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Agência Diap, 4 de junho
de 2007
PLENÁRIO DO SENADO
Senado agenda votação de
projeto que reduz alíquota de contribuinte individual para 11%
O Senado Federal poderá votar nesta semana o PLS 261/05, de autoria
do senador Aloizio Mercadante (PT/SP), que pretende permitir tanto ao segurado
contribuinte individual, que trabalhe por conta própria sem vínculo
empregatício, quanto ao segurado facultativo, o limite de 11% de contribuição,
desde que não tenha direito à aposentadoria por tempo de contribuição.
Segundo o senador, a intenção
do projeto é incluir cerca de 18 milhões que atualmente
não contribuem para a Previdência Social e, portanto, estão
desprotegidos do acesso à aposentadoria.
O projeto também cria
regras mais rígidas para o fornecimento de benefícios relativos
a doenças e auxílio acidente. Será criado, por exemplo,
um teto para a renda mensal do auxílio doença que não
poderá ultrapassar a media aritmética simples das 12 últimas
contribuições do segurado.
Vetos
Também consta da pauta
de votações a PEC 57/05, que dá nova redação
ao § 4º do art. 66 da Constituição, para permitir
que os vetos sejam apreciados separadamente no Senado e na Câmara
dos Deputados.
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ÂMBITO JURÍDICO,
04 de junho de 2007
É possível rescisão
indireta durante afastamento para tratamento de saúde
A 8ª Turma do TRT-MG, acompanhando voto da redatora, juíza convocada
Maria Cecília Alves Pinto, deu provimento a recurso da reclamante, que
pleiteia a rescisão indireta do seu contrato de trabalho em decorrência
de descumprimento de obrigações contratuais, afastando a alegação
da reclamada de que este pedido seria juridicamente impossível já que
a autora está afastada do trabalho para tratamento de saúde.
Segundo esclarece a juíza,
a análise da possibilidade jurídica do pedido consiste
em verificar abstratamente se a pretensão é cabível
diante do conjunto de leis vigentes (por exemplo, se não é algo
manifestamente ilegal ou naturalmente impossível), antes mesmo
da análise do caso específico (ou seja, se a parte tem
ou não aquele direito pleiteado).
No caso, a reclamante está afastada
para tratamento médico, com fortes dores na coluna, para evitar
o agravamento de seu estado de saúde. Mas como ela não
está recebendo auxílio-doença, o contrato de trabalho
encontra-se interrompido. Para a juíza, esse afastamento não
impossibilita o pedido de rescisão indireta do contrato, sendo
vedada apenas a sua dispensa.
Assim, a Turma afastou a preliminar
de extinção do processo sem resolução do
mérito e determinou o seu retorno à Vara do Trabalho de
origem, para que seja regularmente julgada reclamação,
considerando a possibilidade jurídica de a reclamante pleitear
a rescisão indireta de seu contrato de trabalho, e analisados
os demais pedidos trazidos na inicial.
( RO nº 00004-2007-111-03-00-8
)
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ÂMBITO JURÍDICO,
04 de junho de 2007
CSJT estuda padronização
da estrutura da Justiça do Trabalho
O Conselho Superior da Justiça do Trabalho decidiu, em sua última
sessão ordinária, criar comissão que terá como
incumbência fazer levantamento da estrutura de todos os órgãos
de primeiro e segundo graus da Justiça do Trabalho – instalações,
equipamentos, material e recursos humanos – para, no prazo de 120 dias,
apresentar ao Conselho sugestão de uniformização de todas
as suas instalações do País. “A idéia é que
uma Vara do Trabalho no Acre possa ter a mesma estrutura de uma Vara do Trabalho
no Rio Grande do Sul, no Mato Grosso ou em qualquer outro local, tendo como
base a movimentação processual”, explica o ministro Rider
Nogueira de Brito, presidente do Tribunal Superior do Trabalho e do CSJT, de
quem partiu a iniciativa de propor a padronização.
O ministro Rider de Brito lembrou
que, quando foi corregedor-geral da Justiça do Trabalho, constatou
a existência de grandes disparidades entre os diversos órgãos
que compõem o Judiciário Trabalhista – ao todo, 24
Tribunais Regionais e 1.363 Varas do Trabalho, além do TST. “Há Varas
com 22 servidores e um mínimo de movimento, enquanto outras têm
quatro ou cinco servidores e uma enorme carga de processos”, assinalou. “Da
mesma forma, há TRTs muito bem instalados, em complexos e prédios
modernos, e outros extremamente mal equipados e mal instalados, como
o do Espírito Santo.”
O levantamento permitirá que
o CSJT defina como deve ser um órgão de primeiro grau,
qual a estrutura padrão para uma sala de audiência em Varas
do Trabalho, do que necessita o gabinete de um juiz de TRT, que instalações
são adequadas a uma secretaria, entre outros critérios. “A
partir disso, fica mais fácil trabalhar, e as administrações
posteriores dos TRTs terão parâmetros razoáveis estabelecidos
para suas ações”, acredita o presidente do TST.
Outra iniciativa aprovada pelo
CSJT foi a criação de uma Assessoria de Relações
Institucionais, que centralizará as atividades relativas ao acompanhamento
e tramitação de projetos de leis e processos de interesse
da Justiça do Trabalho nos órgãos e poderes federais.
Atualmente, o TST e vários TRTs dispõem de assessores parlamentares
que executam esse trabalho, muitas vezes de forma sobreposta, mantendo
ou enviando com freqüência servidores a Brasília para
acompanhamento de matérias.
A Assessoria de Relações
Institucionais terá uma equipe fixa, numa composição
representativa semelhante à do próprio CSJT, encarregada
de tratar de todos os assuntos pertinentes à Justiça do
Trabalho no Congresso Nacional, nos ministérios, no Conselho Nacional
da Justiça e em outros órgãos. Ao aprovar a criação
da Assessoria, pela Resolução nº 36/2007, o CSJT determinou
aos TRTs que procedam à extinção, no prazo de 30
dias, das assessorias regionais criadas com essa finalidade.
