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DEPACOM, 20 de março de
2007
Reunião
do DEPACOM em 29 de março de 2007
O Departamento Profissional da Construção e do Mobiliário -
DEPACOM,
vem convocar a diretoria do DEPACOM para a reunião no dia 29
de março de 2007, às 14:00h na sede recreativa da FETICOM/SP na cidade de Mongaguá/SP.
Ordem do dia:
1) Plano de Ação para 2007;
2) Discussão e informação sobre os processos da Confederação Fantasma;
3) Outros assuntos pertinentes.
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Agência Senado, 24
de março de 2007
CAS discute projeto que muda data do
adiantamento do décimo-terceiro salário

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) tem reunião marcada para
a próxima terça-feira (28) para deliberar sobre uma pauta de
dez itens. Entre eles, projeto (PLS 246/2006) de autoria do senador Antonio
Carlos Magalhães (PFL-BA) que dispõe sobre o adiantamento do
pagamento do décimo-terceiro salário para os trabalhadores. A
matéria,sujeita a decisão terminativa (não precisa ir
a Plenário caso seja aprovada na comissão e não haja recurso
a Plenário), recebeu parecer contrário do senador Adelmir Santana
(PFL-DF).
Esse projeto determina que o
adiantamento de metade da gratificação natalina, conhecida
como décimo-terceiro salário, deverá ser feito entre
janeiro e junho de cada ano, desobrigando o empregador a fazer tal pagamento
aos empregados num único mês. Pela lei em vigor, o empregador
paga o décimo-terceiro no vencimento de um ano de trabalho do
empregado, entre fevereiro e novembro de cada ano. O autor justifica
que esse prazo de pagamento "é elástico demais, dificultando
a realização de planos, e, muitas vezes, forçando
o trabalhador a contrair empréstimo bancário dando como
garantia o próprio décimo-terceiro salário".
Outra proposta em pauta, o PLS
153/2006, também tramitando em caráter terminativo, altera
a legislação sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para estabelecer o pagamento diretamente ao trabalhador de créditos
do fundo no caso de contas vinculadas inativas. A matéria é de
autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) e foi relatada pelo senador
Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cujo parecer é favorável.
Projeto em caráter terminativo
(PLS 334/2003), que dispõe sobre a isenção parcial
de contribuição previdenciária para as empresas
que adotarem turno extra de trabalho, também consta da pauta da
reunião desta terça-feira. A proposição recebeu
parecer favorável do relator, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).
Projeto (PLS 28/2007) do
senador Cícero Lucena (PSDB-PB) que obriga o Sistema Único
de Saúde (SUS) a fornecer medicamento de uso continuado, não
sujeito a controle especial, aos pacientes em seu domicílio
também poderá ser examinado pelos integrantes da CAS.
A proposta recebeu parecer favorável do senador José Nery
(PSOL-PA).
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Diário Vermelho, 25
de março de 2007
Estudo mostra por que o Brasil é a
8ª economia mundial
A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda
divulgou nesta quinta-feira (22/3) um estudo mostrando que o Brasil já pulou,
de fato, para a oitava posição no ranking das maiores economias
do mundo, com a revisão dos números do PIB, pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
O valor do PIB brasileiro em
2005, de acordo com os cálculos da Fazenda, teria atingido U$
1,804 trilhão, convertendo os reais para dólares com base
na chamada técnica da "paridade do poder de compra" (PPP).
Esse tipo de técnica é empregada
pelo Banco Mundial e outros organismos internacionais para tornar mais
realista a comparação dos PIBs de diversos países,
considerando não apenas a taxa de câmbio, como também
as diferentes condições de demanda, preço e hábitos.
Com a simples conversão pelo câmbio, o PIB brasileiro não
passa de US$ 882 bilhões, mas, com a ponderação
do poder de compra, torna-se duas vezes maior.
O exemplo mais popular de aplicação
da "paridade do poder de compra" é o índice Big
Mac (o sanduíche mais conhecido da rede McDonalds), da revista
The Economist. O preço em dólares do Big Mac é diferente
em cada país do mundo: é muito mais barato na China do
que nos Estados Unidos, por exemplo. Por isso, se essas diferenças
de preço forem usadas para ponderar a taxa de câmbio, podemos
comparar o PIB dos Estados Unidos com o da China.
Não por acaso, o PIB da
China pula de US$ 2,228 trilhões para US$ 8,572 trilhões
quando usado o critério da paridade do poder de compra, ficando
logo abaixo do PIB dos Estados Unidos. Em países onde o custo
de vida é mais caro, como Japão e Reino Unido, o uso da
PPP tem um efeito contrário, de reduzir o valor do PIB.
Estatísticas do Banco Mundial
As estatísticas do Banco
Mundial, que usam esse critério de conversão, ainda apresentam
o Brasil com o nono maior PIB do mundo, atrás da Itália,
que tem um PIB de US$ 1,667 trilhão. O Brasil aparece com US$
1,627 trilhão de PIB em 2005, mas isso antes da mudança
de cálculo promovida pelo IBGE, que elevou as estimativas em 10,9%.
O Ministério da Fazenda aplicou esse porcentual de ajuste para
chegar aos US$ 1,804 trilhão em 2005.
Com essa atualização,
o PIB brasileiro ficaria próximo do francês, que está em
US$ 1,829 trilhão. Para ultrapassar a França no ranking
do Banco Mundial, é preciso que os números ainda extra-oficiais
de 2006 mostrem o Brasil crescendo pelo menos 1,5% a mais do que a economia
francesa.
Confira abaixo a lista
dos países com maiores PIBs, de acordo com o critério
de Paridade do Poder de Compra e também pelo critério
nominal. Os valores estão reproduzidos em bilhões de
dólares.

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Folha
de São Paulo, 26 de março de 2007
PT e PMDB agora miram bancos estatais
Alvos são BB, Casa da Moeda e Caixa; membros do
governo vêem ação como retrocesso depois de despolitização
pós-escândalos
Com reforma ministerial chegando ao fim, partidos da base
aliada mapeiam cargos estratégicos no segundo escalão
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com a reforma ministerial na reta final,
os partidos da base de sustentação do governo já mapeiam
os cargos estratégicos que querem ocupar no segundo escalão.
Na área econômica, o apetite do PT e do PMDB está focado
em vagas no Banco do Brasil, na Casa da Moeda e na Caixa Econômica Federal.
O movimento é visto por integrantes
do próprio governo como um retrocesso que ameaça o perfil técnico
imposto após os escândalos de corrupção do primeiro
mandato de Lula. O desenho final da cúpula dessas instituições,
no entanto, dependerá de negociação das lideranças
partidárias com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo
(Planejamento) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais),
que deverá começar nos próximos dias.
