 |
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 31 de janeiro de 2007 | Dinheiro
Lula aceita negociar PAC no Congresso
Mas presidente não vai atender ao
pedido para destinar até 30% da arrecadação
da CPMF para Estados e municípios | Ao menos 4 dos 12 pedidos
dos governadores devem ser atendidos; medidas deverão aumentar
verbas estaduais para obras
KENNEDY ALENCAR, VALDO CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo está disposto a negociar
e atender ao menos 4 das 12 reivindicações apresentadas
anteontem pelos governadores para apoiar no Congresso o PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento) e a prorrogação
da CPMF (o "imposto do cheque") e da DRU (Desvinculação
de Recursos da União). Ontem, em reunião do Conselho Político,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitou rediscutir alguns
pontos do PAC para incluir contribuições dos Estados, do
Congresso e reunificar a base aliada. No entanto, Lula sinalizou que
nem toda as reivindicações dos governadores serão
atendidas.
"Ficou claríssimo que o plano
está aí para ser discutido. Ficou claro que o PAC não é um
projeto acabado, está aberto a discussões", disse
o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que falou em nome dos
integrantes do conselho após o encontro. Com relação
aos pedidos dos governadores, a Folha apurou que os quatro pontos "negociáveis" são:
alteração nas regras de divisão dos recursos do
Fundeb (fundo de educação básica); desoneração
do PIS/Pasep para as empresas de saneamento; ampliação
do repasse de recursos da Cide aos Estados; e a criação
da DRE, uma DRU para os Estados.
Em conversas reservadas com Lula, ministros
ouviram que "um pedágio" estaria dentro das regras do "jogo
político" e que seria necessário ceder parcialmente
aos Estados para aprovar assuntos de interesse do governo no Congresso.
Governadores aliados conversaram com Lula nos últimos dias e o
alertaram para o risco de a equipe econômica adotar posição
de negar negociação, como vem fazendo. De acordo com eles,
se isso acontecer, Lula veria aumentar a resistência no Congresso
Nacional às aprovações de medidas "impopulares" do
PAC -como trava ao aumento dos salários do funcionalismo e nova
prorrogação de mecanismos que nasceram para ser temporários
e que se perenizaram, a CPMF e a DRU (mecanismo que libera 20% das receitas
vinculadas a determinadas áreas, como saúde).
Os governadores têm influência
sobre as bancadas estaduais e avaliam que estão numa boa posição
para arrancar contrapartidas financeiras do governo porque a CPMF e a
DRU atuais expiram em dezembro. Os dois mecanismos são fundamentais
para o governo fechar as contas públicas. A idéia é prorrogá-los
por mais dez anos nos moldes atuais. Reunidos em Brasília anteontem,
12 dos 27 governadores apresentaram ao ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro, a lista de 12 pedidos. A pauta será entregue
oficialmente a Lula em março.
Na tentativa de abocanhar 30% do total
arrecadado com a CPMF (20% para os Estados e 10% para os municípios),
os governadores estariam prometendo destinar os recursos para gastos
com saúde. A Folha apurou, porém, que esse pedido dos governadores é o
chamado "bode na sala". Coloca-se na lista para endurecer e
retira-se para suavizar a negociação. Três ministros
já disseram publicamente que a União não dividirá a
receita da CPMF, estimada em mais de R$ 32 bilhões por ano. Lula
também resiste a abrir negociação das dívidas
dos Estados.
No caso da Cide (tributo sobre combustíveis),
os governadores querem subir sua participação de 29% para
46% na receita da contribuição destinada a obras em estradas
-seriam cerca de R$ 1,3 bilhão nos cofres estaduais por ano. A
tendência é o governo federal topar a idéia, desde
que os Estados assumam a manutenção das rodovias federais.
