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Agência Senado, 18
de janeiro de 2007
Projeto permite deduzir do Imposto
de Renda financiamento da casa própria

Está na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) o projeto
de lei do Senado 80/06, de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), que
pretende permitir ao contribuinte pessoa física deduzir do Imposto de
Renda parcela do valor pago no ano-calendário para a aquisição
de imóvel residencial mediante financiamento.
Em maio de 2006, o relator da matéria
na CAE, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), apresentou minuta de
relatório pela aprovação do projeto. Como o Regimento
Interno do Senado, em seu art. 332, determina que as matérias
com parecer favorável não podem ser arquivadas ao final
da legislatura, o projeto retornou à CAE para nova tramitação.
Para se candidatar ao benefício,
o projeto prevê que o comprador precisa comprovar que não é nem
foi proprietário de nenhum imóvel, de qualquer espécie,
nos últimos dez anos. O projeto também abrange todos os
tipos de financiamento, desde o realizado diretamente com a construtora,
o bancário, o sistema financeiro de habitação, até o
consórcio.
Em sua justificação, Crivella
afirma que "são notórias" as dificuldades enfrentadas
pelos brasileiros para adquirir a casa própria e que o seu projeto
visa a atender a esse objetivo da justiça social, amenizando as
barreiras enfrentadas pelos cidadãos.
- Não se trata de dar algo
gratuitamente a alguém, muito menos beneficiar quem não
precisa. É antes de tudo uma medida de justiça social.
Quem pode comprar imóvel à vista não faz financiamento.
O limite para isenção não estimulará a
compra financiada do imóvel por quem não precisa. As
taxas de juros não compensariam essa opção - assegurou.
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Congresso em Foco, 18 de
janeiro de 2007
O candidato Gustavo Fruet
Prometendo resgatar a ética como presidente
da Câmara, deputado já considera a hipótese de
chegar ao segundo turno
Lúcio Lambranho
Em entrevista ao Congresso em Foco, o
deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) diz que o lançamento da sua candidatura à presidência
da Câmara, algo impensado até dez dias atrás, provocou “uma
revolução” em sua vida. Refeito do “susto” e
animado, o candidato da chamada terceira via já trabalha com a
perspectiva real de chegar ao segundo turno da disputa.
Uma das razões para esse otimismo é a
possibilidade de viabilizar a unidade do PSDB com sua entrada no páreo
eleitoral. Fruet faz as contas e afina a estratégia para um embate
duro com seus concorrentes, que já estão em campanha há mais
tempo. Mas acredita que poderá embolar o jogo e garantir sua ida
ao embate final com Aldo Rebelo (PC do B-SP) ou Arlindo Chinaglia (PT-SP). "Se
houver a possibilidade de se chegar a uma candidatura com 120 ou 130
votos, é segundo turno", calcula.
Para chegar a esse número, sua
estratégia inicial tem dois pontos prioritários. O mais
imediato é conseguir chegar o mais próximo possível
da adesão total dos 66 deputados do seu partido antes da reunião
de terça-feira dos tucanos, que caminha mesmo para definir o apoio
formal ao seu nome. O segundo, e mais importante para definir o destino
de sua candidatura, é trabalhar no convencimento dos novos deputados
antenados ou eleitos com o discurso de renovação e contra
o fisiologismo na Câmara.
Nesse caso, o novo candidato, que se projetou
pelo rigor técnico que demonstrou como integrante da CPI dos Correios,
terá de mostrar capacidade também como estrategista político,
qualidade nunca testada em uma disputa dessa importância. Ele já trata
de traçar possíveis alianças com setores da própria
base do governo para um eventual segundo turno.
Busca de alianças
Fruet não fala em número
de deputados, principalmente do PFL, que ele poderá conseguir
colocar do seu lado na eleição. Descarta o apoio formal
ou de um número expressivo de pefelistas, mas aposta nas alianças
estaduais entre o PSDB e seu antigo aliado. Daí inclui na conta
o seu estado como exemplo. Estão na sua "mira" de convencimento
os conterrâneos Abelardo Lupion, Eduardo Sciarra e Alceni Guerra
(todos do PFL).
Em conversa ontem (17) com o líder
do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ), o candidato da terceira via disse
ter tomado extremo cuidado para não criar nenhum constrangimento,
considerando o apoio já dado ao presidente da Câmara, Aldo
Rebelo, que busca reeleição. Pediu apenas que não
haja veto ou sanção para aqueles deputados do PFL que resolverem
aderir à sua candidatura.
Até o início da tarde de
ontem (17), Fruet, que tem o apoio do PPS e do PV, já tinha conversado
pessoalmente com 50 deputados. Ele já contabiliza pelo menos um
voto na bancada do PMDB, que declarou apoio a Chinaglia: o do deputado
Raul Henry (PE), aliado político do senador eleito Jarbas Vasconcellos
(PMDB-PE). Se conseguir de fato unir o desarticulado PSDB, garante que
isso o aproximará dos votos do PFL tanto no primeiro turno como
num possível segundo turno.
Aumento dos parlamentares
Apesar do esforço para buscar alianças,
Fruet não parece disposto a fazer concessões fáceis
em relação ao aumento dos vencimentos dos parlamentares,
assunto cujo desfecho muitos congressistas aguardam com ansiedade. "Esse
tema precisa ser congelado. O pior cenário é começar
a legislatura com essa discussão de aumento salarial”, afirma
ele.
O deputado ressalta o poder de fogo dos
seus adversários: "Minha candidatura se coloca contra duas
estruturas fortes e minha eleição, se acontecer, não
terá nenhum consenso. As estruturas são o governo e a Câmara
dos Deputados. Não estou aqui falando em fisiologismo, mas de
política. Mas dentro do governo é quase uma disputa autofágica.
O Aldo pagou pela lealdade ao governo e ainda deverá ser cobrado
se a eleição for para o segundo turno", prevê.
Também revela pouca esperança
de que o país dê um "salto de qualidade" no segundo
mandato de Lula. "O Brasil não pegou nenhuma crise internacional
e está com o vento a favor, mas a impressão que dá é que
será mais do mesmo. Se o governo não tiver cuidado, não
vai conseguir evitar que surjam novas denúncias. Até porque
o presidente afastou boa parte dos denunciados, mas eles estão
voltando pelo voto. A eleição do Chinaglia, não
pelo Chinaglia, pois isso seria uma grosseria e um desrespeito com ele,
mas seguramente significa a redenção de todas essas pessoas",
dispara.
