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Nova Central, 26 de janeiro
de 2007
Desemprego no mundo bateu recorde histórico
em 2006, revela OIT
O desemprego no mundo registrou em 2006 um recorde
histórico, com
195,2 milhões de pessoas sem ocupação, embora a taxa
de desemprego (dos que não encontram trabalho) tenha caído
um décimo em relação ao ano passado, ficando em 6,3%,
informou hoje a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O número de pessoas com mais de 15 anos que querem e podem trabalhar,
mas não conseguem emprego, "está em seu nível
mais alto, apesar do robusto crescimento econômico mundial dos últimos
anos", lamentou hoje o costarriquenho José María Salazar,
diretor da divisão de emprego da OIT.
Em seu último relatório anual sobre Tendências Mundiais
do Emprego, divulgado hoje em Genebra, a organização da
ONU adverte que, embora agora o número de pessoas que nunca trabalharam
seja maior, o número de desempregados também chegou a um
recorde histórico. No entanto, após a apresentação
do relatório, o responsável pela divisão de Tendências
no Emprego da OIT, Lawrence Jeff Johnson, reconheceu à Efe que, "apesar
do aumento em números absolutos do número de pessoas sem
ocupação no mundo, o (número) de pessoas que trabalham
cresce a um ritmo superior". Além disso, desde 2002, a taxa
de desemprego reduziu no mundo todo em três décimos.
Mesmo assim, a OIT continua transmitindo uma mensagem
pessimista, já que
o forte crescimento econômico, que "será difícil
manter por tempo indeterminado", não se traduz em criação
de empregos, tal como ocorria há dez anos, mas unicamente em aumento
de produtividade, com exceção de alguns países.
A produtividade aumentou 26% na última década, enquanto
a criação de empregos cresceu 16,6%. "A criação
de empregos dignos e produtivos é essencial para reduzir o número
de famílias que vivem em situação de pobreza, o
que, por sua vez, é um requisito para o desenvolvimento e o crescimento
econômico no futuro", defendeu Salazar.
Entre os grandes desafios que a humanidade enfrenta
no âmbito
trabalhista está o de tirar da pobreza cerca de 1,37 bilhão
de trabalhadores que vivem com menos de US$ 2 por dia. Em contrapartida,
nos últimos cinco anos, os analistas descobriram em todas as regiões
uma queda ou estabilização no número de trabalhadores
que vivem com menos de US$ 1, exceto na África Subsaariana (onde
este número aumentou em 14 milhões de pessoas).
Ano após ano, a OIT insiste também na necessidade de reduzir
o desemprego entre os jovens que têm entre 15 e 24 anos, segmento
da população que mais se vê afetado pelo desemprego.
Concretamente, a organização calcula que 86,3 milhões
de jovens que querem e podem trabalhar não encontram emprego,
o que representa cerca de 44% de todos os desempregados do mundo em 2006.
Outro problema que persiste no mercado de trabalho
em todo o mundo são
as desigualdades de condições entre homens e mulheres.
O relatório revelou que 74% dos jovens com mais de 15 anos estão
trabalhando, enquanto entre as mulheres nesta faixa etária este
número é de 49,6%. Por zonas geográficas, as regiões
que melhor combateram o desemprego em 2006 foram as economias industrializadas
e a União Européia (UE), onde a taxa caiu 0,6 ponto percentual,
para 6,2%.
No entanto, os níveis de desemprego mais baixos do mundo continuam
sendo registrados na Ásia Oriental, onde a taxa é de 3,6%,
enquanto na Ásia Meridional foi de 5,2% e na Ásia Sudeste
e Pacífico, de 6,6%. O Oriente Médio e a África
do Norte continuaram sendo as regiões com as maiores taxas de
desemprego (12,2%), seguidas pela África Subsaariana (9,8%), que
lidera a lista de lugares com maior taxa de trabalhadores pobres.
