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Folha
de São Paulo, 27 de março de 2007
Bolsa Família ainda procura 330
mil para pagar benefício
Burocracia do programa não encontra famílias
que teriam direito a receber verba
Governo diz que é preciso corrigir o foco
da ajuda "permanentemente'; além do DF, 12 Estados têm
mais pobres do que beneficiados
Lula Marques/Folha Imagem

Graciene Neves Leite com filhos e sobrinhos em favela de Brasília; ela
não recebe o Bolsa Família
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Embora tenha cumprido a meta
de atender 11,1 milhões de famílias no país a
três meses das eleições presidenciais, o Bolsa
Família ainda procura cerca de 330 mil famílias supostamente
aptas a receber os benefícios, mas que ainda não foram
localizadas pela burocracia do programa.
A Folha chegou a esses dados comparando o número de famílias
pobres nos Estados -a mesma estimativa que serve de base à meta oficial
do programa- à folha de pagamentos de fevereiro do Bolsa Família.
Além do Distrito Federal, 12 Estados ainda têm mais pobres do
que famílias que recebem a bolsa de R$ 15 a R$ 95 por mês.
A diferença entre o
número de pobres e de beneficiários do programa é proporcionalmente
maior no Amapá, onde quase 30% das famílias pobres não
teriam sido alcançadas pelo cadastro federal.
A situação ainda é considerada delicada no Rio, apesar
do avanço recente no cadastramento. Lá, cerca de 91 mil famílias
(ou 17% da estimativa de pobres) ainda estariam excluídas do programa.
Essa diferença foi compensada, na meta nacional, por Estados em que
o número de beneficiários supera as estimativas oficiais de pobres.
Lideram essa lista Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
"Não dispomos,
ninguém dispõe de uma metodologia com erro zero, precisamos
permanentemente corrigir o foco do programa", reconhece Rosani
Cunha, secretária de Renda de Cidadania do Ministério
do Desenvolvimento Social. Os ajustes já explicam a oscilação
na clientela do programa. "Existe uma pobreza mais dura e mais
invisível, é também a mais difícil de alcançar."
O ministério usa as
estimativas de pobres fornecidas pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios) de 2004 como o parâmetro para as metas
do Bolsa Família. O governo não dispõe, porém,
de um cálculo oficial de famílias excluídas do
programa. "A estimativa é uma referência, mas não
uma referência absoluta", ponderou a secretária do
Desenvolvimento Social. Outra referência é o cadastro único,
sob responsabilidade direta dos municípios. Recebem os benefícios
as famílias pobres incluídas no cadastro, onde não
entram pessoas sem documentos, por exemplo.
Nome no cadastro
Bem próximo do Palácio
do Planalto e da Esplanada dos ministérios, a Folha localizou
na semana passada potenciais beneficiários do Bolsa Família.
Catadoras de papel e latinhas, as irmãs Graciene e Gracilene
Neves Leite vivem em barracos em uma invasão no Plano Piloto.
Os resíduos da capital rendem R$ 120 por mês, em média,
para cada uma. Ambas são chefes de família e têm
filhos matriculados na escola.
Algumas famílias vizinhas
na mesma invasão têm o benefício, elas não: "Já andamos
atrás, mas está difícil fazer o cadastro",
conta Graciene. "Não é na rodoviária que
a gente cadastra?", pergunta.
No Distrito Federal, a estimativa de pobres ultrapassa em quase 11 mil famílias
o número de beneficiários. A falta de endereço certo é um
dos obstáculos à inclusão dos mais pobres apontados pela
coordenadora do Bolsa Família no Amapá, Adelaide Ferreira, mas
não o principal.
O problema, segundo ela, está na
seleção das famílias já cadastradas. "Na
verdade, há uma certa demora na seleção em Brasília.
Ficamos até numa situação de descrédito.
Mas não posso afirmar que seja só culpa da burocracia",
disse. Marcelo Garcia, secretário municipal de Assistência
Social do Rio, defende que o cadastramento tem de avançar com
cautela. "A gente precisa localizar as famílias certas,
tem de ter muito cuidado mesmo, senão começa a cadastrar
sem muito critério, só para bater a meta", pondera. "Quanto
mais pobre e vulnerável a família, maior a dificuldade
de acesso."
A preocupação
de Garcia justifica a diferença entre a estimativa de pobres
e o número de beneficiários em Santos. Segundo o ministério,
apenas metade dos potenciais beneficiários recebem a bolsa
lá. "A diretriz desta secretaria é que apenas
sejam incluídas as famílias após visitas domiciliares",
disse Maria del Pilar Camara, do departamento de proteção
social básica da prefeitura.
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Folha de São Paulo,
27 de março de 2007
Foco
Novo PFL vai se chamar "Democratas" e
terá filho de Cesar Maia no comando
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O PFL anunciou ontem que a partir
de amanhã passará a se chamar Democratas (com a sigla DEM)
e terá no seu comando o deputado Rodrigo Maia (RJ), 36, filho
do prefeito do Rio, Cesar Maia.
Candidato único, Rodrigo assumirá o posto sem disputa, na estratégia
do atual presidente, Jorge Bornhausen (SC), 69, de renovar a sigla. "O
PFL viveu bons e maus momentos. Guardamos as conquistas e viramos a página.
Estava na hora de passar o comando para a nova geração, para
a busca do poder, que vai trazer oxigenação ao partido",
disse.
Bornhausen reconheceu que o partido
terá que mudar sua estrutura para conseguir sobreviver. A estratégia é abrir
espaço para quadros mais jovens e, assim, buscar fôlego
para candidaturas próprias nas próximas eleições.
O partido vai apoiar a reeleição do prefeito Gilberto Kassab
(São Paulo), mesmo com a disposição do PSDB de lançar
Geraldo Alckmin.
