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REVISTA ISTO É, 07 de maio de 2007
| Brasil
O bom pai das ONG´s


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Folha
de São Paulo, 7 de maio de 2007
Sob Lula, invasões de terra se espalham
e aumentam 24%
Em comparação com segundo governo
FHC, houve ações em maior número de cidades | Ministro
da administração tucana vê expectativa de impunidade
com petista, do que discorda o atual titular do Desenvolvimento Agrário
THIAGO REIS, JOÃO CARLOS
MAGALHÃES
DA AGÊNCIA FOLHA
No primeiro mandato de Luiz
Inácio Lula da Silva, os movimentos de trabalhadores sem-terra
aumentaram o número de invasões de terra e ampliaram
o seu campo de atuação em relação ao segundo
mandato de Fernando Henrique Cardoso (1999-2002). Foram 1.708 invasões
no primeiro governo Lula e 1.379 nos últimos quatro anos do
tucano Fernando Henrique Cardoso, segundo a CPT (Comissão Pastoral
da Terra) -aumento de 24% na administração petista.
Levantamento da Folha a partir
desses dados revela que aumentou também em 24% o número
de municípios com propriedades invadidas em relação
ao segundo governo FHC. No primeiro mandato de Lula, houve invasões
em 790 cidades -14% do total de municípios do país. Nos últimos
quatro de FHC, foram 638.
Marabá (PA) lidera a
lista das cidades com mais invasões no governo Lula. Foram 23.
Bonito (PE) ficou em segundo, com 18. Teodoro Sampaio (SP), no Pontal
do Paranapanema, 17, assim como Maragogi (AL). Em quinto lugar, aparece
Caruaru (PE), com 16 invasões. No segundo governo FHC, Marabá também
ficou na primeira posição, com 16 ações.
Causas
Especialistas divergem sobre
a causa da pulverização das ações. Para
Bernardo Mançano, da Unesp (Universidade Estadual Paulista),
ela é resultado da expansão do agronegócio, que
ampliou os conflitos. "Não se trata de uma opção
apenas política, mas do resultado direto do crescimento de um
modelo concentrador e excludente."
O deputado federal Raul Jungmann
(PPS-PE), que foi ministro do Desenvolvimento Agrário no segundo
governo de FHC, afirma que o otimismo dos movimentos sociais com o
aliado histórico Lula gerou uma expectativa de impunidade. "Eles
pensavam: "É só ocupar que o Lula resolve"." Ele
cita também o não-cumprimento da medida provisória
2.027, de 2000, que impede a vistoria e a desapropriação
de áreas invadidas, como outro fator para a impunidade. "Foi
criado um vazio jurídico."
O ministro do Desenvolvimento
Agrário, Guilherme Cassel (PT-RS), rebate. "Houve uma expectativa
legítima e justa, mas não impunidade. O governo tem cumplicidade
com a luta pela reforma agrária."
Mais movimentos
Já Ariovaldo Umbelino
de Oliveira, da USP, cita o aumento no número de movimentos
agrários como um dos motivos para a nova geografia das invasões. "Os
outros movimentos [afora MST] estão invadindo muito mais." De
acordo com os dados da CPT, o MST foi responsável, durante os
três primeiros anos sob Lula, por quase 60% das ações.
Apenas em 2006 -ano eleitoral-, o movimento diminuiu o ímpeto,
com 212 invasões (53% do total). Ainda assim, os outros movimentos
mantiveram as invasões.
Na avaliação
de Jungmann, o MST não tem mais um inimigo no poder contra
quem se afirmar. "Surgem essas dissidências mais radicais,
que podem muito bem ser cooptadas por dinheiro estatal", afirma.
Os dados da CPT mostram que, no primeira gestão de Lula, Pernambuco
foi o Estado com o maior número de invasões: 344. São
Paulo teve 228 e o Paraná, 157. A Folha utilizou os dados
da CPT porque a Ouvidoria Agrária Nacional não os estratifica
por município.
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Nova Central, 5 de maio de
2007
Brasileiro paga imposto, mas não
recebe benefício
por Roberto Carlos dos Santos e Leandro
Tripodi
Diante de um quadro em que a
carga tributária se mantém acima de trinta e três
por cento do PIB (por mais que se aprimorem os critérios para
a mensuração deste), sem necessidade de se refletir muito,
a resposta afirmativa à pergunta “o brasileiro paga muito
imposto?” é natural.
Mas, para se entender melhor
o que significa uma arrecadação dessa grandeza, é útil
fazer uma simplificação analógica. Imagine o país
como um edifício. Nesse modelo simplificado, a conta condominial
consome trinta e três por cento do rendimento de cada condômino.
Se a renda individual for de R$ 1.000,00 (supondo-se, por questão
de simplificação, que todos recebam a mesma renda), cada
condômino pagará, portanto, R$ 330,00 mensais ao condomínio.
Sem se estender na análise, percebe-se que, em relação
aos rendimentos de cada família, essa cobrança parece alta
demais.
Mas esse é apenas um dos
aspectos da tributação. Voltando ao exemplo, deve-se lembrar
que essa arrecadação tem importância e fundamento
de existência na incontornável necessidade de custeio dos
gastos condominiais – que se revertem na manutenção
do patrimônio comum e em serviços que devem atender às
necessidades dos moradores. É também fundamental que a
inadimplência seja a menor possível, para que os que pagam
regularmente não tenham de suportar um ônus adicional acarretado
pela insuficiência dos recursos arrecadados.
Imagine, agora, não um
edifício apenas, mas dois. No primeiro, existe apenas um funcionário
e não há nenhum serviço disponível além
dos minimamente essenciais. Os moradores têm de, por exemplo, levar
seu próprio lixo para a lixeira. No segundo, os moradores têm
piscina, academia de ginástica, manobrista na porta, além
de vários elevadores e empregados para desempenhar as mais diversas
funções. Suponha-se que o valor cobrado a título
de condomínio seja idêntico, em ambos os prédios.
Nesse caso, é claro que os moradores do primeiro, ao tomarem conhecimento
de que os do segundo condomínio estão pagando o mesmo,
mas obtendo muito mais retorno, terão toda a razão para
reclamar, e até para exigir a diminuição dessa prestação.
Comumente, aceita-se destinar um valor até maior para se desfrutar
de maior conforto e de mais variados serviços, desde que, claro,
se tenha a sensação de que o dinheiro pago está sendo
bem utilizado.
Algo semelhante ocorre com a
tributação no Brasil. Se, em termos relativos ao produto
interno, a carga tributária é bastante elevada, essa percepção
se agrava quando se constata que os tributos pagos não estão
sendo revertidos para o atendimento às necessidades e anseios
da sociedade por segurança, infra-estrutura, manutenção
do patrimônio público, educação e saúde,
em proporções que se possam dizer razoavelmente adequadas
ao que está sendo arrecadado.
Em países cuja carga tributária encontra-se em patamar próximo à do
Brasil, mas onde a sociedade percebe claramente que o dinheiro arrecadado é bem
empregado, com mínimos desvios ou desperdícios, há naturalmente
uma assimilação mais fácil da exigência tributária,
e, logo, maior cooperação entre contribuinte e fisco.
O peso da tributação é avaliado
de modo mais correto quando cotejado com a qualidade do aproveitamento
dos recursos dela provenientes. Dessa forma, conclui-se que o brasileiro
paga muito imposto, não necessariamente em relação
ao que o país produz, mas pela precária qualidade dos
serviços públicos oferecidos ao cidadão.
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Nova Central, 5 de maio de
2007
OIT apresenta, na quinta-feira, relatório
sobre a discriminação no trabalho
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresentará,
na quinta-feira, dia 10 de maio, na sala de sessões plenárias
do Tribunal Superior do Trabalho, o segundo relatório global sobre discriminação
no trabalho, intitulado “Igualdade no Trabalho: Enfrentando os Desafios”.
O documento analisa os avanços realizados nos mecanismos institucionais
e legais de luta contra a discriminação, incluindo os progressos
na ratificação das Convenções da OIT relativas
ao Tema. Examina as formas tradicionais e novas em que a discriminação
se apresenta.
Em Brasília, o relatório
será apresentado pela diretora do Escritório da OIT no
Brasil, Laís Abramo. O evento conta com a parceria do Tribunal
Superior do Trabalho, do Ministério do Trabalho e Emprego, da
Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério
Público Federal, do Ministério Público do Trabalho,
da comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público da Câmara dos Deputados, da Secretaria Especial
dos Direitos Humanos, da Secretaria Especial de Políticas para
as Mulheres e da Secretaria Especial de Políticas de Promoção
da Igualdade Racial. A apresentação formal será feita
no mesmo dia, em Bruxelas, pelo diretor-executivo da OIT, Kari Tapiola,
pelo ministro do Trabalho da Bélgica, Peter Van Velthoven, e a
especialista da OIT, Manuela Tomei, autora do relatório.
