 |
JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de maio de 2007 | Brasil
Previdência de Serra é aprovada;
projetos devem reduzir benefícios
Governo vence votação na Assembléia
por 62 a 26 e garante criação da SP Previ
DA REPORTAGEM LOCAL
O governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), garantiu ontem, no prazo limite,
a aprovação do principal projeto da reforma previdenciária
do Estado: o que cria a SP Previ. Debelada uma rebelião na
Assembléia Legislativa, o governo venceu por 62 votos a 26
votos contrários, dos quais apenas quatro de aliados.
Além da implantação de um gestor único de previdência,
o projeto confere status de "efetivo" aos 205 mil contratados como
temporários pelo Estado.
Mas, superado o impasse, outros dois projetos, com votação prevista
até a semana que vem, reduzem o benefício de dependentes de servidores
civis e militares. O projeto 31 reduziria de 21 para 18 anos a idade até qual
os filhos de servidores mortos têm direito à pensão. Também
cai o dispositivo que garantia pensão aos dependentes de até 25
anos, desde que cursassem a universidade.
Segundo o líder do governo na Alesp, Barros Munhoz, o projeto 32 reduz
o tempo de pensão às filhas solteiras de militares mortos. Hoje,
elas têm direito até os 25 anos. Pela nova regra, esse dispositivo
sumiria, valendo os 18 anos aplicáveis aos pensionistas do sexo masculino,
antes descritos como "varões". "Continuar recebendo é impensável",
disse ele.
O PT informou que votará com o governo. Mas, numa demonstração
do potencial de polêmica, na opinião do deputado Edson Ferrarini
(PTB), esse benefício está assegurado. Assim como Ferrarini,
os militares Olímpio Gomes (PV) e Conte Lopes (PTB) votaram contra o
governo. Outro aliado que aderiu à oposição, Valdomiro
Lopes (PSB) atribuiu seu voto a laços com o funcionalismo.
Pelo projeto aprovado, trabalhadores contratados sob a Lei 500 (1974) continuarão
se aposentando segundo o regime dos servidores estaduais, ainda que a Constituição
determine que o ocupante de "cargo temporário" se submeta
ao regime geral de Previdência.
Sob pressão de Serra, o ministro Luiz Marinho (Previdência) fez
um acordo para impedir que fossem transferidos para o INSS. Mas não
está descartada contestação judicial.
A assessoria da Procuradoria-Geral da República informou que não
existe nenhum compromisso para que não venha a questionar a lei.
Para driblar resistências, o governo assumiu no texto a responsabilidade
de cobertura de "eventuais insuficiências financeiras" do sistema.
A composição do conselho da SP Previ é paritária,
com os trabalhadores ocupando o mesmo espaço que o governo em sua direção.
A promulgação da reforma é condição para
a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP)
para São Paulo. Sem o CRP, o Estado perde o direito a repasses da União
e à concessão de empréstimos. A cada semestre, o INSS
faz uma auditoria para renovação dos certificados.
|
JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de maio
de 2007 | Dinheiro
Mais Recorde
Investimento de fora sobe
52%, para US$ 325 bilhões em 2006
O IED (Investimento Estrangeiro Direto) para países em desenvolvimento
cresceu 52% no ano passado e atingiu o valor recorde de US$ 325 bilhões,
mostra o relatório do Banco Mundial. Na América Latina e Caribe,
houve ligeira queda, de US$ 70 bilhões para US$ 69,4 bilhões.
Em contrapartida, no Brasil, o volume subiu 24%, para US$ 18,8 bilhões.
|
JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de maio de 2007 | Dinheiro
BNDES emprestará R$ 1,5 bi para
a Vivo
Única das operadoras a utilizar tecnologia
CDMA, empresa de telefonia móvel obtém recursos para concluir
rede GSM
| Financiamento só fica atrás do liberado para Telemar e Brasil
Telecom; concorrência no setor gera demanda por investimentos, diz o banco
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
A Vivo receberá financiamento
de R$ 1,5 bilhão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social). Trata-se da terceira maior operação
de empréstimo para o setor anunciada nos últimos anos.
Só fica atrás dos empréstimos concedidos para
Telemar (R$ 2,4 bilhões) e Brasil Telecom (R$ 2,1 bilhões),
anunciados no ano passado.
Somente em 2006, os desembolsos (liberação de parcelas de financiamentos)
para o setor somaram R$ 2,1 bilhões, a maior cifra desde 2001, quando
as empresas ainda faziam investimentos para cumprir as metas da Anatel (Agência
Nacional de Telecomunicações). As aprovações somaram
R$ 4,5 bilhões. Desde a privatização do setor, em 1998,
o banco já aprovou financiamentos que somam R$ 19,5 bilhões.
Segundo Alan Fischler, chefe do departamento de Telecomunicações
do BNDES, ainda existem outros grandes projetos em fase de tramitação.
