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DEPACOM, 21 de maio de
2007
SINDPRESP: Boletim data base 1º de março
O SINDPRESP, presidido
pelo Senhor NORIVAL RIESZ SCAGLIONE, fechou a Convenção
Coletiva de Trabalho 2007/2008, e a partir de 1º de março
de 2007, os trabalhadores nas empresas de pré-moldados obtiveram
reajustes acima da inflação:
Confira
o boletim
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Folha
de São Paulo, 21 de maio de 2007
Real forte leva indústria a importar
item acabado
Estratégia é usada devido à longa
queda do dólar
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
Começou com a importação
crescente de insumos, mas a apreciação prolongada do
real levou segmentos tradicionais da indústria a jogar a toalha
e recorrer à importação de bens acabados.
Dessa forma, algumas empresas reduziram sua atuação ao papel
de importadoras de parte da linha de produtos enquanto o governo ainda avalia
como evitar que o dólar teste novos pisos abaixo de R$ 2.
É o caso da Suggar,
tradicional fabricante de exaustores. No passado, chegou a exportar
14 mil secadoras de roupas por mês. Com a valorização
do real, Lúcio Costa, dono da empresa, optou por importar bens
acabados. Com isso, passou a oferecer 40 produtos -34 importados, sendo
28 chineses.
"Cada produto custaria,
no mínimo, R$ 10 milhões para ser fabricado no Brasil.
Estou nesse ramo desde 1966, já passei por superinflação,
confisco da poupança, meus principais clientes pediram concordata.
Decidi pegar minhas ferramentas, passar graxa e guardar. Quem sabe
amanhã começo a produzir mais novamente." Segundo
Costa, a estratégia tem sido adotada por todas as empresas de
eletrodomésticos de pequeno volume. "Só não
fazem isso com a máquina de lavar porque o frete não
vale a pena. O contêiner ainda é caro", disse. Com
a nova estratégia, teve de cortar 104 empregos.
Cenário indefinido
Segundo Antonio Licha, professor
do Grupo de Conjuntura da UFRJ, é difícil distinguir
no atual cenário o que é resultado da apreciação
cambial e o que é sinônimo da nova especialização
do trabalho decorrente do efeito China. Na prática, o processo
poderia resultar até mesmo no desaparecimento de alguns segmentos
industriais.
"A apreciação
cambial pode ser revertida em algum momento. Os setores que estão
importando bens não vão mais conseguir importar e terão
fechado as unidades domésticas. Isso cria uma incógnita
sobre o futuro da indústria."
Para Licha, a taxa de câmbio
atual já prejudica as montadoras de veículos que vieram
para o Brasil durante a década de 90. O eventual fechamento
de unidades poderia acentuar ainda mais as desigualdades regionais
e estimular o fluxo de mudanças entre as regiões. "Se
fecha uma fábrica na Bahia, a tendência é o operário
procurar emprego em outras regiões."
Enquanto o cenário cambial
não se define, o presidente da fabricante de brinquedos Estrela,
Carlos Tilkian, afirma que traçou uma estratégia que
permite produzir ou importar de acordo com o cenário.
Em 2007, a fabricante de brinquedos
estima que as importações responderão por 40%
do faturamento. A Estrela criou uma campanha de relançamento
dos brinquedos mais tradicionais. Quem brincou de Genius (jogo de teste
de memória, na década de 80) verá um produto agora
produzido integralmente na China.
Câmbio ideal: R$ 2,70
Para José Augusto de
Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio
Exterior do Brasil), o dólar ideal para os exportadores seria
na faixa de R$ 2,70. O razoável para contentar 80% dos exportadores
seria na faixa de R$ 2,40 a R$ 2,50, patamar ainda distante do atual.
Outra estratégia adotada para driblar o real forte é acelerar
o processo de internacionalização. A Marcopolo, fabricante
de carrocerias de ônibus, aumentou a produção em
unidades no México, na África do Sul e na Colômbia
para enfrentar a concorrência. Além disso, reduziu a exportação
de insumos e de componentes brasileiros para essas unidades.
"Passamos a aproveitar
os insumos e os componentes locais", afirma Nelson Gehrke, diretor
de operações comerciais do mercado externo. A maior parte
(74%) das exportações da Marcopolo está concentrada
na América do Sul. A Azaléia, fabricante de calçados,
adotou estratégia similar. Decidiu focar no mercado interno.
No primeiro trimestre, as exportações caíram 40,3%
com a valorização do real. A meta é mesclar o
abastecimento do mercado externo com exportações do Brasil
e da China.
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Agência Senado, 19
de maio de 2007
CE analisa criação
de financiamento educacional com dinheiro do FGTS

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) poderá passar
a financiar também o ensino superior dos estudantes de baixa renda. É o
que propõe projeto do senador Flávio Arns (PT-PR), o PLS 321/03,
que deverá ser apreciado na reunião da Comissão de Educação
(CE) marcada para a próxima terça-feira (22) às 11h. A
matéria, que tramita terminativamente na CE, recebeu voto favorável
do relator, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG)
Atualmente, os recursos do FGTS
somente podem ser aplicados em habitação, saneamento básico
e infra-estrutura urbana. A proposição também amplia
as fontes de arrecadação do Fundo incluindo os saldos devedores,
encargos e sanções dos contratos de financiamentos do Fundo
de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e dos empréstimos
do Programa de Crédito Educativo liberados após 27 de junho
de 1999. Também abre possibilidade para doações.
