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AGÊNCIA DIAP, 09 de
março de 2007
Salário mínimo: projeto
número 1 da legislatura atualiza piso nacional
Autor (a): Marcos Verlaine
Crítico mordaz quando
era oposição, o ex-dirigente sindical Luiz Inácio
Lula da Silva não perdoava quando o Governo baixava medida
provisória para reajustar o salário mínimo.
Eleito presidente da República, em 2002, passou todo o primeiro
mandato editando MP para elevar o mínimo.
Reeleito para mais um mandato
presidencial (2007-2011), Lula aprendeu a lição. Com o
início da nova legislatura do Congresso, o primeiro projeto de
lei é de autoria do Executivo, e trata do reajuste do salário
mínimo.
Parte integrante do PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento), o Projeto de Lei 1, de 2007,
que reajusta o mínimo de R$ 350 para R$ 380 e “estabelece
diretrizes para a sua política de valorização de
2008 a 2023”, diz a ementa da proposição. Trata-se
de uma política de recuperação do poder aquisitivo
do mínimo num período de uma geração – 15
anos.
Preservação
do poder aquisitivo
Para garantir ou preservar o poder aquisitivo do salário mínimo,
o PL 1, no artigo 3º, determina que entre os anos de 2008 a 2011 os reajustes
serão aplicados em 1º de março de 2008, depois em 1º de
fevereiro de 2010, em seguida, em 1º de janeiro de 2010, data determinada
para o ano seguinte, 2011.
Passado este período,
o Executivo encaminhará novo projeto de lei ao Legislativo, a
fim de manter a política de valorização do mínimo,
para o período compreendido entre 2012 a 2023.
A variação para
aplicar os reajustes será o Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC) acumulado. Este índice é calculado
e divulgado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), entre o mês do reajuste anterior e
o mês imediatamente anterior ao reajuste de cada mês.
Para garantir aumento real, isto é,
para além da reposição das perdas, “os valores
do salário mínimo resultantes dos reajustes (...) serão
acrescidos de percentual equivalente à taxa de crescimento real
do Produto Interno Bruto (PIB), apurada pelo IBGE, respectivamente para
os anos de 2006 a 2009”, determina o projeto.
Crescimento
“ A elevação do valor desta remuneração beneficiará cerca
de 26,5 milhões de trabalhadores formais e informais que, segundo as informações
da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-2005), recebiam até um
salário mínimo mensalmente”, argumenta o presidente da República
na mensagem que acompanha o projeto.
E agrega: “A este contingente
se somam ainda cerca de 16,4 milhões de pessoas que recebem o
equivalente a até um salário mínimo como benefício
previdenciário ou assistencial da Previdência Social. Em
suma, direta ou indiretamente, aproximadamente 42,9 milhões de
pessoas poderão ter sua renda mensal majorada por efeito da elevação
proposta para o salário mínimo”.
Tramitação
A matéria foi distribuída pelo presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT/SP), no último dia 22 de fevereiro, ao deputado Roberto
Santiago (PV/SP). Uma comissão especial vai examinar o projeto de lei.
Santiago é funcionário
público e sindicalista. Está no exercício do 1º mandato.
Antes de se tornar deputado foi dirigente sindical de diversas entidades
ligadas ao setor de turismo e asseio e conservação ambiental.
Foi vice-presidente nacional da Social Democracia Sindical (SDS). Está filiado
ao PV desde 2005.
Chinaglia reviu seu despacho
inicial, pois entende que a tramitação da matéria
deve ser mais ágil. Caso contrário, o projeto teria de
ser examinado por cinco comissões, nesta ordem – Desenvolvimento
Econômico, Seguridade Social e Família, Trabalho, Finanças
e Tributação e, finalmente, Constituição
e Justiça, antes de ir ao plenário.
Numa situação como
esta, quando o projeto é distribuído a mais de três
comissões temáticas, o regimento interno da Câmara,
em seu artigo 34, inciso II, determina que seja criada comissão
especial para “pronunciar-se quanto ao mérito” da
matéria.
Comissão
mista
Na legislatura passada foi constituída uma comissão especial
mista que debateu com todos os setores da sociedade – centrais sindicais,
aposentados e pensionistas, entidades técnicas e entidades patronais – e
aprovou um relatório que vai ao encontro com o que propõe o projeto
de lei.
