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FETRACONSPAR, 23 de fevereiro
de 2007
Relatório da reunião
do CPN realizada em São Paulo
O companheiro Jorge Moraes, diretor da FETRACONSPAR
e representante da CNTI junto ao CPN - Comitê Permanente Nacional,
esteve em São Paulo, no último dia 14/02, onde participou
de reunião do comitê. A seguir confira o relatório.
ABERTURA E DISCUSSÕES
Dando início aos trabalhos o
Sr. Laércio Fernandes, agradeceu a presença de todos
e informou sobre a ausência do Sr. Rinaldo da DSST/DF, que devido
a outros assuntos agendados não pode comparecer, sendo que o
companheiro Juarez Correia representante da DRT/SP, pede que tal reunião
com o Sr. Rinaldo deverá ser ordinária devido a sua agenda,
o qual fora colocado em discussão e em seguida aprovado por
unanimidade. Em seguida o Sr. Fernando informou da importância
de uma reunião com o Sr. Ministro do Trabalho com os representantes
do CPN, haja vista a possibilidade de ampla discussão dos problemas
atuais, ficando de ser agendada tal reunião.
PARTICIPAÇÃO DA OIT
Com a palavra o Sr. ZUHER HANDAR membro
da OIT, informou que não estaria nesta reunião, com intuito
de “enfiar goela abaixo” suas propostas ao CPN, mas sim,
está com o propósito de participar como parceiro do CPN
na geração de empregos. JORGE MORAES disse que a bancada
dos trabalhadores iria analisar as propostas relacionadas a cooperativas,
haja vista que a bancada tem suas restrições, pedindo
ao Sr. ZUHER HANDAR, para que detalhasse melhor a proposta. Foi informado
que a proposta é que o CPN crie um Sub-Grupo para poder participar
do PAC, ou ainda, que seja criado um grupo nacional onde o CPN participe
das discussões sobre o PAC, e que para a OIT seria de suma importância
ter um grupo que possa ter tais informações, sugerindo
que seja agendada uma nova reunião até o fim de março,
para que seja melhor discutido o assunto, o que fora aprovado de imediato,
inclusive com atuação do CPN junto ao PAC - Programa
de Aceleração de Crescimento.
ENCONTRO DO CPR
Sobre o encontro dos CPRs, ficou definido
que será tratado mais detalhadamente na reunião a ser
realizada com a OIT em Março, na qual será formado um
grupo de Organização do encontro, dando assim encerrado
os trabalhos na parte da manhã deste dia.
PARTE DA TARDE
Dando início aos trabalhos na
parte da tarde, o Sr. Laércio Fernandes, pediu que fosse feita
a leitura da ata da reunião anterior e em seguida feita algumas
correções. Colocada em discussão e votação,
foi aprovada por todos.
O senhor coordenador deixou a palavra
em aberto para informes e assuntos gerais. Foi ainda informado sobre
o “in grupe”, para que todos se atualizassem afim de que
sejam informados o mais rápido possível sobre qualquer
novidade. Foi também aprovado que o coordenador do CPN envie
ofício a todos parceiros do CPN para conhecimento da pauta das
reuniões.
Em seguida com a palavra o Sr. JUAREZ
CORREIA representante da DRT/SP, informou que a revista CIPA publicou
uma matéria polêmica sobre acidentes de trabalho, e que
o CPN deveria se manifestar.
Foi ainda discutido sobre qual seria
a pauta a ser enviada ao Ministro do Trabalho, sobre a reunião
a ser agendada, sendo que após exaustivas discussões,
foram observados 09 (nove) itens de pauta a serem apresentados, que
serão repassados aos membros do CPN.
Nada mais havendo a ser tratado, foi
encerrada a reunião às 18:00 horas.
AVALIAÇÃO
Jorge Moraes – Na minha avaliação,
deixo claro a importância da bancada dos trabalhadores no CPN
poder participar do grupo de discussão do PAC. Não há dúvidas
de que este é um dos programas que serão mais discutidos
com referência ao crescimento do País, e a construção
civil deverá ter uma arrancada maior do que a prevista. Não
poderia acontecer em melhor momento a reunião que será marcada
com o Ministro do Trabalho onde poderemos garantir nossa participação
no conselho do PAC.
LISTA DOS PRESENTES NA REUNIÃO
NOME
|
ENTIDADE
|
E-MAIL
|
TELEFONE
|
| 1.
ANTONIO PEREIRA NASCIMENTO |
DRT/SP |
egantoniopereira@uol.com.br |
(11)
3150-8052 |
| 2.
HARUO ISHIKAWA |
SINDUSCON
SP |
- |
(11)
2275-9000 |
| 3.
JÓFILO MOREIRA LIMA JÚNIOR |
FUNDACENTRO |
Jofilo.lima@fundacentro.gov.br |
(11)
3066-6105 |
| 4.
JORGE MORAES |
CNTI
/ FETRACONSPAR |
sintracom-mga@wnet.com.br |
(41)
3264-4211 |
| 5.
JUAREZ CORREIA B. JR. |
DRT/SP |
correia_barros@ig.com.br |
(11)
3081-6437 |
| 6.
LAERCIO F. VICENTE |
FORÇA
SINDICAL |
cpn@sintraconsp.org.br |
(11)
3388-4800 |
| 7.
LUIZ CARLOS JOSÉ DE QUEIROZ |
CONTICOM-CUT |
Luizqueiroz.sti@uol.com.br |
(11)
4748-1655 |
| 8.
MAURICIO JOSÉ VIANA |
FUNDACENTRO-PE |
mauricio@fundacentro-pe.gov.br |
(81)
3241-3643 |
| 9.
NOÉ DIAS AZEVEDO |
DRT/SP |
noea.drtsp@mte.gov.br |
(11)
3150-8049 |
| 10.
SERGIO PAIVA |
SECONCI-RIO |
sergiopaiva@seconci-rio.com.br |
(21)
2101-2000 |
| 11.
SÉRGIO USJAN |
CNI/SINDUSCON-RJ |
ussan@cpod.net |
(51)
3340-9611 |
| 12.
YVES MIFANO |
SECOVI-SP |
ym@cym.com.br |
(11)
5585-7787 |
| 13.
ZUHER HANDAR |
OIT |
zuherhandar@yahoo.com.br |
(41)
9991-8703 |
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 23 de fevereiro de 2007 | Brasil
Partidos têm aumento de 22% no
repasse público
Fundo Partidário destinou R$ 148 milhões às
siglas em 2006; PT segue líder | Parte dos recursos foi liberada
por decreto de Lula no final de dezembro por "superávit" das
multas eleitorais de anos anteriores
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
Os partidos, que têm reclamado da
falta de recursos e de mudanças na lei do Fundo Partidário,
bateram recordes de recebimento de recursos públicos no ano de
2006. Abocanharam R$ 148 milhões do fundo, crescimento de 21,7%
em relação ao ano de 2005, incluindo recursos previstos
no Orçamento da União e parte do pagamento de multas eleitorais.
Desde 2003, o valor se mantinha numa faixa de R$ 121 milhões anuais.