- A idéia básica é a
de que, ao longo de cinco ou seis anos, sejam alocados ao financiamento
do ensino superior percentuais crescentes dos recursos destinados a aplicações,
nos orçamentos anuais do FGTS, até que a carteira de operações
de crédito dessa nova modalidade de aplicação atinja
10% do patrimônio do Fundo, hoje estimado em cerca de R$ 75 bilhões
- explica Flavio Arns.
Outra matéria incluída
na pauta de sete itens da Comissão de Educação é o
relatório da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) favorável
ao projeto do então senador Francisco Pereira que determina às
bibliotecas públicas a inclusão no seu acervo de versões
completas da Bíblia em braile. A CE decidirá de forma
terminativa sobre o assunto.
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Nova Central, 19 de maio
de 2007
NCST contesta opinião publicada no jornal "O Globo"
A NCST, através do seu diretor de Assuntos Parlamentares, Antônio
Bandeira, contestou o teor da matéria publicada na seção
Opinião do jornal "O Globo" (15), com o título "Neopeleguismo".
Bandeira esclareceu que a CLT não é inspirada na "Carta
Del Lavoro", mas na encíclica do Papa João XXIII, "Rerum
Novarum" e no trabalho do líder socialista, Joaquim Pimenta, e
do jurista, Oliveira Viana, ambos comprometidos em implantar o progresso social,
através do regime de garantia para o trabalho.
Informou ainda que o Ministro
do Trabalho Carlos Lupi não é representante da Força
Sindical. "Todos sabem que o presidente do PDT nunca foi sindicalista
nem tampouco pertenceu a qualquer central sindical. Os sindicalistas
do PDT, como a maioria dos sindicalistas do país, não
são vinculados a nenhuma central sindical conforme dados do
IBGE. Grande parte dos pedetistas que atuam nas centrais, integra a
Nova Central Sindical dos Trabalhadores – NCST", disse.
A contestação foi publicada na edição do
dia 17/05.
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Diário Vermelho, 19
de maio de 2007
Construção civil e
cana puxam criação de empregos em abril
Os setores da construção civil e da plantação de
cana-de-açúcar foram os principais responsáveis pelo bom
resultado obtido pelo país no mês de abril, quando foram criados
cerca de 301 mil empregos com carteira assinada.
Segundo o Caged (Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados), o número significa um
recorde de geração de empregos no país e se referem
apenas aos empregos formais, com carteira assinada. Para a coordenadora
do observatório de trabalho do mercado de trabalho do Ministério
do Trabalho, Paula Montagner, "os resultados com carteira de trabalho
assinada neste ano são talvez um dos melhores que a gente vem
observando desde 1992".
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Folha
de São Paulo, 19 de maio de 2007
Construtora fez até o edital de
obra que ganhou, diz PF
Investigação mostra padrão
de fraudes conduzidas pela Gautama com dinheiro público | Esquema
revelado pela operação pagava propina para conduzir construções
inexistentes, inacabadas ou superfaturadas
RANIER BRAGON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As investigações
da Operação Navalha revelam um padrão na suposta
ação fraudulenta da construtora Gautama: o suborno de
políticos e funcionários públicos para obter obras
e receber verbas do Estado por serviços ora inexistentes ora
inacabados ora superfaturados. Em ao menos um caso, a empreiteira elaborou
o edital da licitação que ela mesma venceria. Via de
regra, a propina era paga em dinheiro vivo, mas servidores também
teriam aceitado se corromper em troca de passeios de lancha e ingresso
para camarote no Carnaval.
Quarenta e nove integrantes
do governo federal, de governos estaduais, de prefeituras e da construtora
são suspeitos de participar do esquema. Segundo o resumo das
investigações da Polícia Federal feito pela ministra
do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Eliana Calmon, a Gautama,
do empresário Zuleido Soares Veras, fraudava documentação
e subornava técnicos e políticos como forma de escamotear
irregularidades nas obras.
Um exemplo aconteceu, de acordo
com a PF, na instalação de eletrificação
rural (programa Luz para Todos) para 15.850 famílias da zona
rural do Piauí, em meados de 2006. Mediante o pagamento de propina
a agentes públicos do Estado, a Gautama teria elaborado o edital
de licitação que, no final, a beneficiaria como a vencedora
da concorrência.
Os grampos telefônicos
da PF revelariam que um engenheiro da empresa enviou o aviso da licitação
para que o então presidente da Companhia Energética do
Piauí, Jorge Targa Juni -preso na Operação Navalha-,
publicasse o edital. Zuleido teria se encontrado em Brasília
com o diretor do programa Luz para Todos, do Ministério de Minas
e Energia, José Ribamar Lobato Santana, "para obter o repasse
de recursos do ministério para a Eletrobrás, que os repassaria,
através de convênio, para a Companhia Energética
do Piauí e, daí, para a Gautama, através de contratos
firmados mediante fraude no processo de licitação".
O relato da investigação,
feito pela ministra do STJ, não deixa claro qual seria a suposta
participação do diretor do Luz para Todos, afirmando
que "a organização teria pago vantagem indevida
a autoridades do Ministério de Minas e Energia". Santana
não foi preso. Segundo a assessoria, o ministério não
foi informado sobre o envolvimento de Santana ou outros funcionários
nas investigações.