" As empresas estão investindo mais para manter a base de clientes
por conta da concorrência. Ainda há espaço para expansão
de 10% a 15% no número de clientes, mas é preciso oferecer mais
serviços. Se uma empresa fica para trás, o cliente muda de operadora,
e o de renda mais alta é o que mais demanda tecnologia", disse.
O país tinha até abril 102,8 milhões de assinantes na
telefonia móvel, segundo a Anatel.
O banco prevê que as empresas de telecomunicações investirão
R$ 58 bilhões de 2007 a 2010, e a estimativa é que os financiamentos
do BNDES somem R$ 9 bilhões neste período. As empresas de telefonia
fixa estão investindo mais em banda larga, modernização
de rede e transmissão de dados.
GSM
Segundo o BNDES, os recursos do financiamento à Vivo serão usados
para a conclusão da rede com tecnologia GSM (de origem européia,
o padrão de telefonia mais usado no mundo) e para a expansão
da capacidade de tráfego nas regiões já cobertas pela
Vivo.
O banco destaca que a Vivo é a única operadora que usa a tecnologia
de origem americana CDMA (Divisão de Código de Múltiplo
Acesso, em inglês) no Brasil. As concorrentes usam a GSM (Sistema Global
para Comunicação Móvel, na sigla em inglês), que
oferece equipamentos a custo menor devido à escala internacional.
A rede GSM da Vivo ficará sobreposta à atual CDMA, mas a empresa
não ampliará a cobertura da rede com tecnologia CDMA para outras
cidades. Com a mudança, a Vivo vai permitir o acesso dos clientes ao
modo digital no país e no exterior. Nas áreas onde não
tem concessão (Minas Gerais e parte do Nordeste), os terminais só operam
no modo analógico.
O projeto da Vivo prevê que até julho todos os 2.295 municípios
em que atua estejam cobertos pela tecnologia GSM. Para o próximo ano,
a empresa concentrará investimentos em 2008 no aumento da capacidade
de tráfego da nova rede GSM em razão do crescimento da base de
assinantes.
Segundo o BNDES, a implantação da rede GSM permitirá no
futuro a migração dos serviços para a terceira geração
da telefonia móvel, conhecida como 3G. As principais vantagens são
o acesso à internet em alta velocidade e aplicações como
videoconferência.
|
JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 29 de maio de 2007 | Dinheiro
Não podemos ficar olhando a China
crescer, afirma Lula
Presidente cobra construção de
novas siderúrgicas
TATIANA RESENDE
DA REDAÇÃO
MAELI PRADO
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva disse ontem, na abertura do 20º Congresso Brasileiro
de Siderurgia, em São Paulo, que os empresários do setor
não podem deixar de aproveitar o cenário econômico
favorável para crescer e ocupar novos mercados e ressaltou a
necessidade da construção de novas usinas siderúrgicas
no país.
" Em um congresso como este, vocês vão chegar à conclusão
de que o Brasil não pode prescindir da construção de várias
outras siderúrgicas. Não podemos ficar sentados em berço
esplêndido olhando a China crescer", comentou.
Lula disse ainda que não é mais possível ficar olhando "prazerosamente
a Vale do Rio Doce encher navios cada vez maiores de minério",
argumentando que esse minério poderia sair do país com maior
valor agregado.
Para ele, está na hora de construir uma siderúrgica no Maranhão
e no Ceará. "Depois de vencermos todas as liminares que estão
colocadas", ironizou, sem citar a Ceará Steel. Recentemente, a
Justiça Federal negou o pedido do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia),
que promove o congresso, para impedir o fornecimento de gás natural
subsidiado da Petrobras à siderúrgica.
África
Sobre outros mercados, Lula disse que está de olho no continente africano.
" Daqui a 20 anos, a África terá 1,3 bilhão de habitantes.
Se um país como o Brasil não estiver de olho para se introduzir
enquanto setor tecnológico, setor industrial nesse continente, não
pense que os chineses vão esperar o Brasil tomar a decisão. Eles
vão ocupar", afirmou. E disse ainda que "não adianta
um país crescer a 7%, 8% se atrás não houver crescimento
da participação das pessoas nessa distribuição de
renda", referindo-se aos saltos da economia chinesa.
Em reunião ontem também em São Paulo, Lula pediu às
companhias aéreas que criem linhas para a África e que ampliem
seus vôos para a América do Sul -neste caso, principalmente a
partir da Amazônia e do Centro-Oeste. O argumento foi o aumento do comércio
com esses países, e discutiu-se a possibilidade de subsídios,
redução de tarifas e isenção de impostos como estímulo.
Após o encontro, o presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação
Civil), Milton Zuanazzi, disse que o fluxo comercial entre o Brasil e países
africanos, que é de US$ 15 bilhões ao ano, justificaria linhas
para o continente, para o qual nenhuma empresa brasileira voa.