Segundo o deputado Henrique Eduardo
Alves (RN), encarregado pelo PMDB de acertar as indicações do
partido, os três ministros já teriam pronto um levantamento completo
da participação de cada partido. "Eles foram designados
pelo presidente para integrar o grupo que fará o acerto com os partidos
assim que a reforma ministerial for concluída", disse Alves, que
afirma ter tido essa informação em conversa com Lula na quinta-feira
passada.
O peemedebista está reunindo
os pedidos do seu partido e rebate as críticas de politização
das instituições. "Se o indicado tiver boa formação,
qualificação para o cargo, não há problema ele
ser filiado a partido." Para o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP),
articulador do partido, essa é uma "falsa polêmica" porque
os cargos são de confiança e os partidos podem indicar pessoas
com "compreensão técnica e visão confluente com a
linha desenvolvimentista do governo".
Ele não fala em nomes nem em
cargos, mas diz que PT e PMDB estarão perfeitamente sintonizados nas
escolhas. "Experiência ruim foi no passado, quando os bancos não
davam lucro. O resto foram casos isolados", diz Vaccarezza, quando questionado
sobre os executivos afastados após as denúncias de corrupção.
Banco do Brasil
Segundo a Folha apurou, está na
mira do PT a presidência do Banco do Brasil. Além disso, o partido
quer manter as duas vice-presidências (Crédito e Gestão
de Pessoas), ocupadas por técnicos de carreira do BB que têm ligações
políticas com a sigla, e obter uma nova. Esta poderia vir com a efetivação
do vice-presidente de Varejo e Distribuição, que assumiu interinamente
a área por indicação direta do Planalto.
Com isso, o PT ficaria com quatro das
oito vagas na cúpula do banco. O PMDB, por sua vez, reivindica duas
vice-presidências. Para uma delas, a de Tecnologia, já há inclusive
o nome de Joanilson Laércio Barbosa Ferreira, uma indicação
do PMDB de Minas Gerais e ligado ao ministro Hélio Costa (Comunicações).
O cargo é ocupado interinamente
por um funcionário de carreira do BB. A outra vice-presidência
que poderia ser ocupada pelo partido é a de Agronegócios e Governo,
preenchida por um técnico interino, pois tem o atrativo de tratar diretamente
com Estados, municípios e área agrícola. Se as indicações
forem efetivadas, será uma reversão do quadro atual. Pela primeira
vez no governo Lula, 100% da cúpula do banco é composta por funcionários
de carreira. Apesar de três deles terem vinculação com
partido político, essa foi um mudança efetuada após o
envolvimento do BB no escândalo do mensalão.
Segundo a Folha apurou, se depender
do ministro Guido Mantega (Fazenda) nada muda no BB. Ele é a favor da
manutenção de Antônio Francisco de Lima Neto, técnico
de carreira, na presidência e dos demais vice-presidentes por considerar
que eles estão fazendo um bom trabalho.
Segundo interlocutores, Mantega também tem dito estar satisfeito com
o trabalho de Maria Fernanda Ramos Coelho na presidência da Caixa. Ela
também contaria com a simpatia de Dilma.
Casa da Moeda
Outra disputa do PT é pela presidência
da Casa da Moeda. Depois que o ex-presidente Manoel Severino foi acusado de
receber R$ 2,7 milhões do esquema irregular comandado pelo publicitário
Marcos Valério, o então ministro Antonio Palocci Filho optou
por uma escolha técnica para o cargo: José dos Santos Barbosa,
chefe do Departamento do Meio Circulante do Banco Central.
No entanto ele já recebeu o
cargo com a nomeação do diretor de Administração,
Paulo Bretas, que foi investigado por supostas irregularidades na renovação
do contrato de prestação de serviços da Caixa com a GTech.
Ele foi vice-presidente de Logística do banco estatal. Agora, Bretas
quer a presidência da Casa da Moeda e espera ter o apoio dos ministros
Patrus Ananias (Desenvolvimento) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência).
Caixa Econômica
A Caixa tem mais chances de ficar como
está, porque sua composição já atende aos partidos.
Dos 11 vice-presidentes, três são indicados pelo PT, dois pelo
PMDB e um pelo PTB. Do restante, três são funcionários
de carreira sem vinculação política, um é técnico
do Banco Central e um é da Unicamp.
Ainda assim, há o interesse
dos partidos na área de Distribuição, que cuida diretamente
da rede de agências. Além disso, o vice-presidente de Logística
indicado pelo PTB, Paulo Cotta, teria sido convidado para trabalhar com o ministro
e correligionário Walfrido dos Mares Guia. Com isso, abre-se uma nova
vaga para disputa.
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Folha
de São Paulo, 26 de março de 2007
Caixa conclui formato de fundo do PAC
Rentabilidade mínima terá TR mais
3% ao ano; modelo deverá ser apresentado ao Conselho Curador do
FGTS em abril
Artigo definindo o retorno será incluído
na MP que cria o fundo de investimento; Caixa cobrará ""spread" de
risco" em cada operação
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Caixa Econômica Federal
já concluiu o formato para o que o fundo de investimento em
infra-estrutura com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço) assegure rentabilidade mínima ao patrimônio
dos trabalhadores. O modelo deverá ser apresentado ao Conselho
Curador do FGTS em sua próxima reunião, prevista para
abril.
Será incluído
na medida provisória que cria o fundo de investimento, em tramitação
no Congresso, um artigo definindo o retorno de, pelo menos, TR (Taxa
Referencial) mais 3% ao ano nas aplicações do FGTS em
obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
A mudança já foi acertada entre o Ministério da
Fazenda e o relator da MP, deputado Wilson Santiago (PMDB-PB). A Caixa,
no entanto, cobrará do FGTS, em cada uma das operações,
o que os técnicos vêm chamando de ""spread" de
risco". Na prática, trata-se de um seguro, que variará de
acordo com o perfil do investimento. Negócios mais arriscados
terão seguros mais altos. Os projetos cujo retorno é garantido
terão ""spread" de risco" mais baixo.
Segundo o vice-presidente de
Ativos de Terceiros da Caixa, Wilson Risolia, o ""spread" de
risco" não constará da medida provisória,
mas será definido em atos normativos da Caixa. "Usaremos
o mesmo modelo que hoje é aplicado quando emprestamos dinheiro
do FGTS às companhias de saneamento. Não mudará nada."
