 |
Nova Central, 10 de abril
de 2007
CNTI e mais cinco outras confederações
entram com nova ação no STF contra o uso financeiro
do FGTS
Outras seis confederações de trabalhadores ajuizaram Ação
Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a intenção
do governo federal de criar o Fundo de Investimento do FGTS. O plano faz parte
do Programa de Aceleração do Crescimento.
Segundo a nova ADI, a medida
fere o artigo 192 da Constituição Federal, que trata do
sistema financeiro nacional. Uma das regras constitucionais sobre o sistema
financeiro nacional é de que ele deve servir ao interesse da coletividade.
A MP violaria a regra ao permitir a aplicação do FGTS em
financiamentos sem assegurar a rentabilidade dos depósitos.
“É inconcebível,
ilegal e imoral beneficiar determinados setores da sociedade brasileira
em flagrante prejuízo para a coletividade trabalhadora, estatuindo
um inusitado financiamento em que os valores emprestados não têm
a mínima garantia de retorno, sendo certa a desvalorização
ou mesmo a perda total”, afirmam as entidades sindicais.
Outra inconstitucionalidade apontada é que
a matéria não pode ser objetivo de MP, já que o
mesmo artigo exige a regulação por meio de lei complementar.
A ação foi proposta
pelas Confederações Nacionais dos Trabalhadores das áreas
do turismo e da hospitalidade (Contratuh), do comércio (CNTC),
da indústria (CNTI), da Saúde (CNTS), das indústrias
de alimentação e afins (CNTA) e dos transportes terrestes
(CNTT).
As entidades pedem a concessão
de liminar sob o argumento de que a medida “oportunizará a
existência de centenas de financiamentos, em irreparáveis
prejuízos para os trabalhadores”. ADI 3.881.
|
JORNAL GAZETA DE LIMEIRA
/ SÃO PAULO, 10 de abril de 2007
Sindicato
SP: Trabalhadores de produtos de
cimento têm reajuste de 4,5%
Os trabalhadores de produtos
de cimento e fibrocimento de Limeira conseguiram essa semana obter acordo
sobre o reajuste salarial, estabelecido em 4,5%.
Os beneficiados são os
trabalhadores que produzem lajes, estruturas pré-moldadas, postes,
bancos de praça e vigas de concreto, cuja representação é feita
pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Cerâmicas,
da Construção e Mobiliário de Limeira e região
(Sitececom).
O reajuste ficou em 4,5%, um índice
positivo considerando a inflação do período medida
pelo INPC, que baliza as negociações salariais. Em fevereiro,
o INPC foi registrado em 3,12%, evidenciando que os trabalhadores obtiveram
um aumento real de salário de mais de 1% com o reajuste.
Os pisos da categoria também
foram alterados, e agora estão assim estabelecidos: no cimento,
R$ 609,40 para trabalhadores não qualificados e R$ 734,80 para
os qualificados. No fibrocimento, R$ 607,20 durante os primeiros 90
dias de contratação e R$ 704 para aqueles após
os 90 dias de contratação. A Participação
nos Lucros e Resultados ficou em R$ 200, a serem divididos em R$ 100
pagos em junho e R$ 100 pagos em dezembro. (BL)
|
Folha
de São Paulo, 10 de abril de 2007
Risco-país cai abaixo dos emergentes
Mercado otimista faz dólar recuar mais
e se aproximar dos R$ 2; Bovespa bate novo recorde histórico e
vai a 46.854 pontos
Risco-país brasileiro desce a 156 pontos,
indicador já recuou 19% neste ano; dados de emprego nos EUA
animaram os investidores
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A volta do feriado foi de recordes
para os ativos brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo
fechou em um patamar nunca antes atingido (46.854 pontos), após
registrar valorização de 0,45%. O risco-país desceu
aos 156 pontos pela primeira vez na história, com queda de 4,9%.
Além disso, conseguiu chegar ao fim do dia abaixo do Embi+ (que é a
média do risco dos países emergentes, que ficou ontem
em 157 pontos).
No fim de 2006, o risco brasileiro
registrava 192 pontos, enquanto a média dos emergentes estava
em 169 pontos. Isso mostra que o Brasil apresentou rápida melhora
nos últimos meses. No ano, o risco do Brasil recuou quase 19%.
Calculado pelo Banco JP Morgan Chase, o risco-país reflete o
comportamento dos títulos da dívida externa dos países.
Quanto menor o risco menor o temor dos investidores em relação
ao governo dar calote em sua dívida. A estabilidade econômica
do Brasil, somada a um cenário internacional favorável,
tem empurrado o indicador de risco para baixo.
"É a primeira vez
que o risco brasileiro se equipara à média dos emergentes",
diz Alex Agostini, economista da consultoria Austin Rating. Mas apesar
da rápida queda, o risco brasileiro segue acima do de países
como México (90 pontos) e Peru (118 pontos). O dólar
também recuou ontem, 0,39%, indo a R$ 2,025 -valor que não
atingia desde março de 2001.