A convenção
do partido vai discutir um novo estatuto. Os pefelistas elegeram os
temas direitos humanos e defesa do meio ambiente como "pilares",
além de cinco "bandeiras": saúde, educação,
segurança, habitação e emprego. (GABRIELA GUERREIRO)
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Folha
de São Paulo,
27 de março de 2007
Consignado e queda da Selic reduzem
taxa média de juros
Bancos cobraram em média 39,7% ao ano de clientes em fevereiro,
menor índice da série histórica iniciada em 2000
| BC
diz que taxa era "alta demais" e agora é só "alta';
empréstimo pessoal médio atinge 73,8%, enquanto consignado
fica em 32,5%
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os juros cobrados nos empréstimos bancários atingiram
o nível mais baixo em quase sete anos, segundo levantamento
feito pelo Banco Central. Entre janeiro e fevereiro, a taxa média
praticada pelos bancos passou de 39,9% ao ano para 39,7%, a menor desde
julho de 2000, quando teve início a série estatística
do BC. Apesar disso, a taxa ainda é alta comparada a de outros
países emergentes.
Esse movimento foi influenciado por dois fatores principais: a recente
queda da taxa Selic e a maior procura por empréstimos com
desconto em folha de pagamento. No primeiro caso, os cortes na Selic
reduzem o custo de captação dos bancos no mercado -a
taxa básica é o principal parâmetro. Se esse
custo é menor, a taxa cobrada dos devedores também
pode ser menor.
Já o chamado crédito consignado ajuda a puxar para baixo
a taxa média no mercado. Enquanto os bancos cobram juros médios
de 73,8% ao ano em um empréstimo pessoal comum, a taxa com desconto
em folha é de 32,5% ao ano. No mês passado, segundo dados
do BC, os financiamentos com desconto em folha disponíveis no
país somavam R$ 50,5 bilhões, ou 25% dos empréstimos
oferecidos pelos bancos -descontados os créditos cujos juros
são controlados pelo governo, como o financiamento habitacional.
Graças a essa expansão, os juros cobrados de pessoas
físicas têm caído mais rapidamente. Entre janeiro
e fevereiro, a taxa média dessas modalidades de crédito
caiu de 52,3% ao ano para 51,7%. Nos empréstimos a empresas,
os juros recuaram de 26,2% ao ano para 26,0%. Mesmo com essas quedas,
não se pode dizer que o custo de um empréstimo no Brasil é baixo. "Antes
[a taxa] era alta demais, hoje ela é só alta", diz
o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Para a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), os
números indicam que as perspectivas para o crédito são
positivas. "O cenário de redução da taxa
básica de juros e a estabilidade do cenário macroeconômico
contribuem para a expansão do volume de crédito, acompanhado
por menores taxas de juros dos empréstimos e alongamento dos
prazos", diz a entidade, por meio de nota.
De fato, o volume de crédito disponível no país
continua a crescer. Em fevereiro, o saldo total chegou a R$ 747,4 bilhões,
alta de 1,1% sobre janeiro. Mais crédito na economia é um
grande estímulo ao consumo e à atividade econômica.
Por outro lado, os novos números do PIB (Produto Interno Bruto)
divulgados na semana passada mostram que o peso do crédito na
economia brasileira é menor do que se imaginava, o que distancia
ainda mais o país da média internacional.
Pela nova metodologia do IBGE, o valor do PIB brasileiro cresceu, o
que significa que a relação entre crédito e
PIB medida até agora estava supervalorizada. Segundo os dados
antigos, essa proporção estava em 34,6% em fevereiro,
nível mais alto em 11 anos, embora distante dos 70% observados
em outras economias emergentes. Com a revisão do PIB, a sua
relação com o crédito também deve ser
alterada. O nível atual dessa proporção, segundo
os novos números do PIB, ainda não foi divulgado pelo
BC.
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Folha de São Paulo,
27 de março de 2007
EMENDA 3
Centrais farão protestos por
veto de Lula
DA REPORTAGEM LOCAL
As centrais sindicais vão
promover, em 10 de abril, um dia de protestos e paralisações
em todo o país para pressionar os parlamentares a não derrubar
o veto do presidente Lula à emenda 3, aprovada no projeto de lei
que criou a chamada "Super-Receita". A paralisação
deve atingir trabalhadores do setor de transportes (principalmente do
metrô e de ônibus de São Paulo), de empresas privadas
e de funcionários públicos de vários Estados.
A emenda proíbe os auditores
fiscais de multar e desfazer contratos entre pessoas jurídicas,
os chamados "PJs", quando entenderem que a relação
de prestação de serviços com uma outra empresa tem
caráter trabalhista. O texto, aprovado em fevereiro pelo Congresso,
prevê que somente a Justiça do Trabalho tenha essa poder.
CUT , Força Sindical,
CGT, CGTB, CAT e Nova Central pretendem fazer, além das paralisações
parciais, passeatas em várias regiões. Hoje, sindicalistas
ligados a essas entidades participam de uma plenária em Brasília
para discutir os protestos.
"Com a emenda 3, todo
trabalhador poderá virar um PJ, desde o faxineiro até o
empregado da atividade final da empresa", diz Paulo Pereira da
Silva, presidente da Força. "A emenda permite a retirada
de direitos. Vamos mobilizar 400 mil metalúrgicos", diz
Eleno Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Paulo. Para tributaristas e empresários, a emenda é importante
porque o governo não pode interferir em contratos feitos entre
empresas. (CLAUDIA ROLLI)
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Nova Central, 27 de março
de 2007
Novo salário mínimo a
partir de 1º de abril: veja o que muda
A partir do dia 1º de abril, ou seja, dentro de uma semana, o salário
mínimo passará de R$ 350 para R$ 380. Este novo valor, no entanto,
não beneficiará somente os trabalhadores. Os aposentados do INSS
que recebem o piso também terão o aumento de 8,6%. Benefícios
e abonos, cujos valores são vinculados ao mínimo, também
subirão.
