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Agência Senado, 20
de janeiro de 2007
Paim: Recursos do FGTS não
podem ser utilizados pelo PAC

Apesar de o investimento em infra-estrutura ser primordial para o crescimento
do país, os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) não podem ser utilizados para esse fim. Foi o que defendeu o
senador Paulo Paim (PT-RS), ao comentar, em entrevista à Agência
Senado, sua expectativa quanto ao lançamento do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), pacote prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em seu discurso de posse para a arrancada do crescimento da economia
brasileira. As medidas devem ser anunciadas no próximo dia 22.
- Não conheço ainda o inteiro
teor do programa, mas toda iniciativa para incrementar o crescimento é importante.
Porém, utilizar o dinheiro do FGTS me traz preocupação
no sentido de que, quando se investe os recursos do trabalhador em grandes
obras que são embargadas, por exemplo, esse dinheiro some e os
trabalhadores ficam no prejuízo - argumentou.
Paim defende que o FGTS continue sendo
utilizado apenas para saneamento, construção de casas para
família de baixa renda e indenização dos trabalhadores
demitidos, intenção de sua criação. Segundo
o senador, são cerca de R$ 25 bilhões excedentes no FGTS,
mas esse patrimônio é do trabalhador "e não
vem do chão".
A suposta nova regra para o reajuste do
salário mínimo, que seria elevado de acordo com o índice
do crescimento do PIB, também é motivo de preocupação
para o senador. Ele defende que o montante do reajuste seja de duas vezes
a inflação acumulada no período mais o referente
ao PIB. Outro problema, na opinião de Paim, é que medidas
sejam previstas em medida provisória.
-Não sou contra o programa, mas
espero que ele não venha por medida provisória. Deve ser
enviado como projeto de lei, para ser discutido no Congresso Nacional,
que vai debatê-lo, alterá-lo, aprová-lo - argumentou.
O senador criticou ainda o argumento da "demora" para
a avaliação do pacote na Câmara e no Senado - razão
que justificaria o encaminhamento de MP - e lembrou que as casas legislativas
não podem ser consideradas "padarias, com pão pronto
e quentinho":
- Se vier como MP, vou brigar muito a
respeito desses pontos sobre os quais sou contra - alertou.
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Diário Vermelho, 20
de janeiro de 2007
Arrecadação da Previdência
cresce 10,35% em 2006
A arrecadação da Previdência Social teve em 2006 um crescimento
real de 10,35% e atingiu R$ 133,137 bilhões, ante R$ 115,896 bilhões
em 2005. O salto foi influenciado pelo resultado recorde de dezembro, quando
as receitas da previdência aumentaram 7,68% em relação
ao mesmo mês de 2005 e atingiram a marca histórica de R$ 17,731
bilhões. Em 2005, a arrecadação de dezembro havia ficado
em R$ 15,966 bilhões.
O diretor de Fiscalização
da Secretaria de Receita Previdenciária, Carlos Alberto Stringari,
explicou que o resultado de dezembro foi bastante influenciado pelo pagamento
do 13º salário. "Nos meses de dezembro, temos a cobrança
normal sobre os salários e a do 13º salário",
comentou. Além da questão sazonal, a Previdência
registrou em dezembro um crescimento de 15,10% da contribuição
incidente sobre os vencimentos acima de R$ 1.440.
Para este ano, o diretor de Fiscalização
da Secretaria de Receita Previdenciária estimou que a receita
deverá ter um aumento real da ordem dos 10%. Para o crescimento,
contribuirão o aumento do valor do salário mínimo
e a expansão maior do Produto Interno Bruto (PIB). Na outra ponta,
a entrada em vigor do Super Simples deverá gerar uma perda de
receita. "Não temos ainda um número preciso de qual
será o tamanho da perda", disse Stringari.
O aumento das receitas no ano passado,
de acordo com o diretor, teve a ajuda do aumento da eficiência
na cobrança das dívidas dos estados e municípios
com a Previdência Social. "A falta de pagamento de parcelas
da dívida renegociada passou a gerar no ano passado o bloqueio
automático dos repasses da União", explicou. Apesar
disso, ele admitiu que a medida não conseguiu zerar a inadimplência
dos estados e municípios. "Sempre há alguma inadimplência."
No ano passado, estas receitas tiveram
um incremento real de 12,06%. Com a variação, o total arrecadado
dos estados e municípios passou dos R$ 5,2 bilhões para
cerca de R$ 6 bilhões. As receitas geradas pela cobrança
da contribuição de 11%, por sua vez, subiram 15,93% e subiram
dos R$ 7,4 bilhões de 2005 para R$ 8,9 bilhões no ano passado.
Apesar do crescimento da arrecadação,
a Previdência Social deve ter fechado 2006 ainda com déficit
em sua contas em função do próprio aumento das
despesas previdenciárias.
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Folha de São Paulo,
20 de janeiro de 2007
Fundo do FGTS poderá ser aberto
ao trabalhador
IVONE PORTES
DA FOLHA ONLINE
Os investimentos no fundo de infra-estrutura
deverão ser abertos para aplicações individuais
dos trabalhadores no longo prazo. A informação é do
secretário-executivo do Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço), Paulo Furtado. Entre as medidas que deverão
constar no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
do governo federal, previsto para ser divulgado na próxima segunda-feira,
está a possibilidade de criação de um fundo de R$
5 bilhões para investimentos em infra-estrutura com recursos do
FGTS.
Furtado explicou que o dinheiro virá do
superávit financeiro (recursos excedentes) do FGTS, que soma R$
21 bilhões.
A idéia, segundo o secretário, é que o fundo de infra-estrutura
compre debêntures ou recebíveis de empresas com empreendimentos
em setores como energia elétrica, saneamento e rodovias. "Mais
tarde, quando esse investimento estiver maturado e houver uma avaliação
por parte do conselho curador, pode se abrir a possibilidade de o trabalhador,
por sua vontade própria, participar desse investimento, retirando parte
do seu recurso da conta vinculada e fazendo a aplicação",
disse ontem, após participar de reunião com as centrais sindicais
em São Paulo.
O secretário admitiu que o risco
dos investimentos será do FGTS. "Entendemos que, apesar de
ser um investimento de risco, ele é baixo." Ele acrescentou,
entretanto, que os direitos dos trabalhadores estarão preservados.
Isso porque serão utilizados os recursos excedentes do FGTS, que
não entram na conta do trabalhador. Hoje, segundo o secretário,
cerca de R$ 66 bilhões do FGTS estão aplicados em títulos
públicos. Para ele, a criação do fundo de infra-estrutura é uma
nova opção de rentabilidade.
