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REVISTA ISTO É, 11 de junho de 2007
Salário mínimo virou
máximo
Valorização do real eleva
o ganho dos mais pobres e faz com que o presidente Lula consiga
cumprir uma promessa de campanha
Adriana Nicacio

MÁRCIA CAVALCANTE: “Hoje, consigo comprar muito
mais do que no passado”
O mínino em outros países
Por duas décadas, o salário mínimo de US$ 100 fez parte
do imaginário dos sindicalistas. Essa meta era tida como a única
capaz de manter o poder de compra dos trabalhadores, em tempos de inflação
galopante. Sabia-se que tão logo fossem alcançados os US$ 100,
o novo marco seria de US$ 200, e assim por diante. Pois bem, chegou a hora
de se perseguir outro valor, porque desde 1º de junho, quando o dólar
bateu em R$ 1,90, o salário mínimo ronda os US$ 200. Tudo isso
devido à valorização do real, claro, e aos aumentos sucessivos
do mínimo nos últimos dez anos, que subiu 100% acima da inflação.
Na comparação com a América Latina, o Brasil deixou de
ter um piso baixíssimo – em 2003 o mínimo equivalia a US$
56,8 – e conquistou um razoável. No Chile, por exemplo, a menor
remuneração é de US$ 250, na Venezuela é de US$
286. “Os mais pobres talvez não saibam, mas a desvalorização
do dólar é muito boa para eles”, explica o professor Marcelo
Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV/ RJ. “A valorização
do câmbio gerou uma redução na inflação para
os mais pobres, o que também reduziu a desigualdade”, completa.
É a primeira vez que o mínimo tem o mesmo poder de compra da época
de sua criação, em 1940, por Getúlio Varvirou gas, de acordo
com Neri. O mínimo de Getúlio foi um dos mais altos do Brasil.
A empregada doméstica Márcia Cavalcante Mota, 44 anos, não
conhece bem a história, mas garante que está muito mais fácil
comprar agora do que há sete anos, quando recebeu o seu primeiro salário
mínimo. Separada do marido, ela se viu obrigada a trabalhar por qualquer
preço para sustentar três dos cinco filhos. Hoje, Márcia
continua recebendo um salário, R$ 380, mas pode comprar um pouco mais.
Para ela, além da remuneração, que tem aumentado, o crédito
também está mais fácil. “Eu fui ao supermercado
e comprei R$ 200 em alimentos, dividi em duas vezes”, conta Márcia,
com ar de vitória. “No próximo mês, eu compro picado,
e assim a gente vai sobrevivendo. Não me importa se o meu salário
vale US$ 200, o que me importa é que estou podendo comprar mais.”
Márcia faz parte de uma multidão. O mais importante para 44 milhões
de brasileiros é o que o mínimo pode comprar. Para eles, o Dieese
tem uma boa notícia. De acordo com o supervisor técnico do Dieese/DF,
Clóvis Scherer, em maio, pela segunda vez, foi possível comprar
duas cestas básicas com um único salário. A primeira ocorreu
em agosto de 2006. Antes disso, só se comprava uma ou nenhuma, como
ocorreu, por exemplo, entre maio de 1998 e fevereiro de 1999. Apesar de a queda
do dólar não se refletir automaticamente na redução
da cesta básica – há outros fatores importantes, como condições
climáticas e a safra –, o Índice de Custo de Vida, medido
pelo Dieese, mostra que a inflação dos mais pobres foi de 0,38%
em maio, um porcentual menor do que a média de 0,63%. Mas para Márcio
Pochmann, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho
da Unicamp, o salário mínimo em US$ 200 tem outro significado. “Reflete
a artificialidade da taxa de câmbio e é desfavorável para
a exportação.” É claro que os exportadores não
estão gostando do câmbio alto, mas a competição
interna com a entrada de produtos importados beneficia quem ganha pouco.
O benefício, contudo, só existe porque a inflação
está sob controle. Exministro do Trabalho, no governo de Itamar Franco,
o economista Walter Barelli lembra que comprou uma briga com o então
ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, até conseguir estipular
o mínimo em US$ 100.
Conseguiu. “Mas ninguém recebeu US$ 100, porque no dia seguinte
valia US$ 98, US$ 95 e a inflação engolia o salário das
pessoas”, lembra. Naquela época, a intenção de Barelli
era de elevar o salário mínimo à média dos países
do Mercosul, o que representava US$ 200, mas a área econômica
do governo não queria nem ouvir falar disso. “O Brasil chegou
lá com uma década de atraso”, diz Barelli. “Só que
o problema não é a moeda, mas sim o poder aquisitivo. Estamos
longe do que se comprava com um salário no tempo de Juscelino Kubitschek.”
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 11 de maio de 2007 | Nacional
Estudo mostra custo do Legislativo
por habitante nas capitais
ONG revela que a capital do ES tem o menor
gasto em relação ao PIB per capita
Anne Warth
SÃO PAULO - Um levantamento realizado pela ONG Transparência Brasil
revela que a manutenção das três esferas do Poder Legislativo
custa em média R$ 117,42 por habitante nas capitais brasileiras. Considerando
o PIB per capita de cada uma das capitais, o gasto total por habitante com
o Legislativo representa 4,1% da renda de cada morador de Boa Vista (RO) -
R$ 224,82 dos R$ 5.532,30 auferidos pelo IBGE em 2004.
O menor gasto em relação
ao PIB per capita é o de Vitória (ES), onde os moradores
gastam 0,4% de sua renda para sustentar as três esferas do Legislativo
- R$ 121,05 de R$ 29.951,28. A capital capixaba possui o maior PIB per
capita entre todas as capitais analisadas, seguida por Manaus (AM), onde
os habitantes gastam 0,5% do PIB per capita com o Legislativo - R$ 96,05
de R$ 18.635,36 -, e São Paulo (SP), onde os gastos também
chegam a 0,5% da renda - R$ 68,51 de R$ 14.820,90.
"É um tanto absurdo
que o habitante de Vitória gaste 0,4% de sua renda per capita
e o de Boa Vista 4,1%. É uma disparidade muito grande, 11 vezes
maior. Por quê? Isso precisa ser questionado, explicado e acompanhado",
disse diretor-executivo da Transparência Brasil, Cláudio
Weber Abramo.
Segundo o levantamento, diante
de um orçamento anual de R$ 2,7 bilhões, cada um dos 81
senadores tem um montante orçamentário de R$ 33,4 milhões.
Já na Câmara, os recursos são de R$ 6,6 milhões
para cada um dos 513 deputados federais. Seguindo essa linha, os deputados
federais custam R$ 18,14 por brasileiro, e os senadores, R$ 14,48 por
habitante, considerando uma população de pouco mais de
186 milhões de habitantes.
"A distorção
no Senado é imensa, numa Casa que deveria até desaparecer.
O orçamento por senador é cinco vezes maior que o dos deputados",
criticou Abramo. Em sua avaliação, a existência do
Senado não se justifica. "Não tem por que existir.
Representa a federação? E os deputados não representam?",
questionou.
Entre as Assembléias Legislativas,
a campeã de gastos é a do Estado de Roraima, com R$ 145,19
por habitante, seguida por Acre, com R$ 112,13 por morador, e Amapá,
com R$ 110,23 per capita. A Assembléia paulista apresenta o menor
custo por habitante, com R$ 10,63.
Maiores valores
Se considerado o orçamento de cada legislador, a Câmara Legislativa
do Distrito Federal apresenta os maiores valores, já que cada um dos
24 deputados distritais fica com um orçamento com R$ 9,847 milhões,
seguido pelos deputados mato-grossenses, com R$ 9,837 milhões, e pelos
deputados mineiros, com R$ 6,453 milhões. Em Tocantins observa-se o
menor orçamento por deputado - R$ 2 milhões.
