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JORNAL
GAZETA DO POVO, 27 de abril de 2007
CCJ do Senado aprova a redução
da maioriade penal
Governistas votaram contra a proposta,
e a decisão foi apertada: 12 a 10
Brasília – A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) do Senado aprovou ontem a proposta de emenda constitucional (PEC) que reduz
de 18 para 16 anos a maioridade penal no país. Por 12 votos a 10, os senadores
aprovaram texto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que propõe
a redução da idade penal no país para 16 anos – mas
estabelece o regime prisional somente para jovens menores de 18 anos e maiores
de 16 que cometerem crimes hediondos. O texto também prevê que o
menor deve ter pleno conhecimento do ato ilícito cometido para ser submetido
ao regime prisional, com a necessidade de laudo técnico elaborado pela
Justiça para comprovar esse conhecimento.
A PEC também estabelece que o menor deve cumprir pena em local distinto
dos presos maiores de 18 anos, além de propor a substituição
da pena por medidas socioeducativas – desde que o menor não tenha
cometido crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas ou atos de terrorismo.
Justiça Governo quer derrubar
projeto no plenário
A base aliada do governo vai trabalhar
para derrubar, no plenário do Senado, a PEC aprovada ontem pela
Comissão de Constituição e Justiça que
reduz de 18 para 16 anos a maioridade penal no país. O líder
do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que os governistas
vão apresentar emendas ao texto e buscar apoio dentro da própria
oposição para que a matéria não seja aprovada. “O
governo tem posição clara contra a redução
da maioridade. O governo entende que o caminho para resolver essa questão é fazer
um trabalho de educação, integração do
jovem, criar oportunidades para um outro encaminhamento da questão,
e não a vingança da sociedade, a reclusão do jovem.
Vamos atuar no sentido de barrar o máximo possível o
encaminhamento dessa questão”, disse Jucá.
O texto segue agora para votação
no plenário do Senado em dois turnos. Depois, também
terá que ser apreciado pela Câmara dos Deputados.
O presidente nacional da
Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, afirmou ontem, em nota,
que a decisão de aprovar a proposta é a “mais
cômoda para o Estado, mas não a solução
para o problema da delinqüência na adolescência”.
A proposta relatada por Demóstenes reúne seis PECs que tramitavam
na comissão com propostas para a redução da idade penal
no país. O texto segue agora para votação no plenário
do Senado em dois turnos. Depois, também terá que ser apreciado
pela Câmara dos Deputados. O debate na CCJ durou mais de cinco horas.
A base aliada do governo
votou contra a redução da maioridade. O senador Aloízio
Mercadante (PT-SP), contrário à mudança na lei,
defendeu que o Congresso discuta punições mais severas
para adultos que envolvem menores em crimes ao invés de reduzir
a idade penal mínima do país. O líder do governo
no Senado, Romero Jucá (RR) – que orientou os governistas
a votarem contra a redução – disse que prender
os jovens não será solução para reduzir
a criminalidade no país. “O caminho não é prender
o jovem, é educar. Eu vi muitos jovens morrendo, mas também
vi centenas sendo recuperados”, defendeu Jucá.
O senador, autor de uma das
PECs que propõe a redução da maioridade, disse
que mudou de idéia nos últimos anos sobre o tema. “Em
1999, dei entrada com uma das propostas que aqui está. Eu
entendia que o caminho para enfrentar a violência era a maioridade.
Mas eu mudei”, disse.
Desobediência
Pelo menos três senadores
da base aliada do governo não seguiram a determinação
de Jucá para votarem contra a redução. Os senadores
Jefferson Peres (PDT-AM), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Jarbas Vasconcellos
(PMDB-PE) votaram a favor do texto de Demóstenes. “Rejeitando
a orientação do governo, voto sim”, disse Peres
no momento da votação.
O relator da PEC argumentou
que embora o texto reduza a maioridade penal, estabelece regras
que amenizam a situação dos jovens maiores de 16
anos que estão na criminalidade.

