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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de janeiro de 2007 | Brasil
Em Davos, empresários vêem
Previdência como problema
Participantes do fórum, encerrado
ontem, contestam posição defendida por Lula | Petista
havia dito que déficit no INSS não é entrave
para crescimento do Brasil, se retirados os trabalhadores que não
deram contribuição
CLÓVIS ROSSI
SHEILA D'AMORIM
ENVIADOS ESPECIAIS A DAVOS
Do discurso brasileiro sobre crescimento
durante a passagem da comitiva do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos, ficou uma
certeza entre os empresários e investidores presentes com interesse
no país: o Brasil não terá como fugir de atacar
o problema da Previdência Social para alcançar taxas de
crescimento acima de 5% ao ano.
A avaliação é que
a mensagem que o presidente, os três ministros -Guido Mantega (Fazenda),
Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Celso Amorim (Relações
Exteriores)- que o acompanharam e o presidente do Banco Central, Henrique
Meirelles, tentaram passar nos encontros que tiveram precisa de ações
concretas nesse campo.
Para Gilberto Marin Quintero, executivo
do grupo P.I Mabe, fabricante de fraldas descartáveis, do México,
Lula falou em acelerar o crescimento brasileiro, mas sem mencionar números.
Segundo ele, a questão fiscal é um ponto importante para
destravar a economia no país, assim como a trajetória dos
juros e precisa de uma solução. E esse foi o ponto do seu
questionamento ao presidente.
De acordo com um empresário da área
de infra-estrutura, que participou de um encontro fechado de Lula com
um grupo de potenciais investidores, a tese defendida de que o rombo
da Previdência está influenciado por uma política
de inclusão social, pode até ser "um conceito estrutural" correto.
Mas isso, na sua análise, "não faz o problema desaparecer".
Segundo ele, "a Previdência
não é auto-sustentável e terá que sofrer
correção". Por isso, o fórum que foi criado
com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), avalia,
deverá ter resultados concretos.
O presidente Lula defendeu em seu discurso
no Fórum Econômico Mundial que não há déficit
no regime de previdência do INSS se forem retirados da conta os
trabalhadores que não contribuíram para o sistema e foram
incluídos como beneficiários, na Constituição
de 1988. Na verdade, eles representaram, no ano passado, R$ 28,5 bilhões
de um déficit total de R$ 42 bilhões. Com isso, ainda há uma
diferença de R$ 13 bilhões que também precisa ser
coberta e é referente às aposentadorias urbanas.
Crescimento
O Fórum de Davos foi encerrado,
ontem, com uma perspectiva de que 2007 será mais um ano de crescimento
forte no mundo. Para os empresários e investidores ouvidos pela
Folha, isso será positivo para o crescimento brasileiro e o governo
está indo na direção certa ao tentar desobstruir
gargalos da economia como a questão da infra-estrutura.
"Foi uma mensagem forte sobre o crescimento",
destacou Caio Koch-Weser, vice-presidente do Deutsche Bank, referindo-se
ao discurso de Lula, na sua passagem pelo fórum.
"O presidente e os ministros dão
importância ao programa social e econômico e é preciso
ver como isso será feito com equilíbrio fiscal", disse,
enfatizando, no entanto, que a imagem dos brasileiros foi de "tranqüilidade".
"O Brasil lançou as
bases, as idéias. Em março, começa a realidade
do dia-a-dia. É bom sinal ter clareza das suas prioridades,
mas o grande tema será a implementação [das medidas
necessárias para o crescimento], a formação da
nova equipe e a composição política [no Congresso
Nacional]", observou Jacques Marcovitch, ex-reitor da USP (Universidade
de São Paulo).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de janeiro de 2007 | Brasil
Fórum prevê que mundo
crescerá mais que em 2006
DOS ENVIADOS A DAVOS
O cenário internacional traçado
no encerramento do Fórum Econômico Mundial tende a favorecer,
na avaliação de participantes, o crescimento no mundo,
o que deverá dar tranqüilidade política para as mudanças
que os países, sobretudo na América Latina, julgarem necessárias.
Depois de um ano positivo para o crescimento mundial, as previsões
são ainda melhores para 2007.
A possibilidade de avanços nas
negociações para diminuir o protecionismo agrícola
e abrir novos mercados no comércio internacional, a chamada Rodada
Doha, contribui ainda mais para as perspectivas positivas. Emperrada
desde julho do ano passado, as conversas foram "descongeladas",
segundo o ministro de Comércio e da Indústria da Índia,
Kamal Nath, a despeito do frio que faz em Davos nessa época.
A temperatura durante a passagem da delegação
brasileira chegou a 18 negativos. A decisão de retomar oficialmente
as negociações da Rodada Doha foi anunciada no sábado,
penúltimo dia do fórum.
Para o Brasil, fora as negociações
paralelas com os integrantes da Rodada Doha que interessam diretamente
ao país pelos ganhos agrícolas, o evento foi um espaço
para tentar emplacar o PAC, lançado dois dias antes de Lula embarcar
para a Suíça.
Diferentemente da sua primeira participação
em Davos, no início do primeiro mandato, Lula estava mais à vontade,
lembrou que o fórum foi o primeiro evento internacional de que
ele participou como presidente e até brincou: "Não
vou fazer merchandising e dizer "invistam no Brasil" porque
só vai fazer isso quem quiser ganhar dinheiro".
O ministro Luiz Fernando Furlan se desdobrou
em encontros com investidores para convencê-los de que o Brasil é uma
oportunidade rentável para negócios, sobretudo nas áreas
de infra-estrutura e habitação.
O presidente da Apex (Agência para
Promoção das Exportações), Juan Quirós,
trabalhou com o ministro para tentar atrair recursos estrangeiros para
ampliação do mercado de fundos imobiliários no país.
A idéia é aumentar o volume de recursos desse mercado que
tem um grande potencial no Brasil.
O setor de construção
civil e, especialmente, a área de habitação é um
dos focos do PAC do governo Lula.
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JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 28 de janeiro de 2007 | Economia & Negócios
Para FGV, construção
terá ritmo chinês
Marcelo Rehder
Se o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) for capaz de elevar a taxa de investimento (formação
bruta de capital fixo) para os níveis esperados pelo governo,
a construção civil vai ganhar ritmo chinês de crescimento.
Uma simulação feita pela Fundação Getúlio
Vargas Projetos indica que, caso a taxa de investimento passe dos atuais
20,6% para 22% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas
produzidas no País) já neste ano, o setor da construção
civil deverá crescer 8,6%, mais do que o dobro estimado para a
economia como um todo (4%). Para 2008, supondo que o nível de
investimento chegue a 25% do PIB, a expansão da construção
civil é estimada em 15%. Nesse caso, o PIB deverá crescer
5%.