Já a criação
da DRE, que também liberaria os Estados a gastar livremente
parte de suas receitas vinculadas, chegou a ser discutida como proposta
a ser encaminhada pelo governo federal como medida do PAC. A idéia,
porém, foi abandonada depois que ficou decidido que as negociações
da CPMF e da DRU seriam feitas à parte pelo governo no Congresso.
Quanto à reivindicação do Fundeb, o governo não
vê dificuldades em atendê-la porque seria basicamente um
remanejamento de verbas entre Estados e municípios.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 31 de janeiro de 2007 | Dinheiro
Previdência pode ter déficit
de só R$ 3,8 bi com novo cálculo
Estudo prevê que R$ 18 bi passem a ser
contabilizados como receitas do sistema oriundas de subsídios
pagos pelo Tesouro | Mantega afirma que mudança é apenas
contábil; equipe econômica teme que critério dificulte
e confunda a discussão sobre reformas
HUMBERTO MEDINA
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com mudanças contábeis,
o governo estuda reduzir o que considera ser o déficit da Previdência
de R$ 42 bilhões para R$ 3,8 bilhões de uma só vez
e tratar o problema apenas com medidas de gestão -e não
uma nova reforma do setor.
A avaliação é do
ministro Nelson Machado (Previdência). A mudança na forma
de contabilizar as receitas e despesas da Previdência Social está em
avaliação no governo. O presidente Lula já disse
que o governo iria refazer as contas por considerar os benefícios
como política social.
O estudo prevê que cerca de R$ 18
bilhões passem a ser contabilizados como receitas da Previdência,
oriundas do que passariam a ser chamados de subsídios pagos pelo
Tesouro.
Hoje, esse valor é transferido
pelo Tesouro, mas é classificado como despesa da Previdência.
O valor, segundo Machado, refere-se a despesas com renúncias fiscais
(como o Simples e os benefícios das entidades filantrópicas)
e outros definidos em lei (como os que criam formas diferentes de arrecadação
para domésticos, trabalhadores rurais e clubes de futebol).
Nos cálculos de Machado, a arrecadação
previdenciária na área urbana ficou em R$ 119,7 bilhões
em 2006, contra despesas de R$ 133,2 bilhões, o que resultou em
um déficit de R$ 13,5 bilhões. Desse valor, deve-se descontar
a renúncia fiscal na área urbana, de R$ 9,7 bilhões,
o que resultaria no déficit de R$ 3,8 bilhões.
"Para o curto prazo, que eu considero
os próximos quatro anos, o mandato de Lula, não tem que
fazer nenhuma grande reforma, não tem que fazer nenhuma grande
mudança, não tem de fazer nada. Vamos trabalhar a gestão,
isso é o que mostram esses números." Ele ressaltou,
porém, que, no longo prazo, a situação é diferente. "Nós
estamos convencidos de que, em 2030, 2040, 2050, a situação é outra.
E aí nós temos que discutir e é por isso que tem
o fórum", disse.
Ele se referia ao fórum criado
no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para discutir
a reforma da Previdência. Esse fórum deverá ser instalado
em setembro, com representantes do governo, trabalhadores e empresários
com o objetivo de elaborar uma proposta de consenso. Já a equipe
econômica teme que a mudança no critério de contabilidade
do déficit da Previdência dificulte e confunda a discussão
sobre reformas no setor. A preocupação é que a tese
de que são necessárias mais mudanças no regime de
Previdência perca força e o governo deixe a discussão
de lado. A Folha apurou que o Ministério da Fazenda não
considera tecnicamente viável retirar da contabilidade da Previdência
despesas com os chamados regimes especiais de recolhimento. Segundo técnicos,
não se trata nesse caso de renúncia, mas de política
previdenciária.
