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Agência Diap, 24 de
junho de 2007
BALANÇO DA SEMANA
Semana intensa para o movimento
sindical; celebrado acordo regulamentar a contribuição
assistencial
Esta semana foi bastante intensa para o movimento
sindical e os ocupantes de cargos no Governo. No Senado,
lideranças de trabalhadores e patronais fecharam acordo,
com mediação do senador Paulo Paim (PT/RS),
para a regulamentação da contribuição
assistencial e a eleição do presidente e vice-presidentes
das CIPAS. O Governo editou duas medidas provisórias
concedendo reajuste salarial para ocupantes de cargos de
confiança.
O acordo prevê que as duas proposições [PLS 248 e
PLS 86], que tratam respectivamente sobre a contribuição
assistencial e a eleição nas CIPAS, somente poderão
receber uma emenda cada, a ser apresentada pelo relator designado em
plenário. No PLS 86, a emenda deverá estabelecer a necessidade
de acordo ou convenção coletiva para a eleição
do presidente e vice-presidentes das CIPAS.
A emenda a ser apresentada ao PLS 248 visa estender às entidades
patronais o direito de cobrar das empresas o mesmo percentual de contribuição
assistencial (1%) deferida aos sindicatos de trabalhadores.
O PLS 248 também terá cancelada sua tramitação
na Comissão de Assuntos Econômicos, devendo a proposição,
com a aprovação da urgência, ser votada diretamente
no plenário do Senado.
Demissão imotivada
O DIAP chamou atenção para o perigo de aprovação
na Comissão de Trabalho do PLP 8/03, do deputado Maurício
Rands (PT/PE), que proíbe a demissão imotivada. Retirada
de pauta, a proposição voltará à agenda
na próxima semana.
O PLP regulamenta o inciso I, do artigo 7º da Constituição,
que inclui entre os direitos dos trabalhadores “relação
de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa
causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização
compensatória, dentre outros direitos”.
A conseqüência imediata da aprovação do projeto
será a substituição da multa de 40% sobre o saldo
do FGTS - que fica automaticamente derrogada após a transformação
do projeto em lei - por uma proteção contra a demissão
arbitrária ou imotivada.
Diante das controvérsias que o projeto apresenta, o DIAP pediu
ao advogado Edésio Passos, membro de seu corpo técnico
e renomado advogado trabalhista, que analisasse o texto do deputado Maurício
Rands. O advogado recomenda algumas mudanças no texto para tornar
mais explícita a proteção. As sugestões podem
ser consultadas na página do DIAP.
Direito de greve
Ainda no âmbito da Comissão de Trabalho, compareceu o
ministro do Planejamento Paulo Bernardo para debater três temas
relevantes para os servidores públicos – direito de greve,
previdência complementar e efeitos da Taxa Referencial (TR) sobre
o FGTS. A TR é uma fração da Taxa Básica
Financeira (TBF).
Os projetos que versarão sobre a greve no serviço público
e o fundo único de previdência complementar do servidor
serão encaminhados ao exame do Legislativo em agosto. O ministro
disse que os textos estão em fase de elaboração.
Há um compromisso também de o Governo ratificar a Convenção
151 da OIT, que regulamenta a negociação coletiva no serviço
público.
O fundo único, segundo o ministro, será organizado na forma
de uma entidade fechada, que terá governança dos três
poderes. Já o conselho fiscal será exercido pelo Ministério
Público, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por dois
participantes eleitos pelos servidores. O ministro acredita que essa
forma de administração minimize o risco de ingerência
do patrocinador.
Quanto a TR, o ministro explicou que não haverá uma corrosão
dos recursos do fundo, pois a taxa de remuneração real
pode ainda ser positiva. Isso dependerá da taxa da inflação
esperada para o período.
Reforma da previdência
Nesta semana, chamamos atenção para as projeções
do Ministério da Previdência que indicam a necessidade
de uma reforma para a garantia de que as gerações futuras
tenham acesso aos benefícios previdenciários.
Imediatamente, o movimento sindical questionou os números apresentados
e reforçou estudos que comprovam ser a Previdência Social
superavitária, bem como a inclusão dos trabalhadores no
sistema previdenciário público garante crescimento econômico
e aumento do superávit.
Também divulgamos nota técnica do Dieese sobre o Fator
Previdenciário. Criado na reforma da previdência do Governo
Fernando Henrique Cardoso em 1999, o modelo de cálculo do fator
previdenciário faz com que o trabalhador prolongue o seu tempo
de contribuição, retardando sua aposentadoria.
Para eliminar o fatídico fator que tanto penaliza os trabalhadores,
justamente no momento que mais precisam de amparo, a aposentadoria, há no
Congresso Nacional tramitando o projeto de lei do Senado (PLS) 296/03,
de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS).
Combate à corrupção
Em audiência pública na Comissão de Fiscalização
Financeira e Controle da Câmara, sobre as ações
e programas da CGU (Controladoria-Geral da União), o ministro
Jorge Hage apontou avanços no combate à impunidade por
via administrativa, mas lamentou a lentidão dos processos no âmbito
judicial.