Pelos cálculos dos consultores
Ana Maria Castelo e Fernando Garcia, da FGV Projetos, o impacto no emprego
nos canteiros de obra também será expressivo. Eles projetam
um aumento de 9% no nível de ocupação do setor em
2007, com a abertura de cerca de 450 mil postos de trabalho. Para o ano
que vem, a previsão é de acréscimo de 17%, o que
representa cerca de 915 mil vagas. Nos anos seguintes, a oferta de novas
ocupações deverá ser menor. Hoje, estima-se que
a construção civil emprega 5 milhões de pessoas
em todo o Brasil.
“Os números mostram que o
desenvolvimento econômico e social do País passa por investimentos
em infra-estrutura e construção civil”, diz Ana Maria. “Se
as intenções do governo explicitadas no PAC se confirmarem,
o setor vai crescer a taxas comparáveis às da China”.
No ano passado, a economia chinesa cresceu 10,7%.
Paulo Safady, presidente da Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), avalia
que, dos R$ 503 bilhões de recursos anunciados pelo governo, aproximadamente
R$ 300 bilhões referem-se a investimentos novos, o que dá uma
média anual de R$ 75 bilhões.
“Acreditamos que 65% desses investimentos
são diretamente ligados à construção, o que
deve permitir um salto significativo na formação bruta
de capital, caso eles realmente sejam efetivados”, afirma Safady. “Tem
muita coisa em condições de começar imediatamente,
e eu passo a acreditar que possa haver uma gestão competente do
plano, porque vai estar centralizada nas mãos da ministra Dilma
(Rousseff, da Casa Civil), que é uma ministra forte e tem a caneta.”
Com os projetos anunciados pelo governo
para infra-estrutura, saneamento e habitação, as empresas
aceleram seus planos de expansão e já acreditam que a construção
civil elevará sua participação no PIB, que é de
7%. Considerando toda a cadeia produtiva, o que inclui varejo e fabricantes
de materiais de construção, esse número sobe para
13%.
A Construtora Tenda, que tem como alvo
o público de menor renda, as camadas C e D, por exemplo, espera
vender 15 mil imóveis até o fim do ano, o que representa
crescimento de 150% em relação a 2006, quando foram vendidas
6 mil unidades.
“A expectativa do mercado imobiliário é muito
boa, mas no segmento de baixa renda é melhor ainda, por causa
da redução dos juros”, diz Henrique Alves Pinto,
presidente da construtora.
No varejo, o clima também é de
otimismo. A rede de home centers Dicico vai investir R$ 40 milhões
em 6 novas lojas até dezembro. Com isso, a rede deve saltar de
18 para 24 lojas.
Carlos Roberto Corazzin, diretor
de Marketing da Dicico, conta que a rede espera faturar R$ 600 milhões,
o que representa crescimento de quase 40% em relação
a 2006 (R$ 432 milhões).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de janeiro de 2007 | Dinheiro
EUA definem juros, e Copom explica
corte de 0,25 ponto
Semana terá reunião do Fed,
ata do BC e índices de inflação
DA REPORTAGEM LOCAL
Passada a primeira decisão do Copom
de 2007, os investidores voltam a focar suas atenções no
cenário externo, principalmente o norte-americano.
Na quarta-feira, o Fed (o banco central
americano) realiza sua reunião periódica para definir como
ficam os juros básicos dos Estados Unidos, que estão hoje
em 5,25% anuais.
A expectativa dos agentes de mercado é que
a taxa de juros norte-americana se mantenha inalterada.
A taxa básica do país foi
elevada para 5,25% em junho do ano passado e tem sido mantida desde então.
Até o fim do ano passado, o mercado
esperava que os juros norte-americanos fossem reduzidos ainda no primeiro
trimestre deste ano.
Mas os últimos dados de inflação
divulgados no país, que têm ficado acima do esperado, fizeram
com que os investidores passassem a achar difícil a taxa americana
cair antes do encontro do Fomc (o comitê do Fed que define os juros)
de maio.
Luiz Antonio Vaz das Neves, diretor da
corretora Planner, afirma que "dificilmente o Fed baixará os
juros neste primeiro semestre".
Para os emergentes, quanto menor estiverem
os juros norte-americanos, melhor. Pois nesses cenários os grandes
investidores internacionais ficam mais dispostos a correr riscos: migram
dos títulos do Tesouro dos EUA -os mais seguros do mundo, mas
que passam a render menos- para ações e títulos
da dívida de emergentes, que carregam riscos maiores, mas passam
a dar retornos mais atrativos.
Além do encontro do Fed, serão
divulgados nos EUA alguns dados econômicos importantes para o mercado.
Na sexta-feira, haverá a apresentação do índice
de confiança do consumidor e a taxa de desemprego norte-americano
de janeiro.
Na quinta-feira, dados sobre renda e gastos
pessoais dos norte-americanos e de inflação PCE (uma importante
medida de custo de vida do consumidor nos Estados Unidos).
No Brasil, será divulgado amanhã o
primeiro índice fechado de inflação do mês,
o IGP-M. A expectativa do mercado é a de que a taxa fique em 0,59%
em janeiro.
Explicações
O Copom (Comitê de Política
Monetária do BC) decidiu na semana passada reduzir a taxa básica
da economia brasileira em apenas 0,25 ponto percentual, ratificando as
apostas da parcela mais conservadora do mercado.
Outra parte dos investidores e analistas
considerava a possibilidade de a taxa Selic ser cortada em 0,50 ponto
percentual. A taxa básica brasileira, a Selic, foi reduzida de
13,25% para 13% ao ano.
Na quinta-feira, o Banco Central apresentará a
ata da reunião -documento no qual os representantes do Copom explicam
os motivos que os levaram a cortar a taxa na magnitude definida.
A decisão não foi unânime,
com três dos oito membros do Copom votando a favor de uma redução
de 0,5 ponto percentual. Assim, o interesse em torno do conteúdo
da ata do Copom cresce.
A projeção média
dos bancos, mostrada na última pesquisa semanal feita pelo Banco
Central, é que a Selic estará em 11,50% no fim deste ano.
Em dezembro passado, o mercado esperava que a Selic terminasse este ano
em 11,75%.
Com a taxa Selic a 13% ao ano, os
juros reais brasileiros -calculados descontando a inflação
projetada para os próximos 12 meses- foram a 8,6% anuais. A
taxa real brasileira é a maior do mundo.
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AGÊNCIA DIAP, 29 de
janeiro de 2007
Novo Congresso
Eleição das mesas do
Congresso marca início dos trabalhos da 53ª Legislatura
A eleição das mesas da Câmara
dos Deputados e do Senado Federal marcará o início da 53ª Legislatura
no final desta semana. Tanto os deputados quanto os senadores tomarão
posse nos plenários de suas respectivas Casas às 10h da
próxima quinta-feira, 1º de fevereiro. No mesmo dia, ocorrerá também
o pleito para eleger o presidente e os demais integrantes da Mesa Diretora
da Câmara e do Senado.
Na Câmara, a eleição,
que pela primeira vez será feita por meio de urna eletrônica,
está marcada para as 15h. No Senado, o processo eleitoral ocorrerá logo
após a solenidade de posse dos senadores.
