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Fetraconspar,
16 de março de 2007
NOTA DE FALECIMENTO
Com pesar, lamentamos comunicar
que ontem à noite (15/03/2007), faleceu o companheiro ARLINDO
CALDAS, Secretário Geral do Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de União da Vitória,
decorrente de acidente automobilístico ocorrido
no início da semana. O corpo está sendo
velado na Capela Municipal de União da Vitória
e o sepultamento será hoje, às 17:00 hrs.
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Arlindo Caldas
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 16 de março de 2007
Emprego aumenta desde 2002, mas qualidade
piora
Novo indicador da Unicamp revela deterioração
do trabalho nas grandes cidades | Rendimento do trabalhador, estabilidade
e cumprimento de jornada legal de 44 horas semanais pioram, segundo
estudo
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A qualidade do emprego piorou
no Brasil, considerando o rendimento, a estabilidade e a jornada semanal
do trabalhador brasileiro em seis regiões metropolitanas do país.
O Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp
elaborou um indicador de quantidade e outro de qualidade do trabalho metropolitano
brasileiro.
Constatou que o número de emprego nas regiões metropolitanas
de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre
e Recife cresce ano a ano desde 2002.
A qualidade desse emprego, porém, após apresentar melhora em
2005, volta a piorar em 2006.
Para estabelecer o indicador do que é emprego de qualidade, o Cesit
considera o trabalho formal, o tempo de estudo do empregado (superior a oito
anos), a estabilidade (mais de dois anos de atividade no mesmo local de trabalho),
a jornada de trabalho (44 horas semanais), o rendimento (acima de um salário
mínimo mensal) e a idade (faixa de 18 a 50 anos) dos trabalhadores em
relação ao total das pessoas ocupadas.
O indicador de qualidade e o de quantidade variam de zero a um. Quanto mais
perto de um, melhor o emprego. Em 2002, o indicador de qualidade dos postos
de trabalho nas regiões metropolitanas consideradas pelo IBGE (São
Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife) ficou
em 0,652. Em 2003 caiu para 0,644 e, em 2004, para 0,642. Em 2005, subiu para
0,650 e voltou a cair para 0,646 no ano passado, segundo cálculos do
Cesit, sob a orientação do economista Marcio Pochmann.
Pior
que 2002
" O que dá para afirmar é que a qualidade do emprego metropolitano
em 2006 está pior do que a de 2002, apesar de o número de postos
de trabalho estar crescebdo desde 2002. As pessoas têm menor estabilidade
no emprego, trabalham mais do que a jornada legal e ganham menos", afirma
Pochmann.
Em 2002, o indicador de quantidade ficou em 0,641, e, em 2006, em 0,662. No
ano passado, o país tinha 20,28 milhões de pessoas ocupadas em
seis regiões metropolitanas do país, 451 mil pessoas a mais do
que em 2005, segundo dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE.
Serviços
Os indicadores de qualidade e de quantidade do emprego nas regiões metropolitanas
do país refletem principalmente o que ocorre nos setores de comércio
e serviços, pois aproximadamente 70% dos ocupados nessas regiões
trabalham nessas atividades.
A piora na qualidade do emprego, na avaliação de Pochmann, é reflexo
do fraco desempenho da economia em 2005 (crescimento de apenas 2,3% do PIB,
após alta de 4,9% em 2004). A fraca expansão da economia acabou
tendo impacto no mercado de trabalho no ano passado.
" A desaceleração econômica que ocorreu a partir da
segunda metade de 2005 interrompeu a trajetória de crescimento do país.
Isso refletiu nas decisões das empresas, que optaram por manter as contratações,
mas fazer os ajustes sob o aspecto da qualidade do emprego", disse Pochmann.
Apesar de o indicador de formalização do emprego ter subido em
2005 e 2006, e o de ocupação, de 2003 a 2006, os indicadores
de rendimento, de estabilidade e de efetividade (cumprimento de jornada legal
de 44 horas semanais) do trabalhador pioram, segundo cálculos do Cesit.
A piora nesses três itens é que puxou para baixo o indicador da
qualidade do emprego nas regiões metropolitanas, segundo o estudo da
Unicamp.
" Caiu a participação das pessoas que têm rendimento
mensal superior a um salário mínimo e aumentou a das pessoas que
trabalham mais de 44 horas semanais em relação ao total dos ocupados.
Também diminuiu o peso dos trabalhadores nas faixas de 18 a 50 anos sobre
o total dos ocupados, o que é um dado ruim", diz.
Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese, afirma que, como
nas regiões metropolitanas predominam os setores de serviços
e comércio, o indicador reflete o que acontece principalmente nesses
dois setores -os que mais criam empregos e, ao mesmo tempo, oferecem as piores
condições de trabalho.
