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DEPACOM, 24 de janeiro
de 2007
Nota de Falecimento
Com pesar, informamos o falecimento do companheiro EDSON
CORREIA SANTOS,
Secretário Geral do STICBB - Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção Civil de Brasília, ocorrido ontem (23/01/07) a noite. O
sepultamento será hoje pela manhã.
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Nova Central, 24 de janeiro
de 2007
OAB considera ilegal MP que prevê utilização
do FGTS para investimentos em infra-estrutura
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, considerou
ilegal a Medida Provisória editada pelo governo federal que estabelece
o uso de R$ 5 bilhões do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
para investimentos em infra-estrutura. A MP integra o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) e prevê que o dinheiro do patrimônio líquido
do FGTS possa ser usado nesses investimentos.
'O desvio é de finalidade. Quando
a lei determina quais as finalidades, particulariza, é o império
legal que determina onde deve ser aplicado. Quando se generaliza parte
dessa verba, você não está aplicando o que determina
a legislação', afirmou Busato.
As centrais sindicais Força Sindical
e CGT vão protocolar hoje ação no STF (Supremo Tribunal
Federal) com uma ação contra a MP. Na mesma linha, o presidente
da OAB disse que a MP do FGTS, como ainda não foi aprovada pelo
Congresso Nacional, não tem valor legal até ser endossada
pelos parlamentares. 'O que não foi aprovado não existe
no mundo jurídico, portanto é ilegal essa parte do PAC',
afirmou.
Busato também criticou o fato do
PAC ter sido lançado pelo governo sem a participação
de entidades, da sociedade civil e de entes federativos na discussão
do plano --o que Busato considerou ser 'totalmente antidemocrático',
realizado 'pela porta dos fundos'.
'Isso foi feito sem qualquer discussão
prévia com a sociedade civil, com o Congresso Nacional, com os
governadores de Estado, o que coloca em xeque até a possibilidade
de sucesso do programa', afirmou.
O presidente da OAB criticou, ainda, a
execução de parte do PAC por meio de medidas provisórias.
'Torcemos para que o plano dê certo, mas ele poderia ir pela via
normal, numa discussão no Congresso Nacional em caráter
de urgência para nós recuperarmos o tempo perdido', afirmou.
Candidato
Em encontro com Busato esta manhã,
o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), candidato à presidência
da Câmara, também criticou a edição de MPs
no PAC. 'Queremos ajudar no PAC, mas há uma inversão
de lógica. Se fossem relevantes e urgentes, as MPs já deveriam
estar no Congresso Nacional. Mas se anuncia um pacote com algo que
ainda será enviado ao Congresso', disse Fruet.
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Folha
de São Paulo, 24 de janeiro de 2007
Por aclamação, Fruet recebe
apoio oficial da bancada do PSDB
Reunião foi marcada após crise
interna deflagrada por apoio dado por Jutahy, então líder
da bancada, a Chinaglia (PT) | Segundo Jutahy, Fruet foi o responsável
por estabelecer a unidade da bancada; novo líder do partido na
Câmara é Antonio Pannunzio (SP)
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A bancada do PSDB decidiu ontem, por
aclamação, apoiar a candidatura do deputado Gustavo Fruet
(PSDB-PR) à presidência da Câmara. Fruet afirmou
que, se vencer a eleição, trabalhará por uma "pauta
positiva", que começaria pela aprovação das
reformas política e tributária e pelo fim do voto secreto
na Casa. "Eles são o governo, nós somos a Câmara.
Eles só querem discutir o aumento dos salários, nós
queremos discutir o Orçamento, as reformas política e
tributária, o voto aberto, uma pauta positiva para o Brasil",
afirmou o candidato tucano.
Em tom crítico às plataformas
de seus adversários, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo
(PC do B-SP), Fruet disse que após vivenciar "um dos piores
períodos da história", a Câmara "não
deve só falar para dentro" e tem a chance de se "reaproximar
da sociedade". Ele evitou citar nominalmente os envolvidos no
escândalo do mensalão, mas endureceu seu discurso contra
o que chamou de "uma minoria de líderes" que permitiu
a exposição negativa do Congresso e agora apóiam
os candidatos aliados do governo.