No relatório, foi
aprovada uma política gradual de recuperação e
valorização do salário mínimo. Além
disso, a comissão aprovou que o piso nacional deveria ser reajustado
de acordo com o crescimento do PIB. O relator da comissão mista
foi o senador Paulo Paim (PT/RS).
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VERMELHO.COM, 09 de março de 2007
Governo orienta líderes a
enfrentar oposição no Congresso
Os principais jornais do país
circulam nesta sexta-feira com a informação de que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu não
repetir erros do passado e orientou os novos líderes no
Congresso, na primeira reunião reservada com eles, a neutralizar
as eventuais tentativas da oposição de emplacar comissões
parlamentares de inquérito -como a CPI que pretende investigar
a recente crise da aviação comercial- que a exemplo
de outras investigações ocorridas em 2005 e 2006,
têm sido usadas pela oposição para fazer "disputa
política".
Cláudio Gonzalez,
com agências
Ontem (8), a base do governo, através de uma manobra do PT, conseguiu
aprovar no plenário um pedido de efeito suspensivo da CPI da aviação
comercial, que agora terá sua validade analisada pela Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), onde o governo tem maioria.
Com isso, a oposição prometeu recorrer ao Supremo Tribunal Federal
(STF), alegando que a decisão nega o direito da minoria de instalar
CPIs.
“ O presidente pediu para não ficarmos de braços cruzados
esperando a oposição fazer o que quiser. O governo não vai
mais deixar ser feito de gato e sapato pela oposição”, disse
o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS). “A
orientação é para enfrentar a oposição”,
acrescentou.
Segundo o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR),
o presidente teme que a disputa política de uma CPI impeça votações
consideradas importantes pelo governo no Congresso, como as medidas que integram
o Pacote de Aceleração do Crescimento (PAC).
Jucá disse ainda que Lula quer maior interlocução entre
Câmara e Senado, atribuição oferecida à senadora
Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do Congresso. Segundo Jucá, o
presidente reafirmou a intenção de realizar todo mês a
reunião dos líderes.
O novo líder na Câmara, José Múcio (PTB-PE), reafirmou
que o governo não aceitará inquérito parlamentar sem fato
determinado, ou seja, que tenha um foco de investigação. O governo
quer evitar erros do primeiro mandato que levaram, por exemplo, à criação
da CPI dos Bingos.
Apelidada de CPI do Fim do Mundo, os senadores investigaram desde a ligação
de casas de bingos com organizações criminosas e do o assassinato
do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, até o escândalo
envolvendo o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e o caseiro Francenildo
Santos Costa.
O ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, cotado para assumir a Secretaria
de Relações Institucionais, falou como articulador político
do Palácio do Planalto. Ele defendeu melhor interlocução
com a oposição e reiterou o objetivo do governo de evitar CPIs
sem fato determinado.
“ A oposição tem que ter um papel e nós temos que
ouvi-la para entender os argumentos e, até mesmo, os exageros. Oposição
cumpre seu papel quando fiscaliza com alto nível o governo”, afirmou.
E defendeu a opção da base aliada de suspender a CPI da aviação
comercial: “CPI só funciona com objetivo preciso. No Congresso,
existem outras comissões permanentes que os parlamentares podem usar
para fazer as convocações que quiserem.”
PAC ameaçado
Mas se com o boicote à CPI o governo pretendia garantir uma tramitação
tranqüila das medidas relativas ao PAC, o tiro pode acabar saindo pela
culatra.
Líderes da oposição prometeram obstruir os trabalhos da
Câmara até que a CPI seja instalada.
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que não
teme a radicalização dos debates após a guerra travada
entre governo e oposição sobre a CPI da aviação
comercial. Mas admitiu que as votações podem ser prejudicadas. "Evidentemente
que se vier aí um período de obstrução radicalizada,
de não concessão de nenhuma das partes pode não prejudicar
mas atrasar a votação, seguramente", afirmou Chinaglia.
" Se houver acirramento das relações, mais do que nunca seremos
rigorosos e seguiremos o regimento", ameaçou Chinaglia, que citou
o cumprimento do tempo exato de fala para cada deputado e a permissão
de discursos apenas para líderes dos blocos partidários como exemplos
de medidas severas. A gestão do petista tem sido marcada pela flexibilidade
das regras, como maior tempo de discursos, e também por freqüentes
bate-bocas entre a mesa da Câmara e o plenário.
