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Agência Diap, 6 de
março de 2007
Direito de Greve
Governo estuda regulamentar a greve;
Convenção 151 da OIT é uma das propostas
O governo federal estuda uma forma de regulamentar o direito de greve do servidor
público. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, discutiram o assunto na última sexta-feira,
02, no Palácio da Alvorada, informa a Agência Brasil.
“A Constituição
diz que o servidor tem direito de fazer greve, mas temos que preservar
interesses do cidadão. Tem que ter limite”, afirmou Paulo
Bernardo. Ele disse que alguns setores não devem ter direito a
greve, mas não revelou quais. As centrais sindicais serão
ouvidas na próxima semana, informou o ministro. O governo quer
negociar novas condições para a mesa nacional de negociações,
que já existe, mas foi interrompida porque, da forma como estava
sendo conduzida, não agradava nem ao governo nem às centrais,
segundo ele.
Paulo Bernardo disse que o objetivo é valorizar
o servidor e minimizar a possibilidade de conflitos, evitando assim as
greves.
Convenção 151 da OIT
Ele afirmou que o governo estuda
a possibilidade de enviar ao Congresso um pedido de ratificação
da Convenção 151 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que “regulamenta a negociação
coletiva no serviço público”.
Outra proposta que o ministro
apresentou ao presidente foi de mudar a forma de reintegração
dos funcionários públicos demitidos durante o Plano Collor.
Ele acha melhor o ministério ter autorização para
realocar essas pessoas em órgãos que necessitam de pessoal,
e não necessariamente no órgão de origem, reduzindo
a necessidade de concurso público. Segundo Paulo Bernardo, Lula
concordou com a proposta e agora o Planejamento vai preparar um decreto.
Cerca de 3 mil pessoas já foram readmitidas e o ministério
analisa mais 5 mil processos.
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Folha de São Paulo,
6 de março de 2007
FUNCIONALISMO
Luiz Marinho apóia restrição
a greves e gera polêmica com CUT
VALDO CRUZ, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
CLAUDIA ROLLI , DA REPORTAGEM LOCAL
O ministro Luiz Marinho (Trabalho)
defendeu ontem a proposta do governo Lula de, ao regulamentar o direito
de greve do funcionalismo, definir os deveres da categoria numa paralisação,
o que incluiria proibir interrupção de serviços
essenciais. Segundo Marinho, "não é a proibição
pela proibição, porque ela não resolve o problema". "É respeitar
o direito à greve, mas definir que o servidor tem que dar garantia
do serviço público." As declarações
geraram críticas na CUT, entidade da qual Marinho é ex-presidente. "Nós
achamos a atitude do ministro [do Trabalho] um desastre", disse
Wagner Lino, vice-presidente da CUT. "O Lula disse que o ministro
tem autoridade para discutir isso pelo fato de ele ter sido sindicalista.
Nós achamos justamente o contrário. Justamente por ter
sido sindicalista, discutir a restrição [da greve] é um
absurdo", completou.
Marinho afirmou que "é inaceitável,
por exemplo, uma greve sem um pré-aviso, uma greve sem um processo
de negociação entabulado entre as partes". O ministro
do Trabalho acrescentou considerar "inaceitável uma greve
que paralise setores essenciais que vão trazer um grande prejuízo
para a sociedade". Marinho diz que não gosta das palavras "limitar
ou proibir" greve. "A minha tradução é diferente, é atender
uma reivindicação histórica do movimento. Encaminhar
a convenção 151 da OIT [Organização Internacional
do Trabalho] para ser incorporada à nossa legislação".
Na semana passada, após
reunião com o presidente Lula, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento)
anunciou a decisão de encaminhar para votação no
Congresso convenção da OIT que define regras de relacionamento
entre servidores público e o Executivo. A idéia é que,
durante essa discussão, sejam definidos também os deveres
do funcionalismo, como a garantia de funcionamento de serviços
considerados essenciais durante uma greve.
A Constituição
estabeleceu o direito de greve do funcionalismo público, mas
deixou para uma lei complementar a regulamentação de
como ele seria exercido. Hoje, ao analisar greve no setor público,
a Justiça costuma definir que pelo menos 30% dos serviços
tidos como essenciais devem ser garantidos pela categoria ao analisar
uma greve no setor. No sábado, em viagem à Guiana, o
próprio presidente Lula falou sobre o tema. Disse que há "abusos" em
algumas greves, e que cada um deve pagar "um preço pelos
exageros" que cometer.