Debate
A Agência DIAP informa, há semanas,
os principais acontecimentos sobre a eleição para presidente
da Câmara, em que a disputa está muito acirrada. Nesta segunda-feira,
29/01, a partir das 11h, os três candidatos que concorrem à Presidência
da Casa participarão de um debate no auditório da TV Câmara.
O debate será transmitido ao vivo também pela Rádio
Câmara e terá a cobertura completa da Agência Câmara,
em tempo real.
No debate de hoje, os candidatos responderão
a perguntas dos jornalistas dos veículos da Câmara e de
jornalistas que cobrem a Casa. Além disso, debaterão entre
si e responderão perguntas feitas pelo cidadão comum -
que já tem à disposição canais de interação
com a Câmara dos Deputados pela internet e pelo telefone do Disque-Câmara
(0800 619619).
Apoios
Até o final da semana passada,
doze partidos já haviam definido posição para a
eleição da Mesa Diretora da Casa. O quadro final de apoio,
no entanto, só será fechado esta semana, às vésperas
do pleito.
O atual presidente da Câmara e candidato à reeleição,
deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), tem o apoio do PSB (27 deputados na
próxima legislatura), PFL (64 deputados) e PCdoB (13 deputados).
O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP), é apoiado
pelo PT (83 deputados), PP (41 deputados), PTB (24 deputados), PMDB (90
deputados) e pelo Bloco PL/Prona/PSC (35 deputados). Já o deputado
Gustavo Fruet (PSDB/PR), da terceira via, tem o apoio de seu partido
(64 deputados) e do PPS (22 deputados). O PDT , o PSOL e o PV ainda não
manifestaram apoio a nenhuma das candidaturas.
As informações sobre as
futuras bancadas são da Secretaria.
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DIÁRIO,
COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS, 29 de janeiro
de 2007
Renda da construção elevará venda
industrial
andré magnaboscoAna Paula CamargoMarina
pita
Fabricantes de móveis, de vidros, de resinas
e de outros segmentos da indústria não diretamente
contemplados pelo Plano de Aceleração do Crescimento
(PAC) reavaliam o cenário interno e prevêem ampliar
as vendas domésticas este ano. A razão é a expectativa
de que a expansão da construção civil resultará na
abertura de vagas de trabalho e no aumento da renda dos trabalhadores,
principalmente das classes C e D. Apesar da possibilidade de que
uma parte maior da renda da população seja direcionada
para o plano da casa própria, a expansão da classe
consumidora garantirá o cenário positivo de negócios
para os outros setores que disputam a renda do trabalhador.
Os fabricantes de móveis, por
exemplo, esperam ser beneficiados duplamente pelo PAC. De forma direta,
o acesso da população à casa própria deverá impulsionar
a venda de móveis e, de forma indireta, o setor será beneficiado
pela expansão da classe consumidora. “O aumento da renda
da população certamente impulsionará nossas vendas,
que já serão beneficiadas caso as moradias previstas
pelo pacote sejam de fato entregues”, destaca o superintendente
executivo da Associação Brasileira das Indústrias
de Mobiliário (Abimóvel), Miguel Sanchez Junior.
A indústria petroquímica
também não foi beneficiada diretamente pelas medidas
propostas no PAC, mas acredita que o pacote impulsionará a economia
nacional, o que alavancará as vendas dos transformadores plásticos,
principalmente dos fabricantes de embalagens. Segundo o presidente
do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp)
e co-presidente da Suzano Petroquímica, José Ricardo
Roriz Coelho, o mercado de resinas cresce, em média, de duas
a duas vezes e meia a expansão do Produto Interno Bruto (PIB)
nacional. “De maneira indireta o crescimento do País beneficia
o setor, que precisará manter os investimentos para evitar a
importação de resinas”, afirma.
Levantamento
Um estudo da Fundação
Getúlio Vargas (FGV), apresentado pela União Nacional
da Construção (UNC) ao governo federal em dezembro passado,
revela que a cada R$ 10 milhões investidos em construção
são geradas 196 vagas de trabalho nas construtoras e 98 empregos
na indústria de materiais de construção, nos serviços
e no comércio de materiais. O levantamento revela ainda que,
se os investimentos em infra-estrutura (pavimentação
de rodovias, geração de energia, saneamento e habitação)
totalizassem R$ 133,2 bilhões entre 2007 e 2010, a renda nacional
teria um acréscimo de R$ 25,6 bilhões durante o período,
segundo a base de análise da FGV. No pacote anunciado pelo governo
federal, o aporte previsto em energia totalizará R$ 274,8 bilhões,
R$ 58,3 bilhões vão para a área de logística
e outros R$ 170,8 bilhões serão direcionados à área
de infra-estrutura social e urbana.
O vice-presidente do Sindicato Nacional
da Indústria de Produtos de Cimento (Sinaprocim), Carlos Roberto
Petrini, destaca que a cada emprego direto criado na construção
civil são geradas, em média, outras três vagas
na cadeia produtiva. Segundo o levantamento da FGV, investimentos de
cerca de R$ 30 bilhões por ano em infra-estrutura criariam 877
mil novos postos de trabalho entre 2007 e 2010.
Limitação
Apesar da expectativa de expansão
da economia brasileira, executivos do setor industrial destacam que
o pacote não atingiu a todos os anseios do setor. “A principal
falha do pacote é que ele elegeu alguns setores e por isso não
deverá impulsionar a economia brasileira como um todo”,
analisa o superintendente da Associação Técnica
Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro),
Lucien Belmonte. Ele acredita que as vendas de vidros para a construção
civil terão expansão de 6% este ano, superior ao crescimento
das vendas totais do setor, que deverão fechar 2007 com expansão
de 4% sobre os dados de 2006. O resultado evidencia que o crescimento
do setor será fundamentado na expansão da construção
civil, como deve ocorrer também com o Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro este ano.
Para Alfried Plöger, presidente
da Associação Brasileira da Indústria Gráfica
- Regional São Paulo (Abigraf), apesar do programa não
ser plenamente satisfatório, há pontos importantes, como
a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI) para bens de capital, que estimulará a indústria
pesada e os segmentos manufatureiros que dependem destes equipamentos
para se atualizarem tecnologicamente. “Mas, há uma série
de medidas complementares que são essenciais, como as reformas
trabalhista, tributária e previdenciária”, diz
Plöger, referindo-se a temas delicados que não foram incluídos
no PAC.
A indústria têxtil, que
tem tido dificuldade para exportar por conta do real valorizado, também
fez críticas ao PAC, que não incluiu medidas de desoneração
da exportação e de encargos que incidem sobre a folha
de pagamento foi incluída. “Fiquei decepcionado porque
nossos pleitos foram praticamente desprezados, e não estou falando
em termos de Rhodia, mas como homem da indústria têxtil”,
diz o diretor da área de fios da Rhodia, Francisco Ferraroli.
