 |
Agência Câmara, 16 de junho de
2007
Proposta estabelece jornada semanal de 40 horas
Luiz Alves

Maia: redução da jornada poderá desencadear o
surgimento de novos postos de trabalho.
Tramita na Câmara o Projeto de Lei 160/07, do deputado Marco
Maia (PT-RS), que estabelece a jornada máxima de trabalho
de 40 horas semanais. Atualmente, a jornada máxima definida
no artigo 7º da Constituição é de 44 horas
por semana.
Antes da promulgação da Constituição
de 1988, a jornada máxima praticada era de 48 horas semanais,
estabelecida pela Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT). O projeto não fere a Constituição, uma
vez que determina um teto inferior ao do texto constitucional. Além
disso, a proposta mantém as especificidades de jornada especial
determinadas pela CLT. Segundo Marco Maia, a modificação
pretende atender as reivindicações do movimento sindical
brasileiro.
O parlamentar explica que a Constituição fez a opção
de conciliação entre a jornada de 48 horas, prevista
na CLT, e a de 40 horas, pretendida pelos sindicatos, ao estabelecer
a jornada semanal de 44 horas. No entanto, ele considera a jornada
de trabalho fixada em 44 horas muito extensa. "Todos nós
sabemos que a redução para 40 horas não trará malefícios à sociedade.
Ao contrário, poderá desencadear o surgimento de novos
postos de trabalho, aumentando o índice da população
economicamente ativa", avalia.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração
e Serviço Público; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
|
Agência Diap, 16
de junho de 2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
Contribuição social é inconstitucional
segundo STF
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta quinta-feira,
14/06, a inconstitucionalidade dos artigos 8º e 9º da Lei
7.689/88, que instituiu a contribuição social sobre o
lucro de empresas para custeio da seguridade social.
A decisão foi tomada no julgamento de uma Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI 15) ajuizada em 1989 pela Confederação
das Associações de Microempresas do Brasil.
Em 1992, o Supremo já havia cassado os dois dispositivos
em julgamentos de recursos extraordinários, mas os ministros
decidiram reafirmar a declaração de inconstitucionalidade
por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade,
tipo de ação que tem como objetivo específico
declarar que uma lei ou parte dela é inconstitucional.
Além disso, no caso do artigo 9º, apesar do posicionamento
do Tribunal na época, o Senado Federal, órgão
competente para editar resolução capaz de dar eficácia
geral à decisão, arquivou o processo de suspensão
do dispositivo. “Um caso raro de explícita recusa [do
Senado em suspender o dispositivo da lei]”, comentou o relator
da ação, ministro Sepúlveda Pertence.
O artigo 8º da lei violou o princípio constitucional
da irretroatividade (artigo 150, inciso III, alínea ´a`),
porque determinou que a contribuição seria apurada
a partir de um período-base existente antes que a norma entrasse
em vigor. O princípio constitucional em questão só permite
que uma lei crie encargos para atingir situações futuras,
o que evita insegurança jurídica.
Já o artigo 9º dispôs sobre o Finsocial (Fundo
de Investimento Social), imposto que já existia na época
e que só poderia ser alterado por meio de lei complementar.
A contribuição social foi criada por medida provisória,
posteriormente transformada em lei.
A Confederação das Associações de Microempresas
do Brasil pretendia que toda a lei fosse cassada. Por isso, a ADI
foi julgada procedente em parte. (Com informações
do STF)
|
Nova Central, 16 de junho de 2007
Estágio desvirtuado gera vínculo
de emprego
O Grupo Pão de Açúcar não conseguiu suspender
condenação de segunda instância que o condenou
a pagar verbas trabalhistas além de reconhecer vínculo
com uma estagiária contratada como operadora de caixa. O pedido
foi negado pela 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
A operadora de caixa foi admitida em julho de 2000 por termo de
compromisso de estágio para trabalhar no supermercado Barateiro.
A vigência iria até dezembro do mesmo ano. Oito meses
depois do término do compromisso, ela foi dispensada e recorreu à Justiça.
Alegou que o compromisso de estágio era nulo, pois estava
matriculada no terceiro ano do Ensino Médio e a função
exercida era “atividade rotineira e subordinada, sem nenhuma
relação com a grade curricular de seu curso”.
Na ação, sustentou que, “para a efetiva caracterização
do estágio, é imprescindível a intervenção
e a fiscalização da instituição de ensino”.
Como isto não ocorreu, a finalidade do estágio estaria
desvirtuada.
A 1ª Vara do Trabalho de Jundiaí, São Paulo,
reconheceu a existência de relação de emprego,
e não de estágio. A própria empresa admitiu
que a trabalhadora, na data do desligamento, sequer se mantinha no
curso – condição imprescindível para a
manutenção do estágio em conformidade com a
lei.
Os juízes entenderam que a empresa em momento algum demonstrou
o cumprimento da Lei 6.494/77, relativa ao estágio, juntando
as avaliações ali previstas. Determinou então
a anotação na carteira de trabalho e condenou a empresa
ao pagamento das verbas solicitadas.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Campinas,
rejeitou o Recurso Ordinário do supermercado e manteve a condenação.
Negou seguimento também ao Recurso de Revista em que o supermercado
questionava o reconhecimento da relação de emprego
e alegava cerceamento de defesa. A empresa então entrou com
Agravo de Instrumento noTST.
A juíza convocada, Maria do Perpétuo Socorro Wanderley,
ressaltou que o TRT negou seguimento ao recurso “norteado pela
aplicação do poder diretivo do juiz na condução
do processo, considerando a ampla liberdade que lhe é conferida
para determinar as provas necessárias à instrução
e deferir, de plano, as diligências inúteis ou meramente
protelatórias”.
