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Agência Câmara,
23 de junho de 2007
Comissão aprova mais
informações na carteira de trabalho
A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público aprovou na quarta-feira (20) substitutivo ao Projeto de
Lei 4168/04, do Senado, que obriga os empregadores a anotar seu nome,
endereço e registro no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica
(CNPJ) na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos
funcionários. De acordo com a proposta, deve ser anotado também
o número de inscrição do empregado na Previdência.
No substitutivo, o relator, deputado Mauro Nazif (PSB-RO), retirou
a obrigatoriedade de anotação do Cadastro de Pessoas
Físicas (CPF) quando o contratante for pessoa física.
Segundo ele, caso o empregado perca a carteira, essa informação
pode cair nas mãos de "pessoas de má-fé,
o que acarretaria prejuízos inimagináveis ao empregador".
Nazif também afirma que, embora o atual modelo de carteira
de trabalho já contenha campo específico para a anotação
do número do CNPJ, muitos empregadores ainda omitem essa informação
ou a fazem de forma incorreta, por não haver, na legislação,
dispositivo sobre a obrigatoriedade.
Sem penalidades
No caso de descumprimento dessas determinações, a proposta
original previa a aplicação das penalidades previstas
na Lei 7855/89, que alterou a CLT e criou o Programa de Desenvolvimento
do Sistema Federal de Inspeção do Trabalho. De acordo
com a lei, o empregador que não fizer as anotações
ficará sujeito à "lavratura do auto de infração
pelo fiscal do trabalho, que deverá comunicar a falta ao órgão
competente, para instaurar o processo de anotação".
O substitutivo, no entanto, não prevê penalidades.
Mauro Nazif concorda com o argumento do autor do projeto, o ex-senador
João Alberto Souza, de que a carteira de trabalho quase sempre
representa a única prova de que o trabalhador dispõe
para garantir seus direitos.
Tramitação
O projeto, que tramita em regime de prioridade e em caráter
conclusivo, será analisado ainda pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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Nova Central, 23 de junho
de 2007
Bancos já antecipam 13º salário
de trabalhador
Quem está endividado pode encontrar na antecipação
do 13º salário uma chance de, pelo menos, diminuir a dívida.
Alguns bancos já ofertam a opção, cujo pagamento
ocorre no momento em que o benefício é depositado --por
isso, geralmente é preciso receber o salário no mesmo banco
em que o empréstimo é feito.
Os juros cobrados pela antecipação giram em torno de
3% ao mês, mais baixos que a taxa do empréstimo pessoal
e do cheque especial. De acordo com uma pesquisa do Procon-SP (Fundação
de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo),
a taxa média desses empréstimos é de 5,37% (pessoal)
e 8,29% (cheque especial) --os percentuais têm como base as taxas
cobradas por dez bancos do Estado.
"Quem optar pela antecipação tem que saber que
não terá 13º para usar depois", alerta Miguel
de Oliveira, vice-presidente da Anefac (Associação Nacional
dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Para o economista, a modalidade só é interessante para
quem tem dívidas --como do cheque especial-- e quer quitá-las
o mais rápido possível. "Aí o trabalhador
troca uma dívida cara por uma mais barata."
O custo de um crédito de R$ 1.000, com base nos juros medidos
pelo Procon-SP, se transforma em R$ 1.368,68 ao final do pagamento
no empréstimo pessoal e R$ 1.612,61 no cheque especial.
"Com juros de 3%, a antecipação do 13º sairia
por R$ 1.194,05", calcula Oliveira. "Mas alguns bancos emprestam
80% do valor total, para garantir o recebimento quando o 13º for
depositado", lembra. No caso, o crédito seria de R$ 800,
ao custo final de R$ 955.
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Diário Vermelho, 23
de junho de 2007
Brasil pretende construir novo
sistema de indicadores sociais
Dos anos 80, quando o principal indicador era o PIB per capita, até hoje,
o Brasil evoluiu na medição dos direitos humanos. Mas falta
um sistema nacional coordenado, o que está sendo discutido em
um seminário internacional em SP.
A luta histórica pela defesa, promoção e garantia
dos direitos humanos ganhou, nos últimos anos, um aliado estratégico
no enfretamento às violações cometidas por agentes
públicos e privados. A construção de indicadores
para o setor, que apontam de forma precisa, qualitativa e quantitativamente,
quais são essas violações, os grupos mais vulneráveis,
suas causas e perspectivas de solução, é cada
vez mais um importante instrumental técnico para uma afirmação
baseada dos direitos. Mais do que isso, medir, cruzar e avaliar dados
também são uma ferramenta central para promover o diálogo
entre a construção de políticas públicas
e os compromissos assumidos internacionalmente pelos Estados.