"A nossa briga não é contra
OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], ABI [Associação
Brasileira de Imprensa] ou imprensa (...), mas contra uma minoria cujos
líderes apóiam candidatos que disputam a lealdade ao
governo e que permitiu a exposição negativa do Congresso."
Ele também criticou a suposta
interferência do governo na eleição da Casa por
meio de "barganhas para a liberação de emendas",
loteamento de cargos na Mesa Diretora e oferta de ministérios
a aliados fiéis. "Isso não é reunião
de escoteiros. Estamos diante de um jogo brutalizado." Além
do PSDB, Fruet havia recebido o apoio do "Grupo dos 30",
que reúne deputados com atuação independente das
decisões de seus partidos. Hoje, o PPS deverá oficializar
seu apoio.
O PSDB elegeu 66 deputados - dois se
desfiliaram-, mas só 51 compareceram à reunião
de ontem. A última vez que a sigla entrou na disputa pela presidência
foi em 2001, quando elegeu o então deputado Aécio Neves,
hoje governador de Minas.
Liderança
A nove dias da eleição,
Fruet disse que sua candidatura representa a "recomposição" da
bancada tucana. Há duas semanas, o então líder
do partido na Casa, Jutahy Júnior (BA), deflagrou uma crise
no partido ao anunciar o apoio a Chinaglia em decorrência do
critério da proporcionalidade -maior bancada indica o presidente.
Ontem, Jutahy disse que Fruet foi responsável por estabelecer
a unidade da bancada. Logo após referendar a candidatura do
PSDB, Jutahy transferiu o cargo de líder da bancada para Antonio
Carlos Pannunzio (SP). Este disse que procurará o PFL, aliado
da candidatura de Aldo. (SILVIO NAVARRO E LETÍCIA SANDER)
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Folha
de São Paulo, 24 de janeiro de 2007
PAC / FUNDO
Patrimônio do FGTS crescerá menos
para custear projetos
Retorno mínimo será de 8%, menos
que o obtido hoje com aplicação de recursos em títulos
Luiz Marinho diz que abrir mão desse rendimento
valerá a pena porque o dinheiro será aplicado em projetos
que criam emprego
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O fundo de investimento em infra-estrutura
que será formado com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço) vai buscar um retorno mínimo equivalente à TR
(Taxa Referencial) mais juros de 6% ao ano, algo próximo a 8%
ao ano. Essa taxa é inferior ao rendimento obtido hoje com a
aplicação do patrimônio do FGTS em títulos
públicos a uma taxa de 13,25% ao ano.
Na prática, isso quer dizer que
esses recursos estarão sendo usados para subsidiar os investimentos
em infra-estrutura que o governo escolher. Para ter uma idéia,
se o governo investisse os R$ 5 bilhões previstos para o fundo
num único ano, o patrimônio do trabalhador estaria sendo
reduzido em cerca de R$ 25 milhões. Para o ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, abrir mão desse rendimento valerá a pena
porque o dinheiro será aplicado em projetos que criam empregos.
"Temos que olhar para o desenvolvimento
do país. Não podemos, dentro da mediocridade que trabalhamos
por anos nesse país, achar que investimento seguro é investimento
em título público", criticou Marinho. No caso do
investimento que o trabalhador poderá fazer daqui a dois anos
com até 10% do dinheiro que está depositado em sua conta
individual, a taxa de remuneração definida pelo governo
será vantajosa. Ao contrário do dinheiro que faz parte
do patrimônio do FGTS e pode ser aplicado em títulos públicos,
os recursos do trabalhador são corrigidos por uma taxa equivalente à TR
mais juros de 3% ao ano, cerca de 5% ao ano.
O investimento, no entanto, é de
risco e o trabalhador poderá perder parte de sua poupança
se o projeto escolhido der prejuízo. Essa aplicação
só será liberada pelo governo daqui a dois anos e o investimento
será realizado num projeto específico escolhido pelo
titular da conta do FGTS e haverá um prazo de carência,
que ainda não foi definido. Marinho reconheceu que também
há possibilidade de perdas no fundo que o governo vai criar
para investir nesses projetos. "É possível que algum
projeto tenha prejuízo, mas, na média, não haverá [perdas].