Com relação ao vínculo de emprego, a juíza
Perpétua Wanderley esclareceu que a análise das alegações
da empresa quanto à inexistência dos elementos caracterizadores
exigiria o reexame de provas, procedimento vedado em sede de recurso
de revista pela Súmula 126 do TST. AIRR
01531/2001-002-15-00.0 | Revista Consultor Jurídico.
|
Diário Vermelho,
16 de junho de 2007
Maioria dos brasileiros é a favor da reestatização
da Vale, diz pesquisa
Em pesquisa com 2 mil pessoas, 50,3% disseram ser a favor da retomada
da empresa pelo governo, ante 28,2% contrárias à medida.
Instituto realizou a sondagem a pedido do DEM, o antigo PFL. Plebiscito
popular sobre a Vale acontece em setembro.
A maioria dos brasileiros é a favor da retomada da Companhia
Vale do Rio Doce pelo governo federal. Segundo pesquisa realizada
entre os dias 19 e 22 de maio pelo Instituto GPP – Planejamento
e Pesquisa, 50,3% dos brasileiros são favoráveis à retomada
da empresa, que vem acumulando seguidos recordes em seus lucros,
faturamento e investimentos. Outros 28,2% são contra a medida.
E 21,5% disseram não saber responder.
De acordo com a assessoria de imprensa do instituto, a pesquisa
ouviu duas mil pessoas em 17 Estados brasileiros no período
citado. A margem de erro máxima é de 2,2%, para cima
ou para baixo dos resultados obtidos. E o principal corte da pesquisa
diz respeito à idade, de forma que todas as pessoas ouvidas
possuíam 16 anos ou mais.
Carta Maior teve acesso aos dados completos, e pôde constatar
que a pergunta era simples e direta, apresentada da seguinte forma: “agora
gostaria que dissesse se é a favor ou contra da seguinte
medida: o governo retomar a Vale do Rio Doce”.
Nas regiões, a pesquisa apontou que o Norte do Brasil é onde
existe maior apoio à medida: 62,5% dos entrevistados são
favoráveis à retomada da empresa. No Sul, o número
fica em 47,6%, ante 49,7% no Sudeste, 37,3% no Centro-Oeste e 52,9%
no Nordeste. Já os 28,2% contrários apontados pela
pesquisa são 20,3% no Sul, 30,5% no Sudeste, 24,2% no Centro-Oeste,
31,1% no Nordeste e 24,6% no Norte.
A quantidade dos que não souberam responder é maior
no Centro-Oeste (38,5%), ante 32,1% no Sul, 19,8% no Sudeste, 16,0%
no Nordeste e 12,9% no Norte.
Por fim, a pesquisa aponta que o apoio à retomada da empresa é maior
nas regiões metropolitanas do país (54,1%) do que
nas capitais (52,5%) e interior (47,6%). Nas capitais, 29,2% são
contra a medida, número próximo aos 29,4% nas regiões
metropolitanas e 27,3% no interior. Os números apontam que
no interior é maior a quantidade de pessoas que não
souberam responder: 25,1%, ante 18,3% nas capitais e 16,5% nas
regiões metropolitanas.
As informações reafirmam a avaliação
crítica dos brasileiros em relação a diversos
aspectos da política de privatizações empreendida
no país nos últimos anos. Segundo analistas, durante
as eleições gerais do país em 2006 essa agenda
se mostrou rejeitada por boa parte da população.
E agora, ironicamente, é reafirmada com a questão
sobre a Vale em pesquisa realizada a pedido justamente de um dos
principais agentes da política de privatizações,
o DEM (Democratas), antigo PFL.
A pergunta integrava levantamento de consumo interno dos Democratas,
voltado a obter dados sobre a conjuntura política do país.
Segundo nota publicada na coluna da jornalista Mônica Bérgamo
na Folha de S. Paulo de quinta-feira (14), “o resultado,
meio escondido entre várias outras perguntas do instituto
GPP, está deixando deputados e senadores que tomaram conhecimento
dos números de queixo caído”.
Além de ter gerado surpresa entre os parlamentares, a pesquisa
também trouxe mais energia para os movimentos sociais e
entidades do país que preparam para setembro deste ano a
realização de um plebiscito popular sobre a privatização
da Vale do Rio Doce, ocorrida em 1997. A empresa foi vendida à época
por cerca de R$ 3,3 bilhões e hoje já possui valor
de mercado de quase R$ 100 bilhões.
Alegando desde uma possível sub-avaliação
no preço da empresa a problemas jurídicos no processo,
inúmeras ações questionam a validade do leilão
na Justiça, onde ainda aguardam julgamento, mais de dez
anos após a privatização.
Instituto
De acordo com o site do instituto, o GPP criado em 1991, centra
sua “atuação em sete áreas de especialidade:
mercado, comunicação, satisfação, opinião
pública, socioeconômica, político-eleitoral
e administração pública” e possui entre
seus clientes não só os Democratas, mas vários
outros partidos, como PT, PSBD, PMDB, PDT, PTB, PPS, PP e Prona.