Mesmo assim, a avaliação
do executivo não é de total descrédito, já que
a ampliação do prazo para o pagamento de tributos é um
dos pontos encarados como positivo pelo setor. Além disso,
se o pacote realmente acarretar no aumento real do PIB, o setor têxtil
pode ser beneficiado, diz Ferraroli. “Não é momento
de euforia, mas tão pouco de ceticismo”.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
28 de janeiro de 2007
Congressos Internacionais em Cuba sobre
Direito do Trabalho e Seguridade Social
Edésio Passos
A Associação Americana de
Juristas (AAJ) e a Associação Latinoamericana de Advogados
Laboralistas (ALAL), com o apoio da Associação Nacional
de Advogados dos Estados Unidos e a Unión Nacional de Juristas
de Cuba, estão convocando aos advogados laboralistas e do movimento
sindical para participar do Encontro Internacional “Em defesa do
Direito Laboral e de Seguridade Social em oposicão às políticas
neoliberais”, que se celebrará na Cidade de La Habana, Cuba,
nos dias 12 e 13 de março de 2007. O objetivo do Encontro é debater
um conjunto de temas cuja repercussão seja importante para o mundo
do trabalho, com vistas a mobilizar a atenção dos advogados
do continente com respeito ao papel do Estado e sua responsabilidade
social em proteger os direitos econômicos, sociais e culturais
dos trabalhadores. Segundo a dra. Lydia Guevara Ramírez, vice-presidente
geral da ALAL e Secretária da Sociedade Cubana de Direito Laboral
e Seguridade Social, “a intenção de concentrar-se
sobretudo na seguridade social em seu conceito amplo, surgiu da necessidade
de manter o intercâmbio de experiências para criar um ambiente
favorável à oposição às políticas
neoliberais de privatização, desregularização,
trabalho informal e exclusão social”. Poderão participar
como autores de proposições/teses ou delegados todos os
operadores do Direito e sindicalistas. Os temas a serem abordados são:
(1) As reformas da seguridade social na América Latina. Obrigação
pública o privada? (2) A Seguridade Social diante das mudanças
econômicas nas Américas (3) O Direito laboral e a Seguridade
Social nos processos de integração (4) Necessidade de proteger,
mediante as normas de Direito do Trabalho e Seguridade Social, os trabalhadores
migrantes (5) Experiências de reformas da seguridade social na
Venezuela, Bolívia, Cuba, México, Estados Unidos e outros
países do continente (6) Discriminação, violência
e exclusão social (7) O papel dos sindicatos na defesa do Direito
Laboral e Seguridade Social dos Trabalhadores. Os participantes que desejarem
apresentar outros aspectos vinculados com as temáticas convocadas
devem dirigir-se ao Comitê Organizador para análise e incorporação
no programa definitivo do Encontro. Na mesma oportunidade (12 a 16 de
março), também em Havana, Cuba, se realizará o II
Congresso Internacional de Saúde Ocupacional e Trabalho Digno.
Segundo o advogado paranaense Luiz Salvador, presidente da ABRAT e diretor
da ALAL, o Congresso contará com a presença de importantes
instituições e personalidades de todas as partes do mundo,
visando mostrar os novos resultados obtidos na investigação
científica relativos à saúde, seguridade, meio ambiente
do trabalho, além de valorizar os diferentes modelos de capacitação,
formação e superação dos recursos humanos
em saúde ocupacional, debatendo as novas políticas de desenvolvimento
da saúde ocupacional em função das mudanças
globais da economia mundial e avanços científicos, possibilitando
intercambiar experiências e planejar ações conjuntas
de interesse mútuo entre instituições de diferentes
países e perfis”. (informações sobre ambos
os eventos: e-mail: lidia.guevara@gmail.com / lguevara46@yahoo.es).
Registro sindical
O ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho editou a Portaria n.º 200,
de 15/12/2006, que altera a Portaria Ministerial n.º 343, de 4/5/2000,
estabelecendo novos procedimentos quanto ao registro sindical. A principal
inovação refere-se a que o formulário de pedido de registro
sindical, emitido via sistema eletrônico, será protocolizado na
DRT, acompanhado dos documentos que são especificados. A Portaria continua
falha ao não exigir, dos diretores eleitos e dos participantes da assembléia,
no caso de entidade sindical dos trabalhadores, a comprovação
do exercício profissional na categoria respectiva. Também não
exige, no edital de convocação para a fundação,
a qualificação e endereço dos integrantes da comissão
organizadora. Efetivamente, a questão do registro sindical é uma
das graves deficiências existentes no Ministério do Trabalho e
Emprego e perde-se oportunidade, novamente, de sanear as debilidades neste
campo. Certo mesmo, seria que o governo federal promove-se o imediato entendimento
com as entidades sindicais de empregados e empregadores e remete-se ao Congresso
Nacional um projeto de lei complementar à Constituição
Federal, em rito de urgência, no que se refere a esta importante matéria.
Contribuição assistencial e
direito de oposição
O Tribunal Superior do Trabalho está caminhando rumo ao Supremo Tribunal
Federal no que concerne a declarar válida a cláusula de acordo
ou convenção coletiva de trabalho referente à contribuição
assistencial para não associados da entidade, desde que assegurado o
direito de oposição, como decidiu recentemente o STF. Veja-se
a ementa do acórdão do TST-SBD-1: “Contribuição
Assistencial Confederativa. Violação do Art. 896 da CLT. A contribuição
assistencial pode ser cobrada dos empregados não associados, desde que
a esses se assegurem o direito de oposição. Mas, neste processo,
essa questão não está colocada. Portanto, a afirmação
de que tal contribuição só pode ser efetivada de empregados
associados, não afronta texto constitucional. Recurso de Embargos não
conhecido” (TST E-RR 606962/1999 SBD-1 Relator Ministro José Luciano
de Castilho Pereira DJU 27/5/2005).
Depósito recursal prévio no
INSS
A Segunda Turma do STF referendou decisão do ministro Joaquim Barbosa
que concedeu liminar suspendendo a exigência de depósito prévio
para recursos contra o INSS de 30% sobre a exigência fiscal em cobrança,
até a análise da matéria pela Corte, de recurso extraordinário
que examina a constitucionalidade da condição imposta pela Lei
8.213/91 e Decreto 3.048/99 (vide STF-AC 636, REs 389383 e 390513).
Simone André Diniz
Este o nome da trabalhadora brasileira negra que, em 1997, então com
19 anos, denunciou a prática de racismo contida em anúncio de
vaga para empregada doméstica “de preferência branca” às
autoridades brasileiras e, sem resultado, encaminhou a denúncia através
da OAB/SP e entidades de direitos humanos - à Comissão Interamericana
de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos. O
governo brasileiro, face a omissão à época, foi condenado
a reconhecer publicamente a violação de direitos de Simone, pagar
indenização a ser estipulada, apoiá-la financeiramente
para que realize curso superior e promova a reabertura das investigações.