Esse clima favorável
foi instigado pelos dados melhores que o esperado apresentados pelo
mercado de trabalho americano na sexta-feira, quando não houve
negócios no mercado financeiro devido ao feriado. O índice
Dow Jones, da Bolsa de Nova York, teve alta mais modesta, de 0,07%
ontem. Em Tóquio, o índice Nikkei saltou 1,48% e voltou
aos níveis praticados antes da crise desencadeada pela Bolsa
de Xangai em 27 de fevereiro.
Os números positivos
do mercado de trabalho dos EUA sinalizaram que a economia do país
pode estar melhor do que os analistas supunham. Assim, aumentaram as
expectativas de que pode demorar mais para ocorrer a retomada da queda
dos juros americanos. "A boa evolução do mercado
de trabalho reforça a idéia de que o Fed [banco central
dos EUA] mantenha a taxa de juros inalterada por mais tempo. Dessa
forma, mantemos nossa visão de que a redução da
taxa de juros norte-americana para 5% anuais ocorrerá apenas
na última reunião do ano", avaliou, em relatório,
o Departamento de Estudos Econômicos do Bradesco.
Os juros americanos estão
atualmente em 5,25% anuais. Durante o pregão de ontem, A Bovespa
chegou aos inéditos 47.239 pontos. Os pontos da Bolsa oscilam
de acordo com o valor das ações. O fato de a Bolsa estar
com pontuação recorde mostra que as ações
listadas no mercado acionário brasileiro nunca valeram tanto.
As companhias listadas na Bovespa encerraram a semana passada valendo
R$ 1,67 trilhão.
Real forte
Com o cenário externo
favorável e o risco-país brasileiro em queda, analistas
avaliam que o dólar pode romper o piso dos R$ 2 ainda nesta
semana. Para isso, terá de recuar cerca de 1,25%. Neste mês,
o dólar registra desvalorização de 1,70% diante
do real. No ano, a queda acumulada chega a 5,24%.
Como o Banco Central tem intervindo
apenas com compras de dólares das instituições
financeiras, sem uma turbulência externa o real tende a continuar
se apreciando. "Não temos piso para a taxa de câmbio.
A tendência do dólar é para baixo, tendo tudo para
romper os R$ 2 nos próximos dias", afirma Agostini.
Para mudar a rota do câmbio,
profissionais do mercado afirmam que o BC teria de mudar sua postura.
Ofertar contratos de "swap cambial reverso" (títulos
que têm o efeito de compras de dólares no mercado futuro) é a
opção mais lembrada pelos analistas como forma de conter
a apreciação do real.
|
Folha
de São Paulo,
10 de abril de 2007
PARALISAÇÃO
Centrais sindicais promovem protesto contra a emenda 3
DENISE BRITO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
As
principais centrais sindicais promovem hoje uma série de paralisações
nas capitais do país pela manutenção do veto presidencial à chamada
emenda 3 da lei que criou a Super-Receita, que limita a ação
de auditores da Receita Federal, transferindo ao Judiciário o
poder de dissolver pessoas jurídicas cuja prestação
de serviço se caracterizar como relação trabalhista
encoberta. Condutores, bancários, petroleiros e metalúrgicos
estavam entre as categorias com adesão confirmada até o
início da noite de ontem.
As centrais se reúnem hoje com os ministros da Fazenda, Guido
Mantega, do Trabalho, Carlos Lupi, e da Previdência, Luiz Marinho,
para discutir um novo projeto de lei que substitua a emenda 3, cujo veto
será votado no Congresso Nacional.
CUT (Central Única dos Trabalhadores), Força Sindical,
CGT (Central Geral dos Trabalhadores), CGTB (Confederação
Geral dos Trabalhadores do Brasil) e Nova Central Sindical prometem atos
de protesto e paralisações de pelo menos uma hora ao longo
do dia. "Se as negociações não avançarem,
vamos propor paralisações de maior tempo", afirma
Artur Henrique, presidente da CUT.
|
Folha
de São Paulo,
10 de abril de 2007
Trabalho é contra FAT no custeio de dívida
rural
Governo pretende usar R$ 4 bi para o refinanciamento
de dívidas
agrícolas
Representantes dos trabalhadores, CUT e Força, divulgam notas
contrárias à edição de medida provisória
para favorecer agricultores
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Nota técnica elaborada pelo Ministério do Trabalho condena
o uso de novos recursos do FAT (Fundo Amparo ao Trabalhador) na renegociação
de dívidas agrícolas. Segundo o estudo preparado a pedido
da equipe econômica, o fundo não dispõe de dinheiro
suficiente para emprestar para o setor, já que neste ano contará com
apenas R$ 8 bilhões para linhas de financiamento -metade do valor
alocado no ano passado.
