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Agência Senado, 1º de
março de 2007
Dornelles quer garantia da Caixa para
recursos do FGTS aplicados no PAC
Apesar de manifestar seu apoio ao Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) e à utilização de recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS) para investimentos em infra-estrutura, o
senador Francisco Dornelles (PP-RJ) posicionou-se contra a criação
de um fundo de investimento com o dinheiro do FGTS. Ele defendeu que esses
investimentos sigam a mesma sistemática já existente na aplicação
de recursos do Fundo em habitação e saneamento.
- O conselho curador do FGTS
fixaria periodicamente um montante de recursos a ser aplicado em infra-estrutura
e tais financiamentos seriam concedidos diretamente pela Caixa Econômica
Federal. O risco do investimento em infra-estrutura seria da Caixa, porque,
sendo ela uma instituição financeira de fomento, tem por
obrigação avaliar a pertinência e a qualidade de
um projeto, a confiabilidade e a capacidade de pagamento do credor -
explicou Francisco Dornelles.
O senador pelo Rio de Janeiro
registrou que sua proposta não é novidade, apenas sugere
que seja seguido o mesmo rito adotado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT), que empresta recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES). O Banco usa os recursos do FAT e de
outras fontes para conceder financiamentos em infra-estrutura e é inteiramente
de seu risco avaliar as operações e os tomadores do crédito.
Na avaliação de
Dornelles, a criação do fundo de investimento com recursos
do FGTS abre um precedente perigoso e desnecessário. Ele classificou
como injustificável a poupança do trabalhador ser aplicada
em operações de razoável risco, sem prévia
autorização dos próprios trabalhadores, que são
os donos dos recursos.
Em aparte, o senador Paulo
Paim (PT-RS) opinou que a proposta de Dornelles é a mais adequada,
até o momento, por ser equilibrada e por assegurar que os investimentos
feitos em obras de infra-estrutura com os recursos do FGTS não
provocarão prejuízos no patrimônio dos trabalhadores.
Já o senador César Borges (PFL-BA) reforçou a
necessidade de que os recursos do FGTS sejam preservados.
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Nova
Central, 1º de
março de 2007
Emprego formal cresceu 0,38% em janeiro
O Brasil registrou em janeiro a criação de 105.468 novos
empregos formais, o que significou um crescimento de 0,38% o total de trabalhadores
com carteira assinada no país, segundo dados do Caged (Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho.
No primeiro mês do ano foram contabilizadas 1,144 milhão de
contratações e 1,038 milhão de demissões.
"Começamos bem o ano, precisamos só continuar bem
o ano todo", disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, ao comentar
os dados do emprego no país. Mesmo considerando cedo para fazer
uma projeção para a evolução do emprego ao
longo de 2007, o ministro disse esperar que o mercado de trabalho supere
a criação de 1,2 milhão de novas vagas, registrada
do ano passado. Segundo Marinho, como a avaliação do governo é a
de que a economia brasileira terá em 2007 um desempenho melhor
que nos dois últimos anos, isso deverá refletir na geração
de empregos.
O desempenho do mês de janeiro para o mercado de trabalho foi
o segundo melhor para o período, atrás apenas do registrado
em janeiro de 2005, quando foram abertas 115.972 novas vagas, e o número
de trabalhadores formais avançou 0,46%. O resultado do mês
passado ficou bem acima do registrado em janeiro do ano passado, quando
foram abertas 86.616 novas vagas com carteira assinada. Nos últimos
12 meses foram gerados 1,247 milhões de empregos, segundo dados
do Caged.
Indústria
O desempenho da indústria de transformação, que
abriu 39.118 postos de trabalho, o maior saldo da série histórica
do Caged, e elevou em 0,60% o número total de empregados formais,
foi destacado pelo ministro como um sinal importante para a economia
e o mercado de trabalho. "Se a indústria de transformação
está indo bem, ela aponta uma tendência para a economia
no ano. Se a indústria de transformação está indo
mal, é sempre um motivo de preocupação", analisou.
O setor de serviços abriu 43.325 postos de trabalho (alta de
0,43%) e o setor agropecuário 17.239 vagas. A construção
civil também registrou um crescimento importante no primeiro mês
do ano. Com 11.708 novos postos de trabalho, o setor elevou o seu estoque
de empregados em 0,87%.
Esse bom desempenho da construção civil contribuiu até mesmo
para um impacto menor no emprego do comércio. Apesar do fechamento
de 9.899 postos (- 0,16%), o resultado relativo aos estabelecimentos
que comercializam material de construção foi positivo,
com um saldo de 4.824 postos no período.
Região
A maior parte das novas vagas foi criada
em São Paulo (59.172),
seguida pelo Rio Grande do Sul (14.920), Santa Catarina (14.389), Goiás
(10.292), Paraná (8.864) e Minas Gerais (7.234). No Rio de Janeiro
o saldo entre admissões e demissões foi de apenas 189 postos
de trabalho.
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Diário Vermelho, 1º de
março de 2007
TSE: quase 10% dos eleitores brasileiros
são filiados a partidos políticos
O site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - www.tse.gov.br - publicou nesta
quarta-feira um conjunto de matérias que registram a evolução
do número de brasileiros filiados a partidos políticos. Um sistema
de consulta disponível no site permite ao internauta saber quantas pessoas
estavam filiadas a cada um dos 28 partidos registrados oficialmente no TSE.
Há dados disponíveis desde outubro de 2002 até janeiro
de 2007. Dos 125.988.820 cidadãos aptos a votar, 11.570.161 são
filiados a partidos políticos, o que representa 9,18% do eleitorado.
