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Agência Senado, 24
de abril de 2007
Paim alerta para alto índice
de acidentes de trabalho no país

O senador Paulo Paim (PT-RS) destacou reportagem da última edição
da Revista do Brasil mostrando que os acidentes de trabalho no Brasil afetam,
por ano, meio milhão de pessoas e matam cerca de três mil. Os
dados citados na reportagem, informou o senador, são do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) e significam um aumento de 5,6% no número de
ocorrências - uma média de uma por minuto - entre 2004 e 2005.
- Precisamos adotar ações
mais unificadas e de âmbito nacional para termos um diagnóstico
de todos os riscos que envolvem os ramos produtivos, tanto no campo quanto
na cidade - afirmou.
Paim citou ainda estudo da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), intitulado Trabalho Decente - Trabalho Seguro, que registrou 2.708 mortes
por acidentes profissionais na zona urbana em 2005. A construção
civil é o ramo de atividade a liderar esses episódios.
Alarmado por esse cenário,
o senador propôs a realização de audiência
pública conjunta entre a Comissão de Direitos Humanos (CDH)
e a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para debater as doenças
laborais e os acidentes de trabalho no Brasil. Também solicitou
um debate específico sobre a situação dos trabalhadores
nos canaviais, às voltas com mutilações, lesões
e mortes causadas por esforço excessivo.
Outra reivindicação
do parlamentar é a aprovação de projeto de lei de
sua autoria (PLS 86/03) que tem por objetivo fortalecer as Comissões
Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas). Em aparte,
o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) informou que está na pauta
de votações da Comissão de Agricultura da Câmara
dos Deputados, essa semana, projeto de sua autoria que reduz de 60 quilos
para 30 quilos o peso máximo que o trabalhador pode carregar.
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Agência Senado, 24
de abril de 2007
CAS vota projetos que incentivam
contratação de trabalhadores com mais de 40 anos

Nesta quarta-feira (25) a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) deverá analisar
parecer do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) a cinco projetos
de lei do Senado que tramitam em conjunto e garantem benefícios fiscais
a empresas com o intuito de incentivar a contratação de trabalhadores
com mais de 40 anos de idade. A reunião da CAS terá início às
11h.
O relator rejeitou quatro das
propostas - PLS 103/03, 461/03, 83/05 e 178/05 -, mas foi favorável
ao projeto de autoria do senador Jefferson Péres (PDT-AM) que
garante incentivos fiscais a pessoas jurídicas que possuam no
mínimo 30% dos empregados com idade superior a 40 anos (PLS 103/99).
De acordo com a proposição, as empresas poderão
deduzir do lucro tributável, para fins de cálculo do Imposto
de Renda, até 25% do montante dos salários e encargos sociais
pagos a seus empregados, observado o limite de 15% do lucro antes de
computada a referida dedução.
Outra matéria que consta
da pauta da CAS desta quarta-feira é o projeto de autoria do senador
Osmar Dias (PDT-PR) que estabelece prioridades na aplicação
de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). A proposta determina que, no mínimo, 85% dos recursos
disponíveis do BNDES sejam destinados ao financiamento em empresas
de capital nacional. O relator da matéria, senador Fernando Collor
(PTB-AL), é favorável à proposta (PLS 35/07) nos
termos de um substitutivo. O texto de Collor prevê que aquele percentual
mínimo deve ser aplicado no financiamento de pessoas jurídicas
de direito privado, cujo capital social pertença majoritariamente
a brasileiros, e de entidades de direito público interno.
Também faz parte
da pauta requerimento dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Ideli Salvatti
(PT-SC) de audiência pública conjunta com a Comissão
de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH)
para debater a Emenda 3, apresentada ao projeto de lei que criou a
Receita Federal do Brasil - a Super-Receita. A emenda foi aprovada
pelo Congresso e vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, mas há um movimento no Congresso para que o conteúdo
da emenda seja restaurado. A proposição trata da fiscalização
de contratos entre empresas e prestadores de serviços. A secretaria
da CDH já agendou a audiência para as 14h desta mesma
quarta-feira.
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Agência Senado, 24
de abril de 2007
Ministro do Trabalho vem ao Senado
discutir Emenda 3

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, vem ao Senado nesta quarta-feira
(25) para discutir com os parlamentares o veto presidencial à Emenda
3 apresentada ao projeto de lei que criou a Receita Federal do Brasil, a chamada
Super-Receita. O tema será debatido em audiência pública
conjunta das Comissões de Direitos Humanos e Legislação
Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS), conforme requerimento dos
senadores Paulo Paim (PT-RS) e Ideli Salvatti (PT-SC).
De acordo com a Emenda 3, apenas
a Justiça do Trabalho pode decidir se contratos entre uma empresa
e uma pessoa jurídica formada por apenas uma pessoa escondem na
verdade uma relação trabalhista - e determinar a punição
em tais casos. A medida, assim, impede que os auditores fiscais desempenhem
essa função.
A lei que criou a Super-Receita
(Lei 11.457), sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva no dia 16 de março, unificou as Secretarias da Receita
Federal e da Receita Previdenciária, mas a Emenda 3, apresentada
pelo Congresso Nacional ao projeto, foi vetada pelo Executivo. A audiência
pública está prevista para ter início às
14h, na sala 2 da ala senador Nilo Coelho - Anexo II do Senado.
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Diário Vermelho, 24
de abril de 2007
O caráter histórico
da luta contra a "Emenda 3"
Os atos e manifestações desta segunda-feira (23) contra a "Emenda
3" podem ser creditados na conta da luta histórica do trabalho
contra o capital. Eles são apenas uma parte dessa batalha que começou
há muito tempo.
As paralisações
e os protestos ocorridos nesta segunda feira (23) foram uma clara demonstração
de apoio dos trabalhadores ao veto presidencial à “Emenda
3”. A amplitude do movimento que se alastrou pelo país serve
de alerta para a gravidade da situação. Convocados pelas
centrais, estes atos se inserem numa luta que pode ser definida como
secular. A tentativa de restringir direitos trabalhistas faz parte de
um conflito de classes permanente, que nos dias atuais implica em uma
disputa ideológica mais acirrada.
O discurso contra a legislação
trabalhista ganhou corpo com o aparecimento de várias propostas
destinadas a ''reformar'', com intensidades variadas, a CLT e a Constituição
desde que os liberais assumiram o poder no Brasil — primeiro com
Fernando Collor de Mello e depois com Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Apesar de apresentar sinais de mutilação, a legislação
trabalhista se manteve graças à luta dos trabalhadores
contra o neoliberalismo.
Lutas heróicas
Na prática, o patronato
vem tentando restabelecer a ordem criada com o golpe militar de 1964,
que inaugurou a gestão econômica do país por meio
de uma tecnocracia a serviço dos negócios privados dentro
do Estado. Ali os trabalhadores sofreram uma extensa e profunda derrota.