Há muito tempo a produção de estatísticas
faz parte da lógica de planejamento de ações governamentais
no Brasil. No campo dos direitos humanos, no entanto, os dados ainda
são deficientes. “Há um ano e meio à frente
da Secretaria, vemos que de fato há uma carência profunda
de indicadores específicos para o setor ou indicadores com enfoque
de direitos humanos sobre o que se passa na saúde, na educação,
na moradia. Isso atrapalha a afirmação dos direitos no
seio dos governos. Sem indicadores fica mais difícil fazer uma
pressão intergovernamental para que cada área incorpore
esta perspectiva”, explica Paulo Vanucchi, ministro de Direitos
Humanos.
Para ampliar o debate sobre a sistematização de indicadores
que subsidiem a formulação e implementação
de políticas públicas no campo, acontece até esta
quinta (21), em São Paulo, um seminário internacional que
reúne especialistas em avaliação e monitoramento
de direitos humanos. “Nossa preocupação é chegar
ao dado preciso e a uma investigação séria que possa
fortalecer as batalhas que travamos em defesa dos direitos”, explica
José Gregori, presidente da Comissão Municipal de Direito
Humanos de São Paulo, órgão promotor do evento.
Na avaliação dos participantes, é praticamente impossível
planejar o desenvolvimento dos países sem a existência de
um sistema de monitoramento adequado da situação dos direitos
humanos. Isso não atenderia, portanto, somente aos interesses
da sociedade civil, de acompanhar as ações e omissões
dos governos em sua tarefa de controle social, mas dos próprios
países.
Os aspectos a se analisar são múltiplos. Na construção
de indicadores, podem ser utilizados dados coletados especificamente
para o monitoramento de tratados, políticas e planos de ação
ligados aos direitos humanos ou dados gerados com outros propósitos,
mas que se relacionam com direitos de alguma forma. A taxa de moralidade
infantil medida em uma cidade, por exemplo, pode revelar informações
não apenas sobre o respeito aos direitos da criança, mas
também sobre saúde da mulher, renda familiar etc.
Outras questões a serem respondidas são como o dado está sendo
coletado, quem é responsável por seu levantamento – se
o poder público, organizações não governamentais
ou organismos internacionais –, para que tipo de indicador será usado – quantitativo
ou qualitativo –, como o dado coletado será utilizado para
garantir uma melhora efetiva da vida da população, se a
informação poderá depois ser desagregada por critérios
de sexo, origem social, raça, orientação sexual,
entre outros.
“É preciso estabelecer o dado realmente imparcial, neutro e objetivo
para a construção de um indicador”, explica Laura Ferguson,
pesquisadora associada do Programa de Saúde Internacional e Direitos Humanos
da escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard. “E
o indicador ‘perfeito’ é o mais simples, o mais fácil
de ser medido, o mais aceitável pela comunidade e o mais transparente”,
diz.
Para Raul Suarez de Miguel, coordenador do Metágora (projeto internacional
de indicadores em direitos humanos, democracia e governança),
para ser relevante, um indicador deve estar sempre relacionado a uma
política pública ou programa de governo, ser uma forma
de garantir direitos de determinada população, tornar evidente
a responsabilidade dos governos nos processo e não só apontar
problemas, mas encontrar soluções. “Medir direitos
humanos é uma tarefa para mudar a qualidade de vida das pessoas. É um
processo que tem características políticas, que deve ser
participativo. Para serem sustentáveis, os indicadores precisam
de base social e legitimidade política”, completa.
A experiência brasileira
Na década de 80, o principal indicador social construído
no país era o PIB per capita. Nos anos 90, o Brasil passou a
utilizar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) como forma
de avaliar a qualidade de vida da população. Mais recentemente,
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatíticas) empreendeu
uma série de mudanças no sistema de coleta de informações
domiciliares de forma a responder às novas demandas. E, nos últimos
anos, uma série de indicadores relacionados aos direitos humanos
vem sendo produzida.
Em 2005, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a pedido
do presidente Lula, lançou a primeira versão do Radar Social,
que analisa seis dimensões: trabalho, renda, educação,
moradia, segurança e alimentação. A terceira versão
do levantamento está prevista para 2008. Em 2004, por demanda
das Nações Unidas, o Brasil também elaborou seu
relatório de evolução acerca dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio, e apresentou dados da situação do país
em relação às 18 metas e 48 indicadores elaborados
pela ONU. A partir deste estudo, o país elaborou cinco novas metas
nacionais, complementares e mais amplas que os Objetivos do Milênio.
