntos habitacionais”, espera Dejair Martins, presidente
do Sindicato.
Hoje, o setor de construção
civil emprega 12 mil pessoas nas cidades da região representadas
pelo sindicato: Volta Redonda, Barra Mansa, Porto Real, Quatis, Rio Claro,
Resende e Itatiaia.
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JORNAL
PÁGINA 20 / ACRE, 15 de janeiro de 2007
Acre lidera oferta de empregos em obras
de construção civil
Aumento das vagas em comparação
ao período anterior foi de 20,5%, enquanto no país o índice
foi de 7,38%, segundo o Sindicato da Construção Civil
Entre todos os Estados, o Acre registrou em 2006 a
maior taxa de emprego no segmento obras, que representa 80% da construção
civil. O aumento das vagas em comparação ao período
anterior foi de 20,5%, enquanto no país o índice foi
de 7,38%. Os dados são do Sindicato da Indústria da
Construção Civil (Sinduscon) de São Paulo, avaliados
por instituições de pesquisa como a Fundação
Getúlio Vargas e publicados na edição desta
sexta-feira do Valor Econômico, um dos mais importantes jornais
do Brasil.
A realidade é correspondente: os anos de 2005
e 2006, segundo o ex-governador Jorge Viana, marcam a década
como o período de maior crescimento do Acre, especialmente
pelos grandes investimentos públicos, que se espalharam pelo
Estado. Houve um incremento muito forte na construção
e reforma de prédios públicos (escolas, delegacias,
unidades de saúde), estradas, pontes e muitos outros. Um bom
exemplo pode ser constatado na construção do Arena
da Floresta, o estádio da Cidade do Esporte, no Segundo Distrito.
Em sua fase mais importante, a obra empregou 1,2 mil pessoas, recrutadas
em parte nos Estados de Rondônia, Goiás e Paraná e
em cidades do interior acreano, como Cruzeiro do Sul - porque não
havia mão-de-obra na região. Na Região Norte
o crescimento foi de 9,4% e poderia ter sido melhor se Tocantins,
o segundo Estado em participação no total de empregos
da região, não tivesse apresentado queda de 4,9% de
janeiro a novembro de 2006, comparadas ao mesmo período do
ano passado, atrás somente do Amapá, com baixa de 14,5%.
Pará tem 2,37% dos empregados no Norte e cresceu 12,13%, o
equivalente a 4 mil novas vagas. A maior alta percentual na região
e no país foi do Acre, de 20,5%. No entanto, como a base é pequena,
o aumento não representa um grande número de empregos
(cerca de mil postos).
O Nordeste teve alta de 9,5%, com participação
importante dos Estados do Rio Grande do Norte, com 19,96%, e Maranhão,
com 11,68%. O Sul e o Centro-Oeste cresceram 5,6% e 3,8%, respectivamente,
abaixo, portanto, da média nacional, de 9,1%.
A reportagem de Samantha Maia confirma que o segmento
de obras deu um salto em 2006, com crescimento de 7,38% dos empregos
em 12 meses (dados até novembro), após crescer apenas
2,86% em 2005, um ano forte no segmento de serviços. Dessa
forma, no ano passado, obras superaram serviços na influência
sobre o aumento total dos empregos (7,31%) na construção
civil e seu maior peso pode explicar por que o PIB do setor cresceu
mais em 2006 (5%) que em 2005 (1,3%).
A economista Ana Maria Castelo, da FVG Projetos, explica
que dentro da categoria obras é importante ter havido a maior
alta dos empregos em preparação de terrenos (16,44%
de janeiro a novembro de 2006 em relação ao mesmo período
de 2005), pois isso indica que novos investimentos em edificações
serão realizados este ano. “Assim, a perspectiva de
continuidade do aumento da atividade em 2007 se fortalece”,
diz.
Engenharia e arquitetura tiveram o crescimento mais
alto no setor de serviços (12,15%), o que, segundo a economista,
junto com o anúncio do governo federal de mais recursos para
infra-estrutura, o aumento do crédito e a aprovação
do marco regulatório de saneamento, completam o quadro positivo
para o mercado construção em 2007. “Apesar dos
investimentos em obras públicas tenderem a desacelerar, devido
aos governadores estarem assumindo e desejando colocar primeiro a
casa em ordem, os recursos federais e privados deverão elevar
o investimento no setor”, diz.
Ana Maria diz que é esperado de infra-estrutura
uma participação mais forte no crescimento do setor
este ano. Em 2006, os empregos nesse segmento aumentaram 6,52% (janeiro
a novembro de 2006 comparado ao mesmo período de 2005), atrás
de preparação de terreno (16,44%) e edificações
(6,54%).
Serviços cresceu 7% em 12 meses (dados até novembro),
valor inferior à 2005, quando foi registrada alta de 37%.