Entre as companhias aéreas, de acordo com o que a Folha apurou, a avaliação é que
essas linhas não são rentáveis e que sua implementação
seria muito difícil.
Zuanazzi também afirmou que o governo brasileiro pretende, com o apoio
do Uruguai e do Chile, o fim dos acordos bilaterais para vôos na América
do Sul, o que ampliaria as freqüências de vôo permitidas entre
esses países. Os acordos atuais limitam a quantidade de freqüências.
|
AGÊNCIA CÂMARA,
29 de maio de 2007
Reforma política poderá ser
votada na próxima semana
Laycer Tomaz
O presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia, anunciou nesta segunda-feira que a reforma política
poderá ser votada nominalmente na próxima semana. Para
isso, ele ressalvou que será necessário chegar a um
acordo de procedimentos para rejeitar todas as propostas apensadas
e reapresentar os projetos da comissão especial sobre o tema.
Cada ponto deve ser discutido e votado separadamente. "É possível
obter o acordo ainda nesta semana", avaliou. "Se isso ocorrer,
poderemos votar o mérito de cada questão na próxima
semana", acrescentou o presidente.
Ele observou ainda que o tema
vem sendo discutido há mais de dez anos no Congresso e que não
há proposta de consenso.
Comissão
geral
Chinaglia elogiou os trabalhos da comissão geral desta tarde sobre o
tema. "Abrimos a possibilidade de várias entidades dialogarem com
os parlamentares e com a sociedade. Vamos distribuir os textos que foram entregues
pelas entidades a cada bancada e a cada deputado - e, a partir daí,
poderão ser apresentadas emendas", explicou.
O relator da Comissão
Especial da Reforma Política na última legislatura, deputado
Ronaldo Caiado (DEM-GO), considera que ampliar a reforma, incluindo temas
que exigem modificação constitucional, é adiar sua
realização.
Caiado afirmou que não
há acordo sobre nenhum dos pontos da reforma nem mesmo dentro
dos partidos. Por isso, garantiu, as votações não
serão atropeladas, como receiam entidades da sociedade civil.
Ele declarou que o acordo entre os partidos é de que as votações
serão todas nominais, sem votação simbólica.
Etapas
O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), defendeu a conclusão
da reforma ainda neste ano, pois "no ano que vem haverá eleição
municipal e, no seguinte, a disputa eleitoral de 2010 já estará lançada".
Temer diz compreender a angústia das entidades da sociedade civil que
desejam uma reforma política votada rapidamente, e que reflita as suas
propostas. Ele ponderou, contudo, que a reforma deve ser feita "aqui dentro
do Congresso Nacional".
De acordo com Michel Temer, os
parlamentares devem primeiro ouvir a sociedade civil, discutir a matéria
em profundidade e depois votá-la. Temer elogiou a tese da institucionalização
das federações partidárias, "muito bem engendrada
pelo deputado Ronaldo Caiado na proposta que ele relatou". Segundo
o presidente do PMDB, essas federações são importantes
porque obrigarão as alianças entre os partidos a terem
duração mais longa.
O deputado Hugo Leal (PSC-RJ)
declarou que o Parlamento deve aproveitar os atuais debates para promover
uma reforma política efetiva. Ele lembrou que, desde 1982, o País
tem uma lei diferente para eleição. "Não temos
a cultura de mudança de comportamento [no sentido de fazer uma
legislação permanente]", reclamou. "Por que as
pessoas não se aglutinam em torno de temas?" sugeriu.
O debate da comissão geral
continuará nesta terça-feira, a partir das 9h30, no plenário
Ulysses Guimarães.
|
PORTAL VERMELHO, 29 de maio
de 2007
O PAC em debate: o que os movimentos
sociais cobram de Lula?
Por André Cintra e Carla
Santos
Em dia de ''prestação de contas'' e debate sobre o PAC (Programa
de Aceleração do Crescimento), os movimentos ouviram o governo
federal - que teve de ouvir as críticas das entidades. Reunidos na sede
nacional da CUT, em São Paulo, na última sexta-feira (25), 65
lideranças da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais)
apresentaram suas preocupações ao ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral
da Presidência da República.
A CMS deixou claro que dará apoio
ao PAC, mas cobrou do governo Lula mais diálogo e articulação,
além de aperfeiçoamentos nas propostas para dinamizar o
crescimento econômico do país. Na opinião de Dulci
- que apresentou o contexto e os eixos do PAC em sua exposição
inicial de 45 minutos -, o programa é tributário das idéias
do economista Celso Furtado. Não basta o Brasil crescer se não
houver desenvolvimento aliado às políticas sociais.
