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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de março de 2007 | Dinheiro
Economia começa o ano mais aquecida
que em 2006
Venda de carros e consumo de energia aumentam
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A economia brasileira começa
2007 mais aquecida do que estava em 2006. Indicadores econômicos
mostram aumento na atividade das fábricas, no faturamento do comércio,
no fluxo de veículos nas estradas, no consumo de energia e na
arrecadação de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)
no primeiro bimestre deste ano.
Esse crescimento é reflexo da expansão do crédito, dos
prazos de financiamento, do emprego e do rendimento do trabalhador nos últimos
anos, mas não será suficiente para fazer o país crescer
mais do que 4% neste ano, na avaliação de economistas e representantes
da indústria e do comércio ouvidos pela Folha.
" Ainda é muito cedo para mudar projeções para 2007,
mesmo com indicadores positivos e com a revisão do PIB", afirma Fabio
Silveira, economista da RC Consultores, que estima crescimento de 3,7% para o
PIB brasileiro neste ano.
" A inadimplência está em alta, assim como as importações.
As taxas de juros estão em queda, mas ainda são as mais altas do
mundo. Somam-se a isso os problemas estruturais do país, como a elevada
carga tributária e a legislação trabalhista que inibe a
contratação", afirma.
Indicadores mostram que a economia cresce neste ano, mas de forma tímida,
segundo economistas. Em janeiro, a produção industrial cresceu
4,5% sobre igual mês de 2006 e o faturamento do comércio, 8,3%,
segundo o IBGE.
As vendas de carros subiram 15,2% no primeiro bimestre deste ano em relação
a igual período do ano passado, segundo informa a Fenabrave. E as vendas
de papelão para embalagens aumentaram 1,7% no período, segundo
levantamento da ABPO (Associação Brasileira do Papelão
Ondulado).
A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo) nota recuperação no nível de atividade das fábricas
a partir de fevereiro. Consulta feita a 25 indústrias líderes
em seus setores neste mês mostra que só o estoque está acima
do desejado. Vendas vão bem, assim como as expectativas de investimentos
e de contratações.
A mesma consulta feita em janeiro deste ano pela Fiesp mostrava que as vendas
estavam mais baixas e os estoques, mais altos, do que o desejado pelas indústrias.
E não havia planos para elevar o emprego.
Dúvida
" A indústria opera num ritmo parecido com o do último trimestre
de 2006. Em março, parece que os empresários estão com perspectivas
de mercado mais otimistas. A dúvida é se a melhora nos negócios é pontual
ou se é uma mudança efetiva de patamar. Alguns setores vão
bem e outros não", diz Paulo Francini, do Depecon (Departamento de
Pesquisas e Estudos Econômicos) da Fiesp. A produção de veículos
caiu 2,2% em fevereiro sobre igual período de 2006, segundo a Anfavea.
O Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) também
constata mais otimismo nos empresários em consulta feita a 678 empresas
neste mês. Para 42% das empresas, haverá aumento de produção
e, para 31%, manutenção neste ano. No levantamento de março
de 2006, 26% das empresas falavam em alta de produção e 23%,
em manutenção.
" O ritmo de vendas do comércio está mais sólido do
que no ano passado, mas muito sustentado pelo crédito e pelos prazos de
financiamento. Essa situação tem um limite. Se não houver
recuperação mais significativa da atividade e da renda do trabalhador,
esse cenário pode mudar", afirma Altamiro Carvalho, assessor econômico
da Fecomercio SP.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de março de 2007 | Economia
Desemprego em 6 regiões metropolitanas
sobe para 15,9%
Pesquisa mostra que, em fevereiro, havia
3,05 milhões de pessoas sem emprego em Belo Horizonte, Distrito
Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo
Jander Ramon
SÃO PAULO - A taxa de
desemprego em seis regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Distrito
Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo) ficou em
15,9% da População Economicamente Ativa (PEA) em fevereiro,
apresentando alta em relação aos 15,3% em janeiro.
A informação consta
na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgada nesta quarta-feira,
28, pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) que, a
partir deste mês, passa a unificar o calendário de divulgação
das regiões metropolitanas, constituindo uma pesquisa única.
Em comparação às
seis regiões metropolitanas acompanhadas pelo Instituto Brasileiro
de Estatística e Geografia (IBGE) para a produção
da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a Fundação Seade e
o Dieese não pesquisam a cidade do Rio de Janeiro, utilizando
um levantamento, por outro lado, no Distrito Federal. A PED estimou o
contingente de desempregados nas seis regiões em 3,05 milhões
de pessoas, em fevereiro, um aumento de 116 mil pessoas em comparação
a janeiro.