"Ali, 8 em cada 10 pessoas vivem em famílias com menos de
U$ 2 ao dia por pessoa", afirma o relatório, o que "põe
em evidência a importância de abordar como prioridade mundial
e regional o déficit de trabalho digno na África".
Em geral, e apesar dos pequenos avanços, a conclusão a
partir do relatório da OIT é de que os jovens têm
mais dificuldades que os adultos para entrar no mercado de trabalho,
as mulheres ainda não têm as mesmas oportunidades que os
homens e que existe uma grande carência de trabalho digno.
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Congresso em Foco, 26 de
janeiro de 2007
Por meio de carta, Fruet diz que Câmara terá autonomia
O candidato do PSDB à presidência da Câmara, deputado
Gustavo Fruet (PR), garante que, se for eleito, a Casa será independente
em relação ao governo federal. Em carta que será enviada
hoje (25) aos 513 deputados, Fruet diz: "Queremos ter a oportunidade
de mostrar que a relação entre os Poderes pode ser respeitosa,
sem ser subalterna ou submissa".
O deputado afirma, no documento, que a autonomia
da Câmara é um "imperativo
da democracia". Ele avalia que “nada é mais danoso à democracia
do que um Legislativo débil, especialmente quando ele abdica de
suas prerrogativas".
Para Fruet, a presidência da Câmara deve ser exercida sob
conceitos modernos de liderança, “segundo os quais todos,
e não apenas alguns, são chamados para assumir o papel
de protagonistas que o mandato lhes confere”.
Na carta, o candidato tucano coloca 12 temas que
são, na sua
opinião, prioritários para a Câmara. Entre eles,
o deputado cita a aprovação do fim do voto secreto na Casa;
a correção da inflação para o reajuste salarial
dos deputados; a reestruturação da comissão do orçamento;
e o respeito aos critérios de edição de medidas
provisórias.
"É inaceitável que a presidência da República
possa fazer leis, como tem feito, com baixíssimo nível
de controle por parte do Congresso. É também inconcebível
que os vetos presidenciais não sejam apreciados. Essa omissão
do Congresso reforça o poder de legislar do Executivo, deixando
o Legislativo desmoralizado", ressalta Fruet.
Fruet divulgou a carta nesta quinta durante reunião com deputados
do PPS, que anunciaram apoio à sua candidatura na quarta (24). "A
partir de agora, vamos intensificar o corpo a corpo, ainda mais com essa
carta de compromisso". Além de Fruet, disputam a eleição
para a presidência da Câmara os candidatos Aldo Rebelo (PC
do B-SP), que tenta a reeleição, e Arlindo Chinaglia (PT-SP).
A eleição está marcada para o próximo dia
1º de fevereiro.
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Folha
de São Paulo,
26 de janeiro de 2007
Déficit na Previdência cresce
11,9% em 2006
Rombo de R$ 42,1 bi fica pouco abaixo do esperado CLÁUDIA DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O déficit nas contas da Previdência somou R$ 42,067 bilhões
no ano passado, um aumento de 11,9% com relação a 2005,
quando a conta ficou negativa em R$ 37,576 bilhões. O ministro
da Previdência, Nelson Machado, considerou o resultado "bom",
porque ficou um pouco abaixo do déficit esperado pelo governo,
de R$ 42,4 bilhões, e bem abaixo das expectativas de analistas,
de cerca de R$ 50 bilhões. No início do governo Luiz Inácio
Lula da Silva, em 2003, o déficit fechou em R$ 26,4 bilhões.
Na administração anterior, segundo mandato de Fernando
Henrique, o rombo também quase dobrou, saltando de R$ 9,4 bilhões
em 1999 para R$ 17,1 bilhões em 2002.
Na avaliação de Machado, as contas da Previdência
são sustentáveis pelos próximos quatro ou cinco
anos e não há risco de explosão do déficit.
