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FETRACONSPAR, 05 de fevereiro
de 2007
Arquivado PL 4554/2004
O PL-4554/2004, do ex-Deputado Federal Sérgio Miranda - PCdoB/MG, que
regulamenta o Art. 8º da Constituição Federal, dispondo
sobre a organização sindical, e dá outras providências,
foi arquivado nos termos do art. 105 do regimento interno da Câmara dos
Deputados, em virtude da não eleição do deputado.
“Art. 105. Finda a legislatura,
arquivar-se-ão todas as proposições que no seu decurso
tenham sido submetidas à deliberação da Câmara
e ainda se encontrem em tramitação, bem como as que abram
crédito suplementar, com pareceres ou sem eles, salvo as:
I - com pareceres favoráveis de todas as Comissões;
II - já aprovadas
em turno único, em primeiro ou segundo turno;
III - que tenham tramitado
pelo Senado, ou dele originárias;
IV - de iniciativa popular;
V - de iniciativa de
outro Poder ou do Procurador-Geral da República.
Parágrafo único. A
proposição poderá ser desarquivada mediante requerimento
do Autor, ou Autores, dentro dos primeiros cento e oitenta dias da primeira
sessão legislativa ordinária da legislatura subseqüente,
retomando a tramitação desde o estágio em que se
encontrava”.
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Agência Câmara,
05 de fevereiro de 2007
Plano de trabalho de Chinaglia destaca
PAC e reformas
Luiz Cruvinel
Chinaglia: "Estamos seguros de que uma
gestão democrática, transparente e eficiente interessa
ao Brasil."
Durante a campanha para a Presidência
da Câmara, o então candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP) apresentou
um plano de trabalho com as prioridades para a sua gestão, caso
fosse eleito. Já empossado como presidente, declarou que serão
apreciadas, logo no início desta nova legislatura, as propostas
relativas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC);
a regulamentação do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização
dos Profissionais da Educação (Fundeb); as medidas provisórias
que trancam a pauta; e as reformas política, tributária
e da Previdência.
Todas essas propostas integram o plano
de trabalho do então candidato. Nele também estão
contidas as mudanças que Chinaglia pretende fazer nas áreas
de processo legislativo, participação popular, comunicação
social, desenvolvimento econômico e social, reformas do Estado
e verbas indenizatórias para os parlamentares.
No plano, Chinaglia prometeu priorizar
projetos de autoria dos deputados; dar tratamento especial à questão
da participação das mulheres nos espaços da Câmara;
acelerar a tramitação das propostas que tratem do orçamento
impositivo; fortalecer o Parlamento do Mercosul e tornar o sinal da TV
Câmara aberto para toda a população.
Salário mínimo
O novo presidente da Câmara também
deverá criar uma comissão para promover um debate nacional
sobre o salário mínimo e apresentar propostas sobre o tema. "Esta
Casa não deve se limitar a aguardar que propostas para o longo
prazo sejam elaboradas pelo Executivo e submetidas ao Congresso",
declara Chinaglia.
Além disso, afirma que promoverá o
reajuste da remuneração dos deputados, por meio da aprovação
imediata de uma proposta em plenário. Segundo Chinaglia, a proposta
majoritária é de que haja reposição das perdas
causadas pela inflação. O parlamentar também afirma
ser necessária uma discussão mais profunda sobre o parâmetro
do teto constitucional, pois, em sua opinião, as distorções
entre os subsídios do representantes dos Três Poderes não
combinam com o sistema constitucional de independência e harmonia.
"Nesse sentido, defendo que o subsídio
dos parlamentares deva refletir, necessariamente, a gravidade das competências
constitucionais que acumulam e, também, que seja o definidor do
teto constitucional", declara Chinaglia. "Este programa parte
de importantes temas que se colocam para o Parlamento e para o Brasil.
Dele deduzimos os eixos que norteiam o rumo que queremos seguir. Evidentemente,
estas propostas não estão pensadas para responder a uma
perspectiva interna e corporativa", diz.
Ele afirma que o plano também
dirige-se aos partidos, aos que não se sentem representados
por nenhum partido e a toda a sociedade. "Estamos seguros de que
uma gestão democrática, transparente e eficiente interessa
ao Brasil", destaca.
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Diap, 2 de fevereiro de 2007
Bancadas Partidárias
Quadro partidário pós-eleição
da Mesa Diretora da Câmara
Confira tabela que demonstra o quadro partidário depois da eleição
da Mesa Diretora da Câmara. A legislatura começou nesta quinta-feira,
dia 1º de fevereiro, com a eleição das mesas da Câmara
e do Senado. O novo presidente eleito, deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP),
convocou sessão deliberativa para a próxima segunda-feira, dia
5. Até o momento houve 14 mudanças partidárias. Isto é,
alguns deputados eleitos em 2006 já trocaram de partido.
COMPOSIÇÃO
PARTIDÁRIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PÓS-ELEIÇÃO
DA MESA DIRETORA DA CASA, EM 1º DE FEVEREIRO DE 2005
|
PARTIDO
|
ELEITOS EM 2006
|
BANCADA ATUAL
|
|
PMDB
|
89
|
90
|
|
PT
|
83
|
83
|
|
PSDB
|
66
|
64
|
|
PFL
|
65
|
62
|
|
PP
|
42
|
41
|
|
PR (Fusão do PL e Prona)
|
25
|
34
|
|
PSB
|
27
|
28
|
|
PDT
|
24
|
23
|
|
PTB
|
22
|
21
|
|
PPS
|
22
|
17
|
|
PCdoB
|
13
|
13
|
|
PV
|
13
|
13
|
|
PSC
|
9
|
6
|
|
PAN
|
1
|
5
|
|
PTC
|
3
|
3
|
|
PSOL
|
3
|
3
|
|
PMN
|
2
|
3
|
|
PHS
|
2
|
2
|
|
PRB
|
1
|
1
|
|
PTdoB
|
1
|
1
|
|
Total
|
513
|
513
|
|
Diário Vermelho, 2
de fevereiro de 2007
Veja quem são os parlamentares
com origens no mundo sindical
Começa nesta quinta (1º/02) a nova legislatura do Congresso Nacional.
Mesmo enquanto não se define a composição das mesas diretoras,
uma certeza já existe: “A CUT precisa intensificar seu processo
de pressão e mobilização sobre deputados e senadores,
para intervir de fato nas decisões das duas casas”, afirma o presidente
da central, Artur Henrique.
Monitorar o andamento dos projetos em
tramitação e as articulações das bancadas
em torno deles é o principal objetivo da CUT ao revitalizar seu
escritório em Brasília, que será coordenado por
Lúcia Reis e Carlos Henrique de Oliveira, integrantes da Direção
Executiva.
As origens classistas e sindicais de alguns dos parlamentares podem facilitar
um diálogo mais qualificado entre a CUT e o Congresso. Ao menos, essa é a
expectativa da direção da Central. Veja, abaixo, quais os deputados
e senadores que fazem parte desse grupo, segundo levantamento do Diap.
|
PARLAMENTAR
|
PARTIDO/UF
|
SITUAÇÃO
|
CATEGORIA
|
|
Adão
Pretto
|
PT/RS
|
Reeleito
|
Trabalhador
Rural
|
|
Alice
Portugal
|
PCdoB/BA
|
Reeleita
|
Servidora Pública
|
|
Ângelo
Vanhoni
|
PT/PR
|
Novo
|
Professor
|
|
Anselmo
|
PT/RO
|
Reeleito
|
Trabalhador Rural
|
|
Antônio
Carlos Biffi
|
PT/MS
|
Reeleito
|
Professor
|
|
Arlindo
Chinaglia
|
PT/SP
|
Reeleito
|
Médico
|
|
Assis
|
PT/PR
|
Reeleito
|
Agricultor
|
|
Augusto
Carvalho
|
PPS/DF
|
Novo
|
Bancário
|
|
Carlos
Abicalil
|
PT/MT
|
Reeleito
|
Professor
|
|
Carlos
Santana
|
PT/RJ
|
Reeleito
|
Metroferroviário
|
|
Chico
D’Angelo
|
PT/RJ
|
Novo
|
Médico
|
|
Chico
Lopes
|
PCdoB/CE
|
Novo
|
Professor
|
|
Dado
|
PDT/SP
|
Novo
|
Servidor Público
|
|
Daniel
Almeida
|
PCdoB/BA
|
Reeleito
|
Têxtil
|
|
Devanir
Ribeiro
|
PT/SP
|
Reeleito
|
Metalúrgico
|
|
Dr.
