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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 12 de março de 2007 | Dinheiro
Temer é reeleito; PMDB quer candidato
próprio em 2010
Partido, o maior da coalizão, vai buscar
apoio dos partidos da base para liderar chapa | Renan e Sarney, assim
como os convencionais ligados a seus Estados, boicotaram o evento da
sigla; quórum, porém, foi considerado alto
VALDO CRUZ
VINICIUS ABBATE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
ANDREZA MATAIS
DA FOLHA ONLINE EM BRASÍLIA
Numa convenção em
clima tranqüilo, o PMDB reelegeu ontem o deputado Michel Temer
(SP) presidente do partido e anunciou a intenção de ter
candidato próprio à sucessão do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva. Reeleito com mais de 80% dos votos, Temer
disse que sua tarefa será buscar o apoio dos demais partidos
do governo de coalizão em torno de um peemedebista, apesar de
ainda não existir dentro da sigla um nome natural.
" Queremos chegar, em 2010, liderando a coalizão com candidato. Como
o maior partido, acho que o PMDB tem o direito de oferecer o nome", disse.
Participaram da convenção 457 dos 558 convencionais, um quórum
elevado num encontro ameaçado de boicote pela ala derrotada antecipadamente
por Temer. O placar final registrou 602 votos, já que alguns têm
direito a votar mais de uma vez por exercerem cargos políticos. Do total,
Temer ficou com 598 votos. Dois foram nulos e dois brancos.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney
(AP) boicotaram a convenção, no que foram seguidos pelos convencionais
dos seus Estados. Dos 14 peemedebistas com direito a voto em Alagoas, apenas
1 compareceu. Do Amapá, vieram 4 dos 6 convencionais. Maranhão
e Pará praticamente também não mandaram delegados.
Dos sete governadores, quatro marcaram presença: Sérgio Cabral
(RJ), André Puccinelli (MS), Marcelo Miranda (TO) e Paulo Hartung (ES).
Luiz Henrique (SC) estava viajando; Roberto Requião (PR) enviou representantes;
Eduardo Braga (AM) estava doente.
Temer disse que se surpreendeu com a votação. A expectativa era
que com candidato único -Nelson Jobim renunciou acusando o Palácio
do Planalto de ajudar o atual presidente- o quórum fosse bem menor.
Já reeleito, o deputado voltou a repetir que sua missão será construir
uma candidatura própria do PMDB à sucessão do presidente
Lula.
O governador Sérgio Cabral (RJ) destoou e considerou cedo para lançar
uma candidatura, dizendo que isso pode prejudicar o governo federal.
Seu nome, por sinal, é visto como um potencial candidato a presidente
pelo partido, que também analisa a estratégia de atrair para
a sigla o governador tucano Aécio Neves (MG).
O único momento de tensão do encontro ocorreu quando o ex-governador
do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, aliado de Temer, deixou o local irritado
depois de ser informado de que não participaria da Executiva do partido,
que seria eleita ao final da convenção.
A exclusão de Garotinho era um desejo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Para evitar divisões, foi encontrada uma fórmula
de tentar agradar Garotinho. Um aliado seu, o deputado Geraldo Pudim, foi indicado
para a Executiva.
A idéia não satisfez o ex-governador. Sua mulher, Rosinha Matheus,
chegou a ameaçar se desfiliar. O partido acabou cedendo e incluiu o
nome de Garotinho na Executiva.
Público
Ao contrário de encontros recentes, a convenção de ontem
ocorreu sem guerra de liminares e confrontos físicos. O público
presente não chegou a 2.000 pessoas. O auditório do centro de
convenções de Brasília ficou com metade de seus assentos
desocupados.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 12 de março de 2007 | Dinheiro
Pesquisa aponta que maioria dos
eleitores aprova reeleição
Levantamento mostra que só 19% apóiam
o fim da regra, elevando os anos do mandatos | Dados são da
Fundação Perseu Abramo, criada pelo PT; 22% não
souberam dizer qual é a reforma que é mais importante
hoje para o país
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apenas 19% dos eleitores
brasileiros apóiam a idéia de acabar com a reeleição
para cargos executivos, aumentando os mandatos para cinco ou seis anos,
sem possibilidade de os políticos disputarem dois mandatos seguidos.
O apoio ao fim da reeleição sobe para 25% quando a proposta é apenas
para acabar com a regra, mas deixando os mandatos de presidente, governadores
e prefeitos nos atuais quatro anos. Uma maioria de 52%, entretanto, prefere
manter tudo como está, permitindo aos governantes se recandidatar uma
vez ao final de seus primeiros mandatos. Outros 5% não têm opinião
a respeito.
As descobertas fazem parte de uma extensa pesquisa de opinião nacional
realizada pela Fundação Perseu Abramo, entidade criada pelo PT.
A pesquisa demonstra que os eleitores pensam de maneira diversa do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, um grande defensor do fim da reeleição.
Apesar de ter usufruído do direito de se reeleger, o petista sempre
que pode critica a regra.
O resultado da pesquisa é também um revés para o PT, que
enxerga na mudança da regra uma chance de retornar com mais rapidez
ao poder. Os petistas avaliam ser real a hipótese de perderem a disputa
pelo Palácio do Planalto em 2010.
É que nesse ano Lula estará impedido de disputar um terceiro mandato
-e a legenda não tem nenhum sucessor à vista com condições
claras de vitória. Se o fim da reeleição fosse aprovado,
ficaria mais fácil tentar o retorno quatro ou cinco anos depois.
A reeleição foi criada em 1997 por meio de uma emenda constitucional.
Favoreceu diretamente o tucano Fernando Henrique Cardoso, presidente à época
-e reeleito em 1998. Agora, o fim da regra passou a ser defendido por políticos
do PSDB interessados em se candidatar a presidente em 2010, como os governadores
José Serra e Aécio Neves.
A pesquisa da Fundação Perseu Abramo foi realizada no final do
ano passado, nos dias 24 a 27 de novembro. Foram entrevistadas 2.400 pessoas
com 16 anos ou mais em 153 cidades de 25 unidades da Federação.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para os resultados principais
(e de três pontos para as amostragens estratificadas). A coordenação
geral do trabalho foi de Gustavo Venturi e Marisol Recamán.
O levantamento averiguou as opiniões dos brasileiros sobre várias
reformas em debate no Congresso, sobretudo as mudanças na área
político-eleitoral. Do ponto de vista geral, o eleitor tem pouca opinião
formada sobre qual reforma seria a mais importante para o país.
Numa pergunta aberta, sem estimulação de resposta, nenhuma reforma
estrutural é mencionada por mais de 10% dos entrevistados. O item mais
citado é referente à "criação de empregos" (10%)
ou "reforma trabalhista" (5%).
Segundo Gustavo Venturi, possivelmente as pessoas que vocalizaram essas duas
opções "desejam mudanças que possam aumentar o mercado
de trabalho, e não simplesmente a "reforma trabalhista" como
muitas vezes esse tema é debatido no Congresso".