O instituto também atua junto a diversas empresas, como
Light, Telemar, Vivo e Correios e Telégrafos. No campo das
organizações, o instituto tem como clientes a Firjan,
Fundação Oswaldo Cruz, OAB-RJ, ONG Viva Rio, Sebrae-SP
e Previ, entre outros; além de ter entre seus clientes diversos órgãos
do poder público, como a Prefeitura do Rio de Janeiro, a
Prefeitura de Campinas e o Governo do Amapá. Fonte:
Agência
Carta Maior.
|
Força Sindical,
16 de junho de 2007
Novo cálculo de benefício
pode ter limite de idade
Especialista aponta problema no modelo. Centrais identificam pontos
positivos
O governo prepara um novo modelo de cálculo para as aposentadorias.
O valor do beneficio seria definido pela soma de duas variáveis:
a idade do trabalhador e o tempo de contribuição na data
do pedido. Para o especialista em Previdência Kaizô Beltrão,
técnico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
o modelo precisa de ajustes. “Um modelo assim exige uma idade
mínima para se aposentar. Além disso, é preciso
manter a regra do piso previdenciário para não prejudicar
os trabalhadores de baixa renda e com longos períodos sem contribuição”,
disse Beltrão.
Para a Força Sindical, a proposta tem um ponto sitivo porque
não leva em conta o fator previdenciário. “Acho
que é um avanço nesse ponto. Pode ser aplicado para
as gerações futuras”, disse João Carlos
Gonçalves, secretário-geral da Força. O presidente
da CUT-SP, Edílson de Paula, aprovou o modelo, que será discutido
no Fórum da Previdência. “Falta agora o combate à informalidade”,
disse. (JG)
|
Agência Brasil, 16
de junho de 2007
Mais de 1,1 milhão de trabalhadores ainda não
sacou abono do PIS/Pasep
Agência Brasil Brasília - Termina no próximo dia 29 o prazo para
os trabalhadores sacarem o abono salarial do PIS/Pasep no valor de
um salário mínimo, referente ao ano-base 2005. Segundo
o Ministério do Trabalho, mais de 1,1 milhão de trabalhadores
com direito ao benefício ainda não sacou o valor.
Desde julho de 2006, quando começou o calendário de
pagamento, cerca de 10,6 milhões de abonos foram pagos em
todo o país. Tem direito ao benefício o trabalhador
ou servidor que recebeu, em média, até dois salários
mínimos mensais em 2005, que tenha trabalhado pelo menos 30
dias naquele ano e estava cadastrado no PIS/Pasep desde 2001.
O abono do PIS é pago nas agências da Caixa Econômica
Federal e o do Pasep, no Banco do Brasil. Para fazer o saque, é preciso
apresentar a carteira de identidade e o número de inscrição
no PIS/Pasep. Pelo telefone 0800-574-2222 é possível
esclarecer dúvidas .
|
Gazeta do Povo, 16 de junho de 2007
ECONOMIA | HABITAÇÃO
Caixa expõe 7 mil imóveis em feirão da casa própria
Apartamentos de valor baixo são os mais procurados
Os imóveis com valor entre R$ 50 mil a R$ 60 mil são
a grande vedete do 3.º Feirão da Casa Própria
que a Caixa Econômica Federal promove desde ontem até amanhã no
Marumby Expo Center, em Curitiba. As opções nesta faixa
são as preferidas dos visitantes, que devem atingir a marca
de 32 mil pessoas, fluxo 30% maior do que o registrado na edição
passada. O foco do feirão são famílias de baixa
renda, mas há imóveis desde R$ 11 mil até R$
130 mil. A expectativa é que o valor movimentado durante o
evento chegue a R$ 150 milhões.
Saiba mais sobre o financiamento:
Cerca de 7 mil imóveis estão expostos na feira, sendo
3 mil novos e 150 adjudicados pela Caixa (retomados, geralmente por
falta de pagamento). Participam do evento imobiliárias e construtoras
contratadas pela Caixa. “As empresas podem oferecer o imóvel
que quiserem nos estandes, mas por obrigação têm
de ter uma opção principal com valor máximo
de R$ 130 mil, para estar dentro das condições do nosso
público-alvo”, explica um dos coordenadores do Feirão,
Ubiraci Rodrigues.
No evento, além de conhecer os imóveis, os interessados
podem fazer a análise de crédito e até mesmo
dar entrada nos papéis de financiamento. “Mesmo as pessoas
que por acaso não acharem na feira aquilo que estão
procurando podem levar uma carta de crédito para comprar qualquer
imóvel em Curitiba e região metropolitana”, acrescenta.
Para fazer a carta, o interessado deve levar os três últimos
contra-cheques, comprovante de residência, carteira de identidade
e CPF. Podem ser financiados até 100% do valor dos imóveis,
pelo prazo máximo de 20 anos. A idade do comprador também
influencia: de acordo com Rodrigues, a soma do tempo do financiamento
e a idade do responsável pela compra não pode exceder
80 anos. Uma pessoa de 70 anos, por exemplo, pode fazer um financiamento
por 10 anos, no máximo.
A maior parte dos negócios é finalizada ao longo do
ano, mas algumas pessoas compram o imóvel durante a feira.
Este foi o caso do casal Silvana e Edson Luiz Ferreira, casados há 19
anos e com três filhos. Eles adquiriram um apartamento de propriedade
da Caixa por R$ 48 mil, no Bairro Alto, mesmo local onde moram atualmente,
na casa da sogra de Silvana. “Somos casados há 19 anos
no cartório e agora vamos casar na Igreja. Mas falei que só casava
de casa nova”, conta. Segundo ela, as pesquisas sobre imóveis
começaram há um mês. Nesta semana, o filho mais
velho, de 19 anos, achou na internet o imóvel da Caixa e o
achou interessante. “Ele ficou muito interessado. A gente veio
no feirão e vimos que realmente era um bom negócio,
que está dentro das nossas possibilidades, sem comprometer
os outros compromissos”, diz ela. Silvana é confeiteira,
e Ferreira, metalúrgico. Este será o primeiro imóvel
da família.
