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AGÊNCIA CÂMARA,
23 de maio de 2007
Câmara aprova benefícios
fiscais para vários setores
O Plenário aprovou hoje seis das dez emendas do Senado ao projeto de
lei de conversão da Câmara para a Medida Provisória 351/07.
Elas oferecem isenções e benefícios fiscais a diversos
setores, desde produtores rurais até emissoras de rádio e TV.
A MP, que passou por uma primeira votação na Casa no fim de abril,
seguirá à sanção presidencial.
A medida provisória isenta
do PIS/Pasep e da Cofins a compra de máquinas, aparelhos e equipamentos
por empresas participantes do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento
da Infra-Estrutura (Reidi). Esses bens devem ser usados em obras de infra-estrutura
nos setores de transporte, portos, energia e saneamento básico,
contanto que façam parte do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC).
Troféus
Entre as emendas acatadas de acordo com o parecer do deputado Odair Cunha (PT-MG)
está a que isenta de diversos impostos a importação de
troféus, medalhas, placas, estatuetas, distintivos, flâmulas,
bandeiras e outros objetos comemorativos. Os tributos envolvidos são
o de importação (II), sobre Produtos Industrializados (IPI),
o PIS/Pasep-Importação, a Cofins-Importação e a
Cide-Combustíveis.
A isenção vale
para esse material quando recebido em evento cultural, científico
ou esportivo oficial, realizado no exterior, e também quando comprado
para ser distribuído gratuitamente como premiação
em evento esportivo realizado no País.
A iniciativa beneficia os Jogos
Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e atinge material promocional,
impressos, folhetos e outros bens com finalidade semelhante de distribuição
gratuita em evento esportivo oficial. São isentos ainda os bens
importados por desportistas, se recebidos em doação de
entidade de prática desportiva estrangeira ou da promotora ou
patrocinadora de evento esportivo oficial e usados por eles nesse evento.
Arrendamento
rural
O único destaque para votação em separado (DVS) aprovado
foi de autoria do PTB e contou com apoio da maior parte da base aliada. O DVS
incluiu emenda inicialmente rejeitada no parecer de Odair Cunha, que considera
receita da atividade rural a remuneração conseguida com o arrendamento
rural quando fixada em quantidade de produto. A mudança na Lei 8023/90
beneficia os produtores rurais na declaração de ajuste anual
do imposto de renda incidente nesses ganhos com a atividade rural, cuja tributação é menor.
Outra emenda aprovada pelo Plenário
inclui o etano, o propano e o butano entre os insumos do setor petrolífero
que contam com alíquota menor do PIS/Pasep-Importação
(1%) e da Cofins-Importação (4,6%). A isenção
se aplica quando eles forem importados por centrais petroquímicas
e destinados à produção de eteno e propeno. A esses
produtos não será imposta cobrança do tributo por
unidade de volume.
Rádio
e TV
Cunha também recomendou e o Plenário aprovou alíquota
zero do IPI para emissoras de rádio e TV que importarem máquinas,
equipamentos, aparelhos, transmissores, instrumentos, suas partes ou componentes
que forem necessários à transição de suas operações
da plataforma de tecnologia analógica para a digital.
O benefício atinge os
bens sem similar nacional e terá vigência de cinco anos
a partir da publicação da futura lei, exceto em relação
aos transmissores digitais, cuja vigência será até 31
de dezembro de 2008. A emenda permite ainda a isenção do
imposto de importação incidente sobre esses mesmos bens.
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Nova Central, 23 de maio
de 2007
Seguridade analisa ampliação
do salário-maternidade
A Comissão de Seguridade Social e Família pode votar nesta quarta-feira
(23) o substitutivo do deputado Ribamar Alves (PSB-MA) ao Projeto de Lei 2291/00,
que concede 90 dias de salário-maternidade à segurada que adotar
criança de até um ano de idade. A proposta tramita apensada a
outros 23 projetos que abordam diferentes aspectos da concessão do salário-maternidade.
O relator sugere a rejeição de 17 propostas, entre elas o PL
2291/00, e aprovação das demais na forma de um substitutivo.
Ele explica que a extensão
do salário-maternidade às mães que adotarem já está prevista
na Lei 10.710/03. O texto assegura o salário-maternidade por 120
dias para a mulher que adotar criança até 1 ano de idade,
por 60 dias, se a criança tiver até 4 anos, e salário-maternidade
por 30 dias, se a criança tiver até 8 anos de idade.
O substitutivo de Ribamar Alves
prevê que as grávidas que tiverem filhos prematuros, assim
considerados os bebês que nascerem antes de 37 semana de gestação,
terão o tempo do salário-maternidade acrescido do número
de semanas equivalente à diferença entre o nascimento a
termo e a idade gestacional do recém-nascido. Se a gestante morrer
no parto e a criança sobreviver, o projeto permite que o pai ou
o responsável legal possa gozar o salário-maternidade.
A proposta também
exclui o salário-maternidade do limite máximo dos benefícios
pagos pelo Regime Geral de Previdência Social fixado pela Emenda
Constitucional 20. Por fim, o projeto prevê que, se as empresas
atrasarem em mais de 30 dias o pagamento do salário-maternidade,
a Previdência Social fará o pagamento e adotará as
providências cabíveis ser ressarcida.
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Diário Vermelho, 23
de maio de 2007
De metalúrgico para metalúrgico:que
CLT queremos presidente?
