 |
Agência Senado, 3 de junho de 2007
CMA vota projeto que exclui juros
bancários do Código do Consumidor

A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização
e Controle (CMA) deve votar na terça-feira (5), em turno suplementar,
substitutivo ao projeto de lei do Senado (PLS 143/06) que exclui da
aplicação do Código de Defesa do Consumidor o
custo das operações ativas (empréstimos) e a remuneração
das operações passivas de instituições
financeiras na intermediação de dinheiro (aplicações).
O projeto, de autoria do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), acrescenta
parágrafo ao artigo 3º da Lei nº 8.078 (Código
de Defesa do Consumidor) e tem como relator o senador Expedito Júnior
(PR-RO).
Em sua justificação, Valdir Raupp assinalou que discute-se
desde 2001, no Supremo Tribunal Federal (STF), a constitucionalidade
do artigo 3º, parágrafo 2º, do Código de Defesa
do Consumidor, em relação à expressão "inclusive
as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária".
O propósito da ação é afastar a aplicação
do código às atividades bancárias por violação
do artigo 192 da Constituição, que preceitua a disciplina
do sistema financeiro em lei complementar.
"Não se pode permitir que interpretações
jurídicas excessivamente amplas invadam a esfera de competência
das autoridades responsáveis pela condução da
política monetária do país, pois a indefinição
que adviria da profusão de interpretações distintas
seria prejudicial à segurança jurídica das operações
financeiras e, conseqüentemente, à higidez do sistema
como um todo", argumenta o relator em seu substitutivo.
Expedito Júnior também alerta para um possível
aumento dos juros médios praticados no mercado em virtude
da majoração do risco decorrente da instabilidade das
regras aplicáveis aos contratos bancários.
A CMA examina, ainda, o projeto de lei do Senado (PLS191/05), de
autoria do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). O projeto considera
como prática abusiva a oferta ou a venda de produtos ou serviços
mediante a sistemática de pagamento a prazo pelo preço à vista.
Pela proposta, a oferta e apresentação de produtos
ou serviços devem assegurar informações corretas,
claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre
as características, qualidades, quantidade, composição,
garantia, prazos de validade, origem, preço, taxa e valor
dos juros incidentes da hipótese de venda a prazo, bem como
sobre os riscos que apresentam à saúde e segurança
dos consumidores.
Valadares observa em sua justificação que, atéhoje,
a única solução apresentada para a taxa de juros
embutida nos financiamentos de venda de bens e serviços, é atribuir
responsabilidade ao próprio consumidor, a quem cabe pedir
a retirada dos juros contidos no preço.
"Tal situação torna o preço das mercadorias
ou dos serviços muito caro aos consumidores, especialmente
para aquela faixa da população que compra os bens domésticos
básicos e úteis como uma geladeira, um fogão,
aparelho de som etc. Esse setor da população se submete,
sem pestanejar, a tal situação, justamente porque está em
nível vertical de negociação, seja porque não
possui uma cultura de negociação, ou porque precisa
de bens básicos e úteis e naquele momento está encontrando
a chance de realizar esse sonho", explica.
|
Agência Diap, 3 de junho de 2007
IMPOSTO DE RENDA
Doação de livros para
biblioteca pública poderá ser abatida do IRPF
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou nesta
terça-feira, 29/05, o PLS 27/05, que inclui a possibilidade
de dedução no imposto de renda da pessoa física
as despesas com a doação de livros para bibliotecas públicas.
De autoria do senador Roberto Saturnino (PT/RJ), o projeto foi aprovado
na forma de parecer oferecido pelo senador Edison Lobão (DEM/MA).
Caso não haja recurso para votação no plenário
do Senado o projeto será enviado para análise da Câmara
dos Deputados. (Alysson Alves)
|
Agência Diap, 3 de junho de 2007
MUNDO DO TRABALHO
Comissão de Trabalho realizará audiências
públicas para discutir matérias de interesse dos
trabalhadores
Na reunião ordinária desta semana, a Comissão
de Trabalho da Câmara aprovou importantes requerimentos para
a realização de audiências públicas. Um
dos requerimentos aprovados, o de n° 61/07, de autoria do deputado
Eduardo Valverde (PT/RO), solicita que sejam convidados representantes
do Ministério do Trabalho, Ministério do Planejamento,
das Centrais Sindicais, da Ajufe, Anamatra e APT para colaborarem com
o debate e sugestões de ações que erradiquem o
assédio moral no País.
Outros temas
Os membros da Comissão também aprovaram a realização
de audiência pública para que o ministro do Trabalho
e as centrais sindicais prestem esclarecimentos sobre os programas,
ações e avaliações que têm promovido
nos seguintes temas:
a) redução dos encargos
sociais sobre a folha de pagamentos e outros fomentos ao
mercado formal de trabalho;
b) erradicação do trabalho escravo
e infanto juvenil;
c) acesso ao mercado de trabalho de minorias e
grupos discriminados (portadores de necessidades especiais), e;
d) ampliação dos programas de qualificação
profissional para jovens em situação de risco. Quem
solicitou esta audiência também foi o deputado Valverde.
Navegação
Debater e propor soluções à escassez de mão-de-obra
especializada para tripular navios de bandeira brasileira, incentivando
a formação de Oficiais de Marinha Mercante, será o
tema de mais uma audiência que a Comissão de Trabalho
agendará em breve.
O requerimento aprovado com esta solicitação é de
autoria do presidente do colegiado, deputado Nelson Marquezelli (PTB/SP).
Representação patronal
Por requerimento do deputado Sabino Castelo Branco (PTB/AM), a Comissão
de Trabalho vai colocar em discussão o desmembramento de representação
sindical patronal da CNTur e CNC. Serão convidados para a
audiência pública a Confederação Nacional
do Turismo - CNTur, a Confederação Nacional do Comércio
- CNC, e a Confederação Nacional dos Trabalhadores
de Turismo e Hospitalidade - CONTRATUH. Nenhuma das audiências
têm data marcada. (Viviane Ponte Sena).
|
Congresso em Foco, 3 de junho de 2007
Mangabeira vai sem nunca ter vindo
Queimado no governo antes de tomar posse,
pensador polêmico corre agora o risco de ser oficialmente
desconvidado para o cargo
Sylvio Costa
Nem mesmo o vice-presidente da República, José Alencar,
defende mais a posse do professor Roberto Mangabeira Unger como ministro-chefe
da Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo, aquela
que atende pela estranha sigla de Sealopra. Alencar, principal responsável
pela indicação de Mangabeira, reprovou o comportamento
do seu correligionário – ambos são do Partido
Republicano Brasileiro (PRB) – em relação à Brasil
Telecom, empresa controlada pelo Citibank e por fundos de pensão
de estatais.
