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NCST, 15 de março
de 2007
Governo prepara MP para substituir
emenda nº 3 da lei que cria a Super Receita
O Planalto deve editar uma MP
(medida provisória) regulamentando a constituição
das empresas formadas por uma só pessoa --as chamadas PJs (pessoas
jurídicas). O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais)
disse hoje ao deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), que
a MP vai compensar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à emenda
3 do projeto de lei que cria a Super Receita.
"O ministro [Tarso Genro,
das Relações Institucionais] disse que já existe
uma equipe técnica trabalhando para fazer MP para regulamentar
o trabalho PJ", afirmou Paulinho.
Incluída no texto da Super
Receita, a emenda 3 retira dos auditores da Receita Federal a atribuição
de definir se a relação de uma pessoa com uma determinada
empresa é trabalhista ou empresarial. Dessa forma, eles ficam
impedidos de multar empresas formadas por uma só pessoa.
Hoje, um auditor pode considerar
a relação dessa empresa com sua contratante como trabalhista.
Se a emenda não for vetada, os auditores só poderão
aplicar a multa caso haja uma decisão judicial que estabeleça
que a relação existente entre as duas empresas é de
trabalho.
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JORNAL DO ESTADO, 14 de março
de 2007
Super Receita
Maifestantes protestaram com faixas contra
nova Lei


Um protesto contra a lei que limita a atuação dos auditores do
trabalho na fiscalização das empresas reuniu mais de 350 pessoas,
ontem, em Curitiba, à frente da Delegacia Regional do Trabalho (DRT).
A manifestação contou com representantes de centrais sindicais,
federações, sindicatos de trabalhadores de diversas categorias
profissionais e entidades que representam os auditores fiscais do trabalho.
Segundo os manifestantes a emenda
3, que faz parte da Lei que cria a Super Receita, impede que os fiscais
do trabalho, da previdência e da receita federal fiscalizem o registro
em carteira. Isso daria margem para que os empregados sejam contratados
como autônomos pelas empresas, que por sua vez, poderiam se “ver
livres” de encargos como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), 13º salário, férias, entre outros direitos
trabalhistas.
A emenda diz ainda que o auditor
fiscal só poderá entrar em ação depois que
o trabalhador entrar com uma ação judicial contra a empresa
e a Justiça reconhecer o vínculo empregatício no
julgamento. Nesse caso, o problema seria a demora da sentença
em sair, o que poderia levar anos, e que durante esse período,
os patrões poderiam continuar desrespeitando as leis trabalhistas
sem serem punidos. Além disso, esse sistema poderia congestionar
ainda mais a Justiça do Trabalho.
A lei, que já foi aprovada
no Congresso Nacional por deputados e senadores, agora está nas
mãos do presidente Lula, que poder sancioná-la ou vetá-la.
Os manifestantes exigiram o veto imediato dessa medida. Só em
2006, quatro milhões de brasileiros tiveram registro em carteira
depois da fiscalização dos auditores da DRT. Todos eles
teriam que recorrer à Justiça para ter o benefício
respeitado.
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AGÊNCIA DIAP, 15 de
março de 2007
Salário Mínimo
Comissão especial do piso nacional
define agenda de trabalhos
A comissão especial destinada
a proferir parecer sobre o projeto de lei (PL 01/07), do Executivo, que "dispõe
sobre o valor do salário mínimo a partir de 2007 e estabelece
diretrizes para a sua política de valorização de
2008 a 2023", definiu sua agenda de trabalho e escolheu o seus vices
presidentes.
O colegiado escolheu como presidente
o deputado Júlio Delgado (PSB/MG), como primeiro, segundo e terceiro
vice respectivamente ficaram os deputados; Paulinho da Força (PDT/SP), Íris
de Araújo (PMDB/GO) e Filipe Maia (PFL/RN).
A relatoria da matéria
ficou com deputado Roberto Santiago (PV/SP). Confira a agenda de trabalhos
do colegiado:
Dia 20/03/07 – 3ª feira,
14h
Audiência Pública com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho; e
o senador Paulo Paim (PT/RS)
Dia 20/03/07 – 3ª feira,
15h
Audiência Pública com CUT, CGT, CGTB, CAT, SDS, Força Sindical
e NCST
Dia 22/03/07 – 5ª feira,
9h30
Audiência Pública com CNI, CNC, CNM
Dia 27/03/07 – 3ª feira,
14h
Discussão e votação do parecer do relator
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CONGRESSO EM FOCO, 15 de
março de 2007
Reforma vira caixa de marimbondo
Nem governo nem parlamentares se arriscam
a mexer em texto que prevê autonomia e liberdade sindical
Edson Sardinha e Olívia Renault
Considerada pelo presidente Lula
pré-condição para promover a reforma trabalhista,
a reformulação do sistema sindical brasileiro virou uma
verdadeira caixa de marimbondo, da qual quase todos têm buscado
distância.
Apesar do apelo feito recentemente pelo Ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
de que o governo precisa retomar as discussões sobre a reforma sindical,
o presidente já avisou a parlamentares ligados ao assunto que não
pretende se envolver tão cedo na disputa. “O presidente acredita
que as divergências devem ser resolvidas entre as classes interessadas”,
conta o deputado Maurício Rands (PT-PE), relator da Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 369/05, que trata do assunto.
Enviada há dois anos para a Câmara, após exaustivo debate
entre governo e entidades trabalhistas e patronais sobre a reformulação
do modelo sindical, a proposição não agradou ao governo
nem às duas únicas centrais sindicais que se puseram, de início,
favoráveis aos termos da reforma: a Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e a Força Sindical.
A idéia inicial era ajustar o direito sindical brasileiro aos princípios
estipulados na Convenção 87 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que garante a liberdade e a autonomia sindical. Ratificada
por 187 países, a Convenção 87 se converteu no mais antigo
esqueleto legislativo do Congresso Nacional.