O relatório constata a
existência de novas formas de discriminação, como
o tratamento injusto ao contratar trabalhadores jovens ou mais velhos,
pessoas com deficiência e portadores de HIV, e discriminação
com base na orientação sexual. Também explora os
novos desafios apresentados por práticas que afetam os que têm
predisposição genética a desenvolver certas doenças,
ou os que têm estilo de vida considerado pouco saudável
por situações como tabagismo e obesidade.
A OIT ressalta que as formas
tradicionais de discriminação por gênero, idade,
raça e origem social, que afetam milhões de pessoas, continuam
vigentes, apesar dos esforços realizados para combatê-las,
incluindo mudanças na legislação. O relatório
conclui com uma série de sugestões de políticas
e oferece um plano de ação para obter a igualdade para
todos no trabalho.
Há quatro anos,
a OIT publicou o primeiro relatório global com uma avaliação
confiável sobre o tema. Pediu a governos que adotassem um enfoque
mais integrado para eliminar a discriminação no trabalho,
que gera grandes custos para a economia mundial na forma de lucros
não realizados. O relatório deste ano apresenta novas
recomendações baseadas nas lições aprendidas,
com o objetivo de avançar ainda mais na eliminação
de todas as formas de discriminação. (Carmem Feijó,
com informações da OIT)
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Diário Vermelho, 5
de maio de 2007
Emenda 3: ''Derrubar veto é o
fim da CLT'', dizem centrais
Em meio à trégua entre Governo e Congresso para que os parlamentares
não votem o veto à Emenda 3 enquanto o Executivo não apresentar
uma proposta de regulamentação da prestação de
serviço por pessoas jurídicas, as comissões de Direitos
Humanos e Assuntos Sociais do Senado realizaram nesta quinta-feira (3) uma
nova audiência sobre a questão, agora ouvindo representantes de
centrais sindicais e advogados especialistas no tema. No encontro, os convidados
repetiram as críticas já feitas em outra audiência na semana
passada pelo ministro Carlos Lupi (Trabalho).
A Emenda 3, aprovada por ampla maioria no Congresso, proíbe fiscais
de multar uma empresa que substitua funcionário CLT por prestador de
serviço pessoa jurídica (PJ). Na prática, sem a ameaça
de multa, as empresas estariam mais à vontade para sonegar direitos
aos trabalhadores. “Se mantiverem a emenda, a precarização
não é só salarial, mas irá retirar direitos como
férias, 13o e o respeito às normas de segurança e de saúde.
Derrubar o veto é rasgar legislação trabalhista”,
declarou Antônio Fernandes Neto, da Confederação Geral
dos Trabalhadores do Brasil.
No entanto, sabedores de que a retórica não será suficiente
em um ambiente hostil à sua posição e muito simpático à emenda,
os presentes buscaram atacar os argumentos mais utilizados na defesa do dispositivo.
O principal deles: com as irregularidades tendo de ser levadas à Justiça,
o uso de pessoas jurídicas para baratear contratações
diminuiria as despesas com mão-de-obra das empresas, dando-lhes mais
competitividade e capacidade de contratar mais pessoas.
Para Rosa Maria Campos Jorge, presidente do Sindicato Nacional dos Auditores
Fiscais do Trabalho (Sinait), a terceirização decorrente da “pejotização” (neologismo
usado para o uso de pessoas jurídicas, “PJs”, no lugar de
empregados com carteira assinada) não só não gera mais
empregos como aumenta o desemprego. Ela citou estudo do professor da Unicamp
Marcio Pochmann, mostrando que no mesmo período em que foi verificado
aumento de 174 vezes do número de Pessoas Jurídicas na Grande
de São Paulo, o desemprego cresceu de 12% para 17%.
Segundo Carlos Henrique Silva, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), é possível
estabelecer uma relação direta entre o aumento de PJs e a terceirização,
pois esta forma de ente jurídico, de uma pessoa só, representava
em 2004 80% das 4,5 milhões de Pessoas Jurídicas registradas.
O representante da CUT reforçou o ponto de vista da presidente do Sinait,
citando outra pesquisa segundo a qual a adoção de medidas que
precarizam as relações de trabalho semelhantes à Emenda
3 aumentaram o desemprego na Alemanha (saiu de 4,5% para 8,7%), na Espanha,
(15,9% para 16,3%) e na França, (9% para 11,3%).
“ O que gera emprego é crescimento econômico. A emenda 3 vai
usar uma brecha da Lei para precarizar as relações de trabalho”,
concluiu Sebastião Caixeta, da Associação Nacional dos Procuradores
do Trabalho (ANPT). Carlos Henrique Silva também desmistificou a noção
difundida que os encargos sociais elevam o custo do trabalhador no Brasil a um
nível quase insustentável. Segundo dados apresentados por ele,
o custo hora/trabalho do Brasil é de US$ 3, enquanto o mesmo é de
US$ 19,6 no Japão, US$ 20,3 na Europa e US$ 13,7 em Israel.
Outra justificativa da Emenda 3 rebatida pelos presentes foi o argumento de
que a fiscalização do trabalho é um ato “arbitrário”,
que só poderia ser efetuado pelo Judiciário. O advogado trabalhista
Roberto Caldas, da Ordem dos Advogados do Brasil, se posicionou na direção
contrária, defendendo que o país precisa de mais fiscalização
do que a atual. Ele alertou que caso a Emenda 3 seja mantida, o Congresso irá na
contramão de todo o processo de modernização do Judiciário
em curso no mundo e também no Brasil.
A argumentação principal dos críticos à Emenda
3 é que a transferência da autuação hoje feita pelos
fiscais para a justiça abarrotaria os tribunais de processos. Segundo
dados do Sinait, entre 1996 e 2007 os fiscais registraram 5,5 milhões
de trabalhadores em alguma situação que merecia ser investigada. “Se
cada um tivesse que recorrer na Justiça, seriam mais 5,5 milhões
de processos”, critica Rosa Maria Campos Jorge. Ao final, ela e os outros
presentes fizeram um apelo aos senadores pela manutenção do veto à emenda.
Compasso de espera
No entanto, o apelo não teve muito efeito pelo baixo quorum de senadores
na audiência. O clima morno deve esquentar quando o governo finalizar
sua proposta alternativa de regulamentação do uso da pessoa jurídica
em determinadas funções e enviá-la ao Congresso. Segundo
Antônio Fernandes Neto, da CGTB, as centrais mantêm-se contrárias à Emenda,
mas reconhecem a importância de negociar um texto que “entregue
os anéis para não perder os dedos”.
A saída apontada por algumas centrais é o estabelecimento de
piso de faturamento. A pessoa jurídica que ganhasse a partir de R$ 600
mil por ano seria considerada uma exceção e poderia prestar serviço
mesmo mantendo as características de vínculo empregatício
previstas na Consolidação das Leis do Trabalho. Dentro do governo,
outra alternativa em discussão é fazer um recorte por categorias
regulamentadas, tendo para estas um tratamento diferenciado nas exigências
para a contratação de pessoas jurídicas.
O envio da proposta ao Congresso estava previsto para esta semana, mas a difícil
negociação de um texto consensual parece estar demandando mais
tempo. Se no governo a posição majoritária pelo veto tem
prevalecido como pólo importante de resistência, no Congresso
o jogo se inverte e os críticos da Emenda entrarão em terreno
pantanoso.
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Folha
de São Paulo, 5 de maio de 2007
Indústria cresce 3,8% no 1º tri,
com alta de máquinas
Setor de bens de capital sobe 14,8% até março,
sinalizando maior investimento; IBGE vê trajetória de expansão
suave
| Em março, alta da indústria alcançou 1,2%, 6º mês
de crescimento; setores têm expansão desigual, diz Iedi
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
A produção industrial
brasileira cresceu 3,8% no primeiro trimestre, puxada pelo crescimento
mais acentuado em março e pelo setor de bens de capital (máquinas
e equipamentos). O setor é referência de crescimento dos
investimentos e acumula alta de 14,8% de janeiro a março.
Segundo analistas, o crescimento dos investimentos em máquinas e equipamentos
sinaliza uma produção em ritmo mais forte no futuro. Apesar da
recuperação, o IBGE define o comportamento da indústria
como uma "trajetória de suave crescimento, com forte desequilíbrio
entre os setores".