Mas ele acha que é preciso encontrar uma solução
para o crescente déficit antes de 2020. O governo instala no próximo
dia 12 o Fórum Nacional de Previdência, que terá seis
meses para discutir com representantes dos trabalhadores, aposentados,
pensionistas, empregadores e do governo um novo modelo para a Previdência,
como consta do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento),
anunciado na segunda.
"Todos sabem que a população está envelhecendo,
e a expectativa de vida, aumentando. A Previdência nada mais é do
que um pacto entre os trabalhadores que estão na ativa e os que
estão aposentados, mas o modelo de hoje está amarrado ao
que havia na década de 70. Agora é preciso criar um novo
pacto para os próximos 30, 40 anos", disse. Ele afirmou que
a reforma que será feita depois das discussões no fórum
vai manter benefícios adquiridos. "Não é para
mexer nos direitos adquiridos nem nos direitos dos trabalhadores que
estão prestes a se aposentar, portanto, não precisa nenhuma
corrida para se aposentar."
No ano passado, a arrecadação líquida da Previdência
somou R$ 123,5 bilhões e as despesas com o pagamento de 24,4 milhões
de benefícios, incluindo auxílios-doença. Ainda
há cerca de 28 milhões de trabalhadores fora do sistema.
Descontadas as renúncias fiscais com o Simples, para as entidades
filantrópicas e para a exportação do setor rural,
que são despesas do Tesouro Nacional, o déficit da Previdência
cai para R$ 22,1 bilhões.
"Em 2007 o foco serão os benefícios por incapacidade.
Há uma indicação de que os pagamentos de auxílio-doença,
acidente e aposentadoria por invalidez estão fora dos parâmetros
internacionais", afirmou. Do total dos benefícios pagos em
2006, 14% foram por incapacidade. Segundo Machado, o padrão internacional é de
7% ou 8%. Cerca de 50% dos que estão incluídos nas listas
desses auxílios recebem mais do que o último salário
pago quando estavam na ativa.
Na opinião de Machado, para os próximos anos, é possível
melhorar os números da Previdência com medidas de gestão
que incluem a aprovação de dois projetos de lei que estão
na Câmara: a criação da Super Receita, que unifica
a Secretaria de Receita Previdenciária e a da Receita Federal,
e o projeto de lei que altera o método de cálculo do auxílio-doença.
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Folha
de São Paulo,
26 de janeiro de 2007
Desemprego fecha ano com média de
10%
Taxa de dezembro foi de 8,4%, e no governo Lula,
média ficou em
10,9%; renda e formalização cresceram em 2006 | Economia
desaquecida impediu redução do desemprego, que se manteve
no mesmo nível de 2005 (9,8%), segundo IBGE PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Com a taxa de 8,4% em dezembro, o desemprego nas
seis principais regiões
metropolitanas do país fechou o ano de 2006 na média de
10%. Ficou praticamente no mesmo nível de 2005 -9,8%-, segundo
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na média
dos quatro anos do governo Lula, a taxa de desemprego foi de 10,9%. Em
2002 (março a dezembro), último ano do governo FHC e primeiro
da nova pesquisa de emprego do IBGE, era maior: 11,7%. Para o IBGE, faltou
um crescimento econômico mais vigoroso no ano que fosse capaz de
fazer a taxa ceder. "Para o desemprego cair, o PIB teria de crescer
mais e a economia estar aquecida", disse Cimar Azeredo Pereira,
gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.
Tal cenário de crescimento baixo em 2006 se refletiu numa geração
de postos de trabalho insuficiente para atender a procura, disse o IBGE.
O número de pessoas ocupadas em 2006 cresceu 2,3%, menos do que
em 2005 (3%). Já a procura por trabalho, sinalizada pelo total
de desempregados, cresceu 4%, interrompendo uma seqüência
de dois anos em queda (-13,4% e -5% em 2004 e 2005). "Em termos
qualitativos, foi um ano bom para o mercado de trabalho porque o rendimento
subiu e foram gerados postos formais, mas quantitativamente não
houve uma expansão significativa do emprego", afirmou Azeredo.