" A crise econômica que o país viveu em 2005 foi carregada
para 2006 para o mercado de trabalho. Essa situação pode se inverter
a partir deste ano, já que o país teve melhor desempenho em 2006
[o PIB brasileiro cresceu 2,9% no ano passado]", diz Ganz Lúcio.
Para Pochmann e Ganz Lúcio, os efeitos do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento) podem favorecer a geração de emprego neste ano,
enquanto o enfraquecimento da economia americana e a instabilidade nas Bolsas
mundiais podem prejudicar o cenário trabalhista.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de março de 2007 | Economia
“Trabalho vive onda de precarização”
Juiz critica intenção do
governo de flexibilizar a contratação de mão-de-obra
sem vínculo empregatício
As relações de trabalho tendem a entrar em uma onda de precarização
e flexibilização no Brasil. O alerta é do presidente da
Associação Latino-Americana de Juízes do Trabalho (ALJT),
Grijalbo Coutinho, que também é juiz da 19.ª Vara do Trabalho
de Brasília. Isso porque, mesmo que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) vete a emenda três do projeto de lei da Super-Receita,
que impede o auditor fiscal de autuar empresas que contratem profissionais
de forma irregular, o governo federal sinaliza com um projeto para regulamentar
a prestação de serviço de empresas de uma pessoa só.
Com isso, os contratantes terão mais liberdade para empregar profissionais
sem arcar com os encargos trabalhistas.
A emenda três foi proposta
pelo Senado e atende ao pleito de centenas de empresas e sindicatos patronais.
Foi uma forma de contrabalancear os poderes criados pela Super-Receita
para os auditores fiscais. O projeto unifica as ações fiscalizadoras
da Receita Federal e da Previdência, mas a emenda limita o trabalho
dos auditores, que ficam impedidos de multar empresas e devem encaminhar à Justiça
os fatos que considerarem irregulares. Entidades ligadas aos trabalhadores
criticaram muito a emenda.
De acordo com o presidente da ALJT, uma das maiores irregularidades trabalhistas
cometidas pelas empresas hoje é fazer contrato com uma empresa de uma
pessoa só (trabalho “personalíssimo”), que emita
nota fiscal, em vez de contratá-la com carteira assinada. A situação é irregular
porque a prestação de serviço personalíssimo só pode
ocorrer por um período determinado, sem necessidade de exclusividade
ou de cumprir horário e nem de receber ordens. “O empregador fala
que só contrata o profissional se ele abrir uma empresa, e claro que
isso é feito, por medo do desemprego. Não há escolha,
o trabalhador tem de se submeter a essa chantagem de emprego”, afirma.
Ao propor a regulamentação do trabalho personalíssimo,
o governo federal indicou que elas devem arcar com aumento de impostos.
Gazeta do Povo – Quais
as críticas em relação à emenda três?
Grijalbo Coutinho – Além de ser inconstitucional,
porque proíbe a atuação do Executivo na fiscalização,
ela é perversa, porque as empresas poderão se aproveitar
para cada vez mais diminuir o número de empregados com direitos
trabalhistas.
Mas esses contratos não
são feitos com a concordância do contratado?
A emenda representa o conflito de interesse dos grandes grupos econômicos
e dos trabalhadores, que é a descaracterização do contrato
de trabalho. O empregador fala que só o contrata se ele abrir uma empresa,
e claro que isso é feito, por medo do desemprego. Não há escolha,
o trabalhador tem de se submeter a essa chantagem de emprego. Ele é rotulado
como autônomo, mas na verdade atua como um funcionário de carteira
assinada.
Integrantes do primeiro
escalão do governo pedem o veto à emenda e, como contrapartida,
sugerem uma medida provisória para regulamentar o trabalho personalíssimo.
Quais seriam as conseqüências disso?
Lamento que alguns setores do governo queiram discutir relações
de trabalho por meio de medida provisória, que deveria se restringir
a assuntos urgentes. É preciso discutir melhor e mais profundamente
um assunto desse alcance. O governo deve criar alguns requisitos e amarras
para que a situação fique dentro da lei e não ocorram
mais fraudes, mas não deixa de ser uma forma de precarizar as relações
de trabalho. Cria-se um clima propício para isso. Há nove anos,
uma norma inserida na CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]
indicando que a prestação de serviço de cooperativas não
sugere vínculo empregatício foi o suficiente para abrir a porteira
para a criação de uma centena de cooperativas de trabalho fraudulentas.
Qual sua expectativa
em relação à decisão que o presidente
Lula deve tomar hoje?
Fico feliz que o assunto esteja nas mãos do presidente Lula, que por
sua origem trabalhadora deve vetar a emenda. Mas, se em um primeiro momento
ele vai desagradar as empresas e os grandes grupos, é bem provável
que no momento seguinte as beneficie com essa questão de regulamentação
das pessoas jurídicas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de março de 2007 | Economia
Governo prepara pacote de desoneração
para setor de serviços
O governo pretende lançar,
nos próximos 90 dias, um novo pacote de desonerações
de impostos e contribuições, desta vez para área
de serviços, com destaque para tecnologia e comunicação.
Entre os segmentos que mais serão beneficiados estão
as empresas de software, que deverão contar com a redução
de tributos como PIS, Cofins, Contribuição de Intervenção
do Domínio Econômico (Cide), Impostos sobre Serviços
(ISS), além de encargos trabalhistas. A informação é do
ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, Luiz Fernando Furlan, que está deixando o cargo.
- Estamos considerando as pessoas
que trabalham em casa, em horários diferentes (não comercial)
- disse o ministro, após participar da abertura do Fórum
do Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de
Ciência, Tecnologia (Consecti).
Furlan acredita que, com as medidas
de desoneração, será possível gerar 100 mil
novos empregos e, ao mesmo tempo, atingir a cifra de US$ 5 bilhões
em exportações até 2010. Para este ano, a estimativa
do ministro é de que as exportações sejam de US$
1 bilhão.
- As medidas terão
um impacto muito relevante na economia, com a vantagem de que isso
será feito de forma descentralizada geograficamente - disse.
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CORREIO DE UBERLÂNDIA,
16 de março de 2007
Construção civil elogia
medidas e pede apoio para crescer ainda mais
Do MDIC
O presidente da República,
Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior (MDIC), Luiz Fernando Furlan, reuniram-se,
em São Paulo, com representantes do setor da Construção,
após a abertura da 15ª Feira Internacional da Construção.
Apesar de apresentarem novas demandas para o governo federal, os empresários
da construção civil elogiaram as ações de
incentivo e reforçaram a expectativa de crescimento do setor.
O ministro afirmou que, durante
o encontro, o presidente Lula entendeu que o setor "quer fazer com
que os investimentos, principalmente na área de habitações
residenciais, sejam feitos de maneira muito mais rápida do que
atualmente". Por isso, os empresários apontaram a necessidade
de se reduzir a informalidade do setor e desburocratizar a aquisição
de imóveis.
Quanto ao PAC, Furlan informou
que os empresários se comprometeram a apoiar o programa, inclusive
conversando com parlamentares. Para ele, é importante que os empresários
acreditem "que o PAC é para valer e façam um esforço
conjunto para monitorar seus resultados".
O setor reforçou ainda
a importância do monitoramento dos preços e da evolução
do mercado da construção civil e de materiais de construção.
O ministro Furlan informou aos presentes que o monitoramento já está sendo
feito no Fórum de Competitividade da Construção
Civil, coordenado pelo MDIC e que reúne empresários, entidades
representativas, trabalhadores e governo federal.
Além disso, de acordo
com o ministro Furlan, a Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas trará "uma
contribuição importante para reduzir tanto a informalidade
quanto a burocracia". Furlan também afirmou que vai "assegurar
apoio à demanda" do projeto de lei que prevê o registro
eletrônico de imóveis, em todo o país, por meio da
criação de um cadastro único com informações
sobre compra e venda de um imóvel. "Seria um modelo similar
ao do cadastro de automóveis", explicou Furlan.
O ministro Furlan disse
ainda que os empresários sugeriram transferência de R$
300 milhões de um programa de financiamento de habitação
pouco procurado para um outro programa, que tem excesso de demanda
e os recursos já foram todos utilizados.
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MONITOR MERCANTIL, 16 de
março de 2007
Construção Civil no
Mercado Imobiliário
Preços das ações em
queda
Empresa vira papel comum na bolsa e passa a depender da apresentação
de resultados
Após os diversos lançamentos
realizados por empresas do setor de construção civil, em
2006, muitas corretoras divulgaram boas perspectivas para o segmento
este ano. O que aconteceu até agora, entretanto, não foi
bem isso. Entre as novas companhias que abriram capital no ano passado,
boa parte delas estreou com preço muito valorizado e agora já começa
a cair.
As ações da Klabin
Segall, que começaram a ser negociadas no mercado em agosto último,
já acumulam desvalorização de 10,11% no ano e 2,19%
na primeira metade deste mês. Já a Brascan Residencial Properties,
listada há 6 meses na bolsa, tem perdas de 19,40%, no ano, e 6,45%
no mês. Gafisa, Company e Tecnisa são outras que acumulam
perdas em torno de 10% no mês.
A título de comparação, tendo em vista que o mês
foi marcado por fortes quedas no mercado mundial, o principal índice
de preços da bolsa, o Ibovespa, teve desvalorização de
2,60% no acumulado de março até o pregão desta quarta-feira.
"Overdose"
O assessor de investimento Carlos
Antônio Magalhães observa que todos esses lançamentos
deram retorno porque encontraram, a princípio, grande procura
no mercado. O ganho, no entanto, como coloca o analista, foi apenas inicial.
Logo depois, os primeiros investidores vendem seus papéis valorizados,
e os preços altos não se mantêm. "Depois do
lançamento, passa a ser outra história. A empresa vira
comum na bolsa, vai depender da apresentação de resultados,
de expectativa do setor", afirma.
Além disso, como coloca
o analista, logo depois já se tem outro lançamento. No
ano passado, eles ocorreram um seguido do outro. "O que aconteceu
foi uma overdose de construção civil", diz CAM, como é conhecido
no mercado de capitais, chamando atenção para o desempenho
de algumas empresas, já que nem todas possuem histórico
de bons resultados. "Cyrela, Klabin Segall, Brascan, Company, PDG
Realty, Camargo Côrrea, Iguatemi, são empresas que não
têm histórico de bom resultado", afirma.
Tirando proveito
Na avaliação do
analista, os lançamentos do ano passado fizeram parte de um movimento
de empresas que tiraram proveito do cenário favorável na
bolsa, e agora correm o risco de não conseguir se manter. "A
construção civil, aproveitando o bom momento da bolsa,
como várias empresas de diversos setores, entraram para o Novo
Mercado. Mas em algumas o investidor que comprou no lançamento
já está perdendo dinheiro", ressalta.
Na sua avaliação,
essas companhias podem até continuar abertas por muito tempo.
Mas como elas se capitalizaram em cima do mercado de capitais, é bem
possível que consigam se sustentar, com uma boa situação,
mas às custas do acionista que pode ficar sem os dividendos que
estava esperando.
Expectativas frustradas
Para CAM, o setor de construção
civil é "complicado", porque depende exclusivamente
de um aumento significativo da renda da população do país.
Ele ainda completa sugerindo uma incompatibilidade entre o segmento de
imóveis e a bolsa, que é um valor mobiliário. "O
setor de construção civil nunca deu bola para a bolsa.
Aliás, um é "concorrente" do outro", avalia.
De fato, a maior parte das análises
que acreditavam em um boom do mercado imobiliário para 2007 baseava-se
nas medidas prometidas pelo governo que incentivariam o setor, aliadas à maior
oferta de crédito para a classe média e à expectativa
de redução na taxa de juros.
CAM, indaga, no entanto, o que
já se viu das promessas do ano passado. "Estamos terminando
o primeiro trimestre e ainda continuamos com a taxa mais alta do mundo,
o poder de compra não aumentou, o nível de emprego não
aumentou", afirma o analista, mostrando que nada de concreto foi
visto até agora que possa, de fato, agitar o segmento de imóveis.
Em relação ao PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento), que gerou forte
expectativa para o setor, o analista diz que o pacote precisa contar
com a iniciativa privada, que por sua vez exige marcos regulatórios
bem delimitados que o país ainda não possui para todos
os setores.
Carlos Antônio Magalhães
ainda destaca a pouca rentabilidade proporcionada por investimentos em
imóveis. Para ele, mesmo com crédito mais fácil,
quem tem dinheiro, acaba tendo um imóvel só, porque não
vale a pena imobilizar no Brasil.
"A construção
civil não está com essa bola toda que colocaram, principalmente
porque o governo só tem baixado a selic em 0,25 p.p.. Não
estamos vendo crescimento, e se a taxa de juros não cair, não
adianta porque não vai se vender apartamento", prevê.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
Governo quer bloquear bens de devedor
sem a Justiça
Objetivo é acelerar a cobrança
de dívidas com a Receita e a Previdência
Gustavo Freire e Mariângela Galucci
BRASÍLIA - Depois de tentar
dar aos fiscais da Receita Federal o poder de multar empresas que considerar
infratoras da legislação trabalhista, sem prévio
julgamento da Justiça do Trabalho, o governo quer bloquear bens
de devedores da Receita e da Previdência Social, também
sem autorização do Poder Judiciário, e executar
a penhora de forma sumária. O governo considera que o atual processo
de cobrança, passando pela Justiça, é lento demais,
e vai encaminhar projeto de lei ao Congresso no começo de abril.
De acordo com o procurador-geral
da Fazenda Nacional, Luís Inácio Adams, é preciso
aumentar a agilidade da cobrança de tributos não pagos
no prazo determinado por lei. A penhora sem autorização
da Justiça, de acordo com ele, só não valeria para
dois casos. "A indisponibilidade geral de bens do devedor e o bloqueio
do faturamento das empresas com dívidas em execução
judicial deverão ter autorização prévia da
Justiça."
A mudança, segundo Adams,
foi inspirada no modelo do Banco Central para os casos de intervenção
em instituições financeiras. Por esse motivo, ele não
acredita que a proposta, apresentada ontem pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega, à presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Ellen Gracie, seja inconstitucional.
Segundo o procurador, com este
e outro projeto, que também deve ser encaminhado em abril ao Congresso,
pode haver uma redução de 75%, em 15 anos, no número
de processos de execução de dívidas na Justiça.
A chamada dívida ativa da União - ou seja, os débitos
já em cobrança judicial - soma R$ 600 bilhões.
Promessa
O ministro da Fazenda, Guido
Mantega, prometeu na quarta-feira que o governo vai reduzir impostos
se conseguir aumentar o porcentual de recuperação das dívidas
da União. "Se conseguirmos uma arrecadação
maior em função disso, estou aqui me comprometendo a utilizá-la
para a desoneração tributária"´, afirmou. "O
pagamento dessa dívida vai trazer um benefício de arrecadação
e vamos transferir essa arrecadação para o contribuinte."
Segundo Mantega, o Estado
consegue receber, por ano, 1% da dívida ativa. "Se pudermos
chegar a 10%, 15% estaremos satisfeitos."
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
Arrecadação de fevereiro
cresce 7,71% e chega a R$ 30,5 bi
Na comparação com janeiro deste
ano, no entanto, houve uma queda de 21,05%
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - A arrecadação
federal em fevereiro atingiu o valor de R$ 30,590 bilhões, com
uma alta real de 7,71% em relação a fevereiro de 2006.
Trata-se de um recorde para meses de fevereiro, segundo a série
histórica da secretaria da Receita Federal. Esta arrecadação
foi puxada, principalmente, pelo recolhimento de Imposto de Renda da
Pessoa Física (IRPF), do Imposto de Importação (II),
do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) e da Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
Na comparação com
janeiro deste ano, no entanto, houve uma queda real de 21,05%. A arrecadação
em janeiro foi de R$ 38,577 bilhões. Esta queda é explicada,
em parte, pelo pagamento, em janeiro, da primeira cota ou cota única
do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativa ao resultado apurado
no último trimestre de 2006.
Segundo os dados divulgados na
tarde desta quinta-feira pela Receita Federal, no acumulado do primeiro
bimestre, a arrecadação federal somou R$ 69,167 bilhões,
o que representa um crescimento real de 9,39% em relação
ao primeiro bimestre de 2006.
Receita da Previdência
Entre os números da arrecadação,
a Receita divulgou aumento real de 8,71% em fevereiro na Previdência,
totalizando R$ 11,163 bilhões. De acordo com os dados oficiais,
a arrecadação do mês passado teve um aumento real
de 8,71%, em comparação com a de fevereiro de 2006. Já em
relação a janeiro de 2007, a arrecadação
previdenciária em fevereiro deste ano teve uma queda de 1,67%.
No acumulado do primeiro
bimestre de 2007, a Receita Previdência totaliza R$ 22,465 bilhões
- um crescimento real de 10,16%, em relação ao primeiro
bimestre de 2006.
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 15 de março de 2007 | Economia
Lula diz que encerra reforma ministerial
na próxima semana
Presidente busca empresário para substituir
Furlan no Ministério do Desenvolvimento
Leonencio Nossa e Tânia Monteiro

Lula senta ao lado de José Múcio, Roseana Sarney, Tarso Genro
e Romero Jucá
BRASÍLIA - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou aos partidos aliados nesta
quinta-feira, 15, durante a reunião do Conselho Político
que a reforma ministerial será concluída na semana que
vem. A informação foi confirmada pelo líder do governo
na Câmara, deputado José Múcio Monteiro (PTB-PE).
Nesta sexta-feira, 16, devem
tomar posse os ministros José Gomes Temporão, da Saúde,
Tarso Genro, da Justiça, e Geddel Vieira Lima, da Integração
Nacional. A posse do novo titular da Agricultura, Odílio Balbinotti,
foi adiada para a próxima quinta-feira, 22.
De acordo com o presidente do
PMBD, deputado Michel Temer, no entanto, Lula confirmou Balbinotti como
ministro da Agricultura. Havia dúvidas acerca da nomeação,
pois o indicado é réu em processo que corre no Supremo
Tribunal Federal (STF) por falsidade ideológica.
Ao sair da reunião desta
quinta-feira, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse
que "tudo indica" que a ex-prefeita de São Paulo Marta
Suplicy (PT) deve assumir o Ministério do Turismo.
Possíveis mudanças
De acordo com Berzoini, Lula
continua buscando um empresário para ocupar o cargo de Luiz Fernando
Furlan no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior. O presidente do PT não descartou a possibilidade de
o presidente nomear o atual ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia,
para o posto.
Porém, pouco antes, o
líder do PDT na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ), que
também participou da reunião, disse que Tarso, atual ministro
das Relações Institucionais, havia confirmado Mares Guia
como seu sucessor na pasta e o presidente do PDT, Carlos Lupi, como ministro
da Previdência.
Apesar das informações
desencontradas, Mares Guia disse nesta quinta-feira que Lula é a única
pessoa que pode decidir seu destino no segundo mandato. "A minha
vontade é servir onde ajude mais o governo", afirmou o ministro.
De acordo com Berzoini, a reunião
entre Lula e os representantes dos partidos aliados terminou sem uma
definição acerca do Ministério do Desenvolvimento
Agrário. Ele disse também que Paulo Vanucchi será mantido
na Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Também nesta quinta-feira,
a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou que Lula está definindo
a nova composição do Ministério "a seu tempo".
Ela reiterou que a substituição do ministro Luiz Carlos
Guedes Pinto, na pasta da Agricultura, só será oficializada
na próxima semana.
Resultados do encontro
Por volta das 13 horas, o Conselho
Político divulgou uma nota sobre o resultado do encontro. Segundo
o documento, a constatação foi de que a base do governo
está consolidada e atuará para votar projetos relevantes
para o País, como aqueles previstos no Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
A nota acrescenta que os líderes
do governo e dos partidos da coalizão "vão buscar
todas as formas de diálogo com a oposição para que
o Poder Legislativo cumpra com uma pauta de interesse da Nação,
baseada no crescimento do País e na distribuição
de renda".
A reunião do Conselho
Político começou por volta das 11h30 desta quinta-feira
e foi realizada na sala de audiências, ao lado do gabinete presidencial.
Também participaram do encontro os líderes do governo
no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
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CONSULTOR JURÍDICO,
16 de março de 2007
Nova composição
TST vota lista de indicados para duas
vagas de ministro
O plenário do Tribunal
Superior do Trabalho se reúne, nesta quinta-feira (15/3), às
15h, para elaborar uma lista quádrupla de indicados para duas
vagas de ministro, abertas com a aposentadoria dos ministros Ronaldo
Lopes Leal e José Luciano de Castilho Pereira. As duas vagas são
destinadas a juízes de carreira da Justiça do Trabalho.
De acordo com o Regimento Interno
do TST, os nomes são escolhidos por voto secreto e em escrutínios
sucessivos, por maioria absoluta, dentre os juízes de carreira
integrantes dos Tribunais Regionais do Trabalho. Quando há mais
de uma vaga a ser preenchida, a lista contém o número de
juízes igual ao das vagas mais dois.
A lista será encaminhada
ao presidente da República, a quem cabe a escolha dos dois nomes.
Os escolhidos passam por uma sabatina na Comissão de Constituição
e Justiça e pela aprovação do plenário
do Senado Federal, antes da nomeação.
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CONSULTOR JURÍDICO,
16 de março de 2007
Parte da remuneração
Motoboy incorpora ao salário
valor de aluguel de moto
Um motociclista contratado pela
empresa Sempre Editora para fazer entrega de jornais ganhou na Justiça
do Trabalho o direito de ter incorporados a seu salário os valores
pagos pelo aluguel de sua moto. A decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região, Minas Gerais, foi mantida pela
2ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O motoboy ajuizou reclamação
trabalhista contra as empresas Selo Logístico Empresarial, Sempre
Editora e Cooperativa dos Carreteiros de Contagem (Coopcar). Disse que
foi contratado em 2000, por meio da cooperativa, para trabalhar na distribuição
de jornais da Sempre Editora, do mesmo grupo econômico da Selo
Logístico. Afirmou que sua carteira de trabalho somente foi assinada
em janeiro de 2001 e que, durante esse período, trabalhou na condição
de cooperado.
O empregado afirmou que trabalhava
todos os dias, das 3h às 7h da manhã, sendo que duas vezes
por semana fazia cobranças até às 15h. Disse que
não tinha folgas e que o adicional noturno era pago em percentual
menor que o exigido por lei. Recebia quinzenalmente, além do salário,
uma parcela com rubrica separada denominada “frete”, relativa
ao aluguel de sua moto.
No dia 23 de novembro de 2004
foi demitido sem justa causa e, em julho do ano seguinte, ajuizou reclamação
trabalhista. Pediu a incorporação ao salário da
verba denominada “frete”, o pagamento em dobro dos domingos
e feriados trabalhados, diferenças de adicional noturno e horas
extras.
A empresas Sempre e Selo contestaram
a reclamação. Negaram o vínculo de emprego com o
motoboy em período anterior a 2001. Disseram que o contrato foi
firmado com a Coopcar para a entrega dos jornais O Tempo e Pampulha,
e somente em 2001 contrataram diretamente o empregado. Segundo os empregadores,
os valores pagos sob o título “frete” eram relativos
ao aluguel da moto e, como tal, não poderiam ser incorporados
ao salário.
A Coopcar, por sua vez, negou
a relação de emprego. Afirmou tratar-se de um cooperado,
não existindo fraude na intermediação de mão-de-obra.
A sentença foi favorável, em parte, ao empregado. O juiz
da 5ª Vara do Trabalho de Contagem (MG) declarou a existência
da relação de emprego com as empresas, condenou-as ao pagamento
das verbas solicitadas, com responsabilidade subsidiária da cooperativa,
mas indeferiu o pedido de integração ao salário
da verba referente ao aluguel de sua moto.
O empregado recorreu ao TRT-MG,
que reformou a sentença. O acórdão afirmou que “o
contrato de locação estava diretamente vinculado e condicionado
ao contrato de trabalho, ligado diretamente à atividade do empregado”.
Constatou que o contrato, dessa forma, foi formalizado com o intuito
de burlar a legislação trabalhista, buscando desvincular
o contrato de aluguel do contrato de trabalho, dando-lhe uma “aparência
de legalidade”.
O grupo de empresas, insatisfeito,
recorreu ao TST. Alegaram que a verba em referência tinha caráter
eminentemente civil, por se tratar de relação firmada em
contrato. Os argumentos não foram aceitos. Para o relator, ministro
Renato de Lacerda Paiva, a parte não conseguiu comprovar divergência
jurisprudencial válida.
AIRR-1719/2005-131-03-40.5
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de março de 2007
Adesão ao Simples não
isenta empresa de pagar Previdência, decide TRT-SP
O pagamento mensal e unificado
pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte) não exclui
a incidência do recolhimento previdenciário devido pelo
empregado. O entendimento é da 11ª Turma do TRT (Tribunal
Regional do Trabalho) da 2ª Região (São Paulo).
De forma unânime, os integrantes
da 11ª Turma negaram o agravo de petição da Brooklin
Comércio de Acumuladores Ltda. contra a cobrança de custas
de R$ 736, feita pelo INSS (Instituto Nacional de Seguro Social), sobre
acordo firmado na 18ª Vara do Trabalho de São Paulo.
A empresa foi à Justiça,
apresentando embargos à execução do montante, alegando
que optou pelo sistema Simples de tributação e, assim,
recolhe impostos sobre seu faturamento.
O INSS concordou em parte com
as razões da empresa, mas pediu seguimento na ação
de execução sobre a parcela devida pelo empregado (8%).
O pedido foi aceito pela Vara, e a empresa recorreu ao TRT-2.
No tribunal, o juiz Carlos Francisco
Berardo, relator do agravo, considerou válida a decisão
da Vara. Ele fundamentou sua decisão no artigo 3º, parágrafo
2º, alínea “h”, da Lei 9.317/1996, que instituiu
o Simples.
De acordo com o relator, a empresa
optou pelo Simples e “efetivamente tem incluso no recolhimento
que efetua sobre o faturamento, o valor correspondente a sua parcela
do INSS”. “Essa opção [Simples] não
diz respeito, nem atinge o trabalhador, notadamente em se tratando de
recolhimentos previdenciários decorrentes de acordo judicial”,
afirmou o relator.
Processo no TRT-2 00188200401802005
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/03/2007
Empregado acidentado ganha R$ 30 mil por
danos morais
A empresa ABB Ltda. não
conseguiu diminuir o valor da condenação por danos morais
que lhe foi imposta, de R$ 30 mil, em virtude de um acidente de trabalho
que vitimou um funcionário do seu almoxarifado. A Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade de votos, acompanhou
o voto do relator, ministro Renato de Lacerda Paiva, que entendeu correta
a condenação.
O trabalhador foi admitido pela
empresa em fevereiro de 1982 para exercer a função de almoxarife.
Em agosto de 1992, sofreu acidente de trabalho e, em abril de 2000, foi
aposentado por invalidez. Em fevereiro de 2001, ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando, dentre outras verbas, indenização
por danos morais, materiais e estéticos.
Contou, na petição
inicial, que no dia do acidente foi desviado de suas funções
para acompanhar o carregamento de um caminhão com rolos de arame
para aterramento de torres. No momento em que um dos rolos estava sendo
içado por um guindaste, a cinta de nylon que sustentava o rolo
se rompeu, caindo de uma altura de três metros em cima dele.
Disse que no momento do acidente
não recebeu o atendimento devido, sendo transportado de forma
indevida para o hospital, em estado gravíssimo. No pronto-socorro
ficou constatado que ele sofreu esmagamento do tórax, perfuração
de pulmão e fraturas no maxilar, cabeça e braço
esquerdo, permanecendo cerca de 25 dias em coma profundo, com constante
risco de morte, tendo sido submetido a diversas cirurgias.
Relatou, ainda, que a empresa
arcou com as custas hospitalares, mas tentou transferi-lo para um hospital
mais barato, mesmo não tendo condições para ser
transportado, o que só não ocorreu por interferência
de sua família. Em setembro de 1992, recebeu alta hospitalar e,
em dezembro, retornou ao trabalho, mesmo sentindo dores.
Alegou que ficou com diversas
seqüelas e que voltou a ser internado em 93, 94, 95 e 96, sendo
que desta última vez sofreu nova cirurgia para retirada de parte
do pulmão. Em 1998, foi internado novamente, ocasião em
que recebeu cinco pontes de sanefa. Em 2000, foi internado com angioplastia
e, finalmente, foi aposentado por invalidez.
O empregado disse que na época
em que retornou ao emprego foi humilhado pelos prepostos da empresa.
Contou que foi apelidado de “pé-na-cova” e preterido
na realização de cursos de aperfeiçoamento e qualificação,
sendo ameaçado de demissão por diversas vezes. Disse que
precisou ficar afastado do trabalho em razão do acidente, apresentando
atestados médicos e que em uma das vezes em que esteve no departamento
pessoal da empresa, foi ameaçado pelo gerente de ser expulso do
local com a intervenção de força policial.
Contou, também, que o
mesmo gerente destacou um guarda da segurança para acompanhá-lo
quando foi à empresa resolver problemas pessoais. Por tudo o que
passou, disse na petição inicial que se sentiu “absurdamente
violado em sua moral, em sua honra e em seu estado psíquico-emocional,
além do seu estado físico e sua imagem, com dano patrimonial
irreversível”. Pediu a condenação da empresa
no pagamento de danos morais, patrimoniais, psíquicos e estéticos,
além de pensão vitalícia e restabelecimento do convênio
médico que lhe foi suprimido.
A empresa, em contestação,
alegou que não houve dolo ou culpa do empregador no acidente que
vitimou o empregado. Disse que não ordenou que ele ficasse embaixo
do guindaste, e que o empregado correu ao perceber que o rolo ia desabar,
mas tropeçou e caiu, fato que não poderia ter sido evitado
pela empresa.
A ABB negou as humilhações
descritas pelo empregado e disse que deu a ele toda a assistência
necessária, incluindo transporte em ambulância aérea,
quarto individual no hospital e medicamentos. Disse também que
promoveu todos os atos necessários para que o trabalhador recebesse
o seguro por acidente pessoais, no valor de R$ 22 mil.
O juiz da 30ª Vara do Trabalho
de Belo Horizonte entendeu que houve omissão culposa da empresa
no acidente e condenou-a a pagar pensão vitalícia ao trabalhador,
restabeleceu a assistência médica do convênio e fixou
em R$ 30 mil a indenização pelos danos morais. O valor
pedido pelos danos estéticos não foi deferido porque não
houve comprovação das seqüelas deixadas pelo acidente.
A empresa, insatisfeita, recorreu.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais)
manteve a condenação. “É inequívoco
o nexo causal entre a conduta ilícita da empresa e o acidente
que vitimou o empregado. A culpa é evidente, não tendo
a empresa tomado as providências necessárias para evitar
que o fato ocorresse”, destacou o acórdão. “O
fato de o empregado estar mal posicionado quando do içamento dos
rolos de arame demonstra a falta de orientação da empresa
em relação aos procedimentos de segurança para transporte
de carga”, conclui.
A decisão do TRT/MG teve
por base o Relatório de Análise de Acidente que apontou
que as causas do sinistro foram o arranjo físico inadequado para
o transporte da carga, galpão desorganizado, posicionamento inadequado
do funcionário, equipamento inadequado para a tarefa, posicionamento
incorreto das cintas de nylon e rompimento em face do mal estado de conservação
do material. “Tendo em vista a gravidade das lesões, entendo
razoável a indenização fixada em R$ 30 mil, que
corresponde a 32 vezes o valor recebido do INSS pelo empregado”,
finalizou o acórdão do TRT/MG.
A empresa recorreu ao TST. A
decisão foi mantida porque a empresa não conseguiu demonstrar
violação à Constituição ou a dispositivo
de lei federal, nem divergência jurisprudencial. “Ficou evidenciada
a culpa da empresa, na medida em que não tomou as providências
necessárias para evitar o fato”, destacou o ministro Renato
Paiva. (RR-191/2001-109-03-00.8)

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