 |
REVISTA PEQUENAS EMPRESAS,
GRANDE NEGÓCIOS, 14 de maio de 2007
Emprego
Vagas na construção
civil crescem 2,57%
O nível de emprego na construção civil brasileira acumulou
alta de 2,57% no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo
período de 2006, segundo levantamento do SindusCon-SP e da FGV Projetos,
com base nos dados do Ministério do Trabalho, informou a Folha Online.
Somente em março, o saldo
positivo de 18.881 novos postos de trabalho elevou o índice em
1,2%, na comparação com o mês de fevereiro. O bom
ritmo de contratações fez com que o estoque total de empregados
com carteira assinada fechasse os primeiros três meses do ano em
1,592 milhão de trabalhadores.
Até março,
foram agregados 40 mil contratados. A variação percentual
acumulada no ano contra o mesmo período de 2006 foi de 6,04%.
O desempenho em 12 meses foi um pouco melhor, com aumento de 95,2 mil
trabalhadores, ou 6,36% a mais no período.
|
Agência Diap, 12 de abril de 2007
SAÚDE DO TRABALHADOR
Bancos estão em 1º no
ranking de LER/Dort em trabalhadores
Segundo o Ministério da Previdência Social, os bancos estão
em primeiro lugar no ranking de registros de LER/Dort (lesões por esforços
repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho) no
país. De 2000 a 2005, R$ 981,4 milhões foram pagos em auxílio-doença
a 25,08 mil bancários afastados do trabalho por doenças incluídas
nessas classificações.
Os dados estão em reportagem publicada na Folha de S.Paulo, no dia 28
de abril. A publicação coincide com as comemorações
do Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças
do Trabalho. Incluem-se nas LER/Dort doenças de coluna, tendinite, bursite
e síndrome do túnel do carpo, entre outras. Os distúrbios
já são a segunda maior causa de doenças entre os trabalhadores
do país.
Entre os bancários, em média, cada trabalhador permaneceu um
ano e meio afastado. Somados, são 14,9 milhões de dias sem trabalhar.
De acordo com os dados da Previdência, para cada grupo de 10 mil trabalhadores,
520 bancários foram afastados por LER/Dort entre 2000 e 2004.
O segundo colocado no “ranking” de LER/Dort e ramo de fabricação
de tênis, setor em que o número de trabalhadores afetados é de
392 para cada grupo de 10 mil, representando 75% a mais de casos.
|
Folha
de São Paulo, 12 de abril de 2007
Bolsa Família cai abaixo da meta
de 11 milhões de cartões
Governo suspendeu pagamento do benefício
a 330.682 famílias na segunda-feira | Beneficiados terão
90 dias para demonstrar que não excedem o limite de renda do programa
ou terão os seus benefícios cancelados
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O número de famílias
que recebem Bolsa Família ficou pela primeira vez abaixo de
11 milhões desde que o governo Luiz Inácio Lula da Silva
alcançou a meta de pagar o benefício a 11,1 milhões
de famílias. Em maio, o Bolsa Família pagará entre
R$ 15 e R$ 95 a 10,8 milhões de famílias, segundo o Ministério
do Desenvolvimento Social. Três meses antes do primeiro turno
das eleições, o governo cadastrou 1,8 milhão de
famílias e bateu o recorde de 11,2 milhões de cartões.
A queda no volume de pagamentos
em maio deve-se ao bloqueio do pagamento a 330.682 famílias
que supostamente recebem mais do que R$ 120 mensais por pessoa - limite
de renda admitida no principal programa de transferência de renda
do governo federal. O bloqueio foi anunciado na última segunda-feira.
Resultou de cruzamento da renda declarada pelas famílias no
cadastro único com informações da Rais (Relação
Anual de Informações Sociais), do Ministério do
Trabalho, que registra dados do mercado formal de trabalho.
As famílias terão
90 dias para contestar o bloqueio e provar que não recebem mais
que o limite de renda do Bolsa Família. Depois desse período,
os benefícios serão cancelados. Outras 198.634 famílias
serão investigadas por indícios de renda superior a R$
120 por pessoa. Rosani Cunha, secretária de Renda da Cidadania
disse que intenção é recompor o número
de beneficiários e voltar a pagar mais de 11 milhões
de cartões. "A idéia da estimativa [de pobres] é um
rumo. Os 11,1 milhões de famílias não são
um número mágico, são um número de referência",
afirmou.
"É preferível
ficar abaixo da meta e acertar o foco. Nosso compromisso é fazer
com que o benefício chegue a quem mais precisa, buscar quem
está à margem das políticas públicas",
disse. Com base da projeção de número de famílias
pobres no país feita na edição da Pnad de 2004,
o programa fixou a meta de beneficiar 11,1 milhões de famílias.
Desde o início do programa, em outubro de 2003, 1,5 milhão
de benefícios foram bloqueados ou cancelados.
|
Folha de São Paulo,
12 de abril de 2007
ARTICULAÇÃO
Aproximação de Aécio
com PMDB tem dificuldade em MG
PAULO PEIXOTO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
Apesar da conversa que o governador
de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), teve nesta semana com o presidente
nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), o tucano ainda
tem dificuldades em negociar com o PMDB mineiro e tê-lo alinhado
ao seu governo. Depois de ter o partido na oposição na
disputa eleitoral que o reelegeu, Aécio, em março, chamou
para reunião os nove deputados da bancada do PMDB na Assembléia
Legislativa com a explícita intenção de tê-los
na base de apoio do seu governo. Mas ainda não houve sinalização
sobre a reaproximação.
A análise feita por peemedebistas à Folha é que
a legenda em Minas, embora majoritariamente governista, exige um alto
grau de protagonismo. Ou seja, não basta ao PMDB-MG participar
do governo, ele precisa ser uma espécie de parceiro preferencial,
coisa que Aécio nunca demonstrou querer.
Na conversa com Temer,
falou-se sobre a possibilidade de Aécio ir para o PMDB, partido
em que viabilizaria mais facilmente seu projeto presidencial para 2010,
até com o apoio do PT de Lula. Isso porque a avaliação é a
de que José Serra deve ser o candidato do PSDB.
|
Folha
de São Paulo, 12 de abril de 2007
Real valorizado "destrói" 152,4
mil empregos em seis setores
Entre fevereiro de 2006 e fevereiro de 2007,
setores que fecharam vagas, como o de vestuário e o eletroeletrônico,
foram também os que mais importaram
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A valorização
do real em relação ao dólar foi responsável
pela destruição de 152,4 mil empregos em seis setores
da indústria entre fevereiro de 2006 e fevereiro deste ano,
segundo cálculo de Marcio Pochmann, economista do Centro de
Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp. Com
base na PIM (Pesquisa Industrial Mensal) do IBGE e em dados de importação
e exportação do Ministério do Desenvolvimento,
o economista diz que os setores que fecharam vagas, como calçados
e couro, vestuário, madeira e mobiliário, papel e gráfica,
borracha e plástico e eletroeletrônico, foram também
os que mais importaram no período.