Por conta dos atrasos nas negociações
com os partido aliados e de oposição, além da paralisação
de votações no Congresso, o reajuste correu o risco de
não entrar em vigor na data programada. Entretanto, o governo
já garantiu que não haverá atraso e afirmou que
o novo mínimo passará a valer em abril por intermédio
de uma Medida Provisória (MP).
Mas a população
apenas sentirá a diferença no bolso causada pelo reajuste
do mínimo em maio, que é quando o pagamento de abril é efetivamente
feito e o poder aquisitivo do trabalhador aumentará. Um exemplo é que
ele poderá incrementar a cesta básica. Com a diferença
de R$ 30, a pessoa poderá abastecer o carrinho com três
pacotes a mais de macarrão e cinco quilos extras de farinha de
trigo, além de queijo mussarela, por exemplo.
Quem também terá o
que comemorar são os trabalhadores que têm direito aos abonos
do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público
(Pasep). Como o valor de cada benefício equivale a um salário
mínimo, ele aumentará em R$ 30.
Por outro lado, há aqueles
que terão de desembolsar mais dinheiro por conta do reajuste. É o
caso de quem tem empregada doméstica. A lei determina que nos
Estados onde não há salário mínimo regional,
o piso da categoria é o próprio mínimo. Em outras
palavras, os patrões serão obrigados a pagar os R$ 380.
Os autônomos também terão de elevar o valor da contribuição
paga à Previdência Social, já que é uma obrigação
atrelada ao piso salarial. Assim, o recolhimento mínimo será de
R$ 76.
O novo piso afeta ainda o Juizado
Especial Federal (JEF). O teto dos processos que tramitam no Tribunal
equivale a 60 salários mínimos e, com o reajuste, subirá para
R$ 22.800. As ações que já estão em andamento
no JEF também seriam reajustadas. “Os processos são
pagos com base no mínimo vigente na época do pagamento,
e não na data de protocolo da ação”, explicou
o advogado Júlio César de Oliveira. Mas, segundo ele, nem
sempre o INSS cumpre isso. “A Previdência faz os cálculos
com base na data de ingresso do processo. Aí, temos de pedir para
que o Juizado intime o INSS a pagar as correções.”
O QUE MUDA COM O NOVO MÍNIMO
APOSENTADORIA
O piso de benefício pago
pela Previdência Social passa a ser o novo mínimo: R$ 380
AUTÔNOMO
O recolhimento mínimo
do autônomo, empresário e facultativo (dona de casa e estudante)
será de R$ 76 (20% de R$ 380)
INSS
O piso da base de cálculo
das contribuições para a Previdência dos assalariados
e dos empregados domésticos passa a ser de R$ 380
EMPREGADA DOMÉSTICA
Nos Estados em que não
há o salário mínimo regional, o piso da categoria
também passa a ser R$ 380
ABONO DO PIS-PASEP
Como cada abono equivale a um
mínimo, ele subirá para R$ 380
SEGURO-DESEMPREGO
A parcela mínima mensal
do benefício será de R$ 380
PENSÃO ALIMENTÍCIA
O número de salários
mínimo fixado na sentença deverá ser multiplicado
por R$ 380
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Agência Senado, 27
de março de 2007
Trabalhadoras da iniciativa privada
poderão ter mais dois meses de licença-maternidade

O projeto de lei da senadora Patrícia Saboya (PSB-CE) que institui o
Programa Empresa Cidadã com a finalidade de estimular os empresários
a prorrogarem a licença-maternidade mediante concessão de incentivo
fiscal tramita em decisão terminativa na Comissão de Direitos
Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde conta com parecer
favorável.
A proposta prorroga a licença-maternidade
por mais 60 dias (PLS 281/05), passando dos atuais quatro meses para
seis meses de duração, para as trabalhadoras das empresas
privadas que aderirem ao programa. Mas o relator, com a anuência
da senadora, vai propor que o benefício seja garantido de imediato às
funcionárias públicas.
Pela proposta, a funcionária
que gozar do benefício terá direito a sua remuneração
integral, da mesma forma como é feito o pagamento pelo Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) nos primeiros quatro meses, desde que
não exerça qualquer atividade remunerada e não mantenha
o bebê em creche ou organismo similar durante o período
de prorrogação da licença-maternidade.
Já a pessoa jurídica que aderir ao programa terá o direito
de deduzir integralmente do Imposto de Renda devido o valor correspondente à remuneração
da empregada nos 60 dias em que perdurar a prorrogação da licença.
Na justificação
ao seu projeto, a senadora explica que a renúncia fiscal do governo
referente à dedução do Imposto de Renda corresponde
a cerca de R$ 500 milhões.
- Constata-se, no entanto, que
em vista dos imensos ganhos sociais da iniciativa, a relação
custo-benefício da proposta é claramente positiva - argumenta
Patrícia Saboya.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de março de 2007 | Brasil
Deputados querem votar aumento de salários
antes de MPs do PAC
Brasília – Líderes
da base governista defendem a votação ainda nesta semana
do projeto que reajusta o salário dos parlamentares de R$
12,8 mil para R$ 16,2 mil. Na reunião de hoje com o presidente
da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líderes
aliados vão se posicionar favoravelmente à votação
imediata do projeto, antes da votação das medidas provisórias
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“Se essa for uma opinião
de consenso, pode ser que vote o reajuste nesta semana”, afirmou
Chinaglia. “Se não resolver essa questão, fica um
vazio, e dentro de 30 a 40 dias vão aparecer novas besteiras em
curso. Devia votar para encerrar essa fábrica de besteirol”,
argumentou o líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio
(RJ).