Um fato a corroborar o entendimento de Venturi é o fato de a "reforma
trabalhista", quando a pergunta tem as respostas estimuladas, ter recebido
38% de menções sobre qual seria a reforma a ser priorizada por
Lula e pelo Congresso.
Mas 22% dos entrevistados não souberam dizer qual reforma seria a mais
importante hoje para o país. Só 4% mencionaram a reforma política
nesse tipo de questionamento.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 11 de março de 2007 | Empregos
" CLT FLEX"
Jurisprudência vai ditar
legalidade
Novo modelo, cujo formato está previsto
na legislação, tem de ser analisado caso a caso
COLABORAÇÃO PARA A
FOLHA
O pagamento de ajudas de custo,
reembolsos e utilidades ao trabalhador é permitido pela legislação
trabalhista. Sua utilização, no entanto, pode esbarrar
na lei.
" Flex dá um tom pejorativo à aplicação de uma
lei que existe desde 2001", defende Antonio Neto, presidente do Sindpd (Sindicato
dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Empregados de Empresas de Processamento
de Dados). Ele se refere a uma emenda feita ao artigo 458 da CLT, que abre as
hipóteses do que não é salário.
Na análise do juiz trabalhista Jorge Luiz Souto Maior, "tentaram
transformar o que é salário no que não é -e essa é a
principal causa das interpretações divergentes sobre a lei".
" Quem adota o artigo 458, mesmo que esteja agindo de boa-fé, pode
se surpreender com a jurisprudência e estar correndo um sério risco",
diz.
Ele recorda que algo parecido ocorreu com uma emenda feita ao artigo 442 da
CLT em 1994. O texto diz que, qualquer que seja o serviço prestado por
sociedade cooperativa, não há vínculo empregatício
entre ela e os tomadores de serviço.
" A lei parece permitir que elas funcionem como terceirizadoras, mas a jurisprudência
negou essa possibilidade: a aplicação da lei feria artigos constitucionais",
enfatiza.
A ilegalidade da "CLT flex", dizem especialistas em direito, aparece
quando o empregador utiliza como salário o que a lei define como um "não-salário".
" Toda forma de remuneração que se incorpora ao patrimônio é salário
e, sobre ela, devem incidir os impostos correspondentes", diz Souto Maior.
A advogada Elisângela Fazzura resume o imbróglio: "Devemos
perguntar qual é a finalidade do que é dado ao trabalhador. Utilidades,
reembolsos e ajudas de custo têm de ser dados para a realização
do trabalho, não pela realização dele".
Isso significa que, se o empregador reembolsar os custos de uma viagem a trabalho,
não terá problemas, mas, se o reembolso for feito para uma viagem
pessoal, torna-se salário.
Fiscalização
O presidente do Seprosp (Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e
Serviços de Informática do Estado de São Paulo), Luigi
Nese, diz informar as empresas sobre os riscos do contrato flexível.
" O problema é que não há uma clara determinação
das cotas aceitas para as utilidades. Dessa forma, o limite do que é legal
ou não fica nas mãos dos fiscais e de sua interpretação."
A delegada substituta da DRT-SP (Delegacia Regional do Trabalho), Maria Elena
Taques, explica que a fiscalização atua cuidadosamente: "Temos
que analisar caso a caso para ver se os benefícios que o trabalhador
recebe não são salários travestidos de benefícios".
Ela reforça que a auditoria realizada nas firmas fica mais complicada
se seus documentos não estiverem em ordem. "É difícil
detectar uma fraude. Se os pagamentos não estiverem documentados como
deveriam, a dificuldade será maior."
Alex Mourão de Sousa, coordenador-geral de planejamento da Ação
Fiscal da Secretaria de Receita Previdenciária, afirma que nenhuma denúncia
formal foi feita ao órgão, mas diz que a Receita identificou
a tendência e que já foram feitos estudos para analisar o caso.
"À primeira vista, temos a impressão de que é uma prática
de sonegação, mas é preciso investigar melhor", pondera.
(BC)
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 11 de março de 2007 | Empregos
Modelo dá "continuidade" ao
sistema
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Trabalho temporário,
terceirização, transformação do trabalhador
registrado em pessoa jurídica e cooperativas são exemplos
de outras formas de contrato que as empresas usam -com respaldo na
lei- para escapar da alta carga tributária do país.
Muitos dos pesquisadores que abordam a temática do trabalho entendem
essas possibilidades de "fuga da CLT" como o desdobramento de um
processo inevitável.
" A "CLT flex" é apenas a continuidade de um processo que
começou com os contratos temporários e as cooperativas, por exemplo",
afirma o sociólogo do trabalho Ricardo Antunes.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 11 de março de 2007 | Empregos
" CLT FLEX"
Profissionais têm registro
parcial
Contratos de trabalho com pagamentos
flexíveis começam a surgir na área de tecnologia
Karime Xavier/Folha Imagem

O analista Fabio Venuto Soares, que já trabalhou pelo modelo "CLT
flex'
BÁRBARA CASTRO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
CÁSSIO AOQUI
EDITOR-ASSISTENTE DE EMPREGOS E CARREIRAS
Depois da autogestão
-que inclui a contratação por meio de cooperativas
e de PJ (pessoa jurídica)-, as empresas passaram a investir
em outra forma de contrato que alivia a tributação
e que ainda não apresenta jurisprudência na Justiça
do Trabalho: a "CLT flex".
Juridicamente, a alcunha não existe, mas alguns trabalhadores já sabem
muito bem o que o nome fantasia significa.
Pelo modelo, uma parcela de 30% a 70% do salário combinado com a empresa é registrada
na carteira de trabalho.
O restante é pago como ajuda de custo, reembolso ou utilidades: assistência
médica, educação, fornecimento de uniforme, previdência
privada, seguros de acidentes pessoais e de vida e transporte são os
mais comuns.
Esse restante não é considerado salário pela lei. Conseqüentemente,
a empresa não é tributada da mesma forma.
O novo modelo é empregado sobretudo em vínculos com trabalhadores
da área de tecnologia: contratados freqüentemente como PJ, por
trabalharem por projetos, costumam trabalhar por semanas, às vezes por
meses, nas empresas.
Nos tribunais, contudo, essa permanência pode ser avaliada como vínculo
celetista, tornando ilegais alguns contratos.
Isso fez com que companhias buscassem uma alternativa para escapar da alta
carga tributária e dos encargos trabalhistas brasileiros, que figuram
entre os mais pesados do mundo.
O analista de sistemas Fabio Venuto Soares, que pediu demissão acreditando
que trabalharia como PJ em outra empresa, foi um dos profissionais que conheceram
o sistema.
Quando foi assinar o contrato, diz ter se surpreendido: tratava-se do modelo
flexível -receberia 50% do salário pela CLT e o restante como
resgate da previdência e reembolsos.
" Apresentava todo mês um comprovante de despesas, que incluía
gastos com combustível, pedágio e farmácia, entre outros.