Leia artigo de Marcelino da Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas (MG), sobre as observações
do presidente Lula a respeito da relação do movimento sindical
com o seu governo e possíveis mudanças na Consolidação
das Leis Trabalhistas (CLT) feitas na última reunião do Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social. Para o metalúrgico, o também
metalúrgico Lula não pode esquecer que os sindicatos não
devem apenas apoiar o seu governo, devem sobretudo, apoiar mais direitos para
os trabalhadores.
Aos “caras” e à “peãonzada”
Marcelino da Rocha*
Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES),
realizada na semana passada, o presidente Lula associou o avanço tecnológico
e as mudanças no mundo do trabalho desde a criação da
CLT à necessidade de reformar as leis trabalhistas em vigor no país.
E ilustrou: “Hoje, se você falar peão, os caras falam: não
sou mais peão, eles já fizeram universidade, curso de especialização,
estão num outro patamar”. Observou ainda que, na época
em que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo
do Campo e Diadema, bastava “xingar o governo” para ganhar a simpatia
da massa trabalhadora. E concluiu, referindo-se aos sindicalistas presentes: “Como
vocês não podem me xingar agora – pelo menos por companheirismo – temos
de ser produtivos e criativos, fazer o possível para mudar as coisas”.
Se for temerário
afirmar que a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)
está defasada, podemos no mínimo - e por companheirismo
- divergir do Presidente da República sobre a necessidade de
ser “criativos” e fazer o possível para mudar o
atual estado de coisas. Acreditamos que mudanças são
necessárias, sim, para que os trabalhadores atuais e futuros
exijam o mais rapidamente que os direitos da “velha” CLT
sejam aplicados e respeitados.
A jornada de trabalho, que Brasil afora tem custado vidas de milhares de trabalhadores,
ainda constitui um drama mesmo após a Constituição ter
assegurado 44 horas semanais. Isto porque, contrariamente ao que prevê a
lei maior, a realidade tem sido cruel com a saúde e a segurança
dos trabalhadores, muitas vezes obrigados a cumprir horas extras e até dobras
de jornada de trabalho. Acrescente-se a isso o fato de que o aumento da jornada
causa outro mal ainda maior à sociedade: o impedimento para que se criem
milhares de novos empregos.
Também é curioso notar que os salários, quando pagos em
dia – há patrões, entre eles o próprio setor público,
que atrasam o pagamento - estão bem mais defasados que a “velha” CLT,
e continuam a perder poder de compra mesmo em um ambiente de inflação
controlada. Na realidade, o que se observa é que os empresários
querem a volta à origem da palavra salário e de forma bastante
pejorativa.
Na base metalúrgica de Betim, Igarapé e São Joaquim de
Bicas, por exemplo, há trabalhadores que exercem funções
idênticas em uma mesma empresa e recebem até nove salários
diferentes. Para isso, as empresas se valem de nomenclaturas distintas que,
na maioria das vezes, só visam pulverizar e rebaixar os salários.
Afora isso, não é novidade mais o “calote” praticado
por empregadores que deixam de recolher para o INSS o percentual que é descontado
dos salários dos trabalhadores, inviabilizando o pagamento de benefícios
previdenciários aos que se acidentam e adoecem no trabalho. Também
o FGTS tem servido de motivo de muita dor de cabeça para os que, em
muitas situações, têm sido tomados de surpresa por contas
sem nenhum depósito, depósitos parciais e “acertos” rescisórios
sem o pagamento da multa de 40%. Há ainda o caso de aposentados que
permanecem na ativa e, quando são demitidos, deixam de receber a multa
de 40%, mesmo após legislação recente ter definido em
contrário.
No Brasil, mais danosa que a “velha” CLT tem sido a rotatividade
da mão-de-obra, que tanta insegurança tem gerado aos trabalhadores.
Não temos a menor condição de planejar minimamente nossas
vidas, levando em conta que, se hoje estamos empregados, amanhã podemos
acordar demitidos, seja em razão do mercado, da economia que não
cresce o suficiente, da taxa de juros que permanece elevada, de eventuais crises
externas, da política cambial ou simplesmente porque o chefe não
foi com a nossa “cara”.
Ainda mais “velha” que a CLT é a falta de democracia – no
setor privado, em particular – que faz com que o mesmo trabalhador que
ora é chamado de “parceiro”, “colaborador” e,
em alguns casos, até “acionista” não possa se opor à ditadura
patronal ou participar de reuniões/ assembléias de sua categoria
sob o risco de ser demitido. Sindicalizar-se, então, para alguns empregadores, é cometer
crime inafiançável.
A pergunta que cabe fazer neste momento é: como ser “criativo” e
promover mudanças nesse terreno de areia movediça? E mais: se
o veto do presidente Lula à Emenda 3 for derrubado, o que mais teremos
a flexibilizar?
* Marcelino da Rocha é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2007
Escândalo provoca 1ª queda
de ministro no 2º mandato
Investigado na Operação Navalha,
Silas Rondeau deixa pasta de Minas e Energia
A OPERAÇÃO Navalha
derrubou o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia), após 141
dias no cargo no segundo mandato de Lula -é a primeira queda no
segundo governo do petista. Ontem à noite, Rondeau entregou sua
carta de demissão ao presidente, que a aceitou. Apesar de considerar
que não há provas contra Rondeau, Lula disse que ele deveria
sair porque perdera as condições políticas de ficar
no posto. Nelson Hubner, secretário-executivo, assume interinamente
a pasta.
