 |
Folha de São Paulo,
26 de fevereiro de 2007
FGTS com ação da empresa
rendeu bem em 2006
DA REPORTAGEM LOCAL
Quem tem parte de seu FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) aplicada em um dos fundos montados com ações
da Petrobras não deve se assustar com esse momento de baixa das
ações. Analistas lembram que esse investimento feito com
recursos do FGTS deve ser encarado como uma aplicação de
longo prazo e que não há motivos para sair dela neste momento.
Mesmo assim, os fundos FGTS/Petrobras tiveram saques líquidos
de R$ 61,57 milhões neste ano. Nos últimos 360 dias, os
saques totalizam R$ 458,5 milhões, segundo números da Anbid
(Associação Nacional dos Bancos de Investimento). O patrimônio
líquido desses fundos hoje está em R$ 5,61 bilhões.
Para quem decide sair dessas aplicações,
não são dadas muitas opções para destinar
os recursos. Quem saca suas economias de um fundo com recursos do FGTS
não pode utilizar o dinheiro como desejar, a não ser nos
casos extraordinários de demissão sem justa causa, aposentadoria
e compra de casa própria. E voltar para a conta do FGTS, que paga
rendimento de só 3% ao ano mais TR (Taxa Referencial), não é uma
opção muito interessante.
No ano, os fundos FGTS/ Petrobras têm desvalorização de
8,97%, até o dia 16. Em 12 meses, somam ganho de apenas 2,38%.
Mas o balanço de 2006 foi bem positivo:
a valorização acumulada no ano passado alcançou
os 35,67%. Os fundos FGTS/Petrobras carregam em suas carteiras principalmente
ações ON (ordinárias) da Petrobras. Esses papéis
tiveram valorização de 2,06% na semana passada. Porém,
o resultado acumulado em 2007 ainda é decepcionante: queda de
7,48%. A possibilidade de comprar ações da Petrobras com
recursos do FGTS foi dada pelo governo em 2000. Em agosto daquele ano,
312 mil trabalhadores utilizaram até 50% de seu FGTS para comprar
ações da Petrobras, em uma operação que movimentou
R$ 1,6 bilhão. (FV)
|
Nova Central, 25 de fevereiro
de 2007
Brasileiros desperdiçam cerca
de 30% dos alimentos, diz estudo
A falta de mão-de-obra especializada para o manuseio de frutas e verduras
durante o fornecimento a supermercados, restaurantes e bares tem contribuído
para o desperdício de alimentos no Brasil. Por conta disso, parte desses
produtos chega danificada à mesa dos brasileiros. De acordo com a organização
não-governamental (ONG) Prato Cheio, cerca de 30% dos alimentos, que
poderiam ser utilizados de outra forma, vão para o lixo após
a compra.
Segundo a gerente-geral da ONG, Miriam Ferrari, a organização
combate o desperdício nos centros urbanos. Ela ressalta, entretanto,
que o processo de perda de produtos tem início logo após a colheita,
na zona rural. Os alimentos são encaixotados de qualquer forma e em
recipientes não apropriados. "Ninguém está preocupado
em aperfeiçoar esse serviço e, quando o alimento chega às
cidades, as caixas são jogadas. Os alimentos são tratados de
qualquer forma e, por isso, ficam amassados e danificados", afirma Miriam.
O que a ONG Prato Cheio pretende é justamente
tentar acabar com o desperdício de produtos alimentícios,
estimulando a doação, pelos comerciantes e pela população,
em geral. No entanto, Miriam lembra que a intenção é fugir
do cunho assistencialista e. por isso, a Prato Cheio também oferece
cursos sobre manipulação, estocagem e higienização
de alimentos, além de cursos de culinária, nos quais se
ensina a aproveitar ao máximo a comida.
"Levar o alimento para a pessoa é estar
conivente com uma situação de comodismo. A partir do momento
em que se criam cursos de capacitação, estamos ensinando
as pessoas a não desperdiçar quando chega o alimento. Além
disso, fazer com que as pessoas repassem os conhecimentos para o resto
da comunidade é um ato de cidadania e de transformação
social", afirma.
A ONG Prato Cheio atende 29 instituições.
Os alimentos doados são avaliados por um nutricionista, que supervisiona
a qualidade dos produtos para o consumo. Segundo Miriam, isso assegura
doações, principalmente, de comerciantes. "Eles ficam
inseguros por conta de uma lei que aponta o comerciante como responsável
por qualquer dano causado a pessoa que comer alguma comida e passar mal".
Um projeto de lei conhecido por
Estatuto do Bom Samaritano, que aguarda votação no Congresso
Nacional, tem como proposta transferir a responsabilidade civil e criminal
dos doadores para as entidades beneficiadas.
|
Nova Central, 25 de fevereiro
de 2007
Nível de emprego na construção
civil brasileira cresceu 7% em 2006
O nível de emprego na construção civil brasileira cresceu
7% em 2006 na comparação com 2005. Segundo dados do SindusCon-SP
(Sindicato da Construção) e da FGV Projetos, no ano passado foram
criados 98,1 mil postos de trabalho na construção civil com carteira
assinada no país, sendo 27,8 mil no Estado de São Paulo. Segundo
o levantamento, que tem como base dados do Ministério do Trabalho e
Emprego, construção brasileira fechou o ano empregando 1,49 milhão
de trabalhadores, dos quais 412,7 mil no Estado de São Paulo.
O desempenho do setor de construção
no ano passado foi bem melhor, por exemplo, do que o verificado na indústria,
que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
mostrou estagnação no emprego. Em dezembro, entretanto,
houve redução de 2,5% no total de postos na construção,
na comparação com novembro, o que significa a eliminação
de 37,7 mil vagas. A queda expressiva no nível de atividade no
setor é típica do último mês do ano. No Estado
de São Paulo, a queda em dezembro foi menor, de 0,8%, com o fechamento
de 3,2 mil postos.
A redução do contingente
de empregados em dezembro ocorreu em todas as regiões do Estado
de São Paulo, com destaque para Presidente Prudente, onde a
queda atingiu 4,35%. Na região de Sorocaba o recuo foi de 1,86%.
Na cidade de São Paulo, foram eliminados 1.344 postos de trabalho
em dezembro, o que representa uma queda de 0,7%. Mesmo assim, os trabalhadores
formais do setor na capital paulista totalizavam 198 mil ao final do
ano, uma elevação de 9,2% no nível de emprego
da construção civil na cidade.
|
Folha
de São Paulo, 24 de fevereiro de 2007
Relatores do PAC receberam recursos de
empreiteiras
Dos 19 deputados que analisam projetos, 14 tiveram
campanhas custeadas pelo setor | O presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, diz que a seleção dos relatores levou em conta
fatores como "afinidade ou experiência"
Alan Marques/Folha Imagem O presidente da Câmara,
deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP)

SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A maioria dos 19 deputados nomeados
para relatar projetos ou presidir comissões relacionadas ao
PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), principal
bandeira do governo Luiz Inácio Lula da Silva para alavancar
o crescimento do país, teve parte de suas campanhas eleitorais
financiadas por empresas que atuam na área de infra-estrutura.
A escolha dos relatores que analisarão o pacote do governo para tentar
alavancar o crescimento do país foi feita pelo presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP). Segundo ele, a seleção foi feita por "afinidade
ou experiência".
