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Agência Diap, 13 de
junho de 2007
FGTS
Recursos do FGTS poderão ser
sacados após um ano da rescisão do contrato de trabalho
A Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal aprovou projeto que
reduz para um ano o prazo para que o trabalhador possa sacar os recursos do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Aprovado na forma de substitutivo
oferecido senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), o projeto original (PLS
126/06) é de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS). O substitutivo
aprovado estabelece que o novo prazo é válido para rescisão
por qualquer motivo, mesmo que o trabalhador venha a firmar um novo contrato
de trabalho.
Como é atualmente
Atualmente, nas hipóteses
de demissão por justa causa ou rescisão de contrato a pedido
do trabalhador, os recursos depositados no FGTS só podem ser sacados
após três anos ininterruptos sem movimentação
da conta. Há também a possibilidade de saque antes dos
três anos, mas somente quando o trabalhador é demitido sem
justa causa.
Projeto original
O projeto original do senador
Paim acrescenta dispositivos aos arts. 5º e 20 da Lei nº 8.036,
de 11 de maio de 1990, para dispor sobre a divulgação da
existência de contas inativas do FGTS e dos pressupostos para sua
liberação.
Segundo lembra o senador, os
princípios que nortearam a criação do FGTS (Lei
5.107/1966) como a promoção de capitalização
de programas de interesse social e dotar o trabalhador de um instrumento
de poupança capaz de ampará-lo na aquisição
da casa própria, ou em períodos de desemprego permanecem
intensos e são importantes para o País e todos os assalariados.
No entanto, o FGTS além
de demonstrar ao longo de seus 41 anos de existência sua importância
e eficácia, necessita de aperfeiçoamentos tais como a necessidade
de que os trabalhadores tenham conhecimento das contas inativas e tenham
a possibilidade de saque dos recursos depositados.
Contas
Na justificativa do projeto,
Paim destaca que a maioria dessas contas possui um saldo pequeno, mas
o conjunto de seus valores é bastante expressivo.
Conforme a Caixa Econômica
Federal, no exercício de 2004, havia 646 mil contas inativas que
ainda mantinham saldo, totalizando cerca de R$ 350 milhões. A
essas, se somam as contas incorporadas às Reservas Técnicas
do Fundo, por se encontrarem sem movimentação há mais
de cinco anos. Tais contas representaram o montante de R$ 13 bilhões.
Dados de 2005 indicam a existência
de 815 mil contas inativas, no total de R$ 395 milhões. Esse dinheiro
do trabalhador brasileiro acha-se, entretanto, parado nos cofres do Fundo.
Transformação em lei
Em prol de que o projeto tenha
sua apreciação concluída no Parlamento e seja o
quanto antes enviado à sanção presidencial, Paim
afirma que “é Justiça, portanto, que o trabalhador
receba todos os esclarecimentos acerca da existência de valores
de sua titularidade que estejam a sua disposição”.
Continua: “É, por
outro lado, incompreensível que o Estado - que periodicamente
veicula campanha de esclarecimento sobre o pagamento do abono do PIS-PASEP
-, não faça o mesmo em relação ao FGTS”.
E finaliza: “Ambos
são instrumentos de amparo às camadas mais desprotegidas
dos trabalhadores brasileiros e em relação a ambos é cabível
a implementação de medidas destinadas a esclarecer o
público-alvo acerca de seus direitos.” Agora, o projeto,
salvo pedido de votação no plenário do Senado,
será enviado para apreciação da Câmara dos
Deputados. (Alysson Alves)
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UOL ECONOMIA, 13 de junho
de 2007
Brasil cresce 0,8% no 1º trimestre
em relação ao anterior e 4,3% sobre um ano antes
Da Redação
Em São Paulo
A economia brasileira (o PIB, Produto Interno Bruto) somou R$ 596,2 bilhões
de janeiro a março, o que representa um crescimento de 0,8% em relação
aos três últimos meses do ano passado e de 4,3% na comparação
com o primeiro trimestre de 2006. Os números foram divulgados nesta
quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em todo o ano passado, o PIB
cresceu 3,7%. Para este ano, a previsão de analistas de mercado é de
4,2%, segundo a última edição da pesquisa Focus,
que o Banco Central realiza com cerca de cem instituições
financeiras do país.
Expansão
Todos os três setores da economia registraram expansão no primeiro
trimestre de 2007, se comparados com os resultados de um ano antes. O de serviços
cresceu 4,6%; a indústria, 3%; a agropecuária, 2,1%.
Em relação ao último
trimestre de 2006, no entanto, as atividades agropecuárias apresentaram
redução, de 2,4%. A indústria teve aumento de 0,3%,
e os serviços, de 1,7% .
A diferença das taxas
do setor agropecuário nos dois tipos de comparação
ocorreu, em grande parte, "pelo desempenho de alguns produtos que
apresentaram safra relevante no trimestre", afirma o IBGE em nota.
A produção de algodão,
milho, batata inglesa e soja apresentou estimativas de crescimento no
ano de 30%, 21%, 10% e 9%, respectivamente, segundo o Levantamento Sistemático
da Produção Agrícola realizado em abril. "Outro
fator importante foi o desempenho positivo dos bovinos, produto mais
importante dentro da pecuária", acrescentou o IBGE.
Consumo
e investimento
O consumo das famílias cresceu 6% em relação ao primeiro
trimestre de 2006 e 0,9% com o último daquele ano. Na mesma base de
comparação, o consumo do governo cresceu 4% e 3,5%, respectivamente.
A chamada formação
bruta de capital fixo, que indica os investimentos, cresceu 7,2% no confronto
com os três primeiros meses de 2006 e 2,1% sobre os três últimos.
O motivo apontado pelo instituto foi o aumento da produção
e da importação de máquinas e equipamentos.
O comércio exterior, considerando
todos os bens e serviços, registrou um crescimento significativo.
As exportações expandiram-se 5,9% em relação
ao primeiro trimestre de 2006 e 1,2% em relação ao último.
As importações cresceram mais: 19,9% sobre janeiro a maio
do ano passado e 4,1% em relação ao período entre
outubro e dezembro.