No ano passado, Ipea, Ministério das Relações Exteriores
e Secretaria Especial de Direitos Humanos coordenaram o segundo relatório
brasileiro de acompanhamento do Pacto Interamericano de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais (Pidesc). E os próprios ministérios
têm investido na elaboração e produção
de informação em suas áreas específicas,
muitas vezes com o apoio de conselhos com representação
da sociedade civil.
“ Temos avançado, mas ainda de forma não coordenada ou centralizada.
Os relatórios ainda são feitos de forma assistemática. Surge
a demanda, articula-se um grupo no âmbito governamental, prepara-se o relatório
e, quando a tarefa termina, a equipe é desmontada”, relata Luiz
Fernando Lara Resende, do Ipea. “O que precisamos agora é de um
arcabouço institucional que nos permita desenvolver este sistema. Da parte
do governo, não faltam recursos humanos para isso. É só uma
questão técnica de pensar esses indicadores e uma questão
política de dar prioridade a eles. Vejo como possibilidade institucionalizar
algum grupo governamental, com participação da sociedade civil
e, no prazo de um ano, apresentarmos uma proposta para ser validada nas áreas
afins”, acredita.
Algumas questões precisam ser respondidas neste processo. Será possível
fugir da lógica setorial, por área, dos indicadores já produzidos
ou o princípio de funcionamento deste sistema deve ser a indivisibilidade
dos direitos humanos? Diante de uma prevalência de dados disponíveis
acerca dos direitos econômicos e sociais, é hora de priorizar
a produção de dados que respondam a garantia de direitos
civis e políticos?
Em maio do ano passado, no âmbito da reunião das altas autoridades
em direitos humanos do Mercosul, foi criado um grupo de trabalho para
elaborar um marco conceitual para o desenvolvimento de um Sistema de
Indicadores de Direitos Humanos. Na avaliação de Zulma
Sosa, diretora da Direção Geral de Estatísticas,
Pesquisas e Censos do Paraguai – país que tem este ano a
presidência do Mercosul –, o grupo espera que as contribuições
do processo brasileiro, resultantes em parte do seminário que
termina nesta quinta em São Paulo, funcione como um importante
laboratório e sirva de exemplo para que outros países avancem
rumo a construção de indicadores para o setor. Fonte:
Carta Maior
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Gazeta do Povo, 23 de junho
de 2007
ECONOMIA | ABONO
600 mil têm só cinco dias
para sacar o PIS
Cerca de 600 mil trabalhadores em todo o país ainda não
foram sacar o abono do PIS (Programa de Integração Social)
referente ao exercício de 2006/7. Eles têm direito de receber
um salário mínimo (hoje, R$ 380), no total de R$ 228 milhões.
Ainda restam cinco dias úteis para o saque. O prazo vai até o
dia 29 deste mês.
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Gazeta do Povo, 23 de junho
de 2007
PARANÁ | CHINELO NO TRIBUNAL
Entidades repudiam atitude de
juiz
Edson Mazzetto/Gazeta do Povo

Joanir vai entrar com ação por danos morais
Cascavel – A decisão do juiz da 3.ª Vara do Trabalho
de Cascavel, Bento Luiz de Azambuja Moreira, de suspender uma audiência
porque o trabalhador rural Joanir Pereira compareceu ao tribunal calçando
chinelo de dedos teve desdobramentos ontem. O Tribunal Regional do
Trabalho (TRT) do Paraná divulgou nota repudiando a atitude.
O fato aconteceu dia 13 de junho, quando seria realizada uma audiência
de conciliação. Para surpresa dos convocados, o magistrado
encerrou a sessão rapidamente, registrando que não iria
realizá-la pelo fato de o trabalhador estar trajando chinelo
de dedos, algo “incompatível com a dignidade do Poder
Judiciário”. A Ordem dos Advogados do Brasil, seção
Paraná (OAB-PR), e a Associação dos Magistrados
do Trabalho da 9.ª Região (Amatra-9) também se manifestaram.
Na nota, o TRT afirma que “no Paraná há uma tradição
de respeito a todos aqueles que procuram os serviços judiciários
trabalhistas”. O TRT considera o fato isolado e afirma que o
juiz terá de dar explicações à Corregedoria
Regional. A nota informa ainda que já há orientação
da Corregedoria Regional do Trabalho da 9.ª Região para
que o juiz se abstenha de exigir vestuários especiais dos trabalhadores.
