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Agência Diap, 22 de
junho de 2007
CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL
Entidades sindicais e patronais fecham
acordo para regulamentar a contribuição assistencial
Lideranças do movimento sindical e patronal fecharam hoje, 21/06, acordo
para a regulamentação da contribuição assistencial
e eleição do presidente e vice-presidentes das CIPAS.
Pelo acordo firmado na sala da
Comissão de Constituição e Justiça do Senado
Federal, será apresentado requerimento de urgência para
os Projetos de Lei 248/2006 e 86/2003, que dispõem, respectivamente,
sobre a regulamentação da contribuição assistencial
e a eleição do presidente e vice-presidente das CIPA’s.
O acordo foi mediado pelo senador Paulo Paim (PT/RS), que é o
autor das duas proposições.
O acordo prevê também
que as duas proposições [PLS 248 e PLS 86] somente poderão
receber uma emenda cada, a ser apresentada pelo relator designado em
plenário. No PLS 86, a emenda deverá estabelecer a necessidade
de acordo ou convenção coletiva para a eleição
do presidente e vice-presidentes das CIPAS.
A emenda a ser apresentada ao
PLS 248 visa estender às entidades patronais o direito de cobrar
das empresas o mesmo percentual de contribuição assistencial
(1%) deferida aos sindicatos de trabalhadores.
O PLS 248 também terá cancelada
sua tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos,
devendo a proposição, com a aprovação da
urgência, ser votada diretamente no plenário do Senado.
Compromisso
Apesar de não ter comparecido à reunião, o senador Adelmir
Santana (DEM/DF), autor do recurso contrário à aprovação
conclusiva da matéria na Comissão de Assuntos Sociais, disse
aos dirigentes sindicais que, se aprovadas as duas alterações – extensão
da contribuição assistencial aos empregadores e a possibilidade
de os empresários indicarem o presidente e vices das CIPAS –,
não mais irá se opor à aprovação das proposições.
Quem
assinou o acordo
O acordo foi assinado pela Confederação Nacional do Comércio
(CNC), na pessoa do advogado da entidade, Antônio Lisboa Cardoso, Nova
Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil (CGTB), Fórum Sindical dos Trabalhadores (FST) e oito confederações
de trabalhadores, a saber: Confederação Nacional dos Trabalhadores
no Comércio (CNTC), Confederação Nacional dos Trabalhadores
no Transporte Terrestre (CNTT), Confederação Nacional dos Trabalhadores
em Turismo e Hospitalidade (CONTRATUH), Confederação Nacional
dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins
(CNTA), Confederação Nacional das Profissões Liberais
(CNPL), Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas
de Crédito (CONTEC), Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria (CNTI) e Confederação Nacional dos Trabalhadores
da Saúde (CNTS).
A CNI aderiu ao acordo, mas o
representante da entidade não compareceu à reunião
para assiná-lo.
Confira a íntegra do acordo
ATA DA REUNIÃO REALIZADA
NO DIA 21 DE JUNHO DE 2007, NA SALA DA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO,
JUSTIÇA E CIDADANIA DO SENADO FEDERAL, SOBRE OS PLSs 86, DE 2003,
E 248, DE 2006.
No dia 21 de junho de 2007, reúnem-se
na sala da Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania do Senado Federal, sob a presidência do Senador Paulo
Paim, representantes das entidades abaixo relalionadas, com o objetivo
de fazer um acordo sobre os Projetos de Lei do Senado nº 86, de
2003, e nº 248, de 2006. Acorda-se que se buscará a votação
de requerimento de urgência para os dois projetos, permitindo que
ambos sejam votados no Plenário do Senado Federal o mais rapidamente
possível, com uma emenda em cada um. No PLS nº 86, de 2003,
será apresentada, pelo seu relator, emenda prevendo que a alteração
prevista na proposição somente terá lugar mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho . No PLS nº 248,
de 2006, cancelada a sua tramitação pela Comissão
de Assuntos Econômicos, será apresentada, também
pelo seu relator, mediante subemenda aproveitando as emendas a ele apresentadas,
prevendo que as entidades sindicais patronais poderão cobrar das
empresas o mesmo percentual de contribuição assistencial
deferida aos sindicatos de trabalhadores.
| CNI: |
CNC: |
| CNTC: |
CONTEC: |
| CNTTT: |
FST/Nacional: |
| CONTRATUH: |
FST/MS: |
| CNTS: |
FST/SP: |
| CNTA: |
FST/RS: |
| NCST: |
FST/GO: |
| CGTB: |
CNTI: |
| CNPL |
Senador
Paulo Paim: |
PLS 248/2006
PROJETO DE LEI DO SENADO
Nº 248, DE 2006
Acrescenta Capítulo III-A
ao Título V da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de
1943, para dispor sobre a Contribuição Assistencial e dá outras
providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º A Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452,
de 1º de maio de 1943, passa a vigorar acrescida do seguinte Capítulo
III-A ao Título V:
"CAPÍTULO
III - A DA CONTRIBUIÇÃO ASSISTENCIAL
Art. 610-A. A Contribuição
Assistencial, destinada ao financiamento da negociação
coletiva e de outras atividades sindicais, será descontada compulsoriamente
de todos os trabalhadores e servidores membros da categoria profissional,
sindicalizados ou não, conforme prerrogativa prevista na alínea
e do art. 513 desta Consolidação, e na alínea c
do art. 240 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990.
§ 1º O percentual de
Contribuição Assistencial devido, a ser creditado para
a entidade sindical representativa, e a forma de rateio serão
fixados por Assembléia Geral dos trabalhadores.
§ 2º É vedada
a fixação de percentual de contribuição superior
a um por cento da remuneração bruta anual do trabalhador
em atividade.
Art. 610-B. As fraudes, os desvios
ou a recusa arbitrária do empregador em efetuar o desconto da
contribuição da categoria em folha de pagamento serão
considerados ilícitos, puníveis na forma prevista nos arts.
553 e 598 desta Consolidação, cabendo apuração
pelo Ministério Público do Trabalho.
§ 1º Sem prejuízo
das penalidades legais fixadas nesta Consolidação, é vedada
a concessão de empréstimos ou financiamentos bancários
por entes públicos e vedada a participação em concorrências
públicas, às empresas em situação irregular
com as obrigações relativas ao recolhimento das contribuições
assistenciais.
§ 2º Em se tratando
de órgão ou empresa pública, o não recolhimento
das contribuições assistenciais será tipificado
como ato de improbidade administrativa."
Art. 2º Esta Lei entra em
vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
As entidades sindicais enfrentam
verdadeira maratona para obter das empresas o desconto em folha de pagamento
das contribuições assistenciais, mesmo quanto fixadas em
assembléia da categoria ou Convenção Coletiva, e
observados os estatutos fixados em decorrência da autonomia sindical. É um
total desrespeito ao princípio da autonomia e da liberdade sindical,
previsto na Constituição Federal. É necessária
uma norma legal que acabe com a insegurança jurídica no
que se refere a estas contribuições.
Sabemos que as contribuições
sindicais são fundamentais para o funcionamento e o desenvolvimento
das entidades sindicais. Sem esses recursos a prestação
de serviços relevantes aos trabalhadores acaba sendo impedida
ou dificultada. Ainda mais, essas contribuições revertem
em benefício de toda a categoria, inclusive dos trabalhadores
não filiados a uma entidade sindical. Não possuem razão,
portanto, aqueles que argumentam a inexistência de filiação
como base para a recusa dos recolhimentos. Recentemente, a Subcomissão
Permanente do Trabalho e Previdência da Comissão de Assuntos
Sociais, ouvidos, em audiência pública, dirigentes sindicais
de base, de confederações e centrais sindicais de trabalhadores,
aprovou moção no sentido de que o Congresso Nacional aprove,
em caráter de urgência, um projeto de lei regulamentando
o desconto e a abrangência das contribuições assistenciais,
assegurando, assim, o seu caráter universal e compulsório,
em respeito ao princípio da autonomia sindical consagrado no texto
constitucional.
É com base nos argumentos
expostos pelos sindicalistas que elaboramos esta proposição.
Ela prevê o desconto compulsório, limite percentual de até 1%
(um por cento) da remuneração bruta anual do trabalhador
em atividade e punição para empregadores e órgãos
ou empresas públicas que venham a dificultar ou impedir o recolhimento
das contribuições.
Cremos que a sua aprovação
servirá aos interesses de todos os trabalhadores. Dará aos
sindicatos o instrumento jurídico de que necessitam e acabará com
a insegurança jurídica presente, a este respeito, no ordenamento
jurídico. Esperamos contar com o apoio de nossos Pares para a
sua aprovação.
Sala das Sessões,
Senador PAULO PAIM
PLS 86/2003
PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 86, DE 2003
Altera o § 5º do art. 164 da Consolidação das Leis
do Trabalho para determinar a eleição do presidente e do vice-presidente
da CIPA pelos seus membros.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º. O § 5º do art. 164 da Consolidação das
Leis do Trabalho – CLT passa a viger com a seguinte redação:
“ Art. 164.
§ 5º Os membros titulares elegerão, dentre eles, o Presidente
e o Vice-Presidente da CIPA.” (NR)
Art. 2º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
JUSTIFICAÇÃO
O projeto de lei apresentado nesta oportunidade visa conferir maior autonomia às
Comissões Internas de Prevenção de Acidentes – CIPA,
que, nos termos da legislação vigente, têm o presidente
designado pelos empregadores, dentre os seus representantes, e o vice-presidente
eleito pelos representantes dos empregados. Como as atribuições
das comissões relacionam-se diretamente com as atividades da própria
empresa, acreditamos que a escolha do presidente e do vice-presidente, por
via direta, dentre os seus membros, trará maior transparência às
suas decisões, diminuindo os riscos de interferência do empregador.
A aprovação da proposta não trará maiores conseqüências
na atuação da CIPA. Acreditamos, no entanto, que essa simples
medida dará a ela uma maior representatividade, democratizando-a na
sua forma de agir.
Diante dos argumentos aqui expostos, esperamos contar com o apoio de nossos
ilustres Pares na aprovação do presente projeto de lei.
