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Nova Central, 17 de março
de 2007
Lula sanciona Super Receita e veta Emenda 3
O presidente Luiz Inácio lula da Silva sancionou o projeto de lei
que cria a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conhecida como Super
Receita. O único veto foi da Emenda 3, acrescentada e aprovada pelo
Congresso Nacional. A proposta diminuia o poder dos auditores fiscais ao
transferir para a Justiça do Trabalho a decisão sobre a fiscalização
e multa de empresas. Isso proibia, por exemplo, auditores fiscais multarem
empresas que contratavam serviços de profissionais por meio de pessoas
jurídicas para desconfigurar relação trabalhista.
E também poderia inviabilizar o combate ao trabalho escravo.
Na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, a
emenda poderia causar "constrangimentos jurídicos".
A Emenda 3 impedia que os auditores fiscais multassem empresas por contratarem
para prestação de serviço pessoas jurídicas
de caráter "personalíssmo" - neste tipo de prestação
de serviço apenas uma pessoa atua para a empresa, mas a relação
não se configuraria como trabalhista porque há um contrato
entre duas empresas. Em muitos casos, um empregado autônomo abre
uma firma onde apenas ele é empregado, como pessoa jurídica,
como atualmente ocorre em muitas empresas de comunicação.
"A emenda interfere no lado tabalhista. Veda a fiscalização
trabalhista. Além disso, ela não tem uma redação
clara e dá margem a controvérsias jurídicas",
disse o ministro da Fazenda, ao justificar o veto à emenda. Em
uma reunião com lideres da base aliada, o presidente Lula decidiu
que o governo encaminhará ao Congresso um projeto de lei que atenda
os objetivos da emenda, sem, no entanto, ferir a legislação
trabalhista.
"É uma relação de trabalho nova no brasil.
e por isso a legislação anterior não consegue dar
conta dessas mudanças. Queremos construir uma legislação
nova que assegure os direitos e que impessa que haja desentendimentos
ou abusos por parte das empresas", afirmou Mantega. O ministro informou
que a formatação do novo projeto será discutida
com representantes das centrais sindicais e também com as associações
que representam o setor de serviços para construir juntos uma
legislação que atenda às exigências das novas
relações de trabalho.
Após a aprovação da medida no Congresso Nacional,
a emenda foi criticada por centrais sindicais, por organizações
não-governamentais (ONGs) e pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
com o argumento de que institucionalizaria o fim da fiscalização
do trabalho. Por outro lado, foi defendida pela Ordem dos Advogados do
Brasil, seção São Paulo (OAB-SP), e pelo ex-secretário
da Receita Federal, Everardo Maciel, pelo fato de dar poder à Justiça
do Trabalho. Fonte: Agência Brasil
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Folha de São Paulo,
17 de março de 2007
Veto cerceia direitos, dizem especialistas
Everardo Maciel e Ives Gandra Martins afirmam
que governo não pode interferir em contratos realizados entre
empresas | Ex-secretário da Receita e advogado entendem que
veto de Lula foi inócuo e que será preciso começar
do zero para pôr fim à questão
DA REPORTAGEM LOCAL
O veto do presidente Lula ao
texto da emenda 3, que estabelece que somente a Justiça do Trabalho
poderá desconsiderar a existência de contratos entre pessoas
jurídicas, e o envio de projeto de lei ao Congresso são
o reconhecimento do governo de que não há lei que regulamenta
o assunto e, portanto, que todas as multas aplicadas até agora
pela fiscalização da Receita Federal são ilegais.
Esse é o entendimento de Everardo Maciel, ex-secretário
da Receita Federal no governo FHC (1995-2002), e do advogado Ives Gandra
da Silva Martins, professor emérito do Mackenzie e da UniFMU,
ao analisar ontem os efeitos do veto presidencial ao texto da emenda
aprovada pelo Congresso.
Segundo o entendimento de Everardo
e de Gandra Martins, ao vetar a emenda e enviar um novo projeto de lei
ao Congresso, o governo está reconhecendo que não havia
lei que amparasse os atos da fiscalização. Conseqüência:
todas as multas aplicadas até agora são ilegais. Pelo artigo
116, parágrafo único, do Código Tributário
Nacional, "a autoridade administrativa poderá desconsiderar
atos ou negócios jurídicos com a finalidade de dissimular
a ocorrência do fato gerador (...), observados os procedimentos
a serem estabelecidos em lei ordinária".
A desconsideração
da pessoa jurídica dependia da aprovação de "procedimentos
especiais", segundo Everardo. Nesse caso, ocorre o que os especialistas
definem como "eficácia limitada ou restrita" da lei.
Assim, seria preciso definir os "procedimentos especiais" via
nova lei. Gandra Martins diz que o veto é inócuo porque
o artigo 129 da lei nº 11.196/2005 está em vigor. Ele prevê a
possibilidade de prestação de serviços intelectuais
por pessoas jurídicas, mesmo em caráter personalíssimo
-uma pessoa prestando serviços para uma empresa.
Além disso, os especialistas
entendem que desfazer um contrato entre duas empresas contraria um direito
assegurado pela Constituição.
Não será aprovado
Como entende que o veto tornou
ilegais todas as multas impostas até agora, o advogado afirma
que é preciso "começar do zero". Mas ele vê problemas
pela frente, pois acredita que o Congresso não vai aprovar o projeto. "Como
não aprovou no governo FHC, com a medida provisória nº 66,
não acredito que aprove agora." Ele se refere à MP
de agosto de 2002, que, em seus artigos 13 a 19, tratava de normas anti-elisão
e dava superpoderes aos fiscais da Receita Federal.
Para Gandra Martins, uma
forma de resolver a polêmica seria o governo chamar especialistas
para debater o tema, e não impor uma regra à força.
Everardo entende que a polêmica existe porque o tema envolve
matéria interpretativa e subjetiva. É difícil,
diz ele, alguém provar que em um contrato o serviço foi
prestado por uma pessoa física ou por uma jurídica. Por
isso, ele diz que não sabe se o Congresso aprovará ou
não o novo projeto, pois a questão é também
política.
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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2007
A favor
Procuradores e centrais
apóiam veto
DA REPORTAGEM LOCAL
Sindicalistas e procuradores do trabalho
elogiaram o veto à emenda 3.
Para João Felício, da CUT, a emenda significava "um caminho" para
a flexibilização de direitos trabalhistas. A central pretende
fazer pressão na Câmara para impedir que o veto de Lula seja derrubado.
Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, afirma que a emenda "é nefasta
para os trabalhadores, porque abre espaço para a precarização
no mercado de trabalho".
Para a ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho),
o veto é "uma vitória de todos os trabalhadores brasileiros".
(CLAUDIA ROLLI)
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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2007
Contra
Para oposição,
veto prejudica livre iniciativa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os líderes do PSDB e do PFL afirmaram que a oposição continuará a
obstruir as votações no Senado até que Lula encaminhe
ao Congresso o projeto de lei que regulamente a relação entre
prestadores de serviço e empresas.
Para o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, a decisão
gera aumento da carga tributária e atinge a livre iniciativa. O PSDB
e o PFL tentarão derrubar o veto.
Entre os favoráveis à sanção da emenda estão
as confederações nacionais da indústria, de serviços
e de saúde, associações dos setores de imprensa, publicidade,
odontologia e transporte de carga.
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Agência Diap, 17 de
março de 2007
Contribuição Assistencial
Projeto será apreciado no plenário
do Senado
Foi frustrada a expectativa do movimento sindical de que o PLS 248/06, que
regulamenta a contribuição assistencial, seguisse direto para
exame da Câmara, após a votação em caráter
terminativo na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Recurso apresentado à Mesa
do Senado requer que a matéria passe pelo plenário da Casa.
Conforme foi apurado pela assessoria
do DIAP junto à Secretaria-Geral da Mesa do Senado, o recurso
contra a decisão conclusiva da CAS será lido em plenário
na próxima semana.
O recurso foi assinado
por nove senadores: Almeida Lima (PMDB/SE), Marcelo Crivella (PRB/RJ),
ACM (PFL/BA), Marconi Perillo (PSDB/GO), Gerson Camata (PMDB/ES), Jarbas
Vasconcelos (PMDB/PE), Mão Santa (PMDB/PI), Mário Couto
(PSDB/PA) e Osmar Dias (PDT/PR).
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Congresso em Foco, 17 de
março de 2007
A volta por cima de Collor
Em discurso de três horas, ex-presidente
dá sua versão do impeachment e é saudado por
15 senadores
Sylvio Costa *
Pelas normas regimentais, cada
senador dispõe de 20 minutos para fazer um discurso. O ex-presidente
e senador recém-empossado Fernando Collor (PTB-AL) tomou a palavra
ontem, na tribuna do Senado, às 17h30 e encerrou seu pronunciamento
três horas depois. Só foi interrompido para receber as homenagens
de outros parlamentares – 15 no total.
Reencontrando-se com o palco
principal da política brasileira, após longo período
de ostracismo, Collor discursou exatamente 17 anos depois de ter sido
empossado presidente e 14 anos, dois meses e 14 dias após ter
sido definitivamente afastado do cargo pelo mesmo Senado que ontem lhe
ofereceu espaço para dar sua versão dos acontecimentos.
No longo discurso, relatou em detalhes sua visão dos fatos que
o levaram a permanecer oito anos sem direitos políticos.
Pontos do discurso
Expôs suas dores: “Não é fácil
volver os olhos ao passado e reviver, em toda a sua extensão,
a tortura, a angústia e o sofrimento de quem, agredido moralmente,
acusado sem provas, e insultado e humilhado durante meses a fio, teve
que suportar as agruras de acusações infundadas e a condenação
antes mesmo de qualquer julgamento”.
Lembrou que foi absolvido pelo
Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 1994: “Como evidenciam
os pronunciamentos dos ilustres magistrados que me julgaram, não
há, nos autos, nos documentos e nos depoimentos das testemunhas
ouvidas, comprovação de nenhum ato ilícito que eu
tenha, em qualquer momento, praticado como presidente da República.
Fui afastado na suposição, e tão-somente na suposição,
de que as acusações que me fizeram fossem verdadeiras”.
Enumerou erros jurídicos
cometidos durante o processo de impeachment. Comparou-se a figuras histórias
apeadas do poder no país, como D. Pedro I, D. Pedro II, Getúlio
Vargas, Café Filho e João Goulart. E atribuiu seu afastamento
do Palácio do Planalto a uma "grande farsa" articulada
por adversários "movidos pelo rancor".
Admitiu, no entanto, que contribuiu
para o desfecho da crise que o dragou o fato de não ter sido capaz
de se relacionar de forma adequada com o Congresso e os políticos.
O ex-presidente ressaltou que seu partido à época, o PRN,
possuía apenas 8,4% das cadeiras do Congresso. “Dediquei
80% à administração. E o presidente da República é o
líder político, tem que fazer política”, disse,
durante os apartes.
E se emocionou muito e, em pelo
menos um momento, chorou. Quando, apontado como vítima de injustiça
pelo senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), lembrou do episódio que
viveu no dia em que deixou o Palácio da Alvorada, de helicóptero,
em setembro de 1992, após a Câmara dar início ao
processo de impeachment. Pediu ao piloto que sobrevoasse a cidade-satélite
de Santa Maria e ouviu um não como resposta, sob o pretexto de
que não havia combustível para isso.
Apartes
O Senado parou para ouvir Collor.
Numa cena rara, em um plenário cheio, senadores e assistentes
deixaram de lado as tentadoras conversas ao pé do ouvido para
escutarem, atentos, o discurso do senador alagoano. O líder do
PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), foi o primeiro a apartear
e resumiu o tom de vários apartes seguintes: mesmo que as denúncias
feitas no passado contra Collor fossem verdadeiras, o ex-presidente já foi
mais do que punido por eventuais erros que tenha cometido. “Vossa
Excelência pagou um preço muito alto, num país onde
quase ninguém paga preço algum”, afirmou Virgílio.
Saíram do senador Mão
Santa (PMDB-PI) algumas das palavras de apoio mais entusiástico
a Collor, que, para ele, foi "um presidente da República
extraordinário". “O Congresso errou”, arrematou
Mão Santa, referindo-se ao impeachment de 92. Encerrado o discurso,
o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), saudou: “Só a
democracia proporciona o espetáculo exuberante que vivemos aqui. É forçoso
reconhecer que Vossa Excelência é hoje maior do que foi
um dia”.
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Folha de São Paulo,
17 de março de 2007
ARTIGO
A farsa de Collor
MARCO ANTONIO VILLA
ESPECIAL PARA A FOLHA
NA ÚLTIMA quinta-feira,
o Senado Federal protagonizou mais um triste espetáculo. O senador
Fernando Collor foi à tribuna e discursou por mais de três
horas. Foi aparteado diversas vezes, sempre com rasgados elogios. Chorou,
assim como outros senadores choraram. Se um estrangeiro estivesse assistindo à sessão
e desconhecesse a história recente do Brasil, poderia imaginar
que o senador alagoano teria sido vítima de um processo cruel,
de uma injustiça sem tamanho. Ledo engano.
Collor foi impedido de continuar
na Presidência da República não por algum artifício
das elites, mas por ter ferido gravemente a ética republicana.
Depois de uma CPI -e com um presidente, Benito Gama, que era do PFL,
partido que apoiava o governo- foi pedido o impeachment por uma ampla
gama de entidades da sociedade civil, lideradas pela OAB e pela ABI,
sem esquecer a participação do movimento estudantil, que
liderou inúmeras passeatas pelo Brasil. A Câmara dos Deputados
aprovou o impeachment por 441 votos a favor e apenas 38 contra. No Senado,
foram 76 favoráveis e cinco contra. De acordo com pesquisa do
Datafolha, pouco antes do impedimento, 84% da população
considerava o governo ruim ou péssimo.
Portanto, o resultado do processo
não foi uma armadilha da elite contra o presidente dos "descamisados",
mas produto de dois anos e meio de um governo desastroso e que já tinha
anunciado seus "métodos de trabalho" quando, às
vésperas do segundo turno da eleição presidencial,
em dezembro de 1989, levou ao horário eleitoral gratuito uma ex-namorada
de Lula que o acusava de ter sugerido um aborto, depoimento que foi decisivo
para a vitória de Collor.
Logo ao assumir congelou todos
os ativos financeiros, infelicitando a vida de milhões de brasileiros
e arruinando a vida de milhares de pequenos poupadores. Fez dois planos
de estabilização econômica que fracassaram redondamente.
A inflação em 1990 foi de 1.198%, no ano seguinte "caiu" para
481% e em 1992 chegou a 1.157% . O crescimento do PIB foi negativo em
1990 (4,3%), quase nulo no ano seguinte (0,3%) e voltou a ser negativo
em 1992 (0,8%).
Se os resultados econômicos
foram péssimos, pior ocorreu com a ética republicana. Desde
a posse foram surgindo na imprensa diversas denúncias de corrupção.
Com o passar dos meses, a figura sinistra de Paulo César Farias,
ex-tesoureiro da campanha de Collor, se transformou em eminência
parda de negócios nebulosos envolvendo empresas fornecedoras do
governo federal. Em 1992, foi o próprio irmão do presidente,
Pedro Collor, que denunciou um esquema de corrupção que
supostamente envolvia PC Farias e Collor, motivo da abertura da CPI.
Vestir o figurino de republicano
impoluto, buscar com os assessores citações de autores
clássicos, comparar-se com outros presidentes (e com exemplos
equivocados, como a "extradição" de Washington
Luís), falar com voz embargada, tudo foi uma farsa. Como ensina
o dicionário Houaiss: "uma ação ou representação
que induz ao logro; mentira ardilosa, embuste".
MARCO ANTONIO VILLA, 50, é professor
de história da Universidade Federal de São Carlos (SP)
e autor de "Jango, um Perfil (1945-1964)".
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Folha de São Paulo,
17 de março de 2007
ARTUR HENRIQUE
FGTS e poupança: coisa
nossa
A TR é um exemplo de como
questões centrais não podem ficar restritas a técnicos
que têm o olhar só ao mercado
O GOVERNO federal costuma
nos pregar sustos inacreditáveis. O mais recente é obra
do CMN (Conselho Monetário Nacional), que decidiu adotar um
redutor para a TR (Taxa Referencial) que vai afetar diretamente -e
para baixo- o rendimento da caderneta de poupança e das contas
individuais do FGTS, assim que a Selic ficar abaixo de 12%.
De um só golpe foram atingidos dois patrimônios dos trabalhadores.
Algo que destoa de uma linha de elaboração política esboçada
no atual governo, a de compartilhar decisões por meio de diálogo
com a sociedade. É evidente que tal método passa bem longe dos
torreões do CMN, que, uma vez mai,s só ouviu o sistema financeiro.
A CUT tem proposto com insistência a abertura do Conselho Monetário
Nacional à participação do setor produtivo, com poder
decisório para trabalhadores e empresários. Não conseguimos
compreender as razões de o governo não atender a esse apelo.
Qual o temor? Talvez seja o de que as resoluções do CMN deixem
de parecer com as bulas de remédio tal como eram em sua origem, com
informações inextricáveis para o homem comum e sem o item "efeitos
colaterais".
A TR é um bom exemplo de como questões centrais para nossa economia
não podem ficar restritas a técnicos que têm o olhar voltado
apenas para o mercado financeiro. Nossa realidade difere da existente quando
da criação da TR, numa época de inflação
alta, e também não é a mesma dos últimos anos,
em que a taxa Selic era bem maior do que a atual -ainda alta, em nossa opinião.
O debate em torno da mudança da base de cálculo da TR é necessário,
mas com qual viés? (peço licença ao Copom para tomar emprestado
o termo). Do modo como foi tomada, sem nos ouvir, essa decisão privilegiou
os bancos, conforme denunciado pela nossa imprensa.
Enquanto isso, o FGTS permanece engessado a regras que restringem sua rentabilidade à mísera
equação TR + 3%. Importante lembrar que o FGTS foi criado há 40
anos para extinguir a estabilidade no emprego -outro exemplo da cota de sacrifício
a nós constantemente imposta.
É o mesmo FGTS do qual o governo pretende utilizar parte do patrimônio
líquido para alavancar obras de infra-estrutura no bojo do PAC. Proposta
cujo princípio consideramos correto, porque retira recursos da ciranda
financeira e os direciona a atividades produtivas, e que está sendo aperfeiçoada
a partir de reivindicações encaminhadas pelo movimento sindical
-exigir que os financiados pelo fundo garantam contrapartidas sociais, como geração
de empregos formais, e poder de decisão dos trabalhadores no comitê gestor
dos investimentos.
O que importa destacar aqui é que, mais uma vez, os trabalhadores são
chamados a participar do esforço pelo crescimento, enquanto os bancos
isentam seus ganhos exuberantes de qualquer perspectiva social. Nem por isso
deixam de ser atendidos, como no caso da TR, enquanto nós parecemos
muitas vezes clamar no deserto.
O FGTS, na visão da CUT, precisa passar por transformações
que ampliem sua rentabilidade e que direcionem seu patrimônio total para
finalidades produtivas, que gerem emprego decente e crescimento com vocação
redistributiva. Outra questão sensível, mas que merece análise,
refere-se às ocasiões em que os trabalhadores podem sacar suas
contas individuais. De qualquer maneira, é impossível delegar
debate dessa envergadura a tecnocratas.
A caderneta de poupança, outro patrimônio dos trabalhadores, incomoda
o sistema financeiro, especialmente em cenário de juros decrescentes,
não só porque impede o lucro com altas taxas de administração,
mas especialmente pelo fato de obrigá-lo, em tese, a destinar ao menos
65% dos depósitos na caderneta para financiamentos imobiliários.
Um tipo de disciplina que contraria a tese do lucro fácil e que, apesar
da legislação, não raro é desobedecido pelos bancos.
O BC precisa cumprir outro de seus papéis, o de fiscalizador do sistema
financeiro, que implica em cobrar obrigatoriedades como essa. Um bom começo
seria a regulamentação do artigo 192 da Constituição,
para acabar com a omissão. A queda da TR é trágica. Vamos
nos mobilizar para reverter essa decisão e também para ampliar
de uma vez por todas o CMN.
ARTUR HENRIQUE, 45, eletricitário
e sociólogo, é presidente nacional da CUT (Central Única
dos Trabalhadores).
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Folha
de São Paulo, 18 de março de 2007
Sindicato contesta taxa escolar cobrada
pelo Sesi
Metalúrgicos do ABC dizem que entidade
não tem fins lucrativos e recebe verba federal
Sindicato aciona MPF contra a cobrança em
211 unidades em SP; entidade diz que recursos ampliam qualidade e serviços
para os alunos
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os metalúrgicos da CUT
entraram com uma representação no Ministério Público
Federal de São Paulo contra a cobrança de uma taxa escolar
em 211 unidades do Sesi do Estado de São Paulo. Para o Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC (CUT), a cobrança é indevida
porque o Sesi recebe verba federal, além de ser uma entidade
sem fins lucrativos. O Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo (Força Sindical) estuda entrar com ação
judicial contra a taxa.
Os recursos do Sesi -assim
como os de outras oito entidades privadas que compõem o Sistema
S (Senai, Sesc, Sebrae etc)- são obtidos a partir de um percentual
recolhido compulsoriamente sobre a folha de pagamento das empresas.
As indústrias recolhem para o INSS 1,5% sobre os salários.
Esse valor é repassado pelo INSS ao Sesi, que desenvolve políticas
sociais voltadas para aprendizagem e lazer dos alunos -filhos de trabalhadores.
Iniciada neste ano, a cobrança da taxa escolar -ou de mensalidade, como
entendem pais de alunos- atinge 125 mil alunos no Estado. No ensino infantil,
os 6.000 alunos pagam R$ 700 anuais, em dez parcelas.
No ensino fundamental, são
cobrados entre R$ 300 e R$ 500 por ano, pagos em dez parcelas mensais,
para os que estudam meio período. Para os alunos do ensino fundamental
em período integral, o custo anual é de R$ 1.000 -em
dez vezes. No ensino médio, o valor é de R$ 2.500 (12
parcelas). "A cobrança é indevida porque o Sesi é uma
entidade sem fins lucrativos. Temos informação de que,
em outros Estados, quando é cobrado algum valor, é simbólico,
como uma taxa de APM [Associação de Pais e Mestres].
Não é mensalidade", diz Rafael Marques, secretário-geral
do sindicato no ABC.
Para ele, o fato de a entidade
registrar superávit em suas contas há três anos
justifica a não-cobrança da taxa. "Em 2006, sobraram
R$ 140 milhões no caixa do Sesi. A entidade também tem
parceria com algumas prefeituras. O que justifica a cobrança?
Investimentos? Nem todas as unidades têm computadores e piscinas." "Se
as escolas do Sesi já recebem recursos das empresas, por que
devemos pagar? O maior problema é o retorno dessa cobrança,
onde será investido?", diz Letícia Carvalho, mãe
de aluna. "Terei de tirar um de meus filhos do Sesi. Não
tenho condições de pagar R$ 300 mensais [taxa de um filho
no ensino fundamental e de outro no médio]", diz Nailde
Alves Souza, mãe de dois alunos.
Outro lado
Luis Carlos de Souza Vieira,
superintendente de operações do Sesi São Paulo,
diz que a cobrança de taxas e mensalidades já ocorre
em outros Estados e que os recursos são investidos para ampliar
a qualidade e os serviços para os alunos. "Os recursos
recebidos [das empresas e a receita de serviços] são
aplicados na atividade-fim, o que é permitido e sempre foi." No
Espírito Santo, os alunos do Sesi pagam R$ 199 ao mês
no ensino infantil e de R$ 219 a R$ 229 no fundamental. Em Santa Catarina,
pagam ao mês de R$ 230 a R$ 260 (infantil) e de R$ 300 a R$ 380
(fundamental).
"A obrigação
de oferecer o ensino fundamental é do Estado. A indústria
paulista entende que o filho do trabalhador merece uma escola de qualidade,
por isso estamos investindo em um processo de reestruturação,
com ampliação de unidades e novos cursos. Isso tem um
custo", diz. No caso do ensino médio, explica Vieira, além
das aulas no Sesi, os estudantes participam de cursos profissionalizantes
no Senai, por meio de uma parceria entre as entidades. "Foram
investidos R$ 18 milhões em informática. Para 2007, a
previsão de investimento é de R$ 140 milhões."
Vieira diz que as famílias
sem condições de pagar estão isentas da cobrança
-a renda per capita deve ser inferior a um salário mínimo
(R$ 380). Hoje, a média de alunos isentos da cobrança
está em torno de 20%. "A taxa não tem objetivo arrecadatório.
Se tivesse, não seria dada isenção." Ele
esclarece que há desconto a famílias com mais de um filho
na escola -5% para o segundo estudante e 10% para três ou mais
alunos. O MPF informa que as informações do sindicato
foram encaminhadas para a área de qualidade do serviço
público, que decidirá se abrirá um procedimento
para investigar o caso.
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Folha
de São Paulo, 19 de março de 2007
Após queda, PMDB reabre disputa
pela Agricultura
Decisão de nome do ministro pode ser tomada
hoje em encontro de Temer com Lula
Tadeu Filippelli, Waldemir Moka e Reinhold Stephanes
são os mais cotados; outros dois deputados indicados já foram
investigados no STF
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A desistência de Odílio
Balbinotti para o Ministério da Agricultura acirrou a disputa
dentro do PMDB pelo cargo. Três dos 91 deputados federais do
PMDB são os mais cotados: Tadeu Filippelli (DF), Waldemir Moka
(MS) e Reinhold Stephanes (PR). A decisão pode sair hoje em
reunião do presidente nacional da legenda, Michel Temer, com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se Lula se limitar à lista
apresentada pelo PMDB para o cargo, poderá enfrentar novo episódio
Balbinotti, que desistiu da indicação anteontem, após
suspeita de usar laranjas para obter empréstimo bancário.
Dois dos nomes sugeridos pelo
PMDB -Fernando Diniz (MG) e Valdir Colatto- já foram alvos de
investigações movidas pelo Ministério Público
no Supremo Tribunal Federal por suspeitas de corrupção
e falsidade ideológica, entre outras acusações.
A Folha não conseguiu localizá-los ontem. Outros três
-Filippelli, Stephanes e Moka- são ex-adversários ferrenhos
dos petistas que agora procuram se aproximar de Lula para ter chance
de levar a vaga. O derradeiro nome, Eunício Oliveira (CE), esbarra
no pouco apoio na bancada federal para voltar a ser ministro -já ocupou
a pasta das Comunicações no primeiro mandato de Lula.
Dos candidatos à vaga,
quem se movimentou mais ostensivamente é Filippelli. Ex-inimigo
do PT do Distrito Federal, ele tem hoje relação civilizada
com caciques do partido, como o deputado Geraldo Magela (DF). Mas,
na campanha de 2002 ao governo do DF, chegou a pedir no STF apuração
de crime contra Magela. No final de semana, Filippelli procurou Temer
e o líder da bancada peemedebista, Henrique Alves (RN), para
sondar quais são suas chances. Ele tem três trunfos a
seu favor: é do Centro-Oeste, uma região predominantemente
agrícola; tem a simpatia de Arlindo Chinaglia (PT-SP), a quem
ajudou na eleição para presidir a Câmara; e construiria
uma ponte com o influente senador e ex-governador do DF, Joaquim Roriz.
Já Moka alega que as
críticas a Lula são coisa do passado. Stephanes é respeitado
em todos os partidos, mas foi ministro do governo FHC. A lista de processos
que já passaram pelo STF envolvendo Colatto é extensa.
Vai desde ações propostas pelo Ministério Público
por suspeita de peculato (delito praticado por funcionário público
em razão do cargo), de crime contra a fé pública,
de falsidade ideológica e de favorecimento à sonegação
fiscal. Hoje, o sistema do Ministério da Fazenda não
emite certidão negativa conjunta de débitos relativos
a tributos federais e à dívida ativa da União
para Colatto. Ou seja, ele tem impostos pendentes.
A Folha não conseguiu
confirmar o resultado dos processos contra o deputado, dos quais a
maioria voltou à Justiça de Santa Catarina, onde as ações
tiveram origem. No início dos anos 90, Fernando Diniz chegou
a ser investigado em processo no STF por suspeitas de crime eleitoral
e corrupção. Mas o caso foi arquivado. (FÁBIO
ZANINI, KENNEDY ALENCAR E LEONARDO SOUZA)
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 19 de março de 2007 | Economia
Para compensar perdas, móveis
brasileiros conquistam a África
Concorrência chinesa em mercados
tradicionais faz indústria buscar novos caminhos
A indústria de móveis brasileira trabalha duro para ampliar sua
participação no comércio exterior. Com uma fatia de apenas
1% no mercado mundial, as exportações do setor sofreram um revés
no ano passado, quando caíram 5,6% em relação a 2005. As
dificuldades, enfrentadas em grande parte por conta do real valorizado, serviram
para dar impulso a uma pulverização nas vendas. Os três maiores
compradores do Brasil passaram a adquirir 10% menos produtos entre 2005 e 2006.
Mas a conquista de novos mercados, principalmente na África, minimizou
a queda das exportações e se tornou o caminho que muitas empresas
querem seguir.
Estados Unidos, Reino Unido e França, os três principais destinos
dos móveis brasileiros, adquiriram US$ 520 milhões em mercadorias
em 2005. No ano passado, esse valor caiu para US$ 427 milhões. Por outro
lado, países que tinham participação irrisória nas
vendas brasileiras, principalmente do continente africano, começaram a
ganhar destaque nas estatísticas. Angola já é um consumidor
dos móveis brasileiros há alguns anos, e em 2006 comprou US$ 29,4
milhões, alta de 148% em relação ao ano anterior. Para a
Namíbia foram exportados US$ 6 milhões em mercadorias (variação
de 33%); Cabo Verde comprou US$ 1,2 milhão (108%); e Moçambique,
US$ 2,5 milhões (54,5%).
Movelpar ajuda na negociação
De acordo com os empresários do setor moveleiro, o contato com empresas
de diferentes países é possível por meio das rodadas de
negócios internacionais promovidas pelas feiras do setor, como é o
caso da Movelpar – Feira de Móveis do Paraná – que
ocorreu na semana passada em Arapongas. O projeto Comprador Internacional, promovida
pela Movelpar, espera proporcionar negócios no valor de US$ 15 milhões,
incluindo o período pós-feira.
A Molufan Estofados
iniciou os contatos com empresários de outros países
pela primeira vez nesta edição da Movelpar. De acordo
com o administrador Fabrício Moura a busca de novos mercados é fundamental
para a expansão dos negócios. “Estamos otimistas
em fazer contatos com empresas dos Estados Unidos e África”,
afirmou.
A Fiasini Móveis começou
a exportar no ano passado para alguns países da África,
América do Sul e Central. O diretor comercial da empresa, Paulo
Sérgio Novo, diz que o contato inicial ocorreu no ano passado
em uma feira de Bento Gonçalves. “Conquistamos clientes
na África que antes compravam da Europa e não estavam
mais conseguindo pagar em euro”, conta.
Mas o caminho nem sempre é fácil.
A empresa de estofados de pequeno porte D’Monegatto vendia para
o Chile e alguns países africanos, mas teve de suspender os
negócios. “Os estofados são muito volumosos e o
preço do frete, por causa do dólar, ficou muito alto”,
diz um dos sócios da empresa, Donizete Monegatto. (RF)
Alguns países que haviam adquirido apenas algumas peças de mostruário
em 2005 começaram a comprar coleções completas no ano
passado. Neste caso estão Bulgária, que importou do Brasil US$
21 mil em 2006 (alta de 588%); Croácia, com US$ 17 mil (variação
de 1.755% em relação aos US$ 935 comprados no ano anterior);
e Burkina Faso, que havia comprado apenas US$ 321 dólares e em 2006
fechou contrato no valor de US$ 57 mil (variação de 1.777%).
De acordo com um dos conselheiros
do consórcio de exportação de móveis Conex, Élison
Estrada, os móveis brasileiros conseguem manter a competitividade
em alguns mercados mesmo com o dólar baixo. “O custo dos
produtos da China é imbatível. Mas eles têm problemas
de qualidade e de assistência técnica”, afirma.
Os norte-americanos, tidos como pouco exigentes, compraram mais da
China, que oferece mercadorias a preços inferiores, mas empresários
de outros países preferiram pagar um pouco mais para ter um
produto melhor. Além disso, explica Estrada, a China costuma
operar em grandes volumes e não vende para pequenos e médios
consumidores.
Os móveis populares
do Brasil também têm grande apelo junto a alguns mercados. “Grande
parte do continente africano consome produtos mais populares, mas na África
do Sul, por exemplo, os clientes têm um nível médio-alto
e na Argélia há muita demanda por sofás de couro”,
diz Estrada, que também é diretor industrial do grupo
M.E. Gonçalves, dona das marcas Móveis Estrela e Spazzio
Nobre.
Assessoria
Para o executivo, a conquista
desses mercados mercados está diretamente ligada aos negócios
promovidos pelo Conex. Criado há quatro anos como uma associação,
o consórcio agora é uma empresa formada por 19 fábricas
do pólo moveleiro de Arapongas (norte do Estado). Além
de coordenar as próprias exportações, o Conex
presta assessoria na área para outros empresários. Segundo
Estrada, as vendas externas promovidas pelo Conex atingiram US$ 9 milhões
em 2006, 54% acima do valor negociado em 2005. “Começamos
primeiro pela América Central e pela América do Sul,
passamos a fazer contatos com a África e no ano passado começamos
a operar com alguns países do Oriente Médio”, relata.

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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
17 de março de 2007
Brasil pode aumentar exportação
de móveis
Importadores que participaram da Movelpar
buscavam produtos mais baratos que os europeus, mas com qualidade
superior aos da China
Divulgação/Gabriel Teixeira

Durante todos os dias da feira o movimento foi constante: 825 encontros de
negócios, com margem de negociação perto de US$ 16 milhões

Max Uromem, importador: negócio com seis empresas

Valmir Vasconcelos, da Colibri Móveis: empresa já exporta para
20 países
Se depender dos importadores que participaram da Movelpar 2007 - Feira de Móveis
do Paraná - realizada em Arapongas (37 km a oeste de Londrina) durante
essa semana, o Brasil poderá obter um bom desempenho do setor no mercado
externo. Em busca de produtos com preços inferiores aos praticados na
Europa, mas com qualidade superior aos da China, os compradores deixaram a
feira bastante satisfeitos com o que encontraram, afirmando que além
dos negócios já firmados durante o evento, têm planos futuros
para novos contratos.
A boa impressão dos importadores
pode ser comprovada com os números finais das rodadas de negócio
realizadas durante a Movelpar: foram 825 encontros, com margem de negociação
perto de US$ 16 milhões, maior que a expectativa inicial. As rodadas
foram realizadas pelo Projeto Comprador Internacional, organizado pelo
Sebrae e Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas
(Sima), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias
do Mobiliário (Abimóvel) e Agência de Promoção
de Exportações e Investimento (Apex).
O importador holandês Max
Uromem afirmou que encontrou na feira produtos de qualidade e com designer
diferenciado, parecidos com os europeus, mas com preços inferiores.
''Isso é muito atraente. Fechei negócio com seis empresas,
e tenho intenção de aumentar as importações
durante o ano'', garantiu. Segundo ele, o Brasil pode sair na frente
da China, principalmente no quesito qualidade. ''O mercado europeu é muito
exigente, por isso procuramos por produtos que se encaixe no perfil dos
consumidores de lá'', acrescentou Uromem.
O empresário americano,
Serguei Mitrochine, também comentou sobre a qualidade dos móveis
brasileiros em relação aos chineses. ''O Brasil é um
mercado promissor, com produtos excelentes, que podem se encaixar no
perfil de negócios que estamos procurando: mais baratos que os
europeus e com mais qualidade que os chineses'', salientou.
Quem ganha com isso são
as empresas paranaenses, que por sua vez se esforçam para melhorar
seus produtos e se tornar competitivas. O gerente de exportação
da Kit's Paraná, Leonardo Squilino, disse que a empresa tem uma
estratégia de vendas voltada especialmente para o mercado externo.
''Entre outras coisas, visitamos outros países, nos moldamos às
necessidades daqueles consumidores e também contamos com um departamento
dentro da empresa que cuida somente exportação'', frisou
Squilino.
Durante a feira, a empresa já havia
conseguido fechar três negócios, mas deixou em aberto outros
contratos futuros. Atualmente o volume de exportações da
Kit's Paraná soma 13% do faturamento, mas até o final do
ano a expectativa é alcançar os 25%.
A Colibri Móveis do Brasil
também conseguiu bons contatos durante as rodadas de negócio.
A empresa que já exporta para 20 países, pretende aumentar
a rede e fechar 2007 com volume de exportação de 10% da
produção. ''As rodadas de negócios nos ajudam a
conquistar clientes, é um meio facilitador'', afirmou Valmir Vasconcelos,
gerente comercial da Colibri. Segundo ele, a intenção da
empresa é ter um bom volume de exportação para obter
equilíbrio de vendas. ''Não é interessante ficar
100% dependente de um único mercado'', exemplificou.
Erika Zanon
Reportagem Local
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
17 de março de 2007
Entidades incentivam as exportações
Conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias
do Mobiliário (Abimóvel), o Paraná obteve um crescimento
de 14,64% na exportação de móveis. O número positivo
pode ser atribuído, por exemplo, às ações do Sebrae
em parceria com o Sima através do Projeto Comprador Internacional (PCI).
''Fazemos a prospecção dos clientes de fora do Brasil, analisamos
o potencial dessas empresas, entramos em contato e convidamos para as rodadas
de negócio da Movelpar'', explicou Júlio César Rodrigues,
consultor do Sebrae.
Segundo ele, o Sebrae também
realiza uma avaliação pós-negócio para atestar
a satisfação dos importadores. Os resultados, conforme
Rodrigues são bons, o índice de aceitação
dos produtos está em 97%, e de todas as visitas realizadas pelos
compradores há expectativas de fechar negócios em 65%.
''O Projeto tem dado bons resultados e contribuído para o aumento
das exportações do Paraná'', afirmou ele.
O diretor do Sima, Silvio Luiz
Pinetti, frisou que a entidade apóia as empresas em estratégias
para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar as exportações.
''Temos feitos vários encontros, oferecido cursos de capacitação,
além de realizarmos caravanas anuais para as feiras internacionais'',
destacou. ''Estamos despertando a nossa vocação de exportação'',
salientou Pinetti.
O Consórcio de Exportação
(Conex), formado em 2003 por 19 empresas de Arapongas, também
tem o objetivo de desenvolver o ''know how'' de exportação
da cidade. ''Ajudamos com pesquisa de mercado, identificação
de potenciais clientes, apresentação de produtos e desenvolvimento
de estratégias coerentes para cada mercado'', disse Rajanand Albano
da Costa, diretor geral do Conex. O consórcio já opera
em 25 países. (E.Z.)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 18
de março de 2007 | Brasil
No STF, jamais houve uma condenação
de parlamentar
por O GLOBO ONLINE
No Supremo Tribunal Federal (STF),
jamais houve uma condenação de parlamentar, mostra
reportagem do jornal "O Globo", assinada por Alan Gripp
e Carolina Brígido, publicada na edição deste
domingo. Um levantamento feito pelo próprio Supremo revelou
que, nos últimos dez anos, o tribunal concluiu apenas 20
ações criminais envolvendo políticos. Entre
os processos que chegaram ao desfecho, 13 já estavam prescritos.
Nos outros sete, os acusados foram absolvidos.
Para ministros da mais alta corte
do país, a impunidade de autoridades tem sido alimentada pelo
foro privilegiado, direito dado a deputados e senadores de serem julgados
pelo Supremo, já abarrotada de ações de toda a natureza.
Esse cenário, dizem eles, dificilmente permitirá a condenação
de algum político.
Nem todos os ministros e juristas
são contrários ao foro privilegiado. Mas a maioria concorda
que, com o congestionamento de processos, poucas ações
penais chegarão ao fim.
Hoje, cada ministro do
Supremo recebe, em média, dez mil ações por ano,
que vão de brigas de vizinhos não resolvidas em acordos
até processos complexos, como o que julga os 40 personagens
denunciados pelo Ministério Público pelo escândalo
do mensalão.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
17 de março de 2007
Fórum Social do Mercosul em Curitiba:
novos caminhos para um mundo solidário
Edésio Passos
O Fórum Social do
Mercosul será realizado em Curitiba, de 15 a 17 de julho, com
o apoio do governador Roberto Requião, entusiasta das amplas
possibilidades do avanço do Mercosul e da ampla integração
dos povos e governos latino-americanos. Participaram da reunião
de lançamento do Fórum representantes do movimento social,
representantes governamentais, empresários e trabalhadores.
Comissões de trabalho já iniciaram suas atividades para áreas
programáticas que serão debatidas na reunião.
Segundo o site do governo estadual “a atual configuração
política da América Latina, com a presença de
governos populares com uma visão que se contrapõe à lógica
neoliberal, traz como perspectiva à toda sociedade a busca de
novos caminhos para a construção de um mundo mais justo
e solidário. Grande parte da população destes
países vive à margem dos benefícios e direitos
da cidadania no mundo contemporâneo. Conclamar os povos da América
a manifestarem seus anseios, trazerem suas experiências, suas
propostas e alternativas, é fundamental para que possamos consolidar
e ampliar a integração latino americana, na construção
de uma nova ordem mundial, fundamentada em princípios onde a
centralidade seja o ser humano, e não exclusivamente o lucro
e o mercado.Em continuidade e consolidação da manifesta
intenção da capital do Estado do Paraná de sediar
o IX Fórum Social Mundial, a realizar-se em 2009, através
do expressivo apoio popular, de autoridades governamentais, e de entidades
e organizações sociais a esta iniciativa, o Comitê Organizador
do Fórum Social do Mercosul, constituído inicialmente
por entidades da sociedade civil e representantes do Governo do Estado
do Paraná, propõe a realização do Fórum
Social do Mercosul nesta capital em Julho de 2007, dos dias 15 à 17.
O Paraná, que como membro regional vem lutando pela integração
econômica do Mercosul, entende que é necessária
também uma maior integração social e cultural
entre os países latino-americanos. O Estado do Paraná,
pela sua condição geopolítica (que faz dupla fronteira
com o Paraguai e a Argentina), colocou-se historicamente na vanguarda
dos acordos e entendimentos que propiciaram o desenvolvimento do Mercosul.
Inicialmente movido pela recíproca amizade entre os países,
pela questão das águas, geração compartilhada
de energia elétrica, e integração aduaneira, o
Tratado de Foz do Iguaçu, assinado pelos presidentes do Brasil
e da Argentina em 1985, constituiu-se num gesto diplomático
de importante contribuição para o Tratado de Assunção
em 1991, principal instrumento organizacional e jurídico do
Mercosul. O evento a se realizar em Curitiba se orienta pelos conceitos
expostos na Carta de Princípios do Fórum Social Mundial,
e propõe expandir o âmbito de relacionamento dos paises
sul americanos, visando uma maior integração social e
cultural na América Latina, desde o México, no extremo
Norte, até a Argentina, no extremo Sul. O Fórum Social
do Mercosul visa também reunir dirigentes latino americanos
e ampliar a discussão sobre as desigualdades sociais existentes
nestes países, encontrando alternativas às políticas
puramente neoliberais, a partir de exemplos de experiências bem-sucedidas
de governos populares na América Latina. As entidades e organizações
sociais abaixo assinadas se reconhecem neste esforço conjunto
de ampla integração da América Latina e convocam
a sociedade para uma continua mobilização na construção
de um mundo melhor”.
Fórum Social Mundial
Visando orientar os debates do Fórum Social do Mercosul, foram relembrados
os eixos temáticos propostos no Fórum Social Mundial, realizado
em Nairóbi: 1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética
e respeito pelas espiritualidades diversas 2. Pela libertação
do mundo do domínio das multinacionais e do capital financeiro 3. Pelo
acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza
4. Pela democratização do conhecimento e da informação
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero e eliminação
de todas as formas de discriminação 6. Pela garantia dos direitos
econômicos, sociais, humanos e culturais, especialmente os direitos à alimentação,
saúde, educação, emprego, habitação e trabalho
digno 7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania,
na autodeterminação e nos direitos dos povos 8. Pela construção
de uma economia centrada nos povos e na sustentabilidade 9. Pela construção
de estruturas políticas realmente democráticas e instituições
com a participação da população nas decisões
e controle dos negócios e recursos públicos.
Piso salarial em Santa Catarina
Participamos de evento promovido pela Federação dos Trabalhadores
na Indústria de Santa Catarina para debater a proposta do piso salarial
regional de Santa Catarina, a exemplo das leis do Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Paraná. As entidades sindicais dos trabalhadores encaminharam
anteprojeto de lei ao governador do Estado, calcada nos textos já em
vigor, propondo pisos salariais por categorias profissionais em valores de
R$480,00 até R$555,00. A proposta alcança os servidores públicos
e as empregadas domésticas. Quando encaminhada pelo Executivo a proposição,
movimento de apoio está sendo articulado para que a lei vigore a partir
de 1.º de maio.
PEC da Juventude
Na pauta de votação da Câmara dos Deputados a Proposta
de Emenda à Constituição PEC 138/03, fundamental ao incluir
o conceito de juventude no texto constitucional para abrir possibilidade de
aprovação do Plano Nacional da Juventude (PL 4.530/04) e o Estatuto
da Juventude (PL 4.529/04), onde estão fixadas políticas públicas
essenciais no processo de educação dos jovens, como esclarece
o deputado federal Reginaldo Lopes (PT/MG). O deputado federal Chico Lopes
(PCdoB-CE) afirma: “Enquanto algumas pessoas falam em reduzir a maioridade
penal, nós queremos mostrar à sociedade que há outras
formas de tentar resolver o problema da violência, como a educação”.
A PEC acrescenta o art. 230-A na CF/88, com a seguinte redação: “O
Estado protegerá os direitos econômicos, sociais e culturais dos
jovens, mediante políticas específicas, visando assegurar-lhes
(a) formação profissional e o desenvolvimento da cultura (b)
acesso ao primeiro emprego e à habitação (c) lazer (d)
segurança social”.
Feriados nacionais
O Projeto de Lei n.º 157/2006, do senador Valdir Raupp (PMDB/RO) foi aprovado
pela Comissão de Educação do Senado, em caráter
terminativo, incluindo na Lei n.º 622/1949, com a redação
dada pela Lei 10.607/02, como feriados nacionais as datas de terça-feira
de Carnaval, sexta-feira da Paixão e quinta-feira de Corpus Christi.
Fundamenta o senador sua proposição: “Alguns efeitos jurídicos
da declaração de feriado, principalmente aqueles com repercussão
econômica, dependem de previsão legal específica. É o
caso, por exemplo, das relações de trabalho no âmbito privado,
que em muitas partes do país não reconhecem a legitimidade da
cessação de atividades nestas datas, ou o caráter extraordinário
da remuneração de eventual trabalho nesse dia”.
Dissídio Coletivo (1)
A unanimidade, o TRT.PR decidiu pela necessidade do comum acordo entre a entidade
sindical dos trabalhadores e a dos empregadores para o ajuizamento do dissídio
coletivo do trabalho, seguindo a jurisprudência do TST: “Dissídio
Coletivo. Comum Acordo. Condição da Ação. Imprescindibilidade.
EC 45/04. Com a promulgação da EC n.º 45/04, houve a inauguração
de novo cenário no sistema das relações coletivas, passando
a preponderar a livre negociação entre as categorias envolvidas,
em detrimento da tradicional regulação exercida por meio do Poder
Normativo atribuido historicamente à Justiça do Trabalho. Optou-se,
portanto, nitidamente pela forma autocompositiva de solução dos
conflitos coletivos trabalhistas. Apenas de comum acordo o dissídio
coletivo poderá ser ajuizado (art.114, parág. 2.º, CF).
Havendo discordância expressa pela Suscitada, argüida na primeira
vez em que lhe competia falar nos autos, resulta inviável falar-se em
concordância tácita. Extinção do processo, sem julgamento
do mérito, por inobservância do requisito previsto no art.114, § 2.º,
da Constituição Federal” (TRT PR 16008.2006.909, Ac.015559/07).
Dissídio Coletivo (2)
Eis decisão do TST: “Dissídio Coletivo. Parágrafo
2.º do art. 114 da Constituição da República. Exigibilidade
da anuência prévia. Não demonstrado o comum acordo, exigido
para o ajuizamento do Dissídio Coletivo, consoante a diretriz constitucional,
evidencia-se a inviabilidade do exame do mérito da questão controvertida,
por ausência de condição da ação, devendo-se
extinguir o processo, sem resolução do mérito, à luz
do art. 267, inciso VI, do CPC. Preliminar que se acolhe.Vistos, relatados
e discutidos estes autos de Dissídio Coletivo n.º TST-DC-165049/2005-000-00-00.4,
em que figuram como Suscitante Sindicato Nacional dos Aeronautas, e como Suscitada
Varig Logística S/A”. (DJU - 29/09/2006)
Dissídio Coletivo (3)
Enquanto os Tribunais do Trabalho não enfrentam a questão da
inconstitucionalidade do art. 114, § 2.º, da CF/88, o Supremo Tribunal
Federal não julga as Ações Diretas de Inconstitucionalidade
ajuizadas pelas Confederações de Trabalhadores há dois
anos, com os autos conclusos ao ministro Cezar Peluso. Dentre as violações
constitucionais apontadas destacam-se (1) violação ao princípio
da razoabilidade (2) violação ao princípio da garantia
do devido processo legal (3) violação à garantia de acesso
ao Judiciário (4) prejuízo à efetivação
das convenções e acordos coletivos de trabalho (5) por ferir
o princípio do Estado de Direito ao violar a Constituição
que consagra a solução pacífica das controvérsias.
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal(PT/PR). E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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Folha de São Paulo, 17 de março
de 2007
Mercado Aberto
guilherme.barros@uol.com.br
Construção
civil vive sua melhor fase
Depois do milagre econômico, nos anos 70 e 80, a construção
civil vive hoje a sua melhor fase da história no Brasil. As perspectivas
também são otimistas. A turbulência nos EUA parece não
ter afetado o ânimo dos empresários do setor.
É o que se constata com a 30ª Sondagem Nacional da Indústria
da Construção Civil, de fevereiro, uma pesquisa trimestral realizada
pelo Sinduscon SP e pela FGV Projetos. A amostra foi feita com 196 construtoras
de todo o país.
Segundo a sondagem, o dês.empenho das empresas do setor atingiu, em fevereiro,
a marca de 48,2 pontos no país, o melhor indicador desde agosto de 1999,
quando a pesquisa passou a ser realizada nacionalmente. Esse resultado representa
uma alta de 3,8% em relação a novembro de 2006, e de 11% na comparação
anual.
As previsões para o futuro são bastante animadoras. De acordo
com a sondagem, as perspectivas de desempenho atingiram 54,5 pontos, pela primeira
vez, superando a marca dos 50 pontos, que é considerado um número
de referência. Acima de 50 pontos, significa desempenho favorável.
O presidente do Sinduscon SP, João Robusti, diz que esse desempenho
favorável da construção civil se deve principalmente ao
crescimento vertiginoso do mercado imobiliário. Os investimentos nessa área
praticamente dobraram de 2005 para 2006.
Se forem considerados os recursos da caderneta de poupança e do fundo
de garantia e mais a abertura de capital em Bolsa das incorporadoras, os investimentos
no mercado imobiliário somaram, no ano passado, cerca de R$ 26 bilhões.
Em 2005, o total foi de R$ 12 bilhões. A perspectiva é de aumento
neste ano.
Robusti também atribui essa melhora do desempenho da construção
civil ao fato de que o governo Lula tem dedicado uma atenção
especial ao setor. No último ano, o governo adotou uma série
de medidas de incentivo à construção, além do próprio
PAC, que vai nessa mesma direção.
A sondagem, no entanto, não captou a turbulência provocada no
mercado global após a queda da Bolsa de Xangai e os problemas no mercado
imobiliário americano.
Robusti acha, no entanto, que, pelo menos por enquanto, o setor não
deve ter se contagiado com essa movimentação. "O país
está suficientemente capitalizado para suportar essa turbulência",
diz.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de março de 2007 | Economia
BID: remessas à América
Latina chegam a US$ 72 bi em 2007
Mas economias da região não
conseguem gerar oportunidades para habitantes
EFE
CIDADE DA GUATEMALA - Os fluxos
de remessas à América Latina e ao Caribe voltarão
a aumentar este ano até US$ 72 bilhões, 15% a mais que
em 2006, segundo as previsões apresentadas neste domingo pelo
Fundo Multilateral de Investimentos (Fomin) do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID).
O gerente do Fomin, Donald Terry,
apresentou os dados de remessas em 2006 - ano em que alcançaram
os US$ 62,3 bilhões - e as projeções para os próximos
anos.
Esta quantidade deve aumentar
cerca de 15% em 2007, e espera-se que essa tendência se mantenha
nos próximos três anos, o que deixaria o volume de remessas
acima dos US$ 100 bilhões pela primeira vez em 2010.
Terry disse que são projeções
que não são motivo de comemoração, pois o
fato de aumentar os envios de dinheiro dos imigrantes a seus países
de origem "reflete a incapacidade das economias da região
em gerar oportunidades de milhões de seus habitantes ganharem
dinheiro. Eles, então, optam por emigrar".
No entanto, disse, as remessas
são uma realidade e "um programa direto e efetivo para o
alívio da pobreza".
Envios
O volume de recursos que representam
supera, amplamente, tanto o investimento estrangeiro direto como a ajuda
externa que chega à região.
Segundo o gerente do Fomin, está provado
que as remessas contribuem para reduzir a pobreza, mas nem sempre chegam
aos setores mais pobres da população.
Terry ressaltou os avanços
registrados nos últimos anos sobre a redução dos
custos de envio do dinheiro, e os esforços que estão sendo
feitos para incorporar os remetentes e destinatários no sistema
financeiro, para poder aproveitar as remessas ao máximo.
O BID e o Fomin apóiam
programas para canalizar as remessas através do sistema financeiro
formal, algo fundamental para que tenham maior impacto no desenvolvimento
e para que as pessoas que as enviam ou recebem possam fazer isso com
um histórico financeiro.
Se essas pessoas conseguirem
integrar-se ao sistema financeiro, poderão ter acesso a créditos
e a diversos serviços, como contas de poupança, seguros,
pensões e empréstimos para a habitação.
De acordo com os dados apresentados
hoje na Assembléia Anual de Governadores do BID, dos US$ 62,3
bilhões que foram enviados para a América Latina e o Caribe
no ano passado (15% a mais que em 2005), o país que recebeu mais
recursos foi o México, com mais de US$ 23 bilhões, seguido
pelo Brasil (US$ 7,4 bilhões) e pela Colômbia (US$ 4,2 bilhões).
A maior parte do dinheiro veio
dos Estados Unidos, mas também houve um aumento dos fluxos procedentes
da Europa, principalmente da Espanha. Segundo Terry, o caso da Espanha é "especial",
porque "este país tinha seus próprios problemas de
desenvolvimento há pouco tempo" e era receptor das remessas
que os emigrantes espanhóis enviavam a partir de outros países
europeus.
Por conta desse fenômeno,
foi desenvolvida toda uma rede de instituições financeiras,
especialmente de caixas econômicas, através das quais esse
dinheiro era canalizado.
Remessas
Terry lembrou que, até pouco
tempo atrás, os emigrantes que vivem na Espanha enviavam seu dinheiro
em simples cartas, em envelopes que muitas vezes perdiam-se no caminho,
ou então recorriam às tradicionais companhias de transferências
que cobravam taxa de US$ 50 para cada US$ 300 que enviavam.
Isso, que continua acontecendo
em muitos lugares, mostra que "é caro ser pobre", porque é preciso
pagar por serviços que seriam gratuitos se os que o utilizassem
fossem integrados de alguma forma no sistema financeiro, disse Terry.
Além das remessas e em
relação ao setor energético, o presidente do BID,
Luis Alberto Moreno, defendeu hoje a maior geração e uso
de energia renovável na América Latina e no Caribe, devido
a seus benefícios para o desenvolvimento e a redução
da pobreza.
Todos os países da região,
muitos deles com um grande potencial como fornecedores de energia alternativa
aos combustíveis fósseis, deveriam aumentar o desenvolvimento
de recursos deste tipo e melhorar sua eficácia energética, "para
garantir seu futuro desenvolvimento", disse Moreno.
Em seu discurso no seminário "Energia
Sustentável para o Desenvolvimento Sustentável" -
realizado dentro da assembléia anual -, o presidente do BID rejeitou
o argumento dos que acham que o atual interesse na energia renovável é um
simples fenômeno passageiro.
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AGÊNCIA BRASIL, 18
de março de 2007
Câmara tem semana com pauta
trancada por Medidas Provisórias do PAC e do Fundeb
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Câmara
dos Deputados inicia a semana com a pauta de votações trancada
por 12 Medidas Proviórias. Entre elas, estão as que compõem
o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Todas as
12 MPs trancam a pauta no dia 19, já que o prazo de votação
delas começou a contar com o incio dos trabalhos do Congresso
Nacional, no dia 2 de fevereiro.
Como todas as MPs começam
a obstruir os trabalhos na segunda-feira, não há uma ordem
de votação. Elas podem ser apreciadas na medida em que
houver acordo sobre cada uma delas. No entanto, nenhuma outra matéria
poderá ser votada antes da deliberação dessas MPs.
Além das oito MPs que
integram o PAC, estará trancando a pauta a MP 339 que regulamenta
o Fundo de Manutenção da Educação Básica
e de Valorização dos Profissionais da Educação
(Fundeb). Essa MP deve provocar muitas discussões entre aliados
e oposicionistas. Ela recebeu 230 emendas propondo alterá-la e
foi debatida na Comissão de Educação e Cultura por
diversas personalidades, como ministros, governadores e representantes
da sociedade civil ligados ao setor da educação.
Outra MP que também tranca
a pauta é a 340, que reajusta os valores da tabela do Imposto
de Renda de Pessoa Física para os anos de 2007 a 2010, em 4,5
% a cada ano. A MP também altera outros dispositivos da legislação
tributária. A maioria das MPs que trancam a pauta trata do PAC.
Elas devem merecer muitos debates em plenário. Ao todo, essas
matérias receberam mais de 700 emendas visando modificar vários
de seus dispositivos.
Além das MPs que trancam
a pauta, o governo também deve enfrentar esta semana as dificuldades
criadas pela oposição para pressionar pela instalação
da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigaria
os problemas ocorridos no fim do ano passado na aviação
civil do país, o chamado "apagão aéreo".
O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), deve
prestar no inicio da semana os esclarecimentos solicitados pelo ministro
Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, para que ele defina sobre
a instalação ou não da CPI. Também na terça-feira,
a Comissão de Constituição e Justiça da Casa
deve apreciar o parecer do deputado Colbert Martins (PMDB-BA) contrário
a criação da CPI.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 17 de março de 2007 | Nacional
PFL muda novamente e passa a se chamar
Democratas
A abreviação da sigla será DEM
e passará a valer no fim do mês, após convenção
SÃO PAULO - O PFL mudará de
nome novamente. Após anunciar que a sigla viraria Partido Democrata
(PD), a legenda optou por apenas um nome e passará a se chamar
Democratas. A abreviação da sigla será DEM, segundo
o site da legenda.
O nome Democratas teve aprovação
prévia durante reunião na última quinta-feira, mas
a designação passa a valer a partir de 28 deste mês,
quando está marcada a Convenção Nacional do partido.
Os democratas não pretendem
registrar qualquer sigla para substituir o nome escolhido. "Vamos
ser democratas, só democratas, sem a palavra Partido", informou
o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC).
O deputado Rodrigo Maia
(RJ), que deverá assumir a presidência dos democratas,
aprovou a nova denominação. Ele argumentou que "o
Brasil teve grandes partidos no passado - caso do MDB, da Arena e da
UDN - que não foram registrados com a palavra Partido no nome
de origem", disse Rodrigo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de março de 2007
Culpa evidente
Empresa é condenada a pagar
R$ 30 mil por acidente
A empresa ABB Lumus não
conseguiu reduzir o valor da indenização por danos morais
que lhe foi imposta de R$ 30 mil por conta de um acidente de trabalho
com funcionário do seu almoxarifado. A 2ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, por unanimidade, acompanhou o relator, ministro
Renato de Lacerda Paiva, que entendeu correta a condenação.
O trabalhador foi admitido pela
empresa em fevereiro de 1982 para exercer a função de almoxarife.
Em agosto de 1992, sofreu acidente de trabalho e, em abril de 2000, foi
aposentado por invalidez. Em fevereiro de 2001, ajuizou reclamação
trabalhista. Solicitou, dentre outras verbas, indenização
por danos morais, materiais e estéticos.
Ele contou, no processo, que
no dia do acidente foi desviado de suas funções para acompanhar
o carregamento de um caminhão com rolos de arame para aterramento
de torres. No momento em que um dos rolos estava sendo içado por
um guindaste, a cinta de nylon que sustentava o rolo se rompeu, caindo
de uma altura de três metros em cima dele.
Disse que no momento do acidente
não recebeu o atendimento devido, sendo transportado de forma
indevida para o hospital, em estado gravíssimo. No pronto-socorro,
ficou constatado que ele sofreu esmagamento do tórax, perfuração
de pulmão e fraturas no maxilar, cabeça e braço
esquerdo. Ele ficou cerca de 25 dias em coma profundo e foi submetido
a diversas cirurgias.
Relatou, ainda, que a empresa
arcou com os custos hospitalares, mas tentou transferi-lo para um hospital
mais barato, mesmo não tendo condições para ser
transportado, o que só não ocorreu por interferência
de sua família. Em setembro de 1992, recebeu alta hospitalar e,
em dezembro, retornou ao trabalho, mesmo sentindo dores.
Alegou que ficou com diversas
seqüelas e que voltou a ser internado em 93, 94, 95 e 96, sendo
que desta última vez sofreu nova cirurgia para retirada de parte
do pulmão. Em 1998, foi internado novamente, ocasião em
que recebeu cinco pontes de safena. Em 2000, foi internado para se submeter
a uma angioplastia e, finalmente, foi aposentado por invalidez.
O empregado disse que, na época
em que retornou ao emprego, foi humilhado pelos representantes da empresa.
Foi apelidado de “pé na cova” e ameaçado de
demissão por diversas vezes. Disse que precisou ficar afastado
do trabalho em razão do acidente, apresentou atestados médicos,
e que, em uma das vezes em que esteve no departamento pessoal da empresa,
foi ameaçado pelo gerente de ser expulso do local com a intervenção
de força policial.
A empresa, em contestação,
alegou que não houve dolo ou culpa do empregador no acidente que
vitimou o empregado. Disse que não ordenou que ele ficasse embaixo
do guindaste e que o empregado correu ao perceber que o rolo ia desabar,
mas tropeçou e caiu, fato que não poderia ter sido evitado
pela empresa.
A ABB negou as humilhações
descritas pelo empregado e disse que deu a ele toda a assistência
necessária, incluindo transporte em ambulância aérea,
quarto individual no hospital e medicamentos. Disse também que
promoveu todos os atos necessários para que o trabalhador recebesse
o seguro por acidente pessoais, no valor de R$ 22 mil.
Na primeira instância,
os juízes entenderam que houve omissão culposa da empresa
no acidente e condenou-a a pagar pensão vitalícia ao trabalhador,
restabeleceu a assistência médica do convênio e fixou
em R$ 30 mil a indenização pelos danos morais. O valor
pedido pelos danos estéticos não foi acolhido porque não
houve comprovação das seqüelas deixadas pelo acidente.
A empresa recorreu. O Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais) manteve
a condenação. “É inequívoco o nexo
causal entre a conduta ilícita da empresa e o acidente que vitimou
o empregado. A culpa é evidente, não tendo a empresa tomado
as providências necessárias para evitar que o fato ocorresse”,
destacou o acórdão. “O fato de o empregado estar
mal posicionado quando do içamento dos rolos de arame demonstra
a falta de orientação da empresa em relação
aos procedimentos de segurança para transporte de carga”,
concluiu.
A empresa recorreu ao TST. A
decisão foi mantida porque a empresa não conseguiu demonstrar
violação à Constituição ou a dispositivo
de lei federal, nem divergência jurisprudencial. “Ficou evidenciada
a culpa da empresa, na medida em que não tomou as providências
necessárias para evitar o fato”, destacou o ministro Renato
Paiva.
RR-191/2001-109-03-00.8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/03/2007
Soropositivo obtém reintegração
com base na função social do trabalho
A Justiça do Trabalho
garantiu a um supervisor técnico de telecomunicações
da Telesp (Telecomunicações de São Paulo S.A.) a
reintegração no emprego, embora não tenha sido comprovado
que sua dispensa foi discriminatória. O fundamento foi o fato
de o empregado ser portador do vírus HIV, e baseou-se no conteúdo
social do artigo 421 do Código Civil, segundo o qual “a
liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites
da função social do contrato”. A decisão,
da 4ª Vara do Trabalho de São Paulo, foi mantida sucessivamente
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) e, no
TST, pela Quarta Turma e pela Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-1).
O trabalhador foi diagnosticado
como portador do vírus HIV em 1998, e desde essa época,
a Telesp tinha conhecimento do fato. Em 2002, a empresa incluiu-o em
seu Plano Incentivado de Desligamento (PID), levando-o a ajuizar reclamação
trabalhista na qual pediu sua reintegração. Na inicial,
argumentou que, “muito embora não haja preceito legal que
garanta a estabilidade do portador de AIDS, dentro da discricionariedade
permitida ao empregador no ato de demitir, deve haver um mínimo
de consenso e solidarismo ao escolher quais funcionários serão
incluídos ou não no PID”. Sua alegação
principal foi a de que a Telesp, ao incluí-lo no PID, “não
levou em conta o fato dele ser portador de doença grave e ainda
muito discriminada – e que as probabilidades dele vir a ser admitido
em outra empresa são quase zero”.
A sentença concluiu que
não houve realmente qualquer discriminação por parte
da empresa, que sabia de seu estado de saúde desde que este fora
diagnosticado, mas considerou ilegal sua dispensa imotivada, determinando
sua reintegração. “Trata-se de um caso excepcional,
onde está em jogo a vida de um empregado portador de uma doença
terrível, incurável e avassaladora, que não só destrói
o corpo de seu portador como também sua auto-estima”, afirmou
o juiz. Embora não exista norma legal prevendo estabilidade ao
portador de HIV, a sentença considerou que o caso deveria ser
analisado pela ótica da função social da empresa,
conforme princípios adotados na Constituição Federal, “principalmente
no artigo 170, inciso III” – que trata do princípio
da função social da propriedade.
Ainda de acordo com a sentença, “qualquer
meio de produção deve visar à valorização
do trabalho humano, de forma a propiciar condições de vida
digna, contribuindo para o bem-estar e a distribuição da
justiça social”. No caso de portador de HIV, o juiz levou
em conta sua dificuldade de recolocação profissional “num
mercado de trabalho cada vez mais estrangulado pela crise econômica,
que dificulta a entrada de pessoas saudáveis, que dirá de
um trabalhador obrigado a seguir o tratamento pelo resto da vida.”
O TRT/SP, ao negar provimento
ao recurso ordinário da Telesp, destacou que a determinação
de reintegrar o empregado foi acertada “porque efetivamente há que
se dar preponderância à função social da empresa
e ao bem maior a proteger: o direito à vida”. Para o Regional,
o reconhecimento do direito à reintegração decorre
da nova ótica jurídica imposta aos contratantes pelo Código
Civil de 2002, que, no artigo 421, prevê que a liberdade de contratar
será exercida em razão e nos limites da função
social do contrato, sobretudo quando o empregador não sofre restrição
patrimonial pela manutenção do vínculo de emprego.
A Telesp recorreu então,
sucessivamente, à Quarta Turma e à SDI-1 do TST, argumentando
a inexistência de preceito legal que garanta a reintegração.
Tanto o recurso de revista quanto os embargos não foram conhecidos.
Segundo o relator dos embargos na SDI-1, ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, a Telesp não conseguiu demonstrar a ocorrência
de divergência jurisprudencial específica. (E-RR 409/2003-004-02-00.1)

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