Mofando há 58 anos nas gavetas do Congresso, é a proposta que
tramita há mais tempo no Congresso. Encaminhada pelo ex-presidente Eurico
Gaspar Dutra, em 1949, a mensagem que ratificava a convenção
só foi aprovada pelos deputados em 1984. Desde então, aguarda
a deliberação dos senadores. Em conversa com parlamentares favoráveis à confirmação
do acordo, Lula disse que cabe aos sindicalistas pressionar o Senado a desengavetá-la.
Mas boa parte do movimento alega que é melhor que ela fique por lá mesmo.
Antes do soneto, a emenda
O problema é que a Convenção 87 não é compatível
com o texto da Constituição de 1988. O texto constitucional determina
que deve haver apenas um sindicato por categoria em cada base territorial,
a chamada unicidade sindical. A Convenção, porém, garante
pluralidade sindical, ou seja, torna livre a associação sindical.
Com a emenda da reforma sindical, o governo pretendia abrir caminho para a
ratificação do acordo a fim de, num segundo momento, aprofundar
as discussões sobre a reformulação da legislação
trabalhista – exigida pelos empregadores, por um lado, e combatida pelos
sindicalistas, na outra ponta.
Na prática, a Convenção 87 estabelece a independência
dos sindicatos em relação ao governo, a extinção
da contribuição compulsória e garante ao empregado liberdade
para escolher o sindicato no qual quer se filiar. No atual sistema, de unicidade
sindical, só é permitida a criação de uma entidade
sindical por categoria em cada região. Além disso, os trabalhadores
são obrigados a pagar um imposto, correspondente a um dia de trabalho
por ano, para sustento do sindicato.
As mudanças são polêmicas e dividem frontalmente os sindicalistas.
Enquanto alguns vêem nelas a pulverização e o aniquilamento
do movimento sindical, outros as enxergam como única saída para
tornar as entidades mais representativas e acabar com os sindicatos de fachada.
Esses conflitos se afloraram no Fórum Nacional do Trabalho (FNT), instância
criada pelo governo para formatar, com empregados e patrões, a reforma
sindical. Foi de lá que saiu a PEC 369. Representantes de diversas representações
sindicais abandonaram o FNT, criticando a incorporação dos princípios
da Convenção no texto final.
Liberdade, mas nem tanto
Mas, segundo especialistas no assunto, essas divergências e o recuo do
governo em alguns pontos produziram uma proposta, no mínimo, contraditória. “Todos
abrimos mão de um pedaço de nossa opinião”, admitiu
o então ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, ao entregar a proposta
ao então presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), em
março de 2005.
Em seu artigo 80, por exemplo, a PEC determina que fica “assegurada a
liberdade sindical”. Mas, logo à frente, limita essa liberdade
ao estabelecer que “somente o sindicato regularmente reconhecido pelo
Estado tem direito de representação legal”, observa Paulo
Aguena, da Direção Nacional do PSTU, no site do partido.
A restrição, diz ele, contraria o artigo 20 da Convenção
87, que prevê que “trabalhadores e empregadores, sem distinção
de qualquer espécie, terão direito de constituir, sem prévia
autorização, organizações de sua própria
escolha”.
Em outro dispositivo, a PEC acaba com a unicidade sindical, prevista na Constituição
como requisito para a criação de sindicatos, e estabelece a pluralidade
sindical. Mais adiante, no entanto, ela limita essa pluralidade ao exigir que
o sindicato deve se filiar a outras entidades de distintos níveis, categorias
ou ramos de atividade. Limitação que, segundo analistas, colidem
com a Convenção da OIT.
Obstáculos para a reforma
Para o relator da PEC da reforma sindical, as divergências relativas à unicidade
sindical e à contribuição obrigatória para custeio
do sistema são os principais motivos para o engavetamento da proposta. “Na época,
o período entre o FNT e a data de apresentação do projeto
na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), empregadores
e trabalhadores desfizeram o acordo, e eu nem pude relatar a PEC”, lembra
Maurício Rands.
A proposta acaba com a contribuição sindical, que mantém
financeiramente a maioria dos sindicatos. Ela seria substituída pela
Contribuição de Negociação Coletiva, que dependerá de
aprovação em assembléia geral e corresponderá a
até 1% dos rendimentos líquidos obtidos no ano anterior. Atualmente,
o imposto sindical incide sobre um dia de salário ao ano, o que representa
0,25% do rendimento anual do trabalhador.
Para Rands, as discordâncias entre os próprios sindicalistas,
muitos dos quais vinculados a partidos políticos (leia mais), inviabilizam
hoje o avanço da proposta. Como exemplo, ele cita o entrave entre a
tendência majoritária da CUT e a Confederação Geral
de Trabalhadores (CGT) a respeito do imposto sindical.
Enquanto a cúpula da Central Única é a favor da extinção
gradual da contribuição, a CGT luta para mantê-lo, alegando
que os sindicatos poderão ficar dependentes do empresariado com a mudança.
“ Apoiamos o fim do imposto que acaba servindo para sustentar um monte
de pelego que existe na entidade sindical”, justifica Rejane Pitanga, diretora
da CUT-DF. A presidente acredita que sem o imposto “só sobreviverá no
ramo quem tiver o apoio dos trabalhadores sindicalistas”.
Já o especialista em normas da OIT Christian Ramos acredita que o fim
da contribuição compulsória deixará o trabalhador
livre para contribuir ou não para o sindicato que ele julgar que, de
fato, o represente.
Choque de visões
A proposta também opõe boa parte dos chamados sindicatos de base,
aos quais o trabalhador se filia, e as centrais sindicais, que reúnem
as federações e as confederações. Elas querem ser
reconhecidas, legalmente, para poderem negociar acordos em nome de seus associados.