Então, a empresa pagava as contas como reembolso."
Sua história foi parar na Justiça após sua demissão. "No
acordo que fiz, a empresa pagaria a hora extra com base no salário total.
Só que passaram a me pagar com base no que eu recebia pela CLT e, depois,
quiseram a diferença do que eu teria recebido a mais", explica.
Soares afirma ter se recusado a pagar a diferença, o que causou sua
demissão e o processo na Justiça contra a companhia.
Hoje, com a causa ganha, trabalha como PJ, mas diz que gostaria de estar sob
a proteção da CLT. "Enquanto isso não acontece, vou
me virando."
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 11 de março de 2007 | Empregos
SAIBA MAIS
CLT flex é um nome
fantasia dado a um tipo de contrato que atualmente é oferecido,
em geral, aos profissionais da área de tecnologia
Pelo contrato, geralmente
verbal, uma parcela de 30% a 70% do salário é paga
como CLT; o restante, como ajudas de custo, reembolsos e utilidades
Ajudas de custo, reembolsos
e utilidades não são considerados salário. O
empregador, portanto, não paga os impostos referentes aos
encargos trabalhistas
O cálculo do pagamento
de FGTS, férias, 13º salário e horas extras é feito
com base no salário registrado como CLT
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
11 de março de 2007 | Ciência
USP cria cimento alternativo ao
amianto
Agência USP [11/03/2007]
Foto:
Aliocha Mauricio

Fabricação de produtos com amianto é nociva à saúde.
São Paulo - Um novo tipo de fibrocimento, composto com fibras de escória,
poderá ser usado como alternativa ao cimento-amianto na confecção
de telhas, placas planas e acessórios, como caixas d’água
e suportes para ar condicionado.
A novidade surge após
uma linha de pesquisas desenvolvidas pelo engenheiro Carlos Eduardo Marmorato
Gomes, formado na Universidade de São Paulo. “Considero
que seja um produto ‘ecologicamente correto’, já que
o amianto, usado no método tradicional de fabricação
desses produtos é extraído da natureza e é nocivo à saúde”,
ressalta o engenheiro.
Protótipos do fibrocimento
já foram construídos e aprovados em testes de resistência
e durabilidade. A escória usada no processo é um subproduto
da siderurgia. Gomes explica que boa parte deste material é encaminhado
a aterros sanitários, “o que também é prejudicial
ao meio ambiente”. Além da escória, o novo produto é constituído
por um composto híbrido de fibras poliméricas e de celulose.
De acordo com o engenheiro, além
do ganho ecológico, considerando-se todo sistema produtivo do
novo fibrocimento, pode-se atingir uma economia de 30% em relação
ao produto convencional. Nos testes, a composição de uma
telha de amianto foi constituída de 8% a 15% de amianto, cerca
de 25% de calcário e por um composto híbrido de fibras
poliméricas, celulose e escória. “O restante foi
complementado com cimento Portland”, conta Gomes. Contudo ele alerta
não tratar-se de um “receituário”. “As
composições podem variar de acordo com o produto e com
o sistema de fabricação”, diz.
Além da aspecto ecológico
do novo produto, Gomes chama a atenção para a inovação
também no processo produtivo. “Poderá por meio deste
produto, ser viabilizada uma nova tecnologia para a produção
de moradias, denominada steel-frame”, conta.
Nos laboratórios, o método
de fabricação usado foi o da extrusão, que se mostrou
mais econômico no gasto de energia elétrica, gerando menos
resíduos e registrando menor consumo de água. “O
método de produção convencional, denominado Hatschek,
apesar de ainda usado na indústria nacional, pode ser considerado
obsoleto”, diz o engenheiro.
Os estudos de Gomes visaram principalmente
a utilização do fibrocimento em habitações
populares. “Temos a garantia de que este novo produto tem durabilidade
e resistência semelhantes aos convencionais. Além disso,
atingiu níveis satisfatórios no que diz respeito às
normas de aplicação”, garante.
Dados de 2003, do Sindicato Nacional
dos Produtores de Artefatos de Cimento (Sinaprocim) mostram que no Brasil,
naquele período, existiam cerca de 400 milhões de metros
quadrados de cobertura, sendo que aproximadamente 50% desse total eram
fabricados em amianto. “Em 2006, subiu para cerca de 420 milhões
de metros quadrados de coberturas, sendo 46,7% em fibrocimento de amianto.
Isso mostra o mercado promissor para esses novos produtos”, avalia.
Gomes realizou seu pós-doutorado
no Grupo de Ambiência de Construções Rurais, sob
a supervisão do professor Holmer Savastano Júnior. Parte
de seus estudos foram desenvolvidos nos programas de mestrado e doutorado
da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e do Instituto
de Física de São Carlos (IFSC). Segundo ele, a tecnologia
está pronta para ser transferida à indústria.
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JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 10 de março
de 2007 | Brasil
Lula quer criar rede pública
de TV e tirar do papel projeto do PT
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está determinado a criar
uma rede pública nacional de TV, nos moldes da britânica BBC,
em seu segundo mandato. Essa foi uma das medidas discutidas por Lula quando
fez o convite ao jornalista Franklin Martins para assumir a área de
imprensa do governo.
No Planalto, dá-se como certo que Franklin ocupará o cargo que
pode ter status ministerial e deverá ser anunciado na próxima
semana com a reforma ministerial.
Segundo a Folha apurou, a idéia de Lula é tirar do papel um debate
que vem sendo travado no PT e no governo a respeito de uma rede pública
de TV.
No governo, há expectativa de que órgãos de comunicação
e a oposição se manifestarão contrários à idéia,
temendo que a rede pública possa ser instrumentalizada por Lula, Daí o
presidente ter mencionado em conversa com auxiliares que a rede deveria ter
autonomia em sua gestão. Mais: o governo discutiria com variados setores
da sociedade o modelo administrativo e jurídico da rede.
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DCI – DIÁRIO,
INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS, 10 de março
de 2007
Projeto poderá mudar estrutura
sindical dos EUA
Por Patrícia Acioli
O Congresso norte-americano
poderá dar início nos próximos dias a uma nova
fase na história do sindicalismo dos Estados Unidos. A Câmara
dos Deputados aprovou na semana passada, o “Employee Free Choice
Act”, lei que disciplina a organização dos trabalhadores
em sindicatos.
Segundo Nair Goulart, membro do Conselho Administrativo da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, atualmente os Estados Unidos têm
regras para organização que são hostis ao trabalhador
e contribuem para o declínio do sindicalismo. Prova disso, segundo ela, é que
em meados de 1950, 35% dos trabalhadores pertenciam a sindicatos, hoje esse
número é de 7.4%. “Nos EUA cada estado tem autonomia para
legislar de uma maneira, mas não há uma regulamentação
nacional sobre o tema. Os trabalhadores não têm contrato coletivo,
ou direito a negociação da categoria”, explica. Apesar
de os EUA serem signatários da OIT, que foi criada lá em 1919,
o país foi o que menos ratificou as convenções da entidade.