(Carmem Feijó)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 04 de junho de 2007 | Economia
Greve na CSN tem 50% de adesão,
afirma sindicato
Empresa teria telefonado para grevistas
para convencê-los a voltar ao trabalho
Alberto Komatsu
RIO - A greve dos trabalhadores da
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), deflagrada na madrugada
de sábado, está com cerca de 50% de adesão,
informou nesta segunda-feira, 4, o presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de Volta Redonda e Região, Renato Soares
Ramos. Segundo ele, a empresa teria telefonado para os grevistas
no final de semana para convencê-los a voltar a trabalhar.
Mais cedo, conforme Ramos, várias portões da usina
da Volta Redonda (RJ) teriam sido abertos como opção
de entrada para os funcionários.
O sindicalista também
alega que um assessor do sindicato, que tentava convencer os trabalhadores
a aderir à manifestação, teria sido agredido por
seguranças da empresa e estaria internado no hospital municipal
da cidade.
Inicialmente, os trabalhadores
queriam reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços
ao Consumidor (INPC, de 3,44%), mais 6% de aumento real e 33% de reposição
por perdas salariais. A última proposta da CSN foi conceder o
INPC, mais 1,5% de elevação real e abono de R$ 2 mil.
Produção
Apesar da paralisação, a CSN informou nesta segunda que a produção
diária de 15 mil toneladas de aço da usina de Volta Redonda não
foi afetada. A empresa também informou que 80% dos funcionários
estão trabalhando normalmente, contrariando a informação
do sindicato.
Por meio de sua assessoria de
imprensa, a CSN negou, ainda, a informação de que um membro
do sindicato teria sido agredido por seguranças da empresa. De
acordo com a companhia, o membro do sindicato estaria fazendo piquete
em frente à usina, nesta manhã, e teria agredido um funcionário.
A ocorrência, segundo
a CSN, foi registrada na delegacia da Polícia Militar de Volta
Redonda e o sindicalista teria sido preso. Na delegacia, informa a
empresa, tal sindicalista não teria se sentido bem e foi encaminhado
ao hospital municipal.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 04 de junho de 2007 | Nacional
Doações a políticos
não inibiriam CPI, diz Chinaglia
Deputado lembra que contribuições
estavam de acordo com a legislação eleitoral
Gustavo Porto e Eduardo Magossi
SÃO PAULO - O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), negou
nesta segunda-feira, 4, que uma possível investigação
sobre obras públicas possa ser inibida pelo fato de metade dos integrantes
da comissão do orçamento ter recebido doações de
empreiteiras em suas campanhas.
O Estado publicou no domingo
que construtoras contribuíram financeiramente para as campanhas
de 66,6% dos 42 membros titulares da Comissão Mista de Orçamento
do Congresso.
A Comissão de Orçamento
recebe a proposta orçamentária do Executivo, preparando-a
para votação, e tem sido apontada como terreno para lobistas
interessados em obter recursos para obras.
"Não posso admitir
que nós criminalizemos a democracia com suposições
contra a representação popular e democrática",
afirmou, ao lembrar que as doações foram feitas de acordo
com a legislação eleitoral em vigor.
O presidente da Câmara
ratificou sua posição a favor do financiamento público
de campanha.
Chinaglia ressaltou que a investigação
feita pela Polícia Federal na Operação Navalha é um
trabalho que não pode ser substituído por qualquer instituição.
"A CPI é um instrumento
tão poderoso que acho que devemos preservá-lo para momentos
importantes", disse Chinaglia, que participou do congresso Ethanol
Summit, em São Paulo.
Sobre a CPI do Apagão
Aéreo, ele disse que as duas investigações existentes
no Congresso já são suficientes e que espera ao final "os
resultados de uma boa CPI".
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 04 de junho de 2007 | Economia
Custo da construção
civil em SP sobe 1,21% em maio
Índice, calculado pelo SindusCon-SP, é utilizado
nos reajustes de contratos
Milton F. da Rocha Filho
SÃO PAULO - O custo da construção civil no Estado de São
Paulo subiu em maio. A variação, medida pelo Custo Unitário
Básico (CUB), registrou alta de 1,21% no mês passado, na comparação
com abril. O CUB é calculado pelo SindusCon-SP, e reflete a variação
mensal dos custos do setor para utilização nos reajustes dos
contratos da construção civil.
No mês de maio, os custos
com mão-de-obra tiveram aumento de 2,08%, refletindo aumento salarial
dos trabalhadores, garantido na Convenção Coletiva 2007
assinada pelo SindusCon-SP e pelo Sintracon-SP (representante dos trabalhadores
do setor na Capital). As despesas administrativas (representadas pelo
salário do engenheiro) também cresceram significativamente,
registrando alta de 5,38%.
Já os custos das construtoras
com insumos apresentaram ligeira elevação, de 0,03%. A
média ponderada entre essas variações resultou no
CUB Representativo da construção civil paulista de 1,21%,
o que significa um custo de R$ 709,49 por metro quadrado em maio.
Dos 55 insumos da construção
cujos preços são pesquisados mensalmente pelo SindusCon-SP,
31 apresentaram em maio variação superior à do Índice
Geral de Preços de Mercado (IGP-M) - utilizado para a correção
de contratos de aluguel - que foi de 0,04% no mês passado.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 04 de junho de 2007 | Economia
Acordo regulamenta trabalho aos domingos
As novas regras devem entrar em vigor no
primeiro semestre de 2007
Agência Brasil
BRASÍLIA - Depois de três anos de discussão, está definida
a regulamentação do trabalho aos domingos no comércio.
Em Brasília, representantes dos comerciários, empregadores e
do governo conseguiram fechar um acordo em que o trabalhador do comércio
terá direito a um domingo de folga depois de trabalhar dois.
Ficou decidido também
que a abertura do comércio nos feriados e outros detalhes como
jornada de trabalho, horas-extras, vale-refeição, vale-transporte
vão depender de acordos firmados nas convenções
coletivas de trabalho entre sindicatos e comerciantes.