O presidente da OAB-PR, Alberto de Paula Machado, considera que, “num
país tropical como o Brasil, uma decisão como essa é absurda.
Um fato como esse deve entrar para os registros das aberrações
jurídicas”. O advogado do trabalhador, Marcelo Picolli,
pretende entrar com uma ação por danos morais contra
o juiz, que até agora tem se recusado a comentar o assunto.
(MP)
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Folha de Londrina, 23 de
junho de 2007
Juiz de Cascavel terá que se
explicar ao TRT/PR
O magistrado impediu a realização de uma audiência
porque o autor da ação trajava um par de chinelos de dedo
Marcos Borges

A Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do PR quer ouvir
o juiz Bento Luiz de Azambuja Moreira
Curitiba - O juiz titular da 3Vara do Trabalho de Cascavel, Bento
Luiz de Azambuja Moreira, que impediu a realização de
uma audiência, no último dia 13, porque uma das partes
trajava um par de chinelos de dedo, vai ter que se explicar agora à Corregedoria
do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT/PR). A informação é da
assessoria de imprensa do TRT/PR, que ontem divulgou uma nota de esclarecimento
sobre o episódio. Joanir Pereira, parte reclamante de uma ação
que corre contra a empresa Madeiras J. Bresolin Ltda. (parte reclamada),
foi quem compareceu à audiência de chinelos. Ele é trabalhador
rural, atualmente desempregado.
Ontem, a reportagem conseguiu contato por telefone com o juiz, em
Cascavel, mas ele afirmou que somente daria entrevistas sobre o assunto
''pessoalmente''. Também afirmou que a imprensa ''está explorando
o fato de forma grotesca'' e que, em função da insistência
da reportagem, consideraria então a possibilidade de enviar,
nos próximos dias, uma nota de esclarecimento aos veículos.
No termo de audiência obtido pela reportagem, consta que o juiz
resolveu não realizar a audiência porque o calçado
seria ''incompatível com a dignidade do Poder Judiciário''.
No final do documento, o juiz determina ainda uma nova data para a
audiência, dia 14 de agosto de 2007.
A cúpula do TRT/PR, através da nota de esclarecimento,
afirma que o episódio ''refere-se a fato isolado, e que está sendo
objeto de representação (na Corregedoria do TRT/PR)''.
''Além disso, já há orientação expedida
pela Corregedoria Regional do Trabalho da 9 Região para que
o magistrado se abstenha de exigir vestuários especiais dos
trabalhadores, uma vez que não há determinação
legal para isso. Ao mesmo tempo, há recomendação
para que o juiz antecipe a audiência que foi adiada por esse
motivo'', diz trecho.
O advogado de Pereira, Olímpio Marcelo Picoli, explicou que
o juiz primeiro pediu para que seu cliente se retirasse da sala da
audiência. Em seguida, o juiz teria dito ao advogado que não
realizaria a audiência em função dos calçados
do reclamante. ''Meu cliente é um trabalhador rural, humilde,
pobre, analfabeto. Ele estava ali com a melhor roupa. Ele nem mesmo
possui sapatos. O juiz não teve, no mínimo, sensibilidade.
Perdemos um princípio constitucional, de acesso livre à Justiça'',
defendeu.
Picoli acrescentou que já entrou com uma ação
indenizatória na Comarca de Cascavel. ''Foi ofensa à dignidade
da pessoa humana, um ato discriminatório. Nós queremos
não só a reparação por danos morais como
também a retratação do juiz'', afirmou ele. O
episódio também foi levado à Ordem dos Advogados
do Brasil (OAB) de Cascavel. Ao ser questionado se teme a influência
do episódio no julgamento da ação trabalhista,
que ainda irá ocorrer, Picoli admite que não descarta
a possibilidade de questionar a competência do juiz devido à ''animosidade
em relação ao caso''.
Segundo Picoli, em função do tipo da ação
trabalhista, a sentença poderia ter saído no final da
audiência. A ação corre desde março. Catarina
Scortecci - Equipe da Folha.
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Folha de Londrina, 23 de
junho de 2007
SEU DIREITO
Aposentadoria Especial
Trabalhei de maio de 1990 a fevereiro de 1998 em uma indústria
metalúrgica. Ficava diretamente em contato com o calor e a fumaça
e outros agentes nocivos. Trabalhava na fundição de metais
derretidos. Esta empresa encerrou suas atividades há alguns anos
e não consigo localizar os antigos proprietários. Como
posso proceder para que este tempo seja contado na minha aposentadoria?