Como revelou na quarta-feira (30) o jornalista Guilherme Barros,
da Folha de S. Paulo, Mangabeira Unger entrou com uma ação
contra a BrT, no estado de Massachussetts (EUA), no último
dia 30 de abril, dez dias após ter sido confirmado no ministério.
Reclama o pagamento de serviços prestados entre 1º de
abril de 2006 e 31 de março de 2007. Segundo o jornalista,
porém, desde o final de 2005 Mangabeira não presta
qualquer serviço à Brasil Telecom.
Ontem (quinta, 31), em entrevista aos jornalistas, o ministro das
Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, de acordo
com os relatos de diversas agências de notícias, sugeriu
que o professor desista do cargo. O episódio salpica com algumas
doses adicionais de controvérsia a trajetória pessoal
e política de Mangabeira.
Baiano, 60 anos, autor de 17 livros, conhecido pelo carregado sotaque
norte-americano, viveu a maior parte da sua vida nos Estados Unidos,
onde se tornou professor de Harvard antes de chegar aos 30 anos.
Sempre, no entanto, procurou se manter em contato com o Brasil. Bacharel
em Direito e filósofo, tentou ser candidato a presidente em
2006. Chegou a aparecer na TV como pré-candidato em 2005,
apresentado como “o aventureiro do bem” por Caetano Veloso,
em programa do Partido Humanista da Solidariedade (PHS). A candidatura
não saiu, e Mangabeira Unger acabou apoiando Lula. O resto
da história, abaixo, ajuda a entender por que Mangabeira deverá ir
sem jamais ter vindo.
Por quê?
Quatro razões explicam por que o polêmico professor
de Harvard não deverá tomar posse.
A primeira é que nunca foi
fácil para Lula aceitar trazer para seu ministério
alguém que foi um dos seus críticos mais ácidos
durante o primeiro mandato. Entrevistado pelo Congresso em Foco em
maio de 2005, Mangabeira definiu o governo Lula como “uma grande
mistura de covardia com incompetência” (confira). Em
15 de novembro de 2005, em artigo publicado na Folha, escreveu que "o
governo Lula é o mais corrupto de nossa história”.
Justificou a aceitação do cargo de ministro com o argumento
de que não poderia recusar o desafio que lhe fora proposto.
Mas mantém até hoje em sua página pessoal entrevista
concedida à Folha, em 16 de março de 2003, na qual
acusa o governo Lula e o PT de terem traído os eleitores ao
dar continuidade à política econômica ortodoxa
de Fernando Henrique (acesse). Lula só aceitou convidar Mangabeira
porque seu nome foi o único que Alencar lhe sugeriu para o
ministério. Sentiu-se na obrigação de prestigiar
o vice.
Segunda razão: faltam padrinhos
para defender a nomeação de Mangabeira. Mal visto por
Lula e pela ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, também
não conta com a simpatia do PT e dos demais partidos da base
governista. O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que no passado foi muito
próximo do professor (que elaborou o programa de governo de
Ciro para a campanha de 2002), não esboçou nenhum sinal
em favor de Mangabeira, de quem se encontra afastado.
Terceira: o episódio da Brasil
Telecom teve o efeito não de gota d’água, mas
de algo como um grande vazamento de óleo na baía de
Guanabara. A cúpula do governo interpretou a decisão
do professor de processar a empresa como uma tentativa de aproveitar
a condição de ministro recém-indicado para fazer
uma exigência descabida. O ato soou especialmente estranho
aos ouvidos do Planalto porque a atual direção da BrT,
em outra ação no estado de Massachussetts, questiona
Mangabeira pelos pagamentos que lhe foram feitos pela antiga diretoria.
Segundo a já citada matéria de Guilherme Barros, o
acadêmico recebeu US$ 2 milhões para representar os
interesses da BrT (na condição de trustee, uma espécie
de procurador nomeado para fins específicos, uma figura jurídica
que não existe no Direito brasileiro).
Informações contraditórias prestadas por Mangabeira
complicaram sua situação. Questionado por assessores
de Lula sobre o assunto, o professor disse que já havia feito
um acordo com a Brasil Telecom, que negou ter recebido qualquer proposta
nesse sentido.
Finalmente, o comportamento de Mangabeira
Unger inspira preocupações mais pragmáticas:
se antes mesmo de tomar posse, ele já se vê às
voltas com problemas, o que não poderia vir depois?
Na Sealopra, o professor cuidaria do planejamento de longo prazo do
governo federal, tendo sob sua coordenação o Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Núcleo de Assuntos
Especiais (NAE), unidade de estudos e planejamento estratégicos
que chegou a ser chefiada no primeiro governo Lula pelo ex-ministro
Luiz Gushiken.
|
Diário Vermelho, 3 de junho de 2007
O Senado e as razões de fundo
da campanha anti-chavista
Por José Reinaldo Carvalho*
Falemos sério. A história brasileira está repleta
de exemplos em que a direita mimetizou os comportamentos de seus êmulos
de ultramar ou do norte, de modo que o comportamento servil dessa
direita não se limita a uma papagaiada. Vai além, muito
além, se se tratar de compará-la à miríade
de exemplares que possuímos em nossa fauna.
Não restam dúvidas de que o Senado da República é uma
instituição respeitável, merecedora da consideração
das demais instituições nacionais, da opinião
pública, como de parlamentos e governos de outros países.
