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Agência Senado, 27
de fevereiro de 2007
Paim volta a defender o fim do fator
previdenciário

O senador Paulo Paim (PT-RS) voltou a defender, nesta segunda-feira (26), em
Plenário, o fim do fator previdenciário. Ele afirmou que, devido
a esse mecanismo, os ganhos das mulheres têm uma redução
de aproximadamente 40% no ato da aposentadoria; no caso dos homens, a diminuição
seria de cerca de 35%.
O fator previdenciário é utilizado
no cálculo das aposentadorias e leva em conta, entre outros itens,
a expectativa de vida do beneficiário. Um de seus objetivos, conforme
estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicado
no ano passado, é "retardar aposentadorias e reduzir as despesas
previdenciárias", já que esse mecanismo reduz o valor
dos benefícios para quem se aposenta mais cedo.
Paim ressaltou que há um projeto
prevendo o fim do fator previdenciário que já havia sido
aprovado em uma comissão mista (da qual ele foi relator), e que
agora tramita na Câmara dos Deputados.
- Espero que a Câmara aprove o fim
do mecanismo - disse ele.
O senador declarou também que a
discussão de uma idade mínima para a aposentadoria pode "gerar
um bom debate, desde que se elimine o fator previdenciário".
- Idade mínima, na prática,
já existe. Se você começa a trabalhar com 16 anos
e são necessários mais 35 anos de contribuição,
chega-se aos 51 anos - argumentou o senador, acrescentando que "não
há porque não enfrentar o debate sobre essa questão".
Paim lembrou ainda que a Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) do Senado deve realizar nesta terça-feira
(27) uma audiência pública para discutir a situação
da Previdência Social. Ele destacou que está prevista a
presença do ministro dessa pasta, Nelson Machado, na reunião.
Maioridade penal
Ao comentar a polêmica quanto à redução
da maioridade penal, o senador afirmou que a questão "tem
de ser discutida em sua amplitude, passando por itens como educação,
trabalho e drogas". Ele recordou que o tema está sendo
debatido em duas comissões da Casa: a Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) e a Comissão de Direitos Humanos
e Legislação Participativa (CDH). Nesta última,
disse Paim, o debate está mais centrado na prevenção.
Fizeram apartes ao seu discurso os senadores Gerson Camata (PMDB-ES),
Sibá Machado (PT-AC) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
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Diário Vermelho, 27
de fevereiro de 2007
Trabalhadores se suicidam por assédio
moral e excesso de trabalho
Em menos de quatro meses, três funcionários da fábrica
da montadora Renault em Versailles, França, que trabalhavam no mesmo
espaço, cometeram suicídio. Dois deles se mataram no local de
trabalho e o terceiro, em casa. Este último deixou uma carta em que
dizia que seu suicídio foi motivado pelas péssimas condições
de trabalho na fábrica da empresa.
Para os sindicalistas franceses,
uma das causas da tensão que vem se observando nos escritórios é a
nova estrutura física. A reunião de vários trabalhadores
no mesmo espaço, conectados por computador, seria responsável
por fragilizar o trabalhador, principalmente quando o chefe o repreende,
o que sempre acontece na frente dos colegas. já que não
há salas fechadas.
Mas o assédio moral também é apontado como causa das mortes.
As pressões por produtividade são cada vez mais intensas. Cresce
também o corte de gastos e custos nas empresas, o que piora as condições
de trabalho. Mal acomodado, exposto e pressionado permanentemente, o trabalhador
pode chegar a sofrer distúrbios do sono, depressão e até desenvolver
distúrbios neurológicos.
A socióloga francesa Annie Thebaud-Mony é autora do livro Trabalhar
pode fazer muito mal à saúde, lançado na França
na semana passada. Ela alerta para a gravidade do problema do assédio
moral nas empresas: As exigências do trabalho começam a se tornar
um problema de saúde pública”, avalia a escritora. Fonte:
Rádio Francesa.
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Folha de São Paulo,
27 de fevereiro de 2007
CRÉDITO
BNDES aprova 1º empréstimo
ao setor moveleiro
DA SUCURSAL DO RIO
O BNDES aprovou financiamento de R$ 16,8
milhões para investimentos em modernização da Giroflex,
empresa de SP do setor de móveis. É o primeiro empréstimo
da linha de Inovação aprovado para o setor moveleiro.
O valor representa 79% do investimento total, para inovação tecnológica,
pesquisa e desenvolvimento de produtos e implementação de sistema
de gestão integrada. O setor tem 16 mil empresas e emprega 190 mil pessoas.
