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Nova Central, 21 de fevereiro
de 2007
Sindicalistas no poder e entidades
sindicais a reboque dos partidos
“Saiba, companheiro Evo, que toda vez que me encontro contigo, eu não
esqueço que somos chefes de Estado de países soberanos, que precisamos
agir como chefes de Estado, cada um em defesa do seu país. Mas antes de
ser presidente da República, você na Bolívia e eu aqui no
Brasil, nós éramos companheiros do movimento sindical e não
podemos permitir que essa nossa primeira relação seja diminuída
porque hoje somos presidentes”. A declaração, feita aos presidente
da Bolívia, Evo Morales, na última quinta-feira pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, durante a solenidade de assinatura do acordo
para compra do gás boliviano pela Petrobras, revela o poder real que os
sindicatos exercem hoje na América Latina, e particularmente no Brasil.
A exemplo de Lula, que começou
sua carreira política como dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Bernardo, no ABC paulista, há sindicalistas à frente
de ministérios, em cargos importantes nas principais estatais,
fundos de pensão de empresas e bancos públicos, dirigindo
o Sebrae e o Sesi. Mas é no Legislativo que o poder dos sindicatos
mostra-se mais forte. Nas últimas eleições, 60 parlamentares
(55 deputados e cinco senadores) chegaram ao Congresso e ocupam postos-chave
nas comissões permanentes. O presidente da Câmara, deputado
Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi dirigente estadual da CUT paulista (veja
quadro). Chinaglia é uma prova de que sindicatos, federações,
confederações e centrais sindicais são uma espécie
de trampolim para a carreira política dos seus dirigentes.
Os 55 deputados de origem sindical espalhados
por sete partidos formam a quinta bancada na Câmara, atrás
apenas de siglas tradicionais — o PMDB (91 deputados), o PT (82
parlamentares), o PSDB (63 tucanos) e o PFL (62 congressistas). O grupo
de sindicalistas é maior que as bancadas dos dois partidos de
origem trabalhistas juntos: o PDT — cujo ícone é o
ex-governador Leonel Brizola, afilhado do ex-presidente Getúlio
Vargas, fundador do PTB. Composição Do total da bancada
de “peões”, 39 foram reeleitos e 16 são novatos.
Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap) revela que a composição do grupo sindical é majoritariamente
petista. Dos 60 congressistas, 45 são filiados ao PT. Os outros
partidos com esse tipo de representação na bancada sindicalista
são o PCdoB (7), PDT (3), PPS (1), PMDB (1), PV (1) e PSol (2).
Na eleição de 1998, foram
eleitos 44 sindicalistas ou candidatos ligados ao movimento sindical.
A bancada de sindicalistas sofreu uma pequena redução no
Congresso em comparação com as eleições de
2002, quando 74 deles foram eleitos na onda Lula. Mas ganhou força
ao ocupar, nesta legislatura, postos-chave em todo o Congresso, além
de fortalecer o grupo no Senado. A queda foi o reflexo da aprovação
da reforma na Previdência que provocou desgastes entre os trabalhadores
da chamada “base”. Para compensar a redução
de parlamentares, o poder sindical se espalhou pelo Executivo, em autarquias,
fundações e no segundo e terceiro escalões dos ministérios.
O ex-presidente da CUT Jair Meneguelli
desistiu de continuar no Congresso e garantiu a presidência do
Serviço Social da Indústria (Sesi), tradicionalmente ocupada
por empresários. Outro exemplo do poder dos sindicalistas no Brasil é o
do ex-deputado Luiz Antônio Medeiros (PR-SP). Fundador da Força
Sindical, não conseguiu se reeleger em outubro, mas está cotado
para a Secretaria de Relações do Trabalho, uma das mais
importantes no ministério dirigido por pelo sindicalista Luiz
Marinho, ex-presidente da CUT. Partidão Medeiros é um exemplo
da antiga “correia de transmissão”, expressão
que definia os sindicalistas obedientes às orientações
do antigo Partido Comunista Brasileiro (PCB). Filiado ao Partidão,
ele chegou a fazer curso na antiga União Soviética e depois
presidiu o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
Ele foi um dos ideólogos do chamado “sindicalismo
de resultados”, em oposição a uma atuação
mais ideológica da CUT com hegemonia petista. O exemplo mais recente
do poder dos sindicatos é o do deputado Paulo Pereira da Silva
(PDT-SP). Presidente e fundador da Força Sindical, ele usou até a
marca da central como sobrenome eleitoral e, mesmo com todas as atribuições
da Câmara, permanece à frente da entidade.
Paulinho, como é conhecido,
exigiu ser o líder do bloco parlamentar formado pelo PDT, PSDB
e PCdoB, como compensação por ter desistido de ser o
líder da bancada do seu partido, o PDT, ocupada pelo deputado
Miro Teixeira (RJ). “Não fui líder da bancada porque
não quis”, comentou Paulinho. A Força Sindical
tem maior estrutura, mais filiados, orçamento mais gordo e um
número muito maior de escritórios espalhados pelo país
que o seu partido, o PDT, não tem. Paulinho da Força,
antigo assessor de Medeiros, já foi PCdoB, PT e agora é um
dos pilares de sustentação do PDT. É o vigor sindical.
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Nova Central, 20 de fevereiro
de 2007
FGTS é o pior investimento do
país em rendimento
Fernando Dantas
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) rendeu quase 20 vezes menos que as aplicações mais
seguras do mercado financeiro desde o Plano Real e foi, disparado, o
pior investimento no período. A diferença é a que
existe entre o rendimento do FGTS e o da Selic, a taxa básica
que remunera os títulos públicos federais.
Em outras palavras, se o governo desse à poupança
dos trabalhadores a mesma remuneração que reserva para
os investidores do mercado financeiro, os ganhos acima da inflação
nas contas do fundo seriam multiplicados precisamente por 19,01 desde
julho de 1994.
Do lançamento do Plano Real, em
1994, a janeiro de 2006, o rendimento do FGTS acima do IPCA, índice
oficial de inflação, foi de apenas 22,2%, comparado com
442,2% da Selic e 78,8% da poupança.
Nos anos mais recentes, a rentabilidade
do FGTS piorou e entrou em território negativo. Desde o ano 2000,
o rendimento real médio é de menos 1,5%, acumulando uma
perda de capital de 11% em sete anos. As contas do FGTS rendem TR mais
3% ao ano, comparado com TR mais 6% para as cadernetas de poupança.
Instrumento de poupança compulsória
criado em 1966, o FGTS é alvo de muitas críticas. 'É uma
poupança forçada, com taxas de juros muito mais baixas
que as do mercado, e ainda gera uma enorme rotatividade da força
de trabalho', ataca o economista José Márcio Camargo, da
PUC-Rio e da Consultoria Tendências.
Segundo cálculos do economista
Renato Fragelli, diretor da Escola de Pós-Graduação
em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas
(FGV) no Rio, se o FGTS tivesse um rendimento nada excepcional de 6%
acima da inflação oficial, ele poderia bancar uma aposentadoria
próxima do valor integral do último salário.
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Valor Econômico, 19
de fevereiro de 2007
Trabalhador brasileiro vive o pior
de dois mundos
Em entrevista para o jornal Valor Econômico, a pesquisadora Márcia
Hespanhol Bernardo, da Universidade de São Paulo, afirma que os operários
de hoje tiveram melhoras visíveis apenas em relação à prevenção
de acidentes e limpeza, ao passo que também se responsabilizam em pensar
melhorias e soluções do processo produtivo. Leia abaixo a íntegra
da entrevista
A situação no ambiente de trabalho
melhorou?
Márcia Hespanhol Bernardo: Definitivamente,
não. A idéia de fazer uma pesquisa sobre o tema surgiu
de constatações no meu cotidiano em um centro de referência
em saúde do trabalhador. Identifiquei um contraste entre o
que via nas empresas e ouvia dos trabalhadores e o que observava
em publicações direcionadas para o setor empresarial
e na mídia. O que melhorou nas grandes empresas foram as questões
relacionadas a riscos de acidentes de trabalho, à limpeza.