Muitos dos sindicatos alegam que a iniciativa dá “superpoderes” às
centrais. A mudança não foi contemplada na PEC 369, mas tratada
por medida provisória derrubada no Congresso no final do ano passado.
Como o reconhecimento proposto pelo governo não garantia a integração
das centrais à atual estrutura sindical, deixando-as de fora da partilha
dos recursos obtidos anualmente com o imposto sindical, elas mesmas apoiaram
a derrubada do texto. A promessa do governo é de que a discussão
será retomada em breve.
Mesmo com as divergências entre as entidades, a diretora da CUT-DF minimiza
as instâncias da discussão e atribui ao conservadorismo dos parlamentares
o engavetamento da PEC 369/05 e da Convenção 87. “O projeto
não é debatido porque os empresários, os grandes interessados
em manter o recebimento do imposto sindical, têm maior representação
no Congresso”, conclui.
Outra polêmica gira em torno da pluralidade sindical, princípio
central do acordo da OIT. Enquanto a CUT defende a constituição
de um sindicato por categoria para cada base territorial, os críticos
da proposta acreditam que a substituição do sistema de unicidade
significa enfraquecimento da organização sindical, já que
várias entidades veriam o seu caixa minguar.
Também é usado o argumento de que a pluralidade pode detonar
uma verdadeira explosão de sindicatos atrelados a empregadores, políticos,
partidos e até mesmo religiosos, muito pouco preocupados com os direitos
do trabalhador. Atualmente, o país tem cerca de 16 mil sindicatos reconhecidos.
Com cerca de 50 milhões de habitantes a menos que o Brasil, o Japão,
que já assinou a Convenção 87 da OIT, reúne 70
mil sindicatos.
Concorrência
Defensor da reforma sindicalista há mais de 30 anos, o professor da
USP José Pastore, consultor da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), concorda com o fim do imposto e da unicidade sindical.
Segundo Pastore, a contribuição obrigatória dá origem à proliferação
de sindicatos sem representatividade, interessados apenas na receita.
Para ele, a unicidade também está diretamente ligada à falta
de qualidade das entidades. “Com a pluralidade, cria-se uma concorrência
entre as entidades e, conseqüentemente, mais qualidade de trabalho aos
empregados”, explica.
Mas o consultor da CNI critica o poder dado às entidades sindicais para
acionar empresas em nome de seus representados sem necessidade de autorização
deles. O professor define como “ousada” a criação
de uma comissão de empregados, eleita pelos sindicatos, para atuar em
determinados locais de trabalho.
“ São duas medidas poderosas que, se mal usadas, podem desequilibrar
as relações do trabalho e a intenção é equilibrar”,
afirma. “A reforma deve servir de conciliador entre as cúpulas e
bases e não uma disputa de poder”, completa.
Entre outras mudanças, a PEC acaba com o poder normativo da Justiça
Trabalhista e o dissídio coletivo e institui a representação
dos trabalhadores nos locais de trabalho, à qual Pastore se refere.
Base
dividida
A reforma sindical divide a base governista, inclusive o próprio PT.
Um dos petistas mais identificados com o movimento sindical, o senador Paulo
Paim (RS) é um dos principais opositores à aprovação
da proposta. Paim assinou, inclusive, uma moção de apoio ao projeto
de lei apresentado também há dois anos pelo ex-deputado Sérgio
Miranda (PDT-MG), elaborada a partir das sugestões do Fórum Sindical
dos Trabalhadores (FST), dissidência do FNT.
Em sua apresentação,
o texto recebeu apoio de 199 senadores e deputados, inclusive a do presidente
do PMDB, Michel Temer (SP). “A reforma sindical já é a
reforma trabalhista. Ao considerar que os acordos têm o mesmo poder
do sistema legal, essa proposta de emenda constitucional diz claramente
que o negociado se sobrepõe ao legislado. O resto será detalhe”,
acusou Miranda, em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco na apresentação
da proposta do governo (leia).
O projeto de Miranda não
altera a estrutura sindical vigente, mas regulamenta 17 dispositivos
relacionados aos direitos dos trabalhadores ou dos sindicatos, previstos
na Constituição. O texto mantém a cobrança
do imposto sindical e a proibição de existência de
mais de um sindicato por categoria na mesma base territorial.
Os críticos da reforma
sindical alegam que a proposta do governo dá superpoderes às
centrais sindicais, estimula o plurisindicalismo e fortalece a participação
dos empregadores nas negociações coletivas, em detrimento
dos sindicatos de base. O texto permite, por exemplo, que as entidades
sindicais de cúpula (centrais ou confederações)
negociem diretamente com os empregadores, mesmo sem a participação
do sindicato da categoria.
“É uma concepção
liberal na relação entre trabalhador e patrão. Hoje
toda nossa concepção jurídica é de que o
trabalhador é hipossuficiente em relação ao patrão,
ou seja, é a parte mais débil entre os dois. A estrutura
legal existe para dar uma proteção ao trabalhador. Isso
tudo será superado”, criticou Miranda.
Regulamentação de greve
Enquanto o futuro da reforma
sindical não se define, o governo prepara o envio ao Congresso
de uma mensagem para ratificar outra antiga convenção da
OIT, a 151, de 1978, que “regulamenta a negociação
coletiva no serviço público”. A Constituição
garante o direito de fazer greve do servidor público "na
forma da lei". Como esse dispositivo nunca foi regulamentado, há interpretações
diversas sobre as paralisações, desde que não é permitido
até a que permite paralisação total.
O governo quer definir limites
para que, em caso de greve, um percentual dos servidores tenha que comparecer
ao trabalho e garantir o funcionamento dos serviços essenciais.
Mas ainda não informou quais os serviços que serão
incluídos nessa lista.
"Penso que há abusos
em greves, não apenas no setor público, mas também
em outras categorias, mas cada um de nós paga o preço pelo
exagero que cometemos, seja no governo, seja no movimento sindical. O
que nós queremos garantir é a liberdade de negociação",
disse Lula sobre o assunto.