Entre 2004 e 2005, havia caído 0,2%.
O desempenho de 2006 deveu-se, em parte, à Justiça
Eleitoral ter decidido apertar a cobrança de multas, principalmente
dos candidatos, que tiveram de quitar os débitos para poder disputar
as eleições. Dos R$ 148 milhões distribuídos,
R$ 30 milhões vieram de parcelas de multas pagas desde 2003.
Uma parte desse valor, cerca de R$ 5 milhões,
teve um empurrão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT). Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), um decreto presidencial
do final de dezembro autorizou o repasse desse valor, que era considerado
superávit contingenciado de multas pagas em anos anteriores e
não repassadas aos partidos. A divisão dos recursos entre
os partidos obedece a regras definidas em lei. Um dos critérios é o
tamanho da bancada eleita no Congresso Nacional.
O tesoureiro nacional do PT, Paulo Ferreira,
e o secretário nacional de organização partidária
do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, disseram que os recursos do fundo estão
comprometidos com a manutenção dos seus partidos, com o
repasse obrigatório de 20% aos institutos das siglas (Fundação
Perseu Abramo, do PT, e Instituto Teotônio Vilela, do PSDB) e com
o pagamento de dívidas contraídas pelas campanhas presidenciais
de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin (PSDB). Por lei,
os partidos devem repassar 20% do fundo para as fundações.
O PT assumiu R$ 10 milhões em dívidas
da campanha de Lula. Disso, já pagou pouco mais de R$ 2 milhões
aos credores, segundo Ferreira.
O PSDB, que em 2006 assumiu R$ 19 milhões
em dívidas da campanha de Alckmin, também reduziu o valor
em R$ 2 milhões. As eleições de 2002, das quais
o PT saiu com o presidente da República e a maior bancada do Congresso,
representaram alteração significativa de posições
entre PT e PSDB no ranking das siglas que mais recebem recursos do fundo.
Acumulado
Os tucanos desceram do primeiro para o
segundo lugar. O PT pulou da quarta posição, com R$ 13,2
milhões em 2002, para o primeiro lugar, com R$ 30,3 milhões
em 2006 (ou 20,7% do total distribuído no ano passado). O PSDB
passou de R$ 17,6 milhões para R$ 23,6 milhões (ou 15,5%
do total distribuído em 2006).
Segundo o tesoureiro do PT, o fundo continua
como principal receita do partido, compreendendo 75% dos recursos do
diretório nacional petista. O PT e os partidos da base aliada
do governo Lula registraram alto crescimento proporcional de participação
na divisão do bolo do fundo. Enquanto a parte do PSDB subiu 33,8%
entre 2001 e 2006 (sem o desconto da inflação do período),
o PT apontou 128%.
O PR (ex-PL) cresceu 1.099% (de R$ 706
mil para R$ 8,4 milhões). O PSB o acompanhou, com crescimento
de 801% (de R$ 968 mil para R$ 8,7 milhões). Entre os grandes
partidos, o oposicionista PFL foi um dos que menos cresceu, apenas 25%
(de R$ 17,4 milhões para R$ 21,8 milhões).
As 14 principais siglas do país
receberam ao todo, entre os anos de 2001 e 2006, R$ 685 milhões
do fundo partidário.
Considerando o total distribuído,
o PT também aparece como o principal beneficiário, com
R$ 130 milhões, o equivalente a 18,9% do total. O PSDB ficou com
R$ 117 milhões. Os recursos do fundo podem ser usados para quase
todo tipo de despesa, do pagamento de passagens aéreas às
despesas com campanhas eleitorais.
A prestação de contas é anual
e deve ser entregue ao TSE até o último dia de abril.
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Agência Câmara,
23 de fevereiro de 2007
Projeto cria registro de direito trabalhista
pendente
O deputado Clóvis Rossi (PSB-PE) apresentou o Projeto de Lei 12/07,
que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5452/43)
para criar um questionário em que o trabalhador anote mensalmente as
pendências trabalhistas existentes. "Esse é um instrumento
simples, que torna mais fácil coibir práticas abusivas das empresas
contra funcionários, como o não-pagamento de horas extras",
afirma o autor.
Rossi acredita que a medida deverá beneficiar
também os empregadores. "Creio que irá reduzir bastante
o número de solicitações descabidas e de má-fé que
ocorrem após as rescisões de contratos de trabalho em prejuízo
das empresas". De acordo com o projeto, o formulário deverá ter
duas vias, uma do empregado e outra da empresa.
Atualmente, no registro obrigatório
para todos trabalhadores, previsto na CLT, são anotados, além
da qualificação civil ou profissional do empregado, os
dados relativos a admissão, duração e efetividade
do trabalho, férias, acidentes e outras circunstâncias que
interessem à proteção do trabalhador.
Tramitação
A proposta, que tem caráter conclusivo,
foi encaminhada às comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania.
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Diap, 23 de fevereiro de
2007
Um (novo!) fórum para a Previdência
(1)
Autor (a): Vilson Antonio Romero*
Desde que o Governo Lula ganhou, pela
primeira vez, a eleição presidencial, em 2002, prometeu
não promover rupturas nos contratos e que qualquer modificação
constitucional somente ocorreria após amplo e democrático
debate com toda a sociedade.
Ao assumir, o “amplo debate com
a sociedade” foi materializado com a formação do
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado “Conselhão”,
integrado por dezenas de personalidade nacionais, entre elas mais de
40 empresários. Num primeiro momento, lá em 2003, foram
constituídos Grupos Temáticos (GT) para debater as reformas
tributária e previdenciária.
Apesar do pouco tempo dedicado à análise
de tema tão complexo - quatro reuniões - o GT da Previdência
Social finalizou seu relatório no início de abril do mesmo
ano com algumas unanimidades, chamadas “consensos”, que,
em número de 51, apresentavam, de fato, medidas de aperfeiçoamento
da Previdência e da Seguridade Social. A efetiva implantação
da gestão quadripartite, a eliminação de renúncias
e desvios, a criação do Cadastro Único, a centralização
dos recursos da seguridade social, a autonomia na gestão dos recursos,
a criação do fundo previdenciário, entre outras,
eram citadas como fundamentais para a consolidação do sistema
de Seguro Social brasileiro.
Quantos destes “consensos” o
Governo, após toda a mistificação do debate amplo
no “Conselhão”, aproveitou na proposta que resultou
na Emenda Constitucional 20/2003? Somente dois: a uniformização
do teto para todos os poderes e esferas de governo e a instituição
da Previdência Complementar para os futuros servidores!
Um outro “consenso”, o do
equilíbrio contributivo entre folha e faturamento, foi incorporado à Proposta
de Emenda Constitucional nº 41, que tratou da reforma tributária.
Com isto, evidenciaram-se os indícios de que o “Conselhão” foi “consultado” somente
para legitimar um projeto que já estava pronto, antes de começar
o debate.