Segundo a economista, o resultado é significativo por ter
crescido sobre uma base forte. “O número menor em 2006
não é ruim, mostra que serviços entrou na normalidade
e continua crescendo”, diz. Para o diretor de economia do Sinduscon-SP,
Eduardo Zaidan, no entanto, o ideal seria serviços ter mantido
o ritmo do ano anterior, para que planejamento e edificação
crescessem juntos. “O que foi planejado em 2005, representado
pela alta de serviços, foi construído em 2006, explicando
assim o crescimento de obras”, diz.
O Sudeste continua sendo a região de maior
incremento da ocupação (10,7% de janeiro a novembro
de 2006 em relação ao mesmo período de 2005),
o que é significativo, já que concentra 56% dos empregados
em construção no país. Todos os Estados da região
cresceram, e São Paulo, mesmo tendo contratado cerca de 31
mil trabalhadores, perdeu 0,42% da participação no
total da região para os demais, como Minas Gerais, que elevou
a participação em 0,48%, empregando 26 mil pessoas
.
“A produtividade do setor em São Paulo
influi para que maior atividade não implique mais contratações,
mas isso ainda é insuficiente para explicar a diferença
de crescimento relativo com Minas Gerais, por exemplo”, diz
a economista. Minas cresceu 15,3% de janeiro a novembro de 2006 em
relação ao ano anterior.
Segundo Walter Bernardes de Castro, presidente do
Sinduscon-MG o desempenho mineiro é puxado pelas obras públicas
e instalações industriais resultantes de uma “política
agressiva” do governo mineiro de atração de investimentos. “Houve
construção de plantas industriais para siderúrgicas
e investimento em peso em recuperação e ampliação
de rodovias”, conta.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de janeiro de 2007 | Brasil
ORÇAMENTO-Recurso foi bloqueado pela
equipe econômica do governo em nome do ajuste fiscal
País perde R$ 6,1 bilhões
em novos projetos
Brasília – No ano em que os gastos públicos dispararam,
o país perdeu nada menos do que R$ 6,1 bilhões que seriam destinados
a novos investimentos, revela levantamento feito no Sistema Integrado de Acompanhamento
Financeiro (Siafi). Este é o total de recursos previstos no Orçamento
de 2006 para projetos importantes, mas que não foram empenhados (reservados
para garantir a aplicação do dinheiro) e, por isso, sequer puderam
ser transferidos para pagamento este ano. O valor corresponde a quase um quarto
(24,4%) de tudo o que foi reservado para investimentos da Presidência
da República e dos 32 ministérios: R$ 25,1 milhões.
A maioria dos recursos foi bloqueada pela
mão de ferro da equipe econômica, em nome do ajuste fiscal,
dizem os ministérios. Mas há casos em que o dinheiro foi
perdido pela falta de projetos ou a apresentação de projetos
com irregularidades, principalmente por estados e municípios.
Para se ter uma idéia do desperdício, os R$ 6,1 bilhões
seriam suficientes para financiar seis Jogos Pan-Americanos. De acordo
com o Orçamento de 2006, aprovado pelo Congresso, os recursos
perdidos financiariam novas políticas públicas e, principalmente,
projetos de infra-estrutura, como a construção de rodovias,
portos e hospitais.
E mais: dos R$ 19 bilhões que foram empenhados, apenas R$ 7,7 bilhões
foram executados ano passado, isto é, liberados de fato para serem aplicados
em projetos e obras. O restante, R$ 11,3 bilhões, entraram na rubrica
do Orçamento chamada restos a pagar. Isto significa que podem ser usados
este ano, mas é comum esses recursos rolarem por anos e anos. O desempenho
dos ministérios em 2006 foi praticamente igual ao de 2005, quando deixaram
de empenhar 25,9% dos recursos aprovados no Orçamento.
Para críticos do atual modelo,
a conta do ajuste fiscal deveria ser paga com corte de despesas com a
máquina administrativa, e não de investimentos. Economistas
também dizem que a interferência da equipe econômica,
contingenciando recursos, enfraquece o Orçamento.
“Isso só reflete o grau de
ficção do orçamento. Eles aprovam uma lei orçamentária
com valores muitos exagerados, aí vem o decreto de contingenciamento
anual e muitas coisas importantes ficam de fora”, diz o economista
Raul Veloso, especialista em contas públicas.
“Isso faz parte do jogo de cena
que é o Orçamento no Brasil. A gente o aprova e faz de
conta de que será realizado, mas a bola sempre fica com o Executivo,
que contingência tudo”, afirma o professor finanças
publicas da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli,
que vê nisso a origem de um outro problema: “Esse controle
sobre o que vai ser liberado abre a porta para negociações
escusas. É o deputado que ameaça votar contra o governo
para liberar recursos de sua emenda.”
