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Agência Câmara,
2 de junho de 2007
Audiência discutirá situação
do setor têxtil
As comissões de Relações Exteriores e de Defesa
Nacional; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio;
e de Finanças e Tributação realizarão audiência
pública, no próximo dia 13, às 14 horas, para discutir
a situação do setor têxtil com a atual sobrevalorização
do câmbio e as conseqüências da aprovação
da Tarifa Externa Comum (TEC).
A proposta é dos deputados Júlio Redecker
(PSDB-RS), Rocha Loures (PMDB-PR) e Vanderlei Macris (PSDB-SP).
Redecker considera a queda dólar um fator negativo
para a capacidade de competição das empresas
brasileiras exportadoras, em especial na indústria
têxtil. O deputado afirma que a situação é "dramática" e
destaca a importância estratégica das exportações
para o crescimento econômico. Redecker alerta, ainda,
para a "necessidade de preservar as unidades produtivas
já instaladas com os empregos e os benefícios
que elas mantêm".
Loures ressalta que a tributação atrapalha
o setor têxtil no País, mas que esse não é o
caso da TEC, "cujo impacto foi positivo". O deputado
lembra que, com a invasão dos produtos asiáticos,
o governo afirmou que elevaria a Tarifa Externa Comum, criada
pelos países-membros do Mercosul com a finalidade
de incentivar a competitividade frente ao mercado mundial
e contribuir para evitar a formação de oligopólios
ou de reservas de mercado. A tarifa seria reajustada de 20%
para 30%. Em junho, uma reunião entre o governo e
a Organização Mundial do Comércio (OMC)
deverá retomar o assunto.
Participantes
Serão convidados para a audiência o ministro
das Relações Exteriores, Celso Amorim; o ministro
da Fazenda, Guido Mantega; o secretário da Receita
Federal, Jorge Rachid; o presidente da Agência de Promoção
de Exportação e Investimentos, Alexandre Teixeira;
a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo
e Osasco, Eunice Cabral; e o presidente da Associação
Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção,
Josué Gomes da Silva.
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Agência Câmara,
2 de junho de 2007
Proposta prevê seguro-desemprego
a bóias-frias
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 200/07, do deputado Sandes Júnior
(PP-GO), que garante a trabalhadores rurais de culturas sazonais empregado
por período superior a quatro meses e inferior a seis meses o
recebimento de três parcelas do seguro-desemprego.
A Lei 8900/94, que dispõe sobre o benefício,
exige vínculo empregatício de no mínimo
seis meses, tempo que, argumenta Sandes Júnior, impede
que os trabalhadores de culturas sazonais tenham acesso ao
seguro. "Os bóias-frias só encontram trabalho
durante o plantio e na colheita, sem completar na maioria
das vezes o tempo exigido", explica.
O deputado argumenta ainda que, principalmente no Nordeste,
a maioria dos trabalhadores rurais emprega-se na cultura
açucareira em condições de "semi-escravidão",
com jornadas de até 56 horas semanais, sem horas extras.
O corte mecanizado, diz, tornou-se referência para
a produtividade desses trabalhadores. O parlamentar lembra
que a quantidade cortada exigida por pessoa passou de 5 a
6 toneladas, na década de 80, para de 9 a 10 toneladas
nos anos 90. "Hoje já se registra exigência
das usinas de até 15 toneladas por dia", afirma.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; de Finanças e Tributação;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
A proposta já foi aprovada pela Comissão de
Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural.
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Agência Senado, 2
de junho de 2007
Novo fundo de investimento
do FGTS destaca-se entre projetos aprovados em Plenário

A última medida provisória vinculada ao Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), a MP 349/07, alterada por projeto de lei de conversão
(PLV 10/07) na Câmara dos Deputados, foi aprovada esta semana pelo
Plenário do Senado. A proposição criou o Fundo de
Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS)
para viabilizar investimentos em empreendimentos nos setores de energia,
rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário
e de saneamento.
Outra matéria de destaque recém-aprovada pelo
Senado foi o projeto de lei da Câmara (PLC 124/06)
que concede incentivos fiscais para empresas que investirem
em projetos de pesquisa científica e tecnológica
e de inovação tecnológica. Pela proposta,
as empresas beneficiadas poderão excluir do lucro
líquido - para efeito de apuração do
lucro real, que é a base de cálculo do Imposto
de Renda - e da base de cálculo da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no mínimo,
a metade e, no máximo, duas vezes e meia o valor dos
investimentos em projetos de gênero.
Emenda de mérito da Câmara dos Deputados a
projeto de lei do Senado (PLS 337/99) que regula a gratuidade
dos honorários dos peritos também foi rejeitada
pelo Plenário. Com a decisão, ficou estabelecido
que os profissionais da área formados em instituições
públicas gratuitas não deverão cobrar
- até cinco anos após a conclusão do
curso - por até três nomeações
judiciais, por ano, para elaboração de perícias
nos casos em que o ônus da prova couber a beneficiários
da assistência judiciária gratuita.
Três proposições vinculadas à Justiça
do Trabalho também foram aprovadas esta semana. O
PLC 80/06 alterou a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) para estabelecer a obrigatoriedade de depósito
prévio de 20% do valor de causas trabalhistas, exigência
dispensada apenas em caso de miserabilidade do autor da ação.
As outras duas matérias disseram respeito ao Tribunal
Superior do Trabalho (TST). O PLC 66/06 eximiu a Corte da
necessidade de julgar duas vezes embargos referentes a divergências
internas na interpretação da legislação
federal. Já o PLC 126/06 criou 1.119 novos cargos
e funções do tribunal.
Além da MP 349/07, o Plenário do Senado aprovou
a MP 356/07, que abriu crédito extraordinário
de R$ 100 milhões, em favor do Ministério do
Esporte, para obras de infra-estrutura dos Jogos Pan-Americanos
e Para Pan-Americanos de 2007; o PLV 14/07, oriundo da MP
355/07, que compensou, parcialmente, perdas de estados e
municípios com isenção tributárias
nas exportações permitidas pela Lei Kandir;
e a MP 357/07 que autorizou a União e a Centrais Elétricas
Brasileiras (Eletrobrás) a renegociarem seus créditos
com a Itaipu Binacional e a retirar, dos contratos de financiamento,
cláusula que estabelece o fator de reajuste anual
da dívida.
O Plenário aprovou ainda requerimentos de voto de
aplauso do senador Aloizio Mercadante (PT) ao ex-vice-presidente
dos Estados Unidos, Al Gore, pela participação
no documentário Uma Verdade Inconveniente, sobre os
riscos do aquecimento global, e de apelo da Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE)
ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para rever
a decisão de não renovar a concessão
da emissora de televisão privada RCTV.
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Agência Senado, 2
de junho de 2007
Frente Parlamentarista reúne-se
na terça-feira

A Frente Parlamentarista criada pelo senador Fernando Collor de Mello
(PTB-AL) será instalada nesta terça-feira (5), a partir
das 14h30, na sala da Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ). Além de uma agenda de trabalho,
será apresentada cartilha explicando os principais pontos do parlamentarismo.
Até o dia 29 de maio, além de Collor, 14 senadores
haviam aderido à frente: Antônio Carlos Valadares
(PSB-SE), Arthur Virgílio (PSDB-AM), César
Borges (DEM-BA), Eduardo Azeredo (PSDB-MG), Expedito Júnior
(PR-RO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA), Jefferson Péres
(PDT-AM), João Vicente Claudino (PTB-PI), José Sarney
(PMDB-AP), Marconi Perillo (PSDB-GO), Papaléo Paes
(PSDB-AP), Paulo Paim (PT-RS), Pedro Simon (PMDB-RS) e Sérgio
Zambiasi (PTB-RS).