A consulta no site do TSE mostra,
por exemplo, que em quatro anos, de outubro de 2002 a outubro de 2006,
o Partido dos Trabalhadores (PT) ganhou 218.417 filiados, totalizando
1.047.198 membros. Já o Partido do Movimento Democrático
Brasileiro (PMDB), hoje a legenda com o maior número de credenciados
(2.037.431), registrou perda de 179.596 filiados no mesmo período.
Segunda maior legenda em número de filiados (1.266.295), o Partido Progressista
(PP) perdeu 50.520 membros, entre outubro de 2004 - quando registrava 1.316.815
filiados - e outubro de 2006. Já o Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
apresentou variação positiva neste período, passando de
151.620 filiados em outubro de 2002 para 187.312 em novembro de 2006. A última
contagem, de janeiro de 2007, mostra pouca alteração no número
de filiados ao PCdoB. Atualmente, segundo os dados do TSE, o Partido tem 187.160
filiados.
O maior número de filiados ao PCdoB está em São Paulo
(41.446) e o menor em Tocantins (337). Os números refletem os dados
encaminhados pelas legendas à Justiça Eleitoral. A lei partidária
(Lei 9.096/95), no artigo 19, diz que os partidos devem remeter à Justiça
Eleitoral, na segunda semana dos meses de abril e de outubro, todos os anos,
a relação dos nomes de todos os seus filiados, com a data da
filiação, o número dos títulos eleitorais e das
seções em que estão inscritos.
Caso não sejam remetidas
nos prazos, o número de filiados mantém-se inalterado perante
a Justiça Eleitoral. Cabe registar que os números apresentados
são os que o TSE considera números oficiais coletados a
partir dos dados enviados pelas legendas, mas diversos partidos adotam
critérios diferentes para determinar quantas pessoas fazem parte
das fileiras partidárias.
Crescimento
Outro exemplo relatado pelo TSE: o número de filiados ao Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), terceira maior legenda nesse quesito,
variou em 46.767. Em outubro de 2002, eram 1.049.902 membros; quatro anos depois,
1.096.669.
O Partido Popular Socialista (PPS) ganhou 104.310 filiados, saltando de 300.151
membros em outubro de 2002 para 404.461 em outubro de 2006. O número
de filiados ao Partido Verde (PV) também cresceu: em 2002, era 96.069;
em 2006, 181.710 – acréscimo de 85.641 eleitores.
Em números absolutos, o Partido da Causa Operária (PCO) duplicou
o número de filiados: passou de 1.535, em outubro de 2002, para 3.370
em outubro de 2006.
Eleitorado x filiados
Dos 125.988.820 cidadãos aptos a votar, 11.570.161 são filiados
a partidos políticos, o que representa 9,18% do eleitorado. Em outubro
de 2002, havia 11.131.135 filiados (9,66% do eleitorado daquela época,
de 115.253.834). Em quatro anos, o número de filiados aumentou em 439.026
(3,8%). No mesmo período, o eleitorado cresceu 8,5%.
Nos estados
Santa Catarina tem a maior proporção entre eleitorado estadual
e número de filiados. Dos seus 4.167.234 eleitores, 610.187 são
filiados a partidos, o que representa 14,64% do eleitorado catarinense. Em
segundo vem o Rio Grande do Sul, onde 13,79% (1.067.676) dos 7.741.097 eleitores
são filiados a alguma legenda.
Os estados com a menor proporção de filiados são Alagoas
e Amazonas. No primeiro, 109.307 eleitores, do total de 1.855.552, são
filiados a partidos (5,89%). No segundo, há 119.296 filiados, o que
representa 6,67% do universo de 1.788.963 eleitores amazonenses.
Regras de filiação partidária
Conforme a Lei 9.096/95, apenas o eleitor que estiver no pleno gozo de seus
direitos políticos, pode filiar-se a partido. A filiação
partidária, para todos os efeitos, deve atender às regras estatutárias
do partido para ser deferida.
A norma eleitoral também dispõe que, para concorrer a cargo eletivo,
o eleitor deverá estar filiado ao respectivo partido pelo menos um ano
antes da data fixada para as eleições, majoritárias ou
proporcionais. O filiado, para desligar-se do partido, deverá fazer
comunicação escrita ao órgão de direção
municipal e ao juiz eleitoral da zona em que for inscrito.
A lei estabelece, ainda, que o cancelamento imediato da filiação
partidária ocorrerá nos casos de morte, perda dos direitos políticos,
expulsão, outras formas previstas no estatuto, com comunicação
obrigatória ao atingido no prazo da 48 horas da decisão.
Por fim, o eleitor que decidir se filiar a outra legenda deverá fazer
comunicação ao partido de origem e ao juiz de sua respectiva
Zona Eleitoral, para cancelar sua filiação. Caso contrário,
se a comunicação não for feita no dia imediato ao da nova
filiação, ficará configurada dupla filiação,
sendo ambos consideradas nulas para todos os efeitos.
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Agência Carta Maior,
1º de março de 2007.
OIT acompanhará fórum
sindicatos-patrões-governo
O órgão internacional foi convidado
para participar do Fórum da Previdência, que recebeu
elogios no Senado e analisará inicialmente mudanças
demográficas da população. Em novo cálculo,
INSS teve déficit de R$ 1,8 bi em janeiro.
Por André Barrocal, na Carta
Maior
As discussões do Fórum
Nacional da Previdência Social, instância que vai debater
a reformulação do sistema previdenciário público
existente para trabalhadores do setor privado, serão acompanhadas
por observadores internacionais. O Ministério da Previdência,
que presidirá o Fórum, convidou a Organização
Internacional do Trabalho (OIT) para participar das reuniões.
A primeira está marcada para 7 de março e terá como
ponto de partida estudos sobre mudanças demográficas da
população (taxa de natalidade, contingente de idosos e
expectativa de vida). Foram elaborados pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) e por uma pesquisadora do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), Ana Maria Camarano.