Em valores absolutos, a facada da equipe
econômica fez mais estragos no Ministério dos Transportes.
Responsável por uma malha rodoviária precária, a
pasta perdeu R$ 1,5 bilhão dos R$ 6,2 bilhões aprovados
no Orçamento. Estes valores financiariam, além da reforma
e da construção de novas rodovias, ferrovias, hidrovias,
portos, pontes e anéis rodoviários, entre outros projetos.
O ministério informou apenas que, do total não utilizado,
R$ 1,25 bilhão foi contingenciado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de janeiro de 2007 | Brasil
ORÇAMENTO
Saúde deixou de financiar
construção de hospitais
Brasília – Dono do segundo maior orçamento da Esplanada,
o Ministério da Saúde perdeu no ano passado R$ 1,2 bilhão
dos R$ 3,3 bilhões previstos para investimentos (37,4%). O dinheiro
financiaria a construção de hospitais e postos de saúde,
obras de saneamento básico, além da compra de ambulâncias.
O ministério informou que, deste valor, cerca de R$ 1 bilhão
foi retirado das emendas parlamentares dos deputados, priorizando os investimentos
estratégicos da pasta. A tática, já usada em anos anteriores,
foi reforçada após o escândalo dos sanguessugas.
“Temos um volume imenso de despesas
regulares de manutenção da rede de saúde em 26 estados
e no Distrito Federal e esses recursos são liberados automaticamente”,
argumenta o subsecretário de Planejamento do Ministério
da Saúde, Arionaldo Bonfim.
Já o Ministério das Comunicações
encabeça a lista das pastas com menor execução porcentual
dos recursos de investimentos. Em 2006, o ministério empenhou
apenas 32,8% de R$ 120,3 milhões. Os valores executados no ano
não passam de 10%. O ministro interino, Fernando Rodrigues, que é secretário-executivo,
disse que o patamar é baixo porque o ministério fez um
acordo com o Planeamento para adiar para este ano a implementação
do principal projeto do setor, de inclusão digital.
“O Planejamento não nos prejudicou.
Apenas fizemos um acordo para realizar ajustes no projeto de inclusão
digital e os recursos (cerca de R$ 90 milhões) serão liberados
agora por intermédio de créditos extraordinários”,
disse Rodrigues.
Responsável pela chave do cofre
federal, o Ministério da Fazenda foi o único a empenhar
mais recursos do que estava previsto no orçamento. A pasta garantiu
R$ 445,5 milhões, R$ 83 milhões a mais do que fora destinado.
A maior parte dos recursos foi aplicada no programa de modernização
da Receita Federal, que incluiu a reforma dos postos aduaneiros e a criação
de sistemas de informática para melhorar a fiscalização
do Imposto de Renda, por exemplo.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
13 de janeiro de 2007
Custo para construir aumentou 4,52%
Redação O Estado
do Paraná
Com o reajuste de 0,10% registrado no mês de dezembro, o Custo Unitário
Básico (CUB) da construção civil calculado pelo Sinduscon-PR
(Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado
do Paraná) fechou o ano de 2006 com aumento acumulado de 4,52%. Esse
aumento do CUB-PR reflete o reajuste médio de 3,39% nos preços
dos materiais e de 5,46% nos custos da mão-de-obra e encargos sociais
no ano de 2006.
Análise do comportamento dos preços dos 40 produtos pesquisados
para elaboração do CUB-PR aponta, no ano, estabilidade ou redução
em mais de uma dezena de materiais. De acordo com a pesquisa, o aço
para concreto e cimento portland, produtos que têm peso significativo
na composição dos custos da construção, apresentaram
redução de preço em 2006.
A redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de
uma lista de materiais também contribuiu para a manutenção
dos preços ou reajustes menores, abaixo da inflação medida
pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), da Fundação
Getúlio Vargas (3,83% no acumulado do ano). Vaso sanitário e
registro de pressão subiram, respectivamente, 1,61% e 1,43%. Já o
piso de cerâmica esmaltada 7,5 x 15 cm teve redução de
4%.
Já outros produtos como o fio de cobre para eletricidade, dobradiças,
fechaduras e metais sanitários tiveram reajustes significativos por
conta do aumento dos preços de matérias-primas (cobre e zinco)
no mercado externo. Com o repasse dos preços na indústria, o
fio de cobre acumulou alta de 30,30% até o mês de dezembro, segundo
a pesquisa do Sinduscon-PR.