Revisão
O IBGE revisou os resultados do PIB de 2006 com ajuste sazonal (cálculo
que permite uma comparação mais precisa entre períodos
diferentes). No trimestre inicial do ano passado, houve crescimento de 1,3%,
em vez de 1,6%.
Nos três meses subseqüentes,
viu-se queda de 0,4%, e não de 0,5%. No terceiro trimestre, a
expansão ficou em 2,7%, em lugar de 2,6%. Nos últimos três
meses daquele calendário, a economia brasileira cresceu 1,1%,
e não 0,9%.
Crescer
mais
O professor norte-americano Edmund Phelps, prêmio Nobel de Economia em
2006, afirmou ontem que o Brasil deve mudar seu modelo financeiro para gerar
empregos e crescer.
Segundo ele, a redução
de impostos pedida pelos diversos setores produtivos "não é suficiente" para "equilibrar" a
economia, mas admitiu que desconhece os detalhes do sistema tributário
do país.
"O corte de impostos vai
gerar perda de arrecadação tributário e a dívida
pública cresce", obrigando ao aumento de juros, acrescentou
Phelps. A atual taxa básica, de 12% ao ano, é uma das mais
altas do mundo.
Phelps sugere seguir o modelo
de Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, mas não foi específico: "Não
vou dizer qual parafuso apertar, mas vejo que os países da América
do Sul aderiram ao pensamento corporativista europeu, onde o Governo
mostra os rombos da economia e o setor privado coordena os custos".
(Com informações de
EFE e Valor Online)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de junho de 2007 | Economia
Países fazem avanços
técnicos na criação do Banco do Sul
Técnicos chegaram a consenso sobre
convênio constitutivo e ata de fundação
Reuters
BUENOS AIRES - Os seis países sul-americanos que buscam a formação
do Banco do Sul deram mais um passo na terça-feira em direção à criação
da entidade. Eles chegaram a um consenso sobre o convênio constitutivo
e a ata de fundação, informou um porta-voz do Ministério
da Economia da Argentina.
Os acordos alcançados
pelos delegados técnicos de Argentina, Brasil, Bolívia,
Equador, Paraguai e Venezuela deverão ser referendados na próxima
reunião de cúpula dos ministros da Economia dos países
fundadores, entre os dias 28 e 29 de junho no Paraguai.
Os delegados ratificaram os acordos
fechados em Assunção no dia 22 de maio, que tratam da igualdade
de voto para cada país-membro, independentemente do tamanho de
sua economia, assim como o objetivo de financiar o desenvolvimento econômico
e social da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
Os delegados técnicos
dos seis países participaram de um encontro de dois dias em Buenos
Aires para avançar na formação da entidade. Eles,
no entanto, ainda não acertaram questões como o capital
inicial da instituição e o montante que cada governo aportará.
Uma fonte do Ministério
da Economia da Argentina, que pediu para não ter seu nome revelado,
disse que a expectativa é de que esses assuntos sejam resolvidos
na próxima reunião em Assunção.
A criação
do Banco do Sul surgiu como uma iniciativa do presidente venezuelano,
Hugo Chávez, que busca um organismo multilateral alternativo
ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de junho de 2007 | Nacional
Votação da reforma
política começa por lista partidária
Proposta seguirá para debate na Câmara
nesta quarta, mas resultado é imprevisível
Denise Madueño
BRASÍLIA - Em discussão de resultado imprevisível, o plenário
da Câmara começa a votar nesta quarta-feira o projeto de reforma
política por seu ponto mais polêmico: a chamada lista fechada
ou pré-ordenada, mecanismo pelo qual o eleitor escolhe o partido, que
terá uma lista de nomes, e não mais o candidato de sua preferência.
Depois de várias reuniões, muitas bancadas chegarão divididas
na sessão desta tarde.
Levantamentos feitos pelos líderes
e por deputados mostram que há maioria para aprovação
da lista fechada nas maiores bancadas. No PMDB e no PT, 60% do total
estão a favor. No DEM, a questão foi fechada, ou seja,
todos os deputados deverão votar a favor. A Executiva do PT antecipou
para esta quarta-feira a reunião com os parlamentares com a intenção
de fechar questão a favor da lista. Entre as bancadas médias
e menores, o PC do B também fechou questão e os 13 deputados
deverão votar a favor. No PPS, a maior parte da bancada também
está a favor.
A bancada do PSDB está rachada,
56% a favor e o restante contrário, e vai tentar chegar a uma
maioria em nova reunião nesta tarde. Entre os contrários à lista
partidária estão o PDT, o PP, o PR, cerca de 70% do PTB,
e a grande maioria do PSB. “A lista tira do eleitor o direito de
escolher seu candidato”, afirmou o líder do PSB, Márcio
França (SP). “Com a lista, vamos criar uma ditadura dos
partidos. O eleitor vai perder a identidade com o candidato”, argumentou
o líder do PR, Luciano Castro (RR).
Risco
No PMDB, apesar de os deputados estarem liberados para votar como quiser, o
líder da bancada, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que vai se manifestar
no plenário pelo voto a favor da lista fechada. “A lista divide
muito. Toda mudança tem seu risco, mas prefiro que o partido escolha,
faça a lista, do que o poder econômico”, disse o líder
peemedebista.
A ordem da votação
dos itens da reforma política foi acertada ontem em reunião
do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes
partidários. “Vamos começar pela mais difícil
e a que terá maior repercussão nas mudanças”,
afirmou o vice-líder do governo Ricardo Barros (PP-PR). O acordo
foi apenas de procedimento na votação, porque a divisão
das bancadas não permitiu avanços quanto aos pontos da
proposta.
“Não há consenso
entre os partidos nem internamente nas bancadas. Dificilmente se convence
algum deputado a votar uma regra na qual ele não terá chance
de se reeleger”, avaliou Barros. Depois da lista pré-ordenada,
os deputados votarão o item que prevê o financiamento público
exclusivo das campanhas eleitorais. Somente após essas duas votações é que
entrarão outros temas como regras de fidelidade partidária
e o fim das coligações. Nesses dois pontos as divergências
são bem menores. As votações dos pontos do projeto
serão nominais para que cada deputado deixe sua posição
clara.
