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JORNAL GAZETA DO POVO, 12
de fevereiro de 2007
Brasil é campeão mundial
de ações trabalhistas
Legislação ultrapassada,
detalhista e irreal torna quadro caótico

Reclamantes no Fórum Trabalhista: legislação falha.
São Paulo – O Brasil conseguiu
abocanhar mais um título para a sua extensa lista de conquistas
negativas. Com cerca de 2 milhões de processos por ano, o país é campeão
mundial em ações trabalhistas, segundo levantamento do
sociólogo José Pastore, especialista em relações
do trabalho. Segundo ele, nos Estados Unidos o número de processos
não passa de 75 mil; na França, 70 mil; e no Japão,
2,5 mil processos.
Resultado disso é uma conta astronômica
para o país. Para cada R$ 1 mil julgados, a Justiça do
Trabalho gasta cerca de R$ 1,3 mil calcula Pastore. Para ter idéia,
em 2005 foram pagos aos reclamantes R$ 7,19 bilhões e, em 2006,
R$ 6,13 bilhões até setembro. Na média mensal, o
volume de 2006 ficou 13% superior ao do período anterior, segundo
dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Passivo da RFFSA soma R$ 7,5 bi
São Paulo – A efetiva extinção da Rede Ferroviária
Federal (RFFSA), assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
no dia 22, esbarra num passivo trabalhista de R$ 7,5 bilhões e 38 mil
ações de trabalhadores em 660 comarcas do país.
Na opinião de executivos e sindicalistas,
a medida não resolve de imediato um processo de liquidação
que se arrasta há 11 anos. Há questões que ainda
pairam sobre a rede, como a indefinição do patrimônio
e se terá recursos para honrar uma dívida de R$ 15 bilhões,
além de prejuízos de R$ 17,6 bilhões. “Não é uma
canetada que vai consertar a situação. Nossos netos ainda
vão sofrer as conseqüências”, prevê a presidente
da Associação de Engenheiros Ferroviários, Clarice
Soraggi, que trabalhou 24 anos na rede e se aposentou há nove.
Na opinião de especialistas, o quadro caótico é resultado
de inúmeras falhas. Uma delas é a qualidade da legislação
trabalhista, considerada anacrônica, ultrapassada, detalhista e irreal. “Quando
vejo dois milhões de ações na Justiça, começo
a achar que há alguma inadequação na nossa lei, que não
foi feita para um mundo moderno, globalizado. O elevado número de ações
não é um bom sintoma”, avalia o advogado Almir Pazzianotto,
ministro do Tribunal Superior do Trabalho até 2002. Para ele, houve
uma banalização da Justiça do Trabalho no Brasil. Qualquer
coisa é motivo para entrar com um processo trabalhista.
Os pedidos de mudanças no sistema
não significam retirar do trabalhador a possibilidade de reivindicar
seus direitos. Segundo especialistas, o Brasil, a exemplo do que ocorre
em vários países, deveria adotar mais os mecanismos de
conciliação extrajudicial, como arbitragem e conciliação
prévia.
Os dois canais já existem no Brasil,
mas não ganharam a importância devida. “Esses mecanismos
estão evoluindo de maneira muito lenta. Mas acredito que uma hora
as pessoas vão se dar conta de que esse é o melhor caminho
contra a morosidade”, afirma Pazzianotto, referindo-se à duração
de um processo trabalhista. Se passar por todas as instâncias,
uma ação leva cerca de sete anos para ser julgada, podendo
chegar a dez anos.
Pazzianotto afirma que o quadro poderia
ser ainda pior se os processos passassem por todas as instâncias.
Segundo ele, cerca de 50% das ações terminam com acordo
na primeira instância. E, mesmo assim, a situação é calamitosa. “A
culpa não é dos juízes. Eles trabalham bastante.
O problema é a legislação, que instiga o aumento
de ações”, diz Pastore.
Na avaliação dele, a solução é uma
reforma que elimine as distorções atuais e incentive as
empresas a contratar os funcionários, reduzindo a informalidade. “Hoje
muitas pessoas trabalham sem registro por causa da elevada carga tributária
sobre os salários.”
Mas, apesar da situação
complicada, alguns especialistas acreditam que houve melhora. “A
informatização tem permitido que os números não
avancem da forma acelerada com vinham crescendo”, afirma o advogado
Estevam Mallet. Além disso, acrescenta, o interesse das empresas
em abrir capital tem ajudado a reduzir os conflitos. “Companhias
com grandes passivos trabalhistas não são bem vistas
pelos analistas.”
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Agência Diap, 10 de
fevereiro de 2007
Sem fiscalização, não
existe direito trabalhista
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
A Câmara dos Deputados deve votar
brevemente as emendas do Senado ao Projeto de Lei 6.272/2005, que cria
a Super Receita, a partir da fusão da Secretaria da Receita Federal
com a Secretaria da Receita Previdenciária. Entre elas, existem
verdadeiros contrabandos e atentados aos direitos fundamentais dos trabalhadores,
como a de nº de 3, de autoria do ex-senador Ney Suassuana (PMDB/PB),
também subscrita por mais 60 senadores.
A emenda nº 3, que recebeu parecer
favorável do relator na Câmara, deputado Pedro Novais (PMDB/MA),
se for aprovada, promoverá o maior retrocesso nas relações
de trabalho desde que Getúlio Vargas criou a CLT em 1943. Seu
propósito, apresentado a um projeto que cuida da reestruturação
de órgãos da administração pública, é impedir
que a fiscalização do trabalho combata as fraudes praticadas
contra os trabalhadores e o erário público nas relações
de trabalho.
Muitas empresas, especialmente os grandes
veículos de comunicação (rádio, tv e jornal),
para fugirem das obrigações e encargos sobre a folha – contribuição
previdenciária, FGTS, férias etc – forçam
seus empregados a constituírem pessoa jurídica, em geral
empresa individual, para continuarem prestando serviços no mesmo
local, cumprindo horário e recebendo ordens diretas dos diretores
das empresas contratantes, numa flagrante fraude nas relações
de trabalho, com prejuízo para o profissional e para o erário
público.
Em circunstâncias como essas, a
fiscalização do trabalho – assim como o faz em relação às
falsas cooperativas de trabalho, à terceirização
irregular e até na prática do trabalho escravo – comprova
a relação de trabalho na hora e determina a imediata assinatura
da carteira de trabalho, o pagamento das indenizações devidas
e o recolhimento de todos os encargos sobre a folha, além de multar
o estabelecimento que praticou a fraude.
A emenda, para fugir dos fiscais do trabalho,
que são os agentes públicos credenciados pelo Estado para
verificar as relações de trabalho, remete para a Justiça
do Trabalho, que não dispõe de pessoal nem de meios, a
responsabilidade de comprovar o vínculo empregatício, em
processo que pode durar dez ou mais anos. E, enquanto não for
concluído, a fiscalização do trabalho fica impedida
de exigir comprovação da condição de empregado,
autuar ou multar qualquer estabelecimento que se utilize desses artifícios.
Como a Justiça do Trabalho só age
por provocação, dificilmente casos de fraudes com essas
características serão julgados, já que nenhum “trabalhador”,
contratado como pessoa jurídica, irá requerer o reconhecimento
de vínculo na Justiça do Trabalho, até porque, na
tentativa de ganhar o acessório, o vínculo formal, perde
o principal, o contrato de “trabalho” ou de prestação
de serviços.