Segundo o secretário de
Relações do Trabalho, do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE), Luiz Antônio Medeiros, as novas regras devem entrar
em vigor ainda neste primeiro semestre. Ele informou que antes o comerciário
só tinha direito ao dia de folga, por escolha do empregador, depois
de trabalhar três domingos seguidos. Depois que as normas entrarem
em vigor, de acordo com o secretário, ele terá direito
a folga no domingo, após trabalhar dois.
“Foi uma discussão
que durou quase três anos, entre comércio, trabalhadores
e governo. Então, o mérito da negociação
que fizemos foi assegurar o comércio aos domingos, mas garantindo
a esse trabalhador que ele terá algumas folgas coincidentes com
o domingo”, relatou Medeiros.
Com a regulamentação,
dos 56 domingos do ano, os comerciários terão garantido
folga em 18. Atualmente, a Lei Federal 10.101, de 19 de dezembro de
2000, estabelece o trabalho de três domingos por um dia de folga à escolha
do empregador. O trabalho no feriado é proibido e a abertura
do comércio aos domingos é definida por lei municipal.
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REVISTA ISTO É, 04
de junho de 2007
EXCLUSIVO
Outro braço do mensalão?
Construtora ARG, de Belo Horizonte, sacou
R$ 102 milhões em dinheiro vivo do banco rural e documento
do ministério público a vincula ao mensalão
HUGO MARQUES E HUGO STUDART

Era uma obra pequena para os padrões nacionais, a construção
do aeroporto de Jaguaruna, sul de Santa Catarina. Um contrato de R$ 20,4 milhões,
de uma construtora pouco conhecida, a ARG, de Belo Horizonte. Um dia uma auditoria
do Tribunal de Contas da União apareceu por lá e verificou um
superfaturamento de R$ 4,3 milhões. Os auditores abriram processo no
TCU em Brasília e mandaram uma cópia da papelada para o Ministério
Público no Estado de Santa Catarina. Os procuradores catarinenses constataram
que a ARG já tinha registro de outras irregularidades em obras federais.
Eles pediram então à Justiça Federal de Santa Catarina
a quebra do sigilo bancário da construtora. Foi uma briga judicial de
dois anos. Em fevereiro deste ano, a 7ª Turma do Tribunal Regional Federal,
no Rio Grande do Sul, mandou quebrar o sigilo da empreiteira e dois meses depois
os extratos chegaram a Porto Alegre. Estão todos lá, sem segredo
de Justiça. E o que mostram? Que entre 2002 e 2005 a construtora ARG
sacou R$ 102 milhões, em dinheiro vivo, do Banco Rural. Mais: na agência
do Rural de Belo Horizonte, com o mesmo gerente que operou para o famoso Marcos
Valério, Lucas da Silva Roque. O MP passou a achar, então, que
pode não ser mera coincidência.
Na semana passada, toda a documentação
das contas da empreiteira chegou às mãos do procurador-geral
da República, Antônio Fernando de Souza. "O dinheiro
público entregue à ARG desaguou, precisamente, no núcleo
operacional e financeiro do mensalão, qual seja, o Banco Rural",
registra o ofício do MP a Antônio Fernando, assinado por
um dos procuradores do caso, Celso Antônio Três. "A
par dos momentosos desvios através de empreiteiras (v.g., Operação
Navalha), claro está aqui outra fonte de financiamento do mensalão",
acrescenta o ofício. O MP de Santa Catarina enviou outras cópias
da documentação para a Polícia Federal e o MP em
Minas a fim de aprofundar as investigações. Os procuradores
pediram à PF para investigar as atividades financeiras dos três
sócios da empreiteira ARG: Adolfo Geo, Adolfo Geo Filho e Rodolfo
Giannetti Geo. Procurado por ISTOÉ, Rodolfo Giannetti Geo admitiu
os saques em dinheiro vivo, mas negou que tenham qualquer irregularidade
ou relação com o mensalão. "Os valores sacados
em conta corrente da ARG são utilizados para pagamento de suas
legítimas operações comerciais", explicou Rodolfo
Geo. Ele não quer, no entanto, comentar como foram utilizados
os R$ 102 milhões sacados no Banco Rural. Além da construtora,
os Geo têm lojas de pneus e criação de peixes.
Na célebre denúncia
do mensalão, aquela que indicia 40 membros de uma suposta "organização
criminosa", o procurador- geral da República, Antônio
Fernando de Souza, cita a ARG, na página 92. Esse trecho da denúncia
faz referência a uma vistoria do Banco Central demonstrando que
o Banco Rural estava envolvido em "uma série de operações
ilegítimas, contabilizadas de forma a mascarar a verdadeira natureza
da operação, encobrindo a lavagem de dinheiro resultante
de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional". Um processo do
Banco Central revela que a ARG Ltda. estaria envolvida em "outras
situações caracterizadoras de práticas fraudulentas".
Como nada mais tinha sobre a construtora quando redigiu a denúncia,
o procurador enviou os documentos para apuração no Ministério
Público de Belo Horizonte. A grande descoberta, contudo, surgiu
agora, extraída do processo de superfaturamento na obra do aeroporto
Jaguaruna, que tramita na Justiça Federal em Porto Alegre. São
documentos relativos a 1.800 saques em dinheiro vivo, com valores que
variam de R$ 10 mil a R$ 1 milhão, num inquérito que já soma
35 mil páginas.
A ARG é velha conhecida
das autoridades federais. O grande nicho de mercado da construtora mineira
são obras concedidas pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura
de Transportes, o DNIT. A construtora tem hoje 11 grandes obras em andamento
no país, das quais sete são contratos diretos com o DNIT.
São obras de duplicação, restauração
e pavimentação de rodovias. Segundo pesquisa do site Contas
Abertas, a ARG Ltda. recebeu R$ 246 milhões do governo de 2002
a 2005. No TCU há cinco decisões dos ministros acusando
as obras da ARG de licitação direcionada e superfaturamento.
Num dos processos, o TCU calcula que uma obra tocada pela empreiteira,
um trecho da BR-342 entre Minas e Espírito Santo, foi superfaturada
em 83,84%. Em outro processo, o do contorno ferroviário de Jaraguá do
Sul (SC), o TCU calcula que o valor do prejuízo ao erário
foi de R$ 33 milhões. O diretor nacional do órgão,
Mauro Barbosa, disse, por intermédio de sua assessoria, que "nenhum
tribunal considera a empresa ARG inidônea juridicamente".