Chinaglia observou que é preciso verificar se não há empecilhos
regimentais para que o aumento seja votado nesta semana, antes das medidas
provisórias. O presidente da Câmara admitiu ainda que, na reunião
de hoje, os líderes partidários deverão discutir o reajuste
da verba indenizatória – hoje de R$ 15 mil – e da verba
de gabinete de R$ 50 mil mensais. Domingo, Chinaglia repetiu que a decisão
sobre salários será do plenário, depois de ouvidos os
líderes.
Projeto de decreto legislativo
aprovado na semana passada pela Comissão de Finanças e
Tributação da Câmara autorizou o aumento de 26,49%
para o salário dos parlamentares, correspondente à inflação
medida pelo IPCA de fevereiro de 2003 a fevereiro de 2007.
PAC
Ontem, o plenário
da Câmara aprovou a MP 346, a primeira do PAC. A MP destina créditos
extraordinários de R$ 452,183 milhões para três
ministérios, a Advocacia-Geral da União e o término
do processo de liquidação e extinção da
Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). A MP 346 será apreciada
pelo Senado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de março de 2007 | Brasil
Revisão de benefícios
começa em junho
2,2 milhões de aposentados por invalidez
terão de passar por nova perícia
Brasília – A revisão de 2,2 milhões de aposentadorias
por invalidez concedidas nos dois últimos anos pelo Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS), anunciada recentemente pelo governo federal, vai começar
a partir de junho.
Os beneficiários vão
ser convocados e terão de se submeter a uma nova perícia
médica, na qual será verificado se persistem as condições
que deram origem ao benefício.
A revisão nos benefícios será realizada ao longo de um
ano e meio.
As aposentadorias por invalidez
custam cerca de R$ 20 bilhões por ano aos cofres do INSS. E o
pagamento do auxílio-doença chega a R$ 12 bilhões
por ano. O objetivo da revisão é descobrir eventuais fraudes
na concessão dos benefícios.
O presidente do INSS, Waldir
Moysés Simão, diz que essa verificação é estabelecida
por lei e há 14 anos não estava sendo feita. Quem estiver
em condições de voltar ao trabalho terá a aposentadoria
cancelada. Waldir Moysés afirma que o levantamento, além
de reduzir os gastos da Previdência, vai ajudar a reinserir as
pessoas em condições de trabalhar no mercado.
“Nós pretendemos
conseguir, para esses segurados que têm condições
de retornar, uma vaga no mercado de trabalho, além de firmar uma
parceria com as empresas que fazem a reabilitação profissional
ou ensinam um novo ofício a esse segurado”, diz o presidente
do INSS.
Segundo Moysés, o objetivo
do instituto, a partir de agora, é fazer uma nova revisão
dos benefícios a cada dois anos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de março de 2007 | Economia
Caixa faz convênio para financiar
casa própria com recursos do PAC
São Paulo – A Caixa Econômica
Federal fechou ontem o primeiro convênio nacional com recursos
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para
produção e financiamento de imóveis. O convênio
foi feito com a Fit Residencial, empresa criada pela Gafisa para
atender à população de baixa renda, e prevê,
em um ano, a construção de 6 mil unidades habitacionais
em vários estados.
Com base num valor médio
de R$ 80 mil para cada um dos 6 mil imóveis a serem financiados,
a Caixa estima que em um ano terá despendido R$ 480 milhões.
O primeiro empreendimento que nasce da parceria é o Fit-Jaçanã,
com 224 apartamentos de 50 metros quadrados, dois dormitórios
e preço inicial de R$ 75 mil. O valor global do empreendimento é de
R$ 22,3 milhões. O imóvel poderá ser totalmente
financiado.
O alvo do empreendimento, explicou o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda,
durante a assinatura do convênio, é o público com renda
familiar de 5 a 10 salários mínimos, que pode pagar prestações
de R$ 350 na fase da planta e em torno de R$ 700 após a entrega das
chaves. O condomínio, com duas torres e área de 5 mil metros
quadrados, abriu para vendas na semana passada.
Embora o Fit-Jaçanã ainda
não atenda à faixa de renda baixa – principal foco
de atuação do banco, onde se concentra cerca de 90% do
déficit habitacional – o vice-presidente da Caixa afirmou
que a parceria é estratégica para atender a famílias
menos favorecidas.
A idéia é criar
ofertas para a classe média, que consome grande parte dos recursos
do FGTS. Com isso, ficam liberadas mais verbas para ampliar o atendimento
da população com renda até cinco salários
mínimos. “Reduz a pressão sobre o Fundo”, resumiu
Hereda.
A Fit Residencial oferece imóveis
de R$ 55 mil a R$ 130 mil. As próximas parcerias a serem firmadas
pela Caixa, no entanto, não devem se prender a essa faixa de valor,
que poderá baixar. “O ideal, que se deseja chegar, é vender
imóveis de R$ 40 mil a R$ 45 mil”, disse.
Os representantes da Gafisa não
deram entrevistas por estarem em período de silêncio determinado
pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A Gafisa entrou
recentemente na Bolsa de Nova Iorque.
O vice-presidente da Caixa
lembrou que as diretrizes do PAC são para enfrentar o déficit
habitacional, que atinge 7,9 milhões de famílias, a maioria
com ganho de até 5 salários mínimos. Ele disse
que o PAC elevou o orçamento inicial para habitação
para R$ 17,4 bilhões, sendo R$ 9 bilhões do FGTS. Em
2006 a Caixa ofereceu recursos de R$ 14,2 bilhões para crédito
imobiliário. “Neste ano já financiamos R$ 2,5 bilhões.”