Levantamento feito pela Folha identificou
que ao menos 14 dos 19 parlamentares receberam doações
de empresas do setor, conforme dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O ramo de atividade das empresas foi analisado como consta na Receita
Federal. No total, o PAC recebeu mais de 700 emendas de deputados.
As obras relacionadas ao PAC são cobiçadas por empreiteiras,
que iniciaram intenso lobby nos corredores da Câmara. Há casos
emblemáticos na lista de relatores. Um exemplo é o deputado
Milton Monti (PR-SP), encarregado de relatar a medida provisória
que trata da liberação de crédito para o Ministério
dos Transportes. A pasta é cota do PR (ex-PL) na Esplanada.
Monti é ligado ao ex-presidente do partido, deputado Valdemar
Costa Neto (PR-SP).
Ele recebeu R$ 200 mil da Companhia
de Navegação da Amazônia, que atua na área
de navegação de carga; R$ 50 mil da Egesa, construtora
de rodovias e ferrovias; e R$ 25 mil da empreiteira carioca Christiani
Nielsen, ligada à concessionária de rodovias. "Se
for analisar por esse ângulo, poucas pessoas vão poder
relatar. Meu caso é relativizado: a escolha foi feita com transparência
entre o presidente da Câmara e o líder do PR", argumentou
Monti.
Responsável pela polêmica MP que cria um fundo de investimentos
para infra-estrutura abastecido com recursos do FGTS, Wilson Santiago (PMDB-PB)
teve sua campanha praticamente toda custeada pelas doações de
R$ 110 mil da empreiteira Fidens Engenharia e de R$ 95 mil da Terradrina Construções.
Outros casos
De acordo com dados da Receita, a Fidens
atua na construção de rodovias e ferrovias. Outro relator
que recebeu dinheiro na eleição da Fidens -R$ 100 mil-
foi Jaime Martins (PR-MG), que analisará a MP de liqüidação
da Rede Ferroviária Federal. Também recebeu R$ 200 mil
da construtora Santa Bárbara. A base eleitoral de Martins é a
cidade de Divinópolis (MG), que possui um complexo ferroviário. "Não
vejo nenhum questionamento. Sou presidente da frente parlamentar ferroviária
e, como empresário, usuário de ferrovia", afirmou.
A outra MP que institui um fundo direcionado à infra-estrutura
ficará a cargo do presidente da CNI (Confederação
Nacional da Indústria), deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE).
Ele recebeu recursos na campanha de diversas empreiteiras, como a Camargo
Corrêa (R$ 50 mil) e a Construtora OAS (R$ 25 mil), além
de siderúrgicas e outras empresas de construção
pesada. O deputado Átila Lins (PMDB-AM), relator da MP da TV
digital, recebeu R$ 70 mil da Barbosa Mello, gigante do ramo de infra-estrutura.
Além dos cinco casos, receberam
recursos de empresas de construção de peso: Jilmar
Tatto (PT-SP), Odair Cunha (PT-MG), Fernando de Fabinho (PFL-BA),
José Pimentel (PT-CE), Roberto Santiago (PV-SP), Márcio
Reinaldo (PP-MG), Tadeu Filippeli (PMDB-DF), Vignatti (PT-SC) e Ciro
Gomes (PSB-CE). Dos 19 deputados, em cinco deles não foram
identificados repasses diretos de empresas do ramo: Júlio
Delgado (PSB-MG), Nelson Meurer (PP-PR), Max Rosenmann (PMDB-PR),
Dagoberto (PDT-MS) e João Maia (PR-RN).
|
Folha de São Paulo,
24 de fevereiro de 2007
EUROPA
PIB britânico tem avanço
de 2,7% em 2006
DA REDAÇÃO
O PIB (Produto Interno Bruto) do
Reino Unido cresceu 2,7% em 2006, segundo dados divulgados ontem pelo
Escritório Nacional de Estatísticas. No último
trimestre do ano passado, a economia britânica se expandiu em
0,8%, o maior crescimento desde o segundo trimestre de 2004. Os gastos
do consumidor foram o principal fator para a elevação
do PIB nos últimos três meses de 2006. Eles cresceram
1% entre outubro e dezembro.
|
Folha
de São Paulo, 25 de fevereiro de 2007
No recesso, deputados usam verba de R$
6 mi da Câmara
Dinheiro é soma de indenizações
por gastos nos Estados de 488 congressistas nas férias
Parlamentares pediram,em média, ressarcimentode
R$ 12 mil em janeiro; gasto foi ainda maior entre os que não
foram reeleitos
RANIER BRAGON, LETÍCIA SANDER
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara reembolsou 488 deputados
federais num total de R$ 5,9 milhões por supostos gastos de
trabalho durante janeiro, mês de recesso do Congresso Nacional.
Mais de duas centenas de deputados que encerraram o mandato naquele
mês tiveram os maiores reembolsos, R$ 13 mil em média
para cada um, o que representa 87% da verba prevista. O Congresso Nacional
entrou em recesso em 23 de dezembro e só retomou a atividade
no último dia 1º. Apesar disso, todos os 513 deputados
continuaram tendo direito à chamada "verba indenizatória",
que destina R$ 15 mil mensais para gastos com consultorias, pagamento
de aluguel de escritórios, combustível, alimentação,
hospedagem e "divulgação do mandato", entre
outros.
Apenas 25 abriram mão do benefício
no mês de janeiro. Ao apurar a justificativa dos deputados para
os gastos no mês de férias, a Folha se deparou com casos
controversos como o do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo
Alves (RN), o que mais gastou no mês, R$ 25,5 mil (o valor que
excede R$ 15 mil é reembolsado nos meses seguintes). O peemedebista
afirmou ter usado parte do dinheiro, reservado para divulgação
do mandato parlamentar, para pagar o jornal "Tribuna do Norte",
de Natal, pela publicação de notícias sobre suas
atividades em Brasília. Alves, que é diretor-presidente
do jornal, disse não considerar indevida a "compra de reportagens" nem
o direcionamento de dinheiro público ao seu jornal.
"Não tenho rendimento do
jornal, não recebo nada do jornal. Quem dirige são os
diretores, não tenho nenhuma retirada do jornal." Mas quem
faz as retiradas, a família? "É. A rigor, jornal
lucro não dá. Só a Folha. [Na Tribuna] é uma
reclamação, uma choradeira danada." Em outro caso,
João Caldas (PR-AL), que não se reelegeu depois de ser
acusado de envolvimento com o escândalo dos sanguessugas, admite
o uso de R$ 15 mil em janeiro, o limite da verba, para que os eleitores "não
se esqueçam" dele. Tudo dentro da rubrica "divulgação
do mandato parlamentar". "Quem não se comunica se
trumbica", avalia. "Político tem que interagir com
a sociedade. E só interage se comunicar", disse, concluindo: "A
Câmara e o Senado, se fossem duas empresas, seriam falidas. Não
há racionalidade no Parlamento, tudo é exagerado".
Outro exemplo questionável reúne
os suplentes que assumiram apenas nas férias de janeiro. Todos
eles foram reembolsados por supostos gastos de trabalho, entre eles,
José Rajão (PSDB-DF), que afirmou ter gasto R$ 14,5 mil
com "consultorias, assessorias, pesquisas e trabalhos técnicos". "Se
eu tenho que prestar contas, é para a Câmara, e não
a vocês", disse. O total de R$ 5,9 milhões reservado
pela Câmara para reembolso dos 488 deputados por trabalhos em
janeiro dá uma média de R$ 12 mil para cada parlamentar.