Pressionado pelos produtores rurais, o
governo vem estudando uma nova renegociação da dívida agrícola (referente às
safras de 2004/2005 e 2005/ 2006) com dinheiro do FAT. O Ministério
da Agricultura estima que os agricultores estejam devendo R$ 4 bilhões
a fornecedores de insumos. Essa não seria a primeira vez que recursos
do trabalhador seriam usados para socorrer o setor.
Em 2005, foi criado o FAT Giro Rural, uma
linha de crédito em
que foram direcionados R$ 3,7 bilhões para o refinanciamento dos
produtores que precisavam honrar seus compromissos com fornecedores e
instituições financeiras. A idéia agora é editar
uma medida provisória com as regras da nova renegociação.
A fonte de recurso para o refinanciamento seria o FAT. A diferença é que
dessa vez seria criado o Fundo de Recebíveis Agropecuários
(FRA) -mecanismo para cobrir os riscos de inadimplência nessas
operações.
Os produtores refinanciariam suas dívidas em quatro anos, mas
só começariam a pagar as parcelas em maio de 2009. Os encargos
do empréstimo seriam de 5% mais TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo).
A bancada ruralista no Congresso esperava que a medida provisória
fosse editada ainda ontem. O troca-troca nos ministérios e o lobby
contrário das centrais sindicais pode ter adiado indefinidamente
a edição da MP. Ontem, o Ministério do Trabalho
informou que o ministro Carlos Lupi pediu mais informações
aos técnicos sobre a medida.
No decorrer do dia, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e
a Força Sindical divulgaram nota manifestando-se contrárias à MP.
No final da tarde, participantes da discussão vazaram para a imprensa
a nota técnica elaborada pelo Ministério do Trabalho a
pedido do Ministério da Fazenda.
Oficialmente, o Trabalho declarou que o
documento ainda não tinha
chegado ao conhecimento do ministro Lupi nem de seu antecessor, Luiz
Marinho, já que a nota técnica é datada de 26 de
março -quando Marinho ainda estava no Trabalho.
O vice-presidente do Codefat (Conselho
Deliberativo do FAT), Luiz Fernando Emediato, disse que não há necessidade de editar uma MP
com renegociação da dívida agrícola com dinheiro
do fundo. Além de argumentar que o fundo não dispõe
de recursos, ele destaca que o FAT Giro Rural pode ser reavaliado e destinar
mais dinheiro para os produtores.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de abril de 2007 | Economia
Dólar tem menor valor em 6
anos e deve bater nos R$ 2 em breve
Otimismo leva Bovespa a novo recorde e
risco Brasil cai ao menor patamar da história
São Paulo – A melhora de percepção sobre a economia
dos Estados Unidos levou os investidores a uma nova rodada de compras de ativos
de países emergentes ontem. No Brasil esse movimento se traduziu em
dois recordes: o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa)
renovou a pontuação máxima pelo terceiro pregão
seguido, aos 46.854 pontos, e o risco Brasil fechou em novo nível histórico
de baixa, a 156 pontos. Além disso, o real voltou a se valorizar em
relação ao dólar. A moeda americana encerrou o dia em
queda de 0,34%, a R$ 2,025, menor cotação desde 5 de março
de 2001.
Segundo analistas, o dólar deve furar a barreira dos R$ 2 nos próximos
dias. “O otimismo é geral”, definiu Marcelo Salomon, economista-chefe
do Unibanco. De acordo com ele, os investidores se animaram com os dados relativos
ao mercado de trabalho americano em março, divulgados na sexta-feira.
Como era feriado na maioria dos países, a repercussão dos números
ocorreu apenas ontem. O relatório, explicou Salomon, mostrou que o mercado
de trabalho dos EUA não foi influenciado negativamente pela desaceleração
da economia e pela crise das hipotecas de alto risco.
“Os dados ratificam a idéia
de que os EUA terão um pouso suave”, observou. A medida
de risco conhecida como Embi Plus, que reflete a média dos países
emergentes, teve desempenho idêntico ao risco brasileiro. Despencou
4,88%, para 156 pontos ontem.
Outra prova de que o otimismo
se espalhou pelos países emergentes foi a Bolsa da Cidade do México,
onde o Índice IPC também bateu recorde. “A economia
mundial parece melhor do que se esperava”, afirmou Joel Bogdanski,
economista do Banco Itaú. “O crescimento nos EUA está mais
robusto do que se imaginava e a União Européia, o Japão
e a China também vão bem. O mundo deve ter o quinto ano
consecutivo de expansão elevada.”
Além do ambiente externo
favorável, fatores internos têm encorajado investidores
a aplicar dinheiro em ativos brasileiros. O principal deles é a
expectativa de uma melhora no rating (nota) do país pelas agências
de classificação de risco. “O mercado está antecipando
essa melhora”, disse Silvio Campos Neto economista-chefe do Banco
Schahin. Segundo ele, os números do Produto Interno Bruto (PIB)
após a revisão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) melhoraram os indicadores de solvência do país. Ou
seja, o risco de o Brasil não honrar o pagamento de suas dívidas
hoje é muito mais baixo do que no passado. Nesse ambiente positivo,
disse Campos Neto, “o dólar vai buscar os R$ 2 e tem grandes
chances de romper esse nível”. “As condições
de liquidez externa são ótimas e se juntam aos bons números
da balança comercial e do balanço de transações
correntes do Brasil.”
