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Folha
de São Paulo, 23 de abril de 2007
ENTREVISTA DA 2ª/LUIZ MARINHO
"Previdência tem de conter explosão
de pensões por morte"
Ministro afirma que reforma em debate não
atingirá atual geração de trabalhadores, mas defende
ajustes no curto prazo
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O GOVERNO quer mudar as regras
de concessão das pensões por morte pagas pelo INSS. Há menos
de um mês na Previdência, o ministro Luiz Marinho disse à Folha
que existe uma "explosão" nesses benefícios
e propõe a revisão das regras paralelamente à reforma
previdenciária que ele defende apenas para o longo prazo. Hoje
a Previdência paga cerca de 6 milhões de pensões.
Só no ano passado, 144 mil novos benefícios foram somados
ao estoque. Não há uma estimativa total do gasto. Segundo
o ministro, as mudanças devem combater, por exemplo, o problema
com as "viúvas jovens". "Acho que na situação
de uma jovem que ficar viúva, sem filhos, ela faz jus a uma
indenização. Não a um benefício para o
resto da vida", afirma.
De seu novo gabinete -no oitavo
andar do mesmo prédio em que comandava o Ministério do
Trabalho-, Marinho disse que a reforma da Previdência para o
longo prazo não atingirá a atual geração
de trabalhadores e não será mais um "remendo".
Será acompanhada, porém, de uma fase de ajustes na legislação
com efeitos imediatos. Além das pensões, o ministro quer
novamente alterar as normas do auxílio-doença.
Marinho descarta a idéia
do Ministério da Fazenda de leiloar a folha de pagamento do
INSS, mas admite que conversará com os bancos para mudar o atual
sistema. Hoje, a Previdência paga à rede bancária
para prestar os serviços aos aposentados. A intenção é deixar
de gastar e, se possível, passar a receber dos bancos.
Marinho se declara "chateado" com
os aposentados que o acusaram de ter machucado manifestantes em um
protesto na frente do ministério durante a saída do carro
oficial. "O pessoal veio agredir o carro", afirma, atribuindo
o incidente a uma "falha de assessoria".
Na entrevista, ele, que é ex-presidente da CUT, também nega que
haverá um processo de "cutização" do Ministério
da Previdência. "Isso não existiu quando assumi o Trabalho
e não existirá aqui."
FOLHA - O que mudará na
equipe do Ministério da Previdência com sua vinda para
cá?
LUIZ MARINHO -
Vão sair só os que desejarem. A equipe é equipe
de governo. Não tem por que mudar. No Ministério do Trabalho
não mudei absolutamente ninguém, a não ser os
que saíram para acompanhar o [Ricardo] Berzoini [seu antecessor].
Aqui é a mesma coisa. Alguns profissionais vão acompanhar
o Nelson Machado [ex-ministro que será secretário-executivo
do Ministério da Fazenda] e serão substituídos.
No mais, a equipe está mantida.
Evidente que está mantida
se o titular achar que está dando o resultado esperado.
FOLHA - Há boatos
de que estaria havendo uma pressão pela "cutização" [ocupação
de cargos pela CUT] da Previdência?
MARINHO -
Desconheço. Isso não existiu quando assumi o Trabalho
e não existirá aqui. Se existe pressão, desconheço.
FOLHA - O sr. comandará a
segunda reforma da Previdência do governo Lula. Qual é a
reforma que busca?
MARINHO -
O modelo vai ficar claro no decorrer do debate do fórum [Nacional
da Previdência Social]. O que eu procuro é acalmar os
trabalhadores que muitas vezes se preocupam, e com razão, quando
se fala em reforma. Todo mundo se coloca apavorado: "Será que
a reforma vai tirar direitos?". É assim que o cidadão
reage sentado lá na poltrona quando vê televisão.
Precisamos fazer uma reforma que não seja mais um remendo. Reforma da
previdência em país nenhum do mundo se resolve no curto prazo.
Ela se resolve no longo prazo. É com esse olhar que estamos conduzindo
o debate e precisamos passar uma mensagem que tranqüilize os trabalhadores
que estão no mercado há 10, 20, 30 anos. Será que agora
que estou próximo de me aposentar vou ter esse direito adiado?
Isso não vai acontecer.
Não há no governo a idéia de fazer uma reforma
que venha a atingir os atuais trabalhadores. Temos que dar sustentabilidade à Previdência,
olhar para o perfil demográfico do país e ir adequando
as regras.
Se não fizermos adequações
para o futuro, lá na frente a Previdência vai estar estrangulada
e não vai ter condições de garantir cobertura
previdenciária para futuras gerações. A partir
desse conceito vamos fazer um debate no fórum sobre qual proposta
adotar.
Queremos chegar à conclusão
do fórum em agosto, para em setembro ter uma proposta elaborada
para submeter à apreciação do presidente Lula.
Se a proposta estiver redonda, no conceito do governo e do presidente,
será enviada ao Congresso. O Congresso é a autoridade
para fazer mudanças.
FOLHA - Mas o sistema
se sustenta ao longo desses 30 anos?
MARINHO -
Sim, se sustenta. Essa é a reforma do longo prazo. Agora nós
precisamos falar do curto prazo, e no curto prazo estamos trabalhando.
O Nelson começou e nós vamos dar continuidade, se for
preciso adaptar algo, vamos adaptar, aperfeiçoar, sempre há espaço.
Esperamos que a unificação das receitas dê maior
efetividade na arrecadação e no combate à sonegação.
Espero que a Receita cumpra rigorosamente esse papel. Cabe a nós
dar continuidade ao trabalho de combate às fraudes, à melhoria
do cadastro. Estamos aperfeiçoando o cadastro. Também
vamos trabalhar o bom atendimento lá na ponta. Vamos ainda adequar
alguma coisa na legislação, que também precisa
ser olhada no curto prazo.
FOLHA - Adequar o quê?
MARINHO -
O auxílio-doença para quem se afasta do mercado tem um
valor maior do que o que o trabalhador recebe em atividade. Isso é uma
distorção construída no tempo, a partir das equações
da última reforma. É uma distorção que
precisamos corrigir.
É preciso discutir no
curto ou no longo prazo a pensão por morte, que tem uma inadequação
que precisamos olhar. Há uma explosão da pensão
por morte. É uma coisa que a sociedade terá que debater.
A sociedade quer manter isso ou precisa mudar? Por exemplo, um casal
em que ocorra uma morte e fica uma viúva jovem, de 20 e poucos
anos. Ela vai ter uma pensão vitalícia.
A sociedade acha que dá para
sustentar isso? Eventualmente é uma viúva sem filhos.
Eventualmente ganhava mais que o marido. Mesmo assim faz jus ao benefício
e pode arrumar outro casamento, e o benefício não cessa.
Acho que, na situação de uma jovem que ficar viúva
sem filhos, ela faz jus a uma indenização. Não
a um benefício para o resto da vida. São coisas que a
sociedade tem que discutir, e não meramente o governo, que levanta
o debate.
FOLHA - Especialistas
relatam que em outros países o benefício não é integral,
nem é permitido acumular com uma outra aposentadoria.
MARINHO -
São essas questões que temos de discutir. Tem que adequar
ou não? A reforma se coloca em dois tempos. Essas inadequações
estão colocadas na nossa geração. Nós precisamos
então discutir no curto e no médio prazo. A sustentabilidade
requer, por exemplo, a eventual fixação de uma idade
mínima para a atual geração?
Não. Não está colocado
esse debate. São duas etapas completamente diferentes. No curto
prazo, somente inadequações. Não tem mudanças
de regras para o curto prazo.