Abramo destacou o baixo nível
de acompanhamento dos gastos do orçamento de R$ 4,897 bilhões
que está nas mãos das Assembléias Legislativas. "É muito
dinheiro. As Assembléias Legislativas estão em um limbo
entre o Congresso Nacional e a Câmara de Vereadores. É o
ente do Estado menos visto. O noticiário que se vê sobre
as Assembléias é nenhum. Ninguém cobre as Assembléias",
disse. "O habitante da cidade está interessado nos assuntos
locais e no que acontece em Brasília. É preciso haver mais
responsabilização dos deputados estaduais, mais representação
política e cobrança pela população que eles
representam", sugeriu.
Entre as Câmaras Municipais,
Palmas (TO) aparece como a mais cara para seus moradores, com gastos
de R$ 83,10 por habitante, seguida por Florianópolis (SC), com
R$ 81,90, e Vitória (ES), com R$ 59,92. A Câmara de Belém
(PA) é a que tem os menores custos por habitante, com R$ 21,09.
Se considerado o orçamento por legislador, o Rio de Janeiro (RJ)
aparece em primeiro lugar, com R$ 5,9 milhões por vereador, seguida
por São Paulo (SP), com R$ 5 milhões, e Belo Horizonte
(MG), com R$ 2,5 milhões. O menor orçamento por vereador
está em Rio Branco (AC) - R$ 715 mil.
Embora não tenha sido
abordado no estudo, Abramo criticou a existência de prefeituras
e câmaras municipais em cidades com três ou quatro mil habitantes. "É um
desperdício enorme, em nenhum lugar do mundo isso acontece. Apesar
de ter a existência garantida pela Constituição,
essas localidades não arrecadam o suficiente para manter esse
tipo de organização", opinou, ressaltando que nos
pequenos municípios os casos de corrupção são
numerosos e que a autonomia desse tipo de município deveria ser
revista.
O estudo considera como referência
para cada capital o PIB per capita dos Estados, o orçamento da
União destinado ao Congresso Nacional - R$ 6,6 bilhões,
ou 0,4% do Orçamento da União -, a todas às Assembléias
Legislativas - R$ 4,897 bilhões - e às Câmaras Municipais
- R$ 1,465 bilhão -, o total da população representada
por cada uma das Casas e a quantidade de membros do Legislativo. Abramo
explicou que o critério do PIB per capita de cada Estado foi adotado
para dar uma melhor dimensão do peso dos gastos diante da renda
das pessoas.
A ONG salientou também
a dificuldade para obter os orçamentos de 2007 de cinco Estados
- Alagoas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins - e de
12 capitais - Aracaju (SE), Belém (PA), Boa Vista (RR), Campo
Grande (MS), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Macapá (AP),
Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ), Rio Branco (AC), São Luís
(MA) e Teresina (PI).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 11 de maio de 2007 | Nacional
TSE começa Planejamento das
eleições municipais de 2008
Reunião discute áreas diferentes
e controle da Justiça Eleitoral nesta segunda-feira
BRASÍLIA - A primeira reunião de alinhamento das áreas
de orçamento, finanças, administração e controle
interno da Justiça Eleitoral começou nesta segunda-feira, em
Brasília. No encontro, estão discutidas as diretrizes de gestão
administrativa e orçamentária da Justiça Eleitoral e planejadas
as eleições municipais do próximo ano.
O diretor-geral do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE), Athayde Fontoura Filho, lembrou, na abertura do encontro,
o trabalho contínuo realizado pela Justiça Eleitoral. Segundo
ele, "a Justiça Eleitoral termina uma eleição
e já começa a planejar a outra. O sucesso dos pleitos começa
com a realização de reuniões preparatórias
como esta".
A primeira palestra foi proferida
pelo coordenador da área de governo do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Francisco Gaetani, sobre o tema
gestão pública contemporânea e avaliação
de desempenho.
Em seguida, o diretor de
assuntos fiscais da Secretaria de Orçamento Federal, George
Alberto Aguiar Soares, falou sobre o cenário fiscal de 2007. À tarde,
a secretária de Planejamento, Orçamento, Finanças
e Contabilidade do TSE, Jucemara Castro Velloso, tratará das
diretrizes gerais sobre a gestão orçamentária
da Justiça Eleitoral.
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ÂMBITO JURÍDICO,
11 de maio de 2007
CCJ analisa proposta que amplia justiça
gratuita
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) se reúne nesta terça-feira (12) e pode votar, entre outros,
o Projeto de Lei 3706/00, do Senado, que estende aos juízes do Trabalho
e aos juízes de Direito que atuem na jurisdição trabalhista
a faculdade de conceder o benefício da justiça gratuita às
pessoas que recebem até dois salários mínimos ou que comprovem
condição de miserabilidade. Atualmente, só os presidentes
dos tribunais do Trabalho podem tomar a decisão, segundo a Consolidação
das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5452/43). O relator na CCJ, deputado Vicente
Arruda (PR-CE), apresentou parecer pela admissibilidade da proposta.
A CCJ poderá analisar
ainda o PL 5549/01, do deputado Marcelo Teixeira (PR-CE), que faculta
ao mutuário do Sistema Financeiro de Habitação (SFH)
a opção pela seguradora do seu interesse quando fizer o
financiamento. O deputado Vicente Arruda (PR-CE), que também relatou
a matéria, é favorável à proposta.
Transplantes
Outro item da pauta, o PL 5993/05, do Senado, permite a retirada pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) de órgãos e tecidos de pacientes doadores
que morrerem em clínicas e hospitais não autorizados a realizar
transplantes pelo Ministério da Saúde. O relator, deputado Fernando
Coruja (PPS-SC), recomenda a aprovação do projeto.
A reunião desta terça-feira
está marcada para as 14 horas, no plenário 1. Na quarta-feira
(13), a CCJ se reúne novamente, às 10 horas, para analisar
itens remanescentes da pauta.
Fonte: Agência Brasil
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ÂMBITO JURÍDICO,
11 de maio de 2007
É admissível ação
individual para cumprimento de reajuste previsto em dissídio
coletivo
Pelo entendimento da 7ª Turma do TRT-MG, expresso em decisão recente,
não há qualquer impedimento legal ao ajuizamento de ação
individual que busque obrigar o empregador ao cumprimento de cláusula
de reajuste salarial prevista em dissídio coletivo, pendente de julgamento
definitivo. Para o juiz relator do recurso, Rodrigo Ribeiro Bueno, negar ao
empregado a possibilidade de ajuizamento da demanda seria contrariar o artigo
5º da Constituição Federal, que garante a todos o livre
acesso ao Judiciário.“A ação de cumprimento constitui
mera faculdade, atribuída em prol das categorias representadas na negociação
coletiva pelos respectivos sindicatos” – completa.
O relator esclarece que as sentenças
normativas são exigíveis a partir do momento em que os
empregadores deixam de satisfazer o pagamento dos reajustes salariais
determinados em decisão de dissídio coletivo (artigo 872,
parágrafo único, da CLT), sendo dispensável o seu
trânsito em julgado para a propositura da ação de
cumprimento. No mais, o que a autora postulou foram diferenças
salariais decorrentes da ausência de concessão dos reajustes
normativos e não o reconhecimento dessas normas. Por esses fundamentos,
a Turma rejeitou a preliminar de carência de ação
levantada pela empresa recorrente.
( RO nº 02313-2006-138-03-00-0
)
Fonte: TRT3
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 11 de junho de 2007 | Dinheiro
Produção industrial
recua em 10 de 14 regiões em abril, aponta IBGE
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
mostra que na passagem de março para abril a produção
industrial recuou em dez de 14 regiões brasileiras. Todas as quedas
superaram a média nacional (-0,1%), na comparação que
toma como base a série com ajuste sazonal.