"Nós temos uma Selic [taxa
básica] em queda. A tendência é cair ainda mais.
Como vai ficar esse investimento em título público daqui
a dois anos? Será que a rentabilidade do título público
vai satisfazer as necessidades do fundo de garantia daqui a dez anos?" O
objetivo, diz ele, é retirar esse dinheiro que está em
título público e aplicar na produção. "E,
com isso, retirar os gargalos que há em infra-estrutura, estradas,
portos, saneamento e energia, que são os setores em que esse fundo
vai aplicar."
Administração
O fundo de investimentos em infra-estrutura
será administrado pela CEF (Caixa Econômica Federal) e as
regras de aplicações serão definidas pelo Conselho
Curador do FGTS. O fundo de infra-estrutura, por exemplo, não
poderá participar com mais de 30% do valor de um empreendimento. "Ou
seja, o nosso risco vai ser baixo, porque 70% dos recursos [para um empreendimento]
virão de outros parceiros." Além disso, o fundo só poderá aplicar
em empreendimentos avaliados por uma agência de classificação
de risco.
Ainda não há um cronograma
definido para as aplicações do novo fundo, mas o total
destinado para os investimentos pode aumentar para R$ 17 bilhões,
dependendo do retorno e do desempenho do modelo.
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Folha de São Paulo,
21 de janeiro de 2007
Taxa de juros real diminui em ritmo
mais lento que o da redução da Selic
DA REPORTAGEM LOCAL
A taxa nominal de juros cai sem parar
desde setembro de 2005, mas a taxa de juros real, que é a que
conta no bolso das empresas e do consumidor, ficou na maior parte de
2006 acima dos índices registrados no ano anterior. Enquanto a
Selic perdeu 6,5 pontos percentuais nos últimos 18 meses e passou
de 19,75% para 13,25%, a taxa de juro real efetiva (chamada de "ex
post") permaneceu em torno de 12%. A razão foi a queda da
inflação a um patamar inferior ao que esperava o mercado.
O juro real desconta os efeitos da inflação
e, por isso, reflete de maneira mais efetiva o impacto da política
monetária sobre a economia. Há duas formas de calcular
o juro real: olhando para o passado ou para o futuro. Para definir qual é a
taxa de juro real hoje do Brasil, é necessário considerar
a taxa Selic e a expectativa de inflação para os próximos
12 meses. Com os 13,25% da Selic e uma alta de preços projetada
de 4%, o índice é de 9,25%.
Mas, para saber quanto as empresas e consumidores
pagaram de fato de juro real no passado, deve-se olhar a Selic de uma
data determinada e a inflação acumulada nos 12 meses anteriores.
Esse indicador subiu a partir da segunda metade de 2005 e cedeu muito
lentamente depois de junho de 2006, segundo cálculos da UpTrend
Consultoria Econômica.
O economista-chefe da empresa, Jason Vieira,
afirma que o juro real efetivo chegou ao fim de 2006 em 11,9%, enquanto
a expectativa de juro real em novembro estava em 8,7%. Paulo Francini,
diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp,
ressalta que, apesar da queda na Selic, o juro real quase não
mudou no segundo semestre do ano passado. A Fiesp defende cortes de 0,5
ponto em todas as oito reuniões que o Copom terá durante
o ano, o que levaria o juro nominal a 9,25% em dezembro.
Vieira, economista-chefe da UpTrend, estima
que há espaço para corte de 0,5 ponto percentual na Selic
na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)
do Banco Central desta semana. "Um corte de 0,25 será um
balde de água muito fria, cheio de cubinhos de gelo." Tomás
Málaga, economista-chefe do Itaú, também acredita
que há espaço para um corte de 0,5 ponto percentual na
Selic. "No momento, não vemos nenhuma pressão inflacionária,
pelo contrário", observa.
Pressão
Defensor da independência do Banco
Central, Málaga afirma que a redução da taxa de
juros não obedece à lógica do crescimento, mas sim
da estabilidade de preços. "O Banco Central tem capacidade
de controlar a inflação, mas não de fazer a economia
crescer a longo prazo", afirma o economista. Segundo ele, mesmo
que corte a taxa em 0,5 nesta semana, chegará o momento em que
o Banco Central terá de reduzir o ritmo de queda da Selic para
0,25. "Isso vai gerar pressão política sobre o Banco
Central, que tem resistido e tomado suas decisões de maneira independente",
ressalta. (CT)
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Folha de São Paulo,
22 de janeiro de 2007
Prorrogação de multa
do FGTS divide governo
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Às vésperas de anunciar
o PAC, o governo está dividido sobre a prorrogação
até 2017 da multa extra de 10% para o FGTS por demissão
sem justa causa. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, chegou a anunciar
o uso dos recursos em um programa de subsídio à compra
da casa própria para famílias que ganham até cinco
salários mínimos, enquanto Guido Mantega (Fazenda) quer
financiar a classe média.
Em vigor desde 2002, a multa destinava-se
a pagar perdas com correção dos planos Verão e Collor,
e a lei que a criou não definiu prazo para extinção.
O governo quer prorrogar a multa para financiar a habitação.
Para evitar contestação judicial, deverá enviar
ao Congresso um projeto de lei que muda a destinação do
dinheiro.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22 de janeiro de 2007
| Brasil
PRIMEIRO EMPREGO-Projeto prioritário
foi atrapalhado por ano de eleições
Programa recebeu apenas metade
dos recursos
Edson Denobi

Prioridade na campanha de Lula, o Primeiro
Emprego ainda não teve resultados significativos.
Curitiba – O programa Primeiro Emprego recebeu menos da metade dos recursos
estipulados para 2006. Da dotação de R$ 169 milhões prevista
na Lei Orçamentária, apenas R$ 83,5 milhões foram empenhados
pelo Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE), 49,4%, segundo dados
do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). O contingenciamento
dos recursos aconteceu, segundo o MTE, por uma imposição do Ministério
do Planejamento. Este, por sua vez, alegou que o governo federal foi obrigado
a agir dessa maneira por não ter embolsado as receitas esperadas. Desculpa,
por enquanto, difícil de averiguar já que o Tribunal de Contas
da União ainda não fez a auditoria das contas desse ano.
Mesmo com essa redução nos
investimentos, o MTE garante ter cumprido a meta de atender 280 mil jovens
no ano passado pelo programa, que prevê ajuda de custo para treinamento
e inclusão no mercado de trabalho de pessoas de 16 a 24 anos.
Um verdadeiro milagre, tendo-se em conta o calculado e o executado. Consultado,
o Ministério não divulga a lista dos beneficiados.