Para o ministro, o Código de Processo Penal, de 1941, é inadequado
para enfrentar os problemas atuais. "Se não mexermos no código,
o processo judicial continuará emperrado", afirmou. Hage
explicou que as auditorias e investigações realizadas pela
CGU resultam em ações em várias frentes, incluindo
o âmbito judicial. Dependendo do caso, a Controladoria o encaminha
ao Ministério Público para que sejam ajuizadas ações
civis e penais.
Jorge Hage criticou, no entanto, o fato de as decisões do Tribunal
de Contas da União (TCU) não serem auto-executáveis. "É preciso
mandar para a Procuradoria executar os créditos no Judiciário",
lamentou. O TCU é um dos órgãos com o qual a controladoria
estabelece colaboração para aplicação de
sanções da sua competência, como multas e ressarcimento
de recursos aos cofres públicos.
Demissão de servidores
No âmbito administrativo, o ministro destacou "medidas
concretas, que visam a reversão do quadro de impunidade que
impera no País". Ele observou que, desde 2003, foi aplicada
pena de demissão a mais de 1.200 servidores públicos
federais e de cassação de aposentadoria a cerca de 70
servidores. Outros 91 funcionários foram destituídos
de cargos comissionados nos últimos quatro anos.
Reforma política
A reforma política continuou, pela segunda semana consecutiva,
o principal tema de discussão na Câmara dos Deputados.
No entanto, os exaustivos debates não produziram consenso ou
maioria para votar o projeto de lei (PL 1.1210/07), que trata da reforma
política. Nova tentativa de aprovar mudanças nas regras
eleitorais foi agendada para a próxima terça-feira, 26/06.
Nesta semana seis partidos apresentaram uma nova proposta para a reforma
política, a instituição do sistema de votação
por lista flexível e financiamento público exclusivo para
as campanhas eleitorais.
Assinam a proposta o PT, o PMDB, o DEM, o PCdoB, o PPS e o PSB. Trata-se
de uma emenda substitutiva global, ou seja, um novo projeto para ser
votado no lugar da proposta do relator, deputado Ronaldo Caiado (DEM/GO).
Lista flexível
Em lugar da lista fechada surge a lista flexível, que prevê que
o eleitor deverá votar, primeiro, em um partido e, opcionalmente,
em um dos candidatos da lista dessa legenda. Atualmente, o eleitor
vota diretamente em um candidato ou, opcionalmente, numa legenda.
Metade das vagas obtidas por cada partido, no sistema proposto, será distribuída
segundo uma ordem predeterminada pelo próprio partido. A outra
metade será preenchida de acordo com os votos obtidos individualmente.
A proposta também mantém o artigo que privilegia os atuais
detentores de mandato. Eles terão assegurados os primeiros lugares
da lista. Na prática, isso significa que boa parcela dos atuais
deputados terá a reeleição assegurada. Para que
a nova emenda seja submetida a votação será necessário
que ela ganhe preferência regimental sobre o texto do relator Ronaldo
Caiado.
Renan
A crise que abateu o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL),
se agrava e a conseqüência poderá ser o desembarque
do cargo. Ele não quer, mas a evolução dos fatos
já começa a comprometer a pauta de votações
da Casa e também sua imagem.
Caso prospere o pedido de cassação do mandato, tudo indica
que ele poderá ser absolvido pela maioria esmagadora do Senado.
Entretanto, o brilho de outrora será passado, ficará como
mais um senador, sem peso, força e prestígio. São
as conseqüências do erro, não na política, nesta
Renan é craque, mas no plano pessoal e nos negócios privados.
De qualquer sorte, de parte da maioria dos senadores, o erro no plano
pessoal será perdoado; já o erro nos negócios privados,
se for comprovado o dolo, lhe custará a cadeira de presidente
do Senado e, quem sabe, o próprio mandato.
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Diário Vermelho, 24
de junho de 2007
Estudo revela perfil da desigualdade
social
A educação é o segundo fator
para a desigualdade entre ricos e pobres no Brasil – perde
apenas para o acesso à cultura. A conclusão
está no estudo Gasto e Consumo das Famílias
Brasileiras Contemporâneas, divulgado nesta semana
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O trabalho aponta que as famílias mais ricas gastam 30% a mais
que as mais pobres e que quanto maior a renda per capita e o nível
de escolaridade dos chefes de família, maior a parcela das despesas
com educação.
Enquanto no biênio 1987/88 as despesas das famílias mais
ricas brasileiras eram 11,9 vezes superiores às das mais pobres,
em 2002/03 essa diferença cresceu para 24,5 vezes, sobretudo pelo
aumento com gastos nos cursos regulares – de 13,9 para 44,5 vezes.
Em 2002/03, os itens que apontam maior desigualdade de despesas entre
as classes sociais brasileiras são os cursos de pós-graduação
e os de idiomas, seguidos pelos de ensino superior e médio.
800 vezes desigual
De acordo com o estudo, os gastos com cursos de pós-graduação
são praticamente nulos entre as famílias mais pobres do
Brasil. Outro indicador de desigualdade é que as despesas das
famílias mais ricas com cursos de idiomas superam em até 800
vezes as das mais pobres.
