O
XVI Seminário de Dirigentes Sindicais da Construção
e do Mobiliário do Estado do Paraná foi um sucesso. A organização
do evento elaborou 3 perguntas para cada palestrante, que estão
disponibilizadas logo abaixo.
Outras
informações poderão
ser obtidas em nosso site: www.fetraconspar.org.br.
PERGUNTAS
Palestrante:
José Calixto
Ramos
(Presidente da CNTI – Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria e da NCST – Nova Central Sindical dos Trabalhadores)
1. Qual a agenda da NCST para o 2º mandato do presidente Lula?
A NCST irá trabalhar na direção do desenvolvimento
e com a criação de novos empregos, a manutenção
dos atuais e a conseguinte distribuição de renda.
Manter
um processo de constante vigilância no Congresso Nacional
no Executivo e no Judiciário.
2. Na opinião do senhor, o governo fará a reforma sindical
em nível constitucional ou apenas irá regulamentar o artigo
oitavo da Constituição?
Na minha visão o governo vai fazer as reformas (sindical, trabalhista
e Previdência Social). Não será uma luta fácil,
em face da existência de duas correntes bem definidas.
3. Qual será a atuação da NCST no Fórum Nacional
de Previdência, recentemente criado pelo presidente Lula?
A NCST terá uma atuação cautelosa e competente.
A
maior expectativa é para que a reforma não seja em curto
prazo, e tão pouco resulte em detrimento dos próprios trabalhadores,
das empresas privadas e dos funcionários públicos.
Acima
de tudo preservando os direitos já adquiridos
dos aposentados e pensionistas.
Palestrante:
Dr. Edésio
Passos
(Integrante da Comissão Nacional de Direito e Relações
do Trabalho do MTE, Membro do IAB e ABRAT, do corpo técnico do
DIAP, Assessor Jurídico de Entidades Sindicais de Trabalhadores
e ex-Deputado Federal)
l. Quais as perspectivas dos trabalhadores neste segundo mandato do presidente
Lula?
Os trabalhadores garantiram de modo expressivo a reeleição
do presidente lula, as perspectivas são no sentido de avançar
ainda mais as conquistas relativas à luta contra o desemprego,
a melhoria dos salários e das condições de vida.
Entretanto,
trabalhadores devem se articular em suas entidades sindicais para pressionar
o governo
e o parlamento na
defesa dos seus legítimos
interesses e dos seus direitos fundamentais.
2. Qual deve ser o papel do movimento sindical neste novo mandato presidencial?
O movimento sindical deve se unificar em torno de lutas comuns, especialmente
para a aprovação de projetos de lei de interesse dos trabalhadores,
assim como na defesa de medidas políticas e econômicas que
venham a favorecer o conjunto da população.
Por
isso, a unidade dos vários segmentos sindicais é fundamental
visando conseguir novas vitórias.
3. Em sua opinião, o governo conseguirá fazer a reforma
sindical, e com que conteúdo?
Deve haver uma inversão e o movimento sindical que defende a unicidade
deve lutar pela aprovação do projeto de lei do deputado
Sérgio Miranda e manter a luta pela manutenção do
artigo 8º da Constituição Federal.
Palestrante:
Antonio Augusto de Queiroz
(Jornalista, Analista Político e Diretor de Documentação
do DIAP)
l. Que agenda de reforma o governo está legitimado
para patrocinar?
Na minha avaliação, apenas aquelas que foram debatidas
durante o processo eleitoral. E o presidente Lula, na campanha eleitoral,
manifestou compromisso apenas com três reformas: a política,
a tributária\fiscal e a sindical.
Quanto às reformas previdenciária e trabalhista, que são
defendidas pelo poder econômico, o presidente foi explicito no
sentido de que não faria nenhuma reforma que significasse supressão
ou redução de direitos. Portanto, qualquer iniciativa que
resulte na mudança de critério em prejuízo do trabalhador
deverá ser rechaçada.
2. Qual a importância do 2º turno da eleição
presidencial?
Cumpriu dois papéis fundamentais: pacificar o país, que
estava dividido no primeiro turno da eleição, e propiciar
o debate sobre programa de governo, já que no primeiro turno prevaleceu
o denuncismo.