Cautela
Os analistas avisam que,
apesar da segunda-feira positiva, as atenções ainda estão
voltadas para a economia dos EUA. Os dados do mercado de trabalho apenas
afastaram, momentaneamente, o risco de recessão no país.
A inflação continua mais alta do que deseja o Federal
Reserve (Fed, o banco central americano) e novas elevações
da taxa básica de juros não estão descartadas.
Ontem mesmo, as bolsas americanas não aderiram ao otimismo que
contagiou os emergentes. O Índice Dow Jones subiu 0,07% e a
Nasdaq recuou 0,09%.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de abril de 2007 | Economia
Abril registra 2.º melhor resultado
em 2007
Na primeira semana de abril,
a balança comercial registrou exportações no valor
de US$ 2,528 bilhões e importações de US$ 1,669
bilhão. O superávit comercial foi de US$ 859 milhões,
o segundo melhor resultado do ano, menor apenas que o da última
semana de março, quando foi de US$ 970 milhões. As exportações
acumulam US$ 36,447 bilhões, e as importações, US$
26,890 bilhões. O superávit elevado na primeira semana
de abril, com apenas quatro dias úteis, é explicado pelo
ritmo forte de crescimento das exportações no período,
contrariando a tendência dos últimos meses.
|
JORNAL DO ESTADO, 10 de abril
de 2007 | Economia
INSS
Reajuste deve sair nesta semana
Os 8 milhões de aposentados
e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) que ganham
mais que um salário mínimo devem saber nesta semana qual
será o reajuste que seus benefícios vão ter. De
um lado, o governo oferece apenas a reposição da inflação
acumulada desde o último aumento. A estimativa é que o Índice
Nacional do Preço ao Consumidor (INPC), usado no cálculo,
fique em algo próximo a 3,27%.
Na outra ponta da corda estão
os representantes dos aposentados, que defendem ganho real — aquilo
que ainda sobra depois que for descontada a inflação.
A Previdência aguarda apenas a divulgação do INPC, calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que solta
o número amanhã. Para o mesmo dia, está marcada uma reunião
entre Ministério da Previdência e centrais sindicais para discutir
o assunto. A data foi marcada quando do encontro realizado em 8 de março
e considerado infrutífero pelos sindicalistas. Na ocasião, o
secretário-executivo do ministério, Carlos Eduardo Gabas, falou
apenas na reposição das perdas inflacionárias.
O mesmo discurso foi adotado
pelo secretário de Políticas da Previdência, Helmut
Schwarzer, no final de março: “A lei fala que temos de dar
o INPC”, afirmou. “Queremos negociações com
o governo para discutir as perdas acumuladas”, afirmou Benedito
Marcílio, presidente da Confederação Brasileira
dos Aposentados e Pensionistas (Cobap).
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de abril de 2007 | Economia
Inflação medida pelo
IGP-DI sobe 0,22% em março
O índice ficou praticamente estável
em relação a fevereiro, quando subiu 0,23%
Alessandra Saraiva
RIO - A inflação
medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna
(IGP-DI) subiu 0,22% em março, ante alta de 0,23% no mês
anterior, segundo informou nesta segunda-feira, 9, a Fundação
Getúlio Vargas (FGV). A taxa ficou perto do piso das estimativas
dos analistas do mercado financeiro, que esperavam um resultado entre
0,19% a 0,37%, e abaixo da mediana das expectativas (0,32%).
A FGV informou ainda os resultados
dos três indicadores que compõem o IGP-DI de março.
O Índice de Preços por Atacado - Disponibilidade Interna
(IPA-DI), que representa 60% do total do IGP-DI, teve elevação
de 0,11% em março, ante aumento de 0,19% em fevereiro.
Os preços dos produtos
agrícolas no atacado tiveram queda de 0,18% em março, ante
elevação de 1,08% em fevereiro. De acordo com a FGV, os
preços dos produtos agrícolas no atacado acumularam elevações
de 1,98% no ano e de 12,83% em 12 meses até março.
Por produtos, as altas de preço
mais expressivas no atacado foram registradas em bovinos (3,42%); ovos
(11,83%); e tomate (25,78%). Já as mais expressivas quedas de
preço, no atacado em março, foram registradas nos preços
de milho em grão (-7,63%); soja em grão (-1,54%) e aves
(-4,11%).
Até março, o IPA-DI
acumula altas de 0,62% no ano e de 5,09% em 12 meses.
Varejo
O Índice de Preços
ao Consumidor - Disponibilidade Interna (IPC-DI), que mede a variação
de preços no varejo e tem participação de 30% no
total do IGP-DI, apresentou avanço de 0,48% em março, ante
alta de 0,34% em fevereiro.