O movimento na feira foi tranqüilo ontem. O grande fluxo é esperado
para amanhã. Na edição do ano passado, o Feirão
da Caixa recebeu cerca de mil pessoas por hora. As imobiliárias
e construtoras registraram um bom movimento, mas a maioria das pessoas
estavam interessadas apenas em buscar informações. “Venda
real não fizemos ainda, mas já agendamos muitas visitas
para o prédio que estamos vendendo”, diz a secretária
de vendas da LS Castro Corretora de Imóveis, Andreza Dal Prá.
Rosana Félix
Serviço: 3.º Feirão de Imóveis da Caixa
Onde: Marumby Expo Center
Horário: Sábado, das 10h às 21h, e domingo,
das 10h às 18h.
Entrada e estacionamento gratuitos.
|
Gazeta do Povo, 16 de junho de 2007
ECONOMIA | ENERGIA
Copel pede reajuste de 4,52%, mas tarifa residencial pode cair
Nos últimos dois anos, preços subiram para as indústrias
e caíram para as residências
por FERNANDO JASPER Pedro
Serápio/Gazeta do Povo/Arquivo

Aumento em cada estado será decidido em reunião da Aneel, marcada
para terça-feira
A Copel Distribuição solicitou à Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel) que o reajuste anual das tarifas de energia
elétrica no Paraná seja de 4,52%, em média. Mesmo que
a Aneel autorize esse reajuste médio, a avaliação do mercado é de
que as tarifas para o consumidor residencial tendem a cair, sendo compensadas
por um aumento no valor cobrado das indústrias. Foi o que aconteceu
nos últimos dois anos, em linha com uma política de reduzir subsídios
ao setor industrial.
A definição sai na próxima terça-feira,
quando a diretoria da agência reguladora se reúne, em
encontro transmitido via internet, para decidir qual será o
aumento autorizado às companhias de distribuição
de cada estado. O resultado da reunião será publicado
no Diário Oficial dois dias depois, e os reajustes serão
aplicados a partir do dia 24.
A Aneel é quem vai definir o aumento máximo permitido
para os consumidores conectados à baixa tensão (residências
e comércio de pequeno porte) e para a alta tensão (principalmente
indústrias). O objetivo declarado da agência é acabar
com o “subsídio cruzado”, prática na qual
as residências pagam tarifas mais altas para permitir que a
energia consumida pelas indústrias seja mais barata. Em 2005,
a tarifa para os consumidores conectados às linhas de baixa
tensão caiu 0,05% no Paraná, frente a um aumento médio
de 7,8% na soma de todas as categorias. No ano passado, a queda para
a baixa tensão foi ainda maior, de 12,71%, frente a um aumento
de 1,44% para os consumidores de alta tensão, o que resultou
em reajuste médio de 5,12%.
No pedido encaminhado à Aneel, a Copel informa que nos cálculos
para a apuração do reajuste solicitado foram consideradas
as projeções para o Índice Geral de Preços-Mercado
(IGP-M) e o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),
além da cotação do dólar. Outros itens
foram computados, como o passivo referente ao programa Luz Para Todos,
o passivo da usina hidrelétrica de Foz do Chopim e um recurso
administrativo para ajuste financeiro relativo ao reajuste de 2006.
A Copel atende 3,367 milhões de consumidores de 393 municípios
paranaenses, atingindo um total estimado de 9,8 milhões de
habitantes. O consumo de energia elétrica da distribuidora
representa uma receita anual de aproximadamente R$ 3,9 bilhões.
|
Gazeta do Povo, 16 de junho de 2007
ECONOMIA | MERCADO 2
Dólar cai e fecha semana em R$
1,914
O dólar comercial foi negociado ontem a R$ 1,914 para venda,
em queda de 0,67%. O Banco Central entrou no mercado para evitar uma
queda ainda maior das cotações. Uma onda de notícias
positivas ajudou os mercados globais a deixar para trás o susto
com a disparada dos juros americanos de longo prazo.
|
Gazeta do Povo, 16 de junho de 2007
MUNDO | DIREITOS HUMANOS
Trabalho escravo revolta chineses
Polícia resgata mais de 500 trabalhadores • Crianças
eram forçadas a longas jornadas
AFP

Grupo de trabalhadores chineses libertado por policiais durante
operação em olarias e minas de carvão.
Pequim – Centenas de pessoas, entre elas um grande número
de crianças, eram forçadas a trabalhar como escravas
em um brutal esquema de tráfico de pessoas descoberto na China – um
caso que vem causando revolta no país. Nos últimos
dias, a polícia chinesa resgatou mais de 500 pessoas de olarias
e minas de carvão em duas províncias do país,
onde eram tratadas com crueldade, de acordo com fontes oficiais.
Os trabalhadores libertados apresentavam marcas de espancamento
e estavam famintos. Entre eles, crianças de até 8 anos
de idade, forçadas a trabalhar longas horas em péssimas
condições. As investigações apontam para
um possível envolvimento de autoridades locais no esquema.
Pelo menos um homem foi espancado até a morte, confessou o
capataz de uma olaria ouvido pela televisão local.