As centrais sindicais, a Associação
Nacional dos Magistrados do Trabalho, o Sindicato dos Auditores Fiscais
do Trabalho e partidos como o PT, PSB, PDT, PCdoB e Psol, que são
contra a referida emenda, devem intensificar o trabalho junto aos deputados
para sua rejeição, sob pena de profundo retrocesso nas
relações de trabalho.
A emenda, portanto, não passa
de artifício para fugir das obrigações legais
e contratuais, manobra condenável social, ética e moralmente.
Se a Câmara dos Deputados, tal como o fez o senado, aprovar essa
aberração, o presidente da República certamente
será levado a vetar tal irresponsabilidade. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e
Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar
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Agência Diap, 10 de
fevereiro de 2007
O PAC, o FGTS e o servidor público
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
O Programa de Aceleração
do Crescimento, um conjunto de medidas voltadas para o destravamento
da economia, é meritório porque cria as condições
para retirar o Brasil da situação vexatória na qual
que se encontra em matéria de crescimento econômico, mas
comete equívocos que precisam ser corrigidos, especialmente em
relação ao FGTS e aos limites impostos ao crescimento da
folha de salários da administração pública.
A aplicação do FGTS nos
investimentos do PAC, logo após a experiência bem-sucedida
da compra de ações da Petrobrás e da Vale do Rio
Doce, é muito preocupante, porque deixa o trabalhador tentado
a investir seus recursos numa aplicação que não
tem nenhuma garantia de retorno efetivo.
Além desse aspecto, a medida provisória
que autoriza essa operação possui três problemas:
i) é inconstitucional quanto a forma porque a proposta não é urgente
nem relevante; ii) é antidemocrática quanto ao método
porque foi editada sem qualquer debate com a representação
dos trabalhadores, e iii) é temerária do ponto de vista
social porque não apresenta garantias quanto a eventuais perdas.
Portanto, em relação ao
FGTS, há a necessidade de alteração no texto, de
modo que sejam dadas garantias de que, em nenhuma hipótese, os
trabalhadores que optarem por aplicar seus recursos do FGTS nos investimentos
previstos no PAC terão perda, sendo assegurada pelo menos a mesma
remuneração do próprio fundo.
Quanto aos servidores públicos,
o principal aspecto do PAC diz respeito à alteração
na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), para impor novos restrições à expansão
da despesa com pessoal da administração pública
federal nos próximos dez anos (2007 a 2016), limitando a um teto
de 1,5% o crescimento real anual da folha de pagamento da União,
tendo como parâmetro o valor líquido do ano anterior, que
será corrigido pela variação acumulada do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O Projeto de Lei Complementar 1/2007,
que promove a modificação na Lei de Responsabilidade Fiscal,
determina que os novos limites à despesa com pessoal na Administração
Pública, nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário)
e no Ministério Público da União, alcancem as despesas
totais com pessoal, incluindo os membros de poderes e servidores civis
e militares ativos, aposentados e pensionistas e seus respectivos encargos.
O projeto não trata propriamente
de limite da despesa com pessoal – esse limite já existe – mas
da expansão dessa despesa. A expansão da despesa é influenciada
pela remuneração, mas também pela quantidade de
servidores em atividade, o que dificulta a reposição de
quadros em decorrência de morte, aposentadoria ou de demandas da
sociedade, tanto na área de fiscalização (trabalhista,
tributária, previdenciária e sanitária) e regulação
por força do crescimento dos negócios, quanto do atendimento
direto à população, notadamente nos setores de educação,
saúde, segurança e justiça.
O poder ou órgão que exceder
aos novos limites, seja com reestruturação, contratação
de novos servidores ou mesmo com a nova despesa a ser criada com a adoção
da previdência complementar do servidor, conforme prevista no PAC,
ficará impedido, segundo Flávio Tonelli: a) de criar cargos,
empregos ou funções, b) de alterar a estrutura de carreira
que implique aumento de despesa; c) de fazer o provimento de cargo público,
admissão ou contratação de pessoal a qualquer título,
ressalvadas apenas as áreas de educação, saúde
e segurança; d) de conceder vantagens, aumento, reajuste ou adequação
de remuneração a qualquer título, salvo sentença
judicial ou revisão geral; e e) de contratar hora extra.
As restrições às
despesas com pessoal da administração pública dependem
da aprovação de um Projeto de Lei Complementar (PLP 1/2007),
que exige quorum qualificado de maioria absoluta (247 votos na Câmara
e 41 no Senado). Já a medida provisória que permite a aplicação
do FGTS tem vigência imediata, só perdendo a eficácia
se for rejeitada ou não houver deliberação nos 120
dias seguintes a sua edição. A votação de
MP se dá por maioria simples, ou seja, pode ser aprovada por metade
mais um dos presentes, desde que esteja presente a maioria absoluta.
As duas proposições
constituem ameaça não apenas aos trabalhadores e servidores
públicos, mas à própria população,
que poderá ficar privada do atendimento em setores vitais por
força de restrições de natureza fiscal. Há,
portanto, a necessidade de mudanças que, sem prejudicar os assalariados
nem a população, criem as condições para
a retomada do crescimento econômico, com geração
de empregos e distribuição de renda. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e
Diretor de Documentação do DIAP – Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar
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Folha
de São Paulo, 11 de fevereiro de 2007
Lula diz ter receita para o PT eleger seu
sucessor em 2010
Presidente afirma a aliados que vitória
depende de PIB maior, da melhora da política social e do uso de
seu carisma | Petista avalia que disputa entre Serra e Aécio levará a
divisão na oposição, que terá que enfrentar
segundo turno contra nome lulista
DOS ENVIADOS A SALVADOR
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva tem dito aos ministros e principais dirigentes do PT que o
partido conseguirá eleger seu sucessor no Palácio do
Planalto em 2010 se seguir suas recomendações políticas.
Avalia que não é um "jogo perdido por antecipação" e
que os principais presidenciáveis da oposição,
os tucanos e governadores José Serra (SP) e Aécio Neves
(MG) se dividirão, e terão de enfrentar um petista ou
um aliado do campo lulista no segundo turno. A receita de Lula para
o PT vencer em 2010 tem três pontos. O primeiro é a manutenção
de uma política econômica responsável, que combine
a manutenção da inflação baixa com crescimento
do PIB (Produto Interno Bruto) maior em média do que no governo
Fernando Henrique Cardoso e nos primeiros quatro anos do petista.
Segundo Lula, é improdutivo o
PT abrir fogo contra a política econômica e o Banco Central.
Anteontem, no jantar de comemoração dos 27 anos do PT,
em Salvador, Lula fez duro discurso para tentar enquadrar a legenda.
Entre outros objetivos, busca acabar com as críticas públicas à política
econômica. Nas conversas reservadas, porém, ele próprio
se queixa da condução da política monetária,
dizendo que deseja maior celeridade na queda dos juros básicos
da economia. Mas afirma que, toda hora que o PT ou um ministro ataca
o BC (Banco Central), ele perde margem de manobra para realizar suas
pressões de bastidor.
Exemplo: já está acertada
entre Lula e o presidente do BC, Henrique Meirelles, a troca do diretor
de Política Econômica da instituição, Afonso
Bevilaqua. No Palácio do Planalto, Bevilaqua é tido como
o maior responsável pelo rigor monetário. Meirelles se
comprometeu a submeter a Lula o nome do substituto de Bevilaqua. Ao
contrário de 2003, quando o presidente do BC teve carta branca
para formar a sua diretoria, Lula deseja agora aprovar o perfil de
novos dirigentes do banco. Há expectativa de que mais diretores
saiam. Num contexto de fogo cerrado contra o BC, Lula pode ser obrigado
a colocar alguém tão ou mais "conservador" do
seu ponto de vista do que Bevilaqua.