Entre fevereiro de 2006 e fevereiro
deste ano, a indústria calçadista fechou 50.035 vagas.
Nesse mesmo período, a importação de calçados
e couro subiu 35,3%. No setor de vestuário, a situação é parecida
-foram fechadas 45.986 vagas, enquanto as importações
cresceram 34%, no período. "A taxa de câmbio -US$
1 vale R$ 2,02- afeta os setores mais sensíveis à importação.
Está havendo substituição de produto nacional
por importado."
Na avaliação
de Pochmann, a valorização do real também é responsável
pela diminuição na relação (elasticidade)
entre a produção e o emprego no país. Historicamente,
a cada 1% de aumento do PIB industrial, o emprego cresce entre 0,45
e 0,55 ponto percentual. No período analisado por Pochmann,
entre fevereiro de 2006 e fevereiro de 2007, a elasticidade foi de
0,33 ponto percentual -isto é, para cada 1% de aumento no PIB
industrial, o emprego, que crescia até 0,55 ponto percentual,
cresce agora 0,33 ponto percentual. "É o efeito da taxa
de câmbio."
Nos cálculos de José Augusto
de Castro, vice-presidente da AEB, associação que reúne
as empresas que exportam e importam, a taxa de câmbio está mais
defasada (em relação à inflação)
do que na véspera da implantação do câmbio
flutuante, em janeiro de 1999. Essa defasagem varia de 7,8% (INPC)
a 39,8% (IGPM), considerando o período de janeiro de 1999 a
março deste ano, segundo cálculos de Castro.
"A tendência é de
a substituição de produtos nacionais por importados se
espalhar para outros setores, como já se verifica nas indústrias
de autopeças e de eletrodomésticos, e resultar em mais
desemprego", diz. Para os setores em que o diferencial é preço, "o
real valorizado é a desgraça total", diz João
Sabóia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade
Federal do Rio de Janeiro). "Quem faz produto diferenciado, mais
caro, está numa situação melhor."
Redução mais
significativa da taxa de juros poderia inverter essa situação,
na avaliação dos economistas, pois isso reduziria o ingresso
de capital especulativo no país e, como conseqüência,
a pressão sobre a taxa de câmbio. "Embora a taxa
de câmbio esteja ruim, sempre defendemos que o câmbio tem
de ser flutuante. A taxa de juro é que precisa cair", diz
Castro. Como o governo já afirmou que a queda da taxa de juros
será lenta e gradual, "essa situação deve
persistir", diz Sabóia.
|
Congresso em Foco, 12 de
abril de 2007
Governo fecha acordo com centrais sindicais
O governo conseguiu fechar acordo com as centrais sindicais, após três
meses de discussão, sobre como será feito o reconhecimento das
instituições que terão direito a parte da verba do imposto
sindical.
Para poder receber o dinheiro,
a central sindical deve ter filiação de no mínimo
cem sindicatos distribuídos em cinco regiões do país;
ter, em pelo menos três regiões do país, 20 sindicados
associados em cada uma delas; ter sindicatos filiados em, no mínimo,
cinco setores de atividade econômica; e ter um percentual de 5%
de sócios sobre o total de sindicalizados do país até 2009
e, a partir daquele ano, ter percentual de 7%.
As exigências constarão
no texto da medida provisória que destinará 10% do imposto
sindical às centrais reconhecidas. Com o consenso, o governo espera
que a MP seja assinada pelo presidente Lula e enviada ao Congresso em,
no máximo, duas semanas.
Contribuição sindical
O imposto sindical é uma
contribuição anual e obrigatória descontada no salário
de todos os trabalhadores com carteira assinada, sejam eles filiados
a sindicatos ou não. O dinheiro é recolhido pela Caixa
Econômica Federal e, apenas em 2006, correspondeu a R$ 1,073 bilhões.
Atualmente a verba é distribuída
da seguinte maneira: 60% para os sindicatos, 20% para o governo, 15%
para federações estaduais e 5% para confederações
nacionais. Com a aprovação da medida provisória,
os 20% do governo seriam divididos com as centrais sindicais reconhecidas,
cabendo a cada um 10% da verba. Tomando como base o imposto recolhido
no ano passado, as centrais sindicais passariam a ter direito, com essa
divisão, a mais de R$ 100 milhões.
Esta seria uma maneira
de garantir o financiamento das centrais até que a reforma sindical
seja feita. A proposta da reforma encaminhada ao Congresso é de
que a contribuição sindical seja abolida e sejam estudadas
novas maneiras de financiamento para as instituições
ligadas à defesa do trabalhador. (Soraia
Costa)
|
Folha
de São Paulo, 12 de abril de 2007
Centrais garantem repasse de R$ 100 mi
Negociação que reconhece juridicamente
as entidades prevê financiamento de 10% do imposto sindical arrecadado
no país | Entidade precisa comprovar que tem representatividade
para obter recurso, referente a um dia de trabalho de todos os profissionais
CLAUDIA ROLLI,DA REPORTAGEM LOCAL
LEANDRA PERES, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após três meses
de discussão, as centrais sindicais conseguiram fechar um acordo
para serem reconhecidas juridicamente e garantir o repasse de 10% do
imposto sindical como fonte de financiamento. Com isso, as centrais
devem receber ao menos R$ 100 milhões por ano, considerando
o valor desse imposto compulsório recolhido pela Caixa Econômica
em 2006 (R$ 1,073 bilhão) e repassado às entidades sindicais.
O imposto sindical corresponde
a um dia de trabalho, descontado no salário de março,
independentemente de o trabalhador ser filiado ou não a um sindicato.
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) prevê que,
do total arrecadado, seja feita a seguinte distribuição:
60% do valor para os sindicatos, 20% para o governo, 15% para federações
estaduais e 5% para confederações nacionais.
Com a medida provisória
que deve ser enviada ao Congresso no máximo em duas semanas,
os 20% até então repassados para a conta especial de
salário e emprego do MTE serão divididos com as centrais
sindicais. "A CUT historicamente defende o fim do imposto sindical
de todas as demais taxas, como a confederativa e assistencial. Mas
ficou o compromisso de montarmos um grupo de trabalho para discutir
uma nova forma de sustentação com apenas uma taxa cobrada
pelas entidades nas negociações coletivas", diz
Denise Motta Dau, secretária de organização da
CUT.
Para serem reconhecidas e ter
acesso ao financiamento de 10% do imposto sindical, as centrais terão,
entretanto, de comprovar sua representatividade, mediante ao menos
quatro critérios:
1) ter filiação
de, no mínimo, cem sindicatos distribuídos em cinco
regiões do país;
2) ter, em ao menos
três regiões do país, no mínimo 20 sindicatos
associados em cada uma delas;
3) ter sindicatos filiados
em cinco setores de atividade econômica, no mínimo;
e
4) cada central terá de
ter um percentual de 5% de sócios sobre o total de sindicalizados
do país -a partir de 2009, esse percentual sobe para 7%.