Foi no segundo turno, por exemplo, que ficou clara a posição
dos dois candidatos em relação ao papel do estado na economia
e na proteção social. Enquanto um dos candidatos defendia
a redução do papel do Estado e um enxugamento dos gastos
públicos, particularmente na área social, o outro,que foi
reeleito, reiterou o compromisso com a manutenção e ampliação
dos programas sociais, além de descartar qualquer possibilidade
de privatização de estatais, como o Banco do Brasil, Caixa
Econômica Federal, Correios, Petrobrás etc.
3. Quais os desafios imediatos do presidente Lula neste segundo mandato?
São basicamente quatro: i) eleger aliados para a presidência
da Câmara e do Senado; ii) formar uma coalizão de apoio
capaz de garantir maioria para aprovar sua agenda de reformas no Congresso,
iii) definir uma agenda de reformas realista e que tenha sido debatido
na campanha eleitoral, e iv) formar uma equipe ministerial que seja politicamente
respaldada; tecnicamente preparada e eticamente inatacável.

Palestrante:
Sebastião
Soares da Silva
(Diretor de Relações Internacionais e Comunicação
Social da NCST – Nova Central Sindical dos Trabalhadores, Filósofo
e Professor Universitário)
l. Qual é a nova conformação
do movimento sindical internacional?
Superada a fase histórica da “Guerra Fria” e frente
aos desafios de um mundo globalizado, demarcado por reestruturações
produtivas, desemprego estrutural, problemas de imigração
e a redução do número de trabalhadores sindicalizados,
o movimento sindical se vê diante de um imperativo do século
XIX, a absoluta necessidade de unidade. O poder e a ação
do capital se projetam de forma mundial, as políticas de ajustes
estruturais tentam abarcar o maior número possível de países
em programas comuns de reformas que afetam de maneira integral a organização
sindical dos trabalhadores; os governos, de forma geral, são incorporados
a esses processos mundiais que impactam as nações desenvolvidas
e em desenvolvimento, com conseqüências inevitáveis
sobre a estrutura sindical.
Assim,
nesta realidade, o movimento sindical internacional, pelo menos de
maneira formal, conseguiu
superar inúmeras divergências
para construir uma nova central sindical mundial que representa a quase
totalidade das organizações sindicais dos cinco continentes.
A Central Sindical Internacional, fundada em Viena no último dia
3 de novembro do ano passado, conseguiu fundir, numa única organização,
as representações sindicais identificadas com a social-democracia
européia e o pragmatismo norte-americano, cujas entidades eram
filiadas à CIOSL; com a democracia cristã, através
da CMT, entidades que já foram filiadas da FSM, como a CGT francesa,
e setores do novo sindicalismo classista, como a CTA da Argentina. Portanto é uma
nova conformação histórica que só se tornou
possível mediante os desafios colocados para o movimento, pelas
mudanças no cenário político mundial (fim da “guerra
fria”) e pela afirmação de um espaço de negociação
que envolve governos, trabalhadores e empresários.
2.
Como o senhor avalia importância do movimento sindical brasileiro
no cenário internacional?
A presença de cinco centrais sindicais brasileiras (CUT, Força,
SDS, CAT e CGT) além da CNPL entre as entidades fundadoras da
CSI, bem como a participação de dirigentes sindicais brasileiros
nos órgãos de direção da nova central mundial
refletem a importância e o destaque que o movimento sindical brasileiro
ocupa no cenário mundial. Pela sua importância estratégica,
política, ambiental, econômica etc. o Brasil tem um peso
considerável nas políticas internacionais e não
poderia ser diferente em relação ao movimento sindical.
O que deve ser observado é que essa importância não
pode ser apenas a repetição de práticas do passado,
quando apenas limitávamos a reproduzir os diferentes modelos das
matrizes sindicais internacionais. O que se espera é uma participação
proativa, fraterna e solidária, mas com respeito à nossa
realidade específica.
3. A NCST pretende debater a filiação
a uma central internacional?
Sim. Para os meses de abril ou maio, a NCST vai organizar debates com
vistas a avaliar o cenário sindical mundial e definir a sua posição.
Acreditamos que, filiados ou não, devemos ter relações
e intercâmbio internacionais uma vez que uma parcela considerável
das questões enfrentadas pela central devem ser encaminhadas através
de articulações e encaminhamentos fora do nosso País.