Para José Fernando da Silva, presidente em 2006 do Conselho Nacional
dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes (Conanda), o atraso da
aprovação do orçamento no Congresso, que ocorreu apenas
em maio de 2006, e a exigência legal de o governo não fazer alguns
tipos de gastos durante os meses anteriores às eleições,
justificam, em parte, as distorções nos números. Mas não
em definitivo já que em outros anos o governo também deixou de
cumprir o orçamento. De acordo com o Siafi, em 2005 o contingenciamento
foi de 30%.
“É compreensível que
o governo tenha como tarefa importantíssima manter saneada a economia
do país e se percebe que ele é fiel ao pagamento dos juros
de outras dívidas e se esforça por manter o superávit
primário. Mas precisa ter a mesma preocupação quando
se fala em direitos humanos. Lembrando ainda que esse programa foi classificado
como prioritário pelo presidente”, considerou Silva.
Na opinião de Daniel Cara, do Conselho
Nacional de Juventude, o contingenciamento é ruim, mas, de qualquer
forma, o Primeiro Emprego não tem sido o melhor remédio
para dar um futuro profissional aos jovens. “O programa, como está,
não resolve e precisa ser reformulado. Atualmente se trabalha
com a geração de empregos sem perspectivas de aprendizagem
ou de crescimento. Outros programas em andamento, como o incipiente Pró-Jovem,
que priorizam a capacitação dessas pessoas, têm melhores
resultados”, diz Cara.
O Primeiro Emprego tem por alvo estudantes
de 16 a 24 anos que estejam cursando Ensino Médio ou Fundamental,
sem experiência profissional, com renda familiar per capita de
até meio salário mínimo, R$ 175. Entre outras iniciativas,
o governo se compromete a oferecer um subsídio a empresas que
capacitem e contratem jovens pelo programa – em 2006 esse valor
era de R$ 1.500, dividido em seis parcelas. No Brasil, de acordo com
a última Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios, do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 47,7%
de pessoas entre 15 e 24 anos, 16,6 milhões, estavam desocupadas
em 2005.
Denise Drechsel
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22 de janeiro de 2007
| Brasil
FISCALIZAÇÃO
Verbas vão para
ONGs dirigidas por petistas
No ano passado, um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo apontou
que 59% dos recursos repassados ao Programa Primeiro Emprego pelo governo federal
de 2004 a 2006 beneficiaram 13 organizações não-governamentais
dirigidas por petistas. A Juventude Sampa, em São Paulo, recebeu o maior
volume de recursos, R$ 10,8 milhões. A entidade é chefiada pelo
Instituto do Grêmio Politécnico para Desenvolvimento da Educação,
que tinha como diretor Gilberto Álvares Giusepone Júnior, o Prof.
Giba, do PT.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de janeiro de 2007 | Economia
PAC-Governo federal anuncia hoje o Programa
de Aceleração do Crescimento
R$ 300 bilhões em
investimentos e o desafio de crescer 5% ao ano
Albari Rosa/Gazeta do Povo

As obras no setor de transporte serão realizadas com recursos orçamentários
e concessões feitas à iniciativa privada.
Brasília – O Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) – plano diretor do
segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será anunciado
hoje, às 10h30 no Palácio do Planalto – vai prever
investimentos de pelo menos R$ 300 bilhões entre 2007 e 2010,
uma média anual de R$ 75 bilhões. O número, que
estava sendo fechado na sexta-feira e com o qual o governo pretende impressionar
investidores e a sociedade, marca sua promessa de fazer o país
crescer a uma taxa de 5%, engloba as ações chamadas estruturantes,
nas áreas de energia e combustíveis, transportes, saneamento
básico e habitação.
Os orçamentos da União e
das estatais são as principais fontes de recursos. Mas a conta
inclui, também, investimentos privados. O governo divide os empreendimentos
em três grupos. No primeiro, de energia, concentra-se, até pelo
porte dos empreendimentos, a maior previsão de desembolsos. São
R$ 230 bilhões em quatro anos, nas áreas de petróleo,
gás, geração e transmissão, fontes renováveis
de energia, combustíveis, biodiesel e no programa Luz para Todos.
A presença estatal também é mais forte neste segmento.
Os planos de investimentos da Petrobrás e da Eletrobrás
serão contabilizados.
Outro conjunto de ações, que visa a melhorar a logística,
representa em torno de R$ 65 bilhões. Neste segmento estão as
obras no setor de transporte, com recursos orçamentários e concessões à iniciativa
privada. Na lista prioritária do governo, estarão empreendimentos
como a rodovia BR-163 (Cuiabá – Santarém), tida como estratégica
para escoamento da safra agrícola do Norte e Centro-Oeste, barateando
os custos do frete e da produção. Portos e ferrovias também
serão contemplados.
As meninas dos olhos de Lula – as áreas
de saneamento e habitação – também compõem
esse bloco de investimentos. Com o setor de transportes urbanos (especialmente
metrô), elas foram batizadas de infra-estrutura social. Ações
para o acesso à água potável e à coleta de
esgoto e lixo foram incluídas no Projeto-Piloto de Investimentos
(PPI), que foi ampliado para 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto
de riquezas produzidas no país) e cujo orçamento está imune
ao contingenciamento de recursos, pois os desembolsos podem ser descontados
do superávit primário (economia para pagamento de juros).
A meta de superávit deste ano é de
4,25% do PIB. Mas o governo já decidiu que, se não houver
folga orçamentária, ela poderá cair para 3,75% (respeitando
a proporção do que for gasto no PPI). Outras ações
de áreas diversas fecham o pacote de investimento, com R$ 5 bilhões
até 2010.
No total, o PAC terá 50 medidas,
divididas em três grandes áreas: programa de investimento
em infra-estrutura; impacto fiscal; e desoneração tributária. É com
esta última que o governo pretende melhorar condições
de investimentos e animar os empresários a construir e produzir
mais, de forma a chegar, em 2010, com uma taxa de investimento de 25%
do PIB – considerada o mínimo para nações
emergentes que buscam o crescimento sustentável.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de janeiro de 2007 | Economia
PAC
Lula propõe o fim da guerra fiscal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende convencer os governadores,
em uma reunião hoje, antes do anúncio do PAC, a implantar mudanças
na forma de cobrança do ICMS que permitam acabar com a guerra fiscal
entre os estados. Segundo levantamento do Ministério da Fazenda, a guerra
fiscal custa R$ 25 bilhões ao ano.