Os decréscimos mais expressivos
ocorreram em Goiás e no Espírito Santo. A indústria
goiana recuou 4,0% em relação a março após
crescer 3,2% no mês anterior. Na comparação com abril
de 2006, a produção recuou 3,1%, primeira queda desde setembro
de 2006 (-1,1%). Com isso, o acumulado no primeiro quadrimestre (4,0%)
reduziu o ritmo de crescimento frente ao primeiro trimestre (6,5%).
No confronto entre abril e o
mesmo mês do ano passado, a indústria de Goiás assinalou
queda de 3,1%, comportamento explicado, segundo o IBGE, pelo recuo da
indústria de transformação (-4,6%), uma vez que
a indústria extrativa cresceu 14,8%. Na indústria de transformação,
as principais contribuições negativas vieram de produtos
químicos (-29,2%) e de alimentos e bebidas (-4,1%).
Já a queda na indústria
capixaba (-3,0%) ocorreu após a produção manter-se
estável (0,0%) em março. Na comparação com
iguais períodos do ano passado, os índices foram positivos:
2,1% frente a abril de 2006 e 5,3% no acumulado no ano. O indicador acumulado
nos últimos 12 meses (8,7%) repete o resultado de março.
Por outro lado, entre as áreas
que ampliaram a produção, na comparação com
ajuste sazonal, os Estados do Rio Grande do Sul (2,9%) e Rio de Janeiro
(0,8%) alcançaram as taxas mais expressivas, enquanto Santa Catarina
e São Paulo (ambas com 0,1%) praticamente repetiram o patamar
de produção do mês anterior.
Na comparação entre
abril e o mesmo mês do ano passado, o resultado se inverteu e houve
expansão em dez dos quatorze locais pesquisados. A média
nacional nessa base de comparação ficou em 6,0%. Entre
as áreas com taxas positivas, destacam-se o Rio Grande do Sul
(16,1%) e o Paraná (13,2%) com avanços de dois dígitos.
Com expansão acima da
média nacional encontram-se ainda Minas Gerais (9,7%), Santa Catarina
(8,7%) e Pernambuco (6,5%). Também com resultados positivos, porém
abaixo do crescimento do país, aparecem: São Paulo (4,7%),
Rio de Janeiro (4,5%), Amazonas (3,6%), Espírito Santo (2,1%)
e Pará (1,3%). As reduções mais acentuadas ocorreram
em Goiás (-3,1%) e na Bahia (-6,7%).
Os acumulados no primeiro
quadrimestre do ano, frente a igual período de 2006, foram positivos
em 11 das 14 áreas pesquisadas. A liderança ficou com
o Paraná (9,3%), seguido por Rio Grande do Sul (9,0%), ambos
sustentados, sobretudo, pelo maior dinamismo do setor agrícola.
Há três locais apresentam queda: Bahia (-0,2%), Amazonas
(-1,0%) e Ceará (-2,4%).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 11 de maio de 2007 | Economia
Brasil é 7º em ranking
de clima econômico, diz pesquisa
Ambiente de negócios na América
Latina cresceu no primeiro trimestre
Alessandra Saraiva
RIO - O Brasil assume a sétima
posição, em uma lista de 12 países no continente
com o melhor clima econômico. A informação consta
da primeira edição da Sondagem Econômica da América
Latina, feita em parceria pelo Institute for Economic Research at
the University of Munich (ou Instituto IFO) e a Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
Até o trimestre encerrado
em abril deste ano, o ambiente econômico na América Latina
manteve-se favorável aos negócios, segundo a primeira edição
da sondagem. De acordo com o levantamento, é o sétimo trimestre
consecutivo em que o ambiente do continente manteve-se favorável,
nesse setor.
Segundo as instituições,
o Brasil apresenta um Índice de Clima Econômico (ICE) médio
de 6 pontos, com seis países em sua frente: Uruguai, com 8,5 pontos;
Peru, com 7,6 pontos; Costa Rica; com 7 pontos; Chile, com 6,7 pontos;
Argentina, com 6,5 pontos; e Colômbia, com 6,4 pontos.
Os países que ocupam posição
inferior à do Brasil no ranking, pela ordem, são: Venezuela,
com 5,3 pontos; México com 5,2 pontos; Bolívia, com 5,2
pontos também; Paraguai com 4,4 pontos; e Equador, também
com 4,4 pontos.
Segundo o levantamento, os principais
países apresentaram, em abril de 2007, índices de clima
econômico superiores aos respectivos níveis médios
históricos, sinalizando aquecimento econômico em toda a
região. Uruguai (8,5 pontos), Peru (7,8), Costa Rica (7,4) e Argentina
(7) são destaques no relatório, de acordo com as instituições. "O
resultado foi influenciado pela avaliação favorável
em relação à situação econômica
atual feita pela maioria dos especialistas, principalmente em países
como o Uruguai (9 pontos), Peru (9), Colômbia (7,9) e Argentina
(7,7). As expectativas para os próximos seis meses são
menos homogêneas entre os países da região. Os países
mais otimistas são o Uruguai (8), Costa Rica (7,7), Peru (6,5)
e Chile (6,4). Os mais pessimistas são o Equador (2,7) Colômbia
(4,4) e Venezuela (4,5)", detalharam, em comunicado.
Índice
Ainda segundo o relatório, o Índice de Clima Econômico
Ifo/FGV (ICE) alcançou 5,8 pontos, 0,6 ponto acima da média
dos últimos 10 anos, ficando próximo ao nível máximo
de 6,0 pontos, alcançado ao início de 2005. Em comunicado,
as instituições explicam que o ICE é construído
como uma combinação de dois índices que medem a
situação econômica atual e as expectativas para os
próximos seis meses. "O Índice da Situação
Atual atingiu 6,1 em abril, o maior nível registrado nos últimos
10 anos. Já o índice de Expectativas de 5,5 pontos situa-se
um pouco abaixo da média histórica de 5,6 pontos",
detalharam, no comunicado.
Segundo avaliação
das instituições, o resultado indica que os especialistas
econômicos da região interpretam o momento econômico
atual de forma favorável, "mas se mostram cautelosos quando
chamados a avaliar as perspectivas de continuidade da tendência
de melhora ao longo de 2007", de acordo com o relatório.
As duas instituições
esclarecem que a Sondagem Econômica da América Latina serve
ao monitoramento e antecipação de tendências econômicas,
com base em informações prestadas trimestralmente por especialistas
nas economias de seus respectivos países. A pesquisa é aplicada
com a mesma metodologia - simultaneamente - em todos os países
da região. Em abril de 2007, foram consultados 110 especialistas
em 15 países.
A pesquisa é aplicada
com a mesma metodologia - simultaneamente - em todos os países
da região. Em abril de 2007, foram consultados 110 especialistas
em 15 países.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 11 de maio de 2007 | Nacional
Reforma política vai enfim
a votação
Projeto entra na pauta da Câmara, mas
não há acordo sobre mudanças nem mesmo dentro
das bancadas
Denise Madueño, BRASÍLIA
A reforma política entra
na pauta de votação do plenário da Câmara
nesta semana sem que os partidos se entendam sobre os pontos básicos
do projeto: o financiamento público de campanha, que será exclusivo,
e o voto do eleitor em lista fechada apresentada pelos partidos em substituição
ao voto direto no candidato. A discordância não é apenas
entre os partidos, mas está internamente nas próprias bancadas.
Disposto a enfrentar a votação,
o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), reconhece ser
difícil prever o resultado. “Vamos colocar em votação.
A reforma política eleitoral que sair nós vamos saber depois”,
afirmou. Amanhã, Chinaglia reunirá os líderes para
tratar da votação da proposta. Ficou acertado que os pontos
do projeto serão votados de forma nominal, com o registro no painel
eletrônico para comprometer o deputado com o resultado. O voto
em lista é classificado como a volta da eleição
indireta pelos deputados contrários ao sistema. Ele prevê que
o eleitor dê o seu voto na legenda e os eleitos serão os
primeiros da lista de candidatos definida pelo partido.