Na prática, cresceu
o fosso entre os setores beneficiados pelo crescimento mundial, como
commodities (minério de ferro e petróleo), e segmentos
que sofrem com a valorização do real, como têxteis
e calçados. O IBGE ressalta, por outro lado, o crescimento mais
disseminado dos bens de capital. No primeiro trimestre houve recuperação
de setores como o de máquinas e equipamentos para agricultura,
com alta de 13,1%, e máquinas para transporte (alta de 9,5%).
Em março, no entanto,
a categoria de bens de capital recuou 0,4% na comparação
com fevereiro. Segundo o IBGE, a queda representa uma acomodação
após quatro meses de crescimento. Na avaliação
do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), os
dados da produção mostram uma forte concentração
setorial. "Somente seis de um total de 27 setores foram responsáveis
por um crescimento de 3,34 pontos percentuais no primeiro trimestre,
o que comparado à evolução total de 3,8% equivale
a 88%. O dinamismo recente da indústria ainda não é generalizado",
analisou.
Segundo Silvio Sales, coordenador
de indústria do IBGE, o setor de bens de consumo semi e não-duráveis
tem freado o crescimento da indústria. No ano, a expansão
foi de apenas 1,3%. Além de questões de mercado interno,
essa categoria é a mais prejudicada pela taxa de câmbio. "As áreas
que têm maior dinamismo na indústria hoje são mais
dependentes de crédito. A trajetória dos semi e não-duráveis é de
evolução moderada", disse. Os bens de consumo duráveis
(eletrodomésticos) acumulam alta de 2,3%. Essa categoria tem
sido afetada pela concorrência de importados na linha marrom
(TV, som, entre outros) e pela expectativa de chegada de produtos de
nova tecnologia. No trimestre, a linha marrom teve queda de 24,3%.
Os bens intermediários
(insumos industriais) acumularam alta de 3,8%, puxados pela metalurgia
básica e por adubos e fertilizantes. Para o ano, a consultoria
Tendências prevê expansão de 3,7%. O último
Relatório de Mercado, organizado pelo Banco Central com instituições
financeiras, indica uma projeção de crescimento de 4%,
um ritmo mais forte do que o do ano passado, quando a indústria
cresceu 2,8%.
Março
A indústria avançou
1,2% em março na comparação com fevereiro e
3,9% em relação a março de 2006. O resultado
representa o sexto mês seguido de crescimento e ficou acima
das expectativas de analistas ouvidos pela Folha. Segundo Marcela
Prada, analista da Tendências, o maior ritmo de expansão
está ligado ao crescimento da produção de bens
intermediários, com alta de 1,8%.
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Folha
de São Paulo, 5 de maio de 2007
Justiça condena rede de postos por
desfiliação sindical
Rede diz que recorrerá da decisão
de 1ª instância
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A rede Gasol, proprietária
de 89 postos de combustível no Distrito Federal, foi condenada
pela Justiça do Trabalho a pagar uma indenização
de R$ 160 mil ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) por dano moral
coletivo, por ter pressionado funcionários a se desfiliaram
do sindicato da categoria. A denúncia foi feita à Justiça
em uma ação civil pública do Ministério
Público do Trabalho. "Houve uma desfiliação
em massa, de 788 empregados [entre março de 2005 e outubro de
2006], porque houve perseguição aos trabalhadores associados
ao sindicato.
Ouvimos vários trabalhadores
que relataram que foram ameaçados até com a perda do
emprego", disse a procuradora Daniela do Monte Varandas, autora
da ação. A pressão, segundo a procuradora, era
feita por gerentes e funcionários em cargo de chefia. "A
empresa Gasol está sendo investigada em 25 procedimentos diferentes
aqui na Procuradoria Regional do Trabalho [do Distrito Federal e Tocantins]
por várias situações, desde assédio moral
até práticas contra o meio-ambiente", afirmou a
procuradora.
O presidente do Sindicato dos
Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de
Petróleo do Distrito Federal (Sintramico), Raimundo Miquelino
da Cunha, disse que denunciou a empresa à OIT (Organização
Internacional do Trabalho) por crime contra a organização
no trabalho.
" A perseguição aos sindicalizados foi uma retaliação
a denúncias que o sindicato tem feito sobre o setor de combustíveis.
Há outros casos em outras redes que também estão sob investigação",
afirmou o sindicalista. O sindicato representa 4.200 funcionários, dos
quais 1.070 são sócios.
Outro lado
O advogado Marcelo Bessa, que
representa o grupo, disse que a Gasol não foi notificada sobre
o pagamento do dano moral coletivo e que recorrerá da decisão
da 15ª Vara do Trabalho de Brasília. Ele afirmou ainda
que houve foi um "racha" entre sindicatos que representam
essa categoria na região. "Esse sindicato [Sintramico]
aparentemente não representa mais a categoria. Na semana passada,
entramos com ação para que a Justiça nos informe
para quem temos de recolher o imposto sindical."
A procuradora ressalta
que a ação não teve como objetivo "defender" qualquer
sindicato. "O fato é que a empresa coagiu seus empregados
a se desfiliarem, até por meio de cartazes."
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Folha
de São Paulo, 6 de maio de 2007
Por 2010, Lula quer aproximar Ciro do PT
Presidente não vê nome forte no
seu partido e avalia que, por ora, ex-ministro é opção
mais viável para ser candidato à sucessão | Para
Lula, Dilma tem futuro político, ainda mais se o PAC obtiver êxito,
e Jaques ainda é um nome que precisa amadurecer até as
eleições
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Avaliando que Ciro Gomes (PSB-CE) é hoje
o nome mais forte do seu campo político para ser candidato ao
Palácio do Planalto em 2010, Lula pediu ao ex-ministro da Integração
Nacional e deputado federal que se aproxime do PT. O presidente já comentou
com petistas que o partido não deve lutar obrigatoriamente pela
cabeça de chapa daqui a quatro anos. Acha que Ciro pode ser
a melhor aposta em 2010.
Na avaliação
de Lula, o governador de Minas, Aécio Neves, só será candidato
a presidente se trocar o PSDB pelo PMDB. O presidente crê que
os tucanos darão preferência à candidatura presidencial
do governador de São Paulo, José Serra. Quando fala de
presidenciáveis petistas, Lula tende a desconversar. Avalia
que o partido não possui nome inquestionável. Na hipótese
de não conseguir construir uma candidatura sólida até 2010,
Lula avalia que uma aliança com Ciro deve ser cogitada. Essa
aliança teria o PMDB e outras legendas que apóiam o segundo
mandato.
Reservadamente, Lula diz que
a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) tem futuro político.
Interlocutores recentes saíram de conversa com Lula com a impressão
de que, se o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
obtiver êxito, Dilma pode ser uma candidata do bolso do colete
-operação que hoje parece complicada. O presidente está ciente
da dificuldade de o PT abrir mão de uma candidatura a presidente
em favor de um aliado. No entanto, acha que isso será possível
se até 2010 o partido não construir um nome que tenha
destaque nas pesquisas.
Em avaliações
reservadas, marqueteiros disseram a Lula que Ciro deverá ter,
de partida, cerca de 20% de intenção de voto nas pesquisas.
Se o governo estiver bem avaliado e se ele se dispuser a apoiar Ciro,
o presidente julga que o ex-ministro seria bem competitivo. Na disputa
pela presidência da Câmara, na qual Arlindo Chinaglia (PT-SP)
derrotou Aldo Rebelo (PC do B-SP), a cúpula petista e Ciro se
estranharam. Ciro apoiou Aldo e passou a costurar uma candidatura ao
Planalto baseada em três siglas: PSB, PDT e PC do B. Ele busca
ainda atrair setores do PSDB e até do DEM (ex-PFL).
A Folha apurou que Lula conversou
com Ciro e pediu que ele fizesse as pontes com o PT. Lula também
pediu ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, que falasse com Ciro.
Para o presidente, Aécio terá dificuldade para viabilizar
sua candidatura presidencial no PSDB. Uma eventual filiação
de Aécio ao PMDB o colocaria entre possíveis candidatos
do campo lulista, mas o presidente sabe que é operação
arriscada e difícil para o mineiro.
O peso político e econômico
do Estado de São Paulo e o previsível desempenho superior
nas pesquisas contam a favor de Serra na disputa contra Aécio,
avalia Lula. Por isso, o petista acredita que a ministra do Turismo,
Marta Suplicy, tende a seguir o caminho estadual. O governador Jaques
Wagner (PT-BA) é visto no Palácio do Planalto como um
nome que terá ainda de amadurecer e ganhar mais musculatura
para concorrer à Presidência. Lula tem demonstrado em
conversas disposição de ajudá-lo.