Rosinha
|
PT/PR
|
Reeleito
|
Servidor Público
|
|
Dutra
|
PT/MA
|
Novo
|
Advogado
|
|
Edmilson
Valentim
|
PCdoB/RJ
|
Novo
|
Metalúrgico
|
|
Eduardo
Valverde
|
PT/RO
|
Reeleito
|
Urbanitário
|
|
Eudes
Xavier
|
PT/CE
|
Novo
|
Comerciário
|
|
Fátima
Bezerra
|
PT/RN
|
Reeleita
|
Professora
|
|
Fernando
Lopes
|
PMDB/RJ
|
Reeleito
|
Economista
|
|
Fernando
Ferro
|
PT/PE
|
Reeleito
|
Eletricitário
|
|
Gilmar
Machado
|
PT/MG
|
Reeleito
|
Professor
|
|
Giovanni
Queiroz
|
PDT/PA
|
Novo
|
Médico
|
|
Henrique
Afonso
|
PT/AC
|
Reeleito
|
Professor
|
|
Ivan
Valente
|
PSOL/SP
|
Reeleito
|
Professor
|
|
João
Paulo Cunha
|
PT/SP
|
Reeleito
|
Metalúrgico
|
|
Jorge
Bittar
|
PT/RJ
|
Reeleito
|
Engenheiro
|
|
José Pimentel
|
PT/CE
|
Reeleito
|
Bancário
|
|
Leonardo
Monteiro
|
PT/MG
|
Reeleito
|
Papel e Celulose
|
|
Luis
Alberto
|
PT/BA
|
Reeleito
|
Petroleiro
|
|
Luiz
Bassuma
|
PT/BA
|
Reeleito
|
Petroleiro
|
|
Luiz
Sérgio
|
PT/RJ
|
Reeleito
|
Metalúrgico
|
|
Magela
|
PT/DF
|
Novo
|
Bancário
|
|
Maria
do Carmo Lara
|
PT/MG
|
Reeleita
|
Professora
|
|
Maurício
Rands
|
PT/PE
|
Reeleito
|
Advogado trabalhista
|
|
Nelson
Pelegrino
|
PT/BA
|
Reeleito
|
Advogado
|
|
Paulinho
da Força
|
PDT/SP
|
Novo
|
Metalúrgico
|
|
Paulo
Rocha
|
PT/PA
|
Novo
|
Gráfico
|
|
Paulo
Rubem
|
PT/PE
|
Reeleito
|
Professor
|
|
Pepe
Vargas
|
PT/RS
|
Novo
|
Médico
|
|
Perpétua
Almeida
|
PCdoB/AC
|
Reeleita
|
Bancária
|
|
Professora
Dalva
|
PT/AP
|
Nova
|
Professora
|
|
Ricardo
Berzoini
|
PT/SP
|
Reeleito
|
Bancário
|
|
Roberto
Santiago
|
PV/SP
|
Novo
|
Gerente*
|
|
Vaccarezza
|
PT/SP
|
Novo
|
Médico
|
|
Vander
Loubet
|
PT/MS
|
Reeleito
|
Bancário
|
|
Vanessa
Grazziotin
|
PCdoB/AM
|
Reeleita
|
Professora
|
|
Vicente
de Paula da Silva – Vicentinho
|
PT/SP
|
Reeleito
|
Metalúrgico
|
|
Vignatti
|
PT/SC
|
Reeleito
|
Servidor público
|
|
Virgílio
Guimarães
|
PT/MG
|
Reeleito
|
Economista
|
|
Walter
Pinheiro
|
PT/BA
|
Reeleito
|
Telefônico
|
|
Zé Geraldo
|
PT/PA
|
Reeleito
|
Trabalhador Rural
|
|
Zezéu
Ribeiro
|
PT/BA
|
Reeleito
|
Arquiteto
|
Os
nomes em negrito representam os novos deputados * ocupação declarada pelo deputado
|
|
Fonte: DIAP – Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar
BANCADA SINDICALISTA NO SENADO A PARTIR DE
2007
|
PARLAMENTAR
|
PARTIDO/UF
|
SITUAÇÃO
|
CATEGORIA
|
|
Ana
Júlia Carepa
|
PT/PA
|
Atual
|
Bancária
|
|
Inácio
Arruda
|
PCdoB/CE
|
Novo
|
Servidor Público e Eletrotécnico
|
|
Fátima
Cleide
|
PT/RO
|
Atual
|
Professora
|
|
Ideli
Salvatti
|
PT/SC
|
Atual
|
Professora
|
|
Paulo
Paim
|
PT/RS
|
Atual
|
Metalúrgico
|
|
O nome em negrito representa o novo senador
|
|
Fonte: DIAP – Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar
|
Diário Vermelho, 2 de fevereiro de 2007
EUA podem ter a primeira alta do
salário mínimo em 10 anos
O Senado dos Estados Unidos votou na quinta-feira (1.º/2) a favor do primeiro
aumento do salário mínimo em dez anos. Também foi aprovado
um polêmico pacote de reduções fiscais para as pequenas
e médias empresas. O aumento foi adotado por esmagadora maioria de 94
votos contra 3, mas será alvo de árduas negociações
com a Câmara de Representantes, onde a maioria democrata já se
pronunciou a favor, desde que não esteja acompanhado das medidas para
as pequenas e médias empresas.
O objetivo é elevar o salário mínimo de US$ 5,15 (cerca
de R$ 11) para US$ 7,25 (cerca R$ de 15) por hora, em dois anos, promessa de
campanha que influenciou na vitória dos democratas nas eleições
parlamentares de novembro passado. Para o senador do Partido Democrata Edward
Kennedy, "para recuperar o poder de compra de 1968, o salário mínimo
horário deveria ser de 9,37 dólares atualmente", considerou.
Atualmente existem cerca de 2,9 milhões de trabalhadores nos EUA vivendo
na pobreza.
" Isso representa um passo muito pequeno mas necessário para ajudar
a classe trabalhadora estadunidense a sair da pobreza e manter-se no caminho
da prosperidade econômica", agregou o senador democrata. O presidente
George W. Bush, que é republicano, diz estar disposto a promulgar este
aumento de 40% se não repercutir negativamente na economia do país.
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Diap, 3 de fevereiro de 2007
ANÁLISE POLÍTICA
Algumas reflexões sobre as eleições
da Câmara e do Senado
Autor (a): Franklin Martins
Apesar das paixões, dos discursos
e da efervescência, deu a lógica nas eleições
para as presidências do Senado e da Câmara. As vitórias
de Renan Calheiros e Arlindo Chinaglia representaram uma volta ao princípio
da proporcionalidade: cada partido tem no comando do Legislativo um peso
compatível com a fatia do eleitorado que conquistou nas urnas.