O governo não trabalha com a hipótese de prejuízo,
mas, caso seja necessário, o Tesouro Nacional cobrirá [a
diferença]."
Patrimônio
No caso do fundo a ser gerenciado pelo
governo, as eventuais perdas não afetarão diretamente
as contas individuais do trabalhador, e sim o patrimônio do FGTS,
recursos que são usados caso a arrecadação não
seja suficiente para pagar as indenizações a demitidos.
Quando presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores),
Marinho foi contra a liberação de recursos do FGTS para
que os trabalhadores comprassem ações de empresas negociadas
na Bolsa.
Segundo o ministro, o que o governo
propõe agora é muito diferente, já que os investimentos
selecionados pelo governo vão garantir a criação
de empregos. Questionado se também não é o caso
das empresas na Bolsa, já que também geram empregos,
explicou: "Eles podem estar vendendo ações para
investir em capital especulativo".
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Folha
de São Paulo,
24 de janeiro de 2007
Sindicatos vão ao STF contra MP
sobre fundo
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
Força Sindical, CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores)
e CNTM (Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos)
protocolaram ontem, no STF (Supremo Tribunal Federal), uma Adin (Ação
Direta de Inconstitucionalidade) contra a medida provisória que
estabelece o uso de R$ 5 bilhões do FGTS para investimentos de
infra-estrutura. As centrais pediram a suspensão dos efeitos da
MP até que o STF se manifeste sobre a legalidade da matéria.
Elas defendem que os recursos do fundo só podem ser aplicados
em saneamento básico e habitação e que a Caixa Econômica
Federal apresente garantias aos investimentos que usarão os recursos
do FGTS.
O ministro do trabalho, Luiz Marinho, considerou "ridícula" a
Adin. "Essas ações", disse, são "encomendadas." Ele
não quis responder, contudo, quem teria impelido as centrais a
criticar a medida. "Não tenho nenhum problema em discutir
no STF. Tenho certeza de que vamos ganhar." O presidente da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil), Roberto Busato, considerou ilegal a
MP por destinar recursos a finalidade diferente daquela estabelecida
em lei. Ele criticou o fato de o PAC ter sido lançado pelo governo
federal sem a participação de entidades, da sociedade civil
e de Estados e municípios.
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Folha de São Paulo,
24 de janeiro de 2007
Setor da construção civil
prevê efeitos positivos do pacote só daqui a seis meses
DA REPORTAGEM LOCAL
Empresários do mercado da construção
civil apostam em alta de investimentos do setor e expansão maior
do que a projetada no ano passado por conta do PAC. Ressaltam, entretanto,
que a movimentação nos negócios do segmento deve
ocorrer apenas daqui a seis meses, e que o governo pode ter dificuldades
em gerir o programa. "Produto da construção civil
não é padaria. Tem que fazer o projeto e esperar ser aprovado. É coisa
de seis meses para engrenar", afirma José Carlos Molina,
da Etemp Engenharia, especializada em habitação popular,
um dos segmentos beneficiados pelo programa.
Para o presidente do Sindicato da Construção
Pesada do Estado de São Paulo (Sinecesp), Carlos Pacheco Silveira,
a movimentação deve começar a ser notada no curto
prazo nas pedreiras e produtoras de cimento e asfalto. "Essas empresas
serão estimuladas já", afirma. O temor, segundo ele, é que
o governo não tenha capacidade de gestão para dar conta
do PAC. "O próprio Dnit [Departamento Nacional de Infra-Estrutura
de Transportes] não tem estrutura de gestão, não
possui funcionários em número suficiente. O Estado precisa
poder gerenciar o programa para poder fazer essas obras, licitar, contratar
projeto. Não vejo nada acontecer em seis meses."