Chinaglia criticou o líder do PFL, Onyx Lorenzoni (RS), que teria dito
que o adiamento da CPI foi um "jogo combinado".
"É uma observação abusiva. Nosso único jogo
combinado é com o regimento. Vejo um viés antidemocrático
quando alguém, por não ter sido atendido, fica fazendo acusações",
disse o presidente da Câmara.
Chinaglia afirmou duvidar que o STF venha a obrigar a instalação
da CPI, como já fez ao exigir o início da CPI dos Bingos, no
Senado.
" São situações totalmente diferentes. Duvido que o
STF decida diferente, pois seguimos totalmente o regimento".
Terceira via
E não apenas o PFL, mas também o grupo que ficou conhecido como
Terceira Via, formado por deputados que atuam de forma independente nos seus
partidos, vai ingressar no STF com mandado de segurança para garantir
o funcionamento da CPI na Câmara. Paralelo a isso, os deputados irão
coletar assinaturas para uma CPI mista com o mesmo objetivo.
Dessa forma, se o STF não garantir a instalação da CPI
na Câmara, os deputados tentarão criar uma comissão que
tenha a participação de deputados e senadores. A instalação
da CPI mista é responsabilidade do presidente do Congresso, senador
Renan Calheiros (PMDB-AL), que anda aborrecido com o governo devido às
freqüentes “vacilações” do presidente Lula em
relação à escolha de aliados.
O grupo aposta que a insatisfação de Renan com o Palácio
do Planalto, motivada pela disputa interna no PMDB, possa ajudar para que ele
atue de forma independente nessa questão. Ontem, Renan disse que se
sentia "liberado" dos compromissos com o governo pelo fato de o Planalto
ter interferido na disputa pela presidência do PMDB.
Os deputados da terceira via estiveram reunidos hoje com Renan para discutir
sobre a CPI e outros temas. Na ocasião, o senador teria brincado que
o melhor é que a CPI funcione na Câmara, para evitar que a polêmica
se instaure no Senado, mas não se furtou em enfrentar o "problema" se
necessário.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 09 de março de 2007 | Brasil
Bush chega ao país em meio
a protestos e sob crítica de Lula
Após um dia de manifestações
contra sua presença, americano desembarca em SP à noite
O presidente dos EUA, George
W. Bush, 60, desembarcou ontem às 20h04 em São Paulo,
primeiro ponto de um giro por cinco países da América
Latina. Ele passará menos de 24 horas na cidade brasileira.
A chegada de Bush foi precedida por protestos que reuniram cerca de
27.500 pessoas por diversos pontos do país. Na avenida Paulista
(SP), uma passeata com cerca de 10 mil pessoas foi palco de um confronto
entre manifestantes e a Polícia Militar que terminou com um
saldo de ao menos 23 feridos.
Essa é a segunda vez que o presidente norte-americano visita o Brasil.
Acompanhado de um esquema de segurança inédito no país,
a agenda de Bush prevê um encontro hoje com o presidente brasileiro Luiz
Inácio Lula da Silva, que ontem criticou duramente a política
de subsídios praticadas pelos EUA na área agrícola.
" O que nós queremos é que os EUA possam diminuir os subsídios,
tão importantes para os agricultores americanos, mas tão nefastos
para o livre comércio que apregoamos", afirmou Lula, ontem, após
encontro com o presidente alemão, Horst Köhler, no Palácio
do Planalto. O brasileiro quer negociar a eliminação, ou ao menos
a redução, da tarifa ao álcool brasileiro, o que constitui
uma barreira de entrada do produto no mercado dos EUA. O governo norte-americano
não admite rever esse tópico.
A viagem de Bush à América Latina é entendida nos EUA
como um esforço para tentar esvaziar a influência do venezuelano
Hugo Chávez na região. Ontem, relatório divulgado em Washington
sugeriu que o governo americano apóie o fortalecimento comercial do
Brasil para minar a ascendência de Chávez.
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AGÊNCIA BRASIL, 09
de março de 2007
Acusação de cartel atinge
90% do setor de cimento e concreto
Edla Lula
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Secretaria
de Direito Econômico instaurou hoje (8) um processo investigativo
contra oito empresas de cimento e concreto acusadas de formar cartel.
Após dez anos de investigação, conseguiu formalizar
a acusação graças ao depoimento de um ex-funcionário
graduado da Votorantim.