A guerra fiscal ocorre quando os estados
oferecem incentivos para determinadas indústrias se instalarem
em seu território. A ferramenta mais comum utilizada pelos governos,
no entanto, é o desconto ou diferimento do ICMS para empresas
que já estão fixadas. Em um seminário promovido
pelo Tesouro Nacional em dezembro, em São Paulo, o secretário-executivo
do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, adiantou que o governo
federal proporá aos governadores uma política de desenvolvimento
regional que substituirá a disputa estadual. Ele defende regras
gerais para investimentos nos estados menos desenvolvidos, para evitar
negociações pontuais, como é praticado hoje.
A medida mais polêmica estudada
pelo Ministério da Fazenda é a alteração
do sistema de cobrança do ICMS da origem para o destino. Atualmente,
12% do ICMS ficam no estado onde o produto foi produzido, e 6% no local
de consumo. A proposta é zerar a cobrança no estado onde
a fábrica produtora está instalada. Para compensar a perda
de arrecadação que ocorre em alguns estados, o governo
pode oferecer aumento nos porcentuais de transferências constitucionais
da União para os governos estaduais.
Rosana Félix
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de janeiro de 2007 | Economia
TRIBUTAÇÃO
Maior prazo para recolher
impostos e redução do IR
As desonerações — contando com a já sancionada Lei
Geral das Micro e Pequenas Empresas — somarão cerca de R$ 8 bilhões
(R$ 4 bilhões menos do que as pretensões iniciais). Entre as
medidas que mais animam o setor produtivo está a ampliação
de prazo para recolhimento de impostos, como a contribuição ao
INSS e de PIS/Cofins, e para que empresas utilizem créditos adicionais
pela depreciação de máquinas e equipamentos na hora de
pagar a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
Uma outra é a redução do Imposto de Renda (IR) e da CSLL
para fundos de investimento que apliquem recursos em obras de infra-estrutura.
A parte preocupante do PAC, de acordo
com especialistas, é o que ele reserva em termos de medidas fiscais.
Se não houver surpresas, serão medidas nada radicais, sem
promover cortes de gastos. Haverá um freio para a folha de pessoal
dos servidores públicos federais, com expansão anual limitada à variação
da inflação pelo IPCA mais 1,5% ao ano.
A política do salário mínimo,
de reajustes até 2010 limitados à inflação
mais o PIB de dois anos antes, constará do pacote, assim como
a regulamentação do Regime Geral de Previdência Complementar
do funcionalismo público federal.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de janeiro de 2007 | Economia
PAC
Previsão
R$ 230 bilhões
serão aplicados em geração e transmissão de energia,
já incluído o orçamento das estatais.
R$ 65 bilhões
devem ser investidos para melhorar as condições logísticas
para escoamento da produção.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de janeiro de 2007
Conselho do FGTS assume riscos de
investimentos
Redação O Estado
do Paraná
São Paulo (AE) - O secretário-executivo
do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), Paulo Furtado, reuniu-se ontem com representantes das centrais
sindicais na Força Sindical, em São Paulo, para explicar
como funcionará a aplicação de até 10%
do FGTS dos trabalhadores em obras de infra-estrutura. Ele garantiu
aos sindicalistas que inicialmente o conselho curador, utilizando os
R$ 5 bilhões do patrimônio líquido do FGTS, é quem
vai realizar os investimentos e correr os riscos.
“ No início, o conselho é quem vai investir e correr o risco
sozinho pela aplicação do fundo”, disse, acrescentando que
somente após o conselho avaliar a rentabilidade dos investimentos é que
os trabalhadores poderão optar, se quiserem, em participar.
Segundo ele, o Conselho Curador do FGTS vai definir as obras de infra-estrutura
em que o fundo deve investir e encaminhar à administração
da Caixa Econômica Federal. “A Caixa e o conselho vão fazer
o acompanhamento do fundo e, depois de tudo isso, o Conselho vai se reunir
e abrir a possibilidade do trabalhador participar desse investimento”,
afirma. Furtado explica que os trabalhadores aplicarão num portfólio
definido pelos gestores do fundo.
Ele garantiu ainda aos sindicalistas que as contas dos trabalhadores não
serão atingidas e que todas as obrigações do fundo serão
preservadas. “O FGTS tem um patrimônio líquido de R$ 21
bilhões e nós temos R$ 66 bilhões aplicados em títulos
públicos. Queremos tirar esse dinheiro aplicado em títulos públicos
e investir na produção, reduzindo os gargalos existentes na infra-estrutura.” Na
avaliação do secretário, esses recursos promoveriam um “círculo
virtuoso” na economia brasileira.
Furtado destacou também que a Caixa - responsável pela gestão
do fundo - não “trabalhará para que as aplicações
dêem prejuízo”. “A gestão do fundo será profissional,
porque não podemos errar. A responsabilidade dos conselheiros é enorme.
Ninguém trabalhará para dar prejuízo.”
Para ele, o governo está procurando alternativas para dar rentabilidade
aos recursos “parados” do FGTS. “Com a Selic (taxa básica
de juros) em queda, como vão ficar os investimentos em títulos
públicos em 10 anos? A rentabilidade da aplicação de R$
66 bilhões nos títulos públicos vai satisfazer as necessidades
do fundo em 10 anos?”, questionou.
Furtado ressaltou ainda que o fundo não pode participar com mais de
30% dos investimentos nas obras, que a avaliação dos investimentos
será medida por agências de classificação de risco
internacionais e que nenhuma área vai receber mais do que 30% dos investimentos.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 21 de janeiro
de 2007
Terceiro setor e as parcerias com
a administração pública
Edésio Passos
O jovem professor e advogado Tarso
Cabral Violin ajusta sua arma e mira o alvo: “No presente
estudo, nos propusemos a criticar o discurso neoliberal-gerencial
hegemônico na atualidade, fortalecido no final do século
XX, que vem dominando o cenário nacional e internacional,
tanto nos países centrais quanto nos periféricos
e semiperiféricos”. Esta crítica está registrada
em sua recente obra “Terceiro Setor e as Parcerias com
a Administração Pública - Uma Análise
Crítica” (Editora Fórum, Belo Horizonte,
306 págs.,2006), na qual desenvolve extensa e profunda
análise sobre três pontos (1) O Estado e a Administração
Pública (2) O “Terceiro Setor” e a Sociedade
Civil (3) As Parcerias do “Terceiro Setor” com a
Administração Pública. A obra é derivada
de sua tese de mestrado no Programa de Pós-Graduação
em Direito da Universidade Federal do Paraná, aprovada
com nota máxima pela banca integrada pelos doutores Romeu
Felipe Bacellar Filho (orientador), Paulo Ferreira Motta e Luiz
Alberto Blanchet. O autor é professor de Direito Administrativo
do Centro Universitário Positivo-UnicenP e assessor jurídico
da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social do Paraná.