Sala das Sessões, de de 2003
Senador PAULO PAIM
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Valor Econômico, 22
de junho de 2007
Sindicato de terno e gravata
Por Cristiane Agostine e Maria Inês
Nassif
Ernesto Rodrigues / Agência
Estado

Lula entre o deputado federal Vicentinho e o ministro Marinho, que foram presidentes
do Sindicato dos Metalúrgicos por três vezes
O ornitorrinco chega ao seu gabinete.
Ele é um ser que recusou a evolução biológica
e está em dúvida entre ser uma ave (como sugere o bico)
ou um mamífero. O terno, no entanto, é bem cortado e a
gravata e os sapatos não diferem dos de qualquer executivo bem-sucedido.
Quando se senta numa confortável cadeira de couro, é ele,
aquele ser com identidade dupla, que maneja os bilhões de reais
de um fundo de pensão.
Esse bicho estranho foi o escolhido
pelo sociólogo Francisco de Oliveira, na introdução
da mais recente edição de seu livro "Crítica à Razão
Dualista", para definir os sindicalistas que ascendem na burocracia
sindical ou partidária e passam de uma realidade - a de um metalúrgico
que recebe no máximo R$ 3.500 por mês em São Bernardo
do Campo, por exemplo - para a de um executivo que opera grandes volumes
de dinheiro, cuja origem é a contribuição do trabalhador
para um fundo de pensão ou fundos estatais teoricamente destinados
a amparar a classe trabalhadora. O ex-operário, então investido
de funções típicas de gerente financeiro, passa
a ser peça fundamental do mecanismo do capitalismo global, que,
por definição, é concentrador de renda. "Os
fundos de pensão são o destino de toda a elite sindical",
afirma o professor do Departamento de História da Ufscar Marco
Antonio Villa.
O artigo "O ornitorrinco" foi
o estopim do desligamento de Oliveira do Partido dos Trabalhadores (PT),
que ajudou a fundar. A crise de identidade por ele formulada, no entanto,
está estampada na estrutura de qualquer máquina sindical
ou de um fundo de pensão. O "novo sindicalismo" dos
anos 1980 - a geração de líderes que tomou os sindicatos
dos chamados "pelegos" - prosperou no rastro da crise de uma
estrutura sindical submissa à ditadura militar por uma legislação
trabalhista que dava dinheiro ao sindicato e poder aos seus dirigentes
para transformá-los numa grande máquina assistencial .
O "novo sindicalismo", porém, envelheceu. A crise sindical,
de novo, veio pela disputa política interna por máquinas
sindicais grandes e ricas e, contraditoriamente, foi acompanhada por
uma redução do poder de negociação dos sindicatos,
em função de uma realidade de desemprego estrutural e o
decorrente da "década perdida" de crescimento econômico
dos anos 1990.
Ao galgar postos na burocracia
sindical, aquele líder que ascendeu na máquina do sindicato,
ou em partidos políticos, perde a identidade. O resultado pode
ser uma "degeneração", diz o especialista em
sindicalismo Ricardo Antunes, professor da Unicamp. "Existe uma
degeneração da liderança sindical. Eles começam
como sindicalistas e depois ingressam na carreira política. Tornam-se
vereadores, deputados, seguem tentando cargos maiores e, quando não
conseguem, recebem como prêmio de consolação o conselho
de alguma estatal. É uma escala de ascensão social",
continua Antunes. No que seria o auge da carreira desse sindicalista,
ele se distancia de sua origem, quer pelo prestígio social que
adquire, quer pela remuneração que passa a receber. "Isso
faz com que exista uma distância muito profunda entre a liderança
e o operário", completa.
O distanciamento entre o representante
e o representado começa já dentro do sindicato. A burocracia,
hoje, é mais importante do que a luta sindical. O mesmo acontece
nas centrais sindicais. Cada vez mais distantes da porta da fábrica,
os sindicalistas acabam se dedicando a funções internas,
menos ligadas ao dia-a-dia dos operários. Mesmo as centrais que
nasceram com ideais de se manter longe do corporativismo, como a Central Única
dos Trabalhadores, não conseguiram evitar a concentração
de poder nas mãos de uma pequena elite. Foi daí que saíram
os quadros para ocupar cargos no governo do primeiro operário
eleito presidente no Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.
A tendência, segundo Villa, é que
a máquina burocrática continue alimentando o governo com
seus dirigentes. "Há um processo de reestatização
do sindicato", observa Villa. "Muitos sindicalistas se reconhecem
hoje no governo e passam a integrá-lo. Chegando lá, eles
se perguntam: por que não utilizar suas vantagens?" Uma vez
no poder, essas lideranças acabam operando como amortecedores
dos possíveis conflitos de interesses entre trabalhadores e governo. "Entram
em pauta mais os interesses políticos e econômicos do governo
do que os da classe", analisa o historiador. "Com representantes
no ministério, a combatividade diminuiu."
O aparelhamento também
dificulta a renovação das lideranças. Uma vez no
poder, eles se apegam aos cargos e buscam formas de continuar. Os dirigentes
da época de maior mobilização sindical, com as grandes
greves dos anos 1980 e 1990, mantiveram o controle da máquina
por longo tempo. E eram eles os representantes do governo em recente
congresso da Confederação Nacional dos Metalúrgicos.
A história do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernardo, nos últimos 32
anos, praticamente personifica essa transformação do ornitorrinco,
de sindicalista em agente da política institucional. Na ordem
cronológica, desde 1975, Lula teve dois mandatos no sindicato
como presidente, assim como Jair Meneghelli. Vicente Paulo da Silva,
o Vicentinho, e Luiz Marinho, que vieram depois, tiveram três mandatos
cada um. Meneghelli ocupa hoje a presidência do conselho nacional
do Sesi. Vicentinho é deputado e Marinho, ministro. Para Marco
Antonio Villa, "as máquinas dos sindicatos não têm
interesse em formar novas lideranças". "Um dirigente
passa a ser reeleito várias vezes", afirma.
O processo se agravou mais recentemente,
quando os sindicalistas se afastaram do cotidiano da classe trabalhadora. "Nenhum
voltou para o chão de fábrica. Foram se descolando do ambiente
do trabalho e assumiram novos valores. Primeiro, da pequena burguesia.
Em seguida, os da classe média e, adiante, até mesmo pela
convivência, os da burguesia financeira", comenta.
Depois de assumir um cargo de
comando, voltar para a base não é fácil, reconhecem
os próprios líderes do movimento sindical. Ex-presidente
da CUT, o deputado federal Vicentinho garante que é uma exceção. "Sempre
que saí de algum cargo, voltei para o chão de fábrica.
Voltava para dentro da fábrica para mostrar aos dirigentes que
eles não podem se afastar dos interesses da base, não podem
ficar nas nuvens. Mas não fui um exemplo seguido."
Na direção do Sindicato
dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques da Silva entende que,
na realidade, não foram as lideranças que se distanciaram
dos operários. O que ocorreu, diz, foi uma "organização
melhor" da estrutura das entidades, como a criação
das câmaras setoriais de negociação e a representação
nos locais de trabalho. "As centrais têm menos contato com
a base no cotidiano, mas o sindicato está mais presente na vida
dos trabalhadores. Elas cumprem seu papel. Os sindicalistas têm
forte interlocução com o governo, que abre espaço
para o diálogo. E nossa idéia é reforçar
cada vez mais as conversas e diminuir os conflitos."
A velha guarda sindical não
vê essa aproximação com bons olhos. Afastados de
cargos de direção, companheiros de Lula no movimento hoje
reclamam da transformação dos sindicatos e centrais em
máquinas burocráticas. Para Paulo Vidal, ex-presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, "os interesses pessoais
estão muito acima de qualquer outro interesse".
"O grande mal das lideranças
do movimento sindical é que se apegam às grandes representações
e se esquecem do chão de fábrica. Vivemos uma fase 'chapa
branca', com postos-chave no governo, e não se pode fazer nada",
contesta. Na época em que foi dirigente, Vidal chegou a se desentender
com Lula, que o considerava "pelego". Hoje, a história
inverteu os personagens. "Tive oposição muito forte
das esquerdas. Discriminava-se o pelego. Mas e hoje, o que é esse
sindicato, senão um grande bando de pelegos? É um movimento
agregado e sintonizado ao governo, para manter as oligarquias e as elites
sindicais."
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de junho de 2007 | Economia
Governo vai investir R$ 1 bi para
qualificar trabalhador
Para ministro do Trabalho, ´grande
salto da modernidade é qualificar o trabalhador´
Rejane Lima, do Estadão
PRAIA GRANDE, São Paulo - O Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse
nesta sexta-feira, 22, que a principal preocupação do governo é a
qualificação do trabalhador e que os investimentos do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT) devem chegar a R$ 1 bilhão. "O grande
salto da modernidade é qualificar o trabalhador para que ele tenha o
melhor emprego melhor remunerado", disse.
Além de ressaltar os 900
mil empregos formais criados nesse ano, o ministro lembrou que as médias
salariais também aumentaram de acordo com estudos de janeiro a
maio. "Eu acredito que nós vamos viver um ano muito importante,
para ser um marco do Brasil no caminho do crescimento econômico
e na geração de empregos", completou.
O ministro participou de
um encontro da Força Sindical em Praia Grande, na Baixada Santista.
A plenária nacional da entidade discute desde quinta-feira a
Reforma da Previdência e a legalização das centrais
com mais de 300 líderes sindicais de todo o País.
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CONSULTOR JURÍDICO,
22 de junho de 2007
Valores de mercado
TST reverte justa causa de supervisor
das Lojas Americanas
Fracassou a tentativa das Lojas Americanas em manter a demissão por
justa causa de um ex-supervisor. Ele foi demitido por ter alterado, supostamente,
o preço de uma boneca. A decisão do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região, em São Paulo, foi mantida pela 1ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho. A loja também foi condenada a pagar
verbas rescisórias cabíveis na demissão imotivada.