Recuperamos terreno nos anos 80, principalmente na Assembléia
Nacional Constituinte de 1988, quando foram consagradas muitas conquistas
pelos quais os trabalhadores lutam desde os primeiros passos da revolução
industrial em nosso país. Graças a elas, o capitalismo
no Brasil foi obrigado a adotar uma lógica menos selvagem.
É preciso perceber, evidentemente,
que nem tudo na legislação trabalhista é acerto.
Mas é preciso perceber também que nem tudo é fracasso.
O fundamental é entender que nossas leis trabalhistas são
a síntese do embate entre capital e trabalho que atravessou todo
o século 20 e refletem nossas vitórias e derrotas. Até os
anos 40, os trabalhadores empregaram lutas heróicas e, aos trancos
e barrancos, foram arrancando conquistas aqui e ali. Pode-se afirmar
que as refregas das três primeiras décadas daquele século
representaram verdadeiras aulas de organização em sindicatos
e federações, e inculcaram a primeira noção
de força nos trabalhadores brasileiros.
Estado algemado
Quando o governo do presidente
Getúlio Vargas instituiu a CLT, no dia 1º de maio de 1943,
ele reuniu em um sistema único todas as leis trabalhistas aprovadas
anteriormente. Grande parte delas são artigos que devem ser avaliados
como importantes conquistas e que nunca foram aceitas pelo capital. Até hoje,
os traços positivos e negativos da CLT — apesar das importantes
correções feitas pela Constituição de 1988 — persistem
e são reflexos das conquistas e das derrotas dos trabalhadores
ao longo deste embate histórico. Hoje, estamos escrevendo mais
um capítulo desta história.
O Estado brasileiro, profundamente
contraditório devido aos contrastes sociais e às acirradas
disputas de classes, ao longo desse tempo teve de abandonar sua postura
de representar exclusivamente o capital — e uma pequena e poderosa
elite — e absorver elementos democráticos para sua relação
com o trabalho. Nos anos 90, com a “era FHC” o Estado foi
algemado pela ideologia liberal e sofremos novos reveses. Além
do medíocre crescimento da economia, instauraram-se reestruturações
produtivas, terceirizações, reengenharias — processos
que forçaram a redução do quadro de pessoal e a
precarização das relações de trabalho.
A volta à escravidão
Quem ficou empregado teve suas
atribuições aumentadas e passou a trabalhar muito mais.
Quem saiu foi obrigado a procurar alternativas menos rentáveis
e mais cansativas, na busca de brechas no mercado informal. Como o país
não saiu do atoleiro econômico no qual a “era FHC” o
conduziu, mais uma vez o patronato tenta descarregar a crise nas costas
dos trabalhadores — atribuindo os percalços do país à nossa
legislação trabalhista. O trabalhador brasileiro, no entanto,
acumula uma jornada de 44 horas semanais, contra uma média de
41,3 no Japão e 40 nos Estados Unidos. O custo por hora trabalhada
na indústria de transformação brasileira é de
cerca de 3 dólares. Na Coréia do Sul é de aproximadamente
4 dólares, no Japão 13 dólares e nos Estados Unidos
15 dólares.
Esses números afastam
a idéia de um brasileiro que trabalha pouco e custa muito — o
famigerado ''custo Brasil'' — e de um país que não
sai da marcha lenta em decorrência das amarras impostas pela
legislação trabalhista. A questão é que
o cenário político nacional está permeado por
interesses que se conflitam. Muitos desses interesses estão
dentro do próprio Estado. Mesmo no governo existem aqueles que
defendem a velha máxima de que governar é como tocar
violino: a gente pega com a esquerda e toca com a direita. Aos trabalhadores
cabe a tarefa de impedir a abolição de direitos em nosso
país — o que equivaleria a remeter uma parcela dos trabalhadores
de volta à escravidão. Nesse ritmo, os liberais brasileiros
tentarão chegar à ''reforma'' da Lei Áurea. Por
Wagner Gomes, vice-presidente da CUT.
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Agência Diap, 24 de
abril de 2007
DIREITO TRABALHISTA
Comissão vota projeto sobre
demissão por justa causa
O substitutivo do Senado ao projeto de lei (PL) nº 5.920/90, que dispõe
sobre o processo nas ações que envolvam demissão por justa
causa, está na pauta da Comissão de Constituição
Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O projeto, que é de
autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), recebeu alterações no
Senado e retorna à Câmara em forma de substitutivo.
O relator na CCJ é o deputado
Vicente Arruda (PSDB/SE). O parecer do deputado é pela constitucionalidade,
juridicidade, técnica legislativa, com subemenda, e, no mérito,
pela aprovação do substitutivo do Senado Federal.
Judiciário
Outro projeto de lei que está na
pauta da comissão e o PL n° 6.422/02, do deputado licenciado,
Alberto Fraga (DEM/DF). O projeto determina a obrigatoriedade do cumprimento
de penas em estabelecimento penal exclusivo para policiais e membros
da Magistratura ou Ministério Público condenados à pena
restritiva de liberdade.
O relator da matéria é o
deputado Paes Landim (PTB/PI) e seu parecer é pela constitucionalidade,
juridicidade e técnica legislativa, com substitutivo, e, no
mérito, pela aprovação. A reunião da CCJ
acontece nesta terça-feira, 24/04, no plenário 1, do
anexo II das Câmara dos Deputados, partir das 14h.
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Folha
de São Paulo, 24 de abril de 2007
Lula bate recorde e gasta mais de R$ 1
bilhão em publicidade
Valor representa soma de despesas da administração
direta e indireta em 2006 | Ministro Franklin Martins (Secom) diz que
os números "refletem uma presença forte das estatais" que
têm de competir no mercado
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva bateu seu próprio recorde e os gastos com propaganda
estatal federal passaram de R$ 1 bilhão pela primeira vez na
história do Brasil em 2006. O valor consumido pelos órgãos
da administração direta e indireta sob o comando do PT
chegou a R$ 1.015.773.838.
Essa soma é divulgada
pelo governo federal para o setor de publicidade estatal. A contabilidade
unificada começou em 1998. Para períodos anteriores não
há cifras disponíveis.
Segundo o ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação
Social), os números da publicidade "refletem uma presença
forte das estatais, pois estão entre as maiores do Brasil e precisam
competir no mercado". A Secom deve divulgar todos os dados referentes
a 2006 nesta semana, na internet (www.planalto.org.br).
As tabelas mostrarão
que, nos anos (para os quais há dados disponíveis) em
que Fernando Henrique esteve no Palácio do Planalto, o maior
gasto do tucano se deu em 2001, com um investimento de R$ 953,7 milhões
-a Secom corrigiu essa cifra pelo IGPM, da Fundação Getulio
Vargas.