No próximo dia 12 de fevereiro
será instalado outro grupo para debater a matéria: o Fórum
Nacional de Previdência Social, criado como uma das medidas do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) com a missão
de discutir um novo modelo previdenciário para o País a
ser implementado gradualmente ao longo dos próximos anos. Autoridades
já mencionaram o ano de 2011 para entrada em vigor de novas regras.
Pois este Fórum, em princípio,
segundo o Decreto que o criou, deverá “promover o debate
entre os representantes dos trabalhadores, dos aposentados e pensionistas,
dos empregadores e do Governo Federal com vistas ao aperfeiçoamento
e sustentabilidade dos regimes de previdência social e sua coordenação
com as políticas de assistência social, além de subsidiar
a elaboração de proposições legislativas
e normas infra-legais pertinentes”. Surgirá, inequivocamente,
um embate ideológico. Há os que pretendem reduzir cada
vez mais o tamanho do sistema previdenciário, como já revelado
na proposta divulgada pelos pesos-pesados da economia, as grandes confederações
empresariais, que integram este novo colegiado. Há os que defenderão
o papel social do Regime Geral de Previdência, que se reflete nas
economias da maioria dos municípios brasileiros e dos domicílios
que são mantidos pelo INSS em todo o Brasil.
Autoridades, inclusive, defendem uma nova
metodologia de apresentação dos números da Previdência à sociedade,
depurando o conjunto de benefícios essencialmente contributivos
e acrescendo à conta do sistema todas as renúncias fiscais – cerca
de R$ 14 bilhões só em 2006 - decorrentes de incentivos
a diversos setores da economia. Com certeza, este já será um
passo sério na direção da transparência e
da clareza neste debate que interessa e afeta a vida de gerações
e gerações de brasileiros. Somente se espera que sejam
arquivadas idéias pré-concebidas e visões arraigadas
de um e outro lado de modo a ser proposta a construção
de um modelo previdenciário que preserve e mantenha a cidadania
brasileira. E que este Fórum não sirva somente para legitimar
projetos que há muito lotam gavetas oficiais na Esplanada dos
Ministérios e nas Comissões do Congresso Nacional.
No próximo artigo, analisaremos
as propostas existentes...
Vilson Antonio Romero é jornalista,
diretor da Associação Riograndense de Imprensa e delegado
sindical do Sindifisp/RS – e-mail: vilsonromero@yahoo.com.br – fone
51-99815788
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Diap, 23 de fevereiro de
2007
Um fórum para a Previdência
(2)
Autor (a): Vilson Antonio Romero*
O Fórum Nacional de Previdência
Social se reúne sob a égide de um novo paradigma, inclusive
contábil, com a segregação das contas do INSS dos
gastos assistenciais e das renúncias fiscais – isenções
e incentivos setoriais – de contribuições. Este mecanismo,
apesar de polêmico, traz maior transparência às contas
públicas e uma redução do peso político e
financeiro jogado sobre a previdência social, fazendo um déficit
oficial de R$ 42 bilhões em 2006 transformar-se em algo em torno
dos R$ 4 bilhões.
Técnicos, estudiosos e palpiteiros
de plantão trarão seus projetos, abordando a matéria
com maior ou menor seriedade. Alguns lembrarão o fato de que,
em 20 anos, o Brasil terá cerca de 40 milhões de habitantes
com mais de 60 anos, potenciais beneficiários da previdência.
Além da uniformização
das regras entre os trabalhadores do setor público e da iniciativa
privada, pesquisamos e arrolamos várias teses, algumas conflitantes
entre si, que, provavelmente, serão defendidas no Fórum
integrado por empregados, empresários, aposentados e Governo.
a) Para os trabalhadores da iniciativa
privada, são propostas, entre outras:
- a fixação de idade mínima
para aposentadoria, de até 67 anos, de forma gradativa, igual
para ambos os sexos, eliminando a aposentadoria especial para professores
e a por tempo de contribuição, permanecendo somente a por
idade,
- a indexação de todas as
aposentadorias a um índice impedindo ganhos reais e desvinculando
do salário mínimo;
- a redução gradual das
diferenças entre sexos e o fim do fator previdenciário;
- o estabelecimento de teto de até dois
ou três salários mínimos para o regime de repartição;
acima disto até o teto atual, regime público de capitalização
e além deste, planos privados;
- a gradual substituição
da contribuição sobre a folha por outra fonte de financiamento
ou a redução imediata das alíquotas das empresas
para 15% e dos empregados para 7%;
- a instituição de uma Renda
Básica do Idoso, que seria auferida a partir dos 67 anos, com
ou sem contribuição, no valor de meio salário-mínimo – o
que não seria previdência!;
- a extinção da aposentadoria
rural – ou o trabalhador do campo e seu empregador contribuem normalmente
como os da cidade ou, aos 67 anos, faz jus à Renda Básica;
b) Para os trabalhadores do setor público,
são propostas, entre outras:
- a aplicação do fator previdenciário;
- a imediata implementação
do fundo complementar para a categoria; e
- a instituição de fundo
de previdência para o regime, com contribuição patronal.
Como se percebe, há um universo
de possibilidades a serem embasadas com estudos técnicos que permitirão
ao Fórum e, posteriormente, ao governo tomar a decisão
sobre o que remeterá ao Congresso. Quiçá visando
consolidar a previdência como instrumento de cidadania e garantia
de sobrevivência digna ao trabalhador por ocasião da perda
da capacidade laborativa.
(*) jornalista, diretor da Associação
Riograndense de Imprensa e delegado sindical do Sindifisp/RS – e-mail:
vilsonromero@yahoo.com.br – fone 51-9981-5788
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Diap, 23 de fevereiro de
2007
Previdência Social: o presidente
Lula tem razão
Autor (a): Álvaro Sólon de
França*
A Seguridade Social ocupa no texto da
Carta constitucional um dos principais capítulos do título
relativo à Ordem Social. Compreende um conjunto de ações,
de responsabilidade dos poderes públicos, nas áreas de
saúde, previdência e assistência social, dirigidas
ao alcance de objetivos básicos de uma sociedade democrática:
o bem estar e a justiça social.
A concepção de Seguridade
Social assumida pela Constituição Federal de 1988 foi inovadora
em relação aos preceitos basilares dos programas sociais
desenvolvidos até então em nosso país, bem como
constituiu significativo avanço no campo da definição
dos direitos fundamentais para um exercício pleno da cidadania.
O constituinte de 1988 não foi imprevidente ao adotar o nosso
modelo de Seguridade Social, pois criou as fontes de custeio suficientes
para o pagamento das despesas do sistema, conforme previsto no artigo
195 da Constituição Federal.
O conceito de Seguridade Social adotado
na Carta Magna de 1988, em que pese não haver sido implantado
em sua plenitude, continua atual, coerente e viável. Somente no
ano de 2006 o superávit da Seguridade ultrapassou os 40 bilhões
de reais. Apesar de todos esses objetivos nobres, a Seguridade Social
brasileira tem sido vítima, ao longo dos anos, de todos os tipos
de ataques perpetrados pelos piratas sociais de plantão que acusam
principalmente a Previdência Social de ser a causa dos rombos estratosféricos
nas contas públicas.