O cenário, diz o ministro, é propício. ''O país
já pode entrar em ciclos de crescimento, mantendo a inflação
baixa e possibilitando a distribuição de renda.'' Em seus primeiros
quatro anos de mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalhou,
segundo Dulci, para quebrar a falsa dicotomia entre os mercados interno e externo,
além de impor resistências ao Fundo Monetário Internacional
(FMI). Na área social, o governo lançou programas de grande impacto,
como o Bolsa Família (que atinge 11,1 milhões de famílias)
e o Luz para Todos (5,8 milhões de pessoas).
Iniciativas sistêmicas
O PAC, no entanto, tem pela frente uma nação
com grandes discrepâncias regionais. ''Há estados com
mais de 10 milhões de habitantes de que não exportam
nem sequer um alfinete, enquanto em outros a economia vive 70% das
exportações. Por isso, nossa política de desenvolvimento
tem de ser sistêmica'', salientou Dulci.
O ministro disse que também sistêmico é o Plano de Desenvolvimento
da Educação (PDE). Para melhorar a educação de
forma global, a iniciativa terá quatro eixos: 1) alfabetização;
2) educação básica; 3) ensino técnico e tecnológico;
e 4) ensino superior. Para Dulci, a existência do PDE é mais uma
prova de que o governo não tem apenas o PAC como instrumento para desenvolver
o país.
Sindicalismo: contra o arrocho
Em nome das centrais sindicais,
o presidente da CUT, Arthur Henrique, lamentou o recuo do governo Lula
frente à plataforma dos movimentos sociais. ''Parecia que a agenda
da direita estava derrotada após o segundo turno das eleições
de 2006 e a reeleição do Lula. Mas parece que aos poucos
o governo vai cedendo espaço para essa agenda'', comentou Artur. É o
caso do PLP 01/2007, contida no PAC, que há de provocar arrochos
salariais para funcionários públicos federais.
''O Lula não sabe o que
está falando quando diz que nenhuma categoria tem hoje reajuste
superior a 1,5%. O que o PLP 1 propõe não é aumento'',
lembra Artur. De fato, a medida prevê que, nos próximos
dez anos, não só os salários - mas todas as despesas
com o pessoal e com encargos da União - só possam ser reajustados
em até 1,5% ao ano acima da inflação. As críticas
ao PLP são unânimes entre as centrais sindicais e provocaram,
nesta segunda (28), a greve dos funcionários das universidades
públicas.
MST: cadê a reforma agrária?
Para João Paulo, da direção
nacional do MST, apresentou que o governo Lula dialoga pouco com os movimentos
sociais. ''Só ocorreram duas reuniões da CMS com o governo
e, por coincidência, em momentos de crise''. A elaboração
do PAC, por exemplo, não contou com a participação
das entidades, que, segundo João Paulo, souberam do programa pela
imprensa. O líder sem-terra acredita que essa falta de articulação
se manifesta nas medidas apresentadas pelo governo.
''O foco do PAC na infra-estrutura não leva em consideração
as questões ambientais e sociais, gerando problemas com a população
atingida por barragens, com a população ribeirinha'', critica
João Paulo. Na opinião do MST, o governo segue submisso à política
conservadora do Banco Central, a ponto de não haver reforma agrária
no Brasil - mas, sim, tímidas políticas de assentamentos. ''É impressionante
como o Lula ainda tem medo dos setores do chamado mercado.''
Movimento estudantil: preocupações
com o PDE
De acordo com Gustavo Petta,
presidente da UNE, os movimentos sociais entenderam as dificuldades pelas
quais Lula passou no primeiro mandato. ''Na primeira etapa do primeiro
governo Lula, fomos sensíveis à limitação
da herança maldita deixada por oito anos de governo neoliberal.
Depois, ajudamos Lula a resistir à tentativa de golpe da direita
contra governo.'' Agora, Petta acredita que é a hora de ousar.
A UNE elogia os investimentos do PDE na educação (cerca de R$
8 bilhões) e metas como a de dobrar o número de vagas nas universidades
federais até 2011. Cobra, porém, mais políticas de inclusão
para a juventude. ''Só se fala em não tirar direitos adquiridos.
E a juventude - como é que fica?'', indagou Petta, que considerou o
PAC "omisso" em um tema tão importante como a geração
de empregos para jovens.
Mulheres: os riscos continuam
Fernanda Estima, da Marcha Mundial
das Mulheres, também denunciou os escassos encontros do governo
com os movimentos socais, sobretudo na elaboração do PAC.
''Sinto falta de idéias para atacar as desigualdades'', afirmou.
''Se ao PAC não for acrescentando uma política de gênero,
a tendência é as desigualdades se acentuarem.''
Para a feminista, não há desenvolvimento tal qual o governo expõe.
''Caso não se enfrente de fato as desigualdades, as chances de crescerem
os índices de prostituição são muito grandes, uma
vez que esta já é a terceira maior fonte de lucro das máfias,
perdendo apenas para o tráfico de armas e drogas.''