O trabalhador foi admitido como
supervisor de loja em janeiro de 1997. Em dezembro de 2004, foi demitido
por justa causa. A alegação foi a de que teria cometido
falta grave definida no artigo 482, da CLT, como incontinência
de conduta ou mau procedimento.
Na ação, afirmou
não ter cometido nenhum ato neste sentido e que, após a
aplicação da pena, a empresa pediu a presença de
seguranças para sua retirada do local. Isto teria, segundo ele,
dado a impressão aos demais empregados e clientes da loja, que
ele teria furtado algum objeto.
Por isso, ele solicitou a descaracterização
da justa causa, o pagamento das verbas devidas e a indenização
por dano moral. Alegou que “jamais foi empregado relapso, desidioso,
sendo, ao contrário, funcionário exemplar, trabalhando
sempre no intuito de dar total suporte à empresa e cumprimento
a todas as suas regras e metas”.
A empresa, para se defender,
argumentou que, como uma grande loja de departamentos com atuação
em todo o país, possui norma operacional que regulamenta os procedimentos
quanto à política e às regras de marcação
de preços de mercadorias.
De acordo com a empresa, o preço
da boneca, em todas as Lojas Americanas, em 22 de dezembro de 2004, era
de R$ 12,99 e, no mesmo dia, a loja do Shopping West Plaza vendia a boneca
por R$ 9,99.
Como o preço não
tinha sido autorizado, auditores e gerentes teriam averiguado e constatado
que o supervisor havia alterado o preço por conta própria.
Segundo a empresa, ele alegou que isso aumentaria as vendas. Este procedimento
foi considerado pela empresa como “conduta desonesta”. Na
primeira instância, o pedido da empresa foi aceito e a justa causa
mantida.
O ex-supervisor recorreu da decisão.
O TRT paulista, no entanto, reformou a decisão. “Ofende
a razão e o bom senso admitir-se que um simples supervisor de
seção possa alterar os valores de mercado estabelecidos
por departamento de compras, com o intuito de melhorar as vendas da loja”,
registrou o tribunal.
O Tribunal negou, ainda, o seguimento
do Recurso de Revista por entender que a pretensão das Lojas Americanas
exigia o reexame de fatos e provas.
No Agravo de Instrumento ao TST,
a empresa afirmou que não pretendia o reexame da matéria
fática e sim o reenquadramento jurídico dos fatos. O relator,
juiz convocado Guilherme Caputo Bastos, observou que o TRT rechaçou
a hipótese da justa causa.
“A moldura fática
delineada pelo acórdão regional foi no sentido de que não
ficou demonstrada a hipótese de despedimento motivado, julgando,
portanto, insuficientemente provadas as alegações da empresa,
hipótese em que a discussão se esgota no duplo grau de
jurisdição, dada a soberania dos Tribunais Regionais para
a análise de fatos e provas.”
O juiz ressaltou que seria diferente
se tivesse havido mau enquadramento jurídico dos fatos por parte
do TRT. Esta situação, excepcional, permitiria o reexame
da matéria pelo TST. Nesse caso, teria ocorrido a incorreta aplicação
da lei. “Esse não foi, porém, o caso dos autos”,
concluiu.
AIRR 61/2005-042-40.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
22 de junho de 2007
Obrigação de proteger
Empresa deve zelar por integridade
física de empregado
A teoria do risco da atividade, prevista no artigo 927 do Código Civil,
serviu de base para julgamento em que a 3ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho concedeu indenização por danos morais no valor de
R$ 30 mil a um vigia. Em defesa do patrimônio de seu patrão, ele
foi espancado e preso por policiais militares paranaenses.
“A empresa deve responder
por não ter observado o dever de proteção à integridade
física e moral do empregado”, destacou a ministra Maria
Cristina Peduzzi, relatora do processo movido contra a Viação
Tamandaré.
O vigilante, de 54 anos, foi
contratado pela Tamandaré em janeiro de 1997 para trabalhar na
garagem da empresa de ônibus. Segundo ele, em novembro de 2002
estava em seu posto de serviço quando presenciou um princípio
de tumulto no interior da garagem e notou que algumas pessoas começaram
a quebrar alguns ônibus.
Imediatamente, ligou para a Polícia
Militar, a fim de preservar o patrimônio da empresa e conter os ânimos.
O atendimento policial, no entanto, segundo contou o empregado, somente
chegou ao local uma hora e meia após o chamado, quando a situação
já havia sido contornada.
Indignado com a demora, o vigia
reclamou com os policiais que foram tardiamente prestar o atendimento,
momento em que foi violentamente agredido por eles. Além da surra
que levou da Polícia, que lhe causou lesões no rosto, o
empregado foi levado preso e mantido na cadeia por cerca de oito horas.
Toda a violência, segundo o vigia, foi presenciada por prepostos
da empresa e colegas de serviço, sem que houvesse qualquer interferência
em seu favor.
Três dias após o
incidente, foi chamado pela direção da empresa. Apresentou-se
com a certeza de que receberia um elogio em sua ficha funcional, mas
foi surpreendido com um aviso de demissão. O trabalhador entrou
com a trabalhista. Solicitou, dentre outras verbas, indenização
por danos morais no valor de R$ 163, 8 mil.
A empresa, para se defender,
negou a existência do dano moral. Argumentou que não teve
participação na agressão sofrida pelo empregado,
sendo a culpa exclusiva do Estado, para onde deveria ter sido dirigido
o pedido de indenização.
Afirmou que, se o constrangimento
vivenciado foi realmente grave, o vigilante não deveria ter aceito
a transação penal efetuada no Juizado Especial Criminal
em relação às agressões. Por fim, afirmou
que “gostar ou não de uma situação não
gera dano”. Os argumentos não foram aceitos.
“A reclamada foi desleal,
mesquinha, cruel”, destacou o juiz da Vara do Trabalho de Colombo
(PR). A indenização por dano moral foi fixada no valor
solicitado pelo empregado.
A empresa recorreu ao Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (PR), que excluiu a condenação
por danos morais, por entender que as agressões e a detenção
decorreram de ato do próprio empregado, praticado fora dos limites
do contrato de trabalho.
O empregado recorreu ao TST,
que novamente reformou a decisão e concedeu a indenização,
mas em um valor menor ao pedido pelo empregado. O TST fixou a indenização
em R$ 30 mil. A ministra Cristina Peduzzi ressaltou em seu voto que as
agressões decorreram do exercício da atividade de segurança
para as quais foi contratado. E isso está dentro do risco assumido
pelo empregador, segundo ela.
Para a ministra, é impossível
acolher o entendimento adotado pelo TRT de que a reparação
dos danos pela atitude arbitrária dos policiais depende de ação
proposta contra eles. “A responsabilidade dos policiais e do Estado
não se confunde com a responsabilidade da empresa”, explicou.
“Os primeiros respondem
pelas agressões e pela detenção injusta, ao passo
que a empresa deve responder por não ter observado o dever de
proteção à integridade física e moral do
empregado”. De acordo com a ministra, é desnecessário
o exame da culpa da empresa, sendo aplicável ao caso o disposto
no artigo 927, parágrafo único, do Código Civil,
que prevê a responsabilidade do empregador pelos riscos oriundos
do contrato de trabalho (teoria do risco da atividade).
A 3ª Turma entendeu que
ficaram devidamente demonstrados o dano moral e o nexo de causalidade.
Por isso, condenou a empresa.
RR 429/2004-657-09-00.0
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JORNAL
O DOCUMENTO / CUIABÁ, 22 de junho de 2007
Concessão de auxílio-doença
por acidente triplica desde janeiro
O número de benefícios
de auxílio-doença acidentário concedidos por mês
pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) triplicou desde janeiro.
Naquele mês, foram concedidos 10.363 benefícios para trabalhadores
com doenças relacionadas ao seu trabalho. No levantamento de
maio, o INSS registrou 32.900 auxílios-doença acidentários
--uma aumento de 217%.
O total gasto com o pagamento
dos benefícios também explodiu: saltou de R$ 6,8 milhões
em janeiro para R$ 23,5 milhões em maio.
O aumento no número
de benefícios concedidos, segundo o Ministério da Previdência,
está relacionado à implementação, em 1º de
abril, da correlação da doença do trabalhador à sua
categoria, o sistema chamado de nexo-epidemiológico. Por esse
sistema, quando o trabalhador é examinado, o perito já sabe
se a doença dele é relacionada ao seu trabalho. Caso
isso ocorra, o auxílio é concedido sem a necessidade
da comunicação por parte da empresa.
"O aumento era esperado.
O objetivo é corrigir distorções nas concessões
de benefícios por doenças ocupacionais, que não
eram registradas corretamente", disse o secretário de Políticas
de Previdência Social, Helmut Schwarzer.
Antes desse sistema, para o
trabalhador receber o auxílio-doença acidentário,
era preciso apresentar a CAT (Comunicação de Acidente
de Trabalho) ao INSS. O documento é fornecido pela empresa ou
pelo sindicato. Sem a CAT, o trabalhador recebia um auxílio-doença
previdenciário, que não era computado como doença
do trabalho.
"Agora o trabalhador
tem o direito garantido. Era comum a empresa não admitir a
existência de doenças ocupacionais", diz Luiz Cláudio
Marcolino, presidente do Sindicatos dos Bancários de São
Paulo. <> O valor do auxílio-doença acidentário é o
mesmo do previdenciário. A vantagem para o trabalhador é que
no auxílio acidentário fica garantido o depósito
do FGTS durante o afastamento e um ano de estabilidade após
a volta ao trabalho.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de junho de 2007 | Economia
Brasil e Índia ´batem
a porta na cara dos países ricos´
Jornais criticam impasse em negociação
do G4 dentro da Rodada Doha
LONDRES - Brasil e Índia "bateram a porta na cara dos países
ricos" ao se retirar das negociações para alcançar
um acordo dentro da Rodada Doha, destacam dois jornais internacional nesta
sexta-feira, 22.
A imprensa estrangeira destacou
o retrocesso causado pela falta de acordo entre os países do chamado
G4, grupo formado por União Européia e Estados Unidos,
representando os países industrializados, e Brasil e Índia,
como porta-vozes das nações em desenvolvimento, em reunião
na quinta-feira na cidade alemã de Potsdam.