- O presidencialismo é a carroça do sistema
político brasileiro, responsável por inúmeras
crises - diz o senador e ex-presidente da República
(1990-1992), que também conseguiu a adesão
de 60 deputados à frente, o que soma 75 parlamentares
na luta pelo parlamentarismo.
No dia 17 de abril, Collor apresentou a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 31/2007 estabelecendo que a administração
do país caberá ao presidente de um conselho
de ministros, cujo nome, indicado pelo presidente da República,
terá de ser aprovado por maioria absoluta pela Câmara
dos Deputados. O Conselho de Ministros responderá coletivamente
perante a Câmara dos Deputados pela política
do governo e pela administração federal. O
presidente do Conselho de Ministros deverá ter idade
mínima de 35 anos e terá a designação
de primeiro-ministro.
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Agência Diap, 2 de junho de 2007
CLT
Senadores aprovam projetos que alteram
Consolidação das Leis do Trabalho
Nesta quinta-feira, 31/05, o plenário do Senado aprovou conclusivamente
dois projetos de lei que alteram artigos da Consolidação
das Leis do Trabalho – CLT. Em turno único, foi aprovado
o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº. 66/2006, que dá nova
redação ao art. 894 da Consolidação das
Leis do Trabalho, e à alínea b do inciso III do art.
3º da Lei nº. 7701/1988. A proposição dispõe
sobre os embargos para o Tribunal Superior do Trabalho - TST.
O outro projeto aprovado, PLC nº. 80/2006, dá nova redação
ao caput do art. 836 da Consolidação das Leis do Trabalho,
a fim de dispor sobre o depósito prévio em ação
rescisória. Essas duas matérias vão à sanção
presidencial. (Viviane Ponte Sena)
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Agência Diap, 2 de junho de 2007
RELAÇÕES DE TRABALHO
Novos cenários do mundo do
trabalho em debate
A Comissão de Finanças e Tributação da
Câmara aprovou nesta quarta-feira, 30/05, requerimento do deputado
Sílvio Torres (PSDB/SP), cujo objetivo é realizar audiência
pública para debater o novo cenário das relações
trabalhistas.
Para debater o tema serão convidados o professor da Universidade
de São Paulo (USP), José Pastore; o Diretor do Instituto
do Trabalho e Sociedade (IETS), André Urani; e o economista
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcio Pochmann, autor
do estudo na universidade sobre o assunto. A data da audiência
ainda será agendada. (Marcos Verlaine)
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Agência Diap, 2 de
junho de 2007
DIREITO TRABALHISTA
Aprovado adicional de
periculosidade para eletricitários
A Comissão de Trabalho da Câmara aprovou também o
parecer do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT/SP) favorável
ao PL 7.378/06, que concede adicional de periculosidade aos trabalhadores
que tenham contato permanente com eletricidade.
A proposta, originária do Senado, altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-lei 5.452/43), que hoje só reserva
o adicional para as pessoas que trabalham com produtos inflamáveis
ou explosivos. O adicional é equivalente a 30% do valor do salário.
Atividades de risco
O relator da matéria destacou que a Lei 7.369/85
já estabelece o adicional de periculosidade, mas
apenas para os trabalhadores de empresas do setor de energia
elétrica. O projeto, segundo ele, é mais
amplo e prevê o benefício para qualquer pessoa
que, por conta da atividade, tenha que lidar permanentemente
com eletricidade. "A periculosidade passa a ser reconhecida
para as atividades de risco, independentemente do ramo
da empresa", destacou Paulo Pereira da Silva.
O deputado também salientou que a eletricidade já é reconhecida
na jurisprudência brasileira como produtora de periculosidade,
o que motiva o pagamento do adicional de 30%. No relatório,
o parlamentar pediu a rejeição do PL 7.384/06, da deputada
Maria do Rosário (PT/RS), que tramita anexado. Segundo ele,
essa proposta é menos ampla do que o PL 7.378.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda
será analisado pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania. (Marcos Verlaine)
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Nova Central, 2 de junho
de 2007
Senado prejudica entidades
sindicais para atender interesses patronais
O PLS 248/06, que regulamenta a Contribuição Assistencial,
deverá voltar para apreciação da Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado. A matéria que frustrou
o movimento sindical por não ter ido a Câmara após
a sua aprovação, em 14 de fevereiro, aguarda a aprovação
de um Requerimento na Subsecretaria de Coordenação Legislativa
do Senado – SSCLSF.
O requerimento, feito pelo senador Marconi Perillo (PSDB-GO),
propõe que a matéria seja enviada a Comissão
de Assuntos Econômicos do Senado. O senador argumenta
que “há ausência de regras na transição
do projeto”. O presidente da CSPB e diretor da NCST,
João Domingos, comentou que precisa saber sobre
as convicções do tucano para avaliar o que
se pode fazer para agilizar a tramitação
do 248.
“O projeto 248 aguarda a inclusão na pauta
da SSCLSF desde o dia 11 de abril, é preciso ter
mais seriedade nesse projeto, já basta não
ter sido enviado à Câmara após a sua
aprovação, agora pode ser enviado a outra
comissão, isso é muito desgastante, vamos
ouvir o Perillo para depois manifestamos sobre a questão”,
disse Domingos.
Sobre o retorno do PLS 248/06
No dia 14 de fevereiro o PLS 248/06, que regulamenta a
Contribuição Assistencial, foi aprovado na
Comissão de Assuntos Sociais – CAS, do senado.
A matéria obteve o apoio de todos os senadores presentes à sessão
presidida pela senadora Patrícia Sabóia.
Enquanto todos, principalmente sindicalistas, esperavam
que fosse seguir direto para a Câmara, um grupo de
senadores enviou recurso no último dia 16 e o projeto
passará ainda pelo Plenário da Casa.
Depois de muita luta na Comissão de Assuntos Sociais
do Senado agora chegou a vez de enfrentar o plenário
da casa. A matéria acrescenta dispositivo à Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para dispor sobre a contribuição
assistencial, destinada ao financiamento da negociação
coletiva e de outras atividades sindicais. Pelo projeto,
a contribuição será descontada compulsoriamente
de todos os trabalhadores e servidores membros da categoria
profissional, sindicalizados ou não.
O percentual de contribuição assistencial
devido a ser creditado para a entidade sindical e a forma
de rateio deverão ser fixados por assembléia
geral dos trabalhadores. Esse percentual de contribuição
não poderá, entretanto, ser superior a 1%
da remuneração bruta anual do trabalhador
em atividade. O não-recolhimento das contribuições
assistenciais em órgãos e empresas públicas
será tipificado como ato de improbidade administrativa,
conforme o projeto.
Paim disse que as entidades sindicais enfrentam verdadeira
maratona para obter das empresas o desconto em folha de
pagamento das contribuições assistenciais,
mesmo quando fixadas em assembléia da categoria
ou convenção coletiva. Reiterou, ainda, que
o projeto representa um entendimento de todos os segmentos
do movimento sindical e que foi construído depois
de conversações com o Ministério do
Trabalho e o Ministério Público. “O
objetivo do nosso projeto é acabar com os conflitos,
inclusive judiciais, que existem atualmente”, afirmou
o senador.
Todos acreditavam que o projeto seguiria direto para a
Câmara dos Deputados mas estava sujeito à recursos
contra a decisão conclusiva da CAS e na última
hora foi frustrada a expectativa do movimento sindical
de que o PLS 248/06, que regulamenta a contribuição
assistencial, seguisse direto para exame da Câmara,
fora apresentado Recurso à Mesa do Senado requerendo
que a matéria passe pelo plenário da Casa. NCST/SECOM-CSPB.
