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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de junho de 2007
| Economia
Falta mão-de-obra para atender
o aquecimento da construção civil
PIB da construção
cresceu 2,4% no primeiro trimestre em relação mesmo
período do ano passado
por ROSANA FÉLIX
A retomada da construção civil, setor que cresceu 2,4% no primeiro
trimestre deste ano, de acordo com o IBGE, já esbarra na falta de mão-de-obra
especializada. No Paraná, as construtoras estão com dificuldades
para preencher todas as vagas. O saldo de pessoas contratadas no setor entre
janeiro e março representa metade de todo o saldo do ano passado. Considerando
os dados de abril, o porcentual é de 65%, com saldo positivo de 3927
postos de trabalho. De acordo com o IBGE, houve alta de 3% no número
nacional de postos de trabalho no setor.
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JORNAL
O ESTADO DO PARANÁ, 14 de junho de 2007
Reajustes salariais na construção
pressionam IGP-M
Agência Estado
Uma combinação de fatores
envolvendo preços da construção civil, do atacado
e do varejo levaram à taxa maior de inflação na
primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado
(IGP-M) de junho, que subiu 0,31%, ante queda de 0,19% apurada na primeira
prévia do mesmo indicador em maio. Segundo o coordenador de
Análises Econômicas da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), Salomão Quadros, a elevação intensa
nos preços da mão-de-obra na construção
civil, a alta nos preços dos produtos agrícolas no atacado
e alimentos mais caros no varejo conduziram o término da deflação
na primeira prévia.
O economista informou que cerca de dois terços
da taxa de 0,31% foram causados pela alta de 1,79% registrada pelo
INCC, indicador da construção civil. "O INCC foi
a grande estrela nesse IGP-M", disse Quadros. Ele explicou que,
nesta época do ano, ocorrem as resoluções de
dissídios salariais em várias capitais do País
- incluindo São Paulo, a de maior peso na formação
do índice. Ainda segundo o economista, houve resolução
de dissídios salariais em cinco localidades: Distrito Federal,
Goiânia, Florianópolis, Fortaleza e, é claro,
São Paulo. "Foi São Paulo a capital que fez toda
a diferença, e foi o principal fator para a aceleração
nos preços de mão-de-obra na construção",
disse, lembrando que a elevação nos preços desse
segmento passou de 0,28% para 3,04%, da primeira prévia de
maio para a primeira prévia em junho.
"Mas o que aconteceu
hoje, esse impacto do INCC no IGP-M, foi totalmente previsível",
disse, considerando que há algum tempo, a taxa do INCC sempre
se eleva nessa época do ano, devido aos dissídios salariais.
Em junho do ano passado, o INCC subiu 1 80%; em junho de 2005, teve
alta de 2,10%.
Embora a influência
do INCC tenha sido expressiva na formação do resultado
mais elevado da prévia de junho do IGP-M, as influências
do atacado e do varejo na aceleração da taxa da primeira
prévia não podem ser desprezadas. Quadros considerou
que o IPA (Índice de Preços por Atacado), de maior
peso na formação do IGP-M, saiu de uma queda de 0,37%
para uma alta de 0 15%, na prévia anunciada hoje. Isso porque
a deflação nos preços dos produtos agrícolas
perdeu força (de -2,32% para -0,02%). Os destaques ficaram
por conta das elevações de preços em soja (3
72%) e leite in natura (4,36%).
Já no varejo, houve
o fim da queda dos preços dos alimentos (de -1% para 0,08%),
principal fator para a aceleração na taxa do IPC (de
-0,02% para 0,14%). Segundo Quadros, as altas de preço no
setor alimentício, no âmbito do consumidor, estão
bem espalhadas - e vão desde alimentos in natura a alimentos
processados.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
14 de junho de 2007
CONSTRUÇÃO CIVIL
Impulso no mercado popular
Com medidas de incentivo tributário,
novas empresas passaram a investir na construção
civil para baixa renda
São Paulo. O mercado popular
está inspirando investimentos do setor da construção
civil de forma inédita no mercado brasileiro. Após o pacote
imobiliário lançado pelo governo em 2006, com uma série
de medidas de incentivo fiscal, já é visível a entrada
de novas empresas nesse segmento de consumo de baixa renda e intensificação
das atividade de quem já atuava nele.
´Até há pouco
tempo não havia financiamento para esse público nem segurança
jurídica para os casos de inadimplência. Hoje, os bancos
privados estão interessados nos rendimentos do setor imobiliário
e a instituição da alienação fiduciária
passou a dar maior segurança aos riscos de inadimplência,
possibilitando a recuperação do imóvel em até seis
meses após a decisão judicial´´, afirma Renato
Diniz, diretor de operações da Rossi Residencial, incorporadora
que desde 1992 vem investindo nesse mercado.
´No Brasil, ainda estamos
engatinhando no mercado de crédito imobiliário e esses
consumidores de baixa renda estão demandando qualidade, serviço
e, principalmente, bom atendimento´´, afirma o diretor de
varejo da BM, Elyseu Mardegan Jr., que ressalva: ´Não se
pode confundir produtos destinados a população de baixa
renda com produtos e serviços de baixa qualidade´´.
Segundo Elyseu Mardegan, são fatores determinantes para o sucesso
desses empreendimentos o prazo de financiamento e o valor da prestação. ´Essa
população não costuma dar um passo maior do que
a perna, garantindo a fama de bons pagadores.´´ A estimativa é que
o mercado total de credito imobiliário hoje no País represente
cerca de 1% do PIB. Nos EUA, esse volume corresponde a 80% do PIB e,
na Europa, a 120%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de junho de 2007 | Nacional
CCJ rejeita reforma política,
mas decisão é anulada
Votação foi com cinco presentes;
líderes do DEM e PSDB dizem que foi ´golpe´
Denise Madueño e Luciana Nunes
Leal
BRASÍLIA - A Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) da Câmara, em uma votação rápida - de cerca
de três minutos de duração - nesta quinta-feira, 14, rejeitou
o projeto de reforma política, considerando-o inconstitucional, mas
essa decisão já foi anulada. A votação na CCJ foi
simbólica, com apenas cinco deputados presentes no momento da votação.
A decisão foi anulada pelo deputado Inocêncio Oliveira (PMDB-PE),
que presidiu a sessão nesta manhã. A votação na
CCJ foi considerada pelos líderes do DEM, Onyx Lorenzoni (RS), e do
PSDB, Antonio Carlos Pannunzio (SP), um "golpe".A votação
da reforma ficou para terça-feira que vem.
O deputado José Carlos
Aleluia (DEM-BA) propôs que o presidente da CCJ, Leonardo Picciani
(PMDB-RJ), seja processado no Conselho de Ética por falta de decoro
parlamentar pelo "golpe". O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
recorreu à CCJ contra a decisão de Inocêncio Oliveira.
Faria de Sá foi indicado por Picciani para relatar o projeto na
comissão.
Com posição pública
e clara contra o projeto, Faria de Sá deu parecer contrário à proposta.
O deputado foi um dos principais opositores, na quarta-feira, da tentativa
de votação do item da reforma que institui o voto em lista
fechada. O projeto entrou em votação na comissão
depois que o deputado Carlos Willian (PTC-MG) pediu que esse ponto ficasse
entre os primeiros da pauta da CCJ.
A decisão da comissão
provocou discursos acalorados no plenário da Câmara. Lorenzoni
afirmou que a atitude de Picciani "se aproxima de uma molecagem": "Ele
fraudou o trâmite de uma matéria que está no plenário.
O respeito aos trâmites é uma das primeiras regras da Câmara".