Na avaliação
de Risolia, a tendência é que os projetos de investimento
em infra-estrutura impliquem baixo risco, pois as operações
serão originadas no mercado de capitais e já deverão
chegar à Caixa "empacotadas" com os devidos mecanismos
garantidores da operação -seguro de término de
obra, aval, operações envolvendo recebíveis etc.
Além disso, os projetos
serão analisados pela área técnica da Caixa (de
engenharia e de risco) e ainda submetidos à apreciação
de um comitê do fundo de investimento. "O risco deverá ser
mitigado. Agora, pode acontecer problema? Pode, pois existem variáveis
exógenas à operação quando se trata de
obras", declarou o vice-presidente.
Plano B
Inicialmente, a Caixa estudava
cobrar uma taxa de risco sobre os R$ 5 bilhões do FGTS que serão
inicialmente direcionados para o fundo de investimento. "Não
seria o melhor caminho porque há operações com
mais risco e outras com menos. Partimos para um "Plano B" e
a taxa será definida por operação", explicou
Risolia.
Ainda segundo a área
técnica da Caixa, a inclusão na medida provisória
do fundo de investimento de um retorno mínimo para as aplicações
do FGTS contraria as regras da CVM (Comissão de Valores Mobiliários)
e do CMN (Conselho Monetário Nacional). Essas normas deverão
ser revistas. A criação do fundo de investimento em infra-estrutura
com recursos do FGTS está prevista no PAC e contará com
o aporte inicial de R$ 5 bilhões. O valor poderá alcançar
até 80% dos atuais R$ 20 bilhões do patrimônio
líquido do FGTS.
O novo fundo permitirá que
o FGTS possa comprar cotas, ações e participações
de empresas que invistam em obras de infra-estrutura. Em um prazo de
dois anos, o trabalhador também terá a opção
de aplicar no fundo até 10% do saldo de sua conta do FGTS. Se
esses recursos forem aplicados por no mínimo cinco anos, os
rendimentos ficarão isentos do Imposto de Renda.
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ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 24 de
março de 2007 | Brasil
Oposição não se
contenta com projeto alternativo à Emenda 3
Parlamentares apontam na proposta
mesma intervenção que os levou à emenda
Rosa Costa
BRASÍLIA - A expectativa
do governo de "acalmar" os parlamentares da oposição
com o projeto que enviou como compensação ao veto da emenda
3 - que impedia os fiscais de multar prestadores de serviços que
se organizam como empresas para pagar menos imposto - não funcionou.
Ao contrário, deputados
e senadores apontam na proposta o mesmo tipo de intervenção
por parte da Receita Federal que os levou a aprovar a emenda 3 com ampla
margem de votos e reforçou a disposição de parlamentares
para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o líder do PFL, senador
José Agripino (RN), o proposta anunciada primeiramente pelo ministro
da Fazenda, Guido Mantega, "não ajuda a quem quer empregar
e nem a quem quer prestar serviço". "Anunciaram uma
coisa e veio outra totalmente deturpada, o que só reforça
a necessidade de derrubarmos o veto do presidente Lula", defendeu.
O líder do PSDB, Arthur
Virgílio (AM), aponta dois entraves que, na sua opinião,
dificulta debater o projeto de Mantega: a manutenção do
caráter intervencionista nas relações de trabalho
e a tentativa de ignorar a competência da Justiça em pendências
trabalhistas. Junto com o projeto, também chegou ao Congresso
a pressão dos sindicalistas contrários à derrubada
do veto.
O deputado Paulinho da Força
da Força Sindical (PDT-SP), acompanhado de outros representantes
das centrais, defendeu junto ao presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), que a derrubada do veto "significará jogar a legislação
trabalhista no lixo".
Ele e seus colegas apontaram,
ainda, "barbárie nas relações de trabalho e
a volta da escravidão, se o veto cair". Não trataram,
porém, da vantagem que eles próprios terão com a
derrubada do veto e o provável aumento da contribuição
sindical devida por lei por todos os trabalhadores com carteira assinada.
Apesar de ter sido anunciado
pelo governo como sendo uma solução, o líder tucano
disse que os termos do projeto não o surpreenderam por um único
motivo: "Se eles (autoridades do governo) fossem satisfazer o espírito
da emenda, com certeza ela não teria sido vetada por Lula",
alegou.
De acordo com parlamentares,
o presidente Renan Calheiros foi um dos primeiros a tomar conhecimento
que o projeto de lei encaminhado pelo governo em substituição à emenda
3, introduzida naa Lei da Super-Receita, não atende às
expectativas do Congresso. A informação chegou até ele
minutos antes do início da sessão de leitura dos 28 vetos
- entre os quais está o da emenda 3 - que serão votados
pelas duas Casas no início de abril.
Mesmo sem tornar pública
sua contrariedade com texto - esperado por ele como sendo uma saída
de fácil aceitação, o líder do governo, senador
Romero Jucá (PMDB-RR), foi enfático ao afirmar que não
espera a aceitação integral do texto redigido pela equipe
econômica. Segundo ele, o projeto é apenas o ponto de partida
de uma discussão que deve levar à reforma trabalhista.
"O governo enviou um projeto
simples, que trata da relação do fiscal com a fiscalização
da empresa, apenas para levantar o tema", argumentou. "A partir
dessa proposta, nós vamos construir um novo modelo, que vai levar
em conta essas novas relações de trabalho".
Comparando, disse tratar-se de "um
minuto do jogo e a oposição está querendo discutir
o resultado final". "Nós temos que jogar primeiro os
noventa minutos, fazer as modificações necessárias,
discutir com a sociedade organizada e a partir daí ter uma nova
proposta".
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JORNAL O GLOBO, 24 de março
de 2007
Trabalhadores da Construção civil terão
5% de aumento
Danielle Abreu, do Extra
RIO - Os cem mil trabalhadores
da construção civil do Estado do Rio terão seus salários reajustados
em 5% este mês. Ou seja, o próximo contracheque já deverá vir mais gordo.
O acordo foi fechado ontem entre
os sindicatos da Indústria da Construção Civil e dos Trabalhadores da
Construção Civil do Rio. Com o aumento, o menor salário do setor, para
servente e contínuo, passa a ser de R$ 600,60 mensais.
Além do aumento salarial, o acordo
manteve benefícios como tíquete-refeição e seguro de vida, além de assistência à saúde
oferecida pelo Serviço Social da Construção Civil e aulas de alfabetização.
A tabela com os novos salários,
retroativos a 1° de março, está disponível no site www.sinduscon-rio.com.br .