A Construtora Gautama também era juridicamente idônea -
até estourar a Operação Navalha.
"Os valores sacados são
utilizados para pagamento de legítimas operações
comerciais", diz o sócio Rodolfo Geo
O TCU calcula que um trecho da
BR-342 tocado pela ARG foi superfaturado em 83,84%.
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Folha
de São Paulo, 4 de junho de 2007
De volta, Alckmin diz que será soldado
contra governo Lula
Tucano, derrotado pelo petista em 2006, retornou
ontem de temporada nos EUA e foi recebido aos gritos de "prefeito'
| Ex-governador de São Paulo alega que é cedo para falar
em eleição e prega firmeza da oposição na
relação com o presidente Lula e com o PT
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Candidato derrotado por Luiz
Inácio Lula da Silva na eleição do ano passado,
o tucano Geraldo Alckmin afirmou ontem, no seu retorno ao Brasil após
temporada de cinco meses nos EUA, que percorrerá o país
para fortalecer a oposição ao presidente petista e para
reorganizar as bases do PSDB. "É fundamental para o Brasil
ter uma boa oposição firme, que cobre, que fiscalize.
Tenho conversado com o presidente do PSDB, o Tasso [Jereissati], e
disse a ele que vou me incorporar como soldado a esse trabalho",
disse, assim que desembarcou, por volta das 8h, no aeroporto de Guarulhos.
Ele foi recebido aos gritos
de "meu prefeito" por cerca de 80 correligionários
tucanos, que seguravam faixas com dizeres como "bem-vindo, a luta
continua" e agitavam bandeiras da campanha eleitoral de 2006.
O tucano estudou, de janeiro até o mês passado, políticas
públicas na Universidade de Harvard, em Boston.
Apesar do entusiasmo do grupo,
o ex-governador de São Paulo [2001-2006] manteve o discurso
de que ainda é cedo para decidir se será ou não
candidato a prefeito ano que vem. "Tudo tem seu tempo. Eleição é em
ano par", afirmou.
Pelo menos oito deputados federais,
oito estaduais, o presidente da Assembléia paulista, Vaz de
Lima, os presidentes dos diretórios municipal e estadual e ex-secretários
de sua gestão engrossavam as fileiras de "alckmistas" no
aeroporto. Nenhum secretário do governador de São Paulo,
José Serra, ou do prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM),
que tem três tucanos no primeiro escalão, compareceu ao
aeroporto.
Disputa interna
ntes de decidir se concorrerá na
sucessão do aliado Kassab, Alckmin terá de enfrentar
a disputa interna do PSDB, que até o final deste ano escolherá o
substituto do senador Tasso Jereissati (CE) e até agora está desarticulado
na oposição a Lula. No segundo turno da eleição
para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro,
o partido rachou e boa parte de seus parlamentares votou no petista
Arlindo Chinaglia.
Aliados do ex-governador, querem
que ele ocupe o principal cargo do partido. "Não preciso
estar na presidência para fazer oposição",
disse Alckmin. Ele, no entanto, utilizará a série de
viagens pelo país para consultar as bases antes de tomar uma
decisão, já que Serra e Aécio Neves (governador
de Minas Gerais), de olho em 2010, têm restrições
ao projeto.
Em privado, os aliados de Alckmin
reconhecem que o nome mais cotado hoje para assumir a liderança
do partido é o do senador Sérgio Guerra (PE), mas avaliam
que, caso o ex-governador se coloque como candidato, a vaga será dele.
Questionado sobre se Serra e Aécio não estão fazendo
oposição a Lula, Alckmin minimizou: "A tarefa de
governador é governador, [oposição] cabe ao partido",
disse.
País parado
O ex-governador retomou o tom
da fase final de sua campanha ao criticar o presidente ontem. "Fiquei
praticamente meio ano fora do Brasil e vejo que as coisas não
mudaram: mais um escândalo de corrupção e o Lula
viajando", disse.
Alckmin teve 37 milhões
de votos em 2006, contra 58 milhões de Lula. "O primeiro
ano de um governo é o ano das reformas. Se o presidente não
fizer nada neste ano, não vai fazer mais", afirmou. Alckmin
desembarcou sozinho. Os filhos Geraldinho e Thomaz o esperavam. Segundo
o ex-governador, que é formado em Medicina, ele lecionará em
universidades paulistas.
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JORNAL CIDADE BIZ / BRASILIA,
04 de junho de 2007
Indústria junta-se à construção
civil como destaque na geração de emprego formal
Para maio, a projeção
da LCA é de geração líquida de 241,8
mil vagas com carteira assinada
LCA Consultores
Segundo o Caged (Cadastro Geral
de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e Emprego),
entre março e abril houve geração líquida
(admissões menos desligamentos) de 302 mil empregos formais. Este
fluxo foi bem superior ao observado em período homólogo
de 2006 (229,8 mil), e ficou acima do projetado pela LCA (242,3 mil).
Todos os setores apresentaram crescimento dos postos com carteira assinada
no período, mas foram particularmente expressivos os resultados
registrados pela Construção Civil e pela Indústria.
Feito o ajuste sazonal, segundo metodologia desenvolvida pela LCA, o
resultado de abril representou acréscimo, sobre março,
de 0,6% no estoque de mão-de-obra formal.
Segundo a PME (Pesquisa Mensal
de Emprego) do IBGE, que contempla todas as categorias de ocupação
(formais e informais) e é realizada nas seis principais regiões
metropolitanas do país, o rendimento médio real cresceu
0,26% entre março e abril (dado sem ajuste sazonal); o incremento
interanual foi de 5%.
Já a taxa de desocupação
ponderada do conjunto das metrópoles contempladas na pesquisa
manteve-se em 10,1% em abril (sem ajuste sazonal). Vale notar que nos últimos
três anos a taxa de desocupação apurada pela PME/IBGE
ficou estável de março para abril, bem como que, comparativamente à taxa
observada no mês homólogo de 2006 (10,4%), o resultado de
março de 2007 representou uma redução. Com isso,
a taxa média de desocupação do 1º quadrimestre
de 2007 foi levemente inferior à verificada em igual período
de 2006.
A Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED-Metropolitana/Seade-Dieese), que traz informações
agregadas para o conjunto das áreas pesquisadas segundo a mesma
metodologia – regiões metropolitanas de Recife, Salvador,
Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre, bem como o Distrito
Federal –, apresentou em abril taxa de desocupação
de 16,9%, ante 16,6% em março. Feito o ajuste sazonal pela LCA,
a taxa de desemprego permaneceu estável, em 16,2%.
Vale notar que com ajuste sazonal
essa taxa vem se mantendo próxima de 16% desde outubro de 2006.
Ambas as pesquisas domiciliares (IBGE e Seade-Dieese) mostraram certa
estabilidade na evolução de pessoal ocupado em abril. Por
setores de atividade, elas apuraram resultados moderadamente positivos
para a Indústria e para a Construção Civil e taxas
mais modestas para o Comércio (na PED, com queda na margem). Esses
resultados – que abrangem o trabalho formal e o informal – parecem
contrastar com a significativa expansão do mercado formal registrada
pelo Caged/MTE. Segundo análise da LCA, por mais de dois anos
a evolução do pessoal ocupado com carteira assinada na
PME/IBGE tem ficado acima do total do pessoal ocupado.
Além disso, as taxas interanuais
de evolução do emprego sem carteira têm se situado
abaixo da evolução do emprego com carteira assinada desde
fevereiro de 2005. Isso sugere que, concomitantemente à geração
de novos postos formais, estaria ocorrendo maior formalização
de postos antes informais.
De acordo com as informações
divulgadas pelo Caged/MTE, a Construção Civil gerou 30,9
mil postos formais em abril. Esse resultado é muito superior à média
observada nos últimos três anos (em torno de 10 mil). Em
termos regionais, os destaques em abril (e no acumulado do 1º quadrimestre)
foram a região Sudeste e o conjunto das áreas metropolitanas.
O Comércio também
apresentou fluxo bastante significativo em abril, com geração
líquida de 36,9 mil postos formais, resultado superior ao projetado
pela LCA (27,2 mil) e ao observado em março de 2006 (26,7 mil
postos). Assim como em março, a região Sul deu a maior
contribuição relativa para o resultado de abril. No acumulado
do 1º quadrimestre os destaques foram as regiões Sul e Sudeste.
No setor de Serviços (que
abrange a Administração Pública), foi uma surpresa
positiva o resultado apurado pelo Caged em abril (86,2 mil) – nossa
expectativa era de 68,6 mil novos postos. Esse resultado se deveu sobretudo
ao desempenho bem superior ao esperado de Comércio e Administração
de imóveis e atividades auxiliares (segmento que contempla, além
das atividades ligadas ao setor imobiliário, muitas atividades
administrativas que têm importante peso na composição
do subsetor). No setor de serviços como um todo, os principais
destaques regionais em abril foram as regiões Sul e Sudeste; já no
acumulado do 1º quadrimestre destacaram-se as Metrópoles.
Na Agropecuária, o saldo
positivo registrado em abril (41,3 mil) foi praticamente igual ao esperado
pela LCA (41,6 mil postos); contribuindo para um resultado acumulado
no 1º quadrimestre bastante expressivo. As áreas destacadas
pela LCA como sendo de forte vocação agrícola (estados
de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, juntamente com o interior
do Paraná e do Rio Grande do Sul) mostraram geração
líquida de 6,5 mil postos de emprego formal em abril, também
apurando resultado bastante significativo no 1º quadrimestre.
A Indústria de Transformação
aumentou seu estoque de mão-de-obra formal em 103,8 mil postos
em abril – resultado superior ao esperado pela LCA (86,2 mil) e
ao de março de 2006 (78,5 mil). O resultado acumulado no 1º quadrimestre
superou até mesmo aquele registrado no período homólogo
de 2004. A diferença entre a projeção da consultoria
e os dados observados para o setor deveu-se principalmente ao desempenho
acima do esperado nas Indústrias Mecânica; Têxtil
e Vestuário; Calçadista e de Material de Transporte.
Na Indústria têxtil,
do vestuário e artefatos de tecidos o resultado acumulado no 1º quadrimestre
(24,5 mil novos postos) – muito acima do observado no mesmo período
de 2006 (14,5 mil) – deveu-se, em boa medida, ao desempenho da
Região Sul (12 mil novos postos, número bem superior à média,
de 7,8 mil, da região entre 2004 e 2006).
A Indústria de Material
de Transporte tem ampliado suas contratações formais, sobretudo
na região Sudeste, na esteira dos expressivos resultados da produção
de veículos automotores (estimulada pelo forte crescimento das
vendas no mercado interno). A LCA fez uma investigação
do fluxo de mão-de-obra formal (Caged/MTE) neste subsetor por
classes da CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas).
Segundo a metodologia do Caged/MTE, o subsetor Indústria de Material
de Transporte possui 21 classes CNAE, as quais a LCA agrupou em 7 categorias,
em função das características do bem produzido.
No 1º quadrimestre de 2007,
as classes referentes à fabricação de peças
e acessórios e recondicionamento apresentaram ritmo de contratação
formal muito inferior ao das classes produtoras de Automóveis,
Camionetas, Utilitários, Caminhões e Ônibus, na comparação
com período homólogo de 2006, assim como contra a média
dos últimos 3 anos.
Dentre os ramos mais ligados
ao desempenho do mercado doméstico, confirmou-se nossa expectativa
de evolução significativa do subsetor Indústria
de Alimentos, Bebidas e Álcool Etílico, advinda da indústria
exclusivamente de alimentos, o que, na nossa avaliação,
tem forte ligação com a sustentação da evolução
positiva da massa real de rendimentos. Juntem-se a isto os movimentos
apresentados pelas indústrias de açúcar e álcool,
que têm contrastado com seu padrão sazonal, e o resultado é um
saldo recorde para o subsetor nos primeiros quatro meses de 2007.