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Folha
de São Paulo, 27 de abril de 2007
Para BC, real forte contém inflação
e pode reduzir juro
Ata de reunião da semana passada diz que
importados podem segurar preços, apesar de aquecimento da economia
| Analistas prevêem que banco elevará ritmo de redução
da taxa básica de juros de 0,25 ponto percentual para 0,5 ponto
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Banco Central já admite
que a queda do dólar abre espaço para redução
mais acelerada dos juros. Como o real valorizado barateia importações,
ajudando a manter a inflação sob controle, a expectativa é que
o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) reduza
a taxa Selic em 0,5 ponto percentual na próxima reunião,
em junho. A sinalização está na ata divulgada
ontem da reunião da semana passada, quando o Copom reduziu os
juros em 0,25 ponto percentual, fixando-o em 12,5% ao ano. Na ocasião,
três dos sete membros da diretoria do BC votaram por um corte
de 0,5 ponto. Mas prevaleceu o voto da maioria.
O argumento de quem defendeu
queda maior do juro se resumiu a uma frase: "Se acumulam sinais
de que a contribuição das importações,
por meio da disciplina exercida sobre os preços de bens transacionáveis
em ambiente de demanda robusta, para a consolidação de
um cenário benigno para a inflação no horizonte
de projeção, poderá ser maior do que a inicialmente
contemplada".
Ou seja, mesmo num cenário
de aumento do consumo, as empresas nacionais não podem elevar
seus preços para não perder mercado para os importados,
que, com a queda do dólar, ficam mais baratos. A relação
entre a taxa Selic e o câmbio é uma das maiores fontes
de críticas ao BC, já que, dentro e fora do governo,
há quem reclame de que os altos juros são responsáveis
por uma excessiva valorização do real.
Mas os diretores do BC que
votaram pela queda menor dos juros dizem que é preciso considerar
que nem todos os preços estão sujeitos à concorrência
dos importados -é o caso dos serviços, por exemplo. Além
disso, insistem em dizer que o corte na taxa Selic efetuado nos últimos
meses ainda não surtiu efeito completo. Para Alexandre Póvoa,
diretor do Modal Asset Management, a ata não chega a esclarecer
por completo as razões das divergência entre os diretores
do BC. "Não houve nenhuma mudança relevante entre
o cenário [traçado pela ata do Copom] de março
e este de abril", afirma. "As importações já eram
citadas no mês passado."
Póvoa diz esperar um
corte de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom, mas ressalta
que baseia essa opinião na sua análise da conjuntura
econômica, não nos sinais dados pelo BC na ata. "Não
existe política monetária conservadora ou agressiva.
Existe o correto e o incorreto. E a situação do Brasil
não exige um juro real [descontada a inflação]
nesse nível de hoje." Já a LCA Consultores, em relatório
a clientes, também afirma que a ata do Copom não indica
de forma muito clara qual será o rumo dos juros de agora em
diante. "O documento preservou tom cauteloso, sobretudo no que
diz respeito à evolução da atividade econômica,
o que deverá contribuir para manter os mercados divididos quanto
ao ritmo de corte da Selic", diz o texto.
Mesmo com essa ressalva,
a LCA também afirma acreditar numa redução de
0,5 ponto percentual nos juros na próxima reunião do
Copom. A equipe de economistas do Unibanco diz que, apesar da menção às
importações, o ritmo de crescimento da economia continua
sendo o indicador acompanhado mais de perto pelo BC na hora de decidir
sobre cortes nos juros -uma expansão mais acelerada poderia
abrir espaço para reajustes de preços. Ainda assim,
relatório distribuído pelo banco afirma que "provavelmente
estamos no começo de uma "nova era': o BC está de
volta [aos cortes de] 0,5 [ponto percentual]".
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Folha
de São Paulo, 27 de abril de 2007
Faltam FGTS e jornada de trabalho, afirma
sindicalista, que trabalhou desde os 9 anos

Raimundo Paccó/Folha Imagem Elisabeth Vieira, 60, foi empregada doméstica
dos 9 aos 58 anos
DA REPORTAGEM LOCAL
"A maioria é pessoa
de idade e cansada, e a maioria é negra." É assim
que Elizabeth Vieira, 60 anos, secretária do Sindicato dos Trabalhadores
Domésticos no Município de SP, define os empregados domésticos,
profissão na qual começou quando tinha 9 anos e da qual
se aposentou há dois. "As mais jovens não querem
muito ser empregadas. É um trabalho duro, sem registro, sem
ter direito a nada", afirma.
Segundo ela, as principais "brigas" do
sindicato são pelo FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)
-não há recolhimento hoje para a categoria- e pela instituição
de uma jornada de trabalho. Ontem, representantes dos sindicatos e
da Federação das Trabalhadoras Domésticas estiveram
em Brasília para discutir direitos trabalhistas com os ministérios
do Trabalho e Previdência. "As outras categorias têm
direito a FGTS, e nós não temos. A alegação é que
os patrões não podem pagar, mas eles mudam de carro todo
ano, mudam de apartamento", diz Ione Santana de Oliveira, 36,
secretária-geral da federação.