Alguns relatórios afirmam que o comércio de escravos
vinha acontecendo desde março passado – ou até mesmo
há anos. “Já resgatamos mais de 200 pessoas até agora,
incluindo cerca de 40 crianças”, declarou um oficial
do departamento de Segurança Pública da província
de Henan, que se identificou apenas pelo sobrenome Dang. “Elas
eram seqüestradas e vendidas para olarias nas províncias
de Shanxi e Henan”, explicou.
Li Fulin, vice-diretor da Segurança Pública em Shanxi,
afirmou em um comunicado que diferentes ações da polícia
já haviam libertado mais 251 pessoas. A agência de notícias
Xinhua informou que outras 80 foram resgatadas na mesma província.
Autoridades das duas províncias declararam que as investigações
continuam e que a intenção é libertar centenas
de pessoas que, acreditam, ainda estejam escravizadas. “É difícil
estimar o número de pessoas desaparecidas antes que as investigações
cheguem ao fim, mas há provavelmente mais de mil”, disse
Dang.
O escândalo deixou alarmados os altos escalões do Partido
Comunistas chinês, enquanto ordens para resolver a situação
vinham ontem diretamente do presidente Hu Jintao e do Premier Wen
Jiabao. A polícia da província de Henan informou que
pelo menos 120 pessoas foram presas durante a operação.
|
Gazeta do Povo, 16 de junho de 2007
POLÍTICA | LEGISLATIVO
Assembléia analisa projeto de redução
de ICMS
Proposta adapta lei estadual à nova legislação
nacional
por KÁTIA CHAGAS
Rodrigo Leal

Deputado Romanelli (PMDB) pediu urgência para o projeto
A Assembléia Legislativa deve votar na próxima semana
o projeto do governo que trata da isenção e redução
da cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Prestação de Serviço (ICMS) para micro e pequenas
empresas no Paraná. A mensagem tramita em regime de urgência
para adequar a legislação do Paraná à nova
Lei Geral da Micro e da Pequena Empresa, que entra em vigor em todo
o país a partir de 1.º de julho.
O projeto isenta de pagamento do ICMS empresas com receita bruta
anual de até R$ 360 mil, ou R$ 30 mil mensais. “Nessa
faixa, mais de 154 mil micros e pequenas empresas estarão
isentas de tributos no Paraná”, disse o líder
do governo na Assembléia Legislativa, Luiz Cláudio
Romanelli (PMDB). A lei atual que instituiu a política de
incentivo fiscal aplica a isenção à empresas
com receita anual de até R$ 300 mil, o que abrange 172 mil
micros e pequenas empresas no Paraná. Na prática, o
aumento do desconto para a faixa de R$ 360 mil já está em
vigor, pelo Decreto 7526, assinado em dezembro de 2006.
A regulamentação da lei, segundo o deputado, é necessária
para garantir a continuidade das isenções e reduções
quando as pequenas empresas forem enquadradas no Simples Nacional – Regime
Especial U nificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições.
O projeto do governo também permite o parcelamento em até 120
vezes mensais dos débitos do ICMS gerados até 30 de
abril de 2007.
A mensagem já tem parecer favorável da Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ), mas recebeu
emenda. O deputado Reni Pereira (PSB) quer modificar o artigo nono
do projeto, que estabelece que as empresas que optarem pelo regime
Simples vão precisar renunciar ao crédito do ICMS na
conta gráfica de impostos. A conta é criada pelo governo
para empresas e nela está o lançamento contábil
de operações de compra e venda em determinado período
e o saldo credor do imposto.
Reni Pereira defende a retirado do artigo por considerar ilegal. “Está na
Constituição que o ICMS não é cumulativo
e tem que ser compensado a cada operação de circulação.
Se alguém tem saldo na conta gráfica não pode
abrir mão para entrar no Simples”, disse o deputado.
Pela mensagem do governo, com ganhos anuais acima de R$ 360 mil
até R$ 480 mil, o porcentual será de 0,67%. Acima disso
até R$ 600 mil/ano, o valor sobe para 1,07% e será de
1,33% para as empresas com receitas entre R$ 600 mil/ano a R$ 720
mil/ano. O teto da tabela estabelece a cobrança de 3,4% para
as empresas que tiverem receitas de R$ 2,28 milhões a R$ 2,4
milhões ao ano.
|
Folha de Londrina, 16 de junho de 2007
SEU DIREITO - EXTRAVIO
Trabalhei em uma empresa na cidade de São Paulo, entre 1975
e 1976, porém minha carteira de trabalho foi extraviada. A empresa
era organizada, mas não consigo encontrar o endereço
ou o telefone do local por meio do nome fantasia da empresa, que pode
até ter mudado. Gostaria de saber se é possível
descobrir e comprovar que o recolhimento ao INSS foi feito corretamente
na época, para efeito de aposentadoria.
Temos várias possibilidades de comprovar o vínculo
empregatício nesta situação. O procedimento
mais fácil seria o requerimento junto ao INSS do Extrato dos
Vínculos Empregatícios (CNIS - Cadastro Nacional de
Informações Sociais), no qual serão relacionadas
todas as contribuições vertidas para a previdência,
de 1971 até a presente data.
Outro modo seria requerer junto ao Banco da Caixa Econômica
Federal o extrato do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), no qual estarão relacionados todos os vínculos
empregatícios.
Outra forma de comprovar o vínculo empregatício seria
a localização da empresa em que trabalhou, que poderá ser
por meio de sites de busca, Receita Federal e Junta Comercial de
São Paulo. Se localizar a empresa, é preciso requerer
a Ficha de Registro de Empregados (FRE).