Custo do metro quadrado
Divulgado mensalmente pelos sindicatos da construção, o Custo
Unitário Básico (CUB) é calculado de acordo com a NBR
12.721, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
Elaborado de acordo com diversos projetos-padrão, o CUB determina o
custo global da obra para fins de cumprimento da lei de incorporações
e tem fins exclusivamente comparativos ao custo real da obra, pois este só é obtido
através de um orçamento completo com todas as especificações
de cada projeto em estudo ou análise. Atualmente, a variação
percentual do CUB tem servido como mecanismo de reajuste de preços em
contratos de compra de imóveis em construção e até mesmo
como índice setorial, esclarece o presidente do Sinduscon-PR, Julio
Araújo Filho.
O custo médio representativo da construção habitacional
(padrão H8-2N, para imóveis em prédio de oito pavimentos,
dois quartos e padrão normal de acabamento), computados apenas materiais
e mão-de-obra, passou para R$ 887,27 o metro quadrado no mês de
dezembro. Neste valor não estão considerados diversos itens como
o projeto, obras de fundação, elevadores, urbanização,
impostos e taxas, remuneração do construtor, entre outros.

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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 14 de janeiro
de 2007
Novas leis: Empresa, Trabalho,
Família, Previdência, Processo, IR, Meio Ambiente
Edésio Passos
Antes de abordar o tema deste artigo,
ressalto a oportunidade da publicação das pertinentes
observações do procurador federal dr. Leonardo
Alves da Silva, contidas no seu texto publicado a 07 deste mês,
neste caderno, intitulado “A luta continua, a obra permanece:
Fachin no STF”. Não apenas resgata o movimento,
que ainda continua pela indicação do prof. Luiz
Edson Fachin ao STF, como se espraia em análises jurídicas
de primeira linha. Esperemos, assim, que este 2007 traga ao mundo
jurídico brasileiro a concretização dessa
reivindicação paranaense mas, antes de tudo, em
pról da ciência e da Justiça. Dito isto,
vamos ao assunto do dia.
São várias e importantes novas leis, umas já em vigor,
outras nos próximos dias. Alteram o Código de Processo Civil,
modificam as normas para as micro e pequenas empresas, afetam questões
fundamentais do meio ambiente. Ressalta-se as leis que tratam da súmula
vinculante pelo Supremo Tribunal Federal e da que regulamentou o critério
de admissibilidade do recurso extraordinário na preliminar de verificação
da repercussão geral. Assinale-se, ainda, as importantes normas relativas à informatização
do processo, legalizando e oportunizando a introdução de novos
sistemas de comunicação e tramitação processuais.
No Direito de Família, um avanço significativo com a lei que
irá desafogar as varas de família e sucessões. Dada a
complexidade e profundidade das mesmas, apenas remeteremos a alguns pontos,
auxiliando no conhecimento e estudo dos textos.
SuperSimples em vigor
A Lei Complementar n.º 123, de 14.12.2006 (DOU 15.12.06), sobre o Estatuto
Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, foi sancionada com
vários vetos. E, atenção: a Lei está em vigor desde
15 de dezembro, pois apenas o regime tributário nela estabelecido vai
vigorar a partir de 1.º de julho de 2007. Fundamental para a formalização
do sistema empresarial e do trabalho no país, a lei vai percorrer o
caminho inicial de seu entendimento e aplicação. O Estatuto,
ou SuperSimples, segundo o DIAP, será “o primeiro passo para flexibilizar
a legislação trabalhista”, embora não alcance os
direitos constitucionais dos trabalhadores, preservando-os inclusive no plano
sindical. Eis as alterações na legislação trabalhista
e previdenciária: (1) As microempresas e as empresas de pequeno porte
são dispensadas de afixar quadro de trabalho, de anotar férias
dos empregados nos livros ou fichas de registro, de empregar e matricular seus
aprendizes nos cursos dos serviços nacionais de aprendizagem, da posse
do livro “inspeção do trabalho”, de comunicar ao
Ministério do Trabalho a concessão de férias coletivas
(art.51). (2) Ao empresário com receita bruta anual de até 36
mil reais, é concedido tratamento especial consistente na contribuição
para a seguridade social, dispensa de pagamento da contribuição
sindical, dispensa das contribuições de interesse das entidades
privadas de serviço social e formação profissional vinculadas
ao sistema sindical, dispensa de contribuições sociais da LC
110/2001 (art.53) (3) A representação na Justiça do Trabalho
poderá ser efetuada por terceiros que conheçam os fatos (art.54)
e a fiscalização trabalhista será orientadora, por dupla
visita (art.55). (4) O CODEFAT poderá disponibilizar recursos financeiros
através de programa específico a cooperativas de crédito
da qual participem as microempresas e de pequeno porte (art.63). (5) Haverá estímulo à utilização
dos institutos de conciliação prévia, mediação
e arbitragem para solução de conflitos e “serão
reconhecidos de pleno direito os acordos celebrados no âmbito das comissões
de conciliação prévia” (art.75). (6) O art.58 da
CLT será acrescido de parágrafo: “Poderão ser fixados,
para microempresários e empresas de pequeno porte, por meio de acordo
ou convenção coletiva, em caso de transporte fornecido pelo empregador,
em local de difícil acesso ou não servido por transporte público,
o tempo médio dispendido pelo empregado, bem como a forma e natureza
da remuneração”. (7) Na contribuição previdenciária
a regra estipula que “é de onze por cento sobre o valor correspondente
ao limite mínimo mensal do salário-de-contribuição
a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual,
que trabalha por conta própria, sem relação de trabalho
com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optaram pela exclusão
do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de serviço”.