Entre os 241 deputados não-reeleitos, a média sobe para
R$ 13 mil. Já 71 deputados que foram acusados de participação
ou no esquema dos sanguessugas ou no esquema do mensalão, o
reembolso médio foi ainda maior, de R$ 13,5 mil.
Defesa
O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),
que chefia a área administrativa da Câmara, defendeu o
uso da verba em janeiro afirmando que os gastos de manutenção
dos escritórios estaduais dos deputados se mantêm naquele
mês e que, para os não-reeleitos, o custo de desativação
pode ser até superior. Serraglio, que não apresentou
até agora nenhum valor a ser reembolsado por gastos em janeiro,
admite, entretanto, que "pode haver malandragem". "Cada
caso é um caso, pode ter malandragem, como pode não ter.
Vi um cara, que tenho o maior respeito por ele, com um valor alto lá atrás.
Disse "Meu Deus, esse cara
com esse valor, muito acima". E eu tenho convicção
de que ele não fez bobagem", afirmou. A Câmara
não permite o acesso às prestações de
contas dos deputados relativa à "verba indenizatória".
Serraglio diz ser favorável à abertura da consulta,
mas ressalva que essa tem que ser uma decisão da Mesa Diretora,
composta por mais seis colegas, entre eles o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP).
|
Folha
de São Paulo, 25 de fevereiro de 2007
Verbas compram reportagens em imprensa
regional
Divulgação de mandato parlamentar
consome 15% dos recursos indenizatórios, que são usados
para fins eleitorais | Líder do PMDB, Henrique Alves (RN) afirmou
manter contrato com o jornal que controla e que divulgaria atividades
de seu mandato
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Do total da "verba indenizatória" que
a Câmara destinou aos deputados em janeiro, 15% se referem ao
ressarcimento de supostos gastos com a chamada "divulgação
do mandato parlamentar". A Folha constatou que o dinheiro público é usado,
entre outras coisas, para fins eleitorais e para a compra de reportagens
benéficas aos deputados em órgãos de imprensa
regionais.
O caso mais evidente é o do líder
da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que afirmou, em um
primeiro momento, manter um contrato com o jornal que controla, a "Tribuna
do Norte". O diário publicaria notícias sobre as
atividades do deputado em Brasília e, em troca, receberia como
remuneração a verba do deputado destinada à "divulgação
do mandato". "Tem contrato, tem recibo, tudo direitinho do
jornal, tem recibo guardado, tudo direitinho", afirmou o deputado,
em um primeiro contato.
Depois, ele retificou: "Não é um
contrato formal. Eu pago e eles dão recibo." O peemedebista
afirma que as "reportagens" são produzidas quase sempre
por meio de entrevistas que ele concede ao seu assessor de imprensa.
Entre as "reportagens" destacadas pelo deputado está a
sua eleição para a liderança do PMDB, uma entrevista
sobre o apoio do PMDB a Luiz Inácio Lula da Silva e a descrição
da sessão para a eleição do novo presidente da
Câmara, presidida por ele em 1º de fevereiro.
"Quando fui presidir a eleição
da Câmara, publicamos uma página inteira, uma foto nossa,
tenho dez mandatos. Tô no décimo mandato, aí fizemos
uma página no jornal muito bonita", disse. Alves presidiu
a sessão por ser o deputado com o maior número de mandatos.
Em janeiro, ele foi reembolsado pela Câmara em R$ 10,5 mil por
gastos a título de "divulgação do mandato".
Ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) o líder do PMDB declarou
um patrimônio de R$ 1 milhão, que inclui ações
em rádio e TV.
Exemplo semelhante a Folha encontrou
no gabinete do deputado Osvaldo Reis (PMDB-TO). Dois de seus assessores
afirmaram, em conversa informal, que parte da "verba indenizatória" é usada
para pagar "notas" nos meios de comunicação
de Tocantins e do sul do Maranhão, área de atuação
política do deputado. De acordo com eles, se não houver
pagamento, não sai nenhuma notícia sobre o deputado na
imprensa local. Uma vez remunerados, as rádios e jornais, ainda
segundo os assessores, reproduziriam na íntegra as informações
prestadas pelo gabinete do deputado.
O argumento foi usado para justificar
a impressão de 20 mil exemplares de um tablóide, ao custo
de R$ 13 mil, para distribuição aos eleitores de Osvaldo
Reis. O jornal, de oito páginas, se resume à transcrição
de dois discursos do deputado no plenário da Câmara, à relação
de seus projetos apresentados, à listagem das emendas que ele
apresentou ao Orçamento da União e à sua biografia.
O uso político da verba também fica explicitado no caso
do deputado João Caldas (PR-AL). Acusado de envolvimento na
máfia dos sanguessugas, ele não se reelegeu.
No último mês de mandato,
admitiu ter gasto os R$ 15 mil da verba indenizatória para fazer
uma "prestação de contas" de seu período
na Câmara. Disse ter mandado cartas para que as pessoas não
se esquecessem dele. "Político tem que interagir com a
sociedade", defendeu. Não reeleito, o ex-deputado Babá (PSOL-PA,
que se candidatou pelo RJ) também gastou 100% da verba indenizatória
a que tinha direito em janeiro, dos quais R$ 10,6 mil para "divulgação
da atividade parlamentar".
Ele disse ter gasto o valor com
a publicação de um livreto reunindo algumas de suas
idéias e bandeiras, entre elas a defesa do não-pagamento
da dívida externa. "Foi distribuído gratuitamente",
explicou, acrescentando que sempre fez parte de sua atuação
política a publicação de boletins do gênero.
(RANIER BRAGON E LETÍCIA SANDER)
|
Folha
de São Paulo, 25 de fevereiro de 2007
Trabalhador rural "foge" do
registro em carteira no NE
Com medo de perder benefícios sociais,
agricultores recusam emprego formal
Negativa em ser "fichado" se dá tanto
entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre pessoas
que esperam se aposentar mais cedo
Fernando Donasci/Folha Imagem
JOSELITA DOS SANTOS, 57 Depois de ter a carteira
assinada há três anos, ela não obteve aposentadoria
aos 55 anos de idade; de fora do regime especial da Previdência,
terá de esperar até os 65 anos para conseguir um salário
mínimo (R$ 350) por mês.
FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL A BREJÕES (BA)
Por medo de perder benefícios
sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los,
trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar
empregos com a carteira de trabalho assinada. A recusa ocorre tanto
entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre os
que querem entrar no programa. Também entre os que pretendem
se aposentar mais cedo, pelo regime especial da Previdência
-aos 55 anos no caso das mulheres e 60 anos no dos homens.
Em uma das maiores fazendas de café da
Bahia, na Agribahia, a dificuldade em contratar mão-de-obra
formal levou à substituição de 5.000 trabalhadores
em safras passadas por colheitadeiras operadas por um único
funcionário.
Hoje, a empresa contrata apenas cerca de 900 pessoas para fazer a colheita
em áreas de declive, onde as máquinas correm o risco de tombar.