Para o mês de maio, a projeção
da LCA é de geração líquida de 241,9 mil
postos formais (Caged/MTE). Para o ano de 2007, fizemos revisões
sobretudo nas projeções para os setores de Construção
Civil e Comércio à luz dos resultados mais recentes. Nos
demais setores, a revisão foi marginal. Com isso, nossa projeção
para a geração líquida de postos de trabalho formal
na economia como um todo em 2007 passou de 1,335 milhão para 1,451
milhão (contra 1,229 milhão em 2006).
Nossa projeção
para a evolução da ocupação (formal e informal)
em 2007 passou de 3,06% para 3,10%. A recente revisão promovida
na curva de câmbio da LCA teve como efeito a redução
das projeções de inflação que, por sua
vez, alteraram nossas expectativas para rendimento e massa real em
2007. Além disso, revisamos para cima a evolução
dos rendimentos nominais, sobretudo no curto prazo. Com isso, a estimativa
da LCA para o crescimento do rendimento médio real do trabalho
neste ano passou de 1,96% para 2,29%. O crescimento esperado para a
massa real de rendimentos do trabalho em 2007 passou de 5,07% para
5,47% (contra 5,13% em 2006). Já a projeção para
o crescimento da massa total de rendimentos (variável que abarca,
além da renda do trabalho, os benefícios previdenciários)
passou de 4,91% para 5,24% (contra 5,75% em 2006).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04
de junho de 2007 | Economia
Supersimples entra em vigor em um
mês, mas sobram dúvidas
Empresários e contadores ainda tentam
entender a nova lei para micro e pequenas
por CINTHIA SCHEFFER
Faltando menos de um mês para entrar em vigor, o Supersimples ainda é motivo
de muita dúvida por parte de empresários e entidades de classe.
São tantos questionamentos que o capítulo tributário da
nova Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas vem sendo chamado por muitos de “Supercomplicado”.
O regime federal, que deve substituir o atual Simples a partir de 1.º de
julho, foi definido pela Lei Complementar 123 e unifica oito tributos e contribuições
das empresas – IRPJ, PIS, Cofins, IPI, CSL, contribuição
previdencial patronal, ICMS (estadual) e ISS (municipal). O texto de 89 artigos,
e centenas de parágrafos, no entanto, é tido como prolixo e de
difícil interpretação.
Para fazer a escolha certa
O Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRC-PR) desenvolveu
um simulador no qual as empresas podem comparar os diferentes modelos de tributação.
Ele pode ser acessado no site da entidade (www.crcpr.org.br). Há apenas
um mês no ar, o simulador já recebeu 5 mil acessos.
A professora do Instituto de Estudos Jurídicos Victor Marins (IEJ),
Cereli Selig, especialista em Direito Tributário, não poupa críticas à nova
lei, e diz que ela apresenta impropriedades técnicas inadmissíveis. “Ela
peca na redação em vários pontos, por equívoco
do legislador”, diz. “Além de a nova norma ser prolixa e
extensa, é de difícil entendimento e interpretação
até mesmo para os operadores de ciências contábeis.”
“A Lei Complementar é mais
complexa do que imaginávamos. Requer um atento exercício
de análise e interpretação”, diz o presidente
do Conselho Regional de Contabilidade no Paraná (CRC-PR), Maurício
Smijitink. “As entrelinhas do texto estão revelando complexidades,
detalhes e dificuldades.” O presidente do CRC questiona ainda o
fato da legislação entrar em vigor no meio do ano. “Nunca
vi isso.”
Entre os empresários,
uma amostra do nível de incerteza foi a procura pelo evento promovido
hoje pela entidade, em parceria com a Federação das Associações
Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap). Em menos de 24 horas
foram preenchidas todas as 450 vagas disponíveis. “A dúvida é imensa
entre empresários e entre contabilistas”, diz o presidente
da Faciap, Ardisson Naim Akel.
O gerente da empresa curitiba
na Brasamérica, Paulo Sérgio Queiroz, é um dos empresários
com muitas dúvidas – e críticas – ao Supersimples.
A empresa, exportadora de jeans, recolhe seus tributos pelo Simples. “Ainda
não temos uma decisão sobre para qual modelo vamos migrar.
Somos uma empresa revendedora e ainda temos muitos questionamentos sobre
as possibilidade de crédito e débito de ICMS no novo modelo,
por exemplo.”
O gerente esperava que o novo
modelo fosse criado para tornar a tributação das empresas
mais leve e ágil. “A migração de todas seria
natural. Não entendo porque o governo não apresentou uma
solução pronta e efetiva, que representasse benefícios
para todas”, diz. “Já está mais do que na hora
de sair da simples maquiagem e partir para uma cirurgia específica.”
Akel, da Faciap, espera que o
governo adie a entrada em vigor da legislação. “Está muito
em cima da hora.” Ele mesmo diz que ainda não tem condições
de fazer uma análise das virtudes e dos problemas da lei. “É um
assunto extremamente complexo e precisamos de esclarecimentos.” Só depois
do evento de hoje, no entanto, as entidades devem discutir a necessidade
ou não de um pedido formal ao governo federal para alterar a data.
O deputado federal Luiz Carlos
Hauly (PMDB-PR), autor do projeto da nova Lei Geral, acredita que, no
que diz respeito à Camara, Senado e Sebrae, não há nenhuma
chance de que o prazo de vigência seja adiado. “Até porque,
quem não quiser, não precisa aderir.”
Em relação às
críticas de que a legislação é complexa,
o deputado lembra que, há duas semanas, estão sendo capacitados
35 mil contadores em todo país e que há uma preocupação
por parte da Câmara e do Comitê Gestor para que ela seja
aplicada da forma mais simples e objetiva possível. “Estamos
atentos, conversando diariamente com a Receita Federal para que isso
aconteça. Além disso, estamos anotando sugestões,
para possíveis mo-dificações de curto e médio
prazo.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04
de junho de 2007 | Economia
Para setor de serviços, decisão
depende de cálculos
O grande “complicador” do
Supersimples, segundo o diretor tributário da consultoria
Confirp, Wellington Mota, é o setor de serviços. “Para
comércio e indústria, não muda nada em relação
ao Simples atual e a migração vai ser um excelente
negócio”, resume. Já para as prestadoras de
serviço a escolha depende do ramo de atuação
e de cálculos. Isso porque, segundo o consultor, para alguns
segmentos, o Supersimples pode representar um aumento muito grande
dos impostos e o melhor seria optar pelo regime do lucro presumido,
por exemplo.