Eis o que diz Simone: “A pessoa tem de correr atrás dos direitos
dela. A nossa moral em primeiro lugar. Se aconteceu e não fizer nada,
vai sempre acontecer. As pessoas vão sempre pisar. E eu acho que ninguém
deve ser pisado por ninguém. Ninguém é melhor do que ninguém” (Folha
de S. Paulo, 18/11/06).
Anote
Profissão de motorista: Aprovado na Comissão do Trabalho da Câmara
dos Deputados o projeto de lei 6429/05, de autoria da deputada Dra.Clair (PT/PR),
que regulamenta a profissão de motorista, estando incluídos direitos
como o do adicional de penosidade, aposentadoria especial, obrigatoriedade
empresarial quanto a seguro pelos riscos da atividade do profissional, custeio
de cursos de reciclagem pela empresa. O projeto de lei seguiu para análise
na Comissão de Constituição e Justiça. *** A Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário
do Estado do Paraná realiza, de 29 de janeiro a 01 de fevereiro, seu
XVI Seminário de Dirigentes Sindicais, reunindo expressivos nomes do
sindicalismo, operadores do Direito e parlamentares, discutindo questões
da atualidade brasileira. O tema que iremos abordar, em painel na abertura
do evento, será sobre “O Movimento Sindical na Atual Conjuntura”,
em especial as perspectivas abertas com o novo mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva *** O assassinato da médica perita Maria Cristina Souza
Felipe da Silva, de Governador Valadares (MG), segundo o TFR-1.ª, “guarda
estreita associação com o esquema criminoso de fraudes contra
o INSS”. Neste sentido, manteve a prisão preventiva do médico
Milson de Souza Brige, acusado de participar do homicídio de sua chefe
(vide TRF-1.ª HC 2006.0100046915-9/MG).
Publicações
(1) “Trabalho em Revista”, edição nacional, com o
suplemento especial de doutrina, publica no mês de dezembro entrevista
com o ministro do TST José Luciano de Castilho Pereira, onde afirma: “Quanto
ao bloqueio “on line’, apelidado de penhora eletrônica, é um
sucesso absoluto”. E um excelente texto do juiz do TRT.SP José Carlos
Arouca, no qual foca aspectos da “Formação da Opinião
Pública e Desinformação”, a respeito da Justiça
do Trabalho (2) Magnífica a publicação do Ministério
do Trabalho e Emprego “Trabalho e Trabalhadores no Brasil”, edição
português/inglês, em conjunto com a Fundação Getúlio
Vargas e o Centro de Pesquisa e Documentação de História
Contemporânea do Brasil, com catálogo reunindo imagens e texto
da exposição fotográfica apresentada em várias
capitais brasileiras, de maio a setembro de 2006, iniciativa integrante do
programa “Memória do Trabalho” (3) “Radiografia do
Novo Congresso”, da série estudos políticos do DIAP, apresenta
dados para a Legislatura 2007/2011, com comentários do resultado das
eleições de outubro, o mapa do poder quem ganhou, quem perdeu
-, a agenda de reformas do segundo mandato do Presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Também apresenta o perfil das bancadas federais por Estado
(4) A Revista Bonijuris de dezembro/2006 traz oportuno estudo do procurador
do Estado de Goiás e professor Willian de Almeida Brito Junior abordando “A
Súmula 331, item IV, do Tribunal Superior do Trabalho frente à Lei
de Licitações e Contratos”, concluindo que referida súmula “não
tem o condão de prevalecer sobre o artigo 71, parág. 1.º,
da Lei n.º 8.666/93, que é o instrumento normativo que regula a
responsabilidade contratual dos entes da administração pública”.
No número anterior, a Revista publica artigo do advogado e professor
paranaense Vitor Manoel Castan sobre “Despedida Obstativa. Estabilidade
Provisória. Doença Profissional”, destacando a necessidade
de se “combater as despedidas obstativas, sobretudo as relacionadas ao
acidente ou a doença profissional, tendo em vista a enorme repercussão
negativa na vida do trabalhador”.
Edésio Passos é advogado e ex-deputado federal (PT/PR). E-mail:
edesiopassos@terra.com.br
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JORNAL O VALOR ECONÔMICO,
28 de janeiro de 2007 | Economia
Desemprego e renda sobem ligeiramente
em 2006, diz IBGE
A taxa de desemprego e a renda subiram
em 2006, de acordo com a PME Pesquisa Mensal de Emprego, do IBGE, Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística, realizada nas seis maiores
regiões metropolitanas brasileiras. A taxa média de desemprego
no ano passado ficou em 10%, acima da registrada em 2005, de 9,8%.
O aumento da taxa deveu-se ao maior crescimento
da procura pelo emprego em relação aos postos de trabalho
criados. Embora o número de vagas tenha registrado alta de 2,3%,
a procura por trabalho apresentou maior elevação, de 4%.
Na média de 2006, 2,245 milhões de pessoas foram consideradas
desempregadas nas seis regiões pesquisadas, superando em 536 mil
o total de desempregados contabilizados no ano anterior.
Segundo o gerente da PME, Cimar Azeredo,
o baixo crescimento do PIB observado em 2006 limitou a maior geração
de vagas. "Havia a expectativa de uma maior geração
de empregos em 2006. Isso não aconteceu devido ao fraco dinamismo
da economia", disse Azeredo.
Entre as regiões metropolitanas
pesquisadas, Recife e Salvador registraram as maiores taxas de desemprego,
de 14,6% e 13,7%, respectivamente. O Rio de Janeiro registrou a menor
taxa de desemprego, de 7,9%, seguido por Porto Alegre (8%). A região
metropolitana de São Paulo registrou taxa de desemprego de 10,5%
e Belo Horizonte, de 8,5%.
Já a renda média subiu 4,3%
em 2006 em relação a 2005. Segundo o IBGE, contribuíram
para essa recomposição a inflação baixa e
o reajuste do salário mínimo. Em termos nominais, a renda
média do trabalhador ficou em R$ 1.045,75.
Segundo Azeredo, apesar da recuperação
da renda, o poder de compra dos trabalhadores ainda está inferior
ao nível de 2002. Nos dez primeiros meses de 2006, a renda ainda
ficou 6,8% inferior ao mesmo período de 2002. O IBGE não
divulgou a comparação da renda entre os anos de 2006
e 2002 porque não dispõe dos números para janeiro
e fevereiro de 2002 em razão de uma mudança de metodologia.
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SITE NCST, 28 de janeiro
de 2007
STF julga pensão por morte e
substituição tributária
O ano judiciário começa
quente no Supremo Tribunal Federal. Logo nas primeiras sessões,
o Plenário promete julgar duas brigas antigas entre contribuintes
e governo. Para o dia 2 de fevereiro, está marcado o julgamento
da revisão da pensão por morte. No dia 7, a corte vai julgar
a constitucionalidade da restituição do ICMS pago a mais
quando se trata de substituição tributária.