Mesmo assim, são necessárias
iniciativas como anúncios em rádio e em carros de som
em feiras para arregimentar gente disposta a ter a carteira assinada
por três meses ou mais e ganhar, como base, um salário
mínimo por mês. Próximo à Agribahia, na
fazenda Campo Grande, o administrador André Araújo,
27, diz precisar de 150 pessoas para a colheita, mas que só consegue
40 com registro em carteira. O resultado é que o café acaba
caindo de maduro do pé, com perda de qualidade. Por um café arábica "mole" que
poderia valer R$ 300 a saca, a Campo Grande acaba recebendo R$ 200
pelo café "riado" catado depois no chão.
A agricultora Luciene Silva Almeida,
28, é uma das que fogem do registro em carteira. Ela trabalha
ilegal na região de Brejões (281 km ao sul de Salvador),
apesar da forte fiscalização da Delegacia Regional
do Trabalho, que vem multando fazendeiros que contratam pessoal sem
carteira assinada. Mãe de dois filhos, Luciene quer pleitear
o Bolsa Família e planeja se aposentar pelo regime especial
da Previdência, aos 55 anos. Se ela for registrada, pode correr
o risco de extrapolar os critérios que a tornam elegível
ao Bolsa Família.
Isso também a tiraria da condição
de futura "segurada especial", tornando-a "assalariada
rural". A aposentadoria "especial" é um benefício
social, já que o trabalhador não contribuiu com a Previdência.
Além de não poder mais se aposentar aos 55 anos, ela
teria de contribuir por mais 13 anos para a Previdência e se
aposentar só aos 60. Outra opção é esperar
até os 65 anos e passar a receber, via Estatuto do Idoso,
um salário mínimo por mês.
Foi o que aconteceu com Joselita Oliveira
dos Santos, 57, que foi "fichada" por três meses
há três anos. Ao tentar se aposentar aos 55 anos, teve
o pedido recusado. "Agora não quero mais nenhum registro
até conseguir me aposentar", afirma. Simone da Silva
de Jesus, 27, que trabalha arregimentando pessoal para os fazendeiros,
diz estar cada vez mais difícil encontrar gente disposta a
ser "fichada". "O pessoal do "Bolsa" e os
mais velhos não querem."
A irmã dela, Maria da
Glória, 47, é uma delas. Mãe de cinco filhos,
recebe R$ 80 do Bolsa Família e conta os dias para se aposentar
aos 55 anos. "Nunca tive a carteira "fichada". Não é agora
que vou arriscar", afirma. Sindicatos de produtores rurais
de Bom Jesus da Lapa (BA) e de Petrolina (PE) relatam o mesmo tipo
de dificuldades. O secretário de Previdência, Helmut
Schwarzer, reconhece a existência do problema. A secretária
Rosani Cunha, do Ministério de Desenvolvimento Social, diz
que as "distorções" ocorrem por "desinformação".
Já o Ministério do Trabalho promete manter "rigorosa
fiscalização" no Nordeste.
|
Revista Isto É, 26 de fevereiro de 2007
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 26
de fevereiro de 2007 | Brasil
Número de invasões deve
ser recorde
Porta-voz diz que MST planeja realizar
movimentações sem precedentes no governo Lula
São Paulo – As organizações que atuam em defesa
da reforma agrária planejam para este ano uma jornada de movimentações
sem precedentes nos primeiros quatro anos do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Ela começa a ganhar corpo em março e deve atingir
o pico em abril – mas prossegue de forma intensa durante todo o ano.
Seus alvos principais serão o governo Lula e as empresas do setor do
agronegócio, especialmente as que atuam com reflorestamento e sementes
patenteadas.
“Vamos aumentar a pressão,
gastar mais o nosso gás, porque esse governo é igual feijão
velho e duro – se não botar na panela de pressão,
não cozinha”, explica Marina dos Santos, porta-voz da coordenação
nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Resumindo
o descontentamento em relação ao desempenho de Lula na área
da reforma agrária, ela acrescenta: “Estamos diante de um
caso claro de dupla personalidade: é um governão eficiente
e capaz para as grandes empresas; e governinho para os pobres.”
Em março, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que reivindica
terras para famílias que foram desapropriadas com a construção
de hidrelétricas, fará manifestações nas capitais.
O MST participará de atos contra o presidente norte-americano George
W. Bush cuja visita ao Brasil, com propostas para o setor de produção
de álcool, é vista como ingerência no modelo agrícola
nacional.
Ainda em março, a Via Campesina,
organização internacional, que no Brasil reúne cinco
entidades, entre as quais a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e
o MST, põe em marcha uma série de ações contra
o agronegócio. Seus representantes citam com freqüência
a Aracruz – líder mundial na produção de celulose
branqueada de eucalipto –, que é acusada por eles de causar
desequilíbrios ambientais e concentração de terras.
Abril é tradicionalmente
o mês que concentra o maior número de invasões.
Elas marcam o início da época do plantio e lembram o
massacre de 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, no
Pará, quando 19 sem-terra foram mortos pela polícia.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de fevereiro de 2007 | Brasil
Servidores federais terão
trabalho avaliado pela União
O resultado dessas avaliações,
que sai em seis meses, vai mexer com o bolso do funcionalismo
A União começa em março a avaliar o desempenho no trabalho
dos servidores do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE) e dos funcionários
do INSS. As duas categorias somam 378 mil ativos, inativos e pensionistas.
O resultado dessas avaliações vai mexer com o bolso do funcionalismo.
Ao final de seis meses, os ativos poderão receber 25% de ganhos na gratificação
de produtividade, em relação aos valores pagos em março
de 2007.
O primeiro caso é o do PGPE. Segundo
o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento,
Sérgio Mendonça, o decreto regulamentando os critérios
da gratificação por produtividade da categoria já foi
enviado para a Presidência da República. Em entrevista ao
EXTRA, ele conta que uma das novidades é o fim da "curva
forçada". Significa que, ao contrário de outras ocasiões,
não haverá um teto em dinheiro para ser dividido entre
os servidores de uma repartição. Assim, todos os funcionários
ativos de um órgão poderão receber a pontuação
máxima (cem pontos).
Enquanto esse resultado não sai, os ativos receberão 80% do valor
máximo da Gratificação de Desempenho de Atividade Técnico-Administrativa
e de Suporte (GDPGTAS), criada em 2006. Vale lembrar que os valores desse adicional,
que variam de acordo com o nível de escolaridade, terão aumento
este mês de 31,5%.
Daqui a seis meses, quem fizer jus a cem
pontos terá ganho de mais 25% (sobre o valor de março).
Entretanto, se o resultado for negativo, os ativos poderão receber
menos do que os atuais 80 pontos. Representaria perda salarial.
Já os servidores do INSS
terão implantadas, em março, alterações
na carreira do Seguro Social. De imediato, isso vai representar um
reajuste de até 319% na GDASS. Pela proposta de reestruturação
da carreira, estão previstos dois períodos de avaliações.
O primeiro começa em março. Durante seis meses, os ativos
receberão 80% do adicional. Em agosto, quando sai o resultado
das avaliações, os funcionários poderão
receber cem pontos - o que pode representar ganhos de 25%.
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de fevereiro de 2007
Câmara dos Deputados bloqueada
em 63,25% das sessões
Congresso em Foco
Foto: Agência Câmara

Câmara dos Deputados: um legislativo paralisado por MPs e projetos de
lei.