O segundo ponto da receita lulista para
o PT é a ampliação das políticas sociais.
Lula tem afirmado que seus dois governos deixarão uma rede de
proteção social mais robusta do que a de FHC. Crê que
o "aperfeiçoamento" de programas como o Bolsa Família,
priorizando grandes centros urbanos e a juventude mais pobre, vitaminarão
o PT nas eleições municipais de 2008 e em 2010.
Lula tem dito que o PT deve se
preparar para fazer alianças mais amplas do que no pleito
municipal de 2004, tentando fechar coligações com o
PMDB nas cidades mais importantes. Por último, o presidente
tem falado em conversas reservadas que em 2010, como não poderá ser
candidato, estará mais livre para polemizar com a oposição.
Colocaria o seu carisma e peso político a favor do escolhido. (KENNEDY
ALENCAR, JOSÉ ALBERTO BOMBIG E CONRADO CORSALETTE)
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Folha
de São Paulo, 12 de fevereiro de 2007
Documento do PT agrava desavenças
com aliados
PSB, PC do B, PMDB e PP vão pedir a Lula
que freie ânsia petista por cargos | Em texto interno, partido
do presidente pediu pastas da área de infra-estrutura, hoje sob
o controle de siglas que compõem a coalizão lulista
JOSÉ ALBERTO BOMBIG, CONRADO
CORSALETTE
ENVIADOS ESPECIAIS A SALVADOR
A festa pelos 27 anos do PT e a reunião
do Diretório Nacional do partido, ambas no fim de semana em
Salvador (BA), ajudaram a agravar a crise na base aliada do governo
aberta após a eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP)
para a Presidência da Câmara, avaliam petistas ligados
diretamente ao Planalto. Aliados do governo no Congresso, PSB, PC do
B, PMDB e PP vão nesta semana pedir a Luiz Inácio Lula
da Silva um freio na ânsia dos petistas por cargos. Dentro do
PT, o trabalho será para evitar que a cisão atrapalhe
a votação do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento).
Documento interno do PT, divulgado anteontem,
prega a "harmonia" entre os ministros a serem nomeados e
o PAC.
O texto desagradou a aliados do Planalto como o PMDB e o PP, que viram nele
uma tentativa de direcionar as indicações para os "quadros" do
PT e de aumentar o controle do partido do presidente no governo já com
vistas na disputa de 2010.
"O PAC não é uma
política de partido, é uma política de governo.
Todo mundo que entrar no governo terá de apoiá-lo, não
existe monopólio deste ou daquele partido", disse o deputado
peemedebista Geddel Viera Lima (BA), que chegou a ser homenageado na
festa que o PT promoveu sexta-feira à noite em Salvador para
comemorar os 27 anos da legenda.
No documento divulgado anteontem, o
PT faz referência direta aos ministérios da área
de infra-estrutura, todos alvos de cobiça de PP, PR e PMDB,
integrantes da coalizão de governo. Segundo petistas, foi uma
resposta "à tentativa de "despetização" dos
ministérios". "No governo FHC ninguém discutia
se esse ou aquele ministério estava nas mãos do PSDB
ou do PFL", disse o ex-ministro da Pesca José Fritsch (PT-SC).
Na quinta-feira, a Comissão Política do PT pretende apresentar
a Lula seu plano de ocupação da Esplanada. O partido
fez uma consulta a todos os seus quadros regionais para aferir quais
espaços são vitais para a legenda.
Até quinta-feira, os aliados
do PT, que também têm presidenciáveis como o deputado
Ciro Gomes (PSB-CE), tentarão convencer Lula de que um segundo
mandato focado apenas nos quadros do PT poderá reeditar erros
do primeiro.
Chinaglia
A resolução do diretório
também foca a pasta das Comunicações, hoje comandada
por Hélio Costa (PMDB), que não pretende deixar o cargo.
Além disso, o texto, de quatro páginas, dedica poucas
linhas ao governo de coalizão. Segundo a Folha apurou, representantes
do PSB e do PC do B que também participaram das comemorações
em Salvador, a convite do PT, reclamaram do teor do texto. Outro ponto
de discórdia foi o discurso do presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP).
No jantar pelos 27 anos do PT,
ele se derramou em elogios apenas ao PMDB e disse que não
retirou sua candidatura porque Lula nunca pediu. Para PSB e PC do
B, Chinaglia atribuiu ao presidente sua vitória. Chinaglia
derrotou na eleição Aldo Rebelo (PC do B-SP), que teve
ao seu lado o PSB. Alguns petistas condenaram o discurso de Chinaglia
e disseram que Lula ficou constrangido com a fala do deputado.
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Folha
de São Paulo, 12 de fevereiro de 2007
Previdência piora sob Lula, diz nova
conta
Novo metódo de cálculo das contas
do INSS mostra que resultados negativos começaram em 2003, no
início da gestão petista | Em 2002, último ano da
gestão FHC, houve superávit de R$ 4,533 bilhões;
no ano seguinte, as contas do INSS tiveram déficit de R$ 903 mi
GUSTAVO PATU, LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Recém-proposta pelo governo,
a nova metodologia para contabilizar os resultados do Instituto Nacional
do Seguro Social aponta que o déficit da Previdência começou
no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O novo critério -que, segundo o governo, torna mais claras as
causas e as dimensões do déficit- isola das contas as
receitas e despesas do setor rural, subsidiado pela legislação,
e soma às receitas as estimativas de benefícios fiscais
baseados na contribuição ao INSS.
Com base em dados oficiais, a Folha
calculou, a partir dessa metodologia, o resultado da Previdência
desde 2000. Os números mostram uma brusca piora em 2003, na
estréia da administração petista. Até 2002,
as contribuições de trabalhadores urbanos -somadas aos
benefícios fiscais dados a entidades filantrópicas e
a micro e pequenas empresas- era suficiente para bancar aposentadorias,
pensões e auxílios em casos de doenças e acidentes
nas cidades.
Naquele ano, o superávit foi
de R$ 4,533 bilhões, com queda de 24,3% em relação
aos R$ 5,992 bilhões de 2001. Mas em 2003 a deterioração
do resultado é muito mais evidente, com um déficit de
R$ 903 milhões. O motivo foi a disparada das despesas, que cresceram
22% em relação ao ano anterior, a maior taxa do período.
E não se pode culpar o reajuste do salário mínimo
da época -apenas 1,2% superior à inflação.
Confrontada com os dados, a Previdência -que, até então,
só havia divulgado os resultados de 2006- enviou na sexta-feira
uma série histórica à Folha.
Os dados coincidem até 2002,
mas o cálculo para benefícios fiscais a partir do governo
Lula é diferente dos utilizados pela reportagem, a partir de
tabela oficial publicada em anexo ao Orçamento da União
de 2006. A nova versão oficial registra superávit de
R$ 322 milhões em 2003 e déficit de R$ 1,843 bilhão
em 2004. Também nesse cenário, a piora do resultado se
acelera na gestão Lula.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
11 de fevereiro de 2007
Desvalorização das aposentadorias
Roger Pereira
Os aposentados e pensionistas que
recebem mais de um salário mínimo estão preocupados
com a desvalorização de seus benefícios ao longo
dos últimos dez anos. Após a desvinculação
entre essas aposentadorias e o salário mínimo (que ocorreu
em novembro de 1991), os pagamentos desses aposentados estão
sendo reajustados a índices bem mais baixos que os do reajuste
do mínimo.