Pontes
Outro caso de suposta fraude
detectada nos grampos da PF diz respeito ao Maranhão, onde a
quadrilha teria recebido pagamentos pela construção de
pontes que, concluiu a investigação, são hoje "elevações
perdidas no meio dos campos, em locais ermos", em suma, "obras
abandonadas". Devido aos pagamentos irregulares, o então
governador do Estado, José Reinaldo Tavares, teria sido presenteado
com um Citröen C5 no valor de R$ 110 mil.
Em Camaçari (BA), a
empresa de Zuleido Veras atuou em 2006 em obras de urbanização
em troca de R$ 9,8 milhões. "Tanto o plano de trabalho
como o projeto básico foram elaborados sem observância
das exigências técnicas para obras daquela natureza e
sem a mínima preocupação com a qualidade da obra
que seria executada", registra a ministra do STJ.
A propina, diz a PF, foi paga
ao prefeito, Luiz Carlos Caetano, e a servidores e se resumiu a passeios
de lancha, passagens aéreas, hospedagem e ingresso para o camarote
da Gautama no Carnaval de Salvador. Também em 2006, João
Alves Neto, filho do então governador de Sergipe, João
Alves, teria recebido propina para influenciar na liberação
de verbas para a duplicação do sistema de adutoras do
rio São Francisco.
A construtora fez pelo
menos duas obras para o Ministério da Justiça -a construção
da sede da superintendência da PF em São Paulo e a reforma
do Instituto Nacional de Criminalística em Brasília.
Não há menção a fraudes nessas obras.
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Folha
de São Paulo, 20 de maio de 2007
Crianças com Bolsa Família
têm menor aprovação escolar
Governo agora quer premiar aluno aprovado com pagamento
de R$ 204 por ano
| Pesquisa revelou elevação dos gastos com alimentos e material
escolar nas famílias beneficiadas; despesas com fumo e álcool aumentaram
MARTA SALOMON
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O baixo índice de aprovação
escolar nas famílias com o Bolsa Família -entre 3,4 e 3,9
pontos percentuais, em média, menor que nas famílias pobres
não-beneficiadas- reforçou a proposta do Ministério
do Desenvolvimento Social de premiar alunos que passem de ano. Segundo
a secretária de Renda da Cidadania, Rosani Cunha, a proposta submetida
ao presidente Lula prevê o pagamento de R$ 204 por ano aos alunos
aprovados a partir da quinta série, até o final do ensino
fundamental: "A idéia é garantir apoio financeiro
ao adolescente do Bolsa Família, mas os valores não estão
definidos".
A proposta é uma das mudanças
em estudo no Bolsa Família e está combinada ao reajuste
do valor do benefício e à extensão do programa às
famílias com filhos até 17 anos. Desde que foi criado,
em outubro de 2003, o Bolsa Família paga entre R$ 15 e R$ 95 por
mês, dependendo do grau de pobreza e do número de filhos
até 15 anos.
Dados sobre aprovação
escolar são os que mais chamam a atenção na primeira
pesquisa sobre o impactos do Bolsa Família na vida dos beneficiários,
divulgada pelo ministério. Após entrevistar 15 mil famílias
em novembro de 2005, a pesquisa indicou também o aumento dos gastos
com compra de alimentos e material escolar. No Nordeste, entre as famílias
com renda per capita entre R$ 50 e R$ 100, uma parcela de R$ 50,74 do
benefício teria sido gasta em fumo e bebidas alcoólicas
e fumo em um ano.
A exigência de comparecimento
a pelo menos 85% das aulas, feita pelo programa, elevou a freqüência às
aulas em 7,1 pontos percentuais no Nordeste (e em até 12,3 pontos
percentuais entre as meninas no Sul e no Sudeste). Os números
foram acompanhados pela queda da evasão escolar entre os beneficiados,
quando comparados à famílias igualmente pobres que não
recebem a bolsa. Mas a presença dos alunos na escola não
trouxe avanço no rendimento.
Na região Norte, o índice
de aprovação dos meninos foi de 10,7 a 11,3 pontos percentuais
menor que nas famílias que não recebem o benefício,
dependendo da faixa de renda. Foi o pior resultado da pesquisa, que apontou
também maior presença no mercado de trabalho dos adultos
beneficiários.
Para Rômulo Paes
de Sousa, secretário de avaliação do ministério,
o resultado era "esperado", diante das chances históricas
de sucesso escolar das famílias beneficiadas, "embora não
desejável". "Essa é uma avaliação
preliminar, o mais importante é acompanhar o comportamento dessas
famílias ao longo do tempo".
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Folha
de São Paulo, 21 de maio de 2007
Aécio pode dividir o PSDB para viabilizar
sua chapa pelo PMDB
Tasso participa da articulação
para impedir que Serra se torne o candidato natural do PSDB à Presidência
em 2010
| Governador mineiro avalia que fim da reeleição talvez não
lhe seja favorável, pois ele poderia ter de enfrentar Lula numa eventual
disputa
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O "Plano B" do governador
de Minas, Aécio Neves, para uma candidatura à Presidência
em 2010 prevê a criação de uma dissidência
no PSDB que lhe dê um pretexto para deixar o partido e se filiar
ao PMDB. Essa articulação é feita em parceria
com o presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE).
Aécio e Tasso já têm
até discurso engatilhado: uma eventual candidatura do governador
José Serra significaria mais uma vez uma suposta tentativa de
imposição do poder paulista aos demais Estados do país.