As atividades exercidas em indústria metalúrgica, em
que o funcionário trabalha de modo habitual e permanente exposto
aos agentes citados, são previstas na legislação
previdenciária como sendo especiais, por serem insalubres, perigosas
e altamente prejudiciais à saúde humana. Estas atividades
estão elencadas nos Decretos 53.831/64, 83.080/79 e 2.172/97,
como sendo atividades especiais, garantindo ao segurado o acréscimo
de 40% no tempo de serviço.
Nossos tribunais têm decidido que a comprovação
da especialidade destas atividades, até 05/03/1997, é feita
pela apresentação do formulário ‘‘Informações
Sobre Atividades Exercidas em Condições Especiais’’,
fornecido pelo INSS e preenchido pelo empregador. A prova da insalubridade
da atividade pode ser feita também por prova testemunhal e por
perícia técnica. A partir de 05/03/1997 até 28/05/1998,
a comprovação da sujeição a agentes nocivos
deve ser feita por meio do formulário ‘‘Informações
Sobre Atividades Exercidas em Condições Especiais’’ embasado
em laudo técnico fornecido pela empresa, ou por meio de perícia
técnica realizada em juízo.
Como, no caso citado, a empresa encerrou suas atividades, impossibilitando
o segurado de conseguir formulário e laudo ambiental, os tribunais
têm se manifestado no sentido de que, quando a empresa está extinta,
o que impossibilita o fornecimento de formulário, laudo ambiental
e a realização de prova pericial no local de trabalho,
a atividade pode ser reconhecida como especial, desde que realizada
a perícia por similaridade em indústria semelhante a
que trabalhava o segurado. Fábio Antonio da Silva Martin, advogado.
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Folha de São Paulo,
23 de junho de 2007
Nenhum senador diz ver indício
para cassar Renan
Apenas 24 dos 66 parlamentares que se manifestaram falam em esperar perícia
da PF
Outros 42 nomes ouvidos em enquete da Folha são
categóricos em dizer que não enxergam elementos para
perda de mandato
SILVIO NAVARRO, FELIPE SELIGMAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar do agravamento do caso e das divergências apontadas pela
perícia da Polícia Federal nos papéis que sustentariam
a versão da venda de gado, nenhum senador hoje avalia que já há elementos
suficientes para a cassação do mandato do presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
A Folha ouviu 70 dos 81 senadores nos últimos dois dias, logo
após a derrota de Renan em tentar encerrar o processo no conselho.
Desse total, 66 disseram que os agravantes ainda são insuficientes.
Quatro não responderam às perguntas. Além do próprio
Renan, o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), licenciado
por problema de saúde, não foi procurado. Nove senadores
não foram localizados.
Na sondagem, os senadores tinham a opção de manter a
opinião em sigilo. Para eles, a declaração poderia
ser traduzida como "prejulgamento", já que o caso
pode terminar no plenário. Outros optaram por se pronunciar
abertamente. Foram feitas três perguntas: 1) O presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deveria se afastar do cargo durante
o processo?; 2) Já há elementos suficientes para a cassação
do mandato dele?; 3) Se ele deixar o posto, quem deveria sucedê-lo?
Dos 66 senadores consultados, 24 (36,4%) afirmaram que há indícios
graves de quebra de decoro, mas que é preciso aguardar a finalização
da perícia da PF para selar o destino do peemedebista. Outros
42 (66,6%) foram categóricos ao declarar que não há elementos
para perda do mandato.
" Por enquanto não. Isso vai depender das explicações
que ele [Renan] apresentar", disse Eduardo Suplicy (PT-SP). "Acho que
há indícios graves, mas é prematuro afirmar sem a perícia
da Polícia Federal. É preciso clareza de que os documentos são
fraudados", afirmou José Nery (PSOL-PA), cujo partido foi o autor
da representação contra Renan.
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) disse que teria dificuldade
em fazer o julgamento. "Espero que eu não tenha que tomar
esta decisão. Se esse momento chegar, vou avaliar e votar pela
justiça. Pessoalmente, mantenho uma relação muito
fraterna e de respeito com o senador Renan." Os aliados de Renan
irritaram-se com o questionamento. "Não farei julgamentos
rápidos. Sócrates e Cristo tiveram julgamentos rápidos
e deu no que deu", disse o senador Mão Santa (PMDB-PI).