Segundo o Ministério,
o modelo de negociação adotado no Fórum é recomendado
pela própria OIT, quando se trata de montar ou rever regimes previdenciários.
O Fórum compõe-se de representantes de centrais sindicais,
de entidades patronais e de ministros do governo. Em seis meses, vai
fazer um diagnóstico sobre a situação da Previdência
Social e tentar encontrar propostas consensuais.
Nesta terça-feira (27),
o ministro da Previdência, Nelson Machado, falou no Senado sobre
o convite aos observadores, os debates do Fórum e os princípios
que o governo adotará nas discussões. Ele participou de
uma audiência pública realizada pelas comissões de
Assuntos Sociais (CAS) e Direitos Humanos (CDH). E obteve reações
positivas.
Machado reafirmou que a situação
da Previdência precisa ser rediscutida (leia matéria sobre
o lançamento do Fórum), pois o sistema de hoje nasceu numa
realidade diferente, em que havia menos idosos, menos tendência
de envelhecimento da população e maior taxa de natalidade. “É matematicamente
impossível manter o modelo atual”, declarou.
Mas também deixou claro
que o governo não pretende sacrificar direitos adquiridos por
quem já está no sistema. As mudanças, se houver,
serão válidas só para o futuro. Segundo Machado,
a transição suave é possível porque as contas
da Previdência estão controladas. O descompasso entre receitas
e despesas ficará em torno de 2% das riquezas nacionais, até o
fim do atual governo. “Não precisamos sair correndo para
fazer uma reforma”, disse.
Elogios e enfoque do Fórum
O diagnóstico apresentado
pelo ministro foi elogiado por senadores “sociais” que integram
uma das duas comissões. “Gostei da conclusão de que
não é necessária nenhuma reforma imediata que retire
direitos dos trabalhadores. Está claro que não é necessária
uma reforma neoliberal porque a Previdência não precisa
e não é ela o gargalo que impede o crescimento do país”,
disse o senador José Nery (PSol-PA).
“A Previdência não
precisa de uma reforma açodada”, afirmou Geraldo Mesquita
Jr. (PMDB-AC). “Me arrepio todo quando se fala em reforma. No nosso
país, quebra de contrato é considerado um retrocesso, quando
se fala em mexer nos interesses do grande capital. Mas, quando se fala
em reforma que significa quebra de contrato social, aí é avanço
e modernização”, completou.
Na audiência, o ministro
enfatizou, como tem feito recentemente, que o Fórum enfocará o
equilíbrio financeiro da Previdência seguindo dois princípios.
O primeiro é partir de um retrato contábil fiel do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS). A fidelidade decorre de uma nova forma
de contabilizar o resultado do INSS (confira matéria sobre o tema).
Anula-se o efeito de generosidades fiscais concedidas pelo governo na área
de Previdência. E leva-se em conta uma fatia da CPMF que pertence
ao INSS. Neste caso, o descompasso entre receitas e despesas da Previdência
foi de R$ 1,8 bilhão em janeiro, de acordo com dados divulgados
nesta segunda-feira (26). Na contabilidade anterior, seria o dobro -
R$ 3,7 bilhões.
O segundo princípio deriva
da nova contabilidade. Do descompasso de R$ 1,8 bilhão, o governo
acha que se deve separar a área urbana e zona rural, porque a
despesa no campo teria característica distinta – seria mais
assistência do que Previdência. Em janeiro, o descompasso
do INSS na área urbana foi de R$ 500 milhões e de R$ 1,3
bilhão na rural.
“Refazer a conta é colocar
o endereço em quem paga a conta. Separar o que é Previdência,
do que é inclusão social”, afirmou a senadora Ideli
Salvatti (SC), que não integra as duas comissões. “Mas
os derrotados na eleição continuam insistindo em falar
em rombo da Previdência”, completou a líder do PT,
em referência ao boicote que a nova contabilidade tem sofrido por
parte de economistas conservadores.
Idade mínima e fator previdenciário
Presidente do Fórum, Machado
disse que o governo tem de “tomar todas as providências” para
zerar o desequilíbrio na área urbana. Inclusive se for
necessário impor idade mínima à aposentadoria. Segundo
ele, não haverá tema “tabu” no Fórum.
Autor da proposta de realizar
a audiência, o presidente da Comissão de Direitos Humanos,
Paulo Paim (PT-RS), disse que concorda com o debate da idade mínima,
desde que seja extinto o chamado “fator previdenciário”.
O fator é um modo de calcular a aposentadoria que, na prática,
reduz o valor dela. “Temos de acabar com o fator previdenciário.
Ele é perverso, penaliza muito aqueles que começaram a
trabalhar mais cedo”, afirmou Paim.
Para Machado, o fator é uma “disfunção” que
precisa de reavaliação. A tese de casar adoção
de idade mínima ao mesmo tempo em que se elimina o fator tem um
simpatizante entre os ministros do Fórum: Luiz Marinho, do Trabalho.
Para Marinho, a combinação de idade e fator seria uma “sacanagem” com
o trabalhador.
A delimitação do
enfoque do Fórum à Previdência na área urbana
ajudará a preservar o atual sistema de aposentadoria rural, ao
menos enquanto um governo não decidir mexer no assunto. Essa proteção
agradou um parlamentar da Casa vizinha que esteve na audiência
no Senado: o deputado federal Adão Pretto (PT-RS).
Pequeno agricultor, Pretto
aproveitou a presença de Machado no Congresso para defender
o atual sistema válido para o campo, que tem regras diferentes.
Segundo o deputado, muitos pequenos produtores e trabalhadores rurais
precisam do benefício da Previdência para sobreviver e
sustentar a família. Segundo ele, haveria uma “campanha
da mídia” contra o regime especial.