Os passos têm sido dados de forma cautelosa. Tasso se reaproximou
de Lula, a quem fez duras críticas em 2006, e já admite
a possibilidade de uma aliança futura entre PSDB e PT, sempre
com a ressalva de que não aconteceria em 2010.
Já prepara o terreno
para, no futuro, ter discurso para que uma eventual candidatura de
Aécio, seja no PSDB, seja no PMDB, possa também ser vendida
como não-hostil a Lula e ao PT. Simultaneamente, o governador
de Minas não quer, caso deixe o PSDB, sair com a imagem de traidor. É preciso
construir um discurso, dizem os aecistas do PSDB e do PMDB.
Aécio demonstra ciência de que uma saída do PSDB seria
uma operação altamente arriscada.
Seu "Plano A" é concorrer
pelo partido, mas o político mineiro sabe que Serra, hoje, é o
favorito para obter a indicação. Por isso, passou a agir
com maior agressividade nos bastidores, dando uma cravo e outra na
ferradura. Dez dias depois de jantar com dois caciques peemedebistas,
no qual tratou do efeito simbólico de uma candidatura peemedebista
do neto de Tancredo Neves, Aécio encontrou Fernando Henrique
Cardoso e Serra em São Paulo num clima de cordialidade.
Seu primeiro movimento é claro:
não deixar que o favoritismo de Serra se consolide, fechando-lhe
qualquer espaço para tentar disputar o Planalto em 2010. Calculadamente,
Aécio tem tentado colar em Serra um estigma que persegue o governador
de São Paulo: o de político que atropela tudo e todos
para atingir seus objetivos. O segundo movimento do mineiro, o namoro
com o PMDB, tem a ver com a conclusão de que talvez não
lhe seja tão favorável a tese do fim da reeleição
com mandato presidencial de cinco anos.
Os serristas são os
mais ardorosos defensores da tese. Aécio avaliou que o fim da
reeleição, o mandato de cinco anos e a escolha de Serra
para disputar o Planalto em 2010 poderiam minar seu projeto presidencial.
Motivo: muita chance de concorrer contra Lula em 2015. Daí cogitar
a candidatura no PMDB.
Há ainda aspectos simbólicos
nessa alternativa. Em 2010, será o centenário do nascimento
de Tancredo. Se se filiar ao PMDB, Aécio poderia vender a imagem
do neto que retorna ao partido do avô para levá-lo de
fato ao poder. Aécio tem dado corda ao PMDB. Os principais caciques
do partido já lhe deram sinal verde para a filiação.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2007 | Economia
Setor moveleiro aposta no ano da
casa própria para voltar a crescer
Na esteira do mercado imobiliário,
indústria vive expectativa de crescer no mercado interno
por FELIPE LAUFER
Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Alice Braz faz pesquisa de preço para mobilizar a casa nova.
A indústria brasileira de móveis vive um ano de grandes expectativas.
Prejudicado com a queda do faturamento proveniente de exportações,
por conta do câmbio desvalorizado, o setor espera reverter os prejuízos
e faturar mais em 2007 na esteira do crescimento do mercado imobiliário.
Com os esforços promovidos pelo governo federal para facilitar a compra
da casa própria, empresários do ramo mobiliário acreditam
que, em algum momento, haverá procura maior por móveis. “O
crescimento do ramo mobiliário é uma consequência natural
do imobiliário”, resume Édson Luiz Marochi, diretor da
paranaense Móveis Campo Largo.
Segundo pesquisa do Programa
de Administração do Varejo (Provar), da Universidade Federal
de São Paulo (USP), os móveis aparecem em primeiro lugar
na intenção de compra dos brasileiros para este segundo
trimestre, com 10,8% da fatia de intenções – à frente
dos segmentos Informática, Telefonia e Celulares e Eletrodomésticos,
tradicionais primeiros colocados. Na comparação com a intenção
de compra para o primeiro trimestre deste ano, os móveis apresentam
crescimento de 200%.
Mas a professora Patrícia
Vance, coordenadora da pesquisa, explica que o consumidor brasileiro
está com um poder de compra limitado no momento. O crédito,
segundo ela, está comprometido com o pagamento de dívidas
assumidas anteriormente. “Mas será que existe espaço
na renda desse consumidor para um endividamento maior?”, questiona
a professora.
Ela lembra ainda que o bom momento
vivido pelo mercado imobiliário pode não ter reflexos tão
cedo para a indústria moveleira. “Grande parte das vendas
de imóveis não vão se concretizar hoje, porque a
pessoa compra o apartamento na planta e só vai mobiliá-lo
quando ele estiver pronto”, afirma. “A gente vê uma
verdadeira explosão imobiliária, mas este ano ainda não
deve surtir muito efeito no setor de móveis”, concorda Edson
Marochi, da Móveis Campo Largo. Ainda assim, segundo a professora
Patrícia Vance, 2007 é um ano favorável para o consumo
no Brasil.
Entre o sofá da sala e
o armário de cozinha está a aposentada Alice Braz de Camargo,
que acaba de comprar “a casa dos seus sonhos” e deve se mudar
em breve. Na semana passada ela pesquisava o preço de móveis. “Agora
eu preciso de móveis, porque os velhos eu não quero na
casa nova”, afirmou.