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Nova Central, 2 de junho
de 2007
Custo da cesta básica
caiu no mês de maio em 16 capitais
O custo médio da cesta básica caiu em maio nas 16 capitais
que fazem parte da pesquisa nacional realizada pelo Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
As quedas mais expressivas foram apuradas na região Nordeste:
Salvador (-9,74%), Recife (-8,17%) e Fortaleza (-7,50%). Em João
Pessoa, porém, a retração foi bem menos acentuada,
de apenas 0,84%. Em São Paulo, a cesta básica ficou 2,05%
mais barata e no Rio de Janeiro, 3,25%.
Porto Alegre, apesar do recuo de 3,10%, continuou a ser
a capital onde o conjunto de produtos alimentícios
de primeira necessidade teve o maior custo: R$ 192,91.
Em seguida, aparecem São Paulo (R$ 184,93) e Rio
de Janeiro (R$ 175,33). Os menores valores da cesta básica
foram verificados em Recife (R$ 134,17) e Salvador (R$
135,71).
Apesar de boa parte dos produtos cujos preços são
acompanhados pelo Dieese terem registrado retração
na maioria das capitais, o tomate foi o único a
ter queda em todas as 16 localidades, sendo que em 14 delas
caiu mais de 10%. As retrações mais significativas
ocorreram em Recife (-48,99%) e Vitória (-44,08%).
As condições climáticas mais favoráveis à cultura
do tomate que vêm se verificando desde o final de
março permitiram a redução nos preços.
No entanto, a forte massa de ar polar, que favorece a ocorrência
de geadas, pode prejudicar o desenvolvimento dos tomateiros
e provocar novas altas no preço nos próximos
meses.
Em 12 meses --de junho de 2006 a maio último--
três capitais do Nordeste registram variação
acumulada negativa: Recife (-11,16%), Salvador (-7,72%)
e João Pessoa (-4,69%). Porto Alegre, porém,
apresentou o maior aumento no período (11,21%),
bem acima do verificado na localidade com a segunda maior
alta, Belém (5,44%), o que justifica a continuidade
da capital gaúcha como a cidade que tem o maior
custo para a cesta básica.
Salário
Na estimativa do Dieese, o salário mínimo
do trabalhador brasileiro deveria ser de R$ 1.620,64 em
maio, 4,26 vezes o mínimo vigente --R$ 380. Para
chegar a esse valor, o Dieese leva em conta o custo mais
alto da cesta básica, apurado em Porto Alegre, além
da determinação constitucional de que o salário
mínimo deveria ser suficiente para cobrir as despesas
de um trabalhador e sua família com alimentação,
moradia, saúde, educação, vestuário,
higiene, transporte, lazer e previdência.
Com a redução do custo da cesta básica
em todas as capitais, em maio, diminuiu também o
tempo médio de trabalho necessário, no conjunto
das cidades pesquisadas, para que uma pessoa, remunerada
pelo salário mínimo, pudesse adquirir os
bens alimentícios essenciais. Assim, se em abril
este trabalhador precisava cumprir uma jornada de 96 horas
e 07 minutos, em maio passou a necessitar de 92 horas e
03 minutos.
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Diário Vermelho,
2 de junho de 2007
Alunos do ProUni têm
melhor desempenho no Enade
Os alunos que entraram na universidade pelo programa Universidade para
Todos (ProUni), que dá bolsas integrais e parciais para jovens
de baixa renda em faculdades particulares, tiveram notas melhores que
os demais estudantes no Exame Nacional de Desempenho do Estudante (Enade)
deste ano.
De 15 áreas avaliadas, 14 contavam com alunos do
ProUni – o curso de Arquivologia só é oferecido
em instituição pública. Em todas elas,
as médias desses estudantes foram bem superiores às
dos demais na prova de conhecimentos gerais. Na avaliação
específica, apenas em Biblioteconomia a média
dos demais estudantes foi ligeiramente superior à dos
bolsistas.
Na formação geral, a diferença entre
bolsistas e não bolsistas alcança quase 12
pontos, como nos cursos de Ciências Contábeis
e Biomedicina. Na formação geral, a diferença é menor,
mas pode passar de 8 pontos, como no caso dos cursos de
Formação de Professores.
Outro dado que o Enade de 2006 traz é o aumento
do número de estudantes oriundos de escolas públicas
no ensino superior. passou de 39,6%, em 2003, para 46,3%,
em 2006. Esse aumento pode estar diretamente relacionado
ao ProUni, já que o programa é apenas para
alunos de escolas de ensino médio públicas,
e também para os vários programas de cotas
criados em universidades federais e estaduais.
O mesmo aconteceu com os alunos que se declaram pretos
e pardos. Em 2002, apenas 13,9% se diziam pardos. Hoje,
são 19,5% – ainda assim, menos da metade da
população parda na sociedade em geral. Entre
os pretos, a proporção passou de 2,2% para
3,7%. Na sociedade em geral são 5,9%.
Mais diferenças
Duas áreas do conhecimento avaliadas neste ano
contrariam tendência apresentada pela prova até hoje:
em Comunicação Social e Formação
de Professores, são os alunos das escolas privadas
que têm as maiores médias, tanto na formação
geral quanto na específica – sejam alunos
de primeiro ano ou formandos. As diferenças só se
aproximam quando se trata da formação específica
dos formandos dos dois cursos – em média,
dois pontos de diferença. O Ministério da
Educação não apresentou uma explicação
para isso.
O MEC resiste a usar as médias das áreas
para fazer uma avaliação da qualidade na
educação superior do País. De acordo
com Dilvo Ristoff, diretor de Avaliação do
Ensino Superior do Instituto Nacional de Estatísticas
e Pesquisas em Educação (Inep), a média
esconde a realidade do País. “Tem de ter uma
certa cautela com a média, ela engana”, afirma.
Isso porque há, nesse meio, tanto cursos de excelência
quanto outros extremamente ruins.
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Diário Vermelho,
2 de junho de 2007
Súmulas vinculantes
aprovadas no STF vão agilizar Justiça
A aprovação das três primeiras súmulas vinculantes
pelo Supremo Tribunal Federal (STF), esta semana, representa, na prática,
agilidade na tramitação dos processos judiciais. As súmulas
vão, a partir da publicação no Diário oficial
da União, orientar as decisões das demais instâncias
do Judiciário e dos órgãos da administração
pública.
“A súmula nada mais é do que a cristalização
da jurisprudência (do Supremo), das decisões
já adotadas por esta Corte”, ressaltou a presidente
do STF, ministra Ellen Gracie. O ministro Celso de Mello
explicou a diferença entre a “súmula
comum”, que o Supremo edita comumente, e as súmulas
vinculantes. Segundo ele, a primeira é uma “mera” síntese
de decisões da Corte sobre normas. Já as
súmulas vinculantes são “uma norma
de decisão”. Ou seja, elas têm poder
normativo.
Mello, presidente do Supremo à época em
que se iniciou a discussão da edição
de súmulas vinculantes, acredita que elas possam
ter efeitos práticos para enfrentar o volume processual
que afeta o movimento dos tribunais, especialmente o STF. “O
excessivo volume processual gera uma crise de funcionalidade,
e uma crise de funcionalidade culmina por afetar a própria
credibilidade das instituções da República,
então eu entendo que a súmula vinculante
poderá, e é o que se espera dela, desempenhar
um papel importante”.
Temas das súmulas
A Súmula número 1 trata da validade de acordo
para recebimento de recursos do FGTS e foi aprovada por
unanimidade. Ela impede que a Caixa Econômica Federal
(CEF) seja obrigada, judicialmente, a pagar correções
relativas a planos econômicos sobre o FGTS nos casos
em que o banco já tenha feito acordo prévio
com o correntista.
A Súmula número 2 declara a inconstitucionalidade
de lei estadual ou distrital que dispõe sobre loterias
e jogos de azar. Decisões reiteradas do Supremo
determinam que é de competência privativa
da União legislar sobre o tema. Só o ministro
Marco Aurélio votou contra o verbete, já que
tradicionalmente ele se manifesta de maneira diversa da
maioria do tribunal sobre a matéria. Para ele, a
União não pode disciplinar um serviço
prestado pela unidade da federação.