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JORNAL GAZETA DO POVO, 26
de março de 2007 | Brasil
Câmara e Senado gastam juntos
R$ 1,1 milhão
Brasília – Um
dos principais argumentos dos parlamentares para justificar o aumento
de seus subsídios, pela correção inflacionária, é que
este é um direito de todo trabalhador. Mas é o status
de parlamentar que lhes garante carros com motorista, auxílio
moradia ou apartamento funcional e dezenas de assessores – para
atender os celulares, trazer café, fazer compras e até para
fazer check-in no Aeroporto de Brasília. Parlamentar não
fica em fila.
A mordomia chama atenção
pelo custo: Câmara e Senado gastam juntos pelo menos R$ 1,1 milhão
ao ano para evitar que os parlamentares peguem filas ou tenham que chegar
uma hora antes dos vôos. O custo refere-se ao pagamento dos salários
de 12 funcionários, que recebem entre R$ 6 mil e R$ 11 mil, e
o custeio das salas de apoio das duas Casas no aeroporto de Brasília.
O levantamento do custo, feito em reportagem do site “Congresso em Foco”,
foi confirmado pela assessoria de imprensa da Câmara e pelo secretário-geral
do Senado, Agaciel Maia. No aeroporto, seis funcionários efetivos do
Senado revezam-se em dois turnos de trabalho, de 7 horas a 23 horas, de segunda
a sexta-feira. Cinco recebem em média R$ 6 mil e o chefe, R$ 11 mil.
A Câmara também
mantém seis funcionários no aeroporto de Brasília,
mas são todos ocupantes de cargos de confiança. Trabalham
em turnos, entre 8 horas e 21 horas. Cinco deles recebem R$ 6,6 mil
e um, R$ 8,7 mil. O serviço existe há 18 anos. A novata
Janete Pietá (PT-SP) elogia o serviço. Desde fevereiro,
quando engessou a perna, utiliza a mordomia para obter uma cadeira
de rodas. “Agora mesmo estou esperando o funcionário trazer
a cadeira de rodas”, disse Janete, antes de embarcar sexta-feira.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2007
Baixo crescimento cria milhões
de desempregados
Agência Estado
Foto: Aliocha Maurício

Fila de pessoas à procura de oportunidade em agência de colocação:
poucas chances.
São Paulo - O baixo crescimento da economia nos últimos 25 anos
e a mudança da estrutura de trabalho nos centros urbanos, de transformação
dos setores de serviços e comércio em maiores geradores de emprego
no lugar da indústria, levaram 11,3 milhões de brasileiros, mais
do que a população inteira da cidade de São Paulo, à condição
de desempregados ou agregados sociais.
A constatação foi feita pelos economistas Márcio Pochmann,
Alexandre Guerra, Ricardo Amorim e Ronnie Aldrin, com base nos levantamentos
de dados utilizados no livro Atlas da nova estratificação social
do Brasil - Trabalhadores urbanos, ocupação e queda na renda,
apresentado em São Paulo. Eles utilizam a expressão “desclassados” para
qualificar os desempregados ou agregados sociais apontados nos levantamentos. “A
estrutura social constituída durante o ciclo da industrialização
está em desconstrução”, afirmou Pochmann.
Os trabalhadores urbanos somam cerca de 33,6 milhões de brasileiros,
e representam 49,2% das ocupações do País. Em 1980, eram
27,7 milhões, o equivalente a 54,3% da população ocupada. “Entre
1960 e 1980, a classe trabalhadora cresceu, em média, 5% ao ano, enquanto
que, de 1980 a 2005, a alta foi de 0,7% ao ano. Se tivesse mantido sua participação
relativa, mais 11,3 milhões de brasileiros se somariam, hoje, à classe
trabalhadora urbana”, explicou Pochmann.
Pela nova estratificação social, os trabalhadores urbanos representam,
em sua maioria, a mão-de-obra operacional da economia, de empregos intermediários,
caso de vendedores, trabalhadores de estruturas de alvenaria, ambulantes, garçons,
cozinheiros, guardas, operadores e por aí afora. A renda familiar desse
estrato é inferior a cinco salários mínimos.
Já os “desclassados”, ou seja, que não pertencem
a nenhuma classe social, será objeto de um outro volume da série
literária mas Pochmann adiantou ser formado, basicamente, por uma população
de baixa renda ou que vive abaixo da linha de pobreza, caso dos trabalhadores
esporádicos ou que até possuem emprego, mas sem nenhuma classificação
aglutinadora para formação específica de um grupo.
Segundo o estudo, que por metodologia própria analisa as mais diversificadas
informações estatísticas do País, o trabalhador
urbano é aquele situado abaixo da classe média. A maioria, 57,9% é formada
por brancos, enquanto negros e pardos somam 40,8%. Embora as mulheres tenham
maior média de escolaridade, de 8,9 anos, contra 6,9 anos dos homens,
eles são maioria do estrato, respondendo por 65% das ocupações,
ao passo que as mulheres respondem pelos outros 35%. “Esse dado rompe
aquela lógica de que, quanto maior a escolaridade, maior a chance de
obter emprego”, comenta o economista Ricardo Amorim, professor da Universidade
Mackenzie.
Até os anos 80, a classe trabalhadora atuava majoritariamente na indústria,
com ênfase nas grandes empresas e com baixa escolaridade. Hoje, a atividade
base da economia está no comércio e serviços, majoritariamente
em micros e pequenas empresas e média escolaridade.
Outro ponto relevante do estudo está na análise dos rendimentos.
Tomando a Grande São Paulo como referência, os pesquisadores observaram
que, em todos os ramos de atividade, houve queda do rendimento médio
real do trabalhador.
Ao mesmo tempo, os gastos correntes tiveram crescimento: de 92,6% da renda,
em 1987, para 95,5%, em 2003. Assim, esses trabalhadores não contam
com receitas para a formação de poupança e patrimônio,
mantendo-se sempre em situação de baixa renda, enfatizam os especialistas.
O principal item das despesas a apresentar aumento foi habitação,
de 17,2% da renda, em 1987, para 35,3%, em 2003. A soma de habitação
(35,3%), alimentação (22,4%), transporte (11,4%), e vestuário
(5,7%), consome 74,8% da renda desses trabalhadores. Os impostos também
saltaram expressivamente: de 27% a 34% do rendimento, na década de 80,
para 37% a 44%, atualmente.
Por conta deste aperto, constataram os especialistas, os trabalhadores optaram
por cortes, principalmente, de consumos menos urgentes, caso de vestuário
e de recreação e cultura. Em 1987, o grupo gastava 2,5% da renda
em recreação e cultura, ao passo que, em 2003, o volume ficou
em 1,6%.