O Estado e a Administração Pública
Ao abrir seu estudo sobre o Estado e a Administração Pública,
o autor remete ao que escreveu outro jurista e político paranaense Carlos
Frederico Marés de Souza Filho: “É curioso imaginar que
mais de duzentos anos depois do nascimento do Estado moderno sob o signo da
liberdade e da dignidade humana ainda haja espaço para discutir, pensar,
denunciar ou mesmo constatar a existência de franjas da sociedade que
não só não estão cobertas pelo manto protetor do
Estado, como sofrem opressão exatamente por isso”. E nessa linha
de pensamento, o autor interliga conceitos (a) neoliberalismo “que é a
inspiração para o ideário do “terceiro setor” (b)
burocracia “cuja “ineficiência” é a justificativa
para a privatização” (c) os serviços sociais “objeto
de delegação para as entidades privadas sem fins lucrativos” (d)
e o princípio da subsidiariedade “um dos fundamentos para o repasse,
como regra, dos serviços sociais às organizações
da sociedade civil”. Desses pontos projeta sua análise para adentrar
o tema do “terceiro setor” e suas parcerias.
O “Terceiro Setor” e a Sociedade
Civil
É certeira sua flecha analítica ao captar em Antonio Gramsci a
intersecção dos movimentos da sociedade civil, de seus intelectuais
orgânicos, com a formação e desenvolvimento do aparelho estatal
dentro de características opressivas no plano político, as estruturas
econômicas demarcando a rigidez de classes na sociedade e, nesta, a possibilidade
de sua vida autônoma, mas limitada. Para situar o tema-sede do “terceiro
setor”, busca em Carlos Nelson Coutinho a sustentação teórica
e avança até Carlos Montaño em sua obra “Terceiro
setor e questão social” a abrangência atual da “ampliação
do terceiro setor”... revela a clara funcionalidade desta proposta com
o projeto neoliberal, consolida-se na despolitização operada neste
setor, na retirada das contradições de classe, na sua desarticulação
com as esferas estatal e infra-estrutural, com uma lógica “liberal-corporativa” e
supostamente “democratizadora” E prossegue o autor, com Montaño: “Essa
ampliação dá como fato a retirada do Estado das respostas à questão
social e à flexibilização ou esvaziamento dos direitos sociais,
econômicos e políticos, historicamente conquistados e garantidos
pelo Estado democrático de direito nos países centrais, e na maior
precarização, descentralização e focalização
da já reduzida intervenção social do Estado nos países
periféricos”.
O “terceiro setor” e
a obra de Boaventura de Souza Santos
Ao adentrar o campo específico do “terceiro setor”, o autor
examina pontos relacionados com a definição do tema, as organizações
não-governamentais-ONGs, aspectos históricos, considerações
gerais, a inadequação da expressão e sobre os atores componentes
do “terceiro setor”. Também procura responder à questão
se os movimentos sociais fazem parte do “terceiro setor”, as entidades
de benefício mútuo e de benefício público, as cooperativas.
Mas vai além ao examinar a “responsabilidade social” do
mercado e as ações filantrópicas das empresas, atingindo
as críticas negativas ao ideário neoliberal do “terceiro
setor”. Nessa incursão teórica refaz o caminho percorrido
por Boaventura de Souza Santos (“A reinvenção solidária
e participação do Estado”) ao assinalar: “Qualquer
que seja a ambigüidade conceitual do terceiro sector, a verdade é que
nos países centrais o ressurgimento do terceiro setor está ligado à crise
do Estado-Providência. Isto significa que o terceiro sector não
ressurja num contexto de lutas sociais e políticas avançadas
que procuram substituir o Estado-Providência por formas de cooperação,
solidariedade e participação mais desenvolvidas. Pelo contrário,
ressurge no início de uma fase de retracção de políticas
progressistas em que os direitos humanos da terceira geração,
os direitos econômicos e sociais, conquistados pelas classes trabalhadoras
depois de 1945, começam a ser postos em causa, a sua sustentabilidade
questionada e a sua restrição considerada inevitável”.
E ainda: “A localização estrutural do terceiro sector torna-se
ainda mais complexa no caso de organizações que, embora cumpram
o formato legal do terceiro sector, nada têm a ver com a filosofia que
lhe serve de base, quer porque se trata de organizações de fachada,
cuja lógica é basicamente o lucro, mas que se organizam sob a
forma de terceiro sector para facilitar aprovação, obter subsídios,
ter acesso a crédito ou a benefícios fiscais”(da obra citada).
Análise crítica
por Carlos Montaño
Mas é garimpando a obra de Montaño (“Terceiro setor e questão
social: crítica ao padrão emergente de intervenção
social”) que o autor tem o indicativo seguro de que “o ideário
do “terceiro setor” é “mais um passo no histórico
processo ideológico de despolitização das organizações
e atividades populares”, onde “perdeu-se a autonomia do movimento
pela dependência das ONGs no financiamento estatal, empresarial ou das
fundações internacionais”. E esclarece Montaño: “Enfrentar
criticamente o debate dominante sobre o conceito “terceiro setor” e
os seus desdobramentos ideológicos, defender a manutenção
e ampliação da atividade estatal nas respostas às seqüelas
da “questão social”, constitutivas de direitos universais,
nada disto tem como pressuposto a mínima perspectiva de uma sociedade
que despreze as lutas da sociedade civil, dirigindo-as apenas para a esfera
do Estado. Longe disso. É tão equivocado considerar apenas o
Estado como arena possível de lutas sociais, como considerar a sociedade
civil como seu espaço único e exclusivo”. Essa visão
crítica se completa com a abordagem relativa à obra de Hannah
Arendt quanto a dicotomia entre o público e o privado.
Especificações das
entidades
A seguir, o autor repassa conceitos e aclaramentos sobre entidades relacionadas
com as pessoas jurídicas sem fins lucrativos (institutos, associações,
fundações privadas), as paraestatais e os serviços sociais
autônomos, as entidades conformadas com o título de utilidade
pública, as beneficentes de assistência social, as OS-organizações
sociais e detalhadas explicações sobre o nascimento das OSCIP-organizações
da sociedade civil de interesse público, calcadas na recente Lei n.º 9790/99.
Conclui a segunda parte de seu estudo, destacando: “Após criticarmos
o ideário do ‘terceiro setor’, no atual contexto neoliberal,
verificamos que cada vez mais o Estado repassa recursos públicos às
entidades privadas sem fins lucrativos, seja realizando suas atividades de
fomento ou delegação de serviços sociais. Assim, é de
suma importância tratarmos juridicamente das parcerias entre as organizações
do ‘terceiro setor’ e a Administração Pública”.
Parcerias: “terceiro setor” e
administração pública. Conclusões.