“O eleitor vai pagar a
conta e perder o direito de escolher o deputado”, critica Arnaldo
Madeira (PSDB-SP). O tucano afirma que a proposta de reforma que será votada
não enfrenta o problema da distância do eleitor com o deputado. “O
povo não se sente representado nesta Casa e essa reforma não
resolve isso. Pelo contrário, vai tornar mais distante ainda,
porque vai ter uma cúpula partidária que vai fazer a lista
e o deputado não terá nada a ver com o eleitor.”
Defensor da lista fechada e do
financiamento público de campanha, o presidente do PT, Ricardo
Berzoini (SP), argumenta que há uma “hipocrisia política” na
qual todo brasileiro pode se candidatar e fazer sua campanha. “Todos
sabemos que quem não tiver acesso aos meios privados não
fará uma campanha competitiva, capaz de disputar uma vaga no Parlamento.” A
Executiva do PT reúne-se hoje com a bancada do partido em busca
de uma posição de consenso.
Líderes partidários
não demonstram segurança na votação nesta
semana. “A única coisa que vai dar para aprovar agora é a
questão da fidelidade partidária”, disse o líder
do PTB, Jovair Arantes (GO). “E é uma fidelidade relativa,
porque se for mexer efetivamente na perda de mandato por descumprimento
de partidos, tem de ser uma emenda constitucional.”
O projeto de fidelidade partidária
que entrará em votação não resolve, segundo
parlamentares, a questão que já foi decidida pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE). O tribunal determinou que o deputado que mudar
de partido perde o cargo, ou seja, o mandato pertence ao partido.
“O projeto propõe
fidelidade partidária por lei, mas, depois da decisão do
TSE, não é mais possível tratar disso sem mencionar
a Constituição”, afirmou Flávio Dino (PC do
B-MA).
Esse tema, segundo Dino,
terá de ser decidido pelo Congresso em breve, porque há cerca
de 1,5 mil a 2 mil deputados federais, estaduais e vereadores que trocaram
de partido nos últimos anos e estão inseguros com a decisão
do TSE e há o fim do prazo de filiações daqui
a três meses para quem quiser concorrer nas eleições
municipais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11 de junho de 2007
| Economia
Impostômetro chega hoje aos
R$ 400 bilhões
O Impostômetro da ACSP (Associação Comercial de São
Paulo) marcará hoje R$ 400 bilhões em impostos pagos pelos brasileiros
desde 1.º de janeiro deste ano. Em 2006 esse valor foi alcançado
16 dias depois, em 27 de junho. Em 2005 foi ainda mais tarde: somente em 22
de julho. Durante todo o ano de 2005 o equipamento marcou R$ 731,8 bilhões.
Em 2006 os impostos pagos chegaram a R$ 812,7 bilhões. Para 2007 a estimativa é de
que o Impostômetro marque mais de R$ 900 bilhões.
O presidente da ACSP, Alencar Burti, com base no crescimento constante da arrecadação,
questiona a insistência do governo em querer mais uma vez renovar a CPMF
(Contribuição Provisória sobre Movimentação
Financeira). “Não consegui entender ainda porque não podemos
eliminar a CPMF de vez.” Fizemos um contrato com o governo que esse dinheiro
seria usado para melhorar a Saúde, mas percebemos que as dificuldades
continuam. O governo deveria usar a mesma regra que as pessoas usam em suas
casas e cortar as despesas, ajustando-se às suas possibilidades.”
Em Curitiba, o pagamento de impostos pelo brasileiro pode ser acompanhado através
de um painel eletrônico instalado do lado externo da Associação
Comercial do Paraná (CP), na esquina das ruas XV de Novembro e Presidente
Faria.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de junho de 2007 | Mundo
Direita tem ampla vitória
na França
Benoit Tessier/Reuters

Governo de Nicolas Sarcozy é fortalecido pelo resultado
nas urnas
Paris, França – O partido conservador UMP ganhou ontem o primeiro
turno das eleições legislativas francesas, marcado por uma abstenção
recorde, que deu ao presidente Nicolas Sarkozy grande maioria na Assembléia
Nacional para aplicar seu programa de “ruptura”.
O Partido Socialista (PS), ameaçado
pelo que pode ser sua pior derrota desde o desastre de 1993, apelou a
seus eleitores a “reagirem” e se mobilizarem no segundo turno
do próximo domingo, a fim de reduzir a hegemonia da direita.
A votação de ontem
confirma o desmoronamento da ultradireitista Frente Nacional (FN), na
esteira do revés sofrido pelo líder, Jean-Marie Le Pen,
nas eleições presidenciais de maio. O Movimento Democrata
(MD), do centrista François Bayrou, também ficou reduzido
na nova Câmara dos Deputados.
Cinco semanas depois da vitória
de Sarkozy sobre a socialista Ségolène Royal, a direita
teve hoje forte avanço, apoiada no “estado de graça” do
novo presidente e na dinâmica própria das eleições
legislativas que seguem às presidenciais.
No entanto, a abstenção
bateu recorde, chegando perto dos 40%. Na França, o voto não é obrigatório.
Segundo dados parciais, a conservadora União por um Movimento
Popular (UMP) e seus aliados – que já têm maioria
absoluta desde 2002 na atual Assembléia Nacional – conseguiram
hoje cerca de 47% dos votos. Isso se traduzirá, pelas projeções,
entre 383 e 501 deputados, entre as 577 cadeiras renovadas este mês.
O primeiro-ministro, François
Fillon, disse que “esta noite uma parte do caminho está feita,
mas falta ser confirmada no próximo domingo” para que ele
tenha “uma maioria para trabalhar”.
Fillon, que foi reeleito em seu
distrito em Sarthe (oeste), é um dos 11 membros do gabinete concorrendo
nas eleições legislativas. O primeiro-ministro francês
tinha advertido de que quem fosse derrotado teria que deixar o governo.
Pelo menos quatro deles já não correm esse risco, inclusive
o ministro da Defesa, Hervé Morin, que encarna a abertura ao centro
prometida por Sarkozy.
Nenhum dos quatro ministros
esquerdistas está concorrendo. Segundo as estimativas, o PS,
principal legenda da oposição, e seus aliados, assim
como os comunistas, os verdes e a extrema-esquerda, alcançaram
ao todo 35% dos votos, elegendo entre 60 e 185 deputados. Com ar grave,
o líder do PS, François Hollande, disse que o partido
teve um resultado “honrado, mas não suficiente”,
com quase 25%. Ele pediu à esquerda que se mobilize em nome
do “equilíbrio” no próximo domingo, porque “a
França precisa da esquerda”.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de junho de 2007 | Brasil
“O presidencialismo cria as crises”
Ex-presidente defende a adoção
do parlamentarismo no país e apresentou proposta que não
prevê referendo ou plebiscito
por ANDRÉ GONÇALVES,
correspondente.
Orlando Brito

Quando assumiu o mandato, o ex-presidente apresentou sua versão sobre
o impeachment que o tirou do comando do país
Brasília – Fernando Collor de Mello (PTB-AL) assumiu neste ano
a vaga de senador focado em três metas. Quer enterrar os escândalos
do passado, discutir a mudança para o parlamentarismo e brigar por questões
ambientais. Em resumo, pretende tocar a carreira o mais longe possível
das polêmicas que sempre marcaram sua trajetória política.
O primeiro passo espera ter concluído
com seu discurso de estréia no plenário do Senado, dia
15 de março. Durante três horas, deu a sua versão
para o impeachment. Agora, evita o assunto. Quem quiser declarações
sobre o tema, que procure no discurso, que virou um livreto intitulado “Relato
para a História” e é distribuído gratuitamente
no gabinete do senador.