Nos últimos anos, esse princípio
havia sido deixado de lado, não só em Brasília como
em muitas assembléias legislativas, com os resultados que todos
conhecemos, o que despertou na maioria dos partidos – pelo menos,
nos grandes partidos – um forte anseio pelo retorno á normalidade.
Foi esse sentimento que prevaleceu ontem. Algumas outras conclusões
podem ser tiradas das disputas na Câmara e no Senado:
1) Por incrível que pareça,
pessoalmente, os três candidatos a Presidência da Câmara
saíram no lucro.Gustavo Fruet, do PSDB, obteve uma votação
maior do que se esperava. Saiu da disputa bem maior do que entrou, tornando-se
um dos principais nomes do seu partido. Aldo Rebelo levou o confronto
para o segundo turno e perdeu por uma diferença relativamente
pequena. Embora derrotado, não foi humilhado. Ainda que pertencendo
a um pequeno partido, com apenas 13 deputados, firmou-se como uma das
principais lideranças do parlamento. Não é pouca
coisa. Já Chinaglia elegeu-se presidente da Câmara. Não
era o candidato de Lula, mas tornou-se o candidato da maioria da base
governista. Apesar do susto, foi o grande vitorioso de ontem.
2) Durante a disputa, o PT e o PMDB uniram-se
para atingir seus objetivos. O do PT era sair do isolamento político,
não permitindo que o confinassem ao gueto em que se meteu e foi
metido durante o escândalo do mensalão. Já o PMDB
pretendia ganhar um mínimo de unidade interna, voltar para o centro
do jogo político e entrar na coalizão governista como uma
estrela de primeira grandeza. Os dois partidos alcançaram seus
objetivos. Mais do que isso: descobriram que, pelo menos durante um bom
tempo, têm mais a ganhar caminhando juntos do que separados. A
meta de ambos agora é ser o eixo político do governo.
3) O PSB, o PCdoB e o PDT também
firmaram uma aliança nesse processo, para não ser engolidos
pela ação coordenada dos dois maiores partidos da coalizão,
o PT e o PMDB. Tendem a se constituir como um pólo de esquerda
não-petista. Sua força não deve ser desprezada.
Reúnem mais de 70 deputados, oito senadores, cinco governadores
e exercem uma razoável influência na sociedade. E têm
um nome visível para 2010: Ciro Gomes. Saíram da sombra
e querem seu lugar ao sol.
4) As eleições de Renan
e Chinaglia foram, simultaneamente, boas e ruins para Lula. Boas, porque
ele terá aliados no comando das duas casas e ficou claro que o
poder de fogo da oposição, no momento, é pequeno.
Ruins, porque a base do governo dividiu-se na disputa pela presidência.
Não se trata de uma divisão irremediável, mas tampouco é algo
que se cure com um pouco de mercúrio cromo, como disse ontem o
presidente. Há braços na tipóia, pernas engessadas,
nervos à flor da pele e, mais grave, corações partidos.
As seqüelas não se limitam a um outro arranhão. Seu
tratamento exigirá um salto de qualidade na articulação
política do governo.
5) A eleição de Chinaglia,
longe de obrigar Lula a ceder mais espaço para o PT no ministério,
como avaliam alguns analistas, dará ao presidente mais liberdade
para estabelecer um novo equilíbrio político no governo.
O PMDB terá provavelmente quatro ministérios. O bloco formado
pelo PSB, PCdoB e PDT, também. Já o PT perderá posições,
mas seguirá sendo o partido com maior presença no primeiro
escalão, até porque vários ministros petistas (Dilma
Roussef, Luis Dulci, Tarso Genro, Guido Mantega e Paulo Bernardo) são
hoje da cota do presidente e não da legenda.
6) A oposição também
saiu bem machucada das disputas. No Senado, o PFL e o PSDB, juntos,
tinham 30 votos. Somando-se esse total aos quatro senadores da base
governista que haviam anunciado publicamente que apoiariam José Agripino
Maia, o candidato da oposição deveria ter recebido, pelo
menos, 34 votos. Obteve 28. Ou seja, houve, no mínimo, 6 defecções
entre os senadores oposicionistas – o coeficiente de traição,
de 20%, foi altíssimo. O veneno e o fel destilados ontem entre
os senadores da oposição daria para intoxicar meia Brasília.
Na Câmara, o PSDB, como era de se esperar, dividiu-se no segundo
turno. Metade da bancada, mais ligada aos governadores José Serra
e Aécio Neves, votou em Chinaglia, em nome do princípio
da proporcionalidade. A outra metade, que reverbera o estado de espírito
do núcleo duro do eleitorado de Geraldo Alckmin, apoiou Aldo
Rebelo. É uma divisão que ainda vai dar pano para as
mangas. Franklin Martins é jornalista
e comentarista político.
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Nova Central, 3 de fevereiro
de 2007
Ameaçar quebrar sigilo telefônico
de funcionário gera dano moral
É cada vez mais comum a inclusão de danos morais em reclamações
trabalhistas. Mas, nem sempre a indenização é concedida.
Isso somente ocorre quando o empregado realmente sofreu situação
vexatória, mesmo que o dano tenha sido reclamado depois da demissão.
Em um caso julgado pela 62ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o vendedor
Hermilio Carvalho da Silva conseguiu que a Aliança Intermediações
e Porto Seguro fossem obrigadas a pagar R$ 10 mil por danos morais, além
dos encargos trabalhistas. Cabe recurso.
A primeira empresa foi condenada de forma
principal e a segunda subsidiariamente. Silva era empregado, sem registro,
da Aliança, mas batia cartão na Porto Seguro. Um gerente
da Aliança disse em uma reunião de trabalho que os telefonemas
seriam grampeados inclusive para conversas telefônicas particulares.
O vendedor imediatamente foi ao distrito policial para registrar queixa.
Tempos depois, Silva foi demitido por outros motivos.
“Disseram que iriam quebrar
o sigilo telefônico deles. A ameaça de expor a sua intimidade
valeu o dano moral. Foi um constrangimento para o meu cliente”,
diz Bruno Olegário Lima, da Kalaf e Oliveira Advogados Associados,
que atuou no caso. O advogado lembra que este avanço no âmbito
trabalhista foi conquistado com a Emenda Constitucional 45 de 2004,
que aprimorou a competência material da Justiça do Trabalho.
Segundo a juíza, Aline Maria de Azevedo Leporaci, “na Justiça
do Trabalho o deferimento de indenizações por dano moral deve-se
limitar às hipóteses em que a dignidade ou a personalidade do
trabalhador restem realmente abaladas por algum ato do empregador ou de preposto.
Isto porque não se deve banalizar um instituto tão importante
cujo objetivo é coibir práticas vexatórias, devendo a
indenização possuir caráter punitivo-pedagógico,
visto que deve se prestar a imputar ao empregador, auto de tal dano, um sentido
de penalidade que o coíbe proceder de tal forma”.
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Nova Central, 3 de fevereiro
de 2007
Justiça do Trabalho não
pode julgar ações penais
O Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que a Justiça
do Trabalho não tem competência para julgar ações
criminais, ainda que sejam decorrentes de relações de trabalho.
A decisão foi tomada por unanimidade nesta quinta-feira (1/2), primeira
sessão do ano do Supremo. A liminar vale até que o os ministros
julguem o mérito da questão.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade
foi proposta pela Procuradoria-Geral da República contra os incisos
I, IV e IX do artigo 114 da Constituição Federal, introduzidos
pela Emenda Constitucional 45/04. Esses dispositivos ampliaram a competência
da Justiça do Trabalho, permitindo que resolvesse questões
criminais. A PGR alega que o texto da reforma do Judiciário aprovado
pela Câmara dos Deputados foi alterado posteriormente no Senado.