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AGÊNCIA BRASIL, 06
de março de 2007
Nem governos conservadores proibiram
greve, diz sindicalista
Gláucia Gomes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O secretário-geral
da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público
Federal (Condsef), Josemilton Costa, criticou a idéia do governo
de regulamentar o direito de greve em setores considerados essenciais
do funcionalismo público.
“Nem nos governos conservadores
surgiu uma lei que impedisse o trabalhador de exercer o seu direito de
fazer greve”, disse o secretário em entrevista ao programa
Revista Brasil, da Rádio Nacional.
Costa argumentou que o que foi
conversado com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, na semana
passada foi a criação de um sistema de negociação
coletiva, e não uma lei que impeça o servidor de fazer
greve.
Ele argumentou que “todo
serviço público é essencial à sociedade,
senão não existiria”. E criticou a posição
do governo, “que diz ser democrático, popular e progressista,
mas é onde acontecem os maiores ataques aos direitos dos trabalhadores”.
Segundo o sindicalista, há 650
mil trabalhadores no serviço público federal, a maioria
concentrada no Poder Executivo através dos ministérios.
Mas ele considera que a proposta, se aprovada, vai atingir os três
poderes.
Na sexta-feira, o ministro do
Planejamento, Paulo Bernardo, saiu de uma reunião com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva dizendo que é necessário
regulamentar o direito de greve e que não deve haver paralisação
em setores essenciais. Mas não informou quais são eles.
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Folha
de São Paulo, 6 de março de 2007
Contra Chávez, Bush lança
pacote assistencialista
Na véspera da viagem à América
Latina, ele anuncia envio de navio-hospital a países | Dizendo
palavras em espanhol, americano afirma ser amigo de trabalhadores e dos
camponeses e cita Bolívar como exemplo
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON
Na investida mais direta contra
os recentes avanços de Hugo Chávez na América
Latina, o presidente norte-americano George W. Bush anunciou um pacote
de iniciativas assistencialistas para a região que lembram algumas
ações já implantadas pelo líder venezuelano.
Entre elas está o envio de um navio-hospital que atenderá até 85
mil pessoas de baixa renda, treinamento de professores em regiões
pobres, microempréstimos e financiamento de casa própria,
essa com atuação prevista também para o Brasil.
O pacote marca uma guinada
na retórica da Casa Branca, de defesa da democracia e do livre
comércio para combate à pobreza e luta por justiça
social. Bush começa na quinta-feira, em São Paulo, viagem
de sete dias por cinco países da região. Seu objetivo
político é reconquistar terreno num continente que teria
relegado a segundo plano, segundo seus críticos, o que abriu
portas para o crescimento da influência do esquerdista Hugo Chávez
e seu discurso antiamericano, movido por petrodólares e iniciativas
assistencialistas - parecidas com as anunciadas por Bush.
Ao anunciar as medidas, o norte-americano
afirmou que, apesar de avanços, "dezenas de milhões
no nosso continente continuam presos na pobreza". Com um discurso
com escorregadelas populistas, disse ainda: "Meu recado a esses "trabajadores
y campesinos" é: "Você tem um amigo aqui nos
Estados Unidos da América"." Dizer "trabalhadores
e camponeses" em espanhol foi apenas uma das incursões
do republicano ao idioma durante seu discurso, em evento no Câmara
de Comércio Hispânico, em Washington, no qual se referiria
ainda ao "sueño americano" (sonho americano) e terminaria
com "Que Dios les bendiga" (que Deus os abençoe).
Simón Bolívar
Era evidente o esforço
do presidente em se reconectar com o continente e em mandar recados
a Chávez. Numa provocação calculada, o norte-americano "emprestaria" o
símbolo máximo da "revolução" do
líder venezuelano ao citar o general Simón Bolívar
(1783-1830). "Perto da Casa Branca fica a estátua do grande
libertador, Simón Bolívar", começou Bush. "Ele é comparado
freqüentemente a George Washington." Como Washington, disse
o presidente, "era um general que lutou pelo direito das pessoas
de escolher seu governo".