O segundo passo entrou em marcha
na semana passada. Sem pompa, ele abriu na terça-feira os trabalhos
da Frente Parlamentarista, que reúne 75 senadores e deputados
federais. “O presidencialismo é arcaico. A mudança
de sistema ajudará na governabilidade”, afirmou, durante
entrevista, pouco antes do começo da cerimônia.
O evento contou com a presença
de menos de 20 parlamentares e teve pouquíssima cobertura da imprensa,
muito mais preocupada com a crise envolvendo o presidente do Senado e
ex-aliado de Collor, Renan Calheiros (PMDB-AL). A ausência de holofotes
parece não ter preocupado o ex-presidente. Mas também não
fez com que ele quisesse falar sobre o passado – nem comentasse
a hipótese de ter sido presidente dentro de um sistema parlamentarista.
Não é estranho
falar em parlamentarismo agora, depois da população ter
rejeitado o sistema por plebiscito em 1993?
Não, porque estamos em um momento de muita tranqüilidade institucional,
bom para que possamos discutir mudanças. Se verificarmos em 1963, quando
foi realizado o primeiro plebiscito sobre sistema de governo, o parlamentarismo
obteve 15% dos votos. Se olharmos para 1993, foram 30%. Houve uma evolução
muito grande sem que nenhuma campanha de esclarecimento tivesse sido realizada.
O instante que vivemos é propício. Verificamos que o presidencialismo,
dentro de si próprio, cria as crises de governabilidade. Já o
parlamentarismo é o sistema da estabilidade. É um sistema atual,
moderno.
Como seria o Brasil hoje
se houvesse sido aprovada a mudança para o parlamentarismo?
Sem dúvida, poderia dizer a você que o Brasil poderia estar vivendo
uma situação política de maior estabilidade. Sem esses
sobressaltos que nos acometem a cada mês, a cada notícia que surge
no jornal e que faz com que o Congresso eventualmente deixe de concentrar as
suas atenções em temas de importância para a população.
E o Poder Executivo estaria mais livre para executar obras, fazer a sua função.
Enfim, se fosse com o sistema parlamentarista estaríamos com um rendimento
muito maior.
O senhor conseguiu reunir
75 parlamentares nessa Frente Parlamentarista. Apenas um senador é do
PT (Paulo Paim, do Rio Grande do Sul). Sem o apoio da base governista é possível
levar essa idéia adiante?
Quando da coleta das assinaturas para viabilizar a Proposta de Emenda Constitucional
(que muda o sistema para o parlamentarismo), tivemos o apoio de 41 senadores.
E vários senadores do PT. Agora, para a criação da Frente
Parlamentarista, é que só temos um representante do PT. O que
nós temos hoje não é uma manifestação já pronta
e acabada dos parlamentares, mas sim a manifestação daqueles
que se posicionaram na primeira hora como membros fundadores da Frente Parlamentarista.
O descrédito do
Congresso não atrapalha essa campanha?
Não atrapalha porque estamos tratando de uma PEC. Nesse caso, não
há nenhum referendo ou plebiscito para se analisar a questão.
Acredito que a população brasileira estará dando mais
força aos seus representantes políticos com essa mudança.
Se a população não acredita no Congresso, é porque
não está acreditando em si mesma. E é por isso, que junto
com o parlamentarismo, virão medidas que darão corpo ao novo
sistema. Por exemplo, a fidelidade partidária, o financiamento público
de campanha, o voto distrital misto e uma série de outras medidas que
já estão sendo votadas, sem ser na semana que vem, na outra.
Isso coincide com a nossa PEC, que está na Comissão de Constituição
e Justiça do Senado (CCJ). Esperamos que dentro de duas semanas a nossa
proposta seja analisada no plenário da CCJ, para depois ser encaminhada à Mesa
Diretora do Senado e ser colocada em votação.
O senhor pretende levar
essa discussão à sociedade?
Aqui não há nenhuma proposta pronta e acabada. O que eu desejo é levantar
a discussão, levantar o debate. Até mesmo para fazer chegar à população
qual é o verdadeiro conceito de parlamentarismo.
O senhor teria sido um
melhor primeiro-ministro ou presidente, dentro de um sistema parlamentarista?
Não sei, nunca vivi esse momento, não saberia te dizer.
Mas avaliando hoje...
(Risos) Não poderia te dizer, eu precisaria ter experimentado um e outro.
Mas sem dúvida, para qualquer país, o sistema parlamentarista é melhor.
As maiores potências do mundo são parlamentaristas, principalmente
na Comunidade Européia. Os Estados Unidos são a única
exceção. Mas é também um país onde as instituições
são muito sólidas. O Judiciário é respeitado, o
Legislativo do mesmo modo. Isso faz com que o presidencialismo tenha os seus
defeitos escamoteados.
Até onde o senhor
estaria disposto a ceder para aprovar a mudança para o parlamentarismo?
Há gente que diz que a proposta pode ser um caminho para uma
nova reeleição do presidente Lula...
As deduções são livres, cada um pode ter a sua. Mas o
meu objetivo fundamental, como autor da proposta, e daqueles que aparecem como
membros fundadores da Frente Parlamentarista, é difundir a idéia
e explicar como o sistema funciona. Não podemos falar de um parlamentarismo,
porque existem vários exemplos. Na Itália, ele nunca foi como
o alemão. Faço essa comparação pela rotatividade
de primeiros-ministros. No período pós-guerra, até o início
dos anos 90, a Alemanha teve seis primeiros-ministros, enquanto a Itália
teve 56.
Este é o
seu grande desafio como senador?
Quando cheguei aqui, me propus a discutir dois temas. O primeiro é o
ambiental. O outro é a mudança do sistema de governo. Estou me
dedicando muito e espero obter o êxito, que nem sempre se alcança
com o desfecho da empreitada. Só a divulgação das idéias
já pode ser encarado como uma vitória.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de junho de 2007 | Brasil
Entenda a proposta collorida para
mudar o sistema de governo no país
• Sem plebiscito – A Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) 31/ 2007, de autoria de Collor, pretende mudar o sistema de governo sem
a realização de um plebiscito ou referendo, o que ocorreu em 1963
e 1993 com vitória do presidencialismo. Legalmente isso é possível
porque não se trata de uma cláusula pétrea da Constituição.
• Aprovação – A
PEC não precisa de sanção presidencial, logo seria
uma decisão apenas do Congresso. Segundo ela, a administração
do país caberia ao presidente de um conselho de ministros, cujo
nome, indicado pelo presidente da República, teria de ser aprovado
por maioria absoluta pela Câmara dos Deputados.
• Regras – O
Conselho de Ministros responderia coletivamente perante a Câmara
dos Deputados pela política do governo e pela administração
federal. O presidente do Conselho de Ministros deveria ter idade mínima
de 35 anos e terá a designação de primeiro-ministro.
• Funções – O
presidente seguiria sendo eleito por voto direto, com direito a uma reeleição,
e teria as funções de representar o Brasil internacionalmente
e comandar as Forças Armadas. Já o primeiro-ministro cuidaria
apenas da gestão do Poder Executivo.
• Mudanças – A
alteração daria muito mais força à Câmara
dos Deputados. Mas, ela poderia ser dissolvida, em caso de uma seqüência
de discordâncias com o primeiro-ministro. O Senado e o presidente
ficariam com funções institucionais, menos práticas.
O gabinete, e o primeiro-ministro, ganham poder e, ao mesmo tempo,
são mais vigiados pelos deputados.
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REVISTA ISTO É, 11 de junho de 2007
Até onde vai a PF ?
Sem provas contundentes, a polícia
federal indica o irmão do presidente Lula em uma operação
que revela claros sinais de disputa de poder interno
Alan Rodrigues

POUCA INFLUÊNCIA Segundo a PF, Genivaldo Inácio da Silva,
o Vavá, prometia vantagens e nada fazia
Íntimos & suspeitos
Foram 166 mil chamadas telefônicas grampeadas em seis meses de investigações
realizadas em mais uma operação da Polícia Federal, desta
vez em Mato Grosso do Sul (MS).
