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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 30 de janeiro de 2007 | Brasil
No "divã", Fórum
Social cria "manual" para sobreviver
Conselho decide elaborar guia para evitar erros
de organização das últimas edições
| Edição da semana passada, no Quênia, questionou
modelo de mobilização e "elitização" do
encontro, que só volta a ocorrer em 2009
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM
NAIRÓBI
DA REPORTAGEM LOCAL
A edição do Fórum
Social Mundial de 2007, no Quênia, mostrou que o movimento foi
parar no divã. Os manifestantes questionaram seu modelo de mobilização.
No ano que vem, pela primeira vez desde a sua criação,
o evento não será realizado nos moldes que teve até aqui
(com uma sede global, ou três, como ocorreu no ano passado). Haverá manifestações
espalhadas pelo mundo nos dias em que acontece o Fórum Econômico
de Davos.
No final de semana, o Conselho Internacional
do Fórum Social decidiu criar um guia para as cidades que quiserem
receber futuras edições do evento. O manual irá ajudar
os organizadores dos futuros fóruns a não repetir alguns
erros. No Quênia, participantes locais questionaram o preço
das inscrições, o custo da alimentação e
a pouca informação dos moradores sobre o evento.
O guia, que será feito por parte
dos membros do conselho, também incluirá informações
sobre patrocínio e relações com governos e partidos
locais.
O manual servirá para a edição
de 2009, quando o evento deve retomar a forma atual. Salvador é a
cidade favorita a recebê-lo, mas a decisão final só deve
sair em junho.
No ano que vem, o que acontecerá,
segundo detalhou o Conselho no final de semana, é um "dia
de 48 horas" de manifestações durante Davos. São
esperadas caminhadas, shows musicais e boicotes.
A avaliação dos organizadores é que,
pulverizados, os participantes ampliariam sua ligação com
as populações locais.
"Queremos mostrar que nós,
os que querem mudar o mundo, somos muito e estamos em todos os lugares",
diz Chico Whitaker, um dos idealizadores do Fórum.
O manual e o novo modelo são tentativas
de dar respostas a críticas ao evento feitas pelos próprios
participantes. Há um debate permanente entre os organizadores:
a necessidade de combater a "elitização" da reunião
-as viagens até as cidades do Fórum são caras e
o encontro costuma reunir mais estrelas e integrantes de ONGs mundiais
do que a base dos movimentos sociais.
Os organizadores negam que as mudanças
-reunidas aos questionamentos freqüentes sobre resultados práticos
do fórum-, são sinais de crise. Dizem que o Fórum é "um
processo inacabado" e que está crescendo e incorporando novos
aspectos a cada edição.
Mas analistas vêem enfraquecimento
e perda de relevância do evento criado em 2001, em Porto Alegre.
Para o cientista político Bolívar Lamounier, esvaiu-se
o impacto inicial do evento. "Certamente houve um enfraquecimento.
Que eles façam reuniões descentralizadas para mostrar que
há um mal-estar acho razoável. Agora, não vai além
disso. O evento é mais sintoma que solução."
Na análise do economista
Paulo de Tarso Soares, professor da USP e estudioso do marxismo, não
há relevância no Fórum. "Há um erro
de perspectiva. Falam de luta contra "imperialismo dos EUA" e
não sabem o que é. O Fórum serve apenas para que
o pessoal da minha geração continue sendo guru da juventude",
afirma. (ANA FLOR E FLÁVIA MARREIRO)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 30 de janeiro de 2007 | Dinheiro
Mantega diz que país "não
precisa e não tem condições" de crescer
10% ao ano
MARCO AURÉLIO CANÔNICO
DE LONDRES
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
propôs ontem ao ministro das Finanças britânico, Gordon
Brown, a criação de um grupo técnico regular para
discutir a implantação de Parcerias Público-Privadas.Mantega,
em visita a Londres para apresentar o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) a investidores e políticos, discutiu com Brown
o modelo britânico de PPPs, que serve de inspiração
para o do Brasil, e acertou a visita de técnicos do Reino Unido
ao país.
O ministro também reafirmou sua
convicção em atingir as metas de crescimento estabelecidas
pelo PAC e destacou que um salto no desenvolvimento de 3% para 10% seria "drástico
e desnecessário". "Já alcançamos um crescimento
de 3%, não precisamos crescer a 10%, e nem temos condições.