O drama desses aposentados e pensionistas é que, a cada ano, seus vencimentos
vão se aproximando cada vez mais do salário mínimo. Tomando
por base o período entre 1994 e 2006, os vencimentos desse pessoal sofreram
reajuste acumulado de 98,43%, enquanto no mesmo período, o índice
de reajuste do salário mínimo foi de 150,01%. Ano passado, por
exemplo, enquanto o salário mínimo teve aumento de 16,64%, as
aposentadorias foram corrigidas em 5%.
“ Eu contribuí durante 31 anos da minha vida para receber um benefício
de 8,29 salários mínimos. E foi isso que recebi quando me aposentei.
Hoje, com o acúmulo de perdas, recebo quatro mínimos. Isso é estelionato,
eu e muitos outros aposentados estamos sendo lesados”, reclamou o aposentado
curitibano Airton Weber, que endossa sua argumentação na teoria
do direito adquirido. “Aposentei-me antes da lei e tinha direito ao reajuste
vinculado. Os magistrados não lutam pelo direito adquirido? Por que os
aposentados não têm esse direito?”.
A chefe de Serviço de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) no Paraná, Neide Garcia Sestrim, explicou que, desde a
aprovação da lei, o salário mínimo não serve
mais de base para nenhum cálculo de reajuste dos benefícios do
INSS, apenas para os vencimentos que fiquem abaixo do valor do mínimo é pago
o benefício igual ao salário, por força da lei. “O
percentual de reajuste das aposentadorias é definido por portaria ministerial”,
disse. Ela explicou que a desvinculação está na lei e
não pode ser contestada. “Recebemos vários pedidos de explicação
e reclamações. Orientamos para nem procurar a Justiça,
que é causa perdida”, comentou.
Neide lembrou que o salário mínimo não serve de padrão
para nenhum índice de reajuste, que não há nada vinculado
a sua evolução, que o mínimo é apenas a menor remuneração
que um trabalhador brasileiro no mercado formal pode receber. “Nenhuma
categoria consegue reajustes muito superiores ao índice de inflação,
que no último ano não chegou a 3%, e o mínimo subiu mais
de 16%”, comentou.
Sem um índice fixo para correção dos vencimentos até o
ano passado, os benefícios dos aposentados e pensionistas serão
reajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)
a partir deste ano. Um reajuste maior que os 2,92% (cálculo para o INPC
acumulado entre abril de 2006 e março deste ano) dependerá de
negociações com representantes da categoria. “Hoje temos
um índice definido, antes usava-se sempre o mais baixo, mas não
quer dizer que o reajuste será só o INPC”, disse o presidente
do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical,
João Batista Inocentini, revelando que já iniciou conversas com
o governo federal para conseguir um aumento real para a classe.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
11 de fevereiro de 2007
Os trabalhadores e a ação
sindical na atual conjuntura política e econômica
Edésio Passos
Análise da conjuntura
A análise da atual conjuntura política e econômica foi
a temática básica do XVI Seminário de Dirigentes Sindicais
realizado pela Federação dos Trabalhadores na Indústria
da Construção e do Mobiliário do Paraná (Fetraconspar),
de 29 de janeiro e 1 de fevereiro, com a presença de dirigentes sindicais
de todo o país, magistrados, advogados, procuradores do trabalho, sociólogos,
professores universitários, jornalistas, possibilitando amplo debate
das questões sindical, profissional, econômica, social, política
e jurídica. Eis os principais debatedores: José Calixto Ramos
(presidente da CNTI/NCST) atual conjuntura e movimento sindical; Antonio Augusto
de Queiroz (analista político, DIAP) desafio e perspectiva do governo
Lula no 2.º mandato; Sebastião Soares da Silva (historiador) a
organização sindical mundial e os reflexos no movimento sindical
brasileiro; Altamiro Perdoná (dirigente sindical, SC) o Depacom e a
organização das entidades da construção e do mobiliário
no Brasil; Ricardo Tadeu Marques da Fonseca (procurador do trabalho) assédio
moral nos locais de trabalho; Luiz Eduardo Gunther (magistrado) importância
da ação de cumprimento para o movimento sindical na Justiça
do Trabalho; Ricardo Costa Oliveira (professor universitário) análise
de conjuntura e perspectiva do governo federal e estadual; José Sebastião
dos Santos (dirigente sindical, SP), Lázaro Pereira (dirigente sindical,
MG), Antonio Rodrigues da Silva (dirigente sindical, PI) campanha salarial;
Cesar Sanson (sociólogo) o movimento social e a conjuntura nacional;
Cid Cordeiro Silva (economista, DIEESE) análise conjuntural e setorial;
e Iracy da Silva Borges (advogado) negociação salarial na atualidade.
Segundo esclareceu Geraldo Ramthun, presidente da entidade, “além
da análise das questões de ordem geral, os dirigentes sindicais
da categoria de todo o país trouxeram suas experiências e suas
lutas para a interrelação com nosso movimento, visando a integração
das várias frentes de trabalho. De nossa parte, nossos dirigentes de
todas as regiões do Paraná, discutiram e adotaram resoluções
sobre a campanha salarial unificada, examinando temas das comissões
de negociações e simulando essas negociações e
as estratégias a serem encaminhadas. Essa unificação local
e nacional tem dado resultados extremamente positivos, mas ainda temos muito
a caminhar, por isso a importância de eventos como nosso Seminário
que inicia uma série de atividades do ano em curso. Saliento, ainda,
a importante participação dos dirigentes da CNTI e da Nova Central
Sindical dos Trabalhadores, entidades que estabelecem nossas diretrizes nacionais
de ação sindical”.
Participei do painel inicial dos debates do Seminário, juntamente com
o presidente da CNTI e NCST José Calixto Ramos, analisando a atual conjuntura
política e econômica face a ação do movimento sindical.
O ex-ministro do TST abordou a evolução da organização
sindical, detendo-se especialmente na concepção a partir da Constituição
Federal de 1988, com o surgimento da liberdade e autonomia sindical. Como presidente
da Nova Central, examinou os aspectos da construção de novas
entidades e a importância das mesmas na atualidade. Avançou na
necessidade da defesa de alguns pontos da estrutura sindical, fundamentais
dentro da concepção constitucional, como a unicidade, a representação
por categoria profissional, o sistema confederativo, o sindicato como matriz
da ação sindical, mas também indicou alguns pontos de
reformulação, como o do sistema eleitoral-sindical e a necessidade
da garantia de ser aprovado o projeto de lei de regulamentação
da contribuição negocial às entidades sindicais. Apontou
os desafios da atual conjuntura diante dos posicionamentos do governo federal,
em especial as questões colocadas para a reforma sindical e trabalhista.
Pontos para reflexão
O analista político Antônio Augusto de Queiroz, do DIAP, durante
os debates, indicou alguns pontos para a reflexão dos dirigentes sindicais,
ao responder algumas indagações: (1) Que agenda de reforma o
governo está legitimado para patrocinar?