Em Londres, o ministro Guido Mantega
(Fazenda) afirmou que essa mudança é apenas de "classificação
contábil". "O que a MP está prevendo é que
a renúncia fiscal proveniente de isenções da Previdência
será colocada na conta do Tesouro, para deixar claro qual é exatamente
a conta da Previdência." "Não é nenhuma
mudança do ponto de vista do gasto primário. Não
aumenta gasto, não reduz gasto, é só uma questão
de classificação contábil. Questionado sobre o
assunto, o secretário do Tesouro, Tarcísio Godoy, não
quis se posicionar. Segundo ele, trata-se de um ajuste contábil
sem impacto sobre as contas públicas.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 31 de janeiro de 2007 | Dinheiro
Tributaçaõ: Prazo de
opção pelo Simples termina hoje
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Termina hoje o prazo para as empresas
optarem pelo Simples em 2007.
As regras para quem escolher o modelo
valem até 30 de junho. Após essa data, valerão as
regras da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Contudo, as normas
e prazos para esse sistema ainda não foram definidas.
O pedido de adesão ao Simples
pode ser feito na página da Receita Federal na internet. O endereço é www.receita.fazenda.gov.br.
|
AGÊNCIA DIAP, 31 de
janeiro de 2007
Salário mínimo: o “vilão” do
desenvolvimento
Autor (a): Leonardo Sakamoto
Se alguém fosse se basear pelas
análises de “especialistas” que a mídia tem
veiculado nos últimos meses – e de forma mais intensa após
o anúncio do PAC – diria que um dos culpados pelo país
não crescer como deveria é o custo do salário mínimo.
Com o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) os “especialistas” voltam à carga,
e, tendo a mídia à disposição para veicular
suas análises, indicam um novo vilão nos entraves ao desenvolvimento
do país: o salário mínimo.
Separei quatro pérolas desses especialistas.
Um amigo, jornalista da área de economia, disse que elas são
uma prova de que se perdeu a vergonha de dizer, em público, que
os pobres que se danem. Eu não concordo. A prova mais clara de
que não se joga totalmente às claras é o fato dessas
análises serem dadas em uma linguagem que poucos conseguem entender.
Falam em código para atingir aqueles que sabem decodificá-lo.
Ou seja, quem tem dinheiro.
“O governo deve desvincular a Previdência
do aumento do salário mínimo. Os aposentados não
podem receber aumentos na mesma progressão que a população
economicamente ativa”
Em outras palavras, quem pode vender sua
força de trabalho merece comer, pagar aluguel, comprar remédios.
O governo tem que se preocupar em garantir a manutenção
da mão-de-obra para o capital – o resto que se dane. Para
que gastar com quem já não é útil à sociedade
com tanta dívida pública para ser paga? Melhor seria instituir
de vez que, chegando a tal idade, os idosos pobres deveriam se destinar
a instituições parecidas com aquelas do livro “Admirável
Mundo Novo”, de Aldous Huxley, para serem literalmente reciclados.
Mais rápido e limpo.
“Cada real a mais de salário
mínimo representa um aumento de R$ 200 milhões no prejuízo
do Governo federal”
Primeiro se fossem efetivamente cobradas
as grandes empresas sonegadoras da Previdência, o rombo não
seria desse tamanho. Mas isso é de interesse de quem? Dos representantes
políticos que receberam doações de campanhas dessas
mesmas empresas? OK, o debate é bem mais complicado que isso.
Mas a verdade é que, a cada aumento no salário mínimo,
ocorre um aquecimento na economia de locais de baixa renda, o que gera
empregos e melhora a qualidade de vida de milhões de pessoas.
O aumento no mínimo é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento
local – bem ao contrário de grandes empreendimentos que
demandam um alto custo (social, ambiental, fiscal...) e não dão
um retorno à altura. Então, seria interessante o especialista
definir melhor o que é “prejuízo” antes de
usar o termo.
“É importante aumentar o
mínimo? Sim. Mas a população tem que entender que
não é o aumento do mínimo que vai distribuir renda
e sim o crescimento da economia”
Os economistas da ditadura militar falavam
a mesma coisa, mas de uma forma diferente, algo como “é preciso
primeiro fazer o bolo crescer, para depois distribui-lo”. Considerando
que nossa concentração de renda é uma das mais altas
do mundo, percebe-se o tipo de resultado que dá essa fórmula.