Além da Votorantim, são
apontadas como membros do cartel as empresas Camargo Corrêa, Holcim,
Lafarge, Cimpor, Cimento Nassau, Soeicom e Itambé. Juntas, representam
90% do mercado.
“O funcionário descreveu
o funcionamento do cartel. Os detalhes subsidiaram a elaboração
de uma peça que permitiu a busca e apreensão. O material
nos convenceu de que havia evidências suficientes para acusar as
empresas de cartel”, afirmou a secretária de Direito Econômico,
Mariana Tavares.
Uma ordem judicial impede a divulgação
do teor do material recolhido. A secretária limitou-se a dizer
que são documentos com “indícios contundentes” da
formação de cartel.
Segundo o depoimento do ex-empregado
da Votorantim, os diretores das oito empresas se encontravam com freqüência
em hotéis para combinar preços e condições
de pagamento para seus clientes. A divisão de mercado era feita
por região. Quando uma empresa “roubava” cliente de
outra pertencente ao cartel, era obrigada a recompensá-la com
um bônus.
As empresas se agrupavam também
para excluir do mercado concorrentes que não faziam parte do grupo,
vendendo material a um preço bem mais alto do que para as associadas.
Um valor “impraticável”, segundo o ex-funcionário. “Como é muito
fácil produzir o concreto, seria possível que outras empresas
entrassem em concorrência com elas”, comentou a secretária.
O processo ainda está em
estágio preliminar, mas para Mariana Tavares, o cartel funciona
há muitos anos. “Um dado que nos pareceu curioso foi que
a primeira CPI do Congresso, de 1952, já tratava da preocupação
com o setor de cimento”.
A secretária acha possível
que, em todos esses anos, as empresas de cimento tenham praticado sobrepreço,
prejudicando um dos principais motores da economia, a construção
civil. “Este é um cartel que tem impacto em toda a construção
civil, em todas as obras que foram realizadas nos últimos anos
no mercado brasileiro: pequenas, grandes, públicas e privadas”.
A partir da instauração
do processo, as empresas terão de fazer sua defesa para contestar
a acusação. Caso não convençam, a denúncia
será encaminhada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica
(Cade). Se comprovada a denúncia, pagarão multa que varia
de 1% a 30% do faturamento de 2005, o ano anterior àquele em
que a investigação foi oficializada: 2006.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 09 de março de 2007 | Dinheiro
Produção de álcool
lidera geração de vagas em SP
Setor sucroalcooleiro responde por 77 de cada
100 postos criados no bimestre | Dos 39 mil novos empregos entre janeiro
e fevereiro, 30 mil estão no setor de produção de
açúcar e álcool, segundo pesquisa da Fiesp
DA FOLHA ONLINE
O setor sucroalcooleiro respondeu por 77% dos empregos gerados na indústria
de transformação do Estado de São Paulo nos dois primeiros
meses deste ano.
Das 39 mil vagas criadas entre janeiro e fevereiro, 30 mil foram no setor de
produção de açúcar e álcool, principalmente álcool,
segundo pesquisa de emprego realizada pela Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo).
O acumulado do ano registra alta de 1,87% na geração de emprego.
Nos últimos 12 meses, o crescimento é de 0,93%, o que equivale
a 21 mil vagas criadas no Estado.
Apenas em fevereiro, o emprego na indústria de transformação
paulista, sem ajuste sazonal, registrou aumento de 1,04% na comparação
com janeiro. Em números absolutos, significa que foram abertas 22 mil
vagas.
Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos
da Fiesp, considerou bons os resultados, tanto no mês como no bimestre,
mas lembrou que o setor sucroalcooleiro puxou a alta dos empregos.
" O setor está em franca expansão e deve se manter assim nos
próximos anos. Já a indústria de transformação
continua sem vigor e declinante."
Francini não acredita na possibilidade de a indústria de transformação
atingir melhores índices ao longo do ano.
" Não sou pessimista, mas, do ano passado para cá, nada mudou
[na economia do país]. A indústria de transformação
continua se esvaindo, o câmbio está aí [com o real valorizado
em relação ao dólar], a taxa de juros apresenta pequenas
quedas e os benefícios do PAC [Programa de Aceleração do
Crescimento, lançado em janeiro] vão demorar para refletir no setor",
disse Francini.