Rondeau é suspeito
de ter recebido propina da Gautama, apontada como peça-chave
do esquema de fraude. Ele nega. Três governadores do PT são
citados por membros da quadrilha nos grampos da PF -Wellington Dias
(PI), Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), mas não
haveria indícios de que participaram do esquema. Em Mauá,
a Ecosama, controlada pela Gautama, obteve na Caixa empréstimos
de R$ 42,7 milhões, depois que o ex-prefeito Oswaldo Dias (PT)
atuou a seu favor.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2007
SEM-TERRA
Até 2010, Lula quer assentar
400 mil famílias
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva anunciará hoje a meta de assentamentos de seu segundo
mandato, beneficiando 400 mil famílias até 2010. Atualmente
há 250 mil famílias sem terras.
Para a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), é uma
meta "muito tímida". A direção do MST (Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) não quis comentar a meta. Entre
2003 e 2006, Lula assentou 381 mil famílias.
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Folha
de São Paulo, 23 de maio de 2007
Indústria de SP produz, vende e
exporta mais
43% das empresas devem elevar produção,
contra 28% no mesmo mês de 2006 | Expansão do crédito,
aumento da massa real de salários e redução dos
juros impulsionam setor, segundo o Ciesp
FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
A performance da indústria
paulista neste mês está melhor do que a de maio do ano
passado em produção, vendas e exportação,
segundo consulta feita a 724 empresas pelo Ciesp (Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo). Para 43% das indústrias, haverá aumento
de produção neste mês. Para 42%, expansão
de vendas no mercado interno. Em maio de 2006, 28% das empresas previam
crescimento de produção, e 29%, de vendas.
Expansão do crédito,
aumento da massa real de salários e redução, ainda
que gradual, das taxas de juros estão puxando o consumo e, conseqüentemente,
a produção das fábricas.
" Evidentemente o desempenho dos setores não é uniforme. As
indústrias têxteis, de vestuário e de calçados, por
exemplo, sofrem os efeitos do real valorizado. As indústrias de alimentos
e bebidas já reagiram com a melhora da renda e do emprego", afirma
Claudio Vaz, presidente do Ciesp.
As vendas para o mercado externo
também estão mais aceleradas neste mês do que em
maio do ano passado, segundo o levantamento do Ciesp. Para 26% das
empresas consultadas, haverá aumento nas exportações
neste mês. Em maio do ano passado, 18% falavam em alta das vendas
externas.
Apesar de a taxa de câmbio
ser desfavorável às exportações, na avaliação
de Vaz, as indústrias estão se adaptando para não
perder clientes no exterior. "As empresas que conseguiram se manter
estão mais competitivas, apesar de outras terem desistido de
exportar." O fato de as indústrias terem melhor desempenho
de vendas, produção e exportação não
significa que vão ampliar a contratação de pessoal.
O levantamento do Ciesp mostra que 70% das empresas não têm
intenção de contratar mais empregados neste mês.
Mas a situação
para o emprego já esteve pior. Em consulta a empresários
feita em outubro do ano passado pelo Ciesp, 86% das empresas informaram
que não tinham intenção de elevar o número
de funcionários. "A indústria optou por aumentar
a produtividade, o que significa elevar a produção com
o mesmo número de funcionários. Isso porque o custo da
mão-de-obra continua muito elevado no país, especialmente
quando a comparação é feita com a China. As indústrias
têxteis e de calçados, para elevar a produtividade, têm
até que demitir", diz Sérgio Vale, economista-chefe
da MB Associados.
Na opinião de Vale,
o ritmo atual de produção da indústria brasileira
deve se manter neste ano e no próximo. Não deve haver
mudança significativa na taxa de câmbio, e a China deve
continuar pressionando para baixo os preços de alguns produtos,
na avaliação do economista, que estima que a produção
industrial deva crescer ao redor de 4% neste ano.
Fim do "stop and go"
Para Fábio Silveira,
sócio-diretor da RC Consultores, a indústria vive uma
situação mais favorável neste ano "porque
parece que a fase de crescimentos curtos do país -conhecida
como "stop and go"- acabou. "Os indicadores mostram
que o país deve passar por ciclos mais duradouros de crescimento." Para
ele, a produção industrial deve crescer 4,5% neste
ano. Para 2008, na sua avaliação, o crescimento da
indústria dependerá da taxa de juros. "Quanto
mais os juros caem, maior a possibilidade de a produção
subir", afirma.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2007
Idoso quer trabalhar, mas não
tem oportunidade, diz estudo
TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL
Há vida útil, longa
e saudável após a aposentadoria, mas poucas pessoas sabem
o que fazer com esse bônus de longevidade. As pessoas mais velhas
sentem-se cada vez mais saudáveis e com disposição
para trabalhar e aproveitar a vida, segundo pesquisa mundial encomendada
pelo banco HSBC, que ouviu 21 mil pessoas em 21 países, todas
entre 40 e 79 anos (portanto, próximo da aposentadoria), com renda
disponível para adquirir um plano de previdência privada.
Dos entrevistados, 1.001 foram ouvidos no Brasil, país que terá 14
milhões de idosos acima de 80 anos até 2050.