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Folha
de São Paulo, 1º de março de 2007
4 ANOS DE LULA
Sob Lula, crescimento fica igual ao de
FHC
PIB de 2006 cresce 2,9%, e expansão no
1º mandato do petista atinge média de 2,6%, como no 1º governo
do tucano | Analistas apontam para a continuidade da política
econômica e a incapacidade de ambos de acelerar o crescimento da
economia
FERNANDO CANZIAN, PEDRO SOARES
DO ENVIADO ESPECIAL AO RIO
DA SUCURSAL DO RIO
A economia brasileira cresceu
2,9% em 2006, disse ontem o IBGE. Com isso, apesar do discurso do "espetáculo
do crescimento", sob o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula (2003-06) da Silva, o PIB do país cresceu, em média,
2,6% ao ano, igualando a taxa média de expansão da economia
nos primeiros quatro anos de mandato do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso (1995-1998). Na segunda gestão de FHC (1999-2002), a
expansão média da economia brasileira foi menor -2,1%.
Em oito anos de governo do PSDB, o Brasil cresceu 2,3%, em média.
Se numericamente as taxas de
crescimento são parecidas -e insuficientes para um país
em desenvolvimento e aquém da média mundial-, o perfil
da expansão sobre os dois governantes é distinto. No
governo Lula, destacaram-se o consumo (alta média anual de 2,5%)
e o investimento (3,4%) no lado da demanda e a indústria (3,6%)
no da produção. Mas agropecuária cresceu menos
(3,4%). Nos dois governos FHC, o principal ponto negativo foi o baixo
crescimento industrial, mas, no primeiro mandato do tucano, consumo
e investimentos foram bem, favorecidos pela estabilidade pós-Plano
Real. As exportações, por sua vez, cresceram mais no
segundo governo do ex-presidente.
"O segundo governo FHC
foi de taxas mais baixas porque o cenário externo foi muito
mais negativo. Teve ainda a crise de energia, em 2001, e a de 2002,
provocada pelas eleições. Mas me parece que o crescimento
agora é bem mais consistente, sem o controle da taxa de câmbio
[do primeiro governo FHC] e com os fundamentos mais sólidos",
disse Paulo Levy, economista do Ipea, órgão do Ministério
do Planejamento. Para Celso Toledo, economista da MCM, não há diferença
entre os dois governos, que não foram capazes de acelerar o
crescimento.
"Tivemos o mesmo tipo
de política econômica, com ênfase na estabilidade
e no controle da inflação. Isso mostra que o Brasil cresce
só o que consegue. Precisaríamos de outro tipo de medidas,
como diminuição da carga tributária, para sair
desse patamar", disse Toledo. Levy disse ainda que faltou ao governo
Lula avançar em reformas para ampliar o crescimento. Para Rebecca
Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, "realmente não
tem muita variação entre as taxas [de crescimento de
Lula e FHC], mas, para fazer uma análise, é preciso ver
o que aconteceu em cada período". E acrescentou: "Depende
muito do cenário interno e externo".
O governo do PT começou
em 2003 já sob os reflexos da crise detonada pelo receio da
vitória do então candidato Lula, quando linhas de crédito
se fecharam ao país e houve fuga de capitais. O cenário
fez o BC elevar juros e estagnar a economia, que naquele ano cresceu
só 0,5% e viu consumo e investimentos caírem -1,5% e
5,1%, respectivamente. A economia recuperou-se em 2004 -4,9%, com crescimento
do investimento (10,9%), do lado do consumo, e da indústria
-7,9%. O BC de Lula foi acusado até pelos mais ortodoxos de
errar a mão no conservadorismo em 2005 e abortar um crescimento
maior. Já em 2006, o vilão foi o câmbio, que fez
cair o volume exportado (o que conta no PIB, já que em valores
elas subiram por causa dos bons preços das commodities) e o
desempenho da indústria.
No caso de FHC, a história
se divide entre antes e depois do regime de câmbio fixo, abandonado
em 1999. Até então, a indústria sofreu no primeiro
mandato e cresceu, em média, apenas 1,2% ao ano, com invasão
de importações, cujo crescimento médio no período
foi de 13,4%. A taxa superou a das exportações -3,4%-,
e o país acumulou déficit comercial e em conta corrente.
O consumo, por sua vez, subiu (3,7% na média anual) sustentado
no aumento da renda e na estabilidade dos preços. O investimento
subiu 4,4%, na esteira do investimento estrangeiro em aquisições
e no país e nas privatizações.
O jogo virou em 1999 com a
mudança do regime cambial. Cresceram exportações
-9,7% na média anual- e as importações caíram
(3,8%). Com o câmbio livre, a indústria reagiu um pouco
-alta de 2,3%- e a agropecuária cresceu num ritmo acelerado
(5,4%) graças às exportações. Na segunda
gestão de FHC, um tropeço comprometeu o crescimento:
o racionamento de energia de 2001, que levou o PIB a subir apenas 1,3%
no ano e a indústria a se retrair em 0,5%.
PIB per capita
No primeiro governo FHC e no
de Lula, o PIB per capita (divisão do produto pela população)
também aumentou numa taxa parecida -1,2% e 1%, respectivamente.
No segundo mandato de FHC, foi menor -0,6%. O IBGE pondera, porém,
que o crescimento populacional foi menor nos últimos anos, o
que pode ter elevado o PIB per capita.