Mas, no que diz respeito à organização do processo
de produção, tudo continua igual ou pior.
E os modelos que dizem superar problemas do "taylorismo-fordismo",
como falta de participação e de autonomia?
Agora, além de utilizar sua habilidade, destreza e força física
em linhas de montagem muito similares àquelas idealizadas por Ford,
o trabalhador também tem de se preocupar com melhorias do processo de
produção e dos produtos, que, antes, eram atividades exclusivas
de setores técnicos. Como disseram alguns dos meus entrevistados, "tem
que estar ali produzindo e, ao mesmo tempo, pensando no que pode melhorar no
setor". Quer dizer, se antes o trabalhador em uma linha de montagem podia
fazer sua atividade automaticamente e pensar em coisas de seu interesse, agora,
deve ter sua mente também ocupada com o trabalho.
Não há melhores práticas nas empresas para introduzir
os modelos que rompem com o taylorismo-fordismo?
Márcia: Prefiro falar de como deveriam ser
essas práticas. Elas seriam adequadas se não se pautassem
pela exploração máxima dos trabalhadores, quando
estes não seriam vistos apenas como mais um "recurso" necessário à produção,
mas como seres humanos, quando a participação e a autonomia
pudessem se estender também a questões de interesse
dos trabalhadores etc. Mas, para que isso aconteça, o "deus" mercado
não poderia ser tão poderoso...
No esforço por legitimar a
idéia de um trabalhador que teria maior oportunidade de se
expressar nesses novos modelos de organização do trabalho,
o termo competência estaria ganhando novo significado no discurso
empresarial?
Pode-se dizer que a "competência" é incorporada no discurso
empresarial com a justificativa de deixar de se ater apenas à "qualificação" anterior
do trabalhador e poder oferecer a possibilidade de este usar suas potencialidades.
No entanto, na prática, ela possibilita a introdução de
critérios ideológicos nos processos seletivos e de avaliação.
As características individuais do trabalhador, principalmente as relacionadas
ao tipo de socialização prévia e à personalidade,
passam ao primeiro plano, sendo valorizados aqueles menos críticos,
que poderiam se engajar mais facilmente ao que se costuma chamar "família-empresa".
Um trabalhador que já foi ativista sindical, por exemplo, dificilmente
passará nesse tipo de seleção, ainda que apresente boas
qualificações. Valor Econômico.
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Folha de São Paulo,
17 de fevereiro de 2007
SÉRGIO VALE
O crescimento do PIB em 2007
A massa real de renda vai crescer menos do
que no ano passado; o crédito tem desacelerado na ponta
O ANO de 2007 começou com um cenário
benigno para algumas variáveis econômicas. A inflação
deve voltar a ficar abaixo de 4%, a Selic deve ficar ao redor de 11,5%
no final do ano, o setor externo continua com saldo comercial vultoso,
apesar de um pouco mais fraco que no ano passado, e o cenário
fiscal continua deteriorando, como esperado. A questão de fundo
e relevante para o cenário, entretanto, é prever o comportamento
do PIB ao longo do ano e sua tendência para os próximos.
Afora a questão consensual em torno
da necessidade das reformas constitucionais para um crescimento mais
sustentado do PIB, a discussão pontual tem sido em relação
aos determinantes da expansão em 2007. Nesse sentido, o maior
impulsionador do PIB deve ser a construção civil. As medidas
de desoneração de impostos que o governo implementou, com
uma taxa de juros mais baixa e inovações financeiras, como
a securitização de recebíveis, têm estimulado
o segmento de forma importante. Isso tem atraído investidores
estrangeiros, o que deve dar ainda mais dinamismo para a área.
Há, porém, impedimentos
para que o setor se acelere mais rapidamente em 2007. Em primeiro lugar,
a utilização da capacidade instalada de materiais de construção,
medida pela FGV, passou dos 87% no último trimestre do ano passado.
Junta-se a isso a desaceleração gradual da produção
de bens de capital para a construção civil e tem-se um
cenário de crescimento que não deve ser muito diferente
do que foi ano passado, ou seja, em torno de 5%.
Já a absorção de
bens de capital tem prognósticos positivos, tendo fechado 2006
em torno de 12% e devendo chegar a 9% de expansão em 2007 sem
grandes dificuldades. A soma do consumo aparente de bens de capital com
construção civil dá em investimentos, o que significa
um crescimento da formação bruta de capital fixo a taxas
até mais elevadas do que 2006.
Somando à formação
bruta há a outra ponta da absorção doméstica,
que é o consumo das famílias (sem considerações
aqui em relação ao consumo do governo). Sua expansão
deve ser muito semelhante ao que foi no ano passado, em torno de 3,8%.
Há condições para mais do que isso? Difícil.
A massa real de renda vai crescer menos do que no ano passado. O salário
mínimo tem se tornado cada vez mais importante como parâmetro
de evolução da renda e seu aumento a taxas menores que
nos últimos dois anos implica renda geral crescendo em ritmo menor.
Apesar de continuar crescendo a taxas
importantes, o crédito tem desacelerado na ponta e há aqui
tanto um efeito de crescimento de renda que não acompanha o apetite
por crédito quanto uma taxa de juros para o consumidor que tem
sido relativamente insensível à queda da Selic. Além
disso, a evolução do crédito habitacional pode implicar
efeito deslocamento de consumo, principalmente para a classe média,
já que a média das prestações de imóveis
tende a ser acima do aluguel ainda.
Parte desse consumo deve ser atendida
por importações. Mas será que todo aumento de importação
gera aumento de consumo? Apenas se a oferta doméstica for esquecida.
No caso brasileiro, hoje, parte do consumo é atendida pelas importações,
mas em detrimento da oferta doméstica. Exemplo clássico
de bens essencialmente de consumo em que se observa esse comportamento é o
de vestuário e calçados, com quedas acumuladas de produção
nos dois últimos anos que já batem os 10% e 6%, respectivamente,
enquanto a expansão das vendas no varejo desses mesmos bens acumulou
crescimento em torno de 8%, também nos últimos dois anos.
Por conta desses eventos setoriais esquecidos,
criou-se uma celeuma desnecessária em torno das tautologias das
contas nacionais que não ajuda na discussão. Mas o fato é que,
com ou sem vazamento externo (como os economistas chamam a diferença
entre as taxas de crescimento das exportações e importações
no PIB), a economia continuaria crescendo em torno de 3% a 3,5%.
Poderá o PAC ajudar a mudar
essa rota? Dificilmente em 2007 deverá se ver algum efeito concreto.
As discussões no Congresso vão longe, e os investimentos
em infra-estrutura em discussão não saem assim tão
facilmente do papel. Se tudo correr bem, como o governo deseja, apenas
em 2008 poderia se ver algum efeito mais palpável, apesar de
modesto. Por tudo isso, quando 2007 chegar ao fim, a discussão
sobre atividade não deverá ser muito diferente da de
agora. SÉRGIO VALE, economista, é sócio da MB
Associados.
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Folha
de São Paulo, 18 de fevereiro de 2007
Caixa fará seguro para garantir
fundo com recurso do FGTS
Para não contrariar normas vigentes, custo
com proteção não será repassado ao FGTS,
e sim assumido pelo banco
Seguro, porém, não valerá para trabalhador que quiser aplicar
no fundo de infra-estrutura os recursos que possui na conta individual
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal deverá arcar
com o custo de contratação do seguro que garantirá um
retorno mínimo nas aplicações feitas pelo novo
fundo de investimento em infra-estrutura criado pelo governo com dinheiro
do FGTS. Essa despesa, no entanto, não poderá ser repassada
para o FGTS. Essa foi a saída apresentada pelos técnicos
da área econômica aos ministros Guido Mantega (Fazenda)
e Luiz Marinho (Trabalho) para atender à determinação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Essa garantia, porém, não
deverá ser estendida aos trabalhadores que quiserem aplicar
parte do saldo que têm na conta pessoal junto ao FGTS nesse novo
fundo. A idéia é garantir apenas que os R$ 5 bilhões
que sairão do patrimônio líquido do FGTS para financiar
obras de infra-estrutura não virem pó caso elas fracassem.