São Paulo
Em São Paulo, a PED projetou
um índice de desemprego de 15,3% da PEA, crescimento em relação
aos 14,4% verificado em janeiro. O contingente de desempregados foi estimado
em 1,54 milhão de pessoas, resultante da eliminação
de 94 mil ocupações em fevereiro simultaneamente à saída
de quatro mil pessoas do mercado de trabalho, o que resultou no acréscimo
de 90 mil pessoas ao contingente de desempregados nos 39 municípios
que compõem a Grande São Paulo.
As demais cinco regiões
metropolitanas obtiveram as seguinte taxas de desemprego: 17,9%, no Distrito
Federal; 12,9%, em Belo Horizonte; 12,3%, em Porto Alegre; 20,4%, no
Recife; 22,3%, em Salvador.
Por setor
Por setor de atividade, as seis
regiões metropolitanas tiveram oscilações entre
em fevereiro ante janeiro de: na indústria, menos 2,5% e a eliminação
de 65 mil ocupações; menos 0,6% em serviços, ou
seja, corte de 50 mil ocupações; 0,8%, no comércio,
com a criação de 22 mil postos; e 0,9% em construção
civil, incluindo reformas e reparação de edificações,
com a criação de 18 mil cargos. Outros setores, que vale
para serviços domésticos, por exemplo, tiveram oscilação
de menos 2,5% em fevereiro ante janeiro, o que resultou na eliminação
de 37 mil vagas.
Na avaliação dos
técnicos das duas instituições, o setor de comércio
tem se favorecido pela ampliação do crédito e pelo
aumento da massa de rendimentos. Por outro lado, a indústria tem
sofrido com três movimentos simultâneos, capazes de desestimular
a geração de postos: aumento das importações;
queda das exportações; e estoques ainda elevados.
"A situação
dos estoques é relevante, mas há também um impacto
muito forte da valorização do câmbio. Além
de deixar de exportar, a indústria tem sofrido muito com as importações,
sobretudo, de produtos chineses", afirmou o gerente de análise
da PED pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.
"O incremento do comércio
parece ser feito cada vez menos com produtos verde e amarelo", enfatizou
Loloian.
Março
Os técnicos acreditam
que a taxa de desemprego das seis regiões metropolitanas deve
crescer em março, mantendo a sazonalidade verificada ao longo
dos anos. "Pode até haver geração de postos
de trabalho, mas a tendência é que mais pessoas voltem a
procurar trabalho a partir de março, o que provoca efeitos estatísticos
de aumento do desemprego", explicou, em entrevista coletiva, o diretor
técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.
Entre dezembro de 2006
e janeiro de 2007, o rendimento médio real dos ocupados nas
seis regiões caiu 1%, equivalendo a R$ 1.032. Entre assalariados,
o valor médio correspondeu a R$1.102, uma queda de 0,8% na mesma
base comparativa.
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ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 29 de março de 2007 | Nacional
Câmara pode elaborar lei para evitar
perda dos mandatos
A afirmação é do presidente
da Casa, Arlindo Chinaglia, em reação à resposta
do TSE de que os mandatos pertencem aos partidos e não aos eleitos
Denise Madueño
BRASÍLIA - O presidente
da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que a Casa
poderá elaborar uma lei para garantir que os deputados que trocaram
de partido não percam seus mandatos por determinação
da Justiça.
Na última terça-feira,
27, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interpretou que o mandato do
parlamentar eleito em eleições proporcionais é do
partido e não do candidato. A fidelidade partidária impede
o troca-troca partidário.
A definição do
tribunal foi uma resposta a um questionamento do PFL, partido que perdeu
oito deputados para a base governista. Ainda há dúvidas
sobre a aplicação legal em relação ao troca-troca
anterior à conclusão do tribunal.
"Se houver um acirramento
hipotético de alguém querer tomar o mandato de outro alguém,
aí pode ir para o Judiciário, ou pode provocar uma legislação
nova para regularizar (a questão) de maneira absolutamente clara",
afirmou Chinaglia.
Chinaglia disse que esse entendimento
não terá nenhuma conseqüência imediata na Câmara. "Foi
uma resposta a uma consulta do PFL. Cabe agora, tanto ao PFL quanto a
outros partidos, analisarem quais são as conseqüências
imediatas", disse.
Chinaglia afirmou não
acreditar que algum partido vá pedir que a Mesa da Câmara
declare a vacância do mandato dos deputados que trocaram de legenda. "Eu
só posso analisar, se isso de fato vier a ocorrer", disse.