Sob FHC, os valores sobem e
descem de um ano para o outro. Com a chegada de Lula ao Planalto, os
valores não param de subir. No seu primeiro ano, em 2003, o
petista foi modesto. Investiu R$ 667,6 milhões, menos do que
em todos os anos anteriores com FHC. Os gastos subiram para R$ 956,1
milhões em 2004. No ano seguinte, quando estourou o esquema
do mensalão, o governo usou R$ 963 milhões em propaganda.
Para chegar ao recorde de R$
1,015 bilhão no ano passado, Lula teve de fazer gastos concentrados
no primeiro semestre e nos últimos dois meses do ano passado
-pois durante a fase eleitoral há restrições legais à publicidade
estatal. É raro um político aumentar seus investimentos
publicitários oficiais em anos de eleição.
Valor total é maior
Não é possível
saber de maneira completa quanto o governo gasta com propaganda. As
cifras divulgadas não incluem o dinheiro usado em publicidade
legal (editais e balanços). Também não são
conhecidos os custos de produção dos comerciais (pagos à parte
para as agências). Além disso, o principal buraco negro
na área de marketing estatal são os patrocínios.
A Folha apurou que em 2006 a publicidade legal ficou em torno de R$
90 milhões para o erário.
O custo de produção
gira em torno de 20% do total pago pela veiculação dos
anúncios. Nesse caso, seriam mais aproximadamente R$ 203 milhões.
A conta publicitária de Lula sobe, dessa forma, para R$ 1,308
bilhão em 2006. Mas fica ainda faltando o valor dos patrocínios
-financiamentos que vão para bandinhas do interior até a
equipes nacionais de vôlei e outros esportes olímpicos.
Todas essas ações têm também um caráter
propagandístico. A Folha ouviu no governo, em caráter
reservado, estimativas díspares a respeito do patrocínio
federal -de R$ 300 milhões até R$ 1 bilhão por
ano. O governo se recusa a fornecer esses dados.
A razão para não
abrir as informações é que os dados seriam vitais
para o funcionamento de estatais que concorrem com a iniciativa privada,
como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Os bancos
concorrentes também não revelam gastos com patrocínio.
As estatais federais
são historicamente responsáveis pela maior parte das
verbas federais de publicidade. No ano passado, as empresas do governo
que disputam o mercado com a iniciativa privada consumiram R$ 775,2
milhões -76,3% da verba lulista total em propaganda.
Esse percentual também é outro recorde de Lula. Nos anos FHC,
as estatais chegaram a responder por, no máximo, 65,4% do valor gasto
em publicidade (em 1999).
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Folha
de São Paulo, 24 de abril de 2007
Marinho deve pôr aliado da CUT no
INSS
Ministro da Previdência deve tirar técnico
da chefia do órgão e nomear professor da Unicamp e ex-assessor
da central | Presidente de associação de servidores públicos
da área alerta para "risco de acontecer aparelhamento da
CUT no INSS"
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro da Previdência,
Luiz Marinho, deverá anunciar hoje o nome do novo presidente
do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A Folha apurou que o
secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Marco
Antônio de Oliveira, deverá ocupar o cargo que, até agora,
estava sob responsabilidade do auditor fiscal Valdir Moysés
Simão.
O Ministério da Previdência
não confirmava até o início da noite a nomeação
de Oliveira, mas informou que Simão foi convidado pelo secretário-executivo
do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, a integrar a equipe
da Super-Receita. Machado foi para a Fazenda no troca-troca da reforma
ministerial. Até então, ele comandava a Previdência.
Oliveira é professor
da Unicamp e foi assessor econômico da CUT (Central Única
dos Trabalhadores). No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, ele foi secretário-adjunto de Relações
do Trabalho e um dos responsáveis pelas negociações
da reforma sindical. Na época, a secretaria era tocada por Osvaldo
Bargas, amigo do presidente Lula e um dos envolvidos no escândalo
que eclodiu durante a campanha presidencial do dossiê contra
integrantes do PSDB.
Categorias de servidores públicos
da Previdência temem que a saída de Simão possa
representar o início do aparelhamento sindical do ministério,
principalmente pela CUT, já que Marinho foi presidente da central
antes de fazer parte do governo. Essa será a primeira mudança
de equipe a ser anunciada pelo ministro Marinho desde que foi nomeado
para a Previdência.
O presidente da Associação
Nacional dos Médicos Peritos da Previdência, Eduardo Henrique
Rodrigues de Almeida, afirma que Simão, por seu perfil técnico,
era um ponto de resistência a qualquer movimento político-sindical. "Existe
o temor. Há um risco pairando de acontecer um aparelhamento
da CUT no INSS", declara Almeida.
Segundo ele, a central pressiona
o INSS a afrouxar as regras de concessão de benefícios
por incapacidade, como o auxílio-doença. "Eles querem
regras menos rígidas particularmente por causa dos bancários,
que é uma categoria muito forte na base da central. E os bancários
sofrem muito com seus patrões", relata o presidente da
associação.
Na avaliação
dele, com uma eventual ocupação do INSS pela CUT seria
mais fácil flexibilizar as regras dos benefícios, desprofissionalizando
o trabalho da perícia médica. "Somos vítimas
da pressão política, dos empresários, agora de
uma central de trabalhador é demais. Não acho que defender
uma categoria, que é a base do movimento deles, seja defender
a Previdência", afirma Almeida.
Para ele, dois requisitos
são necessários na escolha do presidente do INSS: ser
um quadro técnico e ter um bom relacionamento com o ministro
da pasta. "É fundamental estar afinado com o ministro.
Esperamos que pelo menos isso o novo presidente seja."
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
23 de abril de 2007
Comissão do Trabalho promove
debate sobre direito de greve
Iolando Lourenço/Agência
Brasil
Brasília - A regulamentação
do direito de greve nos serviços ou atividades essenciais será debatida
amanhã, a partir das 14 horas, em audiência pública
na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço
Público da Câmara dos Deputados. O requerimento para realização
do debate foi apresentado pelo deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA),
relator na comissão do projeto de lei, de autoria do então
deputado e hoje senador Paulo Paim (PT-RS). O projeto visa redefinir
os serviços considerados essenciais.
Foram convidados, e deverão participar da audiênica pública,
a procuradora-geral do Ministério Público do Trabalho, Sandra
Lia Simón; dirigentes de entidades empresárias e de entidades
sindicais, como os presidentes da Confederação Nacional da Indústria
(CNI), Armando Monteiro; da Confederação Nacional do Comércio
(CNC), Antônio de Oliveira Santos; e da Confederação Nacional
da Agricultura e Pecuária (CNA), Antônio Ernesto Werna de Salvo.