Protestante, o norte-americano
chegou a chamar em seu auxílio João Paulo 2º (1920-2005),
ciente de que embarca para uma região em que há maioria
católica. "Em seus muitos escritos, o papa João
Paulo 2º falou eloqüentemente da criação de
sistemas que respeitem a dignidade do trabalho e o direito à livre-iniciativa",
discursou. "A América Latina precisa de capitalismo para
o "campesino", um capitalismo verdadeiro, que permita que
as pessoas que começam com nada cresçam até o
limite que suas habilidades e seu trabalho duro o levem." Especula-se
que o pacote tenha sido feito a partir de um esboço elaborado
por Nicholas Burns, o número 3 do Departamento de Estado, e
Thomas Shannon, responsável da chancelaria pela América
Latina.
Navio-hospital
"Os trabalhadores pobres
da América Latina precisam de mudança, e os EUA estão
comprometidos com essa mudança", disse Bush, depois de
falar que uma em cada quatro pessoas na região vivia com menos
de US$ 2 por dia, crianças não terminavam os estudos
e muitas mães nunca iam ao médico. Daí o pacote.
Entre outras medidas, Bush anunciou que mandará o navio-hospital "USNS
Comfort", com objetivo de tratar de 85 mil pacientes e fazer até 1,5
mil cirurgias. Enviará equipes médicas militares e realizará 62
treinamentos em 14 países. Criará um centro de treinamento
de profissionais de saúde no Panamá que servirá a
toda a América Central.
Por fim, anunciou uma nova
parceria para a "juventude latino-americana" que possibilitará o
estudo de inglês nos EUA, um programa de microfinanciamentos
tocado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, e o secretário
do Tesouro, Henry Paulson, e um novo esforço para financiamento
de moradias populares, incluindo ações em cidades do
Brasil.
Bush aproveitou o encontro para convocar uma "Conferência da Casa
Branca sobre o Hemisfério Ocidental", prevista para os próximos
meses, que reunirá representantes de empresas, ONGs, voluntários
e entidades de fundo religioso para discutir "maneiras efetivas de ajudar" pessoas
necessitadas.
Etanol ausente
Chamou atenção
de presentes o fato de que, num discurso de mais de 40 minutos e 4.900
palavras, o tema dos biocombustíveis não ter sido citado
nenhuma vez. Na sexta, junto do presidente Lula, o norte-americano
anunciará um memorando de biocombustíveis, cujo ponto
principal é expandir o mercado do álcool para toda a
região.
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AGÊNCIA BRASIL, 06
de março de 2007
Novas regras do FGTS ainda não
valem para quem se aposentou entre 1998 e 2006
Marcela Rebelo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Os aposentados
que continuarem trabalhando podem, além de retirar todo o dinheiro
acumulado no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), retirar
depois, todo mês, o valor que é mensalmente depositado pela
empresa. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu liminarmente sobre
o caso em 1998 e o julgamento do mérito ocorreu no final de 2006.
Mas, segundo a Caixa Econômica Federal (CEF), não há entendimento
claro a respeito do período sobre o qual as novas regras valem.
Segundo o superintendente nacional
do FGTS da Caixa, Nelson Antônio de Souza, "não está pacificado
se quem se aposentou de 1998 até 30 de novembro de 2006 terá ou
não direito a esses mesmos procedimentos".
As mudanças valem, por
enquanto, segundo o superintendente, somente para os empregados com carteira
de trabalho que se aposentaram a partir de 1º de dezembro de 2006.
Segundo ele, a Caixa espera a publicação da decisão
do STF. As novas regras foram publicadas pela CEF em fevereiro no Diário
Oficial da União.
No último dia 28, o Partido
Democrático Trabalhista (PDT) ajuizou uma reclamação
no STF contra as normas divulgadas pela Caixa por não terem o
efeito retroativo. "Muitos sindicatos e representantes dos trabalhadores
estão questionando por que os trabalhadores que foram demitidos
nesse período não têm esse mesmo direito. A Caixa
não está dizendo isso. Mas enquanto agente operador, a
Caixa só pode retroagir a decisão depois que o STF publicar
a decisão", afirmou o superintendente.