Mas, o que os piratas sociais teimavam
em esconder agora está escancarado com a declaração
do presidente Lula, que recentemente afirmou: “"Tenho dito
que [o déficit] não é da Previdência Social. É porque
nós brasileiros resolvemos fazer a mais forte política
social que o país já fez. Isso é um gasto que o
Brasil tem que assumir com os seus pobres. Não vejo nenhum problema."
Por outro lado, pesquisa desenvolvida
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) demonstra
de maneira insofismável que os benefícios previdenciários
são arma fundamental no combate à pobreza e na melhoria
da distribuição de renda, comparáveis aos impactos
de programas sociais. Nas famílias rurais, a renda de quem vive
em lares com idosos é 44% maior do que nas residências sem
velhinhos, por causa da aposentadoria. No campo, nas casas sem aposentados,
82% das crianças são pobres.
Mas, nas residências com idosos,
a proporção de crianças pobres recua para 68%. A
aposentadoria dos idosos sustenta ou ajuda a apoiar cerca de 2 milhões
de famílias na zona rural, segundo levantamento de 2005. Em suma,
os benefícios previdenciários foram fundamentais para que
20 milhões de pessoas superassem a linha de pobreza.
Mas o que querem os piratas sociais com
a divulgação “equivocada” sobre as contas públicas
em geral, e da Previdência Social, em particular? Todos sabem o
que eles querem.
Está escrito nas entrelinhas das
suas “consultorias”, regiamente pagas pela banca nacional
e internacional: benefícios previdenciários e assistenciais
desvinculados do salário mínimo; salário mínimo
com reajuste atrelado ao crescimento do Produto Interno Bruto; Regime
Geral de Previdência Social contemplando somente valores até três
salários mínimos, de três a dez, compulsório
privado, administrado pelo sistema financeiro nacional e internacional;
aposentadorias e pensões dos servidores públicos atreladas
aos fundos de pensão administrados pelas regras do “mercado”;
retirar o preceito constitucional de que saúde é direito
de todos e dever do Estado; acabar com o ensino superior público
gratuito; manietar, com falta de recursos, o Poder Judiciário,
e suprimir as prerrogativas do Ministério Público.
Esses piratas sociais, que hoje fazem
coro pela reforma do sistema previdenciário brasileiro, são
os mesmos que exaltavam o sistema previdenciário chileno, privatizado
por Pinochet, e que hoje está sendo revisto por uma posição
corajosa da nova presidente do Chile, a socialista Michelle Bachelet,
que determinou um novo patamar de pensões mínimas para
os idosos e desamparados.
A Seguridade Social estampada na Carta
Magna de 88 constitui um avanço extraordinário na redução
das nossas profundas desigualdades sociais. Lutar pelo seu aperfeiçoamento é dever
de todos os brasileiros que querem uma nação mais justa
e solidária.
Precisamos gerar em nossa sociedade um
maior espírito de preservação e de aperfeiçoamento
da Previdência Social, estimulando as chamadas "elites pensantes" a
estudar com maior acuidade o que representa a instituição
na melhoria do padrão de vida de tantas localidades que muitas
vezes não fazem parte do nosso mapa de preocupações.
Cremos que a Previdência Social
está cumprindo o seu papel na construção de um Brasil
mais justo e solidário. Destarte, conclamamos toda a sociedade
para que nos ajude a aperfeiçoá-la, tornando-a cada vez
mais pública e eficaz, sob pena de sermos “pegos de surpresa” pelos
piratas sociais travestidos de arautos da modernidade, mas que, na realidade,
estão a serviço do sistema financeiro nacional e internacional,
até porque essa gente tem ojeriza à solidariedade entre
as pessoas e as gerações.
Assim como as pessoas, a Nação
tem alma. A alma da Nação brasileira é a Seguridade
Social. Não podemos permitir que os piratas sociais roubem também
a nossa alma.
(*) Álvaro Sólon de França – Auditor
Fiscal da Previdência Social – Ex-secretário-executivo
do Ministério da Previdência Social – Autor dos Livros
A Previdência Social é Cidadania e A Previdência Social
e a Economia dos Municípios. E-mail: alvarosolon@uol.com.br
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Folha
de São Paulo,
23 de fevereiro de 2007
Renda sobe 4,7%, mas não recupera
perdas
Apesar de crescer por 19 meses seguidos, rendimento
do trabalhador ainda está abaixo dos níveis de 2002, aponta IBGE | Com inflação
baixa, valor per capita nos domicílios tem alta de 5,9% e revela
maior poder aquisitivo das famílias, diz instituto PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A taxa de desemprego ficou estável em janeiro (9,3%) em relação
a igual mês de 2006, mas o rendimento nas seis principais metrópoles
do país manteve firme sua trajetória de recuperação
e cresceu 4,7%. Desde julho de 2005, o rendimento cresce sem interrupção
quando comparado com o mesmo mês do ano anterior. Em dezembro,
a alta havia sido de 4,5%, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego
do IBGE.
A renda média ficou em R$ 1.066,10 em janeiro, já descontada
a inflação. Apesar do crescimento por 19 meses seguidos,
o rendimento ainda não voltou aos níveis do período
anterior à crise pré-eleitoral de 2002 que levou o dólar
a bater em R$ 4 e arrastou a economia a uma recessão que perdurou
em 2003. Na média de 2002, a renda ficou em R$ 1.127,53. Em 2003,
caiu 12,2% e até agora não se recompôs. "O que
vimos até agora foi só uma recuperação da
renda. Não houve um ganho de fato, um avanço real. Mas
em 2007 vamos voltar para os níveis de 2002 porque a renda deve
continuar a crescer", disse Marcelo de Ávila, economista
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Já o economista Fábio Romão, da LCA, não
se mostra tão otimista. Diz que neste ano a renda continuará em
alta, mas não repetirá o mesmo crescimento de 2006 -quando
subiu 4,3% e chegou a R$ 1.045,75. O motivo, diz ele, é que a
inflação não será tão baixa quanto
no ano passado -o INPC ficou em 2,92%. A LCA projeta um índice
próximo a 4%. Outro fator determinante, avalia, é que o
reajuste do salário mínimo, que teve um ganho real de 13%
em 2006, será menor neste ano. "O aumento será mais
modesto, perto de 5%."
"Acomodação"
Se a recuperação em relação a 2006 continua,
na comparação com dezembro do ano passado a renda teve
um tropeço: caiu 1,1%, depois de três meses seguidos de
crescimento. Para Ávila, do Ipea, a retração ante
dezembro "foi uma acomodação e não representa
uma nova tendência de queda do rendimento". Segundo Cimar
Azeredo Pereira, gerente da pesquisa de emprego do IBGE, a demissão
dos empregados temporários também afetou o rendimento,
assim como ocorreu com o desemprego.
É que eles trabalham em sua maioria no comércio, por curto
período e têm ganhos inflados por comissões. O rendimento
médio dos trabalhadores do comércio caiu 1,9% de janeiro
para dezembro. Já na comparação anual, os destaques
foram as altas no rendimento dos trabalhadores da construção
civil (13,5%) e de serviços domésticos (7,1%).