"O Brasil e a Índia,
ao bater brutalmente a porta das negociações no nariz dos
europeus e americanos, mergulham a OMC em um impasse", diz o diário
francês Le Figaro. "Agora os quatro grandes atores da OMC
não têm opção além de tentar não
perder a pose."
Descrevendo as negociações,
o jornal exclama: "Difícil encontrar clima pior!" O
Figaro lembra que Brasília havia proposto uma redução
de 30% nas taxas de importação de bens industriais europeus
e americanos, acima do nível de 20% desejado pelos países
ricos.
Por outro lado, o Brasil queria
que os EUA reduzissem a pelo menos US$ 12 bilhões a ajuda a produtores
agrícolas na forma de subsídios - um corte mais ousado
que os US$ 17 bilhões aceitos por Washington.
Para o diário francês,
o fracasso das negociações coloca o diretor-geral da OMC,
Pascal Lamy, "contra a parede": "Pascal Lamy pode até negar,
como fez ontem (na quinta), mas é difícil não crer
que o fracasso de Potsdam não significa a morte da Rodada Doha."
Negociações gerais
O argentino Clarín também descreveu o gesto de Brasil e Índia
em Potsdam como "bater a porta na cara das grandes potências".
"Em Washington, esta ruptura
das negociações foi vista como uma afronta", diz a
matéria do jornal sobre o assunto. "Bush pôde apenas
expressar seu ´desagrado´ pela atitude dos brasileiros e
indianos."
"Agora, a pressa é das
grandes potências. Apostam que em Genebra, na próxima semana,
sairão os resultados da reunião dos 154 países da
OMC", esclarece o Clarín.
Entretanto, uma fonte do governo
argentino do jornal disse: "Imagine: se quatro negociadores não
conseguiram aproximar as posições, muito mais difícil
seria lograr um acordo entre uma centena e meia de países".
China
Já o britânico Financial Times afirma que os temores em relação
a um aumento das importações de bens industriais chineses está por
trás da postura de brasileiros e indianos.
Em entrevista ao jornal, a representante
americana na reunião, Susan Schwab, afirma ter ficado "surpreendida" pela "rigidez" dos
dois países. "Ela disse que Kamal Nath e Celso Amorim, os
ministros indiano e brasileiro de Comércio (sic - na verdade,
ambos são ministros de Relações Exteriores), se
mostraram menos flexíveis em relação às tarifas
sobre produtos manufaturados em Potsdam que em negociações
anteriores", escrevem os repórteres do FT.
Susan Schwab atribuiu essa mudança
aos temores em relação à economia chinesa, mas também
ao fato de que só agora, à medida que as negociações
avançam, é que saem a claro as divergências internas
no grupo dos países emergentes.
"Schwab indicou que ambos
os países ainda não resolveram como demonstrar liderança
ao mundo desenvolvido", disse o diário econômico britânico,
notando porém que a secretária "reservou suas palavras
mais duras à Índia".
"O Brasil escolheu
a solidariedade econômica entre os países em desenvolvimento
em detrimento de seu interesse econômico", ela teria dito
ao FT.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de junho de 2007 | Nacional
Após 2 anos de trâmite,
SP conclui reforma da Previdência
Deputados votam na Assembléia o terceiro
e último projeto de lei sobre o tema
Silvia Amorim, do Estadão
SÃO PAULO - Após aguardar durante dois anos a tramitação
no Legislativo, o governo de São Paulo concluiu a aprovação
da reforma da Previdência paulista. Os deputados votaram na quinta-feira,
21, o terceiro e último projeto de lei, que ajusta os critérios
de concessão de aposentadoria e pensão dos policiais militares à legislação
federal.
Com a base de apoio em massa
no plenário, o governador José Serra (PSDB) conseguiu encerrar
as mudanças no sistema previdenciário sem dificuldades.
A votação foi simbólica e registraram voto contra
a proposta as bancadas do PT e do PSOL e o deputado major Olímpio
Gomes (PV).
Na galeria do plenário,
o clima também foi tranqüilo. Não ocorreu protesto,
apesar de o projeto votado ter reduzido o rol de pensionistas de policiais
militares. Os filhos de integrantes da corporação perderam
o direito de receber pensão até os 25 anos se estiverem
cursando a universidade, como ocorre hoje. O limite para pagamento do
benefício passa a ser de 21 anos, esteja o pensionista cursando
ou não faculdade.
O projeto também muda
o critério para cálculo das pensões. Hoje todo pensionista
recebe o valor equivalente a 75% dos rendimentos do policial. A partir
de agora, haverá duas categorias. Os beneficiários daqueles
policiais que tinham como salário valores até o teto do
INSS (R$ 2.894,28) receberão a pensão no valor integral
do vencimento. No caso daqueles cujos rendimentos superarem o teto, o
pensionista receberá R$ 2.894.28 acrescido de 70% da parcela excedente.
Segundo o governo, a medida beneficia
a maioria dos pensionistas militares, que têm vencimentos abaixo
do teto do INSS.
O projeto assegura aos atuais
pensionistas o direito adquirido. Diferentemente do regime dos servidores
civis, não foi reconhecido no regime previdenciário dos
militares a união homossexual para efeito de pagamento de pensão.
Teste
A aprovação das mudanças no sistema previdenciário
foi o maior teste enfrentado até agora pela base de sustentação
de Serra na Assembléia. Apesar de contar com ampla maioria, o governador
enfrentou dificuldades na votação da primeira parte do projeto
- o mais polêmico, que criou o órgão de gestão da
Previdência de São Paulo, a SPPrev. Muitas entidades protestaram
contra a medida e pediram a retirada dos projetos do Legislativo.
Com a reforma, o governador acaba
com uma das principais amarras financeiras do Estado, garantindo para
São Paulo a emissão do Certificado de Regularidade Previdenciária
(CRP). O documento, concedido pelo Ministério da Previdência
Social, atesta que o Estado está de acordo com as regras do setor
e autoriza a transferência automática de recursos voluntários
da União.
Números
R$ 10 bilhões é o valor do rombo anual da Previdência
paulista
R$ 2,5 bilhões é quanto
o Estado arrecada por ano com as contribuições
132 mil é o número
de pensionistas do Estado
250 mil é o
número de aposentados do Estado
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CONSULTOR JURÍDICO,
22 de junho de 2007
Difícil retorno
Empresa terá de pagar meses
parados de trabalhador
Se a empresa, após o fim do período de licença médica
do empregado, não aceita seu retorno, deve pagar os salários
relativos aos meses em que ele ficou parado. A conclusão é da
4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas
Gerais), que condenou uma empresa a pagar os meses em que um empregado, portador
do vírus HIV, ficou em casa aguardando ordens de retorno ao trabalho.
Embora tenha colocado o emprego
novamente à disposição do funcionário, durante
a audiência na Vara Trabalhista, a empresa não pretendia
pagar os salários dos meses parados.
Mas, segundo o juiz convocado
Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, “reconhecido pelo próprio
reclamado o direito do autor à reintegração, o recebimento
dos salários vencidos é mera conseqüência, especialmente
quando comprovado que a empresa criou embaraços para o retorno
do empregado”.
Para os desembargadores, a empresa
dificultou propositadamente a volta do funcionário. Durante 11
meses, ele precisou fazer "bicos", como servente de pedreiro
para sobreviver, até que entrou com uma ação trabalhista
e foi reintegrado.
O funcionário alegou que
a empresa o havia impedido de reassumir suas funções por
puro preconceito. Com o diagnóstico de HIV positivo, ele esteve
afastado dos serviços por quase dois anos. Ao receber alta do
INSS, apresentou-se imediatamente à empresa, que o informou não
ter mais serviço para ele. Determinou que o empregado aguardasse,
em casa, um contato posterior.
Processo 02776-2006-137-03-00-6
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CONSULTOR JURÍDICO,
22 de junho de 2007
Fora da lei
Atividades da Planam impedem vínculo
de trabalhador
Por considerar que as atividades da Planam eram ilícitas, a 2ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso manteve, por unanimidade, a
anulação do contrato de trabalho de um empregado da empresa.
A Planam foi acusada de coordenar a compra de ambulâncias superfaturadas.
O esquema foi revelado por investigações da Operação
Sanguessuga, da Polícia Federal, no ano passado.
Segundo o relator, desembargador
Osmair Couto, os documentos do processo demonstram que o funcionário
também participava dos esquemas ilegais da empresa. "A Justiça
do Trabalho não pode dar guarida àqueles que trabalham
cientes de que sua empregadora e sua atividade estão à margem
da lei, em contravenção penal ou ilícita",
afirmou.
A turma manteve a decisão
da 7ª Vara do Trabalho de Cuiabá que anulou o contrato de
trabalho do empregado. Em primeira instância, o juiz Luiz Aparecido
Ferreira Torres concluiu, após avaliar os documentos, depoimentos
das partes e de testemunhas, que as atividades desenvolvidas pelo empregado
eram ilícitas.
O juiz entendeu que o empregado
participava do esquema de corrupção, que envolveu políticos
e empresários para aquisição de ambulâncias
superfaturadas por prefeituras de diversos Estados. As fraudes também
foram amplamente divulgadas pela imprensa. Desta forma, o juiz negou
todos os pedidos formulados na reclamação trabalhista.
No recurso ao TRT, o empregado
alegou que quando foi admitido na empresa não havia nenhuma acusação
de atividade criminosa contra ela e que sua demissão deveria ser
considerada indireta (justa causa proposta pelo empregado).
Processo 01469.2006.007.23.00-9
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Nova Central, 22 de junho
de 2007
PIB deverá ter um crescimento
de 4,3% em 2007, prevê Ipea
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, ligado ao Ministério
do Planejamento) revisou para cima sua previsão de crescimento do PIB
(Produto Interno Bruto) brasileiro neste ano para 4,3%, contra a previsão
anterior, de 4,2%, segundo o Boletim Trimestral de Conjuntura, divulgado nesta
quarta-feira.