Setores
Dos 21 setores que fazem parte da pesquisa da Fiesp, 11 apresentaram desempenho
positivo em fevereiro, 7 mostraram resultados negativos e 3 ficaram estáveis.
Em fevereiro, os setores que mais contrataram foram fabricação
de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis
nucleares e produção de álcool (8,05%), fabricação
de produtos alimentícios e bebidas (4,75%) e fabricação
de outros equipamentos de transporte (4,30%).
Em contrapartida, os setores que registraram quedas foram fabricação
de material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações
(2,44%), fabricação de máquinas para escritório
e equipamentos de informática (1,21%) e preparação de
couros e fabricação de artefatos de couro, artigos de viagem
e calçados (0,66%).
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 09 de março
de 2007 | Dinheiro
VAREJO
Lucro do Carrefour sobe quase
100% no 2º semestre de 2006
DA BLOOMBERG
O Carrefour, a maior rede varejista da Europa, informou que seus lucros quase
duplicaram no segundo semestre de 2006, puxados pelas vendas realizadas na
França, na América Latina e na Ásia.
O lucro líquido do Carrefour aumentou para 1,56 bilhão, quase
o dobro dos 799 milhões dos seis últimos meses de 2005, de acordo
com os dados divulgados ontem pela empresa.
Os lucros das lojas que operam há pelo menos 12 meses para o ano fiscal
como um todo, ou "a contribuição das atividades", subiram
22% na América Latina e 5% na Ásia, disse a empresa em seu comunicado.
A receita do Carrefour aumentou 6,6% em 2006. A empresa prevê que as
vendas terão expansão de 10% em 2008, desde que consiga realizar "o
nível previsto de aquisições táticas".
A empresa planeja abrir lojas no Brasil, na Indonésia, na Polônia
e na Turquia, segundo seu site, e opera atualmente mais de 12 mil pontos-de-venda
em 29 países.
A divulgação de resultados ocorreu um dia após o afastamento
do presidente do conselho administrativo da empresa, Luc Vandevelde, e a notícia
divulgada pelo bilionário Bernard Arnault de que teria comprado uma
participação no grupo.
Robert Halley, cuja família é a principal acionista da rede varejista
européia, com uma participação de 13%, substituiu Vandevelde
no comando do conselho administrativo da empresa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de março de 2006 | Economia
Gratificação não
está livre do Imposto de Renda
Não tem choro nem vela.
O dinheiro recebido pelo trabalhador por meio de gratificação
não está imune ao apetite do Leão: sobre o valor, é necessário
pagar Imposto de Renda. Esse é o entendimento do Superior Tribunal
de Justiça (STJ).
A Justiça negou o pedido
de isenção tributária sobre as gratificações
recebidas por um funcionário, após firmado acordo de demissão
voluntária. Os juízes decidiram que o benefício
não seria cabível, pois a renda extra representava acréscimo
de patrimônio para o trabalhador.
— A decisão não é nenhuma
novidade. A Constituição Federal estabelece que toda renda
que representa acréscimo patrimonial é tributável — afirma
Juliana Ono, consultora tributária da FiscoSoft. Para a especialista
em imposto de renda, a tendência seria conceder a isenção
tributária apenas se a gratificação fosse indenizatória.
— Esse não é caso,
pois a gratificação recebida não teve como objetivo
repor algo que foi perdido — justifica.
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ÚLITMA INSTÂNCIA,
09 de março de 2007
Justiça libera saldo do PIS
para idoso com problemas de saúde
A interpretação da lei --e não somente a aplicação
do texto legal-- beneficiou um idoso que, com 65 anos de idade, diabético,
portador de doença do coração e que vive em situações
críticas. O juiz da 30ª Vara Cível de Belo Horizonte, Wanderley
Salgado de Paiva, liberou o valor de R$ 3,6 mil que ele tinha de saldo do PIS/PASEP.
Seguindo a lei, o dinheiro só poderia
ser sacado em caso de casamento, aposentadoria, invalidez ou morte do
titular da conta. No entanto, o magistrado entendeu que as condições
críticas do idoso, que entrou na justiça com pedido de
alvará para sacar o dinheiro do PIS depositado na Caixa Econômica
Federal, eram motivos suficientes para receber o saldo.
O idoso, que recebia apenas R$
354,34, mensalmente, de auxílio doença, comprovou, através
de documentação, seu estado de saúde.