Natural de Curitiba (PR), 43 anos, Fruet é filho
do ex-prefeito da cidade, Maurício Fruet. É advogado, mestre
e doutor em Direito. Em 1996, foi eleito vereador da capital paranaense
pelo PMDB, partido do qual se desligou em 2004 para entrar no PSDB. Conseguiu
seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados em 1999. Assumiu a
candidatura do pai, que faleceu poucos dias antes da eleição.
No último pleito, foi o deputado federal mais votado em seu estado,
com mais de 210 mil votos.
Leia abaixo os principais pontos
da entrevista dele ao Congresso em Foco:
PFL e outros partidos
“O líder Rodrigo Maia declarou
esse apoio ao presidente Aldo lá atrás, antes de uma manifestação
do PSDB e da minha candidatura. Mas esse acordo precisa ser respeitado.
Conversei hoje com o deputado Rodrigo Maia dando uma satisfação
da candidatura e da campanha, mas evidentemente tentando estabelecer
um canal para frente. E também fiz contato com o deputado José Carlos
Aleluia (PFL) e na seqüência farei com o presidente [do PFL,
senador, Jorge] Bornhausen. Também falei com o José Múcio,
do PTB, que está dando apoio ao Chinaglia, com Mário Negromonte
(PP) e com o Luciano Castro (PL). Mas não pedi mudança
de posição. Até porque entendo que não se
ganha nada com o apoio de líderes. E se existe uma chance agora
não são eles que vão mudar de posição
por pressão. Aposto na conversa com os deputados desses partidos
que estão na expectativa da mudança de um novo comportamento
da Câmara, além de evitar ficar na dependência de
acordos partidários”.
Psol fora da aliança
"Respeitei a decisão. Entendo
que para o Psol, por razões históricas, seria muito difícil
apoiar um candidato do PSDB. É compreensível, mas incorporamos
uma série de itens na pauta de campanha apresentados por eles.
Só espero que a eleição não seja definida
por três votos [total dos integrantes da bancada do Psol na Câmara]."
Serra X Aécio
O deputado afirma que, independente do
resultado eleição da Câmara, o PSDB terá que
enfrentar essa correlação de forças para não
antecipar a disputa eleitoral à Presidência da República
entre os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). "Existe
uma boa relação hoje entre os dois para evitar essa disputa.
Não acredito que a eleição na Câmara tenha
algo tão articulado do aspecto ideológico, já prevendo
uma sucessão presidencial", disse, referindo-se ao apoio
inicial dado pelo líder do seu partido e aliado de Serra, Juthay
Junior (BA), ao candidato do PT, Arlindo Chinaglia. "Houve especulações
de que o apoio declarado do deputado Juthay era em função
de acordos regionais. Mas conversei com os governadores Serra e Aécio
e eles foram taxativos em darem apoio a minha candidatura e demonstram
preocupação com essas especulações".
A precipitação de Juthay
"Foi precipitado em função
da posição tomada pelo PMDB e de se perder espaço
na composição da Mesa Diretora. O raciocínio pragmático
foi mais ou menos o seguinte: se o PSDB desse apoio ao Aldo, não
decidiria a eleição. Mas, se desse apoio ao Chinaglia,
praticamente decidiria e acabava com a candidatura de Aldo. É o
jogo de pressão e contrapressão que existe na política.
Mas, no início da legislatura, acho que eles cometeram dois erros:
não se toma uma decisão dessas sem consultar a bancada
e não foi considerado que a eleição do presidente
da Câmara não se faz por ato administrativo. Essa eleição
tem uma simbologia muito grande, em especial neste momento. Isso provocou
uma reação não só dentro do PSDB, mas de
outros partidos e de parte da sociedade".
Composição da Mesa
"No nosso caso, não foi estabelecida
uma chapa. Eu já conversei com a deputada Luiza Erundina [PSB-SP,
uma das apoiadoras da candidatura de Fruet], justamente para se pensar
numa alternativa. A Câmara viveu um momento muito desgastante que
não permite que os métodos tradicionais sejam usados nesse
processo de reestruturação. A questão também é regimental.
Primeiro, elege-se o presidente. Depois, pensamos nos demais cargos.
Apesar de a proporcionalidade não ser um imperativo, quanto mais
plural a composição for, melhor. Até para sinalizar
que a Câmara não pode ser de oposição nem
vinculada ao governo. Repare que até agora o presidente Lula não
anunciou o novo ministério. É a primeira vez que um governo
assume e só vai fazer o anúncio após a eleição
da Câmara. E isso não é mera coincidência".
Vencimentos dos parlamentares
"Esse tema precisa ser congelado.
O pior cenário é começar a legislatura com essa
discussão de aumento salarial. Hoje tem um acompanhamento muito
forte que não permite mais outro erro. Nós temos a oportunidade
agora de discutir uma agenda positiva. Ao contrário da eleição
do presidente Severino, este momento é de resgate da imagem da
Câmara. Os temas em debate seriam o voto aberto, os contingenciamentos
do orçamento, as medidas provisórias e as reformas política
e tributária”.
Cortes de gastos na Câmara
"Isso é uma avaliação
que eu precisarei fazer posteriormente. Hoje, não tenho nenhum
dado sobre o gasto efetivo e as necessidades da Câmara. Tanto que
nós temos a notícia de que o presidente Aldo contratou
uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas. De qualquer
maneira, vários cargos não foram preenchidos e o que nós
temos que ter em mente como princípio são a transparência
e a racionalidade nos gastos. Isso tem que ser feito logo no início
da gestão e num prazo muito curto. É uma prioridade, assim
como a transparência, apesar de a Câmara ser muito mais transparente
do que qualquer outro órgão público. Só tem
um jeito de enfrentar isso: abrindo as informações".
Faltas dos parlamentares em plenário
"A solução é aplicar
os critérios. A própria legislação já estabelece
o número de faltas e regula as justificativas. Rigor nas justificativas.