Onde há consenso
Votação em lista fechada
Em vez de eleger individualmente
o candidato a vereador e a deputados, o eleitor passaria a votar em lista
fechada, previamente ordenada pelos partidos. Se a sigla tiver 5 cadeiras,
elas serão ocupadas pelos primeiros 5 nomes da lista
Financiamento público
Saem recursos privados
e só fica o financiamento público, em que o Tesouro destina
R$ 7 por eleitor, via Orçamento. Com 126 milhões de eleitores,
seriam R$ 881,3 milhões para financiamento.
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de junho de 2007
Abuso de poder
Patrão é condenado a
indenizar empregada doméstica
por Elaine Resende
Não é admitido
o tráfico de influência para ter acesso privilegiado a serviços
públicos, ainda que na defesa do patrimônio pessoal. O entendimento é da
juíza Tamara Gil Alves Portugal, da 9ª Vara de Trabalho de
Brasília, e foi aplicado para condenar um empreiteiro a pagar
R$ 8 mil de indenização para uma ex-empregada doméstica.
Cabe recurso.
Marlúcia Gonçalves
de Souza acusa os patrões Thereza Cristina Salomão Gonçalves
e Fernando Márcio Queiroz, donos da Via Engenharia, de a terem
submetido a constrangimento em investigação de furto. Segundo
Marlúcia, para investigar o sumiço de jóias e relógios
em sua residência, o casal acionou todo um aparato policial.
Consta dos autos que até mesmo
o Departamento de Combate a Crimes Organizados e a Divisão de
Inteligência, ambos serviços especiais, foram destacados
para a investigação. O inquérito teria acontecido
de forma rápida e com toda a estrutura policial disponível.
Os funcionários da casa
suspeitos teriam sido submetidos a detector de mentiras e dois deles,
incluindo Marlúcia, sofreram busca e apreensão em suas
casas.
“Tudo de forma rápida
e diligente, cuja presteza e desproporção saltam aos olhos
de qualquer cidadão brasileiro, ante certa lentidão e falta
de empenho que comumente se observa na apuração e punição
de crimes de tal natureza”, observou a juíza Tamara.
O empreiteiro Fernando Márcio
Queiroz negou que tenha feito uso de sua influência junto a políticos
do Distrito Federal, como a governadora à época, para agilizar
a investigação do furto.
Nos autos, o delegado do departamento
de crimes organizados reconheceu que este seria o primeiro caso em que
um furto em uma residência foi apurado pelo seu setor.
“Não há como
negar que o reclamado (Fernando) utilizou do poder econômico, amizade
e influência política com objetivo de obter a atenção
especial, não disponível aos cidadãos em geral,
para a apuração do delito que o vitimou”, entendeu
a juíza.
Para ela, é inegável
a gravidade do fato e o direito dos patrões de buscarem apuração
e punição a quem os dilapidou. No entanto, eles deveriam
ter se utilizado da estrutura disponível a todos.
A juíza aplicou a tese
de que "no exercício de um direito, o sujeito deve manter-se
nos limites do razoável, sob pena de praticar ato ilícito" e
assim, se ver obrigado a indenizar.
O ato ilícito, segundo
entendeu, é a conduta abusiva do reclamado ao utilizar de poder
econômico e amizade com políticos para induzir uma apuração
privilegiada do furto que o vitimou.
A juíza considerou que
a empregada sofreu “um constrangimento extraordinário em
relação ao que era de se esperar em situação
semelhante, sequer havendo nos autos prova de qualquer suspeita fundada
de que a reclamante teria sido autora ou co-autora do furto”.
Para ela, a conduta da
Polícia foi proveniente de influência abusiva presumidamente
exercida pelo empreiteiro, o que caracteriza também a sua culpa.
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Agência Diap, 13 de
junho de 2007
Um Congresso distante do povo
Por: Marcos Verlaine*
Eleito sob forte descrença
do povo, o atual Congresso — Câmara e Senado — foi
renovado em 47% e é majoritariamente liberal-conservador. Isto
demonstra, em certa medida, que apenas criticá-lo pouco resolve
no quesito qualidade e compromisso com as demandas dos setores menos
favorecidos da população.
Veja como o “trabalho” está sub-representado no Congresso
pelo perfil socioprofissional da Câmara e do Senado eleitos em 2006,
por ocupação preponderante, segundo dados da publicação “O
que esperar do novo Congresso”, do Diap e do Congresso em Foco. 263 deputados
são profissionais liberais e trabalhadores de nível superior.
Isto representa 51% da Casa. No Senado, são 46 (56,5%). Os empresários
urbanos e rurais são 182 (35,5%). No Senado, 27 (33,5%).
Os operários e outros trabalhadores são apenas 18 (4%) entre
os deputados. Entre os senadores apenas 1 (1,25%). Já os trabalhadores
especializados são 17 (3%); e 1 (1,25%). São 13 (3%) os apresentadores
de rádio e TV, artistas e radialistas; no Senado, 2 (2,5%). Na Câmara
têm 7 (1,25%) são pastores e bispos evangélicos; no Senado,
2 (2,5%). São 6 (1%) policiais na Câmara; e 1 (1,25%) no Senado.
Assim, por estes números pode-se ver que a grande massa dos trabalhadores
brasileiros não está representada no Legislativo Federal.
A função do legislador, sobretudo do deputado, eleito em pleito
proporcional, é fiscalizar os atos do Poder Executivo, formular políticas
públicas e representar a população. Os senadores também
cumprem estes papéis básicos, mas representam os estados, sendo
eleitos em pleito majoritário, três por Unidade da Federação,
com mandatos de 8 anos.
Quando o parlamentar não cumpre estas três tarefas básicas
orientadas pelo interesse público, o congressista deixa de atuar adequadamente
como representante popular, a instituição cai em descrédito
e o povo é quem paga e sofre por isso, sobretudo os estratos mais carentes
da população, que demandam mais políticas públicas
do Legislativo e políticas sociais do Executivo.