(Embora, muito embora, diga-se entre parêntesis, não
se saiba ao certo a função que teria um Senado numa
democracia avançada e sejamos obrigados a lembrar que uma
das principais medidas sugeridas pelo líder comunista João
Amazonas para a reforma política que a Constituinte de 1987-1988
era a instituição do Congresso Unicameral, o que implicaria
a extinção do Senado, tal como se afigurava e ainda
se afigura hoje. A proposta consta de um livro de grande circulação à época
nos meios políticos – “As Propostas do PCdoB para
a Assembléia Constituinte” - e foi objeto de respeitáveis
debates entre o então presidente do PCdoB e o relator da nova
Carta Magna, o senador Afonso Arinos. A proposta foi submetida à apreciação
do grupo de constituintes que se reunia freqüentemente na residência
do então deputado constituinte do PCdoB e ex-líder
de sua bancada, Haroldo Lima. Na condição de um dos
redatores do citado opúsculo, testemunhei os debates e constatei
com que respeito e seriedade, mesmo quando havia discordâncias,
eram consideradas esta e outras propostas apresentadas pelo velho
comunista).
O parêntesis é apenas para que, com o respeito que
o Senado nos merece, não sejamos levados ao erro de sacralizar
a câmara revisora, tradicional reduto do conservadorismo brasileiro.
Feitas as honras devidas à Câmara Alta do Congresso
Nacional, observo que a nota mais forçada, na justa reação
do presidente Chávez à impertinência do Senado
brasileiro, foi a metafórica referência ao que em sua
opinião seria mais fácil, se a revogação
da justa medida do seu governo de não renovar a concessão
da RCTV ou a restauração do Império colonial
português no Brasil. Não restam dúvidas de que
o colonialismo português jamais será restaurado no Brasil,
de modo que, no caso em tela, estamos diante de duas impossibilidades.
Mas vamos ao que mais interessa. Menos dúvidas quedam, para
quem faz leitura política correta dos fatos, de que não
reside na forma pela qual se expressou o presidente Chávez
- líder revolucionário, comandante da Revolução
Bolivariana, estadista da integração latino-americana,
hoje o mais destacado dirigente, ao lado de Fidel, da luta pela libertação
nacional e social no continente - a razão de fundo da luta
política que se estabeleceu objetiva e subjetivamente, tendo
como estopim o caso RCTV, entre o governo da República Bolivariana
da Venezuela, de um lado e, de outro, uma heterodoxa frente que reúne
o imperialismo norte-americano, Bush à cabeça, a direita
venezuelana, os governos da União Européia, a mídia
serviçal do capital financeiro internacional em todo o mundo,
a brasileira inclusive, e infelizmente alguns políticos brasileiros,
a maioria dos quais detentores de mandato no Senado – Eduardo
Azeredo (PSDB), Heráclito Fortes (DEM), José Sarney
(PMDB), Renan Calheiros (PMDB), Eduardo Suplicy (PT), Aloísio
Mercadante (PT) - além do presidente da Câmara dos Deputados,
Arlindo Chinaglia (PT) e políticos de expressão bem
menor, como o medíocre suplente de senador Roberto Freire
(PPS), dirigente de um minúsculo partido surgido nos anos
90 como resultado da renegação ao comunismo.
Falemos sério. A história brasileira está repleta
de exemplos em que a direita mimetizou os comportamentos de seus êmulos
de ultramar ou do norte, de modo que o comportamento servil dessa
direita não se limita a uma papagaiada. Vai além, muito
além, se se tratar de compará-la à miríade
de exemplares que possuímos em nossa fauna.
Soa estranha, desafinada, fora de tom, mormente quando o presidente
do Senado é alvo de campanha de desestabilização
por parte da mesma mídia anti-Chávez, pela qual se
pretende atingir não só a sua pessoa, mas a própria
base de sustentação do governo Lula, a sua declaração
de que “Chávez está na contramão da democracia”.
Como não deixa de ser estridente o discurso do ex-presidente
José Sarney, cujo governo se notabilizou pelo uso político
das concessões de canais de TV e estações de
Rádio como instrumento para consolidar sua base política,
bradando contra “o ataque à liberdade de expressão” supostamente
perpetrado pelo governo de Chávez. Como soa ofensivo, uma
violação mesma do decoro, qualificar o presidente de
uma nação amiga de “aprendiz de ditador”,
segundo a chula expressão do apagado representante piauiense
e da direita peefelista travestida de democrata, o senador Heráclito
Fortes. Tudo isso mostra que o problema não reside em “arroubos”, “bravatas” , “retórica
inflamada” etc.
A histeria anti-chavista desatada em torno da não renovação
da concessão à RCTV não se justifica, mesmo
segundo a ótica do direito burguês. Foi uma medida absolutamente
constitucional e legal. Politicamente, foi também um legítimo
ato de defesa em face de condutas abusivas e ilegais de um meio de
comunicação a serviço de interesses alheios
aos do país e do povo. Remeto o leitor ao dossiê publicado
pelo governo venezuelano sobre a RCTV.
O problema de fundo reside na natureza do processo em curso na Venezuela,
em flagrante contraste com os ditames do imperialismo norte-americano
e as expectativas da direita, esteja ela nos Estados Unidos, na União
Européia, na Venezuela, no Brasil ou alhures. Ouvindo alguns
discursos de gente que se elege por legendas de esquerda, constato
que muitos não entenderam ou se recusam a entender, que desde
o levantamento cívico-militar de 4 de fevereiro de 1992 (que
a falsa esquerda chamou de golpe), está em curso no país
vizinho uma profunda revolução de caráter democrático,
popular e antiimperialista, que tomou fôlego e ganhou novos
contornos com a eleição de Hugo Chávez Frias à Presidência
da República em 1998 e a subseqüente proclamação
da República Bolivariana. Hoje, com o amadurecimento do processo,
a Revolução venezuelana empreende novo passo e, à moda
inventiva dos próceres nacionais Simon Rodriguez e Simon Bolívar,
proclama seu caráter socialista.
O caminho que conduzirá ao socialismo na Venezuela não
está pavimentado. Será sem dúvida pontilhado
de confrontações políticas, econômicas,
sociais e culturais com as forças da direita e o imperialismo,
de modo que o episódio da não renovação
da concessão à RCTV é apenas um – e não
o mais radical – entre muitos que tendem a ocorrer doravante.
