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G1, 22 de fevereiro de 2007
Partido da República (PR) quer
ser a 3ª bancada do governo
Criado para garantir a sobrevivência de membros dos antigos Partido Liberal
(PL) e Partido de Reedificação da Ordem Nacional (Prona) à cláusula
de barreira, o Partido da República (PR) promete tornar-se a grande
vedete da nova legislatura: atraiu oito novos deputados, um governador, conquistou
lugar na Mesa Diretora da Câmara, obteve a presidência de uma comissão
e o Ministério dos Transportes.
A cláusula foi criada em 1995,
mas a implantação estava prevista para as eleições
de 2006. Dos 29 partidos, apenas sete tinham ultrapassado a cláusula.
Com isso, por exemplo, os pequenos partidos perderiam parte dos recursos
do fundo partidário a que tinham direito. Para diminuir os prejuízos,
ocorreram diversas fusões. Com a rejeição da cláusula
pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e até que o Congresso edite
uma nova lei, ficaram válidas as regras antigas. No entanto, o
PL manteve a fusão com o Prona.
A meta principal da fusão, no entanto, deixou de ser apenas a sobrevivência.
Com apenas cinco meses de existência, a sigla já ambiciona desbancar
o PP e chegar ao posto de terceira maior bancada da base do governo. "É um
partido novo, sem os vícios dos partidos antigos", define o deputado
Inocêncio Oliveira (PE), 2º vice-presidente da Câmara.
Apesar do discurso de renovação, o PR parece apenas repetir o
papel do PL na última legislatura. No primeiro mandato do presidente
Lula, os liberais constituíram a base de apoio ao governo e formaram
a terceira bancada que mais recebeu novos integrantes ao longo dos últimos
quatro anos: 42 parlamentares no total, atrás apenas do PMDB (53) e
do PTB (47).
O PR segue o mesmo caminho. Começou com 27 deputados federais e já possui
33. Da antiga sigla liberal, herdou 23 deputados federais, eleitos, 35 deputados
estaduais, a sede do diretório nacional, um site - que ainda, em algumas
partes, mostra logomarcas do antigo partido e o deputado Valdemar Costa Neto
como presidente – e o próprio programa do PL, adotado pela nova
sigla republicana na íntegra.
No texto do programa, as únicas mudanças se referem a alguns
termos e à substituição de "Partido Liberal" para "Partido
da República". "Na verdade, os programas dos partidos são
muito parecidos. Eles divergem muito pouco", disse o presidente de honra
do partido, Alfredo Nascimento, em entrevista ao G1 no dia 4 de fevereiro,
antes que o site do PR divulgasse o documento.
Na entrevista, ele disse que a sigla
ainda iria elaborar e discutir um programa. Inicialmente, PSC e PTdoB
cogitavam se fundir ao PR. No entanto, as duas siglas decidiram voltar
atrás quando o STF derrubou a cláusula de barreira.
Segundo Nascimento, na fusão, não houve considerações
de cunho ideológico "de ninguém, de nenhum partido". "Houve
um entendimento de cunho... bom, o interesse de cada um dos partidos para que
aquele objetivo de se alcançar a cláusula de barreira fosse alcançado.
E a seguir, se iria discutir ideologicamente a linha desses novos partidos
que formariam a fusão", contou.
Apoios
Alfredo Nascimento foi ministro dos Transportes no primeiro mandato do governo
Lula e deve voltar a ocupar a pasta assim que a reforma ministerial for anunciada.
No quadro de filiações mais recentes, está o governador
de Mato Grosso, Blairo Maggi, que contrariou o PPS no segundo turno da campanha
presidencial declarando apoio à reeleição do presidente.
O presidente do PR trabalha para atrair o ex-governador do Ceará Lúcio
Alcântara (PSDB), que poderá levar com ele cinco parlamentares
tucanos e presidir o partido no estado. Nos próximos dias, segundo Nascimento,
irão se filiar parlamentares da Bahia, Rondônia, Piauí,
Minas Gerais e Maranhão.