Picciani afirmou que o projeto
já estava na pauta da CCJ. Faria de Sá disse que a discussão
do projeto no plenário não está encerrada e, portanto,
nada impede que a CCJ analise a proposta. "Golpe, eles é que
quiseram dar ontem (13), mas não houve votação",
afirmou Faria de Sá. "Os mentores da lista de Schindler,
PT e Democratas, não estavam na sessão (da CCJ). Não
houve irregularidade. Eles dormiram no ponto e agora estão esperneando.
Nesta Casa, dormir de touca é chorar no relento", disse Faria
de Sá.
Inválida
O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o ministro
de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, afirmaram
que não tem validade a declaração de inconstitucionalidade
do projeto de reforma política pela Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara.
"Essa decisão
não altera um milímetro o processo, pois foi dado parecer
(sobre o projeto) no plenário", disse Chinaglia. O ministro
Mares Guia afirmou que a discussão da reforma política
ainda está no começo e considerou normal a decisão
de quarta da Câmara de adiar a discussão e votação
da proposta na Casa: "Por exemplo, o PSDB, que tinha defendido
publicamente o projeto, retrocedeu ontem. O assunto está em
plena discussão", disse.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 14 de junho de 2007 | Brasil
Lula pede para brasileiros pararem
de falar mal do país
CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio
Um dia depois de criticar as
notícias negativas da mídia, o presidente Luiz Inácio
da Silva disse que os brasileiros precisam parar de falar mal de
si mesmos. Ontem, Lula disse que não vê nada "de
bonito na imprensa brasileira" e que só lê notícias
negativas nas manchetes.
Hoje, Lula afirmou que é preciso
parar de falar mal do Brasil. "Quem viaja muito o mundo às
vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora.
Aliás, eu acho que o Brasil é o único país
em que os brasileiros viajam para fora e falam mal do Brasil. Você não
vê um suíço falar mal da Suíça, você não
vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram
falar [mal]."
Ele voltou a dizer hoje que depende
dos brasileiros a imagem que o país terá lá fora. "Nós é que
temos que cuidar da nossa imagem, nós é que temos que cuidar
daquilo que nós queremos preservar e nós precisamos cuidar
da imagem que nós queremos ter aqui e lá fora."
Lula visitou hoje o Cristo Redentor
e pediu votos para elegê-lo como uma das sete maravilhas do mundo. "Falar
bem do Brasil depende só de nós. Reconhecer as coisas boas
do Brasil e reconhecer também as coisas ruins do Brasil, depende
só de nós. Para eleger o Cristo como uma das Maravilhas
do mundo, nós não dependemos de ninguém, a não
ser dos 190 milhões de brasileiros."
O presidente afirmou que espera
que os cerca de 50 milhões de votos que recebeu e os que não
teve na eleição sejam dados ao Cristo. "Vamos votar
e vamos dar ao Cristo o que ele merece: todos os votos dos brasileiros
e das brasileiras."
São Judas x São Jorge
A reportagem da Folha Online
teve acesso à visita que Lula fez à capela localizada no
interior do Cristo.
Na saída, ele recebeu
do empresário Humberto Mota, da Associação Comercial
do Rio, um santinho de papel de São Judas. O empresário
disse a Lula que São Judas era o santo das causas impossíveis.
Lula agradeceu, mas disse
ao empresário que São Jorge era mais forte --numa provável
referência ao padroeiro do seu time Corinthians.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de junho de 2007 | Nacional
Emprego na indústria tem maior
expansão desde 2005
Alimentos e bebidas, produtos de metal e
máquinas e equipamentos puxam índice
Jacqueline Farid
RIO - O emprego industrial cresceu 1,7% em abril, na comparação
com o mesmo mês de 2006, segundo divulgou nesta quinta-feira, 14, o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expansão é a
maior nesse indicador desde maio de 2005. No confronto com março, na
série com ajuste sazonal, a ocupação na indústria
aumentou 0,5%, a quarta alta consecutiva nessa base de comparação.
Segundo o documento de divulgação
da pesquisa, os segmentos com maior impacto positivo no emprego ante
abril de 2006 - não há detalhamento ante mês anterior
- foram alimentos e bebidas (4,4%), produtos de metal (5,3%) e máquinas
e equipamentos (5,0%). Com influência negativa no resultado, destacaram-se
os impactos negativos dos setores de calçados e artigos de couro
(-5,7%) e de vestuário (-3,8%).
Em termos regionais, 13 dos 14
locais pesquisados aumentaram o contingente de trabalhadores em abril
ante abril de 2006. A única queda ocorreu no Rio Grande do Sul
(-1,3%), devido, principalmente, ao recuo do emprego no setor de calçados
e artigos de couro (-15,3%). As indústrias de São Paulo
(2,4%), Região Nordeste (2,3%) e Santa Catarina (2,7%) contribuíram
com as pressões mais relevantes no resultado geral.
Até abril, o emprego industrial
acumula expansão de 1,4%, e de 0,6% em 12 meses. Para os técnicos
da coordenação de indústria do IBGE, "em síntese,
o emprego industrial evoluiu favoravelmente em todas as bases de comparação" no
primeiro quadrimestre de 2007.
Segundo o documento de divulgação
da pesquisa de emprego e salário na indústria, há "uma
aceleração do ritmo de crescimento do emprego e do número
de horas pagas, acompanhando a aceleração observada na
atividade industrial, acentuadamente no primeiro quadrimestre de 2007".
Renda
O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria cresceu
1,4% em abril ante março, na série com ajuste sazonal. O resultado
reverte a queda de 3,7% registrada em março ante o mês anterior.
Nas comparações
com iguais períodos do ano passado, todos os resultados foram
positivos: 5,9% no indicador ante abril de 2006 e 4,7% no acumulado no
ano até abril. Em 12 meses, a folha da indústria acumula
alta de 2,7% até abril, "mantendo a trajetória ascendente
desde dezembro de 2006", segundo destacam os técnicos do
IBGE no documento de divulgação.
No confronto com abril de 2006,
entre 14 as regiões pesquisadas, a maior influência para
o aumento no valor da folha veio de São Paulo (6,0%). Outros destaques
foram a Região Nordeste (7,9%) e Minas Gerais (4,5%).
Setorialmente, ainda no
indicador ante abril de 2006, o valor da folha de pagamento real cresceu
em 14 dos 18 setores investigados. Os principais impactos positivos
vieram de alimentos e bebidas (8%), produtos químicos (11%),
meios de transporte (5,5%) e indústria extrativa (19%). Por
outro lado, as maiores pressões negativas foram observadas em
papel e gráfica (-5,1%), madeira (-7,4%) e fumo (-25%).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de junho de 2007 | Nacional
Menores Estados do País investem
mais em infra-estrutura
Norte, NE e CO receberam 76,3% das transferências
do Orçamento desde 2003
Sérgio Gobetti
BRASÍLIA - Os ditos
Estados mais pobres do País, que reivindicam dinheiro do
governo federal para o desenvolvimento regional, em troca do apoio à reforma
tributária, são os que mais estão investindo
em infra-estrutura e receberam 76% das transferências do
Orçamento da União desde 2003. De acordo com dados
da Secretaria do Tesouro Nacional, só quatro Estados do
Norte-Nordeste - Piauí, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba
- estão entre os que menos têm gasto em obras e equipamentos
e efetivamente precisam de apoio da União para melhorar
seu desempenho econômico.
O ranking dos investimentos é liderado
hoje por Estados que pretensamente são pouco desenvolvidos, como
Tocantins, Acre, Amazonas e Ceará, que têm aplicado entre
17% e 41% da receita em infra-estrutura. Já na metade sul do Brasil,
considerada desenvolvida, há Estados literalmente falidos, sem
capacidade de investimento, como o Rio Grande do Sul.