"Abuso, no entendimento
da CUT, é a insistência de autoridades nos três níveis
de governo em não abrir negociações com os trabalhadores
públicos – algo bastante freqüente – e, quando
há processo negocial, em não cumprir acordos dele derivados",
rebateu, em nota, o presidente da Central, Artur Henrique. A proposta
do governo dividiu a entidade, da qual o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, é ex-presidente.
Em reunião com representantes
das principais centrais, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
disse que o governo não propõe o cerceamento do direito
de greve, mas a discussão sobre a regulamentação
baseada na Convenção 151. A mudança, segundo ele,
seria feita paralelamente à instituição da negociação
coletiva no serviço público, reivindicação
histórica das centrais.
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CONGRESSO EM FOCO, 15 de
março de 2007
Mutirão do trabalhador e do
servidor no Congresso
Antônio Augusto de Queiroz*
Do mesmo modo que o governo e
o Congresso definiram uma agenda para destravar a economia e retomar
o crescimento econômico em bases sustentáveis, além
das leis de interesse do setor empresarial já aprovadas, inclusive
com desoneração e incentivo ao setor produtivo nacional – entre
outras, a MP do Bem, a Lei de Falência e a Lei Geral das Pequenas
e Microempresas –, seria interessante que fosse também priorizada
uma agenda positiva para os trabalhadores e servidores públicos.
Fariam muito bem o presidente
da Câmara, cuja disposição de trabalho tem sido elogiada
por todos, e o presidente da República, ambos de origem sindical,
se aceitassem a proposta do deputado Paulinho da Força (PDT-SP)
de organizar um mutirão do trabalhador e do servidor público
neste ano de 2007, pautando uma série de projetos de lei que se
arrastam no Congresso desde a Constituição de 1988. São
projetos que regulamentam dispositivos constitucionais ou corrigem distorções
nas relações de trabalho, tanto do setor público
quanto da iniciativa privada.
A titulo de ilustração
dessa agenda, lembraria os projetos de lei sobre: i) a proteção
do trabalhador em face da automação, ii) a proibição
da despedida imotivada ou arbitrária, iii) a redução
da jornada de trabalho sem redução de salário, iv)
o combate ao assédio moral, v) a proteção do salário,
constituindo crime a retenção dolosa, vi) o aviso prévio
proporcional ao tempo de serviço, vii) o trabalho aos domingos,
viii) a regulamentação do adicional de penosidade, ix)
o tratamento isonômico entre terceirizados e os trabalhadores da
empresa aonde prestam serviços e x) a aposentadoria especial,
a política salarial, a ascensão funcional, o direito de
greve e de negociação do servidor público.
Historicamente, a participação
do salário na renda nacional vem sendo reduzida de forma assustadora,
a ponto de ter caído de 62%, em 1964, para algo próximo
de 30%, em 2006. O salário tem perdido espaço para os aluguéis,
a renda do exterior e principalmente para os lucros e juros, que abocanham
a maior fatia da renda nacional. E só três fatores interferem
em sua distribuição: as decisões de governo, de
mercado e os fenômenos naturais. Como os trabalhadores não
controlam o mercado nem tampouco os fenômenos naturais, restam
apenas as decisões de governo.
Nos últimos tempos, os
trabalhadores e servidores públicos brasileiros têm sido
a variável de ajustes, especialmente na era FHC – que flexibilizou
direitos dos primeiros e suprimiu conquistas dos segundos – e o
presidente Lula, que ainda não reparou essas injustiças
para com os assalariados, precisa agir, senão restabelecendo as
vantagens subtraídas, pelo menos regulamento os dispositivos constitucionais,
cuja implementação depende da aprovação de
lei pelo Congresso Nacional.
E o momento é este.
O governo tem sustentação política, a inflação
está sob controle, a economia está pronta para crescer,
os banqueiros estão com as "burras cheias", está havendo
desoneração do setor produtivo, os aumentos de custos
decorrentes da aprovação desses projetos são irrelevantes
para as empresas e o governo, e as medidas são justas, necessárias
e oportunas. Os presidentes da Câmara e da República precisam
incluir os trabalhadores e servidores entre os beneficiários
do crescimento do país para fazer justiça àqueles
que, como sindicalistas, eles mesmos já tiveram a honra de representar.
*Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e diretor de Documentação do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Dinheiro
Mantega quer manter meta de inflação
Ministro defende que o objetivo atual de
4,5% seja mantido até 2009, apesar de o mercado prever índices
menores | "Querer inflação baixa todo mundo quer,
a questão é se o país tem condições",
diz ministro; para ele, índice menor pode segurar PIB
LEANDRA PERES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A meta de inflação
para 2009, que só será definida pelo governo em junho,
continuará em 4,5% ao ano, no que depender do ministro Guido Mantega
(Fazenda). Ele quer ainda manter a meta já anunciada para 2008,
também de 4,5%.
Para o ministro, se optar por
uma inflação menor, o governo pode reduzir o crescimento
da economia. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
promete um aumento de 5% ao ano no PIB a partir do ano que vem. A média
no primeiro mandato de Lula foi de 2,6%.
Segundo Mantega, a filosofia
atual do governo é uma inflação "controlada",
que não exija do Banco Central um aumento na taxa de juros que
iniba a economia. Ele nega, porém, que esteja fazendo uma defesa
do aumento de preços ou que se abandone o combate à inflação.
"Não sou a favor
de uma inflação maior. Sou a favor de uma inflação
sob controle. Se a gente conseguir 4% [de inflação em 2009],
será importante essa conciliação [com o crescimento].
O que não dá é como se fazia no passado, que [o
governo] ambicionava uma inflação muito baixa e aí não
conseguia inflação baixa nem crescimento. Querer inflação
baixa todo mundo quer, a questão é se o país tem
condições", disse.