Além da chance de sacar
mensalmente o valor depositado no fundo pela empresa, o aposentado que
continuar trabalhando terá outra vantagem. Pelas novas regras,
a Caixa Econômica Federal não abrirá uma nova conta
de FGTS para esse trabalhador, como ocorria antes. As empresas continuarão
depositando o valor na mesma conta e, com isso, caso o trabalhador seja
demitido posteriomente, a base de cálculo da multa rescisória
será maior. A multa é calculada sobre o saldo do período
trabalhado e é paga em caso de demissão sem justa causa.
As mudanças foram feitas
a partir do entendimento do STF de que a aposentadoria espontânea
não rompe o vínculo empregatício. "Antes do
entendimento do STF, o trabalhador que se aposentava pela previdência
automaticamente tinha extinto o seu contrato de trabalho. Então
ele sacaria os valores da aposentadoria e se continuasse na mesma empresa
teria, a partir daí, depósitos em uma nova conta. Agora
estamos adequando a decisão", disse Souza em entrevista à Rádiobras.
"Anteriormente, se a empresa
solicitasse que o aposentado continuasse prestando o trabalho, ela obrigatoriamente
comunicava ao FGTS e a Caixa abria uma nova conta para o trabalhador
porque era um novo contrato de trabalho. Se a empresa demitisse o trabalhador
posteriormente, ele só teria direito à multa em cima da
base de cálculo da nova conta, que era bem menor".
Antes das mudanças,
o aposentado também não podia realizar o saque mensal
dos valores depositados pela empresa na nova conta do FGTS. Como agora
o valor será depositado em uma mesma conta, os saques serão
permitidos. "Se o aposentado não vier sacar todo mês,
ele não perde o dinheiro. Continua sendo depositado e no dia
em que ele quiser receber basta trazer a declaração de
aposentadoria fornecida pela previdência oficial".
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AGÊNCIA BRASIL, 06
de março de 2007
Desemprego entre jovens brasileiros
dobrou entre 1995 e 2005, mostra estudo
Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A transição
dos jovens do sistema educacional para o mundo do trabalho está em
crise, segundo o estudo Situação do jovem no mercado de
trabalho no Brasil: um balanço dos últimos 10 anos, do
economista da Universidade de Campinas (Unicamp), Márcio Pochmann.
Divulgado em fevereiro, o trabalho analisa dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). O principal deles mostra que
de cada 100 jovens que ingressaram no mercado de trabalho nos últimos
10 anos, 55 ficaram desempregados e apenas 45 encontraram uma ocupação.
No período de 1995 a 2005,
o desemprego entre a população jovens, entre 15 e 24 anos,
cresceu muito mais do que para as demais faixas etárias. A Pesquisa
Nacional por Amostras de Domicílios (Pnad – IBGE) registra
que, em 2005, a quantidade de jovens sem emprego era quase 107% superior
a de 1995. Para o resto da população, o desemprego foi
90,5% superior nos últimos 10 anos.
A expansão do desemprego
também foi maior entre os jovens. Variou 70,2% para os jovens
(de 11,4% em 1995 para 19,4% em 2005). Para o resto da população
economicamente ativa, vaiou 44,2% (de 4,3% para 6,2%). Também
segundo o IBGE, a situação do desemprego é pior
para as jovens do sexo feminino. Nesse grupo, a taxa de desemprego passou
de 14,1% para 25% em 10 anos (aumento de 77,4%), enquanto que para a
de jovens do sexo feminino a variação foi de 9,7% para
15,3% (aumento de 57,8%).
“Uma parte importante dos
jovens que não trabalha, não estuda e tampouco procuram
trabalho diz respeito a jovens do sexo feminino. Muitas vezes o problema
está vinculado à gravidez precoce”, explica Pochmann.
Para Pochmann, o fato de o país
ter, em 2005, um desempregado a cada cinco jovens (sendo que de uma a
cada quatro eram do sexo feminino), fez com que o Brasil gerasse menos
emprego para o restante da população. O país também
não conseguiu manter os jovens empregados por um longo tempo,
conclui o pesquisador. “Hoje ele (o jovem) consegue alguma ocupação,
algum bico, estágio, mas no momento seguinte ele volta a estar
desempregado.”
Segundo o economista, essa situação
se deve ao baixo crescimento da economia nacional. Para ele, o Brasil
deveria crescer 5% ou 6% ao ano para poder absorver cerca de 2,5 milhões
de pessoas que ingressam no mercado de trabalho. “Toda vez que
o Brasil cresce menos de 5%, ele não consegue gerar emprego para
todos e quem termina sofrendo mais a situação do desemprego é o
jovem brasileiro.”