Movimento comunitário: muitas lacunas
Para Wander Geraldo, é louvável
a agenda positiva de desenvolvimento, bem como a valorização
do Estado como indutor do crescimento. Mas o presidente da Conam (Confederação
Nacional das Associações de Moradores) enumera contradições.
''Hoje 82% do déficit habitacional incide sobre pessoas que ganham
até três salários mínimos, e os recursos do
PAC não atingem esse setor.'' Embora o programa federal destine
um terço de seus recursos para áreas como habitação,
saneamento básico, recursos hídricos e programas sociais,
ainda há lacunas.
Wander nota que a verba para
a área de transporte coletivo é pouca - e está totalmente
vinculada ao Metrô. ''É preciso investir em outros meios
de transporte, construir ciclovias, fazer mais corredores de ônibus.''
O movimento comunitário também quer incluir cultura e esporte
entre as prioridades do PAC, mas teme pela distância entre governo
e entidades. ''A sanha dos investidores está impedindo que o debate
chegue aos movimentos.''
E agora?
Após quase cinco horas de reunião, Luiz Dulci pareceu assimilar
algumas das críticas ao governo. ''Percebi na maioria das falas um apoio
muito grande à Política de Aceleração do Crescimento'',
disse ao Portal do Mundo do Trabalho. ''Mas percebi também uma preocupação,
das maiores organizações sociais do país, com o peso que
começa a ganhar no debate a outra agenda (da direita).''
O ministro disse ainda ter constatado
''uma preocupação muito grande das entidades'' em relação
a ''posições conservadoras e retrógradas'' que
possam prevalecer na reforma da Previdência. O risco, segundo
Dulci, existe. É por receios assim que ele disse defender
mais aproximação entre movimentos sociais e governo
- duas instâncias que, em sua opinião, nunca estiveram
tão próximas na história do Brasil.
|
JORNAL O ESTADO DE SÃO
PAULO, 29 de maio de 2007 | Nacional
Pressionados, Congresso e governo preparam
pacote contra corrupção
Após novo escândalo, parlamentares
discutem alterações na divisão dos recursos
do Orçamento da União
Gabriel Manzano Filho e Ricardo Brandt
A seqüência de escândalos
com o dinheiro público, que em menos de dois anos apresentou ao
País o mensalão, as Operações Vampiro e Sanguessuga
e agora a Operação Navalha, convenceu os líderes
do Congresso e o próprio governo federal de que é urgente
partir para o contra-ataque. O primeiro passo será dado amanhã,
pelos parlamentares, e o alvo é o Orçamento da União,
que em 2006 chegou a R$ 1,53 trilhão, e a maneira como ele é negociado
hoje.
O colégio de líderes,
comandado pelo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
apresentará amanhã um pacote para acabar com as emendas
das bancadas e transformar as individuais em impositivas. Na quarta-feira,
o PSDB promete radicalizar o debate: em reunião mista do Congresso,
o senador Sérgio Guerra apresentará em nome dos 13 senadores
tucanos um projeto que propõe a extinção da Comissão
do Orçamento.
Por parte do governo federal,
o presidente Lula determinou que os ministros discutam formas de tornar
os processos de licitação mais transparentes. O objetivo é evitar
as fraudes e o desvio de dinheiro em obras públicas (leia texto
na página A5).
Campanhas contra o modo de dividir
os bilhões do Orçamento já existem há tempos,
mas sem a urgência dos recentes escândalos. Basta lembrar
que só as Operações Sanguessuga e Navalha revelaram
que mais de R$ 280 milhões sumiram pelo ralo. O senador Paulo
Paim (PT-RS) defende, em um desses projetos, a instituição
de algo semelhante ao orçamento participativo já testado
no Sul.
“As necessidades têm
de ser definidas de baixo para cima”, sustenta ele. “Primeiro
em nível local, depois consolidadas num plano nacional, de acordo
com os recursos disponíveis. E, aprovadas, elas têm de ser
executadas automaticamente.” Outra idéia antiga é do
deputado José Aníbal (PSDB-SP), que, na contramão
do que querem os líderes, defende a extinção das
emendas individuais. “Essas emendas dão espaço a
uma grande promiscuidade”, alega o deputado tucano. Nesse debate,
Chinaglia mostra-se prático: “Se acabarmos com as emendas
de bancada, os interessados vão se entender com o Executivo. Seria
uma maneira de tirar da Câmara a possibilidade de envolvimento
num esquema que envolve muita gente.”
Hoje, só uma pequena fração
do Orçamento da União pode ser emendada pelo Legislativo.
Individualmente, cada parlamentar tem direito a apresentar R$ 5 milhões
para os investimentos que achar necessário. As bancadas têm
direito a valores bem mais polpudos. Como o Orçamento da União é autorizativo,
o governo pode ou não liberar o dinheiro destinado conforme seu
interesse. Com a manutenção das emendas individuais num
sistema de orçamento impositivo e o fim das emendas de bancada,
os parlamentares dizem querer acabar com dois dos principais focos de
corrupção no Congresso: o uso das liberações
de verba para emendas como moeda de troca - parlamentares têm seus
pedidos atendidos ou não conforme seus votos nos projetos de interesse
do governo - e a presença de lobistas nas bancadas.