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de março de 2007 | Economia
´Xô, CPMF´ cria calculadora
virtual do imposto
Contagem mostra quanto os brasileiros
pagaram de CPMF até o presente momento
SÃO PAULO - A campanha ´Xô,
CPMF´ criou, em seu site, a chamada Calculadora da CPMF, uma contagem
que mostra quanto os brasileiros pagaram de Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira até o
presente momento. O site traz também o calculo fechado desses
pagamentos em 2005 e 2006.
O movimento para acabar com a
CPMF, que tem como coordenador nacional o deputado federal Paulo Bornhausen
(PFL-SC), foi lançado por mais de 50 entidades na quinta-feira
da semana passada, em São Paulo. Com o lema ´Xô, CPMF´,
a campanha tem o objetivo de pressionar o governo a extinguir o tributo,
criado em 1993 para arrecadar recursos para a área da saúde.
Entre as entidades que apóiam
o movimento estão a Associação Comercial de São
Paulo (ACSP), a Federação do Comércio do Estado
de São Paulo (Fecomércio/SP, a Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB/SP) e a Câmara Americana de Comércio (Amcham).
"Essa é uma luta
pelo resgate da estabilidade jurídica", disse o presidente
do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis (Sescom),
José Maria Chapina Alcazar. Segundo ele, a prorrogação
da contribuição, que foi criada por prazo determinado e
em caráter provisório, põe em risco a segurança
jurídica no País. A CPMF tributa em 0,38% as operações
financeiras. Com isso, a União arrecada cerca R$ 32 bilhões
por ano.
Para o presidente da Confederação
das Associações Comerciais do Brasil (CACB), Alencar Burti,
o tributo continua sendo prorrogado porque o governo não controla
as suas despesas. "Precisamos baixar o custo do Estado para que
a perda de receita seja compensada", afirmou Burti, que assumirá a
presidência da ACSP nesta semana, com a saída de Guilherme
Afif Domingos.
O site, também lançado
na quinta, pretende conseguir adesões para realizar um protesto
em São Paulo nos próximos meses. Segundo Alcazar, do Sescom,
a Força Sindical e outros sindicatos de trabalhadores já demonstraram
interesse em participar.
A expectativa é de que
a mobilização nacional possa evitar mais uma prorrogação
do tributo, no fim deste ano. "Foi assim que derrotamos, em 2005,
a MP 232, que aumentaria a carga tributária dos prestadores de
serviços."
Para Burti, a experiência
da MP 232 vai servir de inspiração para a campanha contra
a CPMF. "O movimento contra a MP 232 foi uma amostra de que, quando
a sociedade se organiza, é possível se mudar alguma coisa."
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de março de 2007
Pesquisa do Banco Central mostra inflação
estável, abaixo da meta
Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro
para a inflação oficial, deve terminar este ano em 3,87%,
de acordo com a estimativa média de uma centena de analistas de
mercado, ouvidos pelo Banco Central na última sexta-feira (23).
A pesquisa manteve o patamar
da consulta da semana anterior e continua apontando para um IPCA de 4%
em 2008, como mostra o Boletim Focus com os resultados, divulgado hoje
(26) pelo BC. O documento revela, por exemplo, que todas as simulações
de inflação estão abaixo da meta de 4,5%, tanto
no varejo quanto no atacado.
Houve pequena elevação,
de 0,29% para 0,33%, no prognóstico de IPCA para este mês,
mas os analistas mantiveram a projeção de 0,30% para a
inflação de abril e reduziram, de 3,79% para 3,73%, a estimativa
de inflação para os próximos 12 meses.
O Boletim Focus prevê redução,
de 3,80% para 3,70%, nos reajustes acumulados deste ano para os preços
administrados por contrato ou monitorados (combustíveis, energia
elétrica, telefonia, educação, medicamentos, água,
saneamento, transporte urbano e outros), e manteve a projeção
de 4% para 2008.
As simulações
para os dois indicadores de preços no mercado atacadista, da
Fundação Getúlio Vargas (FGV ), mostram sinais
divergentes. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M)
caiu de 4,11%, na semana anterior, para 4,09%, enquanto o Índice
Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou
de 4,05% para 4,07% no mesmo período e estão quase empatados.
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de março de 2007
Censo da aposentadoria por invalidez
tentará reinserir segurados no trabalho
Cleide Lopes Vieira
Brasília - As aposentadorias
por invalidez custam cerca de R$ 20 bilhões por ano aos cofres
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). E o pagamento do auxílio
doença chega a R$ 12 bilhões por ano. Para garantir o benefício
a quem realmente tem direito, o INSS vai fazer um levantamento em 2,2
milhões aposentadorias por invalidez concedidas nos dois últimos
anos.
Segundo o presidente do INSS,
Waldir Moysés Simão, essa verificação é estabelecida
por lei e há 14 anos não estava sendo feita. Quem estiver
em condições de voltar ao trabalho terá a aposentadoria
cancelada. Waldir Moysés diz que o levantamento, além de
reduzir os gastos da previdência, vai ajudar a reinserir as pessoas
em condições de trabalhar no mercado.
“Nós pretendemos
também conseguir para esses segurados que têm condições
de retornar, uma vaga no mercado de trabalho, e através de uma
parceria com as empresas que se responsabilizam pela reabilitação
profissional ou de ensinar um novo ofício a esse segurado",
diz o presidente do INSS.
Segundo ele, essa reinserção
no mercado de trabalho é um direito que o trabalhador tem garantido
por lei. ‘’Vale lembrar que as empresas do país são
obrigadas a preencher um percentual de suas vagas com segurados reabilitados
ou com deficientes físicos, e que muitas vezes não fazem
porque não localizam os segurados nessas condições
para contratar.”
Os aposentados por invalidez começam a ser convocados em junho para
serem submetidos a uma nova perícia médica onde será verificada
se persistem as condições que deram origem ao beneficio. O presidente
do INSS lembra que essa revisão nos benefícios será realizada
em um ano e meio.