Mas antecipou: "Do ponto de vista da Câmara, não tem
conseqüência imediata. A minha impressão é de
que esta disputa no Judiciário vai terminar no Supremo Tribunal
Federal".
Chinaglia disse que a decisão
do TSE não antecipa a votação da reforma política
na Câmara, que tramita há dez anos e tem, entre seus pontos
principais, a fidelidade partidária.
"Nós estabelecemos
um prazo até maio. Essa resposta (do TSE) vem depois de termos
definido o calendário. O meu temor não é de que
haja antecipação (da reforma política), vamos trabalhar
para que não haja atraso", afirmou o presidente da Câmara.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de março de 2007 | Nacional
Conclusão do TSE dá 1º passo
em direção à reforma política
Ainda há dúvidas sobre a aplicação
legal em relação ao troca-troca partidário anterior à definição
do tribunal, o que deve gerar uma enxurrada de processos
Natuza Nery, Reuters
BRASÍLIA - O Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) deu o primeiro passo em direção à reforma
política. Na noite da última terça-feira, 27, o
TSE interpretou que o mandato do parlamentar eleito em eleições
proporcionais é do partido e não do candidato.
A avaliação dos
ministros em favor da chamada fidelidade partidária foi uma resposta
a uma consulta do PFL, atual Democratas (DEM), incomodado com a perda
de seus quadros para legendas da base aliada ao governo. Desde as eleições
passadas, sete deputados federais deixaram a sigla.
"Queremos de volta nossos
mandatos, mas não queremos de volta aqueles que aderiram ao balcão
de negócios", afirmou o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC).
Ainda há dúvidas
sobre a aplicação legal em relação ao troca-troca
partidário anterior à conclusão do tribunal, o que
deve gerar uma enxurrada de processos judiciais. Pelo teor polêmico,
o assunto deve parar no Supremo Tribunal Federal. Três dos sete
ministros que aprovaram a decisão de terça-feira, por 6
a 1, são ministros do STF.
"Tudo o que for para fortalecer
a fidelidade é um avanço, mas o prazo pode engessar",
afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Os Democratas estão dispostos
a pedir imediatamente a restituição de seus cargos. O líder
do PR (fusão do PL e do Prona) na Câmara, deputado Luciano
Castro, reagiu à decisão.
"Não venha me dizer
que meu mandato pertence ao PR, pois não pertence". O PR
foi o principal destino de parlamentares da oposição, recebendo
16 deputados desde a disputa eleitoral no ano passado.
A reforma política está parada
no Congresso Nacional há anos. É plataforma política
em toda campanha eleitoral, mas nunca sai do papel. Na avaliação
de políticos, esta é uma provocação política
para que o Parlamento vote a reforma.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de março de 2007 | Brasil
Oposição vai à Justiça
para reaver vagas de deputados
PSDB, DEM (ex-PFL) e PPS perderam 23 cadeiras
na Câmara desde a eleição | Decisão
do TSE em relação ao troca-troca partidário
abre caminho para disputa contra parlamentares que migraram para
a base aliada
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os três partidos de oposição
ao governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, PSDB, PPS e
DEM (Democratas, ex-PFL), anunciaram ontem que usarão a decisão
do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para tentar retomar, por meio da
Justiça, as vagas dos deputados que elegeram e depois migraram
para a base aliada.
O TSE impôs, em decisão de anteontem à noite, a fidelidade
de filiação partidária para os políticos eleitos
para os Legislativos em todos os seus níveis.
Deputados que trocaram de sigla após a eleição de 2006
correm agora o risco de perder o mandato, exceto se retornarem às agremiações
a que estavam filiados no dia do pleito.
Desde a eleição de outubro passado, 37 deputados federais deixaram
seus partidos de origem e já estão abrigados em outras legendas.
Os grandes perdedores são justamente os oposicionistas PSDB, DEM e PPS.
A oposição entende que essa decisão implica a devolução
das vagas perdidas com a desidratação sofrida nos últimos
meses. Juntas, as três siglas perderam 23 deputados -DEM (8), PPS (8)
e PSDB (7).
O PSDB foi o primeiro a reunir sua Executiva, ontem, para deliberar sobre o
tema.
" Nossos advogados vão decidir qual é a maneira correta de
recorrer à Justiça, queremos recuperar esses mandatos que foram
tomados do povo por negociações de cargos", afirmou o presidente
do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). "É o primeiro passo para
a reforma política", completou.
Apesar de cobrar as cadeiras de volta, Tasso foi categórico ao rechaçar
uma eventual reintegração dos sete tucanos que deixaram o partido: "Não
quero de volta nem com troco".