Rossano Aislan Vaz, gerente
da loja Mercadomóveis, trabalha há 12 anos no comércio
varejista e conta que está vendo bastante reação
dos consumidores, e também queda nos custos dos produtos. Ainda
assim, ele concorda que o endividamento da população
inibe um aumento maior de vendas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2007 | Economia
Vendas internas e desoneração
Depois de amargar queda no faturamento proveniente das exportações
no ano passado, as expectativas do setor moveleiro estão voltadas principalmente
ao mercado interno. É ele que deve sustentar o crescimento nas vendas,
afirma o presidente da Associação Brasileira das Indústrias
do Mobiliário (Abimóvel), José Luiz Fernandes. “O
mercado interno está bem, mesmo porque as empresas que exportavam estão
se voltando ao mercado interno”, avalia. O setor sofre também
com a concorrência de produtos chineses, que chegam mais baratos.
Segundo ele, a previsão
de crescimento traçada para este ano, que era de 17%, deve ser
revista para baixo em breve, já que a cotação da
moeda americana caiu ainda mais este ano. “O ano começou
bem para as exportações, mas parece que estamos perdendo
fôlego.” Apesar disso, houve crescimento no faturamento total,
de 7,5% (quadro ao lado).
O setor moveleiro também
vê uma luz na promessa de desoneração tributária
feita pelo governo federal para alguns setores. Entre eles está a
indústria de móveis e a construção civil.
(FL)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2007 | Economia
Mais crédito e menos juros
Se depender do setor imobiliário,
a indústria de móveis terá que produzir bastante
neste e nos próximos anos para atender à demanda nacional.
Isso porque, desde o ano passado, a taxa de juros em queda aliada aos
incentivos dados pelo governo federal prometem fazer de 2007 o ano da
casa própria.
Em 2006, só em Curitiba,
a produção imobiliária cresceu 35%. Em todo o Brasil,
a Caixa Econômica Federal destinou R$ 14 bilhões para o
financiamento imobiliário. No Paraná, o crédito
imobiliário da Caixa subiu de R$ 500 milhões para R$ 1
bilhão. Os recursos de aplicações em poupança
destinados a financiamentos imobiliários por instituições
privadas e públicas foram 95,5% maiores em relação
a 2005, atingindo R$ 9,5 bilhões.
Este ano, a CEF bateu recorde
na concessão de financiamentos habitacionais, ao emprestar R$
5 bilhões entre janeiro e maio deste ano, para 146.846 famílias.
Segundo a presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho,
a meta de liberar R$ 17,4 bilhões até o final do ano é “factível”.
Além disso, há duas
semanas o governo resolveu dar um empurrãozinho no Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e reduziu para 8,66%
ao ano os juros do financiamento imobiliário com recursos do
FGTS para famílias de classe média. (FL)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de maio de 2007 | Nacional
Lula diz que vai iniciar o debate sobre
a reforma trabalhista
Presidente afirmou que vai discutir mudanças
nas leis trabalhistas, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse
que a Força Sindical tem posição contrária
a alterações
Amanda Valeri
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última
quinta-feira, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social, no Palácio do Planalto, que vai iniciar o debate sobre a reforma
nas leis trabalhistas.
A Força Sindical disse
ter posição contrária a qualquer alteração
nas leis trabalhistas implantadas em 1943, durante o governo Getúlio
Vargas. "É um absurdo fazer mudanças com o intuito
de precarizar as reformas de trabalho. A reforma é equivocada
e inoportuna", afirmou o presidente da instituição,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
Para Paulinho, o argumento do
governo de que mudanças na Consolidação das Leis
de Trabalho (CLT) criariam novos postos de trabalho é um engano.
"A geração
de empregos está diretamente ligada com a queda nas taxas de juros,
na redução de impostos, fomento na produção
e uma agenda voltada para o desenvolvimento", acrescentou.
O presidente da Força
Sindical ressaltou ainda que se o governo implantar um novo modelo
de relações de trabalho, ele terá que manter todas
as conquistas históricas dos trabalhadores. "É necessário
avançar nas relações de trabalho sem se esquecer
das conquistas sociais e as condições dignas de trabalho",
sustentou.
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AGÊNCIA BRASIL, 19
de maio de 2007
Estabilização da economia
permite agora avanços nas políticas sociais, afirma
Lula
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Babaçulândia (TO) - Presidente Luiz Inácio
Lula da Silva segura uma criança durante visita a obras da Ferrovia
Norte-Sul, em Tocantins
Brasília - Ao inaugurar
trecho da Ferrovia Norte-Sul em Tocantins, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse que o governo poderá dar mais atenção
agora aos programas sociais porque a estabilização da economia
já foi conquistada.
“Os nossos programas de
políticas sociais vão melhorar, porque agora não
precisamos mais ficar pensando na estabilização da economia,
porque já está estabilizada. Não precisamos ficar
preocupados com a inflação, porque está efetivamente
controlada. Não precisamos fica pensando com a dívida do
FMI (Fundo Monetário Internacional), porque não devemos
nada ao FMI”, disse Lula, em Araguaína (TO).
O presidente inaugurou trecho
de 153 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, que liga cidades de Araguaína
e Aguiarnópolis, ambas em Tocantins. Quase R$ 460 milhões
foram investidos na obra, de acordo com dados divulgados pelo Palácio
do Planalto.
A ferrovia faz parte do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC) e interligará o
Norte ao Sul do país, passando pelos estados do Maranhão,
Tocantins, Goiás e Pará e envolvendo cinco mil quilômetros
de ferrovias privadas. A estimativa do governo federal é investir
R$ 2,5 bilhões em toda a obra.