Mesmo assim, a expectativa é que
o programa anunciado pelo governo faça o setor crescer, a partir
do segundo semestre, mais do que era esperado para este ano. João
Claudio Robusti, presidente do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo), diz
acreditar que os investimentos em infra-estrutura, saneamento e habitação
a serem liberados devem estimular novos negócios. "Estimávamos
uma alta de 4,9% para o setor em 2007, após uma expansão
de 6% em 2005. Fiz uns cálculos depois do anúncio do PAC
e agora acredito que neste ano o crescimento do setor deve ser de 6%." (MAELI
PRADO)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de janeiro de 2007 | Economia
PAC
Aplicação estará disponível
somente em dois anos
Brasília – O trabalhador só poderá aplicar parte
de seu Fundo de Garantia em projetos de infra-estrutura daqui a cerca de dois
anos. No entanto, quando isso acontecer, ele poderá obter um rendimento
maior do que a remuneração das contas vinculadas.
Segundo o ministro Luiz Marinho (Trabalho),
os projetos escolhidos irão perseguir uma rentabilidade de TR
+ 6% ao ano. Hoje, as contas vinculadas do FGTS sofrem um reajuste de
TR + 3% ao ano. No entanto, não há garantia de rendimento
ao trabalhador, que terá que assumir o risco.
Em um segundo momento, os trabalhadores
poderão escolher em qual obra querem aplicar seus recursos do
FGTS (limitado a 10% do total). Para isso, ele terá que ficar
com o dinheiro aplicado até terminar a carência, que irá variar
de acordo com o projeto escolhido e terá que ser cumprida mesmo
em caso de demissão. Quando o trabalhador decidir sair, o dinheiro
irá voltar para a conta do FGTS. Ele só poderá sacar
nos casos previstos em lei, como compra da casa própria ou demissão
sem justa causa.
O governo já tinha autorizado
os trabalhadores a usarem parte do FGTS em investimentos. A primeira
vez foi na compra de ações da Petrobras e a segunda,
nas da Vale. Nos dois casos, houve uma carência para a saída
do investimento.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de janeiro de 2007 | Economia
PAC
Dilma diz que é oportunidade
para investir
Brasília – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, defendeu
ontem, em almoço com jornalistas, a criação do Fundo de
Investimento em Infra-estrutura com recursos do FGTS. Segundo Dilma, os fundos
serão uma oportunidade para o trabalhador investir em renda variável.
“Estamos entrando em um momento
de queda da taxa de juros, que cria uma tendência de perda de atratividade
da renda fixa. O investidor vai buscar novas alternativas – renda
variável, principalmente as de infra-estrutura que tenham retorno
garantido de longo prazo. Estamos antecipando condições
de investimento para os trabalhadores em geral”, justificou a ministra. “Trata-se
de investir em infra-estrutura, em obras de grande durabilidade e que
têm um marco regulatório estável. É uma alternativa
para quem já ia buscar sair da renda fixa para a variável”,
afirmou Dilma.
O PAC, segundo a ministra, não
deve ser visto apenas como um gasto de R$ 504 bilhões em infra-estrutura,
mas como um projeto de incentivo e financiamento. “Nós
trabalhamos a área de desoneração fiscal do investimento,
sinalizamos que vamos investir e disponibilizamos linhas de financiamento
tanto para energia elétrica como para rodovias concedidas, saneamento,
habitação e recursos hídricos. Fazendo o financiamento,
nós estamos montando uma alavanca para o crescimento. Não
existe no mundo um local em que se invista sem crédito”.
Patrícia Künzel - Enviada Especial
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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de janeiro de 2007 | Brasil
ANIVERSÁRIO-Sistema exige mudanças
rápidas para não entrar em colapso
Previdência faz 84 anos
com déficit de R$ 42,5 bi
Curitiba – A Previdência Social completa hoje 84 anos. Na terceira
idade e endividada. O déficit de caixa de 2006 foi, segundo economistas,
de R$ 42,5 bilhões, 13% maior que o registrado em 2005, R$ 37,6 bilhões.