Portanto, deveria ter retornado à Câmara, o que não
ocorreu.
Segundo a Procuradoria, desde que foi
aprovada a EC 45/04, o Ministério Público do Trabalho e
a Justiça do Trabalho estão praticando atos relativos a
matéria penal. O relator, ministro Cezar Peluso, afirmou que o
inciso IV do artigo 114 da Constituição Federal determina
a competência da Justiça do Trabalho para julgar pedido
de Habeas Corpus, Habeas Data e Mandados de Segurança, “quando
o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição”.
Ele lembra, porém, que o pedido
de HC pode ser usado “contra atos ou omissões praticados
no curso de processos de qualquer natureza”, e não apenas
em ações penais. Se fosse a intenção da Constituição
outorgar à Justiça Trabalhista competência criminal
ampla e inespecífica, não seria preciso prever, textualmente,
competência para apreciar pedido de HC.
Para o ministro, a Constituição "circunscreve
o objeto inequívoco da competência penal genérica",
mediante o uso dos vocábulos “infrações penais” e “crimes”.
No entanto, a competência da Justiça do Trabalho para o
processo e julgamento de ações oriundas da relação
trabalhista se restringe apenas às ações destituídas
de natureza penal. Ele diz que a aplicação do entendimento
que se pretende alterar violaria frontalmente o princípio do juiz
natural, uma vez que, segundo a norma constitucional, cabe à Justiça
Comum, dentro de suas respectivas competências, julgar e processar
matéria criminal.
Quanto à alegada inconstitucionalidade
formal, Peluso argumenta que a alteração no texto da EC
45, durante sua tramitação no Legislativo, “em nada
alterou o âmbito semântico do texto definitivo”, por
isso não haveria a violação à Constituição.
Assim, por unanimidade, foi deferida
a liminar na ADI, com efeitos ex tunc (retroativo), para atribuir interpretação
conforme a Constituição aos incisos I, IV e IX de seu
artigo 114, declarando que, no âmbito da jurisdição
da Justiça do Trabalho, não está incluída
competência para processar e julgar ações penais.
ADI 3.684 - Revista Consultor Jurídico.
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Folha de São Paulo,
2 de fevereiro de 2007
SP e RJ vêem trabalhador migrar
a outros Estados
Bahia e Goiás estão entre novos
pólos, diz estudo
KAREN CAMACHO
DA FOLHA ONLINE
São Paulo deixou de ser a locomotiva
do país e vive um momento de estagnação da economia
e, por conseqüência, da geração de emprego.
O Estado onde migrantes de todas as regiões do país buscavam
oportunidades no passado já não absorve mão-de-obra
e registra um dos maiores números de "exportação" de
trabalhadores. Mas as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste,
que se desenvolveram mais nos últimos 15 anos, não apresentam
resultados tão positivos de forma a equilibrar o emprego no país.
Onde há geração de vagas, principalmente em locais
com atividades agropecuárias, também há desemprego
maior, devido à migração desordenada.
Os dados estão no estudo inédito "Nova
geoeconomia do emprego no Brasil: um balanço de 15 anos nos Estados
da federação", do economista Marcio Pochmann, coordenador
técnico do Instituto DataSOL. O perfil do migrante mudou nos últimos
15 anos, segundo Pochmann. No ano passado, cerca de 2,8 milhões
de brasileiros migraram para algum lugar. Até 2000, esse número
era de cerca de 3,2 milhões por ano.
Apesar de os Estados com atividade agropecuária
estarem entre os que mais recebem migrantes, o perfil do trabalhador
que se muda está voltado para o comércio e os serviços.
São Paulo, que chegou a ter como balanço entre entrada
e saída de migrantes uma absorção de 340 mil pessoas
entre 1995 e 2000, mudou seu perfil e teve como saldo (negativo) a "exportação" de
105 mil migrantes entre 1999 e 2004. O Rio de Janeiro chegou a ter como
saldo a entrada de 45,5 mil pessoas de 1995 a 2000. O Estado, no entanto,
teve saldo de 77 mil trabalhadores "exportados" de 1999 a 2004.
A Bahia é o Estado que mais tem
saldo contando a saída de pessoas, 352 mil de 1995 a 2004. Goiás
foi o Estado que mais absorveu migrantes no mesmo período, 350
mil, no saldo que exclui as saídas. O Centro-Oeste registrou saldo
líquido de 465 mil migrantes, descontando os que saíram,
de 1995 a 2004. Entre 1990 e 2005, o Pará foi o Estado com maior
geração de emprego proporcional, com alta de 5,43%, incluindo
trabalho formal e informal. Na seqüência ficaram Mato Grosso,
com 4,38%, e Amazonas (4,14%).
São Paulo ocupava o 15º lugar,
com aumento de 1,77% nas vagas, e o Rio estava em 22º, com alta
de 0,85%. A média nacional ficou em 2,32%. Ainda assim, a PEA
cresceu mais do que o mercado de trabalho pôde absorver e o desemprego
aumentou em todos os Estados, mesmo em regiões como Norte e Centro-Oeste,
onde houve expansão da economia e o PIB por trabalhador na ativa
cresceu mais. "Mesmo as regiões que tiveram maior expansão
da economia não têm condições de gerar empregos,
tanto para a demanda local e muito menos para os migrantes", disse
Pochmann.
A taxa de desemprego subiu 15,27%
em Mato Grosso e 15,15% no Amazonas de 1999 a 2005. São Paulo
registrou alta de 11,42%, e o Rio, de 8,43%. Segundo Pochmann, isso
ocorre porque a população migra e acaba gerando mais
demanda de emprego do que a região ofertaria. Isso também
derruba os rendimentos. Na região Norte, os rendimentos caíram
37,95% de 1990 a 2005. No Sudeste, 8,53%, e, no Centro-Oeste, 5,21%.
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Folha
de São Paulo, 3 de fevereiro de 2007
Aldo descarta ir para o ministério
e atua a favor de Ciro-2010
Derrotado, ex-presidente da Câmara será um
dos principais dirigentes do bloco de cinco partidos que soma 68 deputados
"Criamos um eixo político para nos diferenciar
do PT. Vamos preservar a relação de independência
com o PT", afirma o comunista
KENNEDY ALENCAR, ADRIANO CEOLIN
LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ex-presidente da Câmara Aldo
Rebelo (PC do B-SP) está propenso a submergir politicamente,
descartando a possibilidade de ser ministro e atuando para tentar viabilizar
a candidatura presidencial de Ciro Gomes (PSB) em 2010. Aldo será um
dos principais dirigentes do bloco formado por PSB, PDT, PC do B, PAN
e PMN, que soma 68 deputados, cinco governadores e oito senadores. "Criamos
um eixo político para nos diferenciar do PT. Vamos preservar
a independência do PT", afirmou Aldo.
Na avaliação dos dirigentes
do bloco, a disputa com Chinaglia deixou claro que o PT quer ter candidato
a presidente em 2010. Aldo e Ciro avaliam que a manutenção
do bloco é fundamental para que tenham peso no governo e consigam
apoio de setores do PSDB e PFL. O presidente do PSDB, senador Tasso
Jereissati (CE), já admitiu quer votaria em Ciro em 2010. E
o PFL apoiou Aldo, não o PSDB, seu aliado na oposição.
Os partidos do bloco enfrentaram a aliança
entre PT e PMDB para eleger Chinaglia e são importantes para
assegurar ao presidente Lula uma maioria na Câmara mais sólida
do que no primeiro mandato. Lula pretende compensar o grupo na reforma
ministerial, mas a possibilidade de Aldo integrar o ministério é pequena. "Saindo
da disputa como saí, enfrentando o PT, com o apoio que setores
do governo deram ao PT, não julgo adequado integrar ministério",
disse ontem.