A Súmula número 3 trata do direito de defesa
em processo administrativo que tramita no Tribunal de Contas
da União (TCU). Novamente, o ministro Marco Aurélio
votou contra o verbete, que, na opinião dele, teria
um alcance mais amplo que o necessário.
Caráter racionalizador
O vice-presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes,
disse acreditar que a Corte passa a contar, a partir de
agora, com uma providência de caráter racionalizador.
Com a aplicação das súmulas, ressaltou
o ministro, “vamos desonerar não somente o
Supremo dessa série de recursos, como também
vamos desonerar as próprias instâncias ordinárias,
porque é de se esperar que a administração
pública siga essa orientação”.
O ministro afastou a possibilidade da medida causar um "engessamento" do
Judiciário. Ele lembrou a experiência da Corte
com as súmulas do STF não vinculantes, que
não levaram a esse engessamento. “O Tribunal
soube fazer as distinções quando elas foram
necessárias, os juizes suscitaram problemas quando
eles existiam, de modo que acredito que esse é um
modelo bastante dinâmico”.
O ministro Marco Aurélio, que é presidente
da Comissão de Jurisprudência do Tribunal,
revelou acreditar que dificilmente haverá decisão
que suscite reclamação ao Supremo. “A
tendência é a observância da decisão
do Supremo, agora do verbete vinculante”, disse o
ministro.
Bingos ilegais
Especificamente quanto à questão dos bingos,
o ministro Marco Aurélio frisou que o funcionamento
das casas de bingo pressupõe o licenciamento. Como
a administração pública só pode
licenciar nas situações contempladas na lei,
se não existe lei federal disciplinando a atividade,
então nenhum alvará pode ser expedido.
Ele disse não acreditar que, diante de um verbete
vinculante, se expeçam alvarás para funcionamento
das casas de bingo. “A inexistência da legislação
federal torna a abertura dessas casas ilegal, totalmente
ilegal”, lembrou o ministro. Quanto às casas
que ainda estão funcionando, o ministro disse que
o caminho é o fechamento pela autoridade administrativa,
provocada pelo Ministério Público.
Sobre o mesmo tema, o ministro Celso de Mello enfatizou
que o Supremo entendeu que a própria Constituição
atribui exclusivamente à União Federal o
poder de legislar. “Portanto, ao atribuir com exclusividade à União
competência para legislar sobre essa matéria,
excluiu todas as demais unidades federadas, vale dizer,
os estados membros e os próprios municípios.
Então a competência não é compartilhável
com os estados e com os municípios”. Fonte:
STF.
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Diário Vermelho,
2 de junho de 2007
PIB norte-americano é o
menor dos últimos quatro anos
A economia dos EUA cresceu no primeiro trimestre, após revisão
do Departamento de Comércio, ao ritmo anualizado de 0,6%, o pior
desempenho desde o quarto trimestre de 2002. A estimativa anterior, de
abril, apontava expansão de 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto)
americano. Uma última revisão será divulgada no
dia 28.
As importações, que cresceram mais do que
o estimado anteriormente, e a redução nos
estoques das empresas foram os principais motivos mencionados
pelo organismo para o corte na estimativa do PIB.
O novo índice reforça que a economia dos
Estados Unidos vem se desacelerando desde o primeiro trimestre
de 2006, quando se expandiu em 5,6%. Porém, alguns
analistas já dizem que os três primeiros meses
de 2007 foram o ponto baixo da economia norte-americana,
apostando nos relatórios recentes que mostram que
os investimentos por parte das empresas melhoraram e a
diminuição dos estoques levou as fábricas
do país a aumentar a sua produção.
Previsão semelhante foi feita pelos responsáveis
pela política monetária do Federal Reserve
(Fed, o BC dos EUA), que, na ata da reunião de maio,
reiteraram que o crescimento se intensificará durante
o restante deste ano e durante 2008.
"Estamos buscando uma estabilização
gradual do crescimento", disse antes da divulgação
do relatório Michael Feroli, economista do JPMorgan
Chase. "A situação dos estoques é muito
mais favorável e o obstáculo apresentado
pelo mercado imobiliário residencial será reduzido",
acrescentou. Fonte: Bloomberg.
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Força Sindical,
2 de junho de 2007
Para Chavez “Na
revolução os sindicatos devem desaparecer”
Segundo matéria publicada no JORNAL EL UNIVERSAL, o Presidente
Hugo Chavez, fez a declaração ao se referir à criação
do novo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e a necessidade
de que quem o apoia defina sua posição.
“Somos reacionários, centristas ou revolucionários,
cada um que se defina” disse o presidente, quando
participava num ato na academia militar com motivo do primeiro
encontro sobre a plataforma unitária da Mulher na
Venezuelana. No caminho para a unidade revolucionaria tem
havido incompreenções dentro das suas próprias
fileiras “isso não é estranho nem de
alarmar, por que assim são os processos, se vão
inclinando e gerando confusões momentâneas
e passageiras”.
Não sou a rocha que bate nas ondas, sou de carne
e osso e me dói as traições. Porém
da mesma forma como me afetam essas incompreenções
e traições, da mesma forma isso me incentiva
a lutar e seguir em frente. Quem quiser se unir o PSUV
tem de ser Antimperialista e Socialista, disse.
Chavez comentou que ao escutar o discurso de alguns companheiros
da Aliança Governista defendendo a propriedade privada,
enxerga uma clara delimitação ideológica.
Adiantou que numa nova ofensiva revolucionaria fará um
confisco de mais de 200.000 hectares de terra. Isso será um
ato de aprofundamento da revolução, disse.
Advertiu que se algum dos aliados que o apoiam não
estiver incomodado com isso é por que tem conexões
muito fortes com os velhos interesses da oligarquia “tem
a chance histórica de romper com essas conexões
com os interesses contra-revolucionários” caso
contrário podem ir embora trabalhar com a contra-revolução,
que se juntem aos reacionários ou centristas.
O presidente se referiu também aos sindicatos que
no aceitam fazer parte do PSUV, “eles (os sindicatos)
querem ser autônomos, então temos uns sindicatos
que são como vasos sanitário. Querem ter
suas próprias diretivas. Se lhes convém ou
acreditam que o Plano Nacional da Revolução
se associa a seus interesses lutam por ele, caso contrario
muitas vezes ficam de braços cruzados”. O
Presidente ainda lembrou as palavras da teórica
marxista, Rosa Luxemburgo: “na revolução
as diferencias entre os sindicatos e o Partido revolucionário
devem desaparecer”. Los sindicatos devem desaparecer,
disse o presidente.
O presidente assegurou que os planos para assassina-lo
continuam na ordem do dia, porque a oligarquia e o cavalheirinho
(Bush) que esta lá em cima, sabe que vai Ter que
sair pela porta dos fundos da historia e que dentro de
pouco será pó cósmico. “Tudo
isso aumenta o perigo porque sabem que estão derrotados
e então são capazes de qualquer coisa”.
Chavez anuncio que há setores da oposição
que estão preparando uma agenda de ações “por
acasião 5º aniversario do golpe de Estado de
11 de abril, de 2002.
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Força Sindical,
2 de junho de 2007
Diário Grande
ABC: Centrais reclamam do projeto do mínimo paulista
Por Luciele Velluto
As centrais sindicais querem participar da elaboração
do projeto de lei que cria o salário mínimo
no Estado de São Paulo. No final de abril, o governador
José Serra enviou à Assembléia Legislativa
uma proposta, em caráter de urgência, que estabelece
três pisos salariais para o Estado. No entanto, as
entidades de representação dos trabalhadores
reclamam que não houve diálogo com a classe
para a elaboração do texto.