Segundo Carolyn Kazdin, representante no Brasil da United Steel Workers (USW),
92% da contratação nos Estados Unidos acontece individualmente. “Existe
uma pesquisa que mostra que os trabalhadores querem se sindicalizar, mas se
as empresas não concordam a pressão é muito grande. Esse
projeto melhora muito as condições dos trabalhadores norte-americanos
e foi aprovado, inclusive, como apoio dos republicanos”, conta. O projeto
seguiu para o Senado, mas segundo editorial do The New York Times de terça-feira,
a notícia gerou um imediato alerta e o presidente Bush poderá vetá-lo.
A mudança mais significativa que a lei institui é a forma como
será deliberada a formação dos sindicatos. Hoje o modelo
prevê uma eleição com voto secreto, mas a medida pretende
implantar uma lista de assinaturas. A intenção é acabar
com a pressão que os empregadores exercem sobre os trabalhadores, persuadindo
os a desistir de optar pelo sindicato. Os opositores à lei alegam que
alterar o voto secreto para uma maioria de assinaturas é anti-democrático.
Um levantamento feito em 2000, pela professora Kate Bronfenbrenner, da Cornell
University, indica que dos 25% dos empregados ilegalmente demitidos, pelo menos
um participou da organização de campanhas para formação
de sindicatos. De acordo com o mais recente levantamento do National Labor
Relations Board, 31,358 mil empregados foram demitidos por discriminação
por participar de movimentos sindicais.
A medida aumenta a penalidade para os empregadores que discriminam aqueles
pró-sindicalismo. “Um empregador acusado de demitir ilegalmente
tem que pagar uma multa insignificante”, diz Kazdin.
Segundo Goulart, os sindicatos tiveram sempre uma participação
muito ativa na vida política dos EUA, como na luta pelo direito de greve. “Politicamente
o sindicalismo é ligado ao partido Democrata e quando eles estão
no poder, participam do governo”, diz. Ela conta que as categorias de
caminhoneiros, de funcionários públicos, de comerciários
e de metalúrgicos tem grande força.
“
O Wall Mart não tem sindicato e acabou de perder uma das maiores
causas trabalhistas da história dos EUA. Lá é um
vale tudo”, afirma
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
11 de março de 2007 | Direito e Justiça
Empresários e sindicalistas
debatem programa de aceleração econômica
Edésio Passos [11/03/2007]
O Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES), órgão subordinado à Presidência
da República e à Secretaria de Relações Institucionais
realizou reunião com os conselheiros da Região Sul com
o objetivo de debater aspectos do Programa de Aceleração
Econômica (PAC), programa nacional de desenvolvimento econômico
que objetiva (1) a aceleração do crescimento econômico
(2) o aumento do emprego (3) a melhoria das condições de
vida da população brasileira, com medidas destinadas a
incentivar o investimento privado, aumentar o investimento público
em infra-estrutura e remover obstáculos ao crescimento. A reunião,
que teve por local o Centro de Convenções da FIEP, foi
coordenada pelo jurista Tarso Genro, Ministro de Relações
Institucionais. As questões do PAC foram apresentadas e debatidas
pelos Ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento.
Além dos integrantes do Conselho, presentes empresários,
dirigentes sindicais dos trabalhadores e parlamentares. A implementação
inicial do PAC depende de diversas medidas legais, em especial de Medidas
Provisórias e Projetos de Lei a serem discutidos pelo Congresso
Nacional. Os investimentos derivados do FGTS para um Fundo de Investimento
em Infra-Estrutura serão com recursos na ordem de cinco bilhões
de reais. O total de investimentos devem atingir, no período de
2007 a 2010, 503,9 bilhões de reais, sendo 180,5 em âmbito
nacional, 37,5 na Região Sul e 285,9 nas demais regiões,
destinados a rodovias / ferrovias / hidrovias / aeroportos (58,3), geração
e transmissão de energia elétrica, petróleo e gás
natural, e combustíveis renováveis (274,8) e saneamento
/ habitação / recursos hídricos / metrôs e “Luz
para todos” (170,8).
Um dos pontos destacados pelo ministro Guido Mantega referiu-se a desoneração
e aperfeiçoamento do sistema tributário, indicando medidas propostas
como (1) a recuperação acelerada dos créditos do PIS e
COFINS em edificações (de 25 para 24 meses) (2) desoneração
de obras de infra-estrutura (suspensão da cobrança do PIS/COFINS)
para novos projetos) (3) desoneração dos fundos de investimento
em infra-estrutura (isenção do IRPF) (4) programa de incentivos
ao setor da TV Digital (isenção de IPI, PIS/COFINS e CIDE) (5)
programa de incentivos ao setor de semicondutores (isenção de
IRPJ, IPI, PIS/COFINS e CIDE) (6) aumento do valor de isenção
para microcomputadores (de 2,5 mil para 4,0 mil) (7) desoneração
da compra de perfís de aço (redução do IPI de 5%
para zero), além das já adotadas (1) lei das micro e pequenas
empresas (2) reajuste da tabela do IRPF (3) prorrogação da depreciação
acelerada (4) prorrogação da cumulatividade do PIS/COFINS na
construção civil. O Ministro Tarso Genro afirmou que o Conselho
promoverá reuniões nas demais regiões do país,
aprofundando o debate sobre as propostas do PAC, possibilitando correções
necessárias ao ajuste entre a proposição do governo e
as reivindicações da sociedade civil. O Ministro Paulo Bernardo,
ex-deputado federal pelo Paraná, acentuou a importância da reunião
onde foram não apenas examinados os pontos centrais do PAC, como recebidas
as principais reivindicações dos empresários e sindicalistas
para encaminhamento.
Segurança alimentar e nutricional
Face aos resultados positivos de ação social, o governador Roberto
Requião estuda proposta de ampliar e reforçar a estrutura do
setor de segurança alimentar e nutricional da Secretaria do Trabalho,
dentro da proposta apresentada pela sua responsável, a socióloga
Zélia de Oliveira Passos. O organismo realiza a gestão e financiamento
de recursos estaduais e federais destinados ao cumprimento do direito humano à alimentação
regular, em quantidade e qualidade suficientes, em especial à população
vulnerável social e economicamente, promovendo a aplicação
da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional, de setembro
de 2006, que instituiu o Sistema Nacional de Segurança Alimentar. A
importância do setor se revela pelas ações do programa
de compra direta da agricultura familiar, com 9.427 famílias, 1.995
entidades, 1.225.964 pessoas atendidas, 361 projetos aprovados em 203 municípios.
Desenvolve o programa de 127 cozinhas comunitárias, em 95 municípios,
beneficiando 6.350 famílias. Promove ações em 440 hortas
comunitárias, em 246 municípios, com 6.600 famílias beneficiadas.