Acostumemo-nos a isso. Por óbvio, o sistema político
será inteiramente distinto do apodrecido sistema democrático-burguês,
terá nova conformação institucional, novos métodos
de governo e participação popular, nos quais não
cabem anacrônicas e hipócritas concepções
de “liberdade de expressão”, em que só se
expressam com inteira liberdade os representantes da plutocracia
nacional associada à dominação imperialista.
O que assusta os tradicionais e os neoconservadores, de matriz liberal
ou originários da esquerda, é que o comando da Revolução
já demonstrou que não se afastará do caminho
para a construção do novo sistema político e
da nova sociedade. O mesmo ocorre na própria Venezuela, onde
há um punhado de ex-esquerdistas, ex-guerrilheiros e ex-comunistas
integrando as hostes da contra-revolução. São
os que mais vociferam em entrevistas aos veículos da grande
mídia “livre” e nos artigos que assinam nos periódicos
criados com vultosos financiamentos do patronato pró-imperialista.
Essa gente põe-se em desespero quando constata com o amargor
dos vencidos que o comando revolucionário do país decidiu
enfrentar as pressões de Bush e seus aliados e levar adiante
o programa de transformações sociais e políticas.
Um dos componentes do socialismo do século 21 é a
união, organização e mobilização
do povo para a luta antiimperialista, o que pressupõe o confronto,
se este se impuser. As forças internacionais não têm
outra escolha. Ou convivem com o fenômeno, mesmo a contragosto,
ou se envolvem em campanhas, conspirações e aventuras
golpistas, suportando as suas conseqüências, bem entendido.
Esta é a lógica de ferro do desenvolvimento histórico.
Ao Brasil e ao povo brasileiro deveria interessar o avanço
do processo revolucionário venezuelano. E nosso país
deveria ser o primeiro a se opor ao intervencionismo externo no país
de Bolívar. Mesmo com horizontes políticos limitados,
distante que está do socialismo e da luta antiimperialista,
o governo Lula, com sua política externa independente que
prioriza a integração sul-americana, colherá mais
benefícios da existência de uma Venezuela revolucionária,
do que do caos ou do retrocesso político no país vizinho.
* Jornalista e especialista em Política
Internacional.
|
Diário Vermelho, 3 de junho de 2007
"Risco Brasil" encerra
a semana em 139 pontos, em queda
Considerado um dos principais termômetros da confiança
dos investidores na economia brasileira, o EMBI+ Brasil, ou "risco
Brasil", calculado em Nova York pelo Banco JP Morgan Chase, indicou
139 pontos no final desta sexta-feira, com queda de 2,11%. Na quinta-feira,
o índice encerrou aos 142 pontos. O índice vem em queda
constante e quebrou a barreira dos 200 pontos em março. O índice
desta sexta-feira é o mais baixo desde que o JP Morgan começou
a calcular o EMBI+Brasil, em 1994.
O Emerging Markets Bond Index - Brasil é um índice
que reflete o comportamento dos títulos da dívida externa
brasileira. Corresponde à média ponderada dos prêmios
pagos por esses títulos em relação a papéis
de prazo equivalente do Tesouro dos Estados Unidos, tido como o país
mais solvente do mundo, de risco praticamente nulo.
O indicador mensura o excedente que se paga em relação à rentabilidade
garantida pelos bônus do governo norte-americano. Significa
dizer que a cada 100 pontos expressos pelo risco-Brasil, os títulos
do país pagam uma sobretaxa de 1% sobre os papéis dos
EUA.
Basicamente, o mercado usa o EMBI+ para medir a capacidade de um
país honrar os seus compromissos financeiros. A interpretação
dos investidores é de que quanto maior a pontuação
do indicador de risco, mais perigoso fica aplicar no país.
Assim, para atrair capital estrangeiro, o governo tido como " arriscado " deve
oferecer altas taxas de juros para convencer os investidores externos
a financiar sua dívida - ao que se chama prêmio pelo
risco. Com informações do
Valor Econômico.
|
Gazeta do Povo, 3 de junho de 2007
ECONOMIA | CONSUMO
Venda de PCs vai superar tevês
em 2007
O Brasil deve vender em 2007 mais computadores do que aparelhos de
televisão pela primeira vez. A previsão é da Associação
Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “Isso
reflete o movimento de informatização da sociedade, e é um
indicador do potencial de crescimento da economia e da produtividade
do país”, diz o professor Fernando Meirelles, da Fundação
Getúlio Vargas. O pesquisador estima que 19% dos lares brasileiros
têm computador, enquanto 60% das residências possuem televisor.
|
Gazeta do Povo, 3 de junho de 2007
IMÓVEIS | MERCADO
Madeira certificada
A empresa moveleira Taedda, com sede em Sengés, cidade da região
central do Paraná, vai apostar na venda interna de móveis
ecologicamente corretos. Os produtos da marca, em madeira originária
de reflorestamento e certificada pelo Forest Stewardship Council (Conselho
de Manejo Florestal, sigla FSC), são exportados para Portugal,
França e Espanha, além dos mercados do Reino Unido, Bélgica,
Luxemburgo, Holanda e Oriente Médio que começaram a ser
explorados recentemente. Os planos são para que, em breve, o
mercado nacional também tenha acesso aos móveis.
Todas as coleções da Taedda são de madeira
maciça e seguem tendências européias de design,
com linhas contemporâneas. As árvores empregadas nos
móveis da marca têm entre 20 e 35 anos e são
provenientes de sítios de reflorestamentos (alguns de propriedade
da própria Taedda). Após a extração,
as árvores são levadas para a fábrica da empresa. “A
matéria-prima é constantemente monitorada a fim de
garantir o resultado planejado: uma madeira lisa, sem nós
ou qualquer outra impureza”, explica Mario Occhialini, gestor
da Taedda.
|
Folha de Londrina, 3 de junho de 2007
Mercado Financeiro - Novo Recorde
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) emendou o 20º fechamento
recorde somente neste ano ontem. O Ibovespa, principal índice
do mercado de ações doméstico, subiu 2,21% e atingiu
a marca histórica dos 53.422 pontos. A Bolsa brasileira não
subiu ‘‘no vazio’’, para usar o jargão
de operadores: teve volume financeiro, com giro de R$ 4 bilhões,
bem acima da média diária. Os negócios refletiram
um pacote de dados econômicos dos EUA que animaram os investidores.