A reivindicação de um mínimo paulista,
como já acontece no Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul e Paraná, é algo antigo das centrais, mas
os sindicalistas esperam a abertura para discussão
do projeto de lei, que, para alguns, não está claro
quanto ao seu conteúdo.
Para o presidente da CUT-SP (Central Única dos Trabalhadores
de São Paulo), Edílson de Paula, há alguns
pontos do projeto que precisam ser melhor analisados, como
a definição dos três valores – R$
410, R$ 450 e R$ 490 – e sua correção
futura.
“Como é que se diferencia quem vai ganhar menos
ou mais? Isso não ficou muito claro. A política
salarial, com os índices para reajuste, também
não está no projeto”, comenta. Para tentar
ainda participar do texto, a CUT já entrou com pedido
de audiência pública na Assembléia Legislativa,
que deve finalizar as discussões e aprovar o mínimo
até o final de junho. O sindicalista também
tenta articular com as outras centrais uma audiência
com o governador para ampliar o diálogo, assim como
ocorreu o governo federal.
Outra crítica colocada por Edílson de Paula é a
exclusão dos servidores públicos estaduais
e municipais do novo mínimo. Para o secretário-geral
da Força Sindical, João Carlos Gonçalves,
o Juruna, o mínimo é positivo, mas a entidade
também esperava um debate com o governo estadual em
torno do projeto.
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Gazeta do Povo, 2 de junho
de 2007
POLÍTICA | TRIBUNAL
DE CONTAS
Delfim Netto diz que
PAC tem de concentrar no setor elétrico
por CAIO CASTRO LIMA
O economista Delfim Netto, ex-deputado federal e ex-ministro
da Fazenda, Agricultura e Planejamento, afirmou ontem em
Curitiba que para o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), do governo federal, dar certo, é necessário
um esforço concentrado no setor energético.
Ele participou das comemorações dos 60 anos
do Tribunal de Contas do Estado (TC), ministrando palestra
para os funcionários do tribunal.
Para Delfim Netto, a grande vantagem do PAC nesse novo
processo de desenvolvimento do país é que
o programa “pôs à mesa o problema do
crescimento”. Para ele, a garantia de energia é que
pode trazer mais investimentos ao país. “O
que precisamos mesmo é de hidroelétricas.
A crise de 2001, do apagão da energia, acabou com
a matriz energética do país. E hoje não
estamos muito diferentes. Por isso, é preciso atenção”,
disse.
O ex-ministro falou também sobre um caminho pelo
qual o país deveria seguir para retomar o crescimento.
Os quatro eixos seriam paz, tributação leve,
estado amigável com o setor privado e tolerável
administração da Justiça.
Corrupção, PAC e carga tributária
também foram temas da palestra. O ex-deputado fez
um trocadilho para referir-se a esse último tema,
afirmando que o Brasil é um país que poderia
ser chamada de “Ingana”. “Atualmente,
nós temos a maior carga tributária dentre
inúmeros países. E os piores serviços.
No Brasil, paga-se os impostos de uma Inglaterra e temos
os serviços de Gana. Por isso, é um país
que poderia ser chamado de ‘Ingana’”,
disse Delfim Netto.
Delfim acredita que o Poder Legislativo e os parlamentares
deveriam se praparar melhor para ajudar o país a
crescer. Segundo Delfim Netto, se o Legislativo fosse melhor
preparado não haveria a subordinação
em relação ao Executivo. Um exemplo citado
pelo ex-ministro na relação entre esses poderes
está na elaboração do orçamento. “O
orçamento precisa ser um produto de harmonia entre
o Executivo e o Legislativo, para que o parlamento não
inche demais o orçamento e o falsifique, pois não
há a verba”, disse.
As críticas de Delfim Netto referentes a órgãos
públicos terem equipes técnicas mais preparadas
estendeu-se também ao Executivo. Por isso, segundo
ele, a função dos tribunais de contas é tão
importante. “Os TC’s estão se aperfeiçoando,
preparando seus agentes públicos”.
Comemorações
O TC organizou ontem um dia para marcar os 60 anos de
atividades. Além da palestra de Delfim Netto, foi
lançado um selo referente à data, em conjunto
com a Empresa de Correios e Telégrafos, além
de um carimbo comemorativo. Na segunda-feira, a Assembléia
Legislativa presta homenagem ao tribunal.
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Gazeta do Povo, 2 de junho de 2007
BRASIL | TRABALHO
Lupi diz que governo
quer atualizar legislação
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem que há consenso
entre o desejo do governo em promover uma “atualização” da
legislação trabalhista e o desejo de empresários
em “flexibilizar” a Consolidação das Leis
de Trabalho (CLT), sem que isso represente perda de direitos aos trabalhadores. “Não
falo em reforma, mas de atualização da lei trabalhista
e há consenso unânime, de governo e industriais, para
que esta atualização não retire direitos trabalhistas”,
declarou o ministro.
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O Estado do Paraná,
2 de junho de 2007
Reforma trabalhista
não vai cortar direitos
Agência Estado
Foto: Arquivo/Agência Brasil

Lupi: flexibilizar a CLT.
São Paulo - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem,
em entrevista coletiva à imprensa, que há consenso entre
o desejo do governo em promover uma “atualização” da
legislação trabalhista e o desejo de empresários
em “flexibilizar” a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT), sem que isso represente perda de direitos aos trabalhadores. “Não
falo em reforma, mas de atualização da lei trabalhista
e há consenso unânime, de governo e industriais, para
que esta atualização não retire direitos trabalhistas”,
declarou o ministro, após almoçar com dirigentes da Federação
das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede
da entidade, na capital paulista.
De acordo com Lupi, um exemplo de que a modernização
da CLT não significa diminuição dos direitos dos
trabalhadores será o convênio a ser assinado, na próxima
semana, entre o Ministério do Trabalho e sindicatos regulamentando
o trabalho de comerciários aos domingos. “Buscaremos um
acordo tripartite, entre governo, empresários e trabalhadores,
para encontrarmos o caminho da atualização legislativa
sem mexer com direitos”, enfatizou.
Nesse ambiente de negociação, ressaltou Lupi, o governo
está disposto a estudar medidas de desoneração
da folha de pagamento e redução de impostos, não
descartando, inclusive, a transferência da cobrança tributária
da folha de pagamento para o faturamento das empresas. “Tudo
o que não significar retirada de direito terá nosso apoio
para ser debatido”, pontuou.
O ministro disse que o tema Emenda 3, da legislação
que cria a Super-Receita, que foi vetada pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não mereceu atenção no encontro. “Acho
que até por elegância os empresários não
apresentaram este tema”, declarou, lembrando que a posição
do governo é de manutenção do veto presidencial
pelo Congresso Nacional, enquanto a Fiesp quer a derrubada do veto.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que o encontro com Lupi foi
de “confraternização” e que por isso o assunto
da Emenda 3 não foi debatido. “Aprendi a discutir aquilo
que tenha condições de mudar e o governo já deixou
claro sua posição, quando o presidente vetou a Emenda
3. Portanto, não tenho mais nada a discutir sobre isso com o
governo. Se fosse um encontro com parlamentares, teríamos debatido”,
disse Skaf.
Sobre a reforma trabalhista, o presidente da Fiesp disse que o item
mais importante e que mereceu reconhecimento do ministro do Trabalho
foi a mudança de que um acordo firmado entre um trabalhador
que deixa a empresa e o empresário deve ter caráter definitivo,
sem poder ser questionado no Judiciário. “A única
dívida que se quita e não é liquidada é a
trabalhista, por causa da legislação. A maioria dos processos
da Justiça do Trabalho é de que a dívida foi paga,
mas não foi liquidada”, opinou, ao acrescentar que, para
a Fiesp, flexibilização das leis de trabalho não
significa redução de diretos trabalhistas. “Reforma
não é perda. Vivemos um outro momento em que devemos
legislar menos e negociar mais”, avaliou o líder empresarial.