Outros apoios de peso estão sendo costurados. Maggi convidou o governador
de Rondônia, Ivo Cassol (PPS). Do antigo partido, o governador de Mato
Grosso levou consigo um parlamentar do estado e tenta agora levar outro. Maggi
conta ter escolhido o PR por ser um partido menor no estado, o que facilitaria
a mudança de seu grupo, e por a sigla fazer parte da base do governo.
" No meu antigo partido, nunca consegui, nos quatro anos anteriores, ter
uma base de sustentação em Brasília. Então, ao procurar
um novo partido, a gente amarrou um compromisso político nesse sentido,
de dar ao estado e ao governador um respaldo político em Brasília
não só nas reivindicações, mas na defesa das matérias
que interessam ao Mato Grosso no Congresso", contou.
A proximidade com o Planalto também é um dos pontos que o governador
de Rondônia tem considerado para decidir se migrará para o PR.
" Qual o governador, hoje, principalmente de um estado ainda em desenvolvimento
e que tanto precisa da União para crescer, se colocaria como oposição
ao Governo federal? Tenho analisado muito a questão sob este prisma, antes
de tomar uma decisão final", disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de fevereiro de 2007 | Política
113 grupos dominam o Congresso
Bancadas defendem interesses de categorias
e acabam mais poderosas que partidos
Brasília – Com menos de um mês de rotina parlamentar, as
bancadas informais já estão prontas para mostrar quem são
os verdadeiros grandes partidos que atuam no Congresso, independentemente da
sigla oficial. Há a bancada ruralista – um partido informal com
104 parlamentares; a bancada empresarial, que tem 120 representantes; a municipalista,
com mais de 100; a sindicalista, barulhenta e sempre ativa, que dispõe
de 60 eleitos, e a evangélica – que, envolvida em escândalos
no ano passado, volta mais fraca, com apenas 36 fiéis. Já a bancada
das comunicações volta bem forte, com mais de 100 participantes,
entre os quais os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor.
Profissionalismo Bancadas não perdem tempo
Brasília – A bancada da segurança conseguiu, em 2005, comandar
em todo o país a vitória do “não” no plebiscito
e assegurar o direito ao porte de armas. A frente ruralista, que fez um barulhão
por não ter sido “contemplada” no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), derrubou em 15 minutos as atividades de três anos
da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Terra, que tentava
condenar o trabalho escravo e denunciava abusos de proprietários rurais.
No lugar, aprovou um texto atacando as invasões de sem-terra.
A bancada evangélica travou, também
em 2005, uma feroz batalha contra a Lei de Biossegurança e derrubou
o artigo que autorizava a clonagem reprodutiva. A sindical não
deixou que andassem as reformas trabalhista e sindical, prometidas pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No segundo mandato, Lula
nem toca no assunto.
Essas vitórias, além de
outras menos vistosas no dia-a-dia, mostram que as bancadas não
brincam em serviço. Elas jogam pesado, trabalham com afinco – coisa
muito rara nos partidos – e a legenda a que pertencem os integrantes
não vem ao caso. Há ruralistas em oito ou dez deles. Há evangélicos
em quase todos.
Exemplo de profissionalismo, a bancada
ruralista não dorme quando se discutem temas como reforma agrária,
invasão de fazendas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra
(MST) anistia para dívidas rurais, crédito oficial na compra
de tratores ou adubos. Os filiados são indicados, no início
de cada mandato, com ajuda de entidades como a Sociedade Rural Brasileira
(SRB).
Embora não sejam legendas formais, são esses grupos parlamentares
que funcionam na vida real do Congresso.
É neles que se encontram, conversam e trabalham políticos com opiniões
e objetivos semelhantes e é de suas reuniões que sai grande parte
das decisões que o Congresso aprovará. Alheias às 27 legendas
oficiais, essas frentes formam hoje 113 grupos, todos devidamente registrados
nas Mesas da Câmara e do Senado.