Empresas de construção
civil, transporte de cargas, vigilância e segurança e contabilidade,
por exemplo, podem estar nesta lista. Isso porque essas atividades serão
tributadas pelas maiores alíquotas do Supersimples. Além
disso, serão somadas as alíquotas de ICMS e a contribuição
previdenciária sobre folha de pagamento – que deverá ser
recolhida à parte e, no Simples atual, já estava embutida.
Mesmo com a entrada em vigor
do Supersimples, os benefícios fiscais para micro e pequenas empresas
paranaenses devem ser mantidos. Segundo a Secretaria de Estado da Fazenda,
há na lei um dispositivo que permite que o estado os mantenha,
se eles forem maiores que os dados pelo Supersimples.
Simulações feitas
pelo Sebrae Paraná com empresas do comércio e da indústria
mostram que, na comparação com o modelo atual – em
que os empresários podem optar pelo antigo Simples e também
pelo regime de ICMS do Paraná –, a adoção
integral do novo regime elevaria a carga tributária daquelas que
faturam de R$ 10 mil a R$ 60 mil por mês. A carga seria reduzida,
no entanto, no caso das empresas com receita entre R$ 60 mil e R$ 200
mil mensais. Nos dois setores, em qualquer faixa de faturamento, a opção
mais vantajosa é encaixar os benefícios estaduais dentro
do Supersimples.
Segundo o governo federal, a
entrada em vigor do novo modelo de tributação deve representar
uma renúncia fiscal de R$ 2,45 bilhões em 2007. A mudança é apontada
pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) como a principal
medida de desoneração tributária já implementada
no pacote.
A estimativa da Federação
das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) é de
que o Supersimples deverá ser utilizado por um universo de 3
milhões de empresas – das quais 2 milhões atuais
optantes pelo Simples, que migrarão para o novo regime. (CS)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04 de junho de 2007
| Economia
Câmbio pode acelerar importações
Análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi)
mostra que, enquanto a média diária das importações
cresceu 12,7% em maio de 2007, na comparação com dezembro de
2006, as exportações recuaram 2,9% no mesmo período. Para
a entidade, o comportamento das médias de importação e
exportação permite avaliar que a valorização do
real ante o dólar continuará a acelerar as compras e a frear
as vendas. O Iedi prevê que o saldo da balança comercial vai atingir
US$ 39 milhões neste ano, ante expectativa do mercado apurada pelo Banco
Central de US$ 42,1 bilhões. A projeção é de exportações
de US$ 150 bilhões (aumento de 9% ante 2006) e importações
de US$ 111 bilhões (mais 21,4%).
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REVISTA ISTO É, 04 de
junho de 2007
Para onde vão os sindicatos
Na esteira da legalização, surgem
novas centrais sindicais e mais recursos. A CUT, que se atrelou ao
governo, perde espaço
Alan Rodrigues

MINIRREFORMA CUT perde a força e governo mantém mamata
O novo universo sindical
Uma revolução silenciosa vem sendo tramada na Esplanada dos Ministérios,
em Brasília. Nos próximos dias, o presidente Lula enviará ao
Congresso uma medida provisória que irá legalizar as centrais
sindicais do País. A iniciativa será festejada cxom um almoço
no Palácio da Alvorada que reunirá antigos inimigos sindicais
- CUT, Força Sindical, CGT, SDS, entre outras. A primeira pergunta que
vem à cabeça é: o que a decisão muda no dia-a-dia
dos 27 milhões de trabalhadores com carteira assinada? Nada. Pior: nos
contracheques desses trabalhadores, a cobrança do imposto sindical continuará sendo
obrigatória. Isso significa um sugador que engole cerca de R$ 1 bilhão
anuais, assim distribuídos: 60% entre 15 mil sindicatos, 15% entre as
federações e 5% para incontáveis confederações.
O Ministério do Trabalho (MT) abocanha os restantes 20%. A novidade
da vez é o aparecimento de mais uma boca para comer esse bolo: as centrais
sindicais. Elas serão alimentadas com metade da fração
destinada ao MT.
Estima-se que esse montante atinja R$
100 milhões.
Nos bastidores do sindicalismo, o texto presidencial vem causando um certo
frisson. É que, ao legalizar as centrais, Lula poderá, involuntariamente,
estar empurrando a CUT para escanteio, a central que ele ajudou a construir
e que hoje é a maior do Brasil e da América Latina, com quase
3.500 sindicatos. Isso porque várias tendências da entidade estão
rachando para formar novas centrais. Afinal, a central nascida do combativo
sindicalismo do ABC dos anos 80 está, desde a posse de Lula, fazendo
o papel de vidraça. "Eles estão perdidos, não sabem
se defendem ou criticam o governo", diz José Maria de Almeida,
do PSTU. Fundador da CUT ao lado de Lula, José Maria hoje coordena o
Comlutas, uma entidade que reivindicará o status de central. Ligada
ao PSTU, a Comlutas arrastou das fileiras da CUT cerca de 200 sindicatos. Outra
sangria será provocada em breve por militantes da Corrente Sindical
Classista (CSC), grupo ligado ao PCdoB que controla cerca de 500 sindicatos.
As mudanças também atingem a Força Sindical, que tem 1.800
sindicatos filiados. Ela perderá sua vice-liderança para a novíssima
União Geral dos Trabalhadores (UGT), sigla que nasce com 1.011 sindicatos,
cumprindo com facilidade as exigências do decreto presidencial que exige
que as centrais terão que contar com pelo menos 5% de entidades em sua
base. Já as atuais confederações estão agrupadas
na chamada Nova Central. Com a legalização das centrais, estima-se
que, até o final do ano, apenas seis das 18 centrais existentes sobreviverão.