A pesquisa aponta ainda que educação foi o item que mais
cresceu no orçamento das famílias: os gastos passaram de
3,16% em 1987/88 para 4,26% em 1995/96, e para 5,50% em 2002/03. O aumento
dessas despesas de 1987 a 2003 foi maior na região metropolitana
de Goiânia, seguida pelas de São Paulo, Brasília
e Belo Horizonte.
Os maiores gastos foram com os cursos regulares (pré-escolares,
fundamental, médio e superiores), que em 1987/88 representavam
44,80% do total despendido com educação e em 2002/03 subiram
para 66,47%. Os pesquisadores creditam essa alta à expansão
da rede privada de ensino nos últimos 15 anos. Neste período,
só as matrículas no ensino superior privado cresceram 174%,
enquanto no público aumentaram 79,8%. Agência
Brasil.
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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2007
BRASIL | CORRUPÇÃO
A farra com o Orçamento
da União
Máfias aproveitam brechas para desviar dinheiro dos cofres públicos
por DENISE DRECHSEL COM AGÊNCIAS
Curitiba – O Orçamento da União tem sido uma boa
fonte de enriquecimento ilícito dos corruptos. Só a máfia
das obras públicas, investigada na Operação Navalha
da Polícia Federal (PF), abocanhou pelo menos R$ 170 milhões
dos cofres públicos. Os envolvidos no superfaturamento na compra
de ambulâncias em municípios com recursos do Ministério
da Saúde, alvo da Operação Sanguessuga, também
da PF, embolsaram no mínimo R$ 300 milhões, segundo investigações.
E o último relatório do Tribunal de Contas da União
(TCU) mostra que esses números apresentam apenas a ponta de
um iceberg: o governo não sabe como foram gastos R$ 12,5 bilhões
transferidos para convênios até dezembro de 2005 porque
ainda não recebeu a prestação de contas dos municípios
ou programas. Recursos que, segundo o ministro do TCU, Ubiratan Aguiar,
relator do documento, são facilmente utilizados para fins diferentes
para os quais foram aprovados já que não foram justificados.
Para estancar essa sangria, está em discussão no Congresso
a necessidade da implementação de mudanças de
como é votado o Orçamento da União. A idéia é impedir
que, no processo de definição de como será aplicado
o dinheiro, possam ser inseridos os esquemas de corrupção.
A fraude mais comum no Orçamento funciona com a junção
de três corruptos: um parlamentar, um dirigente de empresa privada
e um intermediário no Executivo que tenha acesso à liberação
de verbas. Exemplos de deputados, senadores e funcionários públicos
não faltam. Nem de empresas – no caso dos sanguessugas,
por exemplo, a Planam, de Luiz Antônio Vedoin; na Operação
Navalha, a Gautama, de Zuleido Veras.
As empreiteiras “pressionam” – com presentes e propina – os
ministérios que prevêem as verbas e depois os parlamentares
que avaliam o orçamento e apresentam emendas. Para se ter uma
idéia de quanto as empresas apostam nos políticos, levantamento
do jornal Folha de S. Paulo aponta que só as empreiteiras foram
responsáveis por 54,7% das doações das campanhas
dos parlamentares eleitos no Congresso. No total, R$ 27 milhões – sem
contar o tradicional caixa 2.
“Existe um conjunto de companhias privadas tentando se apropriar
do orçamento, basta checar as doações de campanha.
No outro lado, vemos os parlamentares preocupados em se manter no poder
e, portanto, zelosos pelo financiamento de suas campanhas. Para cumprir
essas metas, ambos estão interessados em facilitadores nos órgãos
do Executivo para garantir o esquema”, descreve Gil Castello
Branco, economista do site Contas Abertas.
A discussão mais esdrúxula para evitar o rombo nos cofres
públicos por meio do Orçamento propõe o fim da
Comissão Mista de Orçamento no Congresso e das emendas
individuais e de bancadas com o objetivo de brecar a distribuição
de propina para parlamentares. “Isso seria jogar o balde junto
da água suja”, compara Cláudio Abramo, diretor-executivo
da ONG Transparência Brasil. “É evidente que a comissão
precisa existir para criticar e avaliar a proposta do Executivo. A
representação política no Brasil é baseada
nos benefícios que o deputado federal defende para sua base,
e não tem nenhum sentido impedir essa representação.
O que é preciso é fiscalizar esse trabalho”, afirma.
Uma proposta mais consistente em estudo é acabar com o contingenciamento
dos recursos. Hoje a verba pode ser prometida, mas fica à espera
de liberação, ou seja, é contingenciada.
Nesse período, aumenta a “tentação” das
partes interessadas de distribuir propinas para “acelerar” o
processo. Caso se deixe de contingenciar – as verbas aprovadas
seriam depositadas automaticamente na conta corrente de estados e municípios –,
não adianta mais tentar interferir na liberação
do gasto.
Outra idéia interessante é o Projeto de Lei 1142/2007,
do deputado Henrique Fontana (PT-RS), que prevê punições
severas para empresas envolvidas em fraudes. A Gautama, pivô da
máfia de obras públicas investigada na Operação
Navalha, por exemplo, não poderia mais participar de nenhuma
licitação.