Somente neste ano, a Bolsa já subiu 20%.
Câmbio
O dólar comercial foi negociado a R$ 1,906 para venda, em
baixa de 0,98%. Trata-se da menor cotação desde outubro
de 2000. O Banco Central interveio por duas vezes para brecar a derrocada
das taxas de câmbio.
O tom
O governo americano deu o tom dos negócios logo pela manhã.
A geração de postos de trabalho quase dobrou entre
maio e abril - de 80 mil para 157 mil - muito acima das projeções
de mercado (140 mil postos, pelo consenso dos analistas). A inflação,
por sua vez, teve alta de 0,3% em abril, abaixo da variação
de 0,4% nos dois meses anteriores. A renda dos consumidores caiu
-0,1% - mas ainda sem impactar os gastos, que subiram 0,5%.
Trabalho e renda
‘‘O governo americano divulgou números sobre
postos de trabalho e renda, e o mercado gostou do que viu: inflação
sob controle e mercado de trabalho vigoroso, uma combinação
que faz as Bolsas subirem’’, avalia André Borghesan,
analista da corretora Souza Barros.
Outro indicador
Mais tarde, outro indicador reforçou o tom do pregão
de ontem. O setor manufatureiro dos EUA teve expansão em maio,
atingindo 55 pontos, contra 54,7 em abril, segundo o ISM (sigla em
inglês para Instituto de Gestão de Oferta).
Efeito ambígüo
Os recordes da Bolsa têm o efeito ambígüo de animar
aumentar a apreensão dos investidores. Quanto mais sobe, mas
crescem os temores de que possa corrigir com força - leia-se,
cair bruscamente - em algum momento. No final de abril, analistas
mencionavam maio como o ‘‘mês histórico
das realizações’’. Não foi isso
que aconteceu e a Bovespa valorizou 6,76%.
Análise
O economista-chefe da corretora Ativa, Arthur Carvalho, acha que
as projeções são tão otimistas, que a
economia real não vai crescer o suficiente para entregar os
resultados esperados. E vê uma correlação de
risco para as Bolsas: os Bancos centrais podem querer corrigir os
efeitos do excesso de liquidez.
Liquidez
‘‘O mundo está muito líquido (com muito
dinheiro disponível) e com muita riqueza’’, avalia
o economista, e ‘‘em todas as economias, excesso de demanda
tem uma consequência: aumento de preços’’.
US$ 1 trilhão
Com o novo fechamento recorde de ontem da Bovespa, o valor de mercado
das empresas negociadas rompeu a marca de US$ 1 trilhão pela
primeira vez na história do mercado brasileiro. Conforme a
assessoria de imprensa da Bolsa, o valor exato alcançado ontem
deverá ser divulgado na próxima segunda-feira. A capitalização
de mercado corresponde ao preço de uma ação
multiplicado pela quantidade de ações emitida pela
empresa.
As maiores
As cinco maiores empresas em capitalização de mercado
hoje são: Petrobras, com R$ 222,1 bilhões (US$ 116,5
bilhões); Vale, com R$ 206,6 bilhões (US$ 108,4 bilhões);
Bradesco, com R$ 100,4 bilhões (US$ 52,7 bilhões);
Itaú, com R$ 99,8 bilhões (US$ 52,4 bilhões)
e AmBev, com R$ 85,7 bilhões (US$ 44,9 bilhões).
Juros futuros
O mercado de juros futuros abriu junho com novos ajustes em queda.
O contrato de janeiro de 2008 projetou taxa de 11,29% ante 11,35%
quinta. No contrato de janeiro de 2009, a taxa projetada recuou de
10,61% para 10,50%. Já no contrato de janeiro de 2010, a taxa
projetada caiu de 10,31% para 10,21%.
Petróleo
Os preços do petróleo terminaram em alta ontem, mas
evoluíram pouco no acumulado da semana, num mercado preocupado
com o nível das reservas de gasolina americanas e atento à situação
instável da Nigéria. No New York Mercantile Exchange
(Nymex), o barril de ‘‘light sweet’’ para
entrega em julho ganhou US$ 1,07, fechando a US$ 65,08. A commodity
havia terminado a US$ 65,20 na sexta-feira passada. Com
agências.
|
Folha de Londrina, 3 de junho de 2007
Sem Previdência, pobreza no
Brasil chegaria a 42,5%
Porcentual de brasileiros que vivem
com menos de meio salário mínimo é de
30,9% atualmente
Brasília - O secretário de Previdência Social
do Ministério da Previdência, Helmut Schwarzer, criticou
ontem as recomendações do Banco Mundial (Bird) para
que países como o Brasil enxuguem seus sistemas de proteção
social, restringindo-os à população extremamente
pobre. De acordo com estudo divulgado por Schwarzer, a quantidade
de pobres no País seria de mais 21 milhões de pessoas
caso não existissem os atuais benefícios previdenciários
e assistenciais. ''A pobreza seria muito grande no Brasil, principalmente
entre os idosos, se não tivéssemos a Previdência'',
disse Schwarzer.
De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar
(PNAD), do IBGE, o porcentual de pessoas que vivem com menos de meio
salário mínimo no Brasil chega a 30,9%. Sem as aposentadorias
e demais benefícios garantidos pelo Estado brasileiro, esse
porcentual poderia subir para 42,5%. Para se ter uma idéia
da extensão da rede de proteção social no Brasil,
82% dos idosos (aqueles com mais de 60 anos de idade) são
por ela beneficiados nos dias atuais.
Na América Latina, só o Uruguai tem um índice
tão alto como o brasileiro. Além disso, entre os trabalhadores
brasileiros com idade entre 16 e 59 anos, 63,5% também estão
segurados atualmente pela Previdência, mas apenas 51,1% contribuem
regularmente sobre o salário, enquanto outros 10,8% são
os chamados segurados especiais, do regime de agricultura familiar.
O sistema previdenciário brasileiro é baseado no que
os técnicos chamam de ''solidariedade entre gerações'',
e o valor da aposentadoria não guarda relação
exata com o valor das contribuições: algumas pessoas
ganham mais do que contribuíram, e outras menos. Além
disso, a Lei Orgânica da Assistência Social garante um
salário mínimo para idosos cuja renda familiar seja
inferior a meio salário mínimo per capita, mesmo que
nunca tenham contribuído para a Previdência.