No Brasil, o levantamento mostra
que 71% dos entrevistados desejam, sim, trabalhar o máximo possível,
enquanto a saúde permitir, mas apenas metade consegue passar dos
50 exercendo uma atividade profissional remunerada -porcentagem que cai
para 35%, após os 60 anos, e para 8% depois dos 70 anos. "Os
70 anos de hoje representam o mesmo que os 50 anos de décadas
atrás. A aposentadoria não é mais vista como um
período de descanso merecido, mas uma nova vida. Os idosos querem
trabalhar, dar a sua contribuição, mas num ritmo mais tranqüilo,
com horários flexíveis. E as empresas não estão
preparadas para isso", disse Richard Jones, executivo-sênior
de Previdência Complementar do HSBC.
Diferentemente do que se
supõe, muitos idosos ajudam mais financeiramente do que são
ajudados por suas famílias -no Brasil, cerca de 25% das pessoas
entre 60 e 70 anos dão algum tipo de ajuda financeira a parentes
e familiares. "Ao contrário da lógica, as pessoas
aposentadas contribuem com dinheiro e assistência financeiras
para suas famílias. Logo, não são um ônus",
disse Marcelo Teixeira, diretor do HSBC Vida e Previdência.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de maio de 2007 | Economia
Supermercados ameaçam fechar
aos domingos e demitir até 170 mil pessoas
Empregados do varejo pedem ao governo
regulamentação de uma folga para cada domingo trabalhado
por CÍNTIA SCHEFFER - GAZETA
DO POVO
A regulamentação do trabalho aos domingos e uma possível
mudança na lei federal que permite a abertura do comércio nesses
dias da semana provocaram mais um embate entre o comércio e os sindicatos
dos funcionários do setor. Os supermercados ameaçam deixar de
funcionar aos domingos e demitir até 170 mil trabalhadores. A discussão
começou depois que os sindicatos propuseram ao governo a edição
de uma medida provisória que altere as folgas aos domingos. A atual
lei federal prevê uma folga aos domingos a cada três trabalhados.
O sindicato propôs a escala de um trabalhado por um de folga.
Roberto Custódio/Jornal de Londrina

Supermercado lotado: pesquisa mostra que 73% dos brasileiros fazem compras
aos domingos
Já a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), ao
mesmo tempo em que propôs o rodízio de dois domingos trabalhados
por um de folga, divulgou pesquisa encomendada ao Ibope, que aponta que 73%
dos brasileiros fazem compras aos domingos. O levantamento, realizado em sete
capitais, revela que 71% da população aprova a abertura do comércio
nesse dia. Em 2003 esse índice era de 59%.
O presidente da Abras, Sussumu
Honda, afirmou que a compensação de uma folga para cada
domingo trabalhado tornaria inviável o funcionamento dos supermercados,
porque o custo com a mão-de-obra não compensaria a manutenção
dos empregos. Neste caso, ele afirma que as redes demitiriam entre 15%
e 20% dos atuais 850 mil funcionários no país, o que pode
alcançar 170 mil pessoas.
Comércio tenta fechar acordo sobre
redução de trabalho aos domingos
De acordo com a entidade, que fala também em nome da Associação
Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), Associação Brasileira
de Shopping Centers (Abrasce), Associação Paulista de Supermercados
(Apas) e do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), a mudança
na escala dos funcionários será discutida nesta quarta-feira,
em reunião entre representantes do setor, inclusive dos empregados,
e o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, em Brasília.
“Estamos avançando
com essa proposta”, afirmou Honda. Segundo a entidade, o domingo
gera 12% do faturamento dos supermercados e é o segundo melhor
dia de vendas para o segmento, depois do sábado.
O superintendente da Associação
Paranaense dos Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, diz que a entidade é favorável à abertura
aos domingos. “É uma tendência mundial. É uma
oportunidade de compra e também uma alternativa de entretenimento.”
O superintendente da Apras diz
que, para atender ao pedido dos trabalhadores, seria necessário
contratar mais funcionários. “Pode ser que isso inviabialize
o funcionamento nos domingos. Mas não temos um estudo do impacto
para as empresas”, diz. “E, por outro lado, se tivermos que
fechar, haverá demissões.”
O trabalho aos domingos é permitido
por lei federal regulamentada em 2000. Em todo o Brasil, o segmento
supermercadista emprega cerca de 850 mil pessoas. De acordo com Honda,
da Abras, no de shopping centers são mais 700 mil empregados.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de maio de 2007 | Economia
Nível de emprego cresce 3,79%
nos quatro primeiros meses do ano
Entre os estados do Sul do país,
o Paraná foi o que mais abriu postos de trabalho, seguido
por Rio Grande do Sul e Santa Catarina
por GAZETA DO POVO ONLINE
O nível de empregos formais no Paraná apresentou crescimento
de 3,79% nos primeiros quatro meses de 2007. O saldo de empregos passou de
51.830 empregos em 2006 (2,93%) para 70.389 empregos neste ano (3,79%), sendo
o melhor desempenho para o 1.º quadrimestre desde 1992. Os dados são
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged/Ministério
do Trabalho e Emprego, e foram divulgados nesta terça-feira pelo Dieese.
Segundo o levantamento, em abril
de 2007 o nível de emprego formal no Paraná registrou aumento
de 1,44%, acima da variação nacional (1,07%), correspondendo
a um saldo (admissões menos os desligamentos) de 27.478 empregos.