No início de janeiro, Lula sugeriu
a Aldo e Chinaglia que fizessem um acordo para lançar um candidato único.
O que desistisse seria compensado com um ministério. Como ambos
recusaram, Lula se sente liberado em relação aos dois.
Ontem, durante evento em São Paulo, Lula afirmou que "Aldo é um
companheiro extraordinário", mas não disse se ele
teria lugar no ministério.
Ele acredita, porém, que
o apoio de Aldo e dos presidentes da Câmara e do Senado são
importantes para que o governo cumpra suas metas para o segundo mandato.
Diante disso, adiantou que conversará, na segunda-feira, com
Aldo, Chinaglia e Renan. "Precisamos fazer com que a Câmara
ajude o governo a cumprir a programação estabelecida
no PAC", afirmou.
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Folha
de São Paulo, 4 de fevereiro de 2007
PMDB da Câmara mira em cargos do
PMDB do Senado
Aliança que elegeu Chinaglia tem pronta
sua fatura para a reforma ministerial
Renan e Sarney sentem a pressão e defendem
tese de que partido deveria ganhar espaço no governo, em vez
de dividir o que já possui
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A aliança PT-PMDB que elegeu
o petista Arlindo Chinaglia (SP) presidente da Câmara terá entre
as suas prioridades a tentativa de tirar espaços no ministério
que estão hoje na cota da ala peemedebista do Senado. Sentindo
a pressão do grupo que assumiu o controle da bancada de 90 deputados
do PMDB na Câmara, o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL),
e o senador José Sarney (AP) defendem que o partido se una para
ampliar seus espaços e não brigar pelos que já possui.
A política de ministérios
de "porteira fechada" -todos os principais cargos de uma
pasta para um único partido- passou a ser inconveniente aos
planos do PMDB, maior partido da coalizão de 11 siglas que apóia
o segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem
esse sistema, o PMDB poderia conviver com outras legendas numa pasta.
Exemplo: peemedebistas visam os Transportes, mas o senador Alfredo
Nascimento (PR-AM) quer voltar à pasta; o PMDB poderia dirigir
o Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes).
A cota atual do PMDB é de três
pastas: Saúde, que tem um interino no comando, Comunicações
e Minas e Energia. A primeira estava na cota do PMDB da Câmara,
que era dividido no primeiro mandato de Lula. Minas e Energia tem um
afilhado político de Sarney, Silas Rondeau. E a bancada do Senado
escolheu Hélio Costa (MG), que conta com a simpatia da Rede
Globo, para continuar.
O PMDB gostaria de dobrar sua representação,
mas Lula resiste. Já há inquietação no
partido em relação ao desejo presidencial de indicar
José Gomes Temporão, hoje no segundo escalão da
Saúde, para o comando da pasta. Lula articula a nomeação
com o governador do Rio, Sérgio Cabral. Senadores e deputados
do PMDB afirmam, porém, que Temporão seria uma nomeação
técnica, da cota pessoal de Lula. Ou seja, o presidente terá trabalho
para saciar o apetite peemedebista por postos.
Apoio amplo
O partido apóia um governo com
grau inédito de unidade nos últimos 12 anos -desde a
primeira gestão Fernando Henrique Cardoso. Mas exigirá partilha
de poder para dar a Lula votos na aprovação de projetos
no Congresso. Além do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), o Planalto deseja que aliados aprovem a prorrogação
da CPMF e da DRU (Desvinculação de Receitas da União).
Os peemedebistas estão unidos
contra a "porteira fechada", mas a atuação
de Renan em favor de Aldo Rebelo (PC do B-SP) na disputa na Câmara
deixou mágoas na Casa. Deputados do PMDB alegam que o presidente
da Transpetro, Sérgio Machado, e o da Funasa, Paulo Lustosa,
usaram seus postos para buscar votos para Aldo. A Transpetro, poderosa
subsidiária da Petrobras, é da cota de Renan. Lustosa
também é afinado com este. No mapa dos 5.000 cargos mais
importantes do governo, elaborado por Tarso Genro, consta que os neogovernistas
do PMDB ficaram mesmo à míngua no primeiro mandato.
Novas forças
Dois presidenciáveis do campo
das forças políticas que apóiam Lula, a ex-prefeita
de São Paulo Marta Suplicy e o deputado federal Ciro Gomes (PSB),
são peças importantes da reforma. O PT paulista pede
publicamente que Marta seja indicada para o ministério. Já Ciro,
que foi ministro da Integração Nacional, pretende deixar
no posto o interino Pedro Brito, seu aliado. Assim, Ciro poderia ficar
livre na Câmara para fazer eventuais críticas ao governo
e ao PT. Segundo aliados do deputado, seu retorno ao ministério
lhe tiraria liberdade política. (KENNEDY ALENCAR)
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Folha
de São Paulo, 4 de fevereiro de 2007
Importação tira quase
2 pontos do PIB
Crescimento de 2,8% previsto para 2006 poderia
chegar a 4,5%; expansão potencial é transferida a países
que exportam ao Brasil
Em 2006, pela primeira vez em seis anos, caiu o consumo
de máquinas no país; empresários culpam alta nas
compras externas
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Parte significativa do PIB (Produto Interno
Bruto) está "vazando" para fora do país. Em vez
de crescer estimados 2,8% em 2006, o Brasil poderia ter batido em até 4,5%
se a crescente demanda interna não estivesse sendo atendida tão
fortemente pelas importações. O volume de compras de produtos
de fora aumentou 16% no ano passado. Só em bens de consumo, o
salto foi de 74%. Isso significa que o consumidor brasileiro ajudou no
crescimento do PIB dos países que exportam para o Brasil.
Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), afirma
que o segundo semestre de 2006 marcou "uma reversão total" negativa
do setor externo sobre o PIB. No ano passado, pela primeira vez no governo
Lula, as importações contribuíram negativamente
no PIB. As importações não são ruins para
o Brasil, que tem uma das economias mais fechadas do mundo. Elas ajudam
a controlar a inflação pela competição com
produtos nacionais e a modernizar as empresas.
O problema é que, apesar de o ritmo
do volume das importações estar crescendo muito acima do
das exportações (16% contra 3%, respectivamente), o real
continua se valorizando.
Dólar barato
Em outros momentos, essa diferença
entre o crescimento maior das importações e menor das exportações
faria o dólar ficar mais caro. Isso inibiria aos poucos as compras
externas e estimularia os setores exportadores nacionais, ajudando o
PIB a crescer. Isso não aconteceu e não deve mudar por
duas razões:
1) As exportações que mais
crescem no Brasil são de commodities e de produtos básicos
que têm mantido seus preços fortemente valorizados. Ou seja,
o preço alto desses produtos compensou o pequeno aumento em volume
das exportações. Enquanto a quantidade exportada cresceu
só 3% em 2006, o aumento em valores chegou a 12,5%.
2) O Brasil continua praticando o maior
juro real do mundo, o que atrai uma quantidade enorme de dólares
de investidores que lucram no país. Economistas e empresários
ouvidos pela Folha não acreditam em reversão dessa tendência.
As importações continuarão crescendo, e os preços
dos exportados e os juros manterão os saldos comerciais elevados
e o dólar abaixo de R$ 2,20.
Na semana passada, apesar do anúncio
de um salto de 31% nos valores importados em janeiro, o dólar
caiu a R$ 2,10, a menor cotação em oito meses. A tendência é que
o "vazamento" do PIB continue sendo o "vilão" do
crescimento.