Só países que têm desigualdades internas mais profundas
podem aspirar a essa taxa de crescimento."
Segundo Mantega, o Brasil precisa de uma
aceleração "moderada, sob controle". "Um
ritmo [de crescimento] que seja mais ou menos o dobro do que o país
tem tido é suficiente."
Brown e Mantega também discutiram
os mecanismos de aumento do investimento público via redução
do superávit primário, medida lançada pelos trabalhistas
britânicos e adotada agora pelo governo brasileiro no PAC. "O
Reino Unido foi precursor em mostrar que o investimento do Estado pode
ser algo que estimule o desenvolvimento. Estávamos todos seguindo
o Consenso de Washington, que desaconselhava o investimento público,
e agora o reintroduzimos, numa escala moderada", disse Mantega.
Mantega também discursou
no Banco da Inglaterra, onde afirmou que o Ministério do Meio
Ambiente dará até o próximo mês a licença
ambiental que falta para iniciar a licitação de usinas
no rio Madeira.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 30 de janeiro de 2007 | Dinheiro
Construção civil vai
abrir 150 mil vagas neste ano
O setor da construção civil,
um dos que mais emprega no país, espera crescer entre 7% e 9%
neste ano, segundo o Sintracon-SP (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção Civil). Esse crescimento, de acordo com Antônio
de Sousa Ramalho, presidente do sindicato, pode representar um aumento
de pelo menos 150 mil postos de trabalho em todo o país. Só no
Estado, devem ser criadas 50 mil vagas no setor.
No momento, estão abertas 640 oportunidades. No CAT (Centro de Apoio
ao Trabalho), da Prefeitura de São Paulo, são 222 chances. No
Sintracon-SP há mais 418 oportunidades no setor da construção.
"Já começamos a perceber
a falta de mão-de-obra no mercado", diz Ramalho.
Paulo Safady Simão, presidente
da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção),
conta que em 2006 o setor cresceu 5% no país. "Ainda é um
crescimento baixo, mas em relação a 2005 foi ótimo.
Neste ano esperamos crescer ainda mais."
A esperança do setor se baseia
no anúncio do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento),
que o governo federal fez na semana passada.
Para Simão, esse plano prioriza
o setor da construção civil, com investimentos principalmente
em habitação, saneamento e transportes. "Isso deve
ampliar ainda mais o mercado de trabalho", diz.
Outra boa notícia para o
setor é a entrada em vigor da Lei Geral das Micro e Pequenas
Empresas, ainda este ano. Segundo dados do Sinduscon-SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Estado de
São Paulo), atualmente apenas cerca de 42% dos trabalhadores
do setor têm registro em carteira. "Quando a lei entrar
em vigor, há a expectativa de formalização no
mercado de trabalho", avalia Eduardo Zaidan, economista do sindicato.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
30 de janeiro de 2007 | Economia
Oferta de emprego industrial parou
em 2006
Redação O Estado do Paraná
Foto: Arquivo/O Estado

Indústria da madeira passou em crise e puxou índices do setor.
O emprego na indústria cresceu 0,8% no ano passado, mostrando estagnação
em relação a 2005, conforme pesquisa do Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Para o economista-chefe da entidade,
Edgard Pereira, o quadro é de estagnação. “Vem (o
emprego) mais ou menos numa mesma faixa do que aconteceu no ano anterior (2005)
e está refletindo a situação da indústria.” No
acumulado do ano até novembro, a queda do nível de emprego na
indústria foi de 0,2%, comparado a 2005.
De acordo com Edgard Pereira, a demanda
da indústria está crescendo, mas a atividade não
está respondendo no mesmo ritmo “porque muito desse dinamismo
das vendas está vazando para o exterior, e na verdade sendo suprido
por importações”. A explicação é que
o consumo está crescendo mais rápido do que a indústria,
e esse crescimento está sendo satisfeito com produtos importados,
não fabricados no Brasil.
O economista prevê que a tendência
para 2007 é de continuidade da estagnação para a
ocupação industrial, porque não há perspectiva
de alteração em 2007 do quadro de câmbio valorizado,
que facilita a entrada dos produtos importados.