O índice de 4,2% já era
produto de uma revisão realizada em abril, quando a expectativa
de expansão da economia divulgada no boletim trimestral havia
sido de 3,7%.
A economia brasileira apresentou
uma expansão de 0,8% no primeiro trimestre deste ano em relação
aos três últimos meses de 2006, segundo o IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). Em relação
ao primeiro trimestre de 2006, o crescimento foi de de 4,3%.
A previsão do Ipea para
o setor agropecuário é de um resultado abaixo da expectativa
inicial. Segundo o instituto, a expansão no setor deverá ser
de 4,5%, contra uma previsão de 6% (o dado original do boletim
de conjuntura de março era de 4,4%).
A indústria deverá ter
um crescimento de 4,3%, abaixo também da previsão anterior,
4,8%. Em 2006, houve uma alta de 2,8% no setor. Já o setor de
serviços deve ter expansão de 4%, contra a previsão
anterior, de 3,6% (no ano passado, o setor viu um crescimento de 3,7%).
Nos últimos dados divulgados
pelo IBGE, o maior destaque coube ao setor de serviços. O segmento
apresentou expansão de 1,7% em relação ao quarto
trimestre de 2006. Já indústria apresentou ligeira alta,
com crescimento de 0,3%, enquanto agropecuária recuou 2,4%. Na
comparação com o mesmo trimestre do ano passado, serviços
subiu 4,6%, indústria aumentou 3% e agropecuária cresceu
2,1%.
Com relação ao
consumo das famílias neste ano, a expectativa é de uma
expansão de 5,7%, acima do registrado em 2006, quando o crescimento
foi de 4,3%. A previsão para as exportações brasileiras é de
um crescimento de 5,4%, contra 4,7% em 2006, e das importações,
de 19% (18,1% no ano passado). Já a previsão para os gastos
do governo é de uma expansão de 3,3% neste ano, pouco abaixo
da registrada no ano passado, 3,6%.
Inflação, dólar
A previsão do instituto
para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), inflação
oficial, ficou em 3,4%, abaixo dos 3,8% estimados anteriormente. Para
2008, a estimativa para a inflação foi mantida em 4%.
Para a balança comercial,
a expectativa é que a exportações alcancem US$ 159,6
bilhões e as importações, US$ 115,6 bilhões.
O saldo esperado, assim, fica em US$ 44,1 bilhões.
Com relação aos
juros, a nova projeção da entidade é de que a Selic
média do último trimestre do ano fique em 10,7%. A estimativa
anterior apontava uma taxa de 11,5%. Para o mesmo período, o prognóstico
para a taxa de câmbio passou de R$ 2,21 para R$ 1,99.
Círculo virtuoso
"A economia brasileira emite
sinais de ter finalmente ingressado no chamado 'círculo virtuoso'
de desempenho", diz o boletim do Ipea. Segundo o documento, "a
manutenção de um arcabouço consistente de política
econômica por um período razoável de tempo passa
a produzir efeitos positivos sobre as expectativas".
O ambiente externo "bastante
favorável" e a liquidez disponível --que produz efeitos
positivos sobre as exportações brasileiras e o risco-país--
também devem contribuir para o ritmo de crescimento da economia
brasileira.
A política fiscal "gera
efeitos perversos pelo lado da oferta agregada devido à incidência
da tributação" e estimula a demanda além do
que seria desejável", mas "a curto prazo não
se vislumbram desequilíbrios importantes no mercado de bens",
destaca o Ipea.
"A folga na balança
comercial permite um crescimento expressivo das importações
para atender a um eventual excesso de demanda por bens comercializáveis,
enquanto entre os não-comercializáveis ainda se pode
contar com razoável margem para expansão, sem gerar pressões
salariais significativas".
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Congresso em Foco, 22 de
junho de 2007
Polêmica à vista
Proposta que cria 7 mil novas vagas
de vereadores já está na pauta de votação
da Câmara
Idéia encontra forte apoio entre os
deputados federais
Lucas Ferraz
Enquanto os holofotes estão
voltados para a reforma política, uma proposta de emenda constitucional
que promete ser uma bomba vai se armando silenciosamente nos corredores
da Câmara dos Deputados. É a chamada PEC dos Vereadores
(333/2004), que aumenta em mais de 7,6 mil (quase 15%) o número
de cadeiras das câmaras municipais de todo o Brasil. A medida é embalada
com outra novidade: a redução dos recursos que as prefeituras
devem repassar para os órgãos legislativos municipais.
A proposição é de
autoria do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), já está na
pauta da Casa, e pode ser votada na primeira quinzena de julho. Ela estabelece
novas regras de cálculo para definir a quantidade de integrantes
das câmaras de vereadores (veja os detalhes). De acordo com a PEC,
alguns municípios perderão vagas, já que o número
mínimo de vereadores cairia dos nove atuais para sete. Mas, no
cômputo geral, o total de vagas subirá, quase restabelecendo
as mais de 8 mil cadeiras eliminadas em abril de 2004 pela Resolução
21.702 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Reformulada por um substitutivo
apresentado pelo ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP),
que não se reelegeu em 2006, a proposta em tramitação
no Congresso permite que o novo cálculo de vagas entre em vigor
imediatamente. Dessa maneira, poderia haver, antes mesmo das eleições
do ano que vem, destituição de vereadores em municípios
que perderão cadeiras e nomeação de suplentes naqueles
cujas câmaras ganharão vagas.
Greenhalgh defende a correção
do texto. “Isso tem que ser alterado para passar a valer nas eleições
de 2008”, afirma. No mais, a proposta tem defensores em diversos
partidos, conta com o numeroso lobby dos vereadores e tem grandes chances
de ir a votação. Em encontro recente com o presidente da
Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o deputado Mário Heringer
(PDT-MG), presidente da Frente dos Vereadores, e Amaury Rodrigues dos
Santos, presidente do Movimento de Defesa dos Vereadores (Modeve), obtiveram
o compromisso de que a PEC irá a votação tão
logo seja votada a reforma política.
Para que a PEC dos Vereadores
possa valer já a partir das próximas eleições
municipais, ela deverá ser aprovada até setembro, na Câmara
e no Senado, em dois turnos em cada Casa, com o voto favorável
de pelo menos três quintos dos parlamentares – 308 deputados
e 49 senadores.
Lobby atuante
O lobby em favor da PEC é ostensivo.
O Modeve e a Frente dos Vereadores têm realizado diversas reuniões,
organizado visitas dos vereadores – e suplentes de vereadores – a
Brasília, e Mário Heringer chegou a criar em seu site pessoal
uma página dedicada exclusivamente à mobilização
em torno da aprovação da proposta (confira). Na página,
Heringer diz que todos saem ganhando com o novo cálculo:
“É bom para o vereador:
cria regras claras para as próximas eleições; aumenta
(com a distribuição proporcional) o número de vagas
nas próximas eleições. É bom para o prefeito:
aumenta os interlocutores no Legislativo – maior margem de negociações
políticas; recebe mais informações a respeito das
necessidades de sua cidade; aumenta verba para aplicar em obras (uma
vez que diminui o repasse às câmaras municipais). É bom
para o povo: aumenta seu poder de representatividade – quanto mais
vereadores, mais agentes sociais, mais ouvidores políticos, mais
interlocutores com o Legislativo, mais capacidade de ação
política, mais participação no seu próprio
destino, mais verba para atender aos seus pleitos.”
O presidente da Modeve, Amaury
Rodrigues dos Santos, que é vereador de Novo Gama (GO), completa: “Vai
se fazer uma distribuição proporcional entre os municípios.
Hoje, há municípios de 2 ou 3 mil habitantes com nove vereadores
e municípios com 100 mil habitantes com apenas dez”.
Mesmo admitindo que o tema é polêmico,
Pompeo de Mattos acredita que o Plenário aprovará a PEC,
que já está pronta para votação desde o segundo
semestre do ano passado. “Tem que regular o número de acordo
com a lógica. Ou seja, população maior, maior número
de vereadores; população menor, menor número de
vereadores”, diz.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) é outro
que manifesta simpatia pela proposta, apesar de reconhecer que há obstáculos
a superar. O maior deles, na sua opinião, é a necessidade
de impedir que haja mudanças na composição das câmaras
municipais antes das eleições de 2008. “Temos que
achar uma saída para essa questão. A proposta é boa,
mas precisamos discuti-la”, sintetiza. O líder do PPS, Fernando
Coruja (SC), revela que sua bancada também é favorável à idéia,
principalmente pelo fato de ela prever redução das despesas.
Mas a proposta também
já possui opositores. É o caso do deputado Fernando Gabeira
(PV-RJ), para quem a PEC é “complicada”: “Acredito
que isso já foi resolvido pelo TSE. De qualquer forma, meu partido
ainda não fechou questão, ainda estou aberto, mas a tendência é eu
votar contra”.
O líder do governo na
Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), não
acredita que a PEC dos Vereadores seja votada tão cedo. Na sua
avaliação, a reforma política dominará a
pauta da Casa ainda por um bom tempo. O líder do PT na Câmara,
deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), tem a mesma sensação,
mas acrescenta que é impossível fazer uma previsão.
Mudanças em discussão
O texto original da PEC fixa
o número exato de vereadores que cada município terá,
de acordo com a faixa populacional em que se encontra. O substitutivo
de Greenhalgh, que tem prioridade na pauta de votação em
relação à proposta de Pompeo de Mattos, define os
limites máximos por faixa demográfica (leia mais). Com
isso, municípios com até 5 mil habitantes poderiam ter
até nove representantes (e não o predeterminado número
de sete, como no texto original). Nas duas versões, 55 é o
número máximo de vereadores que as câmaras municipais
poderão ter.
Com base em dados do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), o Instituto Brasileiro de Administração
Municipal (Ibam), utilizando como parâmetros a PEC e seu substitutivo,
fez projeções de quantas novas vagas seriam criadas em
todo o país. De acordo com o instituto, o número de cadeiras
criadas pelo substitutivo superaria o número de vagas do projeto
original. Isso porque, apesar de ser estabelecido um teto, não
há especificação de critérios dentro de cada
faixa populacional. Ou seja, já que não há uma regra,
nenhum município optará por ter menos cadeiras que o número
máximo permitido.