A Câmara dos Deputados, ao longo dos quatro anos da última legislatura,
só deliberou em 36,75% das sessões convocadas com essa finalidade,
mantendo a pauta bloqueada por medida provisória ou projeto de lei em
regime de urgência constitucional em 63,25% das sessões de plenário.
Os dados de indicadores legislativos utilizados neste texto foram coletados
e sistematizados por Francisco da Silva Cardozo, um dos mais aplicados servidores
da Câmara e especialista em processo legislativo atualmente lotado na
liderança do PSDB na Casa.
Atribui-se a paralisia do Congresso ao excesso de medidas provisórias,
mas essa não é a principal motivação, até porque
o atual presidente tem editado menos medidas provisórias do que o seu
antecessor. As razões do bloqueio dos trabalhos legislativos, além
das manobras dos líderes partidários (da oposição
e também da situação), são basicamente três:
a) a mudança na regra de edição de MPs, b) a crise política
e c) a postura dos presidentes das Casas do Congresso, notadamente da Câmara.
Desde que foi promulgada a Emenda Constitucional n.º 32, em 11 de setembro
de 2001, as medidas provisórias passaram a bloquear a pauta da Câmara
ou do Senado após 45 dias de sua edição. Como o Congresso
raramente vota as MPs antes dos 45 dias, a pauta da Casa onde se encontra a
MP fica automaticamente bloqueada. Essa é uma das razões do baixíssimo índice
de deliberação nas duas Casas do Congresso.
A crise política iniciada com Waldomiro Diniz, alastrada com a imagem
do funcionário dos Correios recebendo propina e incendiada com a entrevista
de Roberto Jefferson transformou o legislativo numa delegacia de polícia,
com enorme reflexo sobre o funcionamento do Congresso. Todas as atenções
estavam voltadas para o trabalho do Conselho de Ética e das várias
comissões parlamentares de inquérito, que descobriram novos escândalos,
como o do mensalão e o dos sanguessugas.
Outro aspecto que influencia a capacidade de deliberação está associado à postura
e ao comportamento dos presidentes das duas Casas. Quanto maior a liderança,
credibilidade e firmeza dos presidentes, maior a participação
dos parlamentares nas deliberações de plenário. Na gestão
de João Paulo Cunha (PT-SP) na Câmara, um presidente bem articulado,
o percentual de sessões com deliberações foi de 43,81%,
acima da média, de 34,75%.
O período de Severino Cavalcanti (PP-PE), de baixa credibilidade, foi
o de menor índice de deliberação, apenas de 21,57%, com
78,43% das sessões obstruídas.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
26 de fevereiro de 2007
Novos usos para o FGTS dividem opiniões
Proposta mais recente é a destinação
de R$ 5 bilhões para um fundo que irá custear obras
de infra-estrutura
Brasília - Criado em 1966 para
proteger o empregado demitido sem justa causa e financiar os programas
de habitação popular e saneamento, o Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) aos poucos tem ganho novas utilizações.
A destinação de R$ 5 bilhões do patrimônio
líquido do FGTS para um fundo que vai custear obras de infra-estrutura,
uma das iniciativas do Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC), é a proposta mais recente. No entanto, há alguns
anos, os recursos dos trabalhadores vem sendo usados para outros
fins.
A primeira iniciativa nesse sentido ocorreu
em agosto de 2000, quando o governo federal permitiu o uso de até metade
do saldo na conta para comprar ações da Petrobras com desconto
de 20% sobre a cotação dos papéis na Bolsa de Valores
de São Paulo (Bovespa). Na ocasião, cerca de 310 mil trabalhadores
aderiram à proposta e desembolsaram R$ 1 bilhão do FGTS
nos papéis da companhia.
Quase dois anos mais tarde, em março
de 2002, o governo repetiu o procedimento com a mineradora Vale do Rio
Doce. Cerca de 720 mil trabalhadores aplicaram mais R$ 1 bilhão
do Fundo de Garantia nas ações da empresa.
Tanto na época como agora, com
o PAC, esses procedimentos provocaram um debate entre governo, especialistas
e centrais sindicais. Alguns acusam essas medidas de botar em risco o
patrimônio do trabalhador. Outros defendem mecanismos para assegurar
maior rentabilidade ao FGTS do que a garantida pela lei, que é de
Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano, inferior a qualquer aplicação
financeira.
O presidente da organização
não-governamental Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino é um
dos autores da proposta de que o trabalhador possa destinar até 20%
do saldo do Fundo de Garantia em ações na Bolsa. Para ele,
ofertas como a das ações da Petrobras e da Vale deveriam
ser corriqueiras. ''A gente defende a liberdade de o contribuinte decidir
como quer aplicar o dinheiro'', salienta. Isso é o contrário
do que pensa economistas como Márcio Pochmann, que acredita numa
desvirtuação da finalidade do fundo caso a medida.
Em relação à proposta
do PAC, Avelino afirma que o novo fundo de infra-estrutura não
desvirtuará a finalidade social do Fundo de Garantia, assegurada
por lei. ''Além da habitação e do saneamento, o
FGTS agora será usado para criar empregos e fazer o País
crescer'', ressalta. ''Das outras vezes, o trabalhador apenas aplicou
em empresas.''
Consultor do Instituto de Pesquisas Econômicas
Aplicadas (Ipea), o economista Marcelo D'Ávila admite que essas
propostas geram controvérsias porque mexem na poupança
do trabalhador. Ele, no entanto, ainda descarta qualquer análise
sobre o impacto dessas medidas. ''Tudo vai depender de como vai ser usado
esse capital proporcionado pelo FGTS'', avalia.
Para o consultor, qualquer mudança
nas regras do Fundo de Garantia deve ser acompanhada de alterações
no marco regulatório do mercado de trabalho para que mais empregos
sejam gerados. ''Se o marco fosse mais sério, haveria confiança
maior dos investidores nas leis do País'', acredita o economista
do Ipea. ''Se as leis fossem mais sérias e totalmente cumpridas,
o nível de empregos na indústria, por exemplo, seria
alavancado'', completa.
|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
26 de fevereiro de 2007
Rendimento do fundo só ganha
da inflação
Brasília - O debate entre governo, centrais sindicais, parlamentares
e especialistas sobre a garantia de rendimento do fundo de investimento com
recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) evidenciou
suas regras de uso e de ganhos. Atualmente, os depósitos do FGTS rendem,
por lei, o correspondente a Taxa Referencial (TR) mais 3% de juros ao ano.
Esse valor põe o Fundo de Garantia em último lugar entre as aplicações
financeiras.
Com ganho de 5,07% em 2006 (já calculada
a TR), o FGTS não perdeu da inflação. Isso porque
o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice
oficial do governo, fechou o ano em 3,14%, no menor nível desde
1998. No entanto, nos últimos sete anos, o rendimento médio
das aplicações do trabalhador no fundo é 1,5% negativo,
já descontada a inflação.
Contudo, há diferenças entre
as contas dentro do próprio FGTS. Para a pequena parcela de trabalhadores
que aplicaram parte do saldo disponível no fundo em ações
da Petrobras e da Vale do Rio Doce, a realidade foi bem diferente. Eles
viram a conta engordar nos últimos anos após comprarem
ações das empresas.