Implementa o benefício do bolsa-família, atendendo mais de 470
mil famílias/mês, no valor de 858 milhões de reais. Coordena
412 comitês gestores do programa Leite das Crianças, atingindo
523 mil crianças. A produção solidária de alimentos
atende a 218 grupos, beneficiando 4.460 famílias. E assessora o Conselho
Estadual de Segurança Alimentar, tendo sido realizados mais de trinta
eventos regionais e duas conferências.
Repúdio da ABRAT
O presidente da ABRAT Luiz Salvador encaminhou protesto ao presidente da CUT
Artur Henrique, que afirmou: as comissões de conciliação
prévia viraram só um meio para advogados picaretas ganharem dinheiro”(O
Estado de S.Paulo, 12/2). Em sua manifestação, Luiz Salvador
assinala: Ao execrar a advocacia desta forma pública e generalizada,
a CUT está atirando contra aqueles que ajudam os obreiros a receber
os seus direitos, ao invés de atirar contra aqueles que obrigam os obreiros
a ter que recorrer a advogados e ao Judiciário para receber o que lhes é devido”.
TRT-15 mantém protocolo integrado
O TRT-15 adiou para o dia 25.maio.2008 o fim do protocolo integrado, atendendo
a pedido da OAB-SP. “A implantação do processo virtual,
do sistema e-DOC, como definido pelo TST e CNJ, virá, certamente, mas
até ser uma realidade, deve haver um lapso de tempo razoável
para a devida adaptação. O Pleno do TRT-15 mostrou sensibilidade
a esta solicitação da advocacia”, afirmou o juiz Edmundo
Fraga Lopes.
Aposentadoria voluntária
Com base na inconstitucionalidade do § 2.º do artigo 453 da CLT,
declarada pelo STF, a 1.ª Turma do TRT-DF reformou a sentença de
primeiro grau e condenou a Brasil Telecom a pagar multa de 40% do FGTS sobre
todos os depósitos efetuados na conta de ex-empregado aposentado voluntariamente
seis anos antes de sua dispensa imotivada. A empresa havia pago a multa apenas
sobre o saldo remanescente da conta, a qual já havia sofrido saques
por ocasião da compra de um imóvel e da aposentadoria voluntária
do empregado (in, proc. 00290-2006-014-10-00-3, RO).
Dano Moral
“ Não obstante, gera dano moral despedir empregado doente e tão-somente
por essa circunstância objetiva. Com efeito, o fato de estar doente, com
suas funções corporais diminuídas é suficiente para
causar ao trabalhador uma sensível queda em sua auto-estima, em período
em que se encontra mais sensível e fragilizado. É inequívoco
que a Reclamante, ao ser descartada, em período de convalescença,
teve afrontada a sua dignidade como pessoa humana, sendo indiscutível
o abalo emocional sofrido, máxime porque sofrera anteriormente acidente
de trabalho na execução da prestação de serviços.
A indenização decorrente do dano moral, de outra parte, tem o escopo
de, por um lado, compensar a vítima pelo dano sofrido e, por outro, punir
o infrator, que não pode ofender em vão a esfera jurídica
alheia. Emerge desta última também o caráter pedagógico
da indenização que visa coibir condutas da espécie. Diante
de tais circunstâncias, atendida a gravidade da conduta perpetrada pela
Reclamada e a sua capacidade econômica, arbitra-se indenização
por danos morais no valor de R$ 10.000,00”. (da sentença do juiz
Paulo Ricardo Pozzolo, da 8.ª Vara do Trabalho de Curitiba, autos ação
de Edméia Ortiz Xavier e Urbs - Urbanização de Curitiba
S.A.).
Onda
de suicídios na Renault
Sob este título, Andrei Netto, de O Estado de S.Paulo, relata acontecimentos
relacionados com quatro suicídios ocorridos no interior da maior montadora
de automóveis da França, a Renault, o último deles de
um técnico de 38 anos, que seria promovido, explicando em carta seu
ato extremo: “o trabalho é duro demais para suportar”. Diz
o lider sindical Philippe Martinez: “Estamos vivendo um grave problema
de pressão por resultados na Renault, que se manifesta desde os operários
da montadora até os executivos e engenheiros. Tudo tem sido feito sob
alta carga do stress”. Os suicídios estariam ligados ao plano
de desenvolvimento implantado na empresa há mais de ano baseado em metas
e resultados para aprimorar resultados financeiros até 2009, com lançamento
de 27 novos veículos, revertendo a perda de mercado na França
pela montadora (O Estado de S.Paulo, 24/2/7)
ANOTE
De 28 a 30 de maio de 2007 será realizado, em Assunção,
Paraguai, o Congresso Internacional de Direito do Trabalho e Seguridade Social,
organizado pelas Associações de Advogados Trabalhistas do Paraguai
e da Bolívia (informações: e www.aalparaguay.org) ***
O STF, em liminar, admitiu recurso administrativo contra procedimento que visa
a constituição de crédito tributário, sem a obrigação
de realizar o depósito prévio (AC 1566) *** Excelente texto: “A
garantia de identificação das partes nos sistemas para transmissão
de peças processuais em meio eletrônico o modelo da Lei 11.419”,
de Demócrito Reinaldo Filho, juiz da 32.ª Vara Cível do
Recife (in ) *** Inaugurada, em Curitiba, a nova sede do Instituto São
Cristóvão, das Federações dos Rodoviários
e dos Bancários do Paraná. Informações: (41) 30153300.
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal. E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de março de 2007 | Brasil
Brasil pode ganhar mais de 600 novas
cidades
País tem 5.565 municípios
e pode ganhar outros 619 se Congresso aprovar proposta. Autor,
senador Sérgio Zambiasi diz não acreditar em "farra" de
emancipações
por G1/GLOBO.COM
O Brasil pode ganhar pelo menos
619 novas cidades, segundo levantamento do G1, se o Congresso aprovar
a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 13,
que devolve aos estados a competência para legislar sobre a criação
e emancipação de municípios.
De acordo com o levantamento,
resultado de consulta às assembléias legislativas, Rio
Grande do Sul (124), Bahia (112), Maranhão (101), São Paulo
(54), Mato Grosso (45), Ceará (34), Pará (26), Goiás
(22), Amazonas (18), Espírito Santo (15), Pernambuco (12) e Santa
Catarina (11) estão entre os estados com mais áreas que
pretendem se emancipar dos municípios às quais pertencem.
O número de projetos nos
estados pode ser ainda maior, já que algumas assembléias
não contabilizam os pedidos de emancipação, como
no caso do Legislativo mineiro.
O senador Sérgio Zambiasi
(PTB/RS), que apresentou a PEC 13/2003, disse ao G1 que objetivo é encontrar
instrumentos legais que impeçam abusos.
“Não queremos que
a lei vire instrumento da farra, pois, com isso, nós não
concordamos.”
Para o senador gaúcho,
quando se fala em 500 ou mais novos municípios, o número
acaba assustando.