Na hora que você começa a afrouxar, dá margem para
todo o tipo de desvio. Tem que ser analisado o que efetivamente é missão
oficial [argumento usado pelos parlamentares para justificar ausências
e assim evitar o corte da remuneração]. Na hora que se
dá transparência a isso, evidentemente, todo mundo terá mais
cuidado com um controle mais rígido das justificativas".
Voto aberto
"Não é consensual.
Eu participei do Conselho de Ética. E houve uma falta de sintonia
entre o Conselho e o plenário. Em questões como votações
de perda de mandato, defendo o voto aberto. Com naturalidade, até porque
nós temos que ter a coragem de absolver quem tem que ser absolvido.
O fato de entrar no Conselho não significa que a pessoa está condenada
e prejulgada. Não havendo meio termo, defendo o voto aberto para
tudo. Mas como há uma reação podemos pensar em evitar
o voto aberto em casos excepcionais, como indicação ou
veto para o Tribunal de Contas da União, além de indicações
aprovadas pelo Senado. É uma das poucas votações
que ainda continuam com voto fechado. Para a eleição da
Câmara, defendo o voto aberto. Ele daria mais previsibilidade e
menos margem à pressão, embora beneficie o governo".
Funcionamento do Conselho de Ética
"Já tenho sugestões
de melhoria para um novo estatuto. Quando o Conselho de Ética
foi criado, não se pensava nesse turbilhão. Não
se pode convocar testemunha, o que acaba sendo inócuo, porque é preciso
cumprir prazos. Não podemos ter acesso a dados sigilosos. É preciso
rever os poderes do Conselho, sempre lembrando que estamos vivendo um
período atípico. Espero que a Câmara não viva
nunca mais o que viveu, mas sempre é bom prevenir. Pode ser feito
por uma resolução da Presidência da Câmara
para ser votada em plenário. A gente não pode montar o
Conselho em função de caso concreto, mas contando com todos
os parlamentares que por lá passaram e de todos os partidos que
podem contribuir. Isso elimina qualquer dúvida”.
A contribuição do TCU
ao Congresso
“É muito mais formal do que
um trabalho auxiliar. Por ter trabalhado na CPI, acho que eles têm
uma equipe muito competente e que contribuiu muito nesse período.
A Câmara aproveita pouco o trabalho do TCU. Aproveita em ocasiões
especiais e não dá muita repercussão às decisões
do tribunal. A influência política existe no bom e no mau
sentido. Os ministros são, em regra geral, políticos e
têm capacidade de diálogo. Isso pode ser bom também. É preciso
aproximar mais o TCU da Câmara. Há trabalhos que são
muito importantes, como o da operação tapa-buracos nas
rodovias. Questões que acabam não tendo muito reflexo na
elaboração orçamentária no Congresso. Não
tenho um critério objetivo para afirmar que nem tudo é utilizado,
mas é preciso maior aproximação”.
O papel do Ministério Público
“Em primeiro lugar, sou um defensor
do Ministério Público. No caso da CPI dos Correios, sempre
procuramos compartilhar as investigações, mas ainda há uma
cultura de distanciamento dos órgãos de investigação
no país. Poderia haver um contato maior. No fundo, acaba havendo
disputa de espaço. Mas o fato positivo no caso da CPI dos Correios,
provando que houve esse compartilhamento, foi que a denúncia contra
40 pessoas no STT foi feita logo depois do encerramento dos trabalhos
pelo procurador-geral da República”.
Foro privilegiado dos parlamentares
"Crime comum, Justiça comum.
Questões cíveis, Justiça comum também. De
certa forma isso já foi modificado. Mas quando se estabelece a
competência originária, o foro privilegiado do STF, temos
um lado bom e o lado ruim. Lado ruim é parecer uma suspeita ao
Judiciário. Ruim é achar que o STF vai fazer uma composição,
e, portanto, não é composto de pessoas sérias e
isentas para julgar ou se imaginar o mesmo do juiz de primeiro grau.
Por incrível que pareça, para quem deve muito e precisa
de tempo e de recursos processuais, é bom que vá para a
Justiça de primeiro grau. Se não vai para o Supremo, que
julga e não tem para quem recorrer. O problema é que estamos
misturando conceitos com falta de estrutura e briga de poder. O conceito
em si não é ruim. A imunidade é importante. O que
não se pode permitir é essa confusão. Porque na
hora em que se põe em dúvida o foro privilegiado é porque
botamos em dúvida o Judiciário, e isso me preocupa. Essa é a
contradição quando se duvida do Judiciário. A questão
dos crimes comuns já foi alterada e superada. E só se julgam
no STF crimes desse tipo praticados no exercício do mandato. Fora
do exercício do mandato, Justiça comum".
Reforma política
“Defendo os grandes temas: fidelidade
partidária, com exigência de dois anos para se filiar novamente
após trocar de partido, e financiamento público. Mas é preciso
definir o que é fidelidade no processo que está acontecendo
agora na Câmara. Fidelidade a quem? Ao líder, ao presidente
do partido, aos filiados ou aos filiados ouvidos em convenção?
O que não se pode é submeter a fidelidade partidária
e política a quem comanda a estrutura partidária. De qualquer
maneira, as pessoas estão cobrando mais isso. É um processo
mais cultural do que legal, mas nesse caso eu defendo esse tempo mínimo
para mudança.
Fidelidade também não só para
quem tem mandato, mas para os filiados também. Sou contra outras
duas propostas polêmicas, o voto distrital puro e as listas partidárias.
Eu só penso no voto distrital quando mudar a relação
de proporcionalidade do voto. Como é que vão ser feitos
os distritos? Dentro dos estados ou de acordo com o número de
eleitores? Nós estamos administrando uma herança da década
de 70 feita para manter a maioria no colégio eleitoral. Estabeleceu-se
uma representação mínima de oito e máxima
de 70 deputados por estado. Isso, ao longo do tempo, levou a uma distorção.
Então como é que serão feitos os distritos? Em uma
reforma política, existem muitos temas a serem enfrentados. Um
dos poucos que a Câmara enfrentou foi a cláusula de barreira,
que agora foi derrubada. Existe um conceito de que com a reforma muda
tudo, mas não é isso que acontece na prática”.