De acordo com o IBGE, entre 1995
e 2005, o país gerou 17,5 milhões de novos postos de trabalho.
Desse total, 1,8 milhão de vagas foram preenchidas por pessoas
na faixa entre 15 e 24 anos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de março de 2007 | Economia
Mantega admite carga tributária
maior em 2006
Ministro disse que a relação
impostos/PIB cresceu, mas não os impostos
A carga tributária apresentou novo crescimento no ano de 2006, admitiu,
nesta segunda-feira (5), o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele,
o aumento aconteceu sem que houvesse aumento dos impostos. "A carga tributária
só aumentou porque o nível de atividade cresceu, e porque aumentou
também a fiscalização e a formalização na
economia", afirmou a jornalistas.
A carga tributária é quanto
o governo arrecadou de impostos em relação ao Produto Interno
Bruto (PIB). Segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Confederação
Nacional de Municípios (CNM), a carga tributária teria
atingido 39,69% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006, contra 38,41%
do PIB em 2005. Com isso, foi batido novo recorde no ano passado. A Receita
Federal, entretanto, tem um cálculo diferente. Segundo o órgão,
a carga atingiu 37,37% do PIB em 2005. O órgão ainda não
divulgou dados referentes ao ano passado.
Mantega afirmou que o governo federal vem reduzindo alíquotas de impostos
nos últimos anos. Mesmo assim, essas reduções não
foram suficientes para evitar um aumento do peso dos impostos na economia brasileira. "Só estamos
reduzindo tributos. Agora a economia está se comportando melhor. Temos
formalização da atividade econômica, e isso gera mais arrecadação.
Quando o governo puder, ele devolverá mais. Só não reduz
mais porque não tem espaço. Fizemos contingenciamento de R$ 16
bilhões [no orçamento de 2007]. Estamos fazendo o possível",
afirmou.
Para economistas, a carga
tributária poderá parar de crescer somente quando o governo
federal adotar reduções lineares de tributos, ou seja,
para toda a economia, não somente para alguns setores. Para
eles, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não
evita a elevação da carga tributária. Muito pelo
contrário, estimula seu aumento, porque não corta gastos
de maneira efetiva.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de março de 2007 | Economia
IBGE prepara mudanças no cálculo
do PIB brasileiro
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está preparando
uma nova fórmula de cálculo do Produto Interno Bruto Brasileiro
(soma de tudo o que é produzido pela economia do país), que poderá resultar
em grandes revisões dos números divulgados até então.
Embora faça questão
de desvencilhar sua afirmação do PIB de 2006 - que cresceu
a decepcionantes 2,9% -, o gerente de Contas Nacionais do instituto,
Roberto Olinto, diz que não seria absurdo esperar alterações
de até 1 ponto percentual na taxa final de cada ano.
- A trajetória não muda. Não é de se esperar que
tudo aponte para o crescimento da economia e que, dois anos depois, você tenha
uma recessão. Mas os números podem vir com alterações.
Você pode ter, por exemplo, uma diferença de até 1 ponto
percentual no PIB fechado, como aconteceu recentemente nos Estados Unidos -
diz.
Isto porque a nova fórmula
permitirá que o PIB definitivo do ano de referência seja
conhecido apenas dois anos depois, já que o cálculo irá incoporar
pesquisas anuais do IBGE, geralmente divulgadas com atraso, como Indústria,
Comércio, Serviços e Indústria da Construção.
No dia 21, por exemplo, o IBGE
divulgará as tabelas revisadas com o PIB anual de 1995 a 2005.
No dia 28, saem as séries trimestrais até 2006. Mas o número
final do ano passado será conhecido somente em 2008, para que
dê tempo de serem computadas as pesquisas anuais do instituto.
Apesar de ter uma volatilidade
maior, o novo PIB irá aproveitar uma ampla base de dados do Imposto
de Renda de pessoas jurídicas, a ser fornecida pela Receita Federal,
além de dados do Sistema de Contas Nacionais. Mais que isso, jogará luz
sobre segmentos cujos números até então eram desconhecidos,
como a geração de riqueza de igrejas, clubes de futebol,
organizações não-governamentais e outras empresas
sem fins lucrativos.