A aceleração na
taxa do IPC-DI foi influenciada por elevações de preços
mais intensas, e deflação mais fraca de preços,
em cinco das sete classes de despesa usadas para cálculo do indicador. É o
caso de alimentação (de 1,17% para 1,57%); habitação
(de variação zero para 0,19%); vestuário (de -2,16%
para -0,94%); saúde e cuidados pessoais (de 0,29% para 0,40%)
e despesas diversas (de 0,26% para 0,45%).
Os dois grupos a registrarem
queda ou desaceleração de preços, no período,
foram os de educação, leitura e recreação
(de 0,24% para -0,31%); e transportes (de 0,57% para 0,11%).
Na análise feita pela
FGV sobre os produtos do varejo, as altas de preço mais expressivas
em março foram registradas em tomate (21,13%); melancia (43,19%)
e batata-inglesa (10,53%). Já as mais expressivas quedas de preço
foram apuradas em maçã nacional (-14,22%); açúcar
refinado (-4,51%) e passagem aérea (-8,64%).
O IPC-DI acumulou aumentos de
1,51% no ano e de 2,69% em 12 meses até janeiro.
Construção Civil
O Índice Nacional do Custo
da Construção - Disponibilidade Interna (INCC-DI), que
representa 10% do IGP-DI, subiu 0,27% em março, ante avanço
de 0,21% em fevereiro. O índice acumula altas de 0,94% no ano
e de 5,25% em 12 meses até março.
Segundo a FGV, a aceleração
na taxa do INCC-DI foi influenciada por elevação de preços
mais intensa no segmento de mão-de-obra (de variação
zero para alta de 0,36%).
Na análise por produtos,
as altas de preço mais expressivas na construção
civil foram registradas em ajudante especializado (0,45%); servente (0,35%)
e esquadrias de alumínio (0,43%). Já as mais expressivas
quedas de preço foram apuradas em elevador social e serviço
(-2,34%); azulejo (-1,11%) e condutores elétricos fio/cabo (-1,39%).
Até março, o IGP-DI
acumula elevações de 0,88% no ano e de 4,49% em 12 meses.
O período de coleta de preços para o IGP-DI de março
foi do dia 1º a 31 do mês passado.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
10 de abril de 2007
Garantia de pagamento
Imóvel alienado para pagar dívida
pode ser penhorado
Imóvel alienado para pagar
dívida trabalhista pode ser penhorado, mesmo que tenha sido comprado
por um novo proprietário. O entendimento é da 5ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que negou recurso da dona do imóvel. A relatora foi a
juíza Nelí Barbuy Cunha Monacci. Cabe recurso.
De acordo com o processo, o apartamento
foi vendido em 10 de maio de 2001, mesmo estando alienado pelo ex-proprietário
para pagamento de dívida trabalhista da empresa de em que era
sócio. A penhora do bem foi autorizada em 2007 e o apartamento
seguiu para leilão.
No recurso, a compradora do apartamento,
que tem a escritura definitiva, alegou que antes da aquisição
obteve da imobiliária a certidão negativa do imóvel
e do ex-proprietário. Também afirmou que comprou o imóvel
sob total boa-fé.
A relatora esclareceu que não
se questiona a boa ou má-fé de quem adquiriu o imóvel. “A
sucessão dos eventos demonstra a intenção do senhor
Hamilton Borges de Queiroz, um dos dois sócios da executada, que
tendo conhecimento pleno dos fatos, alienou o imóvel penhorado
em fraude à execução”, disse.
Processo 270/01
|
ÂMBITO JURÍDICO
/ RIO GRANDE DO SUL, 10 de abril de 2007
Dirigente de sindicato recém-criado
tem garantida a estabilidade
A 7ª Turma do TRT/MG negou
provimento a recurso ordinário de empresa do setor de combustíveis,
condenada a reintegrar ex-empregado, demitido sem justa causa, o qual
gozava de estabilidade provisória por ter assumido recentemente
cargo na diretoria do sindicato da categoria dos frentistas.
A empresa alegava que a assembléia
de fundação da comissão organizadora do sindicato
havia sido suspensa, bem como seus efeitos, ficando o reclamante sem
legitimidade de representação, o que afastaria o seu direito à estabilidade
provisória. Foi também apresentada decisão proferida
em processo em tramitação no TRT, em que se contesta a
capacidade postulatória do sindicato. Quanto a essa ação,
a relatora do recurso, desembargadora Maria Perpétua Capanema
Ferreira de Melo, salientou que a decisão, além de não
ter ainda transitado em julgado, não ofende a representatividade
do sindicato junto à categoria. Isto porque, seria necessária
uma decisão definitiva para tornar nula a assembléia. O
reclamante também apresentou decisão definitiva em ação
julgada pelo Supremo Tribunal Federal, na qual foi concedida à federação
da categoria legitimidade para representar os frentistas em todo o território
nacional, onde não exista sindicato específico, o que,
por si, confere legitimidade à entidade recém-criada.