‘TRABALHO TÉCNICO’
Para o tucano Sérgio Guerra,
está na hora de se aceitar, em definitivo, que esse é um
trabalho técnico “e quem tem de avaliar onde e quanto o
País deve gastar são os grupos técnicos responsáveis
pelas políticas públicas”. São tão
poucos os recursos, diz ele, e o Executivo já gasta tanto e exerce
tamanha pressão, que o leilão e a decisão casuística
não fazem nenhum sentido. “A comissão mista do Orçamento
atua em uma cultura política que não existe mais”,
diz ele. “Se o governo não se dispuser a negociar e ser
democrático, as emendas continuarão sendo, de um jeito
ou de outro, pura moeda eleitoral. Não há política
de prioridades”.
A saída, para ele, é eleger-se
uma comissão de sistematização, no final do ano,
para consolidar as propostas recebidas dos criadores de políticas
públicas, em áreas determinadas.
Outro avanço que o senador
considera urgente, e que tem o apoio de líderes de outros partidos, é criar
um sistema de preços justo e aceitável e estendê-lo
a todo o País, o que poderia ser uma arma contra superfaturamentos.
Mas o senador tucano é realista: a repartição do
bolo empobreceu a imensa maioria dos municípios, e os parlamentares
dessas regiões dificilmente abrirão mão da intermediação
junto aos ministérios e ao Planalto, pois disso depende sua sobrevivência
eleitoral.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de maio de 2007 | Economia
1.º lote do IR sai no dia 15
Brasília – O primeiro lote de restituição do Imposto
de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2007 será liberado no próximo
dia 15, segundo calendário divulgado ontem pela Receita Federal do Brasil.
Ao todo, serão pagos sete lotes neste ano, um por mês, no dia
15 ou no dia útil subseqüente, se o dia 15 cair num fim de semana
ou feriado. Todos os contribuintes que enviaram a declaração
preenchida corretamente receberão a restituição em 2007.
Para o ano que vem, ficarão aqueles que caíram na malha fina.
Terão preferência no recebimento da restituição
os contribuintes com mais de 60 anos e aqueles que apresentaram primeiro a
sua declaração. Enquanto a restituição não
for paga, ela terá seu valor atualizado pela variação
da taxa Selic. O dinheiro será depositado na conta indicada na declaração.
De acordo com a Receita,
a data de pagamento dos lotes de restituição são:
15 de junho, 16 de julho, 15 de agosto, 17 de setembro, 15 de outubro,
16 de novembro e 17 de dezembro.

|
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
29 de maio de 2007
Comércio externo vai bater recorde
Agência Estado [29/05/2007]
Foto: Arquivo

Entrada da safra de soja ajuda a impulsionar exportações.
Brasília - A entrada da safra de soja no mercado e um aumento dos preços
das commodities, principalmente de minério de ferro, levaram a um crescimento
forte das exportações em maio. Pelo segundo mês consecutivo,
o ritmo de expansão das vendas externas deve superar ao das importações,
que também continuam crescendo de forma expressiva.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do
Brasil (AEB), José Augusto de Castro, prevê que tanto exportações
quanto importações devem bater recorde histórico neste
mês. A estimativa da entidade é que as vendas externas totalizem
cerca de US$ 13,9 bilhões e as importações, US$ 9,7 bilhões.
Faltando quatro dias úteis para fechar o mês, as exportações
somam US$ 11,512 bilhões, um crescimento de 36,5% em relação
a maio de 2006. As importações acumulam US$ 8,108 bilhões,
alta de 36% ante o mesmo mês do ano passado.
“ Os números são excelentes, inimagináveis até mesmo
para os mais otimistas”, disse Castro. Ele, no entanto, acredita que em
junho o ritmo de crescimento das exportações caia para algo em
torno de 18% em função de uma base de comparação
mais elevada. Para as importações, Castro estima que continuarão
subindo acima de 30%. Com isso, deve voltar a tendência registrada nos últimos
meses de ritmo de expansão mais elevado para as importações.
Os dados divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior mostram que houve crescimento das exportações
nas três categorias de produtos. Os embarques de básicos subiram
59,5%, principalmente milho em grão, farelo de soja, minério
de ferro, carne bovina, de frango e suína, petróleo em bruto,
fumo em folhas, café em grão e soja em grão. Nos semimanufaturados,
a alta foi 49,8%, puxada principalmente por óleo de soja em bruto, catodos
de níquel, semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido, ligas
de alumínio, alumínio em bruto, madeira serrada e ferro-ligas.