Recentemente, o presidente
fez um comentário sobre eventual efeito político no
Brasil da eleição de Cristina Kirchner para a Presidência
da Argentina. Senadora e mulher do atual presidente, Néstor
Kirchner, ela é cotada para concorrer à Casa Rosada
em 2007 ou 2011.
Nesse contexto, Lula avalia que uma mulher poderá ser candidata. E seus
sinais vão na direção de Dilma Rousseff. Lula afasta a
hipótese de tentar mudar a Constituição para concorrer.
Eventual candidatura após quatro ou cinco anos não está fora
de cogitação.
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Folha
de São Paulo, 7 de maio de 2007
Vítima de leucemia, Enéas
morre no Rio aos 68 anos
Três vezes candidato ao Planalto, foi eleito à Câmara
com 1,57 mi de votos em 2002 | De família pobre, chegou a simpatizar
com o PCB na época em que estudava na faculdade, mas depois se
tornou ultranacionalista
Jorge Araújo - 3.mar.2000/Folha
Imagem

DA SUCURSAL DO RIO
Enéas Carneiro (PR-SP),
68, o deputado federal mais votado em números absolutos na história
do País (1,57 milhão de votos em 2002), morreu ontem às
14h no Rio de falência múltipla dos órgãos
decorrente de uma leucemia. Era médico cardiologista, professor
universitário e parlamentar desde 2003.
A Câmara suspendeu a
sessão de hoje e manterá a bandeira nacional a meio-mastro.
Segundo o líder do PR na Câmara, Luciano Castro, Enéas
estava doente desde o início de 2006. Ele fazia sessões
de quimioterapia e vinha de uma série de internações
para combater o câncer. Adriana Lorendi, ex-mulher de Enéas,
disse que ele acreditava que a quimioterapia não estava surtindo
efeito e desistiu das sessões. Há cinco dias, os médicos
o autorizaram a ficar em casa. O velório será no cemitério
Memorial do Carmo, no Caju, das 9h às 16h.
"Ele vinha em uma luta
muito grande contra a doença. Foi uma grande perda. Ele foi
uma figura de renome nacional. Lamento que não tenha chegado
a vivenciar o partido [PR] que ajudou a criar", disse Castro.
No ano passado, ele aceitou a fusão do Prona com o PL. Em abril
de 2006, causou surpresa na Câmara ao aparecer sem sua barba
negra, após três semanas em licença médica: "Perdi
minha barba, mas, com ajuda de Deus, estou vivo". E atualizou
o slogan: "O importante é que, com barba ou sem barba,
meu nome é Enéas".
Enéas ostentava a barba
longa e óculos de aros escuros desde 1989, quando concorreu
pela primeira vez à Presidência como candidato do partido
que criou, o Prona (Partido da Reedificação da Ordem
Nacional). Com 15 segundos por inserção, concluía
suas mensagens rapidamente, finalizando com o bordão "Meu
nome é Enéas!". Simpatizante do PCB na juventude,
dizia ter se afastado do marxismo depois que Jacques Monod, Prêmio
Nobel de Medicina em 1965, "provou que o funcionamento das moléculas
de RNA e DNA não era previsto pelo materialismo dialético".
Dizia anular o voto desde que Jânio Quadros o "decepcionou" e
que o golpe de 1964 não afetou o "cidadão comum".
Ficou conhecido pelas posições
ultranacionalistas. Criticava Lula por ignorar a "bauxita refratária".
Em 1998 defendeu a fabricação da bomba atômica, "para
sermos respeitados". Após três tentativas frustradas
de se eleger presidente, em 2002 teve votação recorde
para a Câmara, elegendo sozinho outros cinco deputados. Só um
ficou no partido -os demais foram acusados de envolvimento com os sanguessugas.
Em 2003, teve os sigilos bancário
e fiscal quebrados pela Justiça sob acusação de
ter vendido candidaturas nas chapas do Prona e foi acusado de embolsar
verbas de custeio da Câmara. Negava as acusações.
Como parlamentar, teve atuação apagada -só apresentou
dois projetos de lei- e acabou reeleito com votação bem
mais modesta: 386.905 votos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de maio de 2007 | Brasil
Governo prevê queda do déficit
até 2010
Redução será o
resultado do aumento da receita
Brasília – Mesmo sem promover qualquer reforma nas regras de aposentadoria
e pensão, o governo projeta uma forte queda do déficit da Previdência
Social até 2010, último ano do segundo mandato do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2007, o déficit ficará em
R$ 45,5 bilhões ou 2,03% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto
em 2010 ele cairá para R$ 42,5 bilhões ou 1,44% do PIB,
de acordo com a avaliação financeira e atuarial elaborada
pelo Ministério da Previdência Social, que foi encaminhada
ao Congresso Nacional juntamente com o projeto de lei de diretrizes orçamentárias.
No cenário traçado
pelo Ministério da Previdência, as despesas com benefícios
previdenciários crescerão 10% ao ano, em média,
mas se manterão praticamente constantes em comparação
com o PIB - em torno de 8,1% do PIB. Já as receitas terão
um crescimento médio de 13% ao ano e subirão 0,6% do PIB
no período de três anos. Assim, a queda do déficit
resultará do forte aumento das receitas, e não da redução
das despesas com benefícios.
O forte crescimento das receitas
projetado para os próximos anos não decorrerá das
medidas de melhoria de gestão ou da criação da Receita
Federal do Brasil, também chamada de Super-Receita, que resultou
da fusão da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita
Previdenciária, e que começou a funcionar na semana passada.
O estudo apresentado pelo Ministério da Previdência sequer
menciona os efeitos da criação da Super-Receita. O comportamento
da receita previdenciária será fortemente influenciado,
segundo o estudo, pelas previsões para o crescimento da economia
e da massa salarial até 2010.
Entre as medidas consideradas
pelo Ministério para ajudar no controle das despesas estão
a alteração das regras de cálculo do auxílio-doença
(cujo projeto de lei tramita no Congresso), a revisão das aposentadorias
por invalidez e o controle da concessão do auxílio-doença.
O secretário de Políticas de Previdência Social
(SPS), Helmut Schwarzer, garante que, no curto prazo, “não
haverá nenhuma explosão do déficit da Previdência”,
mas sustenta que, no longo prazo, o Brasil enfrentará problemas
nessa área.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de maio de 2007 | Economia
Crédito habitacional terá juro
menor
Financiamento mais barato beneficia famílias
com renda mensal entre R$ 3,9 mil e R$ 4,9 mil
Brasília – Os juros cobrados nos empréstimos habitacionais
para famílias com renda mensal entre R$ 3,9 mil e R$ 4,9 mil, que utilizam
recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), vão
cair de 10,16% ao ano mais TR (Taxa Referencial) para 8,66% mais TR. O corte
vale para as operações novas e será implementado nos próximos
dias, informou a instituição.
As novas taxas foram esclarecidas
ontem pela Caixa Econômica Federal. Na quinta-feira, os ministérios
do Trabalho e das Cidades, ao final da reunião do Conselho Curador
do FGTS, anunciaram que a taxa cairia de 8% mais TR para 6,5% mais TR.
Mas, esclareceu a Caixa, esses números não são o
juro final. Eles se referem à rentabilidade mínima que
o FGTS recebe ao repassar os recursos para a Caixa – que, por sua
vez, o empresta aos mutuários. O juro cobrado do mutuário é um
pouco maior, pois o banco acrescenta uma remuneração para
cobrir custos administrativos, margem de lucro e o risco de inadimplência.
Por isso, o juro na ponta era
de 10,16% e agora será de 8,66%, informou a Caixa. Assim, a instituição
financeira repassará aos tomadores finais dos créditos,
integralmente, a queda de 1,5 ponto porcentual decidida pelo Conselho.
Além de cortar o juro à casa
própria, o Conselho Curador reduziu o custo dos financiamentos
para obras de água e esgoto. As reduções são
uma forma de dar um “empurrãozinho” no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro
pelo governo federal. O corte nos juros foi feito para acompanhar a queda
da taxa básica da economia brasileira (Selic), que vem sendo cortada
pelo Banco Central desde setembro de 2005.
Na casa própria, a redução
atingiu as chamadas operações especiais, onde são
financiadas as famílias com renda mensal de R$ 3,9 mil a R$ 4,9
mil. Para esse segmento, o conselho já destinou R$ 450 milhões
para financiamentos habitacionais em 2007.