“ Esse levantamento indica os rumos para onde nossa sociedade caminha e
o que pode ser feito para reorientá-la. É fundamental que tenhamos
crescimento econômico, mas também dependerá do tipo de emprego
a ser criado”, comenta Pochmann. Ele lembra, por exemplo, que ao premiar
a exportação de produtos básicos, caso de commodities agrícolas
e minerais, ou mesmo de combustíveis como o etanol, o Brasil até poderá gerar
empregos e inserção social, mas não com a mesma qualidade
obtida durante o período de industrialização vivido pelo
País em décadas passadas.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2007
Cálculos do INSS na Justiça
Redação Tribuna
do Paraná
Cerca de 430 segurados
do INSS poderão ser beneficiados por uma decisão do Supremo
Tribunal Federal. Eles receberam o benefício entre março
e julho de 2005, quando entrou em vigência a medida provisória
que alterava o cálculo do auxílio-doença e auxílio-acidente.
A ação no STF pede o cancelamento dos efeitos da medida.
A regra previa que os auxílios passassem a ser calculados com base nos últimos
36 salários de contribuição do segurado - que é o
valor sobre o qual é calculada a contribuição ao INSS.
A regra válida hoje leva em conta o histórico desde 1994. Além
disso, estabeleceu-se que o pagamento do auxílio-doença feito
pelo INSS não podia exceder o que recebia o segurado antes do benefício.
Dessa forma, os segurados que ganhavam mais, mas tiveram queda nos rendimentos
nos três anos anteriores à concessão do benefício,
saíram perdendo.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2007
Conta salário começa
a vigorar no dia 2 de abril
Agência Estado
Brasília - No dia
2 de abril entra em vigor a obrigatoriedade para os bancos depositarem
os salários dos clientes em uma conta salário que vai
permitir a transferência do saldo, sem custos, para o banco da
escolha do correntista. A medida foi adotada pelo governo para estimular
a concorrência bancária e, em conseqüência,
reduzir o custo dos financiamentos e as tarifas.
Mas o secretário de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, Júlio Sérgio Gomes de Almeida, afirmou que o impacto
será sentido no médio e longo prazos. “É um processo.
Não vamos esperar um efeito de curto prazo. Vamos sentir os efeitos
daqui a dois, três ou quatro anos”, disse ele, à Agência
Estado.
Almeida argumenta que o sucesso da medida dependerá da demanda da clientela.
Ele acredita que a competição entre os bancos só será acirrada
se houver pressão dos clientes para redução de tarifas
e melhores serviços e vantagens. “Cabe ao formulador de políticas
colocar a sua existência, mas o resultado depende da assimilação
do processo”, pondera o secretário.
“ Por isso, acho que temos que ter uma visão de médio e longo
prazos. E não é por causa das exceções, mas porque é um
processo de conscientização do cliente. É só olhar
para a medida da portabilidade do crédito, que nós adotamos no
ano passado, que está só engatinhando. É uma questão
de cultura”, avalia.
A resolução 3.424 do Conselho Monetário Nacional (CMN),
de 21 de dezembro de 2006, estabeleceu algumas exceções para
o uso da conta salário. Os trabalhadores com contas em bancos que tenham
convênios ou contratos com a empresa em que trabalham firmados até o
dia 5 de setembro de 2006 terão de esperar até o dia 2 de janeiro
de 2009 para usufruir do benefício. Só para os contratos firmados
a partir desta data, a conta salário entra em vigor no dia 2 de abril.
Outra exceção é a exclusão dos servidores públicos
estaduais e municipais vinculados a Estado ou município que tenha leiloado
a folha de pagamento para uma instituição financeira. Para esses
servidores, a conta salário entra em vigor em 2012. A transferência
da folha de pagamento pode ser feita pelos governos regionais até 31
de dezembro de 2011, mas as regras da conta salário passam a valer,
obrigatoriamente, em janeiro de 2012. Mesmo assim, avalia o secretário,
os bancos terão interesse em comprar a folha de pagamento como estratégia
de aproximação do cliente.
Almeida destaca que a resolução do CMN proíbe a cobrança
de tarifas desses servidores para a transferência de créditos,
para saques e fornecimento de cartão magnético e de talões
de cheques.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de março de 2007
Mutuário pode usar FGTS para
quitar imóvel
Agência Estado
São Paulo - Pessoa
em situação econômica difícil que tem débitos
relativos à casa própria pode utilizar os recursos do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar a dívida.
Isso mesmo que o imóvel não tenha sido adquirido no âmbito
do Sistema Financeiro da Habitação. A decisão é do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) e permite que o mutuário
utilize seu FGTS em financiamento para aquisição de material
de construção.
O STJ negou recurso interposto pela Caixa Econômica Federal (CEF). O
objetivo da instituição financeira era reformar o acórdão
do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, em Recife, que já havia
negado recurso com o qual a CEF pretendia invalidar decisão que beneficiava
o mutuário Francisco de Assis Amaral Bastos.
Na Justiça Federal, o mutuário conseguiu o direito de utilizar
os recursos da sua conta do FGTS para abater uma dívida de cerca de
R$ 7,3 mil referentes a empréstimos concedidos pela própria CEF
para a compra de material para a construção de seu imóvel,
em terreno da própria família.
No recurso ao STJ, a Caixa argumentou que a decisão favorável
ao mutuário feriu o disposto na Lei n.º 8.036/90, que regula o
uso do FGTS para a compra da casa própria. Segundo a CEF, o uso do FGTS
para a quitação de dívidas imobiliárias só seria
possível nos casos de aquisição de moradia através
de sistema de financiamento ou de autofinanciamento. Porém, no caso
em questão, o mutuário quer a liberação dos valores
para a construção direta, sem utilizar o financiamento ou o autofinanciamento, à margem
de qualquer amparo legal.
O relator do processo no STJ, ministro Castro Meira, explicou que o artigo
20 da Lei n.º 8.036/90 inclui a previsão de saque para socorrer
o trabalhador que pretenda realizar a amortização de parcelas
da compra, efetuada sem intermediação do agente financeiro. Ele
ressaltou que a decisão do TRF está de acordo com a jurisprudência
do STJ, que tem admitido a possibilidade do levantamento do saldo das contas
vinculadas do FGTS para a aquisição de imóvel, ainda que
este não seja financiado pelo Sistema Financeiro da Habitação.