"O acordo é um
avanço porque até então se media a representatividade
de uma central pela quantidade de sindicatos. O que passa a valer agora é o
nível de sindicalização", diz João
Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força
Sindical. "Como as centrais garantirão sua participações
nos conselhos oficiais [do FGTS, do FAT] de acordo com sua representatividade,
isso as forçará a fortalecer seus sindicatos e a se aproximar
dos trabalhadores em sua base", afirma.
Federação
Um dos pontos de maior polêmica
e que emperrava o acordo entre as centrais que participaram das negociações
era o fato de os sindicatos poderem indicar a que federação
e confederação deva ser feito o repasse do imposto. A
Folha apurou que eles terão escolha de indicar ou não
essas entidades -quando não indicarem o percentual vai para
o governo.
"Foi preciso que
cada um cedesse um pouquinho para chegarmos a um consenso. As centrais
sindicais já são reconhecidas no mundo inteiro e estávamos
atrasados nessa questão", diz o ministro Carlos Lupi
(Trabalho), no site do MTE.
|
Folha de São Paulo, 12 de abril de 2007

|
Diário Vermelho, 13
de maio de 2007
O que está em jogo no reconhecimento
das centrais sindicais?
As reuniões das centrais sindicais com o ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, para tratar da regulamentação das entidades apresentam
algumas questões novas para o movimento sindical brasileiro. Se a proposta
do governo for aprovada, as entidades passarão a ter critérios
institucionais de representatividade e legitimidade, tudo para assegurar que
os milhões de reais, que deixarão de ir para os cofres públicos,
sejam bem investidos no fortalecimento das entidades.
A proposta de projeto de lei
que vai dar reconhecimento institucional às centrais sindicais
tem como objetivo criar critérios de representatividade e regulamentar
a participação das entidades nos colegiados públicos,
como o Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador)
e o Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço),
entre outros fóruns. Além disso, volumes consideráveis
de recursos do imposto sindical poderão ter novo destino.
Representatividade
As centrais sindicais deverão cumprir os seguintes requisitos de representatividade
para participarem dos conselhos públicos e receber as verbas do imposto
sindical: ter filiação de no mínimo cem sindicatos distribuídos
em cinco regiões do país; ter, em pelo menos três regiões
do país, 20 sindicados associados em cada uma delas; ter sindicatos
filiados em, no mínimo, cinco setores de atividade econômica;
e ter um percentual de 5% de sócios sobre o total de sindicalizados
do país até 2009 e, a partir daquele ano, ter percentual de 7%.
Nas reuniões que ocorreram entre o ministério do Trabalho e as
centrais sindicais ficou acordado alteração no Artigo 589 da
CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). A alteração
será feita para que as centrais que atendam os requisitos de representatividade
passem a ter direito a receber o imposto sindical.
Hoje 60% dos recursos são destinados ao sindicato, 15% para federações
sindicais, 5% para confederações e 20% para o governo na conta
especial de emprego e salário. Com a alteração do Artigo
589, os recursos ficarão assim distribuídos: 60% para os sindicatos,
15 para as federações, 5% para as confederações,
10% para as centrais sindicais e 10% para o governo na conta especial de emprego
e salário.
Para a distribuição dos recursos o sindicato terá que
indicar a central sindical ao qual é filiado, assim como a federação
e confederação a ela vinculada.
Quem tem direito
Atualmente 17 entidades reivindicam a denominação de central
sindical. Porém, hoje apenas 6 centrais preenchem os critérios
estabelecidos pela proposta.
O acordo entre o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e as centrais sindicais
prevê um grupo de trabalho para discutir e estabelecer critérios
para a sustentação financeira da estrutura sindical vigente no
país, assim com estabelecer o conselho de relações do
trabalho.
O imposto sindical é uma contribuição anual e obrigatória
descontada no salário de todos os trabalhadores com carteira assinada,
sejam eles filiados a sindicatos ou não. O dinheiro é recolhido
pela Caixa Econômica Federal e, apenas em 2006, correspondeu a R$ 1,073
bilhões.
O impasse na discussão do projeto, que deve ser encaminhado por medida
provisória pelo governo, havia ocorrido porque a Nova Central Sindical,
entidade que reúne maior número de confederações
e federações, não aceitava a proposta de que os sindicatos
indicassem, além da central (como já ocorre hoje), também
a federação e confederação para o recebimento dos
recursos.
Ao que tudo indica, a Nova Central teve que dobrar-se diante da prerrogativa,
apresentada pelo ministro, de que só enviaria o texto ao presidente
se todas as centrais tivessem consenso na proposta. Participam das reuniões
com ministro, a secretaria de relações do trabalho e as centrais
sindicais (CUT, Força Sindical, CAT, CGTB, CGT, SDS e a Nova Central
Sindical).
|
Diário Vermelho, 12
de abril de 2007
CUT quer inclusão na Previdência,
OIT unificação de sistemas
Segundo informações do Ministério da Previdência,
o especialista da Organização Internacional do Trabalho (0IT),
Vinicius de Carvalho Pinheiro, defendeu a unificação dos regimes
de previdência dos servidores públicos federais (regime próprio)
e dos trabalhadores da iniciativa privada (Regime Geral de Previdência
Social -RGPS, administrado pelo INSS). Já a CUT propões inclusão
previdenciária.
Gastos com previdência
Segundo Pinheiro, o Brasil gasta hoje 4,8% do PIB com a previdência dos
servidores públicos, enquanto os países da Organização
para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE)
gastam, em média, 2% do PIB.
Para o especialista da OIT, são tendências mundiais a unificação
de sistemas previdenciários públicos e privados, a homogeneização
das regras e o desenvolvimento da previdência complementar.
Crítica
O presidente da CUT, Arthur Henrique, criticou a visão segundo a qual
as reformas previdenciárias devem mexer apenas nas despesas. Para ele, é necessário
encarar, principalmente, as receitas.
Uma das soluções apontadas pelo dirigente sindical é a
inclusão previdenciária: ''com a incorporação de
apenas 3% de pessoas atuantes no mercado de trabalho à Previdência
Social, haveria um incremento de receita de R$ 3 bilhões.”
Arthur Henrique entende que o déficit do sistema previdenciário
não é de R$ 45 bilhões, valor que, segundo ele, inclui
investimentos em políticas sociais, mas de R$ 4 bilhões.
Sugestões
O presidente da CUT considera que a Previdência deveria deixar de cobrar
das empresas pela folha de pagamentos dos empregados, mas pelo faturamento,
o que corrigiria distorções.
O dirigente citou como exemplo o setor financeiro, que fatura muito e só paga
com base na folha de pagamento. Arthur Henrique sugeriu também que as
empresas que se beneficiam com o PAC devem oferecer como contrapartida a contratação
de mão de obra de forma legal.
A proposta da CUT para a Previdência Social pode ser consultada na página
do DIAP, na seção Íntegras.
Regimes Próprios
Já o representante do Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Próprios
de Previdência (Conaprev), João Carlos Figueiredo, ressaltou que
os regimes de previdência dos estados e municípios (100% dos estados
e 39,8% dos municípios têm regimes próprios) têm
R$ 30 bilhões investidos no mercado financeiro.