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Folha
de São Paulo, 27 de fevereiro de 2007
Chinaglia analisa se compra de reportagens
fere regras
Líder do PMDB usou dinheiro da Câmara
para pagar textos elogiosos no próprio jornal | Presidente da
Câmara diz que consultará 1º secretário para
saber se aplicação está dentro do regimento da Casa
ou se há impedimento
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), afirmou ontem que vai analisar se o fato de deputados
usarem dinheiro público para comprar "reportagens" em órgãos
de imprensa regionais está "de acordo com as regras ou
não". Reportagem da Folha publicada no domingo mostrou
que só em janeiro, mês de férias congressuais,
a Câmara reembolsou 488 deputados num total de R$ 5,9 milhões
por gastos alegados com a verba. "Vou pedir para o primeiro-secretário
analisar essa circunstância de compra de espaço na forma
de entrevista, se está de acordo com as regras ou não",
disse, evitando criticar diretamente o fato.
"Você imagina, por exemplo,
não é o meu caso, mas se o cara é dono do jornal,
e o jornal dele é o mais importante do pedaço, não
sei se seria ou não [irregular]. Caso ele se sinta à vontade
de fazer, minha dúvida é: existe algum impedimento pelas
regras ou não? Talvez esse debate venha a ser feito". À Folha
o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN) admitiu ter usado
parte da chamada "verba indenizatória" a que os parlamentares
têm direito para pagar a um jornal que controla, a "Tribuna
do Norte", pela publicação de reportagens benéficas
a ele.
A verba, um extra de R$ 15 mil mensais, é destinada
a despesas com consultorias, aluguel de escritórios, combustível
e "divulgação do mandato". Alves disse à Folha
considerar a compra de reportagens normal. Citou inclusive que recebe
descontos por ser diretor-presidente da instituição.
Primeiro-secretário da Câmara,
Osmar Serraglio (PMDB-PR) evitou críticas ao líder de
seu partido. "Eu vou ter que ver como é. Não vi
a reportagem, não tem como falar hipoteticamente. Não
posso falar nada", afirmou. Serraglio disse, entretanto, que a
divulgação do mandato parlamentar em forma de publicidade
estaria de acordo com as regras regimentais. "Se você paga, é publicidade,
não importa o nome que você dê. E se for publicidade,
ele tem o direito de divulgar." (RANIER BRAGON E LETÍCIA
SANDER)
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Folha
de São Paulo, 27 de fevereiro de 2007
FGTS terá de pagar para ter ganho
mínimo
A fim de garantir que não sofrerá prejuízo
em projetos do PAC, fundo vai repassar taxa de risco para a Caixa Econômica
Federal
Rentabilidade mínima equivale à variação
da TR mais juros de 3% ao ano; sindicatos e presidente Lula pressionaram
por garantia
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O FGTS terá que pagar para garantir
que não ficará no prejuízo e assegurar que os
R$ 5 bilhões que o fundo emprestará para financiar obras
do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) por meio
do novo fundo de infra-estrutura criado pelo governo tenham um retorno
mínimo. Depois da pressão das centrais sindicais e do
próprio presidente Lula para estabelecer um seguro e, assim,
evitar perdas ao patrimônio do FGTS caso os projetos de investimento
não sejam bem-sucedidos, a solução encontrada
pelo governo prevê que a Caixa Econômica Federal garantirá uma
rentabilidade equivalente à variação da TR mais
juros de 3% ao ano.
Para isso, a instituição
cobrará uma taxa de risco do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço), que irá variar de acordo com cada projeto. "O
presidente Lula pediu ao ministro Guido Mantega [Fazenda] que garantisse
esse rendimento mínimo. Era desnecessário, porque o fundo é do
próprio FGTS, mas, para não pairar dúvida, nós
vamos fazer. O que vai resultar é que vai ficar mais caro para
o próprio fundo [FGTS]", disse o ministro do Trabalho,
Luiz Marinho.
As garantias só valem para os
R$ 5 bilhões que o FGTS vai investir em projetos de infra-estrutura.
O recurso é parte do patrimônio líquido do FGTS.
O trabalhador terá só a garantia da conta vinculada. "Se
decidir aplicar num projeto, é uma decisão individual,
vai correr os riscos naturais." A aplicação dos
recursos individuais será decidida no Congresso. O problema é que
os R$ 5 bilhões estão hoje aplicados em títulos
públicos federais e, portanto, são corrigidos com base
nos juros de mercado.
Após serem transferidos para
o fundo de investimento em infra-estrutura e aplicados em obras do
PAC, os recursos serão remunerados com base na rentabilidade
desses investimentos. Com isso, na prática, para não
haver perda em relação ao que o dinheiro rende hoje,
a taxa de retorno dos investimentos terá de ser maior que essa
rentabilidade acrescida da taxa de risco que a Caixa irá cobrar.
O valor ainda não foi definido pelo governo. Em outras operações,
essa taxa de risco chega a 0,8% do valor aplicado. Na avaliação
do vice-presidente de ativos de terceiros da Caixa, Wilson Risolia,
os retornos dos projetos que terão parceiros privados serão
mais atraentes e será possível cobrir esse custo.
Ele cita como uma grande vantagem o
fato de que os projetos de investimento que serão financiados
terão mais transparência na administração
que as operações atuais do FGTS.