FOLHA - O governo também
quer rever a renúncia previdenciária?
MARINHO -
Temos que organizar a contabilidade da Previdência. Se tem renúncia
fiscal, o Tesouro tem que compensar a renúncia e, portanto,
deixa de ser déficit. Os trabalhadores não podem ser
vítimas desse processo, se o Estado brasileiro tomou a decisão
de desonerar um setor industrial.
Não pode ser simplesmente dito: a Previdência que se vire. Isso
tem de ser contabilizado como recurso que entra e o Tesouro paga. A Previdência
não pode ser sacrificada.
Outra questão são
as filantrópicas. Não tenho absolutamente nada contra,
o que não dá é para a Previdência pagar
a conta. O Ministério da Educação considerou uma
instituição filantrópica, então ele tem
que reembolsar a Previdência daqueles recursos de renúncia.
O mesmo vale para a saúde
e a assistência. Estou propondo que a gente rediscuta a questão
da filantropia, não para não ter a filantropia, mas a
Previdência não pode ser sangrada.
FOLHA - E os clubes
de futebol?
MARINHO -
A Previdência não pode ser sangrada por isso. Se tem renúncia
fiscal, o Tesouro tem que reembolsar a Previdência. Não
quero entrar no mérito, mas tira do meu colo.
FOLHA - O governo vem
negociando com aposentados uma pauta extensa. Será possível
antecipar metade do 13º para julho como pedem?
MARINHO -
Estou seguro de que vamos conseguir antecipar neste ano o 13º para
o mesmo período do ano passado [setembro]. Para julho acho que
neste ano talvez não será possível. Vamos continuar
trabalhando. Se não der neste ano, vamos trabalhar para o ano
que vem. Desejo fazer com que essa questão do 13º a gente
crie condições de assumir um compromisso com os aposentados,
não estou assumindo ainda o compromisso de se tornar algo permanente,
para não ter que ficar todo ano discutindo a mesma coisa. O
aposentado aí saberá que todo ano naquele mês pode
contar com metade do 13º.
FOLHA - Na quinta-feira,
o sr. viveu um incidente com um grupo de aposentados que afirmam
que o carro oficial em que o sr. estava atropelou manifestantes.
O que aconteceu?
MARINHO -
Eu sinceramente não entendi. Dizer que eu não tenho espaço
para o diálogo? Todos são testemunhas de que eu tenho.
Ontem [quinta-feira] não tinha agenda marcada com os companheiros.
Estava saindo atrasado para uma audiência no Palácio do
Planalto. Eu nem sabia da manifestação. Foi uma falha
de assessoria, que merece um puxão de orelha.
Se eu soubesse, não
sairia no meio da manifestação. Se estou com tempo, saio,
mas sem tempo não vou sair para causar eventual tumulto. Eu
saí, cumprimentei e entrei no carro. Quando estou saindo, o
pessoal veio agredir o carro. Uma agressão inexplicável.
Estou profundamente chateado com esse troço. Como é que
pode um incidente gratuito desses? O carro saiu cantando pneu, disseram
eles. É conversa mole.
FOLHA - O Tesouro Nacional
tem um projeto de leiloar a folha de pagamento do INSS, a exemplo
de alguns Estados que leiloaram a folha do funcionalismo. O que o
sr. acha?
MARINHO - É completamente
diferente. O assunto vai avançar, mas não no modelo que
o Tesouro deseja. Não justifica, de fato, a Previdência
pagar o que paga aos bancos. Mas talvez a saída não seja
o modelo de leilão que o Tesouro quer. Vamos discutir e encontrar
uma solução. Nós vamos chamar os bancos para negociar
isso.
O leilão é discutível.
Vamos conversar com o Tesouro para encontrar uma outra equação
que atenda ao objetivo que está colocado, que é legítimo.
Não pagar e receber, se possível.
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Agência Senado, 21
de abril de 2007
Mário Couto propõe
que madeira ilegal apreendida seja doada para construção
de moradias populares

Madeiras ilegais apreendidas pelo Poder Público poderão ser destinadas à construção
de habitações populares, de acordo com projeto de lei (PLS 172/07)
de autoria do senador Mário Couto (PSDB-MS). O projeto altera a Lei
9.605/98 para permitir a doação de madeira de origem ilegal,
apreendida pela autoridade ambiental competente, para programas de construção
de moradias populares. A matéria está na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) aguardando a designação de um
relator. Depois seguirá para a Comissão de Meio Ambiente, Defesa
do Consumidor, Fiscalização e Controle (CMA), onde poderá ser
apreciada em caráter terminativo.
Na justificativa da matéria,
Mário Couto argumenta que, apesar dos financiamentos públicos, "a
falta de moradias para a população de baixa renda continua
representando um dos mais aflitivos problemas sociais enfrentados pelo
país". O senador lembra que as apreensões de madeiras
ilegais estão aumentando, mas, devido à burocracia e outros
problemas, o material acaba se deteriorando ao relento ou se extraviando.
Mário Couto afirma ainda que o projeto vai minimizar essas perdas, "dando
destinação socialmente adequada ao produto".
A Lei 9.605/98 dispõe
sobre as sanções penais e administrativas para condutas
e atividades lesivas ao meio ambiente. Como está atualmente, a
legislação permite a doação da madeira ilegal
apenas para instituições científicas, hospitalares,
penais e outras com fins beneficentes.
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Agência Diap, 21 de
abril de 2007
Proposta Marquezelli: um atentado
aos direitos humanos e trabalhistas
Por: Antônio Augusto de Queiroz*
A investida sobre os direitos
dos trabalhadores, depois da aprovação da Emenda nº 3
da Super-Receita, ficou tão banalizada e ganhou uma dimensão
tal que os defensores da precarização das relações
de trabalho perderam o senso de realidade.
A proposta do deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP), presidente da Comissão
de Trabalho da Câmara dos Deputados, ilustra bem o que acima se afirma.
O deputado petebista, sobre o pretexto de modernização das relações
de trabalho, propõe que trabalhadores e patrões - sem proteção
do Estado nem mediação sindical – negociem diretamente
jornada, salário e condições de trabalho: um verdadeiro
atentado aos direitos humanos e trabalhistas.
Em nome do resgate das “liberdades contratuais e da autocomposição
das partes” e na “busca de um modelo alternativo à ampla
tutela estatal”, o deputado teve a pachorra de solicitar ao Conselho
de Altos Estudos da Câmara e ao ministro do Trabalho que examinasse a
conveniência de implementação das seguintes propostas nas
relações de trabalho:
a) substituição
da Carteira de Trabalho por um cartão magnético;
b) definição de
jornada e salário com base exclusivamente na produção;
c) substituição
do direito do trabalho e da negociação coletiva pela negociação
direta e individual entre patrão e empregado;
d) exclusão da apreciação
judicial (prejudicialização) das relações
de trabalho;
e) transferência
para o trabalhador da responsabilidade de definir, contratar e custear
sua aposentadoria.
Essa proposta do deputado Nelson Marquezelli não é uma iniciativa
isolada. Ela faz parte da campanha contra o direito do trabalho que, do período
pós-Constituinte, se iniciou com o projeto do então presidente
Collor para negociação coletiva, passou pela tentativa de flexibilização
da CLT no Governo FHC, até a Emenda nº 3 da Super-Receita, cujo
objetivo último era transformar o trabalhador em pessoa jurídica,
que não tira férias, não recebe 13º salário,
nem sobrecarrega a contratante com encargos trabalhistas e previdenciários.