Mantega, com os colegas Paulo
Bernardo (Planejamento) e Henrique Meirelles (Banco Central), integra
o CMN (Conselho Monetário Nacional), responsável por fixar
a meta para a inflação. O percentual definido pelos ministros
serve como indicador para que o BC calibre a taxa de juros.
Se os preços estão
subindo muito, e os diretores do BC acham que a inflação
pode ficar acima da meta estabelecida pelo CMN, sobem os juros. Se os
preços caem, o movimento na taxa de juros é o oposto.
Assim, se o CMN exigir que a
inflação fique muito baixa, estará, em outras palavras,
sinalizando que o BC precisará subir os juros para forçar
uma queda de preços. Pelo raciocínio, vale a pena tolerar
um pouco mais de inflação para que a expansão da
economia não seja menor.
Por outro lado, os economistas
que defendem uma meta de inflação mais baixa argumentam
que não será preciso aumentar os juros e, portanto, sacrificar
crescimento, nas condições atuais da economia.
O mercado financeiro já projeta
inflação de 3,87% para este ano e de 4% para 2008 e 2009.
Portanto, se o governo baixasse a meta para algo próximo a 4%,
estaria apenas confirmando as expectativas e não haveria necessidade
de subir os juros para convencer o mercado financeiro de que a meta é factível.
Por esse raciocínio, o
país estaria perdendo oportunidade para baixar mais a inflação.
Mantega também se
preocupou em desfazer mal-estar criado com o BC durante audiência
no Senado para explicar o PAC. Anteontem, o ministro dissera que o
BC seria obrigado a buscar uma inflação de 4,5%, que é o
centro da meta definida, deixando implícito que não aceitaria
uma taxa abaixo desse percentual. Ontem, pôs panos quentes. "É difícil
acertar o centro da meta. O BC fará e já está fazendo
a política adequada para perseguir o centro da meta." Segundo
ele, as declarações no Congresso foram distorcidas pela
imprensa.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Dinheiro
Senadores dão apoio a prestador
de serviços
Oposição ameaça obstrução
de votações enquanto Lula não se definir sobre
tema | Presidente tem até amanhã para sancionar ou
vetar lei da Super-Receita, que inclui emenda sobre fiscalização
de pessoas jurídicas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A oposição no Senado
decidiu ontem obstruir as votações, em plenário,
enquanto o presidente Lula não apresentar uma definição
sobre o dispositivo que proíbe auditores da Receita Federal de
multar os profissionais liberais que prestam serviços como pessoas
jurídicas.
A oposição quer
a aprovação do dispositivo, e 63 dos 81 senadores assinaram
documento em que defendem a sanção presidencial. Lula tem
até amanhã para sancionar ou vetar, totalmente ou em parte,
o projeto que cria a Super-Receita, no qual o Congresso incluiu a chamada
emenda 3. A proposta original apenas fundia as estruturas de fiscalização
e arrecadação dos ministérios da Fazenda e da Previdência.
A emenda explicita na lei o entendimento
de que o auditor fiscal não tem poder de desfazer contratos de
pessoas jurídicas quando entender que a prestação
de serviços encobre uma relação trabalhista. Segundo
o texto, só a Justiça trabalhista pode estabelecer isso.
"Não colaboraremos
com nenhuma votação. Ao contrário, faremos obstrução
até que o governo se pronuncie, de maneira conclusiva e clara,
sobre a pendência", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio
(AM).
Se Lula excluir do projeto a
emenda 3, PSDB e PFL vão tentar derrubar o veto em sessão
do Congresso. A decisão da oposição não teve
impacto ontem porque não havia votação prevista,
mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), já desistiu
de tentar apreciar projetos hoje.
Segundo os defensores da emenda,
entre os quais mais de 200 entidades empresariais e de profissionais
liberais, o objetivo é garantir a segurança de contratos
livremente negociados entre as partes -que incluem advogados, contadores,
médicos, artistas, jornalistas, publicitários e engenheiros.
Os ministros Guido Mantega (Fazenda)
e Luiz Marinho (Trabalho) defendem publicamente o veto de Lula. A Fazenda
quer um regime diferenciado para esses profissionais, mas com aumento
na tributação para pessoas físicas que prestam serviços
na condição de pessoas jurídicas.
Na visão da Receita, os
contratos de prestação de serviço são beneficiados
por uma tributação menor que a incidente sobre as pessoas
físicas. Os defensores da emenda afirmam que a comparação é imprópria,
uma vez que as pessoas jurídicas não dispõem de
benefícios garantidos pela legislação trabalhista às
pessoas físicas.
"Não se vota
nada até que o governo diga o que vai fazer com a emenda 3,
quais são as razões para vetá-la e o que oferece
como caminho de saída", disse o líder do PFL, senador
José Agripino (RN).
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JORNAL BEM PARANÁ,
15 de março de 2007
Acordos coletivos prejudiciais aos
trabalhadores serão anulados pela Justiça
A decisão judicial é da 2ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho (TST)
Convenções e Acordos
Coletivos de Trabalho que prejudicarem trabalhadores poderão ser
anulados pela Justiça do Trabalho. Segundo o chefe da Seção
de Relações do Trabalho (Seret) da Delegacia Regional do
Trabalho (DRT/PR), Fábio Lantmann, a decisão judicial é da
2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e impede que as
empresas e sindicatos criem obrigações aos trabalhadores
sem outro benefício, mesmo via Convenção ou Acordo
Coletivo de Trabalho.
“A medida é de extrema
importância, pois o trabalhador que se sentir prejudicado com a
decisão pode recorrer e buscar seus direitos na justiça”,
afirma Lantmann. Ele explica que para cada obrigação firmada
nas Convenções e Acordos Coletivos, que são válidos
por dois anos, deve existir um beneficio para o trabalhador. “Tem
que haver um equilíbrio, para que tanto o trabalhador quanto a
empresa não saiam perdendo”, destaca.