Famílias
O IBGE calculou ainda a renda domiciliar per capita,
indicador do poder de compra das famílias, obtida a partir da soma dos rendimentos
dos trabalhadores dividida pelo número de pessoas do lar. No mês
passado, houve uma expansão de 5,9% na comparação
com janeiro de 2006. "O crescimento da renda domiciliar no ano está relacionado
com a queda da inflação e revela o aumento do poder aquisitivo
da família", disse Azeredo, do IBGE. De dezembro para janeiro,
a renda domiciliar apresentou um recuo de 1,1%, ficando em R$ 661,80.
De uma média de 3,2 pessoas por família, 1,7 estava ocupada
em janeiro.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de fevereiro de 2007 | Economia
Comprovante de rendimentos deve ser
entregue até quarta-feira
As empresas e pessoas físicas que fizeram pagamentos com retenção
de imposto em 2006 têm até o dia 28 deste mês para entregar
a seus funcionários o Comprovante de Rendimentos. O documento é utilizado
pelos contribuintes para preencher a declaração do Imposto de
Renda.
O comprovante é importante para
o trabalho de fiscalização da Receita Federal. Os dados
fornecidos pelas empresas por meio da DIRF são cruzados com os
prestados pelos trabalhadores na declaração com base no
Comprovante de Rendimentos.
A empresa que deixar de entregar o Comprovante
de Rendimentos dentro do prazo pagará multa de R$ 41,43 por documento.
O período de entrega da declaração
de IR vai de 1.º de março a 30 de abril. Deve declarar quem
obteve em 2006 rendimentos tributáveis superiores a R$ 14.992,32.
A expectativa do supervisor nacional
do Imposto de Renda, Joaquim Adir, é que o número de
declarações entregues neste ano atinja 23,5 milhões,
contra 22 milhões em 2006.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de fevereiro de 2007 | Economia
Caixa pode garantir recurso do FGTS
Rio – A Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) considera que a Caixa Econômica Federal e o Tesouro
Nacional podem garantir a remuneração de Taxa Referencial
(TR) acrescida de 3% na aplicação de recursos do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC).
O presidente do órgão regulador,
Marcelo Trindade, recebeu ontem a visita de dirigentes de centrais sindicais
e disse que a garantia nesses fundos em geral é concedida pelo
administrador, no caso a Caixa. “Normalmente a garantia é dada
pelo administrador’’, afirma.
“O que a regulação
não permite é que o próprio fundo dê as garantias.
A regulação não proíbe que terceiros dêem
garantia. Isso é perfeitamente possível.’’
A medida provisória 349, que faz
parte do PAC , prevê que R$ 5 bilhões sejam usados nesse
fundo de investimento. O valor pode chegar a 80% do patrimônio
líquido do FGTS. Ele totaliza R$ 21,2 bilhões e é a
diferença entre o patrimônio total (R$ 184,3 bilhões)
e o saldo das contas dos trabalhadores.
A MP prevê que o trabalhador possa
aplicar 10% de sua conta apenas nos projetos que serão contemplados
pelo fundo de infra-estrutura com recursos do FGTS. Nesse caso, os trabalhadores,
quando forem autorizados a investir no fundo, terão que assumir
o risco de perdas.
O presidente da Força, Paulo Pereira
da Silva, o Paulinho, afirmou que tem reunião marcada na próxima
semana com o governo para tentar chegar a um entendimento sobre o caso.
As centrais estudam ainda a criação
de um fundo de investimento para aplicação em empresas
consolidadas, mas sobre esse ponto ainda não há consenso.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de fevereiro de 2007 | Economia
Com inflação baixa,
aumenta o poder de compra das famílias
Embora a renda do trabalhador tenha caído, a mesma pesquisa do IBGE
diz que o poder de compra das famílias aumentou nas seis principais
regiões metropolitanas do Brasil em janeiro. Conforme destacou o gerente
da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azevedo, o rendimento médio real
per capita por domicílio nas seis regiões cresceu 5,9% em janeiro
ante igual mês do ano passado, acima do avanço de 4,7% no rendimento
médio real dos trabalhadores no período.
Ele explica que a renda domiciliar
per capita é a razão entre o rendimento proveniente de
trabalho de todas as pessoas ocupadas do domicílio e o total
de pessoas do domicílio, excluindo os pensionistas, empregados
domésticos e parentes de empregado doméstico. Na média
das seis regiões, essa renda chegou a R$ 661,80 em janeiro deste
ano, ante R$ 624,95 em janeiro de 2006. O rendimento médio real
do domicílio aumentou 5,6% no período, passando de R$
1.714,75 em janeiro do ano passado para R$ 1.811,10 em igual mês
de 2007. O principal fator é a inflação baixa.
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JORNAL GAZETA MERCANTIL,
23 de fevereiro de 2007
Um plano para a próxima década
Brasília, 22 de Fevereiro de 2007
- Construção civil propõe ao governo um "banco
de projetos" para o período pós-PAC. Os integrantes
do setor de construção civil querem aproveitar o clima
favorável gerado pelo Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) para tentar emplacar novo tema na pauta nacional. Em
março, o setor vai sentar-se à mesa com o governo federal
para traçar um plano de prioridades para a infra-estrutura da
próxima década. A intenção é avaliar
as demandas e as possibilidades para começar a esboçar
planos que serão executados no período pós-PAC.
Especialistas avaliam que a discussão é necessária
porque o Brasil não conta com uma "prateleira de projetos",
como citou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no anúncio
do PAC. Se esse banco de idéias não for constituído
rapidamente, há chance de um "apagão" de planejamento
no início da próxima década.
Deve ocorrer em meados do próximo
mês uma reunião de técnicos dos Ministérios
do Planejamento, Transportes e Cidades com representantes do setor da
construção civil. No encontro, começará a
discussão sobre as prioridades das políticas públicas
para a infra-estrutura no médio e longo prazos. "Vamos colher
a avaliação do governo para estabelecer o norte dos grandes
projetos do período pós-PAC, para os próximos dez
anos", disse o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de
Engenharia Consultiva (Sinaenco), José Roberto Bernasconi.
A reunião ocorrerá em um
momento importante para a indústria da construção.
Com a promessa de que os recursos do PAC não serão contingenciados
pela equipe econômica e diante do aumento do Plano Piloto de Investimento
(PPI), projetos podem começar a sair do papel com mais rapidez.
Isso abriu a discussão sobre a necessidade de alimentar o banco
de projetos do País. "Se nada for feito, esse será um
dos gargalos da economia no médio prazo. O projeto de uma grande
obra demora dois ou três anos para ser concluído. Por isso,
temos que começar agora", avalia o vice-presidente da Associação
Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), Carlos
Zveibil Neto.