Essas contradições,
segundo técnicos do Ministério da Fazenda, mostram que
a política de desenvolvimento regional que o governo começa
a discutir nesta quinta-feira com os secretários estaduais de
Fazenda - parte importante da pauta da reforma tributária - não
pode mais dividir o País em duas partes. O Sul desenvolvido e
o Norte subdesenvolvido. O Nordeste concentra os maiores bolsões
de pobreza, mas também tem uma face rica, principalmente na Bahia,
no Ceará e Pernambuco.
O governo quer disponibilizar
R$ 1,5 bilhão por ano para o novo fundo de desenvolvimento regional
e deseja aplicar só em projetos “estruturantes” para
regiões menos desenvolvidas aos olhos dos investidores.
A ex-coordenadora dos secretários
de Fazenda no Conselho Nacional de Política Fazendária
(Confaz), Lina Vieira, concorda que a discussão da política
de desenvolvimento comece pela definição de critérios,
mas adverte que os governadores só apoiarão a proposta
se ela garantir recursos novos e suficientes para pôr fim à guerra
fiscal.
Outra questão diz respeito à situação
financeira. O Tocantins, por exemplo, além de estar crescendo
com a produção de soja, tem uma estrutura de administração
pública nova, com poucos esqueletos e despesas. Por isso, sobra
mais de um terço da receita para investir. Já o Piauí é semi-estagnado
e 40% dos seus esparsos gastos em infra-estrutura dependeram de repasses
federais.
Ao todo, o governo destinou
cerca de R$ 3 bilhões para os Estados gastarem em investimento,
nos últimos quatro anos. Desse total, 35,9% foram destinados
ao Nordeste, 32,1% ao Norte e 8,4% ao Centro-Oeste - 76,3% para as
chamadas regiões menos desenvolvidas.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de junho de 2007
Justiça do Trabalho exclui
responsabilidade de empresa vendida para outra
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) determinou que a Incobrasa
(Industrial e Comercial Brasileira), cujas instalações em Palmeira
das Missões, no Rio Grande do Sul, foram vendidas para a Santista, seja
excluída de processo trabalhista movido por um ex-empregado.
A decisão, aprovada por
unanimidade conforme o voto do ministro Vieira de Mello Filho, dá provimento
a recurso da empresa que, inconformada com a decisão do TRT (Tribunal
Regional do Trabalho) da 4ª Região (Rio Grande do Sul), apelou
ao TST para deixar de fazer parte do processo como responsável
solidária.
De acordo com o tribunal, o caso
refere-se a ação de um ex-empregado que, contratado pela
Incobrasa, trabalhou dois anos como servente e cinco como vigia. Quando
vendeu suas instalações no município, a empresa
procedeu ao desligamento de todos os trabalhadores, e muitos foram contratados
pela Santista.
O vigia, após ter sido
efetuada sua rescisão do contrato de trabalho, inclusive com a
emissão de guia para seguro-desemprego, foi admitido pela Santista
no dia seguinte, na mesma função. Entretanto, três
meses depois, findo o prazo de experiência, foi demitido pelo novo
empregador.
Imediatamente, ajuizou ação
reclamando diferenças salariais, como adicional de insalubridade,
e alegando que houve sucessão de empregadores, e, por esse motivo,
a empresa vendida deveria ser apontada como devedora solidária.
Entre os argumentos utilizados
na ação, o trabalhador afirmou que não fez uso do
benefício do seguro-desemprego quando demitido da Incobrasa porque
entendia que “continuava empregado” e também não
pôde fazê-lo quando desligado da Santista por não
ter o seu contrato atingido o período mínimo exigido por
lei para esta finalidade.
A sentença da Vara do
Trabalho foi favorável ao trabalhador, reconhecendo que estava
caracterizada a sucessão de empresas e, portanto, tratava-se de
um mesmo contrato (unicidade contratual), com a conseqüente nulidade
da primeira rescisão (com a Incobrasa) e da “readmissão” (com
a Santista), condenando as duas empresas, solidariamente, ao pagamento
de aviso prévio de 30 dias e adicional de periculosidade, além
de determinar a emissão de nova guia de seguro-desemprego.
Diante de recursos ajuizados
pelas duas empresas, o TRT autorizou a compensação dos
valores pagos na primeira rescisão com os valores deferidos judicialmente
a título de aviso prévio, mas manteve o reconhecimento
da responsabilidade solidária, o que levou a Incobrasa a apelar
ao TST.
O ministro Vieira de Mello Filho
inicia seu voto analisando os dispositivos da CLT que regulamentam a
sucessão trabalhista. Para ele, a legislação buscou
a “despersonalização do empregador, acentuando a
vinculação do empregado apenas ao empreendimento empresarial,
sem dependência do efetivo titular. Ou seja, os direitos do empregado
ficam protegidos das eventuais mudanças, inclusive de titularidade,
que possam ocorrer na empresa para a qual presta os serviços”.
Em sua avaliação,
apesar de o texto legal não atribuir expressamente responsabilidade
quanto às obrigações trabalhistas na hipótese
de sucessão, “a doutrina e a jurisprudência tradicionalmente
extraíram dos dispositivos genéricos indicados a responsabilização
unicamente do sucessor, tendo em vista que a sucessão, via de
regra, se opera com a transferência da unidade econômico-jurídica,
ou seja, dos bens que poderão suportar os débitos trabalhistas”.
Após citar o posicionamento
de alguns doutrinadores neste sentido, o ministro registra que ele também
vislumbra a possibilidade de responsabilização do sucedido
para proteger os interesses e o direito do empregado, especialmente se
a dívida se estender ao período anterior da sucessão.
Mas, no caso analisado, diz o ministro, “não há notícias
de que a transferência da titularidade do empreendimento tenha
afetado as garantias empresariais conferidas ao contrato de trabalho
do reclamante”.
E, diante do fato de que
a quase totalidade da condenação se refere ao período
trabalhado para a sucessora (Santista), conclui que não há justificativa
plausível para se atribuir à Incobrasa responsabilidade
sobre os débitos trabalhistas.
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de junho de 2007
Formatura sem festa
Obrigação contratual
será apreciada pela Justiça comum
Obrigação contratual de direito civil deve ser apreciada pela
Justiça comum. O entendimento é do ministro Cesar Asfor Rocha,
do Superior Tribunal de Justiça. O ministro determinou que a Justiça
comum julgue a ação de indenização por danos morais
da estudante Taciana Chaves contra a empresa de formaturas CEL Eventos e Promoções.
De acordo com o processo, a empresa
foi paga para fazer a festa de formatura da turma de Taciana, mas não
realizou o evento. A ação foi encaminhada pelo advogado
da estudante à 4ª Vara Cível de Jundiaí. Diante
da Emenda Constitucional 45/2004, o juízo enviou o processo à Justiça
do Trabalho. Para a Justiça cível, o julgamento seria da
Justiça trabalhista porque a EC 45 incluiu nas competências
da Justiça do Trabalho as relações que envolvem
prestação de serviços.
Ao receber a ação,
a 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí concluiu não ser
da sua competência a análise do processo. Os autos foram
encaminhados para o STJ para que o Tribunal definisse quem decidiria
a causa.
O ministro Cesar Rocha definiu
que o processo deve ser apreciado pela 4ª Vara Cível de Jundiaí. “A
questão, como se vê, refere-se a eventual dívida
a ser examinada como uma obrigação contratual de direito
civil. Não há nos autos lide oriunda de relação
de trabalho capaz de ensejar a competência da Justiça Laboral
para o seu julgamento. Inaplicável, ao caso, o disposto no artigo
114 da CF, com a nova redação que lhe deu a EC 45/2004”,
concluiu.