“No caso de 500 emancipações,
isso implicaria 500 novos prefeitos, 500 vice-prefeitos e mais de 4 mil
vereadores. Se você passar a considerar esse orçamento todo,
eu diria que nem passa”, afirmou.
Porém, Zambiasi destaca
que a PEC determina critérios mínimos para a emancipação.
Por exemplo, a área que desejar se emancipar deverá ter
uma população superior a 3 mil habitantes (Norte e Centro-Oeste)
e 4 mil para as demais regiões do país.
Tramitação
De acordo com o senador do PTB
gaúcho, “a proposta já passou por todas as comissões
no Senado e estava em condições de ser votada pelo plenário
do Senado. Porém o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentou
três requerimentos”.
O petista apresentou requerimentos
aos ministérios da Fazenda, da Integração Nacional
e das Cidades acerca dos possíveis impactos nas finanças
públicas, no desenvolvimento regional e nacional e na gestão
dos serviços públicos, respectivamente.
"Essas informações
que eu solicitei às três áreas dos ministérios
podem nos dar mais elementos para a decisão, ou mesmo colocar
alguns critérios adicionais que possam justificar mais adequadamente
a criação de novos municípios", afirmou Suplicy,
em entrevista ao G1.
Segundo Suplicy, "é preciso
avaliar se a criação de novos municípios ou desmembramentos
de municípios representa de fato uma melhoria de bem-estar para
a população das novas áreas criadas e também
para as já existentes".
O senador gaúcho evitou
fazer uma previsão sobre quando a PEC irá a plenário
no Senado. “Havia uma expectativa de que fosse votada em março
ou mais tardar em abril, mas, a partir desses três requerimentos
do Suplicy, vamos ter que aguardar”, afirmou.
Zambiasi defende a emancipação
como ferramenta de desenvolvimento regional. “Sem nenhuma dúvida,
os estados mais desenvolvidos, com maior PIB e IDH (Índice de
Desenvolvimento Humano), são aqueles que têm mais municípios”,
disse o senador.
Atualmente, o país conta
com 5.565 cidades e pode ultrapassar os 6 mil com a aprovação
da PEC nº 13, já que, segundo a União Nacional dos
Legislativos Estaduais (Unale), há muitas comunidades em condições
de se tornarem independentes.
Benefícios
“As assembléias
estão mais próximas dos municípios e têm melhores
condições de analisar um pedido de emancipação
do que a Câmara. A criação de municípios traz
mais benefícios do que prejuízos”, disse o deputado
estadual e presidente da Unale, Liberman Moreno (PHS-AM).
“Nos estados do Norte,
em especial o Amazonas, há necessidade de desenvolvimento das
comunidades do interior. Os municípios-mãe são muito
grandes e não têm condições de atender às
necessidades da população. A conseqüência disso é o êxodo
rural”, acrescentou Liberman.
Até 1996, os estados podiam
legislar sobre as emancipações municipais, mas a prerrogativa
foi retirada pela emenda constitucional 15/96, que buscou frear o “boom” de
novos municípios verificado nos primeiros anos da década
de 90.
Segundo o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil contava com 4.491
municípios em 1990, contra 5.507 em 1997 (aumento de 22,62% no
período).
Desde 1997, surgiram no país
outros 57 municípios, de acordo com o IBGE. Para a Associação
Gaúcha de Áreas Emancipandas e Anexandas (Agaea), após
a aprovação da emenda constitucional 15/96, apenas 25 municípios
foram criados. Os demais (a diferença em relação
ao número do IBGE) já tinham conseguido o direito, mas
tiveram a emancipação oficializada depois de 1996.
Para o presidente da Agaea, Ederaldo
de Araújo, a emancipação melhora a auto-estima do
cidadão. "Ele vai ter o poder público administrativo
mais próximo dele, e o atendimento público (saúde,
educação) vai melhorar. Além disso, a emancipação
evita o êxodo rural", disse Araújo.
Contrário à PEC
O senador Álvaro Dias
(PSDB-PR) é contra a aprovação da PEC 13/03. "Eu
já fui governador de estado e verifiquei que, em determinados
casos, há irresponsabilidade na criação de novos
municípios”, disse o tucano ao G1.
Na avaliação do
senador do Paraná, a emancipação pode trazer muitos
prejuízos para o município-mãe. "Há casos
em que o município novo criado leva vantagem, mas o prejuízo é do
município matriz, que diminui sua receita, mas sem diminuir sua
despesa", afirmou Dias.
O senador tucano teme que possa
ocorrer um "boom" de emancipações no país
se a PEC 13/03 for aprovada. "Eu temo que cresça muito o
número de municípios. Como conseqüência, o número
maior de prefeitos e de vereadores vai aumentar a despesa pública
sem necessidade".
Álvaro Dias também
defendeu a atual legislação, em que a competência
para criar novos municípios é do Congresso. "As
exigências atualmente estabelecidas são suficientes para
conter um pouco o processo irresponsável de criação
de municípios", disse ele ao G1.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de março de 2007 | Economia
Inflação de fevereiro
foi pontual e concentrada em reajuste de mensalidades escolares
por VALOR ONLINE/O GLOBO ONLINE
A inflação de fevereiro
medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)
foi pontual, devido aos reajustes das mensalidades escolares, avaliou
a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos. "A
inflação de fevereiro foi altamente concentrada e pontual
nos colégios. Mais da metade da taxa se explica pelo grupo Educação",
afirmou. O IPCA ficou em 0,44% em fevereiro, na mesma taxa registrada
em janeiro. O ramo Educação, com alta de 3,48%, contribuiu
com 0,24 ponto percentual na variação do índice.
Segundo Eulina, os reajustes
escolares, ainda que referenciados por índices de preços,
mostram uma tendência de desaceleração. " A
educação é um dos poucos itens que ainda traz a
inflação passada, mas que está diminuindo " ,
comentou. No primeiro bimestre de 2007, os gastos com educação
subiram 3,56%, após registrarem incremento de 6,24% no mesmo período
do ano passado. No primeiro bimestre de 2005, a inflação
do grupo ficara em 7,16%.
Segundo a coordenadora do IBGE,
os alimentos também deram a sua contribuição para
a alta de preços em fevereiro. Por conta da continuidade das chuvas,
a oferta e a qualidade de produtos in natura foram afetados, causando
uma pressão sobre os preços. Os alimentos subiram 0,78%
em fevereiro, após elevação de 0,84% no mês
anterior.
Embora o IPCA acumulado
em 12 meses tenha apresentado ligeiro aumento, passando de 2,99% em
janeiro para 3,02% no mês passado, Eulina analisa que a trajetória
da inflação não mudou. "Os preços
estão com comportamento bastante adequado, não há nenhum
salto, nenhuma surpresa", observou.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de março de 2007 | Economia
Fortunas no Brasil cresceram acima
da média mundial
por BBC/O GLOBO ONLINE
Enquanto a economia do Brasil
cresceu abaixo da média mundial em 2006, aumentou a participação
brasileira na lista de bilionários da revista "Forbes",
divulgada nesta quinta-feira (08/03). O número de brasileiros
listados pela publicação passou de 16, em 2005, para 20,
no ano passado, e a fortuna do seleto grupo chegou a US$ 46,2 bilhões
, 38% a mais que os US$ 33,5 bilhões contabilizados em 2005. O
crescimento da fortuna total de brasileiros na lista foi maior do que
o do patrimônio de todos os bilionários classificados pela "Forbes".