O Conselho Curador é quem
dá as diretrizes da aplicação dos recursos do
FGTS e fixa as taxas de retorno. O FGTS é grande provedor de
recursos para financiamentos da casa própria. Dos cerca de R$
25 bilhões créditos destinados à habitação
em 2006, o FGTS respondeu por R$ 11 bilhões, seguido pelos recursos
da poupança (R$ 9,3 bilhões). Ele é formado por
depósitos mensais dos empregadores equivalentes a 8,5% dos salários
nas contas dos empregados.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 05 de maio de 2007 | Economia
Redução de imposto para
grande empregador sai em 20 dias
Governo anuncia medidas para diminuir perdas
de setores que sofrem com o câmbio
São Paulo – O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que o governo deve
anunciar, em 20 dias, uma série de medidas para reduzir os
custos das empresas intensivas em mão-de-obra. De acordo com
o ministro, vários setores deverão ser contemplados
pelo benefício, entre eles têxteis, confecções,
calçados, móveis e construção civil.
“Queremos desonerar
as folhas de pagamento das empresas de mão-de-obra intensiva”,
disse Mantega, sem dar mais detalhes sobre as medidas. Segundo ele,
a equipe técnica está estudando os impactos sobre as
contas públicas. “As alternativas estão sendo
analisadas. Se os benefícios virão sobre a folha de
pagamento, PIS/Cofins ou sobre o faturamento, não temos uma
posição definitiva. Não quero ser precipitado,
pois isso pode causar uma repercussão forte. Se errar na mão,
fica com um abacaxi”, afirmou Mantega.
O ministro mencionou as ações
que o governo deve adotar no curto prazo depois de ter afirmado que
as empresas precisam se preparar para serem mais competitivas. Segundo
ele, “ou as empresas ficam mais competitivas ou vão
perecer”. Ele exortou os grupos empresariais brasileiros a
se tornarem mais eficientes, diante dos avanços da concorrência
internacional promovidos pela globalização. “A
disputa está cada vez mais acirrada.”
Mantega disse que as empresas
brasileiras “precisam renovar tecnologia e comprar máquinas
mais baratas e disputar mercados com as empresas estrangeiras”.
O ministro comentou que o
governo está preocupado com uma eventual valorização
excessiva do real, e por isso quer colaborar para o aumento da competitividade
do setor produtivo. E citou como exemplo a redução
de custos tributários, financeiros e de obras de infra-estrutura,
especialmente com a adoção do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Para Mantega, na atual conjuntura
da economia brasileira “é inevitável uma valorização
do real”. De acordo com ele, é impossível que
o Brasil, com as condições atuais dos fundamentos macroeconômicos,
sobretudo da balança comercial, não valorize sua moeda.
O ministro também
afirmou que no curto prazo o Banco Central deve continuar comprando
dólares para aumentar as reservas internacionais. “Hoje
são US$ 120 bilhões de reservas, mas logo vamos falar
de US$ 150 bilhões, US$ 160 bilhões. Isso é uma
meta do governo.”
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JORNAL DO ESTADO, 07 de maio
de 2007 | Economia
Fraude
INSS encontra 6.465 inválidos
trabalhando
Esses segurados deverão
prestar esclarecimentos pois, pela lei, quem retorna ao trabalho
por conta própria deve ter o benefício cancelado.
O Ministério da Previdência
Social iniciará, no fim deste mês, a convocação
de um total de 6.465 aposentados por invalidez que retornaram voluntariamente
ao mercado de trabalho — 1.971 deles em São Paulo. Essas
pessoas vão receber cartas solicitando o comparecimento aos postos
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Esses segurados deverão
prestar esclarecimentos pois, pela lei, quem retorna ao trabalho por
conta própria deve ter o benefício cancelado. Além
desse primeiro lote de aposentados, o governo vai chamar outras 53 mil
pessoas em situação semelhante, entre junho e julho.
Ainda neste mês, outros
868 segurados com auxílio-doença também vão
receber a carta de convocação — o INSS identificou
que essas pessoas recebem o benefício previdenciário e
um salário, o que é proibido.
As irregularidades foram detectadas pelo cruzamento de dados do Cadastro Nacional
de Informações Sociais (CNIS) e da folha de pagamento da Previdência.
Os beneficiários convocados terão um prazo de dez dias, após
o recebimento das cartas, para comparecer aos postos INSS.
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ, 06 de maio de 2007
O piso nacional dos professores e o plano
de desenvolvimento da educação
Edésio Passos
Essencial para o povo brasileiro,
em especial aos trabalhadores e empresários, o Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE) lançado pelo Presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação
Fernando Haddad no dia 24 de abril. Além dos programas gerais
de educação, o plano destaca (1) 150 novas escolas técnicas
(seis no Paraná: Foz do Iguaçu, Jacarezinho, Paranaguá,
Paranavaí, Telêmaco Borba e Umuarama) (2) Institutos Federais
de Educação Técnica, (3) 100 mil vagas ano no
ProUni, (4) mil pólos de formação dos professores,
(5) piso salarial nacional dos professores de R$850,00, (6) laboratórios
de informática em 130 mil escolas, (7) 100 mil professores atuando
na alfabetização de adultos, (8) novo indicador da educação
básica, (9) 600 milhões para aquisição
de ônibus e barcos escolares, (10) Olimpíadas de Português
em 80 mil escolas públicas, (11) Provinha Brasil, para avaliar
a alfabetização dos 6 aos 8 anos, (12) luz em todas as
escolas (13) produtos de conteúdos didáticos digitais,
(14) dobrar o número de vagas nas universidades públicas,
atualmente em 580 mil. O destaque para a valorização
do ensino profissionalizante, a melhoria salarial dos professores,
o avanço significativo nos laboratórios de informática,
a melhoria nas condições de transportes, são alguns
fatores fundamentais para a educação no País,
refletindo diretamente no crescimento da economia, já que o
plano caminha em conjunto com o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Piso nacional: o projeto de lei já encaminhado à Câmara
dos Deputados é o seguinte: “PL 619/2007 -Regulamenta
o art. 60, inciso III, alínea “e”, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, para instituir o piso salarial
profissional nacional para os profissionais do magistério público
da educação básica. O Congresso Nacional decreta:
Art. 1.º O piso salarial profissional nacional para os profissionais
do magistério público da educação básica
será de R$ 850,00 (oitocentos e cinqüenta reais) mensais,
pela jornada de quarenta horas semanais. Parágrafo único.
O valor mencionado no caput compreenderá todas as vantagens
pecuniárias, pagas a qualquer título, e será aplicável
a todos os profissionais, em caráter permanente ou temporário,
no exercício das atividades referidas no art. 3.º. Art.
2.º A integralização do valor de que trata o art.
1.º pela União, Estados, Distrito Federal e municípios
será feita progressiva e proporcionalmente até janeiro
de 2010, observado o seguinte: I - acréscimo de um terço
da diferença entre o valor atual e o valor referido no caput
do art. 1.º até janeiro de 2008; II - acréscimo
de dois terços da diferença entre o valor atual e o valor
referido no caput do art. 1.º até janeiro de 2009. Art.
3.º Para os fins desta lei, são consideradas atividades
do magistério público da educação básica
as exercidas por professores e especialistas em educação
no desempenho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento
de educação básica em seus diversos níveis
e modalidades, incluídas, além do exercício da
docência, as de direção de unidade escolar e as
de coordenação e assessoramento pedagógico. Art.
4.º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação”.
Call Center: a Portaria n.º 09, de 30/3/2007
(DOU 2/4/07), do Ministério do Trabalho e Emprego, disciplina
o trabalho dos operadores de teleatendimento / telemarketing (NR 17,Anexo
II), desde a jornada de trabalho, até questões de higiene
e segurança. Milhares de trabalhadores estão empregados
nessas atividades, justificando-se as normas regulamentadoras em detalhe.
Relações entre capital e trabalho: O
deputado federal Nelson Marquezelli, presidente da Comissão
do Trabalho, Administração e Serviço Público
da Câmara dos Deputados, pretende que o Conselho de Altos Estudos
e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados
efetive estudos sobre o tema “Modernização das
relações entre capital e trabalho: em busca de um modelo
alternativo à ampla tutela estatal”.
Revogação da Portaria 42/07: O presidente
da ABRAT, Luiz Salvador, em artigo publicado no Consultor Jurídico
em 23 de abril, “Limites da Flexibilização”,
examina os aspectos negativos da Portaria 42/2007, do Ministro do Trabalho
e Emprego, que modifica o sistema de redução do intervalo
para alimentação do trabalhador nas empresas, fixando
a necessidade de acordo ou convenção coletiva de trabalho.
Na visão do advogado paranaense, a portaria é inconveniente
e inoportuna, propugnando sua imediata revogação.