Na parte final de sua obra, sobre as parcerias do “terceiro setor” com
a administração pública, Tarso Cabral Violin trata de
aspectos relacionados com os contratos administrativos, os processos licitatórios,
as recentes parcerias público-privadas-PPPs-, os convênios administrativos,
os contratos de gestão, os instrumentos de cooperação
entre a administração pública e as OSCIPs. E, finalmente,
apresenta suas conclusões, esclarecendo: “Preliminarmente, é importante
ressaltar que temos vários questionamentos quanto ao Estado como o encontramos,
com suas deficiências, distorções, opressões, volúpia
na cobrança de impostos sem o devido gasto social, sua utilização
como instrumento de manutenção do grande capital, etc. Por isso,
defendemos um outro Estado, com a correção de suas falhas (como,
por exemplo, com o aperfeiçoamento da burocracia, o sistema eleitoral,
os institutos de participação social), no sentido desta sociedade
política se transformar num instrumento real de justiça social,
atuando positivamente, assegurando os direitos fundamentais sociais (e não
apenas os direitos individuais), a dignidade da pessoa humana, a isonomia,
a liberdade substancial para todos (e não apenas para os detentores
do capital). Enfim, um Estado radicalmente democrático e participativo,
com um controle social efetivo, sem individualismos, vigoroso e vinculado aos
problemas sociais, não apenas árbitro dos conflitos existentes,
sem sua redução, mas dando-lhe uma outra qualidade”. E
sublinha sua crítica: “O neoliberalismo-gerencial vem sendo responsável
pela expansão do não-Estado, do Estado comprimido, com a desconstrução
do Estado ampliado, democrático, social, e do seu aparelho, a Administração
Pública. Torna o Estado um inimigo a ser combatido, numa sociedade em
que apenas os melhores podem progredir, na qual a desigualdade é um
valor positivo, não redundando em melhor distribuição
de renda, maior integração social, mas apenas mais mercado, num
projeto regressivo. Assim, em vez de melhorar o Estado e a Administração
Pública, pretende substituí-los pelo privatismo”.
Análises e subsídios
valiosos
Neste diapasão, a contribuição teórico-prática
da obra de Tarso Cabral Violin não somente é base para o avanço
da análise crítica de tema pouco enfrentando a terceirização
na administração pública -, embora se trate de um amplo
universo em quase todos os setores.
Como também o estudo é um subsídio valoroso para o aperfeiçoamento
da administração pública, em especial neste momento de
reafirmação popular pelas urnas dos governos central e local
estão credenciados pelo povo como indutores necessários às
transformações políticas, econômicas, sociais e
culturais fundamentais na construção de uma sociedade justa e
solidária.
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal (PT/PR) e diretor administrativo da Itaipu
Binacional. E.mail:edesiopassos@terra.gov.br
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DCI DIÁRIO, COMÉRCIO,
INDÚSTRIA E SERVIÇOS, 22 de janeiro de 2007
Segurança do trabalho avança
nas empresas
cynara escobar
O aumento das exigências legais
e da preocupação das empresas em reduzir custos e evitar
abalos de imagem provocados por acidentes, como o desabamento ocorrido
nas obras de construção da Linha 4 do metrô da capital
paulista, tem consolidado a importância da atuação
de engenheiros e técnicos especializados em segurança do
trabalho na construção civil, levando à regulamentação
das atividades e ao surgimento de novos cursos. As iniciativas têm
gerado avanços: nos últimos dez anos, o número de
mortes na construção civil caiu de 138 para sete, no estado
de São Paulo, de acordo com o Sindicato da Indústria da
Construção Civil de São Paulo (Sinduscon). Atualmente,
existem 33 normas voltadas à segurança no trabalho.
Graças a uma resolução
promulgada pelo Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(Confea), em dezembro do ano passado, a atividade de Engenharia de Segurança
do Trabalho, recebeu um acréscimo de atribuição
profissional, passando de especialização a modalidade.
A mudança originou as Câmaras de Engenharia de Segurança,
criadas pelos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia
(Crea), para analisar e fiscalizar o exercício legal da profissão.
“Elas foram criadas para analisar
a legalidade e o mau exercício da profissão, a partir de
denúncias de desvio de conduta previstas em nosso código
de ética. Podemos aplicar desde advertências até o
cancelamento do registro, por negligência, imprudência ou
imperícia, por gravidade ou reincidência do profissional.
Também iremos combater o exercício da atividade por leigos
e as responsabilidades podem ser imputadas nas esferas civil, criminal
e trabalhista”, afirma José Tadeu da Silva , presidente
do Crea-SP.
Cursos
Como conseqüência, os cursos
de especialização na área devem aumentar. A Escola
de Engenharia Mauá, por exemplo, irá lançar, no
segundo semestre, um curso de pós-graduação em Engenharia
de Segurança no Trabalho. De acordo com Márcio Estéfano
, professor do curso de Engenharia Civil e Ambiental da Escola de Engenharia
Mauá, “há uma procura muito grande por este curso,
por profissionais enviados por empresas, pois elas estão sendo
forçadas a melhorar suas condições de trabalho e
a reduzir custos com saúde dos funcionários”.
Ele aponta uma tendência de unir
as áreas de segurança no trabalho e o meio ambiente. “Temos
observado, através de estudos, que o aumento da segurança
do trabalho com a redução de impactos ambientais reduz
custos. As empresas conseguem otimizar os processos industriais e melhorar
a condição de trabalho de seus funcionários”,
afirma ele.
A criação de uma nova norma
regulamentadora referente às condições e meio ambiente
de trabalho na indústria da construção, a NR-18,
obrigou as grandes empresas de construção civil a implementarem
medidas de controle e sistemas preventivos de segurança em sua
gestão.
“Esta norma abriu uma área
para engenheiros e técnicos de segurança”, afirma
Haruo Ishikawa , coordenador de Gestão de Segurança, Saúde
e Medicina do Trabalho do Sinduscon-SP.
O engenheiro desenvolve o Programa Sinduscon
de Segurança, que atende a exigência do Ministério
do Trabalho para promover melhorias nas condições de trabalho. “Fazemos
um diagnóstico dos canteiros de obras em todo o estado e, nos
locais que apresentam problemas, estimulamos a realização
de workshops e palestras para assim aumentar a conscientização
dos trabalhadores e dos empresários”, explica.
O especialista Walter Bretas também é otimista. “Estes
profissionais sempre terão mercado, que até está carente.
Construtoras de bom nível estão sempre buscando profissionais”,
afirma.