O gerente de contas nacionais
do IBGE explica ainda que o instituto ampliará sua investigação
de 43 atividades econômicas e 80 produtos para 56 atividades econômicas
e 110 produtos.
- A partir do momento em que
trabalhamos com um número de produtos maior, há uma qualidade
melhor noas informações que divulgamos - diz.
'Novo' PIB de 2006 ainda é incógnita
Poucos economistas se arriscam
a dizer o que acontecerá de fato com a revisão do Produto
Interno Bruto de 2006 a partir da nova metodologia de cálculo
do IBGE, mas alguns já enxergam pistas de que o número
poderá vir melhor que o divulgado em fevereiro.
O economista-chefe da Mauá Investimentos,
Caio Megali, lembra que, atualmente, os dados sobre serviços governamentais
(que têm peso de 15% sobre o PIB) são calculados com base
no crescimento demográfico da população, que vem
aumentando a um ritmo constante de 1,3% a 1,4% ao ano.
Na nova metodologia, o IBGE vai
apurar dados mais específicos com base na PNAD (Pesquisa Nacional
de Amostra de Domicílios), como número de empregados do
setor público e outros aspectos.
- Como o crescimento do PIB do
setor público deve ter ficado acima do crescimento populacional,
provavelmente vamos ter uma revisão para cima do indicador nos últimos
anos - diz Megali.
A economista do Bradesco Tatiana
Pinheiro concorda, mas acha que os dados sobre setor público não
são suficientes para definir toda a tendência do PIB:
- Com base na alteração
da contabiização dos serviços governamentais não
dá para dizer se vamos ter uma correção para cima,
para baixo ou se o número total vai ficar estável. Há outros
itens que fazem parte de contas mais sofisticadas, como aluguel e serviços
financeiros. Com base no que temos até agora, não dá para
afirmar nada - diz.
Dentro do segmento de Serviços,
que tem um peso de 51% no PIB, O IBGE também fará alterações
na forma de contabilização dos aluguéis imputados,
ou seja, aos valores atribuídos a imóveis. O item aluguel
tem um peso de 8% sobre o valor do PIB.
- Antes, pegávamos o valor
médio do aluguel e calculávamos a renda imputada (valor
que poderia ser obtido caso o imóvel fosse alugado. Agora, estamos
considerando características próprias que a PNAD nos dá,
como localização geográfica, tamanho do imóvel
e outras caracteristicas - diz Roberto Olinto.
Uma coisa, até agora, é dada
como certa. No fim de cada dois anos, economistas terão de correr
para recalcular, como base no PIB definitivo, diversos números
da economia, como relação dívida e PIB ou superávit
primário.
- Revisões no cálculo
do PIB acontecem em todos os países e a gente vai se acostumando
com isso. O importante é que, no fim de cada ano, a gente vai
ter a melhor estimativa possível com base nas divulgações
dos PIBs trimestrais - diz Megali.
Para ele, crises pontuais em
alguns setores e que depois poderão ter forte impacto no PIB -
quando as pesquisas de cada segmento forem contabilizadas - também
não causarão problemas.
- Se o setor passou por
uma crise aguda que irá influenciar no PIB final, estes problemas
serão capturadas em alguns outros indicadores, em cálculos
mensais, sondagens de conjuntura da Fundação Getúlio
Vargas e outros institutos. A gente não terá números
oficiais, mas não estaremos navegando no escuro - avalia.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de março de 2007 | Economia
Importações crescem
e superávit comercial recua 11%
Balança comercial teve superávit de US$ 219 milhões na
primeira semana de março. No acumulado deste ano balança teve
superávit de US$ 5,558 bilhões
O crescimento das importações a uma taxa mais elevada do que
as vendas externas levou o superávit da balança comercial brasileira
a recuar 11% no acumulado de 2007, em comparação com o mesmo
período de 2006.
Na primeira semana de março,
a balança registrou superávit de US$ 219 milhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, as exportações atingiram US$ 1,22 bilhão
no período e as compras do exterior totalizaram cerca de US$ 1
bilhão.
Em janeiro, o resultado positivo
somou US$ 2,491 bilhões, com recuo de 11,9% frente ao mesmo mês
de 2006. Em fevereiro, porém, o superávit totalizou US$
2,878 bilhões, com aumento de 2,4%. Em março de 2006, o
superávit comercial somou US$ 3,634 bilhões.