Caso pretenda contar o tempo desse período de contribuição,
deverá complementá-la em mais nove por cento (art.80). (O juiz
Marcos Neves Fava, da 89.ª Vara do Trabalho de São Paulo, comenta
a nova lei em seu artigo “Primeiras linhas acerca das conseqüências
trabalhistas do Estatuto Nacional das Microempresas e das Empresas de Pequeno
Porte. Lei Complementar n.º 123/2006”, no site Jus Navigandi)
Nexo epidemiológico
Também em vigor a Lei n.º 11.430, de 26.12.2006 (DOU 27.12.2006),
conversão da MP 316/06, alterando as Leis n.º 8.213/91 e n.º 9.796/99,
especialmente fixando no art.21-A que “a perícia médica
considerará caracterizada a natureza acidentária da incapacidade
quando constatar ocorrência de nexo técnico epidemiológico
entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre a atividade
da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade elencada
na Classificação Internacional de Doenças - CID, em conformidade
com o que dispuser o regulamento”. Trata-se de considerar o nexo epidemiológico
para a concessão de benefício por incapacidade. Uma das principais
conseqüências práticas com a nova lei será a de que
caberá ao empregador o ônus de provar que não existe a
incapacidade alegada pelo empregado, uma vez que será levado em conta
o histórico da ocorrência da doença entre os trabalhadores
da empresa (vide artigo do Dr. Airton Kwitko em www.seguir.com.br). Esta mesma
Lei trata do reajustamento dos benefícios da Previdência Social.
Ainda no campo previdenciário, em vigor a Lei n.º 11.368, de 9.11.06
(DOU 10.11.2006) que prorrogou por mais dois anos o prazo para o trabalhador
rural requerer aposentadoria por idade com base no estabelecido na Lei nº 8213/91.
Súmula Vinculante
Foi sancionada a Lei n.º 11.417, de 19.12.06 (DOU 20.12.06), que regulamenta
o artigo 103 da Constituição Federal sobre a súmula vinculante
fixada pelo Supremo Tribunal Federal e que entrará em vigor em 20.03.07
O texto a que se refere a Súmula Vinculante é o seguinte: “Art.
2.º - O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por
provocação, após reiteradas decisões sobre matéria
constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação
na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação
aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal,
bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista
nesta Lei. Parág. 1.º - O enunciado de súmula terá por
objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas
determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários
ou entre esses e a administração pública, controvérsia
atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação
de processos sobre idêntica questão”. Portanto, a súmula
vinculará quer os organismos do Judiciário, como os da administração
pública em todos os seus níveis. (vide texto do dr.Marco Antonio
Innocenti “Mudança de mentalidade”, no site consultor jurídico).
Recurso Extraordinário
A Lei n.º 11.418, de 19.12.06 (DOU 20.12.06), regulamenta o parág.
3.º, art.102 da Constituição Federal, sobre recurso extraordinário
ao Supremo Tribunal Federal, entrará em vigor em 18.02.07. A Lei insere
o requisito de admissibilidade para o recurso extraordinário quanto
a existência de repercussão geral, como está especificado
no texto constitucional: “... o recorrente deverá demonstrar a
repercussão geral das questões constitucionais discutidas no
caso, a fim de que o Tribunal examine a admissão do recurso, somente
podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços
de seus membros”. Em verdade, trata-se de uma preliminar de admissibilidade,
onde relevantes pontos jurídicos, ou econômico-sociais, até mesmo
político-administrativos, poderão ser indicados como base na
repercussão que a decisão judicial venha a ter. Em verdade, a
lei marca uma restrição ao cabimento do recurso extraordinário,
pois limitará o pronunciamento do STF sobre matérias que não
tenham o requisito ora inserido no sistema. (A bacharelanda Suian Alencar Sobrinho,
da Universidade Salvador, publicou artigo “Ocaso do julgamento a varejo.
Comentários sobre a Lei n.º 11.418/2006) no site Jus Navigandi).