E o furo está crescendo, mas não deve passar, promete o governo,
de R$ 50 bilhões em 2007. Mesmo com o otimismo, os números demonstram
a necessidade de mudanças rápidas, sob o risco de o sistema entrar
em colapso no futuro.
O saldo negativo tem dois motivos principais.
O mais discutido é a realidade de que o volume arrecadado é menor
do que a despesa – metade da população economicamente
ativa está no mercado informal e, portanto, não contribui
com a Previdência. O outro, muitas vezes esquecido, é a
má distribuição do dinheiro arrecadado por meio
dos impostos.
A Previdência cumpre um papel social. A Constituição de
1988 reconheceu essa característica e incluiu em suas contas o pagamento
de aposentadoria a pessoas em condições miseráveis na
sociedade, como, por exemplo, idosos residentes em regiões rurais que
não contribuíram ao sistema. Só esses beneficiados representam
gastos de cerca de R$ 20 bilhões para a Previdência.“Essa
despesa era prevista pelos parlamentares constituintes e, por isso, a lei previu
que fosse sanada com extras de arrecadação destinada à Seguridade
Social”, explica Benedito Passos, coordenador do Núcleo Atuarial
da Previdência, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
De lá para cá, no entanto,
os tais recursos adicionais não chegaram. O governo justifica
o fato pela necessidade de manter um alto superávit primário
(saldo dos cofres públicos de receitas menos despesas) para pagar
os juros da dívida interna, R$ 1 trilhão, mesmo com o sacrifício
da não aplicação de verbas constitucionais em outras áreas
prioritárias, como saúde e educação. O governo
parece esquecer, por outro lado, uma opção melhor do que
arrecadar para pagar dívidas: investir para fazer o país
crescer.
“Parte do superávit primário
de cerca R$ 60 bilhões poderia ser aplicado em medidas de desenvolvimento
da economia, provocando o aumento das receitas necessárias para
pagar a dívida. Para desonerar empresas e pessoas físicas,
o governo poderia até diminuir tributos, como a CPMF, criada com
a desculpa de conseguir mais meios para os projetos sociais. E reduzir
gastos com a máquina pública. Com o país desenvolvido,
o número de trabalhadores com carteira aumentaria, refletindo
nas receitas da Previdência”, diz Passos.
De acordo com o pesquisador, se o Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado na última
segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atingir
a meta de crescimento do país de 5% ao ano, o déficit da
Previdência pode acabar no prazo de três a cinco anos.
Guilherme Delgado, coordenador da área
de Previdência Social do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea), concorda que o costumeiro enfoque da discussão
sobre o déficit é equivocada. “É um debate
ideológico que se fundamenta apenas na redução de
benefícios e não na reestruturação do sistema
como um todo”, diz. Delgado vê como positivo o anúncio
da criação do Fórum Nacional da Previdência
Social no próximo mês de março, um encontro de representantes
do governo, empresas e aposentados para discutir medidas para resolver
o problema.
Mesmo com distorções e críticas
atuais contra a forma como a Previdência tem sido administrada,
os economistas acreditam que o sistema tem cumprido seu papel.
“Apesar de tudo, a Previdência
não deixou de pagar em dia as aposentadorias e chegou aos mais
pobres, aos inválidos, aos aposentados acima de 65 anos sem
contribuição”, exemplifica o deputado federal Reinhold
Stephanes (PMDB-PR), ex-ministro da Previdência. “Basta
ter vontade política para aplicar as soluções
técnicas que existem”, garante.
Denise Drechsel

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JORNAL GAZETA DO POVO, 24
de janeiro de 2007 | Brasil
PENTE-FINO
Censo procura identificar
fraudes nas aposentadorias
Curitiba – A Previdência Social começou em outubro de 2005
a fazer um censo dos seus segurados para identificar possíveis fraudes
nas aposentadorias. Na primeira fase foram chamados 2,4 milhões de pessoas
e a meta é chegar aos quase 20 milhões de beneficiados até julho
de 2007. No Paraná, são 1,4 milhão de segurados.