Por isto o tema requer e exige debate e definição.

Palestrante:
ALTAMIRO PERDONÁ
(Presidente da FTICM/SC, da NCST/SC, do DEPACOM e Secretário
Regional da CNTI/SC)
1. Quais os desafios do movimento sindical
da construção
e do mobiliário para 2007?
I - Unificação da data-base salariais.
II – Trabalhar para diminuir o grande índice de acidentes
de trabalho na construção e no mobiliário.
III – Maior fiscalização do Ministério do
Trabalho – MTE, dentro das Construção Civil e do
Mobiliário.
2. Qual o nível de organização e articulação
das Federações com a Confederação ?
A organização e articulação dentro do movimento
sindical ligado as federações e confederações é bom,
mas ainda temos que melhorar em algumas entidades, buscando elas junto à nós.
3. Qual a expectativa de crescimento e geração de empregos
na área da construção e do mobiliário ?
A expectativa do momento é com o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) do Governo Federal, ainda temos muitas dúvidas
se realmente vai contribuir para a geração de emprego e
renda na Construção Civil e no Mobiliário. Por causa
de algumas questões:
I – O juro alto no mercado não contribui para a geração
de emprego e renda.
II – A classe patronal ainda não
acredita que esse programa vai gerar emprego e renda, por causa do
juro alto;
III – Não tem investimento direto na Construção
civil e Mobiliário, para gerar ainda essa expectativa, é muito
tímida.
Palestrante:
Dr. Ricardo Tadeu Marques da Fonseca
(Procurador do Trabalho da 9ª Região, Professor Especialista
em Direito do Trabalho, Mestre pela USP, e Doutor pela UFPR)
1. Qual o papel do Ministério Público
do Trabalho na defesa dos chamados direitos difusos ?
Os direitos difusos são aqueles que dizem respeito a toda sociedade,
como por exemplo, o meio ambiente, o direito de acesso a concursos públicos,
a proteção da dignidade humana nas relações
de trabalho, etc. O Ministério Público atua por meio de
instrumentos de investigação e de apuração
judicial, como o inquérito civil, a ação civil pública
e ação civil coletiva.
Por meio desses instrumentos, qualquer fato que implique uma lesão
a uma coletividade delimitada ou não, pode ser apurado e ter reparada
a respectiva lesão.
Nas relações de trabalho, atuamos combatendo fraudes, como
cooperativas de mão de obra, terceirização indevida,
etc; combatemos também a discriminação no trabalho,
problemas de meio ambiente, trabalho infantil, problemas na área
portuária, trabalho escravo, etc.
Os sindicatos são parceiros permanentes do MPT e também
podem se utilizar da ação civil pública para a defesa
de interesses difusos ou coletivos. Quando se trata de lesão,
cuja prova depende de ampla investigação, os sindicatos
costumam acionar o ministério publico para que apure a existência
dos fatos denunciados e tome as medidas judiciais cabíveis.
2.
Qual a importância do ponto de vista do alto estima, do combate
ao assédio moral ?
O assedio moral é um abuso de autoridade do empregador, que extrapola
os limites da subordinação jurídica, comum às
relações laborais. Trata-se de uma agressão à imagem
do trabalhador, afetando sua auto-estima e dignidade.
Costuma-se caracterizar o assedio moral com gestos, tais como: xingamentos,
tratamento desrespeitoso, gritos, exposições desairosas
da imagem do trabalhador, suspensão do trabalho sem causas disciplinares,
etc.
O poder diretivo do empregador, porém, deve limitar-se à indicar
as tarefas a serem realizadas pelo empregado, bem como a forma como devem
ser executados os trabalhos. Qualquer gesto que escape desses limites,
impondo agressões a auto-estima do trabalhador, não deve
ser tolerado e ser denunciado ao sindicato e ao ministério público.
A proteção aos direitos de personalidade do cidadão é constitucional
e indisponível, absoluta, sendo passível de indenização
por dano moral qualquer ato que agrida esse direito.
3.
O Sr. poderia citar 3 exemplos mais comuns de assédio moral
?