CC 82.563
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14
de junho de 2007 | Economia
Imóveis - Caixa pretende
financiar R$ 1 bilhão no ano
A Caixa Econômica Federal, principal financiador imobiliário do
Brasil, já fechou 14,5 mil contratos neste ano no Paraná. O valor
contratado foi de R$ 416,6 milhões. “Normalmente se produz mais
no segundo semestre, então vamos bater a casa de R$ 1 bilhão
com certeza”, diz o gerente regional de negócios para a construção
civil, Gueber Roberto Laux. Parte desse volume será negociado no feirão
marcado para este fim-de-semana, no Marumby Expo Center.
“ Curitiba está um verdadeiro canteiro de obras, assim como muitas
cidades do interior. As construtoras estão solicitando por mão-de-obra,
que está em falta”, afirma o presidente da Federação
dos Trabalhadores em Construção Civil e Mobiliário do Paraná (Fetraconspar),
Geraldo Ramthun. Segundo ele, há cerca de 150 mil pessoas trabalhando
no setor no Paraná, das quais 120 mil com carteira assinada. Foram contratados
entre janeiro e abril deste ano 26,6 mil pessoas, para 22,7 mil demissões.
De acordo com o vice-presidente
do Sindicato da Indústria da Construção Civil do
Paraná (Sinduscon-PR), Normando Antônio Baú, a recuperação
do setor, tão esperada, está enfrentando problemas com
a falta de pessoal especializado. “O problema é que foram
quatro anos de baixo desempenho e um aquecimento muito rápido
a partir do ano passado. Não é possível, de uma
hora para outra, recuperar os trabalhadores que atuavam na área”,
diz. Ele avalia que muitas pessoas deixaram a construção
civil e passaram a trabalhar em outros setores, durante a crise dos últimos
anos.
O Sinduscon-PR tem promovido
cursos de qualificação e aperfeiçoamento. Mas o
setor poderá contar com o apoio do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (Senai), que está ampliando o número
de vagas para cursos na área de construção civil,
de 60 para 200. “Por enquanto as empresas estão fazendo
um trabalho forte de treinamento”, conta Baú.
Crédito
O aquecimento do setor está diretamente
ligado à oferta de crédito, avalia Baú. “Há crédito
abundante. Com juros altos e maior prazo de pagamento, as prestações
cabem no bolso das pessoas”, afirma. De acordo com o IBGE, o volume
de crédito direcionado ao setor de habitação aumentou
22,9% no primeiro trimestre deste ano, em termos nominais. Reflexo disso é o
volume de contratos realizados neste ano. De acordo com a Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip), o número de contratos fechados em todo o país,
entre janeiro e março deste ano aumentou 70% em relação
ao mesmo período do ano passado (de 20 mil para 34,7 mil). O valor
contratado teve alta de 86%, passando de R$ 1,5 milhão para R$
2,9 milhões.
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Agência Diap, 14 de
junho de 2007
Emenda 3
Ministro da Fazenda anunciou que
governo e oposição chegaram a acordo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, após reunião realizada
nesta terça-feira, 12/06, com os líderes partidários e
o presidente do Senado, Renan Calheiros, anunciou que uma comissão está trabalhando
na redação de um projeto de consenso entre o governo e a oposição
para “acabar com a novela da Emenda 3”. A informação
foi divulgada pela Agência Senado.
Ainda segundo divulga a Agência
Senado, Mantega prometeu que “com representantes de todos os poderes
e de todas as tendências e partidos, estará sendo redigido
um texto que nas próximas 48 horas será submetido ao governo”.
O ministro também disse que a posição do governo
será de impedir que haja precarização das relações
de trabalho, mas ao mesmo tempo de tornar legítimas certas condições
de trabalho.
A Emenda 3 foi vetada em março
deste ano pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no projeto
que criou a Receita Federal do Brasil. Sob o falso argumento de tentar
estabelecer bases mais sólidas para a relação entre
os prestadores de serviços e as empresas, a referida emenda explicitava
o entendimento de que só a Justiça tem competência
para reconhecer um vínculo trabalhista.
Com isso, proibia o auditor fiscal
da Receita Federal do Brasil de intervir na contratação
de pessoa jurídica de uma pessoa só, em flagrante manobra
para encobrir a existência de relação trabalhista
e driblar o fisco.
O DIAP reitera os riscos da Emenda
3 aos direitos trabalhistas. Sem a proteção do Estado,
os trabalhadores ficariam expostos à prática de contratação
sob formas precarizantes, disfarçadas de trabalho autônomo,
eventual ou sem vínculo de emprego.
Na prática, todo
e qualquer empregador poderia trocar empregados por autônomos
e ter o direito de não sofrer qualquer ação administrativa
do Estado brasileiro. Assim, não haveria como exigir férias,
FGTS, 13º salário, normas de segurança e saúde,
pagamento de horas extras, aposentadoria, licença-maternidade,
entre outros direitos. (Viviane Ponte Sena)
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Agência Diap, 14 de
junho de 2007
Previdência Social
Quase três milhões de
pessoas recebem benefícios assistenciais
Idosos e portadores de deficiência
com baixa renda têm direito
Segundo informações
do Ministério da Previdência Social, mensalmente, mais de
2,9 milhões de benefícios assistenciais são pagos
em todo o Brasil, no valor de R$ 1,1 bilhão.
O benefício é da
Prestação Continuada (BPC), também conhecido como
Loas (Lei Orgânica da Assistência Social), pago pelo INSS
a pessoas de baixa renda, com mais de 65 anos de idade ou portadores
de deficiência que não podem trabalhar nem levar uma vida
independente.
Quem tem direito
Para ter direito ao BPC, o solicitante
deve comprovar renda familiar menor que 1/4 do salário mínimo
por pessoa, hoje R$ 95,00. Para saber o valor da renda familiar, é necessário
somar a renda de todas as pessoas que vivem na mesma casa. Depois, é só dividir
o valor encontrado pelo número de pessoas da residência.
Para os idosos, além da
renda e da idade, é necessário comprovar que a pessoa não
recebe nenhum outro benefício previdenciário (aposentadoria,
pensão por morte ou auxílio-doença). No entanto,
se houver outra pessoa na mesma casa recebendo o BPC, esse valor não
será usado para calcular a renda familiar.
No caso dos portadores de deficiência
física é importante lembrar que o benefício é liberado
somente após a realização de exames pelos médicos
peritos do INSS. Neste caso, se houver mais de uma pessoa na residência
com direito ao BPC, o valor dever ser usado para calcular a renda familiar.
Como ter acesso ao benefício
Para pedir o benefício, é necessário
ligar gratuitamente para o número 135 – a central funciona
de segunda a sábado, 24 horas por dia - e marcar uma data para
ser atendido na Agência da Previdência Social.
No dia marcado, a pessoa deverá apresentar
certidão de nascimento, identidade, carteira de trabalho ou outro
documento de identificação, CPF, comprovante de residência
e, se tiver, comprovante de renda do solicitante e das pessoas que moram
na mesma casa.
O direito ao benefício,
que é de um salário mínimo (R$ 380) por mês, é do
solicitante. Em caso de falecimento, o valor não poderá ser
transferido para outro membro da família. Além disso, o
BPC não dá direito ao décimo terceiro.