Curso de atualização trabalhista: a
Secretaria Regional da CNTI e a Fetraconspar realizam em Curitiba,
dias 9 e 10 de maio, o curso de atualização trabalhista “Da
contratação ao pagamento de férias, teoria e prática”,
ministrado pela advogada e professora Rosemary Christina Pila Teles. É destinado
a dirigentes sindicais, empregados de entidades sindicais, estagiários
e trabalhadores de base, proporcionando a oportunidade de ampla atualização
das inovações da legislação do trabalho
e examinando casos concretos relacionados com os temas em estudo.
47.º Congresso Brasileiro de Direito do Trabalho, da LTr: será coordenado
pelo prof. Amauri Mascaro Nascimento, de 25 a 27 de junho, no Centro
de Convenções Rebouças, em São Paulo. Os
painéis são os seguintes: (1) a ação civil
pública na Justiça do Trabalho; (2) princípios
informadores do Direito do Trabalho na contemporaneidade; (3) princípios
específicos do Direito Processual do Trabalho e os avanços
do Direito Processual Civil; (4) os novos rumos do Direito do Trabalho;
(5) a informatização da Justiça do Trabalho; (6)
aposentadoria, dissídio coletivo, multas da fiscalização;
(7) o salário e suas novas configurações jurídicas;
(8) reforma trabalhista e sindical. Teses até 21 de maio. Inscrições,
informações: 11-2167-1101.
Recursos no Processo do Trabalho: chega às
livrarias o livro “Os Recursos no Processo do Trabalho”,
autoria de Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Pessoa
Cavalcante (Editora Lumen Juris). Trata-se de obra que apresenta estudo
aprofundado da sistemática das decisões judiciais e dos
recursos, teoria geral e recursos em espécie, abordando as recentes
alterações do CPC e da CLT até 19 de março
de 2007, inclusive as da Lei n.º 11.457/07, que determina a participação
obrigatória da União,na qualidade de terceira interessada,
nos processos trabalhistas.
Recrutamento e formação de magistrados no Brasil: face
a importância da obra citada, a dra. Cristina Maria Navarro Zornig
encaminha material de divulgação, salientando que estão
reunidos escritos de juristas - dentre eles o ministro do TST Gelson
Azevedo, Accácio Cambi, Teresa Arruda Alvim Wambier, Vladimir
Passos de Freitas, e os coordenadores José Maurício Pinto
de Almeida e Márcia Leardini - que examinam a questão
no contexto histórico, crítico e orientador. No livro, é prestada
homenagem ao prof. Egas Dirceu Moniz de Aragão, reproduzindo
seu trabalho clássico “Formação e Aperfeiçoamento
de Juízes”. Edição da Juruá Editora.
Trabalho em Revista: em circulação o
n.º 297, de abril de 2007, do “Trabalho em Revista”,
da Editora Decisório Trabalhista, do dr. Silvonei Sérgio
Piovesan, destacando a entrevista com a juíza Ana Clara de Jesus
Maroja Nóbrega, presidente do TRT/13.ª Região (Paraíba).
Além do amplo noticiário, jurisprudência e artigos
jurídicos, publica o encarte sobre doutrina com seis estudos
de temas da atualidade, dentre eles a nossa análise sobre “Normas
Coletivas sobre a contribuição patronal ao Sindicato
de Trabalhadores. Acórdãos do Tribunal Superior do Trabalho”.
Dano moral: o TST, em seu site, publica texto informativo
sobre o tema. Em um dos itens assinala: “Os valores das condenações
em processos individuais, na maior parte dos casos, variam entre R$
10.000,00 e R$ 30.000,00. ‘Há caso de R$ 3.500,00 para
uma relação que durou 25 dias, e outro de R$ 70.000,00
para um contrato de oito anos’, exemplifica a ministra Cristina
Peduzzi. O ministro Ives Gandra Martins Filho, num das primeiras decisões
do TST relativas ao tema (RR 122/2001-036-12-00.0), ressalta que a
ausência de critérios específicos para fixação
de dano moral na legislação trabalhista “leva o
julgador a lançar mão do princípio da razoabilidade,
cujo corolário é o princípio da proporcionalidade,
pelo qual se estabelece a relação de equivalência
entre a gravidade da lesão à imagem e à honra
e o valor monetário da indenização imposta.”
Benedito Calheiros Bomfim, lição de vida: o
jurista, advogado militante e combatente pela Justiça Social
Benedito Calheiros Bomfim noventa anos de idade em 13/12/2006, sessenta
anos na defesa da causa dos trabalhadores publica excelente depoimento
sobre sua atuação na presidência do Instituto dos
Advogados Brasileiros, reunindo textos históricos que possibilitam
uma ampla visão não apenas de sua direção
naquela secular instituição, como de momentos fundamentais
de afirmação democrática no IAB. Em uma de suas
orações, Calheiros Bomfim ensina: “As rugas da
face atestam que a natureza cumpre sua função biológica,
rumo ao fim do calendário humano. O que se deve impedir é que
elas contaminem a mente, a alma, o espírito, a consciência.
Não devemos temer a velhice, a brancura dos cabelos, mas sim
a escuridão da consciência, nódoas da formação
moral. Cumpre lutar contra o neoliberalismo, que desumaniza e transforma
o homem em produto de consumo, mercadoria descartável. Tampouco
devemos recear a morte, máxime quando bem cumprimos o ciclo
da vida; devemos temer, isto sim, a perda da integridade moral, a invalidez
ou a insanidade”. Lição a anotar e seguir.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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AGÊNCIA BRASIL, 06
de maio de 2007
Desempenho da indústria em
março aponta para aceleração no crescimento do setor
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A indústria
brasileira fechou o primeiro trimestre de 2007 com alta de 3,8% em relação
ao mesmo período do ano passado e de 1,2% sobre o desempenho do último
trimestre de 2006. No mês de março, o setor também
apresentou crescimento de 1,2% sobre o registrado em fevereiro (0,3%)
e de 3,9% na comparação com março de 2006.
Os dados fazem parte da Pesquisa
Industrial Mensal divulgada hoje (04) pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE). Segundo o coordenador da pesquisa, Sílvio
Sales, os resultados de março indicam aceleração
no crescimento da indústria, movimento que vinha ocorrendo em
ritmo suave desde o segundo semestre do ano passado.
“Com esse resultado de
março há um sinal mais claro de uma tendência positiva
na produção industrial e a liderança nesse processo,
que já vinha acontecendo desde o final do ano passado, é dos
bens de capital, da produção de máquinas e equipamentos
que se destaca claramente como o setor mais dinâmico nesse princípio
de ano”, avaliou o técnico do IBGE.
Sales explicou que o crescimento
dos bens de capitais (equipamento para produção de outros
bens) que ocorria antes de forma concentrada, em alguns sub-setores,
como por exemplo, no de informática, agora se generalizou.
Ele salientou, no entanto, que
o avanço da produção ainda é desequilibrado
para o conjunto da indústria do país, principalmente em
função do câmbio favorável que afeta negativamente
alguns setores, mas beneficia outros que importam componentes e equipamentos
e, com isso, se tornam mais competitivos.
“No caso dos bens de capital,
a gente percebe que os vários sub-setores têm mostrado um
desempenho positivo, mas no caso da indústria como um todo ainda
se constata um desempenho bastante desequilibrado. Há setores,
principalmente, da área de bens de consumo com taxas ainda muito
negativas e são aqueles mais sensíveis à entrada
de importados como a indústria de calçados e de vestuário”,
afirmou Sales.
A expansão de 1,2% na
produção industrial do país registrada de fevereiro
para março mantém uma seqüência de seis resultados
positivos consecutivos na comparação mês a mês.
Segundo o levantamento do IBGE, houve alta em 15 das 23 atividades pesquisadas
nesta comparação e os avanços mais significativos
ocorreram no segmento de veículos automotores, de máquinas
e equipamentos e de refino de petróleo e produção
de álcool.
Na avaliação por
categorias de uso, o maior destaque foi desempenho do setor de bens intermediários
(matérias-primas industriais), que é o mais importante
na estrutura industrial e apresentou alta de 1,8% em relação
a fevereiro.
O crescimento de 3,9% na produção
industrial de março 2007 frente a março de 2006 é o
nono resultado mensal positivo consecutivo apurado pelo IBGE ao considerar
períodos semelhantes em anos anteriores. Nessa abordagem avançaram
18 das 27 atividades pesquisadas.