Os trabalhadores, quando forem autorizados a investir no fundo, terão
que assumir o risco de perdas.
Depois da pressão das lideranças
sindicais, Lula pediu que o ministro Mantega encontrasse uma saída
para o impasse, que pode inviabilizar a aprovação do
novo fundo no Congresso. O fundo de investimento em infra-estrutura é uma
das medidas que constam do PAC (Programa de Aceleração
de Crescimento).
Proibição
Os técnicos passaram os últimos
dias debruçados nas normas atualmente em vigor em busca de uma
saída que atenda a essa exigência. Segundo informaram à Folha
membros da equipe econômica, as regras da CVM (Comissão
de Valores Mobiliários) e do BC (Banco Central) em vigor vedam
que o gestor de um fundo de investimento banque o risco de perdas,
ressarcindo os cotistas no caso de prejuízos. Também
proíbem o administrador de usar os recursos do próprio
fundo de investimento para pagar "seguro contra perdas financeiras".
Assim, como gestora do novo fundo de
infra-estrutura, a Caixa Econômica não poderá se
responsabilizar por possíveis perdas. Segundo técnicos
do governo, essa é uma norma prudencial para resguardar a saúde
das instituições financeiras e foi criada após
a desvalorização do real, em janeiro de 1999, no auge
da crise dos bancos Marka e FonteCindam. Na época, alguns fundos
-administrados por esses bancos que tiveram problema de caixa- tinham
a garantia de ressarcimento.
Já a instrução
411 da CVM veda vários pontos defendidos pelo governo. Entre
eles: "Prometer rendimento predeterminado aos cotistas" e "utilizar
recursos do fundo para pagamento de seguro contra perdas financeiras
de cotistas". O normativo também estabelece os serviços
que serão remunerados pela taxa de administração,
cobrada pela instituição que aplica os recursos em nome
do cliente. E não inclui seguro.
Seguro
A saída, explicam, é seguir
o modelo já existente no mercado. Assim, a Caixa compraria um
seguro de uma empresa do ramo. Como não poderá repassar
para o valor da taxa de administração, transferindo o
custo para o FGTS, ela terá que reduzir a sua remuneração. É o
que faz, por exemplo, o banco Santander.
A instituição lançou
um fundo de investimento que garante ao cliente que ele poderá resgatar
depois de um determinado período o valor aplicado originalmente,
acrescido de, no mínimo, o rendimento da poupança.
Para isso foi feito um seguro e a taxa de administração
do banco encolheu. Com a estratégia, o banco aposta que a
redução será compensada por um volume maior
de operações.
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Folha
de São Paulo, 20 de fevereiro de 2007
Com eleição, diárias
da Presidência sobem 32%
Conta de 2006 superou em R$ 2,34 milhões
a de 2005; lei eleitoral autoriza gastos | Governo reconhece na LDO necessidade
de cortar em 10% os gastos com diárias; PT só vai ressarcir
despesas com viagens aéreas de Lula
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
No ano da campanha à reeleição,
os gastos da Presidência da República com diárias
de servidores civis e militares cresceram 31,6% em relação
a 2005. O percentual é bem superior ao crescimento médio
de gastos com diárias nos demais ministérios, que, no
mesmo período, foi de 8,1%. As diárias englobam despesas
com alimentação, hospedagem e transporte. A conta da
Presidência no ano eleitoral teve um acréscimo de R$ 2,34
milhões entre 2005 e 2006 -levantamento considera as diárias
gastas em todos os seis órgãos a ela vinculados, como
a AGU (Advocacia Geral da União).
No ano da eleição, a Presidência
gastou R$ 9,77 milhões com diárias. Em 2005, o valor
total foi de R$ 7,43 milhões. As diárias pagas por conta
de atividades de cunho eleitoral do então candidato Luiz Inácio
Lula da Silva não serão reembolsadas pelo PT, segundo
a Casa Civil, porque a Justiça Eleitoral autorizou os gastos.
A Lei Eleitoral 9.504/97 (artigo 73) autoriza que presidentes da República
e suas comitivas se desloquem em campanha eleitoral com transporte
oficial, desde que as despesas sejam ressarcidas pelo partido político,
com base na tarifa de mercado cobrada no trecho correspondente.
Conforme a legislação,
a equipe de assessores e seguranças deve acompanhar o presidente,
tendo as diárias pagas pelo poder público. O PT anunciou
que devolveria R$ 4 milhões por gastos com viagens aéreas
de Lula. Essa despesa refere-se ao ressarcimento por uso do avião
presidencial e eventuais passagens aéreas de uso exclusivo da
campanha, não incluindo as diárias. O partido se ampara
na legislação eleitoral para não ressarcir o pagamento
de diárias.
Casa Civil
De acordo com os números apresentados
pela assessoria da Casa Civil, o gasto com diárias em 2006 teve
um aumento de 19,9% em relação a 2005 (o que equivale
a R$ 800 mil). Esse percentual destoa do levantamento feito pela Folha
e dos números disponibilizados pelo próprio governo no
site do Portal da Transparência, mantido na internet pela CGU
(Controladoria Geral da União) a partir do Siafi (sistema de
acompanhamento de gastos federais). Isso ocorre porque a Casa Civil
não leva em conta todos os órgãos vinculados à Presidência.
Corte previsto
O governo reconhece que os gastos com
diárias devem ser cortados em 10% no ano de 2007, segundo previsão
da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) deste ano. Na
máquina federal como um todo, as despesas saíram de R$
421 milhões, em 2005, para R$ 456 milhões em 2006. O
aumento global só não foi maior porque os gastos com
o pessoal militar caíram 6,2% (de R$ 61,1 milhões, em
2005, para R$ 57,3 milhões). Ainda que tenha crescido mais do
que o dobro da inflação acumulada no período (3,32%,
pelo IPCA), o gasto com diárias em 2006, entre os ministérios,
apresenta ligeira tendência de queda.
Entre 2004 e 2005, o crescimento médio
havia sido de 9,37%, contra 8,1% no período 2005-2006. O Ministério
da Justiça voltou a ser o que mais gasta em diárias no
ano da disputa à Presidência (R$ 77 milhões). Foram
deflagradas 178 grandes operações de combate a diversos
tipos de crimes no país no ano eleitoral. No ano anterior, foram
65 operações do gênero. Os gastos com diárias
da Polícia Federal cresceram R$ 10 milhões em 2006.
Entre os ministérios, o
que teve o maior crescimento proporcional foi o Ministério
do Planejamento, com 44,7% (de R$ 7,4 milhões para R$ 10,8
milhões). Segundo o ministério, a elevação
deveu-se à realização de um censo agropecuário.
Nas diárias do pessoal civil, o Ministério dos Transportes
registrou o segundo maior aumento, de 41,8%, passando de R$ 4,3 milhões
para R$ 6,1 milhões. O ministério alegou ter gasto
R$ 6,7 milhões em 2006 e R$ 5 milhões em 2005, um aumento
de 32,9%.
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Folha
de São Paulo, 21 de fevereiro de 2007
Emprego cresce menos que a economia em
2007
Setores mais dinâmicos empregam menos;
e avanço tecnológico reduz vagas | Cálculo do Ipea
prevê que criação de vagas em 2007 deve ser maior
do que a de 2006 e a de 2005, mas inferior à de 2004 e 2003
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Mudanças estruturais na economia
descolaram o crescimento do PIB do emprego. Por isso, se o país
crescer 3,5% neste ano, como prevêem alguns economistas, o emprego
deve subir entre 2,5% e 3%, o que significa a abertura de 520 mil a
623 mil postos de trabalho nas seis regiões metropolitanas do
país que fazem parte da pesquisa mensal de emprego do IBGE.