Segundo ele, um dos problemas do RGPS é que, no passado, o Estado arrecadou
e os recursos não permaneceram no sistema, ou seja, não houve
capitalização, “e os estados e municípios aprenderam
com isso”, ressaltou.
Previdência nos estados
Figueiredo enfatizou que os estados brasileiros mais novos são os que
possuem regimes de previdência mais equilibrados, como Roraima, onde
existem 161 servidores ativos para um aposentado. “Os estados que estão
capitalizando estão mostrando que o sistema é viável”,
concluiu o representante do Conaprev.
Experiência internacional
Participou também do Fórum o representante dos trabalhadores
ativos no Banco de Prevision Social do Uruguai, Ariel Ferrari.
Ele afirmou que o modelo misto adotado por aquele país há 11
anos, de repartição e capitalização individual,
não serviu para ampliar a cobertura previdenciária, pois os custos
de administração dos fundos são elevados (as administradoras
cobram 20% das contribuições) e os salários baixos não
são compatíveis com a capitalização individual.
Representando a Universidade de Münster, na Alemanha, Heins Dietrich Streimeyer,
defendeu a necessidade de reflexão sobre os mecanismos que garantam
a dignidade do trabalhador, ou seja, um sistema justo e sustentável.
|
ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 12 de
maio de 2007 | Economia
Ministro quer triplicar recursos
para qualificar trabalhador
Segundo Carlos Luppi, estão
previstos para este ano R$ 102 milhões
Renata Veríssimo
BRASÍLIA - O ministro do Trabalho, Carlos Luppi, disse nesta sexta-feira,
10, que pretende triplicar os recursos do Conselho de Desenvolvimento do Fundo
de Amparo do Trabalhador (Codefat), em 2007, aplicados na qualificação
do trabalhador. Segundo ele, estão previstos para este ano R$ 102 milhões. "É pouquíssimo.
Pretendo pelo menos triplicar esse valor este ano e muito mais para 2008, porque
esses recursos só atendem 20% da demanda existente", disse o ministro,
que participou da abertura da reunião do Codefat. Segundo ele, como
está havendo um crescimento da oferta de emprego no Brasil é preciso
qualificar o trabalhador para essas novas vagas.
Luppi disse que em Salvador (BA), por exemplo, existe uma oferta de 30 mil
empregos, mas não há mão-de-obra qualificada para preencher
essas vagas. "Estou muito direcionado a que o Codefat seja reforçado
nessa área de qualificação. Ao longo dos anos tem-se reduzido
os recursos para essa área. Mas com o crescimento econômico e
a previsão de que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)
vai influenciar e muito esse avanço, que pode ficar acima da previsão
do governo, temos que investir em qualificação para que o trabalhador
possa estar preparado para esses empregos que vão surgir", disse
o ministro.
Recorde
Ele lembrou que em março foi recorde o número de empregos formais
criados e disse que esse quadro deve se repetir em abril. "Acho que isso é uma
conseqüência natural da política do governo do presidente
Lula, de fazer o crescimento sustentável da economia", disse. Segundo
o ministro, há um consenso em torno do assunto, entre os conselheiros
do Codefat, que deve fazer uma discussão ampla desse processo.
Lupi também informou que a próxima reunião do conselho
passará a ser aberta, podendo ser acompanhada, inclusive, online. "Para
nós é importante que a transparência total seja a marca
do Ministério do Trabalho, porque é dinheiro público e
como todo homem público tenho de dar transparência com o que se
faz com o dinheiro público", disse. Até hoje reuniões
do Codefat são fechadas e apenas ao final são informadas as decisões.
A pauta de hoje discute a liberação de R$ 8 bilhões para
programas do FAT. O orçamento de 2007 do conselho é R$ 17,2 bilhões.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de
maio de 2007 | Economia
Empresas crescem em ritmo chinês
Copel integra grupo de companhias
de capital aberto que avança acima de 10% ao ano
São Paulo – A nova
safra de balanços das companhias de capital aberto é mais
um retrato do Brasil que avança como a China e a Índia.
As empresas que têm ações na Bolsa de Valores
continuam crescendo acima de 10% de um ano para o outro. Dentro desse
universo, já considerado de elite para os padrões brasileiros,
há um grupo que ainda cresce sempre acima da média
das empresas negociadas na Bovespa. Entre elas, em sexto lugar num
grupo de 25, está a Companhia Paranaense de Energia (Copel).
A consultoria Economática
elaborou ranking das empresas de capital aberto que apresentaram crescimento
rápido e constante de receita desde 2003. A Vale do Rio Doce encabeça
a lista. Mesmo com seu porte gigante, ela conseguiu mais que dobrar o
faturamento nos últimos três anos – ele saiu de R$
19,4 bilhões em 2003 para os atuais R$ 45,2 bilhões. Neste
ano, com a incorporação da canadense Inco a roda que move
a Vale vai girar ainda mais rápido.
No total, 25 empresas entraram
no ranking. Para fazer parte dele, teriam de apresentar crescimento acima
de 20,4% de 2003 para 2004; de 10,3% de 2004 para 2005 e, finalmente,
de 9,2% de 2005 para 2006.
O levantamento incluiu 232 empresas
de capital aberto, com valores nominais de receita, sem ajuste de inflação.
A Petrobrás, com faturamento de R$ 158 bilhões em 2006,
não entrou no cálculo para não distorcer o resultado
geral.
Há razões particulares
que explicam o crescimento de cada uma das empresas que aparecem na lista.
Por trás desse desempenho espetacular, existe também uma
mudança estrutural no ambiente de negócios do país.
No Brasil, elas tiveram mais acesso ao capital (seja por meio da Bolsa,
de empréstimos com juros mais baixos ou de fundos que compram
participação em empresas), ficaram mais competitivas e
se abriram ao mundo, exportando mais e se internacionalizando nos últimos
anos. É uma melhora alimentada não só pela competência
dos seus administradores, mas também pelo crescimento da economia
mundial, puxado pela China.
“O Brasil está a
um passo de alcançar o grau de investimento. A melhora dos números
tem reflexos fora e dentro do país. O Brasil ganha mais credibilidade
perante os investidores e as empresas se beneficiam disso”, diz
o coordenador do curso de MBA em Empreendedorismo da Fundação
Getúlio Vargas, Marcus Quintella. “Com o fim da inflação,
as empresas também tiveram de ficar mais bem administradas e eficientes
para sobreviver.”
A construtora e incorporadora
Cyrela soube aproveitar essa onda de mudança. Desde 2003, não
houve um ano em que ela crescesse menos que 62%. De 2004 para 2005, sua
receita aumentou impressionantes 217,3%. Isso, antes mesmo de estrear
na Bolsa. Graças ao desempenho fora da curva, a construtora superou
a barreira de R$ 1 bilhão em receita no ano passado. Em 2003,
seu faturamento era de R$ 130 milhões.