O interior apresentou alta de 1,81% no nível de emprego e a região
metropolitana de Curitiba alta de 0,90%. Com o resultado de abril, o
número estimado de trabalhadores com carteira assinada no Paraná é de
aproximadamente 1,930 milhão.
Nos quatro primeiros meses do
ano, foram criados 70.389 empregos, registrando crescimento de 3,79%.
O interior do estado foi responsável pela abertura de 52.940 novos
postos de trabalho, ou seja, o interior foi responsável pela criação
de 75,21% dos empregos gerados no Paraná.
Na região metropolitana,
houve um crescimento do nível de emprego de 2,33%, com a geração
de 17.449 postos de trabalho, respondendo por 24,79% dos empregos gerados
no estado.
O estudo mostrou que entre os
setores de atividade, a maioria apresentou aumento do nível de
emprego em abril. Os destaques foram os setores da Indústria de
Transformação (2,31% 12.574 empregos), Agricultura (5,08%
5.226 empregos), Serviços (0,74% 5.087 empregos) e o Comércio
(0,78% 3.407 empregos).
Dentre os três estados
do Sul do país, o Paraná apresentou a maior geração
de empregos no mês de abril, com aumento de 1,44%. Rio Grande
do Sul ocupou a 2º posição com alta de 0,76% e o
Santa Catarina em último com alta de 0,69%. No acumulado do
1º quadrimestre de 2007 a situação se altera, com
o Paraná (3,79%) com o melhor desempenho, seguido por Santa
Catarina (3,18%) e o Rio Grande do Sul (2,72%).
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
23 de maio de 2007
Paraná: Máquina de 200
kg mata operário
Um operário morreu ontem pela manhã em uma empresa de beneficiamento
de arroz, localizada na Avenida Tiradentes (Zona Oeste de Londrina), enquanto
trabalhava na retirada de uma máquina. Segundo o Corpo de Bombeiros,
João Brito de Lima, 44 anos, foi atingido na cabeça por um equipamento
que pesa cerca de 200 kg e teve morte instantânea.
O sargento Luiz Wanderlei Felix
dos Santos informou que o acidente ocorreu por volta das 11h30, em um
armazém de cereais da empresa. Lima estaria fazendo a remoção
do equipamento conhecido como ''chopim'', uma máquina fixada sobre
um tripé móvel que é usada para fazer a transferência
de cereais de um local para outro. Conforme o sargento, o equipamento
teria caído sobre a cabeça do operário e causado
traumatismo craniano e fratura de pescoço. ''Quando chegamos,
ele já estava em óbito e não deu para fazer nada'',
lamentou o bombeiro.
O perito do Instituto de Criminalística
que atendeu a ocorrência, José Denilson dos Santos, explicou
que o operário foi atingido enquanto tentava remover o equipamento
para instalá-lo em outro local. Santos cogitou duas hipóteses
iniciais para o acidente: as hastes que sustentavam o equipamento podem
ter escorregado por causa dos restos de cereais que havia no piso do
armazém; ou houve falha na execução do serviço.
O perito ainda estudava, na legislação específica,
a necessidade de a vítima estar usando equipamentos de proteção
individual. ''Mas ali, no máximo, ele poderia estar com luvas
e capacete, o que infelizmente não deveria alterar o resultado
do acidente'', concluiu.
Um familiar da proprietária
da empresa informou que Lima trabalhava e morava no local há cinco
anos com a mulher e um filho adulto e que era bastante querido por
todos. Ele teria a experiência exigida para a função
mas ontem teria decidido movimentar o ''chopim'' sozinho quando o correto
seria ele ter pedido ajuda de mais um funcionário.
Luciano Augusto
Reportagem Local
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de maio de 2007 | Economia
Governo quer identificar setores afetados
pelo câmbio
Acompanhamento de até 30 setores permitirá saber
impacto na exportação
Renata Veríssimo e Lu Aiko Otta
BRASÍLIA - Diante das
queixas sobre os efeitos danosos do dólar barato e dos juros altos
sobre a indústria nacional, o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior decidiu fazer um acompanhamento
detalhado de 20 a 30 setores durante este ano. Com base em uma cotação
de dólar fornecida pelo governo, eles vão informar qual
a estimativa de exportações em 2007 e esse dado será comparado
com o resultado obtido ao fim do ano. Nos setores cujo desempenho ficar
abaixo do previsto, será feita uma análise sobre as causas.
As razões são diversas.
Para o setor moveleiro, por exemplo, a frustração nas expectativas
de vendas está ligada ao real valorizado e à concorrência
com a China. Para o setor de açúcar e álcool o problema é o
custo da produção. "Não existe uma regra, mas é claro
que o câmbio é um fator importante", afirmou o secretário-executivo
da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Mario Mugnaini.
Levantamento semelhante foi realizado
em 2006. "A maioria mostrou que o ano não foi tão
ruim quanto esperavam", desse o secretário. O setor de petróleo
e combustíveis, por exemplo, esperava exportar US$ 7,5 bilhões
no ano passado, mas vendeu efetivamente US$ 13 bilhões. No setor
de açúcar e álcool, as expectativas foram superadas.
O mesmo ocorreu nos setores de papel e celulose, minérios e café.
Prejuízo
Porém, em dois setores
identificados entre os mais prejudicados pelo câmbio, o desempenho
foi aquém do esperado. No caso do têxtil, houve queda de
5,44% no valor das exportações e de 11,57% no volume exportado.