Num ambiente de agressão aos direitos trabalhistas e humanos como esse,
ou o movimento sindical reage à proposta Marquezelli com o mesmo vigor
do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que a rechaçou de pronto, e com
o mesmo empenho que tem defendido a manutenção do veto à Emenda
3, ou esse movimento conservador de precarização tende a ganhar
força. Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e Diretor de Documentação do DIAP.
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Agência Diap, 21 de
abril de 2007
BALANÇO DA SEMANA
Deputado propõe o retorno
do trabalho escravo no País
Nesta semana o presidente da Comissão de Trabalho da Câmara, deputado
Nelson Marquezelli (PTB/SP), divulgou uma proposta para revisão da relação
entre capital e trabalho. As idéias defendidas por Marquezelli já foram
apresentadas inclusive ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, em audiência
pública promovida pela comissão.
A proposta de Marquezelli, cuja íntegra
pode ser acessada na página do DIAP, já recebeu críticas
do movimento sindical, que a avaliam como mais uma tentativa de precarizar
as relações de trabalho e retirar direitos trabalhistas.
Sob o pretexto de modernização
das relações do trabalho, a proposta do deputado Marquezelli é um
verdadeiro atentado aos direitos humanos e trabalhistas.
Em lugar da proteção do direito do trabalho e a negociação
com a participação dos sindicatos, o parlamentar sugere a negociação
direta entre trabalhador e empregador e a remuneração com base
na produção, excluindo os abusos praticados contra os trabalhadores
da apreciação do Judiciário. Substitui a Carteira de Trabalho
por cartão magnético, transfere para o trabalhador a responsabilidade
pela aposentadoria, retirando, portanto, a responsabilidade do empregador pelo
custeio previdenciário. Enfim, a proposta significa o retorno do trabalho
escravo no Brasil.
Quanto às deliberações em plenário, esta semana
deputados e senadores avançaram bastante na votação das
medidas provisórias que compõem o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC). Com a aprovação, na Câmara, da MP
349/07, restam agora apenas duas MP’s pendentes de apreciação
por esta Casa (MP 351 e 352).
A MP 349/07, que foi aprovada na forma do projeto de lei de conversão,
destina R$ 5 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) para aplicação em empreendimentos nos setores de energia,
rodovia, ferrovia, porto e saneamento, por meio do Fundo de Investimento do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).
No Senado, onde já havia sido aprovada a MP 346 (crédito extraordinário
de R$ 452,2 milhões para o pagamento dos encargos decorrentes do processo
de extinção da Rede Ferroviária Federal - RFFSA), que
aguarda promulgação, os senadores confirmaram a decisão
da Câmara de aprovar a MP 350/07, que permite antecipação
da compra de imóvel arrendado. Entretanto, como o projeto de lei de
conversão a esta MP foi aprovado com três emendas, a Câmara
terá que se pronunciar novamente sobre a matéria.
O Senado ainda precisa examinar outras quatro MP’s do PAC, que já passaram
pela Câmara: MP 347, MP 348, MP 349 e MP 353.
Agenda do trabalhador
No primeiro encontro do
novo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, com representantes
das centrais sindicais, o titular da Pasta enfatizou que seguirá a
política do Governo Lula de construir unidade em prol da geração
de empregos, tendo como prioridade a capacitação de trabalhadores.
Na reunião, que aconteceu na quarta-feira (18), os representantes das
centrais apresentaram agenda de consenso incluindo: a defesa dos direitos trabalhistas,
a redução da jornada de trabalho, o combate ao trabalho escravo
e infantil, o reconhecimento das centrais sindicais e adoção
de políticas públicas de emprego e renda.
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Folha
de São Paulo, 21 de abril de 2007
Ipea prevê maior crescimento para
o PIB
Após divulgação de nova
série estatística, instituto ligado ao Planejamento estima
avanço econômico de 4,2%; antes previa 3,7%
Projeção de crescimento para o setor
agropecuário sobe de 4,4% para 6,0%; no setor de serviços,
previsão passa de 2,8% para 3,6%
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
O Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), órgão ligado ao Ministério
do Planejamento, revisou para cima suas projeções de
crescimento econômico após a divulgação
da nova série do PIB (Produto Interno Bruto). A estimativa para
2007 passou de 3,7% para 4,2%. A projeção é mais
otimista do que a da média do mercado. De acordo com dados do
Banco Central, analistas prevêem alta de 3,9% do PIB neste ano.
Segundo Estêvão
Kopschitz, economista do Ipea, a nova metodologia do PIB tornou o indicador
mais instável, sujeito a variações mais significativas,
mas, por outro lado, confirmou os sinais de aceleração
do crescimento econômico. A revisão do PIB envolveu a
mudança de peso dos setores e das taxas de crescimento. "Com
a nova metodologia ficou clara a tendência de aumento da taxa."
De acordo com o instituto,
a taxa de crescimento do PIB foi revista em média 0,7 ponto
percentual ao ano entre 2002 e 2006, o que refletiu a maior contribuição
do setor privado. Essa nova trajetória levou ao aumento do "carry-over" de
2007 -o efeito de carregamento estatístico, que significa, na
prática, a herança de crescimento de um ano para o outro,
de 1,4% para 1,9%. O instituto elevou sua projeção para
o setor agropecuário de 4,4% para 6,0%. Segundo o Ipea, o aumento é justificado
pela perspectiva de safra de grãos 12% maior, de acordo com
o levantamento de março do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística).
Além disso, há também
uma expectativa de recuperação da produção
animal, apesar dos problemas sanitários enfrentados no início
do ano. "Maior demanda externa de carne levaria à redução
de barreiras sanitárias, favorecendo as exportações",
diz nota do instituto.
Serviços
O setor de serviços,
que tradicionalmente se movia mais lentamente, deverá ganhar
comportamento mais dinâmico de acordo com a nova fórmula
de cálculo do crescimento da economia. A expectativa de desempenho
do setor foi revisada de 2,8% para 3,6%. O setor foi influenciado pela
incorporação de novos dados e pela maior abrangência.
"Ficou mais difícil
prever o comportamento do setor porque ele passou a incorporar mais
informações, como em atividades imobiliárias e
aluguéis", disse Kopschitz. A previsão para os serviços
de informação passou de 0% para 3,5%. As projeções
de atividades imobiliárias e de aluguel foram revistas de 2,2%
para 4,3%.
O instituto manteve a
projeção de 4,8% para o crescimento da indústria.
Segundo o economista do Ipea, o setor foi o que sofreu menores alterações
na nova metodologia. A indústria de transformação
deve crescer 4,2% e a extrativa mineral, 6,0%, segundo o Ipea. O
crescimento em 2007 será sustentado pelo mercado interno.
A estimativa de consumo das famílias passou de 5,0% para 5,3%.
O instituto prevê cenário de investimentos mais elevados
e alterou sua projeção de expansão, de 8% para
9%.
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Folha
de São Paulo, 22 de abril de 2007
Consignado não avança no
financiamento imobiliário
Setor exige taxa de juros menor e prazos mais
longos
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Sucesso na popularização
do crédito no Brasil, o empréstimo consignado -com desconto
em folha- encontra dificuldades para entrar no segmento de financiamento
imobiliário, setor no qual são necessárias taxas
de juros ainda mais baixas e prazos mais longos. O Bradesco desenvolveu
o modelo do seu consignado para a casa própria, mas até agora
não encontrou nenhuma empresa do setor privado interessada em
aderir à modalidade.