Isso quer dizer que as empresas das regiões de São Paulo,
Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre podem
abrir mais vagas neste ano do que em 2006 (520 mil) e em 2005 (474
mil), mas menos do que em 2004 (646 mil) e em 2003 (851 mil).
Os cálculos são do economista
Marcelo de Ávila, pesquisador associado ao Ipea (Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada), com base na Pesquisa Mensal de
Emprego (PME) do IBGE (feita nas seis regiões), e na relação
entre o crescimento do PIB e da população ocupada nos últimos
anos. Para Ávila, mesmo com o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), anunciado no mês passado, não será possível
a ocupação crescer acima de 3,5% neste ano. Em julho
de 2004, a ocupação chegou a subir 4,5% em relação
a igual mês de 2003, mas, na época, o PIB estava crescendo
quase 6%.
"O crescimento da economia não é suficiente
para alavancar o emprego. Agora, têm algumas indicações
positivas para este ano, como a trajetória de queda da taxa
de juros e a expansão do setor da construção civil,
que devem ter algum efeito positivo sobre o mercado de trabalho." Além
da construção civil, os setores de serviços e
comércio também devem puxar o emprego neste ano, segundo
estima o pesquisador. E, ao contrário do que se viu em 2003,
quando a ocupação subiu, mas os empregos disponíveis
eram de baixa remuneração e sem registro em carteira,
os novos postos de trabalho terão melhor qualidade.
Em 2004, 2005 e 2006 cresceu o emprego
formal, tendência que deve se manter neste ano. Entre 2003 e
2006, o número de trabalhadores com carteira assinada subiu
13,3% nas seis regiões metropolitanas consideradas pela PME
e, a população ocupada, 8,6%. Desde 2004, a maioria das
vagas criadas nas seis regiões é formal.
PIB x emprego
O ritmo de crescimento do PIB em relação
ao ritmo de expansão do emprego já esteve muito mais
próximo do que está hoje, diz Fabio Silveira, sócio-diretor
da RC Consultores. "O país mudou sua base produtiva e aumentou
a informatização. E a evolução da economia
sempre se faz no sentido de poupar mão-de-obra, tanto na indústria
como no comércio." Se, nas décadas de 70 e 80, para
elevar o PIB em um ponto percentual era preciso elevar a ocupação
em um ponto percentual, "hoje, com certeza, para aumentar o PIB
em um ponto percentual, a ocupação precisa crescer bem
menos do que um ponto percentual, se é que precisa crescer.
Isso é próprio do desenvolvimento econômico. A
ampliação da capacidade produtiva é acompanhada
por redução da demanda por mão-de-obra há séculos",
afirma.
A indústria paulista, por exemplo,
prevê crescimento de 3% para a produção física
e de 0,5% a 1% para o emprego neste ano -o que significa abrir cerca
de 20 mil vagas em 2007. Em 2006, a indústria paulista abriu
cerca de 13 mil postos, aumento de 0,52% no número de emprego
em relação a 2005. "O fato é que os setores
mais dinâmicos, como os de bens de consumo duráveis, são
bem menos intensivos em mão-de-obra. A indústria de calçados,
intensiva em mão-de-obra, está demitindo. E não é só isso,
as fábricas utilizam cada vez mais insumos e componentes importados.
Do jeito que o mercado caminha, a saída
para os jovens que ingressam no mercado de trabalho vai ser cortar
cana e apanhar laranja", afirma André Rebelo, gerente do
Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Dinamismo
Os setores de açúcar e álcool,
alimentos e bebidas e refino de petróleo têm mostrado
forte dinamismo, segundo informa Carlos Cavalcanti, economista-chefe
do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo). "Mesmo
com esse fôlego, o olhar dos empresários para este semestre
não é tão otimista a ponto de sair contratando." Em
dezembro do ano passado, a utilização da capacidade instalada
da indústria paulista foi de 77,7%. "Há espaço
para crescer, num primeiro momento, sem elevar o emprego."
A criação de postos de
trabalho pode crescer neste ano, na avaliação de Cavalcanti,
devido ao aumento da formalização de empregos nas micro
e pequenas empresas por conta da desoneração de impostos
prevista na legislação para esse setor. "Não
será reflexo de PAC ou de crescimento econômico. A desoneração
tributária prevista no PAC, aliás, é pontual,
e atinge pouco o Estado de São Paulo. A indústria de
TV digital, por exemplo, está instalada em Manaus. Podemos sentir
mais no Estado o efeito do PAC na construção civil, que
pode levar ao aumento nas vendas de cimento, por exemplo."
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AGÊNCIA BRASIL, 21
de fevereiro de 2007
Número de jovens aprendizes
no mercado formal de trabalho passa de 29 mil para 44 mil
Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
Emresas brasileiras estão empregando
mais jovens aprendizes com contratos formais de trabalho. O número
de inserção de adolescentes no mercado com carteira de
trabalho assinada aumentou de 29.605, em 2005, para 44.049, em 2006,
de acordo com informações do Ministério do Trabalho
e Emprego.
A Lei do Aprendiz, sancionada em 2000,
obriga as empresas (exceto micro e pequenas) a contratar jovens na proporção
de 5% a 15% do total de trabalhadores do estabelecimento.
Os jovens devem ter entre 14 e 24 anos,
freqüentar a escola, caso não tenham terminado o ensino fundamental,
ou estar inscritos em programas desenvolvidos por instituições
de aprendizagem. Os jovens aprendizes devem ter garantidos seus direitos
trabalhistas.
O presidente do Centro de Aprendizagem
e Monitoramento Profissional, Flávio Canalli Ferreira, explicou,
no entanto, que o contrato com os jovens é mais "suave" em
termos trabalhistas.
"O Fundo de Garantia e o recolhimento
do INSS são menores, para garantir às empresas vantagens
na contratação do aprendiz", disse hoje (21) em entrevista à Rádio
Nacional. O Centro de Aprendizagem e Monitoramento Profissional capacita
jovens no estado de São Paulo.
"Com o programa, o jovem aprende
um ofício e já pode se preparar trabalhando e ganhando,
além de antecipar sua entrada no mercado de trabalho", disse.
Ferreira afirmou que seu centro de aprendizagem permitiu a inserção
de 280 jovens no mercado de trabalho.
"Nenhum desses jovens aprendizes é responsabilidade
trabalhista da empresa em que trabalha. É nossa responsabilidade,
o que é uma vantagem para as empresas que não formam nenhum
passivo trabalhista".
Segundo Ferreira, os contratos são
de um ano, prorrogáveis por mais 12 meses, mas as empresas acabam
contratando os jovens de forma permanente.
"Muitos jovens são maravilhosos,
só não tinham oportunidade. O adolescente entra na empresa,
se encaixa e, antes de terminar a renovação do contrato,
a empresa o admite em caráter definitivo", destacou.
Para ele, o aumento do número de
jovens contratados com carteira de trabalho assinada se deve, entre outros
fatores, à maior fiscalização das Delegacias Regionais
de Trabalho.
De acordo com informações
da assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho e Emprego,
o estado que mais contratou jovens aprendizes em 2006 foi Minas Gerais,
com 5.712 adolescentes. Depois, vem Espírito Santos, com 5.529,
e São Paulo, que contratou 5.106 jovens.
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AGÊNCIA BRASIL, 20
de fevereiro de 2007
Grandes partidos correm para aprovar
novas regras do Fundo Partidário
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - É raro um projeto
de lei andar tão rápido no Congresso quanto as novas regras
para a distribuição do Fundo Partidário aos partidos
políticos. Tramitação semelhante teve o projeto
que dobra a pena do adulto que recruta crianças ou adolescentes
para a formação de quadrilha, uma reação à comoção
nacional causada pela morte do menino João Hélio Fernandes.
O novo Código Civil, por exemplo, levou mais de 20 anos para ser
aprovado.
Mesmo projetos como o pacote de segurança
pública, com nove projetos aprovados em meados de 2006 no Senado
em resposta aos ataques da facção criminosa PCC, continuam
parados na Câmara, na Comissão de Constituição
e Justiça, aguardando deliberação para ir à votação
no Plenário.