Segundo levantamento da organização
não-governamental Instituto FGTS Fácil, enquanto as aplicações
na Petrobras renderam 474,58% desde agosto de 2000, quando foi permitida
a compra das ações, o restante do dinheiro que ficou no
fundo rendeu apenas 44,35%. Em valores absolutos, quem investiu R$ 10
mil em ações e deixou R$ 10 mil no fundo há quase
sete anos, agora tem R$ 57.428 em ações. No mesmo período,
o dinheiro que ficou no FGTS aumentou para R$ 14.435.
Quem aplicou na Vale do Rio Doce obteve
ganho ainda maior. Desde março de 2002, quando ocorreu a oferta
de ações, o valor dos papéis da empresa subiu 728%,
contra rendimento de 32,01% do FGTS. Assim, quem aplicou R$ 10 mil na
companhia na ocasião atualmente tem R$ 82.800. Se esse dinheiro
tivesse permanecido no Fundo de Garantia, hoje valeria R$ 13.201.
Em relação ao universo de
25 milhões a 28 milhões de contas ativas do FGTS, o total
de trabalhadores que aplicaram nas duas empresas é pequeno. Ao
todo, cerca de 730 mil pessoas compraram ações da Vale
e 310 mil adquiriram papéis da Petrobras.
Presidente do Instituto FGTS Fácil,
Mario Avelino diz que a possibilidade de o trabalhador aplicar recursos
do Fundo de Garantia em obras de infra-estrutura pode democratizar
o acesso a rendimentos melhores. Isso porque a oferta de ações
da Petrobras e da Vale do Rio Doce foi limitada. Pela proposta do governo,
qualquer contribuinte vai poder aplicar em obras, ressalta. (Agência
Brasil)
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de fevereiro de 2007
Comissão de Trabalho da Câmara
dos Deputados altera CLT
Edésio Passos
O Departamento Intersindical de
Assessoria Parlamentar (DIAP) apresenta resumo dos principais projetos
de lei que a Comissão de Trabalho, de Administração
e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou
ao longo de 2006 que modificam a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). Em 2006, os integrantes da comissão analisaram
43 projetos, dos quais 33 foram aprovados. Eis a síntese do
DIAP das principais proposições, encontrando-se a íntegra
dos PLs na página www.diap.org.br:
Execução: “Enviado à Câmara pelo
Executivo, o PL 45.731/04, que estabelece, para o executado em processo trabalhista,
as alternativas de pagar o valor devido em 48 horas ou de penhorar os bens
que o devedor possui, ainda que sejam insuficientes para o pagamento integral
da dívida. Pelo texto atual da CLT, o juiz determina a penhora dos bens
apenas se alcançarem o valor do débito. Quem ocultar bens perde
o direito de questionar a sentença de liquidação ou a
execução. Caso o executado possua outros bens além daqueles
que penhorou, pagará multa de 10% a 20% sobre o valor atualizado do
débito”.
Recursos na Justiça: “Outra proposta
do pacote de modificações da CLT, o PL 4.732/04, do Executivo,
racionaliza o sistema de recursos na Justiça do Trabalho ao
reduzir as possibilidades de os interessados entrarem com recurso de
revista no Tribunal Superior do Trabalho (TST). O recurso de revista é o
meio pelo qual a Justiça do Trabalho uniformiza sua jurisprudência,
balizando decisões divergentes. Somente causas com valor superior
a 60 salários mínimos, conforme o projeto, poderão
ser beneficiadas com esse recurso. O limite atual é de 40 salários.
A proposta impede também o pedido de recurso de revista nos
casos de divergência na interpretação de convenção
coletiva de trabalho, acordo coletivo ou regulamento empresarial. Em
compensação, permite que a parte interessada solicite
a uniformização de jurisprudência, em caso de divergência
entre tribunais regionais do trabalho na interpretação
de regulamento de empresa, de sentença normativa ou de convenção
ou acordo coletivo. Aprovado em caráter conclusivo pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania, o projeto
foi encaminhado ao Senado e voltou para a Câmara. Está agora
na Comissão de Trabalho”.
Vínculo empregatício: “De autoria do deputado
Carlos Mota (PL/MG), o PL 3.427/04 estabelece que, quando as decisões
judiciais reconhecerem a existência de vínculo empregatício,
o juiz determinará o pagamento das parcelas referentes ao INSS devido
referente a todo o período reconhecido. A determinação
vale mesmo quando esse não for o objeto do processo e não tiver
sido solicitado pelo trabalhador. Esse projeto se encontra atualmente na CCJ”.
Justa causa: “O PL 6.205/05, da deputada Ann
Pontes (PMDB/PA), exige a comprovação de justa causa
quando da demissão de mulher gestante, no período de
estabilidade no emprego. A lei proíbe a demissão desde
o início da gravidez até cinco meses após o parto.
A Constituição já proíbe a dispensa arbitrária
ou sem justa causa de mulheres nesse período, mas não
exige a comprovação da justa causa em caso de demissão.
Aprovado na CTAP, o projeto também se encontra na CCJ”.
Depósito prévio: “Também
com origem no Executivo, o PL 4.734/04 determina que os empregadores
efetuem, assim que forem condenados, o depósito prévio
de todos os recursos trabalhistas determinados por ação
judicial. Os recursos judiciais contra ações só serão
autorizados após o depósito da quantia devida. Essa importância
não poderá exceder 60 salários mínimos,
no caso de recurso ordinário, ou 100 salários para recurso
de revista ou recurso posterior. Atualmente, o empregador só é obrigado
a efetuar o depósito prévio nas condenações
cuja importância for menor que dez vezes o valor de referência
regional. Esse valor não é mais utilizado, usa-se o salário
mínimo como forma de atualização. O projeto também
já foi aprovado em caráter conclusivo pela Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania e encaminhado
ao Senado”.
Posição da AASP: Sobre o projeto de
lei do depósito recursal, o Consultor Jurídico publica
a seguinte notícia: “O Conselho Diretor da Associação
dos Advogados de São Paulo (Aasp) encaminhou documento ao Congresso
Nacional em que entende ser inconstitucional o objetivo do projeto
de lei que estende a obrigatoriedade de depósito recursal a
todos os tipos de recurso nos processos trabalhistas e eleva o limite
dos valores do depósito recursal. Pela proposta, o limite para
Recurso Ordinário passa a ser 60 salários mínimos.
Para Recurso de Revista, o limite passaria para cem salários
mínimos. O Projeto de Lei 4.734/2004 propõe alteração
do artigo 899 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Para a Aasp, é exagerado o limite do valor dos depósitos
recursais, que correspondem a R$ 21 mil para Recurso Ordinário
e R$ 35 mil para Recurso de Revista. Segundo a entidade, tais valores
impedem, de forma indireta, o princípio do duplo grau de jurisdição, “atingindo
duramente as pequenas e médias empresas, empregadores domésticos
e demais empregadores naturais”. No documento, a Aasp ressalta
que as empresas de grande porte não terão dificuldades
em fazer os depósitos. No entanto, acredita, esse fato viola
o princípio da isonomia, em detrimento das pequenas e médias
empresas, além de empregadores naturais. Por fim, a associação
considera a medida inconstitucional, por violação aos
princípios da isonomia, do contraditório, da ampla defesa
e por usar o salário mínimo como indexador. Ao justificar
a proposta, o ministro Márcio Thomaz Bastos argumenta que os
baixos valores exigidos “incentiva a recorribilidade e, ao mesmo
tempo, deixa de constituir uma antecipação eficaz da
execução do julgado”. Para ele, a aprovação
do projeto vai contribuir para dar celeridade aos ritos do processo
trabalhista”(Consultor Jurídico, 19 de janeiro de 2007).