Além do mais, salário mínimo não é programa
de distribuição de renda, é uma remuneração
mínima – e insuficiente – por um trabalho. Não é caridade
e sim uma garantia institucional de um mínimo de pudor por parte
dos empregadores e do governo.
O melhor de tudo é o tom professoral
de “A população tem que entender”, como se
o jornalista que disse isso fosse um ser iluminado dirigindo-se para
o povo, bruto e rude, para explicar que aquilo que eles sentem não é fome.
Mas sim sua contribuição com a geração de
um superávit primário de 4,25% para que sejam honrados
os compromissos internacionais do país.
“Já houve um bom aumento
do mínimo nos últimos anos. Agora, o governo deve diminuir
o ritmo de aumento para não prejudicar o país”
De acordo com o Departamento Intesindical de Estatística e Estudos Econômicos
(Dieese), o salário mínimo mensal necessário para manter
dois adultos e duas crianças deveria ser de R$ 1.564,52 – em valores
de dezembro de 2006. Hoje, é de R$ 350. O Dieese considera o salário
mínimo “de acordo com o preceito constitucional ‘salário
mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às
suas necessidades vitais básicas e às de sua família,
como moradia, alimentação, educação, saúde,
lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado
periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação
para qualquer fim’ (Constituição da República Federativa
do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso
IV)”. Infelizmente, no Programa de Aceleração do Crescimento,
o governo federal assumiu um ritmo de aumento do mínimo, para os próximos
anos, abaixo do esperado por muitos sindicatos. Mesmo assim o “país” prejudicado
do especialista – aquele grupo reduzido de pessoas que ganha dinheiro
com os juros – não ficou satisfeito com essa medida.
Por fim, vale lembrar que falar em código
não é um hábito restrito a uma ideologia. Grandes “especialistas” de
esquerda também são craques em falar para si mesmos. Escrevem
belíssimos textos sobre os problemas nacionais, mas que só os
que já conhecem o assunto ou os que têm uma formação
específica vão poder ler. Não se interessam em ampliar
o debate para o povo por preguiça ou preconceito.
De qualquer maneira, “especialista”,
de esquerda ou direita, não ganha salário mínimo.
Leonardo Sakamoto ée jornalista
e cienstista político, é membro da ONG Repórter
Brasil (http://www.reporterbrasil.org.br). Texto publicado originalmente
na Agência Carta Maior (www.cartamaior.com.br)
|
SITE NCST, 31 de janeiro
de 2007
Ministra da Casa Civil descarta repasse
de parte da CPMF aos Estados
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil)
afirmou hoje que o governo federal não tem condição
de renunciar aos R$ 9,75 bilhões provenientes da arrecadação
com CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira), como querem os governadores.
Os governadores estão reivindicando
que a União transfira aos Estados e municípios uma parte
da receita da CPMF--que anualmente rende mais de R$ 32 bilhões--
em troca de apoio para aprovar as medidas do PAC (Plano de Aceleração
do Crescimento) e também para prorrogar a cobrança da contribuição.
Hoje, toda a arrecadação da CPMF fica com a União.
Só há previsão para a cobrança até o
final de 2007. Para apoiar a prorrogação desse prazo, os
governadores reivindicam que 20% dos recursos sejam direcionados para
os Estados e 10% para os municípios.
"Nós não temos condição
fiscal", afirmou a ministra, durante visita ao estádio do
Maracanã, no Rio, que passa por reformas para os Jogos Pan-Americanos,
em julho. Sobre a negociação com os governadores, a ministra
disse apenas que a "discussão virá no seu tempo devido".