A idéia do banco, que
já oferece juro para financiamento imobiliário igual à Selic,
de 12,5% ao ano, é baixar a taxa ainda mais. "Do contrário,
não faz sentido para o tomador. Outro problema é o comprometimento
da renda, que só pode ser de 30%, o que demanda financiamentos
longos", disse Ademir Cossiello, diretor-executivo do banco. O
Bradesco pretende trabalhar com prazos de financiamento de 120 meses.
Sem parceiros privados, o Bradesco
espera fechar o empréstimo para servidores públicos ainda
em maio. No Banco do Brasil, um projeto-piloto financia imóveis
com desconto em folha apenas para os funcionários. A taxa é de
12,5% ao ano mais TR e o prazo é de 180 meses. Apesar de forte
no consignado, o Banco do Brasil foi um dos últimos a entrar
no financiamento imobiliário, que até o ano passado era
uma espécie de reserva de mercado da Caixa Econômica Federal.
A Caixa Econômica Federal,
maior financiadora da casa própria no país, também
tenta viabilizar a modalidade para servidores públicos, mas
só conseguiu emplacar o empréstimo aos funcionários
do Ministério do Planejamento. Mesmo assim, a única vantagem
para os servidores é ter o crédito pré-aprovado,
sem qualquer benefício em termos de juros e prazo em relação às
linhas de financiamento disponíveis no SFH (Sistema Financeiro
de Habitação).
FGTS
O Ministério das Cidades
estuda uma fórmula que permita o financiamento habitacional
com recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
e desconto em folha de pagamento para todos os trabalhadores assalariados.
A garantia do empréstimo seria o saldo do FGTS do trabalhador,
que abateria o montante devido.
Não há consenso,
no entanto, sobre o volume do FGTS utilizado para abater dívida
no caso do empréstimo imobiliário. No caso de demissão
-ou terceirização de um profissional-, os bancos querem
instituir uma renegociação da dívida habitacional,
pois envolve mudança no perfil de risco do tomador.
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JORNAL
O POVO / FORTALEZA, 21 de abril de 2007 | Política
EMPREGO
Modelo "optativo" quer reduzir
direitos trabalhistas
Congresso e governo abriram
discussão sobre um modelo alternativo de relações
de trabalho que permita redução dos custos trabalhistas
e crie perspectivas de ampliação de empregos no País.
Na última quarta-feira (11), o presidente da Comissão
de Trabalho da Câmara, Nelson Marquezelli (PTB-SP), entregou
ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, um esboço de proposta
que cria um sistema optativo, em que os trabalhadores receberiam pagamento
por tarefa executada, ganhando o salário bruto, sem descontos
de qualquer espécie, como o previdenciário, por meio
de um cartão magnético.
A proposta, porém, não
extinguiria o atual regime de trabalho feito pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), uma vez que o modelo alternativo funcionaria
como optativo. Na próxima quarta-feira (18), Lupi irá à Comissão
do Trabalho para se encontrar com os parlamentares pela primeira vez
desde a posse no cargo, há cerca de 15 dias. Ele é um
dos ministros que se manifestaram contra a proposta, vista como corte
de conquistas históricas. "Não vou defender reformas
que tiram os direitos do trabalhador", avisou.
A idéia é abrir
esse debate. "Na conversa que tivemos, o ministro foi receptivo
a discutir o assunto. Porque já que existe essa resistência
geral a mexer com a CLT, inclusive do próprio ministro, a idéia é apresentar
um modelo alternativo de caráter optativo. É uma discussão
que o País precisa fazer", afirma Marquezelli. "O
modelo atual das relações trabalhistas é obsoleto,
ultrapassado e não ajuda em nada na geração de
empregos."
Por saber do teor polêmico
da discussão, ele enviou os primeiros pontos do Projeto Modernização
das relações entre capital e trabalho: em busca de um
modelo alternativo à ampla tutela estatal, para o Conselho de
Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Casa,
responsável pela discussão de proposições
de grande alcance.
No texto enviado ao deputado
Inocêncio Oliveira (PR-PE), que preside o Conselho de Altos Estudos
e Avaliação Tecnológica, Marquezelli explica a
idéia, avaliando que poderia corrigir o "esgotamento" do
atual modelo de relações de trabalho. "Esse modelo
vem dando claros sinais de esgotamento, uma vez que o custo da forte
intervenção do Estado não se traduz apenas pelas
despesas para sustentar o gigantesco aparato estatal criado pelo modelo
e pelos insatisfatórios resultados que produz para todas as
partes envolvidas. Mas também pelo estrangulamento do investimento,
da produtividade e da força produtiva, impondo barreiras ao
crescimento da economia, até mesmo nesse momento de forte expansão
da economia mundial", avalia o texto.
As centrais sindicais
manifestaram-se contra o plano, que consideram como apenas mais um
movimento para cortar direitos assegurados dos trabalhadores. Apesar
da reação contrária, Marquezelli está otimista
com o avanço da proposta. "Claro que essa discussão
ainda está no início. Mas a Comissão do Trabalho
tem o dever de procurar levar adiante esse debate", ressalta. "Se
as centrais sindicais são contrárias, elas devem se
manifestar através de seus interlocutores no Congresso".
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de abril de 2007 | Mundo
Sem surpresas, França terá 2.º turno
entre Sarkozy e Ségolène
Urnas eletrônicas, utilizadas pela primeira
vez, provocaram protestos e denúncias
Paris – O candidato governista Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène
Royal vão disputar o segundo turno da eleição presidencial
na França, marcado para 6 de maio. Com 100% das urnas apuradas, sem
contabilizar os votos do exterior, Sarkozy obteve 31,11%, seguido de Ségolène,
com 25,84%.
Em terceiro, aparecia François
Bayrou (centro-liberal), com 18,55%. O ultradireitista Jean-Marie Le
Pen tinha 10,51% e Olivier Besancenot, de extrema esquerda, 4,11%. Os
demais candidatos não chegavam a 3% cada.
Três candidatas de esquerda
já pedem votos para Royal no segundo turno: Arlette Laguiller,
da Luta Operária, a comunista Marie-George Buffet, e Dominique
Voynet, do Partido Verde.
“Peço sem hesitar
a todos os homens e mulheres de esquerda, a todas e todos os democratas
que votem e façam votar no dia 6 maio em Ségolène
Royal”, declarou Buffet.
Segundo pesquisas, entre 11%
e 17% dos eleitores franceses só decidiram ontem em quem votariam
no primeiro turno das eleições.
A campanha foi dominada pela
defesa de uma mudança no cenário político francês
após 12 anos da liderança conservadora do presidente Jacques
Chirac, que deixa um dos países mais ricos do mundo em meio a
lutas por reforma econômica, geração de empregos
e integração social.
Entre as principais questões
que envolvem a corrida presidencial estão o desemprego, a imigração
e a aspiração da França em se tornar a principal
economia da Europa – posição disputada com a Alemanha
e o Reino Unido –, que levou os franceses a votarem contra uma
maior integração entre os países da União
Européia (UE) em referendo realizado em 2005.
A imigração, uma
das principais dificuldades enfrentadas pela França, levou a uma
onda de violência nos subúrbios que durou três semanas
em 2005.
Voto eletrônico
Polêmico desde o início,
o voto através de urnas eletrônicas, utilizado ontem pela
primeira vez na eleição presidencial do país, provocou
problemas em vários colégios eleitorais, além de
protestos e denúncias.
A principal disfunção
ocorreu em Reims, no noroeste da França, onde um problema elétrico
atrasou a abertura de alguns dos colégios equipados com as máquinas.
No total, 1,5 milhão dos
44,5 milhões de eleitores registrados no país deveriam
usar a urna eletrônica ontem.