“Se o chefe de um esquema de corrupção é punido
com o confisco do patrimônio e a obrigação de ressarcir
os cofres públicos, fica muito mais difícil que outros
queiram se arriscar. O uso da pena econômica é a melhor
solução”, defende Roberto Livianu, promotor de
Justiça em São Paulo e presidente do Movimento do Ministério
Público Democrático.
Mas o que vai resolver mesmo, diz Abramo, é a sociedade se
organizar em associações, ONGs e outras iniciativas que,
de fato, conquistem saídas para acabar com a corrupção. “O
preço da eficiência está na eterna vigilância”,
filosofa.
Veja como é fácil lesar os cofres
públicos

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Gazeta do Povo, 24 de junho
de 2007
ECONOMIA | SUPERSIMPLES
Sebrae oferece simulador de
impostos
O Sebrae está oferecendo, em todo o estado, consultorias a empresários
sobre a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que institui o Supersimples.
Durante o atendimento, que deve ser agendado, é feita uma simulação
do pagamento de impostos para ajudar o empresário a decidir se
opta ou não pelo novo regime. A consultoria também explica
as vantagens da nova legislação. Mais informações:
www.sebraepr.com.br e www.leigeral.com.br.
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Folha de Londrina, 24 de
junho de 2007
China passa os EUA e se torna o maior
poluidor
São Paulo- A tragédia estava anunciada, mas aconteceu antes
do que se imaginava: a China ultrapassou os EUA em 2006 como maior emissor
de gases de efeito estufa do planeta. Especialistas em energia achavam
que isso só fosse acontecer a partir deste ano, mas a sede por
combustíveis fósseis do dragão acabou antecipando
a tendência.
Segundo dados divulgados ontem pela Agência Holandesa de Avaliação
Ambiental, com base em estatísticas da empresa British Petroleum,
a China lançou na atmosfera no ano passado 6,2 bilhões
de toneladas de gás carbônico, contra 5,8 bilhões
dos EUA. O gás carbônico, ou CO2, é o principal
responsável pelo aquecimento global. Ele retém o calor
da Terra na atmosfera, esquentando o planeta.
As emissões totais de gás carbônico da China aumentaram
8,7% em 2006 em relação ao ano anterior. Isso se deveu
principalmente à demanda por carvão mineral, o mais sujo
dos combustíveis fósseis, que move a maior parte das
usinas elétricas chinesas.
Esse crescimento teve reflexos no resto do mundo: a China foi o principal
responsável por dois terços do crescimento (de 4,5%)
da demanda mundial por carvão. Isso, por sua vez, foi o principal
responsável pelo aumento de 2,6% das emissões globais
pelo uso de combustíveis fósseis (desmatamento, agricultura
e outras atividades ficam fora dessa conta).
A boa notícia, por outro lado, é que as emissões
globais sofreram um pequeno declínio em relação
a 2005. Naquele ano, elas cresceram 3,3%. Nos EUA, as emissões
por queima de combustíveis fósseis caíram 1,4%,
segundo a agência holandesa. Isso se deveu sobretudo a um inverno
ameno. Folhapress
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Folha de Londrina, 24 de
junho de 2007
SEU DIREITO
JORNADA PARCIAL
Pago o salário mínimo (R$ 380) à minha empregada
doméstica, mas gostaria de saber se é possível fazer
um acordo para pagar a metade do salário. Neste caso, a jornada
de trabalho também seria reduzida.
A nossa legislação permite, de fato, a pactuação
de jornada parcial de trabalho (duração semanal reduzida),
com as vantagens trabalhistas proporcionalmente ajustadas. Isso porque
a garantia de salário mínimo tem como critério
a duração real do trabalho ajustada entre as partes,
sendo válido o pagamento de meio salário mínimo
para meia jornada de trabalho.
Este trabalho em regime de tempo parcial é tipificado na CLT
como ‘‘aquele cuja duração não exceda
as vinte e cinco horas semanais’’. É claro que ele
não abrange aqueles empregados com jornada especial reduzida
por lei (por exemplo, os jornalistas profissionais e radialistas),
mas somente aqueles trabalhadores naturalmente inseridos na jornada
padrão de oito horas diárias e 44 semanais.
Note-se que um contrato de trabalho por tempo parcial firmado à base
de 24 horas semanais pode ser cumprido tanto por meio de jornadas diárias
de quatro horas, em seis dias na semana, como em jornadas de oito horas,
em somente três dias na semana. As partes têm liberdade
para pactuar quanto à distribuição das horas de
trabalho durante a semana, sendo vedada por lei, no entanto, a prestação
de horas extras.
Existem regras específicas também em relação às
férias, cuja duração será inferior a 30
dias, como ocorre com os demais trabalhadores. Neste regime especial,
a duração das férias varia entre 18 e oito dias
ao mês, tendo direito ao período máximo de 18 dias
de férias (após 12 meses de trabalho) aqueles empregados
que trabalharam em jornadas entre 22 e 25 horas semanais e assim, sucessivamente,
conforme disposto no art. 130-A, da CLT.
Não é permitido o parcelamento dessas férias,
mas o empregador pode incluir os empregados contratados a tempo parcial
nas férias coletivas que conceder aos demais empregados da empresa.