Apesar de os dados da indústria,
referentes a dezembro, ainda não terem sido fechados, o Iedi apurou,
com base no acumulado de janeiro a novembro de 2006, que a região
que mais perdeu vagas na indústria foi a Sul, com queda de 2,6%. “São
locais em onde você teve a indústria mais prejudicada pela
concorrência dos importados”, apontou Pereira.
As regiões Norte e Centro-Oeste
foram onde o emprego mais cresceu no ano passado (9,4%), especialmente
nos locais onde estão instaladas indústrias voltadas para
a exportação, com destaque para o Pará, cuja exportação
de minério de ferro e álcool compensou o fechamento de
uma unidade de produção de celulares na Zona Franca de
Manaus.
O setor de serviço, no entanto,
foi o que mais cresceu na oferta de empregos em 2006. As vagas perdidas
na indústria foram captadas pelo setor. A prestação
de serviços para empresas em geral cresceu 5%; os empregos em
serviços domésticos teve a alta de 2,8%; no comércio
o aumento foi de 1,6%, e na administração pública
a expansão foi de 2,3%. “O setor em que mais cresceu a
ocupação foi o de intermediação financeira
e atividades imobiliárias, muito por conta de uma sempre crescente
terceirização em serviços”, explicou Pereira.
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Agência Estado, 30
de janeiro de 2007
Investimento em controle ambiental
cresceu 83%
Rio (AE) - O investimento em controle ambiental das empresas industriais brasileiras
passou de R$ 2,2 bilhões em 1997 para R$ 4,1 bilhões em 2002,
com crescimento real de 86,36% no período, segundo divulgação
feita ontem pelo IBGE. Em 1997, 3.823 empresas investiram em controle ambiental,
número que subiu para 6.691 em 2002, um aumento de 75,02%, bem superior
ao crescimento do total de empresas no mesmo período (26,4%).
Em 1997, segundo o documento de divulgação
da pesquisa, havia uma “alta concentração” dos
investimentos em controle ambiental nos setores de alimentos e bebidas
e, em 2002, a maior concentração passou para as divisões
de fabricação de coque, refino de petróleo, elaboração
de combustíveis nucleares e produção de álcool.
Para a elaboração da pesquisa
foram consideradas as iniciativas em aquisição de máquinas
industriais que já incorporam a concepção de tecnologia
limpa, a aquisição de equipamentos, as obras com estação
de tratamento e os gastos necessários para colocar esses itens
em funcionamento. Não foram considerados gastos com recuperação
de áreas degradadas.
Ainda segundo a pesquisa, a participação
do valor investido em controle ambiental no conjunto das empresas que
informaram esse tipo de investimento aumentou de 13,9%, em 1997, para
18,7%, em 2002, puxado pela indústria de transformação,
que aumentou em 92,6% o valor dos investimentos em controle ambiental
no período.
Desastre
O megadesastre ambiental da Petrobras
na Baía de Guanabara em 2000 foi um dos principais motivos apontados
pelo técnico do IBGE, Paulo Gonzaga, para o forte aumento da fatia
do Valor da Transformação Industrial (VTI, ou renda gerada
pelo setor) da indústria de refino de petróleo destinada
ao controle ambiental.
Segundo a pesquisa do IBGE, o setor de
refino de petróleo foi responsável, em 2002, por 42% do
valor investido pela indústria em geral em máquinas e equipamentos
para controle ambiental. Em 1997, a fatia deste setor no total investido
era de 16%.
Gonzaga explica que a pesquisa divulgada
hoje, e que engloba o período de 1997 a 2002, não é uma
estatística de resultados, mas de esforço das empresas,
ou seja, mapeia os investimentos, mas não as suas conseqüências
no meio ambiente.
Ele considera “muito favoráveis” os
dados que mostram que enquanto 3,6% das empresas industriais investiam
em controle ambiental em 1997, esse porcentual subiu para 5,0% em 2002. “Pode
parecer pequeno, mas não é”, disse Gonzaga, argumentando
que esses 5% correspondiam a 48% da renda gerada pela indústria
em 2002. “Quase metade da produção industrial do
País ocorre com controle ambiental”, explica.