Ainda nesta sexta-feira, Lula
inaugura a usina de biodiesel da Ecodiesel em Porto Nacional (TO), que
produzirá 120 milhões de litros do combustível por
ano, a partir de mamona, soja e girassol. Em entrevista após a
inauguração do trecho, o presidente voltou a dizer que
o Brasil tem condições de liderar a produção
mundial de biocombustível.
“Temos terra, sol, água,
tecnologia, competência para produzir. O mundo desenvolvido, que
polui mais o planeta e, portanto, é o responsável pelo
aquecimento do planeta e quiser melhorar e diminuir a emissão
de gases, terá que utilizar um pouquinho de álcool e um
pouquinho de biodiesel no combustível.”
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de maio de 2007
Casa própria
Caixa deve liberar FGTS para mutuária
quitar débito
por Douglas Miura
“A finalidade do legislador
ao criar o FGTS foi, certamente, de proporcionar melhoria das condições
sociais do trabalhador”, portanto, “torna-se viável
que dele possa fazer uso quando em situações difíceis,
evidenciando, desta maneira, inegável caráter social de
que se reveste o FGTS”. O entendimento é do Tribunal Regional
Federal da 3ª Região, que determinou, em liminar, a liberação
de conta de FGTS de mutuária para a quitação de
débito imobiliário.
A mutuária Maria José Ferreira
estava, desde março de 2006, em débito com a Caixa Econômica
Federal em face das parcelas que devia a título de financiamento
habitacional. Ela recorreu à Justiça para questionar essas
parcelas e também para pedir a liberação do FGTS.
O juiz Ennio Laércio Chappuis,
da 25ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, considerou
o direito de habitação e reconheceu a pretensão
da autora de quitar as parcelas devidas. Ele afirmou então que “o
mutuário não é obrigado a pagar valor que entende
descabido, tendo o direito de socorrer do Judiciário para discuti-lo”.
No entanto, ele negou a liberação do FGTS.
Maria recorreu da sentença.
O juiz convocado Marco Falavinha, relator do recurso no TRF-3, justificou
a concessão do pedido citando a Lei 8.036/90, que dispõe
sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. A norma, em seu
o artigo 20, inciso VII, estabelece que a conta vinculada do trabalhador
no FGTS poderá ser movimentada em três ocasiões: “a)
o mutuário deverá contar com o mínimo de três
anos de trabalho sob o regime do FGTS, na mesma empresa ou empresas diferentes;
b) seja a operação financiável nas condições
vigentes para o SFH [Sistema Financeiro de Habitação]”.
Dessa forma, o juiz considerou
que a não liberação do FGTS para quitar débito
imobiliário “impõe condições ou cria
situações restritivas onde a lei assim não o fez”.
O TRF-3 confirmou a redução
das parcelas vencidas e das vincendas, cobradas na planilha de evolução
do contrato de mútuo habitacional, elaborada pela Caixa Econômica,
e determinou a liberação dos valores depositados em conta
vinculada ao FGTS.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de maio de 2007
Esforço repetitivo
Sadia deve indenizar ex-funcionária
por doença
A 3ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa
Catarina condenou a Sadia ao pagamento de indenização por danos
morais e estéticos a uma ex-funcionária. Ela adquiriu doença
funcional por conta da rotina de trabalho. Cabe recurso.
A operária deve receber
R$ 40 mil e mais pensão mensal equivalente a dois terços
de seu salário líquido até completar 65 anos de
idade. Ela trabalhava na empresa desde 1991 sempre na mesma atividade.
Era responsável pelo preenchimento de 10 mil embalagens de miúdos
de aves durante dez horas por dia, com intervalo de 30 minutos para almoço
e mais 10 minutos para ir ao banheiro. A atividade era exercida em pé.
Em 1997, com fortes dores nos
ombros, a empregada foi afastada por um ano. Na volta ao trabalho, ficou
sete meses na mesma função e, logo depois, foi demitida.
A Sadia argumentou de que são
concedidos intervalos para ginástica laboral. No seu retorno,
funcionária teria voltado ao trabalho em outra atividade, segundo
a empresa. Sustentou que o manual de treinamento informa sobre o fato
de as atividades exercidas na indústria serem mecânicas,
repetitivas e demandarem esforço.
Para desembargador substituto,
Sérgio Izidoro Heil (relator), ficou claro que as lesões
sofridas acarretaram incapacidade laboral. “Além disso,
a fim de manter o emprego, ela apenas cumpria as determinações
impostas pela empresa”.
Apelação
Cível 2004.004154-3
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
21/05/2007
Senat terá que indenizar trabalhador
vítima de assédio moral
Um ex-agente multiplicador do
Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – Senat vai
receber R$ 8 mil a título de indenização por danos
morais por ter sido sistematicamente perseguido em seu ambiente de trabalho
pela superiora hierárquica. A decisão, proferida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), foi confirmada
pela Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O empregado foi admitido pelo
Senat em maio de 1998 como assistente administrativo. Em janeiro de 2002
foi promovido a agente multiplicador, responsável pela divulgação
de produtos e serviços, com salário de R$ 1.100,00 mais
auxílio-alimentação de R$ 211,20. Ele contou na
petição inicial que, logo após receber um elogio
por e-mail de uma agente social em Brasília, passou a ser perseguido
pela diretora da SEST/Senat de Divinópolis, onde estava lotado.