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O Estado do Paraná,
2 de junho de 2007
Abono PIS/Pasep será recorde
Agência Estado
São Paulo (AE) - O governo concederá o abono
de um salário mínimo do PIS/Pasep para 12,5
milhões de brasileiros este ano, um recorde, de
acordo com anúncio feito ontem pelo ministro do
Trabalho, Carlos Lupi. “No ano passado, foram cerca
de 11 milhões de beneficiados e, neste ano, pela
primeira vez, atenderemos 12,5 milhões de pessoas,
que receberão um 14.º salário”,
declarou o ministro, em São Paulo.
Tem direito ao abono do PIS/Pasep os trabalhadores que
acumulam pelo menos cinco anos de registro em carteira
profissional, cujos vencimentos não superem dois
salários mínimos (R$ 760). Os abonos deste
ano corresponderão a um montante de cerca de R$
4,75 bilhões.
De acordo com o ministro, como os recursos a serem repassados
provêm do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), caberá ao
Conselho Deliberativo do Fundo (Codefat), definir qual
será a data de pagamento do benefício. Lupi
adiantou, porém, que a sugestão do Executivo é de
início do pagamento a partir de julho conforme a
data de nascimento do beneficiário.
“O dado concreto é que o crescimento do número
de beneficiários decorre do aumento de empregados,
do crescimento da economia. É uma demonstração
clara da expansão do empreendedorismo”, opinou.
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Gazeta do Povo, 2 de junho
de 2007
ECONOMIA | MERCADO
Dólar desafia
a faixa de R$ 1,90, mesmo com intervenção do
BC
Bolsa bate o 20.º recorde
do ano, ultrapassando os 53 mil pontos e giro de R$ 4 milhões
São Paulo – O dólar comercial voltou a cair ontem,
0,98%, apesar da intervenção do Banco Central e fechou
o dia cotado a R$ 1,906, a menor cotação de fechamento
desde 30 de outubro de 2000, quando a moeda era vendida a R$ 1,902.
Logo na abertura, a taxa cambial caiu 0,5% e no decorrer
da manhã se aproximou dos R$ 1,89, quando o Banco
Central anunciou, às 11h08, a realização
de um leilão de compra. Em geral, esses leilões
costumam ser realizados por volta das 15h30 e 15h40. A autoridade
monetária adquiriu a moeda a R$ 1,9075, sem conseguir
deter a derrocada das taxas. Usualmente, o banco tem comprado
em torno de US$ 500 milhões toda vez realiza esses
leilões.
Menos de duas horas depois, o BC voltou aos negócios,
desta vez atuando nas expectativas para a taxa de câmbio.
A instituição financeiro realizou um leilão
de “swap reverso”, uma operação
equivalente a “compra de dólares”, mas
no mercado futuro e que tende a pressionar as cotações
para cima.
Pela manhã, o governo americano divulgou as informações
que deram o tom dos negócios pelo restante do dia:
os dados macroeconômicos mostraram um mercado de trabalho “robusto”,
reforçando as expectativas de crescimento maior nos
próximos trimestres, ao mesmo que mostrou uma inflação
relativamente sob controle.
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 2,21%
e registrou o 20.º fechamento recorde somente neste
ano, 53.422 pontos. A Bolsa brasileira não subiu “no
vazio”, para usar o jargão de operadores: teve
volume financeiro, com giro de R$ 4 bilhões, bem acima
da média diária. Os negócios refletiram
um pacote de dados econômicos dos EUA que animaram
os investidores. Somente neste ano, a Bolsa já subiu
20%.
Os recordes da Bolsa têm o efeito ambíguo de
animar aumentar a apreensão dos investidores. Quanto
mais sobe, mas crescem os temores de que possa corrigir com
força – leia-se, cair bruscamente – em
algum momento. No fim de abril, analistas mencionavam maio
como o “mês histórico das realizações”.
Não foi isso que ocorreu e a Bovespa valorizou 6,76%.
O economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho,
acha que as projeções são tão
otimistas, que a economia real não vai crescer o suficiente
para entregar os resultados esperados. E vê uma correlação
de risco para as Bolsas: os Bancos centrais podem querer
corrigir os efeitos do excesso de liquidez. “O mundo
está muito líquido [com muito dinheiro disponível]
e com muita riqueza”, avalia o economista, e “em
todas as economias, excesso de demanda tem uma consequência:
aumento de preços”.
Valor - Empresas superam US$ 1 trihão
Com o novo fechamento recorde de ontem, aos 53.422 pontos,
o valor de mercado das empresas negociadas na Bolsa de Valores
de São Paulo rompeu a marca de US$ 1 trilhão
pela primeira vez na história do mercado brasileiro.
Segundo a assessoria de imprensa da Bovespa, o valor exato
alcançado ontem deverá ser divulgado na próxima
segunda-feira. A capitalização de mercado corresponde
ao preço de uma ação multiplicado pela
quantidade de ações emitida pela empresa.
As cinco maiores empresas em capitalização
de mercado são: Petrobrás, com R$ 222,1 bilhões
(US$ 116,5 bilhões); Vale, com R$ 206,6 bilhões
(US$ 108,4 bilhões); Bradesco, com R$ 100,4 bilhões
(US$ 52,7 bilhões); Itaú, com R$ 99,8 bilhões
(US$ 52,4 bilhões) e AmBev, com R$ 85,7 bilhões
(US$ 44,9 bilhões).
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O Estado do Paraná,
2 de junho de 2007
Direito e Justiça
A falácia da
Emenda 3
Márcia Novaes Guedes
Não obstante o veto do presidente Lula, a Emenda
3 continua ameaçando as conquistas duramente obtidas
pelos trabalhadores brasileiros ao largo de um século
de lutas. Artifício agregado ao Projeto de Lei (PL)
que cria a Super-Receita, a emenda é um enxerto,
apresentado pelo senador Ney Suassuna ao PL 6.272/05, criado
para otimizar a arrecadação tributária
e previdenciária, centralizando a competência
no Ministério da Fazenda. A dissonância entre
o projeto da Super-Receita e a emenda enxertada, às
pressas, para atender aos interesses do setor de informática,
jornalismo e planejamento e comunicação,
tem a sutileza de um trator.
O texto da emenda é curto e preciso, aliás,
como devem ser as coisas destinadas a alcançar resultados
com eficiência: “No exercício das atribuições
da autoridade fiscal de que trata esta lei, a desconsideração
da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique
reconhecimento de relação de trabalho, com
ou sem vínculo empregatício, deverá ser
precedida de decisão judicial”.
Se aprovada, a emenda de uma só tacada retira dos
fiscais do trabalho o poder de identificar e declarar o
vínculo de emprego em contratos destinados a fraudar
a legislação trabalhista, a exemplo daqueles
em que o empregador obriga o empregado a abrir uma firma
individual para ser contratado sem as garantias do estatuto
mínimo; inviabilizam-se os eficientes programas
em parceria com entidades da sociedade civil de erradicação
do trabalho escravo, da exploração do trabalho
infantil; e inviabiliza-se também a inversão
tendencial da precarização das relações
sociais, aliás, uma das metas programáticas
do Ministério do Trabalho e Emprego.