Já o projeto de interesse dos grandes
partidos foi elaborado às pressas pelas lideranças das
grandes legendas como reação à decisão do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reduziu os recursos desses partidos.
O projeto foi apresentando no dia 8 de fevereiro e aprovado em regime
de urgência pela Câmara dos Deputados na última quinta-feira
(15). Foi encaminhado no mesmo dia para apreciação do Senado,
onde ainda precisa aprovado para receber, depois, a sanção
presidencial.
No Senado, a proposta deve tramitar também
em regime de urgência, mas só poderá ser aprovada
depois que os senadores votarem as quatro Medidas Provisórias
que trancam a pauta de votações. A pressa, entretanto deve
aumentar: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já distribuiu os
recursos de janeiro para os partidos, obedecendo as regras definidas
pelo tribunal. Isso significa que, sem a aprovação da nova
regra, os grandes partidos vão ter, a cada mês, menos recursos
em seus caixas, enquanto os pequenos terão mais dinheiro.
A determinação do TSE aprovada
no início de fevereiro estabelece que 42% dos recursos do fundo
serão distribuídos igualmente entre todos os partidos políticos;
29% serão destinados aos partidos na proporção da
representação parlamentar; outros 29% irão para
os partidos que tenham elegido representantes em duas eleições
consecutivas em, no mínimo, cinco estados, obtendo, ainda, 1%
dos votos válidos apurados no país.
Antes da decisão do TSE, o dinheiro
do fundo partidário era distribuído da seguinte forma:
quase 2% dividido igualmente para todos os partidos com registro no TSE
e cerca de 98% proporcional aos votos obtidos pelas legendas na última
eleição para deputado federal. Pela regra anterior, os
partidos que mais recebiam dinheiro do fundo eram PT, PMDB, PSDB, PFL
e PP.
O novo projeto, apresentado pelas lideranças
do PMDB, PT, PSDB e PFL, já aprovado pelos deputados, estabelece
que 5% devem ser distribuídos aos partidos de forma igualitária
e 95% distribuídos na proporção dos votos obtidos
na última eleição para deputado federal.
A prevalecer essa nova regra, os
grandes partidos ficarão com a maior fatia do bolo. Segundo
o TSE, os recursos do Fundo Partidário para este ano são
de R$ 126,4 milhões.
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AGÊNCIA BRASIL, 20
de fevereiro de 2007
Carnaval custa à União
quase R$ 86,7 milhões em renúncias fiscais
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A diversão dos
foliões neste carnaval representa menos dinheiro em caixa para
a União. Por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura
(8.313, de 1991), conhecida como Lei Rouanet, o governo federal vai abrir
mão, neste ano, de R$ 86,693 milhões em tributos. Esse
valor vai financiar 78 projetos carnavalescos aprovados pelo Ministério
da Cultura.
Ao todo, projetos de 14 estados foram
contemplados com a isenção de impostos. O mais beneficiado
foi o do Rio de Janeiro, que conseguiu R$ 37,429 milhões, o equivalente
a 43% dos recursos. Em segundo lugar ficou São Paulo, com R$ 23,3
milhões, seguido por Pernambuco, com R$ 9,5 milhões, e
Bahia, com R$ 6,13 milhões.
Os dados estão na página
do Ministério da Cultura na internet (www.cultura.gov.br). Individualmente,
o projeto que contará com maior volume de recursos é o
Carnaval Multicultural do Recife, que poderá captar R$ 5,8 milhões
sem pagar impostos.
A maior fatia do dinheiro, no entanto,
ficará com 13 escolas de samba do Rio de Janeiro. Juntas, elas
foram autorizadas a arrecadar R$ 33,324 milhões isentos de tributos.
A escola que mais conseguiu recursos foi a Mocidade Independente de Padre
Miguel. Com três projetos aprovados, a agremiação
ficou com R$ 7,5 milhões. Em seguida, vem a Viradouro, de Niterói,
com R$ 4,2 milhões, e a Império Serrano, com R$ 3,2 milhões.
Para as demais escolas, os valores são
os seguintes: Acadêmicos do Grande Rio, de Duque de Caxias (R$
3,1 milhões); Vila Isabel (2,3 milhões); Portela (R$ 2,2
milhões); Unidos do Porto da Pedra (R$ 1,9 milhão); Mangueira
(R$ 1,6 milhão); Imperatriz Leopoldinense (R$ 1,7 milhão);
Caprichosos de Pilares (R$ 1,6 milhão); Unidos da Tijuca (R$ 1,4
milhão); União da Ilha (R$ 1 milhão) e Tradição
(R$ 841 mil).
Três escolas tiveram aprovados projetos
referentes ao carnaval do ano passado: no caso da Mocidade, duas das
três propostas aceitas pelo Ministério da Cultura, no total
de R$ 4,351 milhões, diziam respeito ao carnaval de 2006; os projetos
da Portela e da Imperatriz Leopoldinense também eram do carnaval
anterior.
Nesses casos, as escolas receberam autorização
para arrecadar recursos que vão cobrir as despesas dos desfiles
de 2006. O Ministério da Cultura esclarece, na página da
internet, que não haverá transferência direta de
recursos públicos para os projetos carnavalescos. Isso porque
os projetos aprovados fazem parte de um mecanismo conhecido como mecenato,
no qual o ministério permite aos autores das propostas obter apoio
de pessoas físicas e empresas, que poderão deduzir as doações
do Imposto de Renda (IR).
Segundo a Lei Rouanet, as empresas que
declaram Imposto de Renda com base no lucro real podem contribuir com
projetos culturais e abater até 40% desse valor do Imposto de
Renda. O valor a ser deduzido, porém, não pode ultrapassar
4% do IR pago por essas instituições em um ano.
As pessoas físicas que quiserem
contribuir com projetos culturais podem deduzir até 80% do investimento
no IR, mas o total abatido não pode ficar acima de 6% do IR
anual da pessoa.
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CORREIO DE UBERLÂNDIA,
21 de fevereiro de 2007
Discriminação
Cresce atendimento de DRTs a trabalhadores
que se sentem discriminados
Do TEM
Mais de 2.850 pessoas que se sentiram
discriminadas no local de trabalho foram atendidas pelos Núcleos
de Promoção de Igualdade de Oportunidades e Combate à Discriminação
no Trabalho das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) no ano passado.
O número confirma um aumento progressivo de atendimentos, ano
a ano: em 2003, foram 848 atendimentos; em 2004, passaram a1.547; e em
2005, chegaram a 2.486.
Os núcleos atendem denúncias
de assédio moral, assédio sexual, discriminação
por obesidade, por gênero, por Aids/HIV, deficiências, entre
outros. As equipes atuam, sobretudo, na prevenção das situações
de discriminação e na conscientização dos
trabalhadores sobre os direitos e as formas de denúncias.
O trabalho é feito em oficinas
nas empresas, palestras em escolas, eventos abertos ao público,
além de parcerias com entidades que trabalham com pessoas vulneráveis à discriminação.
As DRTs agem estrategicamente de acordo com as demandas que chegam até os
núcleos. O núcleo de combate à discriminação
no Mato Grosso do Sul, por exemplo, atua principalmente na inserção
do negro no trabalho. Toda primeira quarta-feira do mês é organizado
um encontro da DRT com os empresários do estado.
O objetivo é sensibilizar os empregadores
para contratação de negros, visando à promoção
da igualdade de oportunidade. "Nós estamos conseguindo trazer
cada vez mais, para esse debate, as empresas, que já perceberam
a importância do tema", afirma Noêmia de Sales Souza,
coordenadora do núcleo no Mato Grosso do Sul. Os encontros reúnem
mais de 30 empresários a cada mês.