Troca por importados
O resultado do setor de máquinas
e equipamentos de 2006 já mostrou que está havendo uma
forte substituição de investimentos na produção
interna por importados. Ao contrário do que era esperado, pela
primeira vez em seis anos, caiu em 2006 o consumo total de máquinas
no Brasil.
Para o economista Paulo Miguel, da Quest
Investimentos, nesse cenário, programas de estímulo à atividade
econômica como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
equivalem a "pisar no acelerador de um carro atolado". "Qualquer
crescimento a mais na demanda interna continuará beneficiando
em boa medida os países que exportam para o Brasil", afirma.
Em 2006, bastante estimulado por programas
sociais, o consumo das famílias cresceu 3,6%, e o PIB, 2,3% (até setembro).
A diferença entre os dois percentuais foi, basicamente, atendida
pelos importados. Estudo da MCM Consultores mostra que, em 2006, 14 setores
afetados pelas importações perderam R$ 19,6 bilhões
em produção local. Na área de eletrônicos,
a queda foi de 8% por conta dos importados. Na de equipamentos de transportes,
6,2%.
Na têxtil, 3,8%. A saída
para conter esse "vazamento", enquanto os preços de
commodities e os juros sustentarem o saldo comercial e o real valorizado,
seria tornar as empresas brasileiras tão competitivas quanto
as dos países de onde o Brasil importa. Para isso, seriam necessários
cortes de impostos para as empresas bem maiores do que os previstos
no PAC: foram cerca de R$ 6 bilhões, para uma carga tributária
de mais de R$ 800 bilhões, o que dá menos de 0,7%.
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Folha
de São Paulo, 5 de fevereiro de 2007
Preço de serviços sobe mais
que inflação
Itens como táxi, estacionamento, dentista
e recreação superaram IPCA; aumento do mínimo elevou
custos, dizem especialistas | Já os preços monitorados
e administrados pelo governo tiveram reajustes menores; média
de 4,28% é metade da registrada em 2005

Julia Moraes/Folha Imagem Salão de beleza em São Paulo, que teve
aumento de preços
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Pagar mensalidades escolares, estacionar,
consertar o carro, andar de táxi, ir ao dentista, viajar em
férias. Hábitos rotineiros que não se alteram
de um ano para o outro, desde que não se esteja a falar de preços.
A inflação de 2006 (3,14%, segundo o IPCA) foi a menor desde
1998, mas o brasileiro -principalmente de classe média- teve de arcar
mais com a alta de serviços como táxi (9,17%), oficina (5,11%),
estacionamento (8,01%), dentista (4,82%), hotel (9,12%) e pacotes de viagem
(15,06%).
Para especialistas ouvidos pela Folha,
muitos dos reajustes de 2006 sofreram impacto indireto do aumento maior
do salário mínimo, já que importantes componentes
das planilhas de custo dos prestadores de serviços cederam em
2006.
É o caso da energia elétrica (alta de 0,28%, ante 6,68% em 2005)
e da telefonia fixa (deflação de 0,83%, depois de subir 8,03% no
ano anterior).
Destacaram-se também outros aumentos,
como mensalidade escolar (6,8%) e plano de saúde (12,3%). Também
chama a atenção a alta da alimentação fora
do domicílio (5,9%), bem acima da variação dos
alimentos consumidos em casa (1,2%). A recomposição da
renda e o aumento real da massa salarial proporcionou uma folga nos
orçamentos das famílias. Tal cenário, dizem especialistas,
também pode ter impulsionado o preços de alguns serviços.
Monitorados
Dados do Grupo de Conjuntura da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro) obtidos pela Folha mostram
que o conjunto dos preços monitorados e administrados pelo governo
subiu menos em 2006. Em média, a alta foi de 4,28% no ano passado,
abaixo dos 8,98% em 2005. A ausência de reajustes dos combustíveis
(apesar da forte pressão das cotações do petróleo),
a menor variação da energia e o recuo da telefonia puxaram
os preços monitorados para baixo. Os serviços públicos,
de um modo geral, subiram menos sob efeito indireto da depreciação
do dólar, que levou os IGPs (Índice Geral de Preços)
a variações menores em 2005 e 2006.
Esses índices corrigem as principais
tarifas públicas, cuja indexação foi menor no
ano passado, num movimento que deve se repetir neste ano. Em 2006,
tarifas e preços administrados tiveram a segunda menor variação
desde o início do Plano Real -só em 1998 foi mais baixa
(3,23%). Por outro lado, os serviços cujos preços são
livres e não sofrem monitoramento do governo mostraram resistência.
A variação média desses itens ficou em 5,49%,
bem acima do IPCA de 3,14% de 2006. Em 2005, a alta dos serviços
foi de 6,77%, e a do IPCA, de 5,69%.
"Os preços administrados
e os serviços sempre mostram uma persistência maior. Resistem
a cair e dependem de um período mais longo de estabilidade para
baixarem", diz Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista do Grupo
de Conjuntura da UFRJ. Ao analisar especificamente os serviços
cujos preços são livres, Freitas Filho afirma que o aumento
de margem é mais freqüente do que no caso dos bens e a
definição dos preços acontece de forma mais "subjetiva".
Por isso, afirma, esses preços tendem a subir mais.
Dentre os serviços, diz, o grande "vilão" em
2006 foi mesmo o emprego doméstico, cujo salário subiu
na esteira do reajuste real de 13% do salário mínimo.
A alta foi de 10,73%. Segundo ele, a alta do mínimo representou
uma pressão de custo importante em 2006, embora tenha sido atenuada
por variação menor de energia, telefonia e combustíveis.
Para 2007, Freitas estima uma nova desaceleração dos preços
administrados graças especialmente à previsão de queda
da gasolina -de 5%, em média.
O economista prevê um IPCA de
3,7% neste ano, com uma variação de apenas 3,2% para
os monitorados. Professor da PUC-Rio, o economista Luiz Roberto Cunha
avalia como "positivo" o aumento dos serviços, já que
evidencia "o efeito da recuperação da renda das
classes de renda mais baixa". "Se o país crescer mais
de 4,5% num cenário de recuperação de renda, vamos
ter serviços acima da inflação."
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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de fevereiro de 2007 | Economia
Construção e infra-estrutura
lideram apostas para 2007
Bom rendimento para quem investir em ações
deve ser efeito colateral do PAC
por PATRÍCIA KÜNZEL
O crescimento do mercado imobiliário
e a série de obras previstas no Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) estão ditando as apostas de bons investimentos
em ações em 2007. Tudo que está relacionado à construção
civil e infra-estrutura é visto com bons olhos. A cadeia ligada
ao crescimento é enorme: passa pelas telhas, vergalhões
de aço, fornecedores de motores, concessionárias de
rodovias, bancos e acaba chegando no varejo – afinal de contas,
se tudo der certo e o país
Nas recomendações do analistas, a Gerdau reina absoluta, como
fornecedora de aço para obras de infra-estrutura e para a construção
civil. A companhia siderúrgica gaúcha – que mantém
duas unidades industriais na região de Curitiba – é uma
unanimidade nas sugestões de melhores papéis. “O governo
precisa investir em infra-estrutura para acabar com os gargalos que impedem
a distribuição da produção. Quem vai ganhar com
isso são as siderúrgicas e outras empresas voltadas para infra-estrutura”,
avalia o economista-chefe da corretora Liquidez, Marcelo Voss.