Pode ocorrer, no caso concreto, situação diversa, na
qual o empregado não foi contratado inicialmente sob esta modalidade,
mas no decorrer do contrato de trabalho as partes resolveram alterar
o horário de trabalho pactuado de oito para quatro horas diárias,
por exemplo.
Regra geral, em face do princípio constitucional da inalterabilidade
contratual lesiva, as alterações contratuais redutoras
da duração do trabalho somente serão consideradas
lícitas se não produzirem qualquer diminuição
no salário do empregado. Exceção deve ser feita
quando esta redução de jornada for pleiteada pelo obreiro,
por interesse extracontratual e com previsão em instrumento
negocial coletivo.
Convém destacar que o empregador, nessa hipótese, deve
estar atento, que cabe a ele o ônus da prova (no caso de eventual
ação trabalhista ajuizada posteriormente) quanto à existência
deste efetivo interesse particular do trabalhador. Karine Sayuri Oliveira
da Rocha, advogada.
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Folha de Londrina, 24 de
junho de 2007
Brasileiros gastam menos com alimentação
Pesquisa realiza entre 1987/1988, mostra
que consumidores gastavam em média 20,4% da renda com alimentação;
esse índice caiu para 16,7% em 2002/2003
São Paulo - Os hábitos de consumo dos brasileiros tiveram
uma profunda mudança nos últimos 20 anos, segundo livro
lançado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
(Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento) e pela FEA/USP
(Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade
da Universidade de São Paulo).
Uma das principais mudanças apontada pelo levantamento é a
redução nos gastos com alimentação principalmente
entre as classes mais baixas da sociedade, segundo dados levantados
com base na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a POF, entre 1987/1988, os brasileiros gastavam em média
20,4% da renda com alimentação. Esse índice caiu
para 18% em 1995/1996 e para 16,7% em 2002/2003.
Esse movimento se deve, principalmente, à redução
dos gastos das famílias mais pobres com alimentos. Há 20
anos, a população brasileira que se encaixa entre os
50% mais pobres do País direcionava em média 36% do orçamento
para este fim. Em 2002/2003, o índice caiu para 28,1%.
Por outro lado, aumentou o acesso das classes mais baixas a bens de
consumo duráveis. Os gastos dos 50% mais pobres com estes produtos
cresceu de 5,6% para 8,2%, entre o final da década de 80 e os
anos 2002/2003.
''A pesquisa mostra que houve uma desconcetração dos
gastos das famílias e uma melhora no bem estar da população,
principalmente das classes mais baixas'', avalia uma das organizadoras
do livro, a professora do departamento de Economia da Universidade
Federal de Pernambuco, Tatiane Menezes.
A estabilização econômica, a abertura comercial
e o aumento da oferta de crédito no mercado são fatores
que estão por trás dos hábitos de consumo dos
brasileiros, acrescentou o professor da FEA/USP, Heron do Carmo.
''Desde a implantação do Plano Real (julho de 1994),
passamos por alterações fundamentais, principalmente
no campo da inflação. Em 1988, por exemplo, se comprava
um bem durável em no máximo três prestações,
pois não havia crédito para longo prazo'', disse Heron.
Outra mudança apontada na pesquisa diz respeito aos gastos
do brasileiros com serviços públicos. De 1995/1996 para
2002/2003, a representatividade das despesas com transportes dentro
de serviços públicos passou de 3,8% para 3,9%, enquanto
os gastos com telecomunicações aumentaram de 2,1%, para
4,2%. Folhapress.
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O Estado do Paraná,
24 de junho de 2007
Economia
Lei pode diminuir informalidade
Rosângela Oliveira
As adaptações das juntas comerciais de todo o País às
determinações da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas
está sendo tema principal do I Encontro de Vogais e Relatores,
que acontece em Curitiba até hoje. Os participantes também
estão tratando de diversos aspectos da abertura, alteração
e encerramento do registro de empresas do Paraná. A proposta é uniformizar
as ações, que hoje somam cerca de 160 mil procedimentos
por ano no Estado.
O presidente da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), Julio
Maito Filho, disse que ainda não é possível prever
a demanda nas juntas comercias em função da Lei Geral.
Porém, entende que ela deverá aumentar a formalização
das atividades das pequenas e médias empresas, que hoje respondem
por 60% dos empregos no Brasil. “Em quanto essa demanda aumentará não
se sabe, mas a idéia é aumentar a formalização”,
disse.
A Junta Comercial do Paraná, além de três unidades
de atendimento em Curitiba (Central, Portão e Sebrae), possui
47 escritórios regionais e postos de atendimento no interior
do Estado. Eles são responsáveis pela abertura de uma
média de 3,5 mil empresas por mês. Uma das metas da Jucepar
tem sido agilizar o atendimento. Hoje, o prazo para abertura de uma
empresa no Estado, considerando os trâmites nos órgãos
federais, estaduais e municipais, é de treze dias, com um custo
de R$ 41,56 na junta e de R$ 276,56 na soma de todos os órgãos
envolvidos.