Na minha avaliação, apenas aquelas que foram debatidas durante
o processo eleitoral. E o presidente Lula, na campanha eleitoral, manifestou
compromisso apenas com três reformas: a política, a tributária\fiscal
e a sindical. Quanto às reformas previdenciária e trabalhista,
que são defendidas pelo poder econômico, o presidente foi explicito
no sentido de que não faria nenhuma reforma que significasse supressão
ou redução de direitos. Portanto, qualquer iniciativa que resulte
na mudança de critério em prejuízo do trabalhador deverá ser
rechaçada. (2) Qual a importância do 2.º turno da eleição
presidencial? Cumpriu dois papéis fundamentais: pacificar o país,
que estava dividido no primeiro turno da eleição, e propiciar
o debate sobre programa de governo, já que no primeiro turno prevaleceu
o denuncismo. Foi no segundo turno, por exemplo, que ficou clara a posição
dos dois candidatos em relação ao papel do estado na economia
e na proteção social. Enquanto um dos candidatos defendia a redução
do papel do Estado e um enxugamento dos gastos públicos, particularmente
na área social, o outro,que foi reeleito, reiterou o compromisso com
a manutenção e ampliação dos programas sociais,
além de descartar qualquer possibilidade de privatização
de estatais, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios,
Petrobrás. (3) Quais os desafios imediatos do presidente Lula neste
segundo mandato? São basicamente quatro: i) eleger aliados para a presidência
da Câmara e do Senado; ii) formar uma coalizão de apoio capaz
de garantir maioria para aprovar sua agenda de reformas no Congresso, iii)
definir uma agenda de reformas realista e que tenha sido debatido na campanha
eleitoral, e iv) formar uma equipe ministerial que seja politicamente respaldada;
tecnicamente preparada e eticamente inatacável (vide www.fetraconspar.org.br)
Diretrizes e plano de ação
Nossa contribuição ao debate sobre a atual conjuntura política
e econômica e o movimento sindical se limitou a indicar um breve roteiro
com alguns da prática sindical, a saber:
1. A conjuntura econômica e as relações de trabalho. A
política econômica não sofrerá alterações,
mantendo-se a mesma linha e a mesma equipe que conduz os organismos federais.
Essa linha se sustenta especialmente em um severo controle da moeda, no combate
a inflação, no equilíbrio dos preços, no crescimento
da renda e do salário, no crescimento da distribuição
dos recursos públicos às camadas pobres da população,
no cumprimento dos contratos, no zeramento da dívida externa, no crescimento
da exportação, na garantia das reservas cambiais, nos investimentos
público/privados em larga escala, entre outros pontos. O Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) propõe o desenvolvimento e o crescimento com a
melhoria de vida do conjunto da população, projetando a aplicação
de cerca de 500 bilhões de reais em quatro anos de governo. As relações
de trabalho, diante do equilíbrio econômico, se situam no plano
da normalidade democrática. O movimento sindical exerce com plena liberdade
sua missão constitucional na defesa dos trabalhadores e tem ampla liberdade
de ação social e política.
2. Plano de ação. Já situamos anteriormente
nossa posição na necessidade de que sejam fixadas (a) as diretrizes
políticas, econômicas e sociais da ação sindical
e (b) as diretrizes programáticas da ação sindical. Na
atual conjuntura, mais razão em se fixar esse plano tático-estratégio,
definindo as metas principais a serem atingidas e detalhar a prática
sindical transformadora.
3. Diretrizes. O debate sobre as principais diretrizes políticas
da ação sindical poderá indicar pontos fundamentais da
atual conjuntura, como:a) a política econômica desenvolvida pelo
capital internacional em nosso país e seus reflexos face a classe trabalhadora;
b) a questão das micro-pequenas-médias empresas atingidas pelos
monopólios e oligopólios; c) os segmentos sociais ligados aos
setores que promovem política anti-trabalhador; d) a defesa da qualidade
de vida e dos direitos fundamentais dos trabalhadores e trabalhadoras. Este
debate, em um ano pós-eleitoral, deve ser endereçado, ainda,
em face aos compromissos a serem assumidos em face o movimento sindical pelos
governos e parlamentares.
4. Diretrizes programáticas. Para viabilizar as diretrizes
políticas, econômicas e sociais, a ação sindical
poderá formular programas de trabalho que possibilitem uma orientação
conjunta das entidades envolvidas. Esses programas poderiam desenvolver tarefas
ligadas a: a) garantia de unidade na direção das lutas e reivindicações
sindicais, através de formas unificadas de articulação
sindical; b) unificação dos processos de negociação
coletiva de trabalho, estabelecendo formas articuladas de mobilização
dos trabalhadores; c) programação e execução dos
trabalhos de formação e qualificação dos dirigentes
sindicais e trabalhadores em geral; d) organização e participação
das mulheres e jovens no movimento sindical e no mercado de trabalho; e) representação
e organização do sindicato no “chão da empresa” e
pela participação ativa dos trabalhadores no cotidiano da ação
sindical. Cada ação planeja, propõe e articula atividades
de acordo com suas necessidades específicas, de acordo com o planejamento
geral.
5. Pontos centrais. No plano geral de atividade unificada,
que traduza o processo pela transformação social, econômica
e política, para o ano de 2007, referenciamos: 1.º) participação
no processo político e econômico, fixando as diretrizes programáticas
visando o compromisso dos governos, possibilitando a participação
efetiva dos dirigentes sindicais 2.º) defesa do artigo 8º da Constituição
Federal como pressuposto básico de garantia democrática 3º)
contra o desemprego, pela garantia do emprego e ao trabalho melhor remunerado
4.º) a elevação do poder aquisitivo dos salários
e a política de redistribuição de renda às camadas
pobres da sociedade 5.º) a melhoria das condições de vida,
saúde, moradia, transporte, educação, alimentação.
Edésio Passos é advogado, do corpo
técnico do DIAP, integrante da Comissão Nacional de Direito e
Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego,
ex-deputado federal (PT/PR). E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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AGÊNCIA BRASIL DE NOTÍCIAS, 11
de fevereiro de 2007
Decreto vai classificar empresas por
risco
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva vai assinar nesta segunda-feira (12) decreto regulamentando as
leis que tratam da concessão do auxílio doença.
As empresas vão se enquadrar em três categorias para efeito
do pagamento de impostos, com a classificação nas categorias
de risco leve, médio e alto em relação ao índice
de acidentes do trabalho. Hoje elas pagam 1% sobre a folha de pagamentos
para o seguro de acidente de trabalho. Doravante as que forem enquadrados
em médio risco vão pagar 2% e para o alto risco 3% da folha.
O secretário Nacional de Previdência
Social, Helmut Schwarzer disse em entrevista à Agência Brasil
que a regulamentação que vai ser fixada pelo decreto será baseada
em dados colhidos entre os anos de 2000 a 2004 em que foi reavaliada
a concessão de benefícios e os graus de risco de cada setor. "Alguns
vão ter o grau de risco diminuído, pois estão agora
com risco menor e outros terão o grau de risco mantido, enquanto
haverá reclassificação para cima daqueles que aumentaram
sua participação nos acidentes de trabalho e na ocorrência
de doenças ocupacionais". Ele avalia que nesse caso "possivelmente
esses segmentos mudaram os processos de trabalho e surgiram novas doenças
em que a classificação atualmente em voga não os
reconhecia ou não os captava como hoje".
A Previdência Social pretende agora
reavaliar as classificações a cada três anos, baseada
em dados estatísticos. Vai ser instituído pelo decreto,
de acordo com o secretário de Previdência Social um novo
nexo técnico e epidemiológico. Hoje o trabalhador quando
sofre acidente ou é vitimado por doença ocupacional só tem
reconhecido seu direito ao benefício por causa do acidente quando
existe emissão da comunicação do empregador.
Em muitos casos a informação
não é emitida ou não é feita corretamente,
fazendo com que o sistema da previdência não tenha informações
reais”, diz Schwarzer. As empresas até aqui enviavam os
trabalhadores ao INSS para solicitar o benefício doença
comum, ao invés de solicitar o enquadramento na categoria acidentária
ou reivindicar reconhecimento de invalidez comum ou acidentária.