CVM
A proposta já foi encaminhada
para Mantega, mas, para ser implementada, ainda precisa percorrer um
longo caminho. Primeiro, será necessário definir o valor
dessa taxa de risco e fechar o formato do fundo de investimento com
o Conselho Curador do FGTS.
Depois, o governo deverá enviar
nova MP ao Congresso mudando as características do fundo em
relação ao que foi criado no PAC. Além disso,
a CVM terá que criar legislação específica,
porque esse formato de fundo não existe hoje e as regras atuais
proíbem, por exemplo, que o gestor de um fundo de investimento
dê garantia de rentabilidade ou ainda cobre para oferecer um
seguro. Colaborou KAREN CAMACHO, da Folha Online.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de fevereiro de 2007 | Brasil
Senado recua na proposta de dar autonomia
a estados em lei penal | Renan Calheiros adia instalação
de comissão para discutir o assunto | A proposta de conceder
autonomia aos estados para que eles próprios decidam se devem
ou não aumentar o rigor das penas para criminosos já nasceu
fadada a não prosperar.
Congresso Nacional Maioridade penal entra
em pauta amanhã
Brasília – Apesar do recuo na discussão sobre descentralização
de legislação criminal (veja reportagem ao lado), a Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar amanhã propostas
de emenda constitucional (PECs) que reduzem de 18 para 16 anos a maioridade
penal no país. No total, seis projetos tramitam na CCJ propondo mudanças
na idade penal mínima do país.
O senador Demóstenes Torres (PFL-GO)
foi designado relator único das seis matérias. Em seu parecer,
ele propõe a redução da idade penal no país
para 16 anos. Mas estabelece o regime prisional somente para jovens menores
de 18 anos e maiores de 16 que cometerem crimes hediondos. Também
amanhã, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai
se reunir com os quatro governadores da Região Sudeste para discutir
a redução da maioridade penal e mudanças no Estatuto
da Criança e do Adolescente.
O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), ontem adiou a instalação
da subcomissão que discutiria a proposta de descentralizar a legislação
penal do país.
Nos corredores do Congresso especula-se que a subcomissão não
deve sair do papel, pois Renan estaria sendo pressionado por diversos senadores
a não instalá-la diante da visível inconstitucionalidade
da matéria.
O presidente do Senado ontem decidiu solicitar
ao advogado-geral da Casa, Alberto Cascais, a elaboração
de parecer sobre a constitucionalidade da mudança antes de instalar
a subcomissão.
Na sexta-feira, Renan havia anunciado
que instalaria nesta segunda-feira a comissão no Senado para analisar
a proposta, apresentada pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio
Cabral (PMDB). O objetivo de Cabral é adotar no Brasil o modelo
seguido pelos Estados Unidos – país que permite às
unidades federativas adotarem legislações específicas
de combate ao crime de forma independente.
O governador argumenta que estados mais
violentos, como o Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, têm
características de criminalidade diferenciadas e devem ter o direito
de adotar medidas específicas na área de segurança
que não necessariamente sejam seguidas por outros estados.
Especialistas em legislação
penal afirmam, no entanto, que a Constituição brasileira
não permite regras penais e criminais diferenciadas por estado.
Isso feriria a unidade federativa do país.
Projetos de segurança
A discussão sobre projetos na área
de segurança pública ganhou destaque no Congresso Nacional
após a morte do menino João Hélio Fernandes, no
dia 7 de fevereiro, no Rio de Janeito. João Hélio estava
com a mãe e a irmã, Aline, 14, quando o carro deles foi
parado por criminosos, no bairro Oswaldo Cruz (zona norte do Rio). Rosa
e a filha conseguiram sair mas, quando a mãe tentava retirar o
menino do carro, os larões aceleraram e ele ficou pendurado do
lado de fora, preso ao cinto de segurança.
João foi arrastado durante
15 minutos, cerca de 7 quilômetros. O crime comoveu o país
e pressionou o Congresso a adotar medidas mais duras contra o crime.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de fevereiro de 2007 | Economia
Impostos e volta às aulas
elevam empréstimos no início do ano
Uso do cheque especial cresce 13,2% em janeiro,
frente a dezembro
Brasília – Gastos com a compra de
material escolar e com o pagamento de impostos como o IPVA e o IPTU
fizeram com que muitas pessoas entrassem no cheque especial neste início
de ano. Segundo dados do Banco Central, a procura cresceu 13,2% entre
dezembro e janeiro, bem acima do registrado pelo volume total de crédito
no país, que no mesmo período variou 0,7%, chegando a
R$ 738,719 bilhões. O valor corresponde a 34,3% do Produto Interno
Bruto (PIB), mesma proporção de dezembro.