Enfim, se não conseguir comprovar a atividade desenvolvida
nos meios relacionados acima, deverá juntar provas documentais
constando a profissão exercida. Essas provas deverão
ser referentes ao período trabalhado, como holerites, Termos
de Rescisão, Certidão de Casamento, Certidão
de Nascimento do filho, Título de Eleitor ''antigo'', Certidão
da Secretaria de Segurança Pública, entre outros. Para
averbar este tempo pleiteado, deverá requerer testemunhas
para corroborar com as provas documentais.
Portanto, há diversas formas de comprovar os vínculos
empregatícios em situações de extravio da Carteira
de Trabalho. Apesar do trabalho e do dispêndio de tempo, certamente
valerá a pena, pois no caso em questão serão
somados dois anos de tempo de serviço para sua aposentadoria.
André Benedetti, advogado.
|
O Estado do Paraná,
16 de junho de 2007
CEF financia, com recursos da Poupança, 63% das unidades habitacionais
do País
Assessoria da CEF
A Caixa Econômica Federal contratou, entre janeiro e maio
deste ano, R$ 2,130 bilhões em operações de
crédito imobiliário com recursos da caderneta de poupança.
O dinheiro foi suficiente para viabilizar a construção
e/ou aquisição de 40.344 unidades habitacionais em
todo o país.
Em maio, só a Caixa financiou 9.504 unidades, das 16.249
operações contratadas no âmbito do Sistema
Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O volume
de recursos para o financiamento dessas unidades superou R$ 520
milhões.
Com este resultado, o total de operações contratadas
nos últimos 12 meses ultrapassou R$ 4,68 bilhões,
superando em 75% o volume de recursos aplicados nos 12 meses anteriores,
ou seja, entre maio de 2005 e abril de 2006.
Nos primeiros cinco meses de 2007 a Caixa financiou 40.344unidades
habitacionais, sendo responsável por 63% do total das unidades
financiadas no país no período. Os demais bancos
integrantes do SBPE financiaram 23.951unidades habitacionais. Em
valor, a Caixa foi responsável por 38% do volume aplicado.
O valor médio dos financiamentos realizados pela Caixa foi
de R$ 52 mil, enquanto o valor médio do restante do mercado
foi de R$ 142 mil.
|
Jornal do Estado, 16 de junho de 2007
Por salários
Funcionários da Sanepar confirmam paralisação
Com continuidade da paralisação, segundo grevistas pode
faltar água
Redação Bem Paraná
Assembléias dos funcionários da Sanepar realizadas
hoje rejeitaram a proposta de reajuste salarial oferecida pela empresa
e a greve está mantida. A paralisação, que começou
na quinta-feira (14), e já atinge cerca de 60% da categoria.
A greve já começa a apresentar reflexos no atendimento à população,
mas o risco maior — o de falta d´água — pode
ocorrer a partir de hoje, conforme informações da União
dos Sindicatos dos Trabalhadores da Sanepar (USTS).
A nova proposta foi apresentada pelos diretores Natálio Stica
(Comercial), Hermes da Fonseca (Administrativo) e Wilson Barion (Operações).
A Sanepar está oferecendo reajuste escalonado que varia entre
11,56% e 3,77%, dependendo da faixa salarial atual. Os maiores índices
são oferecidos para os trabalhadores com salários menores.
A categoria exige aumento linear de R$ 224 para todos os funcionários — cerca
de 20%. Segundo a USTS, dos 2.329 servidores que votaram, 1.471 se
mostraram contrários à proposta da empresa - mantendo
assim a mobilização. Os servidores das unidades de
Londrina, no Norte, e União da Vitória, Sul do estado,
votarão a proposta na segunda-feira.
A Sanepar tem 6.089 funcionários, distribuídos em
10 faixas salariais. Pela proposta, os 1.576 que recebem entre R$
651,70 e R$ 701,18 passariam a receber, respectivamente, entre 11,56%
e 10,96%. Para os 1.001 trabalhadores que estão na maior faixa
salarial, a empresa oferece entre 5,64% e 3,77% de reajuste. Consta
da proposta da Sanepar a correção salarial de 100%
do INPC, o que equivale a reajuste de 3,12%; R$ 55,00 de reajuste
linear para todos os empregados; manutenção do auxílio
alimentação, além de outros benefícios
sociais.
|
Folha de São Paulo,
16 de junho de 2007
Renan manobra e Conselho remarca votação para terça
Após acusações, senadores
decidem tomar depoimentos de jornalista e lobista
Relator ameaça abandonar o cargo e volta atrás após
ligação de sua mulher; PF fará perícia
em documentos do presidente da Casa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante da denúncia de que o presidente do Senado teria apresentado
documentos falsos em sua defesa, o Conselho de Ética do Senado
adiou a votação do pedido de arquivamento do processo
contra Renan Calheiros (PMDB-AL) por quebra de decoro parlamentar
para a próxima terça-feira. Até lá será feita
perícia nos papéis e será tomado depoimento
da jornalista Mônica Veloso e do lobista Cláudio Gontijo,
da empresa Mendes Júnior.
Renan e aliados estavam decididos a sepultar a investigação
ontem mesmo. A primeira tentativa neste sentido ocorreu logo na abertura
da sessão. O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR),
afirmou que Renan repassou ao conselho cheques nominais, notas fiscais,
declarações de vacinação e Guias de Trânsito
Animal. O objetivo é comprovar que rendimentos de R$ 1,9 milhão
declarados nos últimos quatro anos foram provenientes da venda
de gado.
"Estou de posse de documentos que efetivamente comprovam a
comercialização, a posse e o recebimento pelo presidente
Renan dos valores declarados no Imposto de Renda", disse Jucá.