Também deverão participar do debate os presidentes da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique da Silva Santos; da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força; da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricltura (Contag), Manoel José dos Santos;
da Confederação Geral dos Trabalhadores, Antonio Carlos dos Reis
(Salim); e o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores
no Serviço Público (Condsef), Josemilton Maurício da Costa.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de abril de 2007
Empresários da indústria
otimistas
Agência Estado
São Paulo - Os empresários
da indústria brasileira continuaram otimistas com o setor em abril,
conforme apontou hoje a sondagem trimestral de opinião da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). No mês atual, o Índice
de Confiança do Empresário Industrial (Icei) atingiu 59,4
pontos, o que significou variação negativa de 0,7 ponto
sobre o resultado de janeiro (60,1 pontos) e alta de 3 pontos ante abril
de 2006, quando alcançou 56,4 pontos. De acordo com a metodologia
da CNI, valores acima de 50 pontos demonstram otimismo.
Segundo a entidade, o Icei se manteve “praticamente inalterado” ante
janeiro porque seus dois componentes variaram em direções opostas.
A variável de condições atuais, relacionada aos últimos
seis meses, aumentou de 51,2 pontos para 52,3 pontos entre janeiro e abril.
Já a expectativa para os próximos seis meses recuou de 64,5 pontos
para 62,9 pontos no mesmo período.
Na pergunta específica sobre a confiança na economia brasileira,
o indicador referente aos últimos seis meses cresceu de 48,9 pontos
em janeiro para 50,7 pontos em abril. Quando a indagação se referiu à própria
empresa, o otimismo sobre as condições atuais avançou
de 52,5 pontos para 53,2 pontos.
Quanto ao cenário para os próximos seis meses, o indicador que
mede a expectativa específica sobre a economia nacional caiu de 58,8
pontos para 57,8 pontos, no mesmo intervalo comparativo. A expectativa quanto às
atividades da própria empresa também mostrou queda expressiva,
de 67,3 pontos para 65,4 pontos.
Segmentos
No levantamento por segmentos, os que mantiveram o maior nível de otimismo
no Icei geral foram os de Refino de Petróleo (70,2 pontos), Álcool
(67,4 pontos), Farmacêutico (63,8 pontos), Veículos Automotores
(63,3 pontos) e Equipamentos Hospitalares e de Precisão (63,2 pontos).
Os dois únicos setores posicionados abaixo dos 50 pontos, ou seja, que
estão pessimistas, foram os de Madeira e o de Calçados, com Icei
de 46,5 pontos e 46,9 pontos, respectivamente.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de abril de 2007
Previdência dificulta aposentadoria
Joyce Carvalho
Foto: Chuniti Kawamura

Aposentados diante da Previdência: exigência de vínculo.
Assalariados rurais reclamam das dificuldades em conseguir a aposentadoria
por idade no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No ano passado, o órgão
exigia apenas documentos que comprovassem a atividade de lavrador. No entanto,
a edição da Medida Provisória 312 e da Lei 11.387/2007
alterou este regime. Agora, os lavradores precisam comprovar vínculo
empregatício e recolhimento para a Previdência Social.
Os agricultores atingidos por este problema se reuniram ontem em frente à sede
da Gerência Executiva de Curitiba do INSS, no centro da cidade. A categoria
formulou uma carta de reivindicações, que foi entregue para a
direção em Curitiba. A gerência encaminhou a carta ao Ministério
da Previdência Social e outros órgãos, conforme pedido
dos manifestantes. Eles promoveram um ato na Praça Santos Andrade.
A lavradora Rosa Trintade de Paula, da cidade de Tijucas do Sul, está enfrentando
dificuldades em comprovar a sua atividade. Ela tenta entrar com o pedido de
aposentadoria por idade no INSS há mais de dois anos. “Eles (INSS)
ficam dizendo que não sou lavradora, mas eu plantei a minha vida inteira.
A gente precisa muito disso e precisamos lutar pelo benefício”,
afirma Rosa, que participou do protesto de ontem.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do
Estado do Paraná (Fetaep), Ademir Mueller, explica que alguns lavradores
estão enfrentando ainda mais dificuldades em determinadas regiões,
como em Maringá, no noroeste do Estado. Os agricultores não conseguem
protocolar o pedido do benefício. Além disso, a fila de espera é de
3 a 4 meses, em média.
Mueller comenta que, até o ano passado, os assalariados rurais (bóias-frias
e diaristas) apenas precisavam comprovar a atividade para conseguir o benefício.
Isto era feito por meio de qualquer documento que descrevesse a função
de lavrador, como uma declaração de sindicato, inscrição
em cooperativa ou até mesmo certidão de casamento.
Com a nova lei, o INSS está cobrando dos lavradores o comprovante dos últimos
13 anos de vínculo empregatício e do recolhimento para a Previdência. “Muitos
lavradores não sabem nem para quem trabalharam na semana passada, pois
arranjam trabalho por meio dos “gatos’ (intermediários).
Eles não possuem qualquer tipo de documento para comprovar tudo isto”,
alega Mueller.
De acordo com ele, a informalidade no setor é muito grande. Chega a
70%, em média, em todos os Estados brasileiros. Mueller acredita que
a situação seja uma manobra do governo federal para passar a
responsabilidade dos benefícios dos assalariados rurais à assistência
social.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de abril de 2007
Reforma só para novos trabalhadores
Agência Estado
Foto: Arquivo/Agência
Brasil

Luiz Marinho: idéia é corrigir distorções e aberrações.
São Paulo - O ministro da Previdência, Luiz Marinho, disse ontem
que as mudanças que serão feitas na Previdência, que devem
ser apresentadas ao Congresso Nacional em setembro, após a finalização
do Fórum Nacional da Previdência, deverão valer apenas
para as pessoas que entrarem no mercado de trabalho. Segundo ele, a reforma
será discutida a longo prazo e, num curto prazo, a idéia é “corrigir
aberrações ou distorções” construídas
ao longo do tempo.
Como exemplos, Marinho voltou a citar as pensões por morte e os auxílios-doença,
que parecem ser os alvos principais do ministro. “No curto prazo vamos
resolver problemas de gestão, combater fraudes e corrigir algumas aberrações
e distorções que foram construídas ao longo do tempo”,
acrescentou ele, antes de participar da inauguração da nova agência
de atendimento da Previdência Social, em Santo Amaro, na Zona Sul da
capital paulista.
Para o ministro, as mulheres jovens e sem filhos que perdem seus maridos poderiam
ter direito a uma indenização. Ele insiste, entretanto, em debater
a manutenção de um benefício vitalício para as
viúvas. “Aparentemente, há uma distorção
nesta questão, mas se a sociedade quiser mantê-la, deve-se discutir
de que forma vamos fazer isso”, disse.
Outra distorção, classificada como “flagrante” pelo
ministro, são os casos de auxílio-doença em que o funcionário
afastado recebe benefícios maiores que seu salário na ativa. “Esta é outra
distorção flagrante que precisamos corrigir em um curto prazo”,
comentou.