Segundo o chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes, a maior procura por cheque especial é comum
nos meses de janeiro, em contraste com o movimento que geralmente ocorre
em dezembro, quando as pessoas utilizam o 13.º salário para
quitar dívidas. Segundo o BC, a pessoa que entra no cheque especial
costuma levar, em média, 21 dias para pagar toda sua dívida.
“O volume de crédito vem crescendo com a maior estabilidade da economia.
As pessoas tomam mais empréstimos porque sabem que vão poder pagar”,
diz Lopes. O aumento da renda da população, combinado com a recente
queda dos juros, favorece a expansão do crédito.
Nos empréstimos a pessoas jurídicas,
porém, a situação é inversa: a procura se
concentra no fim do ano, quando as empresas se preparam para as vendas
de Natal, e caem em janeiro – ficaram em R$ 215,5 bilhões
em janeiro, queda de 1% (valor que não considera crédito
com taxas controladas pelo governo, como o do BNDES).
Habitação
Os recursos destinados a financiamento
imobiliário para pessoas físicas e cooperativas apresentaram
crescimento de 2,7% em janeiro, para R$ 36,665 bilhões. Uma conseqüência
do crescimento nesse setor é a expansão das transações
acima de R$ 50 mil para pessoa física, que foi de 3% no mês,
para R$ 60,353 bilhões, e de 28,8% em 12 meses. “O financiamento
imobiliário impactou nessa conta. A expectativa é que continue
a subir dadas as condições do mercado vinculado à habitação”,
disse Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.
O financiamento de veículos
também pode ter influenciado transações de valor
mais elevado. O crescimento das operações entre R$ 5
e R$ 50 mil cresceu 1,6%, e até R$ 5 mil, 0,6%. Outro fator
que explica o aumento da procura por crédito imobiliário é o
aumento do prazo dos financiamentos, que está em 365 dias para
pessoas físicas, o maior prazo desde fevereiro de 2001, que
foi de 367 dias.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de fevereiro de 2007 | Economia
Déficit da Previdência
foi de R$ 3,6 bi em janeiro
O resultado representa uma redução
de 25,9% em relação a janeiro do ano passado, quando
esse déficit chegou a R$ 4,985 bilhões
por O GLOBO ONLINE
A Previdência Social começou
2007 com um déficit de R$ 3,696 bilhões. O resultado
representa uma redução de 25,9% em relação
a janeiro do ano passado, quando esse déficit chegou a R$
4,985 bilhões. A melhora foi efeito, principalmente, do
aumento da arrecadação previdenciária no mês,
que atingiu R$ 9,477 bilhões: 12,2% a mais do que no mesmo
período em 2006.
Segundo o secretário de Previdência
Social, Helmut Schwarzer, entre os elementos que ajudaram a reforçar
os cofres do governo em janeiro estão a formalização
do mercado de trabalho e também o esforço da Receita Previdenciária
para melhorar sua gestão e combater fraudes.
Já as despesas chegaram a R$ 13,173 bilhões, uma queda de 1,9%
sobre janeiro de 2006. Isso porque houve redução dos gastos com
o pagamento de sentenças judiciais. Segundo Schwarzer, esse movimento é natural,
pois o estoque de ações na Justiça tende a cair ao longo
do ano.
Quando se considera a nova metodologia
de cálculo do déficit da Previdência - anunciada
este ano, mas ainda em fase de estudo - o resultado negativo cairia para
R$ 1,875 bilhões. Isso porque, pela nova regra, se somam à arrecadação
as receitas com CPMF e o ressarcimento à Previdência com
renúncias fiscais. Por essa conta, a arrecadação
total de janeiro seria de R$ 11,297 bilhões.
De acordo com Schwarzer, a estimativa
do governo para o déficit da Previdência este ano é de
R$ 47 bilhões, mas esse número pode ser menor:
- Um déficit de R$ 47 bilhões é um
bom número para começar o ano. Mas ao longo de 2007 vamos
refazendo as projeções com base em elementos positivos,
como a unificação das receitas federal e previdenciária.
Para fevereiro, por exemplo, a arrecadação já deve
superar as projeções do Ministério da Previdência,
que são de R$ 10,4 bilhões - disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de fevereiro de 2007 | Economia
Pelo segundo ano, crescimento do
Brasil amarga penúltimo lugar na América Latina
por REUTERS/O GLOBO ONLINE
O Brasil deve ter reprisado em 2006 o penúltimo
lugar no ranking de crescimento econômico da América Latina,
além de ter registrado a última -e distante- posição
entre os países do chamado Bric.
Segundo economistas, juros altos, real
valorizado e problemas estruturais continuam sendo os motivos para a
fraqueza da atividade. E acrescentam: sem mais investimentos, o Brasil
dividirá em 2007 o penúltimo lugar no ranking latino-americano
de crescimento com o Paraguai.
O mercado prevê, de acordo com a última pesquisa semanal do Banco
Central, avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7 por cento, uma
taxa superior, na região, apenas à do Haiti, com base em dados
já publicados e previsões da Comissão Econômica
para América Latina e Caribe (Cepal).
Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), vê o resultado
do PIB brasileiro nos últimos anos como uma ``perda de oportunidade'',
já que o crescimento mundial desfruta de um ritmo não visto
desde a década de 1970.
``Não aproveitar este momento vigoroso é um
desperdício. O principal motivo para estarmos perdendo isso é a
política monetária. Com o juro muito elevado, o mercado
de câmbio se ajusta neste patamar (com real valorizado), o mercado
de empréstimos se ajusta em um nível de crédito
mais baixo do que deveria ser'', afirmou.
O investimento no país é outro
problema, segundo os economistas. Alex Agostini, economista-chefe da
Austin Rating, estima que o investimento deve ter ficado em 20 por cento
do PIB em 2006, abaixo da taxa de muitos países da região.
``A taxa real de juro muito alta do Brasil
atrai muito dinheiro para o mercado de capitais e não para o setor
produtivo'', disse.
``O endividamento muito elevado do governo
também atrapalha, reduzindo o potencial de investimento... O investimento
em muitos emergentes está em 30 por cento do PIB.''
Na América Latina, a República
Dominicana deve ficar com o maior crescimento em 2006, de 10,7 por cento,
segundo dado divulgado na semana passada.
No Mercosul, a Argentina cresceu 8,5 por
cento em 2006, segundo o índice EMAE, uma prévia do PIB,
enquanto a Venezuela expandiu-se em 10,3 por cento. A previsão
da Cepal é de 7,3 por cento para o Uruguai e de 4 por cento para
o Paraguai.
A Cepal prevê para a América
Latina expansão média de 5,3 por cento.
A diferença do Brasil também é grande
em relação ao Bric, grupo de economias emergentes consideradas
de grande potencial: a economia da China avançou 10,7 por cento
em 2006, a da Rússia cresceu 6,8 por cento e a da Índia
deve avançar, segundo previsão do governo, 9,2 por cento
no ano fiscal de 2006, que termina em março.
Economia ampla
Carlos Cavalcanti, economista do Centro
das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), minimiza
o baixo crescimento brasileiro na comparação com os demais
países da região.
``O Brasil é uma economia mais
desenvolvida que a de muitos países latino-americanos, como a
Bolívia, que produz gás, o Chile, que vive basicamente
do cobre, e a Venezuela, que vive basicamente de petróleo.''
Quando se trata da comparação
com as potências asiáticas, no entanto, Cavalcanti ressalta
que o Brasil fica muito atrás.
``O Brasil tem problemas, ou problemas
mais profundos, que os países asiáticos. China, Índia
não têm ou têm com menor intensidade: baixa educação,
problemas de logística, adversidades no passado de política
econômica, problema de crédito ao setor produtivo e moeda
local valorizada.''
O último ano de crescimento mais
robusto no Brasil foi 2004, com 4,9 por cento, superando na América
Latina a expansão de oito países e igualando a taxa da
Colômbia, mas ainda mantendo-se abaixo da média da região,
de 6 por cento.
O PIB brasileiro será divulgado
nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No mês que vem, um novo dado será anunciado, baseado em
nova metodologia do IBGE.
2007
A previsão do mercado para o crescimento
brasileiro em 2007 é de 3,5 por cento -a mesma estimativa da Cepal,
que projeta para a América Latina expansão de 4,7 por cento.
Segundo as previsões da Cepal,
o Brasil empataria com o Paraguai no penúltimo lugar, mantendo-se à frente
apenas do Haiti, cujo PIB deve subir 3 por cento.
``Sem investimentos não vamos crescer.
O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ajuda, mas
não soluciona todos os problemas'', disse Agostini, da Austing
Rating.
``Em 2007, podemos empatar com o Paraguai
se ele não nos ultrapassar de novo. Do jeito que estamos, não é impossível.''
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de fevereiro de 2007 | Economia
Brasil terá dois PIBs para 2006
IBGE muda o cálculo do desempenho
da economia, o que deve provocar elevação da variação
do crescimento não apenas de 2006, mas também de anos
anteriores
Jacqueline Farid
RIO - O ano de 2006 terá duas taxas
para o Produto Interno Bruto (PIB). A primeira será divulgada
na quarta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Mas a variação constatada será válida
por apenas um mês. No dia 28 de março, será apresentado
um novo PIB do País para o ano passado, que será considerado
oficial. A expectativa de analistas econômicos é que a mudança
eleve a variação do crescimento econômico brasileiro
não apenas de 2006, mas também de anos anteriores.
A situação inusitada da
apresentação de dois PIBs para um mesmo ano (no espaço
de um mês) ocorrerá por causa da mudança na metodologia
de cálculo do indicador. Será a transformação
técnica mais profunda já ocorrida na contabilidade do desempenho
da economia do País.