Além do refino de petróleo,
os setores que mais investiam em controle ambiental em 2002 eram papel
e celulose (15%), metalurgia básica (10,4%), alimentos (6,6%)
e produtos químicos (6,4%). O segmento que menos investe em controle
ambiental é o de máquinas e equipamentos para escritório
e informática, o que, segundo Gonzaga, era esperado, já que é um
setor muito pouco poluente.
Ele acredita que a tendência,
de 2002 para cá, é de crescimento no investimento industrial
em controle ambiental, já que há uma exigência
do mercado internacional para cumprimento de regras ambientais no comércio
e, além disso, existe uma pressão da sociedade para proteção
do meio ambiente. A próxima pesquisa industrial do IBGE sobre
controle ambiental será realizada no ano que vem e vai se referir
a 2006.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 30 de janeiro de 2007 | Economia
Entidade de crédito entra com
ação contra uso do FGTS
Confederação de trabalhadores
nas empresas de crédito quer impedir a aplicação
dos recursos do Fundo em infra-estrutura, prevista no programa de
crescimento
AE
SÃO PAULO - Depois de Força
Sindical e da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT),
mais uma entidade representativa dos trabalhadores, a Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec), tenta
impedir a aplicação dos recursos do patrimônio líquido
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no fundo de infra-estrutura,
previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
De acordo com informação
noticiada no site do Supremo Tribunal Federal (STF), a Contec ajuizou
nesta segunda-feira, na instância máxima do Poder Judiciário,
uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (adin), com pedido
de liminar, contra dispositivos da Medida Provisória 349, que
cria o PAC.
Na liminar, pede a suspensão da
vigência da MP por considerá-la uma "irreversível
lesão de direito adquirido dos trabalhadores, como também
os vícios formais denunciados". A adin está sob análise
da ministra Ellen Gracie, presidente do STF.
A Contec questiona se a MP atende aos
critérios de "relevância e urgência" exigidos
para a criação de medida provisória. Ao alegar que
esses critérios não são atendidos, a Contec argumenta
que uma MP não pode disciplinar matéria a ser aprovada
dentro dos prazos de regime de urgência previstos na Constituição.
Também diz ser inconstitucional
o uso dos R$ 5 bilhões do patrimônio líquido do FGTS
para os investimentos em infra-estrutura. "A MP disponibiliza, para
uma aventura financeira, os recursos colocando em risco um direito social
de todos os trabalhadores brasileiros, previsto no artigo 7º, inciso
III, da Constituição", argumenta a Contec, segundo
informação do STF, ressaltando que o uso dos recursos do
Fundo não assegura rentabilidade mínima ao trabalhador.
"Ainda que se facultasse ao
trabalhador optar, ele não poderia sequer analisar os riscos,
pois não saberia onde e como seu dinheiro seria aplicado",
adiciona a adin, além de sustentar que o procedimento viola
o artigo 5º, inciso XXXVI da Constituição, que trata
do direito adquirido do trabalhador.
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JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 30 de janeiro de 2007 | Economia
Governadores querem R$ 15,5 bi de Lula
em troca de apoio ao PAC
Pauta de reivindicações dos
Estados vai de maior repasse de recursos da CPMF até renegociação
da dívida
Ana Paula Scinocca e Sônia
Filgueiras, BRASÍLIA
Na segunda reunião do ano, os governadores
definiram ontem uma lista de reivindicações a ser apresentada
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em encontro marcado para
6 de março. O pacote soma R$ 15,5 bilhões anuais e inclui
maior participação nas receitas da União, alongamento
da dívida e uma fatia da Contribuição Provisória
sobre Movimentação Financeira (CPMF) - 20% para os Estados
e 10% para os municípios - como “moeda de troca” no
apoio ao Planalto para o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). A lista de demandas é ainda maior. Em fase final de elaboração,
o pacote ficará com 12 a 15 itens, todos relacionados à partilha
de verbas.
Embora não admitam oficialmente,
os governadores condicionam o apoio ao programa lançado pelo governo
na semana passada à boa vontade do presidente com as demandas
dos Estados. Segundo participantes do encontro e aliados do governo, é certo
que o interesse dos governadores, em especial os da oposição,
em mobilizar suas bancadas em favor do PAC no Congresso será bem
menor se o governo não sinalizar com o atendimento de pelo menos
parte das reivindicações acertadas ontem.