O prejuízo só não foi maior porque foi possível
aumentar os preços em 6,39%, na média. No setor moveleiro
a queda no valor das exportações foi de 2,57% e os volumes
exportados recuaram 9,13%. Outro que teve desempenho abaixo do esperado
foi o setor de bens de capital, que esperava elevar as vendas em 10%,
mas ficou em 7,34%.
A dupla câmbio barato e
juro alto foi apontada como causadora de um processo de encolhimento
da indústria brasileira, em estudo divulgado recentemente pelo
Instituto de Estudo para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). O estudo
mostra que, de 34 setores analisados, apenas 9 conseguiram avançar
em agregação de conteúdo nacional em seus produtos,
na comparação entre 1996 e 2004.
"Mesmo sendo dotado
de parque industrial amplo e diversificado, verifica-se nos últimos
anos um processo de desindustrialização, que é fruto
da combinação perversa da taxa de juros elevada e câmbio
valorizado", diz o estudo.
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CORREIO
DE UBERLÂNDIA, 23 de maio de 2007
Benefícios
INSS não exige idade mínima
para aposentadoria integral
Os segurados da Previdência
Social não precisam comprovar idade mínima para terem
direito a uma aposentadoria por tempo de contribuição
integral. Essa é uma dúvida muito comum entre os contribuintes
e foi causada principalmente pela reforma da Previdência do servidor
público, que fixou uma idade mínima para a aposentadoria
integral dos funcionários federais, estaduais e municipais (60
anos homem e mulher 55).
Para ter direito à aposentadoria
integral, os segurados do INSS devem comprovar um tempo mínimo
de contribuição, que é fixado em 35 anos para
o homem e em 30 anos para a mulher. Se essa exigência for atendida,
a aposentadoria será concedida, independentemente da idade da
pessoa. A idade mínima somente é exigida pela legislação
previdenciária para a concessão da aposentadoria por
idade (65 homem e 60 mulher), para o amparo assistencial ao idoso (65
anos) e também para a aposentadoria por tempo de contribuição
proporcional (53 homem e 48 mulher).
Aposentadoria por idade também
gera dúvida — Outra dúvida comum entre a população é sobre
a aposentadoria por idade. A confusão, nesse caso, ocorre porque
muitas pessoas não sabem que a idade mínima não
basta para a concessão desse benefício. Para ter direito à aposentadoria
por idade, o interessado deve comprovar um período mínimo
de contribuições à Previdência, além
da idade, que é de 65 anos para o homem e 60 para a mulher.
O tempo mínimo
de contribuição varia de 156 meses (13 anos) a 180
meses (15 anos). Para quem se filiou à Previdência antes
de 24 de julho de 1991, são necessários, em 2007, 156
meses de contribuição. Esse período aumenta
seis meses a cada ano, até chegar a 180 meses em 2011. Já os
segurados que começaram a contribuir depois de 24 de julho
de 1991 têm de comprovar, no mínimo, 180 meses de contribuição.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de maio de 2007
"Caixinha" recebida regularmente é salário
Caixinha recebida regularmente configura
relação de trabalho e, portanto, tem conotação
salarial.
Acompanhando tese da juíza Jane
Granzoto, os juizes da 9ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (TRT-SP) deram provimento ao recurso de um
lavador de carros que prestava serviços regulares ao posto de
gasolina Sames Center, recebendo apenas "caixinhas" pagas
pelos clientes.
Demitido, o lavador entrou com
reclamação na 8ª Vara do Trabalho de São Paulo
pleiteando o reconhecimento do vínculo empregatício. Em
sua defesa, a empresa alegou que o lavador de carros era autônomo.
A vara julgou a ação
improcedente. Inconformado, o lavador de carros recorreu ao TRT-SP. No
tribunal, a relatora do recurso, juíza Jane Granzoto, reconheceu
que a prestação de serviços de modo não eventual
e mediante subordinação.
No entendimento da juíza,
as provas apresentadas pelo lavador deixaram claro que ele se utilizava-se
de balde, panos, sabão e máquina de aspergir água
de propriedade da empresa para lavar os carros dos clientes.
Para a juíza Jane Granzoto,
os fatos se sobrepõem ao formalismo, já que, "constatada
a presença de todos os demais requisitos estabelecidos pelo artigo
3º da CLT, prestação pessoal de serviços, de
modo não eventual e mediante subordinação, a caixinha
não pode servir de supedâneo para afastar a evidente relação
empregatícia".
Por unanimidade de votos, os
juizes da 9ª Turma acompanharam o voto da juíza Jane Granzoto
dando provimento ao recurso do lavador de carros e reconhecendo seu vínculo
empregatício com a empresa.
Processo Nº 00043200500802008
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de maio de 2007
Simples pretensão
Engenheiros da RFFSA não conseguem
aumento
O Tribunal Superior do Trabalho
extinguiu dissídio coletivo movido pelo Sindicato dos Engenheiros
no Estado de São Paulo contra a Rede Ferroviária Federal.
O sindicato tentava obter aumento salarial como categoria diferenciada.
Não conseguiu. A decisão foi tomada pela Seção
Especializada em Dissídios Coletivos.
O relator, ministro Ives Gandra
Martins Filho, criticou a pretensão dos profissionais. “Se
os engenheiros pretendem seu reconhecimento como categoria diferenciada
da RFFSA, por trabalharem em condições especiais, o natural
seria declinarem essas condições especiais, que justificariam
tratamento diverso do geral dos ferroviários. No entanto, não
o fazem. O que se verifica do presente dissídio é a simples
pretensão dos engenheiros de ganharem mais do que os demais ferroviários.”