As urnas foram implantadas em
82 municípios com mais de 3.500 habitantes. Em vários deles,
os problemas foram causados pelos protestos da população,
que desconfia das máquinas.
O conselheiro regional de Ile-de-France,
Daniel Guérin, do Movimento Republicano Cidadão (MRC),
anunciou que pediu ao Conselho Constitucional que investigue supostas
disfunções nas vistorias feitas nas urnas eletrônicas
de Villeneuve-le-Roi, perto de Paris.
Bombas
A calma geral que precedeu
a eleição foi interrompida durante a madrugada de sábado
para domingo na ilha francesa de Córsega. Na cidade de Bastia,
duas bombas explodiram depois de confrontos durante uma demonstração
separatista na ilha nos quais cinco policiais ficaram feridos. As bombas
deixaram um pedestre ferido.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
21 de abril de 2007
Previdência rejeita reajuste
dos aposentados
Entidades que representam a categoria querem
correção de 8,5% para quem ganha mais de um salário
mínimo, mas governo insiste em 3,3%
Brasília - O Ministério da Previdência Social vai rejeitar
a reivindicação de entidades representativas dos aposentados,
que querem a correção de 8,57% no valor dos benefícios
superiores a um salário mínimo. Ao contrário do que argumentam
os aposentados, o governo sustenta que esses benefícios não vêm
sofrendo perdas em relação aos salários pagos aos trabalhadores
da ativa e, por isso, vai insistir na correção de apenas 3,3%
concedida neste ano.
De acordo com uma comparação
feita pelos técnicos da Previdência, os valores médios
das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) e os salários dos trabalhadores, com base em dados da Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) do IBGE, estão quase empatados.
No ano passado, por exemplo,
a renda média dos trabalhadores com carteira assinada foi de R$
1.030,23 enquanto o valor médio das aposentadorias por tempo de
contribuição foi de R$ 1.044,78. O valor médio de
todos os tipos de benefícios previdenciários (aposentadorias,
pensões, auxílios-doença, etc), que em 2006, foi
de R$ 576, 54, representou 68% do rendimento médio de todos os
trabalhadores ocupados (com ou sem carteira assinada), R$ 842,61. Essa
equivalência vem se mantendo desde 2003, segundo o levantamento.
''Os números mostram que
a reclamação dos aposentados não se sustenta'',
afirmou à reportagem o secretário de Políticas de
Previdência Social, Helmut Schwarzer. As queixas dos aposentados
ganharam corpo depois que o INSS anunciou que dará 3,3% de reajuste
este ano que corresponde ao Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC), apurado pelo IBGE, de abril de 2006 e março
deste ano.
Na última quinta-feira,
entidades de aposentados tentaram, em vão, protestar junto ao
ministro da Previdência, Luiz Marinho. Na quarta que vem, junto
com centrais sindicais, farão novos protestos em Brasília
e São Paulo, na tentativa de forçar o governo a abrir negociações
para rever o porcentual.
Eles querem que os benefícios
com valores superiores a dois salários mínimos tenham o
mesmo reajuste de 8,57% dado ao salário mínimo este ano,
que elevou o valor de R$ 350 para R$ 380 em 1º de abril. O presidente
da Confederação Brasileira dos Aposentados (Cobap), Benedito
Marcílio, diz que há uma perda acumulada de 70% nos valores
dos benefícios superiores ao mínimo desde 1988, quando
acabou a indexação dos benefícios previdenciários
ao salário mínimo.
A vinculação foi
mantida apenas no piso. Cerca de oito milhões de segurados recebem
mais que o mínimo, enquanto 16 milhões ganham o piso previdenciário.
Para Helmut Schwarzer, está havendo uma confusão entre
a política de recomposição do salário mínimo
e a política de reajuste de benefícios. ''Não cabe
negociações porque aposentadoria não é salário
e o governo não é patrão dos aposentados'', afirmou.
O secretário lembrou ainda que, segundo o Dieese, muitas categorias
profissionais não tiveram aumentos reais, e outras nem mesmo a
reposição de inflação, em 2006. ''Já os
segurados do INSS têm a garantia em lei da correção
pela inflação, o que ninguém mais tem'', comentou.
Isabel Sobral
Agência Estado
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
22 de abril de 2007
Crédito imobiliário
com poupança soma R$ 1,32 tri
Volume de março é o maior
já registrado em um único mês desde o início
do Real, em 1994
São Paulo - Nunca houve tanto financiamento para a compra da casa própria
com recursos da caderneta de poupança como em março. Só no
mês passado, os empréstimos habitacionais com dinheiro da poupança
somaram R$ 1,322 bilhão, a maior cifra atingida num único mês
desde o início do Real, em 1994, segundo a Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip).
A perspectiva, diz o presidente
da Abecip, Décio Tenerello, é de que este ano termine com
volume recorde de empréstimos, na casa de R$ 12 bilhões,
ante R$ 9,3 bi registrados em 2006. Quando houve o lançamento
do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em janeiro
deste ano, chegou-se a projetar que 2007 fecharia com um total de R$
10,5 bi de empréstimos habitacionais com recursos da poupança.
''O desempenho de março
nos surpreendeu'', diz Tenerello. A expectativa, diz ele, era de que
o volume de empréstimos no mês atingisse R$ 900 milhões.
Mas houve uma aceleração na velocidade do crescimento dos
financiamentos que mais que dobraram (116%) em março ante o mesmo
mês de 2006. O levantamento da entidade mostra também que
o número de imóveis financiados no mês passado quase
dobrou na comparação com igual período de 2006.
Foram 16 mil imóveis, a maior marca mensal desde agosto de 2006,
quando os financiamentos totalizaram 8,2 mil habitações.
Para Tenerello, uma conjugação
favorável de fatores levou a esse excelente desempenho. Ele argumenta
que o crescimento real (descontada a inflação) de 5% na
renda dos assalariados registrado em 2006 foi um dos combustíveis
para o brasileiro comprar a casa própria. ''Sobraram mais recursos
no bolso do consumidor.''
Além disso, argumenta,
a queda na taxa básica de juros, a Selic, ainda que de forma gradativa,
reduziu o custo de captação de recursos por parte das construtoras,
o que ampliou a oferta de imóveis, especialmente na faixa de R$
70 mil a R$ 200 mil, para as camadas médias de menor renda. ''Houve
adequação entre a oferta e a procura.''
Também o aumento
nos prazos de financiamentos, dilatados de 12 para 15 anos, e a ampliação
da fatia financiada, de 60% para 70% do valor do imóvel, contribuíram
para um maior volume de empréstimos com recursos da poupança,
observa Tenerello. ''Com a mudança nas regras dos financiamentos
da casa própria, a prestação diminuiu.''
Márcia De Chiara e Agnaldo Brito
Agência Estado
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
22 de abril de 2007
Venda de materiais também
cresce

O faturamento bruto das vendas dos materiais de construção no
mercado interno em março cresceu 22,21%
São Paulo - Outro indicador que reforça o bom momento da construção é a
venda de materiais. A receita da indústria de materiais de construção
cresceu 5,78% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo
período do ano passado. O levantamento é da Fundação
Instituto de Administração (FIA).
O índice divulgado semana
passada pela Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção (Abramat) indica que os itens
básicos da construção puxaram a expansão
do faturamento. A venda de materiais básicos cresceu 6,1%, enquanto
os itens de acabamento registraram evolução de 4,69% no
mesmo período.
''O indicador revelado pelo Índice
Abramat nos dá garantias de que já temos um crescimento
sustentado no mercado de materiais de construção'', diz
Melvyn Fox, presidente da associação do setor. Segundo
ele, o primeiro trimestre reforça a perspectiva de que o faturamento
da indústria de materiais de construção cresça
pelo menos 8% neste ano.