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O Estado do Paraná,
24 de junho de 2007
Direito e Justiça
Carta do congresso do
MST contra as injustiças sociais
Redação O Estado do Paraná
Edésio Passos
O Movimento dos Sem Terra (MST) realizou seu 5.º Congresso Nacional
em Brasília e aprovou o seguinte manifesto, publicado na íntegra,
possibilitando o conhecimento integral das posições do
movimento: “Carta do 5.º Congresso Nacional do MST. Nós,
17.500 trabalhadoras e trabalhadores rurais Sem Terra de 24 Estados
do Brasil, 181 convidados internacionais representando 21 organizações
camponesas de 31 países e amigos e amigas de diversos movimentos
e entidades, reunidos em Brasília entre os dias 11 e 15 de junho
de 2007, no 5.º Congresso Nacional do MST, para discutirmos e
analisarmos os problemas de nossa sociedade e buscarmos apontar alternativas.
Nos comprometemos a seguir ajudando na organização do
povo, para que lute por seus direitos e contra a desigualdade e as
injustiças sociais. Por isso, assumimos os seguintes compromissos:
(1) Articular com todos os setores sociais e suas formas de organização
para construir um projeto popular que enfrente o neoliberalismo, o
imperialismo e as causas estruturais dos problemas que afetam o povo
brasileiro (2) Defender os nossos direitos contra qualquer política
que tente retirar direitos já conquistados (3) Lutar contra
as privatizações do patrimônio público,
a transposição do Rio São Francisco e pela reestatização
das empresas públicas que foram privatizadas (4) Lutar para
que todos os latifúndios sejam desapropriados e prioritariamente
as propriedades do capital estrangeiro e dos bancos (5) Lutar contra
as derrubadas e queimadas de florestas nativas para expansão
do latifúndio. Exigir dos governos ações contundentes
para coibir essas práticas criminosas ao meio ambiente. Combater
o uso dos agrotóxicos e a monocultura em larga escala da soja,
cana-de-açúcar, eucalipto, etc (6) Combater as empresas
transnacionais que querem controlar as sementes, a produção
e o comércio agrícola brasileiro, como a Monsanto, Syngenta,
Cargill, Bunge, ADM, Nestlé, Basf, Bayer, Aracruz, Stora Enso,
entre outras. Impedir que continuem explorando nossa natureza, nossa
força de trabalho e nosso país (7) Exigir o fim imediato
do trabalho escravo, a super-exploração do trabalho e
a punição dos seus responsáveis. Todos os latifúndios
que utilizam qualquer forma de trabalho escravo devem ser expropriados,
sem nenhuma indenização, como prevê o Projeto de
Emenda Constitucional já aprovado em primeiro turno na Câmara
dos Deputados (8) Lutar contra toda forma de violência no campo,
bem como a criminalização dos Movimentos Sociais. Exigir
punição dos assassinos mandantes e executores - dos lutadores
e lutadoras pela Reforma Agrária, que permanecem impunes e com
processos parados no Poder Judiciário (9) Lutar por um limite
máximo do tamanho da propriedade da terra. Pela demarcação
de todas as terras indígenas e dos remanescentes quilombolas.
A terra é um bem da natureza e deve estar condicionada aos interesses
do povo (10) Lutar para que a produção dos agrocombustíveis
esteja sob o controle dos camponeses e trabalhadores rurais, como parte
da policultura, com preservação do meio ambiente e buscando
a soberania energética de cada região (11) Defender as
sementes nativas e crioulas. Lutar contra as sementes transgênicas.
Difundir as práticas de agroecologia e técnicas agrícolas
em equilíbrio com o meio ambiente. Os assentamentos e comunidades
rurais devem produzir prioritariamente alimentos sem agrotóxicos
para o mercado interno (12) Defender todas as nascentes, fontes e reservatórios
de água doce. A água é um bem da Natureza e pertence à humanidade.
Não pode ser propriedade privada de nenhuma empresa (13) Preservar
as matas e promover o plantio de árvores nativas e frutíferas
em todas as áreas dos assentamentos e comunidades rurais, contribuindo
para preservação ambiental e na luta contra o aquecimento
global (14) Lutar para que a classe trabalhadora tenha acesso ao ensino
fundamental, escola de nível médio e a universidade pública,
gratuita e de qualidade (15) Desenvolver diferentes formas de campanhas
e programas para eliminar o analfabetismo no meio rural e na cidade,
com uma orientação pedagógica transformadora (16)
Lutar para que cada assentamento ou comunidade do interior tenha seus
próprios meios de comunicação popular, como por
exemplo, rádios comunitárias e livres. Lutar pela democratização
de todos os meios de comunicação da sociedade contribuindo
para a formação da consciência política
e a valorização da cultura do povo (17) Fortalecer a
articulação dos movimentos sociais do campo na Via Campesina
Brasil, em todos os Estados e regiões. Construir, com todos
os Movimentos Sociais a Assembléia Popular nos municípios,
regiões e estados (18) Contribuir na construção
de todos os mecanismos possíveis de integração
popular Latino-Americana, através da Alba - Alternativa Bolivariana
dos Povos das Américas. Exercer a solidariedade internacional
com os Povos que sofrem as agressões do império, especialmente
agora, com o povo de Cuba, Haiti, Iraque e Palestina. Conclamamos o
povo brasileiro para que se organize e lute por uma sociedade justa
e igualitária, que somente será possível com a
mobilização de todo o povo. As grandes transformações
são sempre obra do povo organizado. E, nós do MST, nos
comprometemos a jamais esmorecer e lutar sempre”.