Para Margareth Galvão
Carbinato, presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos,
medidas para aumentar os direitos trabalhistas dos domésticos
terão como conseqüência menos postos de trabalho. "Quanto
mais a categoria for onerada, menos condições os patrões
terão de pagar."
Cartilha
Em comemoração
pelo Dia da Empregada Doméstica, a ONG Instituto FGTS Fácil
e o portal Doméstica Legal estão distribuindo, desde
o último final de semana, 22 mil cartilhas com os direitos e
deveres do empregador e dos empregados domésticos.
A cartilha também pode
ser impressa no site www.domesticalegal.com.br.
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AGÊNCIA BRASIL, 27
de abril de 2007
Rendimento da população
ocupada cresceu 7,7%, aponta IBGE
Norma Nery
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A alta de 7,7%
do rendimento médio real da população brasileira
ocupada, registrada na comparação dos resultados de fevereiro
de 2007 com igual mês de 2006, foi a maior já calculada
desde 2002 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). O resultado surpreendeu os pesquisadores do órgão
e foi o maior da série histórica, totalizando R$ 22,5 bilhões.
O gerente da Pesquisa Mensal
de Empregos (PME), Cimar Azeredo, disse que o aumento recorde de 7,7%
nos rendimentos da população ocupada ao ano nas seis maiores
regiões metropolitanas do país , assim como a alta de 5%
nos rendimentos na comparação entre março deste
ano e março de 2006, "mostra um dado que a gente já esperava,
mas que de certo modo suplantou a expectativa".
"É um resultado muito
bom e que aumenta na formalização [emprego com carteira
assinada], aumenta na qualidade do emprego e, conseqüentemente,
vem se refletir no rendimento. A massa de rendimento, pela primeira vez
calculada com base na PME, mostra um resultado estável no mês,
mas um bom desempenho no ano de 7,7% , R$ 22,5 bilhões",
explicou.
De acordo com Cimar Azeredo,
o cálculo da massa do rendimento real efetivo com base na Pesquisa
Mensal de Emprego foi possível depois que ocorreu um aprimoramento
no sistema usado. Ele disse que a nova metodologia permite calcular o
rendimento de quem não respondeu à pesquisa, o que antes
entrava como "valor ignorado".
Os resultados, ainda segundo
Azevedo, apontam, também, para uma elevação do
consumo. "O mercado consumidor brasileiro está consolidando
uma tendência de dinamismo, que vem sendo observada. Desde a
comparação entre os anos de 2003-2004, 2004-2005 e 2005-2006
a gente vem mostrando o aumento da massa de rendimento", disse.
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AGÊNCIA BRASIL, 27 de abril de 2007
Mais de 70% dos valores do piso salarial
de 2006 não ultrapassaram 1,5 salário mínimo,
aponta Dieese
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - Mais de 70%
dos valores estabelecidos como piso salarial em 2006 não ultrapassaram
1,5 salário mínimo e pouco mais da metade ficou na faixa
entre 1 e 1,25 salário mínimo. Os dados foram divulgados
hoje (26) no “Balanço dos pisos salariais negociados em
2006”, pelo Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A pesquisa do Dieese considerou o piso salarial estabelecido em 452 negociações
realizadas no ano passado, entre entidades de trabalhadores e representantes
patronais. Destas, 149 unidades registraram, em dezembro, pisos salariais inferiores
ao valor estipulado para o salário mínimo - 63 delas têm
data-base entre janeiro e abril e as outras 86 ainda vão negociar seus
instrumentos normativos no decorrer do ano.
De acordo com o balanço, em 2006 houve maior aproximação
entre os valores dos pisos negociados e o do salário mínimo oficial.
Em 2004 e 2005, um quarto das informações analisadas correspondia
a até 1,25 salário mínimo e a metade equivalia a até 1,5
salário mínimo.
O Dieese atribui esse comportamento à evolução do salário
mínimo oficial, sobre o qual têm sido aplicados aumentos reais
significativos, que elevaram seu poder de compra em proporção
maior do que a verificada entre os pisos salariais.