A parceria entre Ministério do Trabalho (TEM) e
Ministério Público (Ministério Público
do Trabalho) na erradicação do trabalho escravo
tem permitido à Justiça do Trabalho (JT)
proferir condenações relevantes em danos
morais e cujo valor vai para o FAT (Fundo de Amparo ao
Trabalhador), bem como o lançamento do nome dos
culpados na lista suja. A constituição desta “lista” permitiu
a identificação da cadeia produtiva do trabalho
escravo e tornou possível a celebração
de um pacto pelo qual as grandes empresas se comprometeram
a não comprar produtos oriundos da mão-de-obra
escrava. Desde o início do programa, foram libertados
cerca de 25 mil trabalhadores submetidos à condição
análoga à de escravos, a maioria concentrados
nas atividades de criação, pastagem e de
insumos agrícolas, seguidos daqueles encontrados
nas plantações de soja e de algodão
e, com menor percentual, na atividade de plantio e corte
da cana-de-açúcar.
Sob o ponto de vista da norma jurídica, a emenda
encontrava-se eivada de vícios de inconstitucionalidade,
já que golpeava dois dos princípios fundantes
da República: a dignidade da pessoa humana e os
valores sociais do trabalho, insculpidos logo no art. 1.º da
Constituição Federal, incisos III e IV. O
estrago provocado pela emenda levaria de roldão
tratados e convenções internacionais ratificadas
pelo Brasil, como a Declaração Universal
dos Direitos Humanos, o Pacto de São José da
Costa Rica e as convenções da OIT 29 e 105,
que tratam da abolição do trabalho forçado,
de 1930 e de 1957, respectivamente, e a convenção
81, de 1947, que torna obrigatória a inspeção
do trabalho na indústria e no comércio. Por
esse viés, a emenda acaba ferindo, uma segunda vez,
a Lei Maior do país, já que os tratados e
convenções internacionais sobre direitos
humanos, aprovados pelo Congresso Nacional, equivalem a
emendas constitucionais, é o que estabelece o art.
5.º, LXXVIII, § 3.º da Constituição
Federal.
Atentando contra a separação e convivência
harmônica entre os Poderes do Estado, a emenda dava à Justiça
do Trabalho o poder exclusivo de dizer da existência
de uma relação de emprego. Ora, mas o Judiciário,
por sua própria natureza, é um poder inerte,
somente funciona se provocado, isto é, a parte que
se sente ofendida em um direito deve tomar a iniciativa
de ajuizar uma ação, dando-se início
a uma demanda, que poderia muito bem ser evitada com a
fiscalização eficaz do MTE. Nisto, precisamente,
consiste o tiro de misericórdia da emenda nas maiorias
que clamam por reconhecimento e dignidade no trabalho.
Inúmeros são os casos em que o juiz depende
necessariamente da fiscalização do MTE, cujas
provas, obtidas durante a blitz, são decisivas para
o deslinde dos conflitos. Ressalte-se, ainda, que a distinção
entre o contrato de emprego e o contrato de prestação
autônoma de serviços, sem as provas pré-constituídas
pelos auditores fiscais, constitui-se no calcanhar de Aquiles
do processo trabalhista.
Nossa singular condição de magistrada-cronista
nos abre uma janela privilegiada para darmos testemunho
de que, não apenas naquelas situações
limites do trabalho escravo e do trabalho infantil, com
freqüência, apreciamos casos em que a eficiência
da fiscalização do Ministério do Trabalho é decisiva
na erradicação da pobreza, da marginalização
e redução das desigualdades sociais. O caso
mais recente que julgamos envolvia um Instituto de Beleza
e uma cabeleireira. Segundo a proprietária do negócio “todo
o pessoal do salão trabalhava nessas condições: “se
produzir, recebe, se não produzir, não recebe”,
até que a fiscalização do Ministério
do Trabalho visitou o estabelecimento”. Dessa data
em diante, a empregadora decidiu regularizar a situação
do seu pessoal, inclusive da cabeleireira, registrando
o contrato e assinando a CTPS, recolhendo os encargos e
pagando o salário mínimo sempre que a produção
não alcance aquele valor.
Bem analisada, essa emenda integra a lógica da
razão cínica e consiste em mais uma deslavada
tentativa de reeditar no mundo do trabalho a agenda do
século XVIII, deletando as conquistas sociais de
proteção ao trabalho humano. A segurança
jurídica proclamada pelos defensores da emenda é uma
falácia, a norma trabalhista é a única
capaz de assegurar tal objetivo, dado que é a variante
de uma estratégia mais ampla na formação
do consenso. Por outro lado, já está provado
que a flexibilização não gera empregos,
até porque, o termo “emprego” implica
assunção de obrigações e encargos
previamente regulados por uma lei. Ao invés disso,
essa emenda ampliaria os índices já insuportáveis
de trabalho semi-forçado, a exemplo do que ocorre
nas plantações de cana-de-açúcar
no Sudeste do País, onde se reeditou a morte por
exaustão, antes conhecida nos campos de concentração
nazistas e stalinistas.
Aprovar a emenda implicaria em chancelar o fenômeno
da “adiaforização social”, isto é,
abandonar os pobres à própria sorte e liberar
a produção de seres supérfluos, gente
que não pertence ao mundo de forma alguma, e, por
isso mesmo, o primado de que todos são iguais perante
a lei não os alcança. Ser supérfluo,
conforme explica Hannah Arendt, implica na perda das capacidades
políticas e de relacionamento social. “Nessa
condição, o homem se vê abandonado
pelo mundo das coisas, visto que não é reconhecido
como homo faber, mas tratado apenas como animal laborans,
cujo necessário metabolismo com a natureza não é do
interesse de ninguém”. A norma trabalhista
baliza as regras de um contrato mínimo, considerando
que o contratado é um ser humano, credor de respeito
e dignidade, aliás, a precondição
indispensável para que se possa conduzir uma vida
humana digna deste nome.
A racionalização neoliberal tem no totalitarismo
de feição stalinista e nazista guardam algo
em comum: ambos partem do pressuposto de que os seres humanos
são supérfluos e assim negam o paradigma
kantiano da dignidade humana e a conquista histórico-axiológica
que tem no ser humano o valor-fonte dos valores sociais.
Ainda não se tinha visto um ataque tão contundente
aos direitos sociais. A vitória provisória
dos trabalhadores, porém, se deveu mais à solidariedade
do governo do que à mobilização social.
Por isso mesmo, as forças democráticas não
podem descansar, haja vista que os “delinqüentes
acadêmicos” encontram-se bem apeados no poder
e trabalham sem solução de continuidade engendrando
regras jurídicas que fariam inveja aos tecnocratas
que subservientemente serviam os generais. Márcia
Novaes Guedes é juíza federal, titular da
Vara do Trabalho de Guanambi (Ba). marcia@micks.com.br
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Folha de São Paulo,
2 de junho de 2007
Importação
atinge nível histórico em maio
Volume de compras avança
34% e chega a US$ 9,78 bi; balança tem saldo de US$
3,87 bi, melhor resultado para o mês
Para governo, alta maior das importações
não deve reduzir superávit; no ano, saldo é de
US$ 16,85 bi, alta de 8% sobre 2006
IURI DANTAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No mês em que a cotação do dólar
caiu abaixo de R$ 2, as importações bateram
recorde histórico no Brasil e somaram US$ 9,78 bilhões
em maio. Outro recorde da balança comercial foi
o saldo de US$ 3,87 bilhões, maior para um mês
de maio. As exportações somaram US$ 13,648
bilhões, o terceiro melhor desempenho do país.
No ano, o superávit acumulado chegou a US$ 16,854
bilhões -alta de 8% sobre o mesmo período
de 2006.
O governo minimizou o aumento das importações,
e o secretário de Comércio Exterior, Armando
Meziat, classificou o fato como "ilusório",
devido à greve da Receita Federal em maio do ano
passado. Ante o mesmo mês de 2006, as importações
cresceram 34,2%. As exportações, 32,4%.
" As importações vão continuar crescendo mais do que
as exportações, mas não em ritmo suficiente para reduzir
o superávit comercial", afirmou.