O funcionário descreveu
o que classificou como “autoritarismo infundado e desmedido” da
diretora. Disse que a superiora mandou que ele desocupasse a sala de
trabalho, passando-o para um local apertado, retirou o computador de
trabalho, a mesa, o aparelho telefônico e deu ordens expressas
para que não se ausentasse do posto sem autorização.
Segundo contou, foi proibido até mesmo de atender ligações
pessoais. Sentindo-se humilhado, o empregado disse que foi submetido
a tratamento médico, com transtorno depressivo, que causou seu
afastamento do trabalho por dois meses.
Em novembro de 2003, foi demitido
sem justa causa e, em dezembro do mesmo ano, ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando, entre outras verbas, indenização
por danos morais no valor de R$ 150 mil. O Senat, em contestação,
negou a existência de assédio moral, alegando que o agente
nunca foi um bom empregado. “Ao contrário, tratava-se de
uma pessoa extremamente indisciplinada e insubordinada, que não
se dedicava ao trabalho, sempre executando atividades alheias aos seus
encargos profissionais”, afirmou a defesa.
O juiz da Primeira Vara do Trabalho
de Divinópolis (MG) indeferiu o pedido de indenização.
Disse que os testemunhos e documentos apontavam para uma relação
controvertida entre a diretora e o subordinado que extrapolara o âmbito
das relações meramente funcionais, mas não figurava
violação ao direito de personalidade do empregado.
Insatisfeito, o autor da ação
recorreu ao TRT/MG, que lhe deu razão. “A hipótese
dos autos revela violência psicológica intensa, prolongada
no tempo, que acabou por provocar intencionalmente dano psíquico
(depressão e síndrome do pânico), marginalizando-o
no ambiente de trabalho”, destacou o acórdão. A indenização
foi fixada em R$ 8 mil.
A empresa recorreu ao TST, mas
não obteve sucesso no agravo de instrumento interposto. Segundo
o relator do processo, ministro Renato de Lacerda Paiva, “o TRT,
embasado nas provas constantes dos autos, concluiu que houve dano moral,
pois foi verificada a ocorrência de todos os elementos caracterizadores
do assédio moral”. A empresa não conseguiu demonstrar
violação de lei ou divergência jurisprudencial aptas
ao provimento do apelo. (AIRR-1292/2003-057-03-40.8).
(Cláudia Valente)
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21/05/2007
JT manda reintegrar empregado demitido por
ajuizar ação trabalhista
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, acompanhando o voto do ministro Luiz Philippe Vieira
de Mello Filho, confirmou a nulidade da dispensa imotivada de empregado
da Companhia de Saneamento do Paraná - Sanepar que, após
18 anos de serviço, teve extinto o contrato de trabalho como retaliação
por ter ajuizado reclamação trabalhista contra seu empregador.
O empregado foi admitido em abril
de 1977 como técnico em licitações, com salário
de R$ 1.095,24, mas exercia a função de analista, cujo
salário era superior ao seu. Em 1994, ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando equiparação salarial com os analistas,
e obteve decisão favorável. A empresa passou a lhe propor
acordos, porém sempre seguidos de constrangimentos e ameaças
de demissão – o que acabou acontecendo em agosto de 1996.
No mês seguinte, ele propôs nova reclamação
trabalhista, desta vez pedindo a nulidade da dispensa com reintegração
e o pagamento dos salários relativos ao tempo de afastamento.
Para amparar seu pedido, o empregado
lançou mão, dentre outras legislações, da
Convenção nº 158 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), que dispõe sobre a proteção do
emprego contra a dispensa arbitrária ou imotivada por parte do
empregador. A referida convenção foi denunciada (extinta)
pelo governo brasileiro em 20 de novembro de 1996.
A empresa, em contestação,
negou o que chamou de “falaciosas alegações” produzidas
pelo empregado em relação ao motivo da dispensa. Alegou
que a Sanepar passou por um processo de reestruturação
interna, extinguindo várias funções e cargos e terceirizando
outras atividades, e promoveu o corte de gastos, o que culminou com a
dispensa de vários empregados, dentre eles o autor da ação.
O juiz da 5ª Vara do Trabalho de Curitiba/PR julgou favoravelmente
ao empregado, não com base na Convenção da OIT,
por entender que esta não mais se aplica ao Brasil, mas com apoio
na Lei nº 9.029/95, que prevê indenização tarifada
como sanção à despedida com caráter discriminatório.
Segundo destacou a sentença,
a Sanepar, “coincidentemente”, demitiu o autor da ação
e outros dois empregados que também moveram ação
trabalhista contra a empresa, justamente quando houve o trânsito
em julgado da decisão favorável aos empregados.
Pesou, também, na decisão
do magistrado de primeiro grau, a inércia da empresa, que não
atendeu ao pedido do juiz para juntar aos autos os relatórios
mensais de rotatividade de mão-de-obra para justificar a tese
da defesa de reestruturação interna do setor. “A
extinção do contrato de trabalho do autor não foi
imotivada, mas sim orientada por motivo vil, antijurídico, revelando
o espírito velado de discriminação com que se pautou
a ré, contra os legítimos interesses do autor de manutenção
do contrato de trabalho sob as novas bases instituídas por decisão
judicial com trânsito em julgado, desviando-se da finalidade que é atribuída
pela legislação ao empregador, facultando-lhe a extinção
do contrato de trabalho de forma potestativa”, destacou a sentença.