Segundo o chefe do Seret da DRT,
a decisão do TST está relacionada ao caso de um ex-funcionário
da empresa Continental, no interior de São Paulo, que ajuizou
uma reclamação trabalhista contra o Acordo estipulado entre
o sindicato que o representava e a organização. Entre as
cláusulas, estava um aumento da jornada de trabalho que passava
de seis para oito horas ininterruptas. “O Tribunal Regional do
Trabalho da 15ª Região, de Campinas, decidiu favoravelmente
ao empregado”, ressalta.
Dados - Em 2006, foram
firmados pela DRT/PR 2,2 mil acordos coletivos entre empregados e patrões.
Deste total, o mês de maio teve o maior número com 210
acordo. Geralmente, os acordos coletivos são feitos entre sindicatos
da categoria dos trabalhadores com a entidade patronal. O objetivo
da negociação é discutir temas de interesse do
trabalhador, tais como jornada de trabalho, banco de horas, tempo de
intervalo, aumento salarial, alimentação, benefícios,
entre outros temas que envolvem o mundo do trabalho.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
Cobrança por minuto será isenta
em 3 mil municípios
Nessas cidades, clientes não pagarão
ligações que excederem franquias de 200 pulsos mensais;
avaliação é que conversão não
seria economicamente viável
Gerusa Marques
BRASÍLIA - Os clientes
da telefonia fixa de cerca de 3 mil municípios continuarão
a ter suas contas de telefone tarifadas pelo sistema de pulso, segundo
informa o superintendente de serviços públicos da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gilberto Alves.
Nessas 3 mil cidades, os clientes
não pagarão as ligações locais que excederem
as franquias de 200 pulsos mensais. Essa foi a exigência da Anatel
para as localidades em que as empresas optassem por não fazer
a mudança da cobrança por minutos.
A avaliação das
companhias é de que em municípios muito pequenos não
era economicamente viável fazer a conversão, porque ela
demanda uma mudança técnica na rede e no sistema de cobranças,
o que poderia sair mais caro do que isentar esses consumidores do pagamento
das ligações além da franquia.
Essas cidades estão concentradas
nas áreas da Brasil Telecom e da Telemar. Na área da Telefônica,
no Estado de São Paulo, a empresa passará a cobrar por
minuto em todos os municípios atendidos por ela.
A estimativa da Anatel é de
que nessas 3 mil cidades isentas estejam cerca de 700 mil clientes da
telefonia fixa. No País existem 40 milhões de linhas telefônicas.
A conversão para minuto tem que estar totalmente implantada nos
municípios escolhidos pelas companhias até 31 de julho.
Gilberto Alves participa de audiência
pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara,
para discutir a nova forma de cobrança na telefonia fixa, que
passará a ser por minuto. Ele está representando, na audiência,
o presidente da Anatel, Plínio de Aguiar Júnior, que não
pôde comparecer.
Procon
Na audiência, o diretor
do Procon de São Paulo, Roberto Pfeiffer, propôs que as
empresas de telefonia fixa sejam obrigadas a fazer uma simulação
com base nas contas de telefone de cada cliente, para que o consumidor
saiba qual será o melhor plano para o seu perfil de consumo.
Com a entrada da cobrança
das ligações locais pelo sistema de minutos, as companhias
terão que oferecer, obrigatoriamente, dois planos: o básico
e o alternativo. O básico é indicado para quem faz chamadas
curtas de até três minutos e o alternativo é para
quem faz chamadas longas, ou utiliza a linha telefônica para se
conectar à internet.
Pfeiffer disse que a intenção é evitar
que o cliente faça uma opção errada por um plano
que não é adequado para ele, o que poderá implicar
no aumento da conta de telefone.
O diretor do Procon sugeriu também
que a informação sobre os planos obrigatórios seja
prestada ao consumidor separadamente dos demais planos oferecidos pelas
empresas. Pela regra da Anatel, o cliente poderá optar pelo plano
básico ou pelo plano alternativo a qualquer momento. E se ele
perceber que não fez a opção correta, ele pode mudar
de plano quando desejar.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
Especialistas reúnem idéias
para o País voltar a crescer
Livro traz opiniões e sugestões
de sete especialistas para o crescimento, com o objetivo de fazer
o empresariado entender e participar da economia brasileira
Giuliana Vallone
SÃO PAULO - A falta de
um gerenciamento correto dos gastos públicos, resultando no baixo
investimento em infra-estrutura, e a alta carga tributária, assim
como o ritmo lento de corte nos juros e o real supervalorizado são
alguns dos principais entraves para o crescimento do País. A opinião é expressa
por sete especialistas nas áreas econômica e política
no livro "Para o Brasil Voltar a Crescer - evidências, caminhos
e reflexões", lançado pela Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
A publicação reúne
palestras ministradas entre maio e setembro de 2006 na Universidade da
Indústria (Unindus), em Curitiba, e tem como objetivo fazer com
que o empresariado entenda melhor o que acontece com a economia brasileira.
Apesar de o material contido
no livro ter sido produzido antes do lançamento do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC) do governo - em janeiro
deste ano -, os autores garantem que as opiniões são atuais,
e ajudam o leitor a entender melhor as medidas do programa.
Segundo o ex-ministro da Fazenda,
Paulo Roberto Haddad, o livro ajuda a fazer uma leitura crítica
PAC. "As idéias não são determinações
a serem seguidas, são um comentário", completou Sebastião
Toledo Cunha, presidente da Federação latino-americana
de Bancos (Felaban).
Infra-estrutura
Na opinião do embaixador
Rubens Antonio Barbosa, o PAC "tem projetos importantes de infra-estrutura,
que é um setor que está em colapso no País".
O programa prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010
em estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento.