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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
04/06/2007
TST afasta litispendência entre dissídio
coletivo e ação individual
A Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, em processo relatado pelo ministro Lelio Bentes
Corrêa, afastou preliminar de litispendência entre uma ação
individual proposta por ex-funcionária da Eletropaulo Metropolitana
Eletricidade de São Paulo S/A contra sua demissão imotivada
e a existência de dissídio coletivo suscitado pelo sindicato
da categoria contra demissão em massa de trabalhadores supostamente
protegidos por norma coletiva que lhes garantia estabilidade. De acordo
com o relator, “não se verifica a possibilidade, nem sequer
em tese, de reconhecimento de litispendência entre dissídio
coletivo e ação individual trabalhista, em face da radical
diferença do provimento jurisdicional pretendido em cada um dos
casos.”
A autora da ação
foi uma arquiteta que trabalhou na Eletropaulo entre 1985 e 1998. Na
inicial, alegou ser detentora de garantia de emprego prevista no acordo
coletivo de trabalho que vigorou até maio de 1999. Na cláusula
10ª do acordo, a empresa se comprometia “a não promover
dispensa sem justa causa que não decorrer de descumprimento de
obrigações contratuais, ou que não se fundar em
motivo disciplinar, técnico-administrativo ou econômico”.
Na mesma época, a Eletropaulo
demitiu mais de mil trabalhadores, levando o sindicato da categoria a
suscitar dissídio coletivo de natureza jurídica pedindo
que o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo) reconhecesse a validade da cláusula de garantia de emprego. À época
em que a arquiteta ajuizou sua ação, a empresa havia interposto
recurso contra a decisão do dissídio. Posteriormente, o
dissídio foi extinto sem julgamento do mérito.
Na contestação,
a empresa argüiu preliminar de litispendência, sustentando
a improcedência do pedido de estabilidade, já que este também
era objeto do dissídio coletivo. O juiz da 1ª Vara do Trabalho
de São Paulo, porém, rejeitou a preliminar, afirmando que
a medida cautelar seguida de ação principal – dissídio
coletivo de natureza jurídica – não enseja a litispendência
com dissídio individual de natureza econômica, como no caso.
Deferiu, assim, o pedido de indenização no valor dos salários
relativos ao período em que a arquiteta teria direito à estabilidade,
e as demais verbas pleiteadas. A decisão foi mantida pelo TRT/SP
no julgamento de recurso ordinário.
No recurso de revista ao TST,
a Eletropaulo insistiu na reforma da decisão. Sustentou que o
TRT, ao deixar de reconhecer a litispendência com o dissídio
coletivo, ainda que extinto sem resolução do mérito, “desrespeitou
o instituto da coisa julgada”, e que, nos termos do artigo 301,
parágrafo 1º do Código de Processo Civil, a ocorrência
de litispendência era clara.
O ministro Lelio Bentes observou
que não há dúvida de que o ajuizamento de ação
individual versando sobre o mesmo pedido e causa de pedir constantes
de ação promovida pelo sindicato da categoria profissional,
como substituto processual, configura litispendência. Mas esse
raciocínio, entretanto, não se aplica aos dissídios
coletivos, “cujo provimento jurisdicional reveste-se de natureza
radicalmente diversa daquele resultante das ações individuais”.
O relator destaca que, em sede
coletiva, o Tribunal, exercendo seu poder normativo, cria direito novo,
não se baseando na interpretação de normas preexistentes.
Nas ações individuais, o que se pretende é a aplicação
das normas vigentes. “Não bastasse isso, tem-se que, no
caso, a ação em relação à qual estaria
caracterizada a litispendência foi extinta sem julgamento do mérito,
por ausência de pressuposto para o desenvolvimento válido
do processo”, assinalou em seu voto. “Nesse contexto, não
se verifica sequer a formação de coisa julgada material”.
Superada a preliminar,
a Turma rejeitou (não conheceu) o recurso, diante da ausência
de provas de motivo técnico, administrativo ou econômico
para justificar a demissão da arquiteta. “A decisão
do TRT prestigiou a disposição contida no instrumento
coletivo relativamente à garantia de estabilidade provisória
no emprego”, concluiu o relator. (RR 52.691/2002-900-02-00.0)
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04/06/2007
Veículo cedido pela empresa não
integra salário, decide TST
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho reformou parcialmente decisão do Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), excluindo
o pagamento de “salário in natura” decorrente da concessão
de um veículo para uso do empregado da Itautec Componentes e Serviços
S/A, de Belo Horizonte.
Ele trabalhou durante quatro
anos para a Itautec como inspetor técnico, exercendo atividades – como
visitas a fornecedores e clientes – que o levavam a se deslocar
regularmente. Para isso, contava com um veículo cedido pela empresa,
que ficava à sua disposição durante 24 horas por
dia, sendo guardado em sua garagem, quando permanecia em Belo Horizonte.
Demitido, ele ajuizou ação
contra a empresa. Entre as diferenças salariais, o empregado reclamou
o pagamento de salário “in natura”, alegando que o
uso do veículo, sem custo sequer de combustível, inclusive
nas férias e nos finais de semana, consistiam benefício
fornecido pela empresa e, como tal, deveria ser integrado ao seu salário,
com reflexos nas demais verbas rescisórias, como férias,
13o e depósitos do FGTS.
O TRT reconheceu a caracterização
do veículo como salário “in natura”, tendo
em vista que seu uso não se restringia ao trabalho, mas se estendia
aos fins de semana, férias e até mesmo após o expediente
diário, com as despesas integralmente custeadas pela empresa.
E, diante disso, determinou a inclusão desse item à indenização
ao empregado, com reflexos sobre os valores do aviso prévio, 13º,
férias e outras verbas rescisórias, o que levou a Itautec
a apelar ao TST.
O relator da matéria,
juiz convocado Luiz Ronan Neves Koury, propôs excluir o salário “in
natura” da condenação, tendo em vista o que determina
a Súmula 367 do TST: “A habitação, a energia
elétrica e veículo fornecidos pelo empregador ao empregado,
quando indispensáveis para a realização do trabalho,
não têm natureza salarial, ainda que, no caso de veículo,
seja ele utilizado pelo empregador também em atividades particulares”.
(RR-794.100/2001.7)

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