De acordo com ele, a partir
daí, a verificação seguirá o estabelecido
em lei, ou seja, será realizada a cada dois anos. Essa revisão
deve ser realizada em um ano e meio e primeiro serão chamados
os beneficiários mais jovens. Há menos de dois anos,
o INSS concedeu mais de 400 mil aposentadorias por invalidez. Esses
só serão convocados para uma nova perícia assim
que estiverem completado dois anos exatos de benefício.
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JORNAL FISCOSOFT, 27 de março
de 2007
Seguro-desemprego: Não pode
ser acumulado com aposentadoria e auxílio-doença
Uma pessoa desempregada não
pode receber ao mesmo tempo um seguro-desemprego e alguns benefícios
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), como o auxílio-doença
e aposentadorias por idade, por tempo de contribuição,
por invalidez ou especial. Caso ocorra o pagamento simultâneo,
a Caixa Econômica Federal (CEF), responsável pela liberação
do seguro-desemprego, bloqueará o crédito, depois de confirmado
o recebimento de benefício pago pelo INSS. Para evitar o recebimento
indevido do seguro-desemprego, o INSS e o Ministério do Trabalho
e Emprego trocam informações sobre os trabalhadores.
Os únicos benefícios
da Previdência Social que podem ser acumulados com o seguro-desemprego
são a pensão por morte, o auxílio-reclusão
e o auxílio-acidente. O pagamento simultâneo do seguro-desemprego
com esses três benefícios é permitido porque eles
não têm a função de substituir o salário
do trabalhador. No caso da pensão por morte e do auxílio-reclusão,
eles são pagos aos dependentes do segurado que já faleceu
ou está preso. Já o auxílio-acidente tem caráter
indenizatório, por ser pago aos trabalhadores que voltam ao trabalho,
apesar de terem ficado com alguma seqüela de um acidente de trabalho.
Pensão por morte -
Esse benefício é pago aos dependentes do trabalhador falecido.
Para a sua concessão, a Previdência não exige um
número mínimo de contribuições, porém
o segurado, quando do óbito, não pode ter perdido a qualidade
de segurado. Ou seja, não tenha deixado de contribuir durante
um período maior que o permitido pela legislação
previdenciária. Esse período vai de 12 a 36 meses e depende
do tempo de contribuição do segurado e também do
fato de ele ter recebido ou não o seguro-desemprego.
Auxílio-reclusão -
Os dependentes do segurado que for preso podem receber o auxílio-reclusão
durante o período de sua detenção, caso ele não
esteja recebendo salário da empresa, auxílio-doença,
aposentadoria ou abono de permanência em serviço. Além
disso, o segurado não pode ter perdido a qualidade de segurado.
Auxílio-acidente -
Tem direito a esse benefício quem sofre um acidente e fica com
seqüelas que reduzem sua capacidade de trabalho, mas não
impedem o exercício de uma atividade profissional. Esse auxílio
deixa de ser pago quando o trabalhador se aposenta. Pode receber esse
benefício somente o segurado empregado, o trabalhador avulso e
o segurado especial.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de março de 2007
Furor legislativo
Deputados abusam da criatividade na
para propor leis
por Aline Pinheiro
O ano de 2006 terminou na Câmara
dos Deputados com, pelo menos, uma pérola. Um projeto de lei pretendia
criar um critério inusitado para a remissão de penas: a
doação de órgãos. Para um rim doado, tantos
dias a menos de cadeia, e assim por diante. A legislatura acabou, projetos
travados como o da doação de órgãos para
diminuir a pena foram arquivados, mas nem por isso os deputados deixaram
a criatividade de lado.
De janeiro deste ano até a última
quinta-feira (22/3), 551 projetos de lei já deram entrada na Câmara.
Desses, 23 vieram do Senado. Os outros 528 acabaram de sair do forno:
dois deles vieram do Executivo, um do Superior Tribunal de Justiça
e um do Supremo Tribunal Federal. O resto é obra dos ilustres
deputados.
Se depender dos parlamentares,
o Brasil passará a comemorar o dia da Imigração
Italiana, da Imigração Portuguesa, da Segurança
Pública, da Diferença, do Espiritismo, do Combate à Homofobia.
E o dia do Frevo. Outro providencial projeto transforma em feriado nacional
o dia 20 de novembro para comemorar a Consciência Negra. A data
já está resguardada de qualquer atividade laboral em alguns
estados e variados municípios mas a iniciativa conscientizante
não para por aí: outro projeto cria a Semana da Consciência
Negra. Os brasileiros também poderão ser presenteados com
a Semana Nacional de Educação, Conscientização
e Orientação sobre a Fissura Lábio-Palatina. Haja
consciência.
O município catarinense
de Imbituba pode ganhar o título de Capital Nacional da Baleia
Franca. É o que propõe o deputado Edinho Bez (PMDB-SC).
Bicicletas podem ser obrigadas a respeitar a mão do trânsito.
Nada de bicicleta na contramão, disse a deputada Solange Amaral
(PFL-RJ), autora do Projeto de Lei 74/07, que trata do assunto.
No ambiente escolar, o deputado Índio
Costa (PFL-RJ) quer proibir a venda de guloseimas. Balas e chocolates
ficariam banidos das cantinas. Em seu mês de estréia no
Congresso Nacional, o costureiro e agora deputado Clodovil Hernades (PTC-SP)
propôs um prazo para que as escolas apresentassem às jovens
mamães a lista de material escolar. Para Clodovil, a lista tem
de ser divulgada no máximo 45 dias antes da data final da matrícula.
Em prol da liberdade de religião
no país, o ex-deputado Charles Lucena tentou proibir provas de
concursos públicos entre o pôr-do-sol de sexta-feira e o
pôr-do-sol dos sábados. Assim, judeus, adventistas e batistas
poderiam prestar os concursos sem violar seu descanso religioso. Esta
proposta, no entanto, já foi arquivada. Ufa!