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Folha de São Paulo, 1º de março
de 2007
METODOLOGIA:
IBGE divulga revisão do PIB
nos dias 21 e 28
A taxa de 2,9% de crescimento em 2006 será a oficial até as duas últimas
semanas de março, quando o IBGE divulga novos números. No dia
21, apresenta nova série das contas nacionais trimestrais de 1995 a
2005 e, no dia 28, dos resultados para 2006, com a nova metodologia -que incorporará estudos
anuais, como a Pesquisa Industrial Anual. Outra mudança é que
estimará a oferta de serviços públicos por meio da variação
do número de servidores e do investimento do governo em máquinas
e equipamentos.
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Folha
de São Paulo,
1º de março de 2007
ACERTO COM O LEÃO
Entrega das declarações do IR pela internet começa
hoje às 8h
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Começa hoje às 8h a entrega da declaração
do Imposto de Renda das pessoas físicas deste ano (rendimentos
de 2006). O programa para o preenchimento da declaração
já está no site da Receita (receita.fazenda.gov.br).
Quem quiser usar o formulário de papel ainda terá de esperar
mais dez dias, até que o documento seja distribuído aos
correios e unidades do fisco.
A Receita adaptou o programa deste ano
para que possa ser utilizado por deficientes visuais. Para isso, basta
que o contribuinte tenha instalado
em seu computador um programa de voz que permitirá ouvir todas
as instruções para o preenchimento da declaração
e conferir o que foi digitado. Essa é a primeira vez que a Receita
oferece essa opção. A declaração deve ser
entregue até as 20h do dia 30 de abril.
O parcelamento do imposto devido, em até oito vezes, poderá ser
feito por meio de débito em conta corrente. O contribuinte que
fizer essa opção terá que pagar a primeira parcela
do imposto num banco e, a partir da segunda, o débito será feito
direto na conta corrente.
A Receita também facilitou para o contribuinte que não
tiver saldo na conta corrente no dia do pagamento. Se isso ocorrer, ele
terá de fazer o pagamento da parcela vencida no banco e, no mês
seguinte, a Receita voltará a debitar o imposto em conta. A dedução
da contribuição patronal (12%, até um mínimo) à Previdência
Social para quem tem empregado doméstico terá uma ficha
especial na declaração.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01
de março de 2007 | Economia
Mais contribuintes vão pagar
o imposto, apesar das correções na tabela
A partir de quinta-feira, mais de 23 milhões de brasileiros farão
seu acerto de contas anuais com a Receita Federal e, apesar das recentes correções
na tabela do Imposto de Renda, sentirão uma mordida maior do Leão.
Estudo da consultoria Ernst & Young mostra que esses reajustes nem de longe
corrigiram as distorções provocadas pelos anos de congelamento
da tabela. Hoje, o peso do IR é até 60% maior, para as famílias
de classe média, do que há dez anos. Quando se compara a tabela
do imposto com o salário mínimo, que subiu acima da inflação
nos últimos anos, a diferença é ainda maior.
Em 1996, quem ganhava oito salários-mínimos
era isento de IR. Hoje, já entra na faixa de renda da alíquota
maior do imposto, de 27,5%. Há 11 anos, o salário mínimo
era de R$ 112 e, atualmente, está em R$ 350. Isso significa ganhos
reais, ou seja, descontada a inflação, de mais de 50%.
A tabela do IR, porém, seguiu na direção contrária:
foi corrigida abaixo da variação dos preços.
— A tabela não acompanhou a inflação e muito menos
o reajuste do mínimo — afirma Frederico Good God, gerente sênior
da Área Tributária da Ernst & Young.
João Saboia, diretor do
Instituto de Economia da UFRJ, destaca que o mínimo subiu muito
acima da inflação como parte de uma política salarial
do governo, num período em que, na média, o trabalhador
teve perda de renda. Por isso, como a tabela do Imposto de Renda ficou
congelada entre 1996 e 2001, era de se esperar que a comparação
entre a renda em salários mínimos e o IR mostrasse esse
descompasso.
Segundo estimativas da Unafisco,
o sindicato de auditores fiscais da Receita, mesmo com os recentes reajustes
na tabela do IR, no ano passado (referência para a declaração
que será feita agora), a defasagem frente ao avanço da
inflação desde 1996 ainda era de 47%.
Hoje, quem ganha oito salários
mínimos (R$ 2.800), paga 27,5% de IR sobre a faixa superior de
sua renda. A tabela do imposto é progressiva. Assim, os primeiros
R$ 1.313,69 do salário são isentos de IR. Uma faixa intermediária
do rendimento paga 15% de alíquota e o restante, 27,5%. Ou seja,
na prática, a alíquota efetiva para quem ganha oito mínimos é de
8,74%.
O estudo da Ernst & Young
mostra que foi nas famílias com renda hoje próxima a essa
faixa que o imposto efetivo mais cresceu. Quem ganhava R$ 1.400 em 1996,
por exemplo, era descontado em 5,36% por mês de IR. Esse mesmo
trabalhador, caso tenha obtido a reposição da inflação
em seus dissídios salariais, hoje ganha R$ 2.685,10 e paga 8,78%
de IR — ou seja, uma alta de tributação de mais de
60%.
— É um confisco
disfarçado. Como a correção da tabela não
acompanhou a alta da inflação, a Receita impõe um
pagamento a maior para os contribuintes. Ou, no caso de quem recebe restituição,
o valor devolvido ficou proporcionalmente menor — explica Gilberto
Braga, professor de Planejamento Tributário do Ibmec-RJ.
A família do médico
Luiz São Thiago sente isso no bolso a cada ano. A mulher de Luiz,
Margareth, conta que além do peso cada vez maior da tributação,
a família sofre com as regras para declaração de
dependentes. Pai de seis filhos, dos quais quatro ainda vivem em sua
casa, Luiz só pode declarar três deles como dependentes,
porque os mais velhos superaram o limite de idade.
— Nosso filho Fernando
já tem mais de 24 anos, mas ainda estuda, faz pós-graduação
e vive conosco. Porém, para a Receita, não é dependente.