Alguns são bem conhecidos, como
os do meio ambiente – que ressurgiu reforçado por 248 assinaturas,
há dez dias –, da segurança, da informática,
da saúde, da educação, do turismo. Outros são
estranhos e até curiosos – pululam no Congresso frentes
parlamentares em defesa “da livre expressão sexual”, “do
Rio Doce”, “da BR-153”, “do leite” ou “da
capoeira”.
“Os partidos se restringem, hoje,
a duas funções: a disputa eleitoral e o jogo direto pelo
poder”, resume o diretor de Documentação do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto
de Queiroz. Embora eles ocupem muito espaço na mídia, suas
tarefas centrais “são cumpridas por outras entidades, e
isso os enfraqueceu”, acrescenta Queiroz.
Ao constatar, há uma semana, a
escolha de figuras inexpressivas para presidir a maioria das comissões,
ele acrescentou: “Essas escolhas são um sinal de que as
bancadas continuarão sendo o fórum de debates e decisões.”
A força das bancadas “é um
indicativo da fragilidade dos partidos brasileiros”, acrescenta
o historiador Marco Antônio Villa, professor da Universidade Federal
de São Carlos. “Elas acabam se sobrepondo aos partidos,
que se enfraquecem cada vez mais.”
Agindo como partidos, essas frentes começam
a viver conflitos partidários. A da saúde rachou em duas
alas, as de representantes de servidores e médicos, que defendem
recursos para a assistência pública, e a dos diretores de
laboratórios e hospitais, que lutam pela defesa de patentes industriais.
Na da educação há professores brigando por salários
e aposentadorias, ao lado de donos de faculdades particulares que pedem
menos controle federal e preços livres.
O avanço das bancadas sobre o papel
dos partidos tem pelo menos duas explicações. A primeira é a
liberdade com que os políticos aderem a qualquer cruzada sem perguntar
o que seu partido pensa disso. A segunda é a incapacidade das
estruturas partidárias de entender a complexidade de muitas questões
das sociedades modernas. Assim, elas vão parar nas mãos
de pequenos grupos, fora do controle das legendas.
“Não há invasão.
Na verdade, bancadas, frentes e partidos se complementam”, diz
Júlio Semeghini (PSDB-SP), deputado que preside a bancada da
tecnologia e da informática.
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Agência Brasil, 22
de fevereiro de 2007
Pesquisa do Banco Central indica
estabilidade na inflação
Todas as projeções de inflação estão em
queda, tanto no varejo quanto no atacado, conforme mostra pesquisa realizada
na última sexta-feira (16/2) pelo Banco Central (BC) com uma centena
de analistas de mercado e de instituições financeiras sobre tendências
dos principais indicadores da economia.
O resultado da pesquisa, que é semanal,
foi divulgado no Boletim Focus liberado no início da tarde desta
quarta-feira (21/2) pelo BC. A pesquisa é divulgada normalmente às
segundas-feiras, mas, em virtude do Carnaval, o BC só a publicou
hoje, indicando que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para as correções
oficiais, deve fechar o ano em 3,94%.
A estimativa é superior aos 3,14%
do IPCA em todo o ano de 2006, mas sinaliza inflação abaixo
do centro da meta de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN), e é bem menor que os 4,09% estimados pelo Boletim Focus
no início do ano. A projeção, que vem caindo gradativamente,
semana após semana, na pesquisa anterior apontava IPCA anual de
3,97%.
O cálculo para o IPCA, índice
pesquisado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), está em linha com as contas do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) da Universidade de São Paulo (USP), que mede o
comportamento de preços no varejo da capital paulista. Lá,
o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) caiu de 4%
para 3,95% na comparação semanal.
Acomodação
A redução pequena, mas constante,
dos preços ao consumidor é resultado da acomodação
do IPCA neste mês, cuja estimativa inicial, de 0,47%, cedeu para
0,45%, além de a expectativa inflacionária para março
ser menor ainda: em torno de 0,30%. O Boletim Focus estima, ainda, que
a inflação nos próximos 12 meses será de
3,89%, ante 3,95% da pesquisa anterior.