As formas mais comuns de assédio moral são: Ridicularizar
o desempenho do trabalhador perante os colegas; Gritos; Xingamentos;
Manter o trabalhador sem tarefas; Pressão excessiva de desempenho,
com exigências muito acima do comum; Manter o trabalhador isolado
do convívio dos demais; e Espalhar boatos sobre o trabalhador,
etc.

Palestrante:
Luiz Eduardo Gunther
(Professor e Juiz Corregedor do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região)
1. Qual a visão da magistratura do trabalho em relação
a exigência da concordância patronal para a impetração
de dissídio coletivo de natureza econômica ?
Um grande número de juizes é contra o dissídio coletivo.
Dessa forma são favoráveis à exigência do
comum acordo. Pessoalmente, no entanto sou contrário a essa alteração
constitucional. Penso que é inconstitucional por ferir o direito
dos sindicatos de ajuizarem as ações coletivas sem a concordância
patronal.
2. Qual a importância das ações
de cumprimento para o movimento sindical ?
É
fundamental que os sindicatos atuem na observância do artigo 8º,
Inciso III da Constituição, substituindo todos os trabalhadores
porque facilita as soluções judiciais e é um procedimento
mais célere e justo.
3. Qual a importância da substituição processual
no desafogamento da justiça do trabalho ?
É
fundamental como respondido na pergunta anterior, e os sindicatos devem
se direcionar nas recentes decisões do STF, que ampliou o entendimento
a respeito do assunto.

Palestrante:
Dr. Ricardo Costa de Oliveira
(Doutor em Ciências Sociais e Professor de Ciência Política
na UFPR)
1. Na sua opinião, quais os principais fatos da conjuntura política
atual ?
O debate sobre a Reforma Política e Tributária. Qual deve
ser a extensão e a profundidade destas reformas. A taxa de renovação
do congresso não foi alta e devemos esperar uma dinâmica
política semelhante a da última legislatura. Os problemas
políticos devem continuar porque muitos parlamentares vêem
o Congresso não como uma casa de debates políticos de formulação
de políticas públicas, mas como um espaço de enriquecimento
e de atendimento de interesses de pequenos grupos.
2.
O Sr. acredita na aprovação da reforma política
? se sim, com que conteúdo ?
Como os atuais parlamentares foram eleitos pelas atuais regras, sempre
ha desinteresse na sua modificação. A pressão popular
e da sociedade civil é que deve lutar pelas transformações
no sistema político. É preciso mais transparência,
representatividade e diminuição da influência do
poder econômico, que tem convertido alguns dos parlamentares em
uma casta plutocrática.
3.
Que conseqüências políticas e econômicas
tiveram, para o Estado do Paraná, da aprovação do
piso salarial regional, e a decisão do governador de proibição
da soja transgênica no estado?
Requião foi eleito pelo voto da região metropolitana de
Curitiba e pelos municípios de menor IDH (Índice de Desenvolvimento
Humano), o que mostra apoio popular à sua reeleição. É preciso
continuar as políticas sociais e que beneficiaram a maioria da
população trabalhadora. O compromisso do governo Requião
com estes setores tem que continuar. A proibição da soja
transgênica faz parte da luta contra um setor obscuro do grande
agronegócio multinacional e visa a defesa da agricultura paranaense.

Palestrante:
José Sebastião
do Santos
(Secretário Geral da CNTI e Presidente da FETICOM/SP)
1.
Que eventos preparatórios sua entidade promove no período
que antecede as negociações coletivas de trabalho ?
Fazemos encontro com os sindicatos. Preparamos o programa de Ação.
Divulgamos a campanha no Estado.
2. Como se dá a negociação
coletiva de trabalho no seu Estado ?
Começamos na DRT. Encaminhamos o processo para os tribunais. Convocamos
a negociação no sindicato patronal
3. Que conquistas de outras Federações da Construção
e do Mobiliário, o Sr. gostaria de incorporar na Convenção
Coletiva de Trabalho do seu Estado ?
Cada sindicato tem sua peculariedade e suas reinvidicações,
que não são diferentes de outras localidades. Gostaria
apenas que as negociações tornem-se unificadas como todos
os sindicatos, o que na é possível, pois são de
centrais distintas.

Palestrante:
Antonio Rodrigues da Silva
(Presidente da FETICOM/PI)
1. Que eventos preparatórios sua entidade promove no período
que antecede as negociações coletivas de trabalho ?