Hoje em dia, o jovem demora mais a se posicionar no mercado de trabalho.
Nosso filho mais velho, que é médico, fez três anos
de residência e nesse período já não podíamos
declará-lo como dependente — queixa-se Margareth.
A dona-de-casa reclama ainda
dos limites baixos para deduzir gastos com educação (a
partir de 2007, serão R$ 2.480 por ano) e de não ser possível
incluir nessa cifra despesas corriqueiras das famílias de classe
média, como cursos de inglês. Tania Baraldi, diretora de
Recursos Humanos da Ernst & Young, afirma que a situação
vivida pela família de Luiz e Margareth é cada vez mais
comum.
— Os filhos estão
ficando mais tempo na casa dos pais. E o limite de dedução
anual para educação é muito baixo, mal dá para
pagar o valor de duas mensalidades escolares.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 01 de março de
2007 | Economia
PIB cresce 2,9% em 2006, puxado pelo
consumo
Projeções para 2007 estão
abaixo da meta do governo, de 4,5%
Rio de Janeiro – O Produto
Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,9% no ano passado. O resultado
superou um pouco as estimativas de mercado, que indicavam avanço
de 2,7%. Foi influenciado pelo crescimento do consumo das famílias
(3,8%) e do investimento (6,3%) e puxado pelo desempenho do quarto trimestre.
A recuperação no fim do ano deverá gerar um efeito
positivo sobre 2007, mas ainda não garante o crescimento de 4,5%
a 5%, esperado pelo governo. As projeções são de
aumento do PIB entre 3,5% a 4% para este ano.
Com a taxa de 2006, o crescimento médio do PIB brasileiro foi de 2,6%
no governo Lula, idêntica à do primeiro mandato de Fernando Henrique
Cardoso e superior aos 2,1% do segundo. Nos últimos quatro anos, contudo,
aumentou a diferença entre o crescimento brasileiro e o da economia
mundial.
A distância do crescimento do país no governo Lula comparada ao
do resto do mundo foi a segunda maior da história, atrás apenas
da alcançada no governo Collor, conforme trabalho do professor do Instituto
de Economia da UFRJ Reinaldo Gonçalves. Levando em conta apenas o ano
passado, o crescimento estimado para os países emergentes, de 6,5%,
pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), é mais do que o dobro
do aumento registrado pelo Brasil.
Tanto o consumo das famílias
quanto os investimentos estão crescendo por três anos consecutivos
no país e têm impulsionado a economia, explica o coordenador
de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto. Redução dos
juros, aumento do crédito para empresas e o câmbio baixo,
que estimulou a importação de máquinas, favoreceram
a expansão dos investimentos. Já o consumo das famílias
foi estimulado pelo crescimento da massa salarial (5,6%) e do volume
de crédito para pessoa física (29,9%).
Os demais componentes da demanda
do PIB cresceram assim: consumo do governo, 2,1%; exportação,
5%; e importação, 18,1%. O crescimento das vendas externas
no ano anterior havia sido de 11,6% e das importações,
9,5%. Na prática, pela primeira vez desde 2000, a setor externo
gerou contribuição negativa (-1,4 ponto porcentual) para
o PIB em 2006 enquanto a interna provocou impacto positivo de 4,2 pontos.
“O volume importado de
bens e serviços cresceu muito mais do que as exportações.
Além do efeito do câmbio mais baixo, quando a demanda acelera
você acaba gerando mais importações para atender
o consumo”, explica a gerente de contas nacionais do IBGE, Rebeca
Palis.
Por setores, a agropecuária
mostrou recuperação e cresceu 3,2%, depois da modesta
taxa de 0,8% do ano anterior, marcado por quebras de safra e problemas
como a febre aftosa. A indústria avançou 3% e o setor
de serviços, 2,4%.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 01
de março de 2007 | Economia
Brasil cresce menos que vizinhos
São Paulo – Os números divulgados ontem confirmaram o que
o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Comissão Econômica
para a América Latina e o Caribe (Cepal) haviam afirmado nos últimos
meses de 2006: o Brasil cresceu menos que a média mundial e que os vizinhos
da América Latina e Caribe.
A projeção do FMI é que
o mundo tenha crescido 5,1% no ano passado. Para os países emergentes
e em desenvolvimento, a estimativa era ainda mais otimista: 7,3%. No
caso dos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia
e China), os resultados já divulgados mostram a distância
que separa o Brasil dos demais. A China cresceu 10,7%, a Rússia,
6,7%, e a Índia projeta 9,2% (o número oficial sai neste
mês).
Caso a previsão
da Cepal se confirme, pelo segundo ano consecutivo o Brasil só cresceu
mais que o Haiti na região. Para América Latina e Caribe,
ela projetou expansão de 5,3%. A Venezuela cresceu 10,3%, a
economia argentina se expandiu em 8,5%. No Chile, a estimativa é de
4,2%.
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INFOMONEY, 01 de março
de 2007
Salário do trabalhador não cresceu tanto quanto IR retido na
fonte
SÃO PAULO - Em 2006, o
trabalhador pagou mais Imposto de Renda Retido na Fonte. A massa salarial,
de um modo geral, também cresceu: só que menos do que a
incidência do tributo. A afirmação consta em pesquisa
divulgada pelo Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal
(Unafisco), com base em dados da Pesquisa Mensal de Emprego, feita pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
No período, a arrecadação
com IRRF alcançou o montante de R$ 39,6 bilhões - um aumento
real de 5,5%. Entre janeiro e dezembro, o crescimento real médio
da massa salarial foi de 5,04%, tomando como base o mesmo período
do ano anterior. Isso representa uma diferença de 0,46 ponto porcentual.