A Cyrela fez antes o que as empresas
do ramo imobiliário estão fazendo só agora. Num
setor dominado por firmas de atuação regional, ela fez,
ainda em 2000, uma aliança com a construtora carioca RJZ para
atuar no Rio de Janeiro. “Boa parte do resultado se deveu à entrada
no mercado carioca”, diz o diretor de relações com
o investidor da companhia, Luis Largman. A estratégia de expansão
foi acelerada com a abertura de capital, cinco anos depois. “Até 2005,
a Cyrela estava em três cidades. Hoje estamos em 16”, diz
Largman.
A TAM foi outra surpresa. Ela
não viu saltos na sua trajetória recente, mas manteve um
ritmo de crescimento de 25% a 30%, um feito para uma empresa que fatura
atualmente R$ 7,3 bilhões. “O crescimento da TAM tem muito
a ver com a queda do dólar, o aumento do número de passageiros
e a falta de concorrência na aviação. Com a crise
da Varig, sobraram apenas duas empresas no mercado”, diz Quintella.
Sozinhas, as condições
externas não bastam. Se a TAM não tivesse se adaptado aos
novos tempos da aviação – em que a falta de eficiência
de custos pode ser fatal –, provavelmente ela teria o mesmo destino
da Varig. “A empresa soube mudar seu estilo. Com a entrada da Gol,
a TAM foi rápida em entender que o mercado estava mudando”,
diz o analista de aviação da Standard & Poors, Reginaldo
Takara. “A Gol ainda é o estado da arte em eficiência,
mas a TAM já se aproximou muito dela.” Na quinta passada,
a TAM divulgou o resultado do primeiro trimestre: a receita cresceu 15,4%.
O raciocínio vale
para a Cemig, que aparece bem colocada no ranking das 15, ao lado de
outras duas do setor elétrico: Copel e AES Tietê. Segundo
especialistas, as empresas de energia, principalmente as distribuidoras,
foram beneficiadas por aumentos de tarifas nos últimos anos.
A Cemig não cresceu apenas por inércia. Em relatório
do Banco Brascan, analistas chamam a atenção para a estratégia
bem sucedida de consolidação e renovação
de contratos e para a boa gestão da companhia. No primeiro trimestre
do ano, o ritmo se manteve. A receita cresceu 14,8% em relação
a 2006.

|
JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
13 de maio de 2007
Cai investimento em qualificação
de mão-de-obra
Recursos federais para programas na área
representavam 0,39% do PIB em 1995; hoje são 0,33%
Arquivo Folha

Escolas do Sistema S são financiadas pelo recolhimento compulsório
de 1% sobre a folha de salários das empresas
São Paulo - O Brasil regrediu no gasto com formação e
qualificação de mão-de-obra na última década,
ao contrário da retórica do governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Em 1995, os recursos para esse tipo de programa, pelos Ministérios
do Trabalho e da Educação e pelo Sistema S (composto por instituições
cujas siglas começam com S, como Senai, Sesi, Senac e Sesc), representaram
0,39% do Produto Interno Bruto (PIB) e beneficiaram 6,1% da População
Economicamente Ativa (PEA). Dez anos depois, caíram para 0,33% do PIB,
atendendo 5,2% da força de trabalho.
Nesse mesmo período, o
número de brasileiros desempregados quase dobrou - de 4,5 milhões
para 8,9 milhões. Apesar disso, falta mão-de-obra especializada
no mercado. Empresas como a Embraer, Weg e Pão de Açúcar
têm que se empenhar para resolver as limitações dos
trabalhadores disponíveis, muitas vezes transformando seus escritórios
e fábricas em salas de aula. ''O que o Brasil gasta nessa área
não é desprezível, mas a eficiência desse
gasto é bastante duvidosa'', diz o economista Márcio Pochmann,
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), autor do estudo sobre
investimentos na formação e qualificação
de mão-de-obra.
Segundo ele, em relação
ao PIB, os gastos do País nessa área equivalem aos de nações
desenvolvidas, como França e Bélgica. A diferença,
destaca, é que o Brasil não tem um sistema nacional de
formação profissional. ''Ainda prevalece a fragmentação
institucional, o que leva a uma disputa entre os programas dos ministérios
e do Sistema S, sem atender ao perfil da demanda das empresas.''
Conforme o estudo do economista,
o volume de recursos para formação e qualificação
profissional atingiu R$ 7,1 bilhões em 2005. Desse total, R$ 5,9
bilhões vieram do Sistema S. Suas escolas são financiadas
pelo recolhimento de 1% sobre a folha de salários das empresas.
Além da contribuição
compulsória, um número cada vez maior de empresas têm
que fazer o papel de escola. A Embraer, por exemplo, tinha dificuldade
para recrutar engenheiros especializados na fabricação
de aviões. A saída foi promover estágios e cursos
de 18 meses no Programa de Especialização em Engenharia
da empresa. Criado em 2002 em parceria com o Instituto Tecnológico
de Aeronáutica (ITA), o programa já atendeu 810 engenheiros.
Todos foram contratados pela Embraer. Os investimentos da empresa nesses
profissionais já chegam a US$ 107 milhões. Em 2006, foram
US$ 29,6 milhões. ''Abrimos 100 vagas este ano'', informa Eunice
Rios, diretora de Desenvolvimento e Pessoas da Embraer.
No primeiro mandato de
Lula, o Ministério do Trabalho repassou apenas R$ 265,8 milhões
para qualificação profissional. No segundo mandato de
FHC (1999-2002), foram mais de R$ 1,5 bilhão. Para este ano,
estão previstos R$ 120 milhões de recursos do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT) para qualificar mão-de-obra. Na
reunião do Conselho Deliberativo do FAT (Condefat) de sexta-feira,
o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu a ampliação
do valor. Para ele, é preciso pelo menos triplicá-lo
este ano e muito mais em 2008.
Marcelo Rehder
Agência Estado
|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
13 de maio de 2007
Fidelidade partidária e perda
do mandato parlamentar
Edésio Passos
Dentre os cinco eixos constantes
da proposta do movimento das entidades da sociedade civil para a reforma
política destaca-se o item três - fortalecimento da democracia
representativa nele inserido a fidelidade partidária como fundamental
para consolidar a representação parlamentar. Como assinalaram
a OAB e CNBB sobre o tema: “A plataforma apresentada tem cinco
eixos... o terceiro eixo é o aperfeiçoamento da democracia
representativa. Os movimentos sociais apóiam os pontos principais
da proposta elaborada pela Comissão Especial de Reforma Política:
- financiamento público de campanhas; - fidelidade partidária;
- voto de legenda em listas partidárias pré-ordenadas;
- a criação das federações partidárias,
em substituição às atuais coligações”.
A fidelidade partidária foi substancialmente fortalecida pela decisão
do Tribunal Superior Eleitoral ao responder, por maioria de seis votos a um,
consulta do PFL no sentido de que os partidos políticos e as coligações
partidárias têm o direito de manter os mandatos obtidos nas eleições
caso o parlamentar venha a se desfiliar do partido. O entendimento do TSE consignou
que “os partidos políticos e as coligações conservam
o direito à vaga obtida pelo sistema eleitoral proporcional, em pedido
de cancelamento de filiação e conseqüente transferência
do candidato eleito por um partido para outra agremiação”.