Em 2006, o patrimônio de
todos os bilionários da lista cresceu 35% , atingindo US$ 3,5
trilhões. No mesmo período, estima-se que a economia mundial
registrou expansão de 5%.
O banqueiro Joseph Safra continua
como o brasileiro mais rico, em 119º lugar na lista da "Forbes",
com US$ 6 bilhões de patrimônio. Mas a produção
de álcool já está fazendo bilionários no
Brasil. O usineiro Rubens Ometto, conhecido como Binho, do grupo Cosan,
aparece como o oitavo brasileiro mais rico, com uma fortuna estimada
em US$ 2 bilhões. Ometto está empatado com o banqueiro
Carlos Alberto Sucupira (GP Investimentos) e à frente de nomes
conhecidos como Abílio Diniz (Pão de Açúcar),
Júlio Bozano e família Steinbruch (grupo Vicunha-Companhia
Siderúrgica Nacional).
Nascido em Piracicaba, Ometto
(488º lugar no ranking geral da "Forbes") assumiu o comando
do grupo Cosan em 1986. Sua ambição é liderar a
consolidação do setor sucro-alcooleiro, atualmente em evidência
com a perspectiva de o Brasil ser um grande produtor e exportador de
etanol. O Cosan fatura atualmente R$ 2,5 bilhões e gera 37 mil
empregos diretos com a moagem, por ano, de 28 milhões de toneladas
de cana-de-açúcar.
O segundo brasileiro mais rico
segundo a "Forbes" é Jorge Paulo Lemann (GP Investimentos,
com US$ 4,9 bilhões). Os demais são Aloysio Faria (ex-dono
do Banco Real), Antonio Ermírio de Moraes (Votorantim), Moise
Safra (Banco Safra) e Liu Ming Chung (US$ 2,4 bilhões). Nascido
em Taiwan, ele cresceu no Brasil e é casado com a mulher mais
rica da China, Zhang Yin, dona da maior fabricante de contêineres
daquele país.
Aparecem ainda na lista da "Forbes" os
co-presidentes da Natura, Guilherme Leal e Antonio Luiz Seabra, que aumentaram
sua fortuna e hoje possuem US$ 1,5 bilhão e US$ 1,6 bilhão,
respectivamente. Outros são a família Constantino (donos
da Gol) e Elie Horn (Cyrela Brazil Realty).
O empresário latino-americano
mais rico da lista continua sendo Carlos Slim, da Telmex, dono de uma
fortuna de US$ 49 bilhões. Ele é o terceiro da lista geral,
que tem ainda o indiano Lakshmi Mittal (Mittal Steel) em quinto, com
US$ 32 bilhões.
Slim está no Brasil com
investimentos na Embratel e parte do capital da Net e da operadora de
telefonia móvel Claro. O fundador da Microsoft, Bill Gates (US$
56 bilhões) continua, pela 13ª vez consecutiva, sendo o homem
mais rico do mundo. O segundo é o megainvestidor Warren Buffett
(US$ 52 bilhões).
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VERMELHO.COM, 11 de março
de 2007
Colômbia é o país
mais perigoso do mundo para trabalhadores
Mais de 800 líderes sindicais
foram assassinados nos últimos seis anos na Colômbia. Em
2006, foram 58. As principais centrais sindicais do país registram
ainda outros 500 casos de intimidação, ameaças e
perseguição aos trabalhadores.
Os números colocam o país
no topo da lista negra da OIT, apesar de o presidente Alvaro Uribe prometer,
em todo 1º de maio, que a Colômbia terá, um dia, orgulho
de não ter nenhum líder sindical morto.
As centrais sindicais, no entanto,
acusam o próprio governo de estar por trás dos assassinatos.
Algumas delas foram à Organização dos Estados Americanos
denunciar autoridades colombianas que teriam pago a paramilitares, militantes
de direita, para matarem trabalhadores envolvidos com o movimento sindicalista.
"Os casos são uma
controvérsia para um país que deseja assinar um tratado
de livre comércio", explica Thea Flee, diretor em Washington
da Federação Americana de Trabalho e Congresso de Organizações
Industriais, união de sindicatos internacionais que reúne
nove milhões de trabalhadores.
As ameaças mais freqüentes
ocorrem contra empregados de áreas rurais, onde trabalham em péssimas
condições e com o poder nas mãos de milícias.
Este foi o caso de três mineiros mortos em 2001. Eles trabalhavam
para a Drummond, uma companhia de carvão norte-americana com filial
na Colômbia, e foram assassinados quando desciam do ônibus
da empresa. Na segunda-feira passada, um juiz do Alabama autorizou a
abertura de um processo civil contra um representante da empresa baseado
em Birmingham acusado de envolvimento nas mortes.
O diretor de direitos humanos
da CUT colombiana, Leonardo Cabana, considera vergonhosa a demora para
a solução de casos como o dos mineiros e lembra de Jorge
Abril Parra, assassinado com dois tiros na cabeça no ano passado
quando ia para o trabalho. Depois da morte, 25 trabalhadores da companhia
de metal para a qual trabalhava aceitaram uma oferta de aposentadoria.
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JORNAL ÚLTIMO SEGUNDO,
10 de março de 2007
Construção aguarda ‘um
ano forte’
A indústria brasileira
de materiais de construção prepara-se para um ano histórico.
Embalada pela redução e isenção do IPI de
41 produtos e pelas medidas de incentivo a habitação, infra-estrutura
e saneamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),
a indústria de materiais básicos e de acabamento afirma
que já ganhou impulso suficiente para crescer pelo menos 8% este
ano.
" Será um ano forte, depois de outro ano bom em vendas. Em 2006,
a indústria já sentiu uma recuperação : cresceu 6,35%
ante 2005", explica Melvyn David Fox, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
Os dados fazem parte do Índice Abramat, desenvolvido pela USP e considerado
o novo termômetro da construção civil brasileira.
Um sinal de confiança
foi visto ontem, em São Paulo, durante o lançamento da
15ª edição da Feicon, que começa na próxima
terça-feira, no Anhembi. Será a maior feira já montada
pelo setor. Lá estarão 650 expositores, que tomarão
todos os 78 mil metros quadrados do pavilhão de exposições.
O volume de negócios pode atingir R$ 350 milhões, um recorde.
A indústria de materiais
de construção representa 3% do Produto Interno Bruto (PIB)
e faz parte do chamado construbusiness, responsável por 13% do
PIB. Esse setor pretende assegurar metade do crescimento de 5% almejado
pelo governo nos próximos quatro anos.