“Tendo em vista a liberdade
constitucional para a fundação do sindicato e a liberdade
de associação profissional ou sindical, inscritas no artigo
8º da CF, não há de se falar em nulidade da assembléia
que elegeu os membros da diretoria do novo sindicato” , frisa a
desembargadora, reconhecendo o direito à estabilidade provisória
do dirigente sindical e sua conseqüente reintegração
aos quadros da empresa.
( RO nº 02576-2005-134-03-00-3
)
|
CORREIO FORENSE.COM / JOÃO
PESSOA (PB), 10 de abril de 2007
Ócio é direito do trabalhador
garantido pela Constituição
O ócio é uma garantia
constitucional e legal do empregado. Com base neste entendimento, a 8ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP) suspendeu
a penhora de dois televisores e um videocassete de uma ex-empregada da
Telecomunicações de São Paulo S.A. – Telesp,
atual Telefônica.
A trabalhadora entrou com processo
na 55ª Vara do Trabalho de São Paulo, reclamando verbas que
entendia devidas pela Telefônica. Como a vara julgou o pedido procedente
em parte, a empresa recorreu ao TRT-SP.
A 3ª Turma do tribunal deu
provimento ao Recurso Ordinário e reformou a sentença de
1ª instância. Inconformada, a reclamante entrou com novo recurso – Embargos
Declaratórios –, que foi rejeitado pela turma. Os juízes
da 3ª Turma também multaram a trabalhadora em 22% sobre o
valor da causa, corrigido, em favor da Telefônica, "a título
de indenização, por litigância de má-fé".
Para a garantia do pagamento
da indenização, a 55ª Vara penhorou dois televisores,
uma mesa com 6 cadeiras, um videocassete e uma máquina de lavar
roupas da reclamante. Ela recorreu novamente ao TRT-SP, argumentado que,
de acordo com a Lei 8.009/90, estes bens são impenhoráveis
pois guarnecem sua residência. A vara sustentou que os bens "não
são essenciais ao sustento e sobrevivência da embargante
e seus familiares".
Segundo o juiz Rovirso Aparecido
Boldo, relator do Agravo de Petição no tribunal, "é justo
considerar que o trabalhador mereça descansar. O ócio é importante,
pois representa a válvula de escape das tensões que se
operam no dia-a-dia; é fator de higiene física e mental.
Aliás, esse é o espírito da lei (Lei 605/49)".
Para o relator, "valendo-se
de condição financeira sofrível, o trabalhador brasileiro
vê-se alijado do lazer cultural (teatro, cinema, por exemplo),
ou mesmo, freqüência a restaurantes. O seu lazer, no mais
das vezes, se restringe em permanecer à frente do televisor, assistindo à programação
que mais lhe apetece".
"Pretender expropriar a
agravante dos bens móveis em epígrafe, com destaque para
os dois televisores e o vídeo cassete, é negar vigência
a preceito constitucional (CF, art. 6º), onde está textualmente
assegurado, como direito social, o lazer", observou o juiz Rovirso
Boldo.
"Da mesma forma, não
se concebe a penhora sobre máquina de lavar roupas. O cuidado
com as vestimentas é exigível muito menos pelo esmero no
vestir do que pelo asseio; trata-se de questão de saúde,
igualmente considerado como direito social pela CF, art. 6º",
acrescentou.
Por unanimidade, a 8ª Turma
acompanhou o voto do juiz relator, revogando a penhora dos bens da ex-empregada
da Telefônica.
AP 01470.2003.055.02.00-9
|
STICCMM, 10 de abril
de 2007
Eleita nova diretoria do STI da Construção
Civil de Volta Redonda/RJ
As eleições para a escolha da nova diretoria e do Conselho
Fiscal do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, Montagem e Construção Pesada do Sul Fluminense,
realizadas nos dias 04 e 05 de abril, confirmaram a CHAPA 1 – da
CUT, encabeçada pelo sindicalista Dejair Martins, para o mandato
de 2007/2011 à frente da entidade.
Dos 4.435 associados do Sindicato,
com direito a voto, 3.069 compareceram às
18 urnas instaladas nas sete cidades (Volta Redonda, Barra Mansa,
Resende, Itatiaia, Porto Real, Quatis e Rio Claro) que formam a
base territorial do Sindicato. Deste total, 3.003 votaram na CHAPA
1- da CUT, 62 em brancos e 04 anularam o voto.