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Folha
de São Paulo, 18 de janeiro de 2007
Força vai ao Supremo contra FGTS
em infra-estrutura
Central contesta a criação de um
fundo de investimento de risco de até R$ 5 bi | Para o presidente
da Força Sindical, trabalhadores deveriam ter a opção
de escolher se estão dispostos a correr o risco com o FGTS
DA FOLHA ONLINE
A direção da Força
Sindical afirmou que vai entrar com uma ação no STF (Supremo
Tribunal Federal) contra a utilização de recursos do
FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em investimentos
no setor de infra-estrutura.
A criação de um fundo de R$ 5 bilhões para investimentos
em infra-estrutura com recursos do FGTS, que deverá constar entre as
medidas do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), pode pôr
em risco o patrimônio dos trabalhadores.
Ou seja, se o retorno de um projeto
ficar abaixo do esperado ou mesmo se a obra não for finalizada,
o prejuízo será do trabalhador. Hoje, nos empréstimos
que o FGTS faz para o setor de habitação e saneamento,
o risco de inadimplência ou prejuízo é assumido
pela CEF (Caixa Econômica Federal), que opera os programas. "Não
podemos ficar calados diante da tentativa do governo de criar um fundo
que pode gerar prejuízos à revelia dos trabalhadores.
Entendemos que os trabalhadores devem ter o direito de optar ou não
por correr o risco, como no caso das aplicações de dinheiro
do FGTS em compra de ações da Petrobras e da Vale do
Rio do Rio Doce", disse o presidente da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
A Força informou que entrará com
a ação na Justiça assim que for editada a medida
provisória que permitirá o uso do FGTS em infra-estrutura. "A
proposta do governo é arbitrária e não leva em
conta que o FGTS é um direito adquirido pelos trabalhadores.
O dinheiro nas contas do FGTS, vale ressaltar, é uma reserva
que sempre é utilizada pelos trabalhadores para seu sustento
após demissões, doenças graves ou na compra de
casa própria", acrescentou Paulinho.
Para ele, os investimentos em infra-estrutura
são necessários para o crescimento do país, mas
a forma que deve ser proposta pelo governo é muito ruim e pode
gerar grandes perdas para os trabalhadores. Já na avaliação
do presidente da CUT (Central Única do Trabalhadores), Artur
Henrique da Silva Santos, o risco para o trabalhador valerá a
pena se houver acompanhamento detalhado dos projetos, além da
exigência de que as empresas financiadas gerem emprego.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
18 de janeiro de 2006 | Economia
Atraso de salário provoca
protesto
Nájia Furlan
Cerca de 600 trabalhadores de uma indústria
de pisos, em Curitiba, alegam estar passando necessidades devido à inadimplência
da empresa. De acordo com o Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores
nas Indústrias de Serrarias e Móveis do Paraná (Sompar),
a Trevo Pisos não pagou os últimos salários de dezembro
e 13.º, e ainda não recolhe o FGTS nem paga férias
dos funcionários há pelo menos um ano. Ontem, os empregados
dispensados se reuniram em frente à sede na BR-116, no Pinheirinho,
para, segundo eles, “chamar a atenção de alguém
para esta situação complicada”.
Como explica o presidente do Sompar, João
Maria Viana, desde o último dia 12 a categoria está mobilizada
para tentar encontrar uma solução para os funcionários
da Trevo. “A empresa está em recuperação judicial
(prévia à falência). Por isso, eles foram mandando
os funcionários embora, sem pagar sequer a rescisão. Nessa
situação, sem receber nada a que têm direito, estão
mais de 600 funcionários. O pessoal está passando fome.
Não podem ficar parados”, afirma Viana.
Delfino Santos, de 50 anos, é diretor
suplente do sindicato, mas mesmo assim foi dispensado da empresa no dia
18 de dezembro. Ainda sem emprego, ele não sabe o que fazer. “Nós
saímos e eles não pagaram férias que deviam, nem
13.º. Tem gente que já foi dispensada há um ano e
até hoje não recebeu. Quando trabalhávamos eles
atrasavam os salários, mas pagavam. Porém, de um ano para
cá eles cortaram o adiantamento e só foi piorando. Faz
pelo menos sete anos que eles não vêm depositando o FGTS. É uma
situação muito difícil”, diz ele.
Segundo Delfino, foram mais de 600 funcionários
dispensados. Outros cerca de 30 empregados estão trabalhando em
um barracão terceirizado da Trevo, em São José dos
Pinhais. Algumas pessoas que ainda estavam trabalhando na sede em Curitiba
também já foram mandadas para casa. “A nossa intenção é fazer
uma outra manifestação em frente à empresa na sexta-feira
e, na próxima segunda queremos nos mobilizar e ir até o
barracão de São José. Não podemos cruzar
os braços”, afirma.
Alegando estar em período
de férias coletivas, nenhum representante da Trevo Pisos foi
encontrado para comentar a situação levantada pelo Sompar.
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JORNAL GAZETA DO POVO,
18 de janeiro de 2007 | Paraná
SEPARAÇÃO-Em Curitiba, 60
pessoas procuram por dia os tabelionatos em busca de informações
Nova lei do divórcio
desafoga a Justiça, mas confunde cartórios
A lei federal 11.441, que permite a tabelionatos de notas realizar separações,
divórcios amigáveis e divisões de heranças, já está valendo
em todos os estados do Brasil desde o último dia 5, depois que foi sancionada
pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, 13 dias após
entrar em vigor, muitos cartórios ainda não sabem como proceder
para cumprir a lei e atender a procura, que é intensa. Segundo estimativa
da Associação dos Notários e Registradores do Brasil – seção
Paraná (Anoreg-PR), somente em Curitiba, cerca de 60 pessoas por dia – mais
ou menos 420 pessoas na primeira semana após a lei – buscaram
informações sobre separações.
Ainda de acordo com a Anoreg-PR, o estado
tem cerca de 600 tabelionatos. A reportagem ligou em 15 deles nas cidades
de Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu
e Cascavel, dizendo-se cliente em busca de informações
sobre separação amigável, sem filhos ou bens a
partilhar. Dez deles afirmaram que já estão realizando
os procedimentos permitidos na lei. Quatro ainda não. A alegação é de
que falta orientação da Corregedoria do Tribunal de Justiça
do Paraná (TJ-PR). Um dos tabelionatos consultados prestou informações
erradas sobre como dar entrada à separação consensual
no cartório, dizendo que não era preciso contratar advogado,
mas sim ir ao tabelionato com os documentos pessoais – a lei é clara
ao informar a necessidade de um advogado.