Segundo o especialista, porém,
o importante daqui para frente será saber se o governo terá condições
de gastar esse dinheiro, já que, de acordo com ele, apenas 25%
dessa quantia vem do investimento privado. Para isso, é necessário
que haja uma reavaliação da gestão dos gastos públicos.
Esse gerenciamento dos gastos
do governo é um dos temas recorrentes quando se trata de crescimento
econômico. Para os especialistas, a forma como o governo gasta
o dinheiro que arrecada é o problema.
Como exemplo, o livro cita a
quantia gasta com a Previdência, que chega a 12% do PIB no Brasil,
quando países como o Chile, a Argentina, o Uruguai e o México
gastam na ordem de 3% a 4%. Assim, "só na Previdência,
há um naco de 8% do PIB que poderia ser investido para compensar
uma taxa de investimento privado cronicamente baixa", afirma a publicação.
Segundo Haddad, a composição
do gasto público pode comprometer o ritmo de crescimento futuro.
O ex-ministro cita como exemplo a China, que investe 40% do PIB, enquanto
o País, que já chegou a investir 27%, investe 19% atualmente. "Ou
seja, não estamos ampliando a qualidade produtiva suficientemente
para acelerar o crescimento."
Impostos
Outra reclamação
constante diz respeito à alta carga tributária que incide
sobre os brasileiros. "O País possui um sistema de impostos
perverso, que onera a folha de pagamento", afirma John Schulz, especialista
em História Brasileira. Segundo ele, esse imposto - que incide
sobra a folha - penaliza a contratação de mão-de-obra,
sobretudo oficial. Isso faz com que o empresário ou desista de
contratar, ou vá para a clandestinidade, gerando desemprego e
aumentando a informalidade no mercado de trabalho.
Ele citou um exemplo de como
isso pode ser revertido: "Quando o governo de São Paulo reduziu
a alíquota do ICMS, conseguiu arrecadar mais". De acordo
com ele, muitos setores que gostariam de ir para a formalidade puderam
fazer isso com impostos mais baixos, fazendo com que o governo acabasse
por receber mais dinheiro que anteriormente.
Solução em dobro
Para solucionar os dois problemas
de uma vez - os impostos altos e o investimento baixo - o livro sugere
diminuiu a carga tributária em 1% do PIB ao ano, e, ao mesmo tempo,
manter o superávit primário (quanto o governo arrecada
menos o que ele gasta, exceto despesas com juros), para não gerar
desconfiança dos investidores externos.
Uma hipótese para isso
seria congelar as despesas, exceto as de investimento em infra-estrutura.
Todo aumento real da arrecadação não seria gasto
em despesas correntes, mas sim economizado. Fazer isso diminuindo a carga
tributária da indústria de bens de capital, que sinalizam
investimento, da taxa de juros das pequenas empresas, não cobrando
CPMF do exportador. Assim, de acordo com os especialistas, os juros caem,
a carga também, e a iniciativa privada entra.
Ao comentar as taxas de juros
do País, todos concordam que o ritmo de corte poderia ser acelerado.
Para Schulz, o atual cenário de inflação permite
uma queda maior da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em
12,75% ao ano).
Câmbio
Segundo ele, o real está valorizado
frente ao dólar justamente por causa dos juros, que apesar de
estarem em queda continuam altos. "O câmbio não é livre
devido à alta taxa de juros. Com os juros mais baixos, em torno
de 9% ou 10%, o dólar se valorizaria em relação
ao real".
Para o economista, a moeda valorizada
não é boa como política geral. "Ninguém
quer ter moeda forte, a idéia é ter moeda fraca. Entre
Estados Unidos e Europa, o pessoal está brigando para ter a moeda
mais fraca". Ele citou que, na Argentina, o governo luta para manter
o peso forte em relação ao dólar. E aconselha: "A
gente tem que seguir o modelo chinês, que mantém a moeda
nacional desvalorizada, e não o argentino."
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
AL está no caminho certo para
reduzir a pobreza, diz Cepal
Segundo secretário-executivo da Comissão, ´Brasil
e Chile já cumpriram sua parte´
Efe
TÓQUIO - O secretário-executivo
da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe
(Cepal), José Luis Machinea, afirmou nesta quarta-feira, 14, que
ambas as regiões estão no caminho certo para reduzir os
níveis de pobreza até os estabelecidos nos Objetivos do
Milênio da ONU para 2015.
"O progresso é ligeiramente
melhor do que o esperado para 2006, e países como Brasil e Chile
já cumpriram com sua parte", afirmou Machinea em Tóquio,
durante um seminário organizado pela Universidade das Nações
Unidas (UNU) e pelo Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID).
No evento, o secretário-executivo
da Cepal proferiu uma palestra sobre os desafios sociais e econômicos
na América Latina e no Caribe, destacando a agenda de desenvolvimento
para a região.
Os oito Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio adotados por todos os países da ONU na cúpula
de 2000 da organização incluem a redução
da pobreza extrema e da fome, o acesso universal à educação
primária, a promoção da igualdade entre homens e
mulheres, a redução da mortalidade infantil e a melhoria
da saúde materna.
Apesar da mensagem de otimismo,
Machinea disse que o crescimento econômico da América Latina
e do Caribe "não é suficiente" para alcançar
o ritmo imposto pelos países asiáticos em vias de desenvolvimento.
Segundo o secretário-executivo
da Cepal, a "chave do desenvolvimento latino-americano está em
diversificar a economia" e fugir de uma produção concentrada
no setor primário. Para isso, Machinea exortou os países
latino-americanos a investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Segundo dados da Cepal, o Produto
Interno Bruto (PIB) per capita da América Latina e do Caribe cresceu
nos últimos quatro anos a um ritmo anual de 3%, o mesmo que o
aumento total registrado entre 1980 e 2003.