" Esse gesto [a decisão do TSE] é uma chicotada nos que acham
que partido é motel para darem uma "rapidinha" política",
disse o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).
Já o PPS seguirá o mesmo caminho dos tucanos. "O PPS requisitará de
volta os mandatos eletivos de parlamentares que deixaram o partido após
as eleições", afirmou o presidente da sigla, Roberto Freire.
O deputado Rodrigo Maia (RJ), que assumiu ontem a presidência do novo
DEM, afirmou que o partido deverá pedir o cancelamento da diplomação
dos oito deputados que saíram da legenda nos TREs (Tribunais Regionais
Eleitorais). "Foi um grande oportunismo dos que saíram. Ninguém
tinha dúvida na eleição passada que, como Lula era favorito,
o PFL seria oposição", disse Maia.
Autor do pedido do questionamento ao TSE, que suscitou o imbróglio entre
os partidos, o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC) disse que fora "uma
vitória do silêncio". "Do contrário, o governo
teria se movimentado para tentar impedir."
O presidente do PDT, Carlos Lupi, que tomará posse hoje no Ministério
do Trabalho, disse que a sigla analisará se irá à Justiça
para reaver o mandato do deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL).
PR
Principal destino dos deputados que trocaram de legenda após a eleição,
o PR (fusão do PL com o Prona) arrebanhou 18 dos 35 parlamentares que
mudaram de bancada após a eleição. Outros dois deputados
deixaram seus partidos, mas permanecem sem legenda.
" Estamos abertos para o embate e para discutir novas filiações",
disse o líder do PR, Luciano Castro (RR). "Estamos vivendo a ditadura
do partido. Vamos ter um grupo de caciques determinando o que o deputado deve
fazer?"
Líderes dos partidos governistas, beneficiados com o troca-troca de
legenda, defenderam que a decisão do TSE não pode ser retroativa,
ou seja, só se aplicaria para deputados que mudarem de sigla a partir
de agora. "Não pode pode retroagir", disse o líder
do PTB, Jovair Arantes (GO). O partido elegeu 22 deputados e hoje, com a fusão
com o PAN, soma 26.
O líder do governo na Casa, José Múcio Monteiro (PE),
desconversou: "Foi interpretação do TSE, não existe
lei".
(SILVIO NAVARRO, FÁBIO ZANINI
E LETÍCIA SANDER)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2007 | Brasil
Presidente não quer mudanças
na Previdência
PDT fica com o Trabalho
Brasília – O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva decidiu oferecer o Ministério
do Trabalho para o PDT como forma de evitar mudanças na estrutura
do Ministério da Previdência.
O atual ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, irá assumir a Previdência sem a permissão
para que faça alterações nos principais postos do órgão.
Como não poderia fazer esse apelo para o PDT e com a resistência
do partido de operar qualquer mudança no sistema previdenciário,
Lula decidiu transferir Luiz Marinho para a pasta. Ao oferecer o ministério
para o petista, o presidente garantiu que não haverá mudanças.
Lula chegou a alertar Carlos
Lupi, presidente do PDT e futuro ministro do Trabalho, que se a escolha
recaísse sobre o Ministério da Previdência, ele teria
apenas um papel figurativo. Por isso decidiu oferecer outra opção
porque sabia que o partido não iria aceitar esse papel. Lupi concordou
e aceitou o Trabalho.
O presidente ainda teria elogiado
a postura do PDT por não pressioná-lo por cargos. E teria
se queixado do PMDB.
O presidente tem classificado
o PMDB como um “partido carguista”, que só pensa em
lotear o seu governo. O ministro Nélson Machado (Previdência)
confirmou ontem que deixará a pasta hoje. Ele adiantou que deve
assumir um cargo no Ministério da Fazenda depois de um mês
de férias. Machado não revelou o cargo que ocupará na
Fazenda, mas é cotado para assumir a secretaria-executiva da pasta.
Além de Lupi no Ministério
do Trabalho, tomam posse hoje os ministros Alfredo Nascimento (Transportes),
Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Franklin Martins (Secretaria de Comunicação).
As posses devem concluir
a reforma ministerial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na segunda-feira, o presidente reunirá sua nova equipe de trabalho
para apresentar as principais metas de seu segundo mandato.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 29 de março de 2007 | Brasil
Lula confirma Lupi apesar de pressão
da CUT
Sindicalistas vão ao Planalto
pedir manutenção de Marinho no Trabalho, mas
presidente mantém nomeação de pedetista
| Petista será deslocado para Ministério da
Previdência; presidente decide ainda manter Guilherme
Cassel no Desenvolvimento Agrário
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar da pressão dos
sindicalistas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve
a decisão de indicar Carlos Lupi (PDT) como novo ministro do Trabalho.