Em reportagem do "Jornal Nacional" veiculada anteontem,
Renan teria apresentado notas fiscais frias ao conselho para comprovar
rendimentos. Ele é acusado de ter despesas pagas por Gontijo.
A pedido de Renan, o lobista entregava R$ 12 mil mensais para Mônica,
com quem o senador tem uma filha de três anos. Renan afirma
que o dinheiro era seu.
Até o surgimento da nova denúncia, era dada como certa
a absolvição hoje de Renan. O relator, Epitácio
Cafeteira (PTB-MA), apresentou parecer pedindo o arquivamento do
caso por falta de provas. Antes de ser convencido por senadores do
PT e do PSB que seria melhor adiar a votação, Renan
trabalhou por sua absolvição fazendo uma maratona de
reuniões. Na primeira delas, no gabinete da liderança
do PT, chegou a levar seu contador, José Appel, para tirar
dúvidas.
"Fiz questão de visitar os senadores, não para
formar cabeça, mas para trazer a verdade", disse ele.
No final, foi convencido por integrantes da base aliada que argumentaram
que o desgaste de um arquivamento sumário seria grande e que
ele continuaria em suspeição. A intenção
dos integrantes do conselho é absolver Renan, mas eles querem
arquivar o processo de uma forma que não permita questionamentos.
Após o acordo ser anunciado na sessão do conselho,
a estratégia quase foi abaixo quando o relator anunciou que
não concordava com o adiamento. Ele não atendeu aos
apelos feitos pelos líderes partidários. "O presidente
[Renan] está querendo se resguardar com a perícia nos
documentos. Também quero me resguardar para que amanhã eu
não tenha que mudar meu relatório por causa da perícia",
disse Cafeteira, que ameaçou abandonar o cargo. Após
quase quatro horas de sessão, Cafeteira mudou de idéia. "Recebi
um telefonema de minha mulher, a quem devo a vida, e ela me disse
que recebeu pedido do Renan. Não recebo ordem, vou concordar
em homenagem à minha esposa."
A assessoria de imprensa de Renan não confirmou o telefonema.
Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que ligou. "Eu
pedi para falar com a Maria Isabel e disse que era muito importante
que ela transmitisse a Cafeteira a necessidade do adiamento. Não
passou dois minutos e o Cafeteira recebeu a ligação",
disse. A sessão começou com 1h30 de atraso porque antes
foram feitas reuniões para definir a estratégia a ser
adotada. Numa delas, a líder do PT, senadora Ideli Salvatti
(SC), sondou o ânimo de tucanos e do DEM.
A oposição já pretendia apresentar relatório
alternativo pedindo a perícia e a realização
de depoimentos. Eles concordaram em adiar a votação. "Eu
sou tucano, não sou ave de carniça", afirmou o
líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O senador Jefferson
Péres (PDT-AM) apresentou um relatório alternativo
manifestando seu voto contrário ao parecer de Cafeteira. Apesar
de tudo ter sido acertado nas reuniões prévias, os
senadores fizeram parecer que a investigação seria
feita por iniciativa de Renan. Jucá anunciou durante a sessão
que Renan teria ligado e proposto o adiamento e a perícia.
A perícia para checar a autenticidade dos documentos será feita
pela Polícia Federal e não será contábil.
Quanto aos depoimentos, o advogado da jornalista, Pedro Calmon, disse
que pretende comparecer mas que não teria o que acrescentar.
(FERNANDA KRAKOVICS, SILVIO NAVARRO E ANDREZA MATAIS)
|
Folha de São Paulo,
16 de junho de 2007
Juízes terão acesso rápido
a banco de dados da Receita
Magistrados precisarão de certificação
digital, com senha fornecida pelo fisco
Medida, válida em alguns Estados, como SP, deve acelerar
trâmites, mas OAB diz que é preciso controle rígido
dos dados acessados
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Um convênio firmado entre a Receita Federal e a Justiça
vai permitir que juízes federais, estaduais e trabalhistas
tenham acesso on-line ao banco de dados do fisco para obter informações
de contribuintes e de empresas que estão envolvidos em processos
judiciais.
Para a Receita e representantes dos tribunais, a medida vai acelerar
a tramitação das ações, uma vez que,
para obter informações sobre dados cadastrais e declarações
de Imposto de Renda das pessoas físicas e jurídicas,
um juiz levava até 30 dias -desde o envio do ofício
por meio dos Correios até o recebimento da resposta. No sistema
on-line, levará segundos.
Especialistas em informática e advogados consultados ressaltam,
entretanto, que é preciso criar mecanismos de proteção
eficientes para que o sigilo dos contribuintes continue assegurado,
como prevê a lei. O acordo foi assinado nesta semana com a
Justiça estadual de São Paulo. Já havia sido
firmado no início do mês com os Tribunais Regionais
do Trabalho de São Paulo (2ª região) e Campinas
(15 ª região), além do Tribunal de Regional Federal
de São Paulo e Mato Grosso do Sul (3ª região).
No Distrito Federal e no Paraná, os juízes federais
já firmaram convênio.
"Além de disponibilizar as informações
de forma muito mais rápida, haverá economia de pessoal
e até mesmo de papel", diz Claudia Maria de Andrade,
chefe da divisão de tecnologia da Receita Federal. Por ano,
as delegacias do fisco em São Paulo recebem 220 mil ofícios
de juízes e destacam 90 servidores para atender esses pedidos.
Cerca de 80% deles pedem dados cadastrais, como endereços
atualizados, e cópias da declaração de bens.