A legislatura passada foi profundamente marcada por escândalos éticos,
cassações, renúncias e trocas de partido. “Dos 594
congressistas [513 deputados e 81 senadores], 189 — 165 deputados e 24
senadores — responderam a denúncias criminais do STF, foro exclusivo
para julgamento de crimes praticados por congressistas”, divulga a publicação “O
que esperar do novo Congresso”.
Muito esforço, pouco resultado
Dessa forma, a nova legislatura
e seus representantes, embora haja muito esforço dos presidentes
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP), e do Senado, Renan Calheiros
(PMDB/AL), ainda não conseguiram passar uma imagem mais solidamente
consentânea com o que o povo deseja. Pelo contrário. Ainda
mais agora com novo escândalo que envolve o presidente do Senado.
Mas o Congresso não representa menos o povo porque ainda não
se desvencilhou de suas crises intestinas. Isto é apenas parte do problema.
Representa menos porque é menos popular, tem menos deputados e senadores
comprometidos com as demandas dos assalariados e dos estratos sociais em desvantagem.
Ou seja, sendo a representação parlamentar uma questão
de classe social, os setores populares, em geral, e os assalariados, em particular,
maioria da população, estão sub-representados no Parlamento.
E o exemplo mais concreto disto é o fato de o salário mínimo,
que atinge mais de 40 milhões de trabalhadores no País, não
tem quem o defenda na Câmara, como fazia de maneira exemplar o ex-deputado
e atual senador Paulo Paim (PT/RS).
Bancada dos empresários
A maior bancada informal do Congresso
atualmente é a bancada dos empresários. Desde a legislatura
1991/1995, isto é, pós-Constituinte, o Legislativo não
via uma bancada tão numerosa assim.
À quela época, a promulgação, na Constituinte, de
uma Carta socialmente avançada, foi uma das razões que motivou
os empresários a ingressarem na política para tentar mudar aquilo
que eles não concordavam na Constituição de 88, por meio
da revisão constitucional. Por isso, ao invés de mandarem para
o Congresso seus prepostos resolveram eles mesmos defender seus interesses de
classe.
De lá para cá, a bancada empresarial desta legislatura é a
mais significativa. “São 219 entre os 618 parlamentares pesquisados
(35%): 190 na Câmara (35,5% dos 532 que exerceram mandato de fevereiro
a abril de 2007) e 29 no Senado (34% dos senadores, entre titulares e suplentes)”.
Estes dados são da publicação “O que esperar do
novo Congresso”.
Os números são demolidores. Diante destes dados verifica-se porque
este Congresso está mais distante do povo e o representa menos. É por
isto, no fundamental, que o Legislativo demora a compreender as demandas populares
e não consegue votar matérias que não geram despesas para
os cofres públicos, que tem forte apelo contrário dos empresários.
Projetos emblemáticos
É o caso dos projetos,
prontos para votação desde 1988 e 1991, do atual senador
Paulo Paim (PLP 33/88) e do ex-deputado constituinte Nelson Jobim (PLP
22/91), contrários à demissão arbitrária
do trabalhador.
Outro projeto emblemático, por sua autoria, do ex-presidente FHC, senador
na legislatura 1991/1995, é o PL 2.902/92, no Senado, PLS 17/91, que
protege o trabalhador em face da automação da empresa. Está pronto
para votação no plenário da Câmara desde 1992. Pode-se
citar ainda a PEC 231/95, de autoria do ex-deputado e atual senador Inácio
Arruda (PCdoB/CE) e de Paulo Paim, arquivada, que propunha diminuir a jornada
máxima de trabalho para 40 horas semanais e aumentar para 65% a remuneração
de serviço extraordinário.
Há muitos outros, mas estes são emblemáticos porque não
geram despesas para nenhum dos entes federados — União, estados
e municípios — entretanto, não são votados porque
batem de frente com os interesses empresariais no Congresso. E como a fração
popular no Congresso é minoritária e os movimentos sociais não
conseguem definir uma agenda comum, estes e outros projetos que poderiam melhorar
a vidas dos trabalhadores dormitam nos escaninhos do Legislativo.
Para mudar esta realidade será preciso mais que críticas do povo
e dos movimentos sociais ao Congresso. Será necessária uma grande
mobilização, por exemplo, em defesa de uma reforma política
democrática, a fim de tornar o processo eleitoral mais partidário,
programático e ideológico, mas sem a influência do poder
econômico, que muitas vezes desvirtua a disputa e o resultado do pleito
e mantém o povo afastado organicamente dos partidos e do debate eleitoral,
transmutando-o de ator principal em mero expectador. (*)
Jornalista e assessor parlamentar do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria
Parlamentar)
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Folha
de São Paulo, 13 de junho de 2007
Ajuda a "vítimas" do câmbio
custa R$ 1 bi
Pacote inclui linhas de crédito com juros
subsidiados, incentivos tributários e mudança na taxação
de importados
Empresas com faturamento anual de até R$
300 mi terão linha de crédito no BNDES de R$ 3 bi, sem
exigência de manter ou gerar emprego
JULIANNA SOFIA
FERNANDO NAKAGAWA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo anunciou ontem um
pacote para socorrer setores exportadores intensivos em mão-de-obra
que vêm sofrendo os efeitos do que o Ministério da Fazenda
chamou de "sobrevalorização" do real. As medidas
-que custarão ao Tesouro Nacional R$ 1,057 bilhão- prevêem
a criação de linhas de crédito para as empresas,
benefícios tributários e mudanças na taxação
de produtos importados.
O BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social) oferecerá três
linhas especiais de financiamento no valor total de R$ 3 bilhões.
Os juros serão subsidiados pelo Tesouro. O programa, chamado
Revitaliza, é destinado a empresas com faturamento anual de
R$ 300 milhões dos setores de calçados, artefatos de
couro, têxtil, confecções e móveis.
Na área tributária,
o governo editará uma medida provisória para reduzir
o prazo para as empresas utilizarem créditos de PIS e Cofins
obtidos na compra de máquinas e equipamentos. Hoje, elas compensam
esses créditos com outros impostos ao longo de 24 meses. Com
a mudança, o uso será imediato.