No governo, a preocupação
também cresce. Durante a apresentação do PAC no
Congresso, a ministra Dilma Rousseff classificou a criação
de um banco de projetos como um dos principais legados para o próximo
governo. Ela citou que uma usina hidrelétrica, por exemplo, precisa
de cinco anos para ter o projeto concluído. "Se não
se constitui uma prateleira de projetos, o País não dá seqüência
ao seu desenvolvimento. Um governo tem de ser cobrado pelo que fez durante
sua gestão e também pelo que legou para a próxima
gestão", disse.
Mesmo antes da reunião com o governo,
Bernasconi diz que é possível apontar para algumas diretrizes
que devem dominar as discussões. Ele aponta para o fortalecimento
do transporte ferroviário, com a possível implantação
da ligação expressa entre o Rio de Janeiro, São
Paulo e Campinas (SP). O projeto, que é tema de discussão
há anos, voltou a ganhar força com o crescimento do transporte
aéreo e o conseqüente estrangulamento do setor. Além
disso, grupos estrangeiros têm estudado o mercado e há consultas
informais sobre qual modelo – concessão ou parceria público-privada
(PPP) – que poderá ser usado na ligação entre
as três cidades.
Ainda no transporte, um grande programa
de ampliação e modernização dos portos
deve ser colocado em discussão. Uma das intervenções
seria em Santos, litoral paulista, onde há estudo sobre a reformulação
das ligações férreas e rodoviárias, além
da construção de um túnel de 2,7 km entre as duas
margens do canal do porto, o que evitaria percurso de 45 km feito pelos
caminhões. Nas rodovias, o destaque deve ficar com a duplicação
de trechos mais distantes dos grandes centros, como no Centro-Oeste
e Nordeste e interior do Sudeste. Além da construção
ou conclusão de anéis viários em diversas capitais.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de fevereiro de 2007 | Economia
Falhas no PAC podem condenar País à ´mediocridade´,
diz FT
Financial Times afirma que investimentos feitos
de forma errada podem posicionar o Brasil como um país ´subemergente´,
abaixo de Rússia, China e Índia
João Caminoto
LONDRES - O jornal Financial Times publica
nesta quinta-feira, 22, um extenso artigo sobre o governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, com declarações do ministro
da Fazenda, Guido Mantega e da Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
O diário financeiro britânico questiona se o presidente
irá pender mais para a esquerda e afirma que falhas no plano econômico
para seu segundo mandato "poderão condenar o Brasil a ficar
atrás" de outros grandes países emergentes que compõem
o grupo Bric - Rússia, China e Índia. "Nas palavras
do chefe de pesquisa do banco WestLB em Nova York, Ricardo Amorim, o
Brasil está parecendo mais uma economia subemergente do que uma
emergente", disse o jornal.
O FT observa que, na avaliação
dos principais ministros do governo, o Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC), alicerçado no aumento dos gastos públicos
em infra-estrutura, obterá seu objetivo sem prejudicar a estabilidade
financeira e econômica. "Nós no governo Lula acreditamos
que o trabalho intenso feito ao longo dos últimos quatro anos
para criar um ambiente macroeconômico estável nos permite
agora buscar um crescimento econômico mais rápido",
disse Rousseff, que segundo o FT é "de facto" a primeira-ministra
do governo.
O governo garante que mesmo com uma redução
do superávit primário com o objetivo de aumentar os investimentos
em infra-estrutura, a relação entre a dívida e o
PIB, atualmente em cerca de 50%, continuará declinando. "Entretanto,
muitos economistas consideram isso uma diluição da determinação
fiscal do governo, o que tornar menos provável uma vigorosa reforma
de mercado", disse o FT.
Mantega disse que o governo está consciente
da necessidade de remover as barreiras burocráticas ao crescimento
e demonstrou otimismo com o impacto da planejada reforma tributária. "Vamos
juntar todos nossos impostos indiretos num único imposto de valor
agregado nacional", disse o ministro. "Temos um cronograma
de trabalho no qual todas essas coisas vão acontecer e no dia
6 de março teremos nosso primeiro encontro com os governadores
de Estado."
Estímulo ao crescimento
Mas o FT observa que, segundo os críticos
do governo, esses esforços não são suficientes. "Muitos
concluíram que o governo está se tornando menos convencido
de que a ortodoxia é o caminho a ser seguido", disse. "Na
verdade", acrescenta o jornal, "o governo parece estar perdendo
a disciplina fiscal que manteve durante o primeiro mandato de Lula".
Segundo o FT, ao invés de cortar
gastos ou implementar outras reformas, o PAC deixa claro que o governo
colocou toda sua fé no poder do investimento para estimular a
atividade econômica. Rousseff disse que o plano pega "a variável
do investimento como a variável determinante para aumentar a taxa
de crescimento econômico". A ministra foi taxativa ao descartar
uma reforma trabalhista. "Isso não está na agenda
do governo. Acreditamos que existem outras prioridades maiores",
disse Rousseff.
No entanto, segundo o FT, talvez as maiores
dúvidas sobre o segundo mandato de Lula estejam relacionadas a
suas prioridades: crescimento econômico ou melhora na distribuição
de renda? "Na verdade, se o persistente crescimento lento foi o
fracasso do primeiro mandato de Lula, seu notável sucesso ocorreu
na distribuição de renda", disse o jornal. "Programas
de bem estar social baratos e muitos direcionados, e, acima de tudo,
inflação baixa e preços altos na exportação
de commodities ajudaram a produzir melhoras nas condições
de vida dos pobres que tornaram Lula o presidente mais popular da história
do Brasil."
Segundo o FT, o temor manifestado por
alguns analistas não é que o segundo mandato de Lula vai
tomar a rota do populismo. "O temor é que ao fracassar em
aproveitar a oportunidade oferecida pelas condições benignas
globais para reformular o Estado, ele condenará o país
a muitos mais anos de mediocridade", disse.
Gás boliviano
O jornal também avalia as negociações
com a Bolívia pelo gás natural dizendo que o País "poderá pagar
um preço pelo generoso acordo do gás" firmado na semana
passada com o presidente Evo Morales.
Segundo o diário britânico,
a maneira como o acordo foi estruturado parece o objetivo de "permitir
que uma coisa seja dita e outra aconteça". O preço
que a Petrobrás paga pelo gás natural permanecerá inalterado. "Mas
a Petrobrás vai pagar mais", disse. Segundo o jornal, o acordo
também envia "um sinal negativo para os investidores preocupados
com a incerteza regulatória". O FT observou que a ministra-chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, numa entrevista recente, disse que o governo
está disposto a criar regras claras para os investimentos de longo
prazo. "O acordo da semana passada parece um passo na outra direção",
disse o jornal.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de fevereiro de 2007 | Economia
País precisa voltar a trabalhar,
diz Meirelles
Essa foi a justificativa do presidente do
BC para uma série de reuniões realizadas na Quarta-Feira
de Cinzas, em meio a rumores de mudanças na sua equipe
Adriana Fernandes
BRASÍLIA - Para justificar uma
série de reuniões em plena Quarta-Feira de Cinzas em meio
aos rumores de mudanças na sua equipe, o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles, afirmou na quarta à noite que o Brasil precisa
crescer e voltar a trabalhar depois do carnaval.