Conforme a amostragem, um terço dos tabelionatos ainda não tem
condições de realizar os serviços já permitidos
em lei. Para o tabelião Édson Navarro Messias, de Ponta Grossa,
as dúvidas ainda são grandes. “A lei é muito nova
e não tivemos tempo ainda de nos adaptar”, comenta. O diretor
da Anoreg do Brasil, Alfredo Braz, se surpreendeu com o resultado da amostragem
e disse que todos os tabelionatos já deveriam prestar os serviços
devido à vigência da lei. Segundo ele, os motivos seriam “problemas
internos”.
A reportagem também constatou
que não há padronização quanto aos preços
cobrados nos cartórios. Os valores variam de R$ 66 a R$ 320.
No último dia 10, foi publicada a instrução 01/2007,
pelo TJ-PR estipulando as custas processuais. Apesar de poder ser consultada
na internet (www.tj.pr.gov.br), a tabela não é clara à população.
Não há consenso nem mesmo entre os representantes do
setor.
Alfredo Braz, da Anoreg, afirmou que
a separação simples sai por R$ 77. Já o presidente
do Colégio Notarial do Paraná e diretor de informática
da Anoreg-PR, Ângelo Volpi, afirma que o preço médio é R$
100 para separações amigáveis. Enquanto isso,
as custas com inventário chegam a R$ 1 mil, segundo o tabelião.
Para padronizar a forma de trabalho,
a Corregedoria do TJ-PR constituiu uma comissão para formular
a regulamentação da lei, que deve ficar pronta na próxima
semana. Já a Secretaria de Estado da Fazenda programou reunião
para a próxima segunda-feira para definir como será a
coleta de impostos sobre esses novos serviços. Além disso,
o Colégio Notarial do Paraná e a Anoreg preparam para
o próximo dia 27 um seminário em Curitiba para discutir
a aplicação da lei. A associação vai distribuir
em breve aos cartórios brasileiros um manual sobre procedimentos
relativos à nova lei. A expectativa da Secretaria da Reforma
do Judiciário é de levar aos cartórios 200 mil
processos/ano.
O diretor do Departamento da Corregedoria
do TJ, Marco Antônio Panisson, afirmou que através de
denúncias da população, o órgão
poderá tomar “medidas cabíveis” contra
os cartórios que cobrarem preços elevados. Apesar da
inovação trazida com a lei, o usuário ainda
pode optar em realizar os procedimentos nos fóruns. Nas varas
de família, a separação consensual, sem filhos
menores ou incapazes, custa a partir de R$ 293,50. Mas famílias
comprovadamente pobres podem ser isentas desta taxa.
Maria Gizele da Silva (colaborou Pedro Henrique Filho)

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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de janeiro de 2007 | Paraná
IRREGULARIDADE
Cartórios não
podem indicar advogados
Entre os cartórios que dizem realizar os procedimentos, a única
semelhança é com relação ao aviso da obrigatoriedade
da presença de um advogado. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) no Paraná, Alberto de Paula Machado, alerta que os cartórios
não podem indicar advogados aos clientes que desejam a separação,
o divórcio ou o inventário. “Estaremos atentos e vamos
fiscalizar para que não haja irregularidades”, aponta.
Dos 15 cartórios consultados pela
reportagem, quatro indicaram advogados. Uma tabeliã de Londrina,
por exemplo, disse que sabia que não poderia indicar profissionais,
mas sugeriu que se procurasse os advogados do escritório situado
ao lado do cartório. O receio de que haja troca de favores entre
tabelionatos e escritórios de advocacia também é citado
pelo advogado e professor de Direito Civil da Pontifícia Universidade
Católica (PUC) de São Paulo, Rui Celso Reali Fragoso. “Temo
que possam aparecer muitos advogados de porta de cartório”,
observa.
A lei 11.441 visa desafogar as varas cíveis
(que realizam inventários) e as de família (que fazem separações
e divórcios). Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada
pelo presidente dentro da proposta da minirreforma do Judiciário,
que busca a simplificação processual e conseqüentemente
a agilidade na resposta ao cidadão. (MGS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de janeiro de 2007 | Paraná
JUSTIÇA
Para usuários,
rapidez é uma das vantagens
Além de desafogar o Judiciário, a nova lei promete trazer mais
agilidade ao usuário. O advogado Renê Mário Pache intermediou
no último dia 11, no 4.º tabelionato de Curitiba, o que foi considerado
o primeiro divórcio do Paraná nos moldes da nova lei. O processo
estava pronto desde dezembro e seria encaminhado ao Judiciário, mas
devido às férias forenses, foi deixado para este ano. “Soube
da nova lei e logo encaminhei o caso”, completou.
O divórcio foi concretizado em
dois dias, entre encaminhamento e escritura pública. Os tabeliães
lembram que, mesmo após obter a escritura pública no tabelionato, é preciso
averbar a escritura no cartório de registro civil para que a ação
tenha mesmo valor.
Para o professor divorciado com o advento
da nova lei, Sérgio Luiz Cunico, cliente do advogado Renê Pache,
a agilidade é um fator positivo. “Não tem porque
o processo se arrastar na Justiça e ficar acumulando as mesas
dos juízes se o casal já decidiu o que quer”, afirmou.
Em sua opinião, a lei não vai aumentar o número
de rompimentos já que essa é uma decisão íntima.
Ele e a ex-mulher pagaram R$ 70 pela separação.
A advogada Andrea Ricetti Bueno Fusculim
atuou na separação amigável de um casal de Curitiba
no último dia 16. A separação foi concretizada em
48 horas e as custas cartorárias foram de R$ 320. O casal, que
não quis ser identificado, aprovou a nova lei devido à agilidade
com que o rompimento foi oficializado. Eles estavam casados há dois
anos e não tinham filhos.
De acordo com a nova lei, os cartórios
podem realizar separações e divórcios consensuais
se o casal não tiver filhos menores de 18 anos ou incapazes.