Em 2006, o rendimento médio subiu 4,3% ante 2005, estimado a
R$ 1.045,75. "A procura por trabalho foi muito maior em 2006 do
que em 2005, o que impediu uma queda da taxa de desemprego. Duas hipóteses
explicam essa maior busca por emprego: o próprio período
eleitoral, que alentou as pessoas a conseguirem um trabalho, e o aumento
da renda, que tornou o mercado mais atrativo para muitas pessoas que
passaram a procurar um emprego", avalia Marcelo de Ávila,
economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Ao analisar especificamente o mês de dezembro, Azeredo, do IBGE,
disse que a queda de 291 mil no número de pessoas desocupadas
ante novembro fez a taxa cair, como tradicionalmente ocorre no último
mês do ano. Mais uma vez, disse, tal movimento foi reflexo da menor
procura e não da geração de vagas, que estagnou
nos três últimos meses de 2006. A ocupação
ficou estatisticamente estável em dezembro, em 0,1%, ou 27 mil
postos. "Em 2006, o emprego urbano no Brasil não apresentou
o mesmo dinamismo que teve no ano anterior, pois a evolução
do número médio de pessoas ocupadas foi de 2,3%, ante 2,9%
em 2005", disse nota do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial).
Mais qualidade
Se o emprego não foi tão bem, o mesmo não se pode
dizer do nível de formalização do mercado de trabalho,
que só fez crescer no ano passado. O número de pessoas
empregadas com carteira de trabalho assinada subiu 5,2%, acima da média
da ocupação. Totalizou 8,4 milhões de pessoas nas
seis regiões pesquisadas. Em São Paulo, o incremento desse
contingente chegou a 14,6% em 2006. De 2003 a 2006, houve um acréscimo
de 985 mil pessoas com carteira assinada, o que fez a participação
desse contingente no total de ocupados subir de 39,7% para 41,4%.
Na contramão, o total de trabalhadores sem carteira caiu 3,5%
de 2005 a 2006. Desde 2003, porém, mantém expansão
de 3,1%. Ainda assim, a participação dos informais no total
de ocupados cedeu de 15,5% para 14,8%. Os trabalhadores por conta própria
também perderam espaço -de 20% em 2003 para 19,1% em 2006.
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Folha
de São Paulo,
26 de janeiro de 2007
Sob Lula, 2,5 mi de empregos são criados nas metrópoles
DA SUCURSAL DO RIO
Nos quatros anos do primeiro mandato
do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, foram criados 2,491 milhões de empregos nas seis
principais regiões metropolitanas do país -Rio de Janeiro,
São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife. Em
2006, a geração de vagas somou 520 mil, acima das 474 mil
criadas em 2005. Os dados foram compilados pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) e são referentes ao mês
de dezembro de cada ano.
O recorde na geração líquida (aumento de empregos
descontadas as demissões) foi em 2003, quando a crise econômica
provocou uma substituição de parte da força de trabalho
formal (mais bem remunerada) pela informal. Naquele ano, o número
de empregos abertos foi de 851 mil. "O problema é que esse
total foi quase todo informal", pondera Marcelo de Ávila,
economista do Ipea.
Na avaliação dele, o mercado de trabalho das maiores metrópoles "tem
uma barreira" de geração de postos de trabalho que
parece oscilar na casa de 500 a 600 novas vagas ao ano. Tal limite, diz, é compatível
com a baixa expansão da economia brasileira nos últimos
anos. Para gerar mais postos, afirma, é preciso ampliar o ritmo
de expansão do PIB para acima de 4% e sustentar esse patamar por
alguns anos. "O emprego e o crescimento estão, claro, diretamente
relacionados."