Com o resultado de maio, as exportações
atingiram US$ 148,31 bilhões no acumulado de 12
meses desde junho do ano passado, um aumento de 20% em
relação ao mesmo período anterior.
Já as importações cresceram 26,7%
no período e chegaram a US$ 100,45 bilhões.
Mesmo reduzindo a importância do aumento nas importações,
Meziat foi cauteloso e manteve a previsão de US$
152 bilhões para as exportações no
ano. "Muito provavelmente vamos alcançar a
meta", disse.
Os principais produtos responsáveis pelas boas vendas ao exterior
continuaram sendo commodities, cujo preço permanece aquecido.
Segundo o secretário, o Brasil ainda não
sentiu um forte impacto da valorização do
real ante o dólar por motivos diversos, como o uso
de inovações tecnológicas, maior produtividade
e redução de custos. "Algumas mudanças
estruturais aconteceram e ainda não fomos capazes
de entender", disse.
Caiu a participação de industrializados
no volume exportado e subiu a porcentagem de produtos básicos.
Em 2006, os produtos básicos respondiam por 27,7%
das vendas brasileiras no acumulado de janeiro a maio.
Neste ano, o percentual chegou a 30,6%. Os industrializados
reduziram de 69,8% para 67,4% o seu pedaço no bolo.
A competição com a China causou ao menos
dois impactos na balança brasileira: 1) produtos
perderam mercados importantes mudaram para países
de economias menores; 2) houve queda na quantidade vendida
em alguns setores.
O caso dos calçados é emblemático:
os Estados Unidos compraram 11% a menos no mês passado,
mas as vendas para Venezuela (91%), Rússia (86%)
e Itália (77%) reduziram o baque no setor. A corrente
de comércio aumentou mais para África (56,2%),
Oriente Médio (46,8%), Ásia (42,6%), União
Européia (38,8%) e menos para os EUA e Mercosul,
onde o crescimento foi menor -14,7% e 24,2%, respectivamente.
Segundo Meziat, outros produtos, além das commodities,
estão conquistando maior participação
em mercados internacionais, já que vêm exportando
cada vez mais. Seria o caso do álcool, que registrou
crescimento de 80% na quantidade exportada nos primeiros
cinco meses do ano, na comparação com o mesmo
período de 2006. No caso dos elétricos e
eletrônicos, venderam-se 3,6% mais de janeiro a maio
deste ano em relação a 2006. Madeira (5,6%),
máquinas e equipamentos (7%), tratores rodoviários
(21,2%) e móveis (10,2%) também servem de
exemplo.
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Folha de São Paulo,
2 de junho de 2007
Brasil tem 29 milhões
sem proteção social
Contingente de trabalhadores
tem ocupação, mas está fora do sistema
previdenciário, segundo estudo do ministério
Universo dos "socialmente desprotegidos" pelos
benefícios da Previdência representa 36,5%
da população ocupada
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Brasil convive com 28,81 milhões de trabalhadores
que têm ocupação, mas estão
fora do sistema de proteção social da Previdência.
Estudo divulgado ontem pelo Ministério da Previdência
Social mostra que os "socialmente desprotegidos" representam
36,5% da população ocupada, embora mais da
metade desse contingente tenha renda para contribuir para
o sistema previdenciário. O documento elaborado
pela Secretaria de Previdência Social ainda revela
que a previdência e a assistência social -benefícios
de prestação continuada- ampliaram seus efeitos
sobre a redução da pobreza e retiraram dessa
situação 21,037 milhões de pessoas.
Com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios) de 2005, o estudo contraria a informação
freqüentemente adotada pelo governo de que há 40
milhões de pessoas fora da Previdência. Segundo
o secretário da Previdência Social, Helmut
Schwarzer, esse cálculo era exagerado, resultando
de uma metodologia inadequada. Excluíam-se da cobertura
os 8,49 milhões de trabalhadores rurais, que têm
um sistema diferenciado de contribuição para
a Previdência.
Também não era considerado que existe 1,3
milhão de aposentados que voltaram a trabalhar na
informalidade, não recolhendo contribuição
previdenciária. Do novo universo dos "socialmente
desprotegidos", 12,26 milhões têm renda
abaixo de um salário mínimo. Para o secretário,
esse grupo precisa ser alvo de políticas públicas
que garantam a complementação da renda, o
que permitiria sua inclusão na Previdência.
Perfil
Já uma parcela de 16,26 milhões de trabalhadores
ocupados tem renda igual ou superior a um salário
mínimo. "Essa é a população
que poderia estar dentro do sistema, mas não está.
A grande maioria é de trabalhadores por conta própria
ou assalariados sem carteira assinada", diz Schwarzer.
Há ainda 286 mil com renda ignorada. Além
dessa característica, o perfil desses trabalhadores
mostra que eles têm entre 30 anos e 49 anos de idade,
ganham até dois salários mínimos e
atuam nos setores de comércio e serviços.
O secretário acrescenta que esse perfil pode ser
um "mapa da mina" para o governo traçar
políticas públicas de aumento da inclusão
previdenciária.
Entre a população idosa, o estudo aponta
que a proteção previdenciária chega
a 82%. Dos 18,256 milhões de idosos com 60 anos
ou mais, 3,291 milhões não contam com benefícios
previdenciários (aposentadoria ou pensão).
Um dos efeitos diretos disso é o impacto da Previdência
na redução da pobreza no país, diz
o estudo.
Associada aos benefícios assistenciais da Loas
(Lei Orgânica da Assistência Social), a Previdência
tira da pobreza 11,6% da população do país,
diz o estudo. Sem a renda previdenciária, o número
de pessoas com renda domiciliar per capita abaixo de R$
150 por mês é de 76,9 milhões. Com
essa receita, são 55,9 milhões de brasileiros.
"A Previdência cumpre um importante papel na
redução da pobreza. É um equívoco
começar o discurso sobre a reforma da Previdência
com uma visão de que é preciso tirar direitos.
Queremos criar incentivos para a maior contribuição
e garantir a sustentabilidade do sistema", concluiu
Schwarzer.
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Folha de São Paulo,
2 de junho de 2007
Para especialistas,
sistema tem custo elevado para a sociedade
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de reafirmarem a relevância da Previdência
na redução da pobreza, especialistas ouvidos
pela Folha avaliam que o sistema de proteção
social tem custo elevado para o Estado e para as empresas.
Para o especialista da OIT (Organização Internacional
do Trabalho) e ex-secretário de Previdência
Social Vinícius Pinheiro, a distribuição
de renda promovida pela previdência é feita
com a tributação da folha de salários
das empresas.
"Muitas empresas não suportam esse peso [tributário],
o que limita a formalização de novos trabalhadores. É com
esses recursos que se distribui renda para os informais.
Ou seja, há uma sobrecarga sobre os formais que
pode acabar matando a galinha dos ovos de ouro", disse
o especialista. "O governo precisa rever isso e passar
a tributar o consumo." Na opinião do analista
da Consultoria Tendências Denis Blum, o custo dessa
rede de proteção social é a redução
da capacidade do Estado de investir, gerando menos empregos
e menos receitas. "No Brasil, as receitas correntes
estão crescendo, mas as despesas aumentam mais.
Não é possível ter uma rede de proteção
generosa e ao mesmo tempo reclamar do aumento da carga
tributária." Segundo ele, o governo brasileiro
tem um excesso de receitas e despesas vinculadas, dando
pouca liberdade para a administração do Orçamento.
Além disso, ele afirma que é preciso avaliar
as ineficiências do sistema previdenciário.
Pinheiro ainda destaca que o aumento da formalidade apontado
pelo ministério, de 61,7% em 2002 para 63,5% em
2005, é muito pequeno para ser comemorado. "Certamente é reflexo
do crescimento econômico, mas não foi tão
expressivo."
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