Reajuste Em 2006, a tabela do
IR foi reajustada em 8%. E desde este ano, até 2010, o Plano de
Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo
em janeiro, informou que será de 4,5% o reajuste anual nesse intervalo
de tempo.
Especialistas da Unafisco afirmaram,
por meio de nota, que essa alteração valerá "para
as faixas de rendimento do IRPF e elevação, no mesmo percentual,
dos limites de dedução com despesas de educação
e com dependentes". Segundo a entidade, com essa recomposição
do cálculo sobrará mais dinheiro para as famílias,
que por sua vez, poderão comprar mais.
Defasagem No entanto, os especialistas
lembraram que a projeção da inflação feita
no PAC é de 4,5%, por ano, no mesmo período. Já o
Banco Central, em sua última pesquisa sobre o assunto, estimou
que a taxa em 2007 e 2008 ficará em, respectivamente, 3,91% e
4% ao ano.
Essa diferença representa,
explicaram, um resíduo inflacionário na casa de 50%. "A
maior parte desse resíduo decorre do congelamento da tabela do
IR no período de 1996 a 2001 (39,52%), restando 7,92% dos últimos
quatro anos", concluíram por meio de nota.
Menos formalidade Vale lembrar
também que estudo publicado recentemente pelo Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário (IBPT) mostrou que a alta carga tributária
incidente sobre contratações estimula o aumento da informalidade
do emprego.
Em média, a tributação
sobre salários, que era de 41,71% em 2002, passou para 42,15%
em 2003, chegando a 42,5% em 2005. O custo médio da tributação
para os empregados passou de 18,76% para 20,43% no intervalo de três
anos, resultando em um impacto negativo de 1,67 ponto porcentual na
renda dos trabalhadores.
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INFOMONEY, 01 de março
de 2007
Salário-família pode
ser estendido a empregados domésticos
SÃO PAULO - Projeto de
Lei que garante ao empregado doméstico o direito de receber salário-família
deve ser votado nesta quarta-feira (28) na Comissão de Assuntos
Sociais (CAS).
A proposta, de autoria da senadora
Roseana Sarney (PMDB-MA), e que já recebeu parecer favorável
da relatora, a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), visa a pagar
aos trabalhadores com filhos de até 14 anos de idade, ou inválidos
de qualquer idade, o valor de R$ 20 para cada filho de famílias
que possuem renda inferior a R$ 390.
Já para aqueles que possuem
remuneração de R$ 390 a R$ 586,19, o valor do salário-família
será de R$ 14,90 por filho. A proposta do benefício é auxiliar
famílias no sustento dos filhos.
Quem recebe? Trabalhadores empregados
e avulsos já têm direito de receber o salário-família.
Empregados domésticos, contribuintes individuais e segurados especiais
e facultativos ainda não são beneficiados com o auxílio.
Para receber o salário-família,
não é necessário tempo de carência. Além
dos filhos, os trabalhadores recebem o benefício por enteados
e tutelados que não possuem bens suficientes para o próprio
sustento.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 01 de março de 2007 | Economia
Governo admite que PIB ficou aquém
do que País precisa
Contudo, tanto o ministro do Planejamento
quanto o presidente Lula estão otimistas
Gerusa Marques e Leonardo Goy
BRASÍLIA - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva admitiu nesta quarta-feira que o crescimento
da economia brasileira no ano passado ficou acima do esperado, mas ainda
está abaixo do que ele gostaria que fosse. "O fato de o PIB
ter crescido 2,9% é um número maior do que os analistas
previam e menor do que aquele que eu desejo e o Brasil deseja",
disse.
Ele observou, porém, que "só podemos
falar de crescimento hoje porque a economia está arrumada, senão
estaríamos (falando que) devemos US$ 15,9 bilhões ao FMI,
teria dívida pública quase insustentável, não
se teria reservas comerciais, superávit em conta corrente, e não
se teria crédito".
Mais cedo, o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, já havia admitido que o crescimento de 2,9% do
PIB em 2006 ficou abaixo do que o governo gostaria. "O resultado é aquém
do que gostaríamos e aquém do que o país precisa",
disse. O ministro também ressaltou que o resultado do PIB foi
superior ao que estava sendo projetado pelos analistas - em 2,7%.
Segundo ele, alguns componentes
do PIB tiveram bons desempenhos. Citou como exemplo a expansão
de 6,3% na taxa de formação de capital bruto. Também
lembrou que o comércio teve um crescimento de 4% e o consumo das
famílias em 3,8%.
Bernardo ressaltou que, além
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que gera
uma expectativa favorável para a economia, o resultado do último
trimestre de 2006 (1,1% de expansão) "nos dá a certeza
de um crescimento muito mais vigoroso em 2007".
Disse que se a taxa de crescimento
de 1,1% do último trimestre for anualizada isso resultará em
um crescimento de aproximadamente 4,5%. Ele comentou ainda que o governo
trabalha com a expectativa de que a safra agrícola este ano terá um
desempenho "muito bom, diferentemente dos últimos dois anos".
Dias de apoio
Durante entrevista coletiva em
que anunciou o resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados
(Caged) de janeiro, Marinho evitou fazer novas críticas à política
de juros do Banco Central e elogiou o crescimento brasileiro no ano passado.
No mês passado, quando anunciou o resultado do Caged do ano de
2006, Marinho fez duras críticas à decisão do BC
de reduzir o ritmo de corte na taxa básica (Selic).
Desta vez, Marinho aproveitou
a oportunidade para dizer que a economia brasileira está "sólida
e forte" o suficiente para que o governo possa planejar para o futuro
um crescimento superior ao dos últimos anos. "Isso se conseguirmos
reduzir mais os juros, se conseguirmos ajustar mais o câmbio, porque
tudo isso está relacionado", afirmou.