“Com esse resultado a CHAPA 1- da CUT alcançou 67,71%
dos votos válidos. Uma vitória muito significativa
e que demonstra a confiança das nossas categorias no trabalho
desenvolvido pela CHAPA da CUT na sua quarta disputa eleitoral
como CHAPA Única, sem oposição”, diz
Dejair Martins, agradecendo aos associados da entidade e colaboradores
que participaram do pleito e foram os responsáveis pela
consolidação de mais esse mandato. “A colaboração
das empresas também foi importante, pois elas atenderam
a nossa convocação e facilitaram o acesso dos trabalhadores
aos locais de votação”, acrescenta o sindicalista.
|
Dejair
Martins, presidente |
Para essa nova gestão, o objetivo da CHAPA da CUT é priorizar
projetos nas áreas de habitação, educação,
saúde do trabalhador, combate à informalidade,
geração de renda, lazer e cultura. “A proposta é manter
a nossa unidade com os trabalhadores e dar continuidade ao
trabalho já desenvolvido, ampliando as lutas em busca
da melhoria da qualidade de vida e do resgate de cidadania
das categorias vinculadas a entidade”, informa Dejair.
Atualmente o Sindicato detém a representatividade de
22 categorias, com cerca de 12 mil trabalhadores. Dentre as principais
destacam-se a construção civil; montagem industrial
e manutenção, marmoraria; granitos; fábrica
de artefatos e cimentos; carpintaria, marcenaria, ladrilhos,
hidráulicos, pavimentação e obras de construção
pesada e de estradas, terraplenagem, pavimentação
em geral e do mobiliário.
Confira a votação na CHAPA
1- da CUT por cidade:
|
CIDADE
|
VOTANTES
|
CHAPA
1
|
BRANCOS
|
NULOS
|
TOTAL
|
votos
válidos
|
|
VOLTA REDONDA
|
1657
|
1339
|
27
|
02
|
1368
|
82%
|
|
CSN
|
1400
|
733
|
35
|
01
|
769
|
52,31%
|
|
BARRA MANSA/RIO CLARO
|
887
|
522
|
00
|
01
|
523
|
58,85%
|
|
RESENDE - PORTO REAL ITATIAIA E QUATIS
|
491
|
409
|
00
|
00
|
409
|
83%
|
|
TOTALIZAÇÃO
|
4435
|
3003
|
62
|
4
|
3069
|
69,20%
|
|
Porcentagem de votação
|
100%
|
67,71%
|
1,40%
|
0,90%
|
69,20%
|
|
O
Depacom parabeniza toda a diretoria e deseja sucesso no novo
mandato.
|
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/04/2007
Empregada que perdeu dedos em máquina
de cortar fraldas será indenizada
Decisão da Quinta Turma
do Tribunal Superior do Trabalho manteve indenização de
R$ 70 mil por dano moral à empregada que teve dois dedos cortados,
e um quebrado, em acidente ocorrido na máquina de cortar fraldas
descartáveis da fábrica mineira Bem Estar Comércio
e Indústria Ltda. A indenização foi fixada pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais).
O relator do processo no TST, ministro João Batista Brito Pereira,
esclareceu que “o Tribunal Regional, ao fixar o quantum da indenização,
observou os critérios da proporcionalidade e da razoabilidade
preconizados no inciso V do artigo 5º da Constituição
da República”.
A empregada foi admitida em 2000,
como auxiliar no corte de fraldas descartáveis. Em março
de 2001, ao pegar fraldas embaixo da esteira de corte, perdeu o equilíbrio
e apoiou-se na esteira, onde teve sua mão direita puxada para
a área de corte. A trabalhadora sofreu corte no terceiro e quarto
dedos da mão direita, além de quebrar o dedo indicador,
que depois ficou torto, conforme constou na Comunicação
de Acidente de Trabalho (CAT) do INSS. Recebeu auxílio-doença
durante a licença médica, e após a alta, em agosto
de 2002, voltou a trabalhar, como faxineira. Segundo laudo médico,
ela continuou a sentir dores constantes e teve 10% da sua capacidade
de trabalho comprometida. A falta do dedo indicador na mão direita,
um dos principais dedos da mão, deixou a empregada limitada, ainda
mais na condição de destra.
Na Vara do Trabalho, ela pediu
indenização por danos estéticos, alegando que além
de “repugnante, sua mão ficou completamente inutilizada”.
Pediu também a reparação por danos materiais (pela
redução da sua capacidade para o trabalho) e por dano moral
(pela lesão ao seu sistema psicológico). Em contestação,
a Bem Estar alegou que o acidente ocorreu por culpa da empregada, que
teria confessado que “perdeu o equilíbrio e apoiou-se na
esteira”. A defesa disse que ela passou por treinamento específico
para trabalhar no corte de fraldas, e “se a empregada se distrai
e sofre o acidente, em local para o qual foi treinada, não há que
se falar em responsabilidade da empresa”.
O juiz de primeira instância
rejeitou as alegações da empresa, condenando-a a pagar
indenização total de R$ 112 mil, sendo R$ 50 mil por dano
moral, R$ 50 mil por dano estético e R$ 12 mil pelo dano material.
Segundo a sentença, “ela sofreu seqüelas permanentes
ocasionadas pelo acidente, com comprometimento de 10% da sua capacidade,
e a perda física ocasionada pelo acidente é visível,
sendo patente o dano estético”.