O juiz Antônio José Teixeira de Carvalho, presidente
do TRT-SP, avalia que o acordo agilizará principalmente os
processos trabalhistas em fase de execução. Por dia,
as Varas do Trabalho recebem em média mil novas ações.
Desse total, 75% chegam à fase de execução -mas
boa parte delas com informações erradas, o que dificulta
a cobrança. Segundo o TRT, o acesso via internet permitirá que
as correções sejam feitas imediatamente, o que acelera
a tramitação.
Quem pode
Para entrar no banco de dados, os juízes têm de ter
certificação digital e uma senha que receberão
da Receita. "Ao acessar o centro virtual de atendimento ao contribuinte,
por meio do Infojud [sistema de informações ao Judiciário],
o juiz terá de preencher um formulário on-line com
o número da ação e o CPF ou CNPJ do contribuinte.
Portanto, não terá acesso irrestrito a todos os contribuintes",
diz Andrade.
Para o advogado Ives Gandra, se os juízes utilizarem o banco
de informações do fisco somente para consultas de processos
em que atuam, não há problemas. "O que não
pode ocorrer é que seja usado para "pescar" informações",
afirma.
O advogado Marcos da Costa, diretor da OAB-SP e especialista em
direito de informática, diz que a entidade não teve
acesso aos convênios e que pedirá mais detalhes aos
tribunais. "Substituir o papel por meio eletrônico não
me parece ilegal. Mas quem terá acesso a esses dados? Como
ficarão arquivados na caixa postal do juiz no sistema Infojud?
Um juiz pode pedir a um assistente para acionar? Como os dados migrarão
do meio eletrônico para o papel? É preciso detalhar
isso."
|
Folha de São Paulo,
16 de junho de 2007
CAIO MEGALE
A meta de inflação
para 2009
A melhor decisão parece ser reduzir a meta de 2009 para algo
como 4%, com bandas de tolerância mais estreitas
NO PRÓXIMO dia 26 de junho, o Conselho Monetário Nacional
decidirá a meta de inflação para o ano de 2009,
bem como as bandas que definiram a sua zona de tolerância.
Essa decisão tem gerado um intenso debate entre os economistas.
De um lado, os que defendem uma redução da meta, dado
que os atuais 4,5% ainda são altos para os padrões
mundiais -hoje em torno de 3%. De outro, os que entendem que a manutenção
dos 4,5% seria mais desejável, pois abre espaço para
o Banco Central cortar mais a taxa de juros, levando a um maior crescimento
econômico.
Dessa forma, parece oportuno avaliar alguns princípios da
teoria econômica que possam ajudar um pouco mais no debate.
Em primeiro lugar, a decisão passa por um dilema ("trade
off") comum em política econômica: credibilidade
versus flexibilidade. Manter a meta em 4,5% com bandas largas daria
mais flexibilidade à atuação do BC. Entretanto
objetivos pouco desafiadores podem comprometer a credibilidade do
regime, que tem como um de seus principais pilares a ancoragem de
expectativas de inflação dos agentes econômicos.
Nesse caso, parece aconselhável reduzir a meta de inflação
e as bandas de tolerância, dado que o IPCA (Índice de
Preços ao Consumidor Amplo) hoje acumula 3,3% nos últimos
12 meses e, portanto, 4,5% parece pouco desafiador. Mas fazê-lo
de forma gradual, pois metas muito audaciosas também acabam
sendo pouco críveis e, portanto, igualmente ineficazes para
coordenar as expectativas. Outro ponto relevante é o impacto
dessa decisão sobre o crescimento.
No curto prazo, a busca de um patamar mais baixo de inflação
pode custar alguns trimestres de crescimento baixo. Por outro lado,
o estudo econômico empírico mostra que níveis
mais baixos de inflação tendem a levar a um maior crescimento
no longo prazo, dado que a estabilidade permite o planejamento, incentivando
o investimento e o consumo.
Como parece razoável apertar um pouco os cintos no curto
prazo, em nome de maior crescimento por muitos anos à frente,
esse aspecto também aponta no sentido de continuarmos a reduzir
a nosso objetivo inflacionário, rumo a um patamar mais condizente
com a prática internacional.
Finalmente, devemos observar o papel das expectativas. A teoria
mostra que é possível reduzir a inflação
com um menor custo de produto, se os agentes acreditarem que a aquela
será efetivamente menor à frente e ajustarem seus preços
e salários de acordo. Ou seja, se a inflação
esperada for mais baixa, provavelmente o custo de curto prazo da
desinflação, mencionado no parágrafo anterior,
tende a ser amenizado.
Estudos do BC mostram que a meta estipulada tem um forte poder de
coordenar as expectativas. Se aproveitássemos o momento favorável
por que passa a economia brasileira para reduzir a meta, a inflação
esperada tenderia a ser menor, tornando assim a convergência
menos penosa.
Mantendo a meta em 4,5%, ancoramos a expectativa de longo prazo
nesse patamar, o que demandará um custo maior de produto se
desejarmos reduzir a inflação em algum momento do futuro.
Portanto, a melhor decisão a ser tomada parece ser a de reduzir
a meta de 2009 de forma gradual, para algo como 4%, com bandas de
tolerância um pouco mais estreitas, pois isso não apenas
será decisivo para manter a credibilidade do regime monetário
atual como contribuirá para o maior crescimento do país
no futuro. CAIO MEGALE, 32, economista, mestre pela PUC-RJ (Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro), é sócio
da Mauá Investimentos.
|