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Nova Central, 14 de junho
de 2007
Reforma da Previdência não
atingirá trabalhadores que já estão no mercado
de trabalho
O ministro Luiz Marinho (Previdência Social) afirmou nesta terça-feira
que os debates do Fórum da Previdência "não trarão
nenhuma mudança para o trabalhador que está no mercado de trabalho".
"Pensamos em um projeto
de longo prazo para dar sustentabilidade à Previdência.
Não há propostas para impor mudanças para os trabalhadores
atuais. Se houver mudanças nas regras, elas serão aplicadas
aos que entrarão no mercado de trabalho", afirmou.
Marinho aproveitou para cobrar
maior coesão das centrais a fim de aprovar a Reforma Sindical. "O
governo tem que fazer o processo andar, mas é preciso criar um
processo de mobilização para pressionar a aprovação
de medidas", disse Marinho.
Ainda segundo ele, o ministro
Carlos Lupi (Trabalho) deve encaminhar nos próximos 30 dias a
proposta de Medida Provisória que regulamenta a existência
das centrais sindicais.
Marinho voltou a dizer que pretende
humanizar o atendimento nas agências do INSS (Instituto Nacional
da Seguridade Social), assim como tomar medidas para defender os peritos
das agências.
No entanto, ele disse que
irá continuar trabalhando para impedir que "oportunistas" se
encostem nos sistema previdenciário. "Um cidadão
que força um afastamento está cometendo uma fraude contra
a classe trabalhadora", afirmou.
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Diário Vermelho, 14
de junho de 2007
Números do PIB indicam economia
com sinais de estabilidade
Os números do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta quarta-feira
(13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam
que a economia brasileira dá sinais de um panorama de estabilidade.
A avaliação é do coordenador de Contas Nacionais do instituto,
Roberto Olinto.
"As nossas últimas
análises estão trazendo pontos de destaque semelhantes.
O consumo vem apresentando sistematicamente taxas altas e já há alguns
trimestres as exportações crescem a taxas bem menores do
que as importações", afirmou Olinto. "É um
comportamento de uma economia que já tem características
de certa estabilidade."
O levantamento do IBGE indicou que o PIB - soma de todas as riquezas produzidas
pelo país - cresceu 4,3% no primeiro trimestre de 2007 em relação
ao mesmo período do ano passado. Já na comparação
com o último trimestre de 2006, a expansão foi de 0,8%.
Ainda segundo o técnico do IBGE, duas áreas foram os grandes
destaques do crescimento dos trimestres de 2006 e 2007: 1) as intermediações
financeiras, cuja expansão de 9%, segundo Olinto, foi impulsionada pelo
aumento de crédito para pessoas físicas e para construção
civil; e 2) os serviços de informação, que tiveram influência
do crescimento da telefonia móvel.
Roberto Olinto destacou que a telefonia fixa vem sendo substituída,
em muitos casos, pelos celulares e pela telefonia pela internet. Com esse movimento,
os serviços de informação registraram alta de 7,3% no
primeiro trimestre de 2007, quando comparado com o primeiro trimestre de 2006.
Mais consumo
Olinto também destacou o crescimento do consumo das famílias
- uma expansão de 6% nessa mesma base de comparação. O
resultado foi o 14º aumento consecutivo, a maior taxa em sete anos. No
primeiro trimestre de 2000, o consumo das famílias brasileiras havia
subido 10,3%.
Segundo Cláudia Dionísio, da coordenação de Contas
Nacionais do instituto, o movimento é explicado pelo aumento de 6,4%
da massa salarial no período e também pela expansão do
crédito, que teve elevação de 24,6%.
A maior oferta de crédito, especialmente para a construção
civil, somada ao crescimento das importações, com destaque para
as máquinas e equipamentos, também impulsionou a expansão
de 7,2% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que indica
os investimentos da economia.
Apesar do movimento observado na FBCF, a taxa de investimento da economia ficou
estável em 17,2%. Este também foi o patamar alcançado
no primeiro trimestre do ano passado. Essa estabilidade pode ser explicada,
segundo Olinto, porque os investimentos cresceram em quantidade, mas ficaram
mais baratos em função, principalmente, da valorização
do real frente ao dólar, que deixou as importações de
máquinas e equipamentos mais baratos. "Compra-se mais pagando-se
menos", explicou Olinto.
Dados revistos
O IBGE também revelou que a taxa de poupança do primeiro trimestre
de 2007 ficou em 17,4%, a maior desde o primeiro trimestre de 2004 (18,3%).
No primeiro trimestre de 2006, a taxa de poupança havia sido de 16,4%.
Em valores nominais, o PIB brasileiro nos três primeiros meses do ano
somou R$ 596,1 bilhões. No mesmo período do ano passado, o PIB
somava R$ 539,3 bilhões.
O IBGE também divulgou revisões nos números do PIB relativos
aos quatro trimestres de 2006. De acordo com os dados, o quarto trimestre do
ano passado passou de um crescimento de 0,9% para 1,1%; o terceiro trimestre
de 2006 foi de 2,6% para 2,7%; o segundo trimestre do ano passado passou de
menos 0,5% para menos 0,4%, e o primeiro trimestre de 2006 passou de 1,6% para
1,3%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14
de junho de 2007 | Economia
Crédito e telefone puxam expansão
de 4,3% da economia brasileira
Desempenho do PIB no trimestre não
surpreende e fica dentro da expectiva do mercado
São Paulo – A economia brasileira apresentou uma expansão
de 4,3% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo
período do ano passado. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro está em linha com expectativas de analistas, que esperavam
variação de 2,9% a 4,8%. Em relação aos três últimos
meses do ano passado, o incremento foi de 0,8%, também dentro da estimativa,
que variava entre 0,6% e 0,8%. Em valores, o PIB brasileiro totalizou R$ 596,2
bilhões. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) – no primeiro levantamento após
a mudança de cálculo do conjunto das riquezas produzidas no país.
Segundo o boletim Focus, elaborado
pelo Banco Central com base em consultas a mais de cem analistas de mercado,
o crescimento da economia neste ano deve alcançar 4,2%. Já o
governo promete uma alta de 4,5%. O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
aposta que o Brasil fechará o ano de 2007 com o sétimo
PIB do mundo.
Pela ótica da oferta,
o maior destaque coube ao setor de serviços – sustentado
pelo aumento da massa salarial e do emprego. O segmento, que detêm
maior peso entre os setores, apresentou expansão de 1,7% em relação
ao quarto trimestre de 2006.
A telefonia e a intermediação
financeira foram os principais destaques dentro dos serviços.
O sistema de informação, do qual fazem parte a telefonia
fixa e móvel, TV por assinatura, serviços de informática,
cresceu 7,3% no primeiro trimestre do ano em relação ao
mesmo do ano passado. Nos primeiros três meses de 2006, ele tinha
subido 1,2%. Já os serviços de intermediação
financeira mantiveram o crescimento em patamar alto de 9,2%.
Roberto Olinto, coordenador de
contas nacionais, diz que o setor de telefonia tem se beneficiado de
um crescimento mais acentuado do serviço móvel no período
e do crescimento da renda. “É um movimento que temos observado
há um tempo a telefonia móvel crescer mais sobre a telefonia
fixa.”
No caso da agropecuária,
segundo Claudia Dionisio, da Coordenação de Contas Nacionais,
a queda ocorreu porque o setor teve uma base de comparação
alta. “Nos terceiro e quarto trimestres do ano passado a agropecuária
estava bastante aquecida depois da quebra da safra em 2005.” Na
comparação com o mesmo trimestre do ano passado a atividade
registrou alta de 2,1%.