Convocação de Assembléia Geral e a Mobilização
dos trabalhadores, é preparado a pauta de reinvidicações
e encaminhada ao TEM e ao sindicato patronal.
2. Como se dá a negociação
coletiva de trabalho no seu Estado ?
Ela se dá diferenciada dos sindicatos, pois somente um sindicato
de Terezina acompanha as negociações, os outros do interior
sempre chama a federação, quando é necessário,
um sindicato de Paranáiba negocia por conta.
3. Que conquistas de outras Federações da Construção
e do Mobiliário, o Sr. gostaria de incorporar na Convenção
Coletiva de Trabalho do seu Estado ?
Várias questões, Ex.: Cesta –básica, vale-compras,
auxílio-farmacia, plano de saúde, vale-transporte e outros.

Palestrante:
César
Sanson
(Pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (CEPAT)
e Mestre em Sociologia pela UFPR)
1. Que papel deve desempenhar o movimento
social no 2º governo
Lula ?
O movimento social deve preservar a sua autonomia, não se deixar
engolir pelo governo e pautar a sua ação pelas reivindicações
históricas da classe trabalhadora. A referência para o movimento
social deve ser as demandas do povo brasileiro, particularmente dos trabalhadores
e trabalhadoras. É seu papel cobrar e pressionar o governo para
que avance em políticas que efetivamente distribuam renda. É constitutivo
ao movimento social o papel de ser a consciência crítica
ao governo. Essa é a sua principal contribuição.
2. Qual a importância da formação política
para a atuação dos militantes sociais ?
A formação dos militantes é fundamental. Apenas
uma militância consciente, com clareza política e compromisso
ideológico faz avançar a luta. A falta de clareza e a ausência
de compromisso de classe fazem com que o militante seja cooptado. A formação
não resolve tudo, mas contribui para elevar o nível de
consciência individual e coletiva e isso é importante, principalmente
no atual período, no qual o debate ideológico exige o conhecimento
das grandes mudanças que se processam no mundo do trabalho.
3. Como o Sr. vê a dependência
financeira dos movimentos sociais das 3 esferas do governo ?
Péssima. Movimento social que depende de recursos do governo perde
a sua autonomia e a sua independência. A autonomia do movimento
social exige autonomia financeira. Como pode o movimento social fazer
oposição ou travar lutas contra o governo se depende dele
para sobreviver? A bem da verdade, organizações que dependem
de recursos das instituições governamentais, não
podem se caracterizar como movimento social. O movimento social deve
sempre perseguir a sua auto-sustentação, apenas dessa forma
pode ser independente para definir as suas estratégias de luta.

Palestrante:
Cid Cordeiro da Silva
(Economista e Supervisor Técnico do Dieese Paraná)
1. Qual a expectativa para o setor da
construção e do mobiliário
para 2007 ?
Para a construção civil a expectativa que já era
boa para 2007 ficou melhor ainda com a divulgação do PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento), a continuidade
da queda da taxa de juros, o crescimento da renda familiar e do emprego
e o aumento do volume de financiamento eram fatores que apontavam para
uma boa expectativa para o desempenho do setor, que foi acrescido dos
recursos previstos para financiamento habitacional pelo PAC , como podemos
observar a seguir:
Medidas
anunciadas pelo governo no PAC para a Construção
Civil:
• R$ 106,3 bi (2007 a 2010)
•
Prevê para Habitação
• R$ 51,9 bi (2003 a 2006)
• Saneamento
• R$ 40 bi (2007 a 2010)
• R$ 12,9 bi (2003 a 2006)
• 2007 R$ 27,5 bi (2006 = R$ 14,1 bi) 95%
Financiamento Habitacional
• 106,3 bi
•
55,9 bi do FGTS para famílias até 5 sm
•
50,4 bi recursos da poupança para famílias com renda superior
a 5 sm.
• CEF tinha anunciado R$ 12 bi com PAC passou para R$ 17,2 bi
•
Outras medidas : PAR – Programa de arrendamento;
• Novas Medidas : multa 10% FGTS (R$ 1,6 bi).