Segundo o coordenador de Contas Nacionais
do IBGE, Roberto Olinto, as mudanças - incluindo não só 2006,
mas todos os anos desde 1995 - não serão de grande magnitude
e não deverão mudar a avaliação sobre o desempenho
econômico.
Mas o economista do banco ABC Brasil,
Luis Otávio Leal, acredita que "haverá muitas surpresas" em
relação a dados anuais do PIB já divulgados. Para
ele, a nova metodologia poderá levar a revisões nas análises
feitas sobre os desempenhos da economia em governos anteriores, inclusive
no primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva. "Talvez
as previsões de crescimento de 2,7%, 2,8% para o PIB de 2006 não
se concretizem e a expansão, com a nova metodologia, seja acima
de 3%", disse.
As previsões de mercado apontam
para uma expansão do PIB abaixo de 3% em 2006 mas, para Leal,
as mudanças na captação de informações "poderão
levar a um PIB mais forte".
O argumento é que serão
captados com mais eficiência, por exemplo, os dados da construção
civil, que respondem por 60% da Formação Bruta de Capital
Fixo (FBCF) e vão ter influência, portanto, nas informações
sobre investimentos. "Haverá uma diferença (no segundo
resultado), e para cima", disse Leal.
Etapas
A divulgação do PIB de 2006
ocorrerá em três etapas. Na quarta-feira, o IBGE divulga
o resultado do ano passado e do quarto trimestre, como se não
houvesse sido decidida qualquer modificação. No dia 20
de março, provavelmente, será introduzida a nova série
com referência no ano 2000 - a anterior tinha como base 1985 -,
com todos os novos dados de PIB anuais, de 2000 em diante, e dados revisados
de 1995 a 1999. Os dados do início da série, de 1990 a
1994, ficam inalterados.
Os dados de 2006 não entram nessa
apresentação. Em 28 de março, serão divulgados,
enfim, os resultados consolidados, já com a nova série,
para o quarto trimestre e o acumulado do ano. Olinto admite que a digestão
de tantas mudanças e dados diferentes é complicada até para
o instituto. Segundo ele, o lado positivo é que os resultados
do PIB serão mais eficientes e vão ter maior abrangência
setorial.
O ex-secretário de Acompanhamento
Econômico do Ministério da Fazenda e economista da Universidade
Federal Fluminense (UFF), Claudio Considera, também acredita que "a
qualidade das informações vai ser aumentada" com o
novo PIB.
Ele destacou, por exemplo, as mudanças
nas informações sobre serviços e construção
civil, que possibilitarão que a economia esteja espelhada no
PIB de forma mais fidedigna. Ele acredita em mudança das taxas
já divulgadas, mas não quis arriscar se, em relação
ao resultado de 2006, será para baixo ou para cima.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de fevereiro de 2007 | Economia
Sindicalistas criticam terceirização
nas empresas
Eles também pedem aumento real de
salário e valorização do piso salarial
Pedro Henrique França
SÃO PAULO - Combater a terceirização
e defender os direitos trabalhistas na Previdência Social. Estas
foram as duas principais bandeiras de luta definidas para 2007, nesta
segunda-feira, dia 26, por cerca de 600 metalúrgicos, que estiveram
presentes no Encontro de Delegados Sindicais. Para Eleno Bezerra, presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, a terceirização
nas empresas se transformou em "uma epidemia". "Estão
querendo terceirizar tudo", afirma Bezerra, em entrevista à Agência
Estado.
As centrais sindicais avaliam que a terceirização é injusta
com o trabalhador e defendem que os trabalhadores terceirizados trabalhem
sob as mesmas condições salariais que um metalúrgico.
Sem citar nomes, ele chega a dizer que existe um lobby "pesadíssimo" do
meio empresarial "e até da imprensa", que defende a
terceirização. "Os trabalhadores terceirizados ganham
a metade dos salários de um metalúrgico e não tem
benefícios. O único objetivo (das empresas), com isso, é ganhar
dinheiro", ataca o presidente do Sindicato.
Segundo ele, um metalúrgico que
sofre um acidente de trabalho tem estabilidade empregatícia por
parte da empresa até a sua aposentadoria. "O que não
ocorre com um trabalhador terceirizado. Neste caso ele perde o emprego
e terá que ficar brigando no INSS para ver se vai ter auxílio-doença
ou não", acrescenta.
Previdência Social
O tema do auxílio-doença,
juntamente com a questão da terceirização, é a
deixa para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos abordar
o assunto da Previdência Social. Para ele, a terceirização
afeta diretamente a Previdência e avisa: as centrais sindicais
não vão aceitar mudanças na Previdência que
prejudiquem os trabalhadores, como a redução do auxílio-doença,
por meio de reajustes e criação de um subteto, e a definição
de uma idade mínima para a aposentadoria.
"Quando o trabalhador terceirizado
se acidenta as empresas demitem e jogam o problema para a Previdência
(Social) resolver, o que aumenta a demanda. Por conta disso, o governo
(federal) vem com essa de querer reduzir o auxílio-doença.