A forma como o censo tem sido realizado,
no entanto, é questionada pelos especialistas. “O aposentado
apenas precisa provar que recebia o benefício. Isso é muito
pouco, pois não permite a avaliar se a aposentadoria que ele recebe
tem uma origem lícita”, afirma o deputado federal Reinhold
Stephanes, ex-ministro da Previdência.
O parlamentar também cita
a falta de tecnologia nos processos utilizados. “Falta modernização
em tudo, inclusive no atendimento. Os aposentados ainda enfrentam filas
e desorganização”, sinaliza.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de janeiro de 2007
Setor moveleiro ainda amarga crise
cambial
Nájia Furlan
Relatórios nacionais e internacionais
estimam, para 2007, um crescimento superior a 3% para o setor moveleiro
do Brasil. O consumo interno e a exportação devem aumentar,
o que faz crescer também a produção e as vendas.
No entanto, no Paraná, representantes do setor não estão
muito otimistas. Eles afirmam que não vai ser fácil e
que para crescer será necessário muito trabalho ao setor
e mais participação também do Estado.
Segundo o arquiteto e designer Ronaldo Duschenes - conselheiro da Associação
Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel) e vice-presidente
do Sindicato das Indústrias Marceneiras do Estado do Paraná (Simov)
-, o cenário econômico atual não é dos mais propícios
para nenhum setor voltado para exportação, o que inclui o moveleiro.
Segundo ele, se houver crescimento em 2007, isso deve acontecer apenas em relação
ao mercado interno. “Com a estabilização do dólar
nos patamares em que está, além de entraves como a alta carga
tributária geral e os pesados juros fica difícil de alavancar
um crescimento para o setor”, lamenta.
Ainda de acordo com Duschenes, além de ser necessário trabalhar
essas variáveis no cenário geral, em nível local também
existem fatores a se trabalhar. “Não temos medidas específicas
para o setor em nível estadual. Uma das ações necessárias
seria se trabalhar com uma correspondência estadual da lei de inovação
- ou seja, com a aplicação de 2% do ICMS do Estado em inovação
tecnológica”, afirma. Como lembra o arquiteto, há alguns
anos houve uma redução do ICMS de 18% para 12% para o consumidor
final, “o que foi muito salutar”, mas segundo ele é preciso
ampliar o benefício diretamente para as empresas.
O representante do Simov completa que para o setor crescer, também cada
empresa e o sindicato precisam trabalhar bem e mais. “Estamos unidos
dentro do sindicato, por isso temos que trabalhar no sentido de conseguir que
o governo invista no setor, que é estratégico no Paraná (no
norte do Estado está o segundo maior pólo moveleiro do País,
em Arapongas). Se as coisas ficarem ao léu, não acredito em crescimento”,
conclui.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 24 de janeiro de 2007
Com novo pacote, Governo muda cálculo
do auxílio-doença
SÃO PAULO - O pacote de crescimento
anunciado pelo governo traz novidades para os aposentados e pensionistas
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A intenção
do governo é diminuir o déficit da Previdência Social,
hoje em torno de R$ 42 bilhões. Uma das medidas contidas no PAC
para isso limita o benefício do auxílio-doença à média
dos últimos 12 salários de contribuição.
Desse modo, aumenta a probabilidade do segurado passar a receber menos
do que ganha pelas regras atuais.
Atualmente, para se calcular o valor do
auxílio-doença, é considerada a média dos
80% maiores salários de contribuição desde julho
de 1994, no caso de trabalhadores inscritos até 28 de novembro
de 1999. Para os inscritos a partir de 29 de novembro de 1999, o salário
de benefício será a média dos 80% maiores salários
de contribuição de todo o período contributivo.
“Não concordamos com isso
e ainda queremos discutir com o governo. É um absurdo cortarem
o benefício desta maneira”, disse João Batista Inocentini,
presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força
Sindical.
A advogada previdenciária Tiziane
Machado tem a mesma opinião. “Ao fazer isso, o governo desprotege
quem trabalhou a vida inteira. Essas pessoas serão muito prejudicadas”,
comentou. Segundo ela, os benefícios terão uma redução
de até 10%. “Para quem recebeu durante todo o ano um salário
de R$ 1 mil, o benefício será de R$ 910. Porém,
se a pessoa recebeu R$ 800 durante seis meses e R$ 1 mil durante os outros
seis meses, o auxílio pago cairá para R$ 900”, explicou.