De acordo com especialistas em mercado
financeiro consultados pelo BC, a perspectiva também é boa
para os preços administrados por contrato ou monitorados (combustíveis,
energia elétrica, telefonia, remédios, educação,
saneamento, transporte urbano e outros). Segundo os especialistas, os
reajustes acumulados desses preços ao longo do ano devem ficar
em torno de 3,80%, e representam quase um terço na composição
do IPCA.
A situação também é favorável
na comparação de preços no atacado. De acordo
com a estimativa média dos analistas de mercado, o Índice
Geral de Preços–Disponibilidade Interna (IGP-DI) deve
fechar o ano em 4%, e não mais nos 4,13% estimados na pesquisa
anterior, período em que o Índice Geral de Preços
do Mercado (IGP-M) também cede de 4,10% para 4,07%.
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Folha
de São Paulo,
22 de fevereiro de 2007
APLICAÇÕES
Centrais estudam novo fundo com dinheiro do FGTS
DA REPORTAGEM LOCAL
De olho
no novo fundo de investimentos em infra-estrutura criado pelo governo com
dinheiro do FGTS,
as centrais sindicais já estudam
a formação de um fundo próprio para que os trabalhadores
possam escolher onde investir parte dos recursos de suas contas individuais
do fundo de garantia.
A idéia será discutida hoje em reunião dos representantes
da Força Sindical, CUT e CGT com o presidente da CVM (Comissão
de Valores Mobiliários), Marcelo Trindade, além da Bovespa.
Esse fundo seria formado por ações de empresas "consolidadas",
diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força. "Como o
governo disponibilizará R$ 5 bilhões do patrimônio
do FGTS, o trabalhador poderia aplicar nesse fundo, com remuneração
superior ao que paga hoje o FGTS [TR mais 3%]." (CR)
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Folha de São Paulo,
22 de fevereiro de 2007
Indústria brasileira teme retomada
de abertura comercial
Setor acha que dólar barato já reduziu
proteção tarifária e teme pagar preço
de concessão de ricos na agricultura | Industriais dizem que
fatores como imposto alto, obrigações trabalhistas
e câmbio já reduzem a competitividade do país
CLÁUDIA TREVISAN
DA REPORTAGEM LOCAL
A indústria brasileira vê com
apreensão a retomada das negociações da Rodada Doha
de liberalização do comércio global no momento em
que o real apresenta forte valorização. O setor afirma
que o enfraquecimento do dólar no Brasil funciona na prática
como uma redução da proteção tarifária,
já que reduz o preço em real dos produtos importados. O
temor da indústria é ficar ainda mais exposta com um eventual
acordo de liberalização comercial.
O principal objetivo de Doha é reduzir
as tarifas e subsídios do setor agrícola, impostos sobretudo
pelos países desenvolvidos. Para realizar essas concessões,
Europa e EUA exigem maior acesso de seus produtos industriais aos mercados
dos países em desenvolvimento. O processo de valorização
do real tem reduzido a disposição da indústria a
fazer concessões. "Quanto mais se agrava o problema cambial
no Brasil, mais delicada fica a posição do setor",
diz Humberto Barbato, diretor do Departamento de Comércio Exterior
do Ciesp.
Durante 2006, o real teve valorização
de 9,5% em relação ao dólar. Em 2007, o ganho segue. "Para
ter concessão agrícola, os países em desenvolvimento
vão ter que ceder na área industrial", diz Mário
Marconini, do Conselho de Relações Internacionais da Federação
do Comércio de São Paulo. Os setores potencialmente mais
afetados são os com tarifas mais altas consolidadas pelo Brasil
na OMC (Organização Mundial do Comércio). No topo
está a indústria automobilística, com proteção
de 35%.
Rogélio Golfarb, presidente da
Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos
Automotores) afirma que vê Doha "com cautela". Sua preocupação
inclui o real forte e a eventual concorrência de carros produzidos
em outros emergentes. Ele diz que é favor da abertura comercial
e do regime de câmbio flutuante. Mas ressalta que o país
deve enfrentar os problemas que reduzem a competitividade da indústria. "Se
combinarmos nível de câmbio, ineficiências tributárias
e o fato de muitos países não terem quase nada de obrigações
trabalhistas, fica muito difícil competir", sustenta Golfarb.