Já a indústria
apresentou um crescimento de apenas 0,3% no primeiro trimestre na série
com ajuste sazonal e cresceu 3,0% na comparação com o mesmo
trimestre do ano anterior. A indústria extrativa mineral registrou
forte desaceleração de 14% no primeiro trimestre de 2006
para 4,1% no de 2007. A indústria de transformação
avançou 2,8% em relação ao mesmo período
do ano passado, impulsionada pelas máquinas e equipamentos, automóveis
e material elétrico.
A taxa de investimento
da economia cresceu 7,2% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo
período de 2006 e se consolidou como principal combustível
entre os itens que formam o PIB - consumo das famílias, gasto
governamental e setor externo. Foi a 13.ª vez que o Brasil apurou
crescimento da taxa de investimento, também chamada de Formação
Bruta de Capital Fixo, índice calculado a partir dos investimentos
em construção civil e em bens de capital. O valor nominal
do investimento foi de R$ 102,6 bilhões, 17,2% do PIB do período.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 14
de junho de 2007 | Economia
Juros e câmbio seguram crescimento
Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias
do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, o PIB brasileiro continua
crescendo aquém do que poderia porque variáveis macroeconômicas
essenciais, como os juros e o câmbio, não permitem desempenho
melhor. Para ele, o resultado divulgado não permite comemoração. “Estamos
crescendo pouco em cima de pouco. E não há indicação
de que a performance vá melhorar em 2007.”
Outra preocupação,
segundo Rocha Loures, é a perda de participação
da indústria no PIB. No primeiro trimestre deste ano, o PIB
industrial respondeu por 24,8% do total, enquanto a média em
2006 foi de 26,6%. A indústria registrou aumento de apenas 0,3%
em relação ao trimestre anterior, projetando uma expansão
anual abaixo de 3%. “A indústria tem potencial muito maior,
mas, com o câmbio hipervalorizado, as decisões de investimento
estão muito cautelosas. Isso, com certeza, vai se refletir no
resultado do PIB de 2007.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de junho de 2007
| Economia
Carga fiscal cresce mais que o
dobro do PIB
No primeiro trimestre deste ano, em relação a igual período
de 2006, a carga fiscal suportada pelos brasileiros cresceu 10,2% em termos
reais, já descontada a inflação pe-lo IPCA. Traduzindo
em números: cada contribu-inte pagou R$ 1.047,21, em média, em
tributos entre janeiro e março de 2006, valor que subiu para R$ 1.190,73
no mesmo período deste ano, segundo estudo do Instituto Brasileiro de
Planejamento Tributário (IBPT). Até o fim do ano, a carga tributária
individual passará de R$ 4,7 mil – foi de R$ 4.379,38 no ano passado.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de junho de 2007 | Nacional
Votação da reforma política é adiada
na Câmara
A informação é do relator
da proposta, que pediu tempo a Chinaglia para que votação
ocorra na próxima semana; na realidade, falta apoio político
Denise Madueño
BRASÍLIA - A votação do projeto da reforma política
pelo plenário é adiada para a próxima semana, segundo
informação do relator da proposta, deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO),
na noite desta quarta-feira, 13. Caiado anunciou o adiamento ao informar que
pediu ao presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), tempo
para trabalhar em seu relatório.
Na realidade, não há condições
de votação da proposta na sessão desta quarta-feira,
pois falta apoio político para os defensores do ponto mais polêmico
do projeto, que é a criação do voto em lista fechada,
em vez do voto nominal em candidatos. Os defensores da lista fechada
querem adiar a votação para evitar uma derrota no plenário.
A votação de
um requerimento serviu de teste e demonstrou que o voto em lista fechada
seria derrotado. O requerimento previa o encerramento da discussão
para acelerar a votação do projeto, mas o resultado foi
de 245 votos pelo prosseguimento dos debates e 194 pelo encerramento,
com quatro abstenções. A continuação da
discussão era a estratégia dos adversários da
proposta da lista fechada para protelar a votação.
O resultado mostra a divisão
que há, internamente, nas bancadas e entre os diferentes partidos.
Encaminharam pelo encerramento da votação os líderes
do DEM, do PMDB, do PT, do PPS e do PV. Encaminharam contra o encerramento
o PSDB, o PSB, o PP, o PR, PTB e o PSOL.
Nesta manhã, em uma
votação preliminar, o resultado foi o inverso. Um recurso
que inviabilizaria a votação nesta quarta foi derrotado
por 244 votos a 99, com dez abstenções. Entre as duas
votações, o PSDB decidiu votar contra a lista fechada,
e o PT apresentou dissidências de mais de um terço de
sua bancada de 82 deputados contra a posição da Executiva
petista de obrigar os deputados a votar a favor da lista fechada.
PSDB e PMDB divididos
O PSDB, que tem 57 deputados, decidiu ficar contra a proposta de lista fechada
nas eleições legislativas e financiamento público de campanha.
A decisão dos tucanos deixa ainda mais indefinido o destino da proposta
de voto em lista, que divide opiniões na Câmara independentemente
do tamanho ou da posição das bancadas em relação
ao governo. O PMDB decidiu votar a favor, mas há dissidências
também no maior partido da Câmara.
A principal resistência
dos tucanos é à proposta de voto em lista fechada para
deputados e vereadores. Pela proposta, o voto nas eleições
para deputado federal, estadual e vereador seria dado diretamente aos
partidos, não mais aos candidatos. As vagas obtidas por cada
legenda nas eleições seriam distribuídas de acordo
com uma lista (chapa) organizada internamente antes do pleito.
Ainda cinco votações
O projeto original de reforma política do Senado será apreciado
pela Câmara em cinco votações diferentes. A lista também é apoiada
pelo DEM e PCdoB. São totalmente contrários o PDT, PSB e, por
maioria, PP, PTB e PR. O projeto original de reforma do Senado transformou-se
na Câmara no Projeto de Lei 1210/07, e foi fatiado por meio de emendas
em cinco pontos para facilitar a tramitação.
O projeto contém uma
recomendação para que os atuais deputados e vereadores
tenham preferência na formação das listas (chapas).
A decisão sobre o ordenamento a lista, no entanto, é exclusiva
das convenções partidárias.
Fundo público
A proposta de financiamento público estabelece a criação
de um fundo na base de R$ 7 por eleitor registrado, que seria distribuído
entre os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com a previsão
de que haverá 115 milhões de eleitores em 2008, o fundo começaria
com cerca de R$ 880 milhões.
Pela proposta, 1% do fundo
seria distribuído igualmente entre todos os partidos com registro
no TSE; 14% igualmente entre todos os partidos com deputados federais
e 85%, proporcionalmente ao tamanho dos partidos na Câmara.
O projeto também prevê uma
norma para garantir a fidelidade partidária, pelo menos no exercício
do primeiro mandato, a proibição de coligações
nas eleições para deputado e vereador, e a previsão
de federações partidárias para as a sobrevivência
das legendas pequenas.
(Com Reuters)
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ÂMBITO JURÍDICO,
14 de junho de 2007
Aborrecimentos cotidianos não
caracterizam dano moral
Mero dissabor, aborrecimento, mágoa, irritação ou sensibilidade
exacerbada não geram dano moral. Com esse entendimento, unânime,
a 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Goiás
manteve, em parte, decisão do juízo da 9ª Vara de Família,
Sucessões e Cível de Goiânia que isentou o Supermercado
Carrefour Comércio e Indústria Ltda. de indenizar o consumidor
Klênio Humberto José de França. Na ação,
o autor alegou ter recebido tratamento violento por parte do segurança
da empresa porque se irritou com a falta de atendimento de um funcionário
da Coca-Cola, que mantinha um quiosque de troca promocional de tampinhas dentro
do estabelecimento e estava em horário de almoço.