Estabilidade econômica
O deputado e ex-ministro
da Fazenda, Antonio Palocci (PT-SP), comentou que o crescimento do
PIB de 2,9% em 2006 mostra que o Brasil consolidou a estabilidade econômica.
Segundo ele, a economia brasileira hoje "está mais consistente".
Na avaliação do ex-ministro, o desafio agora é potencializar
o crescimento econômico. Palocci destacou que as taxas de juros
estão em processo de queda, a inflação está sob
controle e as taxas de investimento no País estão aumentando.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 01 de março de 2007 | Economia
BC teve prejuízo de R$ 643
milhões no 2º semestre de 2006
De acordo com dados do CMN, o prejuízo
do banco chegou a R$ 13,18 bi no ano
Leonardo Goy e Gerusa Marques
BRASÍLIA - O Banco Central
apurou prejuízo de R$ 643,092 milhões no segundo semestre
de 2006. No ano, o prejuízo do BC chegou a R$ 13,18 bilhões,
já que no primeiro semestre havia verificado resultado negativo
de R$ 12,523 bilhões. O resultado foi aprovado na reunião
desta quarta-feira do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Em nota, o BC explica que esse
prejuízo foi influenciado principalmente pela variação
cambial do ano passado (em 2006, o real valorizou 8,66% em relação às
moedas estrangeiras). O BC explica que isso gerou impacto negativo no
balanço do banco, mas afetou positivamente a dívida externa
sob responsabilidade do Tesouro Nacional.
O diretor de administração
do BC, Antônio Gustavo Matos do Vale, disse que o resultado do
BC teria sido positivo em cerca de R$ 2,3 bilhões em 2006, sem
levar em conta a variação cambial no período.
Decisões do CMN
Na reunião desta quarta,
o CMN decidiu permitir que as instituições financeiras
apliquem parte de suas disponibilidades no exterior em títulos
de emissão ou responsabilidade de outras instituições
financeiras. A decisão foi tomada, de acordo com o diretor de
normas do BC, Alexandre Tombini, porque os bancos estavam encontrando
alguma dificuldade para aplicar seus recursos fora do País.
Pela regra anterior, os bancos
só podiam aplicar suas disponibilidades no exterior em títulos
de emissão do governo brasileiro e de governos estrangeiros, além
de depósitos a prazo. Segundo Tombini, a idéia é que
os bancos tenham agora espaço para fazer aplicações
em instrumentos disponíveis nos mercados internacionais de curto
prazo.
O Conselho também decidiu
aprimorar o papel das cooperativas centrais de crédito e aumentar
a capacidade de prestação de serviços do setor.
O CMN abriu a possibilidade de as cooperativas segmentadas também
terem entre seus sócios profissionais liberais, por exemplo, e
empresários. Segundo Tombini, a norma anterior já permitia
combinações entre profissionais de diferentes áreas
dentro de uma mesma cooperativa, mas não permitia a inclusão
de empresários ou microempresários.
Também passou a
ser permitido que as cooperativas de crédito invistam em empresas
ou em outras cooperativas de outros ramos de atividade, sem a restrição
de que os financiados prestem serviços exclusivos aos setor
da cooperativa de crédito. Agora, com a nova resolução,
basta que esses financiados prestem serviços.
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CONSULTOR JURÍDICO,
01 de março de 2007
Nova direção
Rider Nogueira toma posse na presidência
do TST na sexta
Os ministros Rider Nogueira de
Brito, Milton de Moura França e João Oreste Dalazen tomam
posse, nesta sexta-feira (2/3), às 18h, como presidente, vice
e corregedor-geral do Tribunal Superior do Trabalho para o biênio
2007/2009.
A eleição da nova
direção ocorreu, por unanimidade de votos, no dia 8 de
fevereiro, em sessão extraordinária do Pleno, um dia após
a publicação da aposentadoria do ministro Ronaldo Leal,
que presidiu o tribunal de abril de 2006 a fevereiro de 2007.
Perfil dos ministros
Natural do município paraense
de Óbidos (PA), Rider Nogueira de Brito formou-se bacharel em
Direito pela Universidade Federal do Pará e ingressou na Justiça
do Trabalho em 1968, após aprovação em concurso
público.
Atuou como professor universitário
e, a partir de 1985, passou a integrar o Tribunal Regional do Trabalho
da 8ª Região (Pará e Amapá), onde ocupou os
cargos de presidente e corregedor regional (1990/92). Desde dezembro
de 1995, atua como ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Foi corregedor-geral
da Justiça do Trabalho.
O vice-presidente eleito do TST,
Milton de Moura França, nasceu em Cunha (SP) e formou-se bacharel
em Direito pela Universidade de Taubaté (SP). Atuou na advocacia
e como procurador autárquico do estado de São Paulo. Foi
aprovado em concurso de provas e títulos para procurador do Estado
de São Paulo.
Ingressou na Justiça do
Trabalho da 2ª Região (São Paulo), em junho de 1975,
e presidiu a então Junta de Conciliação e Julgamento
(JCJ) de Guaratinguetá (1979), onde foi seu primeiro juiz presidente.
Passou a integrar o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas-SP) em junho de 1987.
A partir de agosto de 1996, passou a integrar o TST, onde preside a 4ª Turma.
João Oreste Dalazen é natural
do município de Getúlio Vargas (RS) e é graduado
e pós-graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná.
Foi procurador da Caixa Econômica Federal e promotor de Justiça
substituto.
Ingressou na Justiça do
Trabalho, em dezembro de 1980, e presidiu JCJs de Maringá, Guarapuava
e Curitiba. Empossado no TST em julho de 1996, preside até o momento
a 1ª Turma. É professor universitário e, atualmente,
leciona na Universidade de Brasília (UnB).

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