O aquecimento da demanda, no
entanto, ainda não recebeu o impulso do PAC. O governo federal
prevê investimentos de R$ 106 bilhões em habitação
de interesse social em quatro anos. ''São R$ 26 bilhões
por ano, recursos que ainda não começaram a entrar no setor.
Isso deve começar a acontecer em até dois meses e estou
certo de que deve provocar uma aceleração ainda mais forte
nas vendas'', avalia Fox.
Além dos recursos do PAC,
a indústria se prepara para atender à demanda que será criada
pelo setor da construção civil focado em projetos de habitação.
A estimativa é que, entre recursos captados na Bolsa de Valores,
de bancos privados ou de investidores novos, R$ 67 bi sejam aplicados
em construção de moradias este ano.
O presidente da Abramat afastou
a possibilidade de inflação por demanda. Segundo ele, há ociosidade
de 20% em média na indústria de materiais, o que garante
atender à demanda sem pressão sobre preços. ''Inflação
de demanda não vai ocorrer'', sustenta.
O faturamento bruto das vendas
dos materiais de construção no mercado interno em março
cresceu 22,21% em relação ao mês anterior e 6,24%
ante o mesmo mês de 2006. No mercado externo, o faturamento acumulado
no trimestre cresceu apenas 0,59% ante o primeiro trimestre de 2006.
(Agência Estado)
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
22 de abril de 2007
Sobre a portaria que disciplina a redução
do intervalo intrajornada
Edésio Passos
O então ministro Luiz
Marinho, do Ministério do Trabalho e Emprego, assinou a Portaria
n.º 42, de 28.03.2007 (DOU 30.03.07), que disciplina os requisitos
para a redução de intervalo intrajornada, especificando: “O
intervalo para repouso ou alimentação de que trata o art.
71 da CLT poderá ser reduzido por convenção ou acordo
coletivo de trabalho, devidamente aprovado em assembléia geral,
desde que: I - os empregados não estejam submetidos a regime de
trabalho prorrogado; e II - o estabelecimento empregador atenda às
exigências concernentes à organização dos
refeitórios e demais normas regulamentadoras de segurança
e saúde no trabalho” (art. 1.º). Acrescenta que “a
convenção ou acordo coletivo deverá conter cláusula
que especifique as condições de repouso e alimentação
que serão garantidas aos empregados, vedada a indenização
ou supressão total do período” (art. 2.º). Prevê o
sistema de fiscalização: “A Fiscalização
do Trabalho, a qualquer tempo, verificará in loco as condições
em que o trabalho é exercido, principalmente sob o aspecto da
segurança e saúde no trabalho e adotará as medidas
legais pertinentes a cada situação encontrada” (art.
3.º). E, finalmente, estabelece o procedimento de suspensão
do horário reduzido: “O descumprimento das condições
estabelecidas no art. 1.º, bem como de quaisquer outras adicionais
estabelecidas na convenção ou acordo coletivo, ensejará a
suspensão da redução do intervalo até a devida
regularização” (art. 4.º).
Competência: O Ministro utilizou-se da competência contida
no artigo 87, parágrafo único, incisos I e II, da Constituição
Federal. Basicamente, alicerçou-se no inciso II: “expedir instruções
para a execução das leis, decretos e regulamentos”. No
caso concreto, trata de instruções sobre o artigo 71 da CLT que
prevê, para jornada superior a seis horas diárias, intervalo mínimo
de uma e máximo de duas horas (salvo acordo ou convenção
coletiva de trabalho). Mas o parágrafo 3.º do art.71 permite ao
Ministro do Trabalho reduzir o limite mínimo de uma hora para repouso
ou alimentação. A Portaria 42 dispensa os pedidos administrativos
de redução do intervalo da intrajornada, revogando a Portaria
n.º 3.116, de 03 de abril de 1989, substituindo essa normativa pelo acordo
ou convenção coletiva de trabalho, obrigando as empresas a firmar
acordo coletivo de trabalho e das entidades sindicais empresariais firmarem
cláusula de convenção coletiva de trabalho para o setor
específico.
Avanço significativo: ao deslocar a possibilidade
de redução do intervalo da intrajornada de trabalho para
o acordo ou convenção coletiva de trabalho, o Ministro
de Trabalho avança significativamente no âmbito das relações
de trabalho entre as entidades sindicais de trabalhadores e empregadores.
Mantendo a ação fiscalizadora e a possibilidade de suspensão
da norma, o Ministério do Trabalho ao mesmo tempo que simplifica
o procedimento, reveste o ato de normatividade jurídica entre
partes interessadas, mas mantém o seu poder de intervir no caso
de abuso ou irregularidade. Por evidente, muitas questões serão
suscitadas a partir dessa diretriz, desde a negativa de negociação
pela entidade sindical dos trabalhadores, até o impasse na negociação,
ou de dificuldades para o registro do termo na Delegacia Regional do
Trabalho. Tratando-se de acordo ou convenção coletiva
de trabalho todas as regras relativas aos procedimentos negociais terão
que ser seguidos, sob pena de nulidade do ajuste firmado entre as partes
interessadas. Há, ainda, a possibilidade de que os trabalhadores
rejeitem a condição, inviabilizando a negociação.
Decisão do TST: Nessa linha de admitir que
empregados e empregadores firmem cláusulas sobre a jornada de
trabalho, o Tribunal Superior do Trabalho vem decidindo manter as normas
dos instrumentos coletivos. Eis recente decisão (de 2006) que,
embora oriunda de processo específico de categoria diferenciada
movido pelo Ministério Público do Trabalho, tentando
a anulação de cláusula de acordo coletivo de trabalho,
analisa a negociação coletiva em relação às
condições de intervalo intrajornada: EMENTA: “ACORDO
COLETIVO DE TRABALHO - CATEGORIA PATRONAL E PROFISSIONAL DE TRANSPORTE
RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS - INTERVALO INTRAJORNADA -”PEGADA” -
VALIDADE - (RECURSOS ORDINÁRIOS DOS SINDICATOS PATRONAL E PROFISSIONAL).
A cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho demonstra seu escopo
de adequar os intervalos para repouso e alimentação àqueles “estabelecidos
pelos órgãos fiscalizadores das concessões e permissões
de transportes coletivos”, porque específicos da categoria,
ainda que em prejuízo da regra-geral do art. 71 da CLT. Sensibiliza
o argumento de que, a exemplo das atividades profissionais dos ferroviários
e dos aeronautas, o trabalho dos profissionais que atuam no transporte
rodoviário de passageiros tem particularidades que merecem o
estabelecimento de regras próprias. Daí por que, na constatação
dessa lacuna, prestigia-se o instrumento normativo lavrado com fundamento
na autonomia privada coletiva. Cumpre valorizar a negociação
coletiva, como forma de incentivo à autocomposição
dos conflitos pelos próprios interessados. Renegar sua validade
implica afrontar o art. 7.º, XXVI, da Constituição
da República, que veio prestigiar o acordo e a convenção
coletiva como instrumentos aptos a dirimirem dúvidas e conflitos
sobre condições particulares de trabalho e de salário,
definidas pelos próprios interessados, por intermédio
de suas legítimas representações sindicais. Recurso
ordinário dos sindicatos patronal e profissional providos para
restabelecer a cláusula. (Diário da Justiça Seção
1 n.º 173, sexta-feira, 8 de setembro de 2006 Processo ROAA-28.017/2001-909-09-00.2
9.ª Região - AC. SDC, Relator Ministro Milton de Moura
França).