Em dezembro de 2006, o número de pessoas ocupadas nas seis regiões
pesquisadas pelo IBGE era de 20,759 milhões. Já os desempregados
somavam 1,893 milhões. O Iedi avalia que em 2006 "o dinamismo
do mercado de trabalho urbano" foi menor (apesar do crescimento
de vagas). O instituto diz que "o motivo central" para que
a taxa de desemprego não tivesse caído foi o aumento da
oferta de trabalho, provocado pelo crescimento do rendimento médio
real.
Perspectivas
Para Cimar Azeredo Pereira, do IBGE, o fato de ocupação
ter ficado estagnada no último trimestre do ano passado traz dúvidas
quanto à evolução do emprego em janeiro. A julgar
pela tendência histórica, diz, é provável
que a taxa de desemprego aumente neste mês, puxada pelo crescimento
do contingentes de desempregados após as demissões dos
temporários. Além disso, afirma, a procura por trabalho
também sobe em janeiro, passadas as festas de final de ano.
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Folha
de São Paulo,
26 de janeiro de 2007
Renda cresce em 2006, mas não
recupera perda
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar do crescimento registrado
em 2006 (4,3%), a renda real do trabalhador nas seis principais regiões metropolitanas ainda não recuperou
todas as perdas provocadas pela recessão de 2002 e 2003, detonada
pela sucessão eleitoral. No período, a retração
ficou em 7,3%, segundo o IBGE. Na média de 2006, a renda foi estimada
em R$ 1.045,75. Em 2002, era de R$ 1.127,53. Em 2005, o rendimento também
cresceu, 2%. Ainda assim, os dois últimos anos de expansão
foram insuficientes para compensar o tombo de 12,2% sofrido em 2003,
primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O rendimento está melhorando, mas ainda não conseguiu
recompor as perdas de 2003", disse Cimar Azeredo Pereira, gerente
da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Considerando o ano de 2003 como
referência, a renda média subiu 5,6% desde então.
De acordo com o IBGE, um dos principais motivos para a recomposição é a
formalização acelerada do mercado de trabalho em 2006,
já que empregados com carteira assinada ganham mais.
"O emprego com carteira está puxando o rendimento para cima,
embora ainda não tenha recuperado as perdas de 2003, pois, naquele
ano, a queda foi muito abrupta", disse Marcelo de Ávila,
do Ipea. Segundo o Iedi, a massa real de rendimento cresceu 6,7% no acumulado
de 2006, mantendo a tendência de expansão de 2005 (5%). "É a
massa de rendimento que define, em última instância, a capacidade
de consumo da população. Vem daí o dinamismo que
o mercado consumidor interno brasileiro vem demonstrando, a despeito
de que isso não se traduz em aumento correspondente do PIB",
avalia o Iedi.
Perdas
Pelos dados do IBGE, foi a camada mais pobre da
população
que mais sofreu em 2006. Para a faixa dos 10% com menores rendimentos,
a queda da renda ficou em 2,9%. Nessa faixa, o ganho médio mensal
era de apenas R$ 164,70. No outro extremo, o dos 10% mais ricos, a renda
também caiu -1,5%. O rendimento médio dessa faixa era de
R$ 3.945,20.
Foram, segundo o IBGE, as faixas de renda que oscilam
em torno do salário
mínimo aquelas que mais ganharam. Puxadas pelo reajuste real de
13% do mínimo, a faixa cuja renda média era de R$ 309,27
registrou crescimento de 9,4%. Na de R$ 363,39, a alta ficou em 8,8%.