Além disso, haverá a
ampliação do Recap (regime especial de compra de bens
de capital para empresas exportadores). Pelas regras atuais, as empresas
que exportam mais de 80% da produção não precisam
recolher PIS/Cofins na compra de insumos e bens de capital (máquinas
e equipamentos). Esse limite cairá para 60%, beneficiando mais
60 empresas. As duas medidas tributárias terão um impacto
de R$ 650 milhões e atenderão também aos setores
automotivo e de eletroeletrônicos.
"O governo tomará medidas
para garantir a competitividade de setores da indústria de transformação.
Não são as primeiras nem serão as últimas. É um
processo permanente, em que vamos ajustando o foco para garantir que
a indústria brasileira possa competir em pé de igualdade
com a indústria globalizada", afirmou o ministro Guido
Mantega (Fazenda). No pacote, não há exigência
de contrapartida por parte das empresas na geração ou
na manutenção de empregos.
Em abril, o governo já havia
anunciado a elevação da tarifa (atingindo o máximo
de 35%) para calçados e têxteis para dificultar a entrada
desses produtos e proteger a indústria nacional. Também
foram criadas, em 2006, linhas de crédito especiais para atender
a esses dois setores e a indústria moveleira.
A desoneração
tributária promovida pelo governo desde 2004 já ultrapassa
R$ 29 bilhões, incluindo os incentivos do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento). Nos próximos dias, a equipe econômica
deverá divulgar novo pacote aos setores automotivo e de eletroeletrônicos.
Mantega destacou que os juros das três linhas especiais do BNDES são
os mais baixos das últimas décadas. Os financiamentos serão
para investimento, capital de giro e exportação. Dos R$ 3 bilhões,
R$ 2 bilhões são recursos do BNDES e R$ 1 bilhão, do FAT
(Fundo de Amparo ao Trabalhador).
"Nunca uma taxa tão
baixa foi oferecida a esses setores", declarou o presidente do
BNDES, Luciano Coutinho. Uma quarta linha será criada para a
reestruturação (fusões e aquisições)
das empresas, mas as taxas de juros não terão taxas subsidiadas. "Não
faz sentido oferecer crédito com taxas especiais para uma empresa
comprar outra", explicou Coutinho.
A última medida, que
ainda precisa passar pela Camex (Câmara de Comércio Exterior),
estabelece uma nova forma de tributação nas importações
de vestuário e acessórios. O governo avalia que há subfaturamento
na importação desses produtos, gerando concorrência
desleal com os produtos nacionais e sonegação de imposto.
Pela proposta, a tributação
passará a ser feita sobre a quantidade importada (quilo),
não mais pelo preço da importação.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2007 | Economia
Renúncia de cerca de R$ 17 bilhões
deixou de fora desoneração da folha de pagamento
O alto custo da desoneração da folha de pagamento das empresas
fez o governo colocar em “banho-maria” as discussões sobre
a medida. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a redução
da cota recolhida pelas empresas para o INSS – atualmente 20% da folha – em
cinco pontos porcentuais significaria uma perda de arrecadação
de mais de R$ 17 bilhões.
Ele explicou que a redução
em um ou dois pontos porcentuais traz uma alívio tributário
muito pequeno para as empresas, mas provoca um impacto muito grande para
o erário. “Essa desoneração teria de ser compensada
de outra maneira, tributando o faturamento, ou ser uma renúncia
mesmo. Foi aí que a coisa pegou”, disse.
Mantega acrescentou que, embora
o governo ainda não tenha encontrado um modelo para a desoneração
da folha, estudos continuarão sendo feitos. Ele enfatizou que
o pacote anunciado ontem para as empresas tem o mesmo impacto em termos
de redução de custos que a desoneração da
folha.
“Os estudos até agora
não foram conclusivos e não chegamos a um modelo que fosse
eficaz para atingir os nossos objetivos. Então estamos desonerando
os investimentos desses setores [intensivos em mão-de-obra]. Você não
está reduzindo o custo da folha, mas o do investimento. Para a
empresa o resultado é semelhante”, afirmou.
Uma das possibilidades em estudo
pela Fazenda era transferir parte da contribuição previdenciária
das empresas para o faturamento, elevando as alíquotas de PIS/Cofins.
O receio da Receita Federal, no entanto, é que a mudança
sobrecarregue a base de incidência desses tributos, provocando
efeitos colaterais como a sonegação.
Iedi reclama
O economista-chefe do Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira,
afirmou que a desoneração da folha foi mesmo a grande ausência
nas medidas anunciadas pelo ministro Guido Mantega. No entanto, Pereira
elogiou a alteração na forma de cobrança do Imposto
de Importação (II).
“Os setores beneficiados
possuem mão-de-obra intensiva. Uma medida que reduzisse os encargos
na folha de pagamento ajudaria a reduzir os custos correntes de produção,
aumentando a competitividade dessas empresas”, acredita.
Apesar disso, Pereira afirma
que a alteração na cobrança desse imposto é bastante
positiva. “A medida diminui o efeito do subfaturamento, uma vez
que a cobrança passará a ser um valor sobre a quantidade,
e não mais um porcentual sobre o valor do produto”, afirma.
De acordo com Pereira, o problema
atual das empresas são os custos correntes de produção.
Por conta disso, os investimentos acabam em segundo plano. “O governo
anunciou um pacote de incentivo ao investimento. Isso é positivo,
mas vai beneficiar aqueles que já tinham projetos de expansão”,
afirma.
“O pacote não
traz medidas que beneficiem diretamente aqueles que estão com
dificuldades na produção corrente”, completa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2007 | Mundo
OIT calcula que 218 milhões
de crianças trabalham no mundo
Agricultura, mineração e
construção são os setores que mais usam mão-de-obra
infantil
Salvatore Di Nolfi/EFE

Crianças protestam contra o trabalho infantil em frente do prédio
das Nações Unidas, em Genebra.
São Paulo – A Organização Internacional do Trabalho
(OIT) calcula que cerca de 218 milhões de crianças trabalham
no mundo, e mais de 22 mil morrem a cada ano devido à atividade. O levantamento
foi divulgado por ocasião do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil,
comemorado ontem.