A pesquisa apontou que em 2004 e 2005 o salário mínimo obteve
ganhos de 8,23% e 13,04%, respectivamente, com a média dos pisos salariais
valendo pouco mais de 1,7 salário mínimo no período. Em
2006, a média dos pisos salariais passou a quase 1,5 salário
mínimo.
Na distribuição dos pisos salariais por faixa de salários
mínimos por setores de atividade econômica, a situação
mais favorável foi observada no setor de serviços, que reúne
atividades como comunicação, saúde e educação,
onde 40% dos pisos superaram o valor entre 1 e 1,5 salário mínimo.
No setor do comércio, 90% dos pisos salariais analisados corresponderam
a 1,5 salário mínimo e cerca de 60% foram menores que 1,25 salário
mínimo. Na indústria, 25% dos pisos analisados superaram a faixa
de 1 a 1,5 salário mínimo.
O setor rural concentrou
a maior proporção de pisos mais próximos do salário
mínimo nacional. Nove em cada dez pisos estiveram situados entre
1 e 1,25 salário mínimo.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de abril de 2007 | Economia
Moeda única do Mercosul pode
sair em 4 anos, diz Lula
Em entrevista a estrangeiros, presidente
também defendeu criação de BC do bloco
Marina Guimarães e Ariel Palácios
SANTIAGO - Em dia de extensa
agenda em Santiago, que será finalizada com o embarque para Buenos
Aires, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi destaque nos
principais jornais do Chile e da Argentina. Em entrevista concedida aos
três correspondentes argentinos e dois chilenos, no Palácio
do Planalto, na quarta-feira, 25, o presidente defendeu a moeda única
para o Mercosul, assim como um Banco Central do bloco.
" Eu trabalho com a idéia de que nos próximos quatro anos
possamos construir uma moeda única do Mercosul. Estamos avançando
na discussão com a Argentina para fazer nosso intercâmbio comercial
com nossas próprias moedas. Devemos chegar a um Banco Central", como
destacou o chileno El Mercurio.
O Banco do Sul, projeto do presidente venezuelano Hugo Chávez para criar
uma megaentidade financeira na região, é visto com cautela por
parte de Lula: "Será um banco do tipo do FMI, para ajudar os países
em crise? Ou será um sócio para impulsionar o desenvolvimento,
como é nosso BNDES, a Corporação Andina de Fomento, ou
o BID? Qual será a participação de cada país?"
" Nós sugerimos uma reunião de ministros da Economia para
discutir todos esses assuntos. O Brasil tem todo o interesse em participar do
banco", afirmou.
Divergências
Lula também amenizou as perguntas sobre a tensa relação
com os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, com quem disputa a liderança
regional, e da Bolívia, Evo Morales, com quem o Brasil negocia uma indenização
para os prejuízos que a Petrobras sofreu com a nacionalização
dos hidrocarbonetos.
"É preciso pôr as coisas em seu lugar. Primeiro, me parece
excepcional que Bolívia tenha elegido um presidente como Evo Morales.
Ninguém tem a cara da Bolívia como Evo. Há problemas secundários. É como
no Brasil: não estava previsto que um metalúrgico chegaria ao poder.
E eu causei desconfiança" , compara.
Ainda sobre o assunto, Lula continuou: "A nacionalização
do gás não é uma coisa de Morales. É importante
recordar que o plebiscito foi antes de seu governo e que foi o povo que o aprovou.
Acho natural que o Evo queira nacionalizar o gás. Ele tem que reivindicar
um preço justo", disse Lula.
O presidente não entrou em detalhes sobre sua posição
em relação ao preço que a Bolívia deveria pagar à Petrobras
pelas refinarias instaladas naquele país e que, supostamente, serão
nacionalizadas a partir do dia primeiro de maio."Devemos facilitar nossa
relação com a Bolívia e deixar de pensar que alguém é nosso
inimigo", disse.
Chávez
" Passamos por momentos muito auspiciosos e não podemos permitir
que nossas divergências do século 19 prejudiquem o futuro",
completou o presidente levando à uma associação inevitável
com o denominado "socialismo do século 19" de Hugo Chávez.
No La Tercera, outro jornal chileno, o destaque da entrevista de Lula foi sobre
a liderança política regional e um elogio ao venezuelano: "Chávez
tem sido um aliado excepcional, um sócio", estampou o título
completando com: "Na América Latina não necessitamos de
um líder, mas sim de uma relação muito forte entre Estados,
de respeito mútuo". Segundo o presidente, "não existe
nenhum problema com a Venezuela. Creio que Argentina e Chile tampouco têm
problemas com a Venezuela".