Dessa forma, no cálculo do benefício não acontecia
essa diferenciação. Isso é importante "porque
a tipificação do caso pode assegurar estabilidade de 12
meses ao empregado. Essa segurança é que vai ser corrigida",
segundo ele, pelo decreto que o presidente Lula vai assinar.
A regulamentação “vai
mudar o quadro em favor do trabalhador. pois hoje apenas 30% das doenças
trabalhistas são detectadas pela Previdência Social. Com
um melhor aperfeiçoamento, dentro de uma visão de conjunto
o governo terá mais condições de formular políticas
para essa área”, diz Helmut Schwarzer. Mas, ele admite que “não
será possível dar uma cobertura de 100% a todos os casos.
No entanto deverá haver uma melhora considerável do nexo
técnico e epidemiológico empregado em torno da questão”.
O anexo do Decreto que vai ser assinado
por Lula, segundo Scharzer vai conter tabela que especifica os setores
de atividade e as doenças do trabalho de acordo com classificação
internacional. Será criado o fator acidentário, pelo qual
a empresa vai dizer se está acima ou abaixo na media de ocorrências.
O diretor Financeiro do Departamento Intersindical
de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos ambientes de trabalho, Pérsio
Dutra disse que a entidade "não foi ouvida para a formulação
da lei”. Defende que o decreto que vai ser assinado deve trazer
a lista de doenças profissionais de acordo com a espécie
causadora e lista das doenças do trabalho ligadas a condições
excepcionais, como por exemplo do stress profissional. Ele fala da necessidade
de uma fiscalização rigorosa em torno do entendimento,
que agora ficará a cargo da empresa, quanto à causa da
doença do trabalho.
Mas, o secretário Helmut Schwarzer
contesta Pérsio Dutra, no que se refere à queixa de não
participação na elaboração da regulamentação.
Diz Que foram realizados seminários para discutir a questão
do nexo técnico e epidemiológico, tendo a questão
sido discutida em todo o país. "Tudo foi desenhado a partir
de discussões com as representações das Centrais
sindicais e Confederações de trabalhadores que têm
acento no Conselho de Previdência Social. Houve também o
crivo do setor universitário, com a participação
de epidemiologistas que tiveram a oportunidade de dar sua contribuição
sobre o assunto", informou.
"É possível que determinados
situações específicas não sejam ainda captadas
porque é uma metodologia que registra as correlações
gerais, mas o que ocorre via de regra nos setores de trabalho com certeza
será agora captado. Há situações que ficam
fora dos pontos de curva por isso nossa metodologia vai ser aperfeiçoada
oportunamente”.
A previdência acompanha a ocorrência
das doenças no trabalho através da prestação
de informações que as empresas fazem por meio da guia do
FGTS enviada todo mês, com os dados sobre o elenco de empregados
e seus eventuais afastamentos o que está sujeito à fiscalização
dos auditores da Previdência Social. O sistema de auditoria vai
agora cobrir também, segundo Helmut Schwarzer a rotina dos médicos
e peritos que trabalham nessa área.
Está tramitando na Câmara
Federal projeto de lei já aprovado pelo Senado Federal corrigindo
a metodologia para concessão do auxílio doença.
Hoje 50% dos benefícios têm valor maior que o último
salário do Trabalhador. Segundo dados da Previdência Social
se a proposta for aprovada o sistema vai contar com economia de R$
200 milhões por ano. "Isto é uma disfunção
tendo em vista que o objetivo do benefício é repor a
renda do trabalhador quando ele precisa se afastar da atividade laboral
por qualquer agravo à sua saúde".
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JORNAL GAZETA WEB, 11 de fevereiro
de 2007 | Economia
Caixa Econômica muda regras do
Fundo de Garantia
A Caixa Econômica Federal pagará multa
de 40% sobre o saldo total de FGTS para aposentados que continuaram a
trabalhar na mesma empresa após a concessão do benefício
e que forem demitidos sem justa causa. Mas o direito de receber esse
adicional sobre todo o valor depositado antes e depois da aposentadoria
só valerá para quem teve benefícios concedidos a
partir de 1º de dezembro do ano passado.
A decisão da Caixa atende a um
entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal), publicado em 1º de
dezembro, pelo qual a aposentadoria espontânea não implica,
por si só, extinção do contrato de trabalho. Portanto,
a interpretação é de que quem permaneceu na mesma
empresa após a concessão do benefício deve recebe
multa rescisória sobre o período integral de permanência
no emprego.
Antes dessa manifestação
do Supremo, a multa somente era aplicada sobre o saldo acumulado pelo
trabalhador após a data do início do benefício.
Se o aposentado permanecesse na mesma empresa, continuava tendo depósito
mensal de FGTS, mas em caso de demissão injustificada os 40% só eram
pagos parcialmente.
LEI RESTRITIVA
Apesar da adaptação feita
agora pela Caixa, os aposentados até 30 de novembro de 2006, que
continuaram trabalhando na mesma companhia, ficaram de fora das novas
regras. Neste caso, quando forem desligados do emprego, vão receber
apenas os 40% sobre o total depositado na conta vinculada do FGTS da
data da aposentadoria em diante. Assim será até que a Justiça
se manifeste a respeito dessa situação.
Outra alteração refere-se
ao saque. O aposentado a partir de 1º de dezembro de 2006 que se
mantiver na mesma firma poderá sacar o saldo de seu Fundo de Garantia
a qualquer momento. Isso quer dizer que a retirada poderá até ser
feita mensalmente, logo após o depósito da empresa. Bastará formalizar
o pedido à Caixa.
DIREITO A SAQUE
As novas regras, porém, também
não vão beneficiar quem teve benefício concedido
até 30 de novembro de 2006. Se o trabalhador permanecer sob o
mesmo contrato de trabalho, os depósitos feitos após sua
aposentadoria somente poderão ser retirados quando forem demitidos
ou pedirem demissão da empresa em que trabalham. Ou seja, será preciso
aguardar a rescisão do contrato de trabalho.
Ainda de acordo com a Caixa Econômica
Federal, para efetuar saques de FGTS são necessários documento
do instituto de Previdência Social que comprove aposentadoria do
trabalhador, TRCT homologado, documento de identidade, carteira de trabalho,
Cartão Cidadão ou de PIS/Pasep.
O ENTENDIMENTO DO SUPREMO
A decisão do Supremo Tribunal Federal
(STF) sobre o cálculo da multa de 40% sobre o FGTS paga aos que
se aposentam e continuam na mesma empresa interessa a 7,7 milhões
de brasileiros que requereram benefício espontaneamente, mas continuaram
sob o mesmo contrato trabalhista. No Rio, são 853 mil, segundo
o IBGE. Mas, apesar do reconhecimento do direito, as novas regras da
Caixa foram restritivas, aceitando apenas os casos de aposentadorias
iniciadas após a publicação dessa decisão.
O STF julgou Ação Direta
de Inconstitucionalidade (ADI 1721), reconhecendo a vigência do
contrato de trabalho anterior, passando a considerar todo o valor depositado
pelo empregador. A Corte Suprema determinou ao TST que, ao julgar casos
desse tipo, adotasse o novo conceito de "unicidade contratual",
o que vem acontecendo.
Na prática, o entendimento pode
representar benefício em relação ao valor que o
trabalhador tem a receber, mas também pode limitar a manutenção
do vínculo após a aposentadoria.