Os governadores reivindicam também
maior participação na distribuição da Cide
(contribuição para financiar obras em estradas), a constituição
de um fundo com garantias para perdas da lei Kandir e a renegociação
das dívidas estaduais com a União. Uma comissão
de cinco governadores entregou ontem a pauta de reivindicações
ao ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), que
tem como objetivo reduzir as perdas de receita das unidades federativas
acumuladas nos últimos anos.
|
SITE NCST, 31 de janeiro
de 2007
Deputados estaduais de Alagoas decide
reajustar seus salários em 60%
Em meio a uma crise financeira no Estado
e três dias antes do final do atual mandato legislativo, os deputados
estaduais de Alagoas aprovaram um reajuste de 60% nos próprios
salários.
Já a partir deste mês, os
subsídios dos parlamentares passarão de R$ 6.000 para R$
9.635,25, o valor máximo previsto pela Constituição.
Os deputados aprovaram também o
aumento da verba destinada à contratação de assessores
--de R$ 17 mil para R$ 50,8 mil mensais.
Em dezembro, eles já haviam aprovado
o aumento de R$ 30 mil para R$ 45 mil da verba para gastos de gabinete.
No total, cada um dos 27 deputados estaduais de Alagoas passou a custar
R$ 105,45 mil por mês.
O deputado reeleito Arthur Lira (PMN),
atual primeiro-secretário da Mesa Diretora, disse na semana passada
que o Legislativo remunerava mal seus assessores e que, por isso, era
necessário o aumento.
Vitória dos deputados
A aprovação dos reajustes,
com o voto de 17 dos 27 deputados da Casa, foi uma vitória da
atual composição da Assembléia sobre o governador
Teotonio Vilela Filho (PSDB) e acontece no momento em que o Executivo
barrou o repasse de R$ 8,6 milhões para o Legislativo previsto
para janeiro. A disputa está na Justiça.
Os projetos de lei que reajustavam os
salários e aumentavam a verba para contratação de
assessores haviam sido aprovados em plenário no dia 26 de dezembro
do ano passado, mas foram vetados pelo governador.
A justificativa dada por Vilela Filho
para os vetos foi a de que os projetos não respeitavam a Lei de
Responsabilidade Fiscal.
Em sessão extraordinária,
os deputados derrubaram o veto. Na mesma sessão, os parlamentares
impuseram outras derrotas ao governador.
Foi aprovado um projeto de resolução,
apresentado pelo deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), que anulou
o decreto de Vilela Filho que suspendia o pagamento dos reajustes salariais
dados em 2006 aos servidores públicos.
O governador já havia recuado da
decisão, mantendo a suspensão dos reajustes apenas para
os professores estaduais, mas resistia em revogar o decreto.
PDV
Os deputados derrubaram também
o veto ao projeto de lei que permite a reincorporação dos
servidores que aderiram ao Plano de Demissão Voluntário
feito em 1996.
Parte dos parlamentares da base de apoio
do governador na Assembléia está desde anteontem reclusa
no resort Xingó Parque Hotel, em Canindé do São
Francisco (SE), e não participou da sessão. Eles deverão
deixar o local amanhã, pouco antes da sessão de posse,
quando será eleita a nova Mesa.
Para reverter a derrota, Vilela Filho
publicou ontem um novo decreto no qual mantém a suspensão
do reajuste apenas aos professores.
Em nota, o governo informou que a Procuradoria
Geral do Estado irá analisar as decisões do Legislativo
para que sejam propostas ações judiciais contra os aumentos.
Greve da polícia
A Polícia Civil decidiu ontem
em assembléia retornar ao trabalho. Eles estavam em greve desde
o último dia 16 para pressionar o governo a pagar o salário
integral. Os professores e setores da saúde mantêm a paralisação.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
31 de janeiro de 2007
Ônus da empresa
Funcionária obrigada a fazer
falsa promessa ganha ação
Empresa que obriga funcionária
a prometer o que não pode cumprir deve ser responsabilizada pelos
danos causados. O entendimento da segunda instância foi mantido
pela 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. A Turma negou recurso à empresa
Octet Brasil, operadora de telecomunicações, condenada
a pagar R$ 20 mil a uma ex-funcionária por danos morais.