Caso contrário, o processo terá que ser obrigatoriamente
analisado por um juiz. Dessa forma, de acordo com o tabelião
Alfredo Braz, de Curitiba, a separação ou o divórcio
pode sair de um dia para o outro. Na justiça, segundo ele, o
processo demora de um a três meses, dependendo da demanda da
vara. (MGS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de janeiro de 2007 | Economia
CRESCIMENTO-Governo federal anuncia pacote
na segunda-feira
Saneamento e habitação
entre as prioridades
Antônio Cruz/ ABr

Lula: os projetos têm data para começar e para terminar.
Brasília – Após meses
de expectativa em torno do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que
o conjunto de medidas que será anunciado na segunda-feira é “substancioso
e muito realista’’. Ele destacou que o saneamento e a habitação,
duas áreas com implicação direta na vida dos municípios,
terão fortes investimentos.
Já o ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro, também engrossou o coro de que o
pacote não será apenas marketing, mas um conjunto de medidas
com reverberação direta na economia. “Vocês
vão ter uma informação precisa sobre tudo, uma informação
técnica muito bem apurada. Vocês vão ver que o PAC
não é uma mera declaração de intenções.’’
Segundo ele, haverá mudanças em leis. “Serão fortes
medidas jurídicas de destravamento do funcionamento do Estado.’’
As declarações são
parte de uma estratégia do governo de apresentar o PAC como o
grande acontecimento do início do segundo mandato. Depois de o
presidente ter lançado a expressão da moda de que é necessário “destravar’’ a
economia do país, o plano é mostrado como a solução
do problema.
“Não estamos trabalhando
com resultados de consultorias apenas, estamos trabalhando com projetos
exeqüíveis, que têm data para começar e data
para terminar’’, disse Lula, no Planalto, após encontro
com cerca de 130 prefeitos da base.
Ele prometeu ainda “dizer diariamente
quais são as deficiências, o que está pronto, o que
não está, o que falta aprontar, o que falta fazer, porque
assim é que a gente vai poder passar a certeza de que as coisas
que nós falamos vão acontecer no nosso país”.
O presidente informou também que
fará uma reunião no domingo para revisar os pontos do programa.
Na segunda-feira, Lula apresentará as mediadas ao conselho político
do governo, às 9 horas, e a governadores, em reunião marcada
para as 9h30. Finalmente, em uma grande cerimônia prevista para
as 10 horas, anunciará publicamente o PAC.
Lula bateu o martelo sobre o plano ontem,
após duas reuniões, uma que tomou a manhã toda e
outra que começou à tarde e se estendeu até a noite.
Na reunião com prefeitos ele disse: “Vocês vão
ter uma bela surpresa. Não é um programa para 2007, é de
quatro anos. A gente quer cumprir, letra por letra, o que disser aqui
a partir da segunda-feira, porque é um programa de grande envergadura’’,
discursou o petista.
Lula ainda deu uma espécie de justificativa
para o lançamento do pacote neste momento, depois do crescimento
abaixo de 3% ao ano, do primeiro mandato. “Só pudemos fazer
agora, porque só agora nós criamos as condições,
a sustentabilidade, a credibilidade e a robustez na macroeconomia que
precisávamos para que déssemos o segundo passo. E vamos
dar um segundo passo conscientes de que ele irá permitir que quem
venha depois possa dar um terceiro passo.’’
Medidas
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,
informou ontem, na reunião do Comitê de Desenvolvimento
da TV Digital, que o PAC terá duas medidas provisórias – uma
para semicondutores e outra para TV Digital. A informação
foi dada pelo vice-presidente da Samsung, Benjamin Sicsú, ao sair
do Palácio do Planalto, onde participou da reunião.
Segundo ele, a ministra Dilma explicou
na reunião que as duas medidas provisórias são
ambiciosas, mas não detalhou o conteúdo. Disse apenas
que a MP da TV Digital vai atingir toda a cadeia de produção.
Segundo Sicsú, a definição de incentivos para
o setor é importante porque a indústria depende destas
medidas para definir o preço final dos aparelhos digitais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18 de janeiro de 2007
| Economia
AGENDA
Reformas política
e tributária
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidará todos
os governadores para uma reunião, em fevereiro, quando espera acertar
uma agenda prioritária de discussões neste ano que inclui a aprovação
pelo Congresso das reformas tributária e política. A data do
encontro deverá ser acertada na segunda feira, quando o presidente apresentará aos
governadores o Programa de Aceleração do Crescimento. Na reunião
de ontem com prefeitos, Lula ouviu apelos pela elevação em 1%
das fontes de financiamento do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM). “Este ano, eu espero que a gente volte à reforma tributária
e defina a questão do 1% do FPM”, disse.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
18 de janeiro de 2007
Venezuela vota superpoderes para Chávez
Presidente Hugo Chávez encaminhou
ontem à Assembléia Nacional o projeto da Lei Habilitante,
que lhe permitirá governar por decreto nos próximos
18 meses
São Paulo- O presidente venezuelano Hugo Chávez encaminhou ontem à Assembléia
Nacional o projeto da Lei Habilitante, que lhe permitirá governar por
decreto nos próximos 18 meses.
Hoje o projeto será discutido em
plenário e acredita-se que já estará aprovado na
próxima terça-feira, após dois debates.
Chávez tem praticamente a totalidade
dos deputados ao seu lado. Por acusar manipulação do sistema
eleitoral, a oposição boicotou as eleições
parlamentares de 2005 e não elegeu representantes.
Pela lei, prevista na atual Constituição,
o Legislativo permitirá a Chávez legislar sobre vários
temas, como reforma do Estado, participação popular e questões
econômicas, sociais, financeiras e tributárias - além
de segurança jurídica, ordenamento territorial, transporte,
segurança e defesa.
''A lei vai permitir que Chávez
acelere as reformas, que visam construir o socialismo bolivariano, sem
nenhuma fraqueza na aprovação'', disse à reportagem
o deputado chavista Juan Carlos Dugarte.
O texto da lei diz que o presidente poderá aprovar
normas ''que adaptem a legislação atual à construção
de um novo modelo econômico e social'', que adaptem o sistema financeiro
''aos princípios constitucionais'', e que reformem o regime do
funcionalismo público.