" Chávez deu prioridade à América do Sul. Acho extraordinário
que existe um governo, em um país com o potencial energético da
Venezuela, que esteja olhando para a integração. O outro dia disse
ao Chávez na reunião de Ilha Margarita que é como se estivéssemos
em uma corrida de Fórmula 1 e o Chávez fosse um carro que vai a
300 quilômetros por hora, enquanto que os outros vão a 280.
Lula também avaliou as posições contrárias de Chávez
ao biocombustível, referindo-se à recente reunião na Venezuela
onde o assunto foi debatido: "eu entendo seus motivos políticos. É parte
de um jogo. Muitas pessoas imaginavam que na Ilha Margarita ia haver uma guerra.
E não houve".
Reeleição na Argentina
O Clarín, da Argentina preferiu focar seu título na política
local, já que o país realizará eleições
para presidente em outubro próximo. O presidente Néstor Kirchner "tem
feito um bom governo para a Argentina", disse Lula completando que "sua
continuidade é extremamente importante para a integração
regional".
Lula também expressou sua "admiração" pela "vontade
que o presidente Kirchner colocou para reconstruir a indústria argentina".
O presidente afirmou que "a Argentina e o Brasil nunca tiveram antes uma
relação tão intensa e produtiva como a de agora".
O carisma e a simpatia do brasileiro durante a entrevista de uma hora e meia
também foi motivo de destaque do Clarín.
O La Nación também falou sobre o apoio declarado de Lula à reeleição
de Kirchner, embora o presidente argentino ainda não tenha anunciado
se será candidato. O jornal preferiu, porém, abrir sua reportagem
com o assunto preferido do presidente Lula: bioenergia. "Ninguém
conversa hoje comigo se não é sobre biodiesel. A pessoa pode
não estar interessada em falar de biodiesel, mas deve ter a segurança
de que vou falar disso", avisou.
O jornal argentino ressaltou que o assunto será um dos pontos da agenda
de Lula e Kirchner nesta sexta-feira, em Buenos Aires. Sobre os assuntos em
discussão, Lula disse que "teremos uma conversação
política, simplesmente uma conversação política.
Vamos por nossa agenda em dia".
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
27 de abril de 2007
Em discussão, alternativa à Emenda
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Agência Estado
Foto: Agência
Brasil

Jorge Rachid: debate com entidades profissionais.
Brasília - O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, apresentou
ontem, em audiência pública na Câmara, as linhas gerais
de um projeto com o qual o governo pretende acabar com a “zona cinzenta” das
pessoas jurídicas personalíssimas, para tentar um consenso no
Congresso Nacional sobre esse tema. Rachid indicou que no caso da prestação
de serviços artísticos, as pessoas jurídicas deverão
recolher o equivalente a 10% do faturamento em contribuição para
o INSS. Esse valor poderá ser abatido posteriormente, se essa pessoa
jurídica tiver desembolsado a contribuição com sua folha
de pagamento.
Para outras categorias profissionais, como a de jornalista e executivos, a
Receita ainda não definiu concretamente o conceito de pessoa jurídica
personalíssima e vai continuar os debates com entidades de profissionais,
sindicatos empresariais e parlamentares. Rachid defendeu que as questões
tributárias relativas à Emenda 3, que impedia a autuação
pela Receita Federal de pessoas jurídicas que ainda mantêm características
de trabalho assalariado, não podem levar à precarização
do emprego, nem à contaminação da legislação
trabalhista.
Divisão
O deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, disse
que a Emenda 3 foi uma tentativa de golpe no Congresso Nacional e causou “um
rolo” dentro do governo. “Tem uma guerra dos trabalhadores contra
o Congresso Nacional. Que isso sirva de lição: ninguém
pode passar o chapéu em ninguém”, afirmou.
O advogado Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, da OAB de São Paulo,
falou em nome da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio
e Televisão (Abert), na audiência pública. Para Amaral,
a aprovação pelo Congresso Nacional do veto do presidente Lula à Emenda
3 significará o aumento da competência do Executivo, em detrimento
do Poder Judiciário do País. Amaral disse que discorda da afirmação
da Receita Federal de que há uma zona cinzenta na definição
de pessoa jurídica personalíssima.