A ação contra a
estatal foi movida pelo sindicato sob alegação de que não
foi respeitada a data-base de reajuste da categoria. Os engenheiros pediram
a fixação de salário normativo previsto pela Constituição,
além da manutenção das cláusulas sociais
do acordo coletivo firmado em 1998, 10% de reposição salarial
a partir de 2003, mais um abono de 64% do salário pelas perdas
salariais.
A estatal alegou ilegitimidade
do sindicato para instaurar dissídio coletivo sem que houvesse
representação dos demais empregados da empresa. A defesa
informou que as normas coletivas sempre foram unificadas para todos, “não
se justificando reajuste salarial diferenciado para os engenheiros”.
Sustentou ainda que as ações
judiciais deveriam ser transferidas para a Valec Engenharia, Construções
e Ferrovias, sua sucessora, conforme a Medida Provisória 353.
O Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo encaminhou o processo
ao TST ao se declarar incompetente para julgar o dissídio de empresa
com abrangência nacional.
O ministro Ives Gandra Filho
rejeitou a preliminar de ilegitimidade do sindicato. Lembrou que a Lei
7.316/85 atribui às entidades sindicais representativas de profissionais
liberais o mesmo poder de representação das entidades de
categorias diferenciadas. Quanto à extinção da estatal,
o ministro explicou que “o dissídio refere-se ao ano de
2003, e a extinção se deu apenas em 2005, pela MP 246/05”.
E, mesmo que o dissídio fosse ajuizado contra a Valec, “seria
discutível a distinção de categorias, já que
a própria denominação empresarial traz como atividade
preponderante a de engenharia”.
O relator ressaltou que os ferroviários,
por meio de outro dissídio, receberam reajuste de 14% em 2003,
aplicado também aos engenheiros. “Se não houve fundamentação
dos pedidos e se as perdas salariais dos engenheiros não foram
superiores às dos demais trabalhadores da RFFSA em relação
ao período que antecedeu ao dissídio coletivo, não
se justifica que tenham um tratamento de recomposição salarial
mais vantajoso”, esclareceu.
Em relação à pretensão
de piso profissional superior ao concedido por lei, o relator também
considerou o pedido sem fundamento. “É o caso de se extinguir
por inteiro o presente feito, o que, no entanto, não deixará desamparada
a categoria, uma vez que, para o período, as normas coletivas
aplicáveis aos engenheiros da RFFSA são as gerais dos ferroviários
da empresa”, concluiu.
A decisão de ausência
de fundamentação baseou-se ainda no Precedente Normativo
37 e na Orientação Jurisprudencial 32, ambos da SDC.
DC-175.985/2006-00-00-0
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de maio de 2007
Congresso resiste a aprovar sanção
a uso de mão-de-obra escrava, diz senador
Ricardo Viel
O senador José Nery (PSOL–PA),
presidente da Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo do Senado,
avalia que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 438 —que prevê a
expropriação das terras onde forem encontrado trabalhadores
em condições análogas à de escravo— encontra
resistência forte de alguns setores representados no Congresso
Nacional para ser aprovada.
“Temos solicitado esforços
para convencer as lideranças, mas o setor é organizado”,
afirmou. Segundo ele, a chamada “bancada ruralista” consegue
amarrar acordos e atrasar a votação do projeto, que tramita
há dez anos no Congresso. O senador foi um dos participantes do
encontro realizado em São Paulo para debater os dois anos da criação
do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Para o subprocurador-geral do
MPT (Ministério Público do Trabalho) Luís Antonio
Camargo, faltou vontade política ao governo anterior e ao atual
para mobilizar a aprovação da proposta. “Neste sentido
eles [contrários à PEC 438] são muito mais organizados
que nós [favoráveis]”, afirmou Camargo, referindo-se às
pressões feitas pelos grupos que tentam impedir a aprovação
do projeto.
Após dois anos de tramitação
no Senado, a proposta foi aprovada em 2003. Enviada para a Câmara,
foi aprovada em 2004, com alterações, em primeiro turno.
Desde então, está parada. Ainda precisa ser aprovada em
segundo turno e voltar para o Senado, que analisará somente as
alterações feitas pelos deputados —todos os textos
legais devem passar pelas duas Casas do Congresso.
Mais obstáculos
Para Firmino Ales de Lima, juiz
do trabalho e membro da Anamatra (Associação Nacional dos
Magistrados Trabalhistas), a terceirização é a maior
vilã da precarização das condições
do trabalho, inclusive, da utilização da mão-de-obra
escrava. “De dez audiências que faço por dia, sete
envolvem terceirização”, disse.
O magistrado também alerta
para outro tipo de escravidão, a urbana. Segundo ele, sobretudo
estrangeiros, ilegais no país, são submetidos a condições
subumanas de trabalho e escravidão e têm medo de denunciar
por que estão clandestinos.
Camargo avalia que a questão
da falta de punição dos responsáveis pela prática
do crime de escravidão esbarra em questões como a falta
de preparo dos profissionais de direito (membros do Ministério
Público, magistrados, defensores públicos), possibilidade
de inúmeros recursos e prescrição da lei.