Pela proposta do Banco Mundial (Bird), a Previdência deveria
ser reformada de modo a subsidiar o benefício apenas dos muito
pobres. Todos os demais trabalhadores passariam a ganhar na aposentadoria
o valor corresponde à poupança capitalizada que realizaram
durante a vida laboral. ''Achamos que a transição para
um sistema de capitalização é completamente
inviável no Brasil e pioraria os indicadores sociais do País'',
afirmou Schwarzer.
Segundo ele, os países latino-americanos que seguiram ''reformas
privatizadoras'' como as sugeridas pelo Bird, como o Chile e Argentina,
enfrentam problemas sociais e ''estão reconstruindo os pilares
públicos de seus sistemas''. A Argentina, por exemplo, apresentaria
uma taxa de proteção previdenciária dos idosos
de apenas 60%, que tenderia a cair a 40% nos próximos 20 anos,
argumentou o secretário.
Schwarzer disse que a reforma previdenciária que se pretende
para o Brasil deve buscar a sustentabilidade do sistema no longo
prazo, mas sem retirar direitos. Ele destacou a melhoria dos indicadores
de formalização registrados nos últimos três
anos, assim como a elevação do índice de cobertura
previdenciária da população ocupada, que passou
de 61,7% em 2002 para 63,5% em 2005. Sérgio
Gobetti - Agência Estado.
|
O Estado do Paraná, 3 de junho de
2007
Economia
Empresas não recolhem
o FGTS
Foto: Fábio Alexandre
Geraldo Serathiuk: patrimônio do público.
Em 2007, até o mês de abril, a principal queixa que
o plantão fiscal da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT/PR)
recebeu foi relativo à falta de recolhimento do Fundo de Garantia
por Tempo de Serviço (FGTS). Do total de 1.691 reclamações,
mais de 21%, dizem respeito ao atraso de recolhimento do Fundo. Neste
ano, a DRT já fiscalizou 3.419 empresas que apresentavam problemas
com o FGTS e recolheu mais de R$ 8,3 milhões do recurso em
todo o Paraná. Ao todo, as fiscalizações alcançaram
cerca de 250 mil trabalhadores.
Desde o mês de abril, a DRT instaurou o Grupo Operacional
do FGTS/CS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Contribuição
Social), composto por quatro auditores fiscais do Trabalho. De acordo
com o coordenador do grupo, Sérgio Rech, o objetivo é reduzir
e combater a sonegação e a inadimplência do FGTS,
focando o trabalho em grandes empresas ou instituições
que apresentam altos débitos. “As empresas que sonegam
o FGTS acabam lesando os trabalhadores, pois o FGTS é uma
poupança que o funcionário poderá receber caso
seja mandado embora ou se aposente”, finaliza.
Segundo o delegado do Trabalho, Geraldo Serathiuk, o FGTS é um
patrimônio do povo brasileiro, pois é através
dele que os trabalhadores se beneficiam com políticas habitacionais,
saneamento e crédito, que ajudam a melhorar as condições
de vida da população e geram emprego. Em virtude disso, é importante
que o trabalhador verifique, no extrato bancário da Caixa
Econômica Federal, se o Fundo está sendo recolhido. “Esta é a
melhor maneira de o trabalhador controlar o pagamento e não
ser lesado, tendo em vista que existem empresas que só recolhem
o fundo sob ação fiscal da DRT”, afirma. Quando
isso acontece é lavrado um auto de infração,
que poderá resultar em uma multa, que varia de R$ 72,36 a
R$ 106,41 por empregado em situação irregular, além
da notificação para depósito do fundo de garantia
(NFGC) que deverá ser paga à Caixa (recolhimento do
FGTS mais juros).
O Fundo de Garantia por Tempo de Serviço é amparado
pela lei 8036/90, que prevê que todo empregador deve recolher
o FGTS - que varia de 8% a 8,5% do salário do empregado e
para aprendizes 2% - e depositá-lo na conta vinculada da Caixa
Econômica Federal até o 7.º dia de cada mês.
Caso o empregador não esteja recolhendo, o empregado deve
comparecer ao plantão fiscal da DRT/PR ou das Subdelegacias
Regionais do Trabalho de Ponta Grossa, Londrina, Maringá,
Cascavel e Foz do Iguaçu e apresentar ao auditor fiscal do
Trabalho (AFT) de plantão a carteira de trabalho, dados da
empresa e extrato da Caixa. O AFT fará uma verificação
do caso e, se for comprovado o não recolhimento, haverá uma
fiscalização na empresa para levantamento de débito.
As demais denúncias que chegaram ao plantão fiscal da
DRT diziam respeito ao atraso de pagamento de salário, com cerca
de 20%. E em terceiro lugar, com 19%, sobre a falta de registro em
carteira de trabalho. Do total, aproximadamente 42% das denúncias
já foram fiscalizadas pelos auditores fiscais do Trabalho (AFTs).
Serviço:
A DRT/PR fica na Rua José Loureiro, 574, Centro, CEP 80.010-924,
Curitiba-PR. Para tirar dúvidas sobre o funcionamento do plantão,
o trabalhador pode entrar em contato com o órgão pelo
telefone (41) 3219-7728 / 3219-7727.
|
Folha de São Paulo, 3 de junho de
2007
Construtoras financiaram
mais da metade do Congresso
"Aqui tem o partido das
empreiteiras, muita gente tem o rabo preso", diz
deputado
Vínculo das empresas com parlamentares é o
principal entrave para a criação de CPI que poderia
investigar o lobby do setor em Brasília
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As empreiteiras investiram alto nas últimas eleições,
financiaram campanhas vitoriosas de metade do Congresso Nacional
e escolheram a dedo parlamentares de grandes partidos, com influência
nas bancadas e assento nas comissões por onde fluem recursos
para obras. Agora, o Congresso está no meio de um embate para
decidir se haverá ou não a CPI da Navalha para investigar
a relação de empreiteiras com o poder público
depois que a Polícia Federal investigou um esquema em fraude
de licitações que seria comandado por uma empreiteira,
a Gautama.