Cerca de 70% das crianças
que se dedicam ao trabalho infantil estão na agricultura, embora
calcular o número exato seja difícil, pois se trata de
uma atividade freqüentemente clandestina.
Cinco organizações,
entre as quais a própria OIT e a Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO), se uniram para tentar encontrar maneiras de erradicar o trabalho
infantil agrícola.
“É simplesmente
inaceitável”, afirmou ontem em comunicado o subdiretor-geral
de Agricultura e Defesa do Consumidor da FAO, José Maria Sumpsi.
A cada dia cerca de 132 milhões
de crianças de 5 a 14 anos são “forçadas a
trabalhar na terra, freqüentemente em condições insalubres
e perigosas”, segundo a FAO.
A agricultura – junto com
a mineração e a construção – é considerada
um dos setores trabalhistas mais perigosos, com horários de trabalho “excessivamente
longos”, exposição a produtos químicos perigosos
e o transporte de cargas pesadas, o que pode ter complicações
a longo prazo no desenvolvimento e no crescimento infantil.
Queda
Para a FAO, a única estratégia “válida” para
acabar com o trabalho infantil é diminuir a pobreza nas áreas
rurais dos países em desenvolvimento.
Alguns países pobres realizaram
avanços notáveis na redução do trabalho infantil,
até chegar a quase eliminá-lo, como no estado de Kerala,
na Índia.
Em um relatório divulgado
em 2004, a OIT demonstrou que o número de crianças trabalhadoras
havia caído 11% no mundo entre 2000 e 2004. Liderada pelo Brasil
e pelo México, a região da América Latina e Caribe
também registrou uma queda notável, passando de 16% para
5% entre 2000 e 2004.
A FAO lembra que nem todas as
atividades realizadas pelas crianças podem ser consideradas como
trabalho infantil, pois há algumas atividades leves, que não
prejudicam a educação e são aceitáveis a
partir dos 12 ou 13 anos, além dos trabalhos tidos como não
perigosos para os adolescentes de 15 e 16 anos.
Nestes casos, o trabalho infantil
pode ser visto como parte do aprendizado da criança dentro de
seu modo de vida rural.
Para a OIT, programas brasileiros
como o Toda Criança na Escola, o Bolsa Família e o Programa
de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) são exemplos
de iniciativas que, a partir dos anos 90, incentivaram as crianças,
e suas famílias, a trocar o trabalho pela sala de aula.
O Peti paga à família
R$ 40 por cada criança que deixe de trabalhar e volte aos estudos.
A criança também deve participar de uma atividade no horário
em que não estuda – a chamada jornada ampliada. Os municípios
recebem ainda R$ 20 por criança para ajudar no projeto.
Se a família estiver
cadastrada no programa Bolsa Família, o valor sobe para R$ 95.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2007 | Mundo
Levantamento inclui mais 400 mil
crianças brasileiras
Brasília – Mais de 400 mil crianças trabalhadoras até então
não contabilizadas fazem o número de menores que trabalham no
Brasil aumentar para quase 3 milhões, divulgou ontem a Organização
Internacional do Trabalho (OIT). A OIT incluiu no novo levantamento os últimos
estudos do IBGE, que começaram a cobrir a remota região amazônica.
Até agora, com dados atualizados até 2005, considerava-se que
havia cerca de 2,5 milhões de crianças trabalhadoras no Brasil,
com idades entre 5 e 15 anos.
Cerca de mil crianças
protestaram ontem, em Brasília, contra a exploração
da mão-de-obra infantil com mil cartões vermelhos, em
uma analogia ao futebol.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2007 | Economia
Mercosul lidera interesse dos europeus
Brasil é o quarto país prioritário
entre os exportadores da Europa
Rio de Janeiro – O Mercosul ficou em primeiro lugar, empatado com a China
e a Índia, entre as regiões prioritárias para os exportadores
europeus. No ranking por países, o Brasil ficou no quarto lugar, atrás
apenas de China, Índia e Rússia. Estes resultados fazem parte
de pesquisa promovida pela Comissão Européia em janeiro e fevereiro
deste ano. O levantamento envolveu associações comercias dos
países membros da União Européia, governos ou órgãos
estatais, empresas e entidades da sociedade civil.
Para o item específico
de quais regiões são prioritárias para os exportadores,
a pesquisa obteve 26 respostas, sendo 19 de associações
empresariais e o restante de empresas e entidades da sociedade civil.
Desses, China, Índia e Mercosul foram apontados por 20 como prioritários.
A Rússia foi indicada por mais de 15 participantes e o Brasil
por mais de dez.
O conselheiro-chefe da Seção
para Assuntos Comerciais da Comissão Européia no Brasil,
Fabian Del Cros, apresentou esses resultados em evento promovido por
cinco câmaras de comércio de países europeus com
relações com o Brasil: francesa, britânica, italiana,
alemã e portuguesa.
De acordo com a pesquisa, o que
incomoda os exportadores europeus no Mercosul são as chamadas
barreiras não-tarifárias. São questões de
regulamentação, inclusive sanitária, “problemas
fiscais, aduaneiros e de burocracia”, informou Del Cros.
Segundo o conselheiro, o acordo
econômico entre União Européia e Mercosul provavelmente
poderá ser fechado rapidamente a partir de setembro deste ano. “Teremos
uma oportunidade concreta, do ponto de vista técnico, para fechá-lo.”
As negociações
do acordo bilateral dependem de uma definição do que
será decidido na Rodada de Doha da Organização
Mundial do Comércio (OMC) porque às duas regiões
interessa aprofundar o que vier a ser resolvido em Doha. No entanto,
segundo Del Cros, mesmo se a Rodada multilateral fracassar, as negociações
do acordo bilateral poderão avançar. “Independente
de sucesso ou fracasso na OMC, a partir do momento que tivermos claridade
nas negociações multilaterais, provavelmente poderemos
fechar rapidamente as negociações bilaterais.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2007 | Brasil
Stédile acusa Lula de esconder
efeitos da crise social
Brasília – Dois dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a falar em mudança de poder no país,
mesmo faltando mais de três anos para terminar o governo do seu antigo
aliado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder João
Pedro Stédile disse que as mudanças são possíveis
se “as massas forem para as ruas”.