(PS)
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Folha
de São Paulo,
26 de janeiro de 2007
PIB chinês cresce 10,7% em 2006,
maior taxa em 11 anos
Volume de investimentos é de 52% do PIB; no Brasil, índice
está em torno de 20,5% | Exportação e investimentos
são motores da China, que se aproxima da Alemanha no ranking das
maiores economias do mundo CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Enquanto o Brasil discute
os caminhos para crescer acima de 3%, a China anunciou ontem que seu
PIB aumentou
10,7% no ano passado, o mais alto índice
desde 1995, quando a expansão foi de 10,9%. O crescimento ficou
acima dos 10,5% estimados anteriormente e aproximou a China da Alemanha,
que ocupa o terceiro lugar no ranking das maiores economias do mundo,
atrás de EUA e Japão. Com a alta de 10,7%, o PIB chinês
alcançou US$ 2,68 trilhões (considerando um câmbio
de 7,8 yuans por dólar). O tamanho da economia alemã aumentou
para US$ 2,89 trilhões em 2006, segundo estimativas do FMI. Em
2008, a economia da China deve passar a da Alemanha.
O alto índice de investimentos e o crescimento das exportações
continuam a ser os principais motores da ascensão chinesa. O volume
de investimentos aumentou 24% e atingiu US$ 1,4 trilhão -52% do
PIB. No Brasil, os investimentos tiveram expansão próxima
de 6% em 2006 e ficaram em torno de 20,5% do PIB. A diferença
explica por que o Brasil tem dificuldade para crescer mais de 3% e a
China, menos de 10%. Os investimentos são destinados à construção
de fábricas, compra de máquinas e equipamentos, abertura
de estradas e outras atividades que se enquadram na definição
de "ativo fixo", que ampliam a capacidade de produção
de um país.
Sem expansão de investimentos, não é possível
crescer a taxas elevadas por longo prazo. Na avaliação
de economistas, o percentual de 20,5% de investimentos em relação
ao PIB registrado no Brasil é compatível com crescimento
de 2% a 3%. O setor externo também foi crucial para o alto índice
de crescimento da China em 2006. As exportações tiveram
alta de 27,2%, para US$ 969,1 bilhões, acima do percentual de
20% de aumento das importações, que somaram US$ 791,6 bilhões.
O saldo comercial atingiu o recorde de US$ 177,5 bilhões, valor
que supera em 74% o que foi registrado em 2005.
No Brasil, as exportações cresceram em ritmo menor que
o das importações, o que teve impacto negativo sobre a
evolução do PIB. Economistas estimam que o comércio
externo diminuiu o crescimento em cerca de 1,2 ponto percentual, o que
limitou a expansão do PIB a algo próximo de 2,8%. As vendas
do Brasil para outros países subiram 16%, para US$ 137 bilhões,
enquanto as compras tiveram alta de 24% e somaram US$ 91 bilhões.
A China voltou a receber
em 2006 um volume recorde de investimentos estrangeiros diretos, que
atingiram US$ 63
bilhões -alta de 4,5%.
No Brasil, esse indicador subiu 24,7%, para US$ 18,78 bilhões.
O país asiático cresceu 10,7% apesar das medidas de contenção
adotadas pelo governo na tentativa de evitar o superaquecimento da economia.
A mais importante delas foi a elevação da quantidade de
dinheiro que os bancos devem deixar imobilizada no banco central. O chamado
depósito compulsório subiu três vezes, o que reduziu
em US$ 38 bilhões os recursos disponíveis para empréstimos,
uma das principais fontes dos investimentos. O banco central também
elevou as taxas de juros em abril de 5,58% para 5,85% ao ano.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26
de janeiro de 2007 | Brasil
Previdência vai rever todas
as aposentadorias por invalidez
Número de benefícios pagos é o
dobro do padrão internacional
Brasília – O ministro da Previdência
Social, Nelson Machado, anunciou ontem que o governo fará a
partir desse ano uma reavaliação de aposentadorias
por invalidez e auxílios-doença pagos pelo Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). Essa será mais uma medida
de gestão na tentativa de melhorar as contas da Previdência.
Machado não quis revelar detalhes
do plano, mas disse que é preocupante o fato de o número
deste tipo de benefício equivaler a 14% do total de contribuintes
pessoas físicas do INSS, quando o padrão internacional
está na faixa de 7% a 8%.