Sabe aquela situação
constrangedora do cliente que tenta entrar no banco mas é barrado
na porta detectora de metal? O mesmo pode acontecer nos ônibus,
se vingar a idéia do deputado José Chaves (PTB-PE). No
Projeto de Lei 63/07, ele ressalta a necessidade de instalar detectores
de metais nos ônibus. Mais ainda, propõe a blindagem dos
transportes coletivos. Quem vai pagar a conta ele não diz. Alias,
quem pretende reformar o mundo por decreto, nunca pensa nos custos de
suas nobres intenções, nem tão pouco de quem paga
a conta.
Ou melhor, Neilton Mulim (PR-RJ)
só pensou nisso quando propôs seu PL. Se um cidadão,
por livre e espontânea vontade, começar a fumar, e depois
de algum tempo vier a se tornar vítima de doenças relacionadas
ao tabagismo e recorrer ao atendimento médico do SUS, todos os
gastos públicos terão de ser ressarcidos pela fabricante
do cigarro que o envenenou.
Bola da vez
“A pauta do Congresso Nacional
reflete o que acontece nas ruas”, diz um assessor da Comissão
de Constituição e Justiça da Câmara. Sua frase é provada
pela enxurrada de projetos para combater os dois males do momento: o
efeito estufa e a violência urbana.
São diversas propostas
para combater a emissão de gases responsáveis pelo aquecimento
global. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), por exempo, quer desaquecer
o globo proibindo o uso das tradicionais garrafas PET para armazenar
alimentos e bebidas.
Outra dezena de projetos aposta
na lei como maneira de acabar com a violência. Por conta do clamor
anti-criminalidade que assola o país, a lista dos chamados crimes
hediondos tende a crescer ifinitamente. Assassinato de policiais, crime
com a ajuda de crianças, crime contra a administração
pública corrupção e homicídio da própria
mulher podem virar hediondos. Detalhe sórdido: matar a mulher
do próximo continua livre da hediondez. Agredir emocional ou fisicamente
uma mulher também pode ter punição mais rigorosa,
ainda que o agressor seja outra mulher. Nas escolas, as crianças
também teriam uma disciplina destinada a ensinar os direitos da
mulher.
Crime hediondo concorre com a
redução da maioridade penal como matéria de maior
ibope na pauta legislativa nacional.
Muito por nada
Durante o ano de 2006, a CCJ
da Câmara votou mais de 1,2 mil projetos de lei. De acordo com
um dos assessores da comissão, cerca de 300 projetos deixaram
de ser votados, muito provavelmente pela falta de interesse dos deputados
autores. Como todas as estatísticas são feitas manual e
precariamente, não é possível saber quantos dos
projetos apresentados foram considerados constitucionais.
Mas, o que os ilustres deputados
não sabem é que esse furor legislativo, ainda que possa
angariar votos, não influencia na avaliação do seu
desempenho parlamentar. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
(Diap), que avalia o desempenho dos parlamentares, explica que não
usa como critério a quantidade de projetos que o deputado apresenta.
A menos que o deputado apresente uma proposta de grande interesse público,
nem mesmo a qualidade dos seus projetos é analisada.
Como explica Antônio Augusto
de Queiroz, diretor de documentação do Diap, são
dois os critérios para avaliação do desempenho parlamentar. É levada
em conta a atuação do deputado em defesa do trabalhador
e sua influência na Câmara. Essa influência é medida
de acordo com três critérios: institucional (cargo do deputado
na Câmara), reputacional (comportamento dentro e fora da casa legislativa)
e decisional (capacidade de articulação e posição
nas votações).
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de março de 2007
Trabalho pós aposentadoria
Aposentadoria não extingue contrato
de trabalho, diz TST
Aposentadoria não extingue
o contrato de trabalho. O entendimento é da 3ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho que acolheu recurso de servidor do município
de Gravataí, Rio Grande do Sul, contratado no regime de CLT, que
depois de se aposentar solicitou na Justiça sua reintegração.
Como o servidor completou 70 anos ao longo da tramitação
do processo, o relator do recurso, ministro Carlos Alberto Reis de Paula,
votou no sentido de condenar o município ao pagamento das parcelas
relativas ao período da dispensa até a data em que o servidor
atingiu a idade da aposentadoria compulsória, em 2003.
O trabalhador foi admitido pelo
Município de Gravataí em 1978. Em novembro de 1998, seu
contrato foi rescindido em virtude de aposentadoria. Em janeiro do ano
seguinte, o servidor ajuizou reclamação trabalhista. Solicitou
a nulidade da rescisão contratual e sua reintegração,
com o pagamento dos salários e demais vantagens do período
em que esteve afastado.
Alegou que, segundo a Lei 8.213/91,
a aposentadoria não pode mais ser considerada causa da extinção
do contrato, subsistindo o direito do empregado de trabalhar e manter
o contrato, com todas as conseqüências. Afirmou ainda que
era servidor estável, conforme o artigo 19 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias.
Na primeira instância,
o pedido foi negado. Para os juízes, o autor não provou
ter continuado trabalhando após a aposentadoria, o juiz concluiu
que o próprio servidor optou por afastar-se do emprego, porque, “na época
da jubilação, não manifestou o propósito
de se manter em atividade”. O servidor recorreu. O Tribunal Regional
do Trabalho da 4ª Região (RS) manteve a decisão e
negou seguimento do Recurso de Revista.
O TST manteve o trancamento,
levando o servidor a recorrer ao Supremo Tribunal Federal por meio de
recurso extraordinário. O STF, que já tem entendimento
firmado no sentido de que a aposentadoria espontânea não
implica, por si só, a extinção do contrato de trabalho,
acolheu o recurso e determinou seu retorno ao TST. Uma vez afastada a
premissa de que a aposentadoria espontânea extingue o contrato
de trabalho. Assim, a 3ª Turma acolheu o recurso do servidor.