No segmento de Madeira e Mobiliário a realidade é outra,
esses setores vem enfrentando uma crise desde 2005 em função
da desvalorização do dólar, afetando a exportação
e abrindo o flanco para a importação, foram perdidos aproximadamente
10 mil vagas no período 2005/2006, a expectativa é que
o pior momento para o setor já passou, lentamente deve iniciar
um processo de recuperação a partir de 2007.
2. Existe perspectiva de recuperação das perdas salariais
com a tendência de crescimento do setor da construção
civil ?
Acredito que sim, com os bons indicadores tanto de financiamento como
abertura de postos de trabalho o cenário de negociação é positivo
para ampliar conquistas e recuperar perdas salariais, a tendência
das negociações tanto em 2006 como 2007 é de fechar
as negociações com aumento real.
3.
O DIEESE vislumbra algum risco ao patrimônio do FGTS, com a
utilização de parte dos seus recursos para a infra estrutura,
conforme previsto no PAC?
O Dieese está analisando a medida para subsidiar o movimento sindical
na discussão dessa proposta.
A
experiência recente que tivemos da participação
dos trabalhadores no uso de FGTS em investimento foi com a possibilidade
de adquirir ações da Petrobrás e Vale do Rio Doce,
o retorno até o momento ficou acima do rendimento do FGTS (TR
+ 3%).
Essa é uma nova modalidade de investimento que precisa de uma
análise mais cuidadosa e que implica em maiores riscos que a experiência
anterior.

Palestrante:
Iracy da Silva Borges
(Advogado Trabalhista e Assessor de diversas Federações
e Sindicatos de Trabalhadores)
1. o Sr. vê necessidade do retorno da política salarial
que garanta a reposição das perdas salariais?
O retorno de política salarial que defina reajustamento automático
dos salários, pelo incremento inflacionário do período
que defina (ano, por exemplo) mostra-se necessária, na medida
em que os baixos índices inflacionários e a diversidade
das datas-base não possibilitam venha a se caracterizar como alimentadora
da inflação, tal como acusada na época dos índices
elevados. Mostra-se injustificável que tenhamos que nos submeter
aos caprichos de algumas categorias patronais, que buscam barganhar com
a necessidade de sustento das Entidades Sindicais Profissionais, apenas
para obter o reconhecimento da necessidade de recuperação
da própria inflação.
2. O Brasil já está preparado para a prática da
livre negociação?
As negociações havidas a partir de 1994 demonstraram a
falta de homogeneidade das Entidades Patronais para enfrentar a livre
negociação. Se grande parte conseguiu compreender o papel
das negociações para a construção da harmonia
entre o Capital e o Trabalho, também ficou assente que outra parte,
felizmente minoria, utilizou-se da livre negociação para
acirrar os conflitos de relacionamento. Com o fim, na prática,
do Poder Normativo da Justiça do Trabalho, advento da Emenda Constitucional
nº 45, com a redação que deu ao artigo 114, da Constituição,
esta minoria chegou a crescer, diante da oportunidade de que restassem
impunes em sua postura anti-sindical, fazendo com que existam hoje um
considerável número de categorias que não têm
Instrumento Normativo firmado e que ficam, diante da incapcidade de reação,
na dependência de receberem apenas o que for de vontade do Empregador
3.
Que medidas legais o Sr. considera indispensável para a superação
da hipossuficiência do empregado com a relação com
os empregadores ?
Primeiramente, seria necessários que estabelecêssemos condições
de fortalecimento das Entidades Sindicais Profissionais para o enfrentamento,
iniciando pela definição de sua forma de custeio, sem deixa-las
ao arbítrio dos Patrões e das idiossincrasias dos membros
do Ministério Público do Trabalho.
Por segundo, seria necessário que se definissem regras de negociação,
tais como as que constavam do projeto de reforma sindical, estabelecendo
critérios a serem observados, inclusive no que diz respeito de
penalidades àqueles que não se portassem com boa-fé no
processo.
Necessário, também, fossem estabelecidos mecanismos de
solução dos conflitos coletivos instalados, sendo ideal
a reconstrução do Poder Normativo da Justiça do
Trabalho, que tão bons serviços prestou à harmonia
entre o Capital e o Trabalho, através de suas decisões
norteadoras dos rumos que deveriam ser seguidos pelas negociações
coletivas.
Outras
informações poderão ser obtidas em nosso site: www.fetraconspar.org.br.