A ação desencadeada para investigar a máfia de caça-níqueis
no País recebeu o sugestivo nome de Operação Xeque- Mate.
Entre os apreciadores do jogo de xadrez, todos sabem que xeque-mate é o
lance decisivo, quando o rei é derrubado. A pergunta que se poderia
fazer é: quem seria o rei nesta operação? "Rei é o
chefe", respondeu o ministro da Justiça, Tarso Genro. Há quem
conclua que o rei poderia ser o presidente Lula - hipótese reforçada
pelo atabalhoado indiciamento de seu irmão Genivaldo Inácio da
Silva e da prisão de pessoas de seu entorno, como o "compadre" Dario
Morelli Filho. O rei também poderia ser o próprio ministro da
Justiça, visto com desconfiança por muitos delegados. O fato é que,
por trás dessa ação da PF que mobilizou dez delegados
e 600 agentes em seis A ação desencadeada para investigar a máfia
de caça-níqueis no País recebeu o sugestivo nome de Operação
Xeque- Mate. Entre os apreciadores do jogo de xadrez, todos sabem que xeque-mate é o
lance decisivo, quando o rei é derrubado. A pergunta que se poderia
fazer é: quem seria o rei nesta operação? "Rei é o
chefe", respondeu o ministro da Justiça, Tarso Genro. Há quem
conclua que o rei poderia ser o presidente Lula - hipótese reforçada
pelo atabalhoado indiciamento de seu irmão Genivaldo Inácio da
Silva e da prisão de pessoas de seu entorno, como o "compadre" Dario
Morelli Filho. O rei também poderia ser o próprio ministro da
Justiça, visto com desconfiança por muitos delegados. O fato é que,
por trás dessa ação da PF que mobilizou dez delegados
e 600 agentes em seis entende que o doutor Lacerda é interino, é bom
comprar um banquinho".

Disputas políticas à parte, o certo é que a investigação
da Operação Xeque-Mate irritou o presidente Lula. Entre os milhares
de conversas grampeadas, os policiais consideraram 5.600 como "interessantes".
Cerca de cinco mil delas tratavam da corrupção de policiais civis
e oficiais da PM do MS que davam proteção a cinco redes criminosas
do jogo ilegal. Entre as 600 ligações restantes, uma
delas batia às portas do presidente. Trata-se da conversa entre Genival
Inácio da Silva (Vavá), irmão mais velho de Lula,
e Nilton Cézar Servo, um ex-deputado estadual do Paraná e amigo
de Vavá há oito anos. Servo é acusado pela polícia
de ser a peça-chave no inquérito que apura a jogatina ilegal.
Ele foi presidente da Associação Nacional dos Bingos e Jogos, é considerado
o comandante do esquema dos caça-níqueis em Mato Grosso do Sul
e, segundo a polícia, teria pago propinas para Vavá em troca
de eventuais facilidades junto a órgãos públicos.
Ao contrário do xeque-mate do xadrez, que exige paciência e, sobretudo,
perspicácia, na Operação Xeque-Mate os federais deixaram
um rastro de "ação tabajara" nas investigações.
Inicialmente, imaginavam ter provas até para colocar Vavá na
cadeia. O Judiciário, no entanto, negou tal pretensão. Mesmo
assim, insistiram em vasculhar a residência do irmão do presidente.
Novo fiasco. Chefiados pelo delegado Antônio Kinol, os agentes invadiram
a casa de Vavá às 6h da segunda-feira 3. Três horas depois,
deixaram São Bernardo do Campo com três folhas de papel - dois
currículos e um pedido de emprego dirigido ao senador Aloizio Mercadante
(PT-SP) - e um disco rígido de computador. Na falta de elementos contundentes,
ensaiou-se uma justificativa infantil: "Ele (Vavá) não chegava
a efetivar os pedidos, sequer os encaminhava.
Como irmão do presidente, ele pedia dinheiro a pretexto de influir politicamente
nas ações do grupo", relatou um delegado do caso. Embora
sem provar, os policiais garantiram que Vavá recebia de Nilton Servo
valores que variavam de R$ 2 mil a R$ 3 mil.
"Não é vantagem
ser parente de Lula"
Dona Maria da Silva é casada com Genival Inácio da Silva, o Vavá,
há 45 anos. Na quarta-feira 6, ela conversou com ISTOÉ por telefone.
Contou que o presidente Lula visitou Vavá em casa há menos de
dois meses. E disse que ser parente de Lula é um fardo.
ISTOÉ - O Vavá é inocente?
Dona Maria - A gente tem certeza de que ele não fez nada do que estão
falando. Vamos esperar para ver. Ele é um homem tão bom, que
gosta de ajudar os outros. Todo mundo gosta dele, e ficam inventando porcaria.
ISTOÉ - O escritório fechou mesmo?
Dona Maria - Acabou o escritório, não tem mais nada.
ISTOÉ - Mas ele vinha a Brasília de vez em quando...
Dona Maria - Poxa vida! Nem em Brasília pode ir que já fica todo
mundo em cima, achando que foi fazer alguma coisa. Parente de Lula não é vantagem
ninguém ser. Com aquela confusão [em 2005, Vavá fora acusado
de fazer lobby para empresários junto ao governo] minha filha perdeu
o emprego, está até hoje correndo atrás. Agora que estava
encaixando, vem essa bomba de novo.
ISTOÉ - O presidente ligou para ele?
Dona Maria - Sabe que não sei... O presidente eu não estou sabendo
não.
ISTOÉ - Quando foi a última vez que vocês encontraram o
presidente Lula?
Dona Maria - Ele veio agora, não faz muito tempo. Foi uma visita rápida.
Não ficou nem uma hora aqui em casa.
ISTOÉ - O que o Vavá tem feito ultimamente, afinal?
Dona Maria - Ele fica por aqui, à noite vai pra escola...
ISTOÉ - O que o Vavá tem feito ultimamente, afinal?
Dona Maria - Eu não sei direito dos problemas dele, não.
ISTOÉ - As pessoas o procuram?
Dona Maria - O que ele tem ajudado muito é pessoas da família
mesmo, que não têm convênio [plano de saúde], aí ele
arruma médico. Isso ele faz muito.
ISTOÉ - Por que ser parente de Lula atrapalha mais do que
ajuda?
Dona Maria - Porque o presidente não pode dar um apoio pra família.
Eu vejo presidente aí que emprega a família inteira, não é assim? É sobrinho, é cunhado, é irmão...
E da parte do Lula não pode. Tem uma filha da irmã dele, que
está desempregada já faz cinco anos. Isso é vantagem?
ISTOÉ - O presidente tinha que ser mais atencioso?
Dona Maria - Atencioso ele é. Mas nesse caso do emprego é contra,
diz que não pode. Se arrumar pra um, os outros caem em cima.
Apesar da fragilidade das acusações, a PF indiciou o irmão
do presidente por "exploração de prestígio e tráfico
de influência". Na noite da quarta-feira
6, os policiais conseguiram um simulacro de "prova" de que Vavá recebia
propina. Trata-se do depoimento de Andrei Cunha, ex-gerente de uma
das empresas de Nilton Servo, também preso na Operação
Xeque-Mate. Favorecido pelo instituto da delação premiada, ele
disse que ouvia Nilton Servo reclamar constantemente que Vavá lhe pedia
dinheiro. Ah, há outro simulacro no inquérito: segundo a polícia,
numa das gravações Nilton Servo diz, em conversa com terceiros: "O
Vavá está pedindo mais alto."
"O PRESIDENTE LULA (QUE ESTAVA NA ÍNDIA) QUERIA SABER
SE HAVIA ORDEM JUDICIAL E SE O PROCESSO ERA REGULAR. EU DISSE QUE SIM.