OJ 342,SDI-1,TST: Impõe-se, assim, a revogação
da Orientação Jurisprudencial n.º 342, da SDI-1, do TST: “342.INTERVALO
INTRAJORNADA PARA REPOUSO E ALIMENTAÇÃO. NÃO CONCESSÃO
OU REDUÇÃO. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. VALIDADE. DJ 22.06.2204. É inválida
cláusula de acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando
a supressão ou redução do intervalo intrajornada porque
este constitui medida de higiene, saúde e segurança do trabalho,
garantido por norma de ordem pública (art.71 da CLT e art.7.º,
XXII, da CF/1988), infenso à negociação coletiva”(no
mesmo sentido, a linha jurisprudencial do TRT.PR, seguindo a orientação
do TST).
****Conselho Estadual do Trabalho: O experiente dirigente
sindical e especialista em economia do trabalho Carlos Zimmer, diretor
da Federação dos Bancários do Paraná e
Secretário Executivo da Coordenação das Federações
dos Trabalhadores, foi eleito para a presidência do Conselho
Estadual do Trabalho, órgão responsável por discutir
e deliberar sobre as políticas públicas de trabalho,
integrado paritariamente por representantes das entidades sindicais
dos trabalhadores, empregadores e do poder público. Zimmer destacou
que manterá a política de consenso nas atividades do
organismo, aprofundará as políticas de geração
de trabalho, emprego e renda, fortalecendo os Conselhos Municipais
de Trabalho, além de buscar reimplantar a Universidade Popular
do Trabalho e fixar parcerias com o Observatório do Trabalho.
A prioridade para a política do trabalho estará ligada
diretamente com os procedimentos de qualificação educacional-profissional
como uma das metas básicas do Conselho.
Agenda dos Trabalhadores pelo Desenvolvimento: Encaminhado
pelo secretário regional da CNTI no Paraná e presidente
da Fetraconspar Geraldo Ramthun, o documento elaborado pelas Centrais
Sindicais e organizado em quatro âmbitos (1) a desigualdade e
a concentração de renda (2) desemprego e mercado do trabalho
(3) a capacidade do Estado em promover o desenvolvimento (4) a democracia
e a participação social. Segue a linha de defesa de uma
política econômica que favoreça o crescimento,
a distribuição de renda e o aumento da capacidade de
investimento do setor público e privado, implementando política
de juros decrescentes, de tratamento pertinente da dívida pública
interna e de equilíbrio do câmbio e do fluxo de capitais.
No que se refere às relações de trabalho, o texto
aponta como fundamento a promoção do trabalho decente
e de negociação coletiva. Excelente contribuição
das entidades sindicais dos trabalhadores visando fazer avançar
o importante debate sobre as questões econômicas e sociais
neste momento do início do segundo governo do Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.Já na segunda-feira, dia 16, o Ministro
do Planejamento Paulo Bernardo, pronunciou palestra esclarecendo os
detalhes e desenvolvimento do Plano de Aceleração do
Crescimento, em evento patrocinado pela Associação Comercial
do Paraná, diretoria dos Correios no Paraná, Universidade
Federal, Pontifícia Universidade Católica, Central Única
dos Trabalhadores.
Globalização, trabalho e renda: O jornal Valor Econômico,
edição de 11.04.07, publica artigo do jornalista do Financial
Times Martin Wolf analisando que “dois fatos relativos ao mercado de
trabalho nos países de alta renda revelaram-se particularmente relevantes
nas últimas duas a três décadas: globalização
e diminuição na participação da renda do trabalho
no produto interno bruto (PIB)”, com base em relatório do Fundo
Monetário Internacional. Algumas conclusões do estudo assinalam
aspectos da mão-de-obra empregada mundialmente que quadruplicou ao longo
das últimas duas décadas, e o maior impacto resultou do comércio;
a participação da renda do trabalho encolheu face o PIB no países
de alta renda; a globalização como causa dessa redução
e o impacto da tecnologia; e a redução do custo da mão-de-obra
e a ampliação da flexibilização do mercado de trabalho.
Revista Bonijuris: em circulação a Revista Bonijuris (ano XIX,
n.º 521, abril/2007) com doutrina, acórdãos de inteiro teor,
ementário de jurisprudência, legislação. Dentre
as decisões transcritas destaca-se a do juiz do TRTPR Dirceu Pinto Junior: “Indenização
por dano moral. Condições de trabalho inadequadas.O trabalhador
rural que presta serviço a céu aberto sem observância às
normas de higiene do trabalho, isto é, sem instalações
apropriadas para refeições e descanso e também sem qualquer
tipo de instalação sanitária, fica exposto a situação
ultrajante, que afronta a sua dignidade e desrespeita a sua intimidade. Consubstanciado
o dano moral, é devida a indenização daí decorrente” (TRT/9.ª.
00050-2006-093-09-00-6. DJPR 09.02.2007).
Edésio Passos é advogado e ex-deputado
federal (PT/PR).edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 21 de abril de 2007 | Economia
Lula: ´só bomba atômica
de pessimismo´ impede crescimento
" O País precisava de um pouco
de seriedade, precisava de alguém que não pensasse apenas
num mandato de quatro anos, mas nas gerações"
Leonencio Nossa
ANÁPOLIS - O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 20, que "só uma
bomba atômica de pessimismo" impediria o Brasil de entrar
no grupo de países desenvolvidos. A declaração foi
feita na inauguração de uma fábrica de veículos
da Hyundai, em Anápolis, cidade goiana situada a 150 quilômetros
de Brasília.
Na ocasião, Lula afirmou
que o ajuste fiscal feito pelo seu governo, em 2003, garantiu a solidez
e a estabilidade da economia. "Às vezes, tinha-se a impressão
de que o Brasil não ia dar certo, tamanha a desilusão (que
havia). O que acabou acontecendo, de fato e de direito, é que
o País precisava de um pouco de seriedade, precisava de alguém
que não pensasse apenas num mandato de quatro anos, mas nas gerações",
afirmou, fazendo a ressalva de que não estava se referindo apenas
ao presidente da República.
Depois, Lula falou da importância
de se investir em educação e na capacitação
de mão-de-obra. Disse que os jovens que cometem crimes, hoje,
nas grandes cidades, são "filhos das desventuras econômicas" das últimas
três décadas.
O presidente citou como uma das
medidas de seu governo em favor da juventude o Programa Universidade
para Todos, do Ministério da Educação (Prouni),
que distribui bolsas de estudo para alunos carentes.
Segundo Lula, uma pesquisa feita
pelo MEC mostrou que, em 14 cursos de Engenharia, Medicina e Psicologia
no País, os alunos com desempenho mais positivo foram justamente
os que haviam recebido bolsa de estudos. "A inteligência está ligada à oportunidade",
concluiu o presidente.
A Assessoria de Imprensa
da Presidência da República havia reservado um espaço
com microfone para uma entrevista de Lula, mas ele deixou a fábrica
de veículos sem falar com jornalistas e retornou a Brasília.
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Redação 24HorasNews,
23 de abril de 2007
Trabalhadores farão manifestações
no dia das vítimas de acidentes do trabalho
O Dia Mundial em Memória
das Vítimas de Doenças e Acidentes do Trabalho, no dia
28 de abril, será marcado por várias manifestações
envolvendo trabalhadores, entidades e sociedade civil de todo o país.
A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina
do Trabalho (Fundacentro), órgão vinculado ao Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE), preparou uma série de atividades - em conjunto
com os ministérios da Previdência Social e da Saúde e representantes
das centrais sindicais e de entidades voltadas à saúde do trabalhador
- nos 13 estados em que atua.