Segundo ele, na Constituição está clara a defesa da livre
iniciativa e da livre concorrência e que portanto isso significa que
o fiscal da Receita não pode ter atribuição de juiz. Nesse
sentido, afirmou, a Emenda 3 teve a função de definir o nível
de competência do auditor fiscal.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/04/2007
TST valida negociação direta
com empregados em caso de recusa do sindicato
Quando o sindicato profissional
se recusa a participar da negociação coletiva, é eficaz
e legítima a atuação da comissão de empregados
constituída para esse fim. A decisão é da Seção
Especializada em Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior
do Trabalho, em voto relatado pelo vice-presidente do Tribunal, ministro
Milton de Mora França, envolvendo o Hospital da Baleia, de Belo
Horizonte (MG), e profissionais de saúde. Segundo o ministro Moura
França, é legítimo que os empregados exijam que
seu sindicato se ajuste a sua vontade.
“Titulares dos direitos
são os empregados, de forma que o sindicato profissional, como
seu representante, deve se ajustar à vontade que, livremente,
expressam e que atende aos seus interesses, mormente consideram-se as
peculiaridades que envolvem a prestação de serviços
e a realidade econômico-financeira do empregador”, afirmou
Moura França em seu voto.
Em fevereiro de 2005, a Fundação
Benjamin Guimarães (Hospital da Baleia) e uma comissão
de empregados do hospital ajuizaram no TRT da 3ª Região (Minas
Gerais) ação declaratória para obter o reconhecimento
e declaração de eficácia jurídica do acordo
coletivo de trabalho que firmaram diretamente, sem a participação
do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de
Saúde de Belo Horizonte (Sindeess). O acordo fixou reajuste salarial
inferior (14% e abono de R$ 600,00) ao previsto no dissídio coletivo
da categoria.
A Delegacia Regional do Trabalho
(DRT) recusou-se a registrar o acordo depois que o sindicato rejeitou
a proposta de reajuste salarial fechada entre a comissão de negociação
e o hospital. Segundo os diretores do Sindeess, a entidade não
se recusou a assumir a direção dos entendimentos, apenas
não concordou com os termos do acordo proposto pelo empregador,
de forma que a negociação coletiva chegou a um impasse.
Na ação, as partes
relataram as dificuldades financeiras porque passam os estabelecimentos
de saúde, principalmente os hospitais conveniados ao Sistema Único
de Saúde (SUS), como é o caso. Os empregados do hospital
decidiram instituir uma comissão de negociação depois
de que o Sindeess e a Federação dos Empregados em Estabelecimentos
de Serviços de Saúde no Estado de Minas Gerais (Feessemg)
recusaram-se a negociar com a direção do hospital.
O artigo 617 da CLT prevê a
possibilidade de negociação direta por parte dos empregados
quando o sindicato representativo da categoria e, sucessivamente, a federação
ou confederação a que estiver vinculado, não respondem
ao chamado para assumir a condução dos entendimentos. Depois
de admitir a entrada do sindicato na lide como assistente litisconsorcial,
o TRT/MG julgou improcedente o pedido, invalidando a negociação
direta.
Segundo o TRT/MG, houve demonstração
de que o sindicato buscou uma “composição amigável
para os conflitos existentes entre os trabalhadores e o empregador, apenas
não obteve êxito nesse intento”. Por esse motivo,
segundo o entendimento de segunda instância, não haveria
justificativa para validar o acordo coletivo celebrado sem a necessária
interveniência do sindicato que representa os interesses da categoria.
O hospital e a comissão
de negociação recorreram ao TST contra a decisão
regional. Alegaram que o acórdão do TRT/MG fez “apologia
da supremacia do sindicato sobre a vontade da categoria profissional
que representa”. Após ficar vencido na preliminar em que
apontava a incompetência do TRT para conhecer do pedido e sobre
ele decidir, o ministro relator examinou o mérito da matéria.
Segundo ele, no caso em questão,
não só houve a recusa do sindicato profissional, como também
da própria federação, circunstância que confirma
a total legitimidade e a conseqüente eficácia do acordo coletivo
que a comissão de empregados firmou com o hospital, nos termos
do artigo 8º, inciso VI, da Constituição, e 617 da
CLT. “Em razão da dificuldade financeira que vinha passando
o empregador, situação essa que os próprios empregados
reconheceram, nada mais razoável que negociassem o reajuste de
seus salários atentos a essa realidade”, concluiu Moura
França. (RODC 163/2005-000-03-00.9)
(Virginia Pardal)

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