Para o ministro, as questões “gritantes” relativas aos militares
já foram resolvidas na reforma anterior. “A pensão das
filhas, por exemplo, já acabou. Eles têm um regime próprio
e o gritante, em relação aos militares, já foi resolvido
na reforma anterior”, limitou-se a dizer.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
24 de abril de 2007
Mercado projeta PIB de 4,1% em 2007
Agência Estado
Brasília - As projeções
do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)
neste ano subiram de 4% para 4,1%, em pesquisa semanal do Banco Central
(BC) divulgada ontem. Essas projeções são atualizadas
e informadas semanalmente por mais de cem instituições
financeiras. A estimativa para a inflação, por outro
lado, foi de queda para o IPCA, de 3,81% para 3,78%.
Esta foi a quarta elevação seguida das previsões para
o PIB de 2007, que estavam em 3,5% há quatro semanas. Com a alta, as
estimativas de mercado passaram a ficar no mesmo patamar da projeção
de 4,1% feita pelo próprio BC no Relatório de Inflação
divulgado ao final de março.
As estimativas de aumento da produção industrial neste ano, por
sua vez, ficaram estáveis em 4%. O porcentual é o mesmo projetado
há quatro semanas. Para 2008, as estimativas de crescimento do PIB ficaram
estáveis em 4%. As previsões de expansão da produção
industrial no próximo ano, por sua vez, recuaram de 4,5% para 4,4%.
Dívida pública
As projeções do mercado financeiro para a dívida líquida
do setor público neste ano caíram de 43,90% para 43,70% do PIB
na pesquisa semanal Focus divulgada ontem. Esta foi a quinta redução
consecutiva destas previsões, que estavam em 48,52% do PIB há quatro
semanas.
Balança comercial
As projeções do mercado financeiro para o superávit da
balança comercial neste ano subiram de US$ 40 bilhões para US$
40,01 bilhões. Esta foi a terceira elevação seguida destas
previsões, que estavam em US$ 39,60 bilhões há quatro
semanas.
As estimativas de superávit em conta corrente para este ano, por sua
vez, ficaram estáveis em US$ 8,50 bilhões. Há quatro semanas
estas estimativas estavam em US$ 8 bilhões.
Investimento estrangeiro
As projeções do mercado financeiro para o fluxo de investimento
estrangeiro direto (IED) neste ano subiram de US$ 18 bilhões para US$
18,3 bilhões na pesquisa Focus de hoje. O aumento ocorreu após
cinco semanas seguidas de estabilidade destas projeções em US$
18 bilhões. Mesmo com a elevação, as estimativas prosseguem
abaixo dos US$ 20 bilhões projetados pelo próprio BC.
Para 2008, as previsões de fluxo de IED subiram de US$ 18,70 bilhões
para US$ 19 bilhões. Esta foi a segunda alta seguida destas previsões,
que estavam em US$ 18 bilhões há quatro semanas.
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JORNAL
DO ESTADO, 24 de abril de 2007
Trabalho & Negócios
Mercado
Trabalho temporário abre portas a 12 mil
jovens
Levantamento marca a passagem do Dia Internacional
do Jovem Trabalhador
Foto: Jonas Oliveira
Contratos temporários ajudam a jovens a se inserir no mercado de trabalho:
oportunidade
Às vésperas
do Dia Internacional do Jovem Trabalhador, comemorado hoje, dia 24 de abril,
a Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis
e de Trabalho Temporário (Asserttem) aponta o trabalho temporário
como uma das melhores oportunidades para a entrada de jovens ao mercado de
trabalho. Foi desse modo que cerca de 12 mil jovens entre 15 e 24 anos, ingressaram
no mercado, no último Natal.
As vagas — em sua maioria para as funções de vendedor,
demonstrador de produtos e repositor de estoque — foram abertas para
suprir o acréscimo extraordinário de serviços, no último
trimestre de 2006, especialmente no Comércio. Em torno de 30% dos contratados
temporários foram efetivados.
A três semana do Dia das Mães,
comemorado neste ano em 13 de maio, a previsão da Asserttem é de
que 76.500 postos sejam abertos no comércio. No Paraná serão
pouco mais de 5.300 vagas.
O Trabalho Temporário tem se firmado como uma eficiente porta de entrada
para quem busca o primeiro emprego. Isso se deve ao fato da modalidade de trabalho
não exigir experiência anterior nem alta qualificação
do profissional, duas das principais barreiras enfrentadas por esta faixa etária.
“A flexibilidade trazida pela
contratação temporária e a necessidade de adaptar a mão-de-obra às
exigências do mercado têm contribuído para a expansão
das contratações”, explica o diretor de Comunicações
da Asserttem, Vander Morales. No Natal de 2006, 90 mil trabalhadores temporários
foram contratados em todo o País, somente no Comércio. O número
foi 5% maior do que o registrado em 2005.
A contratação de funcionários por tempo determinado, conforme
a Lei 6.019/74 colabora, ainda, para a redução da informalidade
no Brasil.
O empregado temporário
tem os mesmos direitos do efetivo, como salário equivalente, jornada
de oito horas, repouso semanal remunerado, férias proporcionais, 13º salário
e proteção previdenciária. As exceções
são o pagamento de aviso prévio e recebimento da multa de 40%
sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), mas o temporário
demitido recebe indenização.
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DCI – DIÁRIO,
COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS, 24 de abril de
2007
Caixa usará menos de R$ 5 bi
do fgts
Apesar das reclamações
do setor empresarial, que considera pequeno o aporte de recursos do Fundo
de Investimento em Infra-Estrutura, a Caixa Econômica Federal (CEF)
calcula que não conseguirá utilizar boa parte dos R$ 5
bilhões retirados do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) e destinados ao Fundo de Investimento em Infra-Estrutura este
ano. Segundo técnicos da instituição, isto acontecerá por
se tratar de projetos complexos e morosos e por ser a primeira vez que
a Caixa vai operar com as demais obras de infra-estrutura como rodovias,
portos e outros, a liberação dos recursos poderá demorar.
“É difícil
dizer um valor que utilizaremos este ano. No entanto, apesar do nosso
esforço, não vai dar para fazer tudo em 2007. Vamos apenas
começar. O que recebemos hoje são projetos de habitação
e saneamento. Com o Fundo, este leque é ampliado e temos que nos
adaptar a ele”, afirmou o gerente Nacional de Controle e Informações
da Superintendência do FGTS, Sávio Marcos Garbin . “São
projetos que precisam de uma preparo, de uma operacionalização”,
comentou.
Na área de transporte,
poderão ser financiados projetos que prevejam cobrança
de pedágio. Em qualquer dos setores visados, os tomadores poderão
ser empresas provadas ou companhias estatais. Está prevista a
possibilidade de o Fundo comprar recebíveis de órgãos
da administração pública, como as autarquias municipais
de cidades cujas prefeituras preferem não delegar a prestação
de serviços de distribuição de água e de
coleta de esgoto.