Segundo ele, o setor automobilístico responde por 15% do PIB industrial
e 5% do PIB total do país.
"A abertura tem de ser acompanhada
de medidas internas que aumentem a competitividade da indústria." Marconini
avalia que outros setores expostos à abertura comercial são
os de calçados, eletroeletrônicos, químico e de máquinas
e equipamentos. O presidente do Conselho Superior de Comercio Exterior
da Fiesp, embaixador Rubens Barbosa, diz que a preocupação
com o câmbio foi manifestada por vários conselheiros em
encontro realizado no início deste mês para discutir Doha.
"Não ha dúvida de que
o custo do financiamento interno em razão da alta taxa de juros
e a continuada apreciação do real representam um grande
desafio para o setor industrial, porque reduzem a competitividade externa
e interna dos produtos brasileiros", observa. A expectativa da indústria,
segundo Barbosa, é que o resultado da negociação
seja equilibrado e que os setores mais prejudicados sejam compensados
de alguma maneira.
O ministro Carlos Márcio
Cozendey, diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, acredita
que a preocupação com o câmbio não deveria
afetar as negociações. Cozendey afirma que a eventual
conclusão da Rodada Doha produzirá efeitos no longo prazo.
Mas reconhece que a realidade atual não pode ser ignorada e
sugere que pode haver compensações para os setores eventualmente
prejudicados. A tendência nas negociações, diz
Cozendey, é que se encontre um meio-termo entre as demandas
dos países em Doha, com tarifas industriais e agrícolas
caindo de forma moderada.
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Folha de São Paulo,
22 de fevereiro de 2007
BC do Japão eleva taxa de juros
para 0,50%, o segundo aumento em 6 anos
MARTIN FACKLER
DO "NEW YORK TIMES", EM TÓQUIO
O Banco do Japão, o banco central
do país, elevou a sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual,
para 0,5%, em sua reunião ontem, mencionando sinais de expansão
econômica. O banco anunciou em comunicado que apenas um dos nove
membros do seu conselho de política monetária se opôs à medida.
Foi o primeiro aumento desde julho, quando o banco central decidiu encerrar
um período de mais de cinco anos em que o crédito primário
foi virtualmente gratuito no país.
A decisão se segue ao anúncio,
na semana passada, de números que demonstravam que a economia
cresceu em seu ritmo mais acelerado dos últimos três anos,
ainda que os economistas afirmem que o mais importante propulsor de uma
recuperação, o consumo, continue baixo. Mas o BC classificou
essa debilidade como temporária e afirmou que manter os juros
baixos poderia efetivamente prejudicar o crescimento.
As decisões do BC japonês
sobre os juros vêm sendo acompanhadas com atenção
incomum, para determinar se o banco acompanhará a linha de política
econômica determinada pelo governo ou se irá preferir afirmar
na prática a sua independência. Membros do governo de Shinzo
Abe já pressionaram publicamente o banco central, para que este
acompanhe a visão do governo de que as principais prioridades
da economia deveriam ser o crescimento elevado e o nível de emprego
forte, o que acarreta a necessidade de juros baixos.
Embora os números recentes demonstrem
o mais forte crescimento em três anos para o período de
outubro a dezembro, economistas dizem que os benefícios não
estão atingindo os cidadãos comuns. Além de não
terem conseguido promover uma retomada do consumo até agora, os
juros baixos causaram outras preocupações aos dirigentes
do banco central e às autoridades econômicas japonesas.
Os preços dos imóveis nas grandes cidades vêm subindo
rapidamente, e o mercado de ações está perto de
sua marca mais elevada em sete anos, causando o temor de uma possível
bolha.
Juros britânicos
A ata do Banco da Inglaterra (o BC britânico)
mostra que não houve alta na taxa de juros, de 5,25%, por temor
de um "aperto excessivo".