"Hoje é Quarta-Feira de Cinzas
e o carnaval já acabou. Então, o País precisa voltar
a trabalhar. Estamos retomando. Afinal de contas o País precisa
crescer", afirmou Meirelles, depois de uma reunião de mais
de uma hora com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Antes de se reunir
com Mantega no Ministério da Fazenda, Meirelles teve um encontro
reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O encontro de Mantega e Meirelles, após
a reunião com o presidente, alimentou os rumores de que o Meirelles
está fechando a composição de uma nova equipe para
a diretoria do Banco Central. A reunião não estava prevista
na agenda do ministro.
Meirelles classificou as reuniões
de "rotina normal de trabalho", mas se esquivou de responder
sobre a sua permanência na presidência do BC com mudanças
na diretoria. "Com uma certa freqüência nós nos
encontramos, o que é uma reunião normal de trabalho sem
maiores implicações nesse sentido. Continuamos trabalhando
firme. Não me compete comentar sobre esse assunto que é uma
prerrogativa do presidente da República", disse ele.
Diante da insistência dos repórteres
sobre a saída de alguns diretores, o presidente do BC respondeu: "Eu
já mencionei isso em outras oportunidades de que a partir do momento
que houver uma definição do presidente da República
e, se essa definição for no sentido de haver uma continuidade,
certamente será o momento de conversarmos com os diretores e,
a partir daí, determinar os planos de cada um", afirmou.
O diretor de Normas do Banco Central,
Alexandre Tombini, saiu antes de Meirelles da reunião com o
ministro e foi ainda mais evasivo quando questionado sobre o encontro: "Que
reunião?", perguntou.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de fevereiro de 2007 | Economia
INSS convoca 285 mil que podem ter
benefício suspenso
Essas pessoas possuem benefício com
final 9 e não atualizaram seus dados quando foram convocadas
pelo Censo Previdenciário, em dezembro e janeiro
SÃO PAULO - O Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) convoca nesta sexta-feira, 23, 284.908 beneficiários
que ainda não compareceram para atualizar seus dados. Essas pessoas
possuem o benefício com final 9 e foram convocadas pelo Censo
Previdenciário em dezembro de 2006 e janeiro de 2007.
Esses beneficiários têm 30
dias para comparecer à agência bancária onde recebem
os pagamentos. Após 30 dias o benefício será suspenso
e permanecerá nessa condição por mais 90 dias, período
em que o beneficiário pode reativá-lo no próprio
banco, mediante a realização do Censo.
Segundo o site da Previdência, caso
o Censo, ainda assim, não seja feito, o benefício é cessado
e só pode ser reativado em uma Agência da Previdência
Social. A partir deste edital não haverá mais publicação
de editais de suspensão de benefícios, pois o texto já notifica
o beneficiário da suspensão, e posterior cessação,
caso os prazos não sejam cumpridos.
Na primeira etapa do Censo, realizada
de novembro de 2005 a agosto de 2006, dos 2.420.361 benefícios
previstos, 69.366 (2,9%) não fizeram o Censo.
Já na segunda etapa, iniciada em
maio de 2006, dos 14.771.960 benefícios previstos, 1.654.697 (11,2%)
não participaram do recadastramento.
Representados
No sábado, 24, o INSS publica um
edital inédito: Edital de Notificação de Beneficiários
- Representados por Tutores, Curadores e Procuradores - Não Encontrados.
Serão 31.332 benefícios cujos titulares fizeram o Censo
por meio de procuradores ou representantes legais.
Quando servidores do INSS fizeram pesquisa
externa (visita às residências) para comprovação
de vida do titular do benefício, esses não foram encontrados
no endereço fornecido no ato do recenseamento.
Os titulares, ou seus procuradores/representantes
legais, têm 30 dias para comparecer à Agência da Previdência
Social e fornecer o endereço correto. Caso contrário, o
benefício é suspenso e permanece nessa condição
por mais 90 dias. Após esse período, o benefício é cessado.
Caso os titulares dos benefícios
atendam a este chamado por meio de representante legal, será emitida
nova pesquisa externa para a comprovação da vida do titular.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de fevereiro de 2007 | Economia
INSS terá que devolver valor
pago a mais por aposentado
Decisão abre precedente para recuperação
de valores pagos indevidamente
SÃO PAULO - Decisão inédita
do Superior Tribunal de Justiça (STJ) abre a possibilidade de
segurados recuperarem valores pagos indevidamente ao Instituto Nacional
de Seguro Social (INSS). Com isso, o órgão terá que
devolver as quantias pagas a mais pelo aposentado João Braga Rodrigues,
do Rio Grande do Sul.
O STJ confirmou decisão do Tribunal
Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) favorável ao
aposentado, que decidiu filiar-se como segurado facultativo da Previdência
enquanto o Judiciário não definisse sobre o pedido de aposentadoria,
negado administrativamente.
João Braga Rodrigues tinha condições
para se aposentar em agosto de 1993, mas decidiu, em razão da
negativa do INSS, continuar contribuindo com a Previdência para
não perder a condição de segurado. O objetivo era
não ter de se submeter novamente a um período de carência,
caso o Judiciário julgasse ser improcedente o pedido. Em razão
da quantia paga a mais, pediu o dinheiro de volta.
O INSS se recusou a devolver os valores
com o argumento de que não se tratava de uma contribuição
obrigatória. A defesa da autarquia justificou que o contribuinte
facultativo está na base de financiamento da seguridade social
e faz parte do universo em que se encontra o respaldo da solidariedade
contributiva de todo o sistema.
Para o relator do caso no STJ, ministro
Francisco Falcão, no entanto, é justa a solução
dada pelo TRF da 4ª Região, que acolheu a pretensão
do aposentado de receber as quantias pagas a mais, tendo em vista também
que os valores pagos por Rodrigues não vão corresponder
a uma contraprestação do INSS, segundo informações
divulgada no site do STJ do Distrito Federal.
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AGÊNCIA BRASIL, 23
de fevereiro de 2007
Banco para a América do Sul é criado
em acordo entre Argentina e Venezuela
Da Agência Télam
Buenos Aires (Argentina) - Entre os 18
convênios assinados entre Argentina e Venezuela ontem (21) teve
destaque a concretização do Banco do Sul, para financiar
projetos de desenvolvimento de países mais pobres da América
do Sul. A idéia partiu do presidente venezuelano Hugo Chávez.
Chávez e o presidente argentino
Néstor Kirchner ressaltaram a importância do Banco do Sul.
Um dos primeiros objetivos do banco seria financiar parte do gasoduto
entre Bolívia e Argentina.
Kirchner disse que o organismo deveria
ter “uma filosofia diferente de alguns bancos internacionais”,
que “se converteram em verdadeiros castigos para os povos”.
O chefe de Estado venezuelano deu alguns
detalhes sobre a constituição da nova entidade financeira,
que se formará, a princípio, "com um capital inicial
de US$ 1 bilhão" e que "terá 120 dias para a
constituição e posterior assinatura do estatuto".