A medida provisória (MP),
aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada, prevê um
investimento mínimo de R$ 5 bilhões do patrimônio
líquido do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, mas o
total transferido para o fundo de investimento poderá chegar até 80%
do patrimônio líquido do FGTS registrado em 31 de dezembro
de 2006, que somou R$ 22,1 bilhões. O aumento, porém, fica
condicionado à autorização do Conselho Curador do
FGTS, instância máxima de gestão do fundo. A medida
provisória também autoriza o trabalhador que possui conta
vinculada ao FGTS a utilizar até 10% do saldo para adquirir ações
ou cotas do novo fundo. Nesse caso, os ganhos obtidos ficam isentos do
Imposto de Renda.
O fundo de investimentos do FGTS
terá patrimônio próprio, separado do FGTS, e será disciplinado
pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As diretrizes,
os critérios e as condições de investimento serão
definidos pelo Conselho Curador, integrado por representantes do governo,
de entidades patronais e dos trabalhadores. Caberá ao conselho,
por exemplo, a aprovação dos projetos que receberão
recursos do fundo. A execução dos investimentos ficará a
cargo da Caixa Econômica Federal, instituição responsável
pela gerência dos recursos do FGTS. Esta é a terceira vez
em que os trabalhadores poderão usar parte do FGTS em fundos de
investimento. Em 2000 e 2002, eles puderam aplicar o saldo em ações
da Petrobras e da Companhia Vale do Rio Doce .
Apesar de aprovado na Câmara,
o Fundo de Investimento do FGTS enfrenta questionamentos na Justiça.
O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu duas Ações Diretas
de Inconstitucionalidade (Adin). Uma foi proposta pelas Confederações
Nacionais dos Trabalhadores das Áreas do Turismo e da Hospitalidade
(Contratuh), do comércio (CNTC), da indústria (CNTI), da
Saúde (CNTS), das indústrias de alimentação
e afins (CNTA) e dos transportes terrestres (CNTT); e a outra pelo Partido
dos Democratas.
Balanço
De acordo com a Caixa Econômica
Federal, FGTS encerrou 2006 com patrimônio líquido de R$
21,37 bilhões e um passivo de R$ 25,51 bilhões a ser honrado
nos próximos seis anos. No ano passado, a reserva feita para o
cumprimento das decisões judiciais que obrigaram o governo a repor
as perdas provocadas pelos Planos Collor e Verão foi de R$ 14,63
bilhões, mas foram pagos apenas R$ 10,88 bilhões.
No exercício de 2006,
a arrecadação do FGTS foi de R$ 2,89 bilhões, representando
96,32% do valor orçado para o exercício, que foi de R$
2,99 bilhões. Comparativamente ao exercício de 2005, a
arrecadação apresentou crescimento nominal de 13,43%.
Somente no ano passado, foram
realizados 2.293 créditos em contas vinculadas, no total de R$
3,528 bilhões. De acordo com a Caixa, este valor ficou abaixo
do valor orçado (R$ 4,12 bilhões) cerca de 14,41% devido
a uma expectativa maior de pagamentos dos créditos complementares
advindos de ações judiciais, o que não foi confirmado
no decorrer do exercício. Do total creditado, 793.209 créditos
no valor de R$ 1,55 bilhões foram referentes a eventos por determinação
judicial. Em 2006, foram liberados 1.744.745 saques, perfazendo o montante
de R$ 3,7 bilhões, nele incluído créditos realizados
em períodos anteriores.
Do montante de R$ 10 bilhões
do orçamento de 2006 destinados para novas contratações,
R$ 9,71 bilhões, 97,12%, foram alocados pelo Agente Operador
aos Agentes Financeiros, que, por sua vez, financiaram R$ 7,015 bilhões,
representando 70,16% em relação ao orçado e 72,24%
em relação ao valor alocado. Para a área de habitação
foram destinados R$ 7,45 bilhões, e alocados aos Agentes Financeiros
R$ 7,39 bilhões, dos quais foram realizados financiamentos junto
aos mutuários finais no valor R$ 6.47 bilhões, 86,90%
do orçado e 87,56% do alocado pelo Agente Operador. Quanto às
metas físicas, o resultado alcançado pelos programas
na área de habitação foi de 77,48% do estabelecido
para o exercício. O orçamento previsto para a área
de saneamento e infra-estrutura foi de R$ 2,54 bilhões, tendo
sido alocado 90,88% e financiado 23,28%.
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AGÊNCIA BRASIL, 24
de abril de 2007
Pesquisa do BC revela todos os indicadores
de inflação em queda
Stênio Ribeiro
Brasília - Todos os indicadores
de inflação estão em queda na pesquisa que o Banco
Central fez com uma centena de analistas de mercado e de instituições
financeiras, na última sexta-feira (20), e divulgada no Boletim
Focus de hoje (23). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para a meta de inflação
oficial, deve chegar ao final do ano em 3,78%, ante projeção
de 3,81% na pesquisa anterior.
A pesquisa do BC é realizada
todas as sextas-feiras, com o objetivo de acompanhar as tendências
do mercado sobre os principais indicadores da economia. Mostra, por exemplo,
que na perspectiva dos analistas financeiros, o IPCA do mês em
curso ficará ao redor de 0,30%, com possibilidade de cair para
0,20% em maio. Eles vêem potencial de redução também
no IPCA dos próximos 12 meses, com queda de 3,64%, na semana passada,
para 3,59%.
De acordo com a pesquisa, o comportamento
de preços no varejo é menor, ainda, na capital paulista.
Lá, o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela
Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe),
da Universidade de São Paulo (USP), projeta reajustes acumulados
de 3,54% no ano, com redução acentuada em relação à previsão
anterior, de 3,72%.
São projeções
bem abaixo do centro da meta de 4,50%, definida pelo Conselho Monetário
Nacional (CMN) para a inflação deste ano. Estão
neste caso, também, os preços administrados por contrato,
ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia,
medicamentos, educação, saneamento, transporte urbano e
outros). A expectativa geral é de que os reajustes acumulados
desses preços e serviços fiquem em torno de 3,50% no ano.
As projeções
de preços no atacado também estão em baixa contínua.
De acordo com os indicadores da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços - Disponibilidade
Interna (IGP-DI), que previa inflação de 3,84% na pesquisa
anterior, reduziu para 3,68%; e o Índice Geral de Preços
do Mercado (IGP-M) cedeu de 3,91% para 3,82% na comparação
semanal.