Com isso, o atual ocupante do cargo, Luiz Marinho, será deslocado
para o Ministério da Previdência Social.
Depois de se reunirem com Lula na noite de ontem, líderes da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), representando outras cinco centrais sindicais, informaram
Lula que prometeu "pensar" sobre a troca de Marinho por Lupi, presidente
nacional do PDT, partido mais próximo da Força Sindical, mas
a mudança foi confirmada. As posses serão hoje pela manhã.
Lula também decidiu manter Guilherme Cassel como ministro do Desenvolvimento
Agrário e Altemir Gregolin deverá ser confirmado na Secretaria
Especial de Aquicultura e Pesca. Ambos são ligados ao PT.
Os sindicalistas que foram defender Marinho dizem que o ex-presidente da CUT
fez uma gestão "sem privilégios" na pasta e trouxe
resultados satisfatórios, como a política de reajuste do salário
mínimo.
" Viemos aqui falar que gostaríamos de manter o Marinho no Trabalho
pela postura que ele adotou. Ele tem se mostrado um ministro com compromisso",
disse a presidente-interina da CUT, Carmem Foro.
"Ministro
trapalhão"
Durante o dia de ontem, Lupi já discursava como ministro. Momentos depois
de se auto-intitular "ministro trapalhão" por ter derrubado
um copo de água, disse que "nenhum cargo" o fará apoiar
uma reforma trabalhista que mexa com pontos como 13º salário, férias
remuneradas e indenização por demissão sem justa causa.
" Não tem cargo que faça a gente abrir mão dessa posição,
porque essa é a nossa história", afirmou Lupi, que assumiu
a presidência do PDT após a morte de Leonel Brizola, em 2004. O
partido tem em suas raízes o antigo PTB fundado sob a influência
de Getúlio Vargas, presidente que sancionou em 1943 a CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho).
Questionado sobre modificações na CLT, Lupi disse: "Eu sou
contra, meu partido é contra. Só sou a favor se tiver a aprovação
dos trabalhadores."
O novo ministro afirmou ainda que o déficit da Previdência "só existe
para editorialista de jornal" e que o real motivo de o salário
mínimo não ser reajustado em índices mais altos é porque
prefeituras e governos dos Estados não teriam como arcar com a despesa.
Segundo o pedetista, Lula lhe pediu, como prioridade, a recuperação
do programa Primeiro Emprego, que fracassou na primeira gestão de Lula
em seu principal ponto, o de oferecer subsídio para que empresas contratassem
jovens.
Sobre a proposta de regulamentação do direito de greve, o novo
ministro disse ser favorável à "greve sempre", mas
com diferenciação para setores como a saúde pública.
(EDUARDO SCOLESE E RANIER BRAGON)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2007 | Economia
Com nova metodologia, economia cresceu
3,7%
Setor de serviços avançou
e responde por 64% da geração de riquezas no país
Rio de Janeiro – O Produto Interno
Bruto (PIB) brasileiro cresceu 3,7% no ano passado, com base na
nova metodologia de cálculo adotada pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado está 0,8
ponto porcentual acima dos 2,9% medidos pelo sistema anterior.
Com o crescimento mais forte, principalmente no terceiro e quatro
trimestres de 2006, as previsões para 2007, que estavam
na média de 3,5%, estão sendo recalibradas para até 4,8%.
O PIB do ano passado somou R$ 2,322 trilhões e a renda per
capita, R$ 12,437 mil.
O setor de serviços, que ganhou peso maior e já responde por
64% da economia, avançou 3,7% e foi um dos principais responsáveis
pela expansão mais forte da economia em 2006. Isso ocorreu por conta
dos ajustes metodológicos, que revelaram crescimentos maiores do que
os apurados anteriormente em serviços financeiros, aluguel e administração
pública.
A agropecuária avançou 4,1% e a indústria, 2,8% – abaixo
do crescimento da economia. A nova metodologia captou um avanço mais
forte do consumo privado (de 2,1% para 4,3%) e do governo (de 2,1% para 3,6%).
A expansão de 5,6% na massa salarial e de 29,9% nas operações
de crédito elevaram o consumo no país.
Outro destaque foi a forte expansão
dos investimentos (de 6,3% para 8,7%), por causa da maior produção
e importação de máquinas e equipamentos, que hoje
pesam mais neste cálculo. Como resultado, a taxa de investimento
subiu de 16,3% para 16,8%, a maior desde 2001 (17%).