O imbróglio da revisão da
pensão por morte deve ser reaberto logo na segunda sessão
do Plenário. Na ocasião, o ministro Carlos Ayres Britto
deve levar seu voto a Plenário. Quem apresenta seu voto vista
sobre substituição tributária ao Plenário é o
ministro Eros Grau. Na primeira discussão, o contribuinte está perdendo.
Mas, na segunda, saiu na frente.
Pensão por morte
O ministro Britto pediu vista quando o
julgamento da revisão do benefício estava quatro a um contra
os pensionistas. O que o Supremo decide é se a elevação
do coeficiente da pensão para 100% do salário do segurado,
estipulada pela Lei 9.032/95, atinge a todos, independente da data da
morte. Ou seja, a corte vai decidir se a lei retroage ou não.
A questão é uma das responsáveis
pela enxurrada de processos que o STF recebeu ano passado. Começou
a ser debatida em setembro de 2005 mas, devido a três pedidos de
vista, não foi concluída. São dois Recursos Extraordinários
em análise no Plenário. Por enquanto, já votaram
os ministros Gilmar Mendes (relator), Eros Grau, Ricardo Lewandowski,
Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa. Apenas Eros Grau votou
a favor da majoração para todos os segurados, independente
de terem morrido antes ou depois da Lei 9.032/05 entrar em vigor.
Em dezembro, o ministro Gilmar Mendes
deu uma basta. Decidiu, ao analisar um Recurso Extraordinário,
que o Supremo não receberia mais nenhum recurso sobre a revisão
da pensão. As apelações deveriam ficar sobrestadas
nas instâncias inferiores até que o Plenário decidisse,
de uma vez por todos, a questão.
Na ocasião, Gilmar Mendes considerou
a medida necessária porque, segundo ele, a corte já tinha
mais de 10 mil recursos sobre o assunto. Só o seu gabinete tinha
recebido 1,4 mil processos.
A ferramenta que impede que recursos sobre
assunto recorrente cheguem ao Supremo está prevista na Lei 10.259/01,
que estabelece as regras aplicáveis ao Recurso Extraordinário
contra decisão de Turmas Recursais dos Juizados Especiais, e no
Regimento Interno do STF. Já foi usada uma vez pela corte, na
questão da atualização monetária das contas
do FGTS.
Agora, com a sanção da Lei
11.418/06, a chamada lei da Repercussão Geral, a ferramenta de
sobrestamento de recursos poderá ser ampliada para outros recursos
e não apenas aos de Turmas Recursais de Juizados.
Substituição tributária
Ao analisar a possibilidade de restituição
do ICMS pago a mais na substituição tributária,
o Supremo pode provocar algo que muitos acreditam colocar a segurança
jurídica em jogo. Muito mais do que analisar a restituição
em si, os ministros vão decidir se o tribunal pode analisar questão
que já foi decidida em Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Ou seja, vão decidir os alcances da reciclagem a que passa a jurisprudência
do tribunal.
Até agora, uma ADI já julgada
declarou que é ilegal a repetição de indébito
quando o fato gerador ocorre. Em outras palavras: quando o contribuinte
paga ICMS em cima de um valor presumido da mercadoria e a vende por menos,
não tem direito à restituição. O que o Supremo
entende, até então, é que só pode ser restituído
o valor integral se a mercadoria não for vendida. Quer dizer,
se o fato gerador não ocorrer.
Mas, ao analisar nova ação,
dois ministros — Cezar Peluso (relator) e Ricardo Lewandowski — votaram
pela reciclagem da jurisprudência. Para eles, a restituição é possível
quando a mercadoria é vendida por um preço menor ou quando
ela não é vendida. Nelson Jobim, já aposentado,
votou pela conservação da jurisprudência.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade
em que a questão está sendo novamente discutida foi proposta
pelo governador de São Paulo. Ele contesta a Lei paulista 6.374/89,
que permite a restituição.
Pensão por morte — RE 416.827 e RE 415.454
Substituição tributária — ADI
2.777
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de janeiro de 2007
Revisão trabalhista
Wal-Mart vai pagar mais de US$ 33 milhões
a empregados
por Claudio Julio Tognolli
A maior rede de supermercados do mundo,
a Wal-Mart, irá pagar mais de US$ 33 milhões por defasagens
salariais de seus empregados nos Estados Unidos. A própria rede
detectou, juntamente com o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos,
que nos últimos cinco anos pagou menos horas extras do que as
previstas nos acordos coletivos. O acordo foi anunciado, no fim de semana,
pelo Departamento do Trabalho americano, equivalente ao Ministério
do Trabalho no Brasil. As informações são do site
FIndlaw.
Ao mesmo tempo, a Wal-Mart também
descobriu que pagou a mais os salários de 215 mil operários
horistas durante esse mesmo período. Mas decidiu não lutar
por recuperar a soma.
Separadamente, o fiscal chefe do Trabalho
no Estado da Califórnia processou a Wal-Mart por não ter
pago, supostamente, as horas extras registradas naquele estado. Ao contrário
do governo federal, o Estado da Califórnia não chegou a
um acordo com a rede.
Steven Mandel, do Departamento do
Trabalho, diz que agora 87 mil empregados da Wal-Mart, no país,
estão tendo seus acordos revistos. O pedido foi feito pela própria
rede.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de janeiro de 2007
Justiça de ricos
Projeto impede que empregado pobre
recorra ao TST
por Marcos Alencar
A novidade do momento é o risco
de aprovação do Projeto de Lei 4734/04 que, se aprovado,
tornará, na prática, impossível de se recorrer à Justiça
do Trabalho. Os processos ficarão estagnados na primeira instância,
os tribunais passarão a ser acessados apenas pelos ricos. Desde
fevereiro do ano passado, foi debatido perante o Fórum Internacional
sobre Perspectivas do Direito e do Processo do Trabalho, promovido pelo
Tribunal Superior do Trabalho e a Academia Nacional do Direito do Trabalho,
a alteração das regras do depósito recursal.
Pretendem os juízes, encabeçados
pelo atual ministro da Justiça, a aprovação do Projeto
de Lei 4.734/04, que prevê que todos os recursos devem ser precedidos
de depósito recursal no valor de 60 salários mínimos
(R$ 21 mil), quando forem ordinários, e 100 salários mínimos
(R$ 35 mil), quando forem de revista para o Tribunal Superior, e mais,
que todos os recursos trabalhistas de agora por diante sejam acompanhados
de depósito. Se esse projeto for aprovado, da forma como está,
deixará as empresas e demais empregadores, que são os únicos
obrigados a arcar com tal encargo, impedidos de recorrer.
O Projeto de Lei impedirá que os
empregadores mais pobres recorram às instâncias trabalhistas
superiores fazendo valer seus direitos, buscando a reforma das sentenças
que entenderem injustas. Outro sintoma que naturalmente ocorre nesses
casos é que os juízes de primeira instância passam
a decidir de forma menos cautelosa, com mais liberdade, porque sabem
de antemão que as suas decisões não sofrerão
recursos, não serão objeto de análise pelos Tribunais
Regional e Superior do Trabalho, a menos que a empresa para cada processo
deposite essa altíssima soma em dinheiro, com exceção
dos processos que forem quantificados abaixo desse absurdo teto.