O aumento mais significativo
foi observado nas indústrias de máquinas e equipamentos,
de veículos automotores, de metalurgia básica e de máquinas
e equipamentos de informática. Entre as categorias de uso de
bens de capital foi avançou foi a de bens de capitais que superou
em 12,7% o índice apurado em março do ano passado.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de maio de 2007 | Economia
Custo da construção civil
sobe 0,71% em abril
Índice do SindusCon-SP é utilizado
nos reajustes dos contratos da construção
Milton F. da Rocha Filho
SÃO PAULO - O Custo Unitário
Básico (CUB) da construção civil do Estado de São
Paulo apresentou alta de 0,71% em abril, na comparação
com março. O CUB é o índice oficial calculado pelo
Sindicato da Indústria da Construção (SindusCon-SP)
e reflete a variação mensal dos custos do setor, para utilização
nos reajustes dos contratos da construção civil.
No mês passado, os preços
dos insumos de construção apresentaram um aumento de 0,51%.
Já os custos das construtoras com mão-de-obra registraram
elevação de 0,95% e as despesas administrativas (representadas
pelo salário do engenheiro) não tiveram alteração.
A média ponderada entre essas variações resultou
no CUB de 0,71%, o que significa um custo de R$ 700,99 por metro quadrado.
Dos 55 insumos da construção
cujos preços são pesquisados mensalmente pelo SindusCon-SP,
27 apresentaram em abril variação superior à do Índice
Geral de Preços de Mercado (IGP-M), que foi de 0,04% no mês
passado. Entre os maiores aumentos no mês, estavam: tubo de cobre
(11,22%); alimentação (7,51%); telha ondulada de fibrocimento
(4,74%); granito polido para piso (3,38%); chapa de compensado (3,16%);
brita 2 (2,84%); placa cerâmica (2,65%) e tubo de PVC para esgoto
(1,91%).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 05 de maio de 2007 | Economia
Nokia Siemens Networks cortará 9
mil postos de trabalho
Grupo quer ganhar competitividade no concorrido
mercado de telecomunicações
Reuters
HELSINQUE - A produtora de equipamento
para telecomunicações Nokia Siemens Networks planeja cortar
sua força mundial de trabalho em cerca de 9 mil pessoas, ou 15%,
até o final de 2010, em um esforço por ganhar competitividade
em um mercado cada vez mais concorrido.
O grupo, que já havia
anunciado anteriormente corte de entre 10% e 15% de sua equipe, informou
nesta sexta-feira, 4, ter aberto negociações com representantes
dos trabalhadores na Alemanha e Finlândia, que sustentarão
cerca de metade dos cortes.
A empresa, joint venture entre
a Nokia e a Siemens que iniciou operações no mês
passado, repetiu que pretendia reduzir em 1,5 bilhão de euros
(US$ 2 bilhões) os seus custos anuais, enquanto tenta competir
por encomendas cada vez mais escassas em um cenário de redução
dos gastos por parte das operadoras de telecomunicações.
Na Alemanha, a Nokia Siemens
Networks planeja cortes de entre 2.800 e 2.900 trabalhadores, até o
final de 2010, ante o quadro atual de 13 mil, enquanto na Finlândia
entre 1.500 e 1.700 dos 10 mil trabalhadores atuais seriam demitidos.
Também haverá cortes
em outros países, informou a empresa, sem acrescentar detalhes.
Centenas de pessoas deixaram a nova sede da empresa, em um subúrbio
de Helsinque, quando o plano de cortes foi anunciado, disse Pentti Arpalahti,
representante sindical.
"O sentimento é terrível,
ainda que o anúncio fosse esperado", disse. "As pessoas
estão em choque, de certa forma, mas a resistência começa
a surgir."
Um porta-voz do IG Metall, sindicato
alemão, disse que os dirigentes haviam solicitado mais informações
sobre os planos, e que não descarta a realização
de protestos.
Harri Kolula, diretor sênior
de relações no emprego da Union of Salaried Employees,
central sindical finlandesa, disse que "já que estamos
falando de uma empresa estável em termos financeiros, demissões
deveriam ser evitadas. A primeira opção deveria ser transferir
pessoal para outros postos dentro da companhia".
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ÂMBITO JURÍDICO,
06 de maio de 2007
Empresas prestadoras de serviços
devem recolher 11% para o INSS
A Segunda Turma do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que é obrigação
das empresas prestadoras de serviço recolher 11% sobre o valor
bruto da nota fiscal ou fatura de prestação a título
de previdência. A decisão da Turma seguiu integralmente
o voto do relator do processo, ministro Castro Meira.
A Associação Brasileira
de Empresas de Soluções de Telecomunicações
e Informática (Abeprest) impetrou ação contra o
Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para o não-recolhimento
da contribuição pelas suas associadas. Em primeira instância,
foi concedida segurança (antecipação de efeitos
da ação) para o não-pagamento. O INSS recorreu ao
Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), entretanto
o recurso não foi aceito. Na sua decisão, o TRF3 considerou
que as mudanças na Lei n. 8.212, de 1991, pela Lei n. 9.711, de
1998, teriam alterado o fato gerador e a base de cálculo do tributo.
Portanto, de acordo com o artigo 150, inciso III, da Constituição
Federal, quando criado ou majorado, o tributo só pode ser cobrado
se o fato gerador for posterior ao início da vigência da
lei respectiva, o que não seria o caso. Além disso, não
se poderia confundir o valor bruto da prestação de serviços
com o valor total das remunerações pagas e creditadas.
O INSS recorreu ao STJ, primeiramente
alegando que, segundo o artigo 6º do Código de Processo Civil,
a Abeprest não poderia ser parte legítima na ação.
Alegou também que a Lei n. 9.711 não criou um novo tributo
ou alterou a base de arrecadação, teria apenas mudado o
sistema de arrecadação. Por fim, indicou afronta dos artigos
121, II, e 128 do Código Tributário Nacional (CTN), porque
o acórdão do TRF3 teria restringido excessivamente a responsabilidade
tributária, afastando sua ocorrência no caso em análise.
Esse recurso foi negado, e a Abeprest entrou com ação para
que a decisão tivesse aplicação nacional a favor
de seus associados.
No seu voto, o ministro Castro
Meira considerou que a associação seria parte legítima
da ação, já que é relacionada ao contribuinte
da exação (cobrança de contribuições,
impostos ou dívidas), conforme definido no artigo 121 do CTN.
O ministro considerou que as mudanças da Lei n. 8.212 não
criaram novo tributo ou alteraram a base de arrecadação.
Ele considerou que apenas havia sido estabelecida uma nova sistemática
na arrecadação, algo permitido pela lei e pela jurisprudência
da Casa. Com essa fundamentação, o ministro proveu o recurso
do INSS e considerou o da Abeprest prejudicado (sem razão legal
para continuar).
Fabrício Azevedo
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ÂMBITO JURÍDICO,
05 de maio de 2007
Sindicato sem representatividade não
pode fechar acordo
Quando a representatividade de
um sindicato é impugnada e não há manifestação
expressa da categoria a seu favor, na base territorial em disputa, prevalece
a aplicação do acordo coletivo firmado entre sindicatos
que detêm Carta Sindical.
Baseados no entendimento da juíza
Cátia Lungov, os juízes da 7ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP) acataram recurso de uma
professora contra decisão da 63ª Vara do Trabalho de São
Paulo.
Demitida pela Sociedade Educadora
Anchieta em pleno período letivo, a professora reclamou o pagamento
de verbas rescisórias e o cumprimento do Acordo Coletivo firmado
entre o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São
Paulo (SIEEEP) e o Sindicato dos Professores de São Paulo (SINPRO).
Em sua defesa, a empresa alegou
que, por estar filiada a outro sindicato patronal (Sindicato das Empresas
Mantenedoras do Ensino Médio – SEMEM), não acataria
os termos do acordo.
A vara determinou apenas o pagamento
das verbas rescisórias à professora que , inconformada
com a decisão, recorreu ao TRT de São Paulo.
No tribunal, a relatora do recurso,
juíza Cátia Lungov, observou que a representatividade de
um sindicato deve se basear no que prevê o artigo 511 (parágrafos
2º e 3º) da CLT e não na conveniência da parte.
"É evidente que não
houve manifestação objetiva e expressa da categoria patronal,
na base territorial em disputa, que confira legitimidade ao SEMEM",
reconheceu a juíza.
Apesar da alegação
da empresa, desde que foi criado, em 1999, o sindicato nunca estabeleceu
norma coletiva com o Sindicato dos Professores.
Para a juíza Cátia
Lungov, "a categoria profissional não pode ficar à deriva,
sem norma que norteie as relações de trabalho, à espera
que o segmento patronal dirima suas pendências e delineie definitivamente
suas bases de representatividade".