“Melhora um pouco a qualidade
do crescimento, mas ainda reflete um consumo das famílias e do
governo se expandindo de forma mais importante que a dos investimentos,
o que é ruim porque não aumenta a capacidade produtiva,
como era de se esperar”, pondera o economista da MB Associados
Sérgio Valle.
Os dados divulgados ontem
confirmam que o crescimento econômico no primeiro governo Lula
foi de 3,3% ao ano, em média, 0,6 ponto porcentual acima da
taxa da série antiga. A média nos oito anos dos dois
mandatos de Fernando Henrique Cardoso foi de 2,3%. Ainda assim, o atual
governo é o terceiro pior na história do país
na distância entre crescimento local e mundial, conforme levantamento
do economista da UFRJ Reinaldo Gonçalves.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2007 | Economia
Conta-salário entra em vigor
em abril
Trabalhador poderá solicitar transferência
do salário para banco de sua preferência, sem custo
adicional
por PATRÍCIA KÜNZEL
A partir do dia 2 de abril, os trabalhadores
da iniciativa privada que quiserem receber o salário em
um banco diferente daquele em que a empresa deposita o pagamento
poderão fazer a transferência sem custos, automaticamente.
A chamada portabilidade da conta-salário entra em vigor
este ano apenas para as empresas que assinaram contratos de folhas
de pagamento com bancos após 5 de setembro de 2006, data
em que a medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional
(CMN). Para contratos assinados antes da aprovação
da mudança, a entrada em vigor conta-salário será janeiro
de 2009.
Pela nova conta-salário,
o trabalhador pode informar ao banco no qual a empresa deposita a folha
de pagamento para qual instituição e conta (de mesmo titular)
devem ser direcionados o recursos, sem custos, no mesmo dia. De acordo
com o Banco Central, a pessoa deve entrar em contato com o banco em que
recebe seu salário (gerente ou algum funcionário) e fazer
a solicitação de transferência. “No momento
da solicitação, o trabalhador pode pedir que o procedimento
seja repetido mensalmente, assim a transferência será automática”,
diz o superintendente de projetos especiais da Federação
Brasileira dos Bancos (Febraban), Jorge Higashiro.
Já era norma do Banco Central que trabalhadores não deveriam
ter custos para receber seus salários, mas com a nova conta-salário
ficaram estabelecidas algumas vantagens como direito a saques e consulta de
extratos sem cobrança de tarifas e CPMF pelos bancos. Além de
poder fazer a transferência automaticamente, pela nova conta-salário
o trabalhador não paga pela manutenção da conta e pelo
cartão magnético e pode fazer cinco saques (totais ou parciais)
por salário creditado e duas consultas de saldo e extratos mensais sem
taxas.
O objetivo da CMN é que
a portabilidade da conta-salário acirre a concorrência
entre os bancos e reduza as tarifas bancárias. Higashiro acredita
que a medida deve ter o resultado esperado. “O banco onde é feito
o pagamento vai fazer o possível para manter ou ganhar o cliente
e o trabalhador vai poder usar isso na instituição de
sua preferência, para forçar uma redução
das tarifas”, afirma. “Só o que não muda é a
taxa de juros bancária, nisso a conta-salário não
tem qualquer interferência”, prevê. Para a maioria
do funcionalismo público, a conta-salário só entrará em
vigor em 2012.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
29 de março de 2007
Para TRF-2, Imposto de Renda não
incide sobre FGTS, férias e licença-prêmio
Um ex-funcionário do Banco
do Brasil obteve junto à 3ª Turma Especializada do TRF (Tribunal
Regional Federal) da 2ª Região o direito à isenção
de Imposto de Renda sobre valores recebidos a título de rescisão
de seu contrato de trabalho com o banco, bem como a devolução
da verba paga por conta do tributo.
De acordo com o tribunal, ele
havia proposto uma ação judicial na 6ª Vara Federal
do Rio de Janeiro, que concedeu a isenção e a devolução
do imposto. Além disso, pediu o ressarcimento por danos morais,
que foi negado na primeira instância e no Tribunal.
Para conceder os pedidos, a Turma
seguiu entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que vem decidindo
que "as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador
quando da rescisão do contrato de trabalho, por dispensa, têm
caráter indenizatório, não ensejando acréscimo
patrimonial. Disso decorre a impossibilidade da incidência do imposto
de renda sobre as verbas recebidas pela parte autora, pois nesse caso
não há geração de rendas ou acréscimos
patrimoniais, mas sim a reparação, em pecúnia, pela
perda do direito".
O imposto pago pelo autor da
ação incidiu sobre o pagamento de multa de 40%, pelo empregador,
sobre o saldo do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)
e sobre férias e licença-prêmio não gozadas
e transformadas em pagamento em dinheiro.