ENTÃO, SENTA O PAU, DISSE O PRESIDENTE"
Tarso Genro, ministro da Justiça

O CHEFE DA MÁFIA Nilton Servo, ex-deputado estadual no Paraná, é acusado
de chefiar um esquema de caça-níqueis. Ele comandava cinco grupos
de empresários de casa de bingos
As investigações chegaram também na casa de um compadre
do presidente Lula, Dario Morelli Filho. Ele está preso, acusado de
pertencer à mesma rede criminosa montada por Nilton Servo. Segundo a
PF, Dario, que também é amigo de Vavá, era sócio
de Servo em uma casa de jogos na Baixada Santista. O presidente é padrinho
de batismo do filho de Dario, que já trabalhou para Lula como motorista
e segurança entre o final dos anos 80 e início da década
de 90. Fiel ao presidente, Dario tem carta branca dele e da primeira-dama para
resolver problemas domésticos da família Silva em São
Paulo - desde um BO na delegacia de polícia de um roubo de aparelho
celular de dona Marisa até o furto, no ano passado, da fiação
de cobre do sítio Los Fubangos, de propriedade de Lula, próximo à represa
Billings.
O presidente Lula, que estava em viagem à Índia quando estourou
a crise, reconheceu que tinha conhecimento da operação. "Lula
queria saber se havia ordem judicial, se o processo era regular, e eu disse
que sim", relata o ministro Tarso Genro. "Então, senta o pau",
ordenou Lula. "Tenho certeza de que meu irmão não
tem nada a ver com isso em função de ser uma pessoa humilde",
disse o presidente. A ironia da história é que, aos olhos dos
humildes, a atabalhoada ação da PF pode beneficiar o presidente.
Afinal, ele agora tem o direito de dizer aos quatro cantos que "nunca
na história desse País" houve uma Polícia Federal
tão independente. O problema é que uma polícia republicana
tem mesmo que ter autonomia. O que não significa ficar à mercê dos
grupos que disputam a hegemonia da instituição.
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REVISTA ISTO É, 11 de junho de 2007
Pedro Simon
"A classe política
rouba, rouba, e não acontece nada"
O senador gaúcho diz que a solução
para a crise moral não virá da classe política
e defende que as pessoas ocupem as ruas
Por RUDOLFO LAGO

Aos 77 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) está desencantado com a
política. Ele afirma que todo o comando do País, Congresso, Executivo
e Judiciário, está de mãos atadas por conta da corrupção.
Do alto de seu desencanto, Simon diz não encontrar mais ninguém
que possa servir de exemplo às pessoas. Ele percebe que as atitudes
da maior parte dos parlamentares não se parecem com as suas e teme que
esses comportamentos comecem já a contaminar os valores do Brasil como
um todo. Por isso, esse gaúcho de Caxias do Sul, casado e pai de quatro
filhos, avalia que já não se deve esperar uma solução
para essa crise moral que saia do Parlamento brasileiro ou de qualquer outro
setor da elite política nacional. Pedro Simon prega que somente a sociedade,
de forma organizada, pode cobrar a saída que faça o País
retomar o caminho da ética e da moralidade. Ele quer as pessoas nas
ruas, cobrando de políticos, do governo e do Judiciário um novo
comportamento.
ISTOÉ - Há cerca de 15 anos, o sr. propôs
a CPI das Empreiteiras. Por que essas investigações nunca
aconteceram?
Pedro Simon - Existem vários interesses em jogo. Nas últimas
eleições - nas duas em que o Lula ganhou e nas duas em que a
vitória foi do Fernando Henrique -, as empreiteiras estavam no primeiro
lugar na lista dos doadores de campanha. Quando nós pedimos a CPI das
Empreiteiras pela primeira vez no governo Fernando Henrique, o PT não
chegou a ser contra, mas também não fez muita força. Na
segunda vez, o PT foi contra, e o PSDB também. Agora, estava quase certo
que poderia sair a CPI da Navalha. Porque envolvia uma empreiteira pequena.
O dono dessa empreiteira era subgerente de uma outra grande empreiteira da
Bahia.
Era quase certo que sairia essa CPI. Mas aí disseram: "Então,
vamos fazer de todas as empreiteiras." Agora, não vai nenhuma.
Como vai atingir todas as empreiteiras, vai atingir quase todo mundo. Aí,
infelizmente, morreu. Retiraram as assinaturas e não se consegue repor.
ISTOÉ - Então temos um Congresso comprometido?
Simon - Nós temos é o comando do País de mãos atadas.
Congresso, Executivo, Judiciário. Me honra dizer que, ao longo da história,
o Rio Grande do Sul tinha fama de ter um grande Judiciário. Agora, não
sei mais. O Judiciário também está atingido.
ISTOÉ - E como o País pode sair dessa crise ética?
Simon - Não tem que se fazer nenhuma nova lei, não é necessário
mudar nada. A única coisa que precisa é acabar com a impunidade.
Botar quem comete essas bandalheiras na cadeia. Como aconteceu na Itália
na Operação Mãos Limpas. Investigação que
prendeu ex-primeiros-ministros, mais de 100 parlamentares, empresários.
Quer dizer: fizeram para valer. Aqui no Brasil não se vê qualquer
chance de se fazer isso.
ISTOÉ - Por quê?
Simon - Aqui, inventaram primeiro o tal foro privilegiado para os parlamentares.
Para serem processados, os deputados tinham que ter licença da Câmara
ou do Senado. Aí, o procurador denunciava, o Supremo pedia licença
e o Congresso nada fazia. Engavetava. Teve parlamentar que ficou aqui 20 anos
com homicídio nas costas. Quando eu cheguei aqui pela primeira vez,
o primeiro projeto que apresentei terminava com isso. Por milagre, conseguimos
aprovar isso há alguns anos. Não precisa mais da licença
do Congresso. Foi uma festa: agora, começou a moralizar.
Aí, passou a ficar na gaveta do procurador-geral da República.
Ele não denunciava, não fazia nada. No governo Lula, os procuradores
começaram a tomar providências. Os processos começaram
a ir para o Supremo. Nunca me passou pela cabeça que, então,
os processos iam ficar na gaveta do Supremo. O Supremo e nós todos temos
que ter responsabilidade para encontrar uma saída para isso.
ISTOÉ - A situação hoje é pior do
que há 25 anos, quando o sr. chegou ao Congresso?
Simon - É pior. O país foi se corrompendo, infelizmente. Virá ao
Senado daqui a alguns dias o escritor de telenovelas Sílvio de Abreu.
Ele diz que a tevê faz pesquisas e conclui a novela de acordo com a expectativa
da opinião pública. Na última novela dele, fizeram uma
pesquisa e disseram que a mocinha devia ficar com o malandro. "O marido é um
chato".
Havia outro que cometeu irregularidades e acharam que ele não devia
ir para a cadeia."Nesse país, ninguém vai para a cadeia".
Há dez anos, isso não acontecia nas novelas.
A mocinha acabava com o mocinho, e o ladrão ia para a cadeia.

Alguém disse que, perto do que acontece hoje, o Collor deveria ser levado
para um tribunal de pequenas causas"
ISTOÉ - O que provocou isso?
Simon - A falta de bons exemplos da elite política. A classe política
rouba, rouba, e não acontece nada. Se você vir o que aconteceu
no caso de Fernando Collor, alguém disse que, perto do que acontece
hoje, ele deveria ser levado para um tribunal de pequenas causas.
Agora não: no governo Fernando Henrique e Lula, é macrocorrupção.
Perdeu-se a seriedade. Envolve enriquecimento do presidente, da família.