Segundo Stédile, o MST
acumula forças e espera o momento em que o povo brasileiro volte
a se mobilizar. Stédile acusou o governo Lula de “abafar” os
efeitos da crise. “No meio do povo, a crise está sendo maquiada
com o programa Bolsa Família.”
No mesmo evento, o 5.º Congresso
Nacional do MST em Brasília, com a presença de cerca
de 10 mil sem-terra, o dirigente Gilmar Mauro disse que o movimento
vai construir um novo ciclo “que ajudará a fazer uma revolução
no Brasil”.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAUL, 13 de junho de 2007 | Economia
Câmara vota lista fechada e
financiamento público na quarta
Líderes e Chinaglia começarão
a votar reforma política pelos pontos mais polêmicos
Denise Madueño
BRASÍLIA - O presidente
da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e os líderes partidários
acertaram em reunião nesta terça-feira, 12, que a votação
da reforma política começará pelo ponto mais polêmico:
a chamada lista fechada ou pré-ordenada. A votação
está marcada para esta quarta-feira, às 9 horas, mas a
discussão da reforma deve tomar todo o dia, estimam os deputados.
Por esse sistema da lista, o
eleitor passaria a votar no partido - que elaboraria uma lista de candidatos
- e não mais diretamente no candidato.
Após essa votação,
está prevista a discussão do financiamento público
de campanha. A fidelidade partidária é o tópico
que apresenta menos divergências entre os diversos partidos políticos
da Casa.
Na reunião desta terça,
os líderes trataram apenas de procedimentos, já que há divisão
interna nas bancadas sobre alguns pontos do projeto. Depois da lista
pré-ordenada, os deputados votarão a proposta que prevê o
financiamento exclusivo das campanhas eleitorais. Somente após
essas duas votações é que entrarão outros
temas como regras de fidelidade partidária e o fim das coligações.
As votações do
projeto de reforma serão nominais para que cada deputado deixe
sua posição clara com relação aos temas.
Chinaglia disse que serão votadas nesta terça duas medidas provisórias.
O presidente da Câmara disse que dará tempo igual para cada líder
expor a posição de sua bancada, durante a sessão.
Reforma ´defasada´
O deputado Flávio Dino
(PCdoB-MA) afirmou nesta terça que o projeto de reforma política
que está na pauta de votação no plenário
da Câmara já está defasado. O projeto de reforma
política na pauta de votação trata de mudanças
em lei ordinária que, na hierarquia das leis, está submissa
a questões constitucionais.
Dino disse que o Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) decidiu que o deputado eleito que mudar de legenda perde
o cargo, porque o mandato pertence ao partido. A tendência é de
o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar a decisão do TSE. "Fidelidade
partidária é tema constitucional depois da decisão
do TSE. Hoje não é possível tratar de fidelidade
sem mencionar a Constituição", afirmou Dino.
No caso da fidelidade partidária,
Dino defende a votação de uma emenda constitucional que
institua essa regra. "Temos de votar, porque são dois problemas.
A situação de 1.500 a 2.000 deputados federais, estaduais
e vereadores que trocaram de partido nos últimos anos e estão
inseguros com a situação, porque daqui a quatro meses será o
término do prazo de filiações visando às
eleições municipais", afirmou. "O projeto está desatualizado
principalmente por causa dessas duas questões´´, disse
Dino.
PT
Na segunda, o secretário
de Comunicação da Executiva do PT, Gleber Naime, afirmou
que o partido fechará questão na quinta-feira a favor da
votação em lista fechada elaborada pelos partidos. Fechar
questão significa que todos os deputados e senadores têm
de votar de acordo com a posição do partido sob risco de
punição.
"O PT vai fechar questão
no voto em lista fechada na quinta-feira", afirmou. "O PT não
libera a bancada nesta questão. O partido tem de ter uma opinião",
completou.
Gleber Naime ressaltou que para
o PT os mandatos são do partido e as bancadas são órgãos
partidários. Ele, no entanto, evitou falar de punições
para quem desrespeitar a decisão partidária, alegando que
essa e uma decisão futura.
(Com Reuters)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAUL, 13 de junho de 2007 | Nacional
Projeto proíbe instituições
de empregarem menores de 16
O projeto aprovado no CAE impede a contratação,
salvo na condição de aprendiz
Milton F. da Rocha Filho
BRASÍLIA - A Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira,
12, em decisão terminativa, projeto que proíbe a contratação
por empresas junto as instituições públicas de fomento
econômico e de estímulo à produção
agrícola ou industrial de financiamentos, crédito, isenção
ou outro benefício, desde que empreguem menores de 18 anos em
trabalho noturno, serviços com algum risco, ou menores de 16 anos
em quaisquer circunstâncias, salvo na condição de
aprendiz a partir dos 14 anos.
O projeto aprovado em caráter
terminativo é de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES). O
projeto foi relatado pela senadora Patrícia Saboya (PSB-CE), que
deu parecer favorável com emendas.
O projeto proíbe que instituições
públicas de fomento econômico e de estímulo à produção
agrícola ou industrial concedam financiamento, crédito,
isenção, renegociação de dívida ou
outro benefício financeiro.(Milton F.da Rocha Filho, da AE)
Bate-boca
Um bate-boca entre os senadores
Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Aloizio Mercadante (PT-SP) também
marcou a sessão da Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE) do Senado. A discussão ocorreu por conta do projeto que
trata do regime tributário, cambial e administrativo das Zonas
de Processamento de Exportação (ZPEs).
Na abertura da sessão,
os senadores, a contragosto de Tasso, autor da proposta, decidiram adiar
a votação das emendas ao projeto para a semana que vem.
Com o adiamento, Tasso deixou a sessão, mas viu, pelo telão,
Mercadante, presidente da CAE, criticando o projeto.
O tucano voltou então
para a Comissão e disse que Mercadante não pode discutir
o projeto e presidir a CAE ao mesmo tempo. "Como presidente o
senhor não pode discutir a matéria. É praxe, é regimental.
Ele (Mercadante) tem sempre a mania de dar a última palavra",
afirmou Tasso, com a voz alterada. Mercadante, por sua vez, retrucou
e disse estar procedendo com base no artigo 89 e que, portanto, tem
sim amplo direito de se manifestar.