No entanto, o desembargador-relator
Kisleu Dias Maciel Filho entendeu que a abordagem de uma pessoa no estacionamento
do supermercado por empregado, sem uniforme ou crachá de identificação,
que defende agressão sofrida por outro trabalhador, não
caracteriza dano moral. "Sendo o segurança acionado para
verificar o tumulto ocorrido devido à conduta do apelante, não
pode ser cobrada indenização da empresa, uma vez que seu
empregado só tentou impedir um dano maior, ou seja, uma agressão
a outro funcionário", asseverou.
Lembrando que meros dissabores
fazem parte da normalidade do nosso dia-a-dia tanto no trabalho como
no trânsito e até entre amigos, o relator explicou que propiciar
ações judiciais em busca de indenizações
pelo mais triviais aborrecimentos é um forma de banalizar o dano
moral. "A simples sensação de desconforto causada
pelo fato em questão não constitui dano moral suscetível
de reparação civil, pois não houve comprovação
de dolo, culpa ou má-fé por parte da apelada", frisou.
Com relação ao
pedido da empresa para que fosse aplicada ao recorrente a pena de litigância
por má-fé, Kisleu esclareceu que o simples fato de o consumidor
não provar o que alega não caracteriza tal conduta. "A
pena de litigância de má-fé pode ser imposta de ofício
pelo juiz, mas havendo resquício de dúvida afasta-se a
punição, com aplicação analógica do
in dubio por reu.. Portanto, essa conduta processual para ficar plenamente
comprovada exige induvidosa intencionalidade", reiterou.
Ementa
A ementa recebeu a seguinte redação: "Apelação
Cível. Ação de Indenização por Danos
Morais. Excesso por Parte de Segurança em Estacionamento de Supermercado.
Ausência de Ação Culposa e de Nexo de Causalidade.
Improcedência do Pedido. 1 - Agindo o segurança de supermercado
dentro dos limites do exercício regular do direito, não
pratica ato indenizável se efetua a abordagem em agressor de funcionário
que se encontrava dentro do estabelecimento. No caso dos autos, verifica-se
que o procedimento usado pelo segurança da apelada foi dentro
dos parâmetros permitidos em lei, diante de uma situação
suspeita sem que tenha havido excesso, pois deteu um agressor, portanto
o dever de indenizar inexiste. 2 - O beneficiário da Justiça
Gratuita, ao sucumbir, é condenado no pagamento das verbas da
sucumbência, as quais ficarão prescritas se, dentro de cinco
anos, contados da sentença final, o assistido não puder
satisfazer tal obrigação (arts. 11 e 12, Lei 1.060/50).
3 - Inocorrentes as hipóteses do artigo 17 do Código de
Processo Civil, não há de se falar em condenação
por litigância de má-fé. 4 - Recurso não provido,
sentença retificada de ofício". Apelação
Cível nº 105112-8/188 (200603694688), de Goiânia. Acórdão
publicado no Diário da Justiça do último dia 6.
(Myrelle Motta)
Fonte: TJGO
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CONSULTOR JURÍDICO,
14 de junho de 2007
Reforma de sentença
TST desobriga grupo de pagar juros
em ação trabalhista
O grupo Bamerindus do Brasil S/A está desobrigado de pagar juros de
mora sobre o débito trabalhista de um ex-funcionário. A decisão é da
4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que reformou parcialmente a
decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região no
Paraná.
O ex-funcionário foi contratado,
em 1978, como comandante de aeronave pelo Banco Bamerindus. Logo após
a contratação, o piloto foi transferido para a empresa
Araucária Aerotáxi Ltda. A empresa aérea pertencia
ao grupo Bamerindus e estava em processo de liquidação
extrajudicial. Em 1998, o piloto foi dispensado sem justa causa. Ele
ajuizou reclamação trabalhista contra a Araucária.
O segundo reclamado foi o Banco Bamerindus do Brasil.
O juiz da Vara do Trabalho de
São José dos Pinhais, no Paraná, deu ganho de causa
ao trabalhador. Ele determinou que o banco pagasse, entre outras diferenças
salariais, gratificação por idioma falado, adicional de
periculosidade e horas extras, com reflexos sobre verbas rescisórias.
Ambas as partes recorreram e
obtiveram provimento parcial dos respectivos recursos. A segunda instância
decidiu excluir da relação processual a empresa Araucária
Aerotáxi, tendo em vista sua extinção. Também
deferiu a exclusão do pagamento da gratificação
por idioma falado e outras diferenças salariais. Quanto ao recurso
do piloto, acrescentou às verbas indenizatórias horas extras
aos domingos e em dias de folga.
As partes apelaram ao TST. A
relatora do processo, juíza Maria Doralice Novaes, acatou parcialmente
o recurso do Bamerindus, excluindo a incidência de juros de mora
sobre os débitos trabalhistas. Em seu voto, ela analisou a decisão
da 9ª Região, que negou o recurso, sob o fundamento de que
a fluência de juros, conforme a lei, é tratada diferentemente
nas hipóteses de liquidação e de intervenção.
De acordo com a relatora, houve
contrariedade à Súmula 304 do TST. “Os débitos
trabalhistas das entidades submetidas aos regimes de intervenção
ou liquidação extrajudicial estão sujeitos a correção
monetária desde o respectivo vencimento até seu efetivo
pagamento, sem interrupção ou suspensão, não
incidindo, entretanto, sobre tais débitos, juros de mora”.
RR-2319/1998-670-09-40.9
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/06/2007
Empresa é multada por demitir indevidamente
por justa causa
A Terceira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho manteve a aplicação da multa do artigo
477 da CLT em caso de atraso no pagamento de verbas rescisórias
num caso de conversão de demissão por justa causa em dispensa
imotivada. A multa foi aplicada à empresa mineira ACS – Algar
Call Center Service S.A. pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região,
diante da descaracterização de justa causa aplicada a uma
operadora de telemarketing. Segundo a relatora, ministra Maria Cristina
Peduzzi, “diante da controvérsia acerca da configuração
da justa causa e do reconhecimento judicial da despedida imotivada, a
assunção dos riscos do empreendimento pelo empregador,
a teor do artigo 2º da CLT, justifica a aplicação
da multa prevista no artigo 477, § 8º , da CLT”.
A operadora de telemarketing
foi admitida pela Call Center em outubro de 2005. Contou que sempre apresentou
alta produção, mas, em junho de 2006, foi surpreendida
com a demissão por justa causa, sem antes ter recebido qualquer
advertência ou pena disciplinar. Na 4ª Vara do Trabalho de
Uberlândia (MG), pediu o pagamento das verbas rescisórias
e indenização por danos morais, não inferior a 100
salários, pela dispensa arbitrária e sem provas das faltas
cometidas.
A defesa da Call Center ressaltou
que a empregada provocou a dispensa, pois, segundo outros operadores,
ela “derrubava” as ligações recebidas, sem
justificativa, ou seja, desligava o telefone, ou ficava muda, até o
cliente desistir do atendimento. Afirmou ainda que ela chegou a ser suspensa
por seis dias pela negligência no seu trabalho.
A sentença julgou o pedido
improcedente, considerando que houve desídia da empregada, justificando
a demissão por justa causa. Negou-lhe, em conseqüência,
a indenização por dano moral. Segundo a sentença, “corresponde
a desídia o descumprimento pelo empregado de sua obrigação
de bem realizar a prestação de serviços”.