A controvérsia judicial teve início
em outubro de 2001, quando a trabalhadora, contratada para a função
de coordenadora de conteúdo de informática, entrou com
um pedido de rescisão indireta na primeira instância. Ela
queria receber o pagamento de verbas trabalhistas e indenização
por dano moral.
De acordo com o processo, a funcionária
foi contratada em junho de 2000 pela empresa Interare do Brasil. Em seguida,
foi transferida para a Octet e, para tanto, deveria abrir mão
das verbas rescisórias devidas – férias integrais
e proporcionais, 13º salário, saldo de salários, dentre
outras, de acordo com os autos.
No desempenho das suas atividades, “se
viu obrigada a prometer a entrega de produtos e serviços sem que
a empresa realizasse a entrega dos produtos contratados”. Além
da credibilidade afetada, a ex-funcionária afirmou que o diretor
da empresa a ofendia com freqüência.
O dano moral foi reconhecido pela 77ª Vara
do Trabalho de São Paulo com base em provas testemunhais. De acordo
com os autos, ela era classificada como “incompetente, que não
tinha condições nem mesmo de ser a faxineira da empresa”.
Era comparada com “animais do zoológico” e tinha de “fazer
promessas aos clientes que a empresa não podia cumprir”.
Em um dos depoimentos, foi revelada a
maneira com que o presidente da empresa orientava seus funcionários: “a
equipe deveria deixar o cliente satisfeito como se ele tivesse saído
com cinco prostitutas”.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo) manteve a sentença. “Restou evidenciado
que o presidente da empresa ofendia os trabalhadores de forma grosseira,
acarretando humilhação, além de determinar à empregada
que prometesse prazos a clientes que não poderiam ser cumpridos”.
A conduta patronal, para o TRT-SP, “sujeitava a trabalhadora a
todo o tipo de constrangimento perante os colegas e clientes, de sorte
que devida a indenização por dano moral”.
No TST, a inviabilidade processual de
rediscutir as provas levou a 6ª Turma a negar o Agravo e, assim,
confirmar a condenação da Octet por danos morais e ao pagamento
de verbas trabalhistas.
AIRR 2.435/2001-077-02-40.7
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
31/01/2007
TST reconhece prevalência de norma
coletiva
Os ajustes firmados por meio de instrumento
coletivo (acordo ou convenção), visando à prevenção
e composição de conflitos pelos próprios trabalhadores
e empregadores, devem ser prestigiados, conforme a previsão do
texto constitucional. Sob esse entendimento, manifestado pela ministra
Maria Cristina Peduzzi, a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho
deferiu recurso de revista à Empresa Brasileira de Telecomunicações
S/A (Embratel). A decisão reconheceu a validade de negociação
que alterou critérios para o cálculo de complementação
de aposentadoria.
A decisão da Turma do TST reconheceu
a validade de cláusula de acordo coletivo que determinou a supressão
da incidência da parcela “adicional regional” nos cálculos
dos valores a serem pagos pela Telos (Fundação Embratel
de Seguridade Social), a título de complementação
de aposentadoria. A controvérsia judicial teve origem na primeira
instância trabalhista de Belém do Pará, que deferiu
a um empregado da Embratel o pagamento de diferenças decorrentes
da mudança na complementação de aposentadoria. Em
seguida, a sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 8ª Região (Pará e Amapá), que considerou
nula a cláusula da norma coletiva.