Levantamento feito pela Folha no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
aponta que 54,7% do Congresso recebeu alguma quantia de empresas
do setor. Oficialmente, as construtoras injetaram R$ 27 milhões
diretamente nas campanhas. Outro montante foi transferido para o
caixa dos partidos. As empresas bancaram 285 dos 513 deputados (55,5%
da Casa) e 40 dos 81 senadores (49,3%). No caso do Senado, o levantamento
também contabilizou os eleitos em 2002, cujos mandatos estão
em curso.
Segundo deputados que tentam recolher assinaturas para a CPI, esse
vínculo é o principal entrave para investigar o lobby
do setor em Brasília. "Aqui tem o partido das empreiteiras,
muita gente tem o rabo preso", disse o deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ), um dos que encabeçam a mobilização
pela CPI.
Da lista de parlamentares que ganharam recursos do setor, 40% têm
cadeira na Comissão de Transportes da Câmara e 37% na
de Infra-Estrutura do Senado. Os congressistas podem direcionar verbas
federais para obras por meio de emendas ao Orçamento da União.
Ex-governador do Distrito Federal, o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF)
foi o campeão em arrecadação de recursos de
construtoras: R$ 1 milhão, valor doado pela JM Terraplanagem
(R$ 700 mil) e pela Torc Terraplanagem (R$ 300 mil), o que representa
62% da receita total de sua campanha.
Durante a gestão de Roriz, a JM Terraplanagem executou obras
na DF-190, que liga a cidade goiana de Santo Antonio do Descoberto
a Ceilândia, no valor de R$ 7,1 milhões. Roriz atua
na Comissão de Infra-Estrutura do Senado. Ele afirmou, por
meio de sua assessoria, que as doações se devem ao
seu perfil de "tocador de obras" e, por isso, considera
natural receber recursos desse setor.
O senador Eliseu Resende (DEM-MG), ex-ministro da Fazenda, captou
R$ 567 mil. Ele também integra a Comissão de Infra-Estrutura.
Na Câmara, quem mais teve ajuda de empreiteiras foi a deputada
Janete Pietá (PT-SP), com R$ 547 mil. Ela é mulher
do prefeito de Guarulhos, Elói Pietá (PT). Uma das
doadoras foi a Camargo Correa (R$ 200 mil), que, no ano passado,
ganhou concorrência de R$ 31,8 milhões para executar
obras de um complexo viário em Guarulhos. A OAS, que doou
R$ 100 mil para a deputada, também realiza obras na mesma
cidade.
"Todas as doações que recebi tiveram como base
meu programa de trabalho. Ninguém jamais exigiu favores ou
contrapartidas", afirmou a deputada. "Não tenho
nada a ver com os negócios que essas empresas mantêm
na esfera privada ou pública", disse Janete. A lista
dos maiores beneficiados por recursos de empreiteiras na eleição é seleta.
Figuram o atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),
que na época da eleição era líder do
governo na Câmara, e o então presidente da Casa, Aldo
Rebelo (PC do B-SP).
Chinaglia, que recebeu R$ 395 mil do setor, afirmou por meio de
sua assessoria que "as doações foram dentro da
lei e a prestação de contas é pública".
Aldo arrecadou R$ 315 mil. Outros "escolhidos" pelas construtoras
foram o ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP), R$ 325 mil; Jader Barbalho
(PMDB-PA), R$ 322 mil; o primeiro-vice-presidente da Câmara,
Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), R$ 285 mil; e o presidente do
PT, Ricardo Berzoini (PT-SP), R$ 248 mil.
Os parlamentares do PT foram os que mais receberam recursos: R$
4,6 milhões. Na seqüência, os peemedebistas juntaram
R$ R$ 4,5 milhões, enquanto os tucanos arrecadaram R$ 4,3
milhões. As principais doadoras -em repasses diretos- para
congressistas eleitos foram a Camargo Corrêa (R$ 2,4 milhões),
a Construtora OAS (R$ 1,7 milhão) e a Barbosa Mello (R$ 1,1
milhão). Procuradas pela Folha, as empresas Camargo Corrêa,
Odebrecht, Barbosa Mello, Construtora OAS e JM Terraplanagem não
quiseram se manifestar sobre as doações.
|
Folha de São Paulo, 3 de junho de
2007
Empreiteiras fazem "doações
ocultas" para financiar candidatos
Em vez de destinar dinheiro diretamente
aos políticos que apóiam, construtoras preferem
contribuir com os partidos
Esse expediente permite aumentar valor das doações
e impede que construtora tenha seu nome vinculado ao do político
beneficiado
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
As prestações de contas de 2006, entregues pelos partidos
políticos no mês passado ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), mostram que as empreiteiras apreciam o expediente da "doação
oculta", uma artimanha que vem se popularizando entre grandes
doadores. As empreiteiras figuram entre as campeãs de doações
para os partidos. Em 2006, contribuíram com R$ 28,4 milhões
para PT, PSDB, DEM (na época PFL), PMDB e PP. É mais
do que deram para as campanhas de todos os deputados federais e senadores
eleitos no ano passado (R$ 24,3 milhões).
As doações para partidos, em tese, deveriam se destinar
exclusivamente a suas despesas do dia-a-dia, como viagens, congressos
e pagamento de pessoal. No mundo real, o doador, aproveitando uma
brecha da lei, repassa o dinheiro para o partido político,
que, por sua vez, canaliza a seus candidatos. Essa doação
indireta proporciona duas vantagens aos doadores: permite que se
contorne o limite imposto pela lei para contribuições
para campanhas, de 2% do faturamento bruto no ano anterior ao do
pleito, e evita que seja feita uma relação direta entre
doador e candidato.
A Andrade Gutierrez praticamente só contribuiu nessa modalidade,
no ano passado. Foram R$ 12,5 milhões dados a PT, PSDB, DEM
e PP. Em comparação, doou apenas R$ 1.000 pelos meios
tradicionais, que foram destinados à vitoriosa campanha de
Yeda Crusius (PSDB) ao governo gaúcho.
Já a Camargo Correa deu R$ 7,35 milhões para partidos,
quase o mesmo que doou para todos os candidatos (R$ 8,22 milhões).