O relator, ministro César Asfor Rocha, afirmou no julgamento: “Ora,
não há dúvida nenhuma, quer no plano jurídico,
quer no plano prático, que o vínculo de um candidato ao partido
pelo qual se registra e disputa uma eleição é o mais forte,
se não o único elemento de sua identidade política. O
candidato não existe fora do partido político e nenhuma candidatura é possível
fora de uma bandeira partidária”. Ainda votaram pelo posicionamento
de que o mandato pertence ao partido e não ao eleito os ministros Marco
Aurélio, Cezar Peluso, Carlos Ayres Britto, José Delgado e Caputo
Bastos. O voto divergente foi do ministro Marcelo Ribeiro, afirmando que “não
pode haver perda do mandato se o candidato eleito troca de partido, porque
essa penalidade não está prevista na Constituição
Federal nem em normas infraconstitucionais”.
O artigo 55 da Constituição Federal determina: “Art. 55
Perderá o mandato o Deputado ou Senador: I que infringir qualquer das
proibições estabelecidas no artigo anterior; II cujo procedimento
for declarado incompatível com o decoro parlamentar; III que deixar
de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte
das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença
ou missão por esta autorizada; IV que perder ou tiver suspensos os direitos
políticos; V quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
previstos nesta Constituição; VI que sofrer condenação
criminal em sentença transitada em julgado”.
Diante da decisão do TSE, os partidos políticos que tiveram parlamentares,
num total de 23, que migraram para outras legendas PPS, PSDB e DEM (ex-PFL)
requereram ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia,
que convocasse os suplentes dos parlamentares que mudaram de partido, sob alegação
de que, com base na decisão do TSE, o mandato do parlamentar é do
partido político. O presidente da Câmara dos Deputados indeferiu
o pedido e determinou seu arquivamento, alegando que não encontrava
respaldo na Constituição Federal, nem no Regimento Interno da
Câmara.
A negativa do presidente da Câmara dos Deputados ensejou a impetração
de mandados de segurança pelos três partidos perante o Supremo
Tribunal Federal (1) MS 26602, pelo PPS, relator ministro Eros Grau (2) MS
26603, pelo PSDB, relator ministro Celso de Mello (3) MS 26604, pelo DEM, relator
ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha. Alega o PPS, em sua ação,
que “é insofismável que o candidato só viabiliza
a sua eleição graças ao quociente partidário...
os dois primeiros dígitos que ele (o eleitor) deve apertar na urna eletrônica
são os do partido político. O eleitor só aperta os demais
dígitos porque o Brasil adota o sistema das listas abertas”. Entendem
os impetrantes que ocorreu “violação ao sistema eleitoral
agasalhado nos artigos 108 e 109 do Código Eleitoral vigente, assim
como ao disposto no art. 45, caput, da Carta Política da República,
que também determina a adoção do sistema proporcional
para a eleição dos deputados federais”. Nos mandados de
segurança são requeridas a vacância dos cargos dos deputados
federais eleitos pelos partidos e que migraram para outra legenda partidária
e a conseqüente convocação e posse dos suplentes nos respectivos
cargos, inclusive através de medida liminar. Além das informações
a serem prestadas pela Câmara dos Deputados, serão citados o PMDB,
PR e PSC e os deputados federais atingidos pelas medidas.
Manassés Oliveira: O vereador e presidente
da Federação dos Trabalhadores em Asseio e Conservação
no Estado do Paraná Manassés Oliveira, é o primeiro
Secretário do Trabalho e Emprego do município de Curitiba.
Organismo público fundamental para Curitiba e Região
Metropolitana que abriga milhões de trabalhadores e milhares
de empresas. Manassés Oliveira é um experiente e competente
dirigente sindical, além de parlamentar que se destacou pela
sua ação em favor da classe trabalhadora. Suas dificuldades
iniciais se situarão na própria instalação
do organismo, formação de quadros e explicitação
da política a ser implementada.
Ementa de Acórdão, TST: “Acidente de Trabalho.
Dano Material. Pensão. 1. Não importa afronta literal ao art.1539
do Código Civil de 1916 a fixação em parcela única,
e não mediante estipulação de pensão, da indenização
por dano material decorrente de acidente de trabalho que implique redução
parcial da capacidade laborativa do empregado. 2. Toca ao magistrado trabalhista
nortear-se pelo princípio da razoabilidade que informa o Direito do
Trabalho para, criteriosa e prudentemente, determinar a forma de pagamento,
em parcela única, da indenização devida pela Empresa em
virtude de danos patrimoniais causados por acidente do trabalho. 3. A circunstância
de cuidar-se de crédito de natureza trabalhista e, assim, alimentar,
justifica a condenação ao pagamento de indenização única
para que ex-empregados não se sujeitem aos riscos do mercado a que se
sujeitam as empresas. 4.Embargos não conhecidos”. (TST PROC.E-ED-RR-930/2001-010-08-00.6,
relator ministro João Oreste Dalazen SDI, janeiro, 2007 Decisório
Trabalhista, vol. 122, pág. 31).
Direito Sindical: Sentença da juíza
Rita de Cássia Martinez, da 11.ª Vara do Trabalho de São
Paulo - TRT, 2.ª Região, julgou procedente a ação
da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná e
outras Federações Estaduais da categoria profissional,
para “declarar a nulidade do edital de convocação
publicado pelo réu Aécio Darli de Jesus Leite para instalação
da assembléia realizada em 7 de abril de 2006 com a finalidade
de fundar a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção, da Madeira e Assemelhados”.
Com a decisão, a juíza impediu a farsa da fundação
de entidade que pretendia fracionar a Confederação Nacional
dos Trabalhadores nas Indústrias e tentar solapar o movimento
unitário formado pelas Federações Estaduais dos
Trabalhadores da Indústria da Construção e do
Mobiliário. A Federação do Paraná é uma
das entidades que vem denunciando sistematicamente o movimento que
busca enfraquecer o sistema da unicidade sindical em nosso País
(vide autos 00457200601102000)
Eventos: (1) Encontro Terra e Cidadania, de 15 a 18
de maio, promoção do Instituto de Terras, Cartografia
e Geociências, presidido pelo prof. José Antônio
Peres Gediel, destacando debates com Márcio Pochmann, Plinio
de Arruda Sampaio, Luiz Edson Fachin, João Pedro Stédile,
Carlos Frederico Marés, José Cademartori, Liana Carleial
e muitos outros (informações: 41.33047831) (2) Congresso
Brasileiro de Direito Ambiental e Urbanístico, de 17 a 19 de
maio, em Salvador, com as conferências de abertura pelos drs.
Vladimir Passos de Freitas (“Constituição Federal
e a Efetividade das Normas Ambientais”) e Sérgio Ferraz
(“Instrumentos Processuais de Proteção ao Meio
Ambiente”) (informações 0800 707 5246) *** Informa
o presidente da Abrat, dr. Luiz Salvador, que juristas brasileiros
e portugueses se reunirão em Aracaju (SE) de 2 a 4 de agosto
no III Encontro Luso-Brasileiro de Juristas do Trabalho *** A Organização
Internacional do Trabalho-Brasil apresentou, dia 10 de maio, seu relatório “Igualdade
no Trabalho; enfrentando os desafios”, com quadro das formas
tradicionais de discriminação com base no gênero,
raça, idade ou origem social, que atingem milhões de
trabalhadores em todo o mundo.