Mantega desmente Dilma
O primeiro escalão do governo continua
a dar declarações desencontradas em relação à possibilidade
de Reforma da Previdência. Depois de a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff, anunciar, com ênfase, o desejo de avançar
nas mudanças, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reagiu: "É a
opinião pessoal da ministra".
As palavras de Dilma reforçaram
afirmação anterior do secretário de Políticas
Econômicas do Ministério da Fazenda, Júlio Gomes
de Almeida, Ele disse na quarta-feira que a reforma "é inevitável".
No dia seguinte, Dilma falou a uma platéia de dirigentes do Sebrae.
"Estamos apostando que o País
está maduro para ter um projeto consensual de reforma ou pelo
menos com amplo consenso. Estamos apostando nisso: que sai uma reforma
correta e uma sinalização precisa para o futuro do País",
afirmou ela, referindo-se ao Fórum de Previdência, que será instalado
a partir de segunda-feira.
A declaração da ministra
levou à imediata reação de Mantega, já que
foi a primeira vez que um integrante da mais alta cúpula do governo
federal admitiu a reforma.
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JORNAL MS NOTÍCIAS,
10 de fevereiro de 2007
Fundo de Amparo ao Trabalhador liberou
R$ 25 bilhões em 2006
O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) liberou, no ano passado, R$ 25,025 bilhões
para financiamento de 2.776.685 operações em todo o país.
Principalmente para viabilizar a geração de empregos, por micros
e pequenas empresas urbanas, e para aumentar a produção rural
das famílias inscritas no Programa Nacional de Agricultura Familiar
(Pronaf).
Os números são recordes,
de acordo com dados liberados pelo secretário de Políticas
Públicas de Emprego, do Ministério do Trabalho e Emprego,
Remígio Todeschini, que também preside o Conselho Deliberativo
do FAT (Codefat). O fundo, vinculado ao Ministério do Trabalho,
custeia, entre outros programas, o seguro-desemprego e o abono salarial.
Os recursos vêm de contribuições do Programa de Integração
Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio
do Servidor Público (Pasep).
Remígio Todeschini acredita, inclusive,
que os números de operações com recursos do FAT
devem crescer mais ainda neste ano, uma vez que o objetivo do sistema
de emprego é fazer com que o trabalhador desempregado volte ao
mercado de trabalho o mais rápido possível. Ação
que exige ampliação dos recursos para intermediação
e qualificação dos trabalhadores, acrescentou.
Todeschini disse que R$ 19,3 bilhões,
ou 77,2% dos recursos liberados pelo FAT, em 2006, foram para o financiamento
de programas de emprego e renda, prioritariamente em empreendimentos
de pequeno porte, voltados para desenvolvimento rural e industrial, além
de infra-estrutura e inovação tecnológica.
Dados liberados pelo Ministério
do Trabalho e Emprego mostram que os programas de geração
de renda e o Pronaf foram responsáveis por 2.625.409 operações,
absorvendo R$ 9,657 bilhões dos recursos do FAT, enquanto infra-estrutura
levou R$ 5,496 bilhões e política industrial ficou com
R$ 3,609 bilhões.
Foram as três linhas de crédito
que financiaram mais, dentro da estratégia governamental de
impulsionar o crescimento econômico dos pequenos e médios
empreendedores, de modo a garantir a manutenção e geração
de novos empregos. Mas outras ações também levaram
recursos do FAT, em menores volumes, como exportações,
capital de giro, construção civil, inovação
e difusão tecnológica.
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CONSULTOR JURÍDICO,
12 de fevereiro de 2007
Punição desigual
TRT-10 não reconhece justa causa
de sindicalista
A 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
julgou improcedente o inquérito judicial para apuração
de falta grave na demissão por justa causa de dirigente sindical do
Banco Bradesco. O tribunal determinou que o empregado retorne ao trabalho,
com pagamento dos salários vencidos e dos eventuais acréscimos
ocorridos durante a suspensão do contrato de trabalho.
A decisão manteve a sentença
da juíza Tahís Bernarndes Camilo, da 1ª Vara do Trabalho
de Araguaína (TO). O motivo da demissão, segundo a empresa, é que
o funcionário autorizou o desconto de cheques com assinaturas
falsificadas. O fato envolveu também outros funcionários.
Dois foram mantidos no emprego e outros foram demitidos sem justa causa.
Apenas ao sindicalista foi aplicada a pena da justa causa.
A juíza Cilene Ferreira Amaro Santos
qualificou o fato de “flagrante violação do princípio
isonômico” e atitude discriminatória do empregador. “A
alegação genérica contida no recurso de que a situação
dos demais empregados é diferente não se sustenta no conjunto
probatório”, afirma a juíza.
A decisão também se baseou
na falta de atualidade da aplicação da justa causa, já que
esta ocorreu nove meses após o fato. Na época do ocorrido,
o empregado recebeu apenas advertência verbal. “O empregador
não pode aplicar ao empregado duas penalidades pela mesma falta.
Além disto, a justa causa se sujeita à atualidade do fato
e à sua proporcionalidade”, disse a relatora Cilene.
A juíza salienta ainda que a advertência
verbal não pode ser cumulada com dispensa por justa causa em decorrência
do mesmo ato. Ela cita a regra de que uma mesma falta não pode
ser apenada duas vezes. “A desproporcionalidade entre o ato faltoso
e sua punição pode assumir dois aspectos: rigor excessivo
da pena e benevolência da punição”, diz a juíza.
“Se fosse possível reconsiderar
a penalidade para agravá-la ou repeti-la, cairia por terra toda
a estabilidade das relações empregatícias, uma vez
que o empregador gozaria de um poder ditatorial, mantendo seus empregados
na permanente angústia da incerteza, ameaçando-os constantemente
com uma repetição de pena, no momento que melhor lhe aprouvesse”.
1ª Turma - 01867-2005-811-10-00-0-RO
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CONSULTOR JURÍDICO,
10 de fevereiro de 2007
Pressa no tribunal
Projetos buscam mudar CLT para acelerar
processos
por Débora Pinho e Aline Pinheiro
O Congresso Nacional deve votar, neste
primeiro semestre, grande parte da reforma processual trabalhista que
prevê mecanismos para reduzir o tempo de tramitação
dos processos na Justiça. As ferramentas prometem limitar a quantidade
de recursos que chegam ao Tribunal Superior do Trabalho.
Segundo o ministro do TST, Ives Gandra
Filho, os casos mais rápidos hoje duram 160 dias nas duas primeiras
instâncias. Os mais lentos podem levar até 10 anos na Justiça
do Trabalho. “Com a simplificação, poderíamos
ter uma redução pela metade do tempo no TST.” Para
ele, as regras “só não ajudarão as empresas
que lucram com a demora das decisões”.
As propostas fazem parte do pacote apresentado
pelo Executivo em 2005 para desafogar o Judiciário e acelerar
a tramitação dos processos. São 28 projetos que
alteram regras da legislação civil, trabalhista e penal.
Desses, 10, todos civilistas, já viraram lei.
Dos seis projetos trabalhistas apresentados
no pacote, a expectativa é de que quatro sejam aprovados até o
meio do ano. Os outros dois, mais complexos e polêmicos, podem
cair no buraco negro do Legislativo.
Os quatro projetos, que já estão
na reta final da tramitação legislativa, criam mecanismos
para limitar a chegada de apelações ao Tribunal Superior
do Trabalho. Por um lado, espera-se que as ferramentas contribuam para
diminuir o número de apelações. Por outro, teme-se
que elas contribuam para perpetuar erros e injustiças cometidos
pela primeira e segunda instâncias.