Segundo as contas do Ibam, caso
o substitutivo seja aprovado, todas as regiões do país
terão aumento do número de vereadores: 723 cadeiras a mais
(17,2%) na região Norte; 2.649 novas vagas (16,7%) no Sudeste;
2.603 novos vereadores (15,7% de acréscimento) no Nordeste. As
regiões Sul e Centro-Oeste, pelos cálculos do Ibam, terão
aumento abaixo da média nacional (14,7%), ampliando as vagas em
10,9%: 1.198 cadeiras a mais no Sul e 466 no Centro-Oeste. No total,
seriam criadas 7.639 cadeiras. O Rio de Janeiro seria o estado com o
maior crescimento relativo em relação ao panorama atual,
aumentando o seu número de vereadores em 35,3%. A menor elevação
ocorreria em Tocantins, 3,5%.
Ainda de acordo com as projeções
do Ibam, mesmo que fosse mantido o projeto original (já descartado
em favor do substitutivo), o aumento de vagas seria significativo: 5.159
novas cadeiras, com 591 vagas a mais (14%) na região Norte; 2.253
(13,6%) no Nordeste; 1.803 (11,4%) no Sudeste; 166 (3,9%) no Centro-Oeste;
e 346 (3,1%) no Sul.
Atualmente, há 51.819
vereadores no Brasil. Esse número é menor do que as 60.287
vagas verificadas até 2004, quando o TSE cortou 8.468 cadeiras
nas câmaras municipais após refazer os cálculos da
distribuição das vagas de acordo com a população.
Apesar de a PEC dos Vereadores
praticamente restabelecer o quadro anterior no que diz respeito ao número
de cadeiras, os parlamentares argumentam que há uma diferença
essencial na proposta: a possibilidade de reduzir gastos, algo que não
foi tratado pela resolução do TSE. Por exemplo, uma câmara
municipal que gastava R$ 100 mil por mês com 20 vereadores continua
dispondo do mesmo valor atualmente, só que para bancar as despesas
com 15 legisladores. O fato permitiu que em muitas cidades aumentassem
significativamente os subsídios dos representantes municipais.
No texto da Constituição
Federal em vigor, os municípios podem destinar no máximo
8% de sua receita para as câmaras. Com o substitutivo de Greenhalgh,
esse percentual cai para 7,5%.
Pontos polêmicos
Duas grandes dúvidas persistem
com relação à PEC 333/2004: como será feito
o cálculo para a alteração do número de vereadores
e quando as alterações passariam a vigorar.
Aprovada a proposta em tramitação,
o número de cadeiras das câmaras municipais será determinado
pelo TSE, por meio de complexas contas feitas com base na população
de cada cidade. Somente depois disso, seria possível saber o número
de vereadores de cada um dos mais de 5 mil municípios brasileiros.
O outro problema é a brecha,
existente no substitutivo, que permite a vigência imediata do novo
cálculo, mudando a presente composição das câmaras.
Pompeo de Mattos diz, no entanto, que essa questão será facilmente
contornada. Segundo ele, deverá ser apresentado um destaque, durante
a votação, para que as mudanças só tenham
validade a partir das eleições de 2008.
Um terceiro ponto polêmico é a
redução das vagas em municípios menores. Se a
PEC se transformar em norma constitucional, 1.363 cidades – que,
de acordo o IBGE, tem até 5 mil habitantes – poderão
perder até dois legisladores municipais. Como muitos vereadores
acabam sendo cabos eleitorais dos deputados federais e senadores, é possível
que o Congresso tente encontrar uma maneira de evitar essa diminuição.
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Folha de São Paulo, 22 de junho de 2007
Meta de inflação de
2009 deve ser mantida em 4,5%
Mantega repete Lula e sinaliza preferência
pelo mesmo percentual de 2007 e 2008 | Ministro da Fazenda diz
que real valorizado e aumento das importações são "antídotos
poderosos" contra a inflação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ministro Guido Mantega (Fazenda) repetiu o discurso do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e defendeu que a meta de inflação de 2009 deve
ficar em 4,5%, mesmo patamar de 2007 e 2008. Se mantida nesse nível,
diz o ministro, a meta vai permitir que a economia cresça sem interrupção
nos próximos anos. Apesar da defesa das declarações de
Lula e Mantega, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) -que já defendeu
a redução da meta para 4%- disse que a questão ainda precisa
ser debatida.
Mantega defende a manutenção do número com a avaliação
de que uma meta mais ambiciosa poderia obrigar o Banco Central a ser ainda
mais rigoroso em suas decisões em caso de volatilidade do mercado financeiro.
Com 4,5%, diz Mantega, o BC teria "folga" para a política
monetária. A meta de inflação será tema de decisão
do CMN (Conselho Monetário Nacional), que se reúne na próxima
semana.
Sem essa folga, o ministro acredita que a economia brasileira estaria mais
exposta à alta do juro. "E queremos eliminar essa possibilidade
de modo que o crescimento não seja interrompido no país." Mantega
brincou ainda ao dizer que a meta estável reduziria a chance de ele
incomodar o BC. "Minha preocupação é deixar o pessoal
do BC nervoso, ansioso."
Apesar da preocupação com o Copom (Comitê de Política
Monetária), o ministro disse que a importância do juro no controle
de preços tem caído. Ele cita que hoje o câmbio tem exercido
papel mais importante nesse tema e que o real valorizado e o aumento das importações
são dois "antídotos poderosos contra a inflação".
O discurso de Mantega é semelhante ao do presidente da República.
Em entrevista ao jornal "Valor" publicada ontem, Lula sinalizou que
prefere manter a meta em 4,5%. O argumento é que o Brasil já sofreu
com o aperto da economia para o controle da inflação nos últimos
anos e que ele não tem direito político de fazer um novo arrocho
na economia.
Mesmo com o discurso de Lula e Mantega, Paulo Bernardo disse que o tema ainda
está aberto e precisa ser discutido. No Congresso, o responsável
pelo Planejamento disse que a equipe econômica precisa debater o tema
e que nada foi decidido. Ao ser informado da opinião de Lula, Bernardo
voltou atrás e disse que não discordaria do "meu presidente".
A discussão sobre a redução da meta surgiu entre os economistas
após a desaceleração dos índices de preço.
Economistas que defendem essa tese argumentam que a inflação
já está baixa e que a redução do indicador não
exigiria esforço adicional. Também citam que a meta brasileira
ainda é elevada se comparada à de outros países que adotam
o sistema.
No mais recente relatório Focus do BC, o mercado prevê que a inflação
medida pelo IPCA fique em 3,59% em 2007.
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Folha de São Paulo, 22 de junho de 2007
Colapso no G4 provoca primeira desavença
pública entre Bush e Lula
Ênfase da diplomacia brasileira no
multilateralismo sofre derrota de Potsdam
DO ENVIADO ESPECIAL A POTSDAM
O fracasso de Potsdam acabou provocando a primeira rusga pública na
relação entre os presidentes George Walker Bush e Luiz Inácio
Lula da Silva, que até aqui vinha sendo muitíssimo cordial.
Bush, por seu porta-voz, Tony Fratto, criticou a posição brasileira: "O
presidente está desapontado pelo fato de que alguns países estão
bloqueando uma oportunidade para expandir o comércio. Grandes economias
como Brasil e Índia não deveriam pôr-se no caminho do progresso
para países em desenvolvimento menores e pobres -mas é isso que
parece estar acontecendo".
Lula, ao contrário, falou com o chanceler Celso Amorim e não
fez a menor ressalva às posições adotadas em Potsdam.
Mas os EUA e a União Européia trataram de intrigar Índia
e Brasil com os países mais pobres, tal como Bush explicitou. Sua negociadora-chefe,
Susan Schwab, afirmou que "os grandes perdedores serão os países
em desenvolvimento que precisam exportar não só para os países
desenvolvidos mas também para países como Brasil, Índia
e China. Quem vai pagar são os mais de 80 países da OMC que não
estão representados nesta sala".
Retruca Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil em Genebra, a sede da OMC: "Se
eles estão tão preocupados com os países pobres, por que,
em vez de 97%, não dão 100% de importações livres
para esses países". É alusão ao compromisso americano
de liberar as importações dos países pobres, mas não
totalmente.
Tiroteio à parte, para o Brasil, o fracasso do G4, que tende a ser o
fracasso da Rodada Doha, significa um retrocesso em sua diplomacia, que apostou
todas as fichas no entendimento multilateral como forma de "mudar a geografia
comercial" do mundo, na tese megalômana do presidente Lula.
O Itamaraty já havia voltado a falar em acordos bilaterais (com a União
Européia principalmente), sem prejuízo do que acontecer com Doha.
Mas, ontem, Mariann Fischer Boel, a comissária para Agricultura da UE,
cortou qualquer possibilidade de concessões nesse âmbito: "Os
países que esperam concluir acordos bilaterais conosco ficarão
desapontados. Não podemos oferecer nada parecido [ao que foi posto em
Potsdam] no âmbito bilateral".
O colapso em Potsdam acontece apenas duas semanas antes de Brasil e União
Européia fazerem a sua primeira reunião de cúpula (Lisboa,
4 de julho), durante a qual será lançada a "parceria estratégica" com
o bloco europeu. A cereja do bolo nesse tipo de entendimento costuma ser um
acordo de livre comércio, cujas negociações, aliás,
estão paralisadas há algum tempo. É possível que,
do tiroteio de Potsdam, sobre uma bala perdida para esse acordo. (CLÓVIS
ROSSI)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de junho de 2007 | Nacional
Lula adia obras do PAC por impasse com
Estados
Minas e São Paulo temem que investimentos
gerem mais endividamento
Carmen Munari e Isabel Versiani, Reuters
SÃO PAULO e BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva adiou o lançamento de obras do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) em São Paulo e Minas Gerais depois que os governadores
dos Estados questionaram a possibilidade de o pagamento de suas contrapartidas
nos investimentos gerar mais endividamento.