No entanto, "é necessário
reduzir a desigualdade na distribuição da riqueza, além
de melhorar a coesão interna dos países para continuar
avançando", afirmou Machinea, já que, apesar de "a
pobreza extrema ter caído cerca de 25% em quatro anos", os
níveis de pobreza continuam altos.
O bom comportamento da economia
mundial, a qual Machinea não acredita que "entrará em
crise, apesar de o crescimento americano estar perdendo força",
joga a favor da América Latina e do Caribe, já que favorece
o envio de remessa de dinheiro de emigrantes.
No entanto, segundo o secretário-executivo
da Cepal, os países da região deveriam aumentar sua participação
no comércio internacional.
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AGÊNCIA BRASIL, 15
de março de 2007
Furlan diz na Câmara que redução
de carga fiscal potencializa desenvolvimento
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O ministro
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz
Fernando Furlan, afirmou hoje que “redução da carga
fiscal não é perda simples de arrecadação,
porque a desoneração (diminuição ou isenção
de impostos) potencializa o desenvolvimento”.
A afirmação foi
feita durante o seminário Desenvolvimento Econômico e Sustentável
e o Programa de Aceleração do Crescimento, na Câmara
doas Deputados. Ao começar sua palestra, Furlan disse que “a
redução de impostos cria melhores condições
para investimento, o que resulta em mais empregos, melhor distribuição
de renda e maior crescimento da economia”.
Sobre o crescimento econômico,
ministro acrescentou que “o PAC é um bom plano, porque traça
objetivos e oferece meios para execução de uma política
de desenvolvimento consistente”.
O ministro destacou, porém,
que o Programa de Aceleração do Crescimento, em debate
no Congresso, também vai precisar de ajustes ao longo de sua execução,
até 2010. Ele acredita que o Legislativo vai aprimorar a proposta
do governo.
Acompanhado por toda a
sua equipe, Furlan reafirmou que está deixando o ministério
depois de quatro anos no cargo. Os parlamentares lamentaram a decisão
de Furlan, especialmente o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci,
que se disse “contrariado” com a saída do ministro
da equipe de governo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de março de 2007
Caso de competência
STF reafirma que Justiça Trabalhista
não julga servidor
O ministro Gilmar Mendes, do
Supremo Tribunal Federal, reafirmou o entendimento de que a Justiça
Trabalhista não julga ação entre o poder público
e seus servidores. Ele atendeu o pedido do município de João
Pessoa e suspendeu as decisões e o andamento processual de um
processo ajuizado por um servidor público no Tribunal Regional
do Trabalho da 13ª Região.
O município contestou
decisão do TRT tomada em Ação Civil Pública
do Ministério Público do Trabalho. O tribunal proibiu,
liminarmente, o município de demitir qualquer agente comunitário
de saúde e de combate às epidemias.
Na Reclamação entregue
ao Supremo, o município de João Pessoa sustentou que as
decisões trabalhistas afrontaram decisão do STF na Ação
Direta de Inconstitucionalidade 3.395. No julgamento desta ADI, o Plenário,
ao interpretar a nova redação dada ao artigo 114 da Constituição
Federal, pela Emenda Constitucional 45/04, afastou a competência
da Justiça do Trabalho para o julgamento de causas entre o poder
público e seus servidores.
O município afirmou ainda
que os agentes comunitários de saúde foram contratados
temporariamente devido a um excepcional interesse público e “tal
relação seria de caráter jurídico administrativo”,
não podendo ser julgado pela justiça trabalhista.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/03/2007
Litigância de má-fé leva
advogado a pagar indenização
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão que condenou um advogado
a pagar multa e indenização por litigância de má-fé,
ao negar provimento a agravo de instrumento em recurso de revista. O
advogado ajuizou ação trabalhista reclamando o pagamento
de indenização decorrente de contrato firmado com empresa
Trigueiros Fontes Advogados Associados, de Recife (PE), para quem trabalhou
entre 2001 e 2005.
Entretanto, durante a tramitação
do processo, em que ambas as partes recorreram da sentença, a
empresa alegou que o advogado teria incorrido em litigância de
má-fé, tendo em vista atitudes adotadas por ele desde o
início do trâmite processual, especialmente por dois fatos:
o ajuizamento da reclamação, também, contra as Lojas
Americanas, com a qual a firma mantinha contrato, e a alegação
de juntada de documento falso por parte do escritório de advocacia.
Em relação ao primeiro
fato, o próprio reclamante admitiu ter citado as Lojas Americanas
como parte do processo apenas com o intuito de forçar o reconhecimento
da relação de emprego com o escritório de advocacia,
numa tentativa de obter acordo, diante da possibilidade de “estremecimento
das relações profissionais entre o escritório a
Trigueiros Fontes Advogados Associados e as Lojas Americanas”.
Quanto à alegação
de que a empresa teria incorrido em falsidade documental, o Tribunal
Regional do Trabalho da 6ª Região (Pernambuco) observou que
a Vara do Trabalho já havia afirmado expressamente não
haver dúvidas quanto à autenticidade do documento – a
carta de desligamento do próprio advogado. Segundo o acórdão
do Regional, “além da deslealdade processual praticada pelo
recorrido (caracterizada com a agravante da autoria ser de um advogado,
pessoa conhecedora, de fato, da legislação processual,
e não de forma ficta), a argüição de falsidade
do documento acarretou a alteração da verdade dos fatos,
porque uma das testemunhas foi taxativa: o advogado não só redigiu
o documento mas também o assinou na presença dela”.
Ao analisar o agravo no TST,
o relator do processo, ministro Alberto Bresciani, negou provimento e
manteve a decisão do TRT/PE, destacando serem corretos os fundamentos
adotados na condenação do advogado, conforme estabelece
o Código de Processo Civil. Com a decisão, o advogado foi
condenado a pagar o valor de R$ 54 mil, correspondente a multa de 1%
e indenização de 20% sobre o valor da causa. (AIRR 215/2005-010-06-40.2)

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