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
22 de fevereiro de 2007
Invasões comandadas por rainha 'racham' MST e CUT
Sorocaba, SP - A onda de invasões comandada pelo líder José Rainha
Júnior durante o carnaval causou um racha no Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST) e também na Central Única dos Trabalhadores
(CUT), ligada ao PT.
As lideranças estaduais e nacionais
do movimento não reconhecem a parceria do líder com sindicatos
rurais ligados à CUT. A direção estadual da central
sindical, por sua vez, não avaliza a participação
de seus sindicatos nas invasões. A ação conjunta, à revelia
dos respectivos comandos estaduais, resultou na invasão de 13
fazendas no oeste paulista, entre domingo e segunda-feira. ''Não é uma
orientação da CUT de São Paulo a ocupação
de terras'', informou a assessoria de imprensa.
A direção estadual vai se
reunir hoje para discutir a questão. Os coordenadores regionais
de Presidente Prudente, no Pontal do Paranapanema, e Araçatuba,
que atende também a Alta Paulista, foram convocados. ''É uma
situação delicada e a CUT discute exaustivamente antes
de tomar decisão que envolva ocupação'', relatou
a assessoria, acrescentando que, no mínimo, houve falta de comunicação.
Os sindicatos, porém, não pretendem voltar atrás.
''Nossa luta vai continuar unificada com o MST de José Rai© nha'',
disse o presidente do Sindicato dos Empregados Rurais Assalariados de
Presidente Prudente e Região, Rubens Germano. Ele lembrou que
também faz parte da direção estadual da CUT e, nesse
caso, o sindicato tem autonomia para agir. ''A CUT não pode falar
faz ou deixe de fazer.''
Apesar disso, os sem-terra ligados ao
Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf) da região
de Andradina, que também se aliou a Rainha, retiraram-se ontem
da fazenda Cachoeira, que tinha sido invadida na segunda-feira, em Itapura.
Integrantes do Movimento de Libertação
dos Sem Terra (MLST) invadiram, no início da madrugada de anteontem,
a fazenda Barreiro, no município de Prata, no Triângulo
Mineiro. As famílias sem-terra deixaram o acampamento montado
na fazenda Rio das Pedras, também em Prata, ocupada desde o final
de novembro do ano passado. A Justiça havia determinado a desocupação
da área e o prazo se encerrava ontem.
Os militantes do MLST então
decidiram se retirar da propriedade e invadir outra durante o feriado
de Carnaval.
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AGÊNCIA BRASIL, 22
de fevereiro de 2007
Centrais sindicais esperam veto presidencial
a emenda no projeto da Super Receita
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - As centrais sindicais
esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete a emenda
nº 3, do projeto de lei que cria a Receita Federal do Brasil, a
chamada Super Receita.
A emenda, de autoria do ex-senador Ney
Suassuna, reduz poderes dos fiscais de trabalho, por obrigar que qualquer
decisão sobre o reconhecimento de relações trabalhistas
passe primeiro pela Justiça do Trabalho.
O presidente da Força Sindical,
deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, disse ter
obtido do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho – após
a entrega de documento com mais de 60 assinaturas de deputados federais –,
a garantia de que a emenda será vetada.
Para os sindicalistas, a emenda estimularia
uma prática comum em empresas de comunicação social,
que é a prestação de serviço de trabalhadores
como pessoa jurídica: para ser contratado, o trabalhador abre
uma empresa da qual ele é o único empregado. “Essa
emenda tira direitos dos trabalhadores, na medida em que podem ser criadas
empresas individuais. Essas empresas vão terceirizar não
só diretores, mas até faxineiros”, afirmou Paulinho.
Ele argumentou ainda que essa prática
reduziria a arrecadação previdenciária e depósitos
no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
No último dia 15, o ministro Marinho
se mostrou favorável ao veto da emenda, por considerar que a alteração
poderia institucionalizar o fim da fiscalização do trabalho
no país. "Tira o papel de polícia da fiscalização
e remete tudo ao Judiciário. Se todos os trabalhadores tiverem
qualquer tipo de problema, as demandas do Judiciário vão
explodir", disse.