Outra medida do pacote, entretanto, agradou à categoria.
Trata-se da criação de um fórum nacional para discutir
a Previdência Social. Ao promover debates entre representantes
dos trabalhadores, aposentados e o governo, a idéia é aperfeiçoar
e criar sustentabilidade ao regime de previdência social no País.
“O governo está fazendo a
sua parte ao nos chamar para discutir essas questões. Agora, a
responsabilidade será nossa para conseguirmos mudar a má administração
e modernizar o sistema, por exemplo”, opinou Inocentini.
IR terá correção
de 4,5% anuais até 2010
Com o anúncio do Pacote de
Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal confirmou
a intenção de corrigir a tabela do Imposto de Renda (IR)
em 4,5% até 2010 - mesmo índice aplicado este ano. O
reajuste vale tanto para as faixas de rendimento da pessoa física
como para os limites de dedução com despesas de educação
e com dependentes. Assim, no ano que vem, por exemplo, serão
considerados contribuintes isentos aqueles que receberem até R$
1.372,81 por mês. Já os trabalhadores com salários
entre R$ 1.372,82 e R$ 2.743,25 pagarão a alíquota de
15%, segundo cálculos do economista e diretor do Instituto de
Treinamento, Assessoria e Consultoria Ltda. (ITAC), José Dutra
Vieira Sobrinho. Esta, inclusive, foi uma das únicas medidas
do PAC elogiadas pela Força Sindical.
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de janeiro de 2007
Atividade de risco
Empresa é condenada por morte
de funcionário em GO
A empresa tem obrigação
de indenizar quando ficar comprovada a falta de fiscalização
e supervisionamento no trabalho de seus funcionários. O entendimento é da
3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás,
que condenou a Copebrás a indenizar a família de um funcionário
morto durante corte e derrubada de árvores, em Goiás.
A indenização foi fixada
em R$ 30 mil corrigidos monetariamente, além do pagamento de um
salário mínimo mensal à viúva e à filha
da vítima. Elas ajuizaram recurso no Tribunal de Justiça
goiano porque na primeira instância os juízes entenderam
que não ficou comprovado o nexo e a causa do acidente.
No TJ, o desembargador Rogério
Arédio Ferreira explicou que não ficou demonstrada negligência
e imprudência da empresa. No entanto, os depoimentos comprovam
que houve falha na vigilância e fiscalização do serviço
de corte e derrubada de árvores que estava sendo executado pelo
funcionário.
“Errou ainda mais ao eleger seus
encarregados de serviços e técnicos de segurança
do trabalho, os quais sequer se fizeram presentes, no dia e exato local
do acidente do trabalho, para orientar e fiscalizar os serviços
executados”, afirmou o desembargador.
Segundo ele, o corte de árvores é atividade
que envolve não só a habilidade e destreza do empregado,
mas requer ainda diligência constante e ininterrupta da parte dos
empregadores, a quem a lei incumbiu o dever de fiscalização.
“A responsabilidade da contratante
vai além do fornecimento dos equipamentos de segurança
e treinamento, devendo manter-se em estado constante de fiscalização
e supervisão, mormente quando se tratar de atividade de alto risco,
cujas ferramentas e condições de trabalho expõem
os empregados a situações de eminente risco”, finalizou
o desembargador.
Leia o acórdão
Apelação Cível. Ação
Reparatória de Danos Materiais e Morais. Evento Danoso Morte.
Atividade Laborativa de Risco. Responsabilidade Civil Contratual. Artigo
159 do CC/a916. Prova Testemunhal Robusta. Culpas In Vigilando e In Eligendo
Demonstradas. Nexo de Causalidade não Afastado. Reparação
dos Danos Morais. Devida. Indenização na Forma de Pensionamento
em Salários Mínimos pelo Advento do Óbito. Cabível.
Súmula 490/STF.