O que pretende o projeto é simplesmente
impedir que se recorra. Assim, fica até mais fácil cumprir
com as promessas de mais agilidade no julgamento dos processos, feitas
pela nova gestão do colendo TST. Fazendo um comparativo justo, é como
se o ministro da Saúde pretendesse restringir o acesso de cidadãos
doentes aos hospitais públicos, fizesse uma triagem e, com isso,
se vangloriasse que tinha reduzido as filas e o mau atendimento da rede
de saúde pública.
O principal objetivo desse artigo é alertar
aos patrões e empregados o que se trama nos bastidores da Justiça
e do Poder Legislativo, pois se aprovado o tal projeto de lei, certamente
os prejuízos virão para sociedade, no futuro próximo,
uma vez que medidas restritivas e antidemocráticas desse tipo
não combinam com o nível de desenvolvimento, que se promete
atingir.
Concordar com o que está sendo
proposto é o mesmo que aniquilar o que a Constituição
Federal de 1988 assegurou a duras penas, anos de luta, para que a sociedade
brasileira conseguisse, com todas as letras, consagrar a ampla defesa,
ou seja, o direito de recorrer e de se ter revisado, sem oposição
de barreiras intransponíveis, o seu direito.
É preciso que se recorde
que errar é humano, e que os juízes também erram,
pois são humanos, até que se prove o contrário.
Cabe a todos os brasileiros repudiarem essa reforma, pois está sendo
proposta na mesma linha autoritária daqueles que tentaram restringir
a liberdade de imprensa, de expressão da mídia, e outras
mais. Se aprovada essa aberração jurídica, perdem
num primeiro momento os que empregam, o empresariado, e no segundo
tempo, os trabalhadores porque é uma medida que desestimula
ter empregados nesse país.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de janeiro de 2007
Alteração necessária
Complexidade de ação
trabalhista tornou CLT ultrapassada
por Alexandre Lauria Dutra
Tema pouco discutido em razão da
maior controvérsia que as inovações no direito material
fomentam, mas de relevância igualmente inconteste, é a absoluta
necessidade de alteração da Consolidação
das Leis do Trabalho no que pertine ao processo e, em especial, quanto
ao prazo e aos procedimentos que esta “velha” consolidação
confere aos litigantes para preparação de suas defesas
e para a prática de atos processuais ligados a esta questão.
Como se sabe, a Consolidação
das Leis do Trabalho é de 1943, reservando ao tema “processo
do trabalho” o Título “X”, que tem a denominação “Do
Processo Judiciário do Trabalho”. É antiga e tem
sido objeto de várias reformas ao longo das décadas que
nos separam de sua incorporação ao ordenamento jurídico.
Contudo, deixando de lado questões
absolutamente relevantes, além das nomenclaturas ultrapassadas
(há menções a “Juntas”, “Presidente” e “Reclamação” por
todas as partes), o legislador reformista parece ter privilegiado temas
como o das custas processuais, honorários periciais, justiça
gratuita e seus requisitos, etc. (Lei 10.537/02). É verdade que
durante certo período inovou com as Comissões de Conciliação
Prévia (Lei 9.958/2000) e o Procedimento Sumaríssimo (Lei
9.957/2000), mas as alterações mais pareceram uma tentativa
de acabar com a dramática lentidão do Judiciário
pela via inadequada.
Alterações importantes parecem
ser mais necessárias e úteis aos advogados, jurisdicionados
e magistrados. Dentre tantas, uma que considero importante é a
alteração do caput artigo 841 da Consolidação
das Leis do Trabalho, que estabelece:
“Artigo 841 — Recebida e protocolada
a reclamação, o escrivão ou chefe de secretaria,
dentro de 48 horas, remeterá a segunda via da petição,
ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer à audiência
de julgamento, que será a primeira desimpedida, depois de cinco
dias”.
A norma é entendida como previsão
de prazo mínimo de cinco dias entre a citação do
réu (tratado como “reclamado” pelo artigo) e a realização
da audiência de conciliação, instrução
e julgamento (tratada como audiência de julgamento pelo artigo).
Mesmo que deixemos de lado a necessária
alteração das nomenclaturas “reclamação”, “reclamado” e
outras que se tornaram ultrapassadas em razão da incorporação
para a Justiça do Trabalho de matérias anteriormente afetas à Justiça
comum (Emenda Constitucional 45), é preciso ponderar sobre alterações
mais profundas no conteúdo da lei.
A reformulação do artigo
841, caput, da Consolidação das Leis do Trabalho, é necessária
a fim de permitir aos réus um prazo razoável à preparação
de suas defesas, sem que isto importe em qualquer prejuízo para
o princípio da celeridade.
Não vejo como compatibilizar o “minúsculo” prazo
de cinco dias contemplado pela atual redação do artigo
841 da CLT com a realidade dos dias de hoje, que confirmam não
apenas a crescente discussão no âmbito da Justiça
do Trabalho de ações complexas envolvendo relações
emprego (altos executivos demandam na Justiça do Trabalho), como
também complexas relações de trabalho, conflitos
de representação sindical, ações de cumprimento,
ações civis públicas, ações relativas às
penalidades administrativas, etc..
Aliás, além do artigo 841
da CLT não se compatibilizar com a atualidade, não se harmoniza
com o fundamental direito constitucional da ampla defesa e do contraditório.
Sim, porque conferir ao réu o direito de receber a citação
cinco dias antes da audiência de conciliação, instrução
e julgamento, por exemplo, em uma Ação Civil Pública,
que pode envolver o direito de toda uma categoria profissional, é o
mesmo que negar-lhe a “ampla” defesa e conferir-lhe a “restrita” defesa,
a defesa “possível”.
Como juntar documentos (todos devidamente
autenticados, pois este formalismo ainda é exigido pela CLT),
identificar e convocar as melhores testemunhas (estas, ainda limitadas
a três, mesmo nas causas mais complexas), verificar os autos e
a documentação produzida pelo autor, investigar os fatos,
redigir a defesa, preparar-se para a instrução, estudar
o caso e definir as estratégias? Como? Em cinco dias?
É verdade que em estados como São
Paulo e Rio de Janeiro o acúmulo de ações faz gerar
espontaneamente prazos mais confortáveis para os réus,
mas em outras localidades, como Minas Gerais, Pará, Amazonas e
outras este prazo de cinco dias é comum.