Processo de Execução
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente o projeto
de lei que altera dispositivos do CPC (alterações no § 3.º,
art.649, parág. único do art.650) que previam a penhora do imóvel
residencial com valor superior a 1.000 salários mínimos, bem
como até 40% dos salários recebidos mensalmente acima de 20 salários
mínimos, mantendo, assim, a impenhorabilidade sobre os mesmos. Mas já no
dia 20 de janeiro de 2007 entrarão em vigor alterações
em 87 artigos do CPC, com a aprovação da Lei n.º 11.382,
de 06.12.2006 (DOU 07.12.06), relativos à agilização do
processo de execução e outras matérias. Vale consultar
o site e verificar quais os artigos alterados e quais os que foram mantidos.
Informatização do Processo
A Lei n.º 11.419, de 19.12.06 (20.12.06), que trata da informatização
do processo judicial, foi sancionada com vetos e entrará em vigor em
20.03.07. A lei refere-se à tramitação dos processos,
o sistema de comunicação de atos, assim como a forma de transmitir
peças processuais por meio eletrônico. A regulamentação
supera os entraves que vêm sendo colocados às inovações
processuais eletrônicas, legalizando procedimentos. Também será possível
a assinatura eletrônica com base na certificação digital.
Para a Justiça do Trabalho será a confirmação do
sistema em funcionamento e a implantação de novos projetos em
estudo. Um deles, a audiência informatizada totalmente.
Outras leis
Estão em vigor várias outras leis (1) as que dispõem sobre
as carreiras dos servidores do Poder Judiciário da União e do
Ministério Público da União, com os respectivos percentuais
de reajuste nos vencimentos (Leis n.º 11.415/06 e n.º 11.416/06),
resultado da luta dos servidores por melhores condições de trabalho
e de salário (2) Depois de quase 14 anos anos de tramitação
do projeto de lei 3285/92, sancionada a Lei n.º 11.428, de 22.12.2006
(DOU 26.12.2006), que dispõe sobre a utilização e proteção
da vegetação nativa do Bioma Mata Atlântica, consolidando
os limites, atribuindo função social à floresta e estabelecendo
regras para o seu uso (3) Registre-se a Medida Provisória 340, de 29.12.2006,
que trata da inovações no imposto de renda, legislação
securitária e outras normas fiscais, fixando regras para o período
de quatro anos do atual governo federal (4) Já em janeiro e em vigor,
a Lei n.º 11.441, de 04.01.2007 (DOU 05.01.2007), que altera o Código
de Processo Civil, possibilitando a realização de inventário,
partilha, separação e divórcio consensuais por via administrativa.
A lei permite que a separação ou o divórcio consensuais
(desde que não haja filhos menores ou incapazes) sejam efetivados diretamente
em cartório, através de escritura pública, sem a presença
de juiz, mas com a presença obrigatória de advogado, desafogando
as varas de família e sucessões.
Edésio Passos é advogado e ex-deputado federal (PT/PR).
E-mail: edesiopassos@terra.com.br .
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de janeiro de 2007
Aumento de indenização
Revista em empregado causa dano moral,
reafirma TST
O Tribunal Superior do Trabalho garantiu
o pagamento de indenização por dano moral a um trabalhador
submetido a revista no fim do expediente. A 1ª Turma reafirmou o
entendimento de que a revista causa constrangimento ao empregado. Os
ministros também aumentaram de R$ 2,6 mil para R$ 20 mil o valor
da indenização. A relatora do caso foi a juíza convocada
Perpétua Wanderley.
A primeira instância reconheceu
o dano moral e fixou a reparação em R$ 2,6 mil. A condenação
foi afastada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
(Minas Gerais), que isentou a Distribuidora Farmacêutica Panarello
do pagamento da indenização.
A segunda instância considerou que
a prática de revista visual no fim do expediente, assim como a
existência de câmeras de vídeo, eram prerrogativas
da empresa. O procedimento foi classificado como “cauteloso a fim
de evitar o extravio de medicamentos, inclusive os de venda controlada
(psicotrópicos).”
“De mais a mais, a vistoria era
efetuada quando da troca de uniforme dos empregados. Portanto, não
havia imposição de que os mesmos se despissem, exclusivamente
para serem vistoriados”, afirmou o TRT mineiro.
A defesa do trabalhador entrou com recurso
no TST. A relatora destacou que o texto constitucional classifica a intimidade,
a vida privada e a honra como invioláveis e prevê o ressarcimento
aos danos sofridos. Afirmou também que o poder do empregador encontra
limite no respeito à dignidade do empregado, valor que foi afetado.
“A mera exposição,
quer parcial quer total do corpo do empregado, caracteriza grave invasão à sua
intimidade”, afirmou. “Assim, considerando a intensidade
do sofrimento do ofendido, a gravidade, a natureza e a repercussão
da ofensa e a situação econômica do empregador – empresa
com mais de 3 mil funcionários, 700 representantes comerciais
e presença em todo o país – arbitro o valor da condenação
em R$ 20 mil reais”, concluiu.