Constituição de Capital.
Autorizada pelo Artigo 475-Q, § 1º do CPC e Sújula 313/STJ.
Verba Honorária nos Moldes do Artigo 20, § 3º do CPC.
1 — Verificados o evento morte, as culpas in
vigilando e in eligendo e o nexo de causalidade entre o óbito
e a realização da atividade laborativa, torna-se devida
a reparação dos danos morais suportados pelos familiares
da vítima e a indenização pecuniária dos
mesmos.
2 - A prova testemunhal
demonstrou de forma incontestável que as apeladas não supervisionaram
in loco o trabalho da vítima, restando evidenciada a falta de
diligência das empregadoras, assim, demonstrada está a culpa
in vigilando.
3 - A inobservância
do dever de diligência pelas apeladas no momento da execução
do trabalho da vítima, associada a obrigação contratual
indissociável a relação empregatícia legitimam
a reparação dos danos morais e o pensionamento a título
de indenização.
4 - Ainda que não houvesse sido materializada
a culpa aquiliana das apeladas, o artigo 159/CC de 1916 determinava
a responsabilidade contratual das recorridas e o dever de indenizar.
5 - A Súmula 490/STF
autoriza a indenização pelo evento morte na forma de pensioamento
estipulado em salários mínimos. Entendimento também
adotado pela Lei Processual Civil. Inteligência do artigo 475-Q, § 4º/CPC.
6 - É devida a
exigência de reserva de patrimônio com o fim de garantir
o regular pagamento da pensão indenizatória mediante a
constituição de capital. Exegese do artigo 475-Q, § 1º,
conjugado com a Súmula 315/STJ. Sentenção de 1º grau
reformada. Apelo conhecido e parcialmente provido.
Apelação Cível 84813-5/188 – 2004.024.00-890
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/01/2007
Acordo coletivo que não traz vantagem
ao empregado é inválido
O acordo coletivo que estipula uma jornada
superior àquela constitucionalmente estabelecida, sem criar, em
contrapartida, qualquer benefício para os trabalhadores, não
pode ser considerado fruto de uma verdadeira ou regular negociação
coletiva, aproximando-se mais de uma renúncia de direitos para
a qual o sindicato não está autorizado a negociar.
A decisão foi tomada pela unanimidade
dos ministros que compõem a Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho que, acompanhando o voto do ministro José Simpliciano
Fernandes, não conheceu do recurso de revista interposto pela
empresa Continental do Brasil Produtos Automotivos Ltda.
Um ex-empregado da Continental ajuizou
reclamação trabalhista pleiteando o pagamento, como extra,
das sétima e oitava horas trabalhadas em turnos ininterruptos
de revezamento. O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas/SP) decidiu favoravelmente ao empregado segundo o acórdão,
a jornada constitucional de empregado que trabalha em regime de turnos
ininterruptos de revezamento é de seis horas e a elevação
dessa jornada só é possível através de negociação
coletiva, que pressupõe algum tipo de vantagem para o trabalhador.
Analisando as cláusulas do acordo
coletivo firmado com a categoria profissional do empregado, o TRT constatou
que o instrumento normativo não poderia ser considerqado válido
pois elasteceu a jornada de trabalho de seis para oito horas, em regime
de turnos ininterruptos de revezamento, sem oferecer qualquer benefício
para os trabalhadores. Assim, condenou a empresa a pagar, como extra,
as horas trabalhadas a partir da sexta.
A empresa, recorreu ao TST. Alegou que
o acordo coletivo firmado com a categoria profissional autorizou o elastecimento
da jornada e que a Constituição Federal, em seu artigo
7º, XIV, não impõe qualquer condição à negociação
coletiva.
O ministro Simpliciano Fernandes, em seu
voto, reafirmou a tese do TRT de Campinas. “Estabelecida a irregularidade
da negociação coletiva firmada, porquanto inexistente a
contrapartida assecuratória da transação presumida
no certame coletivo, não está autorizado o elastecimento
da jornada em turnos ininterruptos de revezamento”, destacou. (RR-784901/2001.7)

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