O PL 105/06 proíbe recurso ao TST,
o chamado recurso de revista, em causas inferiores a 60 salários
mínimos. Ou seja, se a proposta virar lei, todos os processos
cujo valor discutido for inferior a 60 salários mínimos
terão de terminar, necessariamente, na segunda instância,
sem direito a recurso ao tribunal superior. O projeto já passou
pelas duas casas legislativas, mas voltou à Câmara dos Deputados
para que as modificações feitas no Senado sejam votadas.
Os outros três projetos estão
na Comissão de Constituição e Justiça do
Senado. O PL 66/06 propõe a restrição dos embargos
de declaração no TST, recurso muitas vezes usado simplesmente
para retardar o trânsito em julgado da condenação.
A idéia é restringir as ocasiões em que podem ser
propostos os embargos.
Já o PL 80/06 determina que só poderá ser
proposta ação rescisória se o interessado depositar
20% do valor da causa. A ação é usada para que seja
reaberta discussão sobre caso já julgado pelo Poder Judiciário.
Este é outro mecanismo muito usado hoje em dia com fins meramente
protelatórios.
O projeto mais simples, menos polêmico
e não menos necessário é o de número 4/06.
Ele pretende acabar com uma das muitas medidas meramente burocráticas
e enormemente responsáveis pelo atravancamento do Judiciário.
O texto permite que o próprio advogado declare a autenticidade
de documentos anexados no processo. Hoje, as cópias devem ser
autenticadas em cartório.
Buraco negro
Os outros dois projetos apresentados pelo
Executivo em 2005 devem cair no esquecimento. Um deles, o PL 4.731/04,
pode ser deixado de lado por um bom motivo. O projeto junta a fase de
execução com a de conhecimento, exatamente como fez a Lei
11.232/05, no Código de Processo Civil.
O que se discute na Câmara, onde
está o projeto atualmente, é se o dispositivo válido
para a área cível pode ser aplicado na esfera trabalhista.
O Judiciário ainda não se pronunciou sobre isso. Mas, para
alguns, o projeto se tornou desnecessário quando a lei civil foi
aprovada.
O projeto mais polêmico de todo
o pacote trabalhista e que, se aprovado, provocará um impacto
brutal na Justiça do Trabalho é o de número 4.734/04.
Pela proposta, o empregador que perder em primeira instância só poderá recorrer
ao tribunal se depositar o valor da condenação em juízo,
até o limite de 60 salários mínimos. A proposição,
que desagrada empregadores e políticos, mas favorece o trabalhador,
está travada na Câmara dos Deputados e lá deve permanecer.
Pacote completo
A expectativa do ministro da Justiça,
Márcio Thomas Bastos, era a de que a comunidade jurídica
terminasse o ano de 2006 comemorando a aprovação de todos
os 28 projetos. Mais realista, o secretário da Reforma do Judiciário,
Pierpaolo Botini, espera que outros oito projetos virem lei até o
final de 2007. “Os dez que ficam faltando — sobre processo
civil e trabalhista — são mais polêmicos e, por isso,
a tramitação deve ser mais lenta.”
Confira os processos que já viraram lei:
— Lei 11.187/05 — determina
que os agravos só serão julgados no momento da apelação,
salvo em casos de possível lesão irreparável;
— Lei 11.232/05 — unifica
a fase de conhecimento com a fase de execução;
— Lei 11.276/06 — cria
a Súmula Impeditiva de Recursos, que permite que o juiz rejeite
apelação se a sentença estiver de acordo com matéria
sumulada pelo STF ou pelo STJ;
— Lei 11.277/06 — permite
que o juiz extinga a ação sem ouvir as partes em matérias
repetidas julgadas improcedentes;
— Lei 11.280/06 — cria
a intimação eletrônica, desde com certificação
digital;
— Lei 11.382/06 — muda
as regras da execução de títulos extrajudiciais
e regulamenta a penhora online;
— Lei 11.417/06 — regulamenta
a Súmula Vinculante;
— Lei 11.418/06 — regulamenta
a Repercussão Geral de Recurso Extraordinário, que permite
ao Supremo não julgar matérias que só interessem
paras as partes envolvidas;
— Lei 11.419/06 — regulamenta
a informatização do processo judicial;
— Lei 11.441/07 — permite
que divórcios, separações, partilhas e inventários
consensuais sejam feitos nos cartórios, sem a participação
de um juiz.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/02/2007
Atestado odontológico é válido
para justificar ausência em audiência
Uma dor de dente, atestada por um dentista
devidamente credenciado para tal, é motivo suficiente para justificar
a ausência do autor da ação na audiência de
instrução na Vara do Trabalho? Segundo o entendimento manifestado
pelo ministro Carlos Alberto Reis de Paula, relator, e acompanhado pela
totalidade dos ministros integrantes da Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho , sim.
A celeuma foi levada a julgamento na Turma,
em ação envolvendo o Banco Santander Brasil S/A. O empregado
foi admitido pelo antigo Banco Noroeste em maio de 1989. Em outubro de
2002, foi demitido, sem justa causa, quando exercia a função
de gerente de atendimento, com salário de R$ 2.206,80. Nessa época,
o Banco Noroeste já havia mudado de razão social para Banco
Santander Brasil S/A.
A ação trabalhista foi proposta
pelo ex-empregado com a intenção de pleitear horas extras
e indenização por transporte irregular de dinheiro. O valor
da causa era de R$ 15 mil. Marcada a audiência de instrução,
o empregado não compareceu. Seu advogado apresentou um atestado
emitido por um dentista informando o atendimento do empregado no consultório
dentário, no mesmo dia e hora da audiência, por causa de
uma “pulpite” (inflamação da polpa dentária).
O juiz da 4a Vara do Trabalho de Brasília
(DF) não aceitou o atestado. Justificou que o Código Internacional
da Doença (CID) constante do documento não era suficiente
para se afirmar que o empregado estava impossibilitado de comparecer à audiência. “O
próprio atestado não anuncia que o reclamante necessitasse
de repouso”, sentenciou. O autor da ação, em razão
do não comparecimento na audiência, foi considerado confesso
quanto à matéria de fato.
Não satisfeito com a sentença,
o empregado recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
(DF/TO). O acórdão do TRT foi desfavorável ao empregado. “A
apresentação de atestado médico que não indica
a impossibilidade de locomoção do autor no dia designado
para a audiência de instrução, fato, inclusive, reconhecido
no próprio recurso, não elide a confissão aplicada
pelo juízo a quo”, justificou o relator.
Inconformado, o autor da ação
recorreu ao TST. O tema mereceu defesa por sustentação
oral do advogado da empresa. Segundo a defesa, “dentista não é médico
e dor de dente não é motivo para faltar à audiência”.
Os ministros da terceira Turma não concordaram com a tese do patrono
da empresa.
Segundo o voto do ministro Carlos Alberto, “o
atestado médico apresentado contém todos os elementos elucidativos,
ou seja, dia e hora do atendimento, comprovação de que
o beneficiário do atestado era o próprio autor, bem como
a certeza de que foi expedido no dia da audiência de instrução,
revelando-se plenamente hábil a comprovar a real extensão
do infortúnio que impediu o comparecimento do reclamante à audiência”.
Afastada a pena de confissão pelo
TST, foi determinado o retorno dos autos à Vara de Trabalho de
origem a fim de que seja reaberta a instrução processual.
(RR-608/2003-014-10-40.8)

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