Desoneração e emprego: Calcula-se em 17 bilhões
de reais a perda na arrecadação caso fosse adotada a
medida de desoneração nos encargos da folha de pagamento,
segundo o ministro Guido Mantega.O governo federal optou pela desoneração
face os investimentos dos setores intensivos de mão-de-obra,
para criar incentivos que favoreçam as empresas, estanquem as
dispensas de trabalhadores, sejam geradores de renda e aumentem as
exportações. De 2004 a 2007 houve renúncia fiscal
de 29,2 bilhões de reais incidentes sobre empresas, produtos
e serviços. Um dos setores mais beneficiados foi o de informática,
com, isenção do PIS/Cofins de R$ 2,5 a R$ 4 mil, com
preço de computador por até 900 reais.
Trabalho infantil (1): A Organização
Internacional do Trabalho (OIT) calcula que mais de 218 milhões
de crianças trabalham no mundo, cerca de 3 milhões no
Brasil. Mais de 22 mil morrem a cada ano devido a atividade laboral.
Cerca de 70% das crianças entre 5 a 14 anos trabalham na agricultura,
segundo a FAO, em condições insalubres e perigosas. Relatório
da instituição internacional afirma que 11% foi o percentual
de redução do trabalho infantil no mundo entre 2000 e
2004. A OIT entende que os programas, no Brasil, como o Toda Criança
na Escola, Bolsa Família (R$95) e Erradicação
do Trabalho Infantil (R$ 40 por criança) são iniciativas
que incentivaram as crianças, e suas famílias, a buscar
a escola e não o trabalho.Em Brasília, mais de mil crianças
levantaram o cartão vermelho contra a exploração
da mão-de-obra infantil.
Trabalho infantil (2): No Paraná,
destaque para o Projeto “Crescer Feliz”, do Núcleo
Trabalho, Justiça e Cidadania, da AMATRA IX, uma mostra de minioutdoors
e de várias outras expressões artísticas realizadas
em exposições setorizadas, nas próprias escolas,
além de evento conjunto em Curitiba, visando a erradicação
do trabalho infantil, estimulando a expressão das crianças
e adolescentes na forma de arte, segundo o lema “diga não
ao trabalho infantil”. Além das manifestações
no Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, o projeto terá seqüência
com seminários, estudos, publicação de cartilhas
e textos, assim como novas iniciativas. Instituições
do setor público, empresas e associações estão
se incorporando ao projeto, contribuindo com a produção
de excelente material de divulgação. Conheça o
Projeto “Crescer Feliz”, Contribua e Participe (www.nucleotjcpr.org.br)
FGTS: A Comissão de Assuntos
Sociais do Senado Federal aprovou projeto que reduz para um ano o prazo
para que o trabalhador possa sacar os recursos do Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço (FGTS). Aprovado na forma de substitutivo
do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG), o PLS 126/06 é de autoria
do senador Paulo Paim (PT/RS). O substitutivo estabelece que o novo
prazo é válido para rescisão por qualquer motivo,
mesmo que o trabalhador venha a firmar um novo contrato de trabalho.
Atualmente, nas hipóteses de demissão por justa causa
ou rescisão de contrato a pedido do trabalhador, os recursos
depositados no FGTS só podem ser sacados após três
anos ininterruptos sem movimentação da conta. Há também
a possibilidade de saque antes dos três anos, mas somente quando
o trabalhador é demitido sem justa causa. O projeto original
do senador Paim acrescenta dispositivos aos arts. 5.º e 20 da
Lei n.º 8.036, de 11 de maio de 1990, para dispor sobre a divulgação
da existência de contas inativas do FGTS e dos pressupostos para
sua liberação. Conforme a Caixa Econômica Federal,
no exercício de 2004, havia 646 mil contas inativas que ainda
mantinham saldo, totalizando cerca de R$ 350 milhões. A essas,
se somam as contas incorporadas às Reservas Técnicas
do Fundo, por se encontrarem sem movimentação há mais
de cinco anos. Tais contas representaram o montante de R$ 13 bilhões.
Dados de 2005 indicam a existência de 815 mil contas inativas,
no total de R$ 395 milhões. Esse dinheiro do trabalhador brasileiro
acha-se, entretanto, parado nos cofres do Fundo. Em prol de que o projeto
tenha sua apreciação concluída no Parlamento e
seja o quanto antes enviado à sanção presidencial,
Paim afirma que “é Justiça, portanto, que o trabalhador
receba todos os esclarecimentos acerca da existência de valores
de sua titularidade que estejam a sua disposição”(Agência
Diap)
Gratuidade nos Cartórios: Por
maioria, o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade
de normas que dispõem sobre a gratuidade do registro civil e
da certidão de óbito para cidadãos reconhecidamente
sem condições para arcar com os documentos. Foram declarados
constitucionais os artigos 1.º, 3.º e 5.º da Lei n.º 9.534/1997.