Processo de reabilitação: A Congregação
da Doutrina da Fé, do Vaticano, examina os nove volumes do processo
de reabilitação encaminhados por 254 bispos brasileiros
em 2006, que a querem em favor do Padre Cícero. O religioso
cearense santo milagroso venerado pelo povo foi proibido pelo Vaticano
de tomar confissão, dar a comunhão e pregar. Depois de
sua cassação, foi eleito o primeiro prefeito de Juazeiro
e, em seguida, vice-governador do Ceará. Viveu 90 anos (1844-1934)
e a fé em seus milagres arrasta mais de um milhão de
pessoas todos os anos no dia 24 de março a Juazeiro. Essa anistia
em favor do Padre Cícero é um dos principais pedidos
ao Papa Bento XVI em sua visita ao Brasil. (Nota: relembre-se Joana
D’Arc, queimada pela Inquisição, depois transformada
em Santa).
Soberania: Decreto n.º 6.107/2007, do Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro José Gomes Temporão,
concede licenciamento compulsório, por interesse público,
de patentes referentes ao Efavirenz, para fins de uso público
não comercial, no âmbito do programa nacional de DST/Aids.
A remuneração do titular das patentes é fixada
em um inteiro e cinco décimos sobre o custo de medicamento produzido
e acabado pelo Ministério da Saúde ou o preço
do medicamento que lhe for entregue. O laboratório dono da patente é o
norte-americano Merck Sharp&Dohme. Segundo o ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, o laboratório “usa
20% de seu faturamento mundial em pesquisa e desenvolvimento, quase
US$5 bilhões por ano. No Brasil, gasta apenas 0,7%” (Folha
de S.Paulo, 7/5/07).
Nicolas Sarkozy: O presidente eleito da França
toma posse dia 16 e propõe, entre várias medidas (1)
simplificar os contratos de trabalho, tornando gradual a concessão
de direitos trabalhistas (2) manter a aposentadoria aos 60 anos e a
jornada de trabalho de 35 horas, mas estimular as horas extras (3)
cortar pensão dos desempregados que recusarem três ofertas
sucessivas de emprego (4) limitar o direito de greve no setor público
(5) criar o Ministério da Imigração e Identidade
Nacional, reduzindo a imigração ilegal e estimulando
ingresso de estrangeiros qualificados (fonte: Folha de S.Paulo, 7/5/07)
Os sete sapatos sujos: Mia Couto, escritor moçambicano,
em sua oração, a 7 de março, na abertura do ano
letivo do Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique,
afirmou: “Não podemos entrar na modernidade com o atual
fardo de preconceitos. À porta da modernidade precisamos nos
descalçar. Eu contei “sete sapatos sujos” que necessitamos
deixar na soleira da porta dos tempos novos. Haverá muitos,
mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico
(1) A idéia de que os culpados são sempre os outros (2)
A idéia de que o sucesso não nasce do trabalho (3) O
preconceito de que quem critica é um inimigo (4) A idéia
de que mudar as palavras muda a realidade (5) A vergonha de ser pobre
e o culto das aparências (6) a passividade perante a injustiça
(7) A idéia de que, para sermos modernos, temos que imitar os
outros”. (Courrier Internacional, 2/4/07)
Edésio Passos é advogado, ex-deputado
federal (PT/PR). E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
Agência Diap, 12 de
abril de 2007
DIREITOS DA MULHER
Câmara aprova licença
para trabalhadoras
O Plenário da Câmara aprovou nesta quinta-feira, 10/05, quatro
projetos de interesse da bancada feminina. Um está relacionado ao combate à exploração
sexual, o outro garante às servidoras e empregadas dos setores público
e privado a dispensa do trabalho para realizar exames preventivos anuais de
saúde, e o outro obriga estabelecimentos comerciais a divulgarem que
exploração sexual é crime.
O substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 1.542/91, do deputado Ricardo Izar
(PTB/SP) aprovado nesta quinta garante à mulher servidora ou empregada
dos setores público e privado a dispensa do trabalho para a realização
de exames preventivos anuais previstos em programas de atenção
integral à mulher do Ministério da Saúde.
Entre os exames estão o de câncer de colo uterino, de ovário,
de mama e de pulmão, aids, osteoporose, endometriose e mortalidade materna.
Para garantir a realização dos exames, o projeto determina o
encaminhamento da servidora ao Sistema Único de Saúde (SUS) ou
a instituições privadas conveniadas com notificação
(na qual deve constar o cumprimento da lei).
O texto garante ainda outros dias de dispensa caso necessário à retirada
dos resultados dos exames e a outros procedimentos recomendados pelo serviço
de saúde. A matéria seguirá agora à sanção
presidencial.
Exploração sexual
Entre os aprovados, está o
PL 4.852/05, que prevê o fechamento definitivo de hotéis
e similares que hospedarem crianças ou adolescentes sem a autorização
escrita dos pais.
Já o PL 4.851/05, da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
(CPMI) da Exploração Sexual, muda o Estatuto da Criança
e do Adolescente (Lei 8.069/90) para especificar melhor as situações
consideradas como crimes relacionados à produção e à divulgação
de cenas de sexo explícito ou pornográficas envolvendo criança
ou adolescente. Como houve mudanças, a matéria retorna ao Senado.
Outra proposta da CPMI, o PL 4.125/04 obriga a afixação de cartazes
em estabelecimentos comerciais - hotéis, postos de gasolina, salões
de beleza e casas noturnas, por exemplo - com o alerta de que a exploração
sexual é crime.
Avanço
O presidente da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT/SP), considerou um avanço a aprovação
das propostas: "Elas produzem mudanças legislativas que
visam a coibir a prática de crimes sexuais contra crianças
e adolescentes".
Integrante da Frente Parlamentar em Defesa da Criança e do Adolescente
e relatora de vários projetos relacionados ao combate à exploração
sexual, a deputada Maria do Rosário (PT/RS) destaca a aprovação
do PL 4.851/05. "Votamos uma questão absolutamente nova, que é a
possibilidade de identificar o agenciamento de crianças por salas de
bate-papo na internet e que são agenciadas para exploração
sexual, transformando isso em crime também."
|
ÂMBITO JURÍDICO, 13 de maio de
2007
Concessão de auxílio-doença
no curso do aviso prévio indenizado suspende o contrato
Concedido auxílio-doença pelo INSS durante o período de
projeção do aviso prévio indenizado, os efeitos da dispensa
só irão se concretizar após o fim do benefício. É esse
o teor da Súmula n. 371 do TST, aplicada pela 7ª Turma do TRT/MG
em julgamento recente de recurso ordinário, com base no voto do desembargador
Paulo Roberto de Castro.