Estudo do Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID) na América Latina mostra que ocorrem
entre 20 e 27 milhões de acidentes de trabalho na região,
dos quais 90 mil fatais. Pelo levantamento, 250 pessoas morrem por dia
e de 40 a 50 acidentes acontecem a cada sete minutos nos ambientes de
trabalho.
Dados publicados em dezembro
de 2006, em artigo do International Journal of Occupational Health, mostram
que os países da América Latina e do Caribe chegam a gastar,
em média, 10% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) com acidentes
de trabalho.
No Brasil, em 2002, apontava-se
para uma estimativa de R$ 32 bilhões de recursos perdidos em agravos
decorrentes dos acidentes de trabalho. Pesquisa do Ministério
da Saúde indica que, no Brasil, entre 1999 e 2003, foram registrados
1.875.190 acidentes de trabalho, dos quais 15.293 resultaram em morte
e 72.020 em incapacidade permanente.
O quadro, nos demais países,
mesmo nos considerados desenvolvidos, não é menos grave.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT),
ocorrem anualmente, em todo o mundo, cerca de 450 milhões de acidentes
e doenças do trabalho.
A principal delas acontece no
dia 26 de abril, na Assembléia Legislativa de São Paulo,
quando serão debatidos dois temas: o Crescimento Econômico
e a Saúde do Trabalhador e a Mídia e a Saúde do
Trabalhador. As inscrições são gratuitas e podem
ser feitas no site www.fundacentro.gov.br .
Dia Mundial - O dia oficial
da segurança e saúde no trabalho foi instituído
pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2003.
O movimento teve início em 1996, no Canadá, chegando
a vários países por meio de entidades sindicais, federações,
confederações locais e internacionais, entre elas a Confederação
Internacional das Organizações Sindicais Livres (CIOLS)
e o Conselho Sindical da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (TUAC/OCDE).
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/04/2007
Empregado chamado de “cavalo paraguaio” será indenizado
“Cavalo paraguaio, burro
e incompetente”, eram alguns dos adjetivos usados por uma supervisora
da empresa Softway Contact Center Serviços de Teleatendimento
S/A para qualificar seu subordinado, quando este não alcançava
a meta de vendas traçada pela empresa. Pelo tratamento ofensivo,
considerado assédio moral, a empresa foi condenada a pagar ao
ex-empregado humilhado R$ 6 mil a título de indenização
por danos morais. A decisão, proferida pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina), foi mantida pela
Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A ação trabalhista
foi proposta em novembro de 2005 por um operador de telemarketing da
Softway. Segundo contou em seu depoimento, ele decidiu pedir demissão
do emprego depois de ter sido mandado de volta para trabalhar com a turma
dos aprendizes, mesmo tendo mais experiência, passando a ser alvo
de gozações por parte de seus colegas.
Disse que era obrigado a participar
de reuniões diárias com supervisores de equipe, ocasião
em que era cobrado desempenho nas vendas. Nessas reuniões, segundo
o empregado, os supervisores costumavam insultar os componentes da equipe,
chamando-os de “incompetentes, idiotas, e burros”, sempre
que o desempenho nas vendas não era satisfatório . Disse,
ainda, que uma supervisora tinha por costume colocar os últimos
colocados da equipe para dançar “a dança do Piripiri”,
chamando-os de “cavalos paraguaios”.
A Vara do Trabalho de Florianópolis
(SC) considerou procedente o pedido de indenização por
danos morais, condenando a empresa a pagar ao empregado R$ 80 mil. A
Softway, insatisfeita, recorreu da decisão pedindo a redução
do valor da condenação para R$ 1 mil.
O Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (SC) considerou alto o valor da condenação,
reduzindo-o para R$ 6 mil. Segundo o acórdão, quando se
trata de fixar o valor da condenação em danos morais, o
juiz deve considerar a repercussão econômica, a dor causada
e o grau de culpa do ofensor, além de levar em conta os critérios
de prudência e bom senso, analisando o nível econômico
da vítima e o porte financeiro da empresa ofensora, evitando que
a indenização seja motivo de enriquecimento sem causa por
parte do ofendido.
A Softway ainda considerou injusta
a decisão e recorreu ao TST, pleiteando a exclusão da condenação
ou a redução do valor. Argumentou que a decisão
feriu o artigo 5º, II, da Constituição Federal, pois
não há regulamentação específica no
ordenamento jurídico brasileiro quanto ao assédio moral.
O relator do processo no TST,
ministro Renato de Lacerda Paiva, negou provimento ao agravo de instrumento
da empresa. Segundo o ministro, a indenização por dano
moral está prevista expressamente no artigo 5º, X, da Constituição,
dessa forma, pouco importa se o prejuízo decorreu de assédio
moral ou qualquer outro tipo de conduta lesiva do empregador. O imprescindível é a
caracterização da ação ou omissão
que viole a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem do empregado,
independentemente de ser tal comportamento caracterizado como assédio
moral ou não. “O assédio moral é um tipo de
conduta dolosa ensejadora do dano moral e, portanto, prescinde de regulamentação
específica”, destacou o relator. (AIRR - 8498/2005-026-12-40).
(Cláudia Valente)
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23/04/2007
Falta de intimação pessoal
anula sentença trabalhista
Pelo fato de não ter sido
intimada pessoalmente para comparecer a audiência, uma das partes
em um processo trabalhista teve anulada a pena de “confissão
ficta”, em recurso julgado pela Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho. O voto, aprovado por unanimidade, foi proposto pelo ministro
Aloysio Corrêa da Veiga, ao analisar recurso sobre decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo).
A empresa Cadeiras Mesas e Companhia
Ltda recorreu, inicialmente, ao TRT de São Paulo na tentativa
de rever sentença em ação movida por um ex-empregado.
Por haver faltado a uma audiência, foi-lhe imputada pena de confissão
ficta – termo usado para o caso em que, tendo sido intimada, a
parte não comparece nem apresenta defesa e, assim, admitem-se
como verdadeiros os fatos sobre os quais deveria se manifestar.
Nas razões apresentadas
para sustentar a nulidade da sentença por cerceamento de defesa,
a empresa alegou que a audiência de conciliação e
julgamento foi adiada por tempo intedeterminado, a fim de que fosse apreciada
questão sobre litispendência e, após esta ter sido
resolvida, foi determinada nova audiência, na qual seriam tomados
os depoimentos pessoais. Entretanto, houve notificação
oficial apenas do advogado, não sendo expedida intimação
pessoal para o preposto da empresa. O TRT negou provimento ao recurso,
levando-a a recorrer ao TST.
A situação foi
assim resumida pelo ministro Aloysio Corrêa da Veiga: “Discute-se
nos autos se a parte deve ser pessoalmente intimada da audiência
de prosseguimento na qual deve prestar depoimento ou se a intimação
exclusiva do advogado, mediante publicação na Imprensa
Oficial, supre a audência de intimação pessoal”.
Para o ministro, essa intimação “deve
ser endereçada diretamente à parte, visto que irá prestar
depoimento pessoal sobre matéria de fato na audiência de
instrução e julgamento”.
Em seu voto, o relator cita o
artigo 343 do Código de Processo Civil, também aplicado
na Justiça do Trabalho, que estabelece: “A parte será intimada
pessoalmente, constando do mandado que se presumirão confessados
os fatos contra ela alegados, caso não compareça ou, comparecendo,
se recuse a depor”. (RR 2445/1995 –030-02-00.5)

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