“A lista de reivindicações é grande,
até porque sabemos que nem toda ela será atendida”,
resumiu o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB). “O
que queremos é participar desse esforço pelo crescimento
conduzido pelo governo federal. Se não houver alguma flexibilidade
nas nossas condições para investimento, esse esforço
do governo federal será muito tímido”, avisou o governador
de Minas, Aécio Neves (PSDB).
Reunidos por duas horas na residência
oficial do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda
(PFL), em Águas Claras, 12 governadores - representantes das cinco
regiões do País - afinaram o discurso e, basicamente, reeditaram
itens já discutidos por eles em 2003, no calor dos debates da
reforma tributária. Tanto os da ala governista quanto os de oposição
defenderam mudanças tributárias para alavancar o crescimento
e o PAC de Lula.
O programa em si nem sequer foi discutido. “Construímos
uma agenda federativa. Todos os itens colocados são considerados
imprescindíveis para o crescimento do País”, anotou
o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), um dos
representantes da Região Nordeste. Também de lá,
veio o petista Marcelo Déda (SE), que avaliou como positivo o
encontro e a construção das demandas comuns. “Precisamos
que o Ministério da Fazenda tenha disposição de
examinar essas propostas e não indeferi-las sem conversar, sem
discutir. A União tem de ter coração e ouvidos abertos”,
defendeu Déda.
As principais idéias encapadas
pelo grupo saíram de sugestões dos quatro governadores
do Sudeste - José Serra (PSDB-SP), Sérgio Cabral (PMDB-RJ),
Aécio e Hartung. Foi de Aécio, por exemplo, a sugestão
de que os Estados abocanhem 20% da CPMF e os municípios, 10%. “Temos
de ter a preocupação de trazer os municípios para
o nosso lado”, disse Aécio. E de Serra a de que os recursos
obtidos com a CPMF sejam obrigatoriamente aplicados na área da
saúde.
A portas fechadas, os governadores definiram
ainda que farão “linha dura” com o governo para obter
mudanças nas regras do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento
da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação (Fundeb). Ontem mesmo, foram
até o ministro da Educação, Fernando Haddad, pleitear
as alterações.
Todos os itens definidos vão
ser submetidos aos outros 15 governadores que não participaram
do encontro. Também ontem, uma comissão de 5 governadores
levou a pauta de reivindicações ao ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro.
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Agência Senado , 30
de Janeiro de 2007
Ideli afirma que recursos do FGTS
para o PAC sairão de excedentes do fundo

Em entrevista à Agência Senado, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC)
afirmou que o ano legislativo que terá inicio a partir do dia 2 (quinta-feira)
será marcado por discussões polêmicas, muitas delas em
decorrência de votações de itens incluídos no Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC). Entre eles, a proposta que
permite o uso de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
para investimentos em infra-estrutura. Em resposta às críticas
de opositores dessa idéia, Ideli afirmou que os recursos que serão
disponibilizados pelo FGTS, cerca de R$ 5 bilhões, conforme anunciou
o governo, sairão de excedentes do próprio fundo.
- Em 2006 a Comissão de Educação
(CE) realizou audiência pública para discutir oito propostas
de uso do FGTS para diferentes finalidades. O presidente do conselho
curador compareceu à audiência e explicou sobre essa sobra
de dinheiro, o que, na avaliação do governo, permitiria
uma proposta para garantir investimentos por essa via no PAC - explicou
a senadora.
Ela admite que a proposta ainda pode ser
modificada.
- Existem nesse aspecto ainda questões
como a garantia da rentabilidade do fundo para os trabalhadores, mas
o governo quer confirmar essa garantia. O Congresso também deverá discutir
melhor a proposta - enfatizou.
Ideli também prevê problemas
para a votação de outro item do PAC: a proposição
de reajuste do funcionalismo público, que poderá vigorar
até 2017. De acordo com o programa governamental, o aumento máximo
anual da folha salarial será o correspondente à inflação
medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) mais 1,5%. Líder do PT no Senado, Ideli espera que a Câmara
também aprove a reforma tributária já votada pelo
Senado.
- A matéria aguarda desde
2004 pela deliberação dos deputados - lembrou.