Nos termos da Súmula, a projeção do contrato de trabalho
para 30 dias após a dispensa, pela concessão do aviso prévio
indenizado, tem efeitos limitados às vantagens econômicas obtidas
no período, como salários e verbas rescisórias. “Consequentemente,
não ocorre nulidade da dispensa em virtude do auxílio-doença,
mas sim suspensão do pacto laboral, concretizando-se os efeitos da dispensa
após a cessação do benefício, isto é, a partir
do momento em que a ex-empregada for considerada apta para o trabalho pela Previdência
Social” – esclarece o relator.
Se, no entanto, tivesse sido comprovada doença profissional ou má-fé da
empresa ao dispensar a empregada doente, esta seria obrigada a reintegrar a reclamante
ou a pagar as verbas decorrentes da estabilidade acidentária.
( RO nº 00870-2006-108-03-00-5 )
|
ÂMBITO JURÍDICO,
13 de maio de 2007
Bloqueio judicial de conta-salário
pode ser proibido
Câmara analisa o Projeto de Lei 182/07, do deputado Takayama (PAN-PR),
que proíbe o bloqueio judicial de conta bancária utilizada para
recebimento de salários, desde que não seja utilizada em aplicações
financeiras. Pela proposta, o bloqueio dessas contas será substituído
pela alienação dos bens do devedor.
Takayama argumenta que o bloqueio
das contas-salário priva os trabalhadores "da sua sobrevivência
e do sustento de sua família". O assalariado, diz, é "refém
das transações bancárias" e precisa retirar
o vencimento da conta bancária para "efetuar suas despesas
diárias ou utilizar a mesma conta para pagar suas dívidas".
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas
comissões de Trabalho, de Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra
da proposta:
- PL-182/2007
Rodrigo
Bittar
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/05/2007
TST rejeita competência criminal da
Justiça do Trabalho
O Pleno do Tribunal Superior
do Trabalho, em julgamento de recurso do Ministério Público
em ação penal pública movida contra o município
de Indaial (SC), negou a competência criminal genérica da
Justiça do Trabalho. A decisão, que teve como relator o
ministro Vieira de Mello Filho, seguiu entendimento do Supremo Tribunal
Federal no sentido de que a Constituição Federal, nos incisos
I, IV e IX do artigo 114, não atribuiu competência criminal
genérica à Justiça Trabalhista.
A ação penal foi
movida pelo Ministério Público do Trabalho da 12ª Região
(Santa Catarina) perante o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região.
Antes, havia instaurado ação civil de improbidade ao constatar
que o município de Indaial praticava terceirização
irregular contratando mão-de-obra por meio da Cooperativa de Trabalhadores
por Ofício de Blumenau (Cooperblu). Desse procedimento resultou
um termo de ajuste de conduta (TAC) em que o município se comprometeu
a não mais terceirizar atividades por meio de cooperativas nem
promover outras formas de terceirização sem previsão
legal.
O Ministério Público,
porém, ao comparecer a audiências na Vara do Trabalho de
Indaial, verificou que o acordo estava sendo descumprido: os trabalhadores
que antes prestavam serviços ao município pela Cooperblu
foram novamente terceirizados por outra prestadora de serviço,
a Construções e Comércio Ômega Ltda. Novo
procedimento investigatório foi instaurado. O município
alegou que o termo de ajuste de conduta dizia respeito apenas à contratação
por cooperativas. “É óbvio que o encerramento do
contrato com a Cooperblu e a entrada, no lugar desta, da outra prestadora
de serviços, absorvendo os ‘cooperados’ e colocando-os
novamente à disposição do município, além
de implicar descumprimento por via transversa do TAC firmado, ofende
também o disposto na Súmula nº 331 do TST”,
afirmou o Ministério Público.
Diante da reincidência,
o MPT decidiu ajuizar a ação penal contra o prefeito de
Indaial, o secretário municipal de Planejamento e Obras, o presidente
da Cooperblu e os sócios-gerentes da Construções
e Comércio Ômega, pedindo o afastamento dos ocupantes de
funções públicas. Na inicial da ação
penal, o Ministério Público narrou fatos que, na sua avaliação,
permitiam constatar a “extensão da prática criminosa
perpetrada pelos denunciados, com o intuito de conspurcar o bem jurídico
moral da administração pública e os princípios
que a regem, bem como os direitos trabalhistas da massa que deseja ingressar
no serviço público de forma lícita e regular.”
O TRT/SC declinou da competência
da Justiça do Trabalho e determinou a remessa dos autos ao Tribunal
de Justiça de Santa Catarina. Durante a tramitação
do agravo regimental contra esta decisão do TRT, uma terceira
empresa, a Parcel Serviços Ltda., assumiu os empregados da Construtora Ômega,
levando o MPT a pedir sua inclusão no processo. O TRT negou provimento
ao agravo regimental e manteve o entendimento a respeito da incompetência
da Justiça do Trabalho, levando o Ministério Público
a recorrer ao TST.
Nas razões do recurso,
o MPT explica que ofereceu a denúncia-crime imputando aos réus
a prática de cooperativismo e terceirização irregulares,
com burla ao concurso público, frustração de direito
trabalhista mediante fraude, sonegação de registro de contrato
de trabalho e formação de quadrilha. Sustentou que, com
a Emenda Constitucional nº 45/2004, a Justiça do Trabalho
passou a ter competência para apreciar as causas de natureza criminal
decorrentes da relação de trabalho, com menção
expressa ao ‘habeas corpus’, além de ter sua competência
estendida às relações de trabalho, e não
apenas de emprego, “sem qualquer referência à condição
jurídica das pessoas envolvidas no litígio”.
O relator, ministro Vieira de
Mello Filho, no julgamento do recurso ordinário em agravo regimental
pelo Tribunal Pleno, destacou que, apesar das argumentações
do Ministério Público, o Supremo Tribunal Federal já se
manifestou sobre o tema, no exame de pedido de liminar formulado na Ação
Direta de Inconstitucionalidade nº 3684 ajuizada pelo Procurador-Geral
da República. “O STF concluiu que seria incompatível
com as garantias constitucionais da legalidade e do juiz natural inferir-se,
por meio de interpretação arbitrária e expansiva,
competência criminal genérica da Justiça do Trabalho,
aos termos do artigo 114, incisos I, IV e IX da Constituição
Federal”, afirmou.
O ministro Vieira de Mello
lembrou que o relator da ação no STF, ministro Cezar
Peluso, afirmou que o inciso IV do artigo 114 determina a competência
da Justiça do Trabalho para julgar ‘habeas corpus’, ‘habeas
data’ e mandados de segurança “quando o ato questionado
envolver matéria sujeita a sua jurisdição”,
e que o pedido de ‘habeas’ pode ser usado “contra
atos ou omissões praticados no curso de processos de qualquer
natureza”, e não apenas em ações penais. “Se
fosse a intenção da Constituição outorgar à Justiça
Trabalhista competência criminal ampla e inespecífica,
não seria preciso prever, textualmente, competência para
apreciar ‘habeas’”, afirmou Vieira de Mello. (ROAG
891/2005-000-12-00.1)

|