Com esses resultados, analistas
projetam queda no superávit comercial neste ano, frente a 2006
- quando somou mais de US$ 46 bilhões, recorde histórico.
Para 2007, o mercado financeiro projeta um resultado positivo de US$
39 bilhões para a balança comercial brasileira.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de março de 2007 | Mundo
China prevê crescer menos,
mas com ênfase no social
Gigante comunista fixa meta de 8% para
expansão do PIB e combate às disparidades sociais
Pequim – A China espera ter neste ano um crescimento econômico
sustentável de 8%, mas o primeiro-ministro, Wen Jiabao, insistiu ontem
na necessidade de combater as disparidades sociais, durante a abertura da sessão
anual do Parlamento do país.
“A tarefa mais importante é promover
um desenvolvimento sólido e rápido”, declarou o chefe
de Governo em um discurso diante de quase 3.000 delegados, durante o
primeiro dia da sessão anual da Assembléia Nacional Popular
(ANP) em Pequim, no qual fixou a meta de crescimento em por volta de
8%.
“É preciso reforçar e melhorar as medidas de macrocontrole.
O importante é limitar a quantidade de investimentos, controlar o crédito”,
acrescentou Wen Jiabao aos delegados que permanecerão reunidos até 16
de março no Palácio do Povo de Pequim.
Peter Parks/AFP

Representantes de minorias étnicas da China participam da sessão
de abertura da Assembléia Nacional Popular, em Pequim.
No início de cada ano,
o governo chinês prevê um índice de 8% de crescimento,
sistematicamente superado. O PIB chinês cresceu 10,7% em 2006,
o quarto aumento anual consecutivo de dois dígitos, apesar das
medidas para restringir o crédito.
No âmbito social, Wen Jiabao
prometeu medidas orçamentárias para ajudar os mais desfavorecidos
nas áreas rurais a ter uma moradia, cobertura social e médica,
além de estudos. “Tentaremos preservar a igualdade e a justiça
na sociedade para que toda a população compartilhe os frutos
da reforma e do desenvolvimento”, declarou.
Corrupção
Wen Jiabao, que defende a “harmonia
social”, assim como o presidente Hu Jintao, denunciou as autoridades
do Partido Comunista que dilapidam os fundos públicos. “Em
muitos poderes públicos locais, departamentos e instituições,
não se hesita em manifestar um gosto marcado pelo luxo e a gestão
dos fundos públicos com desperdício”, declarou. “É indispensável
acabar com esses comportamentos doentios”, acrescentou, antes de
completar que seu governo seguirá lutando contra a corrupção
que “gangrena o partido, ligada a defeitos institucionais e a um
controle insuficiente”.
Também pediu uma melhor
proteção das terras cultiváveis com a proibição
da construção de chalés e campos de golfe. As requisições
de terra por parte das autoridades locais para projetos considerados
injustificáveis provocaram muitos conflitos sociais nos últimos
anos.
Sem causar surpresa, Wen Jiabao
garantiu que Pequim dará seqüência à reforma
das taxas cambiais para que o iuane seja mais flexível. Esta política
monetária prudente é regularmente reiterada pelas autoridades
chinesas, que resistem às pressões ocidentais em favor
de uma forte valorização do iuane. Os países desenvolvidos,
com os Estados Unidos à frente, consideram que a taxa cambial
atual favorece comercialmente Pequim.
Durante a sessão, que
prossegue até 16 de março, os delegados devem aprovar várias
leis, em especial duas aguardadas há muito tempo, sobre a propriedade
privada e sobre o fim de certos privilégios fiscais das empresas
estrangeiras. “Está chegando a hora de unificar os impostos
sobre a renda com o objetivo de que as empresas nacionais e as empresas
com participação estrangeira possam competir em pé de
igualdade”, declarou o primeiro-ministro.
A respeito de Taiwan reiterou
sua oposição à independência da ilha e insistiu
no objetivo de uma “reunificação pacífica”.
Também disse que prosseguirá com a modernização
do Exército para poder “combater nas condições
de uma guerra defensiva utilizando amplamente meios informatizados”.