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Agência Diap, 30 de
Janeiro de 2007
Pressão de banqueiros e governadores
adia obrigatoriedade de conta-salário
Autor (a): Sílvia Barbára
Pressionado pela Febraban e pelos governadores
tucanos José Serra (SP), Aécio Neves (MG) e o petista
Jaques Wagner (BA), entre outros, o Conselho Monetário Nacional
(CMN) mandou para as calendas gregas a exigência de instituição
da conta-salário, que deveria garantir ao trabalhador o
acesso ao salário sem ter que pagar por isso.
A conta-salário é aberta
pela empresa e serve apenas para o empregado receber o salário,
sem cobrança de tarifa de nenhuma espécie. O dinheiro pode
ser sacado com um cartão magnético ou transferido - por
meio de DOC ou transferência eletrônica - para uma outra
conta, de sua livre escolha em qualquer banco ou agência. Nesse último
caso, não há incidência de CPMF, como já ocorre
hoje com contas de mesma titularidade.
Prevista pelo menos desde 1996, a conta-salário
dependia, na prática, da vontade dos bancos. Por isso mesmo, não
era implementada. Em 06 de setembro de 2006, o Conselho Monetário
aprovou resolução (3402) instituindo a obrigatoriedade
a partir de janeiro de 2007.
No final de dezembro, porém, o
CMN aprovou outra resolução (3424) estabelecendo novos
prazos. Nos contratos firmados a partir de 6/09, a conta-salário
será obrigatória em abril de 2007. Entretanto, para os
contratos estabelecidos entre as empresas e os bancos antes do dia 05/09
(ou seja, a maioria) o prazo foi dilatado para janeiro de 2009!!! Servidores
públicos só terão direito à conta-salário
em 1º/1/2012 e aposentados não terão direito a essa
garantia.
No consórcio de bancos e empregadores,
quem paga a fatura é o trabalhador
Com a queda nos níveis de inflação,
os bancos viram na cobrança de tarifa bancária uma de suas
principais fontes de receita. Por isso, passaram a oferecer vantagens às
empresas para ter sob o seu comando a folha de pagamento dos funcionários.
Criou-se, então, um consórcio
entre bancos e empregadores (aqui incluídos governos e empresas
privadas). Os bancos pagam – com dinheiro ou vantagens - para ter
o direito sobre a folha de funcionários. Estes, por sua vez, vêem-se
obrigados a abrir uma conta para ter acesso ao salário, sujeitando-se à cobrança
de todas as tarifas bancárias. Pior ainda para quem normalmente
tem mais de um emprego, como médicos, professores e dentistas.
Está explicado a resistência
das instituições financeiras em instituir a conta-salário.
Os empregados transformaram-se em clientes cativos, sem opção
de escolha, usando ou não os serviços bancários.
As empresas também nunca fizeram esforço para contratar
a conta-salário, de olho nas vantagens oferecidas para vender
a sua folha de funcionários.
Convenhamos: o sistema financeiro não
dá nada de graça. Se ele oferece vantagens, alguém
há de pagar por elas. No caso, a fatura recai sobre os trabalhadores.
São eles que subsidiam a generosidade dos bancos com os empregadores,
públicos ou privados. Nessa ciranda, há um lado que perde
e dois que ganham. Isso explica a pressão feita pela Febraban
e, vale ressaltar, pelos governadores que alegaram não poder abrir
mão dos recursos gerados pela “venda” de suas folhas
de salários). O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que
o adiamento visava permitir que os governos fizessem leilões de
suas folhas de pagamento para conseguir dinheiro extra!!
Trabalhador não é obrigado
a abrir conta
Nada do que foi aqui relatado altera,
entretanto, uma questão de fundo: obrigar um empregado a pagar
para ter o salário configura redução salarial. Mas
nem tudo está perdido. Pelo menos para quem trabalha na iniciativa
privada, existe uma saída e ela está na CLT. O artigo da
464 da CLT é claro: a conta bancária só pode ser
aberta com a autorização do empregado.
O trabalhador pode e deve recusar-se a
abrir uma conta em agência da escolha de seu empregador. Nesse
caso, a empresa não pode reter o salário e tem que arrumar
uma outra forma de pagá-lo (a informatização torna
essa operação muito simples).
Vale lembrar que a Constituição
Federal considera crime a retenção dolosa de salário.
Está no artigo 7º, inciso X. Sílvia Barbára é diretora
da Fepesp, professora de geografia e colaboradora do DIAP.