"Estão convidados todos os
governos da América Latina", disse Chávez. Ele adiantou
que a sede central estará em Caracas, capital da Venezuela, e
que haverá outra em Buenos Aires. O presidente venezuelano disse
que Evo Morales, presidente da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador,
já comunicaram a intenção de "aderir" ao
Banco do Sul.
"Nasce bilateralmente, mas sem abandonar
a filosofia multilateral, que é o fim último a conquistar,
porque não é um empreendimento entre Argentina e Venezuela,
mas [um projeto] que podem aderir todos os países da região,
independente do bloco [Mercosul ou Comunidade Andina de Nações]
do qual pertençam", ressaltou Kirchner.
O argentino assegurou que seu país
e a Venezuela “são e serão, por nossa concepção
e por como entendemos a construção de nossas realidade,
absolutamente respeitosos nas relações e nas situações
internas de cada país”.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de fevereiro de 2007
Tem de acertar
Casal separado deve pagar débitos
trabalhistas
Marido e mulher, mesmo se estiverem separados,
têm obrigação de quitar débitos trabalhistas
de empregada doméstica. Com esse entendimento, a 6ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho confirmou a responsabilidade solidária
de um casal gaúcho, separado judicialmente, pelo pagamento dos
débitos trabalhistas a uma empregada doméstica.
A particularidade do caso é a de
que o ex-marido contratou a empregada doméstica para a prestação
de serviços na casa de sua ex-mulher e filhas. Apesar da separação
do casal, a pendência da dívida trabalhista colocou os ex-cônjuges
lado a lado.
Durante o julgamento, a Turma negou Agravo
de Instrumento apresentado pelo ex-marido e manteve decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, favorável à trabalhadora.
Em 1998, ela entrou com processo pedindo
o reconhecimento do vínculo empregatício e o pagamento
das verbas trabalhistas. Argumentou que prestou serviços em dois
períodos distintos, entre julho de 1989 e julho de 1992 e entre
julho de 1994 e novembro de 1997.
O marido alegou que não poderia
ser responsabilizado, pois já estava separado judicialmente desde
1987. Segundo ele, a empregada prestou serviços à sua ex-mulher,
já que moram em casas diferentes. “Tanto a contratação,
que foi feita pela reclamada (ex-esposa), bem como a prestação
de serviço, foram feitos em favor da reclamada, o que deve ser
observado”, argumentou.
Em primeira e segunda instâncias,
o pedido foi acolhido. O juiz reconheceu o vínculo e determinou
que o casal pagasse os períodos de férias (simples e em
dobro) acrescidas de um terço, 13º salário, aviso
prévio e indenização do vale-transporte. O Tribunal
Regional do Trabalho gaúcho entendeu que “o reclamado (ex-marido)
assumiu responsabilidade na contratação de uma empregada
doméstica que executaria seus serviços na residência
de sua ex-esposa e filhas”.
No TST, o ex-marido sustentou que o vínculo
de emprego entre ele e a empregada doméstica seria impossível
diante dos requisitos dos artigos 2º e 3º da CLT. Esses dispositivos
definem como empregador aquele que assalaria e dirige a prestação
pessoal de serviço e, como empregado, a pessoa física que
presta serviços de natureza não eventual a empregador,
sob dependência deste e mediante salário. Acrescentou que
nunca foi empregador ou tomador de serviços da empregada que sequer
prestou serviços em sua residência.
O relator, ministro Horácio de
Senna Pires, considerou válidos os argumentos das decisões
anteriores e ressaltou que para alcançar o objetivo pretendido
pelo condenado solidariamente, seria necessário o exame de fatos
e provas, procedimento vedado ao TST.
AIRR 89.968/2003-900-04-00.0
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/02/2007
TST mantém condenação
de empresa que não contratou aprendiz
A instrução normativa editada pelo TST em decorrência da
ampliação da competência da Justiça do Trabalho
pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (reforma do Judiciário) estabelece
que a sistemática recursal aplicável às ações
relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos
de fiscalização das relações de trabalho é a
mesma prevista na CLT. Com esse esclarecimento do juiz convocado José Ronald
Cavalcante Soares, a Sexta Turma do TST rejeitou agravo de instrumento da Nazaré Comercial
de Alimentos e Magazine Ltda., de Belém do Pará, autuada por
irregularidades na contratação de menores aprendizes.
A empresa foi autuada pela Delegacia Regional
do Trabalho (DRT) por não cumprir a cota legal de contratação
de menores aprendizes e recorreu à Justiça do Trabalho
com o objetivo de anular o auto de infração, alegando que
não cumpriu a cota estipulada porque as vagas a serem preenchidas
eram em local insalubre e perigoso, no caso, a cozinha sem refrigeração.
A 5ª Vara do Trabalho de Belém, ao apreciar a ação
anulatória cumulada com pedido de tutela antecipada, julgou totalmente
improcedente o pedido, mantendo o auto de infração, condenando
a empresa ao pagamento de custas (R$ 100,00), calculadas sobre o valor
da alçada (R$ 5.000,00).
A empresa recorreu ao Tribunal Regional
do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá), que
negou provimento ao apelo. Inconformada, a Nazaré Comercial de
Alimentos e Magazine recorreu ao TST, mas o recurso não foi remetido à Corte
superior em razão de deserção. Segundo o TRT, a
empresa tinha a obrigação de efetuar o depósito
recursal como condição de admissibilidade do recurso. Embora
as custas tenham sido pagas, o depósito recursal não foi
efetivado. No agravo de instrumento perante o TST, a empresa alegou que
a decisão regional estaria “equivocada”, já que
não seria obrigada a recolher o depósito recursal uma vez
que a ação não envolve empregado e empregador.
Ao manter a decisão que apontou
o recurso deserto, o juiz relator afirmou que a defesa da empresa “não
se atentou para a inovação introduzida pela reforma do
Judiciário (EC nº 45/2004), que alterou a redação
do artigo 114 da Constituição Federal, outorgando competência
material à Justiça do Trabalho para processar e julgar
as ações relativas às penalidades administrativas
impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização
das relações de trabalho”. Após a EC 45, o
TST editou a Instrução Normativa nº 27/2005, segundo
a qual a sistemática recursal a ser observada nessas ações é a
mesma da CLT, inclusive no tocante à nomenclatura, à alçada,
aos prazos e às competências. Com isso, o depósito
recursal é requisito extrínseco do recurso, quando houver
condenação em pecúnia.
A questão de mérito, que
não chegou a ser apreciada pela Sexta Turma do TST em face da
deserção do recurso, envolve a Lei nº 10.097/2000,
que prevê a contratação de um percentual de jovens
de 14 a 18 anos sobre o quadro funcional das empresas. São 5%,
no mínimo, e 15%, no máximo, de menores aprendizes que
devem ser empregados. A Nazaré Alimentos tinha em seu quadro, à época,
247 empregados. Se a cota fosse cumprida, deveriam ser contratados 12
jovens. Porém, a exigência da DRT restringiu-se a sete menores
aprendizes, em razão da especificidade das funções,
mas nem assim a empresa enquadrou-se. (AIRR 958/2005-005-08-40.6)

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