533.770/1999.0
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
15 de janeiro de 2007
Justiça condena fazendeiro a
pagar R$ 1 milhão por trabalho escravo
O juiz João Humberto Cesário,
titular da Vara do Trabalho de São Félix do Araguaia (MT),
condenou o proprietário da fazenda Inajá a pagar R$ 1 milhão
de indenização por manter trabalhadores com funções
análogas a de trabalho escravo. A decisão, resultado de
ação civil pública movida pelo MPT (Ministério
Público do Trabalho) de Mato Grosso, prevê que o montante
seja revertido para o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).
De acordo com informações
do MPT, há possibilidade de conciliação entre as
partes, que pode fazer o dinheiro ser destinado a benfeitorias sociais
em favor dos trabalhadores rurais e urbanos da região.
O magistrado também condenou o
proprietário a registrar todos os trabalhadores, promovendo a
adaptação dos veículos de transporte de empregados às
regras de segurança previstas em lei, além de pagar regularmente
os salários, conceder intervalo mínimo de 11 horas entre
as jornadas de trabalho, providenciar equipamentos de proteção
individual, material de primeiros socorros e água potável,
alojamentos adequados, banheiros e abrigo onde possam ser feitas as refeições.
Cópia da sentença foi encaminhada à Secretaria
da Inspeção do Trabalho em Brasília, para inclusão
do réu no Cadastro de Empregadores que Tenham Mantido Trabalhadores
em Condições Análogas à de Escravo —a
chamada “lista suja”.
A multa por descumprimento da decisão é de
R$ 50 mil para cada ordem descumprida e responsabilizados por crime de
desobediência.
Denúncia
A Procuradoria Regional do Trabalho da
23ª Região (Mato Grosso) recebeu a denúncia da existência
de trabalho escravo na propriedade em 2000. A denúncia informava
a existência de 16 trabalhadores submetidos à condição
análoga a de escravo, com sinais de tortura em alguns deles.
Noel Antunes Loureiro, que trabalhava
na fazenda, disse que, ao decidir não mais trabalhar na propriedade,
foi orientado a esperar três dias. Após o período,
disse ter recebido ordem para seguir até o aterro de uma represa,
sendo conduzido sob a mira de um revólver. De acordo com seu depoimento,
Loureiro foi agredido a pontapés e golpes de corrente.
O exame de corpo de delito constatou que
as lesões correspondiam aos fatos narrados pelo trabalhador, tendo
o laudo revelado que houve “ofensa à integridade corporal
do periciado”.
As investigações do
MPT também constataram que havia três seguranças
armados com revólveres (Carlão, Edson e Paulo, vulgo “Pai
Velho”), fazendo vigilância diurna e noturna na propriedade.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/01/2007
Falsa promessa leva a indenização
por dano moral
Os prejuízos causados à imagem
e credibilidade de uma trabalhadora, obrigada por seu superior a prometer
a entrega de produtos em prazos que a empresa não poderia cumprir,
podem resultar na condenação do empregador por danos morais.
Essa possibilidade foi confirmada pela Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao negar, conforme voto do ministro Aloysio Corrêa
da Veiga (relator), agravo de instrumento à Octet Brasil Ltda.
A decisão do TST manteve condenação da empresa operadora
de serviços corporativos de telecomunicações, imposta
pela Justiça do Trabalho paulista, ao pagamento de R$ 20 mil a
uma ex-funcionária a título de danos morais.
“O fato de o presidente da empresa
obrigar o empregado a prometer a clientes prazos que não poderia
cumprir, determinou a indenização por dano moral, em face
do abalo na credibilidade da autora e nos constrangimentos pelos quais
passou”, explicou Aloysio Veiga. O mérito da questão,
ou seja, o direito à indenização por danos morais
não foi objeto de exame pelo TST, uma vez que tal medida exame
implicaria no reexame das provas contidas nos autos, procedimento vedado
ao TST por sua Súmula nº 126.
A controvérsia judicial teve início
em outubro de 2001, quando a trabalhadora – contratada para a função
de coordenadora de conteúdo de informática – ingressou
com um pedido de rescisão indireta na primeira instância
trabalhista paulistana, a fim de receber o pagamento de verbas trabalhistas
e indenização por dano moral.
No texto da ação, foi informada
a contratação da trabalhadora em junho de 2000 pela Interare
do Brasil Ltda. Em seguida, teria sido transferida para a Octet e, para
tanto, deveria abrir mão das verbas rescisórias devidas
(férias integrais e proporcionais, 13º salário, saldo
de salários, dentre outras).