“A negociação pretendeu
negociar direito de caráter protetivo, de efeito futuro para o
bem estar dos trabalhadores, com ressonância negativa nos proventos
da aposentadoria, implicando prejuízo de ordem financeira na vida
do futuro aposentado, mediante a supressão da incidência
das contribuições sobre o adicional regional de 15% inserido
no salário do empregado, reduzindo, conseqüentemente, no
mesmo percentual, os cálculos do rendimento da aposentadoria”,
considerou o TRT.
Em seu exame sobre a questão,
a relatora do recurso observou que a supressão da incidência
do adicional regional sobre os proventos de aposentadoria decorreu
da livre vontade das partes, expressa por meio de negociação
coletiva. A prevalência dada pelo texto constitucional a acertos
dessa natureza garantiu a concessão do recurso. “A cláusula
normativa decorre da prerrogativa conferida pela Constituição
Federal (artigo 7º, inciso XXVI) a trabalhadores e empregadores
para estabelecerem as normas aplicáveis às suas relações,
visando, pois, à composição de conflitos pelas
próprias partes envolvidas”, explicou Cristina Peduzzi,
ao concluir o exame sobre o tema de forma favorável à Embratel.
(RR 753958/2001.7)
|
31/01/2007
Não cabem honorários se o
sindicato atua como substituto processual
Não são devidos honorários
advocatícios ao sindicato que atua como substituto processual.
Este é o entendimento prevalecente na Seção Especializada
em Dissídios Individuais 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho
que, por unanimidade, adotou o voto do relator, ministro João
Batista Brito Pereira, no recurso de embargos proposto pelo Sindicato
dos Trabalhadores Públicos nas Autarquias, Fundações,
Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista do Estado do
Espírito Santo (Sindipúblicos).
O sindicato propôs reclamação
trabalhista contra o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do
Espírito Santo DER/ES pleiteando a restituição do
direito de seus associados ao auxílio-alimentação
no período de férias. Comprovada a supressão do
benefício, o ER/ES foi condenado a continuar fornecendo o auxílio
alimentação aos empregados substituídos no período
de férias,
Condenado, ainda, a pagar honorários
advocatícios, o DER recorreu. Os ministros da Primeira Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, com base na Súmula nº 219,
decidiram excluir da condenação a referida verba. Segundo
a súmula, na Justiça do Trabalho, a condenação
ao pagamento de honorários advocatícios, nunca superiores
a 15%, não decorre pura e simplesmente da sucumbência. A
parte deve estar assistida por sindicato da categoria profissional e
comprovar a percepção de salário inferior ao dobro
do salário mínimo ou encontrar-se em situação
econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo
do próprio sustento ou da respectiva família.
Insatisfeito com a decisão, o sindicato
recorreu, primeiramente com embargos de declaração e posteriormente
com embargos à SDI-1, que manteve inalterado o teor do acórdão
da Turma. Alegou o representante dos empregados que, se na qualidade
de assistente, tem direito aos honorários advocatícios,
com mais razão o tem quando atua como substituto processual.
O ministro Brito Pereira, em seu voto,
explicou que não é o fato de o sindicato atuar como substituto
processual que lhe garante o direito ao honorários advocatícios.
Segundo ele, não se pode confundir honorários advocatícios
com honorários assistencias. Os honorários assistenciais
são devidos apenas quando se trata de reclamante individual, beneficiário
da Justiça Gratuita e cuja assistência jurídica é promovida
pelo sindicato (Orientação Jurisprudencial 305 do TST).
Os honorários advocatícios, por sua vez, somente são
devidos quando se tratar de relação jurídica trabalhista
advinda da nova competência da justiça do trabalho.
“Pretender conceder ao sindicato
honorários advocatícios quando atua como substituto processual
implicaria, ao menos, verificar se todos os substituídos, sem
exceção, são beneficiários da justiça
gratuita, sob pena de a parte contrária se ver obrigada a suportar
esses honorários por mera sucumbência, acaso desatendido
o referido requisito por qualquer dos substituídos”, concluiu.
(E-ED-RR-787.167/2001.1)

|