Embora a Fazenda Nacional
tenha alegado que as verbas que o trabalhador recebeu caracterizam
acréscimo patrimonial, a relatora do caso, desembargadora federal
Tania Heine, considerou-as como valores com caráter de reparação,
não havendo possibilidade de tributação.
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CONSULTOR JURÍDICO,
29 de março de 2007
Garantia do juízo
Depósito recursal deve ser feito
no prazo do recurso
Depósito recursal feito
um anos antes do julgamento inviabiliza análise do recurso. O
entendimento é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A Turma manteve a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
1ª Região (Rio de Janeiro), que considerou deserto um recurso
cujo depósito foi feito um ano antes do prazo. O relator do caso
foi o ministro Horácio Senna Pires.
A ação trabalhista
teve início na 8ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro contra
uma vidraçaria. O empregado pediu a rescisão indireta do
contrato de trabalho por causa da redução salarial e de
funções. Solicitou ainda as verbas rescisórias,
dano moral, o pagamento das diferenças salariais e de horas extras.
A primeira instância declarou extinto o contrato de trabalho, com
base nas provas testemunhais. A condenação somou R$ 10
mil.
Para recorrer da sentença,
a vidraçaria pagou o depósito recursal no dia 2 de abril
de 2003, no valor de R$ 3,8 mil. Ocorre que o recurso foi protocolado
no TRT fluminense quase um ano depois, em 31 de março de 2004,
quando vigorava novo valor máximo. A discussão que se travou
foi sobre qual data deve prevalecer para fixação do depósito
máximo a ser exigido: a da sua efetivação ou a da
interposição do recurso ordinário.
Para o TRT, a Súmula 245
do TST “desata a controvérsia”, ao dispor que “o
depósito recursal deve ser feito e comprovado no prazo alusivo
ao recurso”. Para a segunda instância, a permissão
para que a parte antecipe o depósito recursal, quando condenada
a valor superior ao limite máximo, implica em lesão ao
programa do FGTS (para o qual são revertidos tais verbas), possibilitando
o recolhimento de valor inferior ao efetivamente devido na época
(data da interposição do recurso).
No Tribunal Superior do Trabalho,
os ministros mantiveram o acórdão. Segundo o ministro Horácio
Pires, o depósito recursal não tem natureza de taxa, mas,
sim, de garantia do juízo. “Não se constata a denunciada
violação ao artigo 5º, XXXV, da CF, porquanto o recurso
da agravante foi devidamente apreciado, com a conclusão de que
o pressuposto extrínseco referente ao preparo não foi preenchido”,
concluiu.
AIRR 2.051/2001-008-01-40.5
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/03/2007
Empregado perde estabilidade sindical com
o fechamento da Mitsubishi
Não é possível
a reintegração ao emprego ou pagamento de indenização
para empregado protegido pela estabilidade sindical se a empresa onde
ele trabalhava foi fechada. Esta é a decisão unânime
adotada pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho que, acompanhando
o voto do relator, ministro Aloysio Corrêa da Veiga, não
conheceu de recurso interposto por um ex-empregado da empresa MIB S/A
(Mitsubishi Eletric Group).
O empregado foi admitido como
soldador em junho de 1981 e recebia salário de R$ 776,66 por mês.
Em outubro de 2003 foi eleito tesoureiro-geral do Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material
Elétrico de Montes Claros (MG), para um mandato de três
anos, que expiraria em novembro de 2006. Em dezembro de 2005, foi dispensado
do emprego, sem justa causa.
Em janeiro de 2006, o soldador
ajuizou reclamação trabalhista, com pedido de liminar para
a imediata reintegração. Pediu também o pagamento
dos salários concernentes à época da estabilidade,
além de férias, 13° salário, FGTS e assistência
médica.
A empresa, em contestação,
alegou que a dispensa do empregado ocorreu em decorrência do encerramento
das atividades, em outubro de 2005, “fato público e notório
amplamente divulgado pela imprensa”, não havendo como proceder à reintegração,
sendo também indevido o pagamento de indenização
pelo período estabilitário.
O pedido de liminar foi indeferido
e a reclamação trabalhista foi julgada improcedente. Segundo
a sentença proferida pelo juiz da 2ª Vara do Trabalho de
Montes Claros, a estabilidade não constitui vantagem pessoal,
mas uma garantia para o exercício da representação
para a qual o trabalhador é eleito.