A maioria dos entrevistados não defende nem o afastamento de Renan
da presidência enquanto durar o processo no Conselho de Ética:
19 apóiam que ele fique no cargo; outros 18 se dizem indiferentes.
Esse cenário de cautela extrema, entretanto, não significa
que a base de sustentação do alagoano não esteja
abalada. Para uma Casa reconhecidamente corporativa, não é de
todo irrelevante o fato de que 29 senadores defendam que Renan se licencie
do cargo até a conclusão do processo.
"Seria melhor para a Casa e para ele", disse Raimundo Colombo (DEM-SC). "O
afastamento seria importante para retomar a normalidade", afirmou Osmar
Dias (PDT-PR). "O licenciamento tira o constrangimento da presença
dele como nosso presidente", disse Cristovam Buarque (PDT-DF). Assim como
o próprio presidente, os defensores de Renan, entretanto, rechaçam
a possibilidade de vê-lo fora do posto. "Pedir a licença do
cargo seria passar recibo e mostrar fragilidade", afirmou Gilvam Borges
(PMDB-AP). "Isso não está em questão, ele está indo
bem e agora não tem mais prazo [para votar o processo]", disse Valdir
Raupp (RO), líder do PMDB e cotado para a relatoria.
Muitos senadores mostraram resistência à pergunta sobre
eventual sucessor na presidência. Embora já tenha ganhado
os corredores do Senado, o assunto ainda é tratado veladamente
já que a avaliação é que o caso tende a
esfriar, cenário favorável a Renan. O nome mais recorrente
para substituí-lo foi o do primeiro-vice-presidente da Casa,
Tião Viana (PT-AC). Pelo regimento do Senado, se Renan deixasse
o posto, Tião Viana assumiria interinamente. Alguns senadores
da base governista que citaram seu nome como caminho natural também
sugeriam que ele poderia se viabilizar em eventual eleição.
Na oposição, houve menções ao nome de
dois senadores do DEM: Marco Maciel (PE) e o líder da bancada,
José Agripino Maia (RN), derrotado por Renan na última
eleição. Na base governista, o nome do senador José Sarney
(PMDB-AP), antecessor de Renan, foi citado.
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Folha de São Paulo,
23 de junho de 2007
Previdência privada cresce
com poupança para escola
Captação em planos
para menores sobe 138,7%
MÁRCIO RODRIGUES
DA FOLHA ONLINE
A previdência privada tem surgido como uma opção
aos pais para poupar recursos para a educação dos filhos.
Segundo dados da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência
Privada e Vida), os planos para menores de idade registraram, em abril,
crescimento de 138,71%, com captação de R$ 134,801 milhões,
contra R$ 56,471 milhões no mesmo mês de 2006. O crescimento
da previdência para menores de idade também é observado
no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, quando esse tipo de
plano captou R$ 438,3 milhões -alta de 84,51%.
De acordo com o vice-presidente da Fenaprevi, Marco Antônio
Rossi, a previdência é mais uma alternativa de poupança. "Hoje,
os custos para a formação educacional dos filhos têm
sido cada vez maiores. Esse conceito de poupança, já tradicional
nos EUA, está sendo ampliado no Brasil", diz. A previdência
privada para menores tem crescido de forma mais acelerada, mas a captação
total de recursos por esse mercado também sobe no geral: atingiu
R$ 2,1 bilhões em abril, o que representa um crescimento de
41,38% ao registrado no mesmo mês de 2006, de R$ 1,48 bilhão.
Nos primeiros quatro meses do ano, a captação do setor
já acumula alta de 25%, na casa dos R$ 8 bilhões -no
mesmo período de 2006, ficou em R$ 6,458 bilhões.
"O crescimento do mercado ocorre por conta do aumento da longevidade
da população. Se antes a preocupação com
a aposentadoria já era grande, agora ela é maior, uma
vez que as pessoas passam quase um terço de suas vidas nessa
fase", afirma Rossi. Ainda de acordo com o executivo da Fenaprevi,
as pessoas se conscientizaram de que a Providência Social oferece
apenas um "valor básico". "As pessoas que querem
algo além desse valor, estão procurando a previdência
privada", diz.
O maior crescimento da previdência privada foi registrada entre
os planos VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) -indicado para
o investidor que não declara Imposto de Renda pelo modelo completo.
Eles registraram alta de 48,39% sobre abril de 2006, com captação
de R$ 1,426 bilhão, ante valor anterior de R$ 961,5 milhões.
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