A Ação Direta de Inconstitucionalidade foi impetrada
pela Associação dos Notários e Registradores do
Brasil e a Ação Declaratória de Constitucionalidade
pela Procuradoria Geral da República. O relator das ações
era o ministro Nelson Jobim, que deferiu liminar para a ADC, mantendo
a gratuidade até o julgamento do mérito. O ministro Ricardo
Lewandowski, em seu voto-vista, afirmou que a isenção
dos emolumentos previstos na Lei 9.534 /97 não romperia o equilíbrio
econômico-financeiro dos cartórios que inviabilize sua
continuidade. Ele destacou ainda o princípio da proporcionalidade,
que exige que o Estado preste proteção eficaz aos “economicamente
hiposuficientes”, sobretudo em relação aos seus
direitos de cidadania. “O nascimento e a morte constituem fatos
naturais que afetam igualmente ricos e pobres, mas as suas conseqüências
econômicas e sociais distribuem-se desigualmente entre eles”,
concluiu (Última Instância).
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Folha de São Paulo,
24 de junho de 2007
Gasto público cresce
muito acima do PIB
Despesa com pessoal sobe 12% no primeiro quadrimestre; investimento também
aumenta, mas não em áreas do PAC
Ministério do Planejamento diz que gastos
correntes e para investimentos são "atípicos" no
início do ano e que o governo está "atento"
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Sustentados por recordes na arrecadação e por um potencial
novo aumento da carga tributária em 2007, os gastos correntes
do governo federal cresceram acima da variação do PIB
(Produto Interno Bruto) no primeiro quadrimestre do ano.
Entre janeiro e abril, houve um aumento de 11,8% nas despesas com pessoal
e de 13,6% nos gastos da Previdência sobre igual período
em 2006.
Com a expectativa de um PIB em torno de 4,3% no ano e inflação
ao redor de 3,4%, os gastos não-financeiros da União
crescem hoje a um ritmo de cinco pontos percentuais acima do da expansão
econômica. Especialistas alertam de que esses gastos, impulsionados
por reajustes salariais e criação de cargos, são
definitivamente incorporados às despesas correntes da União,
tornando obrigatório aumentar a carga tributária para
financiá-los. No primeiro quadrimestre, os investimentos federais
também cresceram. Mas os maiores aumentos até agora estão
concentrados em áreas que nada têm a ver com infra-estrutura
ou transporte, como previa o PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento).
Enquanto o caixa do Tesouro destinou 612% mais dinheiro ao Ministério
do Desenvolvimento Agrário (R$ 455 milhões), para Transportes
o aumento foi de 3,7% (R$ 933 milhões) entre janeiro e abril.
Investimentos "atípicos"
Na média, segundo cálculos do especialista em contas
públicas Raul Velloso a partir de dados do Tesouro, as despesas
não-financeiras (que incluem gastos correntes com salários,
investimentos e outros, mas excluem juros) da União cresceram
12,9% no ano. O Ministério do Planejamento diz que os gastos
(correntes e para investimentos) costumam ser "atípicos" no
início do ano e que está "atento" em relação
ao controle de suas despesas.
"Houve uma reestruturação em algumas carreiras
do funcionalismo para melhorar a qualidade do gasto público",
afirma o assessor de Assuntos Econômicos do Ministério
do Planejamento, Luiz Pereira, para justificar o aumento na despesa
com funcionalismo neste início de ano. Na semana passada, um
dia antes de criar 626 novos cargos de confiança no Poder Executivo,
o governo reajustou em até 140% os salários de 21.563
servidores públicos. A partir de 2008, as medidas poderão
custar permanentemente cerca de meio bilhão de reais ao ano
aos cofres públicos.
No Congresso, porém, a única medida fiscal do PAC destinada
a limitar os reajustes de salários do funcionalismo (proposta
em janeiro) está parada, com chances mínimas de vir a
ser aprovada.
"Receita bombando"
"Com a receita de impostos bombando, o governo se sente mais à vontade
para fazer bondades no lado das despesas de custeio. Mas, se a maré do
atual crescimento mudar, isso poderá custar caro", afirma
Fabio Giambiagi, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), ligado ao Ministério do Planejamento. Entre janeiro
e maio, a arrecadação total de impostos e contribuições
federais e previdenciárias cresceu 11% sobre igual período
de 2006 e somou R$ 235 bilhões.
Pelos cálculos do economista Amir Khair, mantida a tendência
da arrecadação nos primeiros cinco meses, a carga tributária
neste ano deve subir 1,4 ponto percentual, para 35,7% do PIB. Em 2006,
segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), a carga tributária
aumentou 1,9%.
Economia com juros
Khair alerta de que parte da economia na conta de juros (que deve
cair de R$ 140 bilhões em 2006 para R$ 120 bilhões neste
ano por causa da redução da taxa básica, a Selic)
também "corre o risco de acabar virando gasto corrente". "O
juro abre um espaço para mais gastos que nada tem a ver com
racionalizar despesa", diz. Para o economista Sérgio Vale,
da MB Associados, a discussão sobre mais impostos "esfriou" depois
que a revisão do PIB, em março, "baixou" a
carga tributária de 38,8% para um patamar próximo a 35%. "Nesse
ritmo, rapidamente voltaremos a uma carga tributária de 38%
do PIB", afirma.
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