O empregado, insatisfeito, recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais),
que manteve a decisão. Segundo o acórdão, “a
dispensa motivada pelo fechamento de todo o setor vital de uma empresa,
que permanece em funcionamento precário, com pouquíssimos
empregados, enquadra-se nas autorizações legais para o
rompimento do contrato do empregado com estabilidade sindical”.
Novo recurso foi interposto,
dessa vez ao TST. Segundo o autor da ação, a empresa, na
verdade, não teria encerrado as atividades, mas se encontrava
em processo de desativação. “Extinção
significa o desaparecimento definitivo do que existe e, na hipótese
de uma empresa de natureza mercantil ou industrial, o seu desaparecimento
só ocorre quando esta dá a baixa de seus atos constitutivos
perante a Junta Comercial ou outro órgão estatal competente
para tanto, o que não ocorreu na hipótese dos autos”,
destacou o empregado.
Não comprovada divergência
de julgamentos nem violação de lei, o recurso de revista
do empregado não foi conhecido. (RR-11/2006-100-03-00.5).
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29/03/2007
Estabilidade pré-eleitoral só cabe
onde houver eleição
As vedações contidas
na legislação eleitoral para a contratação
e demissão de servidores e empregados públicos limitam-se
especificamente aos locais onde ocorrem as eleições. Este
foi um dos fundamentos adotados pela Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-1) para não conhecer (rejeitar)
de embargos em recurso de revista de uma ex-funcionária do Banco
Itaú S.A., sucessor do Banco Banerj. A bancária, demitida
em 1996, pedia a decretação da nulidade de sua demissão
com base na estabilidade pré-eleitoral. O processo teve como relator
o ministro Vantuil Abdala.
A trabalhadora, que prestava
serviços em Brasília, foi admitida no extinto Banerj em
1977, por meio de concurso público, e dispensada sem justa causa
no dia 7/10/1996. No dia 3 do mesmo mês, foram realizadas eleições
municipais, com segundo turno no dia 15 de novembro. Ao ajuizar reclamação
trabalhista, a bancária entendeu estar protegida pelo artigo 29
da Lei nº 8.214/91, que trata expressamente da restrição
de dispensa de empregados públicos, vinculados à administração
indireta, no período compreendido entre o primeiro dia do quarto
mês anterior às eleições e o término
do mandato do prefeito do município.
O pedido de nulidade da dispensa
foi negado, sucessivamente, pela Vara do Trabalho do Distrito Federal,
pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito
Federal e Tocantins) e pela Primeira Turma do TST. Ao apreciar a questão
na SDI-1, o ministro Vantuil Abdala ressaltou, inicialmente, que a lei
na qual se baseou o pedido da trabalhadora, referente a matéria
eleitoral, introduziu normas para a realização das eleições
municipais de 1992. O texto legal refere-se a servidor público
sem fazer nenhuma ressalva ou limitação, ou seja, não
exclui os empregados das sociedades de economia mista (como era o caso
do Banerj) da vedação ali prevista, sendo nula, portanto,
demissão no período pré-eleitoral. “Ocorre,
porém, que a Lei nº 8.214/91 estabelece normas para a realização
das eleições municipais de 1992 e não de 1996, quando
a trabalhadora foi demitida”, observou o ministro em seu voto. “O
argumento de que o artigo 29 daquela lei teria sido recepcionado pelo
artigo 4º da Lei nº 9.100/95 [que regulamentou as eleições
de 1996] não credencia a decretação da nulidade
da demissão promovida pelo banco, devido ao caráter singular
de cada eleição”, afirmou o relator.
O ministro Vantuil Abdala destacou
ainda como “não menos importante que as questões
aqui tratadas” o fato de que a bancária trabalhava em Brasília – local
onde não há eleições municipais. “Ainda
que se pudesse considerar que a lei que introduziu regras para as eleições
de 1996 tenha recepcionado a restrição de dispensa prevista
na lei anterior, não se pode pretender que seja aplicada a base
territorial diversa daquela onde efetivamente tenham ocorrido as eleições”,
esclareceu.
O TRT já havia ressaltado,
no julgamento do recurso ordinário, o “sentido teleológico” da
lei eleitoral. “As vedações, por serem atos restritivos
de direitos individuais, não alcançam a amplitude desejada
pela trabalhadora. Ao contrário, limitam-se especificamente aos
locais onde poderiam ocorrer eventuais represálias políticas,
fim a que se destina a proibição”, afirma a decisão
regional.
A SDI-1, portanto, manteve a
conclusão de que a estabilidade alcançaria apenas os empregados
do Banerj com base de serviço no Rio de Janeiro, local em que
ocorreram as eleições municipais. (E-ED-RR-495.399/1998.1)

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