A Gazeta do Povo ouviu 10 corretoras e não houve quem não citasse
a Gerdau entre suas primeiras opções. O gestor de renda variável
da Infinity Asset, George Sanders, prevê que as ações da
empresa se valorizem de 35% a 40% este ano, acima do Ibovespa (índice
que reúne o desempenho dos principais papéis da Bovespa), que
tem previsão de crescimento entre 25% e 30%. “A Gerdau tem uma
administração muito forte, pega bem os movimentos do mercado
interno e externo”, avalia. Desde o lançamento do PAC, no dia
22, até o fim de janeiro, as ações da siderúrgica
gaúcha cresceram 6%. “A demanda por aço da Usiminas também
deve aumentar, mas ela precisa avançar um pouco mais em governança
corporativa para alcançar grandes resultados”, prevê a chefe
de análise e estratégia do Banco Fator, Lika Takahashi.
Além da Gerdau, a fabricante de
telhas de amianto Eternit tem sido bastante recomendada, por ter uma
produção mais voltada para o segmento popular. “Além
de uma boa perspectiva de crescimento – hoje está na faixa
de R$ 15 e pode chegar a R$ 20 –, as ações pagam
bons dividendos”, recomenda Élcio Roberto Bonatto, operador
da corretora Aureum. Na construção civil, as fornecedoras
estão saindo na frente das construtoras nas apostas dos analistas. “As
construtoras e incorporadoras já se valorizaram bastante no ano
passado e alcançaram ou estão muito próximas do
preço alvo”, afirma Lika, do Banco Fator. A movimentação
tem sido tão grande no setor, que mesmo as produtoras de material
de construção já vêm tendo um grande impulso.
Em janeiro, as ações da Duratex, fabricante de louças
e metais sanitários, passaram de R$ 33,3 para R$ 41,2 – uma
valorização de 23,7%, que ultrapassou o preço alvo
traçado no início do ano pelas corretoras.
Concessionárias
Na mesma linha de raciocínio que
leva o mercado a prever que os fornecedores de material de construção
terão melhor desempenho este ano, o mercado aposta em um bom impacto
das metas de alavancagem da infra-estrutura nas concessionárias
de estradas e ferrovias e nos fabricantes de implementos rodoviários.
A avaliação vale para as concessionárias Companhia
de Concessões Rodoviárias (CCR) e OHL Brasil e para a paranaense
de transporte ferroviário e logística América Latina
Logística (ALL). “No caso da CCR há bastante para
crescer, independentemente das novas concessões, que estão
emperradas. Ela tem fontes alternativas de crescimento, como a operação
da linha 4 do metrô de São Paulo”, propõe Adriano
Blanaru, chefe do departamento de análise da Link Corretora. O
analista destaca que a empresa não sofreu qualquer reflexo com
o desabamento nas obras, porque só vai operar o trecho e tem seguro
para receber por atraso.
Outros setores
Estradas melhores e aumento da produção
a ser escoada devem fazer bem para os papéis da Randon, que
atua nas áreas de implementos rodoviários e ferroviários,
veículos especiais, autopeças, sistemas automotivos e
serviços. “Desde outubro estamos com recomendação
de compra. Ela vai se beneficiar da recuperação no setor
agrícola e programa de incentivo para renovação
de frota”, acredita Blanaru. Os sinais de recuperação
do setor agrícola, no entanto, não tem sido suficientes
para garantir unanimidade a ações como Sadia e Perdigão.
Há quem sugira os papéis, como o estrategista de renda
variável para pessoas físicas da Itaú Corretora,
Fábio Anderaous, que considera o aumento do consumo de frango
positivo para a Perdigão. E quem, como Ricardo Binelli, diretor
da Petra Corretora, veja o setor de alimentos com cautela.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de fevereiro de 2007 | Economia
Desemprego nos EUA sobe ao nível
mais alto em quatro meses
A taxa de desemprego dos Estados Unidos subiu em janeiro ao nível mais
alto dos últimos quatro meses e ficou situada em 4,6%, anunciou o Departamento
de Trabalho.
No total, a primeira economia do mundo
criou 110 mil novos postos, abaixo dos 150 mil previstos pelos analistas.
O mercado também previa que a taxa de desemprego permaneceria
sem alterações em 4,5%.
Apesar da ligeira alta, os observadores
indicam que os dados de janeiro confirmam a existência de um mercado
de trabalho que ainda goza de boa saúde.
O relatório publicado pelo
Governo confirma ainda as expectativas mais gerais dos analistas, que
previam uma moderação no conjunto da economia em 2007.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/02/2007
TST examina caso sobre reconhecimento de
vínculo e reintegração
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho examinou caso singular em que a ação de declaração
do vínculo de emprego foi proposta antes da demissão de
seu autor. O julgamento tratou da impossibilidade da decisão de
reconhecimento de vínculo servir como marco inicial da prescrição
da ação com que o trabalhador buscou a reintegração.
A manifestação do TST negou, segundo voto da ministra Maria
Cristina Peduzzi (relatora), recurso de revista ao espólio (representação
judicial dos herdeiros) de um trabalhador que prestou serviços à Companhia
Energética de São Paulo (CESP).
A controvérsia judicial remonta
a 1991, quando o trabalhador ingressou em juízo e obteve, em sentença
da 1ª Vara do Trabalho de Bauru, o reconhecimento de seu vínculo
de emprego com a empresa. A decisão da primeira instância
foi questionada pela CESP no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas – SP) e, em seguida, por meio de recurso de revista no
Tribunal Superior do Trabalho.
No dia 23 de junho de 1995, a empresa
demitiu, sem justa causa, o trabalhador. Com o objetivo de ser reintegrado
aos quadros da CESP, apoiado em garantias de estabilidade inscritas em
acordos coletivos firmados entre a estatal e seus empregados, o trabalhador
ingressou novamente na Justiça. A iniciativa, contudo, só foi
tomada mais de dois anos após sua demissão.
A circunstância levou as duas instâncias
regionais (Vara do Trabalho e TRT) a negar a pretensão do trabalhador
diante do reconhecimento da prescrição de seu direito de
ingressar em juízo. A defesa do trabalhador alegou, sem êxito,
que não houve prescrição, pois o direito à reintegração
(posteriormente convertido em pedido de indenização substitutiva
dos salários até a data do falecimento) só surgiu
com o trânsito em julgado da primeira ação (a que
reconheceu o vínculo de emprego).
Segundo o TRT, a decisão do primeiro
processo não fez surgir um contrato entre as partes, mas apenas
reconheceu uma situação preexistente. Em outras palavras,
só ocorreram efeitos declaratórios em relação
ao vínculo de emprego. “Decorrência disso é a
constatação de que o contrato de trabalho existia e estava
em pleno vigor antes mesmo da decisão judicial, dela não
dependendo”, registrou o acórdão regional, que afirmou
o início da prescrição a partir da data do desligamento
do trabalhador.
O espólio recorreu ao TST sob o
argumento de que somente após o trânsito em julgado da decisão
que declarou a existência do vínculo é que pôde
requerer a reintegração. Diante da tese, pediu o pagamento
da indenização.
Cristina Peduzzi afirmou, contudo, a inviabilidade
da solicitação. “O que há é uma conexão
entre as duas demandas, mas o ajuizamento da segunda ação
de modo algum está ou esteve condicionado ao trânsito em
julgado da decisão tomada na primeira ação”,
esclareceu a relatora.
Os pedidos das duas ações,
segundo a relatora, possuem uma “mesma causa de pedir remota: o
vínculo de emprego com a CESP”. Também frisou que
a circunstância permitiria, inclusive, a formulação
dos pedidos num único processo se o trabalhador tivesse sido demitido
antes do ajuizamento da primeira ação ou de sua sentença.