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Diário
Vermelho, 30 de janeiro de 2007
Debate na Câmara: Aldo e Fruet
atacam e colocam Arlindo na defesa

O presidente da Câmara e candidato à reeleição, Aldo
Rebelo (PCdoB-SP), abandonou o comedimento, marca de sua postura, e fez um discurso
forte e direto na fala de encerramento no debate que a TV Câmara realizou,
nesta segunda-feira (29), com os três candidatos que concorrem à Presidência
da Câmara. Além de Aldo, disputam o cargo os deputados Arlindo Chinaglia
(PT-SP) e Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Candidatos posam para foto antes do
debate
" Não creio que, em nome da democracia e do equilíbrio dos
poderes de um país se dê ainda mais força e poder a um único
partido. Não julgo prudente, não julgo equilibrado, não
julgo bom, nem para a democracia, nem para o país, nem para o próprio
Partidos dos Trabalhadores, a concentração de tanto poder em suas
mãos. A Câmara é a Câmara de todos - a Câmara
do governo, a Câmara da oposição, mas é, acima de
tudo, a Câmara dos Deputados do povo brasileiro", afirmou Aldo, em
suas considerações finais.
O segundo a falar no último bloco, deputado Gustavo Fruet, manteve a linha
do discurso que apresentou ao longo do debate. Apresentou-se como candidato da
oposição, que não será submisso ao governo, e insistiu
na crítica que fez ao candidato petista de estar sendo apoiado pelos partidos
que protagonizaram os escândalos do "mensalão" e "sanguessugas".
As estocadas contínuas de
Fruet e as perguntas dos jornalistas, destacando sempre os casos
de corrupção que marcaram o final da legislatura
passada, colocaram o candidato petista na defensiva. Em suas considerações
finais, Chinaglia gastou todo o tempo de dois minutos em respostas
aos dois outros concorrentes.
Para responder a Aldo, Chinaglia lembrou que retirou candidatura para apoiá-lo
na eleição passada, após a renúncia do ex-presidente
Severino Cavalcanti. Segundo ele, "apesar do PT ter maioria na Câmara,
numa demonstração de que o PT sabe abrir mão do poder".
Em resposta a Fruet, destou que "quando o governador Aécio Neves
(do PSDB) foi presidente da Câmara foi submisso só porque era
apoiador do então presidente Fernando Henrique Cardoso; e nem Luis Eduardo
Magalhães (do PFL, partido da base de apoio do governo FHC).
Mesmos assuntos
No debate de hoje, os candidatos responderam, por cerca de duas horas e meia,
a perguntas de jornalistas, populares e debateram entre si. Os assuntos debatidos
foram os mesmos que têm pautado as discussões da campanha.
Reforma política, reajuste dos subsídios dos parlamentares e
moralização das atividades foram as primeiras perguntas no debate.
Com pequenas variações, os candidatos assumiram posições
semelhantes para tratar dos assuntos.
Os três consideram os assuntos importantes e que devem fazer parte da
agenda de trabalho da próxima legislatura. Nem mesmo as perguntas mais
diretas receberam respostas diretas. Jornalistas e Fruet queriam tirar do candidato
Arlindo Chinaglia a declaração de que apoiaria pedido de anistia
para o ex-deputado José Dirceu. Ele disse que ao Presidente da Câmara
cabe, em uma atitude democrática, receber e colocar em votação
projeto de lei de iniciativa popular que venha nesse sentido.
Do presidente Aldo Rebelo, queriam a declaração de que reabriria
os processos de cassação dos deputados que renunciaram ao mandato
na legislatura passada para fugir à punição e conseguiram
se reeleger, como é o caso dos deputados Paulo Rocha (PT-PA) e Valdemar
da Costa Neto (PL-SP). Aldo disse que a decisão deve ser de iniciativa
de algum partido ou individual e que caberá, no primeiro caso, ser enviada
ao Consleho de Ética e, no segundo, ao corregedor, que dá parecer
e submete à mesa.
Também Fruet conseguiu se livrar de uma resposta direta à pergunta
de Chinaglia sobre o fim das verbas indenizatórias. O candidato tucano
aproveitou para reforçar o discurso que fez ao longo de todo o debate
sobre a transparência e moralização dos gastos da Casa,
mas não deu a resposta que Chinaglia pedia – sim ou não.