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AGÊNCIA BRASIL, 24
de abril de 2007
Exportações têm
melhor desempenho que importações pela primeira vez
no ano
Stênio Ribeiro
Brasília - As exportações
brasileiras somaram US$ 3,038 bilhões na semana passada, com crescimento
de 4% na comparação com as vendas da semana anterior. No
mesmo período, de 16 a 20, as importações atingiram
US$ 1,8 bilhão, com queda de 10,76% em relação às
compras de 9 a 13, como mostra o boletim divulgado há pouco pelo
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior, na internet.
Foi a primeira vez no ano que
as exportações tiveram melhor desempenho que as importações,
o que possibilitou saldo comercial de US$ 1,238 bilhão na semana,
com aumento de 36,95% sobre o saldo da semana anterior e média
recorde de US$ 247,6 milhões por dia.
Com isso, o superávit
no mês soma US$ 3,001 bilhões, e como faltam ainda cinco
dias úteis para encerrar abril, deve superar com folga os US$
3,071 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. O
saldo acumulado no ano sobe para US$ 11,699 bilhões, com evolução
de 1,20% sobre o saldo do ano passado. É a primeira vez que isso
acontece em 2007, pois as comparações até aqui têm
mostrado sempre números mais fortes em 2006.
O saldo no ano é resultado
de exportações totais de US$ 42,406 bilhões (+
16,29%), contra importações de US$ 30,707 bilhões
(+ 23,30%) sobre mesmo período de 2006. Detalhes como fluxo
de comércio por produtos e países serão fornecidos
em novo boletim a ser liberado logo mais às 15 horas, no endereço
eletrônico www.desenvolvimento.gov.br.
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PORTAL DO MEIO AMBIENTE /
NITERÓI - RJ,, 24 de abril de 2007
CNTI quer suspender lei que proíbe
amianto na construção
A Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI) ajuizou no Supremo
Tribunal Federal, Argüição de Descumprimento de Preceito
Fundamental, com pedido liminar, contra a Lei 13113/01, do município
de São Paulo, e o Decreto municipal 41788/02, que regulamenta
esta lei. O dispositivo proíbe o uso de elementos construtivos
e equipamentos constituídos por amianto na construção
civil.
A CNTI explica nos autos as diferenças
entre o amianto crisotila (branco) e o anfibólico (marrom ou azul),
defendendo que a primeira espécie é “infinitamente
menos agressiva e admite o estabelecimento seguro de índices de
tolerância, razão pela qual seu uso é legalmente
permitido no Brasil”.
Para a confederação,
a lei paulistana proíbe o uso da substância “sem uma
razão sustentável do ponto de vista científico,
tanto que manteve o consumo do mineral nos demais ramos industriais,
tais como têxtil e automotivo”. Esse fato demonstraria a
violação ao princípio da livre iniciativa, previsto
no artigo 170, parágrafo único, da Constituição
Federal, defendeu a CNTI.
A confederação
diz ainda que a Lei 9.055/95 disciplina o tema da utilização
do amianto. Dessa forma, havendo norma geral em vigor, de âmbito
federal, a disciplinar a matéria, “resta aos municípios,
na hipótese, a possibilidade de suplementar a legislação
federal no que couber, sem, no entanto, opor-se à sua eficácia — na
prática, derrogar a norma federal”.
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ÂMBITO JURÍDICO,
24 de abril de 2007
Empregador é condenado a complementar
aposentadoria calculada sobre salário pago a menor
“Se o plano de previdência,
patrocinado pela empresa e derivado da relação de trabalho,
prevê que os proventos da aposentadoria complementar condicionam-se à remuneração
auferida pelo empregado na vigência do contrato e se fica comprovado
que o empregador não quitou corretamente as parcelas salariais
que a integram, há que se imputar a ele a responsabilidade pelos
prejuízos advindos”. A decisão é da 5ª Turma
do TRT/MG que manteve condenação de empresa ao recolhimento
de contribuições mensais para o recálculo da aposentadoria
do reclamante, em razão da incidência, no valor do benefício,
das diferenças de horas extras e de adicional de periculosidade
não pagos durante o contrato de trabalho.
Com base no voto do juiz convocado
Danilo Siqueira de Castro Faria, a Turma rejeitou o argumento da empregadora,
de que a responsabilidade de garantir a reserva matemática para
os associados seria exclusiva da entidade previdenciária em questão
(Forluz), já que todos os repasses teriam sido efetuados pela
empresa nas épocas próprias.
A Turma acompanhou o entendimento
do juiz sentenciante, que, considerando válida a migração
do reclamante do Plano de Origem para o Plano B, condenou a empregadora
a complementar a aposentadoria do autor, já que a base de cálculo
do seu benefício não contemplou as parcelas deferidas no
processo, como previsto no Regulamento da Forluz. “Compõem
a remuneração do obreiro o adicional de periculosidade
e as horas extras devidas e não quitadas pela reclamada, sendo
parcelas de natureza salarial, habitualmente pagas ao reclamante” – explica
o relator. Assim, a empregadora deverá proceder à recomposição
atuarial, bem como a reserva matemática, junto à entidade
previdenciária, a fim de corrigir o benefício de complementação
de aposentadoria do reclamante.
Lembra o juiz que o próprio
regulamento da Forluz estabelece a responsabilidade solidária
da Cemig pelas obrigações decorrentes dos planos previdenciários
da entidade e frisa: “Não há duvidas que o elemento
essencial para o cálculo correto da complementação
da aposentadoria, qual seja, a média das últimas remunerações,
estava aquém do que era devido, por única e exclusiva culpa
da reclamada, pelo que deve esta ser responsabilizada, devendo arcar
com o pagamento das diferenças da complementação
da aposentadoria até o momento que o benefício previdenciário
não se encontrar mais defasado”.
( RO nº 01408-2005-022-03-00-2
)
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
24 de abril de 2007
Empresa é condenada a pagar
pensão a filho de empregado morto em acidente
Quando se trata de acidente do
trabalho do qual foi vítima fatal o empregado, o herdeiro deve
receber pensão da data do ocorrido até os 25 anos de idade
do filho. Esse foi o entendimento expresso em decisão da 8ª Turma
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho).
A decisão teve como base
o voto da desembargadora Denise Alves Horta, que deu provimento a recurso
dos reclamantes, uma viúva e filho menor do trabalhador acidentado,
para aumentar o valor da indenização por danos morais para
R$100.000,00.
O acidente que ensejou a ação
ocorreu durante o trabalho de montagem de uma ponte de estrutura metálica
na empresa, sendo utilizado um guindaste de lança.
O local da operação
era ao lado de uma rede de alta tensão e, como chovia muito, uma
faísca da rede caiu na lança do guindaste e a máquina
se eletrificou, matando, em conseqüência, o empregado e seu
colega que estavam próximos a ela. À época, ficou
constatada no processo a culpa da empresa pelo evento causador do dano.
Negligência foi um dos motivos abordados, já que houve permissão
para que os empregados trabalhassem em tais circunstâncias, sem
isolamento da área de risco, em guindaste sem isolamento elétrico
e sem os equipamentos adequados.