Do lado das importações, segundo o Ministério do Desenvolvimento
aumentaram em maio os gastos, principalmente, com adubos e fertilizantes (455,9%),
cereais e produtos de moagem (110,5%), equipamentos mecânicos (44,2%),
siderúrgicos (39,7%), automóveis e partes (38,2%) e borracha
e obras (34,4%).
No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 57,963 bilhões
e as importações, US$ 41,573 bilhões, com superávit
comercial de US$ 16,390 bilhões. As vendas externas registram alta de
20,1% em relação a igual período de 2006 enquanto as importações
sobem 25,8%.
Exportações de manufaturados
cresceram 24,5% em quatro meses
As exportações de manufaturados cresceram 24,5% por conta de
gasolina, aviões, álcool etílico, hidrocarbonetos e seus
derivados, suco de laranja, óleos combustíveis, laminados planos
de ferro e aço e tratores.
Castro destaca que o desempenho das vendas externas reflete principalmente
o aumento de preços das commodities. Segundo ele, as exportações
de minério de ferro subiram 112% em relação a maio de
2006. As vendas de petróleo e derivados, 95,7%, e as de produtos siderúrgicos,
58,7%. Já as exportações de soja estão maiores
em 46% e as de carnes, 50,2%. Ele destacou que o quadro externo é excelente
para o Brasil já que Estados Unidos e China estão comprando muito. “Enquanto
a China manter essa volúpia importadora estamos bem”, disse.
Ele destaca, no entanto, que as exportações de manufaturados
têm perdido participação na pauta exportadora para os produtos
básicos. Castro afirma que os manufaturados representam 51,6% do total
vendido para o mundo em maio. No acumulado do primeiro quadrimestre era de
53,9%, ante 56,4% registrado de janeiro a abril do ano passado. Por outro lado,
a participação dos básicos no total exportado foi de 30,2%
no primeiro quadrimestre de 2007 ante 27,5% no mesmo período de 2006.
Em maio, a participação dos básicos está em 33,1%.
|
JORNAL FISCO SOFT / DISTRITO
FEDERAL, 29 de maio de 2007
Controle de ponto uniforme, por si
só, não comprova jornada de trabalho
Notícias TRT - 10ª Região
As folhas ou cartões de
ponto que registram horários uniformes por si só não
servem como prova para demonstrar a real jornada de trabalho cumprida
pelo empregado, apesar da tese consagrada na Súmula nº 338,
do Tribunal Superior do Trabalho (É ônus do empregador que
conta com mais de 10 (dez) empregados o registro da jornada de trabalho
na forma do artigo 74, § 2º, da CLT). O entendimento baseou
a decisão da 1ª Turma do TRT-10ª Região ao conceder
horas extras e seus reflexos, bem como as diferenças relativas
aos feriados trabalhados por ex-empregado da empresa.
Ele relatou sua jornada
de trabalho, superior a 44 horas semanais e sem o intervalo mínimo
de uma hora, inclusive com testemunha que a confirmou. A empresa, no
entanto, apresentou folhas de ponto invariáveis, não
se desincumbindo do ônus de provar o expediente alegado. O relator
do processo, Juiz Pedro Foltran, concedeu as seguintes parcelas: horas
extras e reflexos, indenização prevista no parágrafo
4º do artigo 71 da CLT e diferenças relativas aos feriados
trabalhados. (1ª Turma - 01223-2006-101-10-00-8-ROPS)
|
JORNAL CORREIO FORENSE /
PARAIBA, 29 de maio de 2007
Prazo e multa do art. 477/CLT se aplicam às
obrigações de fazer
Pelo entendimento expresso em
decisão da 3ª Turma do TRT de Minas, a quitação
rescisória é um ato complexo que envolve também
obrigações de fazer, tais como a entrega do termo de rescisão
(TRCT) para levantamento do FGTS e das guias para recebimento do seguro
desemprego. Assim, o descumprimento do prazo estabelecido no § 6º do
art. 477 da CLT, no tocante as obrigações de fazer, configura
atraso na quitação, sendo cabível a aplicação
da multa prevista no § 8º desse mesmo dispositivo.
A decisão teve como base
o voto do desembargador Irapuan de Oliveira Teixeira Lyra, relator do
recurso no qual a empresa protestava contra a condenação
ao pagamento da multa, alegando haver efetuado o pagamento das verbas
rescisórias, por meio de depósito em conta corrente, dentro
do prazo legal. A tese da recorrente era a de que a multa é devida
apenas em caso de atraso ou descumprimento da obrigação
de pagar, mas não das obrigações de fazer, como
a entrega das guias liberatórias do FGTS.
Ocorre que, segundo explica o
relator, sem o cumprimento das formalidades legais o empregado fica impedido
de levantar o FGTS e habilitar-se ao seguro desemprego, o que pode lhe
trazer prejuízos.