Repercussão
Para o senador eleito e deputado, Renato Casagrande (PSB-ES), "o debate
não altera o resultado, mas ajuda a construir o perfil da cada candidato
e nesse perfil, o deputado toma a sua decisão".
Segundo ele ainda, "o debate serviu para mostrar quem agrega mais e poderá contribuir
mais com o trabalho na Câmara dos Deputados, acrescentando que "o
candidato que eu defendo, Aldo Rebelo, demonstrou ter capacidade de agregar
e isso ajuda a demonstrar para cada parlamentar que ele fará uma gestão
democrática.
O parlamentar destacou ainda que, com o evento, a Câmara dos Deputados
desempenhou o seu papel de se comunicar com a sociedade. "O debate ajuda
a construir uma nova imagem da Câmara", afirmou. De Brasília
- Márcia Xavier.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
30/01/2007
TST confirma validade de ampliação
de turnos ininterruptos
Sob o entendimento consolidado na Súmula
nº 423 (a mais recente do Tribunal Superior do Trabalho), a Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou a validade de acordo
coletivo que transformou a jornada em turnos ininterruptos de revezamento
de seis para oito horas na Unilever Brasil Ltda. A decisão reconheceu
a inexigibilidade do pagamento das sétima e oitava horas como
extras. Ao mesmo tempo, o órgão do TST afirmou, segundo
voto da ministra Maria Cristina Peduzzi (relatora), a impossibilidade
de redução, mesmo que por meio de norma coletiva, do intervalo
intrajornada. Neste ponto, foi concedido recurso de revista a um ex-empregado.
Insatisfeito com decisão tomada
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais),
o trabalhador ingressou com recurso de revista no TST. Reivindicou o
pagamento de horas extras sobre o acréscimo de duas horas à jornada
de trabalho, a indenização do intervalo intrajornada suprimido,
além da multa prevista no artigo 477, parágrafo 8º,
da CLT (devida em caso de atraso na quitação das verbas
rescisórias).
O primeiro tópico do pedido foi
negado pela Terceira Turma com base na posição adotada
pelo Pleno do TST que resultou, em agosto passado, na transformação
da então vigente Orientação Jurisprudencial nº 169
da Seção de Dissídios Individuais – 1 (SDI-1)
na Súmula nº 423. O novo item da jurisprudência tornou
expresso o entendimento majoritário do TST, que exclui o pagamento
das horas extras em caso de ampliação, no limite de duas
horas, da jornada de trabalho em turnos ininterruptos, com respaldo em
negociação coletiva válida.
“O artigo 7º, inciso XIV, da
Constituição da República garante ao empregado que
trabalha em turnos ininterruptos de revezamento jornada de seis horas.
Ressalva, contudo, o ajuste de jornada diversa por meio de negociação
coletiva”, afirmou Cristina Peduzzi. Também frisou que o
TRT mineiro indicou que a ampliação da jornada foi objeto
de acordo coletivo.
“Assim, não há como
negar validade ao referido acordo, ante a previsão constitucional
e pelo fato de haver sido firmado pelo sindicato respectivo da categoria
profissional do autor, conhecedor, portanto, da realidade funcional e
apto a pactuar condições de trabalho que melhor aproveitem
aos seus representados”, acrescentou.
A norma coletiva não foi considerada
válida, contudo, em relação à diminuição
do intervalo interno à jornada de trabalho. A mudança esbarrou,
disse a relatora, na Orientação Jurisprudencial nº 342
da SDI-1. “É inválida cláusula de acordo ou
convenção coletiva de trabalho contemplando a supressão
ou redução do intervalo intrajornada porque este constitui
medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, garantido
por norma de ordem pública (artigo 71 da CLT e artigo 7º,
XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva”,
prevê o entendimento.
O recurso não foi concedido
em relação ao último pedido do trabalhador, que
pretendia obter a punição da empresa, pois a demora na
homologação teria provocado a liberação
do FGTS e seguro-desemprego além do prazo legal (dez dias).
Cristina Peduzzi observou que as verbas rescisórias foram pagas
no prazo e, nesse contexto, “é irrelevante o momento em
que ocorre a homologação da rescisão”. (RR
341/2005-092-03-00.0)

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