Na terça-feira, a Assembléia
Nacional concedeu regime de urgência parlamentar para aprovar o
novo instrumento, o que permitiu que já entre em plenário
hoje. Pelo projeto, os deputados só conhecerão as leis
aprovadas quando forem publicadas no Diário Oficial - ''o presidente
vai operar como se ele fosse a Assembléia''.
Se aprovada, como é praticamente
certo, esta será a terceira Lei Habilitante que Chávez
recebe do Parlamento. A primeira foi aprovada em 1999 e a segunda,
no final de 2000.
Folhapress
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JORNAL O POVO / FORTALEZA,
18 de janeiro de 2007
CONSTRUÇÃO
Fortaleza: Mudança no cálculo
do custo unitário
O cálculo do Custo Unitário
de Construção (CUB/m2), divulgado mensalmente pelo Sindicato
da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-CE),
vai ser feito a partir de nova metodologia. As mudanças entram
em vigor a partir de 1º de fevereiro (para o índice divulgado
em março), implementadas pela nova norma NBR 12.721/2006, que é uma
revisão da NBR 12.721/1999, ambas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Na prática, as mudanças
têm mais impacto para o setor, mas também trazem inovações
positivas para o consumidor. O CUB residencial de dezembro foi de R$
681,51.
Uma delas é que a nova norma estabelece
que nenhum imóvel pode ser oferecido abaixo do valor mínimo
estabelecido pelo CUB/m .
Ou seja, quem compra um imóvel
em um condomínio fechado, cuja venda normalmente é atrelada
diretamente aos custos de construção, fica resguardado
pela lei. "Antes tinha gente que oferecia construir um apartamento
de R$ 200 mil por R$ 100 mil. Depois que o negócio estava fechado,
dizia que o orçamento não incluía acabamentos e
outras coisas, por exemplo. No final, o consumidor acabava pagando R$
300 mil", exemplifica Paulo Callado, presidente da Comissão
Jurídica do Sinduscon-CE e membro da comissão que elaborou
a norma. Com o preço mínimo estipulado - cujo cálculo
deve ser feito com base no CUB - o consumidor tem menos chance de ser
lesado com ofertas que não correspondem ao valor de mercado.
Para formatar a nova norma, levou-se
em conta os novos materiais utilizados, exigências de leis que
surgiram depois da elaboração da primeira norma - criada
em 1965 e que ainda servia de base para o cálculo do CUB residencial
-, bem como as características dos projetos de construção
atuais. Por terem diferentes metodologias de cálculo, o CUB
atual e o novo não são comparáveis entre si. Mas
durante os primeiros quatro meses, o Sinduscon-CE irá divulgar
o valor do CUB a partir da nova norma e o percentual de diferença
com relação ao CUB anterior. "Isso é para
resguardar os atos e negócios realizados anteriormente à nova
versão da norma", explica Callado, referindo-se aos contratos
que têm o CUB como indexador. (Adriana Albuquerque)
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de janeiro de 2007
Direito da minoria
Formas de trabalho são marginalizadas
pelo Direito
por Vilma Dias B Gil
Em tempos de reforma trabalhista, faz-se
necessária uma reavaliação das fronteiras do Direito
do Trabalho pois se de um lado precisa ser revisto para adequar-se aos
novos tempos, de outro precisa resgatar a vocação original
de agasalhar todo aquele que depende do seu próprio trabalho para
sobreviver.
O traço definitivo que até hoje
marcou a incidência de suas normas, a subordinação
do trabalhador, merece ser reavaliado em face das profundas mudanças
que vêm ocorrendo no campo das relações laborais,
determinando novas e variadas formas de trabalho que, embora estejam
a merecer proteção jurídica, se encontram marginalizadas
pelo próprio Direito.
O universo de trabalhadores que, pelas
mais variadas formas, não têm subordinação,
porém dependem do capital alheio e são submetidos à condições
desfavoráveis no trabalho, amplia-se cada vez mais. Por isso, é necessário
ampliar o campo de aplicação das normas laborais. Numa
visão prospectiva, sem essas mudanças, o Direito do Trabalho
corre sério risco de cair no vazio, de tornar-se letra morta por
absoluta ineficiência.
Embora da subordinação tenham
se originado elaborações jurídicas que erradicaram
muitos abusos, Efrén Córdova esclarece que apenas transcorridos
três quartos de século desde sua consagração,
começou também a dar sinais de constituir uma via demasiadamente
estreita. Hoje já parece claro que, se as premissas econômicas
do sistema laboral seguem apontando na mesma direção, o
direito laboral corre o perigo de converter-se num direito protetor de
uma minoria. A maioria passará a ser dos excluídos que
representarão uma grande “massa desamparada”, capaz
de “sacudir as bases da atual estrutura social”, o que gera
sentimentos de insegurança e intranqüilidade na sociedade.
Supiot, por sua vez, também entende
que a noção de subordinação já não
permite abarcar a diversidade de formas de que se reveste o trabalho.
Por esse motivo, o autor defende o estabelecimento de “um novo
regime jurídico para a pessoa que trabalha, que ultrapasse os
limites atuais do trabalho assalariado”.
O trabalho subordinado sempre mereceu
atenção especial, o que não significa que deva ser
elemento essencial de conexão com o Direito do Trabalho, até porque é cada
vez mais difícil distinguir-se o trabalhador subordinado do independente.
Com efeito, observa-se, atualmente, uma
interpenetração de situações de dependência
e independência que caracterizam uma zona cinzenta, dificultando,
cada vez mais, a correta percepção da condição
do trabalhador e, conseqüentemente, dos direitos que lhe são
aplicáveis.
De um lado, o trabalhador autônomo
está cada vez mais integrado em organizações que
utilizam, em sua estrutura operacional, dos serviços em rede de
pequenas e microempresas, ou mesmo de profissionais liberais ou especializados,
especialmente por meio da terceirização de serviços.
Nesses casos, normalmente, o autônomo se torna impedido de estabelecer
novas contratações até mesmo em razão da
dedicação integral ao trabalho e passa a ter, no contrato
com a grande organização, sua única fonte de sobrevivência.