As informações são do STJ.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2007
Tarso Genro no labirinto do direito,
da justiça e da política
Edésio Passos
Em 1978, estávamos
em plena luta pela redemocratização e às vésperas
do povo conquistar o direito à anistia, finalmente consagrado
em 1979. Também avançava a idéia da plena liberdade
e autonomia sindical e da reorganização dos partidos
políticos. E como um dos pontos centrais, a fundação
de um partido dos trabalhadores, idéia recém lançada
pelo líder metalúrgico Lula. Neste cenário que
se realizou o I Encontro Nacional e IV Encontro Estadual dos Advogados
Trabalhistas, em Porto Alegre, reunindo pela primeira vez, no período
da ditadura militar, em um plenário aberto, os advogados trabalhistas
de todas as partes do país. Dentre as proposições
aprovadas, uma delas foi essencial para a seqüência da luta:
a fundação da Associação Brasileira dos
Advogados Trabalhistas, a ABRAT, hoje presidida pelo advogado Luiz
Salvador, presente naqueles conclaves como membro da representação
paranaense. Foi naquele momento de integração que conheci
Tarso Genro, advogado de trabalhadores e de suas entidades sindicais,
teórico do Direito do Trabalho e político inserido na
resistência democrática de então. Na publicação
dos textos em debate, apresentei considerações sobre
a reforma da CLT e Tarso Genro sobre a desde então controvertida
questão da unidade e pluralidade sindical.
Trajetória jurídica e política: Hoje, a trajetória
de Tarso Genro é amplamente conhecida em todo o Brasil, desde sua inestimável
contribuição ao avanço do Direito do Trabalho em especial
consubstanciada nos textos “Crise terminal do velho Direito do Trabalho” e “Um
Futuro por Armar” até as análises das contradições
políticas em nosso país e na América Latina, resumida
em dois ensaios essenciais: “Crise da Democracia Direito, Democracia
direta e Neoliberalismo na ordem global” e “Esquerda em Processo”.
Como também pela sua jornada política e administrativa, como
deputado federal, vice-prefeito e prefeito de Porto Alegre e, agora, no governo
federal, como Secretário Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, Ministro da Educação, Ministro da Secretaria de Relações
Internacionais da Presidência da República e Ministro da Justiça.
Destaque-se sua intensa participação na fundação,
organização e desenvolvimento do Partido dos Trabalhadores, onde,
unindo prática e teoria, se distingue como um dos pólos fundamentais
dessa estrutura partidária.
Um Futuro por Armar: Já assinalamos em texto
anterior ao analisarmos a sua contribuição na análise
contida em “Um Futuro por Armar” que “o advogado
Tarso Genro, durante recente palestra em Curitiba, divulgou a excelente
revista “Democracia & Mundo do Trabalho”, já em
seu segundo número. Publica texto de sua autoria intitulado “Um
futuro por armar”, complementação a seu anterior
texto “Crise terminal do velho Direito do Trabalho”, publicado
na Revista do TRT, 9.ª Região(1996). Apresenta o jurista
uma pauta jurídica-conceitual para um novo Direito do Trabalho,
com novas tutelas que devem conviver por um certo tempo com as tutelas
tradicionais. A análise também será publicada
como prefácio da obra de Antonio Baylos “Derecho del Trabajo:
Modelos para Armar”, a ser publicada em breve. Genro conclui
suas observações assinalando: “Abordar essa pauta
ou outra análoga, a partir de uma ótica humanista e insurgente, é uma
nova tarefa. Um projeto que recupere a capacidade constituinte do Direito
do Trabalho, como Direito Tutelar de Caráter Público, é uma
parte importante da complexa disputa que deve ser travada contra o
capitalismo neoliberal. Trata-se de lutar para que a norma jurídica
não seja uma serva do movimento econômico, indutora da
barbárie pós-moderna, mas um instrumento de humanização
do mundo” (in “Relações de Trabalho&Transformação
Social”, Edit. Decisório Trabalhista, 1999, págs.
20/1).
A dispersão das ideologias: Agora, em recente
análise política sobre “a dispersão das
ideologias” (Folha de S. Paulo, 14.01.2007) assinala, com propriedade
e endereço certo: “Uma conseqüência pouco discutida
da crise do “Estado de bem-estar”, da superação
em curso do modelo produtivo taylorista-fordista e das experiências
socialistas do Leste Europeu é o fenômeno da dispersão
ideológica. Dispersão e confusão que ocorrem tanto
na esquerda como na direita. Dispersão que chegou a dar sustento à tese
de que ambas as posições tinham desaparecido, supostamente
comprovando a assertiva do fim das ideologias, mitificação
liquidada por Norberto Bobbio no seu pequeno e já clássico
volume “Direita e Esquerda”. Na verdade, essa dispersão é fruto
de um vazio de respostas. É reflexo da mudança na estrutura
de classes do capitalismo global, da emergência do conhecimento
e da “financeirização” do capital como fundamentos
de um novo processo de acumulação. É fruto da
fragmentação da classe operária industrial e da
ampliação da “exclusão social”. É resultado,
também, em termos globais, do envelhecimento da resistência às “reformas” regressivas,
em termos de conquistas sociais. Essa resistência não
veio acompanhada de respostas ideológicas e programáticas, à esquerda
ou à direita, capazes de conquistar maiorias estáveis”.
A necessária concertação social: Embora
Tarso Genro tenha se destacado no breve período em que esteve à frente
do Ministério da Educação, repautando as prioridades
e definindo as metas a serem atingidas, agora em concretização,
sua contribuição no Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social (CDES) foi fundamental para introduzir e praticar institucionalmente
no país o conceito de concertação social, a saber: “A
criação do CDES alargou de forma inédita os espaços
de interlocução do Governo com a sociedade. A perspectiva
e a capacidade de colaborar na definição dos grandes
rumos do País de forma compartilhada estão em franca
evolução. O diálogo social qualifica e viabiliza
um projeto de desenvolvimento de longo prazo, como expressão
da síntese possível dos valores e interesses predominantes,
orientadores das ações de Governo e assumidos pela sociedade.
No CDES, trabalhadores, empresários, movimentos sociais e personalidades
de reconhecida competência e liderança nas suas áreas
de atuação discutem em posição de igualdade
questões fundamentais para o desenvolvimento brasileiro” (in
texto de apresentação do CDES, Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência da República).
Segurança pública: Na entrevista concedida
quando da posse no Ministério da Justiça, Tarso Genro
sinalizou pontos essenciais de ação naquela Pasta, em
especial quanto a segurança pública: “Vou dar continuidade,
aperfeiçoamento, aprofundamento do trabalho que o Márcio
vem fazendo no que se refere à questão da segurança
pública, nos estados, qualificação científica,
técnica da polícia, ampliação à medida
do possível dos quadros da PF. Segunda questão, o trabalho
de articular de médio e longo curso que é a integração
das políticas de segurança pública com as políticas
sociais do governo. Temos foco muito preciso no adolescente e jovens
em situação de risco. E o terceiro ponto é a questão
da reforma política que nós vamos continuar coordenando
a discussão no governo, juntamente com o Ministério de
Relações Institucionais e buscando criar condições
para que nós tenhamos, se possível, pelo menos o início
de uma reforma política importante no país. De maneira
genérica estes são os três grandes eixos” (vide
entrevista na íntegra no site do Ministério da Justiça).