RR 27.185/2002-900-04-00.1
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de março de 2007
Garantia indispensável
Justiça gratuita não
dispensa depósito recursal
As entidades filantrópicas
podem ser beneficiárias da justiça gratuita, mas ainda
assim são obrigadas a fazer o depósito recursal. Caso contrário,
pode ser declarada a deserção do recurso. O entendimento é da
6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, ao julgar recurso ajuizado
pela Associação de Pais e Amigos de Deficientes Mentais
(Apademe). Segundo o relator, ministro Horácio de Senna Pires,
o depósito recursal não é uma taxa, mas uma garantia
do juízo. Por isso, não pode ser dispensado.
A associação foi
condenada a pagar a uma ex-empregada R$ 20 mil, condenação
confirmada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo). Quando da interposição do Recurso Ordinário,
a Apademe depositou o valor legal vigente à época (R$ 2.591,71).
Mas, ao ajuizar o Recurso de Revista, deixou de recolher o valor correspondente
ao novo recurso, que por tal motivo foi considerado deserto.
Insatisfeita, a associação
recorreu. Segundo a defesa, o presidente do TRT-SP, em despacho, concedeu-lhe
isenção tanto das custas quanto do depósito recursal.
Alegou que, de acordo com o Decreto Municipal 34.048/94, é considerada
uma entidade de utilidade pública, com direito aos benefícios
da justiça gratuita, que podem ser postulados a qualquer tempo.
Disse também que o depósito
recursal referente ao recurso ordinário implicou gasto excessivo
e prejudicial a seus objetivos sociais, e que não dispunha de
mais recursos para novo depósito. Apontou violação
dos incisos XXXV, LXXIV e LXXVI do artigo 5º da Constituição
Federal de 1988.
O ministro Horácio Pires,
em seu voto, seguiu a jurisprudência do TST no sentido de que a
pessoa jurídica, embora possa ser beneficiária da justiça
gratuita, como no caso das associações sem fins lucrativos,
ainda assim está obrigada a pagar o depósito recursal,
tendo em vista a sua finalidade, que é a garantia do juízo.
O ministro destacou, ainda, que
o parágrafo único da Lei 1.060/50 isenta os necessitados
apenas do pagamento das custas do processo e dos honorários advocatícios,
não fazendo alusão ao depósito recursal devido pelo
empregador no processo do trabalho. A isenção do depósito
recursal deferida pelo presidente do TRT paulista, segundo o ministro
Horácio Pires, foi praeter legem, ou seja, sem previsão
legal.
ARR-653.138/00.9
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/03/2007
Petrobrás é condenada a cumprir
normas de segurança no RS
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento a agravo de instrumento da Petrobrás
Distribuidora S.A. contra decisão da Justiça do Trabalho
do Rio Grande do Sul em ação civil pública na qual
foi condenada a cumprir diversas obrigações relativas à saúde
e segurança dos trabalhadores nas unidades de Canoas e Porto Alegre.
A rejeição do agravo implicou também a manutenção
de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento das obrigações.
A ação civil pública
foi ajuizada em 2003 pelo Ministério Público do Trabalho
da 4ª Região (RS) a partir de representação
feita pelo Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios
e Derivados de Petróleo, noticiando que os trabalhadores estariam
sujeitos à contaminação por extensa gama de produtos
cancerígenos e tóxicos, todos subprodutos do petróleo.
Após diligências, inspeções e perícias
técnicas realizadas pelo MPT e pelos fiscais do trabalho, foram
constatadas diversas deficiências no tocante à saúde
e à segurança dos trabalhadores.
A Vara do Trabalho julgou procedente
em parte a ação civil pública. A sentença
condenou a Petrobrás a se abster de exigir dos motoristas das
empresas prestadoras de serviços atividades estranhas à sua
atribuição de dirigir caminhões, atribuindo as tarefas
de operação a seus próprios empregados. A empresa
teria ainda de elaborar e implementar programa de conservação
auditiva e prevenção de perdas auditivas ocupacionais,
programa de prevenção e controle da exposição
a produtos químicos, e programa de proteção respiratória
e uso de equipamentos de proteção individual, bem como
controle médico da saúde dos trabalhadores.
Teria também de implementar
medidas de prevenção de acidentes do trabalho, além
de preparação para emergências, e elaborar e executar
gestão integrada de riscos no trabalho, incluindo auditorias periódicas.
Finalmente, a sentença obrigou a Petrobrás a realizar o
monitoramento biológico dos trabalhadores que o solicitassem e
que tivessem prestado serviços como “motorista-operador”.
No caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 100 mil,
reversível ao FDD (Fundo de Defesa de Direitos Difusos).
A Petrobrás vem, desde
então, tentando reverter a condenação, sem sucesso.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) negou seguimento
a recurso de revista, motivando a empresa a entrar com agravo de instrumento
junto ao TST. A relatora do agravo, juíza convocada Maria Doralice
Novaes, examinou exaustivamente as alegações da Petrobrás
e concluiu que, em todos os itens da condenação, a decisão
baseou-se na legislação e nas normas regulamentadoras de
segurança no trabalho e nas provas produzidas pelas inspeções
e perícias constantes do processo.
Com relação à multa,
a empresa sustentou que a condenação “ofende os princípios
constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade”, o que
autorizaria a admissão do recurso de revista. A relatora, porém,
considerou inviável o recurso por estar “absolutamente desfundamentado”,
uma vez que a Petrobrás não conseguiu indicar violação
direta e legal de dispositivo de lei ou divergência jurisprudencial,
ambos pressupostos para a admissão do recurso. (AIRR 75/2003-024-04-40.4)

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