A conclusão é que
devemos aproveitar o fortalecimento que a EC 45 trouxe à Justiça
do Trabalho, a ela incorporando a competência para julgar ações
sobre as várias modalidades que envolvem o tema “relação
de trabalho”, além de matérias anteriormente discutidas
na Justiça comum, para fomentar a discussão sobre o necessário
alargamento do prazo conferido pela Consolidação das
Leis do Trabalho para o réu se defender, em prestígio
ao direito constitucional da ampla defesa.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/01/2007
JT nega indenização por dano
moral a empregada com LER
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho, acompanhando o voto do juiz convocado José Ronald Soares,
decidiu manter a decisão que negou o pedido de indenização
por danos morais a ex-empregada da empresa Yoki Alimentos S/A acometida
por LER (Lesão por Esforço Repetitivo).
A empregada foi admitida na empresa como
auxiliar de empacotamento no dia 3 de março de 1997, com salário
mensal de R$ 315,00. No dia 20 de março de 2002, foi demitida
por justa causa, acusada de falta grave. Em junho do mesmo ano, ajuizou
reclamação trabalhista pleiteando reintegração
ao emprego, em função compatível com seu estado
de saúde, declaração de nulidade da dispensa por
justa causa e a conseqüente reversão para dispensa imotivada,
verbas rescisórias, seguro-desemprego e indenização
por danos morais e materiais.
Disse que foi admitida pela empresa após
passar por rigoroso exame admissional que constatou encontrar-se apta
para o trabalho. Alegou que foi submetida, durante todo o pacto laboral,
a uma carga excessiva e repetitiva de trabalho, ocasionando fortes dores
nos braços. Em decorrência do acidente de trabalho, ficou
afastada do serviço por um curto período, tendo sido diagnosticado
que era portadora de LER.
Segundo contou na inicial, ao retornar
ao emprego, a empresa determinou que continuasse nos mesmos afazeres,
embora constasse em seu atestado médico que deveria ser aproveitada
em local diverso, evitando o trabalho repetitivo. Tal fato teria agravado
seu estado de saúde, gerando a demissão. Afirmou, ainda,
que a empresa forçou a demissão por justa causa para se
desonerar do pagamento das verbas rescisórias a que teria direito.
A empresa, em contestação,
negou o nexo causal entre a doença e o trabalho desenvolvido pela
empregada. Disse que a justa causa se caracterizou pela ofensa desferida
por ela contra o médico da empresa, acusado de ser “comprado” e
fazer parte uma “laia” dirigida pelos integrantes da empresa.
As ofensas, segundo a contestação, estavam registradas
em um boletim de ocorrência policial.
A sentença considerou procedente,
em parte os pedidos da autora da ação. A justa causa para
a demissão foi mantida , bem como foram indeferidas as verbas
rescisórias pleiteadas. No entanto, a empresa foi condenada ao
pagamento de indenização por danos morais.
As partes recorreram ao Tribunal Regional
do Trabalho da 9ª Região (Paraná), que manteve a justa
causa e excluiu da condenação o pagamento da indenização
por danos morais. O acórdão baseou-se no laudo pericial
que concluiu que a incapacidade laboral da empregada era parcial e temporária. “A
diminuição da capacidade laborativa trata de evento futuro
e incerto que não enseja, desde já, condenação
em indenização”, destacou o TRT/PR, completando que “a
LER, por si só, não maculava a honra da empregada.”
A autora da ação recorreu
ao TST, que manteve a decisão. Segundo o voto do juiz José Ronald,
a trabalhadora não conseguiu demonstrar violação
legal ou divergência de julgados a fim de embasar o recurso.
Destacou, ainda, o relator, a impossibilidade de rediscutir matéria
fática na atual fase recursal. (AIRR-454-2002-017-09-40.8)
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29/01/2007
Trabalhador chamado de "menino da
Febem" será indenizado
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho confirmou, por unanimidade, decisão regional que deferiu
a um ferroviário paranaense o direito à indenização
por dano moral, no valor de R$ 50 mil, sob o entendimento de que sofreu
humilhações por parte da empregadora. A decisão
relatada pelo juiz convocado Luiz Antonio Lazarim negou agravo de instrumento à América
Latina Logística do Brasil S/A (ALL), sucessora da Rede Ferroviária
Federal S/A (RFFSA).
Após 20 anos de atividades como
controlador de tráfego, o ferroviário foi dispensado sem
justa causa, em janeiro de 1991. Conseguiu, contudo, a reintegração
judicial aos quadros da ALL por estar no cumprimento de mandato de dirigente
sindical e, por isso, deter estabilidade provisória no emprego.
As humilhações, segundo
os autos do processo, remontam à época do retorno do ferroviário à empresa.
Ele não foi designado para as funções que sempre
cumpriu (controlador de tráfego) mas colocado, em sua primeira
semana, numa sala fria e úmida. Permaneceu isolado e sem tarefas
e, em seguida, passou a receber comunicados semanais que o dispensavam
do comparecimento ao serviço. Passou a ser alvo de chacotas dos
colegas e, diante da falta de atividades, foi por eles apelidado de “menino
da Febem”. A mesma alcunha foi usada para outros reintegrados.
O ferroviário voltou a procurar
o Judiciário e ajuizou reclamação trabalhista contra
a ALL e a Rede Ferroviária, a fim de receber indenização
por danos morais e materiais. “As empresas estão condenando
o trabalhador ao ócio”, argumentou a defesa do empregado
no texto da ação. Durante a instrução processual,
testemunhas confirmaram a ocorrência das chacotas.
A 8ª Vara do Trabalho de Curitiba
reconheceu o direito do trabalhador à reparação
por danos materiais e condenou a ALL ao pagamento de indenização
equivalente às diferenças entre o valor recebido antes
da dispensa e a soma inferior que passou a receber após a reintegração
(redução de R$ 1,7 mil para R$ 1,1 mil mensais). A primeira
instância excluiu a Rede Ferroviária do processo e negou
a ocorrência do dano moral.
O trabalhador e a ALL recorreram ao Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná), onde foi
mantida a condenação por danos materiais e, com base em
provas, reconhecida a ocorrência de dano moral. “Restou demonstrado
que a atitude de excluir o autor da prestação de serviços,
além de caracterizar descumprimento de decisão judicial,
causou constrangimento ao trabalhador que, efetivamente, passou a ser
tratado com menosprezo pelos demais colegas de trabalho”, registrou
o TRT paranaense.
“Não se pode perder de vista
que o ferroviário trabalhou quase 20 anos para as empresas, pelo
que a alcunha de ‘meninos da Febem’, dada pelos colegas ao
empregados reintegrados, dentre eles o autor, por certo que lhe causou
humilhação”, acrescentou a decisão do TRT/PR.
A ALL tentou descaracterizar o dano moral
no Tribunal Superior do Trabalho sob a alegação de inexistência
de provas de qualquer ato ilícito que pudesse gerar o direito à indenização
por dano moral ou material ao empregado. A pretensão patronal,
contudo, sequer foi examinada, pois é inviável o reexame
de fatos e provas, conforme a previsão da Súmula nº 126
do TST. Por outro lado, também não foi demonstrada a divergência
que viabilizasse o exame do recurso. (AIRR 18578/2001-008-09-40.8)

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