Segurança, políticas sociais e reforma política: Respondendo à questão
sobre a integração das políticas de segurança pública
com as sociais, voltadas para a juventude, e a relação do ministério
com a reforma política, Tarso Genro assinalou: “Posso dar como
exemplo o trabalho educacional dentro dos presídios, cuja finalidade
não é só punir mas também recuperar.Outro exemplo é a
estruturação de relações conveniadas em que o estado
e o município para a qualificação através do trabalho
das medidas sócio-educativas para os menores que sofreram medidas correcionais.
Em relação à reforma política, existe um trabalho
que foi feito pelo Ministério da Justiça que faz uma análise
dela, está em andamento no Congresso. Existe os anunciais do Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social. E existe a propostas da OAB. O
que o MJ vai fazer é ajudar a impulsionar e organizar esta discussão.
Sem fazer qualquer tipo de proposta preventiva que possa acautelar os partidos
a participar do debate ou polarizar a posição do governo. Tem
três pontos que são importantes. Agora isso vou ter que trabalhar
junto com meu sucessor no Ministério da Coordenação Política.
A questão da fidelidade (partidária), financiamento público
e a votação em lista. Discurso este que vem sendo feito pelo
presidente da Câmara, pela OAB. Vamos colaborar, induzir uma discussão
o mais rápido possível”.
Inclusão jurídica, política e econômica: No
já citado texto sobre “a dispersão das ideologias”,
Tarso Genro conclui sua análise indicando a necessidade de uma ampla
ação política de inclusão jurídica, política
e econômica ao sublinhar com exatidão: “Outra proximidade é o
uso indistinto do moralismo udenista pela direita conservadora e pela esquerda
considerada “extremista”. A primeira o faz para desmoralizar os
políticos quando não é ela que está no governo,
pois a rejeição à política atrai o voto alienado
para a oposição. A segunda, porque se considera redentora messiânica
da moral pública, que só existirá - ditada pelo seu partido
- fora dos quadros da “democracia burguesa”. Essa dispersão-confusão
entre os valores políticos da esquerda e da direita não significa
que eles se integraram, mas indica que -no momento em que o mundo da segunda
Revolução Industrial ainda não morreu e o novo mundo global
da “sociedade da informática” ainda não amadureceu-
as posições ainda não se renovaram para demarcar os seus
opostos. Provisoriamente, nós - da esquerda - devemos ter claro que é preciso
avançar, com uma paciência que não dispensa a ousadia,
nas políticas de inclusão massiva das pessoas na nova sociedade
de classes em formação.
Inclusão jurídica, política e econômica para que
elas vejam o mundo de dentro de uma nova cultura e de uma nova vida moral,
para que a utopia da esquerda possa se apresentar de novo como portadora do
progresso humanizado e da esperança de igualdade”.
Labirinto: Tarso Genro enfrenta um novo e difícil
desafio, mas seguro com a experiência adquirida e através
de seus conhecimentos no campo do Direito, da Justiça e da Política.
No labirinto que irá enfrentar, certamente seguirá o
ensinamento de Norberto Bobbio que abre a sua página eletrônica
(www.tarsogenro.com.br): “O que o labirinto nos ensina não é onde
está a saída, mas quais os caminhos que não levam
a lugar nenhum”.
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal e diretor administrativo da Itaipu Binacional. E-mail:
edesiopassos@terra.com.br
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de março de 2007
Tolerância zero
CEF é punida por atraso de
representante em audiência
A Justiça do Trabalho condenou a Caixa Econômica Federal à revelia
porque o seu representante atrasou dez minutos na audiência em que era
ré. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região,
Rio Grande do Sul, foi mantida pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O caso trata de um processo movido
por um ex-empregado da Caixa Econômica em Porto Alegre. Em 2004,
após se afastar da empresa por aposentadoria, ele ajuizou ação
para receber horas extras.
A abertura da audiência
na 5ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, marcada para às 9h
do dia 22 novembro de 2004, ocorreu, efetivamente, às 9h04. No
entanto, o representante da CEF chegou às 9h13. A empresa foi,
então, condenada a pagar as verbas indenizatórias reclamadas
pelo trabalhador à revelia. O advogado da CEF estava presente
quando a audiência foi iniciada.
A CEF recorreu, inicialmente,
ao TRT-RS. Alegou cerceamento de defesa, na medida em que seu representante
atrasara “apenas 10 minutos”. Argumentou que não haveria
razão para a penalidade aplicada. Os argumentos não foram
aceitos.
O tribunal manteve a decisão.
Ressaltou que não houve, naquela oportunidade, qualquer pedido
de concessão de prazo a fim de que a empresa pudesse apresentar,
nos autos, justificativa para o atraso.
Inconformada com a decisão
do TRT gaúcho, a Caixa recorreu ao TST. Argumentou não
existir revelia quando o advogado da parte comparece à audiência
munido de defesa e documentos (o que teria ocorrido). Indicou violação
de diversos dispositivos legais. O relator do processo, ministro João
Oreste Dalazen, no entanto, negou o recurso. Refutou todas as alegações
de violação aos dispositivos da Constituição
Federal, da CLT e do Código de Processo Civil.
O ministro Dalazen assegurou
que, com base nos fatos e provas juntadas ao processo, a segunda instância
foi taxativa no reconhecimento de que “a reclamada não consignou
em ata oportuno protesto antipreclusivo contra a aplicação
da pena da confissão ficta quanto à matéria de fato,
tendo, pois, operado preclusão temporal a esse respeito, o que
inviabilizava o exame da alegada nulidade, por cerceamento de defesa,
trazida somente no recurso ordinário”.
De acordo com o artigo 795 da
CLT, as nulidades devem ser argüidas na primeira vez em que a parte
tiver de falar em audiência ou nos autos. A reação
deve ser imediata ao conhecimento do ato que lhe parece ilegal ou prejudicial,
sob pena de preclusão temporal. Com o voto unânime dos ministros
da 1ª Turma, o TST manteve a decisão de segunda instância.