Em sentença, o juiz avaliou
que o Estado, diante das condições do autor da ação,
seria negligente se mesmo diante do conhecimento da existência
de um numerário na conta bancária do autor, não
autorizasse sua liberação, impedindo-o de obter certo alívio
em momento de extrema necessidade, como é o caso.
Além disso, o Estatuto
do Idoso foi citado na sentença para comprovar que também é obrigação
do Poder Público assegurar ao idoso, o direito à vida
e à saúde. A advogada que representou o idoso na Justiça
deverá comprovar, em até cinco dias, o levantamento da
quantia junto à CEF e o repasse do valor para o autor. A decisão,
por ser de 1ª Instância, está sujeita a recurso.
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CONSULTOR JURÍDICO, 09 de março
de 2007
Limite geográfico
Tempo de serviço no exterior
não gera indenização
As leis trabalhistas do país em que houve a prestação
dos serviços é que devem incidir no caso de extinção
do contrato. Essa é a previsão da Súmula 207 do Tribunal
Superior do Trabalho, em que a 5ª Turma se baseou para excluir o pagamento
de indenização por tempo de serviço prestado no exterior
por ex-empregado da indústria tabagista.
O empregado foi contratado em junho de 1974 pela RJ Reinolds, com sede em Genebra
(Suíça), para trabalhar em Caracas (Venezuela). Ele ocupava o
cargo de chefe de coordenação de fabricação da
América Latina. Em 1975, foi transferido para o Brasil. Morou no Rio
de Janeiro e depois foi transferido para Santa Cruz (RS), como diretor de fabricação.
Demitido pela empresa em 1990, entrou com processo em que reclamava indenização
trabalhista com base em seu contrato com o empregador.
O Tribunal Regional da 1ª Região (Rio de Janeiro) reconheceu a
maioria dos itens reclamados pelo empregado, inclusive a contagem de tempo
de serviço prestado na Venezuela e o cálculo da verba rescisória
em moeda nacional, pelo câmbio da data da rescisão do contrato.
Para o tribunal, embora o contrato tenha sido firmado em outro país,
foi extinto no Brasil. A empresa recorreu ao TST.
O relator da matéria, ministro Gelson de Azevedo, entendeu que o período
trabalhado na Venezuela não pode ser considerado nesse caso, por violação
de dispositivo legal e por contrariar a Súmula 207 do TST. Além
da afronta à orientação, o ministro entendeu que houve
violação ao artigo 453 CLT, “uma vez que nele não
há previsão de cômputo de período de contrato de
trabalho realizado no exterior”.
Além do tempo de serviço prestado na Venezuela, a decisão
da 5ª Turma do TST excluiu da indenização itens como aviso
prévio de 90 dias, integração de benefícios depositados
em conta nos Estados Unidos, despesas médico-hospitalares e bônus
de incentivo.
RR 1907/1990-031-01-00.4
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CONSULTOR JURÍDICO, 09 de março
de 2007
Pressão psicológica
Leilão força empresas
a pagar dívidas trabalhistas
Antes mesmo de o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região promover
seu 1º Grande Leilão de 2007, já são inúmeros
os pedidos de retirada de bens da hasta pública marcada para a próxima
segunda-feira (12/3), entre 11h e 18h, no auditório do Fórum
Trabalhista Ruy Barbosa (Av. Marquês de São Vicente – Barra
Funda).
Desde a semana passada, a Central de Hastas Públicas do TRT-SP tem recebido
uma média de cinco pedidos de empresas que comparecem às Varas
do Trabalho para pagar suas dívidas trabalhistas. Com isso, elas retiraram
os bens de sua propriedade da penhora, antes que eles sejam leiloados. Esse
número deve crescer ainda mais até segunda-feira, informa o Tribunal.
Para apresentar lances durante o leilão, no auditório do Fórum
Trabalhista Ruy Barbosa, é preciso cadastrar-se. O pré-cadastro
pode ser feito através de um e-mail para a centraldehastaspublicas@trt02.gov.br.
O interessado deve informar nome e endereço completos, CPF e RG, telefone
de contato e e-mail se tiver.
De acordo com o TRT, nesse primeiro leilão de segunda-feira, serão
oferecidos 191 lotes reunindo mais de três mil bens penhorados por 26
Varas do Trabalho da capital. Só nesse mês de março, serão
feitos mais oito leilões.