No domingo, o governo chinês
anunciou um aumento de 17,8% do orçamento militar para este ano,
que chegará a 350,9 bilhões de iuanes (45 bilhões
de dólares). “A construção de um sistema de
defesa nacional e de um Exército do povo poderoso é uma
tarefa estratégica da modernização socialista”,
declarou o premier.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 06
de março de 2007 | Mundo
País terá regras ambientais
mais rígidas
Pequim – Autoridades
chinesas prometeram, durante a sessão inaugural da Assembléia
Nacional Popular, atender às ordens do primeiro-ministro
Wen Jiabao para que o país consiga proteger o meio ambiente
sem abrir mão do crescimento.
A China descumpriu em 2006 sua
meta de reduzir em 4 por cento a quantidade de energia usada para produzir
cada dólar do PIB e em 2 por cento as emissões de poluentes.
Em seu relatório de trabalho apresentado ontem aos parlamentares,
Wen disse que essas metas são sólidas e inegociáveis.
Um dirigente do Ministério
da Terra e dos Recursos disse, sob anonimato, que vários órgãos
públicos estão trabalhando em um plano que suspenderá todos
os alvarás para projetos em setores poluentes e de elevado consumo
energético. O ministério, segundo a fonte, já criou
uma força-tarefa para inspecionar esses projetos e enviou equipes
a nove províncias para verificar se investimentos recém-aprovados
atendem aos critérios necessários.
“No ano passado,
já introduzimos muitas medidas para controlar a distribuição
de terrenos, mas não foram implementadas de forma muito eficaz.
Então, neste ano, uma das nossas maiores prioridades é garantir
que sejam eficientemente cumpridas”, afirmou o funcionário.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de março de 2007
INSS terá que rever critérios
para pagamento de benefícios a deficiente
A Justiça Federal em Santa Maria
(RS) concedeu liminar ao Ministério Público Federal determinando
que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) conceda benefício
assistencial equivalente a um salário mínimo à pessoa
deficiente que comprove não possuir meios para garantir sua
subsistência, através de trabalho ou auxílio familiar,
mesmo que outro membro da família receba benefício dessa
natureza.
De acordo com a Procuradoria
da República no Rio Grande do Sul, a decisão atende a ação
civil pública ajuizada pelo MPF em Santa Maria. O INSS também
está obrigado a revisar todos os benefícios assistenciais
negados nos últimos 120 dias, em razão da não-aplicação
desse entendimento.
O autor da ação,
procurador da República Rafael Brum Miron, baseou-se no artigo
20 da Lei nº 8.742/93, que garante um salário mínimo
mensal à pessoa portadora de deficiência que comprove não
possuir meios de prover a própria manutenção e nem
de tê-la provida por sua família.
De acordo com o procurador da
República, a medida busca garantir os "interesses individuais
homegêneos, assegurando a dignidade humana daqueles que necessitam
do benefício assistencial".
O INSS ainda pode recorrer da
decisão judicial no Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de março de 2006
Emprego seguro
Fechamento da empresa não invalida estabilidade
As empresas devem manter, por no mínimo um ano, contrato de empregado
que sofre acidente no trabalho, mesmo se deixar de funcionar. De acordo com
os juízes da 8ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de Minas
Gerais, a responsabilidade pela indenização substitutiva está prevista
no artigo 118 da Lei 8.213/91, que garante a proteção ao trabalhador
acidentado.
Apesar de a Cisam Siderurgia
alegar que o trabalhador não pediu para voltar ao trabalho, o
relator Márcio Ribeiro do Valle entendeu que o empregado não
tinha condições de retornar, já que a empresa não
atuava mais no município. Além disso, ainda que a siderúrgica
tenha ofertado uma vaga em outra cidade, isso não a dispensava
dos compromissos de manter a estabilidade do funcionário.
A Cisam ainda tentou se valer
da Súmula 369 do Tribunal Superior do Trabalho, que dispensa a
estabilidade provisória para líderes sindicais. Entretanto,
segundo o relator, isso não se aplica nos casos de estabilidade
gerada por acidente de trabalho, tampouco em casos em que a empresa foi
fechada.
A siderúrgica foi condenada
a pagar os salários do funcionário pelo período
restante da estabilidade provisória; 13° salário, férias
proporcionais acrescidas de um terço, diferenças do FGTS
e multa de 40%.
RO 01022-2006-057-03-00-5

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