Isso nós não vamos admitir de jeito nenhum", diz Bezerra.
De acordo com o presidente do Sindicato,
os argumentos para a redução do auxílio-doença,
não procedem e revelam falhas internas do próprio governo. "O
governo sustenta que há trabalhadores que ganham auxílio-doença
maior do que seu último salário e reclama de fraude no
sistema. Mas se admite que há malandragem, está oficializando
a malandragem. O governo jamais deveria admitir que há corrupção",
critica.
No próximo dia 07, o próprio
Eleno Bezerra irá a Brasília, onde, na ocasião,
apresentará ao líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR),
uma proposta sobre a Previdência Social. "Nós vamos
discutir o que achamos que o governo deve fazer para não haver
corrupção no sistema previdenciário e vamos apresentar
também a questão do teto, que não dá pra
gente concordar. O Sindicato, a Força (Sindical) e a Confederação
Nacional dos Metalúrgicos (CNTM) fará uma luta a qualquer
custo para não retirar os direitos do trabalhador", ressalta.
Outras bandeiras
Além da questão da terceirização
e da Previdência Social, outras bandeiras de luta foram desenhadas
para este ano. É o caso da invariável reivindicação
por aumento real de salário e valorização do piso
salarial. No entanto, segundo Bezerra, os reajustes a serem pedidos ainda
não foram definidos. "Discutiremos lá na frente",
desvia o presidente do Sindicato. "Mas vamos intensificar a campanha
de participação nos lucros e resultados das empresas",
declara.
Outra bandeira é a redução
de jornada de trabalho sem mudança nos salários. Para isso,
analisa que o governo deva trazer alívios fiscais às empresas
como forma de compensação. Outros itens definidos para
os metalúrgicos lutarem em 2007 são: equiparação
salarial e planos de cargos e salários; cesta básica e
convênio médico; isenção das tarifas bancárias;
qualificação profissional a ser oferecida aos trabalhadores
pelas empresas. Além desses pontos, os sindicalistas optaram por
incorporar a preservação do meio ambiente nas lutas da
categoria e ampliar as políticas para jovens e mulheres de metalúrgicos.
Governo Lula
Questionado sobre a condução
política do presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva, Eleno Bezerra assume uma ponta de decepção.
Afirma que os metalúrgicos depositavam expectativas melhores sobre
o petista, em razão de seu passado como líder sindicalista. "Os
trabalhadores tinham expectativas muito boas. Esperava-se que o Lula
resolvesse a questão da Previdência Social, fizesse uma
reforma econômica que impulsionasse a indústria, reconhecesse
as centrais sindicais, mas nada disso aconteceu", lamenta.
Entretanto, sustenta que o governo
Lula em comparação com a gestão FHC - de 1994
a 2002 - "foi muito melhor". Contudo, pondera: "Neste
segundo governo a comparação agora é com ele mesmo
e não mais com o FHC. Acho que o Lula iniciou este segundo mandato
no caminho certo, mas vamos ver agora como ele vai andar no Congresso."
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de fevereiro de 2007 | Economia
Lucro da CEF chega a R$ 2,386 bi em
2006 e cresce 15,45%
Saldo das operações cresceu
23%, de R$ 37 bi em 2005 para R$ 45 bi
Gustavo Freire
BRASÍLIA - A Caixa Econômica
Federal (CEF) teve em 2006 um lucro de R$ 2,386 bilhões. O resultado é 15,45%
superior ao lucro de R$ 2,073 bilhões alcançado em 2005.
De acordo com a CEF, o resultado do ano passado é recorde histórico.
Segundo a instituição, serão repassados ao Tesouro
em dividendos sobre o lucro R$ 1,146 bilhão.
A Caixa informou ainda que conseguiu em
2006 ter um retorno de 26% sobre o Patrimônio Líquido. Este
patrimônio aumentou 15%, de R$ 7,952 bilhões em 2005 para
R$ 9,182 bilhões. No final de 2006, o índice de Basiléia,
que mede os ativos ponderados pelo risco, estava em 25,29%.
Durante todo o ano passado, o saldo das
operações de crédito da Caixa teve um aumento de
23%, de R$ 37,195 bilhões em 2005 para R$ 45,689 bilhões.
As receitas da CEF com crédito subiram de R$ 7,497 bilhões
em 2005 para R$ 8,922 bilhões em 2006. A CEF informou ainda que
as receitas com prestação de serviço subiram de
R$ 5,166 bilhões em 2005 para R$ 5,595 bilhões no ano passado.
Estas receitas praticamente cobrem os
gastos com pessoal da instituição, que aumentaram no ano
passado para R$ 6,244 bilhões, de R$ 5,585 bilhões no ano
anterior. Este crescimento deveu-se à abertura de novas agências
e à contratação de pessoal.