No TRT/MG, a empregadora insistiu
na culpa da empregada pelo acidente, além de questionar a competência
da Justiça do Trabalho para julgar pedido de indenização
por dano moral, e ainda, o próprio valor da indenização.
O Regional rejeitou tal incompetência, superada por decisão
do Supremo Tribunal Federal que já declarou a competência
da Justiça do Trabalho para julgar esses casos. O TRT rearbitrou
o valor da condenação para R$ 70 mil, incluindo o dano
estético no dano moral, pois considerou que “o denominado
dano estético está contido dentro da amplitude do conceito
de dano moral, que se revela pela existência da dor íntima
na dimensão pessoal de quem o sofre“. Segundo o Regional, “a
empregada está apta a exercer funções mais leves
e compatíveis com o seu estado de saúde”.
No TST, a empresa sustentou que “não
pode prevalecer a decisão relativa à indenização
por dano material, por não ter havido defasagem salarial em relação à empregada”,
uma vez que ela voltou a trabalhar nas mesmas funções que
exercia antes do acidente. A empresa alegou que o valor era excessivo.
O ministro Brito Pereira
manteve o acórdão regional e esclareceu que a aferição
da indenização envolve os critérios de razoabilidade
e de proporcionalidade, e “pode a Turma desta Corte, com base
no quadro fático descrito pelo Tribunal Regional, concluir que
a indenização fixada atendeu a ditos critérios”.
(RR- 1170/2002-108-03-00.4)
|
10/04/2007
TST afasta multa do artigo 477 aplicada
a clínica odontológia
Havendo controvérsia sobre
o vínculo de emprego, somente esclarecida em juízo, não é cabível
a multa pelo atraso no pagamento das verbas rescisórias, prevista
no artigo 477, § 8º, da CLT. A decisão foi tomada pela
Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho que, acompanhando o voto
do ministro Aloysio Corrêa da Veiga, deu provimento ao recurso
interposto pela Odontoclínica Caetés Ltda.
A ação, movida
por um dentista, discutia a existência ou não de vínculo
de emprego com a clínica odontológica. O profissional contou
na petição inicial que foi contratado pela empresa em junho
de 2003, para exercer a função de dentista, de forma pessoal,
não eventual e subordinada. Recebia, como remuneração,
22% de todos os orçamentos e consultas que realizava e não
teve a carteira de trabalho anotada. Disse que foi dispensado, sem justa
causa, em junho de 2005.
A proprietária da clínica,
em defesa, negou a relação de emprego. Disse que o dentista
apenas firmou com a empresa um contrato de parceria, recebendo pela participação
sobre o valor das consultas e atendimentos realizados. Alegou que o autor
da ação, assim como os demais dentistas, usavam o gabinete
dentário, o instrumental e o material necessário ao desempenho
da atividade profissional, fornecidos pela clínica odontológica,
mas tinha autonomia sobre o horário de atendimento, bem como definia
ele próprio o orçamento dentário, a consulta e o
preço. Por fim, afirmou que o dentista abandonou o posto de trabalho
por conta própria.
A sentença, com base nos
depoimentos das testemunhas, reconheceu a existência de vínculo
de emprego e condenou a Odontoclínica a pagar ao dentista as verbas
rescisórias, com base no salário fixado em R$ 2.200,00,
além de adicional de insalubridade e horas extras. Houve condenação
para pagamento da multa pelo atraso na quitação das verbas
rescisórias.
A empresa, insatisfeita, recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais),
insistindo na inexistência de vínculo de emprego, insurgindo-se
contra a fixação do salário do dentista e pedindo
a exclusão da multa pelo atraso no pagamento da rescisão,
tendo em vista o reconhecimento, apenas em juízo, da relação
de emprego.
O TRT manteve o vínculo
de emprego mas modificou a forma de cálculo do salário,
fixando-o em 22% do faturamento mensal da clínica. A multa do
artigo 477 da CLT foi mantida. Segundo o acórdão regional, “a
controvérsia a respeito da exigência da relação
de emprego e o seu reconhecimento em juízo não afasta a
incidência da multa do artigo 477, parágrafo 8º, da
CLT”.
A Odontoclíncia interpôs
recurso de revista, que foi analisado pelo TST. Quanto ao reconhecimento
de vínculo de emprego, a Sexta Turma não conheceu do recurso
pela impossibilidade de rever fatos e provas na atual fase recursal (Súmula
126). Em relação ao pedido de exclusão da multa
do artigo 477, a empresa saiu vitoriosa. Segundo o ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, a aplicação da multa tem pertinência quando
o empregador não cumpre o prazo ali estabelecido para a quitação
das verbas rescisórias. “No caso concreto, o reconhecimento
do vínculo empregatício somente ocorreu judicialmente,
de modo que, não havia como estabelecer prazo para a quitação
das verbas rescisórias se era controvertida a própria existência
da relação de emprego”, destacou o relator. (RR-1334/2005-019-03-40.6).

|