Por unanimidade de votos, os
juízes da 7ª Turma acompanharam a relatora e condenaram a
Sociedade de Educação Anchieta a pagar os salários
da professora – desde a despedida até o final do semestre – além
de todas as diferenças salariais decorrentes do acordo coletivo
firmado entre o SIEEEP e o SINPRO.
Processo Nº 01300200406302000
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CONSULTOR JURÍDICO,
06 de maio de 2007
Serviço disfarçado
Empregado que trabalha como pessoa
jurídica tem vínculo
Prestar serviços como
pessoa jurídica, constituída imediatamente depois do fim
do contrato, sem alteração nas condições
de trabalho, configura relação de emprego. O entendimento é da
11ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região.
Os juízes confirmaram a sentença da 3ª Vara do Trabalho
de Osasco. Cabe recurso.
De acordo com o processo, em
abril de 2005, uma ex-empregada reclamou por ter sido obrigada pela ABB
a abrir uma microempresa com o objetivo exclusivo de prestar serviços à empresa — entre
novembro de 1999 e março de 2000 — até ser novamente
readmitida por ela.
Durante esse período,
apesar de seu contrato como pessoa jurídica, ela continuou cumprindo
o mesmo horário e exercendo a mesma função de quando
era empregada. Na ação, a ex-empregada pediu a nulidade
de seu contrato de trabalho como microempresa, o pagamento das verbas
rescisórias do período em que trabalhou sem registro e
indenização por danos morais.
A ABB, para se defender, alegou
prescrição do pedido. A primeira instância acolheu
parte da reclamação da trabalhadora. Empresa e ex-empregada
recorreram ao TRT de São Paulo.
No tribunal, o juiz Eduardo de
Azevedo Silva, relator, confirmou a decisão da 3ª Vara do
Trabalho de Osasco. “Houve, sim, alteração formal
do contrato, que não define a controvérsia, pois para o
direito do trabalho vale a realidade, e não o que se põe
no papel”, afirmou. Para ele, “se os fatos indicam que a
relação de trabalho se desenvolveu em regime de emprego,
não tem nenhuma importância nem mesmo o que as próprias
partes contrataram. O princípio da realidade afasta a pertinência
e relevância do contrato firmado entre pessoas jurídicas”.
O juiz também considerou
correta a sentença na parte que negou a indenização
por dano moral. “Não vejo, no caso, dano moral a ensejar
reparação”, concluiu o relator.
Processo 00.902.20.0.53830200-0
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de maio de 2007
Autor da ação
Sindicato não é obrigado
a fazer depósito recursal
Sindicato autor de ação
trabalhista não é obrigado a recolher depósito,
como condição para entrar com recurso na Justiça
do Trabalho. O entendimento é da 5ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho. O relator foi o juiz convocado Walmir Oliveira da Costa.
A decisão se refere a
uma questão que envolve o Sindicato dos Arrumadores Portuários
em Capatazia Avulsos e Mensalistas e na Movimentação de
Mercadorias em Geral e nos Conexos nos Municípios de São
Francisco do Sul, Araquari e Itapoá, a Companhia Integrada de
Desenvolvimento Agrícola do Estado de Santa Catarina (Cidasc)
e o Órgão de Gestão de Mão-de-Obra do Trabalho
Portuário Avulso do Porto de São Francisco do Sul (Ogmo/SFS).
O caso começou em outubro
de 2004, quando a Cidasc comunicou que não iria mais contratar
mão-de-obra por intermédio do sindicato, levando-o a buscar
a intervenção do Ministério Público do Trabalho
de Santa Catarina. Foi firmado um acordo provisório, com validade
de 30 dias, até a formalização de um termo definitivo
sobre a contratação de trabalhadores sindicalizados. Paralelamente,
o Ministério Público do Trabalho ingressou com Ação
Civil Pública para exigir que a Cidasc contratasse somente trabalhadores
cadastrados no Ogmo.
Dois anos depois, o Sindicato
ajuizou ação na 3ª Vara do Trabalho de Joinville (SC)
contra a Cidasc e o Ogmo. Reclamou o cumprimento do acordo firmado em
2004. O processo foi julgado extinto, por perda de objeto, sob o fundamento
de que o prazo de validade do acordo (30 dias) já havia se esgotado à época
do ajuizamento da ação. Adicionalmente, o sindicato foi
condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários
advocatícios de 15%.
O sindicato tentou alterar a
sentença. O Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina) resolveu que o recurso não poderia ser admitido
por não ter sido feito o pagamento prévio do depósito
recursal correspondente aos honorários advocatícios, o
que caracterizaria deserção.
A entidade sindical entrou com
Embargos de Declaração e, posteriormente, Recurso de Revista
para o TST. O relator, juiz convocado Walmir Oliveira da Costa, entendeu
que a decisão deveria ser reformada, para prevenir violação
do artigo 5º da Constituição Federal, tornando sem
efeito a deserção e determinando o retorno dos autos ao
TRT de Santa Catarina.
O relator afirmou que, ao contrário
do que entendeu a segunda instância, o depósito recursal
previsto na CLT não é exigível como pressuposto
genérico de cabimento de recurso ordinário ajuizado pela
parte autora da reclamação na Justiça do Trabalho.
Ou seja: pela norma celetista, esse ônus processual é devido à parte
reclamada na ação trabalhista e não ao autor da
demanda.
RR-4.185/2004-028-12-40.8
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/05/2007
TST mantém justa causa de empregado
que brigou com colega
A Seção de Dissídios
Individuais 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho manteve a justa
causa na demissão de um empregado da empresa Rhesus Medicina Auxiliar
por que ele, não tendo comparecido à audiência em
que deveria prestar depoimento pessoal, foi considerado confesso quanto à matéria
de fato. O empregado, demitido porque brigou com um colega, chegando às
vias de fato, disse que agiu em legítima defesa, mas a empresa
alegou que foi ele quem deu início à agressão.
O empregado foi admitido na Rhesus
em maio de 1993, aos 17 anos de idade, para trabalhar como office-boy.
Em pouco tempo foi promovido a auxiliar de laboratório, lotado
no setor de recuperação de frascos para a coleta de sangue,
com salário de R$ 332,31 mensais. Em setembro de 1995, foi demitido
por justa causa por ter brigado, aos socos, com um colega de trabalho.
Na peça inicial da ação
trabalhista, o empregado contou que o colega há tempos vinha escapando
do trabalho, deixando de executar as suas tarefas e que o serviço
todo acabava “sobrando para ele”. Pressionado pela chefia
para saber o motivo do acúmulo de serviço e do atraso na
entrega dos frascos de coleta de sangue, acabou por delatar o colega,
que, furioso, partiu para agredi-lo. Disse que não teve outra
alternativa a não ser defender-se dos ataques do colega.
Os responsáveis pela empresa,
que presenciaram a briga, demitiram por justa causa os dois envolvidos
na confusão. O auxiliar de laboratório ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando a nulidade da dispensa por justa causa, sob o
argumento de que agiu em legítima defesa, e pediu o pagamento
da verbas rescisórias por demissão imotivada, além
de horas extras e adicional de insalubridade.
O autor da ação,
no entanto, não compareceu à audiência em que deveria
prestar depoimento pessoal. A empresa apresentou contestação
negando a legítima defesa. A sentença foi desfavorável
ao empregado, que, pela ausência na audiência, foi considerado
confesso quanto à matéria de fato, presumindo-se verdadeiros
os fatos narrados na defesa com relação à causa
da dispensa.
O auxiliar de laboratório
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que reformou a sentença. O acórdão do TRT/SP
considerou que mesmo havendo a confissão quanto à matéria
de fato, a demissão por justa causa deve ser robustamente comprovada,
pois compromete toda a vida funcional do trabalhador. O TRT entendeu
que a falta grave alegada não estava suficientemente comprovada
nos autos, e a empresa foi condenada a pagar as verbas rescisórias.
A Terceira Turma manteve a decisão
com base na Súmula 126 do TST, que prevê a impossibilidade
de rever fatos e provas no recurso de revista. A empresa recorreu à SDI
e, desta vez, obteve sucesso. Segundo o voto do ministro Aloysio Corrêa
da Veiga, não é possível afastar a presunção
relativa dos fatos trazidos pela defesa, que confirmam a dispensa por
justa causa, com base apenas nos documentos juntados pelo empregado,
pois o próprio TRT/SP constatou que se referem a um boletim policial,
produzido unilateralmente, e a cópia de um fax, que foi impugnado
pela empresa. (E-RR-434.534/1998.7).
(Cláudia Valente)

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