RR 1.080/2004-005-04-00.2
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CONSULTOR JURÍDICO,
26 de março de 2007
Acidente de trabalho
Cabe à Justiça do Trabalho
julgar caso de morte em serviço
A Justiça do Trabalho é competente para julgar ação
civil ajuizada pela família de um funcionário morto em acidente
de serviço. Foi o que entendeu a 1ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande de Sul), ao julgar Recurso
Ordinário interposto contra decisão da 1ª Vara do Trabalho
de Bagé.
O TRT gaúcho alterou a
sentença para declarar que a Justiça do Trabalho é competente
para apreciar ação proposta pela viúva de empregado
morto durante a jornada de trabalho. Ela quer indenização
por danos morais e materiais. A sentença de primeira instância
entendia que a demanda não estava inserida na competência
da lei trabalhista, pois o direito pertencia à viúva e
não decorria da relação de trabalho ou do acidente.
O juiz Pedro Luiz Serafini, relator
do recurso, salientou que o pedido de indenização por dano
moral e material estava fundado no contrato de trabalho. Foi na condição
de sujeito da relação de trabalho que o dano ocorreu. O
entendimento do tribunal foi de que o fato de as indenizações
serem postuladas pela viúva do empregado não é relevante
para a fixação da competência material.
O tribunal entendeu que a controvérsia
deve ser dirimida pela Justiça do Trabalho, ainda que as indenizações
pleiteadas sejam institutos de Direito Civil. Para tanto, citou o julgamento
de conflito de competência pelo Superior Tribunal de Justiça,
bem como a Súmula 392 do TRT. O julgamento deve retornar à vara
de origem.
RO 00534-2006-811-04-00-7
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
26/03/2007
Assédio sexual em curtume mineiro
gera indenização de R$ 20 mil
Uma empregada assediada sexualmente
pelo encarregado da empresa mineira de couros Kaparó – Indústria
e Comércio Ltda., vai receber R$ 20 mil de indenização
por dano moral. A decisão da Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho
da 3ª Região (Minas Gerais), confirmando a conduta desrespeitosa
e freqüente do superior hierárquico. “O Tribunal Regional
de origem, soberano no exame do conteúdo fático-probatório
dos autos, concluiu que restou provada a ocorrência de assédio
sexual, entendendo devido o pagamento de indenização por
dano moral”, afirmou a relatora do processo no TST, ministra Maria
Cristina Peduzzi.
A empregada era auxiliar de curtume,
admitida em 2004 e dispensada em 2005 sem justa causa. Afirmou que desde
o seu ingresso na empresa sofreu assédio sexual por parte do encarregado
do setor, que começou fazendo-lhe convites para “tomarem
uma cerveja juntos”. Depois, de forma mais agressiva e explícita,
provocava encontros físicos e constrangedores, até convidá-la,
de forma indireta, para um relacionamento sexual. Segundo ela, o assédio
era feito na presença das colegas, também assediadas, e
ainda, “quem não o aceitasse era demitida ou deslocada para
trabalhar em locais piores”, como ocorreu com a empregada em questão,
que foi transferida do setor de acabamento para o de secagem, de trabalho
muito mais pesado. Afirmou ainda que o chefe costumava dirigir-se às
empregadas aos gritos, usando palavrões.
A Kaparaó alegou que nunca
houve assédio sexual na empresa e que a empregada agiu de forma
a incentivar o suposto assédio para conseguir vantagem econômica.
Segundo a defesa do curtume, “quando há o uso do poder como
forma de obter favores sexuais, e a troca é consentida, não
há assédio, simplesmente a empregada aderiu a proposta
e cedeu”. Na 1ª Vara do Trabalho de Coronel Fabriciano (MG),
a auxiliar pediu indenização por danos morais, o que foi
rejeitado pelo juiz de primeira instância. Segundo ele, os depoimentos
das testemunhas demonstraram que cada empregada reagia de forma diferente
ao tratamento do encarregado. Não sendo possível que ele
mantivesse tal comportamento sem prejuízo da empresa.
O juiz considerou que a empregada
foi “conivente” com os atos do chefe, alegando que “se
a autora não se comportava dentro de conhecidos parâmetros
normais em seu ambiente de trabalho, não poderia apresentar rebeldia
contra o também não recomendado procedimento adotado pelo
seu supervisor “. A sentença citou o caso da colega da auxiliar,
e também litigante em outra ação contra a empresa,
como diferente do caso em questão, por se tratar de “funcionária
casada sempre rebelde à imoralidade”. O juiz afirmou que “a
auxiliar mantinha outro tipo de relacionamento com o patrão, brincando
nos mesmos moldes, chulos”. A sentença negou os pedidos
da empregada, decidindo que “não há aqui assédio
sexual a ser acolhido”.
No TRT/MG, a empregada recorreu,
insistindo que tinha direito ao dano moral. Os juízes do Tribunal
reformaram a sentença, ressaltando que “assume excepcional
relevância a palavra da vítima em delito dessa natureza,
pois ele, quase sempre, é praticado às escondidas”.
Segundo o TRT/MG, não há como concluir pela inocência
do encarregado, pois “entende-se como verídicos os fatos
narrados na inicial, sendo incontroverso que a conduta desrespeitosa
do empregador causou sérias conseqüências de ordem
psicológica à empregada”.
O relator do caso no TRT/MG afirmou
que a exposição da empregada aos constrangimentos narrados
pelas testemunhas violou sua dignidade, além de “incutir
insegurança em sua futura vida profissional”. O Regional
decidiu com base no Código Civil, que dispõe que o dano
moral atinge os direitos da personalidade, sem valor econômico,
tal como a dor mental e psíquica ou física, caracterizando-se
por abusos cometidos pelo empregador. Assim, constatado o dano moral,
a indenização foi fixada em R$ 20 mil, de acordo com o
artigo 5º, X, da Constituição Federal. Inconformada
com a decisão, a empresa acionou o TST, com pedido de reforma
do acórdão regional, por violação ao artigo
818 da CLT, que diz que incumbe à parte provar suas alegações.
A relatora, ministra Maria Cristina
Peduzzi, negou tal violação e manteve a decisão
do TRT/MG. “É impertinente a discussão acerca do ônus
da prova, visto que o órgão julgador entendeu suficientes
para formar sua convicção os elementos probatórios
constantes dos autos”. A ministra, ao manter a decisão do
TRT/MG, lembrou que “a intimidade e a honra são protegidos
constitucionalmente, cabendo ao empregador manter ambiente respeitoso
de trabalho”. A ministra concluiu que “para se chegar à conclusão
diversa, como pretende a empregadora, necessário seria o revolvimento
de fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula 126 do TST”.
(AIRR 1100/2005-033-03-40.5)
(Léa Paula)

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