No desempenho das suas atividades, “se
viu obrigada a prometer a entrega de produtos e serviços sem que
a empresa realizasse a entrega dos produtos contratados”. Essa
circunstância levou ao pedido de indenização por
danos morais com a sugestão de fixação de seu valor
em R$ 120 mil. Além da credibilidade afetada, afirmou que o diretor
da empresa a ofendia com freqüência.
A ocorrência do dano moral foi reconhecida
pela 77ª Vara do Trabalho paulistana com base em provas testemunhais.
Nos autos registrou-se que a autora da ação era classificada
como “incompetente, que não tinha condições
nem mesmo de ser a faxineira da empresa”. Era comparada com “animais
do zoológico” e tinha de “fazer promessas aos clientes
que a empresa não podia cumprir”. Em um dos depoimentos,
foi revelada a analogia com que o presidente da empresa orientava seus
funcionários: “a equipe deveria deixar o cliente satisfeito
como se ele tivesse saído com cinco prostitutas”.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) manteve a sentença. “Restou evidenciado
que o presidente da empresa ofendia os trabalhadores de forma grosseira,
acarretando humilhação, além de determinar à empregada
que prometesse prazos a clientes que não poderiam ser cumpridos”.
A conduta patronal, para o TRT-SP, “sujeitava a trabalhadora a
todo o tipo de constrangimento perante os colegas e clientes, de sorte
que devida a indenização por dano moral”.
No TST, a inviabilidade processual
de rediscutir as provas levantadas em âmbito regional levou a
Sexta Turma a negar o recurso (agravo) e, assim, confirmar a condenação
da Octet por danos morais e ao pagamento de verbas trabalhistas. (AIRR
2435/2001-077-02-40.7)
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15/01/2007
Turma
do TST valida flexibilização
do adicional de periculosidade
A Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, em decisão unânime, afirmou a validade de acordo
coletivo firmado entre a Companhia Vale do Rio Doce e o sindicato de
trabalhadores em que foi negociado e estabelecido o pagamento proporcional
do adicional de periculosidade. O julgamento resultou em concessão
de recurso de revista à empresa e teve como base o voto do juiz
convocado José Pedro de Camargo (relator). O posicionamento adotado
pelo órgão do TST altera acórdão firmado
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (Espírito
Santo).
Em seu exame sobre o tema, o TRT-ES concedeu
a um ex-empregado da Vale o pagamento das diferenças do adicional
de periculosidade. O fundamento para a decisão foi a suposta inviabilidade
do acordo firmado entre a empregadora e a entidade sindical, uma vez
que o direito dos trabalhadores à parcela foi considerado “indisponível”,
ou seja, insuscetível de negociação.
“Com efeito, não pode o sindicato
da categoria profissional flexibilizar onde a legislação
não autoriza, sobretudo na área de Segurança e Medicina
do Trabalho”, considerou o TRT. “Ao validar este tipo de
negociação estar-se-ia incentivando o descumprimento das
normas de segurança, pois é sabido que o investimento em
segurança é muito maior do que os adicionais fixados em
lei e, ainda assim, se pretende diminuí-los, aumentando ainda
mais a diferença e, em conseqüência, a falta de ânimo
da empresa de investir em segurança”, acrescentou.
O recurso de revista da Vale argumentou
a violação do artigo 7º, inciso XXVI, da Constituição
Federal, que estimula o reconhecimento da validade das convenções
e acordos coletivos de trabalho. Após registrar a legitimidade
do sindicato para negociar os interesses da categoria (artigo 8º,
inciso III, CF), o relator do recurso reconheceu a validade do acordo
firmado entre a empresa e o representante de seus empregados.
“Com efeito, se o sindicato dos
empregados houve por bem abrir mão do direito ao adicional de
periculosidade integral, como assegura a lei e a jurisprudência,
tal pactuação deve ser respeitada, nos limites em que foi
firmada, salvo se comprovada a existência de qualquer vício
a macular o aludido acordo, o que, no caso dos autos, não foi,
sequer, cogitado”, disse o juiz José Pedro.
O relator também mencionou o fato
de o texto constitucional em vigor autorizar os sindicatos a negociar
o salário do trabalhador. “Essa sistemática surgiu
para prestigiar a autonomia das partes na negociação, notoriamente
engrandecida pelo reconhecimento constitucional do conteúdo de
convenções e acordos coletivos (art. 7º, inciso XXVI)”.
“Não se deve perder de vista,
ainda, que, ao mesmo tempo em que o constituinte criou norma visando à preservação
da saúde dos trabalhadores, também assegurou a indigitada
flexibilização, conferindo às entidades sindicais
ampla possibilidade de pactuarem alterações contratuais.
E isso não pode ser desprezado pelo intérprete”,
concluiu José Pedro, ao afastar o fundamento adotado pelo TRT
e, dessa forma, restabelecer sentença (primeira instância),
que havia sido favorável à empresa.
(RR 1320/2000-006-17-00.0)

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