Engenheiro civil, formado em 1981, Bretas é gerente
de Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Método Engenharia,
especializada em gerenciamento de obras, atuante no segmento de edificações
residenciais, comerciais e industriais. Ele se especializou em Segurança
no Trabalho há 12 anos e considera o mercado extremamente atraente,
por conta da realização de projetos acoplados à produção. “A
segurança no trabalho usa muito o planejamento, o que melhora
a vida do engenheiro, que trabalha com resultados”, diz.
A interação com o mercado
externo também tem ampliado a demanda, pois, para concorrer às
licitações para construção de obras em outros
países, as empresas devem seguir as normas internacionais. “Existe
uma certificação norte-americana, Ohsas-180001, que foi
criada com as mesmas especificações da ISO, pra que a empresa
aplique as normas de segurança e saúde no trabalho e tenha
práticas que levem a resultados comprovadamente eficazes”,
comenta.
Terceirização
Por outro lado, fora dos eixos Sul e Sudeste,
há muita carência na aplicação de práticas
de segurança no trabalho. “Muitas empresas não atendem
nem o mínimo das normas, em parte por culpa do Ministério
do Trabalho, que não fiscaliza as obras”, comenta.
Ele afirma que, embora a legislação
obrigue as empresas a contratar profissionais de segurança em
seu quadro interno, muitas optam por terceirizar, o que pode ser um risco. “No
caso da obra do Metrô, por exemplo, o consórcio simplesmente
tomava as ações que deveria tomar, não havia um
gerenciador [do contratante] na obra para estabelecer as condições
mínimas de segurança.”
Ao gerenciar uma obra, a Método
obriga as empreiteiras a cumprir as normas de segurança estabelecidas
pela empresa.
“Para cada obra traçamos
um plano de segurança. Depois de habilitá-las, fazemos
um plano de trabalho para aquela obra e indicamos as normas de segurança,
de acordo com o nosso padrão de qualidade.”
Procuradas pela reportagem para comentar
o assunto, as construtoras Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez,
Cyrella, Rossi Residencial e Tishman Speyer não responderam.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
20 de janeiro de 2007 | Política
Deputados federais tiveram 51.830 faltas
Roger Pereira
Foto: Agência Câmara

Atual legislatura teve um total de 616 deputados federais, dos quais 118 não
foram a mais de 25% das sessões.
Um em cada cinco deputados federais que exerceram mandato na legislatura 2003
- 2006 esteve ausente em mais de 25% das sessões. No total, foram registradas
51.830 ausências. Foi o que constatou o portal Congresso em Foco, que
anualmente analisa os dados de assiduidade da Câmara Federal.
Entre os 616 deputados que passaram pela
casa nesse período, 118 marcaram presença em menos de 75%
das votações do plenário. Seis deles são
do Paraná, que foi representado por 35 deputados no período,
o que representa 17,14% de deputados com menos de 3/4 de freqüência.
Se esses deputados fossem estudantes, seriam reprovados por faltas.
A posição do Paraná no
ranking da assiduidade não é das piores. Liderado por Espírito
Santo, Sergipe e Distrito Federal, que não tiveram nenhum deputado
entre os mais faltosos, o ranking tem o Paraná em 12.º lugar.
Proporcionalmente, o Rio Grande do Norte é o estado com maior
ausência. Cinco dos dez deputados do estado (50%) não compareceram
a 75% das sessões. Alagoas (41,6%) e Pernambuco (39,2%) vêm
em seguida.
Os seis deputados paranaenses que não
atingiram 75% de presença foram Dr. Rosinha (PT), com 70,7% de
presença. José Janene (PP), 50,2%, Max Rosenmann (PMDB),
67,4%, Odílio Balbinotti (PMDB), 66,4%, Reinhold Stephanes (PMDB)
72,0% e José Borba (PMDB), 68,5%. A maioria das faltas foram justificadas.
Licença médica e a chamada missão oficial autorizada
foram os dois motivos mais alegados pelos deputados para não comparecerem
ao plenário. Dr. Rosinha, por exemplo, justificou todas as suas
178 ausências, assim como Max Rosenmann, que faltou a 198 das 608
sessões.
O único paranaense a participar
de todas as sessões para que foi convocado foi Irineu Rodrigues
(PPS), mas ele só participou de 14 sessões -, terceiro
suplente de sua coligação, ele só foi titular na
Câmara no mês de maio, quando substituiu José Janene.
O segundo mais assíduo também não participou de
muitas sessões. Cláudio Rorato (PMDB) foi a 66 de 67 sessões.
Ele atuou entre novembro de 2005 e março de 2006.
Entre os deputados que participaram de
mais de 100 sessões, os mais assíduos paranaenses foram
Paulo Bernardo (PT), com 95,3% de presença, participando de 332
das 338 sessões ocorridas na Câmara antes de ser convidado
para o Ministério do Planejamento. Eduardo Sciarra (PFL), esteve
em 571 de 599 sessões, também com índice de presença
de 95,3%. Entre os deputados que exerceram o mandato durante todo o período
sem nenhuma interrupção, Nelson Meurer (PP) e Osmar Serraglio
(PMDB) foram os mais assíduos, com 94,4% de presença, participando
em 574 das 608 sessões e sem nenhuma falta não justificada.
No Brasil
As faltas somadas pelos deputados nos últimos
quatro anos chegam a 51.830, sendo que 48.668 foram justificadas e outras
3.162 ficaram sem nenhuma explicação. Para fazer o ranking
dos mais faltosos, o Congresso em Foco também levou em conta as
ausências justificadas.
Descontadas as ausências por razões
de saúde, os dez parlamentares que mais faltaram foram: Geddel
Vieira Lima (PMDB-BA), o campeão, com 255 faltas; Vicente Cascione
(PTB-SP), 239; João Herrmann Neto (PDT-SP), 234; Osvaldo Coelho
(PFL-PE), 230 e Jader Barbalho (PMDB-PA), 222.
O mais assíduo de todos foi o deputado
Paulo Afonso (PMDB-SC), que recebeu o Prêmio Congresso em Foco,
mês passado, exatamente por não ter deixado de comparecer
a nenhuma das 608 sessões deliberativas realizadas pela Câmara
desde fevereiro de 2003. Também estão entre os mais assíduos:
Lincoln Portela (PL-MG), com duas faltas; Sérgio Miranda (PDT-MG),
seis faltas; Ildeu Araújo (PP-SP), sete e José Divino (sem
partido-RJ) e Mário Assad Júnior (PSB-MG), 13.