No TRT/MG, a empregada insistiu
na dispensa imotivada e na indenização por dano moral,
alegando que sofreu com as repercussões da justa causa em sua
vida profissional e pessoal, “afetando-lhe a honra”. A decisão
regional deu provimento parcial ao recurso ordinário e converteu
em imotivada a demissão, pois considerou que não foi provada
pelo empregador “a prática de ato ilícito trabalhista
por parte da empregada, grave o bastante a ponto de ensejar a dispensa
por justa causa”. O TRT negou a ocorrência de dano moral,
entendendo que “o fato de a trabalhadora sentir-se magoada com
a dispensa não configura dano passível de reparação”.
A Call Center foi condenada ao pagamento das verbas rescisórias
e da multa pelo atraso em seu pagamento.
A empresa, inconformada, recorreu
ao TST. Afirmou que já havia pago as verbas rescisórias,
não cabendo a multa. A ministra Cristina Peduzzi rejeitou os argumentos
da empresa, explicando que, a imputação da justa causa é um
risco assumido pelo empregador, que causa dano material e moral à esfera
jurídica alheia. “Ainda que descaracterizada em juízo
a alegada justa causa, difícil é a reparação
do conceito do empregado”, concluiu. (RR 1001/2006-104-03-00.2)
(Léa Paula)
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14/06/2007
Brigas entre chefe e subordinada nem sempre
configuram dano moral
“Nem sempre o difícil
relacionamento entre o chefe e o subordinado gera dano moral. O difícil
relacionamento entre eles pode, eventualmente, ser ofensivo, se o tratamento
que o chefe dispensa ao subordinado vem permeado pelo propósito
de humilhar ou de reduzir sua importância no contexto da unidade
profissional”. Balizada nessa linha de raciocínio, a Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, acompanhando o voto do relator,
ministro João Batista Brito Pereira, reformou decisão do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) que havia
concedido R$ 100 mil de indenização por danos morais a
uma ex-servidora do Banco do Brasil.
A dramática história
relatada pela bancária aposentada está inserida em oito
volumes do processo trabalhista iniciado em junho de 2001, revelando
a conturbada relação entre chefe e subordinada, que culminou
com pedido de indenização por danos morais e físicos
em torno de R$ 700 mil. De um lado da contenda, uma advogada, admitida
por concurso público como escriturária, que se disse perseguida
de forma “criminosa” por seu chefe. De outro, o Banco do
Brasil, que baseou sua defesa no fato de a empregada ter sido diagnosticada
por psiquiatra como portadora de transtorno bipolar, o que a levaria
a fantasiar exageradamente as situações vivenciadas no
ambiente de trabalho.
A empregada entrou para os quadros
do Banco do Brasil em 1984. Disse que, apesar de ter sido admitida como
escriturária, desenvolveu por longos anos a função
de digitadora, vindo a adquirir doença profissional conhecida
por Lesão por Esforços Repetitivos (LER). Segundo consta
na petição inicial, o mal teria atingido o braço
direito, causando-lhe dores fortes, a ponto de ficar impossibilitada
para o trabalho e ter sido afastada por diversas vezes pelo INSS com
recomendação de submissão a tratamento pelo Centro
de Reabilitação Profissional do instituto social.
As constantes licenças
médicas, segundo ela, teriam desagradado à chefia, e a
relação entre chefes e subordinada ficou tão conturbada
que algumas vezes chegaram até mesmo às vias de fato. Na
visão da empregada, a perseguição sistemática
desenvolvida por seus superiores foi tão intensa que a levou a
apresentar um quadro clínico de profunda depressão. Ela
foi aposentada prematuramente, aos 36 anos, não pela LER, mas
por ser portadora de transtorno bipolar. A doença, conhecida antigamente
pelo nome de psicose maníaco-depressiva, caracteriza-se por alterações
do humor, com episódios depressivos, eufóricos e maníacos.
Na ação trabalhista
intentada contra seu empregador, a escriturária pediu, dentre
outras verbas, o reconhecimento da culpa do Banco do Brasil pela aposentadoria
precoce por invalidez, com indenização por danos morais
de 100 salários de um advogado pleno do BB e por danos físicos
no valor de R$ 500 mil, além de pensão para cobrir as perdas
salariais que teria se fosse ativa.
O banco, em contestação,
negou a ocorrência do dano moral e disse que as “perseguições” alegadas
pela empregada não passavam de “delírios” provenientes
da doença. Apresentou diagnóstico de psiquiatra atestando
que a empregada sofria problemas de ordem emocional, inclusive com episódios
de tentativas de suicídio. Concluiu alegando que a bancária
teve atritos em todos os setores onde trabalhou.
O magistrado de primeiro grau
ouviu testemunhas e analisou a farta documentação carreada
pelas duas partes e concluiu pela existência do dano moral. “A
empregada enfrentou ambiente hostil, de descaso e perseguição
sistemática. Dizer que isso não passa de delírio,
postura sintomática de seus males psíquicos, é prosseguir
na conduta antijurídica de vilipendiar a reclamante, fazendo sangrar
feridas que ainda não cicatrizaram”, destacou o juiz. O
pedido de indenização por danos físicos foi julgado
improcedente, mas o banco foi condenado a pagar R$ 100 mil pelos danos
morais.
Houve recurso de ambas as partes
ao TRT/MG, mas a condenação em danos morais e o valor arbitrado
da indenização foram mantidos. “A empregada sofreu
doença profissional que a impossibilitou parcialmente para o trabalho
desde 1989 quando, também, foi constatado estar ela acometida
de ansiedade e depressão. Tratava-se, portanto, de uma empregada
já atingida pelo infortúnio e acometida de séria
doença não profissional, ou seja, a depressão bipolar,
que a levou a aposentar-se por invalidez, precocemente. Merecia, portanto,
toda a atenção e a compreensão de sua chefia e dos
seus colegas de profissão, devendo ser tratada com cortesia e,
mesmo, com a ajuda e amparo de todos. A prova oral produzida, porém,
confirmou sua alegação feita na inicial em relação
ao rude tratamento recebido de seu chefe, fazendo-a enfrentar um ambiente
hostil”, destacou o acórdão do TRT.
A matéria chegou ao TST
por meio de recurso das duas partes: o agravo de instrumento da empregada
não foi provido e o recurso de revista do Banco do Brasil recebeu
provimento para, reformando o acórdão do regional, julgar
improcedente o pedido de indenização por dano moral.
De acordo com o voto do ministro
Brito Pereira, o TRT registrou no acórdão que o tratamento
do preposto do banco dispensado à empregada não revelou
situação de humilhação. Ao contrário,
o TRT esclareceu que o Banco procurou readaptar a escriturária,
que ficara impossibilitada parcialmente para o trabalho por algum tempo,
além de confirmar que ela foi acometida de ansiedade e depressão
bipolar, doença não profissional, que gerou a aposentadoria
por invalidez.
“Do exame dos fatos extraídos
do acórdão regional, vê-se que estão ausentes
os pressupostos ensejadores do dever de indenizar, dado que o mau relacionamento
ou as divergências de entendimentos no ambiente de trabalho, tal
como narrados pelo Tribunal Regional, não passaram de meras divergências
entre advogados, nem ficou revelado qualquer propósito de humilhar
a reclamante no seio da unidade profissional onde ambos trabalhavam”,
disse o ministro relator. Segundo ele, para a configuração
do dano moral concorrem três pressupostos básicos: o dano
propriamente dito; a culpa ou dolo do agente a quem se imputa a ação
ou omissão; e o nexo de causalidade entre o dano e o comportamento
do agente. “Na espécie, contudo, do que se extrai do acórdão
recorrido, nem mesmo o dano se configurou, porque o sofrimento da reclamante
não decorreu de ato do preposto do reclamado”, concluiu.
(AIRR e RR 804/2001-100-03-00-0)

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