Rebateu, no entanto, qualquer comparação com o censo previdenciário
que está em andamento para detectar pagamentos indevidos entre 17 milhões
de aposentados e pensionistas. A idéia não é tratar o
problema como casos de irregularidades, mas como uma “disfunção” do
sistema brasileiro. O plano deverá incluir ações integradas
de reabilitação dos trabalhadores, análise da capacidade
laboral de cada um e recolocação no mercado de trabalho. “Não
se trata de apenas chamar as pessoas para verificar se continuam ou não
incapazes”, afirmou, acrescentando que o plano ainda está sendo
desenhado. Ele garantiu, no entanto, que a base para sua execução
já existe: o aumento do número de médicos peritos.
Transparência
No próximo dia 12 de fevereiro,
disse Machado, será instalado o Fórum Nacional de Previdência
Social, criado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como
uma das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). O Fórum, destacou o minsitro, terá a missão
de discutir um novo modelo previdenciário para o país para
ser implementado gradualmente ao longo dos próximos anos. Segundo
ele, no curto prazo, a idéia é centrar a administração
da Previdência na melhoria da gestão.
A orientação do governo é que
o Fórum entregue suas primeiras propostas no fim deste ano. Machado
enfatizou que uma nova reforma não vai “tolher direitos
de aposentados e pensionistas” nem prejudicar quem estiver muito
próximo da aposentadoria no momento que em ela entrar em vigor. “Por
isso ninguém que esteja próximo de se aposentar precisa,
ao ouvir falar em nova reforma, correr para se aposentar”, completou.
O ministro defendeu ainda uma nova metodologia
de apresentação dos números da Previdência à sociedade.
Machado pretende que as contas da Previdência sejam debatidas no
Fórum.
Segundo ele, é preciso “dar
mais clareza e transparência” ao assunto para evitar as visões “catastróficas
de que o déficit da Previdência é incontrolável
e explosivo”.
Ele argumentou que é preciso mostrar
quanto do “déficit seco” é causado por renúncias
fiscais e quanto vai para os benefícios pagos aos segurados urbanos
e rurais. Machado reconheceu que essa “nova contabilidade” não
muda o efeito do déficit nas contas públicas. “Há um
déficit e ele tem que ser coberto e quem fez, faz e continuará fazendo
isso é o Tesouro Nacional, mas é importante que a sociedade
conheça como ele é composto”, afirmou.
Interatividade
Você acha que a reavaliação
das aposentadorias por invalidez vai acertar as contas da Previdência?
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/01/2007
Ausência de gratuidade afasta natureza
salarial de parcela
O fornecimento de alimentação
pela empresa, de forma não gratuita, impede a caracterização
dessa verba como parcela de natureza salarial. Sob esse entendimento,
manifestado pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga (relator), a
Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho deferiu recurso de revista
a uma empresa gaúcha. A decisão exclui os reflexos decorrentes
do fornecimento de café da manhã de condenação
imposta à Liquigás Distribuidora S/A .
A decisão tomada pelo TST reforma
acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul), que considerou o fornecimento da refeição
matinal a um ex-empregado da Liquigás como parcela do salário. “A
prova pericial dá conta de que o valor médio das refeições
servidas pela empresa importava em R$ 2,30 a R$ 2,60, sendo descontado,
a título de café da manhã, o valor de R$ 0,01”,
considerou o TRT-RS.
Verificado o valor ínfimo descontado
do trabalhador, o TRT entendeu pela gratuidade do fornecimento da parcela
e, assim, pela aplicação do artigo 458 da CLT ao caso.
O dispositivo legal dispõe que “além do pagamento
em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais,
a alimentação, a habitação, vestuário
ou outras prestações ‘in natura’ que a empresa,
por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao
empregado”.