A questão foi levantada
em meio a negociações do governo federal para elevar os
limites de endividamento dos Estados. Os governadores temem que a concessão
seja condicionada a gastos no PAC, afirmando que isso equivaleria a "dar
com uma mão e tirar com a outra", nas palavras do governador
Aécio Neves (PSDB-MG).
No entanto, o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, explicou nesta quinta-feira, 21, que as negociações
com os governadores para liberar recursos para obras do PAC vão
considerar a situação fiscal de cada Estado. Ele disse
que são duas negociações paralelas: uma sobre a
contrapartida dos estados para essas obras; e outra sobre o aumento do
endividamento dos Estados.
Apesar de as datas para o lançamento
do Plano de Saneamento e Habitação já terem sido
marcadas, o impacto sobre as contas não havia sido discutido com
os Estados. Em Minas, o lançamento estava agendado para esta quinta-feira
e, em São Paulo, para sexta-feira. Nos dois casos, contaria com
a presença de Lula.
A questão levou os governadores
José Serra (PSDB-SP) e Aécio Neves a reuniões de
emergência com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Sergio Cabral
Filho (PMDB), do Rio de Janeiro, também foi chamado por Mantega.
O Rio é o terceiro Estado em que o plano será lançado.
"Eu teria feito esse trabalho
(de cálculo do impacto sobre a dívida) como premissa inicial.
Eu começaria por aí, mas não foi esse o caminho,
então ontem o ministro pediu para falar comigo e eu apresentei
o panorama", disse Serra já de volta a São Paulo.
Limite
Um trabalho conjunto realizado por órgãos dos governos federal,
estadual e prefeituras detectou uma estimativa de investimentos nas áreas
de saneamento e habitação em São Paulo de R$ 4,3 bilhões
para o período de quatro anos. Do total, São Paulo entraria com
um terço.
Serra explicou, no entanto, que
o Estado de São Paulo já chegou ao limite de sua capacidade
de endividamento com projetos em andamento no metrô, estradas e
trens da CPTM. Sergio Cabral afirmou, após o encontro com Mantega,
que não aceitará que a flexibilização do
endividamento do Rio seja vinculada ao PAC.
"A tentativa de misturar
capacidade de endividamento com PAC é uma novidade que não
cai bem para o Rio", afirmou Cabral. "Eu pactuei com a ministra
Dilma (Rousseff, da Casa Civil) e o presidente Lula uma outra natureza
de negociação. O jogo não pode mudar de uma hora
para a outra", acrescentou.
Segundo Cabral, o PAC prevê R$
2 bilhões em obras de saneamento e habitação para
o Estado, mas ele não entende que o Rio terá de entrar
com contrapartidas para essas obras. O governador afirmou ainda esperar
que o Estado obtenha, em breve, autorização do Tesouro
para fechar novos empréstimos, a exemplo do que foi feito com
São Paulo.
Prioridades
Aécio Neves disse que, durante almoço com Mantega, foi esclarecido
que, no caso de Minas, as contrapartidas para obras do PAC não exigirão
novos endividamentos. Segundo Aécio, o Estado já tem previsão
no Orçamento para arcar com a contrapartida exigida nas obras de habitação
do PAC --que é de cerca de 500 milhões de reais em quatro anos.
As obras de saneamento, por outro
lado, serão feitas por meio da Copasa, empresa de saneamento do
Estado de capital misto cujas operações não impactam
as contas do governo de Minas.
Aécio disse esperar que
o Tesouro conceda um limite adicional de 1,5 bilhão a 2,5 bilhões
de reais a Minas Gerais. O número final deverá ser anunciado
na segunda-feira. Os recursos, segundo ele, serão direcionados
a investimentos "complementares ao PAC", como obras em estradas
vicinais e um programa de segurança pública.
Mantega negou, no final da tarde
desta quinta-feira, que as autorizações do Tesouro serão
necessariamente condicionadas a obras do PAC, mas afirmou que, como são
prioritários, esses investimentos deverão ser contemplados
pelos governadores. "É uma negociação. Todo
o PAC está sendo feito em conjunto com os Estados, então
supõe-se que os projetos que estão sendo escolhidos são
prioritários para a União e para o governo estadual, então
ambos tem de fazer um esforço para que ele se viabilize."
(Com Renata Veríssimo, da
Agência Estado)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de junho de 2007 | Economia
Aceleração não
se traduz em empregos
Rio – O mercado de trabalho nas seis principais regiões metropolitanas
do país permaneceu estagnado em maio. A taxa de desemprego ficou engessada
em 10,1%, exatamente o mesmo patamar apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE) em abril e março. “A economia vai
bem, mas isso não se reflete no mercado de trabalho, que está parado
há três meses, sem evolução alguma”, disse
o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo. O estudo do IBGE não contempla
a região de Curitiba.
A maior parte dos desempregados é jovem
e com mais de 11 anos de estudo. O rendimento prosseguiu em trajetória
de alta. Segundo Azeredo, a economia não cresce o suficiente para
reduzir a taxa de desemprego. Ele explicou que a taxa tende a cair no
segundo semestre, como ocorre historicamente, mas, com a economia mais
dinâmica, o “ponto de inflexão” poderia ocorrer
mais cedo, já em maio, o que não aconteceu.
O gerente da pesquisa acredita
que só um crescimento mais acelerado, com geração
de mais postos de trabalho, poderá levar a um recuo mais forte
da taxa. “O mercado de trabalho reflete uma falta de dinamismo
da economia em gerar mais postos”, afirmou. Em maio, o número
de ocupados permaneceu praticamente estável (variação
de 0,1%) ante abril nas seis regiões, ainda que tenha crescido
2,7% ante maio de 2006.
Esses pequenos crescimentos na
ocupação não têm sido suficientes para levar
a uma queda no desemprego, já que o número de desempregados
nas seis regiões permaneceu inalterado em 2,3 milhões de
pessoas em maio, mesmo número de abril.
O lado positivo dos dados
do mercado de trabalho, segundo Azeredo, é a manutenção
da melhor qualidade do emprego. “Há uma maior formalização
do mercado e aumento do rendimento, isso está claro”,
disse.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
21 de junho de 2007
Lula sanciona lei que cria fundo de
investimento do FGTS
Agência Estado
Antônio Cruz / ABr

O presidente Lula sancionou a Lei
para a criação do novo fundo de investimento.
Foi publicado nesta quinta-feira (21) no Diário Oficial da União
o texto da Lei 11.491, que cria o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FI-FGTS) para viabilizar investimentos nos setores
de energia, rodoviário, ferroviário, hidroviário, portuário
e de saneamento. Essa era uma das medidas provisórias vinculadas ao
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), aprovadas pelo Congresso
Nacional em maio. Desde então, faltava apenas a sanção
do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
A lei autoriza a aplicação de R$ 5 bilhões do patrimônio
líquido do FGTS no fundo de investimento. Pelas regras, o trabalhador
poderá aplicar até 10% do saldo de sua conta do FGTS no novo
fundo de investimento e terá isenção de Imposto de Renda
sobre os ganhos. Mas essa parcela de recursos não contará com
a garantia dada pelo governo federal aos demais recursos da conta vinculada
do FGTS.
Os senadores que apoiaram a proposta, a maioria governista, acreditam que os
trabalhadores beneficiários do FGTS não sofrerão prejuízos.
Isso poderá ocorrer, porque a Caixa Econômica Federal, à frente
da administração e gestão do FI-FGTS deverá cobrir
o risco das aplicações no novo fundo e garantir rentabilidade
mínima de 3% ao ano, mais Taxa Referencial (TR), a mesma remuneração
das contas vinculadas ao FGTS.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
22 de junho de 2007
TRT condena empresa que impediu retorno
ao trabalho de portador de HIV
Uma empresa que, ao fim do período de licença médica,
não aceitou o retorno ao trabalho de empregado portador de HIV foi condenada
pela 4ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Minas Gerais (3ª região)
a pagar todos os salários relativos aos meses em que o empregado ficou
em casa aguardando ordens de retorno por parte da empregadora. É que,
embora tendo colocado o emprego novamente à disposição
do empregado durante a audiência na Vara Trabalhista, a empresa não
pretendia pagar os salários dos meses parados.
Segundo alegou o funcionário,
o empregador o impediu de reassumir suas funções por puro
preconceito. Com diagnóstico de "HIV positivo", ele
esteve afastado dos serviços por quase dois anos. Ao receber alta
do INSS, apresentou-se imediatamente à empresa, tendo sido lá informado
de que não tinha serviço para executar e que ele aguardasse
em casa um posterior contato.
“Reconhecido pela própria
empresa o direito do autor à reintegração, o recebimento
dos salários vencidos é mera conseqüência, especialmente
quando comprovado que a empresa criou embaraços para o retorno
do empregado”, esclareceu o relator do recurso, juiz convocado
Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto.
A Turma concluiu que, de fato,
a empresa dificultou propositadamente a que o funcionário reassumisse
suas funções depois da alta do INSS, e ele, durante 11
meses, teve de fazer "bicos" como servente de pedreiro para
sobreviver, até a propositura da ação trabalhista,
quando foi reintegrado.
Por esse fundamento, a empresa
foi condenada ao pagamento dos salários devidos pelos 11 meses
de afastamento.
Recurso Ordinário
02776-2006-137-03-00-6
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 11.491, DE 20 DE JUNHO DE 2007.
Mensagem de veto
Conversão da MPv nº 349, de 2007
Institui o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo
de Serviço
- FI-FGTS, altera a Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, e dá outras
providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço
saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte
Lei:
Art. 1o Fica criado o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço - FI-FGTS, caracterizado pela aplicação de
recursos do FGTS, destinado a investimentos em empreendimentos dos setores
de energia, rodovia, ferrovia, hidrovia, porto e saneamento, de acordo com
as diretrizes, critérios e condições que dispuser o
Conselho Curador do FGTS.
§ 1o O FI-FGTS terá patrimônio próprio, segregado do
patrimônio do FGTS, e será disciplinado por instrução
da Comissão de Valores Mobiliários - CVM.