Como resultado desse trabalho, 800
negros - entre jovens, pelo programa da Aprendizagem, e adultos - já foram
inseridos no mercado nos últimos dois anos. A DRT apresentou
palestras em associações de bairro, escolas, nas comunidades
e em entidades que trabalham com minorias, como o Conselho do Movimento
Negro, as Associações de Pais e Amigos de Excepcionais
(Apaes) e as lideranças indígenas.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de fevereiro de 2007 | Economia
Sindicalistas pressionam por rendimento
maior do FGTS
O Fundo de garantia por Tempo de Serviço
tem, atualmente, o pior rendimento de todo o mercado financeiro.
Autorização para investir em ações está em
estudo
Lu Aiko Otta
BRASÍLIA - Governo e sindicalistas
já estão discutindo formas de aumentar a rentabilidade
do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo reportagem
publicada neste domingo, 18, no Estado, o FGTS é a pior aplicação
do País, tendo rendido apenas 5% do que renderam os demais investimentos
do mercado financeiro, de 1994 para cá.
CUT e Força Sindical defendem que,
para melhorar o ganho do trabalhador com o FGTS, o governo deveria autorizar
que cada um aplicasse até 5% de seu saldo individual em ações
de sua escolha, repetindo e ampliando a bem-sucedida experiência
de aplicar em ações da Petrobrás e da Vale do Rio
Doce. As centrais adotariam uma espécie de selo para identificar
empresas onde a aplicação seria recomendável, segundo
critérios de transparência, boa administração
e cumprimento da legislação trabalhista.
Nesse caso, porém, o trabalhador
assumiria o risco da aplicação, podendo perder parte de
sua poupança.
O governo não é contra essa
proposta, mas ela fará parte de uma negociação mais
ampla, envolvendo a Medida Provisória 349. Essa MP, que integra
o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), autoriza
a criação do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS), utilizando
de R$ 5 bilhões a R$ 17 bilhões do superávit financeiro
do fundo (a parcela do patrimônio que excede as obrigações).
A autorização para o trabalhador investir em ações
poderá ser incluída no texto da MP, que se encontra em
análise na Câmara dos Deputados.
Por enquanto, porém, as discussões
da MP 349 estão concentradas em outro ponto. As centrais insistiram
e arrancaram do governo uma garantia que os R$ 5 bilhões terão
assegurado um rendimento mínimo equivalente à variação
da TR mais 3%. A área econômica resistia a assegurar um
rendimento mínimo, pois isso contraria os regulamentos da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM).
No entanto, por determinação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Caixa Econômica
Federal já estuda uma forma de seguro para garantir o ganho
mínimo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de fevereiro de 2007
Lula pode promover trocas em até 17
pastas
Presidente terá de abrigar 9 partidos
da coalizão
Brasília – Um dos motivos
do atraso da reforma ministerial é a avaliação
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que precisará mexer
em mais peças do que desejava. Motivo: acomodar no primeiro
escalão nove dos 11 partidos que o apóiam a fim de
compor base parlamentar sólida para aprovar projetos, evitar
crises e CPIs no Congresso.
O Conselho Político do “governo
de coalizão’’ é composto por 11 partidos: PT,
PMDB, PSB, PR, PP, PTB, PDT, PV, PC do B, PRB (partido do vice, José Alencar)
e PSC. Os dois últimos não deverão ter ministros.
No cenário mais radical examinado no Palácio do Planalto, Lula
poderia trocar 17 dos 34 ministros entre substituições e remanejamentos.
O presidente se esforça para fazer menos alterações, o
que reduz sua margem de manobra para acomodar os aliados e ter a ex-prefeita
de São Paulo Marta Suplicy na equipe.
Os 17 postos de primeiro escalão
(dois deles ocupados por secretários com status de ministro) que
podem ser afetados pela reforma são: Relações Institucionais,
Gabinete de Segurança Institucional, Advocacia-Geral da União,
Justiça, Agricultura, Cidades, Defesa, Desenvolvimento, Desenvolvimento
Agrário, Educação, Integração Nacional,
Previdência, Saúde, Transportes, Turismo e as secretarias
de Direitos Humanos e da Pesca.
No Planalto, dá-se com certo que
Tarso Genro (Relações Institucionais) assumirá a
Justiça. A troca pode ocorrer ainda nesta semana – anúncio
amanhã e transmissão de posse na sexta.
Lula não decidiu onde alojará Marta.
Estuda a possibilidade de deslocar Márcio Fortes das Cidades
para a Agricultura, ministério no qual ele já trabalhou
como número dois. A ex-prefeita, então, assumiria Cidades.
Por ora, diminuiu a chance de ela substituir Fernando Haddad (Educação).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de fevereiro de 2007 | Economia
Economia Chinesa deve crescer 9%
neste ano
por EFE/O GLOBO ONLINE
A economia chinesa crescerá 9%
neste ano, avanço mais lento que o dos últimos quatro
anos e que culminou com 10,6%, em 2006. Segundo o chefe do Centro
de Pesquisa do Desenvolvimento do Conselho de Estado, Liu Shijin,
ressaltou que, devido ao setor imobiliário e automobilístico,
a economia do país continuará crescendo a um ritmo
anual de 7% e 8% nos próximos dez anos.
Nos últimos quatro anos, o Produto
Interno Bruto chinês cresceu acima de 10%.
- Um crescimento alto costuma acabar em
um ciclo de cinco anos - disse Liu, que lembrou que no início
do século XX os EUA mantiveram um alto crescimento econômico
devido ao desenvolvimento de suas indústrias automobilísticas,
de construção e de aço.
- A China enfrenta agora uma situação
semelhante - disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de fevereiro de 2007 | Economia
Aposentadoria feminina cresceu 168%
em 11 anos
Segundo o INSS, eram 309 mil recebendo
aposentadoria contra 825 mil em 2005 em todo o país
por DIÁRIO DE SP/O GLOBO ONLINE
O número de mulheres aposentadas por tempo de serviço
cresceu 168% em 11 anos. Em 1994, eram 309 mil recebendo aposentadoria do INSS
contra 829 mil em 2005 em todo o país.
- A aposentadoria da mulher é um
fenômeno moderno. Há 40 anos, o número era muito
baixo, porque poucas mulheres trabalhavam - afirma o economista e pesquisador
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fabio Giambiagi,
que levantou os dados sobre as aposentadas.
Segundo ele, a tendência é que
nos próximos anos, o volume de benefícios concedidos às
mulheres cresça ainda mais.
- Por isso, esse problema precisa ser
atacado. As mulheres se aposentam mais cedo que os homens e vivem mais.
Os custos só tendem a crescer - explica.
Para o economista, é possível
resolver essa distorção no longo prazo. Segundo ele, a
mudança pode ser gradual.
Giambiagi defende que a dupla jornada
de trabalho da mulher seja respeitada.
- Todos sabem que a mulher é responsável
por cuidar da casa. Então, a legislação pode manter
a diferença dos tempos de contribuição entre homens
e mulheres - disse.
Ele acresita que a diferença caia,
até 2020, para dois anos. A proposta será apresentada no
Fórum da Previdência.
- As mulheres só poderiam
se aposentar com 33 anos de contribuição e os homens
com 35 - avalia.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
21 de fevereiro de 2007
Benefício a autônomo provocará rombo
Redação O Estado
do Paraná
Foto: Chuniti Kawamura

Renato Follador: o programa já nasce deficitário.
Instituída por decreto, a redução de 20% para 11% da alíquota
de contribuição previdenciária dos trabalhadores autônomos
vai criar um novo e bilionário esqueleto no INSS no futuro, que o consultor
da previdência Renato Follador calculou em R$ 236 bilhões. A sangria
começa a aparecer nas contas do INSS a partir de 2022, quando esses
autônomos completarem 15 anos de contribuição e a idade
mínima (60 anos a mulher e 65 anos o homem) de acesso à aposentadoria.
Porém, se haverá perdas a serem absorvidas nos próximos
governos, nos quatro anos da gestão de Lula haverá ganhos financeiros
expressivos. Isso porque o governo calcula que a redução da alíquota
vai trazer para a Previdência, pelo menos, 3,5 milhões de novos
contribuintes nos próximos dois ou três anos, gerando receita
adicional anual de aproximadamente R$ 1,65 bilhão para os cofres do
INSS.