Projeto constitucional e necessário: Ao contrário
do que a AASP afirma, entendemos que o PL 4.734/04 é constitucional,
não impede a via recursal, uma vez que somente determina o depósito
do valor da condenação e ainda estabelece limites de
valor (de 60 a 100 salários mínimos, conforme o recurso
seja ordinário ou de revista). Trata-se de medida saneadora,
evitando-se que a execução se fruste posteriormente com
a impossibilidade da penhora em dinheiro. Evita, ainda, recursos protelatórios.
Texto do Projeto de Lei 4.734/2004
“ Acrescenta o art. 899-A à Consolidação das Leis
do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 5.452, de 1.º de maio de
1943, e revoga o seu art. 899. O Congresso Nacional decreta: Art. 1.º A
Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 5.452,
de 1.º de maio de 1943, passa a vigorar acrescida do seguinte artigo: “Art.
899-A. Os recursos serão interpostos por simples petição
e terão efeito meramente devolutivo, salvo as exceções previstas
neste Título, permitida a execução provisória até a
penhora. § 1.º Havendo condenação, nos dissídios
individuais, só será admitido o recurso, inclusive o extraordinário,
mediante prévio depósito da respectiva importância, que não
excederá os limites de sessenta salários mínimos, para o
recurso ordinário, e de cem salários mínimos para o recurso
de revista e recursos posteriores. § 2.º Tratando-se de condenação
de valor indeterminado, o depósito, sempre a cargo do empregador, corresponderá ao
que for arbitrado, para efeito de custas, pela vara ou juízo de direito
ou pelo Tribunal Regional, respeitados os limites de que trata o§ 1.º. § 3.º Os
depósitos de que tratam os §§ 1.º e 2.º far-se-ão
na conta vinculada do empregado a que se refere o art. 15 da Lei no 8.036, de
11 de maio de 1990, aplicando-se-lhes os preceitos dessa Lei. § 4.º Se
o empregado ainda não tiver conta vinculada aberta em seu nome, a empresa
procederá à respectiva abertura. § 5.º Transitada em
julgado a decisão recorrida, ordenar-se-á o levantamento imediato
do valor devido, em favor da parte vencedora, por simples despacho do juiz.” (NR)
Art. 2.º Esta Lei entra em vigor noventa dias após a data de sua
publicação. Art. 3.º Fica revogado o art. 899 da Consolidação
das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1.º de maio
de 1943. Brasília, 10 de dezembro de 2004”.
****
ANOTE - Especialização em Direito do Trabalho:
A UNIBRASIL, dentro do programa de pós-graduação, implementa
o Curso de Especialização lato sensu em Direito do Trabalho,
com objetivo de aprimorar, aprofundar e atualizar temas desde direito internacional
do trabalho até direito sindical. Os coordenadores do curso são
o professor e advogado Dr. Wilson Ramos Filho, a dra . Maria Ângela Marques
Del Claro e o dr. Marcelo Giovani Batista Maia. O curso terá a duração
de um ano (informações: ) *** Encontro Sindical: O 9.º Encontro
de Dirigentes Sindicais da Construção e do Mobiliário
de Santa Catarina será realizado a 06 de março, em Palhoça/SC,
no qual abordaremos o tema “Os desafios e perspectivas do Governo Lula
em seu segundo mandato para o movimento sindical brasileiro” *** ADI
3.749: Em mãos do relator Ministro Carlos Britto, para julgamento, a
Ação Direta de Inconstitucionalidade em que é autora a
Confederação Nacional da Agricultura face a Lei Estadual n.º 15.118/06
(Lei do Piso Salarial do Paraná) *** Emprego: No acumulado do ano de
2006 foram criados 86.396 empregos no Paraná, registrando crescimento
de 4,88%. Regionalmente o Interior apresentou um aumento no nível de
emprego de 4,08%, com a geração de 43.654 empregos, ou seja,
50,5% dos empregos gerados no Estado. Na Região Metropolitana de Curitiba
houve crescimento do nível de emprego de 6,10%, com a geração
de 42.742 postos de trabalho, respondendo por 49,5% dos empregos gerados no
Estado *** Contribuição assistencial: O Projeto de Lei 248/06,
que regulamenta a contribuição assistencial descontada de todos
os trabalhadores em favor do sindicato representativo da categoria, de autoria
do senador Paulo Paim (PT-RS), foi aprovado na Comissão de Assuntos
Sociais (CAS) do Senado Federal. A matéria obteve o apoio de todos os
senadores presentes à sessão presidida pela senadora Patrícia
Sabóia (CE), depois da leitura do parecer favorável e defesa
do senador Paim.
Edésio Passos é advogado,
do corpo técnico do DIAP, integrante da Comissão Nacional
de Direito e Relações do Trabalho do Ministério
do Trabalho e Emprego, ex-deputado federal (PT/PR). E.mail: edesiopassos@terra.com.br
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de fevereiro de 2007
Senado cria comissão para analisar
leis penais diferentes para cada Estado
O Senado Federal instala nesta segunda-feira (26/2) uma comissão especial
com o objetivo de estudar a legislação penal brasileira e avaliar
a proposta do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), de
abrir a possibilidade de cada Estado poder adotar leis diferenciadas sobre
temas do direito penal.
Segundo Cabral, cada Unidade da Federação
tem uma identidade cultural e uma realidade criminal, por isso, deveriam
ser adotadas legislações diferentes para o mesmo tipo de
crime. O governador cita os EUA como referência para o novo sistema
de punições diferenciadas para crimes e diz que, crimes
de trânsito, por exemplo, deveriam ter punições diferentes
no Rio de Janeiro e no Acre.
A idéia de discutir a abertura
a legislações diferentes nos Estados foi sugerida por
Cabral após a morte do menino João Hélio, em brutal
assassinato no Rio de Janeiro. O governador afirma que mudar a legislação
para todo o país seria um processo demorado, pois o Congresso
teria inúmeras outras atribuições.
|
CONSULTOR JURÍDICO, 25 de fevereiro
de 2007
Punição administrativa
Penalidade imposta a empregador deve
seguir CLT
As penalidades administrativas aplicadas aos empregadores pelos órgãos
de fiscalização das relações de trabalho são
as mesmas previstas na CLT. O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho. A Turma rejeitou o Agravo de Instrumento ajuizado pela
Nazaré Comercial de Alimentos e Magazine, de Belém do Pará,
autuada por irregularidades na contratação de menores aprendizes.
O relator foi o juiz convocado José Ronald Cavalcante Soares.
A empresa foi autuada pela Delegacia Regional do Trabalho por não cumprir
a cota legal de contratação de menores aprendizes e recorreu à Justiça
do Trabalho com o objetivo de anular o auto de infração. Alegou
que não cumpriu a cota estipulada porque as vagas oferecidas eram em
local insalubre e perigoso.
A 5ª Vara do Trabalho de Belém não acolheu o pedido. A empresa
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e
Amapá), que manteve a sentença. O caso chegou no TST. O argumento
era de que a empresa não precisa fazer o depósito prévio
para entrar com o recurso.