“Não é portanto
o reconhecimento judicial do vínculo que ampara a pretensão
da reintegração, mas o próprio vínculo
de emprego em si”, afirmou Cristina Peduzzi, ao votar pela manutenção
da decisão regional. (RR 1637/2001-005-15-00.2)
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05/02/2007
TST nega legitimidade do MPT para substituir
em juízo o INSS
A Sexta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho negou, conforme voto relatado pelo ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, a possibilidade de o Ministério Público do Trabalho
(MPT) recorrer na condição de representante judicial de
entidade pública. A decisão foi tomada ao afastar agravo
de instrumento em recurso de revista interposto pelo MPT da 15ª Região
(Campinas – SP), com o propósito de atuar como substituto
processual do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) numa causa em
que a autarquia pretendeu o recolhimento de contribuição
previdenciária sobre o valor de acordo homologado em juízo
entre um trabalhador e uma destilaria do interior paulista.
“O entendimento do Tribunal Superior
do Trabalho é no sentido de que, se a autarquia pública
entende que não deve mais interpor recurso, não pode o
Ministério Público do Trabalho atuar como seu substituto,
eis que não tem legitimidade para atuar em seu nome”, observou
em seu voto, Aloysio Veiga. “Não há que se confundir
interesse público na defesa da lei com a defesa da administração
pública, que possui em seus quadros procuradoria organizada para
tanto”, acrescentou, ao negar o agravo.
O posicionamento adotado pelo TST resultou
em manutenção de decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da 15ª Região, que reconheceu a validade do acordo
firmado, na primeira instância, entre o trabalhador e a Destilaria
Santa Fany Ltda. O acerto entre as partes envolveu exclusivamente parcelas
de natureza indenizatória.
Diante da inviabilidade legal do recolhimento
da contribuição previdenciária sobre essas parcelas,
o INSS ingressou com recurso ordinário no Tribunal Regional do
Trabalho sob a alegação de conluio entre as partes e, consequentemente,
apontou o acordo como inválido.
O TRT, contudo, confirmou a validade do
acerto entre trabalhador e empresa. “As partes optaram por pactuar
verbas de natureza exclusivamente indenizatória (R$ 278,30 a título
de aviso prévio indenizado; R$ 278,30 de multa rescisória;
R$ 206,04 de FGTS e R$ 137,36 referente à multa de 40%), títulos
que guardaram relação com os valores postulados na ação;
assim, a fraude não se presume e no presente caso, não
restou demonstrada”, registrou a decisão regional.
O INSS optou por não submeter a
demanda à apreciação do Tribunal Superior do Trabalho,
mas o MPT optou por recorrer da decisão regional para requerer
a incidência da contribuição previdenciária
sobre o valor total do acordo (R$ 900,00).
A pretensão do MPT, contudo, esbarrou
na jurisprudência que vem sendo consolidada pelo TST sobre o tema. “O
entendimento deste Tribunal, ao qual me integro, revendo posicionamento
anterior, é no sentido de que o Ministério Público
não tem legitimidade para a representação judicial
de entidades públicas, mas sim para funcionar como fiscal da lei
e defender interesse público (artigos 127 da CF e 83, II, da LC
75/93), o que não é o caso”, esclareceu Aloysio Veiga.
“Não pode ser provido
o recurso interposto pelo Ministério Público do Trabalho
contra decisão em que o interesse do INSS foi resguardado mediante
a notificação do acordo entre as partes e exercitado
por procurador habilitado, através da interposição
de recurso ordinário”, concluiu o relator. (AIRR 595/2003-115-15-40.4)
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05/02/2007
Empregado pede adicional em grau médio
e ganha o máximo
Não configura julgamento ultra
petita o deferimento de adicional de insalubridade em grau diverso do
que foi pedido. A decisão, da Seção Especializada
em Dissídios Individuais–1 (SDI-1), do Tribunal Superior
do Trabalho, acompanhou o voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula,
em ação movida contra a Klabin Fabricadora de Papel e Celulose
S/A.
Ex-funcionário da Klabin ajuizou
reclamação trabalhista pleiteando o recebimento do adicional
de insalubridade em grau médio. Realizada a perícia no
local de trabalho do autor da ação, ficou constatada a
existência de insalubridade. O perito, no entanto, destacou em
seu laudo que a insalubridade do local seria em grau máximo.
A sentença concedeu ao empregado
o direito ao recebimento do adicional em grau máximo. Insatisfeita,
a empresa ajuizou recurso ordinário perante o Tribunal Regional
do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro) alegando a ocorrência
de julgamento ultra petita (além do que foi pedido), mas o TRT
manteve a decisão original.
A empresa recorreu, então, ao TST
e novamente a decisão foi favorável ao empregado. Segundo
o acórdão da Segunda Turma, não configura julgamento
ultra petita o deferimento de adicional de insalubridade em grau diverso
daquele indicado na petição inicial, pois esse deferimento,
nos termos do disposto no § 2º do artigo 195 da CLT, pressupõe
a realização de perícia, justamente para a determinação
da verdade dos fatos alegados e da pertinência do pedido.
Dessa decisão, a empresa ajuizou
embargos à SDI-1. O ministro Carlos Alberto, em seu voto, aplicou
ao caso, por analogia, a regra inserida na Súmula n° 293 do
TST, que diz que “a verificação mediante perícia
de prestação de serviços em condições
nocivas, considerado agente insalubre diverso do apontado na inicial,
não prejudica o pedido de adicional de insalubridade”.
Segundo o ministro relator, não
seria razoável exigir que o trabalhador ou seu advogado tivessem
conhecimentos técnicos suficientes para apontar na petição
inicial, com precisão, os elementos que classificavam (em grau
mínimo, médio ou máximo) como insalubre o ambiente
de trabalho. (E-RR-531.160/1999.0)
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
DECRETO Nº 6.031, DE 1º DE FEVEREIRO DE 2007.
Dá nova
redação aos arts. 3o, 17 e 19 do Regulamento do Serviço
Social do Comércio - SESC, aprovado pelo Decreto no 61.836,
de 5 de dezembro de 1967.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe
confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista
o disposto no Decreto-Lei no 9.853, de 13 de setembro de 1946,
DECRETA:
Art. 1o Os arts. 3o, 17 e 19 do Regulamento do Serviço Social do Comércio
- SESC, de aprovado pelo Decreto no 61.836, de 5 de dezembro de 1967, passam
a vigorar com a seguinte redação:
“ Art. 3o ..................................................................................
..............................................................................................
j) promover, por processos racionais e práticos, a aproximação
entre empregados e empregadores; e
l) desenvolver programas nos âmbitos da educação, cultura,
saúde, assistência e lazer; nesta última categoria inclusas
as atividades de turismo em suas diversas modalidades.” (NR)
“ Art. 17. ..................................................................................
................................................................................................
c) realizar estudos, pesquisas e experiências por meio das unidades operacionais,
para fundamentação técnica das atividades do SESC;
.......................................................................................” (NR)
“ Art. 19. ..................................................................................
...............................................................................................
III - um representante do Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão, e respectivo suplente, designados pelo Ministro de Estado;
IV - um representante do INSS, e respectivo suplente, designados pelo Ministro
de Estado da Presidência Social;
V - um representante do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
e respectivo suplente, designados pelo Ministro de Estado; e
VI - um representante dos trabalhadores, e respectivo suplente, indicados pelas
centrais sindicais que atenderem aos critérios e instruções
estabelecidos em ato do Ministro de Estado do Trabalho e Emprego.
............................................................................................
§ 5o O mandato dos membros do CF será de dois anos, podendo haver
a interrupção nas hipóteses dos incisos II a VI, mediante
ato de quem os designou.” (NR)
Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 1º de fevereiro de 2007; 186o da Independência
e 119o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Luiz Marinho
Este texto não substitui
o publicado no DOU de 2.2.2007.

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