O coordenador nacional da Coordenadoria
de Erradicação do Trabalho do MPT defende que uma alteração
da lei para que a pena mínima do crime de escravidão, hoje
de dois anos, seja aumentada para no mínimo quatro anos. “Hoje,
quando há a condenação, o acusado consegue substituir
a prisão por penas alternativas”, afirmou. como pagamento
de sesta básica.
Segundo Camargo, até hoje
houve apenas uma condenação transitada em julgado no Brasil
pela prática desse crime.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/05/2007
JT não reconhece vínculo de
emprego de pastor evangélico
A relação entre
o pastor e a igreja, no interesse exclusivo do culto e em sede eclesiástica,
com propósitos unicamente espirituais, sem subordinação
jurídica, não configura vínculo empregatício.
A decisão, do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
(Mato Grosso do Sul), foi mantida pela Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho ao julgar o agravo de instrumento de um pastor contra a Igreja
Evangélica Assembléia de Deus.
O autor da ação
disse na peça inicial que foi contratado pela igreja em novembro
de 1977 para exercer as funções de pedreiro, encanador
e pastor, com salário de R$ 200,00. Contou que, dentre as suas
atribuições, era responsável pelo recebimento do
dízimo, do qual 10% destinavam-se à sede da igreja em Campo
Grande e 90% eram administrados por ele, para a manutenção
da paróquia e a execução de obras sociais.
Ao deixar a administração
da igreja, o pastor ajuizou reclamação trabalhista, pleiteando
reconhecimento do contrato de trabalho, com anotação da
carteira, férias, 13º salário, horas extras e Fundo
de Garantia. A Assembléia de Deus, em contestação,
negou a prestação dos serviços de pedreiro e encanador,
salientando que o autor da ação, na qualidade de pastor
da igreja, não preenche os requisitos próprios do contrato
de trabalho, pois estão ausentes a subordinação,
a pessoalidade e a onerosidade.
O juiz da 2ª Vara do Trabalho
de Campo Grande julgou improcedente o pedido. Quanto às funções
de encanador e pedreiro, o autor da ação não conseguiu
demonstrar a habitualidade na prestação dos serviços
e, quanto à função de pastor, também não
obteve sucesso. “A vinculação do pastor com a igreja,
sendo ele o próprio órgão, falando em nome dela,
revela vínculo de natureza unicamente espiritual, sem qualquer
natureza jurídica trabalhista. Não há subordinação
do pastor para com a igreja, pois ele é a própria, fala
e age em nome dela”, destacou a sentença.
Insatisfeito com a improcedência
do pedido, o pastor recorreu ao TRT/MS. Disse que o magistrado de primeiro
grau decidiu com emoção, não percebendo a existência
dos requisitos do art. 3º da CLT para a configuração
do vínculo empregatício. Afirmou que comprovou a subordinação
porque o próprio representante da igreja, em juízo, admitiu
que o pastor deveria manter obediência eclesiástica para
com a matriz, confirmando também que ficava 24 horas à disposição
da igreja.
O TRT/MS manteve a decisão
da Vara do Trabalho. “A submissão do pastor à doutrina
da igreja decorre da fé que professa e não se confunde
com a subordinação do empregado”, destacou o acórdão.
Quanto ao fator onerosidade, o Regional manifestou-se no sentido de que “o
pastor tinha total autonomia sobre o valor arrecadado, inclusive para
destinar parte dele ao seu sustento e de sua família, não
sendo possível admitir tal percentual como sendo o valor do salário
percebido por ele”.
O pastor recorreu ao TST, mas
novamente não obteve sucesso. O relator do processo, ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, negou provimento ao agravo de instrumento
ante a impossibilidade de rever fatos e provas na atual fase recursal
(Súmula 126 do TST). (AIRR-702-2004-002-24-40-1).
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GABINETE DO MINISTRO
DESPACHOS DO MINISTRO
Em 18 de maio de 2007
Registro
Sindical
O
Ministro do Trabalho e Emprego, no uso de suas atribuições
legais, com fundamento na Portaria nº. 343, de 04 de Maio de 2000,
NOTA TÉCNICA DIAN/CGRS/SRT/MTE Nº. 121/2007 e tendo em vista
a modificação procedida pelo interessado em seu estatuto,
apensos nºs. 46000.002101/2002-19 e 46000.008388/2005-19, cessando
os motivos para a permanência do sobrestamento do feito, e considerando
não haver mais conflito na representação com os
impugnantes nº. nº 46000.009573/99-11 e nº. 46000.010038/99-87,
resolve CONCEDER o registro de alteração estatutária
ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Pesada e Afins do Estado do Mato Grosso - MT, para representar a categoria
dos trabalhadores nas indústrias da construção pesada,
construção de estradas de rodagem, obras de pavimentação
asfáltica, obras de terraplenagem em geral, pavimentação
flexível, obras de pavimentação de concreto asfáltico,
pavimentação rígida (construção de
canais, aeroportos, barragens, pontes, postos, dutos, hidrelétricas,
termoelétricas, ferrovias) usina de asfalto e usina de concreto
asfáltico, engenharia consultiva, administração
de rodovias, pedágios e balanças municipal, estadual e
federal, túneis, eclusas, dragagens; trabalhadores de empreiteiras
ou empresas prestadoras de serviços na construção
pesada, inclusive de fornecedora e locadora de mão-de-obra de
serviços temporários e terceirizados para estes seguimentos
ou a eles equiparados, com base territorial no Estado do Mato Grosso.

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