O relator não acolheu o argumento. Afirmou que a defesa da empresa “não
se atentou para a inovação introduzida pela reforma do Judiciário
(EC 45/2004), que alterou a redação do artigo 114 da Constituição
Federal, outorgando competência material à Justiça do Trabalho
para processar e julgar as ações relativas às penalidades
administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização
das relações de trabalho”.
Depois da Emenda Constitucional 45, o TST editou a Instrução
Normativa 27/2005. A regra prevê que a sistemática recursal que
precisa ser observada nessas ações é a mesma da CLT, inclusive
quanto à nomenclatura, à alçada, aos prazos e às
competências. Com isso, o depósito recursal é imprescindível.
A questão de mérito, que não chegou a ser apreciada pela
6ª Turma, envolve a Lei 10.097/2000. A lei prevê a contratação
de um percentual de jovens de 14 a 18 anos sobre o quadro funcional das empresas.
São 5%, no mínimo, e 15%, no máximo, de menores aprendizes
que devem ser empregados. A Nazaré Alimentos tinha em seu quadro, à época,
247 empregados. Se a cota fosse cumprida, deveriam ser contratados 12 jovens.
Porém, a exigência da DRT restringiu-se a sete menores aprendizes,
em razão da especificidade das funções, mas nem assim
a empresa se enquadrou.
AIRR 958/2005-005-08-40.6
|
CONSULTOR JURÍDICO, 24 de fevereiro
de 2007
Vaga reservada
Cego de um olho é deficiente,
afirma Justiça
Cego de um olho pode concorrer em concurso público entre os candidatos
portadores de deficiência. O entendimento é da 3ª Turma Cível
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Os desembargadores garantiram
a participação de um candidato aprovado em 1º lugar no processo
seletivo dentre as vagas reservadas a portadores de deficiência.
O projetista Edmilson Figueiredo da Silveira passou no concurso para operador
e auxiliar de proteção ambiental da Caesb (Companhia de Saneamento
Ambiental do Distrito Federal), em 2005, mas não chegou a ser convocado
para começar a trabalhar. Como ele tinha 100% de visão num dos
olhos e absoluta cegueira no outro, o médico que fez a perícia
não o considerou portador de deficiência.
A primeira instância concordou com o resultado da perícia e negou
o pedido do candidato. Ele recorreu ao Tribunal de Justiça, que mudou
a sentença. De acordo com os desembargadores, a deficiência permanente
ficou suficientemente demonstrada nos autos. A cegueira em um dos olhos aparece
no CID (Cadastro Internacional de Doenças).
Além disso, o Decreto 3.298/99, com as adaptações do Decreto
5.296/2004, define que deficiência é “toda a perda ou anormalidade
de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica
ou anatômica que gera incapacidade para o desempenho de atividade, dentro
do padrão considerado normal para o ser humano”. A decisão
foi por maioria de votos.
Processo 2006.01.1039846-6
|
CONSULTOR JURÍDICO, 24 de fevereiro
de 2007
Tratamento igual
Empresa não pode discriminar
empregado ao dar beneficío
Empresa que não fornece cesta básica a todos os funcionários
pratica discriminação. O entendimento é da 1ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros condenaram a Superintendência
de Controle de Endemias (Sucen) a indenizar 14 servidores. A relatora do caso
foi a juíza convocada Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de
Castro.
Os servidores ajuizaram ação para receber, em dinheiro, a quantia
correspondente às cestas oferecidas pela empresa aos trabalhadores que
exerciam suas atividades na sede da empresa, em São Paulo. O benefício
não era estendido aos servidores lotados no interior e litoral do estado — como
os autores da ação.
Para se defender, a autarquia alegou afronta ao princípio da legalidade.
Pediu, ainda, a aplicação de sanção por litigância
de má fé aos servidores por “postularem vantagem que já recebem”.
A primeira instância acolheu os argumentos. A ação foi
considerada improcedente por não haver “suporte normativo a amparar
o benefício in natura aos pretendentes”. A sentença foi
mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Por isso,
o caso chegou ao TST.
A relatora destacou que, dentre os fundamentos do ordenamento jurídico,
a igualdade é a regra. Por isso, a distinções entre pessoas
(empregados) tem de ser exceção.
“ No caso, houve atribuição de direito ao recebimento de
cesta de alimentos, restrita aos servidores lotados na capital. A exclusão
da vantagem quanto aos servidores do interior configura situação
de tratamento desigual e injustificado, na medida em que a vantagem se destina
ao atendimento de necessidade básica do ser humano, sem guardar relação
com o local de trabalho. Onde quer que o servidor se encontre, a necessidade é a
mesma porque diz respeito à sua condição humana e não, à sua
situação funcional”, justificou.
RR- 79/2002-019-02-40.7
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/02/2007
TST multa empresa por litigância de má-fé
Fazer afirmação falsa, retardando
o andamento do processo, com interposição de recurso manifestamente
protelatório, submete a parte que o promoveu ao pagamento de multa
por litigância de má-fé. A Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, acompanhando voto do ministro relator Horácio
de Senna Pires, decidiu, por unanimidade de votos, condenar a empresa
Ultrapetro Indústria e Sistema Ltda a pagar, em favor do ex-empregado,
multa por litigância de má-fé em razão da
manifesta protelação na interposição de um
agravo de instrumento.
A empresa protocolou recurso de revista
junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), mas o recurso não foi admitido por ter sido considerado
deserto, ou seja, a Ultrapetro não juntou o comprovante do pagamento
de depósito recursal que, na época, correspondia a R$ 6.970,05.
Insatisfeita com o não seguimento
de seu recurso, a empresa interpôs agravo de instrumento junto
ao TST. Alegou que no momento da interposição do recurso
de revista, juntou a guia de depósito recursal e que nos autos
havia certidão atestando a respectiva juntada. Afirmou, ainda,
que os documentos constavam das peças trasladadas na formação
do agravo de instrumento.
Verificando os autos, ficou constatado
que as informações trazidas pela empresa não condiziam
com a verdade, pois os comprovantes de depósito juntados ao processo
eram relativos a outro recurso. Segundo entendimento do TST, a parte
recorrente é obrigada a efetuar o depósito legal, integralmente,
em relação a cada novo recurso interposto, sob pena de
deserção, somente não se exigindo qualquer outro
depósito quando atingido o valor da condenação,
o que não ocorreu no caso.
A empresa foi condenada a pagar a indenização
prevista no artigo 18, § 2°, do Código de Processo Civil,
mais multa de 1% prevista no caput do mesmo artigo, calculadas sobre
o valor da causa. Segundo o voto do relator, é obrigação
das partes expor os fatos conforme a verdade; agir com lealdade e boa
fé; não alegar fatos sem fundamento, não produzir
provas, nem praticar atos inúteis ou desnecessários ao
esclarecimento do litígio. Tais medidas visam a evitar a protelação,
com discussões impertinentes e irrelevantes, em prejuízo
não só da parte contrária, mas também do
próprio Poder Judiciário.
“O procedimento da empresa de alegar
constar guia de depósito recursal e certidão de arquivamento
desta, quando, em verdade, não consta das peças trasladadas,
não pode ser tolerado, pois traduz injustificada resistência
ao andamento do processo, provocando incidente claramente infundado e
recurso manifestamente protelatório”, destacou o ministro
Horácio de Penna Pires. (53179/2002-902-02-40.8)
|