No TST, contudo, a decisão
regional foi considerada como equivocada em relação ao
artigo 458 da CLT. Aloysio Veiga, em seu voto, observou que “se
houver cobrança da utilidade pelo empregador, deixará de
ter natureza salarial a prestação então concedida”.
Ainda que o desconto sobre a remuneração do trabalhador
seja efetuado em “valor ínfimo”, explicou o relator
do recurso, não poderá ser atribuída natureza
salarial à parcela. (RR 1096/2003-202-04-00.1)
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26/01/2007
TST decide sobre prescrição
aplicável ao trabalhador rural
A prescrição qüinqüenal,
estabelecida no artigo 7º, XXIX, da Constituição Federal,
só pode ser aplicada ao trabalhador rural que teve seu contrato
de trabalho iniciado antes da vigência da emenda Constitucional
28/00 e extinto após a norma referida, quando decorridos cinco
anos da publicação da norma atual, sob pena de se ferir
o princípio da irretroatividade da lei.
A decisão é da Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho que, acompanhando o voto do ministro
José Simpliciano Fernandes, não conheceu do recurso de
revista interposto pelos proprietários da Usina de Açúcar
e Agropecuária Santa Terezinha, no Paraná.
A ação foi interposta por
um trabalhador rural, analfabeto, contratado pelos usineiros em março
de 1982 para atuar no corte de cana, com salário por produção,
o que lhe rendia mensalmente R$ 286,98 para uma jornada de 6h às
17h30. Demitido sem motivo em maio de 2001, o ruralista ingressou, em
agosto do mesmo ano, com uma reclamação trabalhista, pleiteando
horas extras não pagas, intervalo intrajornada, horas in itinere,
complementação do 13° salário, aviso-prévio,
férias proporcionais, dentre outros pedidos.
A usina, em contestação,
alegou a existência de oito contratos de trabalho distintos, com
prazos que iniciam em 1983 e terminam em 2001. Alegou a existência
da prescrição qüinqüenal das verbas anteriores
a 1996. O juiz da 3ª Vara do trabalho de Maringá deu parcial
razão ao empregado, mas considerou prescritas as verbas dos períodos
contratuais, com exceção do último período
trabalhado (de 18/03/94 a 22/05/01).
O empregador, insatisfeito, recorreu da
decisão pretendendo o reconhecimento da prescrição
qüinqüenal das verbas anteriores a 03/08/96, tendo em vista
que a ação foi interposta em 03/08/01. O Tribunal Regional
do trabalho da 9a Região (Paraná) manteve inalterável
a sentença. Novo recurso foi interposto, dessa vez ao TST.
O ministro Simpliciano Fernandes, em seu
voto, confirmou a tese do TRT paranaense. “O objeto da controvérsia
consiste em se definir se a prescrição qüinqüenal
alcança a pretensão do trabalhador rural que teve seu contrato
de trabalho extinto na vigência da Emenda Constitucional 28, de
25/05/2000, que deu nova redação ao inciso XXIX do artigo
7º da Constituição da República e alterou o
prazo prescricional aplicável aos rurícolas”, explicou
o ministro. No caso, o contrato de trabalho do empregado teve início
antes da edição da referida emenda constitucional e foi
extinto após a vigência da lei nova, em 22/05/2001, o que
fez surgir um aparente conflito de direito intertemporal.
“Inicialmente, há que se
ter em conta o princípio geral segundo o qual a lei vale para
o futuro, ainda que de eficácia imediata. Nesse sentido, se até a
Emenda Constitucional 28/2000 não fluía a prescrição
na constância do contrato de trabalho dos trabalhadores rurais,
visto que para eles, desde a Lei 5.889/73, a única prescrição
prevista era a bienal, com termo inicial na data da extinção
do contrato de trabalho, a prescrição qüinqüenal
só poderá ser aplicada, decorridos cinco anos da publicação
da norma atual, sob pena de ferir o princípio da irretroatividade
da lei”, destacou. (RR-2622/2001-661-09-00.1)

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