Considerando que houve “abuso
do poder” da Administração Pública , que culminou
com a “arbitrária“ extinção do contrato
de trabalho do empregado, o juiz declarou nula a dispensa, determinando
a reintegração ao emprego com pagamento dos salários
devidos.
Insatisfeita, a Sanepar recorreu
ao Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná).
Disse que, na condição de sociedade de economia mista,
seus empregados não são detentores de estabilidade no emprego.
A decisão do TRT, embora por fundamento diverso do adotado na
sentença, foi desfavorável à empresa. “Salta
aos olhos a atitude de perseguição e retaliação
com este trabalhador, que, amparado constitucionalmente, somente buscava
na Justiça do Trabalho a garantia de seu direito. Por esse motivo,
o ato não pode ser confirmado ou ratificado, devendo permanecer
a determinada reintegração, conseqüência da
nulidade do ato rescisório, bem como a condenação
aos salários e vantagens até o retorno ao emprego”,
destacou o acórdão do TRT/PR.
A empresa recorreu ao TST, mas
não obteve sucesso. O ministro Vieira de Mello Filho considerou
correta a decisão do TRT paranaense. “A ilicitude da dispensa
foi confirmada por duplo fundamento: porque o Tribunal considerou imprescindível
a motivação do ato administrativo praticado mesmo que no âmbito
da sociedade de economia mista, mormente quando o empregado conta com
18 anos de serviço, e ante a comprovação de que
a iniciativa patronal de extinguir o contrato de trabalho constituiu
verdadeira retaliação ao exercício constitucionalmente
assegurado do direito de ação”, ressaltou o ministro.
O recurso de revista da empresa não foi conhecido porque a divergência
jurisprudencial trazida aos autos não era específica ao
caso analisado. (Súmula 296). (RR-592182/1999.7).
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Edicão Numero 96 de 21/05/2007
Secretaria
de Relações do Trabalho Ministério do Trabalho
e Emprego
Em 14 de maio de 2007
Registro sindical
O Secretário de Relações do Trabalho, no uso de suas atribuições
legais, considerando o preenchimento dos requisitos para a publicação
do pedido de registro sindical, previstos na Portaria nº. 343, de 04 de
Maio de 2000 e alterações posteriores, dá ciência
do requerido pela(s) entidade(s) abaixo mencionada(s), ficando
aberto o prazo de 30 (trinta dias), para que os interessados
possam se manifestar nos termos do artigo 5º da Portaria nº. 343/2000.
A impugnação deverá ser feita mediante requerimento e
entregues no Protocolo Geral do Ministério do Trabalho e Emprego, vedada
a interposição por via postal, instruída com os seguintes
documentos:
I - cópia do documento comprobatório de registro sindical expedido
pelo MTE, com identificação da base territorial e da categoria
representada, acompanhado dos seguintes:
a) estatuto social atualizado, aprovado em assembléia geral da categoria;
b) ata de apuração de votos do último processo eleitoral;
c) ata de posse da atual diretoria;
d) comprovante de endereço; e
e) formulário de atualização sindical extraído
da página eletrônica do MTE, devidamente preenchido e assinado.
II - comprovante original de pagamento no valor R$ de 83,77 (oitenta e três
reais e setenta e sete centavos), relativo ao custo da publicação
no Diário Oficial da União, conforme indicado em portaria ministerial.
O recolhimento do valor deverá ser realizado por meio de GRU (Guia de
Recolhimento da União), devendo-se utilizar as seguintes referências:
UG 380918, Gestão: 00001 e Código de recolhimento: 68888-6; a
ser preenchida por meio da INTERNET no endereço eletrônico: www.stn.fazenda.gov.br.
Processo 46000.019144/2006-34
Entidade Sindicato
dos Trabalhadores nas Indústrias de Fabricação
de Cerâmica do Estado de Sergipe. Sergipe Abrangência
Estadual Base Territorial Categoria Trabalhadores nas Indústrias
de Fabricação de Cerâmica.
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Edicão Numero 96 de 21/05/2007
Gabinete
do Ministro Ministério do Trabalho e Emprego
DESPACHO DO MINISTRO
Em 18 de maio de 2007
Cancelamento de Registro Sindical
O Ministro do Trabalho e Emprego, no uso de suas atribuições
legais, em cumprimento a decisão proferida nos autos do processo n.º 01195-2006-009-10-1,
perante a 9ª Vara do Trabalho de Brasília/DF, com fundamento na
Portaria nº. 343, de 04 de Maio de 2000 e NOTA TÉCNICA/DIAN/CGRS/SRT/MTE
Nº. 127/2007 resolve CANCELAR o registro de alteração estatutária
do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil de Osasco e Região - STICCOR, processo administrativo nº.
46000.003901/2005-77, bem como, excluir a pré anotação
que retirou os municipios de Carapicuíba, Franco da Rocha, Mairiporã,
Osasco da base territorial dos impugnantes, quais sejam, Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias Fabricantes de Peças e Pré-Fabricados em
Concreto do Estado de São Paulo - SINDEPRESP, processo nº. 24000.002224/90
e Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil de São Paulo Carta Sindical Livro 016, fl. 011 do ano de 1946),
voltando assim os referidos municípios a representação
dos impugnantes, para fins de pré-anotação no Cadastro
Nacional de Entidades Sindicais - CNES.
CARLOS LUPI

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