Caso a alteração não
seja vetada, as centrais sindicais prometem entrar no Supremo Tribunal
Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Para o presidente da Força Sindical, essa alteração,
que trata de relação trabalhista, não poderia ter
sido incluída na lei de criação da Super Receita,
referente a normas de arrecadação.
O projeto que cria a Super Receita
foi aprovado no último dia 13 na Câmara dos Deputados,
depois de receber emendas no Senado, e aguarda sanção
presidencial.
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CRUZEIRO NET.COM / Sorocaba
(SP), 22 de fevereiro de 2007
Mercado De Trabalho
Cai diferença entre salários
dos trabalhadores formais e informais
O autor do estudo considera o resultado surpreendente
e afirma que a redução dessa disparidade representa “uma
coisa boa”
Nilson Brandão Junior
A diferença entre a remuneração
dos trabalhadores com registro em carteira e os informais (não
registrados) diminuiu dos 198% verificados em 1993 para 117% em 2005.
O dado faz parte de um levantamento feito pelo economista do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Lauro Ramos.
O estudo sobre a evolução
do mercado de trabalho desde a década passada mostra ainda que
entre 1998 e 2005 a queda do rendimento do trabalhador nas regiões
metropolitanas foi de 11%, bem acima da registrada no chamado Brasil
não metropolitano (-5%).
A distância atual entre os salários
dos trabalhadores protegidos (R$ 890,40) e sem carteira (R$ 409,50) ainda é grande
mas caiu desde a década passada. Em 1993, o valor médio
recebido pelos empregados com carteira era o triplo da média no
mercado informal. Em 2005, representava o dobro.
O autor do estudo considera o resultado
surpreendente e afirma que a redução dessa disparidade
representa ‘uma coisa boa‘. Mas pondera que há um ‘efeito
estatístico‘.
Na prática, aumentou a formalização
no mercado de trabalho no período. Mas isso se deu por meio da
entrada de trabalhadores informais com salários mais baixos, o
que freou o crescimento da média salarial dos trabalhadores protegidos.
Artificialismo
“A assinatura de carteira se concentrou
nos trabalhadores informais com baixo rendimento, produzindo um efeito
de composição, que leva para baixo a média dos ganhos
dos empregados protegidos por lei”, explica Ramos.
Ramos pondera que o bom é reduzir
a informalidade sem mecanismos artificiais. “O ideal era, além
de terem se formalizado, terem registrado aumentos palpáveis de
rendimentos”, afirmou o economista.
Grande parte dessa formalização
decorre do fortalecimento da fiscalização, maior transparência
das empresas e do próprio avanço do setor exportador, que,
de forma geral, é predominantemente formalizado.
O trabalho também mostra que nas
regiões metropolitanas as perdas salariais foram bem superiores às
registradas no interior. Ele explica que o processo de desconcentração
industrial das grandes cidades para o interior aumentou a oferta de empregos
de maior qualificação nas áreas não metropolitanas.
Em paralelo, as metrópoles foram as que mais sofreram com o avanço
da informalidade, geralmente associada a rendimentos mais baixos.
São Paulo
O emprego industrial na região
metropolitana de São Paulo, por exemplo, encolheu 2,87% entre
1992 e 2005, passando de 1,901 milhão de postos de trabalho para
1,846 milhão. Na área não metropolitana do Estado,
o contingente de trabalhadores no setor industrial cresceu 38,71% - pouco
mais de meio milhão de pessoas - e chegou a 2,079 milhões
de pessoas, ultrapassando o total da área metropolitana.
Especificamente em 2005, ocorreu o primeiro
ganho de rendimento médio do trabalho, comparado ao ano anterior,
desde 1998. O crescimento da renda no País foi de 4,4%. Dessa
vez, contudo, o maior avanço foi justamente nas metrópoles,
com um aumento de 4,9%.
O crescimento fora dessas áreas
foi menor (3,4%). Ramos argumenta que as sucessivas quedas de renda nas
metrópoles reduziram a base de comparação.

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