A CEF informou ainda que as provisões
para os crédito em liquidação duvidosa aumentaram
de R$ 980,040 milhões para R$ 1,136 bilhão de um ano
para outro.
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de fevereiro de 2007
Parlamentares aproveitam discussão
de medida provisória para incluir obras regionais no PAC
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O relator de uma das
principais medidas provisórias do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), deputado federal Armando Monteiro Neto (PTB-PE),
e os representantes do governo terão de discutir interesses regionais
no Congresso. Das 36 emendas à MP 348, que cria um fundo para
financiar projetos de infra-estrutura com recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS), 15 propõem a inclusão
de obras não previstas no PAC entre os projetos beneficiados pelo
novo fundo.
O fundo se destina a financiar projetos
nas áreas de energia, transporte, água e saneamento básico.
Os FIP-IEs serão criados por investidores (empresas, bancos e
pessoas físicas) autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) na forma de uma Sociedade de Propósito Específico
(SPE). Esses fundos serão formados por no mínimo dez cotistas
e nenhum poderá deter mais de 20% das cotas emitidas ou ganhar
mais de 20% do total de rendimento do fundo.
Para o deputado Armando Monteiro Neto,
o estado de Rondônia é o que terá mais peso. Dos
15 pedidos de inclusão de obras, nove são para o estado.
Somente a deputada federal Marinha Raupp (PMDB-RO) propôs oito
emendas para obras de transporte e energia em Rondônia, apesar
de a redação original da medida provisória não
estabelecer nenhum projeto específico de financiamento para o
novo fundo.
Em outros casos, as emendas não
são tão específicas, mas também propõem
o favorecimento de estados e regiões na distribuição
dos investimentos. É o que ocorre com emenda do senador Marconi
Perillo (PSDB-GO), que pede a aplicação de pelo menos 20%
dos recursos apurados no fundo de infra-estrutura no Centro-Oeste. Já o
deputado Eduardo Valverde (PT-RO) quer prioridade para investimentos
em termelétricas que utilizem gás natural em Rondônia.
Os pedidos nas emendas nem sempre se dão
por região, mas priorizam um critério específico.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), por exemplo, reivindica que os
projetos de infra-estrutura incluídos nesse fundo dêem preferência
para municípios com baixo Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH), indicador das Nações Unidas que mede parâmetros
como educação, saúde e saneamento. Para ele, esses
municípios teriam, de forma comprovada, maiores necessidade de
obras com geração de emprego.
Pela medida provisória, os recursos
aplicados pelo fundo fazem parte do patrimônio líquido do
FGTS, que diz respeito à rentabilidade do dinheiro depositado
mensalmente para os trabalhadores com carteira assinada. A idéia é que
sejam investidos inicialmente R$ 5 bilhões em projetos de infra-estrutura
como estradas, ferrovias e portos.
A redação original
da medida provisória prevê que a escolha dos projetos
financiados com recursos do FGTS serão votados por um conselho
com participação do governo e dos trabalhadores para
garantir geração de empregos formais. A cada projeto,
o Fundo de Investimento destinará 30% do total e os outros 70%
virão da iniciativa privada. Investimentos em habitação
e saneamento serão analisados pela Caixa Econômica Federal.
Os de infra-estrutura, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de fevereiro de 2007
Pesquisa do Banco Central indica
queda contínua da inflação
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O comportamento de preços
dá mostras de desaceleração no comércio varejista
e reduz a projeção para o Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) anual de 3,94% para 3,91%, de acordo com o
Boletim Focus divulgado hoje (26) pelo Banco Central.
O boletim é resultado de pesquisa
que o BC faz todas as sextas-feiras com uma centena de analistas de mercado
e de instituições financeiras para acompanhar as expectativas
da iniciativa privada sobre os principais indicadores da economia.
Segundo esses especialistas, o IPCA, que
serve de parâmetro para as correções oficiais, será de
0,45% neste mês, e cairá para 0,29% em março (ante
0,30% na pesquisa anterior); e a projeção de inflação
para os próximos 12 meses cai de 3,89% para 3,82%. Isso indica
que a tendência para 2008 é de IPCA em torno de 4%, também
abaixo do centro da meta de 4,5%, definida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN).
A expectativa de inflação
se mantém estável, ainda, para os preços administrados
por contrato, ou monitorados (combustíveis, energia elétrica,
telefonia, transporte urbano, medicamentos, educação, saneamento, água
e outros), com estimativa de 3,80% neste ano e projeção
de 4% em 2008.
O mercado varejista revelou, porém,
ligeira alta da inflação na capital paulista, onde o Índice
de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação
Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São
Paulo (USP) projetou reajustes acumulados de 3,98% no ano, contra 3,95%
na pesquisa da semana passada.
No mercado atacadista, os preços
estão parados, e a Fundação Getúlio Vargas
(FGV) estima mesmos patamares da semana passada para o Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) e para
o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), com 4% e
4,07%, respectivamente.

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