Segundo lideranças do
setor, 2,4% do crescimento do PIB brasileiro nos próximos anos
sairão da construção civil. "É um compromisso
forte, que o setor vai cumprir", diz Claudio Elias Cruz, presidente
da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de
Construção (Anamaco).
O varejo reafirma o entusiasmo.
Depois de apurar crescimento de 5,5% nas vendas em 2006, acredita que
poderá superar os 8% neste ano. Além das obras de infra-estrutura
e saneamento, há, explica Cruz, o pequeno consumo, que representa
70% do consumo de materiais no País. O investimento em habitação
de interesse social, previsto no PAC, deve alimentar ainda mais o pequeno
consumo.
A indústria de materiais
de construção garante que o aumento de demanda não
virá acompanhado da inflação. "O BC pode
manter a queda dos juros. A indústria vai garantir a oferta
sem elevar preços", assegura Fox, da Abramat.
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NCST, 12 de março
de 2007
Criação de empregos nos
EUA é a menor em dois anos
A economia americana gerou 97 mil empregos em fevereiro, menor nível
de expansão do mercado de trabalho desde janeiro de 2005. Já os
resultados de dezembro e janeiro foram revistos para cima. Os dados foram divulgados
nesta sexta-feira pelo Departamento do Trabalho.
O número de postos de
trabalho criados em janeiro ficou em 146 mil (contra 111 mil do resultado
preliminar), e o de dezembro, em 226 mil (contra 206 mil da estimativa
inicial).
Já a taxa de desemprego
no país ficou em 4,5% no mês passado e os salários
por hora tiveram um aumento de 0,4% na comparação com janeiro
(4,1% se comparado a fevereiro de 2006) --ficaram em US$ 17,16.
Os 97 mil empregos criados no
mês passado ficaram perto, mas abaixo, da expectativa dos analistas,
que previam a abertura de 100 mil vagas. O resultado sobre o desemprego
e o aumento dos salários por hora também superaram as previsões
(4,6% e 0,3% respectivamente).
Segundo analistas, os dados
divulgados hoje mostram que a economia americana mantém um ritmo
moderado mas saudável, atenuando os temores de que a desaceleração
esteja se intensificando --o PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA teve
crescimento (anualizado) de 2,2% no quarto trimestre do ano passado,
o que foi visto a princípio como um sinal de desaquecimento
econômico.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
12/03/2007
TST nega incorporação de prêmio-produção
suprimido por acordo
O acordo coletivo, sendo um instrumento
do qual as partes podem se valer para regulamentar as relações
de trabalho, deve ser respeitado, conforme prevê a Constituição
Federal. Com base neste fundamento, a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em processo relatado pelo ministro Gelson de Azevedo, deu
provimento a recurso de revista da Volvo do Brasil Veículos Ltda.,
isentando-a de incorporar ao salário de um ex-empregado o chamado “prêmio-produção”,
suprimido em acordo coletivo celebrado em 1995 entre a empresa e seus
funcionários.
O prêmio-produção
foi pago pela Volvo, mensalmente, entre março de 1993 e janeiro
de 1995. A interrupção do pagamento coincidiu com a vigência
do acordo de participação nos resultados, pelo qual os
empregados concordaram expressamente em não reivindicar qualquer
parcela adicional, sob qualquer pretexto ou título, tais como
prêmio-produção, gratificação por objetivos,
abonos etc. O trabalhador foi admitido pela Volvo em 1989, como pintor,
e demitido em 1995.
A incorporação
da parcela foi determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região
(Paraná), sob o entendimento de que “o instrumento da negociação
terminou por ferir direito que o trabalhador agregou a seu patrimônio
durante a execução do contrato”. O Regional concluiu
que a supressão foi prejudicial ao trabalhador, mesmo com a instituição
da participação nos resultados, já que esta última
estava condicionada à existência de lucros, enquanto a anterior
era paga regularmente pelo empregador.
A Volvo recorreu então
ao TST contra a incorporação, argumentando que o acordo,
decorrente de negociação coletiva, deveria ser respeitado.
O ministro Gelson de Azevedo deu razão à empresa. “A
partir da promulgação da Constituição, foi
permitida a inserção, no âmbito da negociação
coletiva, do princípio da flexibilização do trabalho”,
observou. Citando o artigo 7º, incisos VI, XIII, XIV e XXVI, o relator
afirmou que “na atual Constituição se ressalta a
importância das negociações coletivas de trabalho,
e a Justiça do Trabalho tem primado por incentivá-las e
por garantir seu cumprimento, desde que devidamente formalizadas”.
A suposta existência
de prejuízo ao trabalhador em decorrência do acordo coletivo,
lembrou o ministro, “só poderia ser determinada pelo conjunto
das cláusulas normativas, amplamente debatidas pela categoria
profissional, e não cláusula a cláusula, isoladamente
consideradas”. (RR 9472/2002-900-09-00.2)
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12/03/2007
União arca com perícia em
favor de beneficiário de justiça gratuita
Ainda que não figure como
parte, a União deve arcar com o pagamento de honorários
periciais em processo trabalhista em que a parte vencida (ou sucumbente) é beneficiário
da justiça gratuita. A decisão foi adotada pela Terceira
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em processo oriundo do Tribunal
Regional do Trabalho da 24ª Região (Mato Grosso do Sul).
O relator foi o ministro Alberto Bresciani. Na ação trabalhista
ajuizada por um ex-empregado contra a empresa Friboi, a Justiça
do Trabalho negou o pagamento de adicional de insalubridade ao reclamante.
Ocorre que, durante a tramitação
do processo, foi realizada perícia técnica para dirimir
o litígio e, sendo a parte perdedora beneficiária da justiça
gratuita, o TRT/MS atribuiu à União a responsabilidade
pelo pagamento dos honorários periciais. Após questionar
a condenação, sem êxito, mediante embargos de declaração
perante o Regional, a União ingressou com recurso de revista junto
ao TST, visando eximir-se da obrigação do pagamento dos
honorários, sob a alegação de não constar
como parte da ação trabalhista.
O relator do processo no TST,
ministro Alberto Bresciani, negou provimento ao recurso e manteve a decisão
regional. Em seu voto, Bresciani referiu-se o artigo 5º da Constituição
Federal, “que preceitua que ‘o Estado prestará assistência
jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência
de recursos’, assegurando-se ao necessitado a realização
da prova técnica indispensável à averiguação
do direito controvertido”.
Para o ministro, no âmbito
da Justiça do Trabalho, “sucumbente o beneficiário
da assistência judiciária gratuita quanto à pretensão
do objeto da perícia, incumbe ao Estado, por meio da União,
o pagamento dos honorários periciais”. Referindo-se a precedentes,
o relator citou decisões da Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST, que, por sua vez, seguiu
orientação do Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema.
O voto do ministro Alberto Bresciani foi seguido, por unanimidade, pelos
demais integrantes da Terceira Turma do TST. (RR 1585/2004-001-24-00.2)

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