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INFOMONEY, 13 de junho de
2007
Comissão vota proposta de reajuste
para aposentados que ganham acima do mínimo
SÃO PAULO - O Projeto
de Lei Complementar 311/02, da Comissão de Legislação
Participativa, que prevê reajuste com base no Índice Nacional
de Preços (INPC) de maio de 1989 para aposentados que recebem
acima do mínimo, estará mais perto de se tornar lei a partir
de quarta-feira (13).
Isso porque a previsão é de
que a Comissão de Seguridade Social e Família vote-o nesta
data. Depois disso, a proposta seguirá para uma comissão
quadripartite e paritária, com representantes dos aposentados
e pensionistas, dos trabalhadores em atividade, dos empresários
e do governo.
Perdas
Conforme divulgou a Agência
Câmara, a comissão representativa terá como objetivo
principal definir a forma de custeio para o pagamento das perdas dos
aposentados desde 1989 e estabelecerá uma cesta que servirá de
base para a elaboração de um índice destinado a
atualizar os benefícios previdenciários.
O relator da matéria,
deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), recomenda sua aprovação
como forma de substitutivo para alterações técnicas
de caráter legislativo.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
13 de junho de 2007
Cartórios não podem cobrar
por registro de pessoas de baixa renda, diz Supremo
O STF (Supremo Tribunal Federal) declarou a constitucionalidade de normas que
dispõem sobre a gratuidade do registro civil e da certidão de óbito
para cidadãos reconhecidamente sem condições para arcar
com os documentos.
De acordo com o Supremo, por
maioria e acompanhando o voto-vista do ministro Ricardo Lewandowski,
os ministros declararam constitucionais os artigos 1º, 3º e
5º da Lei nº 9.534/1997. Os dispositivos eram alvo de uma Adin
(ação direta de inconstitucionalidade) impetrada pela Anoreg
(Associação dos Notários e Registradores do Brasil)
e de uma ADC (ação declaratória de constitucionalidade).
A Anoreg é contra a edição
da lei, sob o argumento de que houve ofensa ao princípio da proporcionalidade.
A entidade alegou que os cartórios, entes pertencentes à esfera
privada, terão que arcar com o ônus da gratuidade, fato
que ensejaria o trabalho forçado e a ofensa ao princípio
da liberdade profissional.
Assim, estaria configurada “ilegítima
intervenção estatal nos serviços exercidos em caráter
privado”, conforme prevê o artigo 236 da Constituição
Federal. A ADC da Procuradoria Geral da República, por outro lado,
defendeu a declaração de constitucionalidade dos mesmos
artigos pelo Supremo.
O relator original de ambas as
ações era o ministro Nelson Jobim, que deferiu liminar
para a ADC, mantendo a gratuidade em vigor até o julgamento do
mérito, que aconteceu nesta segunda-feira (11/6). No julgamento
de 2006, o ministro Ricardo Lewandowski pediu vista dos autos.
Segundo Lewandowski, em seu voto-vista,
a isenção dos emolumentos previstos na Lei 9.534 /97 não
romperia o equilíbrio econômico-financeiro dos cartórios
que inviabilize sua continuidade. Ele destacou ainda o princípio
da proporcionalidade, que exige que o Estado preste proteção
eficaz aos “economicamente hiposuficientes”, sobretudo em
relação aos seus direitos de cidadania.
“O nascimento e a morte
constituem fatos naturais que afetam igualmente ricos e pobres, mas as
suas conseqüências econômicas e sociais distribuem-se
desigualmente entre eles”, concluiu.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/06/2007
TST: não há juros de mora
sobre débito de empresa em liquidação
A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou a supressão da incidência de juros
de mora sobre débito trabalhista de uma empresa do grupo Bamerindus,
que se encontrava em processo de liquidação extrajudicial.
A decisão, adotada por unanimidade, reforma em parte decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná).
Trata-se de ação
movida por um ex-empregado, contratado como comandante de aeronave, em
1978, pelo Banco Bamerindus do Brasil S/A. Juntamente com outra empresa
do grupo – a Bamerindus S/A Participação – o
banco mantinha sociedade na Araucária Aerotáxi Ltda., para
onde o piloto foi imediatamente transferido após sua contratação.
Dispensado sem justa causa em 1998, ele ajuizou reclamação
trabalhista contra a Araucária, tendo como segundo reclamado o
Banco Bamerindus do Brasil.
O juiz da Vara do Trabalho de
São José dos Pinhais proferiu sentença dando ganho
de causa ao trabalhador e concedendo, entre outras diferenças
salariais, gratificação por idioma falado, adicional de
periculosidade e horas extras, com reflexos sobre verbas rescisórias.
Ambas as partes recorreram e
obtiveram provimento parcial dos respectivos recursos. Da parte da empresa,
o TRT decidiu excluir da relação processual a Araucária
Aerotaxi, tendo em vista sua extinção, assim como deferiu
a exclusão de gratificação por idioma falado e outras
diferenças salariais. Quanto ao recurso do piloto, acrescentou às
verbas indenizatórias horas extras aos domingos e em dias de folga.
Inconformados, reclamante e reclamado
apelaram ao TST. A relatora do processo, juíza convocada Maria
Doralice Novaes, deu provimento parcial ao recurso do Bamerindus, excluindo
a incidência de juros de mora sobre os débitos trabalhistas.
Em seu voto, ela analisa a decisão do regional, que havia negado
recurso neste sentido, sob o fundamento de que a fluência de juros,
conforme a lei, é tratada diferentemente nas hipóteses
de liquidação e de intervenção. Para a relatora,
houve contrariedade à Súmula 304 do TST, que estabelece: “Os
débitos trabalhistas das entidades submetidas aos regimes de intervenção
ou liquidação extrajudicial estão sujeitos a correção
monetária desde o respectivo vencimento até seu efetivo
pagamento, sem interrupção ou suspensão, não
incidindo, entretanto, sobre tais débitos, juros de mora”.
(RR-2319/1998-670-09-40.9)
(Ribamar Teixeira)

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