A OAS deu R$ 1,1 milhão aos partidos, e a Odebrecht entrou
com R$ 950 mil.
O PT é o partido que mais obteve recursos de empreiteiras:
R$ 12,47 milhões, ou 29,49% de tudo o que recebeu de empresas
privadas. Proporcionalmente, fica atrás das outras legendas.
O PSDB teve 59,60% das doações de empresas bancadas
por empreiteiras, o DEM, 75,98% e o PP, 76,92%. Já o PMDB
teve um ano fraco de doações por não ter lançado
candidato a presidente. A única que recebeu, de R$ 500 mil,
veio de uma empreiteira, a EIT Empresa Industrial Técnica.
Responsáveis por grandes obras em todos os Estados, as empreiteiras
são ecléticas em suas doações, pois os
parlamentares são os responsáveis por colocarem emendas
no Orçamento para viabilizar obras. A construção
civil não é o único setor a adotar a manobra
da doação para partidos. Também usam o expediente
os setores financeiro, siderúrgico e de mineração.
Os bancos deram R$ 8,8 milhões ao PT, R$ 1,39 milhão
para o PSDB, R$ 720 mil para o DEM e R$ 180 mil para o PP. Já as
siderúrgicas repassaram R$ 4,3 milhões ao PT e R$ 1,5
milhão ao PSDB.
|
Folha de São Paulo, 3 de junho de
2007
Pela primeira vez, Brasil
tem voz ativa no G8
A partir de quarta-feira, na
Alemanha, país falará sobre a produção
de álcool, tema em que é mundialmente reconhecido
Assunto principal da cúpula será a
busca por fontes de energia que sejam menos prejudiciais ao ambiente
e venham de países seguros
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A PARIS
Pela primeira vez nos 31 anos de história do G7 (transformado
em G8 a partir de 1998), o Brasil não é um ausente
ou mero convidado de pedra, que nada tem a dizer sobre o tema principal.
A partir do dia 6, em Heiligendamm, pequeno balneário alemão
no Báltico, sede do G8 de 2007, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva poderá falar -e ser ouvido com interesse- sobre
biocombustíveis, na medida em que o assunto principal da cúpula
passou a ser a busca por fontes de energia que sejam menos prejudiciais
ao ambiente e, ao mesmo tempo, provenham de fornecedores seguros.
O Brasil não faz parte do G8, composto por Estados Unidos,
Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália,
Canadá e Rússia. Mas Lula foi convidado a participar
na forma que a imaginativa retórica diplomática batizou
de G8+5 (os cinco são, além do Brasil, a China, o México,
a Índia e a África do Sul).
Qual a diferença entre as 31 cúpulas anteriores e
a de Heiligendamm? Simples: antes, os temas passavam a anos-luz da
possibilidade de interferência do Brasil. Tratava-se, acima
de tudo, de discutir como ajeitar a economia mundial de acordo com
os humores e interesses dos sete grandes. A incorporação
da Rússia não mudou quase nada o espírito do
grupo, tanto que os russos, nos primeiros anos após a sua
entrada, ficaram confinados ao dia final, quando já estava
encerrado o debate de temas econômicos.
Mesmo neste ano, o projeto inicial da Alemanha, presidente de turno
do G8, previa debater a transparência dos mercados financeiros
mundiais, a redução dos desequilíbrios macroeconômicos,
a liberdade de investimento e as conseqüências sociais
da globalização. O que mudou tudo foi o relatório
do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática,
que prevê uma catástrofe global se não forem
adotadas medidas urgentes para combater o chamado efeito estufa,
os gases que causam o aquecimento global.
A mudança de agenda foi honestamente admitida por Bernd Pfaffenbach,
o "sherpa" alemão, em entrevista recente ao jornal
britânico "Financial Times" ("sherpa" é a
palavra que se usa em cúpulas globais para designar os funcionários
que fazem o trabalho preparatório, como os guias que conduzem
os alpinistas no Himalaia).
"Os líderes não podem falar durante um dia e
meio apenas sobre como alcançar um crescimento econômico
mais equilibrado. Energia e mudança climática são
tão importantes quanto a economia", afirmou. O Brasil
não tem peso para reequilibrar a economia mundial, como é óbvio.
Mas, em matéria de combate ao aquecimento global, pode, sim,
falar daquilo em que é especialista mundialmente reconhecido:
a produção de álcool, combustível limpo
e que não procede, ao menos por enquanto, de países
sujeitos a tormentas políticas, como a Venezuela e os países árabes,
grandes fornecedores de petróleo. Ou mesmo a Rússia,
cujo gás tem sido usado para o que a União Européia
considera uma chantagem.
Desta vez, ao contrário do que vinha sendo a norma até recentemente,
o Brasil não é o vilão em matéria ambiental.
Claro que ainda há críticas ao desmatamento da Amazônia,
claro que há vários especialistas que começam
a questionar o álcool como combustível quase milagroso
e limpo. Mas as críticas e suspeitas sobre o álcool,
ao menos o brasileiro, vindo da cana-de-açúcar, dizem
respeito a um suposto futuro em que a cultura para produzir o combustível
deslocaria a plantação de alimentos e aumentaria o
desmatamento. São mais palpáveis os benefícios
imediatos, ante a urgência colocada ao planeta pelo relatório
sobre mudança climática.
Tanto que o presidente norte-americano George Walker Bush já assinou
com o Brasil um memorando de entendimento em torno do álcool,
e a União Européia convidou Lula para falar sobre biocombustíveis
em conferência especial no dia 6 de julho, em Bruxelas. Por
isso, o chanceler Celso Amorim anuncia "uma posição
muito combativa, não defensiva" durante o G8, no qual
Lula intervirá apenas no último dia.
Até sobre a Amazônia o Brasil agora sai da defesa para,
segundo Amorim, vender a tese de que "a Amazônia será uma
grande vítima da mudança climática, correndo
o risco de virar uma savana em 70 anos". Tudo somado, o presidente
Lula estará à vontade para dizer que os biocombustíveis
são uma importante contribuição para mudar o
padrão de consumo energético, reduzindo os elementos
mais poluidores.
|