§ 2o A administração e a gestão do FI-FGTS serão
da Caixa Econômica Federal, na qualidade de Agente Operador do FGTS, cabendo
ao Comitê de Investimento - CI, a ser constituído pelo Conselho
Curador do FGTS, a aprovação dos investimentos.
§ 3o Na hipótese de extinção do FI-FGTS, o seu patrimônio
total será distribuído aos cotistas na proporção
de suas participações, observado o disposto no inciso VIII do caput
do art. 7o e no § 8o do art. 20, ambos da Lei no 8.036, de 11 de maio de
1990, com a redação dada por esta Lei.
Art. 2o Fica autorizada a aplicação de R$ 5.000.000.000,00
(cinco bilhões de reais) do patrimônio líquido do FGTS
para integralização de cotas do FI-FGTS.
Parágrafo único. Após a aplicação integral
dos recursos de que trata o caput deste artigo, poderá a Caixa Econômica
Federal propor ao Conselho Curador do FGTS a aplicação sucessiva
de parcelas adicionais de R$ 5.000.000.000,00 (cinco bilhões de reais)
cada até ser atingido o valor limite equivalente a 80% (oitenta por
cento) do patrimônio líquido do FGTS registrado em 31 de dezembro
de 2006.
Art. 3o A Lei no 8.036, de 11 de maio de 1990, passa a vigorar
com as seguintes alterações:
“ Art. 5o .......................................................................................
....................................................................................................
XIII - em relação ao Fundo de Investimento do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço - FI-FGTS:
a) aprovar a política de investimento do FI-FGTS por proposta do Comitê de
Investimento;
b) decidir sobre o reinvestimento ou distribuição dos resultados
positivos aos cotistas do FI-FGTS, em cada exercício;
c) definir a forma de deliberação, de funcionamento e a composição
do Comitê de Investimento;
d) estabelecer o valor da remuneração da Caixa Econômica
Federal pela administração e gestão do FI-FGTS, inclusive
a taxa de risco;
e) definir a exposição máxima de risco
dos investimentos do FI-FGTS;
f) estabelecer o limite máximo de participação dos recursos
do FI-FGTS por setor, por empreendimento e por classe de ativo, observados
os requisitos técnicos aplicáveis;
g) estabelecer o prazo mínimo de resgate das cotas e de retorno dos
recursos à conta vinculada, observado o disposto no § 19 do art.
20 desta Lei;
h) aprovar o regulamento do FI-FGTS, elaborado pela Caixa
Econômica
Federal; e
i) autorizar a integralização de cotas do FI-FGTS pelos trabalhadores,
estabelecendo previamente os limites globais e individuais, parâmetros
e condições de aplicação e resgate.” (NR)
“ Art. 7o ...........................................................................
........................................................................................
VIII - garantir aos recursos alocados ao FI-FGTS, em cotas de titularidade
do FGTS, a remuneração aplicável às contas vinculadas,
na forma do caput do art. 13 desta Lei.” (NR)
“ Art. 20. .........................................................................
.......................................................................................
XVII - integralização de cotas do FI-FGTS, respeitado o disposto
na alínea i do inciso XIII do caput do art. 5o desta Lei, permitida
a utilização máxima de 10% (dez por cento) do saldo
existente e disponível na data em que exercer a opção.
.......................................................................................
§ 8o As aplicações em Fundos Mútuos de Privatização
e no FI-FGTS são nominativas, impenhoráveis e, salvo as hipóteses
previstas nos incisos I a XI e XIII a XVI do caput deste artigo, indisponíveis
por seus titulares.
.......................................................................................
§ 13. A garantia a que alude o § 4o do art. 13 desta Lei não
compreende as aplicações a que se referem os incisos XII e XVII
do caput deste artigo.
§ 14. Ficam isentos do imposto de renda:
I - a parcela dos ganhos nos Fundos Mútuos de Privatização
até o limite da remuneração das contas vinculadas de
que trata o art. 13 desta Lei, no mesmo período; e
II - os ganhos do FI-FGTS e do Fundo de Investimento em Cotas
- FIC, de que trata o § 19 deste artigo.
§ 15. A transferência de recursos da conta do titular no Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço em razão da aquisição
de ações, nos termos do inciso XII do caput deste artigo, ou de
cotas do FI-FGTS não afetará a base de cálculo da multa
rescisória de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 18 desta Lei.
....................................................................................
§ 19. A integralização das cotas previstas no inciso XVII
do caput deste artigo será realizada por meio de Fundo de Investimento
em Cotas - FIC, constituído pela Caixa Econômica Federal especificamente
para essa finalidade.
§ 20. A Comissão de Valores Mobiliários estabelecerá os
requisitos para a integralização das cotas referidas no § 19
deste artigo, devendo condicioná-la pelo menos ao atendimento das seguintes
exigências:
I - elaboração e entrega de prospecto ao
trabalhador; e
II - declaração por escrito, individual e específica,
pelo trabalhador de sua ciência quanto aos riscos do investimento que
está realizando.” (NR)
Art. 4o (VETADO)
Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 20 de junho de 2007; 186o da Independência e 119o
da República
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Guido Mantega
Luiz Marinho
Este texto não substitui o publicado no DOU de 21.6.2007
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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
MENSAGEM Nº 399, DE 20 DE
JUNHO DE 2007.
Senhor Presidente do Senado Federal,
Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66
da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade
ao interesse público, o Projeto de Lei de Conversão no 10,
de 2007 (MP no 349/07), que “Institui o Fundo de Investimento do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço - FI-FGTS, altera a Lei no 8.036,
de 11 de maio de 1990, e dá outras providências”.
Ouvido, o Ministério da Fazenda manifestou-se pelo veto
ao seguinte dispositivo:
Art. 4o
“ Art. 4o Os orçamentos anuais do FGTS para viger nos exercícios
de 2008 a 2011, inclusive, preverão um volume adicional de aplicações
na área de habitação popular para a produção
de novas habitações, nos termos do § 2o do art. 9o da Lei
no 8.036, de 11 de maio de 1990, igual ao montante de recursos desembolsados
pelo FI-FGTS no exercício imediatamente anterior.
Parágrafo único. Nesse período, a alocação
de recursos para aplicações anuais do FGTS em habitação
popular, excluídos os recursos adicionais de que trata o caput deste
artigo, não será inferior ao total de recursos aplicados pelo
FGTS na área de habitação popular no exercício
de 2007, observado o equilíbrio econômico-financeiro do FGTS.”
Razões do veto
“ A inclusão do art. 4o gera um compromisso adicional do FGTS, que
pode chegar ao montante de R$ 18 bilhões em um curto espaço de
tempo (4 anos) e muito além da trajetória natural de alocação
que vem sendo efetuada com equilíbrio e prudência pelo Conselho
Curador do FGTS. A tabela a seguir apresenta o volume médio anual de recursos
do orçamento para contratação de financiamentos para habitação
popular, no período de 2000 a 2006, que foi de R$ 4.086.046 mil, com financiamentos
efetivos médios de R$ 3.414.667 mil. A potencialidade de alocação
adicional de R$ 18 bilhões para os próximos 4 anos equivale um
acréscimo de 120% aos recursos efetivamente contratados nos últimos
4 anos, o qual foi de R$ 15 bilhões, e superior ao previsto no orçamento
plurianual aprovado pelo Conselho Curador do FGTS para o período de 2008/2010,
que é de R$ 17.550.000 mil.
Habitação
Popular
|
Exercício
|
Orçamentos
|
Financiamento
|
Fin/Orç
|
2000
|
4.095.472
|
3.282.081
|
80,1%
|
2001
|
3.215.587
|
2.650.603
|
82,4%
|
2002
|
3.097.519
|
3.024.935
|
97,7%
|
2003
|
2.800.000
|
2.461.300
|
87,9%
|
2004
|
3.720.800
|
2.732.579
|
73,4%
|
2005
|
5.400.000
|
4.407.986
|
81,6%
|
2006
|
6.272.944
|
5.343.188
|
85,2%
|
SubTotal
|
28.602.322
|
23.902.672
|
83,6%
|
2007*
|
6.400.000
|
2.119.762
|
33,1%.
|
Total
|
35.002.322
|
26.022.434
|
74.3%
|
Fonte:
Caixa Econômica Federal - Valores R$ mil * Posição
dos financiamentos até 31/05/07
Esse acréscimo de recursos pelo FGTS pode resultar em desequilíbrios
entre a oferta de recursos e a demanda por financiamentos, considerando,
ainda, que o setor bancário está ampliando a oferta de financiamentos
imobiliários com recursos da poupança e outras fontes, inclusive,
já beneficiando a população de menor renda.
Destaca-se que a definição do orçamento de aplicação
do FGTS se dá no âmbito do Conselho Curador do FGTS, por proposta
do Gestor das Aplicações - Ministério das Cidades -
e é elaborado com as prudências necessárias para não
gerar desequilíbrios no Fundo e de igual modo para atender às
expectativas da população, podendo inclusive, resultar em suplementações
de recursos, sempre que se justificar.
A alocação do adicional, na forma prevista no projeto de lei
de conversão, poderá gerar uma pressão em concessão
de financiamentos sem as devidas cautelas nas análises de créditos
e, conseqüentemente, aumento do risco de não retorno dos recursos
alocados e impactos negativos nos resultados futuros do Fundo e, ainda, demandar
um vultoso acréscimo no volume de subsídio para os novos financiamentos,
posto que atualmente os financiamentos para a população de
baixa renda são viabilizados por elevados subsídios, que o
FGTS tem concedido em valores superiores a um bilhão de reais por
ano, o que poderia comprometer o resultado do Fundo em face do acréscimo
de despesas sem contrapartida.
A probabilidade de ocorrer graves desequilíbrios implica contrariedade
ao interesse público e obrigação de o Gestor da Aplicação
e o Conselho Curador alocarem recursos adicionais sem que se elaborem os
estudos necessários para atendimento da demanda por financiamento.”
Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar o dispositivo
acima mencionado do projeto em causa, as quais ora submeto à elevada
apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional.
Brasília, 20 de junho de 2007.
Este texto não substitui
o publicado no D.O.U. de 21.6.2007

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