No caso em tela, os danos moral
e material dos reclamantes são evidentes, considerando a morte
do pai e provedor da família, que deixou uma viúva também
jovem, com pouco mais de 21 anos. Para a fixação da reparação
dos danos materiais foi contabilizado o valor relativo a 35% do salário
do empregado falecido, sendo a parcela destinada ao filho menor (que
tinha seis meses de vida na época do acidente), multiplicada por
24,5 anos (ou seja, o tempo que faltava para que completasse 25 anos),
o que deu um total de R$237.081,60, a ser pago em parcela única.
Os valores deferidos foram majorados
pela Turma com base em critérios adotados pela jurisprudência,
considerando, além dos aspectos reparatório e punitivo,
que esse valor, nos dizeres da relatora, “não pode ser causa
de ruína para quem paga nem causa de enriquecimento para quem
recebe”.
(RO nº 00393-2006-060-03-00-2)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/04/2007
TST mantém nulidade de aviso prévio
cumprido em casa
A Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da
15ª Região (Campinas/SP), que considerou sem validade o aviso
prévio cumprido em casa e determinou o pagamento do período
ao empregado. A Borcol Indústria de Borracha recorreu ao TST contra
a decisão regional, alegando que baseou-se em norma coletiva para
manter o empregado em casa durante o período de aviso prévio,
com possibilidade de sua convocação quando necessário.
Entretanto, diante do fato de
que nenhuma das partes apresentou documento que comprovasse a existência
da norma coletiva, o TRT negou a subida do recurso de revista, o que
levou a empresa a apelar ao TST, mediante agravo de instrumento. O relator
do processo, ministro Horácio Senna Pires, também considerou
a inexistência da norma coletiva nos autos como fator determinante
para manter a decisão regional.
O TRT considerou “desvirtuado
e, por isso, nulo” o aviso prévio cumprido em casa, com
possibilidade de convocação para atividades consideradas
necessárias pelo empregador, aplicando ao caso os artigos 4º e
9º da CLT. O primeiro dispositivo considera serviço efetivo
o período em que o empregado esteja à disposição
do empregador, aguardando ou executando ordens, salvo disposição
especial expressamente consignada. O segundo considera “nulos de
pleno direito” os atos praticados para desvirtuar , impedir ou
fraudar a aplicação dos preceitos da CLT.
O relator afirmou em seu
voto que, em princípio, é possível a validade
de aviso prévio cumprido em casa, desde que, nessa hipótese,
as verbas rescisórias sejam pagas no prazo de 10 dias de sua
notificação. O entendimento faz parte da OJ nº 14
da Seção I Especializada em Dissídios Individuais
(SDI-I) do TST. Mas concluiu que “por todos os ângulos
em que a controvérsia é analisada vê-se que é impossível
o processamento do recurso de revista, porque os arestos colacionados
não abordam a mesma hipótese destes autos com emissão
de tese em sentido contrário”. (AIRR 1.009/2005-003-15-40.2)
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24/04/2007
Ex-telefônico receberá horas
de sobreaviso por uso de celular
A Brasil Telecom do Paraná foi condenada
ao pagamento de diferenças do adicional de sobreaviso a um ex-empregado
que, nas horas de sobreaviso, ficava à disposição
da empresa para ser acionado por meio de telefone celular. Embora o Tribunal
Superior do Trabalho tenha jurisprudência firmada no sentido de
que o uso do bip seja insuficiente para caracterizar o sobreaviso, a
Quarta Turma do TST, em agravo de instrumento relatado pelo ministro
Ives Gandra Martins Filho, entendeu que, no caso, tratava-se do pagamento
apenas de diferenças relativas a períodos em que o adicional
de sobreaviso, previsto em acordo coletivo, deixou de ser pago.
O telefônico foi admitido em maio de 1989,
e demitido em setembro de 2001. Na reclamação trabalhista,
em que pleiteou diversas outras verbas, afirmou que, durante cerca de
14 horas por ano, permanecia na escala de sobreaviso, remunerado com
adicional de 40% sobre a hora normal, como previsto no acordo coletivo
da categoria. Segundo a inicial, a empresa, a partir de 1997, em contenção
de gastos, deixou de pagar o adicional no período entre 0h e 7h,
mas os trabalhadores deveriam permanecer em sobreaviso, mesmo sem receber.
O telefônico informou que, nas semanas de plantão, era acionado
por celular para sanar defeitos em equipamentos de comunicação
de dados essenciais aos clientes da empresa, em média uma vez
por noite, levando cerca de três horas em cada chamado.
A empresa contestou o pedido alegando que o empregado
não tinha de telefonar de hora em hora, nem recebia ligações
freqüentes. Como usava bip ou celular, o trabalhador “tinha
disponibilidade de seu tempo, podendo deslocar-se livremente, e nunca
foi obrigado a ficar restrito a determinado local ou situação” – e
mesmo assim recebia o adicional de 40%. A Brasil Telecom invocou a aplicação,
por analogia, da Orientação Jurisprudencial nº 49,
relativa ao uso do bip.
A sentença da 14ª Vara do Trabalho
de Curitiba (PR) indeferiu o pedido de adicional, mas o TRT/PR, no julgamento
de recurso ordinário, deu razão ao empregado, observando
que, no exame dos avisos de pagamento, constatou-se que o adicional não
foi pago durante mais de dois meses. O Regional destacou que o período
de repouso pressupõe total liberdade e desvinculação
do empregador, podendo o empregado utilizá-lo como quiser – liberdade
que fica restrita quando está de plantão, usando bip ou
celular. No entendimento do juiz, o uso de bip ou o celular não
exclui a hipótese de sobreaviso, pois o deslocamento só é possível
porque o empregado pode ser localizado, onde estiver, por meio dos aparelhos. “Mas
não repõem a integral disponibilidade do período
de repouso ou exclui a obrigação de o empregado estar acessível
e disponível ao empregador”, ressaltou.
No agravo de instrumento, a Brasil Telecom, na
tentativa de que o TST apreciasse o recurso de revista e reformasse a
condenação, reforçou a tese de que a utilização
de telefone celular, sem a privação do direito de ir e
vir, não pode ser considerada como horas de sobreaviso. O ministro
Ives Gandra Martins Filho esclareceu que, de acordo com o TRT, as provas
documentais demonstram que houve ocasiões em que o trabalho realizado
em sobreaviso não foi devidamente remunerado. Além disso,
observou que a situação descrita no processo impossibilita
a aplicação analógica da OJ nº 49 da SDI-1. “No
caso, a própria empresa reconheceu o direito do empregado ao recebimento
de horas de sobreaviso, apenas deixando de pagá-las em determinado
período do contrato”, afirmou o ministro. (AIRR 16619/2002-014-09-40.4)

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