Um dia, alguém vai esclarecer a venda da Vale do Rio Doce. Venderam
a Vale por R$ 3 bilhões. No Sul, nós vendemos 40% de uma termoelétrica
por R$ 3,5 bilhões. E a segunda mineradora do mundo é vendida
por R$ 3 bilhões. E, de repente, hoje ela está valendo R$ 90
bilhões.
Nem que transformasse o minério em ouro, dava para aumentar o capital
dessa maneira. A emenda da reeleição foi um escândalo.
E Lula? Eu achei que quando o Lula assumisse eu poderia dormir em paz. Aí,
ganha a eleição e dá nisso que está aí?
ISTOÉ - O que o incomoda mais na atitude do presidente
Lula?
Simon - Essa coisa de, a cada denúncia, dizer que o ministro ou auxiliar é inocente
até prova em contrário. Ninguém ainda explicou para ele
a diferença da regra jurídica que considera inocente até a
condenação definitiva à regra do Direito Penal. O presidente
do Banco Central, por exemplo, está sendo processado no Supremo. Não
se pode dizer que é criminoso. Mas não se pode dizer que é inocente,
porque ele está sendo processado. Ele dirige uma instituição
delicada, que precisa ser preservada. Ele está sendo denunciado pelo
procurador- geral da República. Contra autoridades, não podem
recair suspeitas.
ISTOÉ - A constatação dessa piora não desencanta
o sr.?
Simon - Eu sou um cara que tem seus princípios. Eu não conseguiria
renunciar e ir para casa. Mas, na última eleição, eu vinha
ganhando e houve um momento em que comecei a cair nas pesquisas. Confesso que
não fiquei chateado com a perspectiva de vir a perder. Sem dúvida,
está ficando difícil.
ISTOÉ - O sr. acredita que suas posições políticas
ficam na contramão da maioria de seus pares?
Simon - Não sei. Mas veja agora: eu não falei mal do senador
Sibá Machado. Eu só acho que ele não poderia ser presidente
do Conselho de Ética num momento em que vai se julgar o presidente do
Senado, Renan Calheiros, que é também um dos maiores aliados
do governo. Não é que ele não tenha qualidades. Tem todas,
menos uma: ele é suplente.
Está sujeito amanhã a cair fora. Aí, nós temos
o corregedor, Romeu Tuma, dizendo que quer absolver, não quer condenar.
Eu nunca vi isso na minha vida.
ISTOÉ - Então, o sr. acha que o julgamento do senador
Renan Calheiros será uma mera encenação?
Simon - Eu acho que sim. Acho que está se levando para isso. Quando
Siba devolveu o processo para a Mesa, eu protestei. Achei que ele devia, ao
menos, ter ouvido o conselho. Aí, o Tuma dá um parecer que a
gente já sabe o que dirá. Ele não deu chance de a gente
acreditar que fará um trabalho isento. Nisso tudo, eu só gostei
da atitude do Renan, de rapidamente devolver o caso para o conselho. Eu não
acho que ninguém tenha que punir o Renan só porque ele teve um
caso fora do casamento. Mas o envolvimento com uma empreiteira é preciso
apurar com isenção e responsabilidade. E eu não sei se
isso vai acontecer.
ISTOÉ - O sr. acha que o Renan deveria se afastar da presidência
do Senado?
Simon - Se ele devolveu para o conselho, se não está mais na
Mesa, que ele preside, acho que ele, então, em tese, não tem
como interferir. Ele tomou uma atitude politicamente muito competente. Agora,
eu, no lugar dele, me licenciaria.
ISTOÉ - O PMDB aparece em todos os escândalos recentes do País
- Operação Navalha, Sanguessugas e no Mensalão. Como o
sr. se sente estando nesse partido?
Simon - No começo, eu me sentia arrasado. Mas não é só o
PMDB.
É o poder, o encanto do poder. Agora, é verdade que, do Sarney
para cá, nossa história não é tão bonita.
Parece que enterraram uma caveira de burro na sede do nosso partido.
ISTOÉ - Uma reforma política seria a solução
para os problemas da corrupção?
Simon - Eu não digo que reforma política seja a solução
dos problemas. Mas eu digo que a solução dos problemas passa
pela reforma política.
É preciso mudar o sistema político brasileiro. Agora, se a elite
não tem vontade, não há legislação no mundo
que resolva. Aqui, o ministro se envolve numa denúncia de corrupção, é obrigado
a renunciar e ajuda a escolher o sucessor dele. No Japão, iam iniciar
o inquérito para apurar, e o ministro se matou. Se isso tudo o que aparece
no Brasil botasse gente na cadeia, não precisava mudar nada.

"
Eu achei que quando o Lula assumisse eu poderia dormir em paz. Aí,
ele ganha a eleição e dá nisso que está aí
ISTOÉ - E hoje, quem há?
Simon - Não tem ninguém. O que eu defendo é que está na
hora de a sociedade fazer um movimento. As pessoas deveriam vir a Brasília
de verde-e-amarelo, ou de roupa branca, cercar o Congresso, cercar o Palácio
do Planalto, cercar o Supremo, botar a faca no nosso peito, e exigir uma mudança.
A sociedade tem que reagir. Nós entramos num lamaçal, numa areia
movediça, de onde ninguém consegue sair.
ISTOÉ - O sr. disse que os valores éticos da sociedade
estão comprometidos. O Congresso não é o espelho
dessa sociedade?
Simon - Já há uma contaminação. Os valores do povo
ainda não são esses. Ao contrário, eu acho que o povo
brasileiro é um grande povo, correto, responsável. Por isso,
precisa reagir.
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Folha de São Paulo, 11 de junho de 2007
CONGRESSO DO PSOL
Heloísa Helena é reeleita
após receber vaias
DA SUCURSAL DO RIO
Heloísa Helena foi reeleita presidente do PSOL, ontem, no encerramento
do 1º Congresso Nacional do partido, no Rio. Duas horas antes da votação,
a ex-senadora foi vaiada ao dizer que manteria posição contrária
ao aborto, ainda que a maioria dos 745 delegados tenha aprovado uma resolução
favorável à legalização. Sua chapa venceu com 467
votos (63,7%), contra 174 da integrada pelos ex-deputados federais Plínio
de Arruda Sampaio e Babá.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/06/2007
Sem conciliação prévia,
processo é extinto
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho decidiu extinguir processo sem julgamento do mérito,
pelo fato de não ter sido realizada audiência em comissão
de conciliação prévia. A decisão, aprovada
por unanimidade, refere-se a ação trabalhista ajuizada
no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo) por um ex-empregado da Laeta S/A – Distribuição
de Títulos e Valores Mobiliários. Após o TRT ter
negado provimento aos recursos ordinários de ambas as partes,
a empresa recorreu ao TST, mediante recurso de revista, requerendo a
nulidade do processo, tendo em vista que houve cerceamento de defesa
pelo fato de não ter sido realizada audiência em Comissão
de Conciliação Prévia.
O relator da matéria,
ministro Ives Gandra Martins Filho, assegura que a norma da CLT que prevê a
submissão de qualquer demanda às Comissões de Conciliação
Prévia (CCP), quando existentes na localidade, é pressuposto
processual negativo para o ajuizamento da reclamação na
Justiça do Trabalho. Ele enfatiza que a lei determina essa condição
em termos imperativos: “será submetida”, e não “poderá ser
submetida”.
O ministro destaca que, no caso
em questão, não há controvérsia nos autos
quanto à existência da comissão. Diante da ausência
de documento que comprove que foi frustrada a conciliação
prévia, e não tendo sido apresentado motivo relevante da
não-submissão à CCP, concluiu pela extinção
do processo sem julgamento do mérito, citando vários precedentes
do TST neste sentido. Com a decisão, ficou prejudicada a análise
do restante do recurso e reverteu-se ao reclamante a responsabilidade
pelo pagamento das custas processuais. (RR2465/2003-065-02-00.0)
(Ribamar Teixeira)

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