Serão leiloados 191 lotes de imóveis em vários bairros
da cidade, carros nacionais e importados de várias marcas, maquinário,
equipamentos de informática e os mais variados produtos, de pares de
sapatos a cadeiras de barbeiro. Os imóveis arrematados podem ser pagos
em até 10 X sem juros.
O TRT-SP também leiloará maquinário de hospitais, raio-x
e laboratório de análises clínicas, gráficas, marcenarias,
frigoríficos, oficinas mecânicas e guinchos, equipamentos de construção
civil, metalúrgicas, óticas, academias, lavanderias e estacionamentos.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/03/2007
Tempo gasto do portão ao posto de
trabalho deve ser remunerado
O tempo gasto pelos empregados
para alcançar o local de trabalho a partir da portaria da empresa
configura-se como tempo à disposição do empregador,
e deve ser computado como hora in itinere e devidamente remunerado. Esta
foi a decisão da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que, por unanimidade, acompanhou o voto do ministro Carlos Alberto Reis
de Paula.
Trata-se de ação
movida por dois metalúrgicos da Volkswagen do Brasil Ltda. Eles
acionaram a Justiça do Trabalho para pleitear o pagamento de horas
extras referentes ao tempo gasto entre a portaria da fábrica e
o efetivo local de trabalho.
Os empregados, com 30 anos de
serviço, alegaram que o registro de horário na Volkswagen é feito
em duas etapas: a primeira na entrada da fábrica e a segunda no
setor onde efetivamente trabalham. Contaram que levavam cerca de 15 minutos
no trajeto entre as duas catracas eletrônicas, e, portanto, teriam
direito a receber pelos 30 minutos (ida e volta) como hora extraordinária.
Pediram também o pagamento referente às horas trabalhadas
aos sábados e domingos.
A empresa, em contestação,
negou a existência de dois controles distintos de registro de horário.
Disse que a primeira catraca foi instalada unicamente com o objetivo
de fornecer segurança à fábrica, e negou ainda o
direito às horas extras sob a alegação de que os
empregados só recebiam ordem para trabalho quando lotados em seus
postos de serviço, considerando “absurda” a pretensão.
Por fim, a Volkswagen sustentou que todas as horas excedentes foram devidamente
remuneradas com a implantação do banco de horas.
A 5ª Vara do Trabalho de
São Bernardo do Campo (SP) considerou os pedidos parcialmente
procedentes. Quanto às horas extras referentes ao trajeto da portaria
ao local de trabalho, o pedido foi negado. Segundo a sentença,
não havia prestação de serviço a ser remunerada.
Justificou que “não se trata de local de difícil
acesso, mas simples distância que normalmente é percorrida
pelos empregados, inclusive no trajeto casa-ponto de ônibus”.
Os empregados não concordaram
com a decisão e recorreram. O Tribunal Regional do Trabalho da
2ª Região (São Paulo) manteve, na íntegra,
o que foi decidido pelo juiz de primeiro grau. Segundo o TRT, “o
tempo gasto dentro das dependências da empresa, entre a entrada
e o local de marcação do ponto, não dá direito
ao pagamento de hora in itinere, pois os empregados não estão à disposição
do empregador, aguardando ordens, como exige o artigo 4º da CLT”.
Os empregados recorreram então
ao TST alegando que “é problema logístico da empresa
ter a portaria longe do setor de trabalho, problema esse que não
pode ser transferido aos funcionários que permanecem por 30 minutos
em suas dependências sem qualquer remuneração”.
O pedido dos empregados obteve êxito
no TST. O ministro Carlos Alberto, ao tomar a decisão, fez uma
analogia com a antiga Orientação Jurisprudencial Transitória
nº 36, da SDI-1, que considerava hora in itinere “o tempo
gasto pelo obreiro para alcançar seu local de trabalho a partir
da portaria da Açominas”. Segundo o relator, “na hipótese,
o tempo gasto no trajeto interno é de 30 minutos, fato que pressupõe
a existência de uma estrutura física que se assemelha, ao
menos em dimensão, À empresa Açominas, para a qual
foi criada a referida OJ”.
O ministro concluiu seu voto
afirmando que o trecho compreendido entre os portões da empresa
e o local de trabalho, ao contrário do que decidiu o TRT/SP, representa
tempo à disposição do empregador, devendo ser computado
e remunerado. (RR 1971/2001-465-02-40.8)

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