A conclusão da Turma,
portanto, foi a de que o prazo legal de 10 dias para a homologação
da rescisão abrange todas as obrigações do empregador
para com o empregado e o descumprimento de quaisquer delas justifica
a multa por atraso rescisório.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/05/2007
TST extingue processo em que advogados disputam
honorários
O Pleno do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu extinguir processo em que dois advogados e o espólio
de um terceiro pediam que a Justiça do Trabalho arbitrasse a partilha
do valor relativo a honorários advocatícios já na
fase de execução, após o pagamento da sentença
por meio de precatório. Por maioria de votos, o Pleno entendeu
que não há atividade jurisdicional em sede de precatório,
não cabendo, portanto, decisão judicial neste sentido.
A disputa se deu em torno dos
honorários contratuais de 20% resultantes de uma ação
trabalhista movida por 151 servidores da Universidade Federal do Piauí.
A sentença, favorável aos empregados, transitou em julgado.
Após a quitação do precatório – de
cerca de R$ 7 milhões -, o espólio do terceiro advogado
(que faleceu na época da conclusão do processo) entrou
com requerimento no Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região
(Piauí) de arbitramento dos honorários. A presidente do
TRT indeferiu o requerimento por entender que a Justiça do Trabalho
não tinha competência para tal, uma vez que os honorários
contratuais não foram mencionados na decisão. O espólio
então entrou com agravo regimental contra o despacho da presidente
do TRT.
O primeiro advogado – que
já havia recebido 1/3 do valor destinado aos honorários – alegou,
em suas contra-razões, que seu colega “jamais integrou a
inicial trabalhista, sequer patrocinou a defesa dos reclamantes na qualidade
de advogado e jamais redigiu uma vírgula ou outro dispendioso
instrumento de defesa em favor dos reclamantes da reclamação
trabalhista que originou o precatório”, e que, na condição
de assessor jurídico da Delegacia Regional do Trabalho no Piauí,
era servidor público federal, impedido de advogar e de patrocinar
causas contra a União Federal. Embora os três nomes constassem
das procurações assinadas por todos os que integraram a
ação na inicial, posteriormente os mesmos servidores assinaram
novas procurações nomeando exclusivamente o primeiro advogado.
Juntaram também ao processo declaração de que “jamais
tiveram qualquer contato” com o advogado falecido, e que a sua
inclusão na procuração inicial se deu em função
da “estreita amizade” entre ambos. Diante da manifestação
em favor apenas do primeiro, a segunda advogada também pediu para
ingressar na lide, reivindicando sua parte nos honorários.
O TRT/PI, no julgamento do agravo
regimental, destinou ao espólio 50% dos honorários advocatícios
retidos. Em embargos de declaração interpostos pelo primeiro
advogado, porém, o Regional modificou a decisão com base
em contrato apresentado por ele, no qual constava como único contratado.
Restabeleceu-se, então, o despacho da presidente do TRT, que rejeitava
o pedido do espólio e declarava a incompetência da Justiça
do Trabalho. O espólio recorreu ao TST, por meio de recurso ordinário
em agravo regimental.
O relator do recurso, ministro
João Batista Brito Pereira, proferiu voto em favor do pedido,
no sentido de determinar a divisão do valor retido em partes iguais.
Foram abertas, porém, duas divergências: o ministro Milton
de Moura França, vice-presidente do TST, votou pela incompetência
absoluta da Justiça do Trabalho para julgar o caso, observando
que as partes deveriam buscar solução na Justiça
comum do Estado do Piauí. O ministro Gelson Azevedo, liderando
uma segunda corrente divergente, destacou que as resistências e
os argumentos apresentados por ambos os lados tipificavam uma lide, e
a sede de precatório tem natureza tipicamente administrativa. “Não
se trata de decidirmos sobre competência material”, afirmou. “Voto
no sentido de que se extinga o processo, pois não temos condições
de discutir e decidir com relação a todas essas resistências.
Quem se sentir prejudicado deve ir às vias ordinárias e
escolher o juízo competente para decidir este conflito”,
concluiu.
O ministro Barros Levenhagen,
seguindo o voto do ministro Gelson, explicou que, na realidade, não
há processo: há um precatório no qual se suscitou
um incidente relativo à destinação dos honorários
advocatícios. “A pretensão dos três advogados
configura lide, e lide demanda solução mediante ação.
Não é apropriado que se decida esse conflito de interesses
em sede de precatório”, observou. O ministro Rider Nogueira
de Brito, presidente do TST, também votando pela extinção,
lembrou que o precatório já havia sido resolvido e pago. “O
que há é uma disputa entre advogados, que não tem
mais nada a ver com a Justiça do Trabalho”, assinalou. A
importância relativa aos honorárias permanecerá reservada,
cabendo às partes eleger o foro adequado para solucionar o problema.
(ROAG 105/2003-000-22-40.4)

|