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CONSULTOR JURÍDICO,
22 de janeiro de 2007
Condenação subsidiária
Br Telecom tem de indenizar por acidente
de trabalho
A Brasil Telecom foi condenada a pagar
indenização aos herdeiros de um trabalhador gaúcho
morto depois de sofrer uma queda de quatro metros de altura, enquanto
instalava linhas telefônicas. A decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (RS) foi confirmada pelo ministro
Renato de Lacerda Paiva, do Tribunal Superior do Trabalho.
Na ação, a Retebrás
Redes e Telecomunicações, empresa que presta serviços
a Brasil Telecom, também foi condenada. O vínculo de emprego
entre o trabalhador e sua empregadora durou em pouco mais de um mês,
entre a admissão e a morte do auxiliar, Marcelo dos Santos, de
acordo com os autos.
A questão foi encaminhada à 19ª Vara
do Trabalho de Porto Alegre, que condenou a Retebrás e, subsidiariamente,
a Brasil Telecom ao pagamento do saldo de salários, horas extras,
anotação da carteira de trabalho, 13º salário
e férias proporcionais, multa do artigo 477 da CLT, além
do adicional de periculosidade de 30%.
As duas empresas recorreram da decisão
no TRT gaúcho. Elas alegaram inexistência da relação
de emprego mas obtiveram apenas a exclusão da multa do artigo
477, o que motivou o questionamento da condenação no Tribunal
Superior do Trabalho. O herdeiro de Marcelo dos Santos recorreu ao TST
para pedir o restabelecimento da multa.
A configuração ou não
do vínculo de emprego não foi examinada detidamente diante
da vedação imposta pela Súmula 126 que impede a
reapreciação dos fatos e provas do processo pelo TST. Também
foi afastada a alegação da Brasil Telecom de que o contrato
mantido com a Retebrás era de empreitada. Nessa situação,
lei e jurisprudência excluem a possibilidade de responsabilidade
subsidiária.
“O Tribunal Regional consignou de
forma expressa que a hipótese dos autos era a de terceirização
de serviços ligados à atividade-fim da tomadora de serviços
Brasil Telecom, e não de empreitada como afirmado no recurso”,
considerou o relator Renato Paiva.
A 2ª Turma do TST também decidiu
pela manutenção do pagamento das horas extras porque, apesar
da prestação dos serviços de forma externa, a decisão
de segunda instância demonstrou o controle diário da empresa
sobre as tarefas. O pagamento do adicional por periculosidade foi mantido
pelo TST.
“Independentemente da atividade
ou ramo empresarial, é devido o adicional por periculosidade quando
as funções exercidas pelo trabalhador se enquadram àquelas
atividades relacionadas no quadro de atividades (área de risco)
da regra específica ao assunto (Decreto 93.142 de 1986)”,
explicou Renato Paiva.
O voto do relator também levou
ao restabelecimento da multa do artigo 477 sob o entendimento de que
o empregador, ao não admitir a relação de emprego
e esperar pela decisão judicial, correu o risco de arcar com a
penalidade prevista na CLT para os casos de atraso na quitação
das verbas rescisórias.
RR 89880/2003-900-04-00.8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/01/2007
Banco de horas não pode ser pactuado
em acordo individual
O regime chamado de “banco de horas” – que
permite a compensação de jornada dentro do período
de um ano – atende sobretudo aos interesses da empresa, e não
do trabalhador individualmente. Por isso, só pode ser pactuado
pelos instrumentos formais de negociação coletiva: os acordos
ou convenções coletivas. Com este entendimento, a Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu (rejeitou)
recurso de revista da rede de supermercados Angeloni, de Santa Catarina,
condenada ao pagamento de horas extras a um ex-empregado. O voto vencedor
foi do ministro Carlos Alberto Reis de Paula.
A condenação ao pagamento
de horas extras foi imposta pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina), que considerou inválida a compensação
de horas por meio de acordo individual, inicialmente aceita pela Vara
do Trabalho de Jaraguá do Sul. Segundo o empregado, que trabalhou
quatro anos na empresa como repositor, a convenção coletiva
de trabalho da categoria previu o banco de horas apenas no período
entre outubro de 2001 e outubro de 2002, enquanto o contrato de trabalho
se estendeu de 1999 a 2003. O TRT verificou que não havia no processo
qualquer comprovação da realização de assembléia-geral
do sindicato profissional deliberando sobre a implantação
do regime de compensação por meio de banco de horas no âmbito
da empresa.
No recurso de revista contra esta decisão,
a Angeloni afirmou a validade do acordo individual, alegando que a decisão
do TRT/SC era contrária ao artigo 7º, XIII da Constituição
Federal e ao artigo 59 da CLT, que tratam da duração do
trabalho, e da Súmula nº 85 do TST, que admite o ajuste da
compensação de jornada por acordo individual.
O ministro Carlos Alberto, em seu voto,
traçou um histórico sobre a evolução das
previsões legais a respeito da compensação de horas.
Inicialmente, “a compensação de horário, consagrado
na redação original da CLT, mais precisamente no § 2º do
artigo 59, pressupunha acordo ou convenção coletiva por
meio dos quais o excesso de horas em um dia seria decorrência da
diminuição em outro dia, de maneira que não excedesse
o horário normal da semana nem ultrapassasse o limite máximo
de 10 horas diárias”.
A Lei nº 9.601/1998 autorizou a pactuação
da compensação anual ou banco de horas. O Congresso Nacional
modificou o projeto original e reduziu o prazo de compensação
para 120 dias, mas o Executivo, por meio da Medida Provisória
nº 1.709 (de 07/08/1998), voltou a estabelecer o parâmetro
anual, que se manteve nas várias medidas provisórias subseqüentes.
A jurisprudência do TST (Súmula
85), destacou o ministro, “faz menção expressa, em
seus itens III e IV, à jornada máxima semanal ou jornada
semanal normal – e não anual. “São os fundamentos
pelos quais não conheço do recurso, por não configurada
a contrariedade à jurisprudência”, concluiu.
Quanto à possibilidade de estabelecimento
do banco de horas por meio de acordo individual, a Turma adotou a interpretação
segundo a qual o mecanismo de compensação de horas, sendo
manejado por um período demasiadamente longo, pode provocar danos à saúde
e à segurança do trabalhador, ao contrário das ferramentas
de compensação mais imediata, de impacto mais favorável
ao trabalhador.
“Permite-se que haja globalmente
uma majoração na jornada, para uma posterior redução,
atento a uma demanda localizada em determinado período para, desta
forma, conservar o emprego com certo equilíbrio”, observou
o ministro Carlos Alberto. Por isso, a Turma entendeu que o banco de
horas deve ser instituído formalmente por negociação
coletiva, uma vez que a Constituição não permite
a transação individual de medidas desfavoráveis à saúde
e à segurança do trabalhador. (RR 961/2004-019-12-00.5)

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