Assim, além de depender economicamente
do tomador de serviços, o autônomo submete-se às
regras impostas na contratação, colocando-se em nítido
estado de subordinação ou dependência. Passam a observar
regulamentos que tratam de preços, atendimento à clientela,
técnicas e normas de qualidade, agenciamento e de gerência,
que são ministrados pela empresa dominante e beneficiária
da atividade. Pesquisas na Europa evidenciam esse perfil na integração
entre microempresários e pequenas empresas na estrutura empresarial
dominante, terminando a empresa por controlar e dar ordens a esses “empresários”,
tratando, algumas, até da indenização em caso de
ruptura do contrato do prestador dos serviços.
De outro lado, o trabalhador subordinado
distancia-se cada vez mais das condições de trabalho que
permitiram, no passado, a elaboração do paradigma da subordinação
jurídica, representada pela completa submissão do empregado
ao comando do empregador e traduzida, entre outros elementos, numa forte
ingerência na forma de execução dos serviços.
Assim, é cada vez mais rarefeita essa ingerência e, por
conseguinte, cada vez maior a autonomia do empregado quando, por exemplo,
atua com teletrabalho ou outras formas de trabalho à distância.
Além disso, o moderno conceito de empregabilidade reclama empregados
multifuncionais, proativos, que diligenciem de forma criativa em prol
do empreendimento, o que pressupõe maior autonomia em face do
poder de direção.
Surge uma nova legião de trabalhadores
que, por não se enquadrarem perfeitamente no modelo tradicionalmente
concebido no Brasil, ficam à margem da proteção
legal, engrossando as fileiras da informalidade. De fato, no Brasil,
ou o trabalhador é empregado e tem direito a tudo ou é autônomo
e não tem direito a nada. Ou seja, não há legislação
a respeito. Essa situação tem trazido, para os operadores
do Direito, grandes dificuldades na aplicação da norma
e, em geral, causado grandes injustiças em nossa sociedade.
Hoje os tempos são bem diferentes
daquele em que surgiu o Direito do Trabalho com vistas a proteger o trabalhador
subordinado ao comando do empregador. Hoje, independentemente da forma
como presta o serviço, o trabalhador depende totalmente do capital
alheio para sua sobrevivência e de sua família. Afinal,
o trabalho é o principal fator de inserção social.
Alguns países como França,
Alemanha, Países Baixos, Itália, Inglaterra e Portugal
resolveram a questão aplicando, total ou parcialmente, o Direito
do Trabalho, utilizando-se do critério da dependência econômica
ou de conceitos assemelhados, como o da parassubordinação.
A noção de parassubordinação
foi desenvolvida pela doutrina italiana, exatamente em face do surgimento
de novas e variadas relações jurídicas que têm
por objeto a prestação de trabalho.
Para Giuseppe Ferraro, parasubordinazione é uma
variedade da relação de trabalho autônomo, compreendida
também num contrato de obra ou de obra profissional. É o
reconhecimento jurídico de uma categoria de relação
afim ao trabalho subordinado com um resultado semelhante. Por exemplo,
os contratos dos profissionais liberais, de representação
comercial e outras relações de colaboração
que se concretizam em uma prestação de trabalho continuativa
e coordenada, prevalentemente pessoal, que não se caracteriza
como subordinada.
Para Giuzeppe Tarzia, envolve relações
de trabalho que, embora sejam desenvolvidas com independência e
sem a direção do destinatário do serviço,
se inserem na organização deste; diz respeito a um regime
de colaboração entre as partes e não exatamente
de subordinação, pois há total autonomia na prestação
de serviços; o trabalhador organiza sua própria atividade.
A parassubordinação se concretiza
nas relações de natureza contínua, nas quais os
trabalhadores desenvolvem atividades que se enquadram nas necessidades
organizacionais dos tomadores de seus serviços, contribuindo para
atingir o objeto social do empreendimento, a exemplo do representante
comercial e do profissional liberal, quando o trabalho pessoal deles
seja colocado, de maneira predominante, à disposição
do contratante, de forma contínua. Ou seja, relações
em que estejam presentes pessoalidade, habitualidade, onerosidade e,
no lugar da típica subordinação, mera coordenação
da organização nas quais estão integrados. Na parassubordinação,
há autonomia, porém o trabalho é contínuo
e se submete não ao poder diretivo do empregador, mas sim a uma
coordenação superior.
A coordenação, segundo Giancarlo
Perone, “denota o intento de utilizar organicamente a prestação
do trabalho no âmbito da empresa, como pode ocorrer na representação
comercial autônoma. Sendo a empresa uma organização
na qual há um poder diretivo, é natural que nela coexistam
diversos graus e títulos de ingerência pertinentes ao poder
do empregador, correspondendo a diversas hipóteses de qualificação
do vínculo jurídico”.
Esse vínculo, no caso da atividade
coordenada, resulta de modo bilateral, de um acordo entre as partes quanto às
determinações sobre tempo, modo e conteúdo da prestação,
enquanto no caso de atividade subordinada provem de determinação
unilateral do empregador como expressão do seu poder de direção.
Evidente, entretanto, que a proteção àqueles
em cuja prestação de serviço não se vislumbra
o elemento subordinação, deve dar-se de forma diversificada,
garantindo-se apenas direitos fundamentais do trabalho, como limitação
de jornada, remuneração digna, condições
de higiene e conforto nos locais de trabalho e medidas efetivas de proteção à saúde
e segurança dos trabalhadores, não-discriminação
etc., cabendo aos órgãos de fiscalização
e ao Judiciário o controle destas medidas.
Não se trata de criar um novo Direito
do Trabalho, mas sim de estabelecer um marco regulatório para
as relações de trabalho que, por força de sua brutal
realidade, estão a exigir um regramento específico por
parte do Direito, ciência à qual compete disciplinar as
relações sociais, dentre elas as de trabalho, preservando
os valores fundamentais declarados pela própria sociedade.
Cabe ao Estado estabelecer para todos
os trabalhadores direitos mínimos fundamentais consagrados em
quase todo o mundo, dentro de uma abrangência ampla do Direito
do Trabalho, que terá como fator determinante de sua aplicação
a dependência econômica do trabalhador ao capital e sua própria
condição de ser humano e cidadão.

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