“ O governo foi esperto, ganha no curto prazo e pendura uma conta milionária
para os sucessores pagarem. Pensou mais em quanto vai embolsar de imediato”,
analisa Renato Follador. “Este programa já nasce deficitário
e vai ampliar ainda mais o rombo da Previdência.”
Além de regulamentar o que já estava previsto no SuperSimples
(regime tributário para pequenas e microempresas), o objetivo do decreto
foi também promover a inclusão de trabalhadores informais, donas
de casa e estudantes no sistema previdenciário. Porém, avalia
Follador, ele tem um viés estimulador da informalidade no trabalho,
na medida em que empregador e empregado podem entrar num acordo: o empregador
paga 11% da alíquota em nome do trabalhador e este incorpora R$ 41,80
ao seu salário, com o que ele antes pagava o INSS. “O tiro pode
sair pela culatra e o trabalho informal pode crescer”, diz o consultor.
O valor do novo esqueleto, dimensionado em R$ 236 bilhões, leva em conta
que efetivamente serão incorporados 3,5 milhões de novos candidatos
a aposentadoria no futuro, como avalia o governo. Nos cálculos atuariais
que fez, o consultor considerou as regras do novo programa de autônomos:
o valor da aposentadoria é limitado a um salário mínimo,
sobre o qual incide a alíquota de 11% (R$ 41,80) e o beneficiário
só pode se aposentar com a idade mínima (65 anos o homem e 60
anos a mulher) e 15 anos de contribuição.
“ O sistema só alcança o equilíbrio se o autônomo
contribuir para o INSS durante 29 anos. Mas como o trabalhador informal ora está empregado,
ora desempregado, calculo que ele só completará esse tempo de contribuição
ao longo de 40 anos, o que é impossível acontecer, já que
ele tem a saída de se aposentar comprovando só 15 anos de contribuições.
Por isso, o sistema é inevitavelmente deficitário, cria um esqueleto
futuro e vai aumentar o rombo do INSS”, explica Renato Follador.
Ele fez três simulações de déficits: se os 3,5 milhões
de novos segurados contribuírem por 15 anos o rombo será de R$
279,7 milhões mensais para o INSS; cai para R$ 135,7 milhões/mês
se contribuírem 20 anos; e para R$ 47,5 milhões/mês se
o tempo de contribuição chegar a 25 anos. Na média, esses
valores acumulados é que criam o esqueleto que Follador calcula em R$
236 bilhões.
Pedido de auxílio-doença
também é simplificado
As novas regras da Previdência Social sancionadas pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva simplificam o pedido de auxílio-doença
pelo trabalhador, pois a permissão não dependerá mais
da comunicação do acidente pelo empregador, como acontece atualmente.
O seguro de acidente de trabalho no País também sofre modificações
e pode elevar as contribuições das empresas ao INSS. As medidas,
no entanto, entrarão plenamente em vigor a partir de 1.º de janeiro
de 2008.
Quanto ao requerimento do auxílio-doença, o ministro da Previdência
Social, Nelson Machado, explicou que o novo sistema inverte a obrigatoriedade
da comprovação antecipada (o ônus da prova) para a concessão
do benefício, já que os médicos peritos do INSS poderão
autorizar o pedido a partir da constatação de que determinada
doença pode ser ocupacional, sem esperar que a empresa comunique formalmente
o fato.
O modelo novo estabelece uma relação (chamada de nexo técnico
epidemiológico) entre as doenças que motivaram a concessão
de auxílios-doença e de aposentadorias por invalidez pelo INSS
entre 2000 e 2004. A partir daí, foi feita uma revisão da classificação
dos variados segmentos econômicos nos níveis de risco e suas atividades,
e criado um índice de referência para cada setor.
Quanto ao seguro de acidente de trabalho, o empresariado reclamou que a mudança
nas regras poderá elevar a carga tributária, pois as atuais alíquotas
de 1%, 2% e 3% sobre a folha de salários, dependendo do risco de acidentes
em cada atividade, poderão variar entre 0,5% e 6%. O motivo do aumento é a
vigência do Fator Acidentário de Prevenção (FAP),
que será multiplicado ao número de acidentes registrados em cada
empresa. Quanto maior o resultado da operação, maior a alíquota.
Para o ministro, a medida estimulará as empresas a melhorarem as condições
de trabalho, porque o FAP permite reduzir a alíquota de contribuição
da companhia que tiver um número menor de acidentes. “Haverá um
incentivo para se investir mais em prevenção de acidentes e redução
de doenças profissionais.”
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
21 de fevereiro de 2007
Em debate, a rentabilidade do FGTS
REDAÇÃO O ESTADO
DO PARANÁ
Brasília (AE) - Governo e
sindicalistas discutem formas de aumentar a rentabilidade do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O FGTS é a pior
aplicação do País, tendo rendido quase 20 vezes
menos do que os demais investimentos do mercado financeiro de 1994
para cá.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical consideram
que, para melhorar o ganho do trabalhador com o FGTS, o governo deveria autorizar
que cada um aplicasse até 5% do saldo individual em ações à escolha,
repetindo e ampliando a bem-sucedida experiência de investir em papéis
da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). As centrais adotariam
uma espécie de selo para identificar empresas nas quais a aplicação
seria recomendável, segundo critérios de transparência,
boa administração e cumprimento da legislação trabalhista.
Nesse caso, porém, o trabalhador assumiria o risco da aplicação,
podendo perder parte da poupança.
A administração federal não é contra essa proposta,
mas ela fará parte de uma negociação mais ampla, envolvendo
a Medida Provisória (MP) 349. Essa MP, que integra o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), autoriza a criação do Fundo de Investimento
do FGTS (FI-FGTS), usando de R$ 5 bilhões a R$ 17 bilhões do
superávit financeiro do fundo (a parcela do patrimônio que excede
as obrigações). A autorização para o trabalhador
investir em ações poderá ser incluída no texto
da MP que se encontra em análise na Câmara.
Por enquanto, porém, as discussões da MP 349 estão concentradas
em outro ponto. As centrais insistiram e arrancaram do Poder Executivo uma
garantia de que os R$ 5 bilhões terão assegurado um rendimento
mínimo equivalente à variação da Taxa Referencial
(TR) mais 3%. A área econômica resistia a garantir um rendimento
mínimo, pois isso contraria os regulamentos da Comissão de Valores
Mobiliários (CVM). No entanto, por determinação do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, a Caixa Econômica Federal (CEF) estuda
uma forma de seguro para dar o ganho mínimo.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
18 de fevereiro de 2007
Luiz Marinho diz que Brasil tem empregos
Redação O Estado
do Paraná
Foto: Agência Câmara

Marinho: um salto.
Durante a cerimônia de inauguração da nova Central de Atendimento
da Atento, que atua no setor de relacionamento entre empresas e clientes, o
ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho disse que desde o lançamento
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) o governo tem
trabalhado “para a geração de milhões de empregos
nos próximos quatro anos”. De acordo com Marinho, nos primeiros
quatro anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva houve
um salto de 4,651 milhões de novos empregos com carteira assinada e
a expectativa é de que ao sair o balanço da Pesquisa Nacional
de Amostra de Domicílios (Pnad) do ano passado haja um salto de 8,5
milhões de novas ocupações em quatro anos, contando com
o conjunto do mercado brasileiro.
A Atento Brasil, do Grupo Telefônica, é a terceira maior empresa
privada empregadora do Brasil, com 56 mil empregos diretos. A nova central
de atendimento da empresa, inaugurada anteontem no bairro do Belém,
em São Paulo, deverá gerar 6 mil novos postos de trabalho. “Nosso
papel social é proporcionar primeiro emprego para os jovens recém-formados
no segundo grau”, destacou o presidente da empresa, Agnaldo Calbucci.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu inauguração,
ao lado do vice-governador de São Paulo, Alberto Goldman; do prefeito
de São Paulo, Gilberto Kassab; do senador Eduardo Suplicy e de deputados
federais.
Após a solenidade, o presidente Lula da Silva foi para o seu apartamento
em São Bernardo do Campo, de onde seguiu ontem para Guarujá,
no litoral paulista, onde deve passar o feriado de carnaval. Na quarta-feira,
a agenda oficial do presidente inclui reunião com o ministro das Cidades,
Márcio Fortes, às 14 horas, seguida de reunião com o presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles e encontro com o ministro da Defesa, Waldir
Pires.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
18 de fevereiro de 2007
Pesquisa aponta dificuldades para obter
crédito imobiliário
Taxas elevadas, muitas exigências
e desvantagem contratuais foram constatadas em estudo realizado por
entidade de defesa do consumidor
O mercado de crédito imobiliário
continua oferecendo taxas altas e contratos abusivos para o consumidor
que precisa recorrer a este tipo de financiamento. Foi o que constatou
a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor-Pro
Teste em pesquisa com nove instituições financeiras
que oferecem essas linhas de crédito: Nossa Caixa, Real, Caixa
Econômica Federal, HSBC, Bradesco, Banrisul, Itaú, Santander
Banespa e Unibanco. Em relação à última
análise houve pequena redução das taxas de juros,
que giram em torno de 12% ao ano, mas somados todos os encargos envolvidos,
o custo do financiamento pode atingir 20,62% ao ano.
Apesar de algumas medidas tomadas pelo
Governo Federal nos últimos dois anos, algumas mudanças
como as linhas de crédito com prestações fixas,
nem sempre são boa opção, principalmente em um momento
da queda da taxa básica da economia (Selic). Todos os bancos analisados
usavam a alienação fiduciária em seus contratos.
Este tipo de garantia traz maior segurança para as instituições
financeiras, mas deixa o consumidor mais vulnerável e não
trouxe taxas melhores.
A pesquisa da Pro Teste constatou que
não houve aumento do montante financiado nem redução
das exigências. Em lugar de estimular a concorrência pela
redução de juros, os bancos têm segmentado as linhas.
As taxas de juros diminuíram para imóveis de até R$
100 mil, mas na faixa até R$ 350 mil não houve mudança.
Os bancos falham na informação ao consumidor sobre todos
os custos envolvidos, além dos juros e dos seguros. Muitas vezes
o consumidor faz a opção apenas pela taxa de juros mais
baixa e acaba pagando mais caro.
Para definir a escolha certa a Pro
Teste orienta o uso da Taxa Anual Efetiva Global de Encargos (Taeg),
como base. Ela é amplamente usada na União Européia
e a Pro Teste Defende sua implantação oficial no Brasil.
No site (www.proteste. org.br) há um simulador que permite uma
comparação entre os diferentes financiamentos utilizando
a Taeg. O crédito imobiliário envolve além do
empréstimo, os juros, seguros e as taxas administrativas. O
uso da Taeg permite saber o real custo do crédito.
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de fevereiro de 2007
Indignação e mágoa
Advogados repudiam declaração
de dirigente da CUT
O presidente da Associação
Brasileira de Advogados Trabalhistas (Abrat) Luiz Salvador enviou carta à Central Única
dos Trabalhadores (CUT) em que repudia declaração feita
pelo dirigente da entidade em entrevista concedida ao jornal O Estado
de S. Paulo, no dia 12 de fevereiro. Nela, Artur Henrique da Silva Santos,
presidente da CUT, disse que “as Comissões de Conciliação
Prévia viraram só um meio para advogados picaretas ganharem
dinheiro”.
Salvador considerou a entrevista lamentável
e diz que a nota serve para “registrar toda a indignação
e mágoa da advocacia trabalhista com relação ao
referido posicionamento que esta central sindical assumiu naquela entrevista
de seu presidente”. Para o presidente da Abrat, a entrevista de
Artur Henrique induz o leitor a pensar que advogados não são
trabalhadores.
Segundo ele, as afirmações
deixaram os advogados trabalhistas chocados. Isso porque, explica, a
lei que criou as Comissões de Conciliação Prévia
dispensa a presença do advogado nas negociações, “da
mesma forma que a lei trabalhista permite a qualquer trabalhador procurar
a Justiça do Trabalho sem que seja representado por advogado”.
Leia a carta enviada à CUT
Ilmo. Sr.
Artur Henrique da Silva Santos
Presidente da Central Única dos Trabalhadores
Prezado Senhor,
Em 12 de fevereiro próximo passado,
tivemos a oportunidade de ler no jornal "O Estado de São
Paulo", a sua entrevista, na qual afirma que "as CCPs viraram
só um meio para advogados picaretas ganharem dinheiro". Esta
referência deixou-nos profundamente chocados, até porque,
a lei que criou estas Comissões de Conciliação Prévia,
dispensa a presença do advogado em tais negociações,
da mesma forma que a lei trabalhista permite a qualquer trabalhador procurar
a Justiça do Trabalho sem que seja representado por advogado.
Não se vê, portanto, de que
forma, advogados, honestos ou "picaretas" poderiam obter lucro
com tais Comissões. Causa mais espanto, todavia, a sua afirmação,
porque, logo em seguida, vem acoplada a uma suposta explicação: "Isso
porque acordos fechados pelas CCPs podem depois ser objeto de ações
judiciais". Não é verdade. Estes acordos somente podem
ser objeto de ação judicial, sob a lei em vigor, quando
obtidos mediante fraude ou coação. Aliás, todo e
qualquer ato jurídico, acordo, sentença, ou coisa que o
valha, produzido por fraude e coação, neste país,
pode ser objeto de ação judicial de caráter anulatório.
As comissões de conciliação
prévia foram objeto de ataques ferrenhos da advocacia trabalhista
porque se transformaram num sucedâneo do ato de homologação
da rescisão contratual. Com efeito, muitos "picaretas",
demitiam os trabalhadores e somente pagavam os seus direitos lá nestas
comissões, onde outros "picaretas" faziam as honras
da casa para entregar quitações sem ressalvas e que não
poderiam ser atacadas em ação judicial. A moralização
do que se praticava em tais comissões é que veio a fazer
com que as mesmas "não dessem certo". Quando deixou
de ser possível, levar os trabalhadores de ônibus para ir
em tais comissões, assinar quitações em longas parcelas
mensais, abrindo mão de quaisquer ressalvas, os patrões
perderam o interesse no esquema.
Diga-se, finalmente, que a sua entrevista
induz o leitor a pensar que advogados não são trabalhadores.
Quando eles atuam na Justiça do Trabalho ou em Comissões
de Conciliação Prévia, não estão ganhando
o pão de cada dia com o suor de seu rosto mas, ao contrário,
são "picaretas" que não vão receber a
remuneração por seus serviços mas, "ganhar
dinheiro".
Este será um país mais feliz
quando as empresas pagarem os direitos dos trabalhadores, de forma sistemática,
sem burla ou calote. As reclamações trabalhistas são
muitas porque muitos são os casos em que os empregados não
recebem o que lhes é devido. As CCPs deveriam ser um instrumento
para que os empregados recebessem seus direitos pela via da conciliação
mas, tem sido pensadas justamente no sentido contrário, como um
meio de prevenir e evitar que os trabalhadores venham a reclamar os seus
direitos.
Ao execrar a advocacia desta forma pública
e generalizada, a Central Única dos Trabalhadores está atirando
contra aqueles que ajudam os obreiros a receber os seus direitos, ao
invés de atirar contra aqueles que obrigam os obreiros a ter que
recorrer a advogados e ao Judiciário para receber o que lhes é devido.
A sua afirmação traz embutida a insinuação
de que os advogados (em geral) são picaretas e nos causa extremo
desgosto. Daí porque, vimos registrar toda a indignação
e mágoa da advocacia trabalhista com relação ao
referido posicionamento que esta central sindical assumiu naquela entrevista
de seu Presidente.
Saudações,
Luiz Salvador Presidente ABRAT
Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas

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