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Agência Diap, 23 de
março de 2007
Direitos Trabalhistas
Movimento sindical mobilizado para
manutenção do veto à emenda 3 da Super-Receita
Líderes do movimento sindical e deputados que são contrários à derrubada
do veto à Emenda 3 do Projeto de Lei que criou a Super-Receita foram
recebidos hoje, dia 22 de março, pelos presidentes do Senado, Renan
Calheiros (PMDB/AL), e da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP).
Com a presença de vários
parlamentares, convidados pelo deputado Paulinho da Força (PDT/SP),
os sindicalistas se reuniram no plenário 12 da Comissão
do Trabalho, onde discutiram o “estrago” que a derrubada
do veto poderá representar para o mundo do trabalho.
Após as intervenções
de representantes do movimento sindical, os dirigentes partiram para
o encontro com os presidentes das duas Casa Legislativas - Câmara
e Senado.
Senado
Os sindicalistas, que se reuniram
inicialmente em frente ao plenário do Senado, receberam o apoio
de mais parlamentares como o ex-ministro da Integração
Nacional, deputado Ciro Gomes (PSB/CE).
Para o senador Renan Calheiros,
o tema merece um debate com os movimentos e com a sociedade. “O
presidente Lula, ao mandar o projeto de lei, recria condições
para que possamos conversar”, disse o presidente do Senado, referindo-se
ao PL 536/07. O projeto é uma tentativa de regulamentar a relação
trabalhista entre prestadores de serviço e empresas.
Câmara
Recebidos pelo presidente da
Câmara dos Deputados, os sindicalistas puderam ter uma noção
do trabalho que terá que ser desempenhado pelo movimento. Segundo
Chinaglia, “a votação de vetos é uma coisa
morna”. Ele alertou ainda que o movimento sindical tem que se antecipar
para conseguir que o veto seja mantido. Isto é, os dirigentes
sindicais terão que trabalhar, se movimentar no Congresso antes
que os vetos sejam pautados para votação.
Há mais de 15 anos o Congresso
não vota os vetos do presidente da República. O Parlamento
acumula um montante de 601 vetos não lidos.
Mobilização permanente
As centrais sindicais que estavam
presentes à mobilização de hoje agendaram mais um
movimento para assegurar a manutenção do veto.
Será na próxima
terça-feira, dia 27 de março, a partir das 10h, no Auditório
Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. A intenção
dos sindicalistas é reunir milhares de pessoas em Brasília
em protesto à possibilidade de derrubada do veto.
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Diário Vermelho, 23
de março de 2007
Mantega: ''Brasil volta a ser a oitava
economia do mundo''
''O Brasil passou a Itália e volta
a ser a oitava economia mundial'', disse nesta quarta-feira (21/3)
o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A mudança advém
da revisão, para cima, do Produto Interno Bruto (PIB) para
2005, de 2,3% para 2,9%, de acordo com nova metodologia divulgada
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mantega destaca retorno do Brasil ao G-8
Até o anúncio
da nova metodologia utilizada pelo IBGE para medir o PIB, o Brasil ocupava
a nona posição no ranking de maiores economias mundiais – o
oitavo posto era da Itália. ''Agora estamos colando na França'',
disse o ministro, referindo-se à atual sétima colocada
na lista. Em tempo: no ano passado, a Itália teve um crescimento
estimado em 1,6%, enquanto o Brasil, sem a revisão, cresceu 2,9%.
''Os fundamentos da economia
melhoraram, mostraram mais vigor'' , disse o ministro, ao comentar a
mudança no PIB. ''A grande conclusão é que a economia
brasileira está crescendo mais do que imaginávamos'' ,
disse. ''Portanto, atingiremos as metas de crescimento acelerado mais
rápido'' , afirmou.
Com base em dados mais detalhados
fornecidos pelo IBGE, o ministro disse que a nova estatística
''dá mais precisão'' e serve para agregar ''as mudanças
da realidade econômica, com o aparecimento e o fortalecimento de
novos setores''.
Ele destacou o aumento do peso
do setor de serviços no novo PIB, que subiu de 54,1% para 64%.
Enquanto a participação do setor agropecuário caiu
de 8% para 5,6%, e também a indústria de 37,9% para 30,3%,
em dados relativos a 2005.
No caso dos serviços,
o destaque é a área de informação, cujo desempenho
nos dados antigos correspondia a 0,1% do PIB e subiu para 4,3% do PIB
em 2005. '' São alinhamentos segundo tendências internacionais
'' , justificou o ministro.
Governo FHC
Mantega fez questão de
apontar que a revisão do IBGE para o PIB do período de
1995 a 2005 reduziu o crescimento médio da economia de 2,6% para
2,44%, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. E no segundo
mandato de 1999 a 2002, a média de variação real
do PIB caiu de 2,3% para 2,15%.
Já no governo Lula, Mantega
estimou que a média anual do PIB subiu de 2,6% para 3,3%. Apesar
de dados somente até 2005, ele disse que foi estimado um aumento
de 0,5 ponto percentual para o PIB de 2006, que na apuração
antiga ficou em 2,9%.
PAC
O ministro não quis antecipar
novas projeções do PIB para este ano, sob o argumento de
que aguardará a divulgação, pelo IBGE, dos dados
do PIB de 2006, prevista para a próxima semana. O ministro adiantou
apenas que os números que dão base ao Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) serão revistos. Mas ressaltou que os investimentos
permanecerão os mesmos.
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Congresso em Foco, 23 de
março de 2007
Lula convida Franklin Martins para
ministério
O jornalista Franklin Martins aceitou hoje (quinta, 22) o convite do presidente
Lula para ser o ministro encarregado da área de comunicação
social do governo. "Tive hoje uma segunda conversa com o presidente e
aceitei o convite", disse Franklin ao jornalista Ricardo Amaral, da agência
Reuters.
O formato da nova estrutura de
comunicação do governo será definido até a
próxima semana, quando ele tomará posse. O jornalista vai
cuidar de relações com a imprensa, publicidade e também
do projeto de uma rede nacional pública de TV, com status de ministro.
No entanto, Franklin não será o porta-voz do governo. Atualmente,
ele é comentarista da TV Bandeirantes e mantém um blog
no portal iG.
A escolha revela uma ligeira
audácia de Lula em relação às poderosas Organizações
Globo. Um dos mais prestigiados jornalistas de Brasília, Franklin
perdeu o emprego de comentarista político da TV Globo pouco depois
de ter sido atacado pelo colunista Diogo Mainardi, na revista Veja. Mainardi
o acusou de fazer jornalismo chapa-branca, movido, entre outras coisas,
pela conquista de boas posições para parentes seus no serviço
público federal.
O jornalista foi brindado com
a solidariedade dos colegas e dos políticos (inclusive da oposição),
que não compraram a interpretação do colunista para
a trajetória profissional de integrantes da sua família.
Filho do ex-senador Mário Martins (MDB-RJ), cassado pela ditadura
militar, Franklin é irmão da premiada escritora Ana Maria
Machado, recentemente contemplada com uma cadeira na Academia Brasileira
de Letras, e de Victor Martins, diretor da Agência Nacional de
Petróleo (ANP).
Mas não teve a mesma solidariedade
da Globo, que logo em seguida o demitiu. Em entrevistas a veículos
especializados da área, embora de modo elegante, o jornalista
manifestou publicamente sua estranheza com a coincidência entre
a crítica ofensiva de Mainardi – a quem ele processa na
Justiça – e seu afastamento da Globo. A emissora, como costuma
fazer em situações do tipo, não se pronunciou. Mas,
obviamente, não gostou.
Ex-militante do MR-8, Franklin
Martins foi um dos principais responsáveis pelo seqüestro
do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em setembro de 1969. Assim
como o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que também participou
da operação, até hoje Franklin é proibido
de entrar nos Estados Unidos.
O jornalista nasceu em
1948, em Vitória (ES), mas foi criado no Rio de Janeiro. Estudou
na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRJ e foi vice-presidente
da União Metropolitana dos Estudantes do Rio de Janeiro, no
período de maior enfrentamento entre o movimento estudantil
e o regime militar. (Sylvio Costa e Rodolfo Torres)
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Folha
de São Paulo,
23 de março de 2007
Câmara propõe gastos mais fáceis e salário
de R$ 16 mil
Projeto que eleva em 26,5% salários de parlamentares, Lula e ministros
irá a plenário | Comissão de Finanças ainda
aprova proposta que deixa congressistas usarem parte de verba indenizatória
sem precisarem comprovar fim DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O projeto de reajustar salários no Congresso e no Executivo saiu
ontem da gaveta. A Comissão de Finanças e Tributação
da Câmara aprovou, em poucos minutos, reajuste de 26,5% nos subsídios
do presidente da República, de seu vice, dos 34 ministros de Estado
e dos 594 congressistas, além de permitir aos deputados federais
e senadores gastar até mais R$ 5.417 mensais em verbas sem prestar
contas.
O impacto nos cofres públicos será de pelo menos R$ 566
milhões ao ano, já que o reajuste causa um efeito cascata
nas 27 Assembléias e nas mais de 5.000 Câmaras Municipais.
Os projetos aprovados -que levam em conta a inflação acumulada
entre fevereiro de 2003 e fevereiro deste ano- precisam ser ratificados
pelos plenários da Câmara e do Senado. Pelas propostas,
os salários de deputados federais e senadores sobem de R$ 12.847
para R$ 16.250, o do presidente da República de R$ 8.885,48 para
R$ 11.239,24, e o do seu vice e dos ministros de R$ 8.362,80 para R$
10.578,11.
Os salários do presidente e dos ministros não tiveram
reajustes que superaram 4% desde 1995. Em posse ministerial há uma
semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou os ministros
de "heróis" por aceitarem a atual remuneração.
Nos anos posteriores, foram aplicados os mesmo índices concedidos
aos servidores públicos da União. Já os congressistas
tiveram, em 2003, um aumento de 53,8%. Depois disso, o único reajuste
foi de 1%.
A recente articulação em torno dos reajustes começou
em 2006, com a frustrada tentativa de elevar em 91% o salário
de parlamentares. Desde então, surgiram propostas de elevação
não só em salários como em verbas. A cota de passagens
aéreas dos deputados subiu 2,6% na semana passada.
Na reunião de ontem, as propostas de aumento chegaram a ser retiradas
da pauta de votação, mas, quase no final, com a sala esvaziada,
o assunto voltou à pauta e foi aprovado rapidamente e por unanimidade.
Líderes
A Folha apurou que antes da realização da sessão,
líderes governistas teriam conversado sobre as propostas. Com
do líder do PTB, Jovair Arantes (GO), os demais negaram e disseram
que os projetos foram gerados na cabeça do presidente da Comissão
de Finanças, Virgílio Guimarães (PT-MG).
"Fomos surpreendidos e vamos analisar com os líderes. Não
acompanhei a discussão e não sei como foram analisados
os aspectos daquela proposta", afirmou o presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), apesar de deputados dizerem que ele foi avisado
um dia antes. Chinaglia se posicionou contra o reembolso de verbas sem
prestação de contas.
Por outro projeto aprovado ontem, até R$ 5.416,81 de um total
de R$ 15.000 da atual verba mensal para manutenção de escritórios
dos congressistas nos Estados poderão ser reembolsados sem apresentação
de notas fiscais. Hoje, só há reembolso mediante comprovante.
Na prática, se aprovado, o reajuste parlamentar poderá superar
teoricamente os 60%, já que o dinheiro poderá ser simplesmente
embolsado.
Virgílio Guimarães justificou assim a medida: "Os
parlamentares têm reclamado muito disso. É o sujeito que
pega um táxi e esquece de pedir a nota. Imagina essa situação
desagradável de um deputado ter que aumentar uma nota para compensar
a outra. É natural que haja uma flexibilidade". (RANIER BRAGON,
LETÍCIA SANDER E FÁBIO ZANINI)
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Folha
de São Paulo,
23 de março de 2007
86% dos acordos salariais batem inflação
Dado é o melhor desde início da pesquisa do Dieese, em 1996,
mas salários ainda estão longe de recuperar perdas passadas
| Inflação baixa, crescimento da economia, formalização
de vagas e aumento do salário mínimo ajudam negociações
em 2006 CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os trabalhadores obtiveram aumento real
acima da inflação
em 86% das negociações salariais realizadas no ano passado.
O resultado é o melhor obtido nos últimos 11 anos, segundo
informa o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos), ao analisar 656 acordos salariais em
22 Estados. Em 2005, 72% dos acordos haviam superado as perdas causadas
pela inflação. Os ganhos reais foram concedidos em todos
os setores -indústria, comércio e serviços- e ficaram
concentrados na faixa até 2% acima da inflação medida
pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O
indicador, calculado pelo IBGE, é o mais usado nas negociações.
Fechou 2006 em 2,81%.
O crescimento da economia pelo terceiro
ano consecutivo, a baixa pressão
da inflação sobre os salários e a melhora no mercado
de trabalho, com a criação de empregos com carteira assinada,
foram "determinantes" para as negociações salariais,
na análise de economistas, sindicalistas e técnicos do
Dieese. Os trabalhadores conseguiram superar ou zerar as perdas acumuladas
pela inflação nos 12 meses anteriores a cada data-base
em 96% (632 acordos) das negociações feitas em 2006. O
percentual também é o melhor desde 1996, quando o Dieese
iniciou o estudo sobre os reajustes. Em 2005, 88% dos 640 acordos foram
iguais ou superiores à inflação.
"A baixa inflação acumulada no ano passado explica
esse resultado. Em 2003, quando o PIB cresceu apenas 0,5% [pela antiga
metodologia do IBGE] e a inflação chegou ao patamar de
20%, quase 60% das negociações ficaram abaixo da inflação.
Foi o pior ano para as negociações", afirma José Silvestre
de Oliveira, supervisor do Dieese em São Paulo. Em 2006, quando
a economia cresceu 2,9% e a inflação não superou
3%, diz ele, só 3,7% dos acordos não conseguiram repor
as perdas salariais.
Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, a criação
de postos formais de trabalho e as taxas de desemprego em declínio
também permitiram a conquista de reajustes melhores. No ano passado,
foi criado 1,2 milhão de vagas com carteira assinada, segundo
o governo federal.
"
O aumento da formalização, que vem ocorrendo desde 2004,
e do nível de ocupação [cresceu 2,67% em 2006 sobre
o ano anterior, segundo projeção da LCA] contribuíram
para melhorar as negociações feitas pelos sindicatos. Os
empregos formais pagam salários melhores", afirma Romão.
O reajuste concedido ao salário mínimo (descontada a inflação,
o ganho real foi de 13%) também teve impacto nas negociações
salariais. "As categorias com mais dificuldade em se organizar buscam
o aumento do salário mínimo como referência, principalmente
nos pisos profissionais", afirma Anselmo Luís dos Santos,
professor da Unicamp.
Apesar dos resultados positivos, os especialistas
ressaltam que os salários
estão "longe" de recuperar as perdas entre 1997 e 2003.
O rendimento de um assalariado da região metropolitana de São
Paulo corresponde a 76,5% do que valia em 1995. "O que houve foi
um estancamento das perdas salariais. É preciso que o desemprego
caia e o país cresça acima de 5% para recuperar o poder
de compra dos salários", afirma Santos. Arnaldo Nogueira,
professor da PUC-SP, ressalva ainda que os reajustes acima da inflação
refletem só parte do mercado formal.
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Folha de São Paulo,
23 de março de 2007
Cálculos do governo confirmam
perda de FGTS com Selic abaixo de 11% ao ano
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Cálculos realizados pelo
governo mostram que o dinheiro das contas do trabalhador no FGTS (Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço) passará a perder para
a inflação quando a taxa básica de juros (Selic)
cair abaixo de 11% ao ano- o que o mercado espera ocorrer a partir do
ano que vem.
A Folha noticiou na última terça-feira que os depósitos
do FGTS tendem a perder para a inflação quando os juros básicos
definidos pelo BC forem inferior a 11,5%, segundo estudo do professor José Dutra
Sobrinho, matemático da USP (Universidade de São Paulo). Atualmente,
a Selic está em 12,75% ao ano.
A avaliação da área
técnica do governo é que as contas do FGTS não correm
risco de serem corroídas pela inflação porque o
governo está atento e impedirá que isso aconteça.
Ou seja, à medida que o Banco Central promover novas reduções
nos juros, o governo deverá alterar a fórmula da TR (Taxa
Referencial). No início de março, o CMN (Conselho Monetário
Nacional) mudou as regras da TR. Por conta disso, as contas do FGTS passaram
a ter rendimento menor. A TR é calculada a partir da aplicação
de um redutor sobre os juros médios pagos pelos CDBs (Certificados
de Depósito Bancário) dos 30 maiores bancos. O redutor é variável.
Com a mudança, o governo
decidiu elevar o redutor quando os juros médios ficarem abaixo
de 12% ao ano. Isso aumenta a distância entre a TR e os juros médio,
que variam segundo a tendência da Selic -cuja trajetória é de
queda. Técnicos do governo ouvidos pela Folha avaliam que a Selic
em até 11% levaria a uma TR equivalente a 1,5%. Como os depósitos
do FGTS ainda têm rentabilidade garantida de 3%, o rendimento anual
atingiria 4,5%. A inflação prevista para 2008, segundo
o mercado, é de 4%. A estimativa do próprio mercado, no
entanto, é que a taxa básica encerre o próximo ano
em 10,5%.
Uma remuneração
abaixo da inflação significa que o trabalhador está perdendo
dinheiro.
No ano passado, o governo já havia alterado as regras de cálculo
da TR, passando a usar como parâmetro os juros médios dos CDBs
no lugar da Selic. A alteração ocorreu para evitar que a TR ficasse
negativa. O FGTS tem depósitos de mais de R$ 181 bilhões e, em
2006, os recursos foram remunerados em quase 2% acima da inflação
do período medida pelo IPCA.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23 de março de
2007 | Mundo
Chávez anuncia “nova
ofensiva” contra latifúndios
O presidente venezuelano,
Hugo Chávez anunciou ontem uma “nova ofensiva” em
sua luta contra o latifúndio e informou que seu governo
vai resgatar pelo menos 150 mil hectares de terras “ociosas” no
próximo domingo. “Há muitos latifúndios,
por isso, no próximo domingo vamos recuperar uma área
entre 150 mil e 200 mil hectares”, disse Chávez
durante discurso em uma cerimônia oficial no Estado de
Anzoátegui.
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CIDADE BIZ / SÃO PAULO,
23 de março de 2007
Grandes empresas do setor imobiliário
cresceram quase 10% em 2006
As construtoras tiveram alta de 6% no faturamento
líquido, segundo estudo da Serasa
Em 2006, o setor imobiliário
foi beneficiado pelo aumento do volume de crédito em conjunto
com as medidas de incentivo adotadas pelo governo federal, que refletiram
num crescimento de 2,1% nas vendas das incorporadoras em geral. Mas entre
as maiores empresas do setor, que têm atuação focada
nos grandes centros do país, o crescimento foi de 9,7%.
O setor da construção
civil tem importância estratégica na economia por seu efeito
multiplicador sobre os demais setores da economia e, conseqüentemente,
sobre o emprego, a renda e os impostos.
As construtoras (que englobam
a construção civil pesada, empreiteiras, e a construção
civil leve, incorporadoras) obtiveram um crescimento de 6,9% no faturamento
líquido de 2006 sobre 2005.
Segundo os analistas da Serasa,
as condições macroeconômicas do país estão
mais consistentes, o que estimula o desempenho do setor da construção
civil leve, pois há aumento da disponibilidade de recursos para
a contratação de financiamentos imobiliários pelo
Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, que opera
com recursos das cadernetas de poupança e proporciona ao tomador
mais segurança em assumir dívidas de longo prazo.
As empreiteiras, que têm
seu faturamento influenciado por contratos do setor público, tiveram
que redirecionar suas obras, em função da ausência
de grandes investimentos em infra-estrutura. Em função
desse cenário, a construção civil pesada atuou mais
no mercado externo e apresentou evolução de 7,8% no faturamento
líquido.
O efeito multiplicador
do setor pode ser observado quando analisados os segmentos que formam
a cadeia produtiva, tais como a indústria de cimento, cerâmica,
material elétrico, tintas e plásticos, que cresceu 6,4%
em 2006, e pelo comércio de materiais de construção,
que teve crescimento de 6,7%.
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JORNAL DO COMMERCIO / MANAUS,
23 de março de 2007
Brasileiro sente o peso da carga
tributária
Editorial
Marcos Figueira
A carga tributária brasileira
chega ao teto de 38,80% do PIB. Os dados forçam o trabalhador
brasileiro que ganha salário mínimo a se esforçar
mais para adquirir os gêneros de primeira necessidade.
Projeções do IBPT
(Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) apontam que
em 2006 o índice de 38,80% superou os números do ano anterior
que foi de 37,82% . Com a alta dos percentuais, o trabalhador brasileiro
se obriga a comprometer ainda mais seu salário mensal.
O ‘x’ da questão é que
o trabalhador já vem consumindo o mínimo necessário
desde os tempos de Getúlio Vargas quando ficou instituído
que o assalariado, ao invés de comer carne de primeira teria como
opção a carne de segunda (produto de necessidade básica).
Para se ter uma idéia, a noção de cesta básica
trata-se de um elenco de alimentos per/capita dia necessários
para a alimentação do trabalhador e de uma família
média brasileira. No entanto, não é bem assim que
funciona na prática.
Enquanto o governo ‘arrocha’,
o trabalhador continua penalizado pela falta de segurança e massacrado
nas filas dos SUS. Se torna difícil uma sobrevivência razoável
de uma família com qualidade, já que se incluem também
nesta cesta, vestuário, saúde e educação.
De acordo com estimativas do
IBPT, cada brasileiro pagou em média R$ 4.434,68 em tributos no último
ano.
“O que precisamos hoje é colocar
as sandálias da humildade, aprovar o PAC e deixar as vaidades
pessoais em segundo plano.
Luiz Fernando Furlan, ministro
do Comércio Exterior, sobre os desafios do governo no segundo
mandato de Lula”.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de março de 2007
Acidente em serviço
Justiça do Trabalho julga ação
de viúva, decide TRT-RS
A Justiça do Trabalho é competente
para julgar ação civil ajuizada pela família de
um funcionário morto em acidente de serviço. Foi o que
entendeu a 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande de Sul), ao julgar Recurso Ordinário interposto contra
decisão da 1ª Vara do Trabalho de Bagé.
O TRT gaúcho alterou a
sentença para declarar que a Justiça do Trabalho é competente
para apreciar ação proposta pela viúva de empregado
morto durante a jornada de trabalho. Ela quer indenização
por danos morais e materiais. A sentença de primeira instância
entendia que a demanda não estava inserida na competência
da lei trabalhista, pois o direito pertencia à viúva e
não decorria da relação de trabalho ou do acidente.
O juiz Pedro Luiz Serafini, relator
do recurso, salientou que o pedido de indenização por dano
moral e material estava fundado no contrato de trabalho. Foi na condição
de sujeito da relação de trabalho que o dano ocorreu. O
entendimento do tribunal foi de que o fato de as indenizações
serem postuladas pela viúva do empregado não é relevante
para a fixação da competência material.
O tribunal entendeu que a controvérsia
deve ser dirimida pela Justiça do Trabalho, ainda que as indenizações
pleiteadas sejam institutos de Direito Civil. Para tanto, citou o julgamento
de conflito de competência pelo Superior Tribunal de Justiça,
bem como a Súmula 392 do TRT. O julgamento deve retornar à vara
de origem.
RO 00534-2006-811-04-00-7
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de março de 2007
Dono do dinheiro
FGTS pode ser usado para comprar material
de construção
Mutuário pode usar o FGTS
para quitar financiamento de material de construção. O
entendimento é da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
A Turma negou o Recurso Especial ajuizado pela Caixa Econômica
Federal. O objetivo da instituição financeira era reformar
o acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região,
que beneficiou o mutuário cearense Francisco de Assis Amaral Bastos.
Bastos conseguiu o direito usar
os recursos do FGTS para abater uma dívida de cerca de R$ 7,3
mil referentes a empréstimos concedidos pela própria CEF
para a compra de material para a construção do seu imóvel.
No recurso ao STJ, a defesa da
Caixa ressaltou que a decisão da primeira e segunda instância
feriu a Lei 8.036/90, que regula o uso do FGTS para a compra da casa
própria. De acordo com a defesa, o uso do FGTS para a quitação
de dívidas imobiliárias “só seria possível
nos casos próprios de aquisição de moradia através
de sistema de financiamento ou de autofinanciamento, porém, no
caso em tela, pretende o recorrido [Bastos] a liberação
dos valores para a construção direta sem utilizar o financiamento
e o autofinanciamento, à margem de qualquer amparo legal”.
O ministro Castro Meira, relator,
esclareceu que o artigo 20 da Lei 8.036/90 “inclui a previsão
de saque para socorrer o trabalhador que pretenda realizar a amortização
de parcelas da compra, efetuada sem intermediação do agente
financeiro”.
Castro Meira ainda ressaltou
que a decisão do TRF-5 “encontra-se em sintonia com a jurisprudência
desta Corte que tem admitido a possibilidade do levantamento do saldo
das contas vinculadas do FGTS para a aquisição de imóvel,
ainda que este não seja financiado pelo Sistema Financeiro da
Habitação”. A decisão foi unânime.
REsp 726.915
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de março de 2007
É prematuro
Recurso antes da publicação
da decisão é intempestivo
Recurso apresentado antes da
publicação do acórdão é intempestivo.
O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma negou o Recurso de Revista do Banco do Brasil contra decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas,
São Paulo).
O relator do caso, ministro Aloysio
Corrêa da Veiga, explicou que o Pleno do TST adotou recente posicionamento
sobre o tema, ao “considerar intempestivos recursos interpostos
antes da publicação do acórdão impugnado”.
O relator esclareceu que a CLT
dispõe que o prazo recursal para a interposição
de recurso é iniciado a partir da publicação da
conclusão do acórdão. A publicação,
no caso, ocorreu em 12 de janeiro de 1999 e o banco protocolou o recurso
no dia 5 de outubro de 1998, antes, portanto, da publicação
da decisão recorrida.
Trâmite
O TRT de Campinas acolheu parte
do recurso do Banco do Brasil, excluindo da condenação
de primeira instância o pagamento do adicional de produtividade,
além de ter julgado eficaz o termo de rescisão homologado
pelo sindicato quanto aos valores constantes no recibo. Concedeu, ainda,
o adicional de transferência ao bancário, além das
horas extras.
O Banco do Brasil apresentou
Embargos de Declaração. O recurso foi negado pela segunda
instância. O banco entrou com Recurso de Revista no TST antes da
publicação da decisão do TRT nos Embargos.
“Note-se que os embargos
de declaração foram opostos pelo próprio banco reclamado,
que interpôs o recurso de revista prematuramente”, afirmou
o ministro Aloysio Corrêa da Veiga. Fica mantida assim, a decisão
de segunda instância.
RR 641.960/2000.7
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/03/2007
Atraso de nove minutos causa condenação à revelia
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 4ª Região (Rio Grande do Sul), em que a Caixa Econômica
Federal foi condenada à revelia, em função da ausência
de seu preposto no momento da abertura da audiência em processo
trabalhista em que era réu. O caso refere-se a um processo movido
por um ex-empregado da Caixa Econômica em Porto Alegre, que, em
2004, após se afastar da empresa por aposentadoria, ajuizou ação
visando obter indenização por horas extras.
A abertura da audiência
na 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, marcada para as 9h do dia
22 novembro e 2004, ocorreu, efetivamente, às 09h04. No entanto,
o preposto da CEF somente chegou às 09h13, sendo a empresa, por
este motivo, declarada revel e confessa, e condenada a pagar as verbas
indenizatórias reclamadas pelo trabalhador. O advogado da CEF
estava presente quando a audiência foi iniciada.
A CEF recorreu, inicialmente,
ao TRT/RS, alegando cerceamento de defesa, na medida em que seu preposto
atrasara “apenas 10 minutos” e que, por isso, não
haveria razão para a penalidade aplicada. Entretanto, o Regional
manteve a decisão, ressaltando que não houve, naquela oportunidade,
qualquer pedido de concessão de prazo a fim de que a empresa pudesse
apresentar, nos autos, justificativa para o atraso.
Inconformada com a decisão
do TRT gaúcho, a Caixa apelou ao TST, onde argumentou não
existir revelia quando o advogado da parte comparece à audiência
munido de defesa e documentos (o que teria ocorrido). Indicou violação
de diversos dispositivos legais. O relator do processo, ministro João
Oreste Dalazen, no entanto, negou o recurso, refutando, uma a uma, as
alegações de violação aos dispositivos da
Constituição Federal, da CLT e do Código de Processo
Civil.
Em seu voto, o ministro Dalazen
assegurou que, com base nos fatos e provas carreados aos autos, o Regional
foi taxativo no reconhecimento de que “a reclamada não consignou
em ata oportuno protesto antipreclusivo contra a aplicação
da pena da confissão ficta quanto à matéria de fato,
tendo, pois, operado preclusão temporal a esse respeito, o que
inviabilizava o exame da alegada nulidade, por cerceamento de defesa,
trazida somente no recurso ordinário.”
De acordo com o artigo 795 da
CLT, as nulidades devem ser agüidas na primeira vez em que a parte
tiver de falar em audiência ou nos autos. A reação
deve ser imediata ao conhecimento do ato que lhe parece ilegal ou prejudicial,
sob pena de preclusão temporal. Com o voto unânime dos ministros